06 Conhecimentos Especificos
06 Conhecimentos Especificos
Conhecimentos Específicos
Conhecimentos Específicos
Bases Éticas e Legais do exercício Profissional de Enfermagem: Código de Ética dos
Profissionais de Enfermagem........................................................................................... 1
Lei do Exercício profissional da Enfermagem e Regulamentações do Exercício Profis-
sional ................................................................................................................................ 11
Entidades de Classe........................................................................................................ 11
Enfermagem: Liderança e o Processo Decisório no exercício profissional do(a) enfer-
meiro(a) Dimensionamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos ......................... 14
Gerenciamento dos Recursos Físicos e Ambientais ....................................................... 28
Processo de qualidade da assistência e auditoria em enfermagem ............................... 34
Segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde ............................................. 46
Processos de trabalho da enfermagem em saúde .......................................................... 46
Procedimentos de enfermagem em saúde...................................................................... 46
Cuidados de Enfermagem em saúde: do recém-nascido, à criança, a pessoa adoles-
cente, a pessoa adulta, a mulher, ao homem e a pessoa idosa ...................................... 61
Cuidados de enfermagem a população LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais e pessoas
trans e travestis), pessoas com deficiência e pessoas em situação de rua ..................... 61
Cuidados de enfermagem a pessoas em situação de violência ..................................... 61
Cuidados de enfermagem a população negra ................................................................ 66
Cuidados de enfermagem no período grávido-puerperal e patologias clínico ginecoló-
gicas ................................................................................................................................. 67
Rastreio e Prevenção de câncer de colo e mama........................................................... 67
Planejamento familiar e reprodutivo ................................................................................ 84
Cuidados de enfermagem para promoção e proteção do aleitamento humano e alimen-
tação saudável ................................................................................................................. 93
Cuidados de enfermagem em puericultura ..................................................................... 110
Cuidado em controle de infecções relacionadas a assistencia à saúde ......................... 111
Cuidado de enfermagem às pessoas com transtornos mentais leves, moderados e
graves/persistentes .......................................................................................................... 111
Cuidado de enfermagem em situações de urgência e emergência em saúde ............... 111
Cuidado de enfermagem em clínica médica e cirurgica.................................................. 142
Cuidado de enfermagem para prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com
tuberculose, hanseníase, COVID-19, Doença Falciforme, arboviroses, doenças e agra-
vos negligenciados, HIV, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis .............. 174
Cuidado de enfermagem a feridas crônicas e agudas .................................................... 189
Atuação de enfermagem no Programa Nacional de Imunizações .................................. 197
Atuação de enfermagem na vigilância epidemiológica ................................................... 197
Vigilância em saúde ambiental ......................................................................................... 197
Vigilância em saúde do trabalhador ................................................................................. 198
Conhecimentos Específicos
Vigilância sanitária............................................................................................................ 200
Questões .......................................................................................................................... 205
Gabarito ............................................................................................................................ 213
O Conselho Federal de Enfermagem – Cofen, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei nº
5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 421, de 15
de fevereiro de 2012, e
CONSIDERANDO que nos termos do inciso III do artigo 8º da Lei 5.905, de 12 de julho de 1973, compete ao
Cofen elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando necessário, ouvidos os Conselhos
Regionais;
CONSIDERANDO que o Código de Deontologia de Enfermagem deve submeter-se aos dispositivos cons-
titucionais vigentes;
CONSIDERANDO a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Assembleia Geral das
Nações Unidas (1948) e adotada pela Convenção de Genebra (1949), cujos postulados estão contidos no Có-
digo de Ética do Conselho Internacional de Enfermeiras (1953, revisado em 2012);
CONSIDERANDO a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (2005);
CONSIDERANDO o Código de Deontologia de Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (1976),
o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (199 , reformulado em e ), as normas nacionais de
pesquisa (Resolução do Conselho Nacional de Saúde – CNS nº 196/1996), revisadas pela Resolução nº 466/2012,
e as normas internacionais sobre pesquisa envolvendo seres humanos;
CO SIDERA DO a proposta de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, con-
solidada na 1ª Conferência Nacional de Ética na Enfermagem – 1ª CONEENF, ocorrida no período de 07 a 09
de junho de 2017, em Brasília – DF, realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem e Coordenada pela Co-
missão acional de Reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, instituída pela Portaria
Cofen nº 1.351/2016;
CONSIDERANDO a Lei nº 11.340, de 07 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha) que cria mecanismos para
coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal
e a Lei n 1 , de de novembro de , que estabelece a notificação compulsória, no território nacional,
nos casos de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos e privados;
CONSIDERANDO a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do
Adolescente;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.741, de 01 de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso;
CONSIDERANDO a Lei nº. 10.216, de 06 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das
pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental;
CONSIDERANDO a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promo-
ção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes;
CONSIDERANDO as sugestões apresentadas na Assembleia Extraordinária de Presidentes dos Conselhos
Regionais de Enfermagem, ocorrida na sede do Cofen, em Brasília, Distrito Federal, no dia 18 de julho de 2017,
e
CONSIDERANDO a deliberação do Plenário do Conselho Federal de Enfermagem em sua 491ª Reunião
Ordinária,
RESOLVE:
1
Art 1 Aprovar o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, conforme o anexo desta Resolu-
ção, para observância e respeito dos profissionais de Enfermagem, que poderá ser consultado através do sítio
de internet do Cofen ([Link]).
Art. 2º Este Código aplica-se aos Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares de Enfermagem, Obs-
tetrizes e Parteiras, bem como aos atendentes de Enfermagem.
Art. 3º Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Art. 4º Este Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Enfermagem, por proposta de 2/3 dos
Conselheiros Efetivos do Conselho Federal ou mediante proposta de 2/3 dos Conselhos Regionais.
Parágrafo Único. A alteração referida deve ser precedida de ampla discussão com a categoria, coordenada
pelos Conselhos Regionais, sob a coordenação geral do Conselho Federal de Enfermagem, em formato de
Conferência Nacional, precedida de Conferências Regionais.
Art. 5º A presente Resolução entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias a partir da data de sua publicação
no Diário Oficial da nião, revogando-se as disposições em contrário, em especial a Resolução Cofen n
311/2007, de 08 de fevereiro de 2007.
Brasília, 6 de novembro de 2017.
A Enfermagem é comprometida com a produção e gestão do cuidado prestado nos diferentes contextos
socioambientais e culturais em resposta às necessidades da pessoa, família e coletividade.
O profissional de Enfermagem atua com autonomia e em consonância com os preceitos éticos e legais, téc-
nico-científico e teórico-filosófico exerce suas atividades com competência para promoção do ser humano na sua
integralidade, de acordo com os Princípios da Ética e da Bioética, e participa como integrante da equipe de Enferma-
gem e de saúde na defesa das Políticas Públicas, com ênfase nas políticas de saúde que garantam a universalidade
de acesso, integralidade da assistência, resolutividade, preservação da autonomia das pessoas, participação da
comunidade, hierarquização e descentralização político-administrativa dos serviços de saúde.
O cuidado da Enfermagem se fundamenta no conhecimento próprio da profissão e nas ciências humanas,
sociais e aplicadas e é executado pelos profissionais na prática social e cotidiana de assistir, gerenciar, ensinar,
educar e pesquisar.
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Art 1 Exercer a Enfermagem com liberdade, segurança técnica, científica e ambiental, autonomia, e ser
tratado sem discriminação de qualquer natureza, segundo os princípios e pressupostos legais, éticos e dos
direitos humanos.
Art. 2º Exercer atividades em locais de trabalho livre de riscos e danos e violências física e psicológica à
saúde do trabalhador, em respeito à dignidade humana e à proteção dos direitos dos profissionais de enferma-
gem.
Art Apoiar e/ou participar de movimentos de defesa da dignidade profissional, do exercício da cidadania
e das reivindicações por melhores condições de assistência, trabalho e remuneração, observados os parâme-
tros e limites da legislação vigente.
Art Participar da prática multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinar com responsabilidade, auto-
nomia e liberdade, observando os preceitos éticos e legais da profissão
Art. 5º Associar-se, exercer cargos e participar de Organizações da Categoria e Órgãos de Fiscalização do
Exercício Profissional, atendidos os requisitos legais
Art Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos, históricos e cul-
turais que dão sustentação à prática profissional
Art. 7º Ter acesso às informações relacionadas à pessoa, família e coletividade, necessárias ao exercício
profissional
Art. 8º Requerer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, medidas cabíveis para
obtenção de desagravo público em decorrência de ofensa sofrida no exercício profissional ou que atinja a pro-
fissão
Art. 9º Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, de forma fundamentada, quando impedido de
cumprir o presente Código, a Legislação do Exercício Profissional e as Resoluções, Decisões e Pareceres or-
mativos emanados pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.
Art. 10 Ter acesso, pelos meios de informação disponíveis, às diretrizes políticas, normativas e protocolos
institucionais, bem como participar de sua elaboração.
Art. 11 Formar e participar da Comissão de Ética de Enfermagem, bem como de comissões interdisciplina-
res da instituição em que trabalha.
Art 1 Abster-se de revelar informações confidenciais de que tenha conhecimento em ra ão de seu exer-
cício profissional
Art. 13 Suspender as atividades, individuais ou coletivas, quando o local de trabalho não oferecer condi-
ções seguras para o exercício profissional e/ou desrespeitar a legislação vigente, ressalvadas as situações de
urgência e emergência, devendo formalizar imediatamente sua decisão por escrito e/ou por meio de correio
eletrônico à instituição e ao Conselho Regional de Enfermagem.
Art. 14 Aplicar o processo de Enfermagem como instrumento metodológico para planejar, implementar,
avaliar e documentar o cuidado à pessoa, família e coletividade.
Art. 15 Exercer cargos de direção, gestão e coordenação, no âmbito da saúde ou de qualquer área direta
ou indiretamente relacionada ao exercício profissional da Enfermagem
Art. 16 Conhecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão que envolvam pessoas e/ou local de traba-
lho sob sua responsabilidade profissional
Art. 17 Realizar e participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, respeitando a legislação vigente.
Art 1 Ter reconhecida sua autoria ou participação em pesquisa, extensão e produção técnico-científica
Art. 19 Utilizar-se de veículos de comunicação, mídias sociais e meios eletrônicos para conceder entrevis-
tas, ministrar cursos, palestras, conferências, sobre assuntos de sua competência e/ou divulgar eventos com
finalidade educativa e de interesse social
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Art. 20 Anunciar a prestação de serviços para os quais detenha habilidades e competências técnico-cientí-
ficas e legais
Art 1 egar-se a ser filmado, fotografado e exposto em mídias sociais durante o desempenho de suas
atividades profissionais
Art Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal
ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade
Art Requerer junto ao gestor a quebra de vínculo da relação profissional/usuários quando houver risco
à sua integridade física e moral, comunicando ao Coren e assegurando a continuidade da assistência de En-
fermagem.
Art Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência,
responsabilidade, honestidade e lealdade.
Art. 25 Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na diversidade
de opinião e posição ideológica.
Art Conhecer, cumprir e fa er cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e demais
normativos do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.
Art Incentivar e apoiar a participação dos profissionais de Enfermagem no desempenho de atividades em orga-
nizações da categoria.
Art. 28 Comunicar formalmente ao Conselho Regional de Enfermagem e aos órgãos competentes fatos que
infrinjam dispositivos éticos-legais e que possam prejudicar o exercício profissional e a segurança à saúde da
pessoa, família e coletividade.
Art. 29 Comunicar formalmente, ao Conselho Regional de Enfermagem, fatos que envolvam recusa e/ou de-
missão de cargo, função ou emprego, motivado pela necessidade do profissional em cumprir o presente Código
e a legislação do exercício profissional
Art Cumprir, no pra o estabelecido, determinações, notificações, citações, convocações e intimações do
Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.
Art 1 Colaborar com o processo de fiscali ação do exercício profissional e prestar informações fidedignas,
permitindo o acesso a documentos e a área física institucional.
Art. 32 Manter inscrição no Conselho Regional de Enfermagem, com jurisdição na área onde ocorrer o exer-
cício profissional
Art. 33 Manter os dados cadastrais atualizados junto ao Conselho Regional de Enfermagem de sua jurisdi-
ção.
Art anter regulari adas as obrigações financeiras junto ao Conselho Regional de Enfermagem de sua
jurisdição.
Art. 35 Apor nome completo e/ou nome social, ambos legíveis, número e categoria de inscrição no Conselho
Regional de Enfermagem, assinatura ou rubrica nos documentos, quando no exercício profissional
§ 1º É facultado o uso do carimbo, com nome completo, número e categoria de inscrição no Coren, devendo
constar a assinatura ou rubrica do profissional
uando se tratar de prontuário eletr nico, a assinatura deverá ser certificada, conforme legislação
vigente.
Art. 36 Registrar no prontuário e em outros documentos as informações inerentes e indispensáveis ao pro-
cesso de cuidar de forma clara, objetiva, cronológica, legível, completa e sem rasuras.
Art. 37 Documentar formalmente as etapas do processo de Enfermagem, em consonância com sua com-
petência legal.
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Art Prestar informações escritas e/ou verbais, completas e fidedignas, necessárias à continuidade da
assistência e segurança do paciente.
Art. 39 Esclarecer à pessoa, família e coletividade, a respeito dos direitos, riscos, benefícios e intercorrên-
cias acerca da assistência de Enfermagem.
Art. 40 Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências decorrentes de exa-
mes e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante legal.
Art. 41 Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza.
Art. 42 Respeitar o direito do exercício da autonomia da pessoa ou de seu representante legal na tomada
de decisão, livre e esclarecida, sobre sua saúde, segurança, tratamento, conforto, bem-estar, realizando ações
necessárias, de acordo com os princípios éticos e legais.
Parágrafo único. Respeitar as diretivas antecipadas da pessoa no que concerne às decisões sobre cuida-
dos e tratamentos que deseja ou não receber no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e
autonomamente, suas vontades.
Art. 43 Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa, em todo seu ciclo vital e nas situações
de morte e pós-morte.
Art. 44 Prestar assistência de Enfermagem em condições que ofereçam segurança, mesmo em caso de suspen-
são das atividades profissionais decorrentes de movimentos reivindicatórios da categoria
Parágrafo único. Será respeitado o direito de greve e, nos casos de movimentos reivindicatórios da catego-
ria, deverão ser prestados os cuidados mínimos que garantam uma assistência segura, conforme a complexi-
dade do paciente.
Art. 45 Prestar assistência de Enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou impru-
dência.
Art. 46 Recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e Médica na qual não constem assinatura e nú-
mero de registro do profissional prescritor, exceto em situação de urgência e emergência
1 O profissional de Enfermagem deverá recusar-se a executar prescrição de Enfermagem e édica em
caso de identificação de erro e/ou ilegibilidade da mesma, devendo esclarecer com o prescritor ou outro profis-
sional, registrando no prontuário.
É vedado ao profissional de Enfermagem o cumprimento de prescrição à distância, exceto em casos de
urgência e emergência e regulação, conforme Resolução vigente.
Art. 47 Posicionar-se contra, e denunciar aos órgãos competentes, ações e procedimentos de membros da
equipe de saúde, quando houver risco de danos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência ao pa-
ciente, visando a proteção da pessoa, família e coletividade.
Art. 48 Prestar assistência de Enfermagem promovendo a qualidade de vida à pessoa e família no processo do
nascer, viver, morrer e luto.
Parágrafo único. Nos casos de doenças graves incuráveis e terminais com risco iminente de morte, em
consonância com a equipe multiprofissional, oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis para assegurar
o conforto físico, psíquico, social e espiritual, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal.
Art. 49 Disponibilizar assistência de Enfermagem à coletividade em casos de emergência, epidemia, catás-
trofe e desastre, sem pleitear vantagens pessoais, quando convocado.
Art Assegurar a prática profissional mediante consentimento prévio do paciente, representante ou res-
ponsável legal, ou decisão judicial.
Parágrafo único. Ficam resguardados os casos em que não haja capacidade de decisão por parte da pes-
soa, ou na ausência do representante ou responsável legal.
Art 1 Responsabili ar-se por falta cometida em suas atividades profissionais, independentemente de ter
sido praticada individual ou em equipe, por imperícia, imprudência ou negligência, desde que tenha participa-
ção e/ou conhecimento prévio do fato.
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Parágrafo único. Quando a falta for praticada em equipe, a responsabilidade será atribuída na medida do(s)
ato(s) praticado(s) individualmente.
Art anter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em ra ão da atividade profissional, exceto nos casos
previstos na legislação ou por determinação judicial, ou com o consentimento escrito da pessoa envolvida ou de seu
representante ou responsável legal.
§ 1º Permanece o dever mesmo quando o fato seja de conhecimento público e em caso de falecimento da
pessoa envolvida.
§ 2º O fato sigiloso deverá ser revelado em situações de ameaça à vida e à dignidade, na defesa própria ou
em atividade multiprofissional, quando necessário à prestação da assistência
O profissional de Enfermagem intimado como testemunha deverá comparecer perante a autoridade e,
se for o caso, declarar suas ra ões éticas para manutenção do sigilo profissional
§ 4º É obrigatória a comunicação externa, para os órgãos de responsabilização criminal, independentemen-
te de autorização, de casos de violência contra: crianças e adolescentes; idosos; e pessoas incapacitadas ou
sem condições de firmar consentimento
§ 5º A comunicação externa para os órgãos de responsabilização criminal em casos de violência doméstica
e familiar contra mulher adulta e capaz será devida, independentemente de autorização, em caso de risco à
comunidade ou à vítima, a juí o do profissional e com conhecimento prévio da vítima ou do seu responsável
Art Resguardar os preceitos éticos e legais da profissão quanto ao conteúdo e imagem veiculados nos
diferentes meios de comunicação e publicidade.
Art Estimular e apoiar a qualificação e o aperfeiçoamento técnico-científico, ético-político, socioeducati-
vo e cultural dos profissionais de Enfermagem sob sua supervisão e coordenação
Art Aprimorar os conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos e culturais, em be-
nefício da pessoa, família e coletividade e do desenvolvimento da profissão
Art. 56 Estimular, apoiar, colaborar e promover o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e ex-
tensão, devidamente aprovados nas instâncias deliberativas.
Art. 57 Cumprir a legislação vigente para a pesquisa envolvendo seres humanos.
Art. 58 Respeitar os princípios éticos e os direitos autorais no processo de pesquisa, em todas as etapas.
Art 9 Somente aceitar encargos ou atribuições quando se julgar técnica, científica e legalmente apto para
o desempenho seguro para si e para outrem.
Art Respeitar, no exercício da profissão, a legislação vigente relativa à preservação do meio ambiente
no gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
Art. 61 Executar e/ou determinar atos contrários ao Código de Ética e à legislação que disciplina o exercício
da Enfermagem.
Art Executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não
ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade
Art. 63 Colaborar ou acumpliciar-se com pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitem a legislação e prin-
cípios que disciplinam o exercício profissional de Enfermagem
Art. 64 Provocar, cooperar, ser conivente ou omisso diante de qualquer forma ou tipo de violência contra a
pessoa, família e coletividade, quando no exercício da profissão
Art. 65 Aceitar cargo, função ou emprego vago em decorrência de fatos que envolvam recusa ou demissão
motivada pela necessidade do profissional em cumprir o presente código e a legislação do exercício profissio-
nal; bem como pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, utilizando-se de concorrência desleal.
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Art. 66 Permitir que seu nome conste no quadro de pessoal de qualquer instituição ou estabelecimento con-
gênere, quando, nestas, não exercer funções de enfermagem estabelecidas na legislação.
Art. 67 Receber vantagens de instituição, empresa, pessoa, família e coletividade, além do que lhe é devido,
como forma de garantir assistência de Enfermagem diferenciada ou benefícios de qualquer natureza para si ou
para outrem.
Art Valer-se, quando no exercício da profissão, de mecanismos de coação, omissão ou suborno, com
pessoas físicas ou jurídicas, para conseguir qualquer tipo de vantagem.
Art. 69 Utilizar o poder que lhe confere a posição ou cargo, para impor ou induzir ordens, opiniões, ideolo-
gias políticas ou qualquer tipo de conceito ou preconceito que atentem contra a dignidade da pessoa humana,
bem como dificultar o exercício profissional
Art tili ar dos conhecimentos de enfermagem para praticar atos tipificados como crime ou contraven-
ção penal, tanto em ambientes onde exerça a profissão, quanto naqueles em que não a exerça, ou qualquer
ato que infrinja os postulados éticos e legais.
Art. 71 Promover ou ser conivente com injúria, calúnia e difamação de pessoa e família, membros das equi-
pes de Enfermagem e de saúde, organizações da Enfermagem, trabalhadores de outras áreas e instituições
em que exerce sua atividade profissional
Art. 72 Praticar ou ser conivente com crime, contravenção penal ou qualquer outro ato que infrinja postula-
dos éticos e legais, no exercício profissional
Art. 73 Provocar aborto, ou cooperar em prática destinada a interromper a gestação, exceto nos casos per-
mitidos pela legislação vigente.
Parágrafo único os casos permitidos pela legislação, o profissional deverá decidir de acordo com a sua cons-
ciência sobre sua participação, desde que seja garantida a continuidade da assistência.
Art. 74 Promover ou participar de prática destinada a antecipar a morte da pessoa.
Art. 75 Praticar ato cirúrgico, exceto nas situações de emergência ou naquelas expressamente autorizadas
na legislação, desde que possua competência técnica-científica necessária
Art. 76 Negar assistência de enfermagem em situações de urgência, emergência, epidemia, desastre e ca-
tástrofe, desde que não ofereça risco a integridade física do profissional
Art. 77 Executar procedimentos ou participar da assistência à saúde sem o consentimento formal da pessoa
ou de seu representante ou responsável legal, exceto em iminente risco de morte.
Art. 78 Administrar medicamentos sem conhecer indicação, ação da droga, via de administração e poten-
ciais riscos, respeitados os graus de formação do profissional
Art. 79 Prescrever medicamentos que não estejam estabelecidos em programas de saúde pública e/ou em
rotina aprovada em instituição de saúde, exceto em situações de emergência.
Art. 80 Executar prescrições e procedimentos de qualquer natureza que comprometam a segurança da
pessoa.
Art 1 Prestar serviços que, por sua nature a, competem a outro profissional, exceto em caso de emergên-
cia, ou que estiverem expressamente autorizados na legislação vigente.
Art Colaborar, direta ou indiretamente, com outros profissionais de saúde ou áreas vinculadas, no des-
cumprimento da legislação referente aos transplantes de órgãos, tecidos, esterilização humana, reprodução
assistida ou manipulação genética.
Art Praticar, individual ou coletivamente, quando no exercício profissional, assédio moral, sexual ou
de qualquer natureza, contra pessoa, família, coletividade ou qualquer membro da equipe de saúde, seja por
meio de atos ou expressões que tenham por consequência atingir a dignidade ou criar condições humilhantes
e constrangedoras.
Art Anunciar formação profissional, qualificação e título que não possa comprovar
Art. 85 Realizar ou facilitar ações que causem prejuízo ao patrimônio das organizações da categoria.
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Art. 86 Produzir, inserir ou divulgar informação inverídica ou de conteúdo duvidoso sobre assunto de sua
área profissional
Parágrafo único Fa er referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam identificar pes-
soas ou instituições sem prévia autorização, em qualquer meio de comunicação.
Art. 87 Registrar informações incompletas, imprecisas ou inverídicas sobre a assistência de Enfermagem
prestada à pessoa, família ou coletividade.
Art. 88 Registrar e assinar as ações de Enfermagem que não executou, bem como permitir que suas ações
sejam assinadas por outro profissional
Art. 89 Disponibilizar o acesso a informações e documentos a terceiros que não estão diretamente envolvi-
dos na prestação da assistência de saúde ao paciente, exceto quando autorizado pelo paciente, representante
legal ou responsável legal, por determinação judicial.
Art 9 egar, omitir informações ou emitir falsas declarações sobre o exercício profissional quando solicita-
do pelo Conselho Regional de Enfermagem e/ou Comissão de Ética de Enfermagem.
Art. 91 Delegar atividades privativas do(a) Enfermeiro(a) a outro membro da equipe de Enfermagem, exceto
nos casos de emergência.
Parágrafo único. Fica proibido delegar atividades privativas a outros membros da equipe de saúde.
Art 9 Delegar atribuições dos(as) profissionais de enfermagem, previstas na legislação, para acompa-
nhantes e/ou responsáveis pelo paciente.
Parágrafo único. O dispositivo no caput não se aplica nos casos da atenção domiciliar para o autocuidado
apoiado.
Art. 93 Eximir-se da responsabilidade legal da assistência prestada aos pacientes sob seus cuidados reali-
zados por alunos e/ou estagiários sob sua supervisão e/ou orientação.
Art. 94 Apropriar-se de dinheiro, valor, bem móvel ou imóvel, público ou particular, que esteja sob sua res-
ponsabilidade em ra ão do cargo ou do exercício profissional, bem como desviá-lo em proveito próprio ou de
outrem.
Art. 95 Realizar ou participar de atividades de ensino, pesquisa e extensão, em que os direitos inalienáveis
da pessoa, família e coletividade sejam desrespeitados ou ofereçam quaisquer tipos de riscos ou danos previ-
síveis aos envolvidos.
Art. 96 Sobrepor o interesse da ciência ao interesse e segurança da pessoa, família e coletividade.
Art 9 Falsificar ou manipular resultados de pesquisa, bem como usá-los para fins diferentes dos objetivos
previamente estabelecidos.
Art 9 Publicar resultados de pesquisas que identifiquem o participante do estudo e/ou instituição envolvi-
da, sem a autorização prévia.
Art 99 Divulgar ou publicar, em seu nome, produção técnico-científica ou instrumento de organi ação formal
do qual não tenha participado ou omitir nomes de coautores e colaboradores.
Art. 100 Utilizar dados, informações, ou opiniões ainda não publicadas, sem referência do autor ou sem a
sua autorização.
Art 1 1 Apropriar-se ou utili ar produções técnico-científicas, das quais tenha ou não participado como
autor, sem concordância ou concessão dos demais partícipes.
Art. 102 Aproveitar-se de posição hierárquica para fazer constar seu nome como autor ou coautor em obra
técnico-científica
Art. 103 A caracterização das infrações éticas e disciplinares, bem como a aplicação das respectivas pena-
lidades regem-se por este Código, sem prejuízo das sanções previstas em outros dispositivos legais.
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Art. 104 Considera-se infração ética e disciplinar a ação, omissão ou conivência que implique em desobe-
diência e/ou inobservância às disposições do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, bem como a
inobservância das normas do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem.
Art 1 O(a) Profissional de Enfermagem responde pela infração ética e/ou disciplinar, que cometer ou
contribuir para sua prática, e, quando cometida(s) por outrem, dela(s) obtiver benefício.
Art. 106 A gravidade da infração é caracterizada por meio da análise do(s) fato(s), do(s) ato(s) praticado(s)
ou ato(s) omissivo(s), e do(s) resultado(s).
Art. 107 A infração é apurada em processo instaurado e conduzido nos termos do Código de Processo Éti-
co-Disciplinar vigente, aprovado pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Art. 108 As penalidades a serem impostas pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, con-
forme o que determina o art. 18, da Lei n° 5.905, de 12 de julho de 1973, são as seguintes:
I – Advertência verbal;
II – Multa;
III – Censura;
IV Suspensão do Exercício Profissional
V Cassação do direito ao Exercício Profissional
§ 1º A advertência verbal consiste na admoestação ao infrator, de forma reservada, que será registrada no
prontuário do mesmo, na presença de duas testemunhas.
§ 2º A multa consiste na obrigatoriedade de pagamento de 01 (um) a 10 (dez) vezes o valor da anuidade da
categoria profissional à qual pertence o infrator, em vigor no ato do pagamento
A censura consiste em repreensão que será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Con-
selhos Regionais de Enfermagem e em jornais de grande circulação.
A suspensão consiste na proibição do exercício profissional da Enfermagem por um período de até 9
(noventa) dias e será divulgada nas publicações oficiais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enferma-
gem, jornais de grande circulação e comunicada aos órgãos empregadores.
§ 5º A cassação consiste na perda do direito ao exercício da Enfermagem por um período de até 30 anos
e será divulgada nas publicações do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem e em jornais de
grande circulação.
§ 6º As penalidades aplicadas deverão ser registradas no prontuário do infrator.
as penalidades de suspensão e cassação, o profissional terá sua carteira retida no ato da notificação,
em todas as categorias em que for inscrito, sendo devolvida após o cumprimento da pena e, no caso da cassa-
ção, após o processo de reabilitação.
Art 1 9 As penalidades, referentes à advertência verbal, multa, censura e suspensão do exercício profissio-
nal, são da responsabilidade do Conselho Regional de Enfermagem, serão registradas no prontuário do profis-
sional de Enfermagem a pena de cassação do direito ao exercício profissional é de competência do Conselho
Federal de Enfermagem, conforme o disposto no art. 18, parágrafo primeiro, da Lei n° 5.905/73.
Parágrafo único. Na situação em que o processo tiver origem no Conselho Federal de Enfermagem e nos
casos de cassação do exercício profissional, terá como instância superior a Assembleia de Presidentes dos
Conselhos de Enfermagem.
Art. 110 Para a graduação da penalidade e respectiva imposição consideram-se:
I – A gravidade da infração;
II – As circunstâncias agravantes e atenuantes da infração;
III – O dano causado e o resultado;
IV – Os antecedentes do infrator.
9
Art. 111 As infrações serão consideradas leves, moderadas, graves ou gravíssimas, segundo a natureza do
ato e a circunstância de cada caso.
§ 1º São consideradas infrações leves as que ofendam a integridade física, mental ou moral de qualquer
pessoa, sem causar debilidade ou aquelas que venham a difamar organizações da categoria ou instituições ou
ainda que causem danos patrimoniais ou financeiros
§ 2º São consideradas infrações moderadas as que provoquem debilidade temporária de membro, sentido
ou função na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, morais, patrimoniais ou financeiros
§ 3º São consideradas infrações graves as que provoquem perigo de morte, debilidade permanente de
membro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa ou ainda as que causem danos mentais, mo-
rais, patrimoniais ou financeiros
§ 4º São consideradas infrações gravíssimas as que provoquem a morte, debilidade permanente de mem-
bro, sentido ou função, dano moral irremediável na pessoa.
Art. 112 São consideradas circunstâncias atenuantes:
I Ter o infrator procurado, logo após a infração, por sua espontânea vontade e com eficiência, evitar ou
minorar as consequências do seu ato;
II Ter bons antecedentes profissionais
III – Realizar atos sob coação e/ou intimidação ou grave ameaça;
IV – Realizar atos sob emprego real de força física;
V – Ter confessado espontaneamente a autoria da infração;
VI – Ter colaborado espontaneamente com a elucidação dos fatos.
Art. 113 São consideradas circunstâncias agravantes:
I – Ser reincidente;
II – Causar danos irreparáveis;
III – Cometer infração dolosamente;
IV – Cometer a infração por motivo fútil ou torpe;
V – Facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outra infração;
VI – Aproveitar-se da fragilidade da vítima;
VII – Cometer a infração com abuso de autoridade ou violação do dever inerente ao cargo ou função ou
exercício profissional
VIII Ter maus antecedentes profissionais
I Alterar ou falsificar prova, ou concorrer para a desconstrução de fato que se relacione com o apurado
na denúncia durante a condução do processo ético.
Art. 114 As penalidades previstas neste Código somente poderão ser aplicadas, cumulativamente, quando
houver infração a mais de um artigo.
Art. 115 A pena de Advertência verbal é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos
artigos:, 26, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 46, 48, 47, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56,
57,58, 59, 60, 61, 62, 65, 66, 67, 69, 76, 77, 78, 79, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 98,
99, 100, 101 e 102.
Art. 116 A pena de Multa é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 28, 29, 30,
31, 32, 35, 36, 38, 39, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73,
74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101 e 102.
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Art. 117 A pena de Censura é aplicável nos casos de infrações ao que está estabelecido nos artigos: 31, 41,
42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 57, 58, 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67,68, 69, 70, 71, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81,
82, 83, 84, 85, 86, 88, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 97, 99, 100, 101 e 102.
Art 11 A pena de Suspensão do Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que está
estabelecido nos artigos: 32, 41, 42, 43, 44, 45, 50, 51, 52, 59, 61, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76,
77, 78,79, 80, 81, 82, 83, 85, 87, 89, 90, 91, 92, 93, 94 e 95.
Art 119 A pena de Cassação do Direito ao Exercício Profissional é aplicável nos casos de infrações ao que
está estabelecido nos artigos: 45, 64, 70, 72, 73, 74, 80, 82, 83, 94, 96 e 97.
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
É uma entidade cultural que congrega enfermeiros e técnicos de enfermagem, fundada em 12 de agosto de
1926, sob a denominação de « Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras».
passou a ser chamada de Associação Brasileira de Enfermeiras Diplomadas (ABED).
foram criadas Seções Estaduais, Coordenadorias de Comissões. Ficou estabelecido que em qual-
quer Estado onde houvesse 7 (sete) enfermeiras diplomadas, poderia ser formada uma Seção.
esse número foi elevado a 10 (dez).
Associação Brasileira de Enfermagem, com sede em Brasília, funciona através de
Seções formadas nos Estados, e no Distrito Federal.
passou a congregar auxiliares de enfermagem.
Atualmente congrega estudantes dos cursos de graduação e de educação profissional de nível técnico que
a ela se associam, individual e livremente - facultativa.
É uma entidade civil de direito privado, de caráter científico e assistencial, regida pelas disposições do
Estatuto, Regulamento Geral ou Regimento Especial.
Finalidades da ABEn:
- Congregar enfermeiros (as), técnicos (as) de enfermagem, auxiliares de enfermagem, estudantes dos
cursos de graduação e de educação profissional habilitação técnico de enfermagem
- Incentivar a solidariedade e a cooperação entre seus associados (as);
11
- Promover o desenvolvimento técnico, científico, cultural e político dos profissionais de enfermagem no
país, pautado em princípios éticos;
- Defender os interesses das profissões da área de enfermagem, articulando-se com as demais Entidades
e Instituições de saúde em geral e as de enfermagem, em especial;
- Articular-se com organizações do setor de saúde e da sociedade em geral, na defesa e na consolidação
de políticas e programas que garantam a equidade, a universalidade e a integralidade da assistência à saúde
da população;
- Representar os (as) integrantes do seu quadro de associados, nacional e internacionalmente, no que diz
respeito às políticas de saúde, educação e trabalho, ciência e tecnologia, especificamente
- Promover intercâmbios técnico, científico e cultural com Entidades e Instituições, nacionais e internacio-
nais, com vista ao desenvolvimento da enfermagem;
- Divulgar trabalhos e estudos de interesse da enfermagem, mantendo órgão oficial de publicação periódica
- Promover, estimular e divulgar pesquisas da área de enfermagem;
- Adotar medidas necessárias à defesa e consolidação do trabalho em enfermagem como prática essencial
à assistência de saúde e à organização dos serviços de saúde;
- Reconhecer a qualidade de especialista a profissionais de enfermagem, expedindo o respectivo título de
acordo com regulamentação específica
- Articular social, política e financeiramente programas e projetos que promovam assistência aos associa-
dos;
- Integrar-se aos processos sociais, políticos e técnicos que visem assegurar o acesso universal equânime
aos serviços de saúde;
- Coordenar e articular Conselhos Consultivos de Sociedades ou Associações de Enfermagem ou de Enfer-
meiros (as) Especialistas ou de Cursos e de Escolas de Enfermagem de nível superior e educação profissional
com habilitação de Técnico de Enfermagem.
Estrutura
- Assembleia de delegados;
- Conselho Nacional da ABEn (CONABEn);
- Diretoria Central;
- Conselho Fiscal.
Realizações da ABEn:
- Congresso Brasileiro em Enfermagem;
- Revista Brasileira de Enfermagem (publicado bimestralmente).
Em 12 de julho de 1973, por meio da Lei 5.905, foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Enfer-
magem.
O COFE /CORE s são órgãos disciplinadores do exercício da Profissão de Enfermeiros, Técnicos de En-
fermagem e Auxiliares de Enfermagem. Em cada estado existe um Conselho Regional os quais estão subordi-
nados ao Conselho Federal O objetivo primordial é elar pela qualidade dos profissionais de Enfermagem, pelo
respeito ao Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e cumprimento da Lei do Exercício Profissional
12
Competências do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) órgão normativo e de decisão superior
- Normatizar e expedir instruções, para uniformidade de procedimento e bom funcionamento dos Conselhos
Regionais;
- Esclarecer dúvidas apresentadas pelos COREN›s;
- Apreciar decisões dos COREN’s, homologando, suprindo ou anulando atos praticados por este;
- Aprovar contas e propostas orçamentária de autarquia, remetendo-as aos órgãos competentes;
- Promover estudos e campanhas para aperfeiçoamento profissional
- Exercer as demais atribuições que lhe forem conferidas por lei.
Disciplina e Fiscalização
13
-
Liderança é a arte de comandar pessoas, atraindo seguidores e in uenciando de forma positiva mentalida-
des e comportamentos. A capacidade de gerir e conduzir pessoas rumo a grandes resultados é uma tarefa que
exige uma habilidade de liderança bem desenvolvida.
A liderança pode surgir de forma natural, quando uma pessoa se destaca no papel de líder, sem possuir
forçosamente um cargo de liderança. É um tipo de liderança informal. Quando um líder é eleito por uma orga-
nização e passa a assumir um cargo de autoridade, exerce uma liderança formal.
A liderança é o elemento promotor da gestão, responsável pela orientação, estímulo e comprometimento
para o alcance e melhoria dos resultados organizacionais e deve atuar de forma aberta, democrática, inspira-
dora e motivadora das pessoas, visando ao desenvolvimento da cultura da excelência, à promoção de relações
de qualidade e à proteção do interesse público. É exercida pela alta administração, entendida como o mais alto
nível gerencial e assessoria da organização.
Por isso, é fundamental que toda empresa possua um líder de excelência. Um bom líder consegue adminis-
trar sua equipe de forma efetiva, delegar tarefas, estipular pra os e inspirar profissionais a darem o seu melhor
em qualquer atividade. Tudo isso por meio do bom exemplo de suas ações e comportamentos.
Para que as pessoas possam trabalhar satisfatoriamente em equipe elas precisam de liderança. A liderança
constitui uma necessidade típica do trabalho em equipe. Para fazer a equipe funcionar e produzir resultados,
o gerente precisa desempenhar muitas funções ativadoras. Dentre estas funções, sobressai a liderança. O ge-
rente deve saber como conduzir as pessoas, isto é, como liderar as pessoas e administrar as diferenças entre
elas. A liderança é necessária em todas as atividades e em todos os tipos de organização humana, principal-
mente nas empresas.
Ao tradu ir os objetivos fixados e convertê-los em programas de ação, a gerência assume o papel de direcio-
nar e conjugar esforços, comunicar, liderar, motivar, avaliar e recompensar as pessoas dentro da organização.
O gerente não lida apenas com capital ou dinheiro, com máquinas ou equipamentos, mas trabalha, sobretudo
com pessoas. É através das pessoas que o gerente consegue a execução das tarefas, a alocação dos recursos
materiais e financeiros, a produção de bens ou serviços, bem como o alcance dos objetivos organi acionais
Daí a sobrevivência e o sucesso da empresa. Ao lidar com pessoas, a principal habilidade e ferramenta geren-
cial que emerge é a liderança.
Diante de uma era de informatização, o conhecimento de mudanças cada vez mais corriqueiras e da globa-
lização, se torna fundamental que dentro das organizações, mudanças entre as relações pessoais e o desen-
volvimento dos colaboradores sejam atendidas de forma criativa e imediata.
O trabalho individual há certo tempo vem dando espaço para a realização de tarefas em grupo. Isto ocorre
porque, as empresas demandam cada vez mais de conhecimentos diferenciados para a obtenção dos resul-
tados almejados, o que leva a formação de equipes de pessoas que completam os diferentes departamentos
organizacionais1.
Para que a equipe se desenvolva e alcance níveis de alto desempenho, é necessário que se crie um am-
biente de diálogo aberto e saudável. Isso acaba gerando uma relação de transparência entre todos, gerando
um ambiente ético e honesto. Portanto, uma equipe de alto desempenho mantém o enfoque nos resultados,
nos objetivos comuns, tanto do indivíduo como das organizações, a administração por princípios para a tomada
de decisões e soluções de problemas, o trabalho em equipe, a integração das habilidades, o reforço do com-
promisso total, o uso produtividade das diferenças de pensamento e o desenvolvimento do indivíduo através do
fazer, saber fazer e saber estar.
1 Morais (2011)
FARIA, José Henrique de. Economia Política do Poder. 6ª. Reimpressão. Curitiba: Juruá, 2010. # volumes. Volume 1
14
Segundo Bruce W. Tuckman, durante o desenvolvimento da equipe, as pessoas começam a se sentir parte
do time e percebem que podem fa er mais e serem mais eficientes em seu trabalho se aceitarem os pontos de
vista dos outros. Os membros da equipe já aprenderam a resolver suas diferenças e estão se tornando mais
exíveis e mais conscientes em relação às suas expectativas este momento, começam a criar seus próprios
apelidos (e dos outros) e aprendem a se divertirem juntos.
Enquanto o time está amadurecendo, os membros podem descobrir que a equipe não está atendendo a
todas as expectativas Eles podem começar a se sentir frustrados e ter dificuldades em responder às diferentes
opiniões e con itos É importante que os membros da equipe recebam ajuda para lidarem com os desentendi-
mentos ma redefinição dos objetivos, papéis e tarefas da equipe podem ajudar os membros a passar por esta
fase de turbulência e progredir para um passo mais concreto, rumo ao desenvolvimento.
A equipe aprende a desenvolver um ambiente aberto e confiável, no qual membros se sentem satisfeitos
com o progresso da equipe e se sentem confiantes com suas contribuições individuais e com as de seus co-
legas de trabalho. Este time desenvolveu uma atitude “vamos à luta” e os membros desejam se ajudar mutua-
mente na execução das tarefas e nas responsabilidades. As conquistas são medidas e comemoradas.
A formação e o desenvolvimento de equipes tem uma relação direta com a liderança. A liderança deve ser
considerada em função dos relacionamentos que existem entre as pessoas em uma determinada estrutura
social, e não pelo exame de uma série de traços individuais.
Os líderes devem gerar sonhos, por isso, devem ter a capacidade de criar uma visão que possa ser trans-
formada em realidade e que incentive as pessoas a mudar e a tornar o clima organizacional mais agradável. Os
líderes exercem in uência sobre o clima organi acional
O clima organizacional é um fenômeno resultante da interação dos elementos da cultura, como preceitos,
caráter, tecnologia. Decorre do peso dos efeitos de cada um desses elementos culturais, valores, políticas,
tradições, estilos gerenciais, comportamentos, expressões dos indivíduos envolvidos no processo e também
resultante do conjunto de instrumentos, conhecimentos e processos operacionais da organização.
O clima organi acional in uência direta e indiretamente nos comportamentos, na motivação, na produtivida-
de do trabalho e também na satisfação das pessoas envolvidas com a organização. Um ambiente de trabalho
onde há motivação e reconhecimento proporciona um maior engajamento por parte dos colaboradores. Se a
empresa dá espaço para os colaboradores desenvolverem suas ideias e projetos, a produtividade dos colabo-
radores tende a aumentar.
uando a empresa estabelece uma comunicação eficiente, clara e objetiva isso também in uencia muito no
clima organizacional. A comunicação interna é um dos fatores que mais proporcionam insatisfação no ambiente
de trabalho. Sendo assim a empresa precisa investir em canais de comunicação que possam ser utilizados por
todos, desde o nível operacional até o nível estratégico. A empresa jamais pode excluir qualquer colaborador do
processo de comunicação, de forma a estabelecer favoritismo na transmissão de informações. A comunicação
deve ser uma ferramenta democrática, de fácil uso e para todos.
Dessa forma pode-se entender que clima organi acional é o re exo das motivações comportamentos e
relações estabelecidas entre os agentes organi acionais além de ser um fator que in uencia estas mesmas
variáveis. Quando os colaboradores estão insatisfeitos com determinada questão no trabalho isso interferirá na
sua produtividade e consequentemente no clima que envolve a empresa. Bem como, quando os colaboradores
estão satisfeitos e motivados a produtividade aumenta, além de promover o bem-estar geral e ainda contagiar
os demais colaboradores à volta.
Tipos de clima organizacional
Existem inúmeros tipos e subtipos de clima organi acionais, portanto a classificação de somente alguns
deles se deve a um fator meramente didático e sistemático Sendo assim, Edela (19 ) os classificou como:
, onde é dada excessiva importância à tecnologia;
, onde há forte pressão ao cumprimento de normas rígidas;
em que os resultados podem levar as punições e/ou demissões e por último;
15
, onde existe plena aceitação dos afetos, sem descuidar se de
preceitos e do trabalho.
É importante ressaltar que não é tarefa fácil pesquisar e analisar o clima e a cultura das organizações, pois
isto exige o conhecimento da tecnologia indispensável para tal.
Esta tecnologia engloba a postura do pesquisador, o conhecimento de uma metodologia, a escolha de técni-
cas apropriadas à investigação, a seleção adequada das categorias de análise, o esclarecimento dos objetivos
da pesquisa e o reconhecimento, da gerencia e colaboradores, no que se refere à importância da pesquisa para
uma intervenção pontual e efica Outro ponto que deve ser analisado ao reali ar a pesquisa são os fatores
externos à organi ação que fatalmente in uenciam os clientes internos e, consequentemente, no clima e na
cultura da organização.
Ao considerar os fatores externos à organização, na pesquisa do clima e cultura organizacionais, é neces-
sário obter informações pertinentes e percepções do mercado do qual a organização faz parte. No entanto,
antes de escolher os focos a serem incluídos na avaliação é necessário considerar os objetivos do pesquisador
e da organização ao solicitar a pesquisa. E somente a partir disto é que os focos deverão ser selecionados para
a avaliação.
A seleção dos itens pertinentes à pesquisa poderá ser discutida com os gestores da organização. Ao esco-
lher e elaborar os instrumentos de pesquisa é necessário considerar o grau de escolaridade dos colaborado-
res, o tempo disponível para realizá-la e fazer o teste dos instrumentos com alguns funcionários para corrigir
possíveis falhas. A pesquisa deve atingir o máximo de funcionários para não gerar angústia tanto no grupo que
participou quanto no que não fez parte da mesma.
Realizado o diagnóstico do clima organizacional, são sugeridas medidas a serem implementadas na orga-
nização, pois sabe-se que a produtividade da mesma é também o resultado da motivação e estado de espírito
dos indivíduos que dela fazem parte. De nada adianta realizar uma pesquisa se não houver uma devolução
para todos os envolvidos no processo de coleta de dados e se os seus resultados não forem utilizados para
elaborar um plano de ação com intuito de mudar os pontos negativos encontrados durante a análise.
Com esta medida garante-se também maior comprometimento e seriedade dos colaboradores, de forma a
reorganizar uma cultura organizacional pautada em valores e princípios que possam orientar a postura e com-
portamento dos colaboradores, dentro e fora das organizações.
Na tentativa de extrair o máximo de cada colaborador, chefes e líderes são facilmente detectados, se seus
hábitos e atitudes forem colocados em evidência ao se depararem com a tomada de uma importante decisão,
por exemplo.
A identificação entre Chefia e Liderança é essencial para garantir a eficiência de uma gestão, pois há grande
diferença entre as competências apresentadas pelo chefe e pelo líder re etindo diretamente no desempenho
da equipe de trabalho.
Cada ser é dotado de entendimento próprio e sendo assim cada um tem uma visão muito particular a seu
respeito, talvez por isso e pela importância do tema alguns valores são destaque nesta questão.
Bastaria considerar que a liderança é o melhor modelo a ser implementado em qualquer ambiente, mas
estaria confrontando com modelos onde à chefia é aplicada com sucesso ou ao menos os resultados dão a
prova disso.
Enquanto a primeira definição está mais ligada com uma postura de orientação, coordenação, direção, a
segunda definição trata mais no sentido de autoritarismo, de ordem, de seguimento de regras e normas
16
Enquanto o Líder é conhecido como aquele que orienta as pessoas a fazerem de bom grado aquilo que é
proposto, geralmente pedindo e não impondo além estar aberto a considerar contestações para sua análise.
Sua postura é mais voltada a participação de todos segundo autores pesquisados. Nesse caso a postura está
mais voltada à ideia de motivação, respeito, conquista, atenção e a construção de um ambiente harmônico em
prol dos objetivos coletivos.
Nas organizações empresariais o Chefe é aquele conhecido por dar ordens diretas e incontestáveis aos
demais executarem tarefas através da sua imposição, obrigando-os demais a cumprirem sem considerar que
muitas vezes aspectos relativos às condições humanas estão envolvidos e podem em certos momentos ser
feito de maneira diferente ou menos imediata e quase sempre de forma in exível uitos defendem a necessi-
dade dessa postura em dados momentos, mas no caso dos chefes esta é sempre a mesma postura observada.
Pessoas em particular têm uma ou outra postura profissional e como as empresas são movidas por pessoas
em muitas organizações chefes autoritários se chocam com líderes que defendem outra forma de comporta-
mento, sendo motivo de desentendimentos entre as partes, os colaboradores buscam atuar em um ambiente
mais participativo mais propenso a condução de um líder, enquanto chefes buscam exatamente o contrário, um
ambiente sem a participação nenhuma destes.
Considere a situação onde um profissional se configure líder dentro de determinada empresa com a cultura
voltada para a hierarquia rígida, ou então se configure chefe em uma organi ação com a cultura voltada para a
liderança participativa, pois é o que acontece na prática em muitas organizações daí o porquê dos desentendi-
mentos entre essas partes.
Se não houver um alinhamento entre as partes torna-se desgastante para qualquer um tomar sobre si tais
responsabilidades e os problemas ao invés de melhorarem acabam por surgir ou ressurgir com mais intensi-
dade.
O chefe existe naquelas organi ações que não precisam - ou não querem ser eficientes, normalmente no
setor público ou empresas familiares, onde os privilégios pessoais são mais importantes que projetos de longo
prazo”, continua. “Líderes estão preocupados com o futuro e não com o presente, ou melhor, preocupam-se
em cumprir o necessário no presente para garanti-lo e, além disso, preparar a organi ação para os desafios
vindouros”.
Sentimento de posse talvez possa traduzir esta explanação a respeito dos chefes, uma vez que adquirem
esse sentimento só enxergam sua posição de “status” dentro da organização considerando os demais como
inferiores na escala de seus próprios valores.
Já os líderes apontam com um sentimento mais coletivista entendendo que a organização só é capaz de
atingir o sucesso se cada um doar um pouco do seu melhor.
O chefe precisa dominar seu funcionário para mostrar que está no controle, e de certa forma, se torna um
dependente, que na maioria das vezes não consegue resolver certos problemas por si só. Além disso, o chefe
faz com que as regras sejam cumpridas. Ele manda e faz com tudo aconteça pela ordem.
Já no caso do líder, faz uma combinação de estratégia e caráter para atingir metas e objetivos para extrair o
máximo de cada pessoa que trabalha ao seu lado, ouvindo ideias e gerando responsabilidades. Sempre dispos-
to a servir, aprender e sempre em uma posição de humildade para poder agregar cada vez mais à sua equipe.
Toda organização deve se preocupar com esta questão e não tentar impor a qualquer custo sua maneira
de trabalho aos colaboradores, algumas justificam a necessidade de ter em seu quadro chefes autoritários que
imponham regras rígidas senão ninguém obedece, enquanto outras dão valor à presença de líderes exíveis
mais voltados à motivação e multiplicadores de conhecimento, não há nada de errado com isso, só que alguém
com características de um líder encontra dificuldades em se conformar num cargo de chefe, enquanto o oposto
também é verdadeiro.
O grande impasse está em mesclar os dois tipos e isso se encontra com certa frequência, tratam os cola-
boradores de uma forma rígida esperando deles um comportamento participativo enquanto esperam que os
chefes imponham regras incontestáveis e se comportem como líderes motivadores.
Nessas organizações a própria cultura organizacional impede que seja desenvolvido um trabalho sinérgico
entre colaboradores e diretrizes.
17
Seja como for e que tipo de organização se empreenda um trabalho, o importante é que se tenha claro que
tipo de ambiente profissional se deseja construir, se as atividades diárias e o relacionamento com o público em
geral afetam de forma positiva ou negativa os resultados finais
Conhecer com clareza qual o tipo de negócio e em que área atua, pois nem toda organização necessaria-
mente tem de se preocupar em formar líderes, assim como nem toda organização necessariamente deve se
preocupar em promover chefes.
O ambiente profissional oferece oportunidades e desafios dos mais variados e no tocante a esse tema o
entendimento dessas questões fornece uma boa base para o emprego da melhor postura comportamental
daquele que terá a responsabilidade pela condução de uma equipe. Invariavelmente essas responsabilidades
assumidas serão bem administradas no que depender do bom relacionamento que tiver com os agentes cola-
boradores.
Nos dias atuais pensar que somente a organização é detentora das oportunidades já não está conforme
com a realidade, os colaboradores também exercem o poder de in uenciar em muitos aspectos relacionados a
toda a cadeia produtiva.
Criar um ambiente harmônico levando em consideração a importância que todos exercem, pode ser o início
do sucesso de uma organização que atenta a essas questões mudam sua maneira de enxergar seus colabora-
dores e passam a tomar certa cautela na hora de nomear seus líderes ou chefes.
O lado negativo é conhecido por muitos, descontentamento entre membros da equipe e chefias, uma queda
de braço sem efeitos positivos para ambos os lados até que o colaborador “decida” se auto demitir.
Movimentar as pessoas através de ações condicionadas está ao alcance de qualquer administrador. Mas
desbloquear a sinergia potencial que elas trazem, ao ingressarem na organização, e canalizar a energia daí
liberada, ao mesmo tempo que providencia que ela não venha a ser estancada ou mesmo perdida por frustra-
ções e desenganos, é atributo para líderes.
Para tanto, espera-se que eles tenham sensibilidade suficiente para detectar as necessidades das pessoas,
não para manipular ou descartar tais necessidades, mas para conviver produtivamente com elas e ajudar seus
portadores na busca da satisfação. Ao mesmo tempo em que assim agem, estes líderes estão constantemente
em busca de auto realização e, nesse processo, levam consigo seus seguidores, estando sempre um passo à
frente deles.
18
O líder, no novo contexto, deve ter a habilidade de tornar a atividade significativa para o subordinado,
valorizando-lhe o esforço e conduzindo-o ao ponto desejado. Não se trata de manipular, mas de obter a com-
preensão sobre a real motivação do outro. Portanto um bom administrador é capaz de desempenhar o papel
do líder com sucesso, de forma a conduzir a equipe a desenvolver a equipe e conseguir alcançar os resultados
esperados pela organização.
a função de chefia algumas atitudes específicas, tais como: organi ar, comandar e controlar determinarão
uma boa administração. Perceba que a diferença entre Líder e Chefe é destacada até mesmo na forma de tra-
tamento dos funcionários, mais especificamente em denomina-los, na Liderança os funcionários são chamados
como colaboradores, parceiros e na Chefia os funcionários são muitas ve es denominados como subordinados
ou empregados, supondo a ideia de obediência à hierarquia.
