Teste
AS_IV
4 DE 4 QUESTÕES RESTANTES
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Pergunta 1 0,2 Pontos
A última parte do poema “Rios sem discurso” composta pelos versos - “se reatando, de um para outro poço,/
em frases curtas, então frase a frase,/até a sentença-rio do discurso único/ em que se tem voz a seca ele
combate”- sugere que o modo mais eficaz de se combater a seca é:
Ganhar voz, por meio da união com outras vozes, pois só por meio de um discurso articulado é que se
A
consegue combater as causas estruturais da miséria advinda da seca.
Unir-se aos políticos grandiloquentes, ouvir os discursos deles, ainda que interinos, ou seja,
B
provisórios, como forma de ganhar recursos para combater a seca.
O sertanejo mudar para a cidade grande, porque é lá que se unirá a outros cidadãos-poços e poderá
C
ter voz.
O governo enviar recursos para o sertanejo, ainda que poucos, pois a fusão desses valores é que
D
constituirá a grande sentença que poderá combater a seca.
E A natureza mandar chuva, pois só com a cheia é que se conseguirá a união.
Pergunta 2 0,2 Pontos
A segunda parte do poema “Rios sem discurso” diz que o rio cortado raramente se refaz, salvo se houver “a
grandiloquência de uma cheia lhe impondo interina outra linguagem”. Uma leitura possível desse fragmento
seria:
O sertanejo deve desenvolver um discurso grandiloquente, já que tem condições para isso. Basta se
A
conscientizar de que ele tem tanta força quanto a correnteza de um rio cheio.
Linguagem grandiloquente e interina seria aquela que viria salvar o cidadão do seu isolamento,
B
resgatando sua dignidade social, por isso mesmo ela é desejável.
A linguagem interina seria aquela que viria de uma educação autêntica, acadêmica, que fornecesse ao
C
homem do sertão subsídios para se defender.
A grandiloquência de uma cheia, ou seja, a linguagem empolada e interina, seria a única forma de o
D
cidadão sair de seu isolamento.
A linguagem interina e grandiloquente pode ser vista como o discurso alheio, talvez o político, que
E
invade a vida do cidadão de forma tão violenta e abrupta quanto a cheia invade o rio.
Pergunta 3 0,2 Pontos
Leia o texto:
Rios sem discurso
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água porque ele discorria.
***
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o rio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase a frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
(João Cabral de Melo Neto)
“Rios sem discurso” fala de rio que corta, de água isolada. Podemos dizer que:
tanto o Isolamento linguístico quanto o social são dois tipos de problemas que se interseccionam
A
para compor a crítica social.
B o isolamento citado no poema é mais geográfico do que linguístico.
C o isolamento é exclusivamente linguístico, não agravado por nenhum outro fator.
D trata-se de um isolamento econômico.
E trata-se de um isolamento geográfico, apenas.
Pergunta 4 0,2 Pontos
Leia o texto:
Rios sem discurso
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água porque ele discorria.
***
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o rio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase a frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
(João Cabral de Melo Neto)
Por meio da leitura do texto, podemos compreender que “água em situação dicionária” trata-se de:
de uma palavra que não se apresenta em condições de ser utilizada na construção do texto, por ser
A
pobre de significações, considerando-se a dimensão metalinguística do poema.
água inadequada para o consumo humano, ou seja, água árida, já que os textos dos verbetes de
B
dicionário são sempre áridos, objetivos e não apresentam referências à linguagem metafórica.
C um neologismo que retrata a falta de água no Nordeste, já que é lá que João Cabral nasceu e viveu.
de uma afirmação sobre a situação das palavras no dicionário, que só significam se estiverem unidas
D às outras. Portanto, a “situação dicionária” da poça/palavra equivale ao isolamento dela, do qual
decorre a falta de sentido.
uma metáfora que reflete a falta de liberdade do povo na época da ditadura militar: água em situação
E
dicionária seria água presa, represada, como estavam os opositores do regime na época.
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