Os estilos de chefia mais presentes nas organi ações são: -
Conhecido como . É exercido por gerentes centralizadores das decisões, que resolvem todos os
problemas, não delegam e são os únicos a emitir ordens a gestão desse tipo de chefia não existe diálogo,
nem oportunidade de participação ou sugestão por parte dos funcionários, ou seja a gestão participativa não é
bem-vinda.
O cumprimento de ordens e regras é extremamente rigoroso, de forma a desenvolver no subordinado maior
disciplina quanto aos prazos, metas e objetivos. Os funcionários executam os serviços como autômatos. O
chefe autocrático é extremamente dominador e pessoal nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro
do grupo.
A gestão com esse tipo de chefia pode encaixar perfeitamente em empresas que lidam com excesso de bu-
rocracia e possuem prazos de trabalho muito curtos. Porém, se a cultura e política da empresa não se encaixar
dentro deste perfil, esse estilo de chefia pode ofuscar a colaboração dos funcionários, impedindo que desen-
volvam novas ideias ou sugestões. Sendo assim, os funcionários podem sentir-se desmotivados ou mesmo
acomodados ao cargo e à rotina de trabalho.
Também conhecido como , neste estilo os funcionários não se limitam apenas a cumprir or-
dens, mas também participam do processo decisório, dando suas contribuições ao superior.
Neste estilo de gestão, o chefe permite que os funcionários trabalhem com o moral elevado, tenham maior
estímulo, trabalhem satisfeitos e em princípio, produzam mais.
Este estilo proporciona também mais camaradagem, cooperação e espírito de equipe. (quem participa de
uma decisão normalmente se compromete mais com o resultado).
O Chefe (líder) preocupa-se com participação do grupo, estimula e orienta, acata e ouve as opiniões do gru-
po, pondera antes de agir. Aquele que determina, junto com o grupo, as diretrizes, permitindo o grupo esboçar
as técnicas para alcançar os objetivos desejados. É impessoal e objetivo em suas críticas e elogios. Para ele,
o grupo é o centro das decisões. Acreditamos que a ação do líder democrático é de suma importância para o
progresso e sucesso de uma organização. Tal como um sacerdote, que posso dar o exemplo de Moisés do
Egito, (quando estava com o povo defendia Deus, quando estava com Deus defendia o povo).
É trabalhado a Gestão Participativa, ou seja, todos os níveis hierárquicos contribuem com ideias, sugestões,
propostas de melhorias e mudanças, ou seja, a gestão é aberta para receber novos conhecimentos vindos de
qualquer funcionário A chefia atuando como de forma democrática, permite que os funcionários sintam-se
motivados, reconhecidos e mais engajados a desempenharem sua função e cargo. A reação do grupo é de
interação, participação, colaboração e entusiasmo.
19
É o perfil de gerente bon inho , que não se preocupa em demasia com os problemas e deixa ficar como
está para ver o que acontece.
Cada um exerce as atividades por sua livre e espontânea vontade de acordo com suas iniciativas próprias
em direção nunca coincidentes.
O gerente vive bem com todos, mas a organização ninguém sabe para onde vai. Os funcionários mostram
suas qualidades, mas não se consegue canalizá-las para os objetivos.
É Aquele que participa o mínimo possível do processo administrativo. Dá total liberdade ao grupo para traçar
diretrizes. Apresenta apenas alternativas ao grupo.
A sensação geral de falta de progresso dá margem a que os membros se tornem desinteressados e sem
entusiasmo Sendo assim, esse estilo de chefia pode fa er com que os funcionários sintam-se deslocados ou
mesmo alheios aos objetivos organi acionais, e fiquem sem entender qual o sentido do trabalho, a missão,
visão e valores da organização.
Esse sentimento por parte dos funcionários é muito prejudicial à imagem e ao desempenho da empresa,
uma vez que as pessoas que fazem uma empresa são peças-chave para o seu sucesso. Os funcionários preci-
sam ter metas e objetivos a serem cumpridos, dentro de cada cargo e função, precisam ser cobrados para que
percebam a importância das atividades, e para que desenvolvam maior responsabilidade. A reação do grupo
geralmente é ficar perdido, não ficando coeso
este estilo de chefia o subordinado é protegido pelo gerente, independente do seu grau de competência
profissional ou de seu desempenho no trabalho É caracteri ada pela existência de um grupo de protegidos ,
que recebem os benefícios do chefe, as melhores tarefas são deles, os melhores salários e assim por diante,
gerando em contrapartida, a rebeldia do grupo oposto ao dos protegidos.
Este estilo pode assumir ainda o caráter de ditadura camu ada , em que a mensagem do gerente aos su-
bordinados é algo como “Faça o que eu mando e eu o protegerei”.
Esse estilo de gestão têm como principal característica demonstrar que os funcionários que possuem um
melhor desempenho são aqueles que terão mais prestígio pelo chefe.
Sendo assim, esse estilo de chefia pode provocar nos funcionários que não são englobados pela proteção
do chefe, certa insatisfação, ora pela comunicação que não ui bem entre o chefe e os demais funcionários e
portanto ocasiona um desentendimento entre ambas as partes. De um lado os funcionários não sabem o que
fazer para serem inseridos no grupo dos “favoritos” e por outro lado o chefe ou gerente não sente interesse em
dar atenção ou prioridade à esse grupo, pois não percebe os esforços desse grupo.
O estilo de chefia Paternalista não é o mais eficiente dentro das organi ações, pois ocasiona dispersão de
profissionais e formação de pensamento individualista ma organi ação deve trabalhar de forma sistêmica,
em equipe, de maneira que todos possam colaborar, pois o objetivo de crescimento é comum à qualquer fun-
cionário, do porteiro ao presidente.
É aquele perfil de chefe que assume seu estilo de liderança dependendo mais da situação do que da
personalidade. A postura deste líder brota ante as diferentes situações que ele detecta no dia-a-dia. Possui um
estilo adequado para cada situação, em situações que exige uma postura mais incisiva e rigorosa esse chefe
toma a situação para si e sabe assumir tal postura, ou quando necessita ser mais cauteloso e pragmático este
chefe também saberá assumir tal postura. Então basicamente, depende do contexto da situação, quais os
pontos críticos, os pontos que podem ser relevados, e assim por diante.
Esse estilo de chefia pode ser muito apropriado se o chefe conseguir balancear suas atitudes, não for tão
extremista a ponto de seus funcionários terem receio de estabelecer uma comunicação por não reconhecerem
qual a postura que o chefe tomará, se será positiva ou negativa. O ideal é que o chefe demonstre que possui
20
exibilidade para analisar as situações e para tomar a decisão que seja cabível Assim o funcionário entenderá
perfeitamente que a postura do chefe dependerá do grau de importância/responsabilidade do assunto, bem
como seu prazo de cumprimento.
E deixar claro que ele analisa a situação colocada e não é in uenciado por situações alheias, como por
exemplo problemas pessoais, problemas familiares, problemas da empresa mas que não tenham a ver com o
que está sendo tratado em determinado momento. Em outras palavras, o chefe situacional não é aquele que
deixa as situações adversas interferir no seu humor e consequentemente reage de forma distinta, mas sim
aquele que pondera as situações a serem resolvidas e toma uma postura de acordo com o grau de relevância.
Sendo assim os funcionários, podem sentir-se motivados e coordenados, pois sabem que o chefe é exível
e por isso sua postura sempre será primeiramente analisar a situação, levando em conta os pontos a favor e
contra. Esse tipo de postura é positiva no sentido de que desencadeia nos funcionários uma visão sistêmica
das situações, consequentemente ensinando-os a tomar a mesma postura do chefe, analisando situação por
situação. A reação do grupo é de segurança e motivação, desde o chefe saiba ponderar suas posturas.
Diz respeito aquele chefe que surge e assume o comando por reunir mais qualidades e habilidades para
condu ir o grupo aos objetivos diretamente relacionados a uma situação especifica Por exemplo, num caso
extraordinário, onde determinadas ações devem ser traçadas de imediato.
O grupo reage bem, participa, colabora, sabendo que se houver emergência, o líder saberá o que fazer.
este estilo de chefia as equipes de profissionais podem sentir-se motivados, pois geralmente quando
um chefe emergente toma a frente de determinadas atividades, é porque há a extrema necessidade do perfil
deste profissional dentro da área ou departamento Seja para alavancar a produtividade, seja para aumentar
a motivação das equipes, seja para maior rigidez no cumprimento de prazos e entregas, seja para aprimorar
processos, seja para trabalhar uma comunicação eficiente Esse tipo de chefia é interessante pois habilita os
profissionais a saírem do comodismo e se locomoverem rumo ao crescimento uando um chefe emergente
chega para liderar um setor ou departamento, muitas modificações e melhorias são feitas, isso tra desafios
aos funcionários e faz com que enxerguem suas rotinas de trabalho de maneira diferenciada.
De acordo com Iannini3, existem -
Assim, explorar-se-ão as características principais de cada tipo, trabalhando vantagens e inconvenien-
tes de cada um.
21
o Líder assiste e instiga o debate entre todos os colaboradores. É o grupo que esboça
as providências e técnicas para atingir os objetivos e todos participam nas decisões. Cada membro do grupo
decide com quem trabalhará e o próprio grupo que decide sobre a divisão das tarefas. O líder procura ser um
membro igual aos outros elementos do grupo, não se encarregando muito de tarefas. É objetivo, e quando
critica limita-se aos fatos. Este tipo de liderança promove o bom relacionamento e a amizade entre o grupo,
tendo como consequência um ritmo de trabalho suave, seguro e de qualidade, mesmo na ausência do líder. O
comportamento deste líder é de orientação e de apoio. É o estilo que produz maior qualidade de trabalho.
Percebe-se que a liderança autocrática evidencia o líder, enquanto a liderança liberal evidencia os subordi-
nados e a liderança democrática evidencia tanto no líder como nos subordinados Líderes in uenciam lidera-
dos e liderados também in uenciam seus líderes, portanto deve-se lembrar de que o relacionamento entre os
membros da equipe pode também interferir no estilo que o líder adotará. Sendo assim, cabe a cada líder esco-
lher qual o estilo mais se adapta às suas características e situações para que os objetivos sejam alcançados
rapidamente, visto que quando existe uma equipe, a meta é alcançada com o esforço de todos, tanto líderes
quanto liderados4.
A liderança não deve ser confundida com gerência ou chefia Para ser um líder, não precisa ser necessa-
riamente um chefe; basta ter conhecimento e habilidades que façam com que o grupo busque a realização dos
objetivos.
5
Para Weber6, a relação entre a ordem e o comando (autoridade) que se estabelecem entre os indivíduos é
dividida em três itens: a tradição, o carisma e a burocracia.
é quando uma pessoa ou grupo social obedece a um outro porque tal obe-
diência é proveniente do hábito herdado das gerações anteriores. A tradição é extrínseca ao líder. A autoridade
tradicional não anula a presença de outras, tais como as habilidades pessoais;
é proveniente das características pessoais dos indivíduos. Sua base de legi-
timação é a devoção dos seguidores à imagem dos grandes líderes religiosos, sociais ou políticos. Portanto, a
ideia de carisma está associada às qualidades pessoais e à posição organizacional ou às tradições. O carisma
é, em muitos casos, a base explicativa de autoridades informais nas organizações;
é a principal base da autoridade no mundo contemporâ-
neo. Apesar das modernas organizações formais (Estado, organizações públicas e privadas, etc.) procurarem
tratar a liderança como um atributo de cargos específicos, que deve ser legitimamente aceita pelos indivíduos,
a hierarquia em uma organização tem como um dos objetivos emprestar aos ocupantes dos cargos o direito
de tomar decisões e de se fazer obedecido, dentro de uma divisão pré-estabelecida e aceita de antemão. A
autoridade burocrática, desta forma, é extrínseca à figura do líder Ela é de caráter temporário e pertence ao
cargo da pessoa que ocupa. A autoridade formal legitima o uso da “força”. A necessidade de manter a ordem e
estabilidade depende da delegação da autoridade burocrática.
são identificadas nos estudos organi acionais: a
.
é aquela atribuída às relações que se estabelecem entre os indivíduos.
Estas relações são de caráter pessoal e estão relacionadas com os vínculos sociais – amizade, relacionamento
com pessoas importantes, etc.
está relacionada com a in uência no comportamento alheio atra-
vés da superioridade do líder no plano do conhecimento Os seguidores se deixam in uenciar por acreditarem
que seus líderes possuem competências e conhecimentos superiores aos seus. Uma forma não exclui as outra.
4
5 FARIA, J. H; MENEGHETTI, F.K. Liderança e Organizações – Leadership and Organizations .Volume
II – número 2, 2011. Disponível em:< [Link]
d=93%3Alideranca-e-organizacoes&Itemid=54&la &lang=pt>.
6 Weber, Max. (1992). Economia y sociedad. México-DF: Fondo de Cultura Económica.
22
Para Kernberg7, que concorda com as formas acima identificadas, a liderança refere-se ao -
. A liderança, aliada à autoridade geral,
é um importante fator para o cumprimento dos objetivos estabelecidos. No entanto, ambas necessitam de ou-
tras fontes de autoridade, tais como o conhecimento técnico do líder, suas habilidades humanas, sua persona-
lidade. As delegações de autoridade inadequadas ou excessivas são problemas frequentes e isto se deve, em
parte, ao processo de racionalização que ocorre nas organizações. A estrutura organizacional, cada vez mais
dominada pela burocratização e pela supremacia do uso da técnica, faz com que nem sempre as delegações
de autoridade sejam respaldadas por aqueles que recebem o novo líder.
– no sentido restrito da palavra – -
das. Isto implica não só na perda do controle do líder em relação aos seus liderados, como também na redução
da credibilidade frente aos seus superiores Esta condição provoca uma desconfiança geral na sua capacidade
de manutenção e coesão dos grupos (subordinados e superiores) quanto a sua capacidade de atingir os objeti-
vos A autoridade, portanto, não passa, nesse sentido, de uma habilidade específica, de forma que ser um líder
torna-se um objetivo como outro qualquer. Seu caráter instrumental é reforçado pelas propostas dos gerencia-
listas, que enxergam a liderança como mais uma técnica para ser aprendida.
A tentativa de utili ar a teoria eberiana da autoridade, neste tipo de abordagem, acaba por simplificar o
problema da liderança, caindo na insensatez de supor que as três formas da autoridade (tradicional, carismática
e burocrática) possam condicionar todas as explicações possíveis para as abordagens conceituais da lideran-
ça A teoria da autoridade de eber jamais teve esta finalidade de ser uma teoria da liderança e só consegue
ser utilizada como tal por preencher as três dimensões básicas das relações sociais: a dimensão pessoal (re-
presentada pela autoridade carismática), a relação social (representada pela autoridade tradicional) e a relação
estrutural (representada pela relação racional-legal ou burocrática). Estas dimensões enquadram praticamente
todas as possibilidades que podem ocorrer nas relações sociais. Portanto, elas não devem ser confundidas
com as reais “forças” que guiam as ações da liderança, mas como bases das relações de poder (Faria, 2001).
Os conceitos de liderança analisados neste trabalho, como pode ser percebido, foram constantemente associa-
dos aos estudos da autoridade, o que tem gerado certa confusão entre os termos.
8
Liderança, assim como o poder, só pode ser percebida nas suas manifestações. Entretanto, o conceito de
liderança não deve ser confundido com o conceito de poder. Ambos se relacionam7 por partirem da mesma
fonte, a legitimidade no âmbito coletivo, mas não possuem conotações semelhantes. Sendo a autoridade uma
das bases do poder, reduzir o conceito de liderança a uma manifestação da autoridade é tentar compreender
as expressões maiores que envolvem as relações sociais para além do visível.
É oportuno verificar um exemplo do uso inapropriado do conceito de poder e sua utili ação como sin nimo
de autoridade Verifica-se de que forma ambos (o poder e a autoridade) são utili ados para associá-los a um
conceito de liderança:
Segundo Schermerhorn9, liderança efica se apoia na maneira como um gerente usa o poder para in uen-
ciar o comportamento de outras pessoas. Poder é a habilidade para conseguir que outra pessoa faça alguma
coisa que você quer que seja feita. É a habilidade para fazer com que as coisas aconteçam da maneira com
que você quer.
Esta forma de concei-
tuação segue o clássico modelo de definir A como B e B como C, de maneira que, ao final, A, B e C por serem
uma única coisa, não são coisa nenhuma o caso específico desse exemplo, observa-se que o conceito não
permite levar em consideração aspectos importantes do problema da legitimidade natural do líder. Apesar de o
gerente possuir uma autoridade racional-legal, ele pode não ser visto diretamente como um indivíduo legítimo
para o cargo. Algumas ações de natureza coletiva, por parte de seus liderados, podem ser praticadas para
tentar retirá-lo do posto que ocupa. Desta forma, apesar dele ser reconhecido como a liderança formal, não se
7 Kernberg, Otto F. (1970). Factors in the psychoanalytic treatment of narcissistic personalities. JAP. 18:51-85.
8
9 .
23
configura necessariamente como o líder efetivo para o grupo: esta posição hierárquica que ocupa fa com que
tenha certa in uência sobre os demais indivíduos, mas isto por si só não o credencia a ganhar credibilidade no
âmbito daquela coletividade.
O conceito de liderança deve partir de uma definição conceitual mais específica e menos reducionista Para
tal, é necessário antes reforçar o conceito de poder, levando-se em conta as formas inapropriadas da utilização
do seu termo O conceito a ser utili ado deve-se ao fato de que sua sustentação encontra-se em uma re exão
que procura distinguir o uso do termo poder com suas formas de manifestação.
Assim, o pode ser definido como:
(...) a capacidade que tem uma classe social (ou uma fração ou segmento), uma categoria social ou um gru-
9
, mesmo con-
tra a resistência ao exercício desta capacidade e independentemente do nível estrutural em que tal capacidade
do acesso do grupo ou da classe social ao comando das principais organizações, das estruturas institucionais
ou políticas da sociedade, inclusive aquelas criadas como resultado de um processo de transformação, de ma-
neira a colocar em prática ou a viabilizar tal exercício (Faria, 2001)10.
É importante observar que apesar dos indivíduos procurarem atingir os objetivos específicos comuns, não se
deve esquecer que cada membro vincula-se a um grupo para realizar seus objetivos individuais. Isto acontece
devido às . Aqueles que conseguem colaborar de forma diferenciada
para que a classe social, categoria social ou grupo social atinjam os objetivos coletivos serão destacados pelos
demais integrantes: é exatamente aqui que aparece a liderança.
Por fim, o e, como tal, .
Os indivíduos inserem-se em suas relações a partir de funções que desempenham no âmbito coletivo, de forma
orgânica ou não, podendo in uir, coordenar, liderar, representar, organi ar e conferir legitimidade O poder e
suas manifestações estão imbricados dentro de um processo histórico e dialético, sobre a in uência constante
das mudanças sociais.
Os indivíduos possuem papel importante dentro dessa relação de mudança histórica, atuando como perso-
nagens centrais e desempenhando as funções essenciais de coordenação e modificação da realidade social
Desta forma, os indivíduos que compõem a coletividade devem estar cientes do contexto histórico e do caráter
dinâmico das mudanças sociais que ocorrem, procurando desempenhar os papéis coletivos que lhes são legi-
timamente conferidos pelos demais membros.
Desta forma, liderança pode ser entendida como uma manifestação de natureza tanto
que ocorre:
(a) no interior de uma classe social (numa fração ou segmento), categoria social ou grupos formais ou infor-
mais (social e politicamente organizados),
(b) entre classes (frações ou segmentos) categorias ou grupos sociais,
(c) no interior de organizações e
(d) entre organizações.
A liderança é um atributo individual e/ou coletivo que deve levar em consideração o caráter histórico e dialé-
tico das mudanças internas e externas (relações vinculares entre os integrantes, dinâmica do âmbito coletivo
ou organi acional, mudanças das normais sociais, in uência do contexto ambiental etc ) que in uenciam na
aceitação e legitimidade da figura do líder, seja este uma pessoa, um grupo ou uma organi ação
10
24
(de natureza econômica, jurídica,
política, ideológica e social), . A liderança difere da autoridade
e do simples carisma porque pressupõe a , voltada
sempre aos interesses de uma ética coletiva.
Deste modo, o papel do líder requer não só capacidades próprias como também coletivas. Uma liderança
não ocorre sem a legitimação dos integrantes que compõem a coletividade que a confere. Deste modo, a lide-
rança pode ser transitória e requer, do líder, um constante investimento em sua manutenção.
Dito de outra forma, existe uma relação efetiva entre poder e liderança, in uência, autoridade, coerção,
Estado, processo decisório, estratégias etc., porém, a cada termo pertence um conceito distinto, na medida em
que se referem a realidades concretas também distintas (Faria, 2001:03).
O conceito apresentado aqui pode ser encontrado de forma mais desenvolvido em Faria, José Henrique de.
Economia Política do Poder. 6ª. Reimpressão. Curitiba: Juruá, 2010. 3 Volumes. Volume 1.
Os interesses objetivos específicos são aqueles de nature a econ mica, jurídico, política, ideológica e so-
cial definidos pelas classes ou grupos sociais como sendo indicativos de sua própria condição este sentido, o
poder não é uma condição individual e tampouco um atributo coletivo. Trata-se de uma capacidade coletiva e,
como tal, deve der adquirida, desenvolvida e mantida, sendo que os indivíduos inserem-se em suas relações a
partir de funções que desempenham no âmbito coletivo, de forma orgânica ou não, podendo in uir, coordenar,
liderar, representar, organizar e conferir legitimidade (Faria, 2000, p. 15).
Pode-se, assim, falar de um grupo político que exerce uma liderança em uma agremiação política, tanto
quanto se pode falar de uma empresa ou organização líder ou de uma nação líder em um determinado conti-
nente.
A personalidade autoritária tem sido confundida, na literatura, como liderança forte. É preciso separar a
tirania de liderança.
Do ponto de vista das relações pessoais, não há liderança sem um grupo que a legitime A figura do líder
deve ser compartilhada e aceita pelos integrantes de um grupo. Sua aceitação é fundamental para o sucesso
das atividades que desempenha ou nas decisões que venha a tomar para realizar os objetivos desejados.
Entretanto, é importante observar que sempre existem os que questionam a legitimidade do líder e as
decisões tomadas por ele, seja por que desejam ocupar seu lugar (apresentando-se como alternativa mais
apropriada), seja porque não suportam vê-lo ocupando o lugar (são frequentes as tentativas de desestabilizar
o líder, de desqualificá-lo), seja porque percebem, antes dos demais membros, as consequências inadequadas
da sua ação.
Assim, o líder necessita estar atento para que estas situações não venham a obstaculizar as realizações dos
objetivos propostos ou a provocar a instabilidade dentro do grupo. No primeiro caso, trata-se de uma disputa
que, se democrática, pode melhorar o padrão de desempenho do grupo; no segundo, trata-se de um problema
que se desenvolve nos bastidores e que pode vir a deteriorar a unidade do grupo; no terceiro caso, trata-se de
capacidades que necessitam ser apropriadas pelo grupo.
O líder precisa estar consciente de que o seu papel está vinculado ao de um administrador de con itos Ele
precisa constantemente reavaliar o seu papel no contexto em que se encontra, redimensionando e aprimorando
sua capacidade de relacionamento com os integrantes do grupo, vislumbrando os aspectos relacionais, simbó-
licos e psicossociais Entretanto, é importante verificar que o grupo é uma manifestação psicossocial espontâ-
nea; portanto, não é passível de ter sua dinâmica completamente controlável (Pagés, 1976).
Para administrar os con itos, o líder não pode esquecer que os seus interesses, seus problemas pessoais,
seus sentimentos ambivalentes, suas virtudes e defeitos in uenciam nas suas tomadas de decisão Portanto,
o líder deve possuir um , bem como para aceitar e reavaliar as
críticas que se dirigem a ele.
25
É natural, desta forma, que algumas de
suas decisões e atitudes possam frustrar os integrantes do grupo; estes algumas vezes têm em seu imaginário
a figura ideali ada do líder, uma pessoa dotada de capacidade quase divina de sempre tomar decisões corretas
Os líderes que se deixam levar por essa idolatria, que corresponde a uma projeção do ego ideal, podem causar
complexos problemas para o grupo e para si mesmos.
Segundo Davel, Machado e Grave (2000, p.05) a “força de convicções e suas ressonâncias no imaginário
A figura do líder é antes imaginada no seu estado ideal na cabeça de cada membro do grupo A capacidade
do líder em atender às expectativas imaginárias dos liderados é determinante para a sua aceitação dentro da
coletividade. Grande parte da manifestação de apoio e, consequentemente, de legitimidade, ocorre devido a
isso.
Estas expectativas podem ser:
b. O reconhecimento pessoal, através da valorização das suas capacidades, por parte do grupo ou da orga-
nização em que estão inseridos;
c. As recompensas sociais e materiais como forma de reconhecimento pelos esforços despendidos em
nome do grupo;
26
Esta situação coloca uma questão essencial no relacionamento entre líderes e liderados: as relações de
poder na dinâmica dos grupos. “A liderança envolve uma distribuição desigual de poder entre os líderes e os
membros do grupo. Os membros dos grupos não são desprovidos de poder; podem moldar e moldam de vários
Entretanto, a escolha do líder significa igual-
mente a predominância de uma parcela do grupo sobre outra(s), ou seja, uma
.
O líder, por sua vez, sabe que, embora represente uma parcela do grupo, passa a ser líder de todo o
grupo e, assim, precisa dar conta dessas diferenças e administrá-las, exercício esse que exige dele extrema
habilidade e competência e que constituir-se-á no diferencial entre sua legitimidade (aceitação) e seu fracasso
(substituição).
É importante ressaltar que o líder só exerce esse papel porque .
Em uma situação em que parte importante do grupo ou mesmo em que todos os integrantes do grupo passam
a boicotar ou prejudicar as realizações dos objetivos determinados pelo líder, ocorre uma perda substancial e
muitas ve es definitiva de credibilidade do líder esmo que este líder seja aceito perante as autoridades ou por
seus superiores, na medida em que o seu trabalho não seja adequadamente realizado e prejudique a realiza-
ção dos objetivos, ele poderá ser deslocado para outra função ou grupo, pois o que prevalece são os objetivos
gerais da organização.
O líder deve estar atento a , seja formalmente, atra-
vés da autoridade delegada, por exemplo, seja informalmente, através dos mecanismos de in uência que legi-
timam, por meio da empatia ou confiança, certas frações do grupo O surgimento de outras e novas lideranças
é um processo natural dos grupos e deve ser encarado pelo líder como uma manifestação psicossociológica
necessária para a manutenção da coesão do grupo.
O aparecimento destas lideranças deve-se:
a. À não aceitação por unanimidade do líder;
27
respeitar as divergências de opiniões e procurar a busca do consenso possível para melhor
realizar os objetivos traçados. O respeito está relacionado, ainda, com a tolerância em relação aos limites pes-
soais de cada indivíduo;
paciência deve ser entendida como uma atividade ativa, como um tempo de espera necessá-
rio para que uma determinada pessoa do grupo redu a a sua possível ansiedade inicial, adquira uma confiança
basal nos outros, permita-se dar uns passos rumo a um terreno desconhecido, e assim por diante;
o líder deve estar atento para perceber se os liderados sabem “pensar” as ideias, os
sentimentos e as posições que são verbalizados. Para desempenhar esta função, o líder deve estar preparado
para pensar as questões que envolvem o cotidiano do grupo;
dar a devida importância, seja na forma ou no conteúdo, para o processo de comunica-
ção no grupo A linguagem do líder determina o sentido e as significações das palavras, gerando as estruturas
na mente dos liderados. O líder deve estar atento para a questão da interpretação e compreensão das suas
mensagens. É importante ressaltar o estilo da comunicação e seus impactos frente aos indivíduos do grupo
é a capacidade que o líder tem de perceber a forma como seus liderados o
concebem. Nesta perspectiva, o líder pode ser visto de diversas formas, tanto em relação às suas capacidades
técnicas, como às suas características pessoais. A correta interpretação da forma como seus liderados as per-
cebem, ajuda no processo de melhoria das relações estabelecidas.
Kernberg (2000, p.89) chama a atenção para outro assunto importante: os perigos que a
do líder pode trazer. A necessidade excessiva de ser admirado e, consequentemente, idolatrado pe-
los seus seguidores, pode levá-lo a tomar atitudes de natureza egoístas, voltados apenas para as realizações
dos seus desejos e objetivos. Evidentemente que o narcisismo ao qual o autor se refere aqui é o de natureza
patológica.
Assim, o líder deve ser um . Sua aceitação, no entanto, vem atra-
vés da maneira como ele se integra com os indivíduos e a postura que adota frente a posturas coletivas. Traba-
lhar em grupo requer estar preparado para a prática democrática, em defesa da ética coletiva.
O SUS foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado pelas Leis n. 8.080/90 (BRASIL, 1990)
e n. 8.142/90 (BRASIL, 1990). A partir daí, vem sendo, socialmente, construído especialmente por meio de Nor-
mas Operacionais feitas em consenso pelas três esferas de governo e materializadas em Portarias Ministeriais.
Os princípios do S S, fixados na Constituição Federal em 19 e detalhados na Lei Orgânica da Saúde (Lei
n. 8.080/90 e n. 8.142/90), foram o resultado de um longo processo histórico e social, que buscava interferir nas
condições de saúde e na assistência prestada à população brasileira.
O Sistema Único de Saúde vem passando, desde a sua instituição pela Lei Orgânica da Saúde em 1990,
por importantes mudanças, principalmente em razão do processo de descentralização das responsabilidades,
das atribuições e dos recursos para estados e municípios.
A nova concepção do sistema de saúde, descentralizado e administrado democraticamente com a participa-
ção da sociedade organi ada, prevê mudanças significativas nas relações de poder político e na distribuição de
responsabilidades entre o Estado e a sociedade e entre as distintas esferas de governo - nacional, estadual e
municipal -, cabendo aos gestores setoriais papel fundamental na concretização dos princípios e das diretrizes
da reforma sanitária brasileira.
O processo de descentralização em saúde no Brasil envolve não apenas a transferência de serviços, mas
também de responsabilidades, poder e recursos da esfera federal para a estadual e a municipal (LECOVITZ;
LIMA; MACHADO, 2001).
28
Para efeito de entendimento das funções no Sistema Único de Saúde, adotam-se os conceitos propostos
por Scotti e Oliveira (1995) e adotados pela Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde (NOB
01/1996), abaixo:
“Gestão” como a atividade e a responsabilidade de comandar um sistema de saúde (municipal, estadual ou
nacional) exercendo as funções de coordenação, articulação, negociação, planejamento, acompanhamento,
controle, avaliação e auditoria.
Gerência” como a administração de unidade ou órgão de saúde (ambulatório, hospital, instituto, fundação
etc.) que se caracteriza como prestador de serviço do SUS.
Essa distinção tornou-se necessária em razão de o processo de descentralização do SUS tratar a ação
de comandar o sistema de saúde de forma distinta daquela de administrar ou gerir uma unidade de saúde.
Isso se deu, em primeiro lugar, em razão do consenso de que a função de gestão é exclusivamente pública e
que, portanto, não pode ser transferida nem delegada. Assim, a gestão pública é executada pelos respectivos
gestores do SUS, que são os representantes de cada esfera de governo designados para o desenvolvimento
das funções do Executivo na área da saúde. A administração ou a gerência, por sua vez, pode ser pública ou
privada (CONASS-SUS 20 anos).
Para que se possa discutir o papel de cada esfera de governo no S S, é importante definir quem são os
gestores do Sistema Único de Saúde e o que são as funções gestoras no SUS.
Os gestores do SUS são os representantes de cada esfera de governo designados para o desenvolvimento
das funções do Executivo na saúde: no âmbito nacional, o Ministro da Saúde; no âmbito estadual, o Secretário
de Estado da Saúde, e no municipal, o Secretário Municipal de Saúde.
A atuação do gestor do SUS efetiva-se por meio do exercício das funções gestoras na saúde. As funções
gestoras podem ser definidas como um conjunto articulado de saberes e práticas de gestão, necessários para
a implementação de políticas na área da saúde” (SOUZA, 2002).
Pode-se identificar quatro grandes grupos de funções - macrofunções gestoras na saúde Cada uma dessas
compreende uma série de subfunções e de atribuições dos gestores (SOUZA, 2002):
a. Formulação de políticas/planejamento;
b. Financiamento;
c. coordenação, regulação, controle e avaliação (do sistema/redes e dos prestadores públicos ou privados);
d. Prestação direta de serviços de saúde.
Na macrofunção de formulação de políticas/planejamento, estão incluídas as atividades de diagnóstico da
necessidade de saúde, a identificação das prioridades e a programação de ações (SO A, )
Definir o papel e as atribuições dos gestores do S S nas três esferas de governo significa identificar as
especificidades da atuação no que di respeito a cada uma dessas macrofunções gestoras, de forma coerente
com a finalidade de atuação do Estado em cada esfera governamental, com os princípios e os objetivos estra-
tégicos da política de saúde, e para cada campo da atenção na saúde (promoção da saúde, articulação inter-
setorial, vigilância sanitária, vigilância epidemiológica, saúde do trabalhador, assistência à saúde, entre outros)
(LECOVITZ; LIMA; MACHADO, 2001).
Esse processo tem sido orientado pela Legislação do SUS e pelas Normas Operacionais que, ao longo do
tempo, têm definido as competências de cada esfera de governo e as condições necessárias para que estados
e municípios possam assumir suas funções no processo de implantação do SUS.
A Constituição Federal de 1988 estabelece os princípios, as diretrizes e as competências do Sistema Único
de Saúde, mas não define especificamente o papel de cada esfera de governo no S S m maior detalhamento
da competência e das atribuições da direção do SUS em cada esfera - nacional, estadual e municipal - é feito
pela Lei Orgânica da Saúde (Lei n. 8.080/90) (BRASIL, 1990).
A Lei Orgânica da Saúde estabelece em seu artigo 15 as atribuições comuns das três esferas de governo,
de forma bastante genérica e abrangendo vários campos de atuação (BRASIL, 1990).
29
São definidas como atribuições comuns da nião, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, em
seu âmbito administrativo:
- Definir as instâncias e os mecanismos de controle, de avaliação e de fiscali ação das ações e dos serviços
de saúde;
- Administrar os recursos orçamentários e financeiros destinados, em cada ano, à saúde
- Acompanhar, avaliar e divulgar o nível de saúde da população e as condições ambientais;
- Organizar e coordenar o sistema de informação em saúde;
- Elaborar normas técnicas e estabelecer padrões de qualidade e parâmetros de custos que caracterizam a
assistência à saúde;
- Elaborar normas técnicas e estabelecer padrões de qualidade para promoção da saúde do trabalhador;
- Participar na formulação da política e na execução das ações de saneamento básico e colaborar na prote-
ção e na recuperação do meio ambiente;
- Elaborar e atualizar periodicamente o Plano de Saúde;
- Participar na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos
para a saúde;
- Elaborar proposta orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS) em conformidade com Plano de Saúde;
- Elaborar normas para regular as atividades de serviços privados de saúde, tendo em vista a sua relevância
pública;
- Reali ar operações externas de nature a financeira de interesse da saúde, autori adas pelo Senado Fe-
deral;
- Atender as necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente,
de calamidade pública ou irrupção de epidemias - para tanto, a autoridade competente da esfera administrativa
correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes
assegurada justa indenização;
- Implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados;
- Propor a celebração de convênios, acordos e protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e
meio ambiente;
- Elaborar normas técnico-científicas de promoção, proteção e recuperação da saúde
- Promover articulação com os órgãos de fiscali ação do exercício profissional e outras entidades represen-
tativas da sociedade civil para a definição e o controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e serviços de
saúde;
- Promover a articulação da política e dos planos de saúde;
- Realizar pesquisas e estudos na área de saúde;
- Definir as instâncias e os mecanismos de controle e fiscali ação inerentes ao poder de polícia sanitária
- Fomentar, coordenar e executar programas e projetos estratégicos e de atendimento emergencial.
Uma análise geral da Lei n. 8.080/90 permite destacar os seguintes pontos em relação à competência de
cada gestor do SUS:
Competências da União
À direção nacional do Sistema Único de Saúde compete:
- Formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição;
- Participar na formulação e na implementação das políticas de controle das agressões ao meio ambiente,
de saneamento básico e relativas às condições e aos ambientes de trabalho;
30
- Definir e coordenar os sistemas de redes integradas de assistência de alta complexidade, de rede de labo-
ratórios de saúde pública, de vigilância epidemiológica e de vigilância sanitária;
- Participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgãos afins, de agravo sobre o meio
ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana;
- Participar da definição de normas, critérios e padrões para o controle das condições e dos ambientes de
trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador;
- Coordenar e participar na execução das ações de vigilância epidemiológica;
- Estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a execu-
ção ser complementada pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios;
- Estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle da qualidade sanitária de produtos, substân-
cias e serviços de consumo e uso humano;
- Promover articulação com os órgãos educacionais e de fiscali ação do exercício profissional, bem como
com entidades representativas de formação de recursos humanos na área de saúde;
- Formular, avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e produção de insumos e
equipamentos para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais;
- Identificar os serviços estaduais e municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões
técnicos de assistência à saúde;
- Controlar e fiscali ar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde
- Prestar cooperação técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o aperfei-
çoamento da sua atuação institucional;
- Elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados
contratados de assistência à saúde;
- Promover a descentralização para as Unidades Federadas e para os municípios dos serviços e das ações
de saúde, respectivamente de abrangência estadual e municipal;
- Normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados;
- Acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais
e municipais;
- Elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com estados,
municípios e Distrito Federal;
- Estabelecer o Sistema acional de Auditoria e coordenar a avaliação técnica e financeira do S S em todo
o território nacional, em cooperação técnica com estados, municípios e Distrito Federal.
Competências do estado
À direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) compete:
- Promover a descentralização para os municípios dos serviços e das ações de saúde;
- Acompanhar, controlar e avaliar as redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS);
- Prestar apoio técnico e financeiro aos municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde
- Coordenar e, em caráter complementar, executar ações e serviços de: vigilância epidemiológica, vigilância
sanitária, alimentação e nutrição e saúde do trabalhador participar, junto com os órgãos afins, do controle dos
agravos do meio ambiente que tenham repercussão na saúde humana;
- Participar da formulação da política e da execução de ações de saneamento básico;
- Participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de trabalho;
- Formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos para a saúde, em caráter
suplementar;
31
- Identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade, de
referência estadual e regional;
- Coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e hemocentros e gerir as unidades que per-
maneçam em sua organização administrativa;
- Estabelecer normas, em caráter suplementar, para o controle e a avaliação das ações e dos serviços de
saúde;
- Formular normas e estabelecer padrões, em caráter suplementar, de procedimentos de controle de quali-
dade para produtos e substâncias de consumo humano;
- Colaborar com a União na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras;
- Acompanhar a avaliação e a divulgação dos indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito da UF.
Competências do município
À direção municipal do Sistema Único de Saúde compete:
- Planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços pú-
blicos de saúde;
- Participar do planejamento, da programação e da organização da rede regionalizada e hierarquizada do
Sistema Único de Saúde, em articulação com sua direção estadual;
- Participar da execução, do controle e da avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de
trabalho;
- Executar serviços de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, alimentação e nutrição, saneamento
básico e saúde do trabalhador;
- Dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde;
- Colaborar na fiscali ação das agressões ao meio ambiente que tenham repercussão sobre a saúde huma-
na e atuar junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes para controlá-las;
- Formar consórcios administrativos intermunicipais;
- Gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros;
- Colaborar com a União e com os estados na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fron-
teiras;
- Celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de saúde, bem como
controlar e avaliar sua execução;
- Controlar e fiscali ar os procedimentos dos serviços privados de saúde
- Normatizar complementarmente as ações e os serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação.
A implementação da gestão descentralizada das ações e dos serviços de saúde no SUS, de 1993 a 2006,
realizou-se por meio de normas operacionais editadas pelo Ministério da Saúde, após amplo processo de
pactuação entre os gestores da saúde das três esferas de governo e o exame e a aprovação pelo Conselho
Nacional de Saúde.
Em termos normativos, destacam-se as Normas Operacionais Básicas do Sistema Único de Saúde (NOB-
-SUS).
As normas operacionais, editadas em portarias do inistério da Saúde e publicadas no Diário Oficial da
União, constituíram-se no instrumento normativo para a operacionalização da diretriz de descentralização das
ações e dos serviços, para a organização da gestão descentralizada do SUS, para a reorganização do modelo
de atenção à saúde no país e, por fim, para a orientação do processo de regionali ação da assistência à saúde
Correspondem à síntese das negociações e dos pactos firmados entre os gestores dos três níveis de dire-
ção do SUS - nacional, estadual e municipal - na Comissão Intergestores Tripartite, discutidas e aprovadas pelo
Conselho Nacional de Saúde.
32
A Lei n. 8.142/90 (BRASIL, 1990) instituiu duas “instâncias colegiadas” para a participação da comunidade
na gestão do SUS em cada esfera de governo:
- Conferência de Saúde;
- Conselho de Saúde.
Dessas instâncias, participam os seguintes segmentos da sociedade: usuários dos serviços de saúde, pres-
tadores de serviços, profissionais de saúde e representantes do governo
Órgãos Colegiados de Representação Política dos Gestores do SUS
As entidades de representação dos gestores têm tido papel importante nos fóruns de negociação e delibe-
ração do SUS.
O Conasems foi constituído no ano de 1988 como ente de mobilização e representação dos Secretários
Municipais de Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002).
O Conasems tem como eixo de ação “o fortalecimento e a autonomia da gestão municipal, promovendo
e incentivando o desenvolvimento de políticas públicas que valorizem as experiências de saúde, com caráter
intersetorial, que promova equidade e participação social”.
O Conselho acional de Secretarias unicipais de Saúde (Conasems) define- se como entidade não gover-
namental, sem fins lucrativos, criada com o objetivo de representar as secretarias municipais de saúde
A Lei n 1 de 199 (BRASIL, 199 ), ao tratar da participação social no S S, define o Conasems como
representante dos municípios no Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão deliberativo do SUS que é, tam-
bém, membro da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que reúne a representação dos três entes federados:
o Ministério da Saúde (MS), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS) e o Conasems.
O Conasems define que são suas competências:
- Promover e consolidar um novo modelo de gestão pública de saúde alicerçado nos conceitos de descen-
tralização e municipalização;
- Propor fórmulas de gestão democrática para a saúde;
- Auxiliar municípios na formulação de estratégias voltadas ao aperfeiçoamento dos seus sistemas de saú-
de, primando pelo intercâmbio de informações e pela cooperação técnica.
Em cada estado, os Secretários Municipais de Saúde se organizam em Cosems (Conselho de Secretários
Municipais de Saúde), sendo que em alguns estados a entidade recebe outras denominações. Os representan-
tes do Cosems e os representantes das secretarias estaduais de saúde compõem a Comissão Intergestores
Bipartite em cada estado.
Nos estados maiores, foram organizados os Conselhos Regionais de Secretários Municipais de Saúde
(Cresems).
Em âmbito nacional, os Cosems se reúnem no Conares que é o Conselho de Representantes Estaduais.
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) foi fundado em 3 de fevereiro de 1982 com o
objetivo de tornar o conjunto das Secretarias de Saúde dos estados e do Distrito Federal mais participante do
esforço de reconstrução do setor de saúde, como parte de uma ampla pauta social, naquele momento de rede-
mocratização do país (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002).
O CO ASS é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, que se pauta pelos princípios que regem
o direito público e que congrega os Secretários da Saúde, dos estados e do Distrito Federal.
33
O CONASS constitui um organismo da direção do Sistema Único de Saúde (SUS) com mandato de repre-
sentar politicamente os interesses comuns das Secretarias de Saúde dos estados e do Distrito Federal, perante
as demais esferas de governo e outros parceiros, em torno de estratégias comuns de ação entre os gestores
estaduais de saúde. Entre as representações de que participa, estão a Comissão Intergestores Tripartite (CIT)
e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).
uanto à finalidade, à competência e às linhas de ação, o CO ASS atua como órgão permanente de inter-
câmbio de experiências e informações de seus membros, voltado para a implementação dos princípios e das
diretrizes constitucionais e da legislação complementar em saúde e para o desenvolvimento das ações e dos
serviços de saúde. Sua missão é promover o pleno exercício das responsabilidades das Secretarias de Saúde
dos estados na política de saúde, junto aos órgãos setoriais federais e municipais, aos Poderes Legislativo e
Judiciário, além de outras entidades da sociedade civil.
34
A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) é composta por representantes do Ministério da Saúde, do Conse-
lho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde
(Conasems).
a CIT, são definidas diretri es, estratégias, programas, projetos e alocação de recursos do S S Tem
composição paritária formada por 18 membros, sendo seis indicados pelo Ministério da Saúde (MS), seis pelo
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e seis pelo Conselho Nacional de Secretários Munici-
pais de Saúde (Conasems). A representação de estados e municípios nessa Comissão é regional, sendo um
representante para cada uma das cinco regiões do país.
Está em curso no Congresso Nacional o Projeto de Lei n. 5.203, de 2009, que reconhece a legitimidade dos
foros de negociação e pactuação entre gestores, compostos pelas Comissões Intergestores Bipartite e Tripar-
tite, quanto aos aspectos operacionais do Sistema Único de Saúde.
Esse projeto de lei menciona ainda que a atuação das Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite terá
por objetivo:
I decidir sobre os aspectos operacionais, financeiros e administrativos da gestão compartilhada do S S,
em conformidade com a definição da política consubstanciada em planos de saúde, aprovados pelos conselhos
de saúde;
II definir diretri es, de âmbito nacional, regional, intermunicipal, a respeito da organi ação das redes de
ações e serviços de saúde, principalmente no tocante à sua governança institucional e à integração das ações
e serviços dos entes federativos;
III fixar diretri es sobre as regiões de saúde, distrito sanitário, integração de territórios, referência e contrar-
referência e demais aspectos vinculados à integração das ações e serviços de saúde entre os entes federativos.
Por meio desse Projeto de Lei, o CONASS e o Conasems são reconhecidos como entidades representati-
vas dos entes estaduais e municipais nos foros de negociação e pactuação do SUS e declarados de utilidade
pública e de relevante função social, e os COSEMS são reconhecidos como entidades que representam os en-
tes municipais, desde que vinculados institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuser seus estatutos.
A Constituição Federal de 1988 determinou a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), estruturado
de forma descentralizada, hierarquizada e regionalizada, de acesso universal.
A Lei n. 8.080/90, que institui o Sistema Único de Saúde com direção única em cada esfera de governo,
define o inistério da Saúde como gestor no âmbito da nião, no art 9 do seu Capítulo III - Da Organi ação,
da Direção e da Gestão (BRASIL, 1990).
O Ministério da Saúde foi criado em 1953 e regulamentado pelo Decreto n. 4.596, de 16 de novembro de
1953 (BRASIL, 1953).
Antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde (MS), com o apoio de estados
e municípios, desenvolvia quase que exclusivamente ações de promoção da saúde e prevenção de doenças,
com destaque para as campanhas de vacinação e controle de endemias. Todas essas ações eram desenvol-
vidas com caráter universal, ou seja, sem nenhum tipo de discriminação em relação à população beneficiária
(SOUZA, 2002).
Na área de assistência à saúde, o MS atuava apenas por meio de alguns poucos hospitais especializados,
nas áreas de psiquiatria e tuberculose, além da ação da Fundação de Serviços Especiais de Saúde Pública
(FSESP), em algumas regiões específicas, com destaque para o interior das regiões orte e ordeste
O modelo hegemônico de saúde, desenvolvido nas décadas anteriores e consolidado nos anos 1960 e
1970, caracterizou-se por uma grande centralização de recursos e de decisão no âmbito federal (central), com
uma divisão diferenciada de responsabilidades entre o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério da Previdência
e Assistência Social (MPAS) - cujas ações eram desenvolvidas pelo Inamps - , sendo que o MS cuidava das
ações preventivas e coletivas de saúde e o MPAS das ações de assistência médica individual, tratamento e
reabilitação, todas elas planejadas, controladas e avaliadas pela esfera federal (ALMEIDA E CALDAS, 1996).
35
A assistência à saúde desenvolvida pelo Inamps beneficiava apenas os trabalhadores da economia formal,
com “carteira assinada”, e seus dependentes, ou seja, não tinha o caráter universal que passa a ser um dos
princípios fundamentais do SUS.
Um passo importante para a implantação do Sistema Único de Saúde foi a publicação do Decreto n. 99.060,
de 7 de março de 1990, que transferiu o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps)
do Ministério da Previdência para o Ministério da Saúde, antes mesmo da Lei n. 8.080/90.
A nova responsabilidade constitucional do Ministério da Saúde exigiu reformulações organizacionais para
implementar o processo de descentralização dessa área.
Entre os elementos que dificultavam o processo de implantação do S S, embora não fosse o mais impor-
tante, destacava-se a inconveniente estrutura organizacional do Ministério da Saúde, que mantinha uma lógica
de um antigo Ministério, pré-SUS, que absorveu o Inamps (SOUZA, 2002).
Assim, ao longo dos anos, diversas reorganizações foram realizadas na busca de um Ministério da Saúde
compatível com o papel necessário a ser desempenhado pelo gestor federal, no presente estágio de implanta-
ção do SUS.
Recentemente, o Decreto Presidencial n. 7.336, de 19 de outubro de 2010, promoveu mudanças na estru-
tura regimental do Ministério da Saúde.
Esse ato presidencial define a nature a e a competência da instituição, a sua estrutura organi acional, a
competência de cada um dos seus órgãos - os de assistência direta e imediata ao inistro os específicos sin-
gulares; bem como os colegiados - e as atribuições dos seus dirigentes.
A estrutura central do inistério da Saúde é composta atualmente por cinco órgãos específicos singulares,
que são as secretarias, responsáveis por elaborar, propor e implementar as políticas de saúde, sendo, assim,
as executoras das atividades finalísticas do órgão Outras unidades que compõem o inistério são a secretaria
executiva, o gabinete do ministro e a consultoria jurídica, responsáveis por atividades de assessoria e assistên-
cia direta às ações do ministro.
São órgãos colegiados do Ministério da Saúde: o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho de Saúde
Suplementar.
Estão vinculadas ao Ministério da Saúde oito entidades:
- Autarquias: Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Agência Nacional de Saúde Suplementar;
- Fundações públicas: Fundação Nacional de Saúde e Fundação Oswaldo Cruz;
- Sociedades de economia mista: Hospital Nossa Senhora da Conceição S.A., Hospital Fêmina S.A. e Hos-
pital Cristo Redentor S.A.;
- Empresa pública: Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia.
Em agosto de 2010, foi publicada a Lei nº 12.314, que altera a Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, que
dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, criando mais uma secretaria na
estrutura do Ministério da Saúde. Em outubro de 2010 foi publicado o Decreto 7.336 que aprova a estrutura
regimental e o quadro demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do inistério da
Saúde, onde estão incluídas as atribuições da nova secretaria.
CAPÍTULO I - DA NATUREZA E COMPETÊNCIA
Art. 1° O Ministério da Saúde, órgão da administração direta, tem como área de competência os seguintes
assuntos:
I. política nacional de saúde;
II coordenação e fiscali ação do Sistema nico de Saúde
III. saúde ambiental e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde individual e coletiva, inclusive
a dos trabalhadores e a dos índios;
IV. informações de saúde;
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V. insumos críticos para a saúde;
VI ação preventiva em geral, vigilância e controle sanitário de fronteiras e de portos marítimos, uviais e
aéreos;
VII. vigilância de saúde, especialmente quanto às drogas, medicamentos e alimentos; e VIII. Pesquisa cien-
tífica e tecnológica na área de saúde
CAPÍTULO II - DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Art. 2° O Ministério da Saúde tem a seguinte estrutura organizacional: I. órgãos de assistência direta e ime-
diata ao Ministro de Estado da Saúde: a. Gabinete;
b. Secretaria-Executiva:
b.1 Subsecretaria de Assuntos Administrativos;
b.2 Subsecretaria de Planejamento e Orçamento;
b.3 Departamento de Informática do SUS - DATASUS;
b.4 Diretoria-Executiva do Fundo Nacional de Saúde;
b.5 Departamento de Apoio à Gestão Descentralizada;
b.6 Departamento de Logística em Saúde;
b.7 Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento; e
b.8 Núcleos Estaduais;
c. Consultoria Jurídica; II. Órgãos específicos singulares:
a. Secretaria de Atenção à Saúde:
a.1 Departamento de Atenção Básica;
a.2 Departamento de Atenção Especializada;
a.3 Departamento de Ações Programáticas Estratégicas;
a.4 Departamento de Regulação, Avaliação e Controle de Sistemas;
a.5 Departamento de Gestão Hospitalar no Estado do Rio de Janeiro;
a Departamento de Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social em Saúde
a.7 Instituto Nacional de Câncer;
a.8 Instituto Nacional de Cardiologia; e
a.9 Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia;
b. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde:
b.1 Departamento de Gestão da Educação na Saúde; e
b.2 Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde;
c. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos:
c.1 Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos;
c.2 Departamento de Ciência e Tecnologia; e
c.3 Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde;
d. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa:
d.1 Departamento de Apoio à Gestão Participativa;
d.2 Departamento de Monitoramento e Avaliação da Gestão do SUS;
d.3 Departamento de Ouvidora-geral do SUS; e
d.4 Departamento Nacional de Auditoria do SUS;
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e. Secretaria de Vigilância em Saúde:
e.1 Departamento de Vigilância Epidemiológica;
e.2 Departamento de Análise de Situação de Saúde;
e.3 Departamento de Apoio à Gestão da Vigilância em Saúde;
e.4 Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Síndro-
me da Imunodeficiência Adquirida e Hepatites Virais e
e.5 Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador;
f. Secretaria Especial de Saúde Indígena:
f.1 Departamento de Gestão da Saúde Indígena;
f.2 Departamento de Atenção à Saúde Indígena; e
f.3 Distritos Sanitários Especiais Indígenas; III. Órgãos colegiados:
a. Conselho Nacional de Saúde; e
b. Conselho de Saúde Suplementar; IV. Entidades vinculadas:
a. autarquias:
a.1 Agência Nacional de Vigilância Sanitária;
a.2 Agência Nacional de Saúde Suplementar;
b. fundações públicas:
b.1 Fundação Nacional de Saúde;
b.2 Fundação Oswaldo Cruz;
c. sociedades de economia mista:
c.1 Hospital Nossa Senhora da Conceição S.A.;
c.2 Hospital Fêmina S.A.; e
c.3 Hospital Cristo Redentor S.A.;
d. empresa pública: Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia.
O decreto presidencial ainda define as competências dos órgãos do inistério da Saúde, as atribuições dos
dirigentes e dá outras providências
Desde 1991, o Ministério da Saúde mantém um Contrato de Gestão com a Associação das Pioneiras So-
ciais (APS) - entidade de serviço social aut nomo, de direito privado e sem fins lucrativos - que é a instituição
gestora da Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor.
A Associação, criada pela Lei n. 8.246, de 22 de outubro de 1991, tem como objetivo retornar o imposto
pago por qualquer cidadão, prestando-lhe assistência médica qualificada e gratuita, formando e qualificando
profissionais de saúde, desenvolvendo pesquisa científica e gerando tecnologia (BRASIL, 1991)
Esse Contrato de Gestão mantido com o governo federal explicita os objetivos, as metas e os prazos a
serem cumpridos. Os princípios administrativos para alcançar esses propósitos estão regulamentados em ma-
nuais internos.
O controle é feito pelo Tribunal de Contas da nião, com ênfase na avaliação dos resultados finais dos
investimentos garantidos por recursos públicos. A qualidade dos serviços é aferida pelo Centro Nacional de
Controle de Qualidade, com padrões universais nas áreas ambulatorial e hospitalar.
Os recursos financeiros que mantêm todas as unidades da Rede Sarah provêm exclusivamente do Orça-
mento da nião, em rubrica específica para manutenção do Contrato de Gestão
38
As transformações ocorridas no cenário político mundial, a globalização da economia, a crescente difusão
de novas tecnologias e a socialização dos meios de comunicação são alguns dos eventos que contribuíram
para a mudança do comportamento dos usuários dos serviços, bem como para o aumento da competitividade
na maioria das organizações.
Neste contexto, os estabelecimentos prestadores de serviços de saúde compreendidos como empresas
complexas, necessitam adaptar-se a esse novo cenário e tornar-se exíveis para incorporarem estratégias
capazes de atender ao usuário, seja interno ou externo, razão de ser da instituição.
A gestão da qualidade, refere-se ao processo ativo de determinar e orientar o caminho a ser seguido para
atingirmos os objetivos empregando todos os recursos contidos na produção de um bem ou de um serviço
(GARAY, 1997).
Para o alcance dessa meta, é fundamental a implementação de medidas visando à qualidade desses ser-
viços. A gestão da qualidade tem sido abordada das mais diferentes formas e situações, destacando-se na
esfera empresarial, nos modelos gerenciais, na política de recursos humanos e na organização do processo
de trabalho.
Nos serviços de saúde, a qualidade deve ser enfatizada principalmente por que o produto/serviço é consu-
mido durante a sua produção, tornando-se diferente da produção de bens, em que é possível separar o produto
com defeito, sem maiores consequências, exceto a perda de matéria prima e o trabalho.
a trajetória do conceito de qualidade, verifica-se que, em sua fase inicial ressaltava-se:
Na abordagem fundamentada na nos princípios da Qualidade Total, muitas vezes as organizações ignoram
a importância do papel dos executores dos processos que levam à qualidade - os trabalhadores, no que diz
respeito à sua autonomia e à sua satisfação profissional
Ao se falar em qualidade em saúde, não se pode deixar de citar a atuação da enfermeira inglesa Florence
Nightingale, que implantou o primeiro modelo de melhoria contínua da qualidade em saúde, em 1854, durante
a Guerra da Criméia, baseando-se em dados estatísticos. Declínio da taxa de mortalidade de 40% para 2%.
No decorrer dos anos 80, a qualidade dos serviços passou a ser assunto prioritário no setor saúde, sendo
impulsionada por diversos fatores:
- O elevado custo da assistência à saúde;
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- A consequente necessidade da redução dos gastos;
- O aumento dos processos judiciais por erros médicos;
- Maior exigência de qualidade por parte dos usuários.
Avedis Donabedian a partir da década 1980, passa a publicar diversos trabalhos retratando a sua preocu-
pação com o tem qualidade e de como avaliá-lo no setor saúde o final da mesma década surgem os padrões
de qualidade estabelecidos pela (ISO), uma entidade criada em 1946 e
sediada em Genebra, Suíça.
Os princípios que norteiam o ISO 9000 foram desenvolvidos em 1987, para padronizar as normas de gestão
de qualidade nas organi ações O certificado ISO 9 atesta que a instituição cumpre as normas de gestão
de qualidade estabelecidas.
A aplicação das normas ISO garante a uniformização dos métodos usados pelas organizações e envolve 5
certificações: ISO 9 1, ISO 9 , ISO 9 , ISO 9 e ISO 1
Conceitos
capacidade de produ ir melhorias no setor saúde significa o melhor que se pode fa er nas con-
dições mais favoráveis dado o estado do cliente.
é o grau em que o cuidado cuja qualidade está sendo avaliada, alcança o nível de melhoria
da saúde, cujo estudos de eficácia tenha estabelecido como alcançáveis
é a medida do custo com o qual uma dada melhoria na saúde é alcançada. Se duas estratégias
de cuidado são igualmente efica es e efetivas, a mais eficiente é a de menor custo
emprego da relação custo-benefício na assistência à saúde. Numa curva ideal, o processo
de adicionar benefícios pode ser tão desproporcional aos custos acrescidos, que tais adições úteis perdem a
razão de ser.
sinônimo de adaptação do cuidado aos desejos, expectativas e valores dos clientes e
familiares Depende da efetividade, da eficiência e da otimi ação, além da acessibilidade do cuidado e das
características da relação profissional de saúde-cliente
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aceitabilidade do cuidado da forma como é visto pela sociedade em geral.
princípio pelo qual se determina o que é justo ou razoável na distribuição do cuidado e de seus
benefícios entre os membros de uma população. A equidade é parte daquilo que torna o cuidado aceitável para
os indivíduos e legítimo para a sociedade.
De acordo com Donabedian, um primeiro ponto na definição do que é qualidade da assistência é que ela
não se constitui num atributo abstrato, e, sim, que é construída pela avaliação da assistência através de três
dimensões:
implica as características relativamente estáveis das instituições, como área física, recursos
humanos, materiais, financeiros e modelo organi acional
refere-se ao conjunto de atividades desenvolvidas na produção em geral e no setor saúde, nas
relações estabelecidas entre os profissionais e os clientes, desde a busca pela assistência até o diagnóstico e
o tratamento.
é a obtenção das características desejáveis dos produtos e serviços, retratando os efeitos da
assistência na saúde do cliente e da população.
O alcance da qualidade da assistência à saúde é uma meta almejada pelas instituições, preocupadas em
garantir, por meio de suas ações, o exercício profissional e de cidadania ao usuário e ao trabalhador
o setor saúde observa-se uma tendência a construir indicadores de eficiência, eficácia e efetividade com
base em padrões e critérios preestabelecidos para uma dada realidade.
De acordo com Donabedian (199 ), padrão é a medida quantitativa, capa de definir a qualidade almejada,
e critério é um atributo de estrutura, de processo ou resultado, capaz de direcionar a mensuração da qualidade.
O indicador é uma unidade de medida de uma atividade com a qual está relacionado, ou, ainda, uma medida
quantitativa que pode ser usada como guia para monitorar e avaliar a qualidade assistencial e gerencial de um
serviço.
Os indicadores de saúde, tradicionalmente, são medidas (taxas, proporções, índices, percentuais, números
absolutos ou fatos) que procuram sintetizar o efeito de determinantes de natureza variada (sociais, econômicos,
ambientais e biológicos) acerca do estado de saúde de determinada população.
Outras ferramentas com a finalidade de definir, mensurar, analisar e propor soluções dos problemas que
interferem na garantia da qualidade dos processos de trabalho são: técnicas de brainstorming (tempestade
cerebral) e de grupos operativos, diagramas de causa-efeito e verificação, uxograma, histograma e gráfico de
dispersão.
No Brasil, iniciativas como o Programa de Compromisso coma Qualidade Hospitalar (CQH), mantido pela
Associação Paulista de Medicina e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, e o Sistema
de Indicadores padronizados para a Gestão Hospitalar; apoiado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos,
Rio Grande do Sul, buscam monitorar os indicadores de saúde e adaptá-los para projetos voltados à nossa
realidade.
Em 1997, visando ao alcance da qualidade, o Ministério da Saúde inicia um programa, denominado Acredi-
tação Hospitalar, que é um método de consenso, racionalização e ordenação dos hospitais.
Esse programa de cunho voluntário, pressupõe uma ação proativa das organizações em apresentar à po-
pulação, autoridades sanitárias e fornecedores/consumidores de serviços de saúde um padrão de qualidade
compatível com uma referência externa.
Para a implantação de programas de qualidade, é indispensável a utilização de determinadas ferramentas
que promovam uma mudança no ambiente físico, nas questões organizacionais, que auxiliem na melhoria da
autoestima dos profissionais e no relacionamento entre os setores
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Especificamente com relação á enfermagem, algumas medidas vêm sendo implementadas no sentido de
estabelecer programas de monitorização aplicando indicadores tais como: cuidado com cateteres, transferên-
cia de usuários entre unidades, controle da dor, úlcera por pressão, ebite e de vigilância - como quedas e
administração de medicamentos.
Independentemente dos tipos de programas adotados, os indicadores devem ser capazes de atender aos
seguintes objetivos:
• Melhorar a assistência ao usuário;
Fortalecer a confiança da clientela
Atender as exigências dos órgãos financiadores
Redu ir custos e atrair e estimular o envolvimento dos profissionais
Neste contexto, os estabelecimentos de saúde podem ser avaliados de várias maneiras para cumprir as
exigências legais, as condições de classificação segundo determinado critério ou as condições de qualidade
Há pelo menos quatro categorias de avaliação no sistema de saúde brasileiro:
1- Habilitação ou Alvará: trata-se de uma avaliação executada pela autoridade sanitária jurisdicional, pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária ou por entidade delegada para este propósito. É uma pré-condição de
acreditação.
3- Programas de auto avaliação: são métodos de monitoração como: reuniões anatomopatológicas, dis-
cussões de casos clínicos ou revisões de prontuários. Outras maneiras também podem ser utilizadas, conside-
rando critérios explícitos e aceitáveis de desempenho, que são comparados com a atenção oferecida (controle
de infecção, morbidade, grau de satisfação individual e da família, a referência e contra referência entre uma
rede de serviços).
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- Comissão de educação permanente;
- Comissão de gerenciamento de Riscos.
Outros aspectos a serem considerados para o alcance da qualidade da assistência de enfermagem refe-
rem-se ao quantitativo de recursos humanos, à qualificação de seus profissionais, à motivação no trabalho, à
remuneração salarial, entre outros.
Sem a participação é o envolvimento dos profissionais da instituição, não haverá a efetivação da qualidade
portanto, as pessoas necessitam ser motivadas e capacitadas para otimizarem o processo produtivo objetivan-
do a qualidade, uma vez que esta depende de esforços em níveis individuais e coletivos.
A origem da palavra auditoria vem do latim que significa ouvir, e que toda pessoa que possui a
função de verificar a legitimidade dos fatos econ mico-financeiros, prestando contas a um superior, poderia
ser considerado como auditor. A primeira auditoria no setor da saúde foi realizada em 1918 com o objetivo de
avaliar a prática médica.
O serviço de auditoria sempre esteve associado ao controle administrativo-financeiro das organi ações
Erros em cobranças, gerando prejuí o financeiro à instituição de saúde, são relacionados à falha de registros
de materiais e medicamentos utilizados, tanto pela equipe de enfermagem quanto médica.
A auditoria tem a responsabilidade de diminuir de perdas financeiras e é de grande relevância, porém não
deve ser a prioridade em auditoria em saúde para não haver perda de seu objetivo, que é a garantia da quali-
dade de assistência
Tradicionalmente, são conhecidos dois tipos de avaliação: a avaliação formativa, que ocorre durante a
execução ou implementação de um plano e a avaliação somativa, que tem lugar ao término de um período do
plano.
Mas, o que interessa neste tipo de abordagem é o estudo da avaliação, sob dois aspectos: auto–avaliação
e auditoria.
É evidente que o ser humano deve auto avaliar-se, principalmente quando está inserido numa equipe de
trabalho Todo profissional deve ser capa de criticar-se de forma objetiva e honestamente Assim, estará apto
a trabalhar em grupo, disciplinando-se para atingir os objetivos organizacionais.
A administração do serviço de enfermagem deve estabelecer seus próprios critérios de avaliação, com o
propósito de identificar problemas que evidenciem necessidades de melhorar as relações interpessoais e fun-
cionais.
A título de exemplificação, seguem alguns tópicos para a auto avaliação do pessoal de enfermagem:
- O pessoal de enfermagem é suficiente para o atendimento aos pacientes
- Há igual distribuição de trabalho e da carga horária para todo o pessoal
- O ânimo do pessoal de enfermagem está elevado
- Há reuniões periódicas
- Há boas relações entre a enfermagem e os demais serviços
- As enfermeiras são aproveitadas para o ensino
- Há educação em serviço para atuali ação
- Há regimento que estabeleça as atribuições, os horários de serviço, às normas administrativas e técnicas
e as rotinas
- Há registros de enfermagem
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A respeito do assunto, deve-se tomar como ponto de partida, o conceito formulado por Cherubin: Enten-
de-se por auditoria a tarefa de aferir a eficiência e eficácia do hospital e/ou de serviços A eficiência aborda os
aspectos quantitativos, econ micos e financeiros e a eficácia os qualitativos
Em outras palavras, pode-se afirmar que a auditoria é um sistema de avaliação formal que identifica o nível
de qualidade da assistência, através do exame do prontuário do paciente e das próprias condições dos mes-
mos.
Auditoria é avaliação sistemática e formal de uma atividade, por alguém não envolvido diretamente na sua
execução, para determinar se esta atividade está sendo levada a efeito de acordo com seus objetivos.
Auditoria em enfermagem é a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem, verificada
através das anotações de enfermagem no prontuário do paciente e ou das próprias condições deste.
A auditoria tem como finalidades:
- Identificar áreas deficientes do serviço de enfermagem, auxiliando, por exemplo, para que as decisões
quanto ao remanejamento e aumento de pessoal sejam tomadas com base em dados concretos;
- Identificar áreas de deficiência em relação à assistência de enfermagem prestada, percebendo-se, por
exemplo, defasagem no atendimento da área psicoespiritual;
- Fornecer dados para melhora dos programas de enfermagem;
- Fornecer dados para melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem;
- Obter dados para programação de reciclagem e atualização do pessoal de enfermagem.
A Auditoria pode ser classificada quanto à forma de intervenção, ao tempo, à nature a e ao limite
uanto à forma de intervenção, a auditoria se classifica em: interna e externa
Auditoria Interna
esse processo são aplicados questionários específicos que possibilitem a locali ação de problemas É
realizada por elementos da própria instituição; tem como vantagem maior profundidade no trabalho, tanto pelo
conhecimento da estrutura administrativa, como das inovações e experiências dos serviços; a sua vinculação
funcional permite sugerir soluções apropriadas; como desvantagem, pode-se citar a dependência administrati-
va limitando a amplitude das conclusões e das recomendações finais do trabalho pode haver também envolvi-
mento afetivo do auditor com os elementos realizadores do trabalho, invalidando-o.
Auditoria Externa
Trata-se da contratação de serviços de profissionais qualificados e especiali ados ou de firmas para esse
fim É reali ada por elemento não pertencente à instituição, contratado especificamente par a auditoria tem a
vantagem de gozar independência administrativa e afetiva;
Tem a desvantagem de o auditor não vivencia a realidade da instituição, podendo realizar um trabalho su-
perficial, que apresente sugestões pouco adequadas à solução dos problemas existentes
Enquanto os padrões oferecem os critérios para a mensuração da qualidade do cuidado, as auditorias cons-
tituem instrumentos de medida ma auditoria é um exame sistemático e oficial de um registro, processo ou
contabilidade para a avaliação do desempenho.
Auditoria em organizações de saúde proporciona aos administradores um meio de aplicar o processo de
controle para a determinação da qualidade dos serviços prestados. As auditorias utilizadas com maior frequên-
cia no controle de qualidade incluem verificações de resultado, processo e estrutura
uanto ao tempo, a auditoria se classifica em: contínua e periódica
avalia em períodos determinados, sendo que a revisão seguinte sempre se inicia a
partir da última;
examina também em tempos estabelecidos, porém não se prende à continuidade.
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uanto à nature a, a autoria se classifica em: normal e específica
a auditoria se realiza em períodos determinados com objetivos regulares de compro-
vação;
a auditoria atende a uma necessidade do momento.
uanto ao limite, a auditoria se classifica em total e parcial
abrange todos os setores da instituição;
é limitada a alguns serviços (por exemplo: serviço de enfermagem).
Auditoria do processo
São empregadas para mensurar o processo de cuidados. A ênfase é à tarefa e o foco está nos padrões da
prática. Daí a existência da relação entre a qualidade do enfermeiro e a qualidade do cuidado oferecido.
Os padrões do processo encontram-se nos planos de cuidado do paciente, nos manuais de procedimento
ou nas declarações do protocolo de enfermagem. Exemplo: uma auditoria de processo pode ser utilizada para
que seja estabelecido se as pressões sanguíneas foram verificadas, conforme rotina estabelecida
Auditoria de estrutura
É a auditoria que monitora a estrutura ou o local em que se realiza o cuidado ao paciente, a saber: a si-
tuação financeira, o serviço de enfermagem, os registros médicos e o ambiente essa auditoria existe uma
relação entre cuidado qualificado e estrutura adequada Por exemplo: a verificação das lu es utili adas pelo
paciente para chamar os enfermeiros ou se os jarros de água estão ao alcance do paciente.
Auditorias de resultados, processos e estrutura podem ocorrer retrospectivamente, simultaneamente ou
com vistas ao futuro. As auditorias retrospectivas são realizadas após o cliente receber o serviço. As auditorias
simultâneas ocorrem enquanto o cliente está sendo atendido. As auditorias com vistas ao futuro ou prospecti-
vas tentam identificar a maneira como o desempenho será afetado pelas atuais intervenções
Na auditoria de enfermagem o prontuário do paciente é examinado para se determinar a qualidade do aten-
dimento prestado durante um determinado tempo. Embora possa ser feita enquanto o paciente está no hospital,
a revisão é geralmente retrospectiva: ou seja, ela é feita após o paciente ter recebido alta.
A auditoria de enfermagem procura descobrir as deficiências ou omissões no planejamento e na prestação
do atendimento ao paciente Apesar de apontar as deficiências, a auditoria não pode corrigi-las
No entanto, as áreas que podem ser examinadas incluem: o regime médico, o ensino de dados ao paciente,
os registros do atendimento de enfermagem prestado e as evidências do uso dos planos de atendimento de
enfermagem.
O processo de auditoria ajuda os enfermeiros perceberem que suas responsabilidades profissionais vão
além de simplesmente seguir as prescrições médicas. O caráter dinâmico da auditoria, que constitui uma ne-
cessidade manifestada pelo indivíduo e pelo meio que ocupa e baseia-se nos seguintes objetivos:
- Elevar os conhecimentos dos enfermeiros sobre a prática de enfermagem;
- Atuar como elemento motivador entre o pessoal de enfermagem;
- Avaliar, através das anotações ou registros, o grau da assistência que a enfermagem presta ao paciente;
- Alcançar padrões ideais na assistência de enfermagem.
Fatores básicos observáveis numa auditoria de enfermagem são todos os aspectos das atividades adminis-
trativas e técnicas. Podem-se usar os seguintes fatores:
- Prontuário;
- Grau do padrão de enfermagem;
- Distribuição adequada de pessoal por cada plantão;
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- Relações humanas no trabalho;
- O uso adequado da comunicação.
Um outro ponto importante a ser considerado é a composição de membros da Comissão de Auditoria, inte-
grada pelo:
- Supervisor;
- Enfermeiro gerente;
- Enfermeiro assistencial;
Desse modo, algumas exigências básicas deverão ser observadas:
- Guarda do sigilo de todos os dados obtidos;
- Reuniões periódicas para discussões, análises e propostas de solução;
- Estabelecimento do padrão desejado para conhecimento.
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
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O processo de enfermagem proposto por Horta (1979), é o conjunto de ações sistematizadas e relacionadas
entre si, visando principalmente a assistência ao cliente. Eleva a competência técnica da equipe e padroniza
o atendimento, proporcionando melhoria das condições de avaliação do serviço e identificação de problemas,
permitindo assim os estabelecimentos de prioridade para intervenção direta do enfermeiro no cuidado. O pro-
cesso de enfermagem pode ser denominado como SAE (Sistematização da Assistência de Enfermagem) e
deve ser composto por Histórico de Enfermagem, Exame Físico, Diagnóstico e Prescrição de Enfermagem. As-
sim, a Evolução de Enfermagem, é efetuada exclusivamente por enfermeiros. O relatório de enfermagem, que
são observações, podem ser realizados por técnicos de enfermagem. Em unidades críticas como uma Unidade
de Terapia Intensiva (UTI), a evolução de enfermagem deve ser realizada a cada turno do plantão, contudo em
unidades semi-críticas, como uma Clínica Médica e Cirúrgica, o número exigido de evolução em vinte e quatro
horas é de apenas uma, já os relatórios, devem ser redigidos á cada plantão.
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roteiro sistemati ado para coleta e análise de dados significativos do ser humano, tornando possível a identifi-
cação de seus problemas. Ele deve ser conciso, sem repetições, e conter o mínimo indispensável de informa-
ções que permitam prestar os cuidados imediatos.
O exame físico envolve um avaliação abrangente das condições físicas gerais de um paciente e de cada
sistema orgânico. Informações úteis no planejamento dos cuidados de um paciente podem ser obtidas em qual-
quer fase do exame físico. Uma avaliação física, seja parcial ou completa, é importante para integrar o ato do
exame na rotina de assistência de enfermagem. O exame físico deverá ser executado em local privado, sendo
preferível a utilização de uma sala bem equipada para atender a todos os procedimentos envolvidos.
- Inspeção: Exame visual do paciente para detectar sinais físicos significativos Reconhecer as caracterís-
ticas físicas normais, para então passar a distinguir aquilo que foge da normalidade. Iluminação adequada e
exposição total da parte do corpo para exame são fatores essenciais para uma boa inspeção. Cada área deve
ser inspecionada quanto ao tamanho, aparência, coloração, simetria, posição, e anormalidade. Se possível
cada área inspecionada deve ser comparada com a mesma área do lado oposto do corpo.
- Palpação: Avaliação adicional das partes do corpo reali ada pelo sentido do tato O profissional utili a di-
ferentes partes da mão para detectar características como textura, temperatura e percepção de movimentos. O
examinador coloca sua mão sobre a área a ser examinada e aprofunda cerca de 1 cm. Qualquer área sensível
locali ada deverá ser examinada posteriormente mais detalhadamente O profissional avalia posição, consis-
tência e turgor através de suave compressão com as pontas dos dedos na região do exame. Após aplicação
da palpação suave, intensifica-se a pressão para examinar as condições dos órgãos do abd men, sendo que
deve ser pressionado a região aproximadamente 2,5 cm. A palpação profunda pode ser executada com uma
das mãos ou com ambas.
- Percussão: Técnica utilizada para detectar a localização, tamanho e densidade de uma estrutura subja-
cente. O examinador deverá golpear a superfície do corpo com um dos dedos, produzindo uma vibração e um
som. Essa vibração é transmitida através dos tecidos do corpo e a natureza do som vai depender da densidade
do tecido subjacente. Um som anormal sugere a presença de massa ou substância, tais como líquido dentro
de um órgão ou cavidade do corpo. A percussão pode ser feita de forma direta (envolve um processo de gol-
peamento da superfície do corpo diretamente com os dedos) e indireta (coloca-se o dedo médio da mão não
dominante sobre a superfície do corpo examinado sendo a base da articulação distal deste dedo golpeada pelo
dedo médio da mão dominante do examinador). A percussão produz 5 tipos de som: Timpânico: Semelhante
a um tambor - gases intestinais; Ressonância: Som surdo - pulmão normal; Hiper-ressonância: Semelhante a
um estrondo pulmão enfisematoso Surdo: Semelhante a uma pancada surda fígado Grave: Som uniforme
– músculos.
- Ausculta: Processo de ouvir os sons gerados nos vários órgãos do corpo. As 4 características de um som
são a freqüência ou altura, intensidade ou sonoridade, qualidade e duração.
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e direcionada aos diagnósticos de enfermagem específicos do cliente, tornando o cuidado eficiente e efica
A seqüência das prescrições deve obedecer à seguinte ordem: a primeira é elaborada logo após o histórico, e
as demais sempre após cada evolução diária, tendo assim validade de 24 horas. Para a primeira prescrição,
portanto, toma-se como base o histórico de enfermagem, e as demais deverão seguir o plano da evolução
diária, fundamentado em novos diagnósticos e análise. Entretanto, será acrescentada nova prescrição sempre
que a situação do cliente requerer. Existem vários tipos de prescrição de enfermagem. As mais comuns são
as manuscritas, documentadas em formulários específicos dirigidos a cada cliente e individualmente m outro
tipo é a prescrição padroni ada , elaborada em princípios científicos, direcionada às características da clientela
específica, reforçando a qualidade do planejamento e implementação do cuidado É deixado espaço em branco
destinado à elaboração de prescrições mais específicas ao cliente A implementação das ações de enfermagem
deve ser guiada pelas prescrições que por sua vez são planejadas a partir dos diagnósticos de enfermagem,
sendo que a cada diagnóstico corresponde uma prescrição de enfermagem.
a) Conceito: é o procedimento mais importante na prevenção e no controle das infecções hospitalares, de-
vendo este procedimento ser rotina para toda a equipe multiprofissional, sendo o objetivo desta técnica redu ir
a transmissão cru ada de microorganismos patogênicos entre doentes e profissionais
b) Quando lavar as mãos:
- ao chegar à unidade de trabalho;
- sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas;- antes e após contactar com os doentes;
- antes de manipular material esterilizado.
- após contatos contaminantes (exposição a uidos orgânicos) - após contactar com materiais e equipa-
mentos que rodeiam o doente;- antes e após realizar técnicas sépticas (médica - contaminada) e assépticas
(cirúrgica – não contaminada);
- antes e após utilizar luvas de procedimento;
- após manusear roupas sujas e resíduos hospitalares;
- depois da utilização das instalações sanitárias.
- após assoar o nariz.
c)Técnica:
- devem ser retirados todos os objetos de adorno, incluindo pulseiras. Para a realização da técnica, deve-se
utilizar sabão liquido com pH neutro;
- abrir a torneira com a mão não dominante;
- molhar as mãos;
- aplicar uma quantidade suficiente de sabão cobrindo com espuma toda a superfície das mãos
- esfregar com movimentos circulatórios: palmas, dorso, interdigitais, articulações, polegar, unhas e punhos
- enxaguar as mãos em água corrente e secar com papel toalha
- se a torneira for de encerramento manual, utilizar o papel toalha para fechá-la.
a) Conceito: Esforço coordenado dos sistemas músculoesquelético e nervoso para manter o equilíbrio ade-
quado, postura e alinhamento corporal, durante a inclinação, movimentação, levantamento de carga e execu-
ção das atividades diárias. Facilita o movimento para que uma pessoa possa executar atividades físicas sem
usar desnecessariamente sua energia muscular.
b) Como assistir o paciente utilizando-se os princípios da Mecânica Corporal:
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Alinhamento: Condições das articulações, tendões, ligamentos e músculos em várias partes do corpo. O
alinhamento correto reduz a distensão das articulações, tendões, ligamentos e músculos.
Equilíbrio do corpo: Realçado pela postura. Quanto melhor a postura, melhor é o equilíbrio. Aumentar a
base de suporte , afastando-se os pés a uma certa distância uando agachar dobrar os joelhos e exionar os
quadris, mantendo a coluna ereta.
ovimento Corporal Coordenado: O profissional usa uma variedade de grupos musculares para cada ativi-
dade de enfermagem A forças físicas de peso e atrito podem re etir no movimento corporal, e quando correta-
mente usadas, aumentam a eficiência do trabalho do profissional Caso contrário, pode prejudicá-lo na tarefa
de erguer, transferir e posicionar o paciente. O atrito é uma força que ocorre no sentido oposto ao movimento.
uanto maior for a área da superfície do objeto, maior é o atrito uando o profissional transfere, posiciona ou
vira o paciente no leito, o atrito deve ser vencido. Um paciente passivo ou imobilizado produz maior atrito na
movimentação.
Como utilizar adequadamente o movimento corporal coordenado:
- Se o paciente não for capaz de auxiliar na sua movimentação no leito, seus braços devem ser colocados
sobre o peito, diminuindo a área de superfície do paciente;
- uando possível o profissional deve usar a força e mobilidade do paciente ao levantar, transferir ou movê-
-lo no leito. Isto pode ser feito explicando o procedimento e dizendo ao paciente quando se mover;
- O atrito pode ser reduzido se levantar o paciente em vez de empurrá-lo. Levantar facilita e diminui a pres-
são entre o paciente e o leito ou cadeira. O uso de um lençol para puxar o paciente diminui o atrito porque ele
é facilmente movido ao longo da superfície do leito.
- Mover um objeto sobre uma superfície plana exige menos esforço do que movê-lo sobre uma inclinada;
- Trabalhar com materiais que se encontram sobre uma superfície em um bom nível para o trabalho exige
menos esforço que levantá-los acima desta superfície;
- Variações das atividades e posições auxiliam a manter o tono muscular e a fadiga;
- Períodos de atividade e relaxamento ajudam a evitar a fadiga;
- Planejar a atividade a ser realizada, pode ajudar a evitar a fadiga;
- O ideal é que todos os profissionais que estejam posicionando o paciente tenham pesos similares Se os
centros de gravidade dos profissionais estiverem no mesmo plano, estes podem levantar o paciente como uma
unidade equilibrada.
a) Conceito: É o alinhamento corporal de um paciente. Pacientes que apresentam alterações dos sistemas
nervoso, esquelético ou muscular, assim como, maior fraqueza e fadiga, freqüentemente necessitam da as-
sistência do profissional de enfermagem para atingir o alinhamento corporal adequado enquanto deitados ou
sentados.
b) Posição de Fowler: A cabeceira do leitoé elevada a um ângulo de 45º a 60º e os joelhos do paciente de-
vem estar ligeiramente elevados, sem apresentar pressão que possa limitar a circulação das pernas.
c) Posição de Supinação (dorsal): A cabeceira do leito deve estar na posição horizontal. Nesta posição, a
relação entre as partes do corpo é essencialmente a mesma que em uma correta posição de alinhamento em
pé, exceto pelo corpo estar no plano horizontal.
d) Posição de Pronação (decúbito ventral): O paciente estará posicionado de bruços.
e) Posição Lateral (Direito ou Esquerdo): O paciente está deitado sobre o lado, com maior parte do peso do
corpo apoiada nos quadris e ombro. As curvaturas estruturais da coluna devem ser mantidas. A cabeça deve
ser apoiada em uma linha mediana do tronco e a rotação da coluna deve ser evitada.
e) Posição de Sims: Nesta posição o peso do paciente é colocado no ílio anterior, úmero e clavícula.
f) Posição de Trendelemburgue: posição adotada onde as pernas e a bacia ficam em um nível mais elevado que
o tórax e a cabeça.
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Em todas as posições que o paciente se encontrar, o profissional deve avaliar e corrigir quaisquer pontos
potenciais de problemas que se apresentem como hiperextensão do pescoço, hiperextensão da coluna lombar,
exão plantar, assim como, pontos de pressão em proeminências ósseas como queixo, cotovelos, quadris, re-
gião sacra , joelhos e calcâneos.
a) Conceito: A posição correta do paciente é crucial para a manutenção do alinhamento corporal adequado.
Qualquer paciente cuja mobilidade esteja reduzida, corre o risco de desenvolvimento de contraturas, anormali-
dades posturais e locais de pressão O profissional tem a responsabilidade de diminuir este risco, incentivando,
auxiliando ou mudando o posicionamento do paciente pelo menos à cada 3 horas.
b) Técnica de ovimentação do paciente dependente no leito (reali ada no mínimo por profissionais):
- Avaliar o paciente quanto ao nível de força muscular, mobilidade e tolerância às atividades;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Explicar ao paciente o que será feito;
- Propiciar privacidade ao paciente;
- Utilizar os princípios de mecânica corporal;
- Retirar travesseiros e coxins utilizados previamente;
- Posicionar o leito em posição horizontal;
- Baixar grades do leito
-Alinhar o paciente na posição de escolha, utilizando-se os princípios de mecânica corporal;
- Manter paciente centralizado no leito;
- Colocar travesseiro sob a cabeça na região dorsal costal superior (na altura da escápula);
- Colocar coxins e travesseiros sob proeminências ósseas;
- Certificar-se de que o paciente está confortável
- Manter a unidade em ordem;
- Realizar a lavagem simples das mãos
c) Técnica de Transferência do Paciente do Leito para a Cadeira (Técnica reali ada no mínimo por profis-
sionais):
- Avaliar o paciente quanto ao nível de força muscular, mobilidade e tolerância às atividades;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Explicar ao paciente o que será feito;
- Propiciar privacidade ao paciente;
- Utilizar princípios de mecânica corporal;
- Manter cadeira de rodas próxima do leito, com freios travados e apoios para os pés removidos;
- Travar os freios da cama;
- Ajudar o paciente a sentar-se no leito;
- Aguardar recuperação de queda de pressão arterial;
- Auxiliar o paciente a ficar em pé, segurando o paciente firmemente pelos braços e mantendo as mãos do
paciente apoiada nos ombros do profissional
- Sentar o paciente na cadeira de rodas;
- Certificar-se de que o paciente está seguro e confortável
- Manter a unidade em ordem;
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- Realizar a lavagem simples das mãos
d) Técnica de Transferência do Paciente do Leito para a aca (Técnica reali ada por profissionais):
- Avaliar o paciente quanto ao nível de força muscular, mobilidade e tolerância às atividades;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Explicar ao paciente o que será feito;
- Propiciar privacidade ao paciente;
- Utilizar princípios de mecânica corporal;
- Posiciona-se ao lado do leito do paciente, cada um responsabilizando-se por uma determinada parte do
corpo, sendo o mais alto pela cabeça e ombros, o mediano pelos quadris e coxas e o mais baixo pelos torno-
zelos e pés;
- Girar o paciente em direção ao tórax dos levantadores;
- Contar até três em sincronia e elevar o paciente junto ao tórax dos levantadores;
- Colocar o paciente suavemente sobre o centro da maca;
- Certificar-se de que o paciente está seguro e confortável (levantar grades, colocar faixas de segurança)
- Manter a unidade em ordem;
- Realizar a lavagem simples das mãos
Administração de Oxigênio por Cateter Nasal (tipo óculos), Cânula Nasal ou Máscara Facial:
a) Conceito: É a administração de oxigênio à razão de 3 a 5 litros por minuto por cateter nasal, cânula nasal
ou máscara facial. O cateter nasal é um dispositivo simples introduzido nas narinas do paciente. A cânula nasal
pode ser introduzida pelo nariz até a nasofaringe, sendo necessário a alternância à cada 8 horas no mínimo. A
máscara facial é um dispositivo que se adapta perfeitamente sobre o nariz e boca, sendo mantida em posição
com auxílio de um fita áscara facial simples é usada na oxigenioterapia a curto pra o áscara facial de plás-
tico com reservatório e máscara de Venturi, são capazes de fornecer concentrações de oxigênio mais elevadas
b) Técnica:
- Avaliar o paciente e verificar se existem sinais e sintomas sugestivos de hipóxia ou presença de secreções
nas vias aéreas;
- Aspirar paciente, se necessário;
- Reunir os materiais e equipamentos necessários: Cânula nasal ou cateter nasal ou máscara facial; tubo de
oxigênio umidificador água estéril fonte de oxigênio com uxímetro luvas de procedimento
- Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Calçar luvas de procedimento;
- Conectar a cânula nasal (medir no paciente o posicionamento da cânula : lóbulo da orelha a ponta do nariz)
ou cateter nasal ou máscara facial, ao tubo de oxigênio e a uma fonte de oxigênio umidificada, calibrada na taxa
de uxo desejada
- Introduzir as extremidades do cateter nasal ás narinas do paciente ou posicionar a cânula nasal ou más-
cara facial;
- Ajustar a fita elástica na fronte até que o cateter nasal ou máscara facial esteja perfeitamente adaptado e
confortável ou fixar a cânula nasal à face ou região frontal do paciente
- anter o tubo de oxigênio com folga suficiente e prendê-lo às roupas do paciente
- anter o recipiente do umidificador com água no nível delimitado
- anter o uxo de oxigênio conforme prescrição médica
51
- Observar narinas e superfície superior das orelhas à cada horas (verificar se há laceração de pele)
- Certificar-se de que o paciente está confortável
- Manter a unidade em ordem;
- Retirar luvas de procedimento;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Realizar checagem e anotações no prontuário do paciente.
a)Conceito: É a alimentação por sonda a pacientes que são incapazes de pôr o alimento na boca, mastigar
ou engolir, mas que são capazes de digeri-lo e absorvê-lo. As sondas de alimentação podem ser colocadas no
esôfago, estômago ou região alta do intestino delgado. A sonda pode ser inserida através do nariz, da boca
ou cirurgicamente implantada. A alimentação via sonda pode ser administrada em bolo ou por gotejamento
lento constante, que ui pelo efeito da gravidade, controlada por uma bomba de infusão A alimentação lenta e
constante aumenta absorção e reduz a diarréia. A sondagem nasoenteral está indicada em pacientes clínicos
graves, entubados e sedados;
- Reunir os materiais e equipamentos necessários: Bandeja contendo: Sonda nasogástrica com numeração
apropriada copo com água estetoscópio, seringa de ml cuba rim esparadrapo ou microporen lubrificante
hidrossolúvel; luvas de procedimento; pacote com folhas de gase;.saco de lixo;
- Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado;
- Colocar o paciente em posição apropriada (Fowler)
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Calçar luvas de procedimento;
- Medir a sonda no paciente: a partir do terceiro furo medir a sonda na distância da ponta do nariz até o
lóbulo da orelha medir a distância do lóbulo da orelha até o apêndice xifóide e demarcar esta medida com fita
(aproximadamente 45 a 55 cm);
- Lubrificar a sonda com lubrificante hidrossolúvel
- Orientar o paciente pedindo para que engula a sonda quando solicitado;
- Fletir o pescoço do paciente quando o mesmo não puder ajudar no procedimento;
- Introduzir a sonda até a demarcação estabelecida;
- Testar a sonda para verificação do posicionamento: Aspirar conteúdo gástrico administrar ml de ar e
auscultar o epigástrio buscando o som de entrada de ar; colocar a extremidade da sonda aberta num copo com
água, se a água não borbulhar a sonda está posicionada adequadamente;
- Fixar e identificar a sonda
- Manter a sonda fechada; excetuando-se em casos de drenagem gástrica;
- Certificar-se de que o paciente está confortável
- Manter a unidade em ordem;
- Retirar luvas de procedimento;
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Realizar checagem e anotações no prontuário do paciente.
52
a) Conceito: É a inserção de um cateter na bexiga através da uretra, indicado para aliviar desconforto por
distensão vesical quando ocorre obstrução na saída do uxo de urina por dilatação da próstata, ou por coágulos
de sangue; nas retenções urinárias grave por episódios recorrentes de infecção do aparelho urinário; nos casos
em que há incapacidade de esvaziar a bexiga espontaneamente; para monitorar débito urinário nos quadros
clínicos graves; cirurgias do trato urinário ou de suas partes; cirurgias que exijam anestesias em doses maiores;
controlar incontinência urinária e nos pacientes acometidos por doença terminal.
b) Técnica
- Reunir os materiais e equipamentos necessários: Bandeja contendo: Pacote estéril para cateterização ve-
sical contendo: cuba redonda; cuba rim; pinça para antissepsia, folhas de gaze, torundas ou bolas de algodão;
campo fenestrado; almotolia contendo povidine tópico; 2 seringas descartáveis de 10 ml; 1 agulha 40X12; 1
ampola de água destilada 10 ml; sonda de follley com numeração apropriada; coletor de urina sistema fechado;
esparadrapo ou microporen; xylocaína geléia; luvas de procedimento; 1 par de luvas estéril com numeração
apropriada; pacote com folhas de gase; saco de lixo; material para higiene íntima, se necessário.
- Promover ambiente reservado ao paciente;
- Explicar ao paciente o procedimento a ser realizado;
- Colocar o paciente em posição anatômica (nas mulheres posição ginecológica);
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Calçar luvas de procedimento;
- Montar 1 seringa descartável com 10 ml de água destilada
- Abrir pacote estéril para cateterização vesical;
- Retirar do pacote pinça de antissepsia e cuba redonda;
- Colocar torundas ou bolas de algodão e povidine tópico na cuba redonda;
- Realizar a antissepsia da genitália respeitando os princípios de assepsia (do mais distante para o mais
próximo, de cima para baixo), utilizando para cada área os quatro lados da torunda ou bolas de algodão;
- Paciente masculino: Antissepsia na seguinte seqüência: púbis; corpo do pênis; retração do prepúcio; lim-
peza da glande , por último meato uretral;
- Paciente feminino: Antissepsia na seguinte seqüência : púbis; vulva: grandes lábios, pequenos lábios e por
último meato uretral;
- Retirar luvas de procedimento;
- Sobre o pacote estéril que está aberto : abrir sonda de folley, bolsa coletora sistema fechado e seringa de
10 ml; colocar xylocaína geléia sobre folhas de gaze;
- Calçar luvas estéril;
- Colocar campo fenestrado sobre a genitália do paciente, mantendo em evidência a exposição da uretra;
- Introduzir na seringa descartável 10 ml de ar e testar o balonete da sonda de folley;
- Conectar sonda de folley a bolsa coletora de urina;
- Lubrificar a sonda de folley com xylocaína geléia
- Segurar a sonda com a mão dominante, colocando a bolsa coletora sobre as pernas do paciente;
- Com a mão não dominante, nos homens segurar o pênis perpendicular ao abdomen e nas mulheres abrir
a genitália, evidenciando a uretra;
- Introduzir toda a sonda no meato uretral;
- Preencher o balonete com 10 ml de água destilada;
53
- Tracionar a sonda;
- Fixar a sonda na coxa do paciente;
- Retirar luvas estéreis;
- Calçar luvas de procedimento;
- Organizar a unidade;
- Identificar a bolsa coletora com data e hora da inserção da sonda e assinatura
- Manter a sonda aberta para drenagem;
- Certificar-se de que o paciente está confortável e a unidade em ordem
- Realizar a lavagem simples das mãos;
- Realizar checagem e anotações no prontuário do paciente
A Enfermagem, reconhecida por seu respectivo conselho profissional, é uma profissão que possui um corpo
de conhecimentos próprios, voltados para o atendimento do ser humano nas áreas de promoção, prevenção,
recuperação e reabilitação da saúde, composta pelo enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem.
A Enfermagem realiza seu trabalho em um contexto mais amplo e coletivo de saúde, em parceria com ou-
tras categorias profissionais representadas por áreas como edicina, Serviço Social, Fisioterapia, Odontologia,
Farmácia, Nutrição, etc. O atendimento integral à saúde pressupõe uma ação conjunta dessas diferentes cate-
gorias, pois, apesar do saber específico de cada uma, existe uma relação de interdependência e complemen-
taridade.
os últimos anos, a crença na qualidade de vida tem in uenciado, por um lado, o comportamento das pes-
soas, levando a um maior envolvimento e responsabilidade em suas decisões ou escolhas; e por outro, gerado
re exões em esferas organi adas da sociedade - como no setor saúde, cuja t nica da promoção da saúde tem
direcionado mudanças no modelo assistencial vigente no país. No campo do trabalho, essas repercussões evi-
denciam-se através das constantes buscas de iniciativas públicas e privadas no sentido de melhor atender às
expectativas da população, criando ou transformando os serviços existentes.
No tocante à enfermagem, novas frentes de atuação são criadas à medida que essas transformações vão
ocorrendo, como sua inserção no Programa Saúde da Família (PSF), do Ministério da Saúde; em programas e
serviços de atendimento domiciliar, em processo de expansão cada vez maior em nosso meio; e em programas
de atenção a idosos e outros grupos específicos uanto às ações e tarefas afins efetivamente desenvolvidas
nos serviços de saúde pelas categorias de Enfermagem no país, estudos realizados pela ABEn e pelo INAMPS
as agrupam em cinco classes, com as seguintes características:
- Ações de nature a propedêutica e terapêutica complementares ao ato médico e de outros profissionais,
as ações propedêuticas complementares referem-se às que apóiam o diagnóstico e o acompanhamento do
agravo à saúde, incluindo procedimentos como a observação do estado do paciente, mensuração de altura e
peso, coleta de amostras para exames laboratoriais e controle de sinais vitais e de líquidos. As ações terapêuti-
cas complementares asseguram o tratamento prescrito, como, por exemplo, a administração de medicamentos
e dietas enterais, aplicação de calor e frio, instalação de cateter de oxigênio e sonda vesical ou nasogástrica;
- Ações de natureza terapêutica ou propedêutica de enfermagem, são aquelas cujo foco centra-se na or-
ganização da totalidade da atenção de enfermagem prestada à clientela. Por exemplo, ações de conforto e
segurança, atividades educativas e de orientação;
- Ações de natureza complementar de controle de risco, são aquelas desenvolvidas em conjunto com outros
profissionais de saúde, objetivando redu ir riscos de agravos ou complicações de saúde Incluem as atividades
relacionadas à vigilância epidemiológica e as de controle da infecção hospitalar e de doenças crônico-degene-
rativas;
- Ações de natureza administrativa, nessa categoria incluem-se as ações de planejamento, gestão, controle,
supervisão e avaliação da assistência de enfermagem;
- Ações de natureza pedagógica, relacionam-se à formação e às atividades de desenvolvimento para a
equipe de enfermagem.
54
Assistência de enfermagem ao paciente visando atender as necessidades de: conforto, segurança e bem-
-estar, higiene e segurança ambiental
A higiene oral freqüente reduz a colonização local, sendo importante para prevenir e controlar infecções,
diminuir a incidência de cáries dentárias, manter a integridade da mucosa bucal, evitar ou reduzir a halitose,
além de proporcionar conforto ao paciente. Em nosso meio, a maioria das pessoas está habituada a escovar os
dentes - pela manhã, após as refeições e antes de deitar - e quando isso não é feito geralmente experimenta
a sensação de desconforto. n Higienizando a boca Material necessário: bandeja escova de dentes ou espátula
com gazes creme dental, solução dentifrícia ou solução bicarbonatada copo com água (e canudo, se necessá-
rio) cuba-rim toalha de rosto lubrificante para os lábios, se necessário luvas de procedimento
Avaliar a possibilidade de o paciente realizar a própria higiene. Se isto for possível, colocar o material ao seu
alcance e auxiliá-lo no que for necessário. Caso contrário, com o material e o ambiente devidamente prepara-
dos, auxiliar o paciente a posicionar-se, elevar a cabeceira da cama se não houver contra-indicação e proteger
o tórax do mesmo com a toalha, para que não se molhe durante o procedimento
Em pacientes inconscientes ou impossibilitados de reali ar a higiene bucal, compete ao profissional de en-
fermagem lavar-lhe os dentes, gengivas, bochechas, língua e lábios com o auxílio de uma espátula envolvida
em gaze umedecida em solução dentifrícia ou solução bicarbonatada a qual deve ser trocada sempre que ne-
cessário Após prévia verificação, se necessário, aplicar um lubrificante para prevenir rachaduras e lesões que
facilitam a penetração de microrganismos e dificultam a alimentação Para a proteção do profissional, convém
evitar contato direto com as secreções, mediante o uso de luvas de procedimento. Após a higiene bucal, colocar
o paciente numa posição adequada e confortável, e manter o ambiente em ordem.
Anotar, no prontuário, o procedimento, reações e anormalidades observadas.
O paciente que faz uso de prótese dentária (dentadura) também necessita de cuidados de higiene para
manter a integridade da mucosa oral e conservar a prótese limpa. De acordo com seu grau de dependência,
a enfermagem deve auxiliá-lo nesses cuidados. A higiene compreende a escovação da prótese e limpeza das
gengivas, bochechas, língua e lábios - com a mesma freqüência indicada para as pessoas que possuem dentes
naturais. Por sua vez, pacientes inconscientes não devem permanecer com prótese dentária. Nesses casos, o
profissional deve acondicioná-la, identificá-la, reali ando anotação de enfermagem do seu destino e guardá-la
em local seguro ou entregá-la ao acompanhante, para evitar a possibilidade de ocorrer danos ou extravio. A
mesma orientação é recomendada para os pacientes encaminhados para cirurgias. Ao manipular a dentadura,
a equipe de enfermagem deve sempre utilizar as luvas de procedimento.
Os hábitos relacionados ao banho, como frequência, horário e temperatura da água, variam de pessoa para
pessoa Sua finalidade precípua, no entanto, é a higiene e limpe a da pele, momento em que são removidas
células mortas, sujidades e microrganismos aderidos à pele. Os movimentos e a fricção exercidos durante o
banho estimulam as terminações nervosas periféricas e a circulação sanguínea. Após um banho morno, é co-
mum a pessoa sentir-se confortável e relaxada.
A higiene corporal pode ser realizada sob aspersão (chuveiro), imersão (banheira) ou ablução (com jarro ba-
nho de leito). O autocuidado deve ser sempre incentivado Assim, deve-se avaliar se o paciente tem condições
de se lavar sozinho. Caso seja possível, todo o material necessário à higiene oral e banho deve ser colocado
na mesa-de-cabeceira ou carrinho móvel do lado da cama, da forma que for mais funcional para o paciente. A
enfermagem deve dar apoio, auxiliando e orientando no que for necessário.
Para os pacientes acamados, o banho é dado no leito, pelo pessoal de enfermagem. Convém ressaltar que
a grande maioria deles considera essa situação bastante constrangedora, pois a incapacidade de realizar os
próprios cuidados desperta sentimentos de impotência e vergonha, sobretudo porque a intimidade é invadida.
A compreensão de tal fato pelo profissional de enfermagem, demonstrada ao prover os cuidados de higiene,
ajuda a minimizar o problema e atitudes como colocar biombos e mantê-lo coberto durante o banho, expondo
apenas o segmento do corpo que está sendo lavado, são inegavelmente mais valiosas do que muitas palavras
proferidas.
55
Quando do banho, expor somente um segmento do corpo de cada vez, lavando-o com luva de banho ensa-
boada, enxaguando-o - tendo o cuidado de remover todo o sabão - e secando-o com a toalha de banho. Esse
processo deve ser repetido para cada segmento do corpo.
A secagem deve ser criteriosa, principalmente nas pregas cutâneas, espaços interdigitais e genitais, base
dos seios e do abdome em obesos - evitando a umidade da pele, que propicia proliferação de microrganismos
e pode provocar assaduras. Procurando estimular a circulação, os movimentos de fricção da pele devem pre-
ferencialmente ser direcionados no sentido do retorno venoso.
Na higiene íntima do sexo feminino, a limpeza deve ser realizada no sentido ântero-posterior; no masculino,
o prepúcio deve ser tracionado, favorecendo a limpeza do meato urinário para a base da glande, removendo
sujidades (pêlos, esmegma, urina, suor) e inibindo a proliferação de microrganismos. A seguir, recobrir a glan-
de com o prepúcio Durante todo o banho o profissional de enfermagem deve observar as condições da pele,
mucosas, cabelos e unhas do paciente, cuidando para mantê-lo saudável. Ao término do banho, abaixar a
cabeceira da cama e deixar o paciente na posição em que se sinta mais confortável, desde que não haja con-
tra-indicação. Avaliar as possibilidades de colocá-lo sentado na poltrona. Providenciar o registro das condições
do paciente e de suas reações.
A lavagem dos cabelos e do couro cabeludo visa proporcionar higiene, conforto e estimular a circulação do
couro cabeludo. Quando o paciente não puder ser conduzido até o chuveiro, esta tarefa deve ser realizada no
leito. O procedimento a seguir descrito é apenas uma sugestão, considerando-se que há várias formas de rea-
lizá-lo. Material necessário: dois jarros com água morna sabão neutro ou xampu duas bolas de algodão pente
toalha grande de banho (duas, caso necessário) balde bacia luvas de procedimento impermeável / saco plástico
Como sabemos, a alimentação é essencial para nossa saúde e bem-estar. O estado nutricional interfere
diretamente nos diversos processos orgânicos como, por exemplo, no crescimento e desenvolvimento, nos
mecanismos de defesa imunológica e resposta às infecções, na cicatrização de feridas e na evolução das
doenças.
A subnutrição consequente de alimentação insuficiente, desequilibrada ou resultante de distúrbios asso-
ciados à sua assimilação - vem cada ve mais atraindo a atenção de profissionais de saúde que cuidam de
pacientes ambulatoriais ou internados em hospitais, certos de que apenas a terapêutica medicamentosa não
é suficiente para se obter uma resposta orgânica satisfatória O profissional de enfermagem tem a responsabi-
lidade de acompanhar as pessoas de quem cuida, tanto no nível domiciliar como no hospitalar, preparando o
ambiente e auxiliando-as durante as refeições É importante verificar se os pacientes estão aceitando a dieta
e identificar precocemente problemas como a bandeja de refeição posta fora do alcance do mesmo e sua pos-
terior retirada sem que ele tenha tido a possibilidade de tocá-la de fato que se observa com certa frequência.
Os motivos desse tipo de ocorrência são creditados ao insuficiente número de pessoal de enfermagem e
ou ao envolvimento dos profissionais com atividades consideradas mais urgentes Além de causas estruturais
como a falta de recursos humanos e materiais, evidenciam-se valores culturais fortemente arraigados no com-
portamento do profissional, como a supervalori ação da tecnologia e dos procedimentos mais especiali ados, o
que, na prática, se traduz em dar atenção, por exemplo, ao preparo de uma bomba de infusão ou material para
um curativo, ao invés de auxiliar o paciente a alimentar-se.
Coincidentemente, os horários das refeições se aproximam do início e término do plantão, momentos em
que há grande preocupação da equipe em dar continuidade ao turno anterior ou encerrar o turno de plantão,
aspecto que representa motivo adicional para o abandono do paciente o entanto, os profissionais não devem
eximir-se de tal responsabilidade, que muitas vezes compromete os resultados do próprio tratamento.
Os pacientes impossibilitados de alimentar-se sozinhos devem ser assistidos pela enfermagem, a qual
deve providenciar os cuidados necessários de acordo com o grau de dependência existente. Por exemplo, vi-
sando manter o conforto do paciente e incentivá-lo a comer, oferecer-lhe o alimento na boca, na ordem de sua
preferência, em porções pequenas e dadas uma de cada vez. Ao término da refeição, servir-lhe água e anotar
a aceitação da dieta no prontuário.
56
Durante o processo, proteger o tórax do paciente com toalha ou guardanapo, limpando-lhe a boca sempre
que necessário, são formas de manter a limpe a Ao final, reali ar a higiene oral Visando evitar que o paciente
se desidrate, a enfermagem deve observar o atendimento de sua necessidade de hidratação. Desde que não
haja impedimento para que receba líquidos por via oral, cabe ao Serviço de Nutrição e Dietética fornecer água
potável em recipiente apresentável e de fácil limpeza, com tampa, passível de higienização e reposição diária,
para evitar exposição desnecessária e possível contaminação. Nem sempre os pacientes atendem adequada-
mente à necessidade de hidratação, por falta de hábito de ingerir suficiente quantidade de água fato que, em
situações de doença, pode levá-lo facilmente à desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico. Considerando tal
fato, é importante que a enfermagem o oriente e incentive a tomar água, ou lhe ofereça auxílio se apresentar
dificuldades para fa ê-lo so inho A posição sentada é a mais conveniente, porém, se isto não for possível,
devese estar atento para evitar aspiração acidental de líquido.
Desde que a função do trato gastrintestinal esteja preservada, a nutrição enteral (NE) é indicada nos casos
em que o paciente está impossibilitado de alimentar-se espontaneamente através de refeições normais. A nu-
trição enteral consiste na administração de nutrientes por meio de sondas nasogástrica (introduzida pelo nariz,
com posicionamento no estômago) ou transpilórica (introduzida pelo nariz, com posicionamento no duodeno
ou jejuno), ou através de gastrostomia ou jejunostomia. A instalação da sonda tem como objetivos retirar os
uidos e gases do trato gastrintestinal (descompressão), administrar medicamentos e alimentos (gastróclise)
diretamente no trato gastrintestinal, obter amostra de conteúdo gástrico para estudos laboratoriais e prevenir
ou aliviar náuseas e vômitos
Material necessário:
- sonda de calibre adequado lubrificante hidrossolúvel (xilocaína a sem vasoconstritor)
-gazes
- seringa de 20 ml
-toalha
-recipiente com água
-estetoscópio
-luvas de procedimento
- tiras de fita adesiva (esparadrapo, micropore, etc )
-sonda de calibre adequado lubrificante hidrossolúvel (xilocaína a sem vasoconstritor) ga es
Ao auxiliar o paciente a alimentar-se, evite atitude de impaciência ou pressa o que pode vir a constrangê-lo.
Não interrompa a refeição com condutas terapêuticas, pois isso poderá desestimulá-lo a comer.
- abertura cirúrgica do est mago, para introdução de uma sonda com a finalidade de alimen-
tar, hidratar e drenar secreções estomacais.
- abertura cirúrgica do jejuno, proporcionando comunicação com o meio externo, com o
objetivo de alimentar ou drenar secreções. seringa de 20 ml toalha recipiente com água estetoscópio luvas de
procedimento tiras de fita adesiva (esparadrapo, micropore, etc )
Deve ser segura, sem compressão, para evitar irritação e lesão cutânea. O volume e aspecto do conteúdo
drenado pela sonda aberta deve ser anotado, pois permite avaliar a retirada ou manutenção da mesma e de-
tecta anormalidades.
Sempre que possível, orientar o paciente a manter-se predominantemente em decúbito elevado, para evitar
a ocorrência de re uxo gastroesofágico durante o período que permanecer com a sonda
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Material necessário: balança papel para forrar a plataforma da balança A balança a ser utilizada deve ser
previamente aferida (nivelada, tarada) para a obtenção de valores mais exatos e destravada somente quando
o paciente encontra-se sobre ela. O piso da balança deve estar sempre limpo e protegido com papel-toalha,
evitando que os pés fiquem diretamente colocados sobre ele Para prevenir a ocorrência de quedas, fornecer
auxílio ao paciente durante todo o procedimento.
O paciente deve ser pesado com o mínimo de roupa e sempre com peças aproximadas em peso. Para obter
um resultado correto, deve ser orientado a retirar o calçado e manter os braços livres. Após terse posicionado
adequadamente, o profissional deve deslocar os pesos de quilo e grama até que haja o nivelamento hori ontal
da régua graduada; a seguir, travar e fazer a leitura e a anotação de enfermagem.
Em pacientes internados, com controle diário, o peso deve ser verificado em jejum, sempre no mesmo ho-
rário, para avaliação das alterações.
Para maior exatidão do resultado na verificação da altura, orientar o paciente a manter a posição ereta, de
costas para a haste, e os pés unidos e centralizados no piso da balança. Posicionar a barra sobre a superfície
superior da cabeça, sem deixar folga, e travá-la para posterior leitura e anotação.
Vários processos físicos e químicos, sob o controle do hipotálamo, promovem a produção ou perda de calor,
mantendo nosso organismo com temperatura mais ou menos constante, independente das variações do meio
externo.
A temperatura corporal está intimamente relacionada à atividade metabólica, ou seja, a um processo de
liberação de energia através das reações químicas ocorridas nas células Diversos fatores de ordem psicofi-
siológica poderão in uenciar no aumento ou diminuição da temperatura, dentro dos limites e padrões conside-
rados normais ou fisiológicos
58
Desta forma, podemos citar o sono e repouso, emoções, desnutrição e outros como elementos que in uen-
ciam na diminuição da temperatura; e os exercícios (pelo trabalho muscular), emoções (estresse e ansiedade)
e o uso de agasalhos (provocam menor dissipação do calor), por exemplo, no seu aumento. Há ainda outros
fatores que promovem alterações transitórias da temperatura corporal, tais como fator hormonal (durante o ciclo
menstrual), banhos muito quentes ou frios e fator alimentar (ingestão de alimentos e bebidas muito quentes ou
frias).
A alteração patológica da temperatura corporal mais freqüente caracteriza-se por sua elevação e está pre-
sente na maioria dos processos infecciosos e/ou in amatórios É muito difícil delimitar a temperatura corporal
normal porque, além das variações individuais e condições ambientais, em um mesmo indivíduo a temperatura
não se distribui uniformemente nas diversas regiões e superfícies do corpo.
Assim, podemos considerar como variações normais de temperatura29 : n temperatura axilar: 35,8ºC -
37,0ºC; n temperatura oral: 36,3ºC - 37,4ºC; n temperatura retal: 37ºC - 38ºC.
O controle da temperatura corporal é realizado mediante a utilização do termômetro - o mais utilizado é o de
mercúrio, mas cada vez mais torna-se freqüente o uso de termômetros eletrônicos em nosso meio de trabalho.
A temperatura corporal pode ser verificada pelos seguintes métodos: oral - o term metro de uso oral deve
ser individual e possuir bulbo alongado e achatado, o qual deve estar posicionado sob a língua e mantido firme
com os lábios fechados, por 3 minutos. Esse método é contra-indicado em crianças, idosos, doentes graves,
inconscientes, com distúrbios mentais, portadores de lesões orofaríngeas e, transitoriamente, após o ato de
fumar e ingestão de alimentos quentes ou frios; retal - o termômetro retal é de uso individual e possui bulbo
arredondado e proeminente Deve ser lubrificado e colocado no paciente em decúbito lateral, inserido cerca de
3,5cm, em indivíduo adulto, permanecendo por 3 minutos.
A verificação da temperatura retal considerada a mais fidedigna - é contra-indicada em pacientes submeti-
dos a intervenções cirúrgicas do reto e períneo, e/ou que apresentem processos in amatórios locais axilar - é
a verificação mais freq ente no nosso meio, embora seja a menos precisa O term metro deve permanecer por,
no máximo, 7 minutos (cerca de 5 a 7 minutos).
As principais alterações da temperatura são: hipotermia - temperatura abaixo do valor normal; hipertermia
- temperatura acima do valor normal; febrícula - temperatura entre 37,2o C e 37,8o C. 29 Atkinson, 1989. 7 8
Fundamentos de Enfermagem .
Material necessário: bandeja termômetro clínico bolas de algodão seco álcool a 70% bloco de papel caneta .
Para garantir a precisão do dado, recomenda-se deixar o termômetro na axila do paciente por 3 a 4 minutos;
em seguida, proceder à leitura rápida e confirmar o resultado recolocando o term metro e reavaliando a infor-
mação até a obtenção de duas leituras consecutivas idênticas30. Coluna de mercúrio Bulbo Corpo .
O ponto de localização do mercúrio indica a temperatura
As orientações seguintes referem-se ao controle de temperatura axilar, considerando-se sua maior utiliza-
ção. Entretanto, faz-se necessário avaliar esta possibilidade observando-se os aspectos que podem interferir
na verificação, como estado clínico e psicológico do paciente, existência de lesões, agitação, etc
O bulbo do term metro deve ser colocado sob a axila seca e o profissional deve solicitar ao paciente que
posicione o braço sobre o peito, com a mão em direção ao ombro oposto. Manter o termômetro pelo tempo in-
dicado, lembrando que duas leituras consecutivas com o mesmo valor re ete um resultado bastante fidedigno
Para a leitura da temperatura, segurar o termômetro ao nível dos olhos, o que facilita a visualização. Após o
uso, a desinfecção do termômetro deve ser realizada no sentido do corpo para o bulbo, obedecendo o princípio
do mais limpo para o mais sujo, mediante lavagem com água e sabão ou limpeza com álcool a 70% - processo
que diminui os microrganismos e a possibilidade de infecção cruzada.]
Também consideradas como importante parâmetro dos sinais vitais, as oscilações da pulsação, verificadas
através do controle de pulso, podem tra er informações significativas sobre estado do paciente
59
Esta manobra, denominada controle de pulso, é possível porque o sangue impulsionado do ventrículo es-
querdo para a aorta provoca oscilações ritmadas em toda a extensão da parede arterial, que podem ser senti-
das quando se comprime moderadamente a artéria contra uma estrutura dura. Além da frequência, é importante
observar o ritmo e força que o sangue exerce ao passar pela artéria.
Há fatores que podem provocar alterações passageiras na freqüência cardíaca, como as emoções, os exer-
cícios físicos e a alimentação Ressalte-se, ainda, que ao longo do ciclo vital seus valores vão se modificando,
sendo maiores em crianças e menores nos adultos. A frequência do pulso no recém-nascido é, em média, de
120 batimentos por minuto (bpm), podendo chegar aos limites de 70 a 170 bpm31. Aos 4 anos, a média aproxi-
ma-se de 100 bpm, variando entre 80 e 120 bpm, assim se mantendo até os 6 anos; a partir dessa idade e até
1com os 1 anos a média fica em torno de 9 bpm, com variação de a 11 bpm Aos 1 anos, atinge
bpm nas mulheres e 70 bpm nos homens32.
A partir da adolescência observamos nítida diferenciação entre o crescimento físico de mulheres e homens,
o que in uencia a frequência do pulso: na fase adulta, de a bpm nas mulheres e de a bpm, nos
homens.
Habitualmente, fa -se a verificação do pulso sobre a artéria radial e, eventualmente, quando o pulso está
filiforme, sobre as artérias mais calibrosas - como a carótida e a femoral Outras artérias, como a temporal, a
facial, a braquial, a poplítea e a dorsal do pé também possibilitam a verificação do pulso O pulso normal - de-
nominado normocardia - é regular, ou seja, o período entre os batimentos se mantém constante, com volume
perceptível à pressão moderada dos dedos.
O pulso apresenta as seguintes alterações: bradicardia: freqüência cardíaca abaixo da normal; taquicardia:
frequência cardíaca acima da normal taquisfigmia: pulso fino e taquicárdico bradisfigmia: pulso fino e bradi-
cárdico filiforme: pulso fino
Outro dado imprescindível na avaliação de saúde de uma pessoa é o nível de sua pressão arterial, cujo
controle é realizado através de aparelhos próprios. A pressão arterial resulta da tensão que o sangue exerce
sobre as paredes das artérias e depende:
a) do débito cardíaco relacionado à capacidade de o coração impulsionar sangue para as artérias e do
volume de sangue circulante;
b) da resistência vascular periférica, determinada pelo lúmen (calibre), elasticidade dos vasos e viscosidade
sanguínea, tradu indo uma força oposta ao uxo sanguíneo
c) da viscosidade do sangue, que significa, em outros termos, sua consistência resultante das proteínas e
células sanguíneas.
O controle compreende a verificação da pressão máxima ou sistólica e da pressão mínima ou diastólica, re-
gistrada em forma de fração ou usando-se a letra x entre a máxima e a mínima. Por exemplo, pressão sistólica
de 120mmHg e diastólica de 70mmHg devem ser assim registradas: 120/70mmHg ou 120x70mmHg.
Para um resultado preciso, é ideal que, antes da verificação, o indivíduo esteja em repouso por 1 minutos
ou isento de fatores estimulantes (frio, tensão, uso de álcool, fumo). Hipertensão arterial é o termo usado para
indicar pressão arterial acima da normal; e hipotensão arterial para indicar pressão arterial abaixo da normal.
Quando a pressão arterial se encontra normal, dizemos que está normotensa. A pressão sanguínea geral-
mente é mais baixa durante o sono e ao despertar. A ingestão de alimentos, exercícios, dor e emoções mmHg
- milímetro de mercúrio,como medo, ansiedade, raiva e estresse aumentam a pressão arterial.
Habitualmente, a verificação é feita nos braços, sobre a artéria braquial A pressão arterial varia ao longo
do ciclo vital, aumentando conforme a idade. Crianças de 4 anos podem ter pressão em torno de 85/ 60mmHg;
aos 10 anos, 100/65mmHg34.
Nos adultos, são considerados normais os parâmetros com pressão sistólica variando de 90 a 140mmHg e
pressão diastólica de 60 a 90mmHg.
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aterial necessário: estetoscópio esfigmoman metro algodão seco álcool a caneta e papel
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
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Lidar com as várias faces da violência12 é parte do cotidiano de muitos profissionais, como por exemplo os
psicólogos. As diferentes manifestações dessa violência dependem do contexto social, cultural, político e eco-
nômico vivenciado pelos usuários que atendemos.
Uma das facetas mais comuns da violência permanece até os dias de hoje, como uma forma social de lidar
com con itos
Porém, isto não está ligado de forma simples ao exercício do “mal” ou à ausência do “bem”, como fomos
ensinados desde a infância. A violência, na realidade, é também uma construção social, ou seja, é uma forma
de resolução de con itos que a sociedade realimenta por interesses econ micos, éticos e políticos, os quais se
expressam em várias esferas como a família e em outras relações humanas.
osso desafio, portanto, é reconhecer que a violência social e intrafamiliar (contra mulheres, crianças, ado-
lescentes, idosos e pessoas com deficiência), pensadas num contexto de sociedade, não são executadas de
forma absoluta e exclusiva à vontade dos indivíduos.
Há muitos fatores socioafetivos legitimados pela sociedade que justificam atos violentos e que precisam ser
considerados e enfrentados adequadamente, à luz da horizontalidade dos Direitos Humanos. Todos nós temos
responsabilidades diante de cada ato de violência.
Orientar a população sobre seus direitos é uma forma de prevenir a violência intrafamiliar e pode auxiliar
na redução da exposição e no envolvimento de crianças nestas relações, diminuindo riscos de reprodução da
violência Os profissionais da Defensoria devem atuar na concreti ação de direitos por meio do conhecimento,
orientação e acesso à legislação vigente.
Nesta cartilha vamos conhecer brevemente a conceituação e os tipos de violência intrafamiliar, as principais
vítimas, alguns indicativos para a abordagem dos envolvidos no atendimento, a legislação de amparo e alguns
serviços que a sociedade oferece para o enfrentamento e intervenção, que devem ser acionados e articulados
principalmente pelos profissionais atuantes nos Centros de Atendimento ultidisciplinares - CA
O conceito de violência intrafamiliar inclui toda e qualquer forma de agressão causada entre pessoas que
tenham vínculos familiares ou afetivos entre si e, também, vínculos decorrentes da convivência próxima.
12 [Link]
61
A violência intrafamiliar pode ser praticada contra o gênero feminino e masculino. É um tipo de violência que
ocorre dentro de casa, nas relações entre as pessoas da família, entre homens e mulheres, pais, mães e filhos,
entre jovens e idosos, além de eventuais cuidadores que podem estabelecer, mesmo que momentaneamente,
um vínculo doméstico.
Exemplo de definição para este conceito, dado por achado e Gonçalves ( ): qualquer ato, conduta
ou econômicos, de modo direto ou indireto (por meio de ameaças, enganos, coação ou qualquer outro meio)
Esta definição implica a referência a vários crimes: violência doméstica, ameaça, coação, difamação, injúria,
subtração de menor, violação de obrigação de alimentos, abuso sexual, homicídio e outros.
- Violência física
Violência física é entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal, como por
exemplo, lesões corporais e tortura. É o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas eviden-
tes. São comuns “murros” e “tapas”, agressões com diversos objetos e queimaduras por objetos ou líquidos
quentes.
- Violência psicológica
Violência psicológica consiste na conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima, prejudi-
que e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e
decisões. São exemplos de violência psicológica: ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isola-
mento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação
do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
A violência psicológica ou “agressão emocional”, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracteriza-
da por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma
agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente pode causar cicatrizes permanentes
para toda a vida.
- Violência verbal
A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica, sendo considerada um subtítulo
daquela. Alguns agressores verbais dirigem sua “artilharia” (xingamentos, palavrões, ofensas) contra outros
membros da família, inclusive nos momentos em que estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao
lar.
- Violência sexual
A violência sexual é entendida como qualquer conduta que constranja a vítima a presenciar, a manter ou a
participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que induza
a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sexualidade; que impeça de usar qualquer método contracep-
tivo ou que force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno
ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Exemplos: estupro
e exploração sexual comercial.
- Violência patrimonial
A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição
parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos
econômicos da vítima, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
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- Violência moral
A violência moral é aquela entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria
Também se dá de forma verbal, porém, o conteúdo das ofensas se dá prioritariamente em falsas acusações
contra a vítima.
- Negligência
A negligência configura-se quando os pais ou responsáveis falham em prover cuidados de saúde, nutrição,
higiene pessoal, vestimenta, educação, habitação e sustentação emocional e, quando tal falha não é o resulta-
do das condições de vida além do seu controle.
Os diferentes tipos de violência intrafamiliar, em sua maioria não acontecem separadamente, estão in-
trinsecamente relacionados e podem ser concretizados em um único ato de violência. Alguns tipos são mais
facilmente detectados do que outros. Contudo, as consequências de todos eles deixam marcas muitas vezes
indeléveis na vida de suas vítimas e familiares.
A violência contra a mulher é estrutural e está presente em nossa sociedade desde os primórdios da civiliza-
ção. Este tipo de violência é inerente aos sistemas patriarcal e capitalista, sendo usado como uma ferramenta
de controle da vida, corpo e sexualidade de mulheres.
As mulheres sempre resistiram, e seguem resistindo, a este tipo de violência, tanto no âmbito individual
quanto no coletivo Sempre que uma mulher age dessa forma, desafiando ou denunciando a violência contra
ela mesma ou contra mulheres de sua comunidade, está rompendo com o paradigma machista dominante e
com o ciclo de violência contra a mulher.
A defesa da igualdade de gênero tem o amparo legal na Constituição Brasileira, promulgada em 1988, que
estabelece no seu artigo 5º que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
A alta incidência da violência contra a mulher cometida no espaço doméstico e familiar e a luta das mulheres
alcançou um marco jurídico fundamental que é a Lei 11.340/2006 - Lei Maria da Penha.
Através desse instrumento, configura-se como Violência Doméstica e Familiar Contra a ulher toda e qual-
quer ação ou omissão que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patri-
monial, praticado por pessoa (homem ou mulher) com que a ofendida (somente a mulher) conviva no âmbito
doméstico, ou que faça parte do seu âmbito familiar ou de qualquer relacionamento íntimo de afeto atual ou já
encerrado.
A mulher em situação de violência doméstica deve ser orientada para comparecer à DDM (Delegacia de
Defesa da Mulher) ou à delegacia comum para registrar o boletim de ocorrência e para efetuar a representação
contra o agressor.
A representação é a confirmação do interesse em processar criminalmente o agressor e é exigida em alguns
crimes. O prazo para efetuar a representação é de seis meses a partir da data da agressão. Lavrado o boletim
de ocorrência e feita a representação perante a autoridade policial, a ação judicial somente será arquivada a
pedido da mulher perante o (a) juiz (a), após ouvido o(a) promotor(a) de justiça.
A segregação das pessoas com deficiência fe parte da cultura das sociedades registradas historicamen-
te, o que já caracteriza a presença de cenários graves de preconceito e violência contra esse segmento da
população. Nos dias atuais ainda é muito difícil lidar com as minorias e com as diferenças existentes, fazendo
parte dos movimentos sociais a luta pela equidade social (garantir a igualdade de oportunidades e direitos, mas
considerando positivamente a existência das diferenças).
A falta de debate público e políticas sociais efetivas contribuem para que as pessoas com deficiência es-
tejam potencialmente mais expostas a situações de violência - inclusive no âmbito intrafamiliar - tendo maior
dificuldade em denunciar os abusos sofridos Outro fator importante que devemos considerar é que, ainda nos
dias de hoje, a falta de acessibilidade provoca a perda de autonomia das pessoas com deficiência, dificultando
o rompimento com a situação de violência.
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Podemos di er que alguns fatores potenciali am a vitimi ação da pessoa com deficiência, como a infância,
o gênero feminino e a condição de pessoa idosa, que são fatores que por si só também caracterizam as possí-
veis vítimas, levando em consideração que o agressor procura estar em posição de poder em relação ao outro
(poder de autoridade, social, econômico, etc.).
A informação contribui substantivamente para o empoderamento da população, por isso, faz-se necessário
que as pessoas com deficiência e seus familiares conheçam os seus direitos e que a Defensoria Pública par-
ticipe desse processo, garantindo tanto com ações judiciais quanto extrajudicialmente que esse público tenha
direito à acessibilidade e demais direitos que compõem sua cidadania e os protegem da violência.
A violência intrafamiliar ou doméstica contra crianças e adolescentes é uma das várias expressões da ques-
tão social, considerada pelo Ministério da Saúde como um sério problema de saúde pública. Suas raízes estão
associadas ao contexto histórico, social, cultural, econômico e político em que se inserem vítimas e agressores.
Assim, este tipo de violência não pode ser compreendido somente como uma questão de con itos interpessoais
entre pais e filhos
Há alguns anos, pensava-se que a violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes era consequência
de transtornos individuais, alcoolismo, toxicomania, fragilidades socioeconômicas ou educacionais, dentre ou-
tras de caráter individual. Contudo, segundo a literatura recente, passa a ser compreendida como uma questão
multifacetada, caracterizada principalmente por aspectos sociais e culturais.
Tanto no Brasil como em várias partes do mundo, em diferentes culturas e classes sociais, independente
de sexo ou etnia, crianças e adolescentes são vítimas cotidianas da violência doméstica. Os casos registrados
em delegacias, conselhos tutelares, hospitais e institutos médico-legais são apenas um alerta; não revelam a
verdadeira dimensão do problema. A cultura do silêncio e da omissão ainda é muito forte em nossa sociedade.
De acordo com as professoras Maria Amélia Azevedo e Viviane Guerra (USP/SP, 1989) a questão da vio-
lência doméstica contra crianças e adolescentes pode ser considerada
[...] todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou adolescentes
que - sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico a vítima - implica de um lado, numa transgres-
O número de idosos no Brasil está cada vez maior, mas algumas instituições e sujeitos ainda estão despre-
parados para lidar com questões próprias do envelhecimento, assim como condições psicológicas e sociais, o
que contribui para o crescimento da violência contra idosos.
Fatores sociais como isolamento, casas de longa permanência, empobrecimento da população, dificulda-
des dos cuidadores ou dependência financeira dos membros da família, ampliam a possibilidade de ocorrência
de violência, uma vez que torna o idoso mais vulnerável.
Em relação aos aspectos legais, a Constituição Federal impede qualquer forma de discriminação por idade
e atribui à família, a sociedade e ao Estado o dever de amparar o idoso, assegurar sua participação na comu-
nidade, defender sua cidadania e bem-estar e garantir seu direito à vida. Além disso, o crime cometido contra
idoso é agravante da pena nos delitos previstos pelo Código Penal.
64
O Estatuto do Idoso transforma em lei o que deveria ser obrigação da sociedade. Estabelece que, ao chegar
aos 60 anos, todos têm o direito de envelhecer com dignidade, e tanto o Estado, como a sociedade e a família
têm obrigação de assegurar aos idosos do país liberdade e respeito, como pessoas humanas e sujeitos de
direitos civis, políticos, individuais e sociais garantidos pela Constituição.
A maioria dos agressores de idosos é um familiar ou algum conhecido. Uma das queixas mais registradas é
a violência patrimonial, que decorre da apropriação indevida dos bens do idoso através do uso da violência. Os
idosos acabam permitindo que os agressores se apropriem de seus bens, pelo medo da solidão, da vida muitas
vezes vulnerável em casas de longa permanência e clínicas geriátricas.
Os idosos maltratados, sendo mais vulneráveis que as demais faixas etárias, encontram-se muitas vezes
inseguros e fragilizados e, por essa razão não procuram em primeira instância os serviços especializados. Sem
o apoio de familiares e sem amizades, torna-se difícil e constrangedor procurar, sozinho, os serviços de segu-
rança pública especializados.
Alguns idosos são, ainda, destituídos do poder de decisão, privados de ocupar um espaço físico próprio, do
direito de escolha, da liberdade de expressão e do direito de envelhecer com saúde e plenitude de cidadania.
A presença ativa na vida social deve ser valorizada e estimulada junto aos idosos, mediante formas de con-
vívio e expressão, em centros de comunidade, clubes de convivência, associações culturais, de lazer e espor-
tivas, atividades de recuperação da história e habilidades de uma comunidade, valorizando-se a transmissão
aos mais jovens de suas experiências e histórias de vida.
Para isso a rede de atendimento à pessoa idosa é fundamental e precisa estar articulada numa diversidade
de serviços, como a viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso.
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- CREAS (diversos públicos)
O que é O Centro de Referência Especiali ado de Assistência Social (Creas) configura-se como uma uni-
dade pública e estatal, que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação
de ameaça ou violação de direitos (violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, cumprimento de
medidas socioeducativas em meio aberto, etc.).
O que oferece Atendimento psicológico, social e jurídico especiali ado a pessoas com direitos violados e
suas famílias, inclusive vítimas de violência.
- Casa Abrigo
O que é As Casas Abrigo oferecem atendimento temporário para mulheres em risco de morte Os endere-
ços são sigilosos para garantir a segurança e integridade física da mulher.
O que oferece Assistência integral à mulher que tenha necessidade de acolhimento residencial, em virtude
de risco de morte.
- Disque 180
O que é Este serviço oferecido pela Secretaria Especial de Políticas para as ulheres da Presidência da
República que esclarece as vítimas sobre seus direitos e mostra onde e como obter ajuda. Funciona 24 horas,
todos dias da semana, inclusive aos finais de semana
O que oferece Informações gratuitas via telefone
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
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66
-
gicas
A prevenção do câncer de colo de útero ou cérvice, com a colheita da citologia oncótica, e o exame clínico
das mamas com orientação para o autoexame, ocupam um lugar importante na consulta.
O colo é a parte do útero que se encontra no fundo do canal vaginal e pela sua localização torna-se mais
exposto ao risco de desenvolver doenças. Para a detecção precoce de fatores predisponentes do câncer de
colo do útero é feito o exame de Papanicolau que consiste em retirar uma pequena quantidade de material do
colo do útero para análise em laboratório especializado.
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O câncer cérvico-uterino, juntamente com o de mama, representou no período de 1978 a 1986 as maiores
taxas de mortalidade entre as mulheres. A distribuição de óbitos por essas duas doenças apresenta diferenças
regionais, relacionando-as ao grau de desenvolvimento econômico-social. O câncer cérvico-uterino aparece
com maior frequência em mulheres que moram nas regiões Norte e Centro-Oeste do país.
O câncer de mama ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste de acordo
com o Instituto Nacional do Câncer.
Esta doença é mais frequentemente descoberta entre os 40 e 60 anos de idade. Já no câncer de colo, a
faixa etária priorizada é de 25 a 64 anos, para realização do exame.
As ações de controle do câncer cérvico-uterino compõem-se de: consulta clínico-ginecológica, colheita de
material para esfregaço cérvico-vaginal (colheita de preventivo), tratamento dos processos in amatórios e neo-
plasias, encaminhamento para clínica especializada para dar continuidade aos tratamentos.
Entre os tumores que atingem o aparelho reprodutor feminino, o do colo uterino e o mais frequente, em
ordem de ocorrência, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Segundo
o Ministério da Saúde no Brasil, estima-se que o câncer do colo do útero seja o terceiro mais comum na po-
pulação feminina. Este tipo de câncer representa 19% de todos os tumores malignos em mulheres. Acomete
mulheres em fase de atuação social familiar e profissional, gerando custos governamentais em serviços de
saúde e sociais. A evolução da doença provoca lesões orgânicas graves e o tratamento, apesar dos avanços
tecnológicos, produ e sua melhor eficácia apenas nos estádios iniciais
A doença é prevenida através do exame de Papanicolaou, porém, a abrangência e adesão das mulheres ao
programa de prevenção constituem um desafio enfrentado com persistência pelo inistério da Saúde no Brasil,
em que a doença apresenta risco estimado de cerca de 20 casos a cada 100 mil mulheres.
A etiologia do câncer cérvico-uterino ainda é desconhecida. Sabe-se que, como todo câncer, é uma doença
que atinge as células do colo existem fatores de risco que estão relacionados, tais como:
- Início da atividade sexual em idade precoce;
- Vários parceiros;
- História de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente decorrentes de infecções por papiloma-
vírus e herpes vírus;
- Baixo nível socioeconômico;
- Tabagismo;
- Carências nutricionais, como a hipovitaminose A.
De acordo com o Ministério da Saúde, as variáveis acima descritas caracterizam o comportamento de risco
de câncer-cérvico uterino e devem ser consideradas na determinação da população-alvo do programa.
As peculiaridades regionais e a incidência por grupo etário podem determinar um perfil diferenciado
O processo de instalação do câncer de colo demora muitos anos (10 a 20 anos) e as alterações celulares
são facilmente detectadas através do exame citológico. Por isso, as possibilidades de cura são de 100% se a
mulher fi er o exame periódico e seguir o tratamento adequado
Para o exame é necessário o preparo do ambiente para que a cliente não se sinta constrangida e favoreça
a colheita adequada. O ambiente deverá propiciar privacidade e especialmente segurança.
Os materiais para a realização do exame são: espéculos vaginais (descartáveis ou não) de tamanhos ade-
quados com relação à idade e à paridade (número de filhos) da cliente campo estéril, espátula de madeira (tipo
Ayre ou similar), escovinha Campos da Paz, swab de cabo longo (para colheita em mulheres virgens), lâmina,
frasco, fixador, foco de lu e biombo
Para garantir a boa qualidade do exame, o auxiliar de enfermagem deve orientar a mulher quanto a alguns
cuidados importantes antes da realização do mesmo, como: não realizar o exame no período menstrual ou de
sangramento, não ter relações sexuais por 24 horas e não utilizar duchas, lavagens e medicamentos via vaginal
por 48 ou 72 horas que antecedem o exame.
68
Ao proceder o preparo da cliente na unidade de saúde, devemos orientá-la a urinar, pois o esvaziamento
vesical permite um maior relaxamento.
Devemos oferecer uma camisola com a abertura voltada para a frente e um local para que a cliente retire
toda a roupa com total privacidade.
Ao colocar a cliente na mesa em posição ginecológica, as nádegas devem estar na borda da mesa e os pés
no local próprio para apoio.
Atentar para que apenas a área que será examinada deva permanecer exposta. Durante o exame, visando
proporcionar relaxamento à cliente, é importante orientá-la sobre o procedimento, mostrando que todo o mate-
rial a ser utilizado é descartável e/ou esterilizado e estimulá-la a inspirar e expirar profundamente.
Faz parte do exame ginecológico a inspeção da vulva, do canal vaginal e do colo uterino. Durante o exame,
deve-se atentar para sinais de in amação (dor, calor e rubor), sangramento ou alterações locais da pele e mu-
cosa, como a presença de lesões e parasitas. No canal vaginal e no colo uterino, deve-se observar a coloração
da mucosa, a presença de secreções, lesões e corpo estranho, encaminhando ao enfermeiro ou médico, nos
casos de anormalidade.
As ações de controle do câncer de mama são: autoexame das mamas, exame clínico das mamas e exames
complementares. Estas ações têm como principal objetivo a detecção precoce de alterações que podem sugerir
ou constituir uma neoplasia.
Aqui vamos priorizar o exame clínico das mamas e o autoexame, citando os exames complementares.
O câncer de mama geralmente apresenta-se como um nódulo.
Leva aproximadamente de seis a oito anos para atingir um centímetro de diâmetro. Essa lenta evolução
possibilita a descoberta ainda cedo destas lesões, se as mamas são periodicamente examinadas. As primeiras
metástases comumente aparecem nos gânglios linfáticos das axilas.
A doença é descoberta entre os 40 e os 60 anos de idade e os fatores de risco envolvidos são: menarca
antes dos 11 anos; primeiro parto após os 30 anos; nuliparidade; menopausa após os 55 anos; história pessoal
ou familiar de câncer de mama. Existem fatores de risco que podem ser controlados, pela própria mulher desde
que orientada a não ingerir dieta rica em gordura e pobre em fibras e vitaminas evitar exposição a radiações
O que se sabe hoje sobre o câncer de mama ainda não é o suficiente para a utili ação de medidas que
evitem o aparecimento da doença (prevenção primária). Os esforços para o controle são direcionados para a
detecção precoce (descoberta de pequenos tumores).
Aproximadamente, 80% dos tumores são descobertos pela própria mulher, tocando sua mama inciden-
talmente Portanto, é muito importante que o exame das mamas seja feito pela mulher e pelo profissional de
saúde na consulta.
O autoexame das mamas é um procedimento que permite à mulher participar do controle de sua saúde.
Recomenda-se que ele deve ser realizado mensalmente, uma semana após a menstruação, período em que as
mamas não apresentam edema. As mulheres que não tem mais menstruação devem fazer o exame no mesmo
dia de cada mês, para evitar o esquecimento.
O auxiliar de enfermagem deve orientar as clientes sobre o autoexame durante a pré consulta, em reuniões
educativas e nas oportunidades que surgirem. Nestas orientações, é necessário lembrar que as mamas nem
sempre possuem o mesmo tamanho, que mesmo fazendo o autoexame não se deve deixar de fazer a consulta
ginecológica periódica e que a presença de nódulo não significa que seja câncer
ão:
69
- Finalmente colocar as mãos nos quadris, pressionando-os para baixo, para que o contorno das mamas
fique saliente
b) Palpação
- Deitar com o ombro elevado (usar embaixo do ombro uma toalha dobrada);
- Examinar a mama esquerda com a mão direita até a axila;
- Examinar a mama direita com a mão esquerda até a axila;
- Proceder a expressão da aréola mamária observando a presença de secreção purulenta, serosa ou san-
guinolenta Pode estar associado a processo in amatório, lesão benigna ou lesão maligna Vale lembrar que
as mulheres que tomam contraceptivos orais por tempo prolongado podem apresentar saída de líquido claro,
como também as mulheres que insistentemente estimulam a saída de secreção fazendo expressão.
A realização do exame mamário pela mulher (autoexame) não substitui o exame clínico realizado pelo
profissional São dois procedimentos importantes que, somados, garantem à mulher maior possibilidade de
identificação precoce e rapide para alcançar a cura
O auxiliar de enfermagem que desenvolve suas atividades junto à mulher, devendo lembrar sempre que o
câncer é uma doença que afeta a autoimagem, a feminilidade, a amamentação, o relacionamento sexual. Por-
tanto, deve estar atento para ameni ar as dificuldades da cliente e compreender seus sentimentos de culpa,
vergonha, depressão, dificuldade no relacionamento familiar, medo O acolhimento da cliente e seus familiares
por toda a equipe é um fator fundamental para o sucesso do tratamento.
O câncer de endométrio ou do corpo uterino é uma neoplasia maligna menos frequente que a do colo uteri-
no. Geralmente, acomete mulheres após os 50 anos, após a menopausa.
Os sinais de alerta são: as metrorragias mínimas, espontâneas e sem frequência definida as secreções ro-
sadas semelhantes a “água de carne” (às vezes fétidas), as dores irregulares de curta duração, repetidas várias
vezes durante o dia. Entretanto, o câncer uterino é por muito tempo assintomático ou só se apresenta como
perda sanguínea isolada, da qual não se encontra o motivo, a não ser após anamneses minuciosas.
Os métodos de diagnóstico são a histeroscopia e biópsia de endométrio, que poderão ser realizados no am-
bulatório ou no centro cirúrgico. O tratamento sempre é cirúrgico, com a retirada total do útero e seus anexos,
também chamada de cirurgia de histerectomia total abdominal com anexectomia bilateral.
Os cânceres primitivos da vagina são raros. Em sua maioria são decorrência de metástase de cânceres do
colo ou do corpo uterino, portanto secundários, cujo prognóstico costuma ser sombrio. Os pequenos sangra-
mentos intermitentes ou mesmo as hemorragias mais importantes representam sinais de alerta.
âncer do Útero
O câncer do colo do útero, em sua evolução, passa por uma fase pré-invasiva, na qual intervenções podem
evitar seu progresso, e outra invasiva, caracterizada pela invasão de tecidos e que e de difícil controle.
Lesões pré-invasivas
As lesões pré-invasivas são chamadas de eoplasias Intraepiteliais Cervicais ( IC), que são classificadas
em graus I, II e III, os quais re etem o seu comportamento biológico Essa nomenclatura sofreu uma revisão
em 19 , classificando as IC I como lesões de baixo grau e colocando as IC II e III num mesmo patamar
biológico, classificando-as como lesões de alto grau
As alterações celulares que não podem ser classificadas como neoplasia intraepitelial cervical, mas mere-
cem uma investigação melhor, são classificadas como atipias de células escamosas de significado indetermi-
nado (ASC S) ou atipias de células glandulares de significado indeterminado (AG S)
As lesões pré-neoplásicas, se não tratadas, apresentam um potencial diferenciado de regressão, persistên-
cia e progressão, segundo a sua classificação histológica
70
De acordo com a literatura, lesões do tipo NIC I teriam um potencial de regressão maior (62% a 70%) quan-
do comparadas as NIC II e III (45% a 55%) num período de 11 a 43 meses. Por outro lado, a literatura mostra
que as NIC I apresentam um menor potencial de progressão de 4,9% a 16% do que dos NIC II e III, que e de
30% a 42%. Porém, o potencial de persistência dessas lesões ainda permanece controverso.
Nos estágios iniciais de anormalidades na diferenciação, as células displasias, localizadas na superfície
do epitélio, podem ser detectadas através da técnica de Papanicolaou. Caso não haja intervenção, a displasia
poderá estagnar ou mesmo regredir espontaneamente; entretanto, pode progredir, dando origem a neoplasia
localizada sem invasão dos tecidos adjacentes, o chamado carcinoma in situ. Nessas lesões, o padrão normal
da divisão e diferenciação celular e muito mais severamente deturpado e todas as camadas do epitélio consis-
tem de células proliferativas não diferenciadas, que são altamente variáveis em tamanho e cariótipo.
Neste estágio, ainda é fácil alcançar cura completa pela destruição ou remoção cirúrgica do tecido anormal,
pois as células alteradas ainda estão confinadas ao lado epitelial da lamina basal
Sem o tratamento adequado, as células displásicas ainda poderão estagnar ou regredir; mas cerca de 20%
a 30% dos casos evoluirão, num período de alguns anos, originando um carcinoma cervical invasor, cujas cé-
lulas desprendem-se do epitélio, atravessam a lamina basal e começam a invadir o tecido conectivo. A medida
que o crescimento invasivo se espalha, a cura passa a ser progressivamente mais difícil.
Lesões invasivas
Nesta fase, a lesão ultrapassa os limites da membrana basal e passa a ser considerada invasiva de tecidos
vizinhos ao epitélio, evoluindo de uma área restrita ao colo para órgãos e estruturas próximas, como vagina,
paramétrios, linfonodos pélvicos e mucosas da bexiga e do reto, a órgãos e estruturas distantes como pulmões,
fígado, ossos e linfonodos, principalmente de acordo com o estadiamento, cuja classificação mais utili ada e a
FIGO.
Os tipos histológicos são: escamoso, mais frequente, tem prognostico favorável; adenocarcinoma e menos
comum, acomete mulheres jovens e tem pior prognostico; seguido do sarcoma que e raro e altamente agres-
sivo.
Estudos epidemiológicos têm mostrado que leva em média 10 anos para que uma célula normal evolua para
o estágio de câncer invasivo, começando por estágios precoces, que são detectáveis e curáveis, possibilitando
que sejam feitos esforços preventivos através de programas de rastreamento do câncer cervical.
Em relação aos sinais e sintomas, nos estágios iniciais, o câncer cervical pode ser assintomático, tendo
como sinal mais comum o sangramento, por perda sanguínea espontânea ou induzida, com corrimento fétido
aquoso comumente de cor rósea e constante.
A progressão da doença leva ao aparecimento de outros sintomas como disúria, polaciúria, incontinência
urinaria enterorragia, tenesmo, dor lombar e edema de membros inferiores.
Os elevados índices de incidência e mortalidade por câncer do colo do útero e da mama no Brasil justificam
a implantação de estratégias efetivas de controle dessas doenças que incluam ações de promoção à saúde,
prevenção e detecção precoce, tratamento e de cuidados paliativos, quando esses se fi erem necessários
Portanto, é de fundamental importância a elaboração e a implementação de Políticas Públicas na Atenção
Básica, enfatizando a atenção integral à saúde da mulher, que garantam ações relacionadas ao controle dos
cânceres do colo do útero e da mama como o acesso à rede de serviços quantitativa e qualitativamente, capa-
zes de suprir essas necessidades em todas as regiões do País.
Entre as ações desenvolvidas pelas equipes de Atenção Básica, destacam-se as ações relacionadas ao
controle dos cânceres do colo de útero e da mama. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2008, ocor-
reram 1.384.155 casos novos de câncer da mama em todo o mundo, o que torna o tipo de câncer mais comum
entre as mulheres. Nesse mesmo ano, foram registrados cerca de 530 mil casos novos de câncer do colo do
útero (WHO, 2008). No Brasil, para o ano de 2012, são estimados 52.680 casos novos de câncer de mama
feminino e 17.540 casos novos de câncer do colo do útero (INCA, 2012).
71
As ações de promoção ocorrem sobremaneira na atenção básica, que está mais próxima do cotidiano das
mulheres e as acompanha ao longo da sua vida.
As abordagens educativas devem estar presentes no processo de trabalho das equipes, seja em momentos
coletivos, como grupos, atividades do Programa de Saúde na Escola, outras abordagens grupais da equipe,
seja em momentos individuais de consulta. É fundamental a disseminação da necessidade dos exames e da
sua periodicidade, bem como dos sinais de alerta que podem significar câncer
Com relação à , a maior parte dessas ações também ocorre na atenção básica. Tanto
as ações de rastreamento, que consistem em realizar sistematicamente testes ou exames em pessoas sadias,
quanto as , que consistem em captar precocemente alguém que já tem sinto-
mas ou alterações no exame físico, devem ser realizadas no cotidiano das equipes.
O modelo assistencial deve organizar e articular os recursos nos diferentes níveis de atenção, para que seja
garantido o acesso aos serviços e ao cuidado integral. As pessoas devem ser vistas como sujeitos a singulari-
dade de sua história de vida, nas condições socioculturais, nos anseios e nas expectativas. A abordagem dos
indivíduos com a doença deve acolher as diversas dimensões do sofrimento (físico, espiritual e psicossocial) e
buscar o controle do câncer com preservação da qualidade de vida.
No contexto da Rede Temática de Oncologia, as Linhas de Cuidado dos Cânceres do Colo do Útero e da
Mama implicam na organização de um conjunto de ações e serviços de saúde, estruturados com base em crité-
rios epidemiológicos e de regionali ação para dar conta dos desafios atuais onde os quadros relativos a esses
cânceres são de alta relevância epidemiológica e social.
A organização da Linha de Cuidado envolve intervenções na promoção da saúde, na prevenção, no tra-
tamento, na reabilitação e nos cuidados paliativos, englobando diferentes pontos de atenção à saúde, com o
objetivo de alcançar bons resultados clínicos, a custos compatíveis, com base na evidência disponível na lite-
ratura científica
A Linha de Cuidado do Câncer do Colo do tero tem a finalidade de assegurar à mulher o acesso humani-
ado e integral às ações e aos serviços qualificados para promover a prevenção do câncer do colo do útero,
acesso ao rastreamento das lesões precursoras, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, qualificado
e em tempo oportuno.
72
- Garantia do acesso ao tratamento adequado da lesão precursora em tempo oportuno;
- Definir e pactuar que a unidade de referência deve reali ar todos os procedimentos: colposcopia, biópsia,
EZT e utilizar o método “ver e tratar”;
- Implantar centros qualificadores de ginecologistas para atuarem na unidade de referência para diagnóstico
e tratamento da lesão precursora.
- Definir e pactuar serviços de referência para confirmação diagnóstica dos casos suspeitos
73
- Regular o acesso à confirmação diagnóstica, propiciando que casos referenciados pela atenção primária
com lesão palpável, ou outros sinais e sintomas suspeitos tenham prioridade.
O tratamento e indicado com base no estadiamento tumoral, tipo histológico, idade da paciente, condição
clínica, desejo de procriar e recursos disponíveis. Os procedimentos variam desde os mais conservadores,
como a retirada de lesões, até tratamentos radicais e complexos como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e
associações desses tratamentos.
Tempo de Seguimento
Complicações
As complicações são causadas por danos teciduais e funcionais provocados pela evolução da doença e/ou
efeitos do tratamento A progressão da doença em evolução gera complicações como fistulas, linfo edema de
membros inferiores, compressão de vias urinarias e intestinais.
Os tratamentos, embora efica es, sobretudo nos estágios iniciais, tra em danos esperados, por ve es com-
prometendo a qualidade de vida pós-tratamento. No tratamento cirúrgico, as complicações ocorrem com mais
frequência no Wertheim Meigs, cirurgia caracterizada por histerectomia total, salpingooforectomia bilateral e
linfadenectomia.
74
A principal complicação dessa cirurgia e a bexiga neurogênica que e caracterizada pela ausência da sen-
sação da necessidade de urinar seguida de retenção urinaria, e causada pela manipulação da enervação dos
ureteres e bexiga na realização da dissecção para extirpação do tecido celular subperitoneal, paravesical e
ureteral, além de fistulas envolvendo vias urinarias e intestinais na área pélvica e outras complicações, como
infecção da parede, peritonite e hemorragia que ocorrem com frequência bastante reduzida.
Na quimioterapia, os efeitos são denominados de toxicidade e estão relacionados a destruição de células
saudáveis, que estão em mitose provocada pela ação sistêmica da cisplatina, causando nefro toxicidade, mie-
lotoxicidade, neurotoxicidade e toxicidade gastrointestinal. No tratamento radioterápico, as complicações são
causadas pelos efeitos adversos nos tecidos sadios localizados nas áreas adjacentes a irradiada.
Os efeitos adversos agudos atingem pele, membranas mucosas, reto e aparelho geniturinário, e os tardios
tem como áreas mais afetadas o retossigmóide, com maior frequência em estágios mais avançados da doen-
ça, na qual a dose de radioterapia externa e maior; seguido de bexiga, uretra e ureter; útero, ovário e vagina,
gerando disfunção sexual, e mais raramente osso e sangue.
Pré-cirúrgico
A abordagem de enfermagem pré-operatória pode ser trabalhada através de consultas, que visa a acolher e
a apoiar a paciente após o diagnóstico e a instruir sobre dúvidas relacionadas ao tratamento proposto.
Os riscos previsíveis pela enfermagem devem ser identificados, assim como as instruções quanto ao pro-
cesso de internação durante o tratamento, tais como: jejum, preparos intestinais e aparos de pelos e o uso de
cateteres; a internação; e, no domicilio, no caso de cirurgias de histerectomia total dos tipos II e III mais comu-
mente e outras cirurgias mais radicais.
o momento da internação, e feita uma avaliação sistemática do enfermeiro baseada na identificação das
necessidades afetadas da paciente, visando a elaboração de um plano assistencial que gera intervenções de
curto, médio e longo prazo e que podem ser realizadas de forma independente e ou interdisciplinar.
Essa avaliação consta de histórico de enfermagem, exame físico, dados laboratoriais, de imagem e aplica-
ção de escalas que avaliam nível de consciência, condição física, nível de algia e autocuidado.
As ações de enfermagem peculiares a este tipo de cirurgia no pré-operatório consistem de evolução diária,
a aplicação do preparo intestinal e de pele, bem como realização do protocolo de preparo institucional para his-
terectomia total dos tipos II e III, composto de jejum de 12 horas, aparo de pelos da região pubiana e lavagem
vesical com clister glicerinado.
No centro cirúrgico, e realizada a avaliação da paciente na recepção pré-operatória imediata, que consiste
na leitura dos registros anteriores, conferencia de dados e preparo para cirurgia, identificação de riscos de
enfermagem na cirurgia e pós-operatório, como lesões ou limitações funcionais. Elaborar plano assistencial e
encaminhar a sala de operação.
A assistência de enfermagem pós-operatória consiste na avaliação do estado geral da paciente, atentando
para o restabelecimento de padrões funcionais relevantes neste período, como: nutrição, atividade física, inte-
gridade da pele, eliminação urinaria e intestinal.
75
O exame abdominal deve ser reali ado na busca da identificação do retorno da função intestinal e deverá
ser monitorizado desde o primeiro dia de pós-operatório, atentando para o reinicio dos movimentos peristálticos
abdominais, possíveis episódios eméticos. A saída do leito deve ser estimulada tão logo se tenha condição
clínica, avaliando continuamente a competência do autocuidado.
A permanência do cateter de demora durante a internação e no domicilio objetiva prevenir possível retenção
vesical provocada pela denervação das vias urinarias durante o procedimento cirúrgico. Redução do volume
urinário e perdas de diurese por via vaginal são alertas para a presença de fistulas urinarias, a complicação
mais comum neste tipo de cirurgia.
A troca do curativo cirúrgico deve ser feita de forma asséptica, avaliando continuamente a possibilidade de
exposição da ferida, caso haja ausência de exsudato e presença de pontes epiteliais. Na alta, e feito o reforço
das orientações para o autocuidado e entregue o folheto com orientações para cirurgia ginecológica
Pré-radioterapia
Antes do início do tratamento, e feita a orientação em grupo por meio de palestra com recurso visual sobre
radioterapia na pelve feminina, seguida de esclarecimento de dúvidas a pacientes, familiar ou acompanhante,
versando sobre a importância do cumprimento da agenda proposta para o tratamento, efeitos adversos que
podem acometer a paciente e como minimiza-los.
As consultas de enfermagem são realizadas nos períodos: pré, durante o período de radioterapia, pós-tele-
terapia e durante o período de radioterapia e pós-braquiterapia.
Essas consultas tem a finalidade de avaliar as condições clinicas, identificar riscos para complicações e não
efetividade do tratamento, e a elaboração de plano assistencial a curto, médio e longo prazo.
Utiliza como estratégia o histórico de enfermagem, exame físico, escuta apurada das queixas da paciente,
avaliação do estado emocional e grau de adesão ao tratamento, procurando evitar falhas no uxo fornecimento
de cartilha com orientação para radioterapia ginecológica e informação sobre a possibilidade de encaminha-
mento para equipe multidisciplinar, quando necessário.
As ações da Atenção Básica são diversas no controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Vão desde
cadastro e identificação da população prioritária ao acompanhamento das usuárias em cuidados paliativos
É fundamental que a equipe conheça a sua população, com cadastro sistemático de todos os usuários
da sua área adscrita A partir desse cadastro, ela deve conseguir identificar todas as mulheres da faixa etária
prioritária, bem como identificar aquelas que têm risco aumentado para a doença Ao reali ar o cru amento
entre as mulheres que deveriam reali ar o exame e as que o reali aram, é possível definir a cobertura e, a partir
76
daí, pensar em ações para ampliar o acesso ao exame. Avaliar a cobertura do exame é tarefa fundamental
das equipes, bem como avaliação dos resultados dos exames e dos exames insatisfatórios no caso do colo do
útero.
As ações de prevenção da saúde são uma estratégia fundamental, não só para aumentar a frequência e
adesão das mulheres aos exames, como para reforçar sinais e sintomas de alerta, que devem ser observados
pelas usuárias Além de abordagens para grupos específicos (por exemplo, gestantes, mães de crianças em
puericultura, idosas), é fundamental que os processos educativos ocorram em todos os contatos da usuária
com o serviço, estimulando-a a realizar os exames de acordo com a indicação.
A realização do citopatológico deve ocorrer na própria unidade básica de saúde, podendo ser realizado
durante a consulta ou em agendamentos específicos para esse fim A estratégia de mutirão em horários alter-
nativos permite atingir mulheres que geralmente não conseguem ter acesso ao exame.
Usuárias que não comparecem espontaneamente podem ser convocadas para realização do exame. Inde-
pendente da forma de abordagem, o exame deve ser coletado mediante a técnica específica, e a mulher deve
ser respeitada e abordada integralmente.
o caso da mamografia, a solicitação deve ser reali ada pelo profissional da unidade, durante a consulta
ou em estratégias de busca ativa de mulheres, como visita domiciliar. É fundamental que nas consultas o pro-
fissional reali e o exame clínico das mamas para detectar lesões palpáveis
Além de solicitar o exame, cabe realizar orientações sobre a forma que o exame é feito, bem como a sua
importância para fortalecer a aderência da usuária à sua realização.
Após a realização da coleta do citopatológico, cabe à Atenção Básica encaminhar o material para análise,
e aguardar o recebimento dos laudos. Em unidades não informatizadas, cabe realizar um cadastro manual dos
exames encaminhados para poder acompanhar o retorno dos laudos.
Cabe o mesmo em relação às solicitações de mamografia, constando as informações das datas de solicita-
ção e de reali ação do exame, informada pelo serviço de mamografia ou pela própria usuária O resultado deve
ser informado à mulher, preferencialmente durante uma consulta.
De posse do resultado, o profissional deve reali ar a conduta de acordo com o resultado Caso o resultado
determine encaminhamento a outro serviço, é fundamental realizar uma solicitação de encaminhamento qua-
lificada, com os dados relevantes sobre a usuária, sobre o quadro clínico e sobre o resultado do exame Além
disso, é necessário que a equipe acompanhe essa mulher, verificando a adesão ao tratamento
Como a Atenção Básica-AB é a coordenadora do cuidado, ela deve acompanhar as usuárias durante todo o
tratamento, avaliando a necessidade de intervenções durante esse processo. Em especial no caso do cuidado
paliativo, a equipe deve estar preparada para acolher essa usuária e propiciar o seu tratamento. Grande parte
das necessidades em cuidados paliativos pode ser realizada pela equipe, na UBS ou no domicílio da usuária.
77
g. Prescrever tratamento para outras doenças detectadas, como Doença Sexualmente Transmissível-DSTs,
na oportunidade do rastreamento, de acordo com os protocolos ou normas técnicas estabelecidos pelo gestor
local;
h. Realizar cuidado paliativo, na Unidade Básica de Saúde-UBS ou no domicílio, de acordo com as neces-
sidades da usuária;
i. Avaliar periodicamente, e sempre que ocorrer alguma intercorrência, as pacientes acompanhadas em
Atenção Domiciliar-AD1, e, se necessário, realizar o encaminhamento para unidades de internação ou Equipe
ultiprofissional de Atenção Domiciliar-Emad
j. Contribuir, realizar e participar das atividades de educação permanente de todos os membros da equipe;
k. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado funcionamento da unidade bási-
ca de saúde.
O câncer do colo do útero é precedido por uma longa fase de doença pré-invasiva, denominada de neopla-
sia intraepitelial cervical (NIC). A NIC é categorizada em graus I, II e III, dependendo da proporção da espessura
do epitélio que apresenta células maduras e diferenciadas. Os graus mais graves da NIC (II e III) apresentam
uma maior proporção da espessura do epitélio composto de células indiferenciadas (SELLORS & SANKARA-
NARAYANAN) e, devido à sua maior probabilidade de progressão para o câncer, se deixadas sem tratamento
(MCCREDIE et al.), são consideradas seus reais precursores. A maioria das NIC I regride em períodos entre 12
a 24 meses ou não progride à NIC II ou III e, portanto, não é considerada lesão precursora (MELNIKOW et al.).
A infecção persistente, provocada por um ou mais dos tipos oncogênicos de Papilomavírus humano (HPV),
é uma causa necessária da neoplasia cervical, porém, a maioria das alterações cervicais causadas pela infec-
ção do HPV tem pouca probabilidade de progredir (SELLORS & SANKARANARAYANAN).
A lesão precursora que se origina do epitélio colunar é denominada de adenocarcinoma in situ (AIS).
O AIS pode estar associado à NIC em um a dois terços dos casos (SELLORS & SANKARANARAYANAN).
O quadro a seguir expõe as nomenclaturas citopatológica e histopatológica utilizadas desde o início da
realização do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais escamosas e suas equivalências
(Quadro 1). A nomenclatura dos exames citopatológicos utilizada no Brasil (INCA) foi baseada no Sistema Be-
thesda (2001) e, para os exames histopatológicos, é utilizada a nomenclatura de Richart. As nomenclaturas de
Papanicolaou, que utilizam classes numéricas, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que usam o termo
displasia, não devem ser mais usadas, pois diferenciam indevidamente graus de doença pré-invasiva.
Para uma descrição completa das categorias diagnósticas atualmente utilizadas no Brasil, recomenda-se a
consulta à Nomenclatura Brasileira para Laudos Cervicais e Condutas Preconizadas (INCA).
Quadro 1 - Nomenclaturas citopatológica e histopatológica utilizadas desde o início da realização do exame
citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais escamosas e suas equivalências
- -
-
Classe I - - -
Classe II - - Alterações benignas
Atipias de significado
- - -
indeterminado
lesão intraepitelial es-
Displasia leve NIC I camosa de baixo grau
Classe III (lSIl)
Displasia moderada NIC II e lesão intraepitelial esca-
e acentuada NICIII mosa de alto grau (HSIl)
78
HSIl
Classe IV Carcinoma in situ NIC III
AIS
Classe V Carcinoma invasor Carcinoma invasor Carcinoma invasor
Fonte: INCA. Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de
Recomendações:
- O método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopato-
lógico. O intervalo entre os exames deve ser de três anos, após dois exames negativos, com intervalo anual;
- O início da coleta deve ser aos 25 anos de idade para as mulheres que já tiveram atividade sexual;
- Os exames devem seguir até os 64 anos e serem interrompidos quando, após essa idade, as mulheres
tiverem pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos;
- Para mulheres com mais de 64 anos e que nunca realizaram o exame citopatológico, deve-se realizar dois
exames com intervalo de um a três anos. Se ambos forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas
de exames adicionais.
Essas recomendações não se aplicam a mulheres com história prévia de lesões precursoras do câncer do
colo uterino
Há menos evidências objetivas sobre quando as mulheres devem encerrar a coleta de espécimes para exa-
me citopatológico no rastreamento do câncer do colo do útero. Há uma tendência de ampliar o intervalo entre
as coletas em mulheres com idade mais avançada, como propõem as recomendações atuais da OMS.
De qualquer forma, mesmo em países com população de alta longevidade, não há dados objetivos de que
o rastreamento seja útil após os 65 anos (SASIENI; CASTAÑON; CUZICK).
Gestantes
Gestantes têm o mesmo risco que não gestantes de apresentarem câncer do colo do útero ou seus pre-
cursores O achado destas lesões durante o ciclo grávido puerperal re ete a oportunidade do rastreio durante
o pré-natal. Apesar de a junção escamocolunar no ciclo gravídico-puerperal encontrar-se exteriorizada na ec-
tocérvice na maioria das vezes, o que dispensaria a coleta endocervical, a coleta de espécime endocervical
não parece aumentar o risco sobre a gestação quando utilizada uma técnica adequada (HUNTER; MONK;
TEWARI).
o rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa
etária como para as demais mulheres, sendo que a procura ao serviço de saúde para realização de pré-natal
deve sempre ser considerada uma oportunidade para o rastreio.
Pós-Menopausa
Mulheres na pós-menopausa, sem história de diagnóstico ou tratamento de lesões precursoras do câncer
do colo uterino, apresentam baixo risco para desenvolvimento de câncer (SASIENI; CASTAÑON; CUZICK).
79
O rastreamento citológico em mulheres na menopausa pode levar a resultados falso-positivos causados
pela atrofia secundária ao hipoestrogenismo, gerando ansiedade na paciente e procedimentos diagnósticos
desnecessários.
Mulheres no climatério devem ser rastreadas de acordo com as orientações para as demais mulheres; e, em
casos de amostras com atrofia ou ASC- S, deve-se proceder à estrogeni ação local ou sistêmica
É fato que o diagnóstico de casos novos de câncer do colo uterino está associado, em todas as faixas
etárias, com a ausência ou irregularidade do rastreamento (SASLOW et al.). O seguimento de mulheres na
pós-menopausa deve levar em conta seu histórico de exames.
mulheres na pós-menopausa devem ser rastreadas de acordo com as orientações para
as demais mulheres. Se necessário, proceder à estrogenização prévia à realização da coleta.
Histerectomizadas
O rastreamento realizado em mulheres sem colo do útero devido à histerectomia por condições benignas
apresenta menos de um exame citopatológico alterado por mil exames realizados (USA/NCI).
mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história prévia de
diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento, desde que
apresentem exames anteriores normais.
Em casos de histerectomia por lesão precursora ou câncer do colo do útero, a mulher deverá ser acompa-
nhada de acordo com a lesão tratada.
Imunossuprimidas
Alguns fatores de risco diretamente relacionados à resposta imunológica têm sido associados à maior
chance de desenvolvimento de IC ulheres infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), mu-
lheres imunossuprimidas por transplante de órgãos sólidos, em tratamentos de câncer e usuárias crônicas de
corticosteroides constituem os principais exemplos deste grupo. A prevalência da infecção pelo HPV e a persis-
tência viral, assim como a infecção múltipla (por mais de um tipo de HPV), são mais frequentes nesse grupo de
mulheres. Em mulheres infectadas pelo HIV, o desaparecimento do HPV parece ser dependente da contagem
de células CD4+ e lesões precursoras tendem a progredir mais rapidamente e a recorrer mais frequentemente
do que em mulheres não infectadas pelo HIV. Entretanto, mulheres infectadas pelo HIV imunocompetentes,
tratadas adequadamente com terapia antirretroviral de alta atividade (HAART), apresentam história natural se-
melhante às demais mulheres (Australian Government/National Health and Medical Research Council, 2005).
80
perianal) e da vagina o caso de a citologia mostrar in amação acentuada ou alterações celulares escamosas
reativas, realizar nova coleta citológica em três meses, após tratamento adequado (USA/ CDC, 1998; USA.
USPHS/IDSA, 1999).
o exame citopatológico deve ser realizado neste grupo após o início da atividade sexual
com intervalos semestrais no primeiro ano e, se normais, manter seguimento anual enquanto se mantiver o
fator de imunossupressão.
Mulheres HIV positivas com CD4 abaixo de 200 células/mm³ devem ter priorizada a correção dos níveis de
CD4 e, enquanto isso, devem ter o rastreamento citológico a cada seis meses.
A assistência à saúde da mulher está organizada num programa do Ministério da Saúde, o Programa de
Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM).
Este programa prevê a assistência à mulher de forma integrada, abordando-se as várias fases de sua vida,
da adolescência à menopausa, incluindo a assistência ao pré-natal, parto e puerpério (ciclo gravídico-puerpe-
ral), planejamento familiar (ciclo reprodutivo), assistência clínico-ginecológica (prevenção e controle do câncer
ginecológico e de mama e prevenção das DST) e climatério.
O objetivo do programa é melhorar as condições de saúde da mulher e reduzir as taxas de morbidade e
mortalidade maternas.
Na assistência clínico-ginecológica há especial preocupação com a prevenção do câncer de mama e do
câncer cérvico-uterino. A ocorrência destes tipos de neoplasias expressa a baixa cobertura dos exames preven-
tivos e pouco investimento em atividades de educação em saúde.
O câncer do colo do útero é uma doença possível de ser prevenida e curada. Entretanto, em nosso país
representa a segunda causa de óbitos por neoplasia em mulheres, pois 70% dos casos diagnosticados já estão
em fases avançadas. Ressalte-se, ainda, ser uma doença que incide mais em mulheres de baixo nível socioe-
conômico.
Para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer de colo do útero, o Ministério da Saúde desenvolveu o
Programa Nacional de Controle de Câncer de Colo Uterino - o qual utiliza as estratégias de ações educativas e
aumento da qualidade dos serviços prestados pelo sistema de saúde. Seu público-alvo são as mulheres entre
35 e 49 anos de idade, consideradas como a população de maior risco.
81
As questões referentes à saúde reprodutiva da mulher convergem para a abordagem sobre o exercício res-
ponsável do seu direito reprodutivo, como forma de vivenciar sua sexualidade e ter liberdade sobre a escolha
de tornar-se mãe ou não.
O , responsável pelo desenvolvimento das
ações referentes ao ciclo reprodutivo, orienta-se especificamente por ações preventivas e educativas e pela
garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas disponíveis para a regulação da fecun-
didade, inclusive a esterilização voluntária - permitida tanto para homens como para mulheres com mais de 25
anos, ou pelo menos com dois filhos, ou quando há risco de vida à saúde da mulher ou do concepto
As previstas neste Programa preconizam, ainda, que sejam repassadas informações sobre
a anatomia e fisiologia do corpo feminino, métodos anticoncepcionais, seu funcionamento, vantagens e desvan-
tagens - tudo isto realizado através de metodologia de práticas educativas e acesso a todos os métodos, para
que a mulher possa fazer a opção que a ela melhor se adeque.
A durante as fases do ciclo gravídico-puerperal compreende todas as ações previstas
no - o qual deve ser estruturado com ações clínicas e educativas que
visem garantir a saúde da mulher e de seu filho Para operacionali ar essa assistência, há uma divisão pautada
nas fases do ciclo: pré-natal (gestação), parto e puerpério (período até 6 semanas após a gestação).
O objetivo destas atividades relaciona-se à redução das complicações durante a gestação, que podem re-
sultar em óbito materno e ou fetal o Brasil, os coeficientes de morte materna são considerados incompatíveis
com o nível de desenvolvimento do país. Anualmente, cerca de 3.000 mulheres morrem em alguma fase do
ciclo gravídico-puerperal, o que re ete desvalori ação e desrespeito à vida, e baixa qualidade dos serviços de
saúde.
No puerpério, a mulher deve receber atendimento clínico e esclarecimentos sobre o retorno à vida sexual,
planejamento familiar, incentivo ao aleitamento materno, práticas de puericultura e direitos previstos em lei para
as mães que trabalham ou contribuem com a Previdência Social.
Embora recente, a utilização de estratégias voltadas para a assistência no puerpério devem ser rotineira-
mente implementadas, pois neste período há uma concentração de morbimortalidade para a mãe, expressa em
distúrbios psíquicos, infecção vaginal, mastite e doenças circulatórias obstrutivas, entre outros sintomas.
A , visando promover uma vida digna nesta faixa etária, pas-
sou a ser uma necessidade devido ao aumento da expectativa de vida da população brasileira como um todo
- para 75 anos de idade, em média.
Esta fase do ciclo vital feminino indica que a mulher passou da fase reprodutiva, o que não significa o fim
de sua sexualidade. É um período de transformações e ocorre entre os 40 e 65 anos. O climatério inicia-se
gradualmente e está associado a uma série de alterações em decorrência da perda de atividade dos ovários,
causando mudanças metabólicas (modificações das lipoproteínas), hormonais (queda progressiva dos níveis
de estrogênio), genitais (ressecamento da mucosa vaginal) e psicológicas (depressão), por exemplo.
Normalmente, não se faz necessário qualquer tratamento para a menopausa, mas sim acompanhamento às
situações que possam oferecer algum risco à mulher ou impliquem perda de sua autonomia e/ou comprometi-
mento de sua integridade física (como a predisposição à osteoporose) e emocional (baixa autoestima, receio
de “não ser mais mulher como era antes”).
Como o , é importante ressaltar a atenção que deve ser dada às
questões reprodutivas pelo menos até um ano após a menopausa - pois uma gestação nessa fase se caracte-
rizaria em risco de vida tanto para a gestante como para o concepto.
Nesta faixa etária deve-se atentar para o aumento da ocorrência de DST/Aids. Por não mais se preocupar
com a hipótese de uma possível gravide , a mulher sente-se mais livre para os relacionamentos sexuais, fican-
do exposta a adquirir uma DST/Aids caso não adote comportamento seguro. Outro aspecto é o fato de a mulher
viver um relacionamento duradouro e estável, o que a faz acreditar que não corre o risco de adoecer. Orientá-la
nesta fase é sempre um desafio, pois suas opiniões já estão formadas, sendo mais difícil mudá-las
A tornou-se uma necessidade devido ao aumento, tanto
nos espaços urbanos como nos rurais, da violência contra homens, mulheres e crianças.
82
A , mas há muitas barreiras para enfrentar tal proble-
ma, cujas causas residem principalmente nas condições de desigualdade social e falta dos recursos necessá-
rios para reduzir as desigualdades, e de investimentos na segurança propriamente dita.
Dentre todas as formas, , tanto física quanto sexual, vem se destacando. Mui-
tas vezes, ocorre dentro de sua própria casa, realizada por alguém conhecido (pai, marido, irmão, namorado,
etc.).
Ao ser procurado por uma mulher que sofreu violência, o úde deve estar capacitado nos
programas especiais de atenção, para garantir que o a uso por ela sofrido gere o mínimo de medo, culpa e
baixa autoestima, seja nos aspectos físicos seja nos psicológicos. Além disso, o serviço de acompanhamento
ginecológico e obstétrico das unidades de saúde deve estar estruturado para realizar as condutas e os enca-
minhamentos necessários.
Durante o , é importante que os envolvidos sejam sensíveis às di-
ficuldades que a mulher apresenta para relatar o acontecido, havendo inclusive recusa em ser assistida por
profissionais do sexo masculino
Cabe neste momento reforçamos a necessidade de que seja prestado um atendimento humanizado, valo-
rizando as questões subjetivas expressas pela mulher (sentimentos, medo, dúvidas, incertezas), procurando
proporcionar-lhe algum conforto para que possa sentir-se menos constrangida diante de toda a situação em
que está envolvida.
- Prevenção das DST mais comuns: procurando garantir que a mulher não adquira algumas destas doen-
ças, geralmente prescreve-se antibióticos de amplo espectro;
- Prevenção da hepatite B: deve ser oferecida vacinação contra a hepatite B, além da gamaglobulina hipe-
rimune contra a hepatite B (HBIg);
- Prevenção da infecção pelo HIV: o médico deve prescrever os medicamentos antirretrovirais, desde que
tomados num período curto (de 24 a 36 horas) após a exposição;
- Contracepção de emergência: recurso utilizado para evitar a ocorrência de uma gestação totalmente in-
desejada, decorrente de um ato de violência sexual. São prescritos hormônios num prazo de até 72 horas após
o ocorrido, para impedir a implantação, no endométrio, de um possível óvulo fecundado;
- Alívio da dor e tratamento das lesões: são indicados cremes ou pomadas para auxiliar na cicatrização
das lesões, e cuidados para que a cliente se sinta menos desconfortável após a agressão. Às vezes, faz-se
preciso realizar sutura do períneo ou vulva, em decorrência da violência do ato sexual;
- Apoio laboratorial: é necessário que a vítima de violência sexual seja acompanhada para avaliação
tanto das repercussões do ato sexual em seu corpo como da eficácia do tratamento instituído Periodicamente,
devem ser reali adas pesquisas do vírus da hepatite B e do HIV, e sorologia para sífilis
- Exame de corpo delito: reali ado por profissionais de saúde e por peritos policias, com coleta de sêmen
e de outros materiais biológicos ou não, como cabelo, tecido de roupa e outros vestígios que possam viabilizar
a identificação do agressor, quando este for desconhecido, constituindo-se em provas do crime
Apesar de todas as condutas implementadas, se a mulher vier a desenvolver alguma doença decorrente do
ato sexual deve ter a garantia de que receberá tratamento.
83
Questão fundamental é a gravidez indesejada decorrente de violência sexual. Este é um dos poucos casos
em que a lei permite a interrupção da gravidez, mas é aconselhável que a mulher faça este procedimento com,
no máximo, até 20 semanas de gestação; após este prazo pode vir a ter sérias complicações. Caso decida
prosseguir com a gestação, a mulher deve ser encaminhada à assistência pré-natal. Se não quiser assumir a
maternidade da criança, deve ser orientada quanto aos mecanismos disponíveis para o processo de adoção.
Direitos reprodutivos
- Direito das pessoas de decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos
desejam ter e em que momento de suas vidas.
- Direito a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos
- Direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência.
Direitos sexuais
- Direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e imposições e com
respeito pleno pelo corpo do(a) parceiro(a).
- Direito de escolher o(a) parceiro(a) sexual.
- Direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças.
- Direito de viver a sexualidade independentemente de estado civil, idade ou condição física.
- Direito de escolher se quer ou não quer ter relação sexual.
- Direito de expressar livremente sua orientação sexual: heterossexualidade, homossexualidade, bissexua-
lidade, entre outras.
- Direito de ter relação sexual independente da reprodução.
- Direito ao sexo seguro para prevenção da gravidez indesejada e de DST/HIV/AIDS.
- Direito a serviços de saúde que garantam privacidade, sigilo e atendimento de qualidade e sem discrimi-
nação.
- Direito à informação e à educação sexual e reprodutiva.
Planejamento Familiar
É um conjunto de ações em que são oferecidos todos os recursos, tanto para auxiliar a ter filhos, ou seja, re-
cursos para a concepção, quanto para prevenir uma gravidez indesejada, ou seja, recursos para a anticoncep-
ção Esses recursos devem ser cientificamente aceitos e não colocar em risco a vida e a saúde das pessoas,
com garantia da liberdade de escolha.
O planejamento familiar é um direito sexual e reprodutivo e assegura a livre decisão da pessoa sobre ter
ou não ter filhos ão pode haver imposição sobre o uso de métodos anticoncepcionais ou sobre o número de
filhos
O planejamento familiar é um direito das pessoas assegurado na Constituição Federal e na Lei n° 9.263, de
12 de janeiro de 1996, que regulamenta o planejamento familiar, e deve ser garantido pelo governo.
15
84
Adolescentes e jovens têm direito a ter atendimento sem discriminação de qualquer tipo, com garantia de
privacidade e segredo.
São maneiras, medicamentos, objetos e cirurgias usados pelas pessoas para evitar a gravidez.
Existem métodos femininos e masculinos. Existem métodos considerados reversíveis, que são aqueles em
que a pessoa, após parar de usá-los, volta a ter a capacidade de engravidar. Existem métodos considerados
irreversíveis, como a ligadura de trompas uterinas e a vasectomia, porque, após utilizá-los, é muito difícil a pes-
soa recuperar a capacidade de engravidar. Por isso, para optarem pela ligadura de trompas uterinas ou pela
vasectomia como método anticoncepcional, as pessoas precisam estar seguras de que não querem mais ter
filhos
A escolha deve ser livre e informada. É importante procurar um serviço de saúde para receber informações
sobre os métodos anticoncepcionais disponíveis e para obter o método escolhido.
Estar bem informado é fundamental para se fazer a melhor escolha.
Não existe um método melhor que o outro, cada um tem vantagens e desvantagens. Assim como também
não existe um método 1 efica , todos têm uma probabilidade de falha Dessa forma, um método pode ser
adequado para uma pessoa e não ser para outra, por isso a pessoa deve procurar escolher o método mais
adequado para si.
O melhor método para uma pessoa usar é aquele que a deixa confortável e que melhor se adapta ao seu
modo de vida e à sua condição de saúde.
É importante procurar um serviço de saúde antes de iniciar o uso de qualquer método anticoncepcional,
porque existem situações em que determinados métodos não devem ser usados. Além disso, é necessário
fa er acompanhamento periódico para verificar se o método está sendo usado corretamente e se houve o apa-
recimento de algum problema.
Pílulas anticoncepcionais
São feitas de hormônios parecidos com os hormônios produzidos pelos ovários da mulher, o estrogênio e a
progesterona.
São muito efica es quando usadas corretamente
Agem impedindo a ovulação Também atuam dificultando a passagem dos espermato oides para o interior
do útero.
Existem diferentes tipos de pílulas de acordo com os hormônios que elas contêm. Existem as pílulas combi-
nadas (que contêm estrogênio + progesterona) e as minipílulas (que contêm só progesterona).
A pílula deve ser tomada todos os dias, de preferência no mesmo horário.
Não há necessidade de fa er pausas para descanso, porque as pílulas não ficam acumuladas no organis-
mo.
A fertilidade da mulher, que é a capacidade de engravidar, retorna logo após ela ter parado de tomar a pílula.
uando se usa pílula, pode haver diminuição do uxo menstrual
Quando uma mulher começa a usar a pílula, seu organismo precisa de um tempo para se adaptar. Por isso,
a mulher não deve interromper o uso da pílula se ocorrerem sintomas como
Enjoos, vômitos, sangramento ou manchas de sangue entre as menstruações, falta da menstruação, au-
mento de peso, dor de cabeça leve, tonteira, dor nas mamas, mudanças de humor.
Esses efeitos não são perigosos e, na maioria das vezes, desaparecem. Se eles continuarem por mais de
três meses, a mulher deve procurar o serviço de saúde.
As pílulas combinadas podem ser usadas por mulheres de qualquer idade, a partir da primeira menstruação,
desde que não apresentem nenhuma contraindicação para o seu uso.
85
As minipílulas são os únicos tipos de pílulas que podem ser usadas durante a amamentação.
Nesse caso, o seu uso deve ser iniciado seis semanas após o parto.
A mulher deve informar o uso da pílula sempre que for a qualquer consulta, mesmo que isso não lhe seja
perguntado
As pílulas não protegem de DST/HIV/AIDS.
Injeções anticoncepcionais
São feitas de hormônios parecidos com os hormônios produzidos pelos ovários da mulher, o estrogênio e a
progesterona.
Agem impedindo a ovulação Também atuam dificultando a passagem dos espermato oides para o interior
do útero.
Existem dois tipos de injeção anticoncepcional: a injeção aplicada uma vez por mês, que é a injeção mensal,
e a injeção aplicada de três em três meses, que é a injeção trimestral.
São muito efica es quando usadas corretamente
Com a interrupção da injeção mensal, a fertilidade da mulher, que é a capacidade de engravidar, logo retor-
na.
Com a injeção trimestral, pode haver um atraso no retorno da fertilidade da mulher. Em média, o retorno da
fertilidade pode demorar quatro meses após o término do efeito da injeção.
Quando uma mulher começa a usar a injeção, seu organismo precisa de um tempo para se adaptar. A
mulher pode apresentar enjoos, vômitos, sangramento ou manchas de sangue entre as menstruações, falta
da menstruação, aumento de peso, dor de cabeça leve, tonteira, dor nas mamas, mudanças de humor. Esses
efeitos não são perigosos e, na maioria das vezes, desaparecem. Por isso, a mulher não deve interromper o
uso da injeção. Se eles continuarem por mais de três meses, a mulher deve procurar o serviço de saúde.
A injeção trimestral pode ser usada durante a amamentação. Nesse caso, seu uso deve ser iniciado seis
semanas após o parto.
Com o uso da injeção trimestral, é muito frequente a mulher ficar sem menstruar
A mulher deve informar o uso da injeção sempre que for a qualquer consulta, mesmo que isso não lhe seja
perguntado.
As injeções não protegem de DST/HIV/AIDS.
Camisinha masculina
É uma capa fina de borracha que cobre o pênis durante a relação sexual, para impedir o contato do pênis
com a vagina, com o ânus, com a boca.
As camisinhas masculina ou feminina são os únicos métodos que oferecem dupla proteção: protegem, ao
mesmo tempo, de DST/HIV/AIDS e da gravidez.
A camisinha é prática. É usada apenas na hora da relação sexual e não atrapalha o prazer sexual.
A camisinha funciona como uma barreira O esperma ejaculado pelo homem fica retido na camisinha, assim
os espermatozoides não entram no corpo da(o) parceira(o).
A camisinha masculina é efica para proteger da gravide e de DST/HIV/AIDS quando usada em todas as
relações sexuais, antes de qualquer contato do pênis com a vagina, com o ânus ou com a boca.
A maioria das camisinhas vem lubrificada
86
- Não carregar a camisinha permanentemente na carteira, no bolso da calça, na agenda, onde o calor e os
movimentos podem rasgar o envelope ou resseca-lo;
- Não abrir a embalagem com os dentes, unha ou tesoura, a embalagem já vem picotada nas laterais para
facilitar sua abertura;
- ão usar lubrificantes oleosos, como vaselina ou manteiga
- Nunca se deve usar duas camisinhas ao mesmo tempo, nem masculina com feminina, nem duas mascu-
linas, nem duas femininas, pois o risco de rompimento é maior;
- Verificar o pra o de validade e se tem o carimbo do Inmetro, que determina a qualidade da camisinha
- Antes de usar, verificar se a embalagem não está furada
Quando a camisinha rompe ou ocorre vazamento do esperma, a mulher pode tomar a pílula anticoncepcio-
nal de emergência para evitar a gravidez. Essa pílula pode ser adquirida nos serviços de saúde.
Camisinha feminina
É um tubo feito de plástico macio, fino e resistente, que já vem lubrificado e que se coloca dentro da vagina,
para impedir o contato do pênis com a vagina.
A camisinha feminina é efica para proteger da gravide e de DST/HIV/AIDS, quando usada em todas as
relações sexuais, antes de qualquer contato do pênis com a vagina.
A camisinha feminina dá maior autonomia à mulher sobre seu corpo e sua vida sexual, quando as mulheres
têm dificuldade de negociar o uso da camisinha masculina com o parceiro
Funciona como uma barreira, recebendo o esperma ejaculado pelo homem na relação sexual, impedindo a
entrada dos espermatozoides no corpo da mulher.
A camisinha feminina deve ser usada em todas as relações sexuais, mesmo durante a menstruação, antes
de qualquer contato da vagina com o pênis.
Pode ser colocada na vagina imediatamente antes da penetração ou até oito horas antes da relação sexual.
A camisinha feminina, quando é bem colocada, não incomoda nem diminui o prazer sexual.
Diafragma
É uma capa exível de borracha ou de silicone, com uma borda em forma de anel, que é colocada na vagina
para cobrir o colo do útero.
Evita a gravidez impedindo a entrada dos espermatozoides dentro do útero.
Existem diafragmas de diversos tamanhos, sendo necessária a medição por profissional de saúde para
determinar o tamanho adequado para cada mulher.
Pode ser usado com espermicida ou sem espermicida.
O diafragma deve ser colocado em todas as relações sexuais, antes de qualquer contato entre o pênis e a
vagina.
Pode ser colocado minutos ou horas antes da relação sexual.
Quando a mulher está bem orientada, a colocação do diafragma é tão simples quanto a de uma lente de
contato e não dói.
O diafragma só deve ser retirado de seis a oito horas após a última relação sexual, que é o tempo suficiente
para que os espermato oides que ficaram na vagina morram
Não deve ser usado durante a menstruação.
Imediatamente depois de retirar o diafragma, deve-se lavá-lo com água e sabão neutro, secá-lo bem com
um pano macio e guardá-lo em um estojo, em lugar seco e fresco, não exposto à luz do sol. Não se deve polvi-
lhar o diafragma com talcos, pois podem danificá-lo ou causarem irritação na vagina ou no colo do útero
87
Quando o diafragma está bem colocado, não atrapalha a relação sexual, nem é percebido pelo homem.
O diafragma não protege de DST/HIV/AIDS.
Espermicida
É uma substância química que recobre a vagina e o colo do útero, impedindo a penetração dos espermato-
zoides no útero, imobilizando-os ou destruindo-os.
Pode ser usado sozinho ou combinado com o diafragma.
O espermicida é efica por um período de uma hora após a sua aplicação
Não se recomenda o uso do espermicida para as mulheres que têm mais de um parceiro sexual ou cujos
parceiros têm outros parceiros/parceiras e não usam camisinha em todas as relações sexuais, pois, nessas
situações, existe risco maior de contrair doenças sexualmente transmissíveis.
O espermicida é colocado com um aplicador, que deve ser introduzido na vagina o mais profundo possível.
O aplicador deve ser lavado com água e sabão após cada uso.
O espermicida não protege de DST/HIV/AIDS.
Tabela
É um método que se baseia na observação de vários ciclos menstruais, para determinar o período fértil do
ciclo menstrual da mulher.
A eficácia da tabela depende de seu uso correto e da cooperação de ambos os parceiros
A eficácia será maior se o casal não tiver relação sexual com penetração vaginal no período fértil
A tabela requer disciplina, conhecimento do funcionamento do corpo e observação atenta.
A tabela é individual, cada mulher tem que fazer a sua.
88
A mulher que quiser utilizar este método deve ser orientada a marcar em um calendário, durante pelo menos
seis meses, o primeiro dia de cada menstruação, para verificar o número de dias que durou cada ciclo mens-
trual e, com esses dados, calcular o período fértil, com a ajuda de um profissional de saúde
Para evitar a gravidez, no período fértil o casal não deve ter relação sexual com penetração vaginal. E o
homem não deve ejacular próximo à entrada da vagina, como, por exemplo, na coxa, no períneo ou na virilha.
A tabela não é indicada após o parto ou durante a amamentação, ou para adolescentes e mulheres na pré-
-menopausa que estejam apresentando ciclos menstruais irregulares.
No período fértil, o casal pode namorar, trocar carícias, desde que tenha os cuidados necessários para que
não haja contato do pênis com a vagina.
Muco cervical
Este método baseia-se na determinação do período fértil pela auto-observação das mudanças do muco
cervical e da sensação de umidade na vagina ao longo do ciclo menstrual.
A eficácia do método do muco cervical depende de seu uso correto e da cooperação de ambos os parceiros
A eficácia será maior se o casal não tiver relação sexual com penetração vaginal no período fértil
Este método requer disciplina, conhecimento do funcionamento do corpo e observação atenta.
O muco cervical é uma secreção produzida no colo do útero pela ação dos hormônios femininos, que ume-
dece a vagina e, às vezes, aparece na calcinha.
Após a menstruação, algumas mulheres têm um período seco, que não tem muco. Depois, surge um muco
esbranquiçado e pegajoso, que se quebra quando esticado.
À medida que se aproxima o dia da ovulação, o muco cervical vai ficando parecido com a clara de ovo, elás-
tico, transparente e escorregadio e a vagina vai ficando mais úmida, facilitando a entrada dos espermato oides
no útero. O aparecimento desse muco é o sinal de que a mulher está no período fértil e pode engravidar.
O casal que não deseja engravidar deve evitar as relações sexuais com penetração vaginal nos dias em que
o muco cervical estiver parecido com a clara de ovo até o quarto dia após o muco haver desaparecido.
Este método não é indicado após o parto ou durante a amamentação, ou quando a mulher apresenta febre
ou corrimento vaginal.
No período fértil, o casal pode namorar, trocar carícias, desde que tenha os cuidados necessários para que
não haja contato do pênis com a vagina.
O método do muco cervical não protege de DST/HIV/AIDS.
Temperatura basal
Este método baseia-se nas alterações que os hormônios femininos provocam na temperatura do corpo ao
longo do ciclo menstrual.
Temperatura basal é a temperatura do corpo em repouso.
A eficácia do método da temperatura basal depende de seu uso correto e da cooperação de ambos os par-
ceiros A eficácia será maior se o casal não tiver relação sexual com penetração vaginal no período fértil
Antes da ovulação, a temperatura basal é um pouco mais baixa e permanece assim até a ovulação.
Quando acontece a ovulação, a temperatura sobe alguns décimos de grau e permanece assim até a che-
gada da próxima menstruação.
Para usar este método, a partir do primeiro dia da menstruação, a mulher deve medir a temperatura do cor-
po pela manhã, antes de se levantar, e depois de dormir no mínimo cinco horas. Deve anotar as temperaturas
num gráfico
O casal que não deseja engravidar deve evitar as relações sexuais com penetração vaginal no período de
quatro a cinco dias antes da data prevista da ovulação até o quarto dia da temperatura alta.
89
No período fértil, o casal pode namorar, trocar carícias, desde que tenha os cuidados necessários para que
não haja contato do pênis com a vagina.
Sintotérmico
Está baseado na combinação dos métodos da tabela, do muco cervical, da temperatura basal e na obser-
vação de sinais e sintomas que indicam o período fértil da mulher.
Os sinais e sintomas que indicam o período fértil são: dor ou aumento no abdome, sensação de peso ou de
inchaço nas mamas, mudanças no humor e no desejo sexual, aumento de peso e do apetite.
O casal que não deseja engravidar deve evitar relações sexuais com penetração vaginal nos dias férteis
determinados pela tabela, pelo muco cervical, pela elevação da temperatura basal e pelo aparecimento dos
sinais e sintomas que indicam o período fértil.
No período fértil, o casal pode namorar, trocar carícias, desde que tenha os cuidados necessários para que
não haja contato do pênis com a vagina.
Coito interrompido
No coito interrompido, o homem retira o pênis da vagina um pouco antes da ejaculação. Este método tam-
bém é conhecido como “gozar fora”.
O coito interrompido, apesar de ser muito usado, não deve ser estimulado como método anticoncepcional,
porque é grande a possibilidade de falha, pois o líquido que sai pouco antes da ejaculação pode conter esper-
matozoides.
Às vezes, o homem não consegue interromper a relação antes da ejaculação.
O coito interrompido pode gerar tensão entre o casal, pois a relação fica incompleta
90
Ligadura de trompas
É uma cirurgia simples realizada na mulher para evitar a gravidez. É um método anticoncepcional conside-
rado permanente ou irreversível, porque, depois de feita a cirurgia, é muito difícil recuperar a capacidade de ter
filhos
Nessa cirurgia, as duas trompas podem ser cortadas e amarradas, cauterizadas, ou fechadas com grampos
ou anéis. A ligadura de trompas age impedindo que os espermatozoides se encontrem com o óvulo.
Pode ser realizada por diferentes técnicas cirúrgicas. É necessário usar anestesia, que pode ser geral ou
local, e a mulher pode ficar internada, de algumas horas até um ou dois dias
A ligadura de trompas, mesmo sendo uma operação simples, tem riscos e pode apresentar problemas como
qualquer outra cirurgia.
A Lei do Planejamento Familiar só permite realizar a ligadura de trompas e a vasectomia voluntárias nas
seguintes condições:
1. Em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade, ou pelo menos com
dois filhos vivos, desde que observado o pra o mínimo de dias entre a manifestação da vontade e o ato
cirúrgico.
2. Nos casos em que há risco de vida para mulher ou riscos para a saúde da mulher ou do futuro bebê.
A Lei do Planejamento Familiar proíbe a realização da ligadura de trompas durante o período de parto ou
aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade. Esses momentos não são os mais adequados para a
realização dessa cirurgia.
A ligadura de trompas não diminui o prazer sexual da mulher.
Para escolher a ligadura de trompas como método anticoncepcional, é preciso que a mulher esteja real-
mente segura de que não deseja mais ter filhos ulheres muito jovens que reali am a ligadura de trompas têm
mais chance de se arrepender.
Vasectomia
É uma cirurgia simples, segura e rápida, que se faz em homens que não desejam mais ter filhos É um mé-
todo anticoncepcional considerado permanente ou irreversível, porque, depois de feita a cirurgia, é muito difícil
recuperar a capacidade de ter filhos
Nessa cirurgia, os canais deferentes são cortados e amarrados, cauterizados, ou fechados com grampos.
É uma cirurgia simples, que pode ser feita em ambulatório, com anestesia local e o homem não precisa ficar
internado.
A vasectomia age impedindo que os espermatozoides se encontrem com o óvulo.
A vasectomia, mesmo sendo uma operação simples, tem riscos e pode apresentar problemas como qual-
quer outra cirurgia.
Para optar pela vasectomia como método anticoncepcional, o homem precisa estar seguro de que não quer
mais ter filhos
O efeito da vasectomia não é imediato. Nas primeiras ejaculações depois da vasectomia, ainda existem
espermatozoides no esperma ejaculado, ou seja, ainda existe o risco de o homem engravidar a mulher. A va-
sectomia só será considerada segura quando o exame realizado no esperma, o espermograma, mostrar que
não existem mais espermatozoides no esperma ejaculado.
Até que o espermograma seja negativo, o homem ou a mulher devem usar algum método para evitar a
gravidez.
A vasectomia não causa nenhum problema de saúde para o homem. O homem apenas não poderá mais
engravidar uma mulher.
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A vasectomia não altera a vida sexual do homem. O desejo e a potência sexual continuam iguais ao que
eram antes da cirurgia. A única diferença é que o esperma ejaculado não contém mais espermatozoides, mas
não ocorrem alterações na quantidade e no aspecto do esperma.
A vasectomia não protege de DST/HIV/AIDS.
Usar duas camisinhas ao mesmo tempo não é dupla proteção. O uso de duas camisinhas ao mesmo tempo
aumenta o risco de rompimento da camisinha.
92
-
Amamentar é muito mais do que nutrir a criança, é um processo que envolve interação profunda entre mãe
e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções,
em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e
psíquica da mãe.
Apesar de todas as evidências científicas provando a superioridade da amamentação sobre outras formas
de alimentar a criança pequena - e apesar dos esforços de diversos organismos nacionais e internacionais - as
taxas de aleitamento materno no Brasil, em especial as de amamentação exclusiva, estão bastante aquém do
recomendado, e o profissional de saúde tem um papel fundamental na reversão desse quadro
Mas, para isso, ele precisa estar preparado, pois, por mais competente que seja quanto aos aspectos técni-
cos relacionados à lactação, o seu trabalho de promoção e apoio ao aleitamento materno não será bem-suce-
dido se ele não tiver um olhar atento, abrangente, sempre levando em consideração os aspectos emocionais,
a cultura familiar, a rede social de apoio à mulher, entre outros.
Esse olhar, necessariamente, deve reconhecer a mulher como protagonista do seu processo de amamentar,
valorizando-a, escutando-a e empoderando-a.
Portanto, cabe ao profissional de saúde identificar e compreender o processo do aleitamento materno no
contexto sociocultural e familiar e, a partir dessa compreensão, cuidar tanto da dupla mãe/bebê como da família
destes. É necessário que busque formas de interagir com a população para informá-la sobre a importância de
adotar uma prática saudável de aleitamento materno.
O profissional precisa estar preparado para prestar uma assistência efica , solidária, integral e contextuali-
ada, que respeite o saber e a história de vida de cada mulher e que a ajude a superar medos, dificuldades e
inseguranças.
Apesar de a maioria dos profissionais de saúde considerar-se favorável ao aleitamento materno, muitas
mulheres se mostram insatisfeitas com o tipo de apoio recebido. Isso pode ser devido às discrepâncias entre
percepções do que é apoio na amamentação.
As mães que estão amamentando querem suporte ativo (inclusive o emocional), bem como informações
precisas para se sentirem confiantes, mas o suporte oferecido pelos profissionais costuma ser mais passivo,
reativo Se o profissional de saúde realmente quer apoiar o aleitamento materno, precisa entender que tipo de
apoio, informação e interação as mães desejam, precisam ou esperam dele.
O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança
e constitui a mais sensível, econ mica e efica intervenção para redução da morbimortalidade infantil Permite,
ainda, um grandioso impacto na promoção da saúde integral da dupla mãe/bebê e regozijo de toda a sociedade.
Se a manutenção do aleitamento materno é vital, a introdução de alimentos seguros, acessíveis e cultural-
mente aceitos na dieta da criança, em época oportuna e de forma adequada, é de notória importância para o
desenvolvimento sustentável e equitativo de uma nação, para a promoção da alimentação saudável em conso-
nância com os direitos humanos fundamentais e para a prevenção de distúrbios nutricionais de grande impacto
em Saúde Pública.
Porém, a implementação das ações de proteção e promoção do aleitamento materno e da adequada ali-
mentação complementar dependem de esforços coletivos intersetoriais e constituem enorme desafio para o
sistema de saúde, numa perspectiva de abordagem integral e humanizada.
Na Atenção Primária à Saúde (APS) continua uma forte preocupação com a primeira semana de vida da
criança. Na APS espera-se garantir uma visita domiciliar do agente de saúde ao binômio mãe e RN no contexto
da família, para orientação de todos sobre o cuidado de ambos, bem como para ofertar as ações programadas
16 [Link]
17 [Link]
93
para a primeira semana de saúde na APS, se possível oportunizando tudo para uma mesma data: consultas
para ambos (mãe e RN), estimulando a presença do pai sempre que possível, apoio ao aleitamento materno,
imunizações, coleta de sangue para o teste do pezinho, etc.
Depois, até a criança completar 2 anos, o objetivo é um acompanhamento - realizado pela equipe de saúde
(inclusive com busca de faltosos) - cuidadoso de seu crescimento e desenvolvimento, com um olhar biopsicos-
social não só para a criança, mas também para as condições do contexto de saúde e de vida de sua mãe e
família, inclusive com as articulações intersetoriais, no território, necessárias para o projeto terapêutico de cada
criança/família.
A prioridade da atenção à criança até 2 anos, prevista na Rede Cegonha, veio se somar ao recente lança-
mento - realizado pelo governo federal - do “Brasil Carinhoso”, um conjunto de ações interministeriais envolven-
do saúde, educação, assistência social pela Primeira Infância Brasileira.
A proposta é a proteção e o fomento ao desenvolvimento integral da criança neste período crítico e sensível
da primeira infância.
Os principais objetivos da primeira visita domiciliar ao recém-nascido e à sua família são os seguintes:
- Observar as relações familiares;
- Facilitar o acesso ao serviço de saúde;
- Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias com as equipes de saúde;
- Escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da família (nascimento de um filho)
- Estimular o desenvolvimento da parentalidade;
- Orientar a família sobre os cuidados com o bebê;
- Identificar sinais de depressão puerperal
- Promover o aleitamento materno exclusivo até o 6.º mês de vida;
- Prevenir lesões não intencionais; e
- Identificar sinais de perigo à saúde da criança
(BRASIL; SO-
CIEDADE), que constitui um momento propício para estimular e auxiliar a família nas dificuldades do aleitamen-
to materno exclusivo, para orientar e reali ar imuni ações, verificar a reali ação da triagem neonatal (teste do
pezinho) e estabelecer ou reforçar a rede de apoio à família.
A primeira semana de saúde integral, preconizada pela publicação “ -
de Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil”, editada pelo Ministério da Saúde (BRASIL), lembra,
ainda, da importância da verificação da Caderneta de Saúde da Criança, da identificação de riscos e vulnerabi-
lidades ao nascer e da avaliação da saúde da puérpera.
Avalie a presença de situações de risco e vulnerabilidade à saúde do recém-nascido. Situações de vulne-
rabilidade:
- Criança residente em área de risco;
- Baixo peso ao nascer (inferior a 2.500g);
- Prematuridade (menos de 37 semanas gestacionais);
- Asfixia grave ou Apgar menor do que no º minuto;
- Internações/intercorrências;
- Mãe com menos de 18 anos de idade;
- Mãe com baixa escolaridade (menos de oito anos de estudo);
- História familiar de morte de criança com menos de 5 anos de idade.
94
- Aleitamento materno ausente ou não exclusivo, gestação gemelar, malformação congênita, mais do que
três filhos morando juntos, ausência de pré-natal, problemas familiares e socioecon micos que interfiram na
saúde da criança, problemas específicos da criança que interfiram na sua saúde, não reali ação de vacinas,
identificação de atraso no desenvolvimento (PORTO ALEGRE, ) e suspeita ou evidência de violência
95
Ajudando, assim, a aumentar sua autoconfiança para a capacidade de amamentar e envolver os familiares
e a comunidade nesse processo.
O Leite Materno
Leite materno se refere ao leite produzido pela mulher e é utilizado para alimentar seu bebê através do
aleitamento. É ele a primeira e principal fonte de nutrição dos recém-nascidos até que se tornem aptos a comer
e digerir os alimentos sólidos.
O leite materno é de fundamental importância para a saúde das crianças nos seis primeiros meses de vida,
por ser um alimento completo, fornecendo componentes para hidratação (água) e fatores de desenvolvimento e
proteção como anticorpos, leucócitos (glóbulos brancos), macrófago, laxantes, lipase, liso imas, fibronectinas,
ácidos graxos, gama-interferon, neutrófilos, fator bifidus e outros contra infecções comuns da infância, isento
de contaminação e perfeitamente adaptado ao metabolismo da criança.
Já foi demonstrado que a complementação do leite materno com água ou chás é desnecessária, inclusive
em dias secos e quentes Recém-nascidos normais nascem suficientemente hidratados para não necessitar de
líquidos, além do leite materno, apesar da pouca ingestão de colostro nos dois ou três primeiros dias de vida.
O leite humano, em virtude das suas propriedades anti-infecciosas, protege as crianças contra infecções
desde os primeiros dias de vida. Além de diminuir o número de episódios de diarreia, encurta o período da
doença quando ela ocorre e diminui o risco de desidratação. O leite humano é fonte completa de nutrientes para
o lactente amamentado exclusivamente no seio até os seis meses de vida.
A composição química do leite materno atende também às condições particulares de digestão e do metabo-
lismo neste período de vida do recém-nascido.
Vários são os fatores que podem determinar variações na composição do leite materno, como: estágio de
lactação, parto prematuro, tempo de gestação, esvaziamento da mama, hora e intervalo entre as mamadas,
grau de pressão utilizado para extrair o leite, método e horário de coleta das amostras, técnicas de análise la-
boratorial, intervalo entre as gestações e a ingestão de álcool ou drogas.
O leite humano fornece em torno de 70Kcal/100ml. Os lipídios fornecem 51% da energia total do leite, car-
boidratos 43 % e proteína 6%. Os lipídios além de fornecerem energia, também apresentam importantes papéis
fisiológicos e estruturais, além de ser o veículo para entrada das vitaminas lipossolúveis do leite Lactose é o
carboidrato predominante do leite.
A presença de lactose no leite humano auxilia a proliferação dos Lactobacillus bifidus que por inibir o cresci-
mento de microrganismos gram-negativos impede o aparecimento de infecções intestinais. O leite humano é o
que contém o menor teor de proteínas, sendo o teor maior no colostro - primeira secreção da glândula mamária
(15,8g/l).
As proteínas do leite são divididas em caseína e proteínas do soro. A maior quantidade de proteínas do leite
de vaca (82%) está na forma de caseína, enquanto que no leite humano maduro o teor de caseína não ultra-
passa 25% das proteínas totais.
A caseína é uma proteína importante como provedora de aminoácidos livres ao lactente, além de cálcio e
fósforo que são constituintes de suas micelas. Já as proteínas do soro do leite (lactoferrina, imunoglobulinas),
são essenciais para a proteção do recém-nascido.
A maioria das vitaminas está presente em quantidades adequadas no leite humano. Apesar de o leite de
vaca conter algumas vitaminas em quantidades superiores ao leite materno, o aquecimento, a exposição à luz
e ao ar inativam e destroem a maioria delas.
O teor de eletrólitos do leite de vaca é três a quatro vezes superior ao do leite materno e, associado ao alto
teor de proteínas, pode provocar uma sobrecarga renal que pode levar à retenção de sódio, hiper osmolaridade
e aumento da sensação de sede. Esta sede pode ser interpretada como fome, e mais leite é oferecido à criança.
O ferro está presente em concentrações semelhantes no leite humano e no leite de vaca, porém apresenta
melhor disponibilidade no primeiro. A lactoferrina, proteína que se liga ao ferro no leite humano, reduz a quan-
tidade de ferro livre, inibindo a multiplicação bacteriana.
96
- Energia - 70 kcal
- Proteína - 1,1 g
- Caseína: albumina - 40:60
- Lipídios - 4,2g
- Carboidrato - 7g
- Vitamina A - 190 mcg
- Vitamina D - 2,2 mcg
- Vitamina E - 0,18 mg
- Vitamina K - 1,5 mcg
- Vitamina C - 4,3 mg
- Tiamina - 16 mcg
- Ribo avina - mcg
- Niacina - 147 mcg
- Piridoxina - 10 mcg
- Folato - 5,2 mcg
- Vitamina B12 - 0,03 mcg
- Cálcio - 34 mg
- Fósforo - 14 mg
- Ferro - 0,05 mg
- Zinco - 0,3 mg
- Água - 87,1 ml
- Sódio - 0,7 mEq
- Cloro - 1,1 mEq
- Potássio - 1,3 mEq
O leite materno re ete diretamente os sabores dos alimentos ingeridos pela mãe, tais como alho, hortelã,
álcool, baunilha entre outros. A exposição a estes fatores parece ser um fator determinante na aceitação de
alimentos após o desmame, levando a criança a preferir os sabores já conhecidos.
97
- Aleitamento materno complementado - quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento
sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo essa categoria a criança
pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar.
- Aleitamento materno misto ou parcial - quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite.
Duração da Amamentação
Vários estudos sugerem que a duração da amamentação na espécie humana seja, em média, de dois a três
anos, idade em que costuma ocorrer o desmame naturalmente (KENNEDY).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclu-
sivo por seis meses e complementado até os dois anos ou mais.
Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive,
haver prejuízos à saúde da criança, pois a introdução precoce de outros alimentos está associada a:
- Maior número de episódios de diarreia;
- Maior número de hospitalizações por doença respiratória;
- Risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno,
como, por exemplo, quando os alimentos são muito diluídos;
- Menor absorção de nutrientes importantes do leite materno, como o ferro e o zinco;
- enor eficácia da lactação como método anticoncepcional
- Menor duração do aleitamento materno.
No segundo ano de vida, o leite materno continua sendo importante fonte de nutrientes. Estima-se que dois
copos (500ml) de leite materno no segundo ano de vida fornecem 95% das necessidades de vitamina C, 45%
das de vitamina A, 38% das de proteína e 31% do total de energia. Além disso, o leite materno continua prote-
gendo contra doenças infecciosas.
Uma análise de estudos realizados em três continentes concluiu que, quando as crianças não eram ama-
mentadas no segundo ano de vida, elas tinham uma chance quase duas vezes maior de morrer por doença
infecciosa quando comparadas com crianças amamentadas. (WORLD HEALTH ORGANIZATION)
Graças aos inúmeros fatores existentes no leite materno que protegem contra infecções, ocorrem menos
mortes entre as crianças amamentadas. Estima-se que o aleitamento materno poderia evitar 13% das mortes
em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, por causas preveníveis (JONES et al.).
Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de
crianças menores de 5 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef, em torno de seis
milhões de vidas de crianças estão sendo salvas a cada ano por causa do aumento das taxas de amamentação
exclusiva.
No Brasil, em 14 municípios da Grande São Paulo, a estimativa média de impacto da amamentação sobre o
Coeficiente de ortalidade Infantil foi de 9, , com variações entre os municípios de , a1 (ESC DER
VENÂNCIO; PEREIRA)
A proteção do leite materno contra mortes infantis é maior quanto menor é a criança. Assim, a mortalidade
por doenças infecciosas é seis vezes maior em crianças menores de 2 meses não amamentadas, diminuindo
à medida que a criança cresce, porém ainda é o dobro no segundo ano de vida (WORLD HEALTH ORGANI-
ZATION). É importante ressaltar que, enquanto a proteção contra mortes por diarreia diminui com a idade, a
proteção contra mortes por infecções respiratórias se mantém constante nos primeiros dois anos de vida.
98
Em Pelotas (RS), as crianças menores de 2 meses que não recebiam leite materno tiveram uma chance
quase 25 vezes maior de morrer por diarreia e 3,3 vezes maior de morrer por doença respiratória, quando
comparadas com as crianças em aleitamento materno que não recebiam outro tipo de leite. Esses riscos foram
menores, mas ainda significativos ( , e ve es, respectivamente) para as crianças entre e 1 meses (VIC-
TORIA et al.)
A amamentação previne mais mortes entre as crianças de menor nível socioeconômico. Enquanto para
os bebês de mães com maior escolaridade o risco de morrerem no primeiro ano de vida era 3,5 vezes maior
em crianças não amamentadas, quando comparadas com as amamentadas, para as crianças de mães com
menor escolaridade, esse risco era 7,6 vezes maior (WORLD HEALTH ORGANIZATION). Mas mesmo nos
países mais desenvolvidos o aleitamento materno previne mortes infantis. Nos Estados Unidos, por exemplo,
calcula-se que o aleitamento materno poderia evitar, a cada ano, 720 mortes de crianças menores de um ano.
(CHEN; ROGAN)
Um estudo demonstrou que a amamentação na primeira hora de vida pode ser um fator de proteção contra
mortes neonatais. (EDMOND et al.)
Há fortes evidências de que o leite materno protege contra a diarreia, principalmente em crianças mais
pobres. É importante destacar que essa proteção pode diminuir quando o aleitamento materno deixa de ser ex-
clusivo. Oferecer à criança amamentada água ou chás, prática considerada inofensiva até pouco tempo atrás,
pode dobrar o risco de diarreia nos primeiros seis meses. (BROWN et al.; POPKIN et al.)
Além de evitar a diarreia, a amamentação também exerce in uência na gravidade dessa doença Crianças
não amamentadas têm um risco três vezes maior de desidratarem e de morrerem por diarreia quando compa-
radas com as amamentadas. (VICTORIA et al.)
A proteção do leite materno contra infecções respiratórias foi demonstrada em vários estudos realizados em
diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Assim como ocorre com a diarreia, a proteção é maior quando
a amamentação é exclusiva nos primeiros seis meses. Além disso, a amamentação diminui a gravidade dos
episódios de infecção respiratória.
Em Pelotas (RS), a chance de uma criança não amamentada internar por pneumonia nos primeiros três me-
ses foi 61 vezes maior do que em crianças amamentadas exclusivamente (CESAR et al.). Já o risco de hospi-
talização por bronquiolite foi sete vezes maior em crianças amamentadas por menos de um mês. (ALBERNAZ;
MENEZES; CESAR)
O aleitamento materno também previne otites. (TEELE; KLEIN; ROSNER)
Estudos mostram que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à
proteína do leite de vaca, de dermatite atópica e de outros tipos de alergias, incluindo asma e sibilos recorrentes
(VAN ODIJK et al.). Assim, retardar a introdução de outros alimentos na dieta da criança pode prevenir o apare-
cimento de alergias, principalmente naquelas com histórico familiar positivo para essas doenças.
A exposição a pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida parece aumentar o risco de aler-
gia ao leite de vaca. Por isso é importante evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas maternidades.
Há evidências sugerindo que o aleitamento materno apresenta benefícios em longo prazo. A OMS publicou
importante revisão sobre evidências desse efeito (HORTA et al., 2007). Essa revisão concluiu que os indivíduos
amamentados apresentaram pressões sistólica e diastólica mais baixas (-1,2mmHg e -0,5mmHg, respectiva-
mente), níveis menores de colesterol total (-0,18mmol/L) e risco 37% menor de apresentar diabetes tipo 2.
Não só o indivíduo que é amamentado adquire proteção contra diabetes, mas também a mulher que ama-
menta. Foi descrita uma redução de 15% na incidência de diabetes tipo 2 para cada ano de lactação (STUEBE
et al.). Atribui-se essa proteção a uma melhor homeostase da glicose em mulheres que amamentam.
99
A exposição precoce ao leite de vaca (antes dos quatro meses) é considerada um importante determinante
do Diabetes mellitus Tipo I, podendo aumentar o risco de seu aparecimento em 50%. Estima-se que 30% dos
casos poderiam ser prevenidos se 90% das crianças até três meses não recebessem leite de vaca. (GERS-
TEIN)
A maioria dos estudos que avaliaram a relação entre obesidade em crianças maiores de 3 anos e tipo de
alimentação no início da vida constatou menor frequência de sobrepeso/obesidade em crianças que haviam
sido amamentadas. Na revisão da OMS sobre evidências do efeito do aleitamento materno em longo prazo, os
indivíduos amamentados tiveram uma chance 22% menor de vir a apresentar sobrepeso/obesidade (DEWEY).
É possível também que haja uma relação dose/resposta com a duração do aleitamento materno, ou seja,
quanto maior o tempo em que o indivíduo foi amamentado, menor será a chance de ele vir a apresentar
sobrepeso/obesidade.
Entre os possíveis mecanismos implicados a essa proteção, encontram-se um melhor desenvolvimento da
auto regulação de ingestão de alimentos das crianças amamentadas e a composição única do leite materno
participando no processo de “programação metabólica”, alterando, por exemplo, o número e/ou tamanho das
células gordurosas ou induzindo o fenômeno de diferenciação metabólica.
Foi constatado que o leite de vaca altera a taxa metabólica durante o sono de crianças amamentadas, po-
dendo esse fato estar associado com a “programação metabólica” e o desenvolvimento de obesidade. (HAIS-
MA et al., 2005)
Por ser da mesma espécie, o leite materno contém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o
desenvolvimento ótimos da criança pequena, além de ser mais bem digerido, quando comparado com leites de
outras espécies.
O leite materno é capaz de suprir, sozinho, as necessidades nutricionais da criança nos primeiros seis me-
ses e continua sendo uma importante fonte de nutrientes no segundo ano de vida, especialmente de proteínas,
gorduras e vitaminas.
Há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo. A maioria dos es-
tudos conclui que as crianças amamentadas apresentam vantagem nesse aspecto, quando comparadas com
as não amamentadas, principalmente as com baixo peso de nascimento. Essa vantagem foi observada em
diferentes idades, (ANDERSON; JOHNSTONE; REMLEY) inclusive em adultos (HORTENSEN et al.).
Os mecanismos envolvidos na possível associação entre aleitamento materno e melhor desenvolvimento
cognitivo ainda não são totalmente conhecidos. Alguns defendem a presença de substâncias no leite materno
que otimizam o desenvolvimento cerebral; outros acreditam que fatores comportamentais ligados ao ato de
amamentar e à escolha do modo como alimentar a criança são os responsáveis.
O exercício que a criança faz para retirar o leite da mama é muito importante para o desenvolvimento ade-
quado de sua cavidade oral, propiciando uma melhor conformação do palato duro, o que é fundamental para o
alinhamento correto dos dentes e uma boa oclusão dentária.
Quando o palato é empurrado para cima - o que ocorre com o uso de chupetas e mamadeiras - o assoalho
da cavidade nasal se eleva, com diminuição do tamanho do espaço reservado para a passagem do ar, prejudi-
cando a respiração nasal.
Assim, o desmame precoce pode levar à ruptura do desenvolvimento motor-oral adequado, podendo pre-
judicar as funções de mastigação, deglutição, respiração e articulação dos sons da fala, ocasionar má-oclusão
dentária, respiração bucal e alteração motora-oral.
100
Já está bem estabelecida a associação entre aleitamento materno e redução na prevalência de câncer de
mama. Estima-se que o risco de contrair a doença diminua 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação
(COLLABORATIVE GROUP ON HORMONAL FACTORS IN BREAST CANCER, 2002). Essa proteção indepen-
de de idade, etnia, paridade e presença ou não de menopausa.
A amamentação é um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto (98% de
eficácia), desde que a mãe esteja amamentando exclusiva ou predominantemente e ainda não tenha mens-
truado (GRAY et al., 1990). Estudos comprovam que a ovulação nos primeiros seis meses após o parto está
relacionada com o número de mamadas; assim, as mulheres que ovulam antes do sexto mês após o parto em
geral amamentam menos vezes por dia que as demais.
ão amamentar pode significar sacrifícios para uma família com pouca renda Em , o gasto médio
mensal com a compra de leite para alimentar um bebê nos primeiros seis meses de vida no Brasil variou de
38% a 133% do salário mínimo, dependendo da marca da fórmula infantil. A esse gasto devem-se acrescentar
custos com mamadeiras, bicos e gás de cozinha, além de eventuais gastos decorrentes de doenças, que são
mais comuns em crianças não amamentadas.
Acredita-se que a amamentação traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe. Uma amamen-
tação pra erosa, os olhos nos olhos e o contato contínuo entre mãe e filho, certamente, fortalecem os laços
afetivos entre eles, oportunizando intimidade, troca de afeto e sentimentos de segurança e de proteção na
criança e de autoconfiança e de reali ação na mulher
Amamentação é uma forma muito especial de comunicação entre a mãe e o bebê e uma oportunidade de a
criança aprender muito cedo a se comunicar com afeto e confiança
O aleitamento materno pode melhorar a qualidade de vida das famílias, uma vez que as crianças ama-
mentadas adoecem menos, necessitam de menos atendimento médico, hospitalizações e medicamentos, o
que pode implicar menos faltas ao trabalho dos pais, bem como menos gastos e situações estressantes. Além
disso, quando a amamentação é bem-sucedida, mães e crianças podem estar mais felizes, com repercussão
nas relações familiares e, consequentemente, na qualidade de vida dessas famílias.
Uma alimentação saudável se inicia com o aleitamento materno (BRASIL), que isoladamente é capaz de
nutrir de modo adequado a criança nos primeiros 6 meses de vida (SOCIEDADE; MONTE; GIUGLIANI; WHO;
KRAMER; KAKUMA; DEWEY et al.; EUROPEAN). Já a partir dos 6 meses de vida, devem ser introduzidos
alimentos complementares ao aleitamento materno, por dois anos ou mais (WHO).
A situação do aleitamento materno no Brasil tem melhorado. Estudos mostram que a tendência de aumento
da prática da amamentação é progressiva e persistente, porém ainda há espaço para melhorias (SENA; SILVA;
PEREIRA).
Resultados da Pesquisa acional de Demografia e Saúde da Criança e da ulher (P DS) de serão
descritos a seguir. Tais conclusões possibilitam uma avaliação da prática de aleitamento materno no Brasil.
Embora 96% das crianças menores de 60 meses tenham sido amamentadas alguma vez, a PNDS de 2006
mostra que ainda falta muito para se alcançar, no Brasil, o padrão de aleitamento materno recomendado pelos
organismos de saúde internacionais e nacionais.
Entre as mães entrevistadas, relataram ter amamentado seus filhos na primeira hora após o parto A
prevalência de aleitamento materno exclusivo entre crianças de zero a 3 meses é ainda baixa (45%), ainda
que, discretamente, mais alta do que constatado na PNDS de 1996 (40%). Com relação à faixa etária de 4 a 6
meses, o aleitamento exclusivo caiu para 11% em 2006.
101
O aleitamento materno complementado ocorreu para 32% na faixa de zero a 3 meses e 56% entre 4 a 6 me-
ses em 2006, sendo que 23% das crianças estavam completamente desmamadas na faixa de zero a 3 meses e
33% na faixa de 4 a 6 meses. Nesta última faixa etária, 35% das crianças já consumiam “comida de sal”, o que
evidencia uma dieta inadequada para a idade (VITOLO).
A II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e no Distrito Federal, realiza-
da em 2008, constatou os seguintes indicadores: amamentação na primeira hora de vida - 67,7%; aleitamento
materno exclusivo em menores de 6 meses - 41%; mediana de aleitamento materno exclusivo - 54 dias; preva-
lência de aleitamento materno em crianças de 9 a 12 meses - 58,7%; mediana de aleitamento materno - 11,2
meses.
Os profissionais de saúde devem disponibili ar o tempo que for necessário para dar apoio à mãe e ao seu
bebê durante o início e a manutenção da amamentação (NATIONAL).
O aconselhamento comportamental e a educação para a prática de aleitamento materno são procedimentos
recomendados (NATIONAL). Eles podem ser iniciados desde a primeira consulta de pré-natal. O apoio à ama-
mentação deve ser disponibilizado independentemente do local de prestação de cuidados (NATIONAL). Além
disso, as mães devem receber informações de como buscar suporte à prática de amamentar (HASSELMANN;
WERNECK; SILVA).
A frequência e a duração ilimitada (livre demanda) das mamadas devem ser incentivadas (NATIONAL; HAS-
SELMANN; WERNECK; SILVA). A mãe deve ser orientada sobre os sinais que indicam que o bebê está pronto
para mamar (movimento dos olhos, da cabeça, sinais de procura com a língua para fora, agitação dos braços,
mãos na boca, etc.), não sendo necessário esperar o choro do bebê.
Os profissionais devem conversar sobre a experiência de amamentar e identificar as dificuldades da ama-
mentação. A depressão materna pós-parto é fator de risco para desmame precoce (VIEIRA et al., 2006), o que
reforça a importância de o profissional de saúde atento para os sinais de depressão puerperal
Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na
mama. É o que se chama de amamentação em livre demanda.
Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com frequência e sem horários regulares. Em geral,
um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de oito a 12 vezes ao dia. Muitas mães, principalmente as
que estão inseguras e as com baixa autoestima, costumam interpretar esse comportamento normal como sinal
de fome do bebê, leite fraco ou pouco leite, o que pode resultar na introdução precoce e desnecessária de su-
plementos.
O tempo de permanência na mama em cada mamada não deve ser fixado, haja vista que o tempo necessá-
rio para esvaziar uma mama varia para cada dupla mãe/bebê e, numa mesma dupla, pode variar dependendo
da fome da criança, do intervalo transcorrido desde a última mamada e do volume de leite armazenado na
mama, entre outros.
O mais importante é que a mãe dê tempo suficiente à criança para ela esva iar adequadamente a mama
Dessa maneira, a criança recebe o leite do final da mamada, que é mais calórico, promovendo a sua sacieda-
de e, consequentemente, maior espaçamento entre as mamadas. O esvaziamento das mamas é importante,
também, para o ganho adequado de peso do bebê e para a manutenção da produção de leite suficiente para
atender às suas demandas.
Muitas mulheres se preocupam com o aspecto de seu leite. Acham que, por ser transparente em algumas
ocasiões, o leite é fraco e não sustenta a criança. Por isso, é importante que as mulheres saibam que a cor do
leite varia ao longo de uma mamada e também com a dieta da mãe.
O leite do início da mamada, o chamado leite anterior, pelo seu alto teor de água, tem aspecto semelhan-
te ao da água de coco, porém, ele é muito rico em anticorpos; já o leite do meio da mamada tende a ter uma
coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína o do final - chamado leite posterior
- é mais amarelado devido à presença de betacaroteno, pigmento lipossolúvel presente na cenoura, abóbora e
vegetais de cor laranja, provenientes da dieta da mãe. O leite pode ter aspecto azulado ou esverdeado quando
a mãe ingere grande quantidade de vegetais verdes.
102
Não é rara a presença de sangue no leite, dando a ele uma cor amarronzada. Esse fenômeno é passageiro
e costuma ocorrer nas primeiras 48 horas após o parto. É mais comum em primíparas adolescentes e mulheres
com mais de 35 anos e deve-se ao rompimento de capilares provocado pelo aumento súbito da pressão dentro
dos alvéolos mamários na fase inicial da lactação. Nesses casos, a amamentação pode ser mantida, desde que
o sangue não provoque náuseas ou vômitos na criança.
A criança que é alimentada somente com leite materno até os 6 meses de vida apresenta menor morbida-
de Além disso, maiores são os efeitos benéficos à sua saúde (HASSEL A ER EC SILVA) Existem
evidências de que não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos 6 meses (salvo em
alguns casos individuais), o que pode, inclusive, trazer prejuízos à saúde da criança (GARTNER et al.).
103
- Redução de hospitalizações: o aleitamento materno reduz o risco de hospitalização por vírus sincicial res-
piratório (VSR) (FACULTY). O já referido estudo realizado em Pelotas (RS) mostrou risco sete vezes maior de
hospitalização por bronquiolite de crianças amamentadas por menos de um mês. O estudo também salienta
que as crianças não amamentadas nos primeiros 3 meses de vida tiveram chance 61 vezes maior de hospitali-
zação por pneumonia do que as crianças amamentadas exclusivamente (GARTNER et al.).
- Redução de alergias:
- O aleitamento materno exclusivo reduz o risco de asma e de sibilos recorrentes;
- O aleitamento materno protege contra o desenvolvimento de dermatite atópica;
- A exposição a pequenas doses de leite de vaca durante os primeiros dias de vida parece aumentar o risco
de alergia ao leite de vaca, mas não afeta a incidência de doenças atópicas no futuro;
- Os efeitos benéficos do aleitamento materno observados em todas as crianças são particularmente evi-
dentes em crianças com história familiar de doenças atópicas.
- Redução da obesidade.
- Diminuição do risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes (U.S. PREVENTIVE).
- Melhor nutrição (idem).
- Efeito positivo no desenvolvimento intelectual (ibidem).
- Melhor desenvolvimento da cavidade bucal (U.S. PREVENTIVE).
- O início precoce do aleitamento materno sem restrições diminui a perda de peso inicial do recém-nascido
(GARTNER et al.), favorece a recuperação mais rápida do peso de nascimento, promove uma “descida do lei-
te” mais rápida, aumenta a duração do aleitamento materno, estabiliza os níveis de glicose do recém-nascido
(GARTNER et al.), diminui a incidência de hiperbilirrubinemia e previne ingurgitamento mamário.
- Involução uterina mais rápida e redução na hemorragia uterina pós-parto, devido à liberação de ocitocina
(SCOTTISH).
- Perda mais rápida do peso acumulado na gestação.
- Auxílio no aumento do intervalo entre as gestações (PINTO).
- Maior interação mãe-bebê (DRANE, 1997).
- Benefício relativo aos aspectos econômicos, uma vez que o leite materno não tem custos (WHO).
- Praticidade, pois o leite materno está sempre pronto para ser consumido.
- Diminuição do risco de câncer de mama e ovário (SCOTTISH).
São poucas as situações em que pode haver indicação médica para a substituição parcial ou total do leite
materno. Nas seguintes situações, o aleitamento materno não deve ser recomendado:
- Mães infectadas pelo HIV.
- Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2 (vírus linfotrópico humano de linfócitos T).
- Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação. Alguns fármacos são citados como contraindi-
cações absolutas ou relativas ao aleitamento, como, por exemplo, os antineoplásicos e radiofármacos.
- Criança portadora de galactosemia, doença do xarope de bordo e fenilcetonúria.
Já nas seguintes situações maternas, recomenda-se a interrupção temporária da amamentação:
- Infecção herpética, quando há vesículas localizadas na pele da mama. A amamentação deve ser mantida
na mama sadia.
104
- Varicela: se a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto,
recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões adquiram a forma de crosta. A criança deve receber imu-
noglobulina humana antivaricela zoster (Ighavz), que deve ser administrada em até 96 horas do nascimento,
devendo ser aplicada o mais precocemente possível.
- Doença de Chagas na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente.
- Abscesso mamário, até que ele tenha sido drenado e a antibioticoterapia iniciada. A amamentação deve
ser mantida na mama sadia.
- Consumo de drogas de abuso: recomenda-se a interrupção temporária do aleitamento materno, com
ordenha do leite, que deve ser desprezado. O tempo recomendado de interrupção da amamentação varia de-
pendendo da droga.
Nas seguintes condições maternas, o aleitamento materno não deve ser contraindicado:
- Tuberculose: recomenda-se que as mães não tratadas ou ainda bacilíferas (nas duas primeiras semanas
após o início do tratamento) amamentem com o uso de máscaras e restrinjam o contato próximo com a criança
por causa da transmissão potencial por meio das gotículas do trato respiratório. Neste caso, o recém-nascido
deve receber isoniazida na dose de 10mg/kg/dia por três meses. Após tal período, deve-se fazer teste tubercu-
línico (PPD):
Se o teste for reator, a doença deve ser pesquisada, especialmente, em relação ao acometimento pulmo-
nar. Se a criança tiver contraído a doença, a terapêutica deve ser reavaliada. Caso a criança não a tenha con-
traído, deve-se manter a dosagem de isoniazida por mais três meses;
Se o teste tuberculínico for não reator, pode-se suspender a medicação e a criança deve receber a vacina
BCG.
- Hanseníase: por se tratar de doença cuja transmissão depende de contato prolongado da criança com a
mãe sem tratamento e considerando-se que a primeira dose de rifampicina é suficiente para que a mãe não
seja mais bacilífera, deve-se manter a amamentação e iniciar o tratamento da mãe.
- Hepatite B: a vacina e a administração de imunoglobulina específica (HBIG) após o nascimento pratica-
mente eliminam qualquer risco teórico de transmissão da doença via leite materno.
- Hepatite C: a prevenção de fissuras mamilares em lactantes HCV positivas é importante, uma ve que não
se sabe se o contato da criança com o sangue materno favorece a transmissão da doença.
- Consumo de cigarros: acredita-se que os benefícios do leite materno para a criança superem os possíveis
malefícios da exposição à nicotina via leite materno. Por isso, o cigarro não é uma contraindicação à amamen-
tação. Para minimizar os efeitos do cigarro para as crianças, as mulheres que não conseguirem parar de fumar
devem ser orientadas a reduzir ao máximo possível o número de cigarros. Se não for possível a cessação do
tabagismo, elas devem procurar fumar após as mamadas. Além disso, devem ser orientadas a não fumarem no
mesmo ambiente onde está a criança.
- Consumo de álcool: assim como para o fumo, deve-se desestimular a ingestão de álcool para as mulheres
que estão amamentando. No entanto, é considerado compatível com a amamentação um consumo eventual
moderado de álcool (0,5g de álcool por quilo de peso da mãe por dia, o que corresponde a aproximadamente
um cálice de vinho ou duas latas de cerveja).
“Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimen-
to”.
Dica ao profissional e à equipe: Rever se as orientações sobre aleitamento materno exclusivo são forneci-
das desde o acompanhamento pré-natal até a época da alimentação complementar.
“A partir dos seis meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite
materno até os dois anos de idade ou mais”.
105
Dica ao profissional e à equipe: Antes de dar a orientação deste passo, perguntar à mãe ou ao cuidador
como ela (ele) imagina ser a alimentação correta da criança e, a seguir, convidem-na(o) a complementar seus
conhecimentos, de forma elogiosa e incentivadora.
“Após seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, fru-
tas, legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmama-
da”.
Dica ao profissional e à equipe: Sugerir receitas de papas, tentando dar a ideia de proporcionalidade, de
forma prática e com linguagem simples.
“A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da famí-
lia, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança”.
Dica ao profissional e à equipe: ma visita domiciliar pode ser uma estratégia interessante para aumentar o
vínculo e orientar toda a família sobre alimentação saudável.
“A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar
com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação
da família”.
Dica ao profissional e à equipe: Organi ar, em parceria com a comunidade, oficinas de preparação de ali-
mentos seguros e/ou cozinhas comunitárias. Convidar famílias com crianças sob risco nutricional.
“Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação
colorida”.
Dica ao profissional e à equipe: Conversar sobre a estimulação dos sentidos, enfocando que a alimentação
deve ser um momento de troca afetuosa entre a criança e sua família.
“Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições”.
Dica ao profissional e à equipe: Pedir à mãe que faça uma lista das hortaliças mais utili adas Depois, au-
mentar essa lista acrescentando outras opções não lembradas, destacando alimentos regionais e típicos da
estação.
“Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos
primeiros anos de vida. Usar sal com moderação”.
Dica ao profissional e à equipe: Articular com a comunidade e outros setores uma campanha sobre alimen-
tação saudável.
“Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos: garantir o seu armazenamento e con-
servação adequados”.
Dica ao profissional e à equipe: Reali ar grupo com pais, avós e/ou crianças sobre cuidados de higiene
geral, alimentar e bucal.
“Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual
e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação”.
Dica ao profissional e à equipe: Avaliar em equipe como está a acessibilidade da criança doente ao serviço
de saúde.
106
A história de vida e o contexto de gestação trazidos pela mulher durante a gravidez devem ser acolhidos
integralmente a partir do seu relato e da fala de seu parceiro. Tal contexto implica mudanças nas relações es-
tabelecidas entre a mulher e a família, o pai e a criança.
Além disso, gera mudanças na relação da gestante consigo mesma, no modo como ela entende seu auto-
cuidado, bem como modificações em como ela percebe as mudanças corporais, o que interfere muitas ve es
no processo de amamentação.
Vantagens da Amamentação
- É um alimento completo, não necessita de nenhum acréscimo até os seis meses de idade;
- Facilita a eliminação de mecônio e diminui a incidência de icterícia;
- Protege contra infecções;
- Aumenta o vínculo afetivo;
- Diminui as chances de desenvolvimento de alergias.
O sucesso do aleitamento materno está relacionado ao adequado conhecimento quanto à posição da mãe
e do bebê e à pega da região mamilo areolar.
É importante respeitar a escolha da mulher, pois ela deverá se sentir confortável e relaxada.
A amamentação pode acontecer nas posições sentada, deitada ou em pé. O posicionamento da criança
deve ser orientado no sentido de garantir o alinhamento do corpo, de forma a manter a barriga da criança junto
ao corpo da mãe para, assim, facilitar a coordenação da respiração, da sucção e da deglutição.
107
Pega
A pega correta acontece quando o posicionamento é adequado e permite que a criança abra a boca de
forma a conseguir abocanhar quase toda, ou toda, a região mamilo areolar. Deste modo, é possível garantir a
retirada adequada de leite do peito, capaz de proporcionar conforto para a mulher e o adequado crescimento
e desenvolvimento da criança.
Atenção no Puerpério
108
A pega incorreta da região mamilo-areolar fa com que a criança não consiga retirar leite suficiente, acarre-
tando a agitação e o choro A pega errada, só no mamilo, provoca dor e fissuras, o que fa a mãe ficar tensa,
ansiosa e perder a autoconfiança, pois começa a acreditar que o seu leite seja insuficiente e/ou fraco
Habitualmente, as fissuras ocorrem quando a amamentação é praticada com o bebê posicionado de forma
errada ou quando a pega está incorreta. Os hábitos de manter as mamas secas, não usar sabonetes, cremes
ou pomadas também ajudam na prevenção Recomenda-se tratar as fissuras com o leite materno do fim das
mamadas, com o banho de sol e a correção da posição e da pega.
Acontecem, habitualmente, na maioria das mulheres, do terceiro ao quinto dia após o parto. As mamas
ingurgitadas são dolorosas, edemaciadas (com pele brilhante) e, às vezes, avermelhadas. Nestas situações, a
mulher também pode apresentar febre.
Para evitar ingurgitamento, a pega e a posição para a amamentação devem estar adequadas e, quando
houver produção de leite superior à demanda, as mamas devem ser ordenhadas manualmente. Sempre que a
mama estiver ingurgitada, a expressão manual do leite deve ser reali ada para facilitar a pega e evitar fissuras
O ingurgitamento mamário é transitório e desaparece entre 24 e 48 horas.
É um processo in amatório ou infeccioso que pode ocorrer na mama lactante habitualmente a partir da
segunda semana após o parto. Geralmente, é unilateral e pode ser consequente a um ingurgitamento indevi-
damente tratado. Tal situação exige avaliação médica para o estabelecimento do tratamento medicamentoso
apropriado. A amamentação na mama afetada deve ser mantida sempre que possível. De igual forma, quando
necessário, a pega e a posição devem ser corrigidas.
É no pré-natal que o aprendizado da ordenha manual deve ser iniciado. Para que haja retirada satisfatória
de leite do peito, é preciso começar com massagens circulares com as polpas dos dedos indicador e médio na
região mamilo-areolar, progredindo até as áreas mais afastadas e se intensificando nos pontos mais dolorosos
Para a retirada do leite, é importante garantir o posicionamento dos dedos indicador e polegar no limite da re-
gião areolar, seguido por leve compressão do peito em direção ao tórax, ao mesmo tempo em que a compres-
são da região areolar deve ser feita com a polpa dos dedos.
São raras as situações, tanto maternas quanto neonatais, que contraindicam a amamentação. Entre as ma-
ternas, encontram-se as mulheres com câncer de mama que foram tratadas ou estão em tratamento, mulheres
HIV+ ou HTLV+, mulheres com distúrbios graves da consciência ou do comportamento.
As causas neonatais que podem contraindicar a amamentação são, na maioria, transitórias e incluem alte-
rações da consciência de qualquer natureza e prematuridade.
São poucas as medicações que contraindicam a amamentação. Nenhuma medicação deve ser utilizada,
sem orientação médica, pela puérpera que está amamentando. Na eventualidade de que a medicação utilizada
seja classificada como de uso criterioso ou contraindicada durante a amamentação, o procedimento de escolha
é optar por outras alternativas terapêuticas e não suspender o aleitamento.
- O risco de transmissão do HIV pelo leite materno é elevado (entre 7% a 22%) e renova-se a cada exposi-
ção (mamada). A transmissão ocorre tanto pelas mães sintomáticas quanto pelas assintomáticas.
- O risco de transmissão do HTLV1 e do HTLV2 (vírus linfotrópico humano de células T) pela amamentação
é variável e bastante alto, sendo mais preocupante pelo HTLV1. Há referências que apontam para risco de 13%
a 22%. Quanto mais a criança mama, maior será a chance de ela ser infectada.
109
As gestantes HIV+ e HTLV+ deverão ser orientadas a não amamentar. Quando, por falta de informação, o
aleitamento materno tiver sido iniciado, torna-se necessário orientar a mãe a suspender a amamentação o mais
rapidamente possível, mesmo para mulheres em uso de terapia antirretroviral.
Após o parto, a lactação deverá ser inibida mecanicamente (enfaixamento das mamas ou uso de sutiã
apertado) e recomenda-se o uso da cabergolina como inibidor de lactação, respeitando-se as suas contrain-
dicações. A amamentação cruzada (aleitamento da criança por outra nutriz) está formalmente contraindicada.
A criança deverá ser alimentada com fórmula infantil durante os seis primeiros meses de vida, além de ne-
cessitar, posteriormente, da introdução de outros alimentos, conforme orientação do “Guia Prático de Preparo
” (BRASIL, 2004f).
O artigo 396 da Consolidação das Leis do Trabalho assegura à mãe o direito a 2 (dois) descansos especiais,
de meia hora cada um, durante a jornada de trabalho, para a amamentação de seu filho, até que complete
(seis) meses de idade.
Caso o bebê necessite de um prolongamento do referido cuidado, o médico fornecerá atestado para que os
repousos para a amamentação durante a jornada de trabalho sejam prorrogados, fixando inclusive o respectivo
período.
A lei também garante que a amamentação do bebê seja em local apropriado dentro da empresa (artigo 400
da Consolidação das Leis do Trabalho).
110
tili ar ferramentas de triagem para identificar precocemente pos-
síveis atrasos no desenvolvimento e encaminhar para avaliação e intervenção especializada, se necessário.
Assegurar que a criança receba todas as vacinas recomendadas de acordo com o calendário
vacinal para prevenção de doenças infecciosas.
Identificar sinais precoces de problemas de saúde, como deficiências
nutricionais, problemas de visão ou audição, e encaminhar para avaliação e tratamento adequados.
: Oferecer suporte emocional e educacional aos pais, fornecendo informações e recursos
para ajudá-los a promover o bem-estar e o desenvolvimento saudável de seus filhos
Os cuidados de enfermagem em puericultura são essenciais para garantir que as crianças alcancem todo
o seu potencial de crescimento e desenvolvimento, além de promover a saúde e prevenir doenças ao longo de
suas vidas.
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
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– Preservar a vida.
– Restringir os efeitos da lesão.
– Promover a recuperação da vítima.
Urgência: é necessário ser feito com rapidez. O agravo à saúde não apresenta risco de vida evidente. O
atendimento pode aguardar até 24 horas.
111
Emergência: é inesperada e requer ação rápida. O atendimento precisa ser imediato.
Todo cidadão é obrigado a prestar auxílio a quem esteja necessitando, tendo três formas para fazê-lo: aten-
der, auxiliar quem esteja atendendo ou solicitar auxílio.
Exceções da lei (em relação a atender e/ou auxiliar): menores de 16 anos, maiores de 65, gestantes a partir
do terceiro mês, deficientes visuais, mentais e físicos (incapacitados)
Art. 135 -
Parágrafo único: A pena é aumentada de metade, se a omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplica, se resulta em morte.
Em resumo: O artigo 1 do Código Penal Brasileiro é bem claro, onde ele afirma que deixar de prestar
socorro à vítima de acidentes ou pessoas em perigo eminente, podendo fazê-lo é crime.
Esta é a primeira etapa básica na prestação de primeiros socorros. Ao chegar no local de um acidente, ou
onde se encontra um acidentado, deve-se assumir o controle da situação e proceder a uma rápida e segura
avaliação da ocorrência.
Analise o ambiente em que se encontra a vítima, a fim de minimi ar os riscos tanto para o acidentado
como para o socorrista (fios elétricos, animais, tráfego, entre outros)
– Caso necessite parar ou desviar o trânsito, procure pessoas capazes de fazê-lo;
– Se necessário, remova a vítima para um local adequado;
– Atue sempre com o intuito de acalmar a pessoa, e sem movimentá-la com gestos bruscos;
Converse com a vítima, pois, se ela responder, significa que não existe problema respiratório grave Caso
ela não consiga se comunicar adequadamente, verifique se está respirando Em caso negativo, você deve agir
rápido: proteja a sua mão, abra a boca da vítima e verifique se há algo atrapalhando a respiração, como próte-
se dentária ou vômito; remova imediatamente. Se necessário, faça a respiração boca-a-boca e a reanimação
cardiopulmonar (RCP);
– Se a vítima estiver vomitando, coloque-a na posição lateral de segurança (com a cabeça voltada para o
lado, a fim de evitar engasgos)
1. Manter a calma.
2. Ter em mente a seguinte ordem quando prestar socorro: eu (o socorrista) — minha equipe vítima.
112
4. Conservar o bom senso.
6. Distribuir tarefas.
8. Havendo muitas vítimas, dar preferência àquelas com maior risco de vida (sofrendo de parada cardiorres-
piratória ou sangramento excessivo, por exemplo).
– Mantenha a calma;
– Procure o auxílio de outras pessoas, caso seja necessário, e peça que chamem um médico;
– Ligue para emergência em sua cidade;
antenha os curiosos à distância, pois assim o socorrista terá espaço suficiente para trabalhar
– Faça o exame primário para a avaliação completa do estado da vítima. Mas atenção: o exame secundá-
rio, que visa descobrir quais foram as lesões sofridas, só pode ser feito se a vítima se encontrar em condições
estáveis.
São os sinais das funções orgânicas básicas, sinais clínicos de vida que re etem o equilíbrio ou o desequi-
líbrio resultante das interações entre os sistemas do organismo e uma determinada doença.
Pulso
113
O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos levemente sobre
o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar.
É importante perguntar à vítima sua pressão arterial e passar essa informação ao profissional que for prestar
o socorro especializado.
Frequência Respiratória
114
Aumento da temperatura – hipertermia ou Febre:
– Doenças infecciosas, trauma, ansiedade.
– Em crianças pode provocar convulsão
Diminuição da temperatura – hipotermia:
– Exposição ao frio, estado de choque
– Hipovolêmico
Os sinais de apoio18 são emitidos em função do estado de funcionamento dos órgãos vitais, podendo haver
alterações em casos de hemorragia, parada cardíaca, entre outros.
Tanto a dilatação quanto a reatividade das pupilas são sinais de apoio muito importantes. Uma pupila to-
talmente dilatada indica que o cérebro não está recebendo oxigênio, o que pode ocasionar danos cerebrais
graves.
115
Olhar a cor e a umidade da pele (da face) e das extremidades dos membros, local onde as alterações se
manifestam primeiro.
Quando nos deparamos com uma pessoa acidentada, ela pode estar em estado de consciência plena,
quando é capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico.
A falta de sensibilidade no corpo é um sinal de apoio que pode nos fornece várias informações.
A classificação de risco tem como finalidade identificar a prioridade clínica com que o paciente deve ser
atendido e o respectivo tempo alvo recomendado até a observação médica. Não se trata de estabelecer diag-
nósticos A escala de classificação, segundo o Protocolo de anchester, é a seguinte:
116
A avaliação e exame do estado geral de um acidentado de emergência clínica ou traumática é a segunda
etapa básica na prestação dos primeiros socorros. Ela deve ser realizada simultaneamente ou imediatamente
à “avaliação do acidente e proteção do acidentado”.
Esse exame deve ser rápido e sistemático, observando as seguintes prioridades:
– Estado de consciência: avaliação de respostas lógicas (nome, idade, etc).
– Respiração: movimentos torácicos e abdominais com entrada e saída de ar normalmente pelas narinas
ou boca.
– Hemorragia: avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se perde. Se é arterial ou ve-
noso.
Pupilas: verificar o estado de dilatação e simetria (igualdade entre as pupilas)
–Temperatura do corpo: observação e sensação de tato na face e extremidades. Deve-se ter sempre uma
ideia bem clara do que se vai fa er, para não expor desnecessariamente o acidentado, verificando se há feri-
mento com o cuidado de não o movimentar excessivamente.
Em seguida proceder a um exame rápido das diversas partes do corpo. Se o acidentado está consciente,
perguntar por áreas dolorosas no corpo e incapacidade funcionais de mobilização. Pedir para apontar onde é a
dor, pedir para movimentar as mãos, braços, etc.
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É usada para avaliar o nível de consciência e a evolução das lesões cerebrais em uma vítima de trauma
encefálico. A escala compreende três testes: respostas de abertura ocular, fala e capacidade motora. Os três
valores separadamente, assim como sua soma, são considerados.
A escala compreende três testes: respostas de abertura ocular, fala e capacidade motora. Os três valores
separadamente, assim como sua soma, são considerados.
3 - Olhos se abrem ao comando verbal. (Não confundir com o despertar de uma pessoa adormecida; se
assim for, marque 4, se não, 3.)
5- Orientado. (O paciente responde coerentemente e apropriadamente às perguntas sobre seu nome e ida-
de, onde está e porquê, a data etc)
1 - Ausente.
6 - Obedece a ordens verbais. (O paciente faz coisas simples quando lhe é ordenado.)
- Padrão exor à dor (decorticação- exão de membros sup e extensão de membros inf )
118
1 - Sem resposta motora.
Sempre verificando o estado de consciência e a respiração do acidentado, apalpar, com cuidado, o crânio
a procura de fratura, hemorragia ou depressão óssea.
Proceder da mesma forma para o pescoço, procurando verificar o pulso na artéria carótida, observando
frequência, ritmo e amplitude, correr os dedos pela coluna cervical, desde a base do crânio até os ombros,
procurando alguma irregularidade.
Perguntar ao acidentado se sente dor. Na coluna dorsal correr a mão pela espinha do acidentado desde a
nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar lesão da coluna dorsal.
Verificar se há lesão no tórax, se há dor quando respira ou se há dor quando o tórax é levemente compri-
mido Solicitar ao acidentado que movimente de leve os braços e verificar a existência de dor ou incapacidade
funcional. Localizar o local da dor e procurar deformação, edema e marcas de injeções.
O acidentado inconsciente é uma preocupação, pois além de se ter poucas informações sobre o seu estado
podem surgir, complicações devido à inconsciência.
O primeiro cuidado é manter as vias respiratórias superiores desimpedidas fazendo a extensão da cabeça,
ou mantê-la em posição lateral para evitar aspiração de vômito. Limpar a cavidade bucal.
O exame do acidentado inconsciente deve ser igual ao do acidentado consciente, só que com cuidados
redobrados, pois os parâmetros de força e capacidade funcional não poderão ser verificados
Observando-se as seguintes alterações deve ter prioridade acima de qualquer outra iniciativa. Ela pode
salvar uma vida:
– Falta de respiração;
– Falta de circulação (pulso ausente);
– Hemorragia abundante;
– Perda dos sentidos (ausência de consciência);
– Envenenamento.
119
– Cianose (coloração arroxeada da pele e lábios).
– Inconsciência. Toda vítima em PCR está inconsciente, mas várias outras emergências podem se associar
à inconsciência É um achado inespecífico, porém sensível, pois toda vítima em PCR está inconsciente
Dilatação das pupilas, que começam a se dilatar após segundos de interrupção de uxo de sangue
para o cérebro. A midríase geralmente se completa depois de 1 minuto e 45 segundos de PC, mas se apre-
sentar em outras situações Deste modo, não utili ar a midríase para diagnóstico da PCR ou para definir que a
vítima está com lesão cerebral irreversível. A persistência da midríase com a RCR é sinal de mau prognóstico.
É um sinal bastante tardio e não se deve esperar por ele para início das manobras de RCR.
A ressuscitação cardiorrespiratória não é capaz de evitar a lesão cerebral por períodos prolongados.
a) Do acidentado
Posicionar o acidentado em superfície plana e firme
– Mantê-lo em decúbito dorsal, pois as manobras para permitir a abertura da via aérea e as manobras da
respiração artificial são mais bem executadas nesta posição
A cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o uxo sanguíneo cerebral
– Caso o acidentado esteja sobre uma cama ou outra superfície macia ele deve ser colocado no chão ou
então deve ser colocada uma tábua sob seu tronco.
– A técnica correta de posicionamento do acidentado deve ser obedecida utilizando-se as manobras de
rolamento.
b) Da pessoa que está socorrendo
Este deve ajoelhar-se ao lado do acidentado, de modo que seus ombros fiquem diretamente sobre o es-
terno do acidentado.
120
É o método efetivo de ressuscitação cardíaca que consiste em aplicações rítmicas de pressão sobre o terço
inferior do esterno.
Para realizar a massagem cardíaca externa deve-se posicionar a vítima em decúbito dorsal. Posicionar
ajoelhado, ao lado do acidentado e num plano superior, de modo que possa executar a manobra com os braços
em extensão. Em seguida apoiar as mãos uma sobre a outra, na metade inferior do esterno, evitando fazê-lo
sobre o apêndice xifóide, pois isso tornaria a manobra inoperante e machucaria as vísceras. Não se deve per-
mitir que o resto da mão se apoie na parede torácica.
A compressão deve ser feita sobre a metade inferior do esterno, porque essa é a parte que está mais
próxima do coração. Com os braços em hiperextensão, aproveite o peso do seu próprio corpo para aplicar a
compressão, tornando-a mais efica e menos cansativa do que se utili ada a força dos braços Aplicar pressão
suficiente para baixar o esterno de , a centímetros para um adulto normal e mantê-lo assim por cerca de
meio segundo O ideal é verificar se a compressão efetuada é suficiente para gerar um pulso carotídeo palpável
com isso se obtém uma pressão arterial média e um contorno de onda de pulso próximo do normal.
As compressões torácicas e a respiração artificial devem ser combinadas para que a ressuscitação cardior-
respiratória seja efica A relação ventilações/compressões varia com a idade do acidentado e com o número
de pessoas que estão fazendo o atendimento emergencial. A frequência das compressões torácicas deve ser
mantida em 80 a 100 por minuto. Com a pausa que é efetuada para ventilação, a frequência real de compres-
sões cai para 60 por minuto.
121
Reavaliação
Verificar pulso carotídeo após um minuto de ressuscitação cardiorrespiratória e depois a cada três minu-
tos.
Se pulso presente, verificar presença de respiração efica
– Respiração presente: manter a vítima sob observação.
Respiração ausente: continuar os procedimentos de respiração artificial e contatar com urgência o aten-
dimento especializado.
– Se o pulso ausente, iniciar RCR pelas compressões torácicas.
Verificar diâmetro das pupilas
É a perda de sangue através de ferimentos, pelas cavidades naturais como nariz, boca, etc; ela pode ser
também, interna, resultante de um traumatismo.
As hemorragias podem ser classificadas:
– Hemorragias Arteriais: É aquela hemorragia em que o sangue sai em jato pulsátil e se apresenta com
coloração vermelho vivo.
– Hemorragias Venosas: É aquela hemorragia em que o sangue é mais escuro e sai continuamente e len-
tamente, escorrendo pela ferida.
Para os fins de primeiros socorros em:
– Hemorragia Externa: É aquela na qual o sangue é eliminado para o exterior do organismo, como acontece
em qualquer ferimento externo, ou quando se processa nos órgãos internos que se comunicam com o exterior,
como o tubo digestivo, ou os pulmões ou as vias urinárias.
– Hemorragia Interna: É aquela na qual o sangue extravasa em uma cavidade pré-formada do organismo,
como o peritoneu, pleura, pericárdio, meninges, cavidade craniana e câmara do olho.
122
A hemorragia arterial é menos frequente, mas é mais grave e precisa de atendimento imediato para sua
contenção e controle. A hemorragia venosa é a que ocorre com maior frequência, mas é de controle mais fácil,
pois o sangue sai com menor pressão e mais lentamente. Os locais mais frequentes de hemorragias internas
são tórax e abdome.
Conter uma hemorragia com pressão direta usando um curativo simples, é o método mais indicado. Se não
for possível, deve-se usar curativo compressivo; se com a pressão direta e elevação da parte atingida de modo
que fique num nível superior ao do coração, ainda se não for possível conter a hemorragia, pode-se optar pelo
método do ponto de pressão.
Atenção: Não elevar o segmento ferido se isto produzir dor ou se houver suspeita de lesão interna tal como
fratura.
Podem ser produzidas por agentes físicos; tais como: corpos estranhos, queimaduras por exposição ao
calor, luminosidade excessiva e agentes químicos; lacerações e contusões.
Em traumatismos severos pode haver exteriorização do globo ocular de sua órbita (extrusão).
123
1 Irrigação ocular com soro fisiológico, durante vários minutos em caso de lesão por agentes químicos, ou
na presença de corpos estranhos.
4. Oclusão ocular bilateral, com gaze umedecida, mesmo em lesões unilaterais. Esta conduta objetiva redu-
zir a movimentação ocular e o agravamento da lesão.
5. Em caso de extrusão de globo ocular não tentar recolocá-lo. Efetuar a oclusão ocular bilateral com gaze
umedecida.
6. A remoção de lentes de contato deve ser efetuada somente em vítimas inconscientes com tempo de
transporte prolongado, que não apresentem lesão ocular.
Os traumatismos torácicos são provocados, em sua maior frequência, por acidentes de trânsito e acidentes
industriais.
A gravidade dos traumatismos torácicos é diretamente proporcional aos tipos de lesões associadas, que
podem levar à morte ou dificultar o diagnóstico preciso da lesão traumática e, consequentemente, o tratamento
adequado para o caso.
A conduta básica deve ser observada, enquanto providenciasse para que o socorro especializado seja
chamado com a maior urgência:
– É preciso ter cautela, estar calmo e agir com rapidez.
– O acidentado consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o lado ferido, na posição lateral de se-
gurança.
– Aplica-se curativo de gaze ou compressa de pano, desde que esteja limpo.
– Com este curativo, procura-se vedar totalmente a abertura do ferimento para impedir a entrada de ar.
O curativo deverá ser preso e fixo firmemente com o cinto ou faixa de pano em torno do tórax, sem apertar
– O acidentado deve ser encaminhado com urgência para atendimento especializado.
Os traumatismos abdominais são causados por acidentes automobilísticos, mas podem ocorrer em am-
bientes de trabalho devido à pancada de objetos pesados ou a quedas violentas amparadas pelo choque do
abdome contra alguma superfície dura.
As vítimas de ferimentos abdominais correm sério risco de entrar em estado de choque, devendo ser enca-
minhadas para assistência qualificada com urgência, pois é considerada como emergência
Os tecidos moles são aqueles que não são ossos nem dentes, como a pele, tecidos gordurosos, músculos
e órgãos internos.
124
São lesões provocadas por pancadas, sem a presença de ferimentos abertos, isto é, sem rompimento da
pele. Não há solução de continuidade da pele e só ocorre derramamento de sangue no tecido subcutâneo, ou
em camadas mais profundas uando há apenas o acometimento superficial, o acidentado apresenta somente
dor e inchação (edema) da área afetada. Quando há sufusão hemorrágica de pequeno porte, o local adquire
uma coloração preta ou azulada, chamamos a contusão de equimose. Quando vasos maiores são lesados, o
sangramento produz uma tumoração visível sob a pele, ocorre o hematoma formado pelo sangue extravasado.
As lesões contusas podem ser tratadas de maneira simples, desde que não apresentem gravidade. Nor-
malmente, bolsa de gelo ou compressa de água gelada nas primeiras 24 horas e repouso da parte lesada são
suficientes
Se persistirem sintomas de dor, edema, hiperemia, pode-se aplicar compressas de calor úmido. Deve ser
procurado auxílio especializado.
São lesões simples da camada superficial da pele ou mucosas, apresentando solução de continuidade do
tecido, sem perda ou destruição do mesmo, com sangramento discreto, mas costumam ser extremamente do-
lorosas. Não representam risco à vítima quando isoladas. Geralmente são causadas por instrumento cortante
ou contundente.
125
Existe dano tecidual extenso das estruturas subjacentes. Os esmagamentos de tórax e abdome causam
graves distúrbios circulatórios e respiratórios.
As amputações são definidas como lesões em que há a separação de um membro ou de uma estrutura
protuberante do corpo. Podem ser causadas por objetos cortantes, por esmagamentos ou por forças de tração.
2. Controlar a hemorragia.
São lesões provocadas pela temperatura, geralmente calor, que podem atingir graves proporções de perigo
para a vida ou para a integridade da pessoa, dependendo de sua localização, extensão e grau de profundidade.
Como efeitos gerais (sistêmicos) das queimaduras podem ter:
a) Choque primário (neurogênico) - vasodilatação
b) Choque secundário - hipovolemia
c) Infecção bacteriana secundária a lesão
d) Paralisia respiratória e fibrilação - choque elétrico
126
Imobili ação é um conjunto de procedimentos usados com a finalidade de impedir, ou pelo menos limitar, os
movimentos de um membro ou de um segmento de membro ou de qualquer parte do corpo.
Contrariamente ao que muitos pensam, imobili ar não significa tratar somente fraturas
Para imobilizar-se um segmento de um membro, como perna, coxa, braço, antebraço etc., é necessário que
se imobilize pelo menos duas articulações das quais participe este segmento, isto é, a distal e aproximal.
1) aliviar a dor do paciente, qualquer que seja a sua origem: fraturas, entorse, contusão, dor provocada por
processo in amatório (infeccioso ou não) como tendinite, tenossinovite, artrites dor provocada por processos
degenerativos, como lombalgias, cervicalgias, etc.
2) evitar que as lesões das partes moles ocorridas nas fraturas piorem ou se compliquem pelos movimentos
dos fragmentos ósseos. Os movimentos das extremidades fraturadas podem lesar mais os músculos, os vasos
e os nervos, e, às vezes, até a pele.
3) proporcionar consolidação da fratura, pois um foco de fratura móvel não dá condições para que o calo
ósseo se firme
127
5) manter redução obtida de fraturas e luxações.
6) tratar as entorses.
7) outras.
Estas resultam geralmente de um traumatismo direto, estando presentes os sinais habituais das fraturas.
São fraturas que não carecem no pré-hospitalar de grandes cuidados, bastando imobilizá-las colocando o
braço ao peito passando depois uma ligadura sobre o tórax para que não exista rotações do membro durante
o transporte.
Um socorrista ajusta sob tração, mas comodamente o braço a uma tala de madeira almofadada, lateralmen-
te, com o antebraço etido para a frente do corpo O outro socorrista aplicará as ligaduras, imobili ando o braço
contra a tala e depois contra o tórax, apoiando o antebraço.
Perante uma fratura do úmero o socorrista deve pesquisar o estado circulatório do membro, palpando o pul-
so radial e a sensibilidade e mobilidade do membro. A pesquisa de mobilidade é passiva, ou seja, a vítima é que
mexe ou não. O socorrista não deve mobilizar o membro ativamente sob risco de agravar as lesões existentes.
As fraturas mais frequentes a este nível, são as fraturas do colo do fémur do idoso, resultantes de pequenas
quedas e as fraturas provocadas por acidentes. O sinal típico deste tipo de fraturas é a rotação externa do pé.
A atitude a ter perante a suspeita de fratura do colo do fémur, segue as regras básicas de imobilização das
fraturas: tração, alinhamento, e imobilização que deve ser feita com talas longas até à cintura e ultrapassando
o pé, de forma a manter a tração e alinhamento do membro.
128
O transporte de acidentados é um determinante da boa prestação de primeiros socorros. Um transporte mal
feito, sem técnica, sem conhecimentos pode provocar danos muitas vezes irreversíveis à integridade física do
acidentado.
Em muitos tipos de transporte teremos de contar com o auxílio de um, dois ou mais voluntários. Para estes
casos a técnica correta também varia de acordo com o número de pessoas que realizam o transporte.
É recomendável o transporte de pessoas nos seguintes casos:
– Vítima inconsciente.
– Estado de choque instalado.
– Grande queimado.
– Hemorragia abundante (Choque)
– Envenenado, mesmo consciente.
– Picado por animal peçonhento.
– Acidentado com fratura de membros inferiores, bacia ou coluna vertebral.
– Acidentados com luxação ou entorse nas articulações dos membros inferiores.
Passa-se o braço do acidentado por trás da sua nuca, segurando-a com um de seus braços, passando seu
outro braço por trás das costas do acidentado, em diagonal.
Uma pessoa sozinha pode levantar e transportar um acidentado, colocando um braço debaixo dos joelhos
do acidentado e o outro, bem firme, em torno de suas costas, inclinando o corpo um pouco para trás
129
Uma só pessoa socorrendo também pode carregar o acidentado nas costas. Esta põe os braços sobre os
ombros da pessoa que está socorrendo por trás, ficando suas axilas sobre os ombros deste A pessoa que está
socorrendo busca os braços do acidentado e segura os, carregando o acidentado arqueado, como se ela fosse
um grande saco em suas costas.
Primeiro coloca-se o acidentado em decúbito ventral. Em seguida, ajoelha-se com um só joelho e, com as
mãos passando sob as axilas do acidentado, o levanta, ficando agora de pé, de frente para ele Este transporte
pode ser aplicado em casos que não envolvam fraturas e lesões graves.
Seguram-se as pontas de uma das extremidades do lençol, cobertor ou lona, onde se encontra apoiada a
cabeça do acidentado, suspende-se um pouco e arrasta-se a pessoa para o local desejado.
A pessoa que for prestar os primeiros socorros, colocando-se por trás passa as mãos sob as axilas do aci-
dentado, segura um de seus braços de encontro ao seu tórax, e a arrasta para fora do veículo, apoiando suas
costas nas coxas.
130
Passa-se o braço do acidentado por trás da nuca das duas pessoas que estão socorrendo, segurando-a
com um dos braços, passando o outro braço por trás das costas do acidentado, em diagonal. Este tipo de trans-
porte é usado para pessoas obesas, na qual uma única pessoa não consiga socorrê-lo e removê-lo.
a) As duas pessoas se ajoelham, cada uma de um lado da vítima. Cada uma passa um braço sob as costas
e outro sob as coxas da vítima. Então, cada um segura com uma das mãos o punho e, com a outra, o ombro do
companheiro. As duas pessoas erguem-se lentamente, com a vítima sentada na cadeira improvisada.
b) Cada uma das pessoas que estão prestando os primeiros socorros segura um dos seus braços e um dos
braços do outro, formando-se um assento onde a pessoa acidentada se apoia, abraçando ainda o pescoço e
os ombros das pessoas que a está socorrendo.
Uma das pessoas que estão prestando os primeiros socorros segura com os braços o tronco da vítima,
passando-os por baixo das axilas da mesma. A outra, de costas para o primeiro, segura as pernas da vítima
com seus braços.
131
A vítima é abraçada e levantada, de lado, até a altura do tórax das pessoas que a estão socorrendo. O
acidentado pode ser um fraturado ou luxado de ombro superior ou inferior, e o membro afetado deve sempre
ficar para o lado do corpo das pessoas que estão socorrendo, a fim de melhor protegê-lo (tendo sido antes
imobilizado).
Quando a vítima está numa cadeira, pode-se transportar está com a vítima, da seguinte maneira: uma pes-
soa segura a parte da frente da cadeira, onde os pés se juntam ao assento. O outro segura lateralmente os
espaldares da cadeira pelo meio A cadeira fica inclinada para trás, pois a pessoa da frente coloca a borda do
assento mais alto que a de trás.
A maca é o melhor meio de transporte. Pode-se fazer uma boa maca abotoando-se duas camisas ou um
paletó em duas varas ou bastões, ou enrolando um cobertor dobrado em três, envolta de tubos de ferro ou
bastões.
Havendo três pessoas, por exemplo, eles se colocam enfileirados ao lado da vítima, que deve estar de ab-
dômen para cima. Abaixam-se apoiados num dos joelhos e com seus braços a levantam até a altura do outro
joelho. Em seguida, erguem-se todos ao mesmo tempo, trazendo a vítima de lado ao encontro de seus troncos,
e a conduzem para o local desejado.
132
Com quatro pessoas, cada um segura uma das pontas do lençol, cobertor ou lona, formando uma espécie de
rede onde é colocada e transportada a vítima. Este transporte não serve para lesões de coluna. Nestes casos a
vítima deve ser transportada em superfície rígida.
Coloca-se a vítima no meio do lençol enrolam-se as bordas laterais deste, bem enroladas. Estes lados en-
rolados permitem segurar firmemente o lençol e levantá-lo com a vítima Em geral, duas pessoas de cada lado
podem fazer o serviço, mais três é melhor.
A remoção de uma vítima com suspeita de fratura de coluna ou de bacia e/ou acidentado em estado grave,
com urgência de um local onde a maca não consegue chegar, deverá ser efetuada como se seu corpo fosse
uma peça rígida, levantando, simultaneamente, todos os segmentos do seu corpo, deslocando o acidentado
até a maca.
133
Trataremos mais desse assunto em: -
cias; tipos de afogamento; técnicas de aproximação; técnicas de desvencilhamento; técnicas de transporte; téc-
nicas de retirada da água; providências iniciais após retirar o afogado da água; técnicas de primeiros socorros
(principais métodos); técnicas de resgates.
1. Causam dor
2. Originam sangramentos
134
normal e efetuar a compressão direta da área, para controlar o sangramento. Caso a avulsão seja completa,
transportar o retalho ao hospital. A preparação do retalho consiste em lavá-lo com solução salina, evitando o
uso de gelo direto sobre o tecido.
Pode ser definida como sendo parada respiratória, com o coração ainda funcionando É causado por certos
tipos de traumatismos como aqueles que atingem a cabeça, a boca, o pescoço, o tórax; por fumaça no decurso
de um incêndio por afogamento em soterramentos, dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade respira-
tória, levando à parada respiratória.
Pode ocorrer em altitudes onde o oxigênio é insuficiente, em compartimentos não ventilados, nos incêndios
em compartimentos fechados e por contaminação do ar por gases tóxicos (principalmente emanações de mo-
tores, fumaça densa).
C. Impossibilidade do sangue em transportar oxigênio.
D. Paralisia do centro respiratório no cérebro.
Pode ser causada por choque elétrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho
respiratório, por ingestão de grande quantidade de álcool, ou de substâncias anestésicas, psicotrópicos e tran-
quilizantes.
E. Compressão do corpo.
Pode ser causado por forte pressão externa (por exemplo, traumatismo torácico), nos músculos respirató-
rios.
135
– A primeira conduta é favorecer a passagem do ar através da boca e das narinas
– Afastar a causa.
Verificar se o acidentado está consciente
– Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço, peito e cintura.
– Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado, para abrir e manter desobstruída a passa-
gem de ar.
– Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando, coloque-a na posição lateral de se-
gurança.
– Iniciar a respiração de socorro (conforme relatado a frente), tão logo tenha sido o acidentado colocado na
posição correta. Lembrar que cada segundo é importante para a vida do acidentado.
– Repetir a respiração de socorro tantas vezes quanto necessário, até que o acidentado de entrada em local
onde possa receber assistência adequada.
– Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque.
– Não dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente.
– Não deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer deitado, mesmo depois de ter
recuperado a respiração.
– Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para beber, logo que volte a si.
– Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a respiração cesse novamente.
– Não deslocar o acidentado até que sua respiração volte ao normal.
– Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema necessidade.
– Solicitar socorro especializado mesmo que o acidentado esteja recuperado.
“É a aspiração de líquido causada por submersão ou imersão.” O termo aspiração refere-se à entrada de
líquido nas vias aéreas (traquéia, brônquios e/ou pulmões), e não deve ser confundido com “engolir água”.
O afogamento ocorre, em geral, por asfixia em virtude da aspiração de líquido, que obstrui as vias aéreas e
é responsável por alterações nas trocas gasosas, que levam à hipoxemia (insuficiência das taxas de oxigênio
no sangue) e acidose metabólica.
A asfixia pode ser provocada inicialmente por laringoespasmo, quando a pessoa, diante de uma situação de
afogamento, prende a respiração e debate-se de maneira descoordenada até que, não conseguindo permane-
cer sem respirar, involuntariamente aspira grande quantidade de água e encharca os pulmões.
Afogamento primário – é considerado um trauma provocado por uma situação inesperada que foge ao con-
trole da pessoa. Sabendo ou não nadar, ela pode ser arrastada pela correnteza, por exemplo;
Afogamento secundário – ocorre como consequência do consumo de drogas, especialmente de álcool (o ál-
cool é a principal causa de morte por afogamento em adultos), crises agudas de doenças, como infarto do mio-
cárdio, AVC e convulsões. Pode ocorrer também em razão de traumatismos cranianos e de coluna decorrentes
de mergulho em águas rasas, hiperventilação voluntária antes dos mergulhos livres, doença da descompressão
nos mergulhos profundos, hipotermia e exaustão.
Os afogamentos podem ser classificados clinicamente em diferentes graus segundo a condição de insufi-
ciência respiratória e, em geral, exigem internação hospitalar. No entanto, as manobras de recuperação cardior-
respiratória (RCR) ou cardiopulmonar (RCP) para combater a hipoxemia (insuficiência de oxigênio no sangue)
devem começar imediatamente no local do acidente, porque são essenciais para a recuperação e sobrevida
136
do paciente. Logo depois do resgate, portanto, é fundamental retirar as roupas molhadas da vítima, elevar sua
temperatura corporal se apresentar hipotermia, proteger a coluna cervical quando houver suspeita de lesão e
iniciar a respiração boca a boca.
No afogamento, quantidades tão pequenas quanto 70 ml, podem produzir graves consequências. A função
respiratória fica prejudicada pela entrada de líquido nas vias aéreas, interferindo na troca de oxigênio (O2) - gás
carbônico (CO2) de duas formas principais:
1. Obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores por uma coluna de líquido, nos casos de sub-
mersão súbita e/ou;
2. Pela aspiração gradativa de líquido até os alvéolos. Estes dois mecanismos de lesão provocam a diminui-
ção ou abolição da passagem do O2 para a circulação e serão maiores ou menores de acordo com a quantidade
e a velocidade em que o líquido foi aspirado.
137
Identificar um caso de afogamento antes ou durante a sua ocorrência possibilita tomar atitudes mais preco-
cemente e evitar o agravamento da situação. Preste mais atenção nas pessoas ao seu redor na praia, em rios/
lagos ou piscina e antecipe as pessoas que podem se afogar.
A vítima pode submergir e emergir sua cabeça diversas vezes, enquanto está lutando para se manter acima
da superfície. A esta altura da luta para não afundar, crianças geralmente resistem de 10 a 20 segundos em tal
luta, enquanto os adultos resistem por até 60 segundos, antes da submersão.
Sinais de uma vítima já se afogando
– Expressão facial assustada ou desesperada.
Afunda e volta a utuar em pé
– Cabelo na face.
– Nada em pé (vertical) sem deslocamento na água.
Dentro da água, utilize o método start aquático para reconhecer a gravidade e a prioridade de socorro a
vítima.
138
Depois de reconhecer que uma vítima está em perigo e pedir a alguém para chamar por ajuda, a próxima
prioridade é interromper o processo de afogamento fornecendo utuação para a vítima
Fornece utuação é uma estratégia muito importante, mas não muito utili ada, apesar de ganhar tempo
valioso para o serviço de emergência chegar, ou para aqueles que estão ajudando na cena planejarem os es-
forços necessários ao resgate.
Após prover utuação e parar o processo de submersão, retirar a vítima da água é essencial, a fim de pro-
porcionar um tratamento definitivo ao processo de afogamento Várias estratégias para esta retirada podem ser
usadas.
1 Decida o local por onde irá atingir ou ficar mais próximo da vítima
139
• Se for rio ou enchentes, a corda poderá ser utilizada de duas formas: Cruzada de uma margem a outra obli-
quamente, de forma que a vítima ao atingi-la será arrastada pela corrente à margem mais distante ou fixando
um ponto a margem e deixando que a correnteza a arraste para mais além da mesma margem.
Se você decidiu entrar na água para socorrer
Avise a alguém que você tentará salvar a vítima e que chame socorro profissional
Leve consigo sempre que possível algum material de utuação (prancha, boia ou outros)
Retire roupas e sapatos que possam pesar na água e dificultar seu deslocamento É válida a tentativa de
se fa er das calças um utuador, porém isto costuma não funcionar se for sua primeira ve
• Entre na água sempre mantendo a visão na vítima.
Pare a m antes da vítima e lhe entregue o material de utuação Sempre mantenha o material de utuação
entre você e a vítima.
• Nunca permita que a vítima chegue muito perto, de forma que possa lhe agarrar. Entretanto, caso isto
ocorra, afunde com a vítima que ela lhe soltará.
• Deixe que a vítima se acalme, antes de chegar muito perto.
Se você não estiver confiante em sua natação, peça a vítima que utue e acene pedindo ajuda
• Só tente rebocar a vítima se tiver treinamento, pois isto pode gastar suas últimas energias.
• Durante o socorro, mantenha-se calmo, e acima de tudo não se exponha ou ao paciente a riscos desne-
cessários.
O transporte ideal da água para a areia é a técnica Australiana. Este tipo de transporte reduz a incidência
de vômitos e permite manter as vias aéreas permeáveis durante todo o transporte.
Coloque seu braço esquerdo por sob a axila esquerda da vítima e trave o braço esquerdo. O braço direito do
socorrista por sob a axila direita da vítima segurando o queixo de forma a abrir as vias aéreas, desobstruindo-as,
permitindo a ventilação durante o transporte.
Em caso de vítima exausta, confusa ou inconsciente, transporte em posição mais próxima possível da
horizontal mantendo-se a cabeça acima do nível do corpo sem, contudo, obstruir as vias aéreas que devem
permanecer sempre que possível abertas.
O posicionamento da vítima para o primeiro atendimento em área seca deve ser paralelo à do espelho
d água, o mais hori ontal possível, deitada em decúbito dorsal, distante o suficiente da água a fim de evitar as
ondas. Se estiver consciente, coloque o afogado em decúbito dorsal a 30º.
Se estiver ventilando, porém inconsciente coloque a vítima em posição lateral de segurança (decúbito lateral
sob o lado direito).
As tentativas de drenagem da água aspirada são extremamente nocivas e devem ser evitadas. A manobra
de compressão abdominal (Heimlich) nunca deve ser realizada como meio para eliminar água dos pulmões, ela
é inefica e gera riscos significativos de v mitos com aumento da aspiração
Durante a ressuscitação, tentativas de drenar água ativamente, colocando a vítima com a cabeça abaixo do
nível do corpo, aumentam as chances de vômito em mais de cinco vezes, levando a um aumento de 19% na
mortalidade.
140
1) Ao chegar na areia, ou na borda da piscina coloque o afogado em posição paralela a água, de forma que
o socorrista fique com suas costas voltada para o mar, e a vítima com a cabeça do seu lado esquerdo
A cabeça e o tronco devem ficar na mesma linha hori ontal
• A água que foi aspirada durante o afogamento não deve ser retirada, pois esta tentativa prejudica e retarda
o início da ventilação e oxigenação do paciente, além de facilitar a ocorrência de vômitos.
Cheque a resposta da vítima perguntando, Você está me ouvindo
2) Se houver resposta da vítima ela está viva, e indica ser um caso de resgate ou grau 1, 2, 3, ou 4. Coloque
em posição lateral de segurança (preferencialmente sobre o lado direito) e aplique o tratamento apropriado para
o grau de afogamento. Avalie então se há necessidade de chamar o socorro avançado (ambulância), aguardar
o socorro chegar ou fazer a própria remoção ao hospital.
Se não houver resposta da vítima (inconsciente) e for possível ligue 193/192 ou peça a alguém para chamar
a ambulância ou o guarda-vidas, e;
3) Abra as vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a mão esquerda na testa, e esten-
da o pescoço.
4) Cheque se existe respiração - ver, ouvir e sentir - ouça e sinta a respiração e veja se o tórax se movimenta
(figura) - Se houver respiração é um caso de resgate, ou grau 1, , , ou Coloque em posição lateral de segu-
rança e aplique o tratamento apropriado para grau.
5) Se não houver respiração – inicie a ventilação boca-a-boca - Obstrua o nariz utilizando a mão (esquerda)
da testa, e com os dois dedos da outra mão (direita) abra a boca e realize 5 ventilações boca-a-boca iniciais
observando um intervalo entre cada uma que possibilite a elevação do tórax, e logo em seguida o seu esvazia-
mento. É recomendável a utilização de barreira de proteção (máscara), e:
6) Cheque sinais de circulação (movimentos ou reação à ventilação realizada) - simplesmente observe mo-
vimentos na vítima ou reação a ventilação feita.
7) Se houver sinais de circulação, é uma parada respiratória isolada - grau 5, mantenha somente a venti-
lação com 10 vezes por minuto até o retorno espontâneo da respiração (usualmente isto acontece antes de
terminar as 10 ventilações). As vezes esse sinal de circulação (reação a ventilação) se esboça com um esforço
respiratório fugaz ou muito fraco, daí a necessidade de mais algumas ventilações até o paciente assumir a res-
piração espontânea e efetiva. Se NÃO houver sinais de circulação retire os dois dedos do queixo e passe-os
pelo abdômen localizando o encontro das duas últimas costelas, marque dois dedos, retire a mão do queixo e
coloque-a no tórax e a outra por sobre a primeira e inicie 30 compressões torácicas em caso de 1 socorrista.
-
neiro - Fundação Oswaldo Cruz, 2003.
141
Diversos são os procedimentos cirúrgicos19 aos quais os indivíduos podem, ou necessitam, ser submetidos.
As indicações de cirurgia são as mais diversas, e a decisão pelo procedimento deve ser feita pelo médico, com
o consentimento do paciente ou de pessoa autorizada caso este não possa fazê-lo.
Aos profissionais de enfermagem, cabem funções importantes em todas as etapas que envolvem as inter-
venções cirúrgicas.
Na unidade de internação cirúrgica, são realizados os cuidados pré e pós-operatório. Os cuidados no pós-
-imediato podem se dar na Sala de Recuperação (SR) ou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), conforme
a necessidade determinada pelo procedimento ou pelas condições do paciente.
19
142
procedimento cirúrgico em que são realizadas pequenas perfurações, de menos de 1 cm,
por onde são introduzidos microcâmeras de vídeo e instrumental cirúrgico; além do aspecto estético, a videoci-
rugia oferece outras vantagens como menor trauma cirúrgico, menor risco de infecção, menor perda de sangue,
recuperação mais rápida e confortável, tempo de internação reduzido, menor custo hospitalar.
De acordo com o grau de urgência, as cirurgias podem ser classificadas como:
• Eletivas: quando a época de sua realização é determinada segundo a conveniência do paciente e do ci-
rurgião. Por exemplo: as cirurgias plásticas para estética.
• De urgência: quando o problema requer providências dentro de 24 a 30 horas. Por exemplo: infecção
aguda de vesícula (colecistite aguda).
• De emergência: quando a situação requer atendimento imediato e a demora pode ser uma ameaça a vida.
Por exemplo: hemorragias cerebrais.
Outra classificação que pode ser dada às cirurgias é em relação a sua finalidade, ou seja:
• Cirurgia diagnóstica ou exploratória: é realizada para determinar a causa e/ou extensão do problema.
• Cirurgia paliativa: realizada para diminuir sinais ou sintomas de uma doença sem, no entanto, curá-la.
• Cirurgia plástica ou restauradora: é realizada para recuperar ou melhorar a função ou aparência de uma
parte do corpo.
Todos os pacientes, antes, durante e após serem submetidos a intervenções cirúrgicas, necessitam de cui-
dados comuns e específicos, conforme o procedimento Os cuidados pré-operatórios mediatos podem ter início
logo após a internação. Os realizados nas últimas 24 horas que antecedem o procedimento são considerados
cuidados imediatos.
Os indivíduos que necessitam de um procedimento cirúrgico, em sua maioria, encontram-se sob forte ten-
são emocional, pois enfrentarão algo desconhecido. Dessa forma, cabe à enfermagem, além de todos os cui-
dados físicos, procurar manter o paciente tranquilo e seguro.
143
Relacionados aos aspectos físicos
O início dos cuidados físicos irá variar conforme a cirurgia e o estado clínico do paciente, pois poderão ser
exigidos alguns exames ou procedimentos dentro de 72 horas ou até poucas horas antes da intervenção. Cabe
ao enfermeiro verificar quais pacientes serão submetidos a cirurgias ou procedimentos cirúrgicos, reconhecen-
do o tipo de anestesia, o horário e os preparos de rotina, bem como os especiais.
Auxiliar e orientar sobre a importância da realização de exercícios no pós-operatório, como tosse e res-
piração profundas, movimentos ativos e passivos no leito, mudanças de decúbito frequentes, deambulação
precoce.
Os exercícios deverão ser ensinados durante o pré-operatório e repetidos o maior número de ve es, a fim
de facilitar sua execução no pós-operatório, quando existe o medo da dor e de possíveis intercorrências.
Os pacientes que se recuperam da anestesia precisam ser alvo de observação constante; por isso, sempre
que houver essa necessidade, ele será transferido do CC para a sala de recuperação ou para UTI acompanha-
do pelo anestesista, conforme o caso ou a rotina hospitalar.
144
Na fase pós-operatória imediata é fundamental prestar a devida assistência incluindo a manutenção das
vias áreas do paciente, a avaliação dos efeitos dos agentes analgésicos, a avaliação do paciente para as com-
plicações e fornecer conforto e alívio da dor.
145
- Confusão mental.
- Déficit de resposta a estímulos verbais
• Manter o paciente tranquilo ao acordar, apresentando-se e chamando-o pelo nome.
Verificar as condições do curativo e comunicar:
- Sangramento.
- Ataduras muito apertadas.
- Adesivos sol.
• Controlar permeabilidade de sondas e drenos.
• Manter gotejo correto de infusões venosas.
• Dar atenção à administração de analgésicos e sedativos, observando dosagem máxima e intervalos míni-
mos permitidos, para não deprimir o sistema respiratório, dificultando a tosse
• Promover ambiente calmo e seguro, evitando comentários indevidos, iluminação e barulhos excessivos.
• Estimular a micção espontânea, quando conveniente, com procedimentos como:
- Derramar água morna no períneo, se não houver contraindicação.
- Auxiliar o paciente a manter uma posição que facilite a micção.
- Manter a privacidade e a tranquilidade.
• Comunicar e registrar logo que o paciente consiga urinar espontaneamente.
• Permanecer junto ao paciente em caso de vômitos, mantendo a cabeça lateralizada caso não haja con-
traindicação.
• Oferecer cuba rim para que o paciente vomite e água para lavar a boca após os episódios de vômito.
• Comunicar e registrar episódios de vômito, bem como o aspecto deste, como:
- Vômito sanguinolento.
- Vômitos fecaloides.
- Vômito biliar.
• Coletar exames, conforme a rotina.
146
• Conferir a permeabilidade de drenos e cateteres.
• Conferir o curativo da Ferida Operatória (FO).
• Medir, registrar e comunicar alterações nos sinais vitais.
• Iniciar cuidados conforme o tipo de cirurgia e a rotina da unidade.
Cirurgias cardíacas convencionais são, em geral, de grande porte, podendo haver a necessidade de o co-
ração ser exposto após a abertura do tórax (toracotomia).
cor arroxeada ou azulada que aparece na pele e nas mucosas quando o sangue oxigenado é
insuficiente
procedimento em que o sangue é desviado do coração e dos pulmões, por
tubos, para uma máquina que o oxigena, filtra, esfria e aquece, devolvendo-o para o paciente o equipamento
é controlado por um profissional técnico denominado perfusionista
acúmulo anormal de líquidos no espaço intersticial.
ocorre quando um êmbolo se desloca dentro de um vaso, provocando sua oclusão; quando car-
regado para o coração, é forçado para a artéria pulmonar, causando a embolia pulmonar.
Êmbolo: corpo estranho na corrente sanguínea, geralmente um coágulo sanguíneo que se deslocou do
ponto original.
saída de sangue para fora dos vasos sanguíneos ou das cavidades do coração.
falta de suprimento sanguíneo para preencher as necessidades de oxigênio dos tecidos.
sensação de desfalecimento súbito, sem perda da consciência.
processo pelo qual o oxigênio é transportado dos pulmões para os tecidos e o gás carbônico sai
dos tecidos para os pulmões.
é a força que se opõe ao uxo sanguíneo através dos vasos.
corpo ou substância que obstrui total ou parcialmente um vaso.
afecção na qual existe um vaso trombosado.
Revascularização do miocárdio
Cirurgia também denominada ponte de safena, que consiste na implantação de um enxerto com veias da
perna (safena).
esse procedimento, uma extremidade é anastomosada na aorta e a outra é fixada a uma parte distal de
um vaso coronariano, de modo a restabelecer um uxo sanguíneo eficiente ao músculo cardíaco irrigado pela
artéria.
Podem ser colocados múltiplos enxertos, entre eles a artéria mamária interna. É indicada para pacientes
com angina instável não controlada por tratamento clínico, presença de lesões nas coronárias sem condições
de tratamento por angioplastia, presença de lesão em mais de 60% da artéria coronária esquerda e para indi-
víduos portadores de complicações decorrentes de angioplastias malsucedidas.
Valvuloplastia e comissurotomia
Valvuloplastia é o reparo de uma valva cardíaca, e o reparo das comissuras entre folhetos valvares é cha-
mado de comissurotomia.
147
Reposição valvar
Para realizar a reposição valvar, podem ser utilizados dois tipos de próteses valvares: próteses metálicas e
próteses biológicas:
• Valvas biológicas: são retiradas de suínos, bovinos e humanos (obtidas da doação de tecidos de cadáve-
res)
• Valvas metálicas: são duráveis, entretanto, exigem o uso de medicamentos a formação de coágulos.
A troca de valva é indicada para os casos de estenose ou regurgitação, infecções bacterianas, presença de
calcificações e malformação congênita
Pericardiotomia
Também chamada de janela pericárdica, é realizada quando ocorre o acúmulo de líquido no pericárdio em
consequência de doenças neoplásicas. O procedimento Cirúrgico consiste em remover uma porção do pericár-
dio para permitir a drenagem do líquido através do sistema linfático até o interior da cavidade abdominal. Nesse
caso, não é necessária circulação extracorpórea.
148
• Observar, comunicar e registrar alterações no nível de consciência:
- Agitação psicomotora.
- Confusão mental.
- Déficit de resposta a estímulos verbais.
• Observar, comunicar e registrar alterações motoras:
- Paresias.
- Parestesias.
- Plegias.
• Observar e comunicar alterações na perfusão periférica, como:
- Cianose.
- Extremidade fria.
• Observar e comunicar alterações no padrão ventilatório:
- Taquipneia.
- Competição com o respirador.
• Realizar aspiração endotraqueal.
• Questionar quanto à presença de dor ou desconforto causados pelos equipamentos.
• Manter o paciente aquecido.
Verificar e anotar os sinais vitais, de 1 em 1 minutos nas primeiras duas horas de em minutos
nas duas horas seguintes; de hora em hora nas próximas duas horas; e de 2 em 2 horas, após a sexta hora, ou
conforme necessidade e rotina de recuperação anestésica.
• Medir, registrar e comunicar alterações na PVC.
• Realizar e registrar medida de diurese, inicialmente de hora em hora e, após a sexta hora, de 6 em 6 horas,
ou conforme a rotina.
• Realizar controle hídrico.
• Observar cuidados com dreno de tórax.
• Manter contenção mecânica, se necessário e prescrito.
• Manter cuidados com sonda orogástrica.
• Manter cuidados com o sistema de PAM.
• Controlar gotejo das infusões venosas e manter a permeabilidade das vias de acesso.
• Atentar para o funcionamento e o gotejo das bombas de infusão.
• Alternar decúbito após a oitava hora de pós-operatório.
• Massagear panturrilhas após a sexta hora de pós-operatório.
• Realizar a troca do curativo uma vez ao turno e sempre que houver necessidade, como no caso de:
- Excesso de sangramento.
- Curativo sujo ou úmido.
• Manter cuidados com sonda vesical:
- Higiene do períneo.
- Manter permeabilidade, revisando dobras ou obstruções.
- Supervisionar local de fixação quanto a reações alérgicas e reali ar rodi io de fixação
149
• Realizar higiene oral, conforme a rotina e sempre que necessário, devido ao NPO, que pode ser prolon-
gado.
Aneurisma de aorta
O aneurisma é uma dilatação localizada da parede arterial que provoca uma alteração da forma do vaso e
do uxo sanguíneo Pode ser abdominal, torácico ou instalar-se em vasos periféricos, caracteri ando-se como
uma tumoração pulsátil, com presença de dor e edema decorrentes da pressão exercida sobre os nervos e
veias adjacentes. Existem diferentes formas de aneurisma: fusiforme, sacular, dissecante, roto e pseudoaneu-
risma.
No aneurisma de aorta, a artéria se dilata por inteiro; são tomadas as três camadas da aorta: íntima, média e
adventícia O tamanho, a forma e a causa dos aneurismas são variáveis A aterosclerose e a sífilis se destacam
entre as causas, que também incluem, entre outras, aortites, periaortites e malformações congênitas.
O tratamento cirúrgico consiste na ressecção do aneurisma e inserção de um enxerto de derivação (enxerto
de Dacron ou Te on)
150
- Palidez.
- Pele fria.
- Mal-estar.
- Sede.
- Taquicardia.
- Oligúria.
- Taquipneia.
- Agitação, inquietação.
• Realizar controle e balanço hídrico, conforme prescrição.
• Manter controle rigoroso de infusões venosas.
• Manter cuidados com sonda vesical:
- Fazer higiene do períneo.
- Manter permeabilidade, revisando dobras ou obstruções.
- Supervisionar local de fixação quanto a reações alérgicas e reali ar rodí io de fixação
• Realizar higiene oral, conforme a rotina e sempre que necessário, devido ao NPO, que pode ser prolon-
gado.
• Dar ao paciente liberdade para que expresse seus medos e dúvidas.
151
• Manter cuidados com sonda vesical:
- Higiene do períneo.
- Manter permeabilidade, revisando dobras ou obstruções.
- Supervisionar local de fixação quanto a reações alérgicas e reali ar rodí io de fixação
- Certificar-se de que a extensão não está tracionando a sonda.
• Realizar higiene oral, conforme a rotina e sempre que necessário, devido ao NPO, que pode ser prolon-
gado.
Endarterectomia de carótida
É realizada uma abertura da artéria para remoção de coágulo ou uma ressecção de um material ateromato-
so que esteja provocando um bloqueio.
A endarterectomia de carótida é considerada uma cirurgia profilática, pois redu as chances de o paciente
apresentar um evento isquêmico. O indivíduo apresenta grande risco de ter a perfusão cerebral reduzida du-
rante a cirurgia, por embolização, que causa oclusão cerebral e isquemia.
Os cuidados no pré-operatório serão determinados em função do quadro clínico apresentado pelo paciente,
ou seja, pela gravidade da obstrução. Caso o paciente permaneça na UTI, manter rotinas da unidade.
• Manter cuidados gerais.
• Esclarecer as dúvidas, que em geral são relacionadas ao prognóstico.
• Manter a família informada sobre as etapas entre o pré e o pós-operatório.
152
Bypass fêmuro-poplíteo
É um enxerto vascular, sintético ou não, inserido no lugar de uma artéria enferma, a fim de tratar uma clau-
dicação intermitente intensa e incapacitante, quando o membro estiver sob risco de amputação.
Simpatectomia
É realizada a ressecção de segmentos selecionados do sistema nervoso simpático para desnervar o siste-
ma vascular, produ indo vasodilatação Pode ser benéfica para melhorar a circulação colateral em pacientes
com claudicação intermitente.
Em geral o paciente vem de casa diretamente para a reali ação do procedimento, cabendo ao profissional
de enfermagem:
Certificar-se de que o paciente encontra- se em PO, trouxe os resultados de exames solicitados e reali-
zados previamente, realizou higiene e cuidados domiciliares prévios.
Safenectomia
Consiste na ligadura e no desnudamento das veias safenas grande e pequena, a fim de remover massas
varicosas.
Nesses casos, em geral o paciente vem de casa diretamente para a realização do procedimento, cabendo
ao profissional de enfermagem:
Certificar-se de que o paciente encontra- se em PO, trouxe os resultados de exames solicitados e reali-
zados previamente, realizou higiene e cuidados domiciliares prévios.
• Manter o paciente em repouso no leito nas primeiras 24 horas, sendo liberado para deambulação gradativa
após esse período.
• Estimular movimentos ativos e passivos com os membros inferiores durante o repouso.
• Manter compressão elástica nos membros inferiores.
• Manter membros inferiores elevados.
• Avaliar e comunicar sangramento na FO.
• Realizar troca de curativos, se necessário.
153
• Em geral, a internação no pós-operatório não ultrapassa 24 horas. O paciente deve receber orientações
quanto aos cuidados domiciliares, que são:
- Evitar permanecer em pé ou sentado por mais de uma hora.
- Comunicar sensação de alfinetadas e/ ou hipersensibilidade ao tato
- Manter as meias elásticas até que o médico libere sua entrada em consulta ambulatorial.
respiração normal.
eliminação, por meio de tosse, de material contido na árvore brônquica.
eliminação de sangue, proveniente do sistema respiratório, pela boca.
níveis de CO2 (gás carbônico) nos tecidos acima do normal.
excesso de oxigênio.
estado de deficiência de oxigênio nos tecidos
dificuldade de respirar, exceto quando em posição ereta ou sentada
barulhos, “chiados”, produzidos por vias aéreas estreitadas devido à presença de secreção ou
espasmos brônquicos.
substância lipoproteica que tem a função de impedir o colabamento dos alvéolos pulmonares.
eliminação súbita de ar contido nas vias aéreas, produzindo ruído característico; pode ser seca,
quando não apresenta expectoração, e produtiva, quando há eliminação de escarro.
aumento da frequência respiratória.
punção da cavidade torácica.
Lobectomia
Essa cirurgia é realizada quando existe a possibilidade de retirada de uma lesão localizada em uma área
determinada, ou seja, em um lobo pulmonar. O lobo pode ser retirado devido à presença de carcinoma bronco-
gênico, tumores benignos, infecções fúngicas ou outros.
Pneumectomia
Consiste na retirada de todo um pulmão. Cirurgia indicada principalmente em casos de câncer, quando a
área afetada não pode ser removida por meio de um procedimento menor, como segmentectomia ou lobecto-
mia. É indicada para casos de câncer, tuberculose unilateral extensa, abcessos pulmonares ou bronquiectasias.
Os cuidados no pré-operatório são comuns para os pacientes que se submetem a lobectomia, segmentec-
tomia ou pneumectomia. Deve-se manter cuidados gerais:
• Esclarecer as dúvidas, que em geral são relacionadas ao prognóstico.
154
• Manter a família informada sobre as etapas entre o pré e o pós-operatório.
• Orientar e instruir o paciente com relação aos exercícios respiratórios que deverá realizar no PO, com a
finalidade de drenar as secreções pulmonares e ativar a função pulmonar
• Comunicar caso seja observado qualquer sinal de infecção nas vias aéreas superiores, amigdalite ou fa-
ringite, ou em locais próximos, como boca ou dentes.
• Orientar o paciente sobre como coletar corretamente um exame, como, por exemplo, escarro.
• Dar ao paciente liberdade para que expresse seus medos e dúvidas.
• Orientar o paciente sobre o PO quanto a drenos, secreção sanguinolenta, dor, tempo de permanência na
SR ou UTI, de acordo com a situação e a capacidade de entendimento.
• Evitar julgamento pessoal e não usar o momento para acusações ou imposições, caso o paciente seja
fumante.
• Manter cuidados com a oxigenoterapia (quase todos os pacientes a estarão recebendo no PO).
Os cuidados no pós-operatório são comuns para todos os pacientes que se submetem a lobectomia, seg-
mentectomia ou pneumectomia, com exceção dos cuidados relacionados aos drenos de tórax, que, em geral,
não são utilizados nos casos de pneumectomia.
• Manter o paciente na posição prescrita (em geral, posição de Fowler, com lateralizações alteradas).
• Aspirar as secreções de maneira correta e efetiva.
• Pedir para que o paciente tussa a cada uma hora, estimulando os exercícios respiratórios.
• Manter ambiente úmido e arejado.
• Realizar trocas de curativos, observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar evolução da FO e comunicar:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
- Área de necrose tecidual.
• Observar e comunicar:
- Dispneia severa.
- Cianose.
- Dor torácica.
• Manter medicações prescritas, controlando gotejo das infusões venosas.
• Manter Controle Hídrico (CH) rigoroso.
• Estimular a ingesta hídrica.
• Incentivar a movimentação no leito e a deambulação precoce.
• Dar atenção à administração de analgésicos e sedativos, observando dosagem máxima e intervalos míni-
mos permitidos, para não deprimir o sistema respiratório, dificultando a tosse
• Tranquilizar o paciente e seus familiares.
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ausência de eliminação urinária < 50mL/24h.
presença de bactérias na urina.
bexiga em estado de disfunção devido a trauma neurológico.
micção dolorosa.
secreção urinária; valor médio normal para 24 horas por volta de 1.000 a 1.500mL.
parada do uxo de sangue ou de outros líquidos orgânicos
pequena abertura em uma superfície.
presença de sangue na urina.
presença de líquido no saco escrotal.
incapacidade de reter urina.
ato de urinar.
diminuição da quantidade de urina.
presença de pus na urina.
micção muito frequente, mas em pouca quantidade.
quantidade excessiva de urina em 24 horas; acima de 2.000mL.
volume restante de urina na bexiga logo após a micção.
incapacidade de liberar urina de dentro da bexiga.
Nefrostomia
Consiste na abertura do rim para colocação de um cateter com a finalidade de drenar a urina, aliviando a
estase urinária e permitindo a restauração fisiológica do tecido renal
156
• Controlar e registrar volume drenado.
• Monitorar e comunicar sinais de infecção:
- Calafrios.
- Febre.
- Aumento da dor no local de inserção do cateter.
- Hiperemia e calor no local de inserção do cateter.
Nefrectomia
Consiste na retirada total ou parcial de um rim devido à presença de tumores ou traumas ou para doação
do órgão. Conforme a situação, mesmo o rim não estando funcionando, ele é mantido no local, e outro rim é
implantado na fossa ilíaca. Os pacientes que não têm função renal sofrem rápidas alterações metabólicas e ne-
cessitam de atendimento de urgência. Atualmente, os procedimentos de diálise têm permitido que os pacientes
sobrevivam por mais tempo à espera da doação de um órgão.
157
- Desconforto e dor abdominal.
- Distensão abdominal.
- Ausência de movimentos intestinais.
Cistostomia
Técnica de introdução de uma sonda na bexiga através da parede abdominal Essa técnica tem como fina-
lidade drenar a urina, desviando o uxo urinário da uretra
exame radiológico da mama, com uso ou não de injeção de contraste nos ductos da glândula
mamária.
ato de urinar.
região do corpo limitada anteriormente pela arcada púbica, posteriormente pelo cóccix e lateral-
mente pelas tuberosidades isquiáticas; no sexo feminino, é ocupada pelo ânus, pela uretra, pela raiz do clitóris
e pelo orifício vaginal.
presença de pus na urina.
queda ou descenso de uma parte ou de um órgão; procidência.
Vasectomia
Consiste na ligadura da seção do canal deferente, sendo bilateral e utilizada como procedimento de esteri-
li ação Embora existam casos de reversão da cirurgia, este deve ser considerado como um método definitivo
de esterilização.
158
Em geral o paciente vem de casa diretamente para a reali ação do procedimento, cabendo ao profissional
de enfermagem:
Certificar-se de que o paciente se encontra em PO, conforme orientado pelo médico, trouxe os resultados
de exames solicitados e realizados previamente e realizou higiene e cuidados domiciliares prévios.
Quanto ao pós-operatório, o paciente, junto a um familiar, deve ser orientado, se possível antes do proce-
dimento, em relação a:
• Aplicar bolsas de gelo para diminuir o edema e a dor, se necessário.
• Utilizar suspensório escrotal, se o médico achar conveniente.
• Reiniciar a vida sexual quando desejar.
• Somente abandonar métodos anticoncepcionais após a realização de espermograma, tendo resultado
zerado para espermatozoides.
Prostatectomia
Prostatectomia consiste na retirada da próstata. Procedimento realizado em consequência de uma hiperpla-
sia (aumento) da glândula. Esse aumento pode ser benigno ou maligno. Quando maligno é chamado de câncer
de próstata. Para os casos com diagnóstico de câncer, além dos cuidados pré e pós-operatório, ver cuidados
a pacientes com câncer.
159
- Observar a extensão, para que não esteja tracionando a sonda.
- Cuidar para que não haja dobras ou obstruções que impeçam a passagem da urina.
- Supervisionar local de fixação quanto a reações alérgicas e reali ar rodí io de fixação
• Realizar trocas de curativos, observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar evolução da FO e comunicar:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
Histerectomia
É a retirada total ou parcial do útero. A pan-histerectomia trata-se da retirada total do útero, das trompas e
dos ovários, também conhecida como cirurgia de Wertheim. Pode ser feita por via abdominal ou vaginal, sendo
indicada em casos de tumores benignos (miomas) ou malignos (câncer).
160
• Estimular a deambulação logo que liberada.
• Orientar para a necessidade de a paciente manter contato com seu médico periodicamente ou sempre
que houver alguma alteração.
Mastectomia
Consiste na retirada da mama ou de parte dela. O tipo de procedimento cirúrgico varia de acordo com o
estágio, o tipo e a malignidade do câncer, pois é essa a indicação cirúrgica. Quando somente parte da mama é
retirada, o procedimento é denominado quadranterectomia, ou seja, a mama é dividida em quatro quadrantes
imaginários, e o médico remove somente aquele afetado pelo tumor.
deglutição de ar.
161
procedimento que permite a visualização do colo por meio de aparelho, sem abertura de
parede.
retenção de material fecal.
eliminação de fezes líquidas ou semilíquidas com frequência maior que o normal.
síndrome intestinal caracterizada por diarreia, podendo ser acompanhada de tenesmo, muco,
sangue ou pus.
procedimento que permite a visualização do duodeno por meio de aparelho, sem abertura
de parede.
eliminação de “sangue vivo” pelo ânus.
eliminação de gases sob forma ruidosa através da boca.
fezes com gordura.
massa compacta de matéria fecal de consistência dura que se forma em casos de constipação.
sensação desagradável de presença de gases em excesso no intestino.
varizes que ocorrem no segmento anorretal por processos que determinam um aumento da
pressão venosa da veia hemorroidária.
eliminação de sangue quimicamente alterado pelo ânus, proveniente do tubo digestivo.
sensação dolorosa no reto ou bexiga acompanhada de desejo imperioso de defecar ou urinar,
porém sem resultado satisfatório.
Gastrostomia
Técnica cirúrgica que consiste em abrir o estômago, introduzindo uma sonda que é utilizada como via de
alimentação Essa sonda pode ser temporária ou definitiva
162
• Dar apoio psicológico ao paciente, principalmente durante os procedimentos relacionados ao estoma.
• Estimular, auxiliar ou realizar higiene oral com regularidade.
Gastrectomia
É a remoção cirúrgica total ou parcial do estômago. É indicada em casos de tumores, obstrução pilórica ou
úlcera péptica perfurada que não responde ao tratamento. Atualmente, a remoção parcial do estômago está
sendo indicada também como tratamento para os casos de obesidade mórbida, podendo ser realizada por ví-
deo ou de forma convencional.
• Manter a sonda nasogástrica (SNG) aberta em frasco, aspirar e medir secreções eliminadas. Devido à
presença de sangue na cavidade nas primeiras horas, a secreção terá aspecto de borra de café
• Observar atentamente a presença de sangue vivo ou a persistência de secreção escura; registrar e comu-
nicar ao médico, pois se trata de um sinal de hemorragia.
• Estimular, auxiliar ou realizar higiene oral com frequência.
• Observar rigorosamente a administração parenteral: local da punção, queixa de dor no local, edema e
gotejo da solução.
• Manter rigorosamente NPO e/ou dieta conforme prescrição.
• Estimular a movimentação no leito e a deambulação precoce.
• Observar e registrar o número de evacuações e o aspecto das fezes.
• Registrar e comunicar queixas de náuseas, vômitos, distensão gástrica e icterícia.
• Estimular e auxiliar o paciente nos exercícios de tosse e respiração profunda, para a prevenção de com-
plicações respiratórias.
• Realizar trocas de curativos, observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar evolução da FO e comunicar a presença de:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
- Área de necrose tecidual.
Colostomia
É a exteriorização de uma porção do colo na parede abdominal, criando uma abertura para saída de fezes
e gases. A abertura pode ser temporária ou permanente.
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• Manter a família informada sobre as etapas entre o pré e o pós-operatório.
• Trocar a bolsa de colostomia fechada sempre que necessário, ou seja, antes de encher de fezes, para
evitar deslocamento.
• Esvaziar as bolsas de colostomia drenáveis, retirando o clamps, limpando-o e recolocando-o.
• Limpar o local com líquido de Dakin ou com outro prescrito, ao trocar a bolsa e após a higiene local. A partir
do sétimo dia, lavar apenas com água e sabão, sem esfregar.
• Deixar o paciente tomar sol no local ao redor do estoma após a limpeza.
Colocar pedaços de carvão vegetal e tabletes de clorofila no interior da bolsa para diminuir o odor
• Orientar o paciente para que evite alimentos que aumentem o odor e a produção de gases. Por exemplo,
repolho, couve- or, feijão, ovos, cebola, peixe, cerveja
• Estimular a ingesta de alimentos que diminuam o odor. Por exemplo, espinafre, salsa, iogurte.
• Estimular a ingestão de líquidos.
• Anotar a frequência e as características das fezes.
• Prestar apoio psicológico ao paciente, mantendo sua individualidade na hora dos procedimentos.
• Demonstrar ao familiar ou à pessoa que for prestar os cuidados domiciliares, e orientá-lós quanto aos pro-
cedimentos de troca e limpeza da bolsa e da colostomia, alguns dias antes da alta, para que possam ter tempo
de esclarecer dúvidas. Caso o paciente queira e possa fazer o seu autocuidado, deve ser igualmente orientado
e estimulado a realizar as trocas e a limpeza ja durante a internação.
Ileostomia
É a exteriorização de uma porção do íleo na parede abdominal. Cirurgia realizada após a colectomia total
(retirada de todo colo) ou por outros motivos que necessitem o desvio intestinal.
Colecistectomia
Consiste na remoção cirúrgica da vesícula biliar, realizada de forma convencional ou por videolaparoscopia,
em casos de doença vesicular ou cálculos. A cirurgia é realizada para alívio das cólicas e como tratamento da
colecistite aguda. Existem dois tipos principais de cálculos vesiculares: os constituídos predominantemente por
pigmentos e os constituídos por colesterol.
Observar e registrar volume e aspecto das secreções drenadas por S G, que, em geral, fica aberta em
frasco.
anter cuidados em relação à fixação da S G, evitando lesão de narina
• Manter o paciente em posição de Fowler.
• Observar e registrar rigorosamente o aspecto e os volumes drenados através do dreno de Kehr, se houver.
• Orientar para que o paciente não tracione o dreno ao movimentar-se no leito.
• Observar e registrar volume e aspecto da drenagem.
• Realizar higiene oral sempre que for preciso.
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• Realizar trocas de curativos, observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar evolução da FO e comunicar a presença de:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
- Área de necrose tecidual.
• Proteger a pele ao redor do dreno para evitar irritação, conforme rotina ou indicação médica.
cegueira.
perda da sensibilidade dolorosa.
perda completa da sensibilidade térmicas, tátil e dolorosa.
desigualdade dos diâmetros pupilares.
perda do olfato
perda da coordenação motora.
perda do tônus muscular.
estado de inconsciência no qual não se consegue despertar o paciente.
abertura cirúrgica do crânio para retirada de tumor ou de aneurismas, alívio da pressão intra-
craniana e retirada de coágulos ou vermes.
visão dupla.
dificuldade para articular as palavras
remoção dos fragmentos herniados ou expulsos do disco intervertebral.
é colocado um enxerto ósseo, com o objetivo de estabelecer uma ponte sobre o
disco defeituoso e reduzir o risco de recorrência.
tratamento alternativo para hérnias de LIV e LV. Por meio de uma incisão de
2,5cm, logo acima da crista ilíaca, é inserido um tubo, um trocarte ou uma cânula, que, com o auxílio do raio X,
chega ao disco envolvido; instrumentos especiais são utilizados para remover o disco Hemiparesia: diminuição
de forca em um lado do corpo.
paralisia de um lado do corpo Isocoria: igualdade do diâmetro pupilar.
excisão da lâmina vertebral para exposição dos componentes neurais do canal espinal,
removendo o tecido danificado
líquido cerebrospinal, anteriormente denominado líquido cefalorraquidiano (LCR).
com o auxílio do microscópio cirúrgico, permite que sejam visualizados o disco lesado
e as raízes nervosas comprimidas.
165
aumento do diâmetro pupilar.
diminuição do diâmetro pupilar.
movimentos oscilatórios dos globos oculares, que podem ser horizontais, verticais ou rotatórios;
ocorrem de forma involuntária.
paralisia de dois membros paralelos (inferiores ou superiores).
diminuição da força muscular, de causa neurológica, sem chegar à paralisia.
qualquer sensação desagradável espontânea (agulhada ou formigamento) que não seja dor.
pressão intracraniana, resultante do volume de tecido encefálico, volume de sangue e de LCS dentro
do crânio em um determinado momento; seu valor pode alterar-se de acordo com a posição do indivíduo, mas
normalmente é igual ou inferior a 15mmHg.
paralisia dos quatro membros
instrumento cirúrgico pontiagudo, provido de uma cânula oca, utilizado para puncionar uma cavi-
dade do organismo para retirada de líquido.
Cirurgias cranianas
Denomina-se craniotomia a abertura cirúrgica do crânio, realizada para que se tenha acesso às estruturas
internas, objetivando a remoção de tumores, o controle de hemorragias provocadas por aneurismas, acidentes
vasculares ou traumatismos externos, a remoção de hematomas ou redução da Pressão Intracraniana (PIC).
Os cuidados de enfermagem no pré-operatório diferenciam-se conforme o estado clínico em que se encon-
tra o paciente e o motivo da cirurgia, ou seja, pacientes com Traumatismos Cranioencefálicos (TCE) recebem
os primeiros cuidados na emergência e podem, muitas vezes, seguir direto para o centro cirúrgico.
Os pacientes com aneurismas podem também ser recebidos na emergência, devido aos sintomas desenca-
deados no caso de rompimento, entretanto, dependendo da evolução, muitos pacientes podem ser internados
e aguardar o momento adequado para a intervenção cirúrgica, assim como aqueles com tumores ou outras
disfunções neurológicas.
Após a alta da UTI, muitos pacientes ainda permanecem na unidade de internação cirúrgica ou neurológica,
necessitando de cuidados como:
• Manter vigilância constante dos níveis de consciência, bem como registros para que se obtenham padrões
comparativos.
• Observar, registrar e comunicar alterações no nível de consciência, como:
- Agitação psicomotora.
- Confusão mental.
- Resposta a estímulos verbais.
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- Crises convulsivas.
• Controle rigoroso dos sinais vitais, obedecendo à rotina e sempre que for necessário.
• Manter ações de acordo com o nível de consciência e a capacidade motora, como:
- Fazer perguntas simples, quando houver resposta verbal.
- Estimular o autocuidado em todas as ações para as quais o paciente se mostre competente.
- Explicar todas as ações que serão realizadas, mesmo quando o paciente estiver em coma.
• Obedecer rigorosamente ao horário das medicações analgésicas, pois, em geral, essas drogas são de-
pressoras do sistema respiratório.
• Manter controle rigoroso nas infusões venosas.
• Manter as grades do leito elevadas.
• Realizar trocas de curativos observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar evolução da FO e comunicar a presença de:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
- Área de necrose tecidual.
• Realizar controle hídrico (CH) rigoroso.
• Observar e registrar evacuações, comunicando constipação.
• Orientar o paciente para que não faça manobra de Valsalva.
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- Usar o braço mais próximo da lateral de saída para apoiar os músculos abdominais, e o outro braço para
ajudar a afastar-se do colchão.
ambos os olhos.
cirurgia realizada com auxílio de instrumentos especiais para a congelação local de tecidos
alterados.
acúmulo excessivo de líquido intersticial na região das cordas vocais e entre estas, poden-
do causar obstrução da passagem de ar para a traqueia.
hemorragia nasal.
estrabismo vertical, no qual o eixo visual desvia-se para cima.
lente intraocular.
olho direito.
olho esquerdo.
168
é mantida pelo uxo do humor aquoso seu valor normal está entre 12 e 21mmHg.
introdução de uma cânula na traqueia por meio da traqueotomia.
Cirurgias oftalmológicas
Os olhos são órgãos que permitem a visão. Esta torna-se possível pela conversão de raios luminosos em
impulsos nervosos que serão identificados pelo cérebro
Atualmente, o uso de laser tem trazido avanços e ótimos resultados nas cirurgias oftalmológicas, diminuindo
o tempo de recuperação e os riscos de complicações no pós-operatório. Os pacientes submetidos a cirurgias
oftalmológicas necessitam de cuidados que são quase sempre comuns aos diferentes tipos de cirurgia.
A maioria submete-se a uma cirurgia ambulatorial. Algumas das cirurgias realizadas no olho são: correção
de lente, extração de catarata, correção do deslocamento de retina e enucleação (remoção do globo ocular).
Catarata
A formação da catarata é parte do processo de envelhecimento do indivíduo, embora possa ocorrer em
jovens ou mesmo em crianças. Seja qual for a causa, o cristalino se torna opaco, impossibilitando a passagem
da luz e, consequentemente, diminuindo a visão, podendo provocar cegueira.
Na maioria dos casos, a cirurgia remove o cristalino opaco e introduz uma LIO, que fará o papel do cristalino,
restaurando a visão em mais de 90% dos casos.
Enucleação
Consiste na remoção cirúrgica do globo ocular, devido a traumatismos, infecções graves ou tumores ma-
lignos Após a retirada, geralmente é introdu ido um molde temporário, a fim de preservar o formato natural do
olho, permitindo que seja feita uma prótese, mantendo, assim, uma aparência mais natural.
A enucleação, assim como todas as cirurgias que modificam a imagem corporal, acarreta uma série de dis-
túrbios emocionais, cabendo à enfermagem perceber sinais de depressão ou de autorrejeição para providen-
ciar encaminhamento a profissionais e grupos de apoio
Caso o paciente venha de casa diretamente para a reali ação do procedimento, cabe ao profissional de
enfermagem:
Certificar-se de que o paciente encontra- se em PO, reali ou higiene e cuidados indicados e trouxe os
resultados dos exames solicitados e realizados previamente.
• Iniciar pelos cuidados gerais adequados ao tipo de cirurgia.
Cobrir os cabelos do paciente com uma touca, de modo que a região dos olhos fique totalmente exposta
• Lavar bem a face com água e sabão ou com medicação prescrita.
• Administrar medicação prescrita.
• Manter o paciente calmo, esclarecendo dúvidas quanto a dor, cuidados no pós-operatório, tipo de aneste-
sia e outros.
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• Fixar os curativos, tendo cuidado para não causar mais desconforto do que comumente eles causam.
• Fixar os curativos de forma que não se prendam sobre as sobrancelhas.
• Solicitar que o paciente comunique caso os curativos se desloquem.
• Solicitar que o paciente comunique dor excessiva.
• Estimular e auxiliar na alimentação, lembrando que o apetite está intimamente relacionado à visão.
• Orientar para o autocuidado, tão logo seja possível.
Cirurgias de pescoço
Algumas cirurgias são realizadas na região do pescoço e correspondem a diferentes especialidades, sendo
assim, existirão cuidados de enfermagem específicos para cada situação
Traqueotomia
Trata-se de uma abertura feita cirurgicamente entre dois anéis da traqueia, no nível da linha média do pes-
coço e abaixo da cartilagem cricoide.
anter próximo ao leito do paciente: oxigênio umidificador, aspirador, cateteres de aspiração, frasco com
soro fisiológico, luvas e ga es esterili adas e pinças
• Medir sinais vitais com atenção para a intensidade dos movimentos respiratórios.
• Comunicar sinais de angústia respiratória e cianose.
• Aspirar sempre que houver necessidade, com a técnica asséptica e usando uma sonda estéril para cada
aspiração.
• Observar sangramento no local ou sinais de hemorragia.
• Trocar a cânula interna por outra estéril a cada 6 a 8 horas e/ou conforme rotina.
• Retirar a cânula interna para lavá-la sempre que necessário.
• Manter cadarço limpo e com pressão adequada.
• Estimular a ingesta hídrica.
Orientar para que o paciente não fique ansioso por não poder falar, explicando que, com o passar do tem-
po, ele poderá voltar a fazê-lo, aprendendo a tampar a traqueostomia por um momento.
• Ter paciência de aguardar que o paciente se comunique da forma que puder e oferecer-lhe maneiras dife-
rentes de fa ê-lo (bloco, alfabeto desenhado, figuras, gestos e outros)
• Estimular que um familiar permaneça junto ao paciente o máximo de tempo possível e que participe dos
cuidados.
• Orientar para o autocuidado.
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Amigdalectomia/ tonsilectomia
É a remoção cirúrgica das amígdalas ou tonsilas palatinas.
Adenoidectomia
É a remoção cirúrgica das adenoides.
Adenoamigdalectomia
É a remoção das adenoides e das amígdalas.
Colocar o paciente em decúbito, de modo que fique confortável, e com a cabeça laterali ada para facilitar
a saída de secreções da cavidade bucal, evitando a aspiração.
• Controlar sinais vitais e atentar para sinais de choque.
• Orientar para que o paciente evite falar ou tossir logo após a cirurgia.
• Observar e comunicar epistaxe.
• Fazer a higiene oral com cuidado, para evitar náuseas e vômitos e manter a boca livre de resíduos.
• Realizar aspiração oral, se necessário, tendo o cuidado de não traumatizar a área operada.
• Manter a dieta de acordo com a prescrição médica, orientando para que, nos primeiros dias após a alta, o
paciente dê preferência a alimentos líquidos e frios.
Tireoidectomia
Consiste na remoção parcial ou total da glândula tireoide. A extensão da cirurgia depende do diagnóstico,
do objetivo e do prognóstico. O tratamento cirúrgico pode ser indicado em alguns casos de hipertireoidismo ou
de tumores, tanto malignos quanto benignos.
171
• Orientar quanto à importância de que sejam evitados alimentos estimulantes, como chás, café, refrigeran-
tes à base de cola e chocolate.
• Orientar quanto à posição adequada do pescoço no pós-operatório.
• Movimentar o paciente com cuidado, protegendo a incisão cirúrgica e evitando tensão das suturas.
• Manter posição de semi-Fowler, com a cabeça elevada e apoiada em travesseiros, que geralmente é a
mais confortável.
anter os objetos ao alcance do paciente a fim de que ele não tenha de movimentar o pescoço para al-
cançar o que precisar.
• Manter cuidados com oxigenoterapia, caso prescrita. O oxigênio pode ser indicado com o objetivo de fa-
cilitar a respiração.
• Iniciar a dieta por via oral logo que liberada, dando preferência a líquidos frios.
• Realizar trocas de curativos, quando houver, observando técnicas rigorosamente assépticas.
• Registrar a evolução da FO e comunicar a presença de:
- Dor.
- Vermelhidão.
- Edema.
- Sangramento.
- Secreção purulenta.
- Mau cheiro.
- Área de necrose tecidual.
• Orientar para que o paciente fale pouco nas primeiras horas.
• Comunicar rapidamente sinais de:
- Espasmos nas mão e nos pés, que podem ser descritos como cãibras.
- Dispneia.
• Auxiliar na saída do leito assim que o paciente se sentir bem.
cavidade em forma de taça no osso do quadril na qual se encaixa a cabeça do fêmur Artroplas-
tia: cirurgia reparadora de uma articulação.
lesão dos tecidos moles por força contundente.
corpo de um osso longo.
tração muscular, estiramento ou estresse excessivo.
descrição de dor ou sensação incomum em uma extremidade amputada; pode ocorrer até 2
ou 3 meses após a amputação; é mais comum em amputações acima do joelho.
também conhecida por torção; lesão dos ligamentos que circundam uma articulação, podendo ser
causada por tração ou rotação violenta.
extremidade de um osso longo.
mensuração radiológica do comprimento dos membros.
172
uma ferida, uma solução de continuidade óssea, definida de acordo com o tipo e a extensão Hálux:
primeiro dedo do pé
deslocamento de uma articulação, fazendo com que as superfícies articulares não mais mante-
nham contato.
união cirúrgica dos fragmentos de um osso fraturado.
secção de um osso para correção de uma deformidade.
correção de uma fratura ou luxação.
colocação de um peso, em torno de 2 a 3kg, quando em extremidade, podendo chegar a
9 g quando na região pélvica, pendurado a um adesivo e fixado na pele a tração exercida na pele é transmitida
para as estruturas musculoesqueléticas.
utili ação de pinos e/ou fios metálicos que, após introdu idos através do osso, são
presos ao arco ou estribo da tração por um sistema de corda-roldana que irá exercer a quantidade de tração
efica os pesos têm, em média, de a 1 g
Amputação
Consiste na remoção de uma extremidade, em geral devido a doença vascular periférica ou progressiva,
traumatismo, queimadura, congelamento ou tumores malignos.
A perda de uma extremidade corporal determina mudança na autoimagem e alteração na mobilidade física,
exigindo um ajustamento físico e emocional por parte do paciente e dos familiares para uma melhor adaptação
à nova condição Atualmente, as próteses têm evoluído muito em qualidade, mas continuam financeiramente
inacessíveis a um grande contingente da população.
173
- Espículas ósseas.
• Reconhecer as inquietações provocadas pela “dor fantasma” e esclarecer que essa sensação irá passar e
que pode ser aliviada por mecanismos de distração.
• Entender as reações de hostilidade e depressão por parte do paciente, tratando-o com respeito e trans-
mitindo segurança e otimismo.
• Estimular a presença dos familiares como parte do apoio emocional ao paciente.
• Estimular a procura de instituições especializadas em reabilitação.
A tuberculose é uma doença que acomete o pulmão e atinge pessoas de todas as idades, principalmente os
indivíduos do sexo masculino.
Com episódios de febre, sudorese e emagrecimento, a doença causa o comprometimento do estado geral
do paciente.
Quando atinge os pulmões, o paciente pode apresentar dor no tórax e tosse acompanhada ou nada por
escarro com sangue. A tuberculose pulmonar é forma mais frequente da doença.
A forma mais grave da doença é a tuberculose miliar, caracterizada pelo alto risco de desenvolvimento de
meningite.
a doença é causada pela Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como
bacilo de Koch (BK).
o homem doente. Em algumas regiões o gado bovino, as aves, os primatas e
outros mamíferos também podem agir como reservatórios do agente patológico.
a tuberculose é transmitida de pessoa para pessoa através do ar contaminado
por gotículas de saliva e secreção eliminadas pelo doente ao falar, espirrar ou tossir.
em 4 a 12 semanas depois da contaminação.
a partir do momento em que o homem começar a
eliminar a bactéria em suas secreções, permanecendo assim enquanto não iniciar o tratamento da doença.
174
o diagnóstico é realizado a partir dos sinais e sintomas apresentados
pelo paciente e do resultado de exames laboratoriais.
o tratamento da doença é feito com o uso de medicamentos em regime
ambulatorial.
a medida mais efica para a prevenção da doença é a vacinação
Identificar e tratar os indivíduos doentes também contribui para a redução do número de casos da doença
O coronavírus (COVID-19) é uma doença infecciosa respiratória aguda causada pelo vírus SARS-CoV-2,
um betacoronavirus que foi descoberto em laboratório através de amostras de exames de pacientes com pneu-
monia de origem desconhecida.
A transmissão do vírus se dá de forma aérea, o contágio pode ocorrer por meio de secreções expelidas
pela boca ou o nariz de um indivíduo infectado, através da tosse, do espirro, da fala ou da respiração. Ela pode
ocorrer também quando as pessoas tocam uma superfície contaminada e tocam os seus olhos, boca ou nariz.
em As partículas de secreções, quando em contato com outro indivíduo permitem a propagação do vírus, seu
contágio é rapidamente acelerado em locais fechados e em multidões.
A doença possui sintomas semelhantes aos de gripes, quando o infectado possui um quadro mais leve, tais
como febre, tosse, dores de garganta, perda do paladar ou olfato e cansaço. Mas pode apresentar sintomas
de doenças pulmonares e respiratórias nos quadros, como dificuldades para respirar, falta de ar, perda da fala,
mobilidade ou confusão e dores no peito, problemas mais graves que necessitam de assistência médica e tra-
tamento.
175
O coronavírus foi descoberto em Wuhan, província de Hubei, na China em dezembro de 2019. Estudos
realizados e divulgados posteriormente pela OMS em um relatório constataram que a tese mais plausível a
respeito do surgimento da doença era a possível infecção através de um vírus passado de um morcego para
um mamífero intermediário, e dele para o ser humano, ou a transmissão direta do vírus do morcego para o ser
humano.
Até então, o novo vírus era apenas uma notícia distante de uma patologia descoberta em outro país. O que
não se sabia, no entanto, era o grande potencial contagioso da doença e quão rapidamente ela se propagaria
no mundo todo, tornando-se uma pandemia, ou seja, uma disseminação mundial da doença descoberta.
Inicialmente, sem estudos concretos sobre a doença, medicamentos testados e aprovados contra o vírus
ou qualquer tipo de noção da gravidade da doença, não houve maneira de evitar que o contágio se propagasse
em larga escala mundo afora, a patologia, então, viajou o mundo e se propagou com uma rapidez quase que
imensurável.
A primeira morte registrada pela doença aconteceu na China, mas logo foram identificados novos casos em
outros países. Em janeiro de 2020, o coronavírus chegou até a Austrália, bem como aos Estados Unidos. Em
fevereiro, foi registrado o primeiro caso no Brasil. Com a infecção totalmente fora de controle, quase todos os
países do mundo inteiro tivessem casos de covid-19, aproximadamente 219 milhões de casos desde 2020 e
4,55 milhões de mortes.
Diante da alarmante realidade, governos mundiais se mobilizaram em prol de medidas preventivas contra a
propagação do novo coronavírus. Iniciou-se, então, uma campanha mundial de conscientização e alerta sobre
os riscos dessa nova doença As primeiras medidas foram de isolamento social, o que significou o fechamento
de todo o tipo de comércio e a recomendação de que toda a população permanecesse em casa para evitar um
possível contato com pessoas infectadas.
Diante dessa realidade, a economia de praticamente todos os países do mundo sofreu impactos inimaginá-
veis. Com a queda das vendas, a produção, distribuição e comércios de bens e serviços sofreu grande impac-
to, empresas tiveram que se adaptar à nova realidade e muitas delas fecharam ou faliram. Escolas do mundo
inteiro fecharam, escritórios foram obrigados a adiantar recessos e férias dos funcionários, muitas mudanças
ocorreram em larga escala.
Com o novo modo de vida pautado na impossibilidade de sair às ruas, ir ao trabalho, à escola, ao mercado
ou realizar qualquer outra tarefa fora de casa, novas realidades e adaptações começaram a aparecer. Com
essa impossibilidade, um novo modo de consumir, entreter-se, relacionar-se e, basicamente, viver, começou a
aparecer.
Houve a expansão dos aplicativos de entregas de comida; grandes e pequenos mercados tiveram de se
adaptar para sobreviver. Empreendedores ousados aproveitaram a oportunidade para oferecerem serviços que
antes eram considerados dispensáveis. Oportunidades foram geradas diante das novas demandas e diversos
novos negócios surgiram.
Pessoas passaram a se comunicar mais através das redes sociais e aplicativos de chamada em vídeo.
uitas mudanças benéficas ocorreram para uma readaptação da vida em sociedade E o re exo disso nos dias
de hoje se dá por meio de uma visão mais ampliada das interações e relações humanas, ampliada por meio do
contato direto que grande parte da população mundial teve com as novas formas de se relacionar, comunicar
e interagir com os outros.
Diante de todas essas mudanças estruturais que a sociedade passou a sofrer, até as empresas tiveram de
repensar seus modelos de trabalho. Muitas empresas foram resistentes às mudanças, esperando que a pan-
demia fosse logo acabar e que as coisas se normalizassem rapidamente. Sabemos, porém, que não foi bem
176
assim que aconteceu. Apesar de muitas empresas terem tentado apenas prolongar períodos de recesso e de
férias até que se fosse possível retornar ao trabalho, com a análise das perdas e problemas que surgiriam com
essa postergação, muitas resolveram se modernizar.
Uma prática até então incomum ou realizada em menores proporções, tornou-se o modelo de trabalho de
grande parte da população, possibilitando a continuidade do trabalho mesmo estando em casa, o chamado
home-o ce Até mesmo as escolas passaram a usufruir dos meios digitais como ferramenta de alcance para
impedir o atraso na educação de crianças e adolescentes.
No entanto, muitas outras consequências negativas foram observadas no processo de isolamento social.
Mesmo diante da realidade pandêmica, algumas empresas e comércios nãos e adaptaram ao modelo home
o ce Em especial o ramo de lojas Sendo assim, muitos trabalhadores tiveram de sair às ruas, expondo-se
aos riscos do Covid-19. As possibilidades escassas de trabalho devido o isolamento, bem como o aumento do
desemprego, prejudicou muitas pessoas no mundo todo.
A Doença Falciforme (DF) é uma doença genética e hereditária caracterizada por uma mutação no gene
que produz a hemoglobina (HbA), fazendo surgir uma hemoglobina mutante denominada S (HbS), que é de
herança recessiva.
Existem outras hemoglobinas mutantes: C, D, E, etc., que em par com a S constitui-se num grupo
denominado de doença falciforme. A anemia falciforme é a forma HbSS. Apesar das particularidades que
distinguem as doenças falciformes e das variadas gravidades, todas essas doenças têm manifestações clínicas
e hematológicas semelhantes.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da DF é feito, principalmente, no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) – “Teste
do Pe inho Crianças a partir dos quatro meses de idade, jovens e adultos que ainda não fi eram diagnóstico
para detecção da doença podem realizar o exame de sangue chamado eletroforese de hemoglobina, disponível
no Sistema Único de Saúde (SUS). A eletroforese de hemoglobina também está inserida na rotina do pré-natal,
que é garantido a todas as gestantes e parceiros.
Nas pessoas com DF, as hemácias (glóbulos vermelhos do sangue), que em condições adequadas são
redondas, assumem a forma de “meia lua” ou “foice” (daí o nome “doença falciforme”). Essa mudança de formato
ocorre em situações de esforço físico, estresse, frio, traumas, desidratação, infecções, entre outros. Nesse
formato, os glóbulos vermelhos não oxigenam o organismo de maneira satisfatória, porque têm dificuldade de
passar pelos vasos sanguíneos, causando má circulação em quase todo o corpo.
As manifestações clínicas da doença falciforme podem afetar, assim, quase todos os órgãos e sistemas,
ocorrendo a partir do primeiro ano e se estendendo por toda vida. As principais incluem: crises de dor, icterícia,
anemia, infecções, síndrome mão-pé, crise de sequestração esplênica, acidente vascular encefálico, priaprismo,
síndrome torácica aguda, crise aplásica, ulcerações, osteonecrose, complicações renais, oculares, dentre
outras, incluindo complicações tardias relacionadas à sobrecarga de ferro secundária às transfusões.
NO BRASIL
Entre os anos de 2014 e 2020, a média anual de novos casos de crianças diagnosticadas com DF no
PNTN foi de 1.087, numa incidência de 3,75 a cada 10.000 nascidos vivos. Estima-se que há 60.000 a 100.000
pacientes com DF no país. A distribuição no Brasil é bastante heterogênea, sendo a Bahia, o Distrito Federal
e Minas Gerais as unidades federadas de maior incidência. Uma vez que se trata de uma doença genética de
origem africana, a DF é mais comum (mas não exclusivas) em pretos e pardos.
As arboviroses são um grupo de doenças virais que são transmitidas principalmente por artrópodes, como
mosquitos e carrapatos A palavra arbovirose deriva de arbovírus , que significa vírus transmitido por
artrópodes". Essas enfermidades podem causar uma variedade de sintomas, desde febre leve até complicações
mais sérias, sendo algumas delas potencialmente fatais. Os principais vetores das arboviroses são os mosquitos,
em particular, os gêneros Aedes, Culex e Anopheles. Esses insetos se tornam portadores dos vírus ao picar
uma pessoa infectada e, subsequentemente, passam o vírus para outras pessoas durante suas picadas.
177
Dentre as arboviroses mais conhecidas, destacam-se a dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.
Importante: No Brasil o ciclo da febre amarela atualmente é silvestre, com transmissão por meio dos
mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os últimos casos de febre amarela urbana foram registrados
no Brasil em 19 e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão
Aedes aegypti: é o nome científico de um mosquito ou pernilongo cuja característica que o diferencia dos
demais mosquitos é a presença de listras brancas no tronco, cabeça e pernas. É um mosquito doméstico, que
vive dentro ou ao redor de domicílios ou de outros locais frequentados por pessoas, como estabelecimentos
comerciais, escolas ou igrejas, por exemplo. Tem hábitos preferencialmente diurnos e alimenta-se de sangue
humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer.
Por ser um mosquito que vive perto do homem, sua presença é mais comum em áreas urbanas e a
infestação é mais intensa em regiões com alta densidade populacional - principalmente, em áreas das cidades
com ocupação desordenada, onde as fêmeas têm mais oportunidades para alimentação e mais criadouros para
desovar.
A infestação do mosquito é sempre mais intensa em razão de água acumulada e de altas temperaturas
– fatores que propiciam a eclosão de ovos do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas
permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos
do vetor. Como o mosquito tem hábitos domésticos, essa ação depende sobretudo do empenho de toda a
população.
As doenças negligenciadas são aquelas causadas por agentes infecciosos ou parasitas e são consideradas
endêmicas em populações de baixa renda. Essas enfermidades também apresentam indicadores inaceitáveis
e investimentos reduzidos em pesquisas, produção de medicamentos e em seu controle. As doenças
tropicais, como a malária, a doença de Chagas, a doença do sono (tripanossomíase humana africana, THA),
a leishmaniose visceral (LV), a filariose linfática, o dengue e a esquistossomose continuam sendo algumas
das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Estas enfermidades, conhecidas como
doenças negligenciadas, incapacitam ou matam milhões de pessoas e representam uma necessidade médica
importante que permanece não atendida. Embora as doenças tropicais e a tuberculose sejam responsáveis
por 11,4% da carga global de doença, apenas 21 (1,3%) dos 1.556 novos medicamentos registrados entre
19 e , foram desenvolvidos especificamente para essas doenças Portanto, 1 medicamentos foram
registrados para outras doenças.
As doenças negligenciadas são um grupo de doenças tropicais endêmicas, especialmente entre as populações
pobres da África, Ásia e América Latina. Juntas, causam entre 500 mil e 1 milhão de óbitos anualmente. As
medidas preventivas e o tratamento para algumas dessas moléstias são conhecidos, mas não são disponíveis
universalmente nas áreas mais pobres do mundo. Em alguns casos, o tratamento é relativamente barato.
Em comparação às doenças negligenciadas, as três grandes enfermidades (Aids, tuberculose e malária),
geralmente recebem mais recursos, inclusive para pesquisa. As doenças negligenciadas podem também tornar
a Aids e a tuberculose mais letais.
m estudo recente sobre o financiamento mundial de inovação para doenças negligenciadas (G-Finder ,
na sigla em inglês) revelou que menos de deste financiamento foram investidos no grupo das doenças
extremamente negligenciadas, ou seja, doença do sono, leishmaniose visceral e doença de Chagas, ainda
que mais de 500 milhões de pessoas sejam ameaçadas por estas três doenças parasitárias. As doenças
negligenciadas são um problema global de saúde pública, mas a P&D das indústrias farmacêuticas é orientada
quase sempre pelo lucro, estando o setor industrial privado focado nas doenças globais para as quais
medicamentos podem ser produzidos e comercializados com geração de lucros. Com baixo poder aquisitivo
e sem in uência política, os pacientes e sistemas de saúde mais pobres não conseguem gerar o retorno
financeiro exigido pela maior parte das empresas voltadas ao lucro
Esse cenário levou à criação da iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), uma
organi ação de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos que trabalha com a finalidade de oferecer
novos tratamentos para doenças negligenciadas, em particular, para a doença do sono (tripanossomíase
humana africana), doença de Chagas, leishmaniose, infecções por helmintos específicos (filariais), malária e
HIV pediátrico. Desde a sua criação em 2003, a DNDi disponibilizou seis tratamentos: dois antimaláricos de
178
dose fixa (ASA e AS ), a terapia combinada de nifurtimox e e ornitina ( ECT) para a fase avançada da
doença do sono, a terapia combinada à base de estibogluconato de sódio e paromomicina (SSG & PM) para
a leishmaniose visceral na África, um conjunto de terapias de combinação para a leishmaniose visceral na
Ásia e uma dosagem pediátrica do benznidazol para a doença de Chagas. O escritório regional da DNDi na
América Latina está sediado no Rio de Janeiro, onde funciona desde 2004. E a Fiocruz tem sido um importante
parceiro da DNDi. Após seu lançamento, em abril de 2008, a DNDi e o Instituto de Tecnolgia em Fármacos
(Farmanguinhos/Fiocruz) concluíram a transferência de tecnologia do ASMQ para a empresa farmacêutic Cipla,
na Índia. Atualmente, um estúdio clínico multicêntrico de fase 4 avalia o ASMQ como possível alternativa para
o tratamento da malária na África.
Considerada ainda hoje um dos maiores problemas de saúde em todo o mundo, a AIDS, também conhecida
como Sida (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), é uma doença grave
a AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana, conhecido popularmente
como HIV. Após entrar no organismo, o HIV ataca os linfócitos (células de defesa do organismo), comprometendo
de forma significativa a capacidade do corpo de combater as doenças
quem armazena e transmite o vírus é o homem.
o vírus HIV é transmitido pelo contato direto com secreções contaminadas
como esperma, secreção vaginal, sangue e leite materno. A transmissão do vírus ainda pode ser favorecida
pela presença de outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) como: sífilis, herpes genital, cancro mole,
gonorreia, candidíase entre outras. Outros fatores de risco associados a transmissão da doença são: a recepção
de órgão ou sangue contaminado, a reutilização e/ou compartilhamento de seringas e agulhas, acidentes com
materiais perfurocortantes contaminados e a gestação (quando a mãe é HIV positivo).
o período entre a contaminação e o surgimento dos primeiros
sintomas da doença é denominado período de incubação. No caso da AIDS, os sinais e sintomas da fase
aguda da doença aparecem no período de 5 a 30 dias. Após a fase aguda, o indivíduo com AIDS desenvolve a
imunodeficiência (comprometimento do sistema imunológico) em um espaço de tempo de a 1 anos
o indivíduo contaminado pelo vírus HIV pode transmiti-
lo a partir do momento em que é infectado, mesmo que ainda não apresente sinais e sintomas da doença.
o diagnóstico da AIDS pode ser feito por meio de exames laboratoriais
e observação de manifestações clínicas. No caso dos testes laboratoriais, é extremamente importante levar em
conta a janela imunológica (tempo entre a contaminação pelo vírus até a possível detecção de marcadores
virais e antivirais) e o período de soroconversão (espaço de tempo em que ocorre o desenvolvimento de
anticorpos para o agente patológico). Em relação as manifestações clínicas, os sinais e sintomas irão variar
conforme a fase da infecção:
normalmente, nessa fase, o paciente pode apresentar sintomas de infecção
viral como febre, faringite, adenopatia, faringite, mialgia, rash cutâneo, ulcerações (na mucosa oral, no esôfago
e na genitália), dor de cabeça, sensibilidade à luz, náuseas, vômito e perda de peso. Alguns indivíduos ainda
podem desenvolver candidíase oral e síndrome de Guillain-Barré. Esses sinais e sintomas persistem, em média,
por até 14 dias.
pode durar de meses até alguns anos com poucas ou nenhuma
manifestação clínica. Nos testes laboratoriais, a contagem de linfócitos pode se mostrar estável ou em redução.
nessa fase, o paciente pode apresentar sintomas inespecíficos
e de intensidade variável, além de agravos oportunistas como candidíase oral, diarreia, febre, sudorese noturna
e perda de peso.
Com a imunidade bastante comprometida, o paciente pode desenvolver uma série de doenças oportunistas,
muitas vezes causadas por:
A – Outros vírus (herpes, citomegalovirose);
179
B – Bactérias (tuberculose, pneumonia, salmonelose);
C – Fungos (candidíase, pneumocistose, criptococose);
D – Protozoários (toxoplasmose, isosporíase).
Também podem aparecer neoplasias como sarcoma de Kaposi, linfomas não Hodgkin e câncer de colo de
útero.
os tratamentos empregados para a AIDS visam prolongar e melhorar a
qualidade de vida do paciente não só com a redução da carga viral no sangue, mas também, com a reconstituição
do seu sistema imunológico. No Brasil, o tratamento da doença é garantido e integralmente oferecido e pelo
SUS.
a AIDS pode ser facilmente evitada com a adoção de estratégias
simples como usar preservativos masculinos e femininos, realizar a triagem e testagem dos doadores de
sangue, esperma e órgãos, seguir corretamente as recomendações específicas para procedimentos que
utilizam materiais perfurocortantes, usar EPIs (equipamentos de proteção individual) limpos e esterilizados ou
descartáveis quando possível.
ATENÇÃO
A sífilis é infecção bacteriana caracteri ada por manifestações cutâneas temporárias A doença se desenvolve
em fases distintas:
a) Sífilis primária: nessa primeira fase surge, no local de entrada da bactéria, uma lesão indolor denominada
cancro duro, que desaparece em 4 semanas sem deixar marcas.
b) Sífilis secundária: essa fase ocorre de a semanas após o aparecimento com cancro duro ela, a
bactérias causadora da doença é disseminada pela corrente sanguínea promovendo o aparecimento de lesões
pelo corpo, além do inchaço de linfonodos. Ainda nessa fase podem ocorrer sintomas como febre, perda de
apetite, mal estar, náuseas, cansaço, dor de cabeça, distúrbios visuais etc.
c) Período latente: nessa fase, geralmente o paciente não apresenta sinais e sintomas, apenas a presença
de anticorpos para sífilis Em períodos de recaída, as lesões podem voltar a aparecer
d) Sífilis terciária ou tardia: cerca de um terço dos paciente não tratados podem evoluir para essa fase com
manifestações ósseas (ossos), cardiovasculares (coração e vasos) e nervosas (sistema nervoso).
a doença é causada pela bactéria Treponema pallidum.
o homem.
em relação ao modo de transmissão, a sífilis pode ser adquirida (transmitida
pelo contato sexual ou transfusão sanguínea) ou congênita (transmitida da mãe doente para o feto durante a
gestação).
A sífilis congênita pode ser transmitida em qualquer momento da gestação O quadro clínico da doença
irá depender de fatores como o tempo de exposição do feto ao agente patológico, mas geralmente, a sífilis
congênita pode causar desde aborto até malformações como surdez e cegueira.
de 10 a 90 dias após a infecção.
o diagnóstico da doença é realizado com base nos sinais clínicos
apresentados pelo paciente e nos resultados de exames laboratoriais.
o tratamento da doença se na baseia no uso de antibióticos.
180
a principal medida para prevenção da doença é a educação em
saúde com aconselhamento sobre as situações de risco e a importância do tratamento correto.
A pressão arterial é aquela existente no interior das artérias e comunicada às suas paredes. Quando os ven-
trículos se contraem, o ventrículo esquerdo ejeta sangue para a artéria aorta. Essa contração recebe o nome de
sístole. No momento dessa contração, a pressão nas artérias se torna máxima e elas se distendem um pouco.
Esta é a pressão sistólica.
181
Quando os ventrículos se relaxam, isso se chama diástole. Nesse momento o sangue que está na aorta ten-
ta re uir, mas é contido pelo fechamento da válvula aórtica, que evita que ele retorne ao ventrículo, a pressão
nas artérias cai a um valor mínimo, chamada pressão diastólica.
A hipertensão arterial é o principal fator de risco de morte entre as doenças não-transmissíveis, existindo
relação direta e positiva com o risco cardiovascular.
Outro fato importante é a hipertensão infantil, que está associada ao crescimento da obesidade, causado
pela popularização de maus hábitos alimentares e sedentarismo. Cerca de 1,56 bilhão de pessoas podem
sofrer de hipertensão arterial em 2025, 60% a mais que atualmente, o que provocaria uma epidemia global
de doenças cardiovasculares, segundo relatório publicado, em uma conferência sobre hipertensão arterial no
mundo. O estudo foi realizado por uma equipe de especialistas da London School of Economics, do Instituto
Karolinska (Suécia) e da Universidade do Estado de Nova York.
Os especialistas se preocupam especialmente com o alarmante crescimento do número de doentes em
países em desenvolvimento, especialmente no Brasil, China, Índia, Rússia e Turquia, onde as taxas podem
crescer 80% até 2025. A hipertensão e as doenças relacionadas à pressão arterial são responsáveis por alta
taxa de internações hospitalares. Ocorreram 1.180.184 internações por doenças cardiovasculares, com custo
global de R$ [Link],28.
Estudos têm demonstrado correlação direta entre hipertensão arterial e doença coronariana, acidente vas-
cular cerebral e insuficiência cardíaca congestiva Essas doenças são responsáveis por dos óbitos ocorri-
dos nos Estados Unidos, não se restringindo apenas aos idosos, mas constituindo a segunda causa de morte
na faixa de 45 a 64 anos e a terceira entre 25 e 44 anos.
o fim de , houve a publicação de uma revisão conjunta de estudos de coorte em todas as áreas da
edicina, e que pode ser entendida como evidência definitiva sobre a associação entre pressão arterial e risco
cardiovascular. Foram avaliados 61 grandes estudos de coorte, com um milhão de indivíduos sob risco (12,7
milhões de pessoas/ano), que apresentaram uma incidência de 56 mil mortes por evento cardiovascular. Por
essa análise se confirma que a associação entre pressão arterial e risco cardiovascular é contínua e exponen-
cial, e que começa em valores muito baixos de pressão arterial sistólica (115mmHg) ou diastólica (75mmHg).
Por esta razão foi criada uma nova diretriz nos EUA, Joint National Committee 7 - JNC 7, para prevenção
e tratamento de hipertensão que foram divulgadas pelo National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI). A
principal diferença do C , em comparação ao C , é a nova classificação de hipertensão As categorias
de pressão arterial foram redu idas a três: normal, pré-hipertensão e hipertensão A definição de normal , em
JNC 7, é a mesma que previamente era considerada normal, ou seja PAS < 120mm Hg e PAD < 80mm Hg.
Segundo achado, a nova categoria, pré-hipertensão, é a alteração mais significativa no esquema de clas-
sificação e representa PAS de 1 a 1 9 mm Hg ou PAD de a 9mm Hg
As alterações morfológicas e fisiológicas são mais frequentemente observadas nos seguintes órgãos: cora-
ção (hipertrofia ventricular esquerda, insuficiência cardíaca, doença coronária), encéfalo (doença cerebrovas-
cular hemorrágica ou isquêmica, encefalopatia hipertensiva), rim (nefrosclerose, insuficiência renal cr nica),
retina (retinopatia hipertensiva), e vasos (aneurismas de aorta, dissecantes ou não; aneurismas de outros
vasos; obstrução arterial crônica).
Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, são fatores de risco para a hipertensão:
- : a pressão arterial aumenta linearmente com a idade;
- : a hipertensão é mais prevalente em mulheres afrodescendentes com excesso de risco de hiperten-
são de até 130% em relação às mulheres brancas;
- : nível socioeconômico mais baixo está associado a maior prevalência de hi-
pertensão arterial e de fatores de risco para elevação da pressão arterial;
- : o excesso de consumo de sódio contribui para a ocorrência de HAS.
- : o excesso de massa corporal é responsável por 20% a 30% dos casos de HAS. A perda de
peso acarreta a redução da pressão arterial;
182
- : o consumo elevado de bebidas alcoólicas como cerveja, vinho e destilados aumenta a pressão
arterial Verifica-se redução média de , mmHg na pressão sistólica e , mmHg na pressão diastólica com a
redução no consumo de álcool;
- : indivíduos sedentários apresentam risco aproximado 30% maior de desenvolver hiperten-
são que os ativos.
Prevenção primária da hipertensão e dos fatores de risco associados: entre as medidas preventivas,
destacam-se a adoção de hábitos alimentares saudáveis, prática de atividade física e o abandono ao tabagis-
mo.
Adoção de hábitos alimentares saudáveis: a adoção de hábitos saudáveis é um componente muito im-
portante da prevenção primária da hipertensão arterial. As V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão recomenda
manter o peso adequado, reduzir o consumo de sal, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, controlar o uso
de gorduras e incluir alimentos ricos em potássio na alimentação diária. A média diária de consumo de sal de
hipertensos homens é de 17,6 gramas e entre mulheres é de 13,7 gramas. É recomendado pelas V Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão, o consumo máximo diário de 06 gramas, considerando que 02 gramas já são natu-
ralmente encontrados nos alimentos.
Tabagismo: o fumo é o único fator de risco totalmente evitável de doenças e morte cardiovasculares.
Estresse: há evidências de uma relação direta entre estresse emocional e aumento da pressão arterial e
da reatividade cardiovascular, sendo que o estresse é um fator prognóstico ao desenvolvimento da hipertensão
arterial. O controle do estresse emocional é fundamental como prevenção da hipertensão arterial, resultando na
redução da pressão arterial, sendo recomendado não apenas aos hipertensos, mas também a todos aqueles
que possuam fatores de risco para hipertensão arterial.
Atividade Física: o programa de condicionamento físico tem sido frequentemente recomendado como uma
conduta importante no tratamento não-farmacológico da hipertensão arterial. Existe uma relação inversa entre
a quantidade de atividade física e a manifestação de hipertensão arterial. Segundo as Diretrizes Brasileiras de
Hipertensão, o tratamento da hipertensão arterial deve incluir medidas não medicamentosas de controle da
pressão arterial, dentre as quais destacam-se a realização regular de exercícios físicos aeróbios e o treinamen-
to em relaxamento.
Os indivíduos hipertensos devem ser sistematicamente monitorizados durante os exercícios físicos. De-
verão ser aferidos antes, durante e depois da sessão de treinamento, os níveis de pressão arterial sistêmica
(PAS), frequência cardíaca (FC) e duplo produto (PAS x FC). Os exercícios físicos aeróbios são os mais reco-
mendados para hipertensos, como por exemplo: caminhadas, corridas, natação e ciclismo; devem ser prescri-
tos a uma intensidade entre 50-70% do consumo máximo de oxigênio ou frequência cardíaca entre 60-80%,
com duração entre 30 a 60 min., realizados de 3 a 6 vezes por semana.
A incidência de doenças que atingem a população mundial modificou-se ao longo deste século Os males
que afetavam a humanidade no início do século eram em sua maioria, doenças agudas, como as infecciosas e
parasitárias. Os jovens eram os mais atingidos por essas doenças.
Contudo, com a crescente industrialização, a descoberta de medicamentos potentes contra os agentes
infecciosos e a melhoria das condições de saneamento básico, este quadro foi sendo alterado. Todos esses
processos implicaram em melhorias na qualidade de vida e consequente aumento da expectativa de vida.
este final de século, as moléstias que apresentam altas taxas de morbidade e mortalidade são as doenças
crônicas degenerativas. Devido ao aumento da expectativa de vida, os mais atingidos pelas doenças crônicas
são os idosos. Cerca de 75% das mortes de pessoas com idade em torno de 65 anos, nos estados Unidos, são
decorrentes de doenças cardíacas, câncer e doenças vasculares cerebrais.
Segundo dados, a doença cardiovascular é a principal causa de mortes nos EUA, constituindo-se em 24%
do total. Além disso, os dados mostram que 72,4% das causas de mortes da população foram provocadas por
doenças que apresentam comprovada relação com a alimentação: doenças cardíacas, câncer, derrame, dia-
183
betes mellitus, e aterosclerose. Segundo os dados apresentados, ainda pode-se inferir que aproximadamente
5,6% das causas de mortes foram provocadas por doenças ou problemas relacionados com a alimentação: as
doenças do fígado e acidentes de trânsito ambos provocados pela excessiva ingestão de álcool.
Esta estatística não difere muito da apresentada no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca
de 38% das mortes da população na faixa etária acima dos 65 anos correspondem a doenças do aparelho
circulatório. Nessa porcentagem estão incluídas as doenças cerebrovasculares (32%), doenças isquêmicas do
coração (29%) e infarto agudo do miocárdio (21%). Todas essas doenças possuem relação comprovada com
altos índices de colesterol no sangue. Já as doenças hipertensivas, relacionadas ao colesterol e ao alto consu-
mo de sal, contam com 3%. O Diabetes mellitus conta com 4% das causas de morte nessa mesma população.
Estes são dados alarmantes, pois além de serem as principais causas de mortes, essas doenças represen-
tam queda substancial na qualidade de vida. Estudos comprovam que a associação entre a obesidade e as
doenças crônicas degenerativas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e hiperlipidemia, constitui fator de
extrema importância para a redução da qualidade e da expectativa de vida. Isto ocorre devido a complicações
tão comuns na evolução dessas doenças, que muitas vezes levam à incapacitação do indivíduo.
Pesquisas realizadas pela American Heart Association apontam que as medidas preventivas, principal-
mente no que se refere à mudança de hábitos alimentares e estilo de vida, têm efeito positivo e comprovado
na qualidade de vida. A adoção de hábitos alimentares saudáveis e atividade física constante aumentam as
chances de longevidade livre de doenças coronarianas, derrames e diabetes mellitus, proporcionando melhor
qualidade de vida.
A vida agitada nos grandes centros urbanos tem provocado mudanças substanciais na alimentação e no
estilo de vida. As pessoas têm optado cada vez mais por uma alimentação rápida e prática, o fast-food. Contu-
do, este tipo de alimentação é muito rico em gorduras saturadas e proteínas, acarretando em aumento do risco
nutricional para as doenças crônicas degenerativas. Além disso, existe uma tendência acentuada ao sedenta-
rismo, provocada pela diminuição de exercícios físicos. Por isso, os pesquisadores têm enfocado a prevenção
de doenças crônicas degenerativas através da adoção de uma alimentação saudável e balanceada, juntamente
com a prática de exercícios, visando uma melhor qualidade de vida. A seguir, são apresentadas as doenças
crônicas degenerativas que possuem relação com a alimentação, salientando as suas causas, incidência e
medidas de prevenção relacionadas com a Nutrição.
A incidência de doenças cardiovasculares é responsável por aproximadamente 24% das mortes nos EUA e
38% das mortes no Brasil. Isto se deve a hábitos alimentares errôneos e à crescente tendência ao sedentaris-
mo, comuns nos grandes centros de países desenvolvidos, como os EUA. A importação desses hábitos para
países em desenvolvimento, como o Brasil, tem levado a um aumento crescente de doenças cardiovasculares.
O ponto de partida para a redução dos níveis de risco do colesterol sérico, segundo a American Heart Associa-
tion, (1990) e Assis, (1997), é a mudança de estilo de vida com relação a:
- Hábitos alimentares, particularmente com a redução das gorduras saturadas e o aumento de fibras solú-
veis;
- Prática de atividade física regular
O câncer é responsável por 22% das mortes nos EUA e 13% no Brasil (Ministério da Saúde). É considerada
a terceira causa de mortes e possui íntima relação com hábitos alimentares. Ao contrário das doenças cardía-
cas, a sua taxa vem aumentando.
A incidência de tipos de câncer associados à alimentação (mama, cólon e próstata) aumentou. Vários es-
tudos indicam que a excessiva ingestão de gorduras é um fator de risco para alguns tipos de câncer, principal-
mente o câncer de mama, cólon, próstata, reto e ovários. Outros componentes da alimentação aparecem como
risco potencial de câncer: os defumados, embutidos e agentes contaminantes como as a atoxinas e compostos
N-nitrosos.
184
Os padrões dietéticos que caracteri ados pelo alto consumo de fibras estão associados à baixa ocorrên-
cia de certos tipos de câncer, principalmente mama e cólon. Estudos demonstram que as frutas, os vegetais
amarelos e verdes são alimentos que contribuem para a prevenção do câncer, pois são fontes de substâncias
antioxidantes.
O diabetes tipo 2 (não-insulino dependente) não é o mais grave, mas é de mais difícil diagnóstico, pois os
sintomas raramente aparecem na sua fase inicial. Estima-se que 4 a 5 milhões de pessoas são portadoras de
diabetes não diagnosticada.
As complicações mais comuns são neuropatia, retinopatia e doença cardiovascular, que muitas vezes ad-
vêm de um diagnóstico tardio ou de um acompanhamento errôneo do tratamento por parte dos pacientes.
Essas complicações têm um impacto negativo sobre a expectativa de vida ativa, debilitando ou incapacitando
os seus portadores.
A obesidade é um fator importante na prevalência do diabetes tipo 2. A dieta balanceada, o controle do
peso e os exercícios físicos são capazes de normalizar a glicemia e podem minimizar os efeitos deletérios do
diabetes.
O aconselhamento dietético para diabéticos consiste em diminuir o consumo de carboidratos, principalmen-
te os carboidratos simples, dando preferência à ingestão dos provenientes das frutas e vegetais, em aumentar
a ingestão de fibras solúveis, em redu ir as gorduras da dieta, principalmente as saturadas, e em evitar um alto
consumo de proteínas.
A obesidade é um distúrbio nutricional relacionado com o excesso de ingestão de calorias. Ela está associa-
da a outras doenças, como as doenças coronarianas, hipertensão, diabetes mellitus, dislipidemias, doenças da
vesícula biliar, osteoporose e alguns tipos de câncer, aumentando a morbidade e a mortalidade.
Este distúrbio, muito comum em países desenvolvidos, visto que a sua maior causa é o excesso de ingestão
de alimentos, tem atingido, também, nos países em desenvolvimento. Com a crescente globalização, têm-se
assistido a um aumento dramático na prevalência de obesidade nos países em desenvolvimento. Isto se deve
a mudança de hábitos alimentares e estilo de vida em toda a América Latina. Estes países estão incorporando
hábitos alimentares dos países mais industrializados. De fato, esta tendência, chamada de “ocidentalização da
Nutrição” (nutritional westernization), vem se caracterizando pelo aumento do consumo de fast-food e por uma
tendência à diminuição da atividade física.
A incorporação dessa mudança de hábitos alimentares nas regiões da América Latina tem propiciado o
aumento das taxas de doenças crônicas degenerativas em contraposição à das doenças infectocontagiosas,
as maiores responsáveis pela mortalidade no passado. Existem estudos que permitem a comparação da pre-
valência da obesidade em muitos países da América Latina. O indicador de obesidade escolhido na pesquisa
foi o Índice de Massa Corporal acima de 25kg/m².
Verificou-se uma alta prevalência de obesidade, principalmente com relação ao sexo feminino, em todos os
países estudados.
No Brasil, a prevalência de obesidade é maior no sexo feminino, enquanto no Uruguai encontramos uma
prevalência de obesidade semelhante em homens e mulheres. Tais resultados demonstram que são neces-
sárias medidas urgentes para que a população se conscientize dos males de uma dieta rica em gorduras e
proteínas.
Cabe aos especialistas em Nutrição alertar para a importância de uma alimentação adequada, balanceada
e variada. Na próxima seção apresentamos a importância do diagnóstico nutricional na prevenção e no trata-
mento das doenças crônicas degenerativas que apresentam relação com a alimentação.
O Diagnóstico Nutricional
O cuidado nutricional individual é muito importante na prevenção e no tratamento das doenças relacionadas
com a alimentação, como é o caso das doenças crônicas degenerativas. O estabelecimento de uma conduta
dietética adequada depende do diagnóstico nutricional para avaliar a existência de fatores de risco nutricional.
185
O risco nutricional é o potencial prejuízo que uma alimentação inadequada, associada a fatores hereditários ou
não, pode ocasionar a um indivíduo. A determinação do diagnóstico nutricional é efetuada durante uma consulta
com especialistas. A consulta em Nutrição consta de quatro etapas:
- Coleta de informações;
- Análise das informações obtidas;
- Estabelecimento do plano de ação;
- Determinação da conduta dietoterápica.
A finalidade do diagnóstico nutricional é verificar a in uência da alimentação na saúde do indivíduo Isto é
obtido através da avaliação do estado nutricional As finalidades da avaliação nutricional são identificar distúr-
bios nutricionais, estabelecer valores básicos para avaliar a eficácia de planos alimentares e reconhecer, pre-
cocemente, potenciais riscos à saúde devido a fatores nutricionais.
Através de uma consulta, o especialista em Nutrição coleta informações pertinentes ao estado nutricional do
indivíduo. Os instrumentos necessários para a obtenção do diagnóstico nutricional são história dietética, dados
antropométricos, bioquímicos, antecedentes médicos, antecedentes familiares, histórico alimentar e fatores
psicossociais.
- O histórico do consumo alimentar feito através de anamnese alimentar indica a presença de hábitos ali-
mentares errôneos que podem interferir no estado nutricional do indivíduo;
- Dados antropométricos obtidos através das medidas de altura, peso e/ou dobras cutâneas. Fornecem
informações sobre a massa e a distribuição de gordura corpórea;
- Os exames bioquímicos indicam o estado nutricional através do estado metabólico do indivíduo, entre eles:
glicemia, colesterol sérico, hemograma etc.;
- Os antecedentes médicos indicam patologias que podem estar associadas à alimentação, como por exem-
plo, diabetes, obesidade, hipertensão, anemia ferropriva etc.;
- Os antecedentes familiares indicam se os parentes próximos apresentam doenças que podem ser trans-
mitidas por hereditariedade, como por exemplo, as acima citadas;
- A determinação de fatores psicossociais, como ansiedade, depressão, condição socioeconômica que po-
dem interferir na alimentação.
A análise conjunta desses dados conduz ao diagnóstico nutricional e à determinação de uma conduta die-
tética específica A prescrição dietética é definida como uma intervenção que implica na melhoria da saúde do
indivíduo através de uma dieta. O plano alimentar envolve a prescrição de uma dieta adequada e balanceada
e a sugestão de cardápios. Esta dieta deve levar em consideração a composição de nutrientes dos alimentos,
equilíbrio entre quantidade e qualidade dos nutrientes, ingestão de alimentos e refeições do dia, respeitando a
adequação e as preferências individuais.
186
A utilização do Índice de Massa Corpórea (IMC) na avaliação do risco à saúde é o instrumento mais prático
para orientar o tratamento da obesidade e é considerada a melhor estimativa da relação entre obesidade e o
risco nutricional. Constitui uma ferramenta importante e fácil de ser obtida para o diagnóstico nutricional. Ele é
calculado da seguinte forma:
Onde:
Peso = peso atual em kg;
Altura = em metros, elevada ao quadrado.
A definição de faixas de I C saudáveis (I C 19 a ) é aceita pela Organi ação undial da Saúde e está
baseada na avaliação do risco da obesidade (Meisler) em ocasionar doenças crônicas degenerativas. O IMC
pode classificar o indivíduo em:
- Desnutrição: <18,5
- Eutrofia: 1 , ,9
- Sobrepeso: 25 – 30
- Obesidade moderada: 30 – 40
- Obesidade mórbida: > 40
A relação cintura/quadril é o índice mais utilizado para averiguar a distribuição local de tecido adiposo re-
gional. A circunferência da cintura é determinada na área mais estreita, acima do umbigo e a do quadril, sobre
a área máxima dos glúteos. Os valores de circunferência da cintura acima de 100cm são considerados poten-
cialmente aterogênicos, ou seja, podem indicar maior deposição de colesterol nas artérias. Os valores limiares
sugeridos como adequados para a relação da circunferência cintura/quadril são:
- 0,8 para mulheres de meia idade ou idosas
- 0,9 para homens
Valores superiores são considerados fatores de risco de doença cardiovascular, apresentando correlação
positiva com a mortalidade cardiovascular em homens e mulheres.
Embora a relação cintura quadril tenha sido bastante empregada para estimar a distribuição de gordura
corpórea, a literatura recente sugere que a circunferência abdominal pode indicar uma melhor correlação com
doenças crônicas e degenerativas e a ocorrência de adiposidade na região central do corpo.
Fortes correlações foram observadas com o risco para diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hiper-
tensão e dislipidemias. Quanto maior for a medida da circunferência abdominal, maior é o risco de se adquirir
doenças crônicas e degenerativas.
A distribuição regional da gordura corporal é um indicador de risco nutricional muito importante. Estudos
revelam que existe uma íntima relação com o tipo de distribuição regional de gordura corporal e a ocorrência
de doenças cardiovasculares.
Os tipos de distribuição de gordura corporal dividem-se em: abdominal, conhecida como androide, e no
quadril, denominada ginecoide. O tipo de distribuição de gordura corporal que apresenta maior relação com o
aparecimento de doenças cardiovasculares é o androide.
Conhecendo-se o grau de risco nutricional ao qual o indivíduo está submetido, o passo seguinte é o esta-
belecimento da conduta dietética, que consiste na prescrição de uma dieta individualizada e adequada nutricio-
nalmente, na orientação da dieta prescrita e no acompanhamento evolutivo do paciente.
187
Já há algum tempo, a magnitude das doenças cardiovasculares como causa de óbito e morbidade tem sus-
citado estudos que relacionam certos fatores (tabagismo, alcoolismo, hipercolesterolemia, obesidade, “stress”,
diabetes melittus, hipertensão arterial e outros), ao aparecimento dessas doenças. No intuito de tentar evitar a
morte precoce e a morbidade por essas citadas doenças, em sua maior parte incapacitantes, tem-se formulado
duas estratégias básicas: a do “enfoque de risco” e a do “enfoque populacional”.
O primeiro propõe o controle de exposição a fatores de risco em indivíduos com alto risco para doenças
cardiovasculares (DCV), em trabalho realizado indivíduo a indivíduo. Já o “enfoque populacional” pretende al-
cançar a redução dos fatores de risco na população, realizando-se a abordagem ao nível do coletivo. Ambas as
estratégias têm como pressuposto que a supressão de um ou mais fatores de risco acarretaria diminuição da
mortalidade e morbidade por DCV.
O Ministério da Saúde, pela sua Divisão Nacional de Doenças Crônico-Degenerativas, lançou as “Bases Es-
tratégicas e Operacionais” para o controle das DCV, em documento onde faz uma breve avaliação do trabalho
realizado naquele ano e expõe sua proposta de atuação. O documento prevê que a abordagem do problema
seja feita através dos dois enfoques, o de risco e o populacional.
O trabalho de prevenção pela “estratégia populacional” seria realizado por meio de campanhas antifumo,
a favor dos exercícios físicos e da dieta mais equilibrada. Já o trabalho de prevenção pela “estratégia de alto
risco” seria realizado pela assistência médica prestada aos indivíduos de alto risco, especialmente hipertensos,
com a detecção e controle dos principais fatores de risco, tais como fumo, obesidade, hipercolesterolemia,
entre outros.
A avaliação do processo de trabalho, busca compreender as relações que se estabelecem, no processo
de trabalho em saúde, entre os elementos que o constituem: objeto do trabalho, meios de trabalho (onde se
incluem, além dos instrumentos materiais, o conhecimento clínico e o conhecimento epidemiológico), e agentes
do trabalho; estes são determinados, em última instância, pela necessidade social de obtenção dos produtos
desse processo de trabalho.
Nesses termos, a avaliação deve reconhecer quais são essas necessidades (ou, pelo menos, qual é sua
expressão hegem nica), e verificar se o processo efetivamente realizado é adequado à satisfação dessas
necessidades sociais. É evidente que a satisfação efetiva dessa necessidade só pode ser apreendida pelo
próprio conjunto social que, ao fa ê-lo, reitera, modifica ou substitui aquele processo por outro
Deste modo, três enfoques aparecem como pertinentes para a avaliação do processo de trabalho relativo
a ações programáticas dirigidas ao controle de DCV: avaliação da cobertura, avaliação do uso do serviço, e
avaliação do conteúdo das ações.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que as doenças crônicas de declaração não obrigatória,
como as doenças cardiovasculares, a diabetes, a obesidade, o cancro e as doenças respiratórias, representam
cerca de 59% do total de 57 milhões de mortes por ano e 46 por cento do total de doenças. Afetam países de-
senvolvidos e países em vias de desenvolvimento A expansão das doenças cr nicas re ete os processos de
industrialização, urbanismo, desenvolvimento econômico e globalização alimentar, que acarretam:
- Alteração das dietas alimentares;
- Aumento dos hábitos sedentários;
- Crescimento do consumo de tabaco.
Cerca de metade das mortes causadas por doenças crônicas está diretamente associada às doenças car-
diovasculares. Os ataques cardíacos e os enfartes do miocárdio matam cerca de 12 milhões de pessoas por
ano. A hipertensão e outras doenças cardíacas matam, por sua vez, 3,9 milhões de pessoas. Cerca de 75% das
doenças cardiovasculares são atribuíveis a:
- Colesterol elevado;
- Tensão arterial elevada;
- Dieta pobre em frutas e vegetais;
- Sedentarismo;
- Tabagismo.
188
Calcula-se que, em todo o mundo, existam 177 milhões de pessoas a sofrer de diabetes, sobretudo de tipo
2. Dois terços do total vivem nos países em vias de desenvolvimento. Mais de mil milhões de adultos sofrem de
excesso de peso. Destes, pelo menos 300 milhões são clinicamente obesos. Apesar de muito diferentes entre
si, as doenças crônicas apresentam fatores de risco comuns. São poucos e podem ser prevenidos:
- Colesterol elevado;
- Tensão arterial elevada;
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Consumo de álcool.
Através da alteração do seu estilo de vida poderá, em pouco tempo, reduzir o risco de desenvolver uma
doença crônica. Alterando a dieta alimentar – privilegiar frutas, vegetais, frutos secos e cereais integrais; subs-
tituir as gorduras animais saturadas por gorduras vegetais insaturadas; reduzir as doses de alimentos salgados
e doces; iniciando a prática de exercício físico diário; Mantendo um peso normal – Índice de Massa Corporal
entre 18,5 e 24,9. Eliminando o consumo de tabaco.
á está comprovado que as intervenções comportamentais sustentadas são efica es na redução dos fato-
res de risco para a população. Mais de 80% dos casos de ocorrência de doenças cardíacas coronárias, 90%
dos casos de diabetes de tipo 2 e de um terço das ocorrências de cancro podem ser evitados através da alte-
ração dos hábitos alimentares, do aumento de atividade física e do abandono do tabagismo.
A pele é o maior órgão do corpo humano, funciona como uma barreira protetora contra organismos causa-
dores de doenças, apresenta funções sensoriais para dor, temperatura e toque, e ainda sintetiza a vitamina D
em nosso organismo.
A pele tem duas camadas, a epiderme e a derme, que são unidas por uma membrana chamada de jun-
ção dérmico-epidérmica. A epiderme, ou camada superior, tem várias camadas com diversas funções como:
descamação, proteção da desidratação devido a presença de queratina, combate a entrada de certos agentes
químicos, evaporação da água pela pele, absorção de certos medicamentos de uso tópico entre outros.
A derme ou camada interna da pele, proporciona resistência à tração, suporte mecânico, e proteção para
os músculos, ossos e órgãos subjacentes. Nessa camada encontra-se o colágeno, os vasos sanguíneos e os
nervos.
Quando a pele é ferida a epiderme exerce a função de proteger a ferida e restaurar a barreira contra orga-
nismos invasores e a derme responde para restaurar a integridade estrutural do tecido, junto as propriedades
físicas da pele.
Uma ferida, pode ser reconhecida, como o rompimento da integridade e função dos tecidos do corpo. E nes-
te sentido, se faz necessário avaliar o tipo e aspecto (cor) do tecido na base da ferida, utilizando as informações
coletadas para planejar as intervenções necessárias.
O tecido de granulação, de aspecto vermelho e úmido, composto por novos vasos sanguíneos indica o pro-
gresso rumo à cicatrização. O tecido de aspecto mole, amarelo ou branco de característica esfarelada (substân-
cia fibrosa ligada ao leito da ferida) indica atenção para um acompanhamento E o tecido de aspecto preto, mar-
rom, bege ou necrótico é reconhecido como escara, devendo ser removido para uma cicatrização apropriada.
O acompanhamento do tamanho da ferida fornece informações a respeito das mudanças em relação a sua
dimensão, servindo como um indicador do processo de cicatrização. Por isso, se faz necessário medir o com-
primento, largura e profundidade do ferimento, para a devida observação de seu progresso.
Também é necessário observar o exsudato da ferida, por meio do acompanhamento da quantidade, cor,
consistência e odor da substância. Lembrando que exsudato em excesso indica a presença de uma infecção.
189
Posto isso, veremos a seguir algumas considerações a respeito da classificação das feridas, processo de
cicatrização e curativos.
A classificação da ferida possibilita a compreensão dos riscos associados a ela e as implicações para sua
cicatrização.
Os sistemas de classificação descrevem: o status de integridade cutânea, a causa da ferida, a gravidade ou
extensão da lesão, ou dano tecidual, a limpeza da ferida e as descrições do tecido da ferida, como a cor.
Há diversas maneiras de se classificar as feridas, que podem ser de forma:
Aguda
- Descrição: ferida que procede por meio de um processo reparador ordenado e oportuno que resulta na
restauração sustentada da integridade anatômica e funcional. As bordas da ferida são limpas e intactas.
- Causas: trauma, incisão cirúrgica.
Crônica
- Descrição: ferida que não consegue prosseguir por meio de um processo ordenado e oportuno para pro-
duzir a integridade anatômica e funcional. A exposição continuada ao insulto impede a cicatrização da ferida.
- Causas: comprometimento vascular, in amação cr nica ou insultos repetitivos ao tecido
Primeira Intenção
- Descrição: ferida que está fechada. A cicatrização ocorre por epitelização, cicatriza rapidamente com for-
mação mínima de cicatrizes.
- Causas: incisão cirúrgica, ferida que está suturada ou grampeada.
Segunda Intenção
- Descrição: as bordas não são aproximadas. A ferida cicatriza pela formação de tecido de granulação, con-
tração da ferida e epitelização.
Intenção Terciária
- Descrição: a ferida é deixada aberta por vários dias, em seguida, as bordas da ferida são aproximadas. O
fechamento da ferida é adiado até o risco de a infecção ser resolvida.
- Causas: feridas que estão contaminadas e exigem observação em busca de sinais de in amação
A cicatri ação da ferida envolve processos fisiológicos integrados, as camadas de tecido envolvidas e sua
capacidade de regeneração determinam o processo de reparo da ferida.
As feridas de espessura parcial são superficiais, envolvendo a perda da epiderme e a possível perda da
derme. Esses tipos de feridas cicatrizam por regeneração, pois a epiderme regenera-se.
As feridas de espessura total estendem-se até a derme e cicatrizam pela formação de cicatriz por que as
estruturas mais profundas não se regeneram.
Três componentes estão envolvidos no processo de cicatrização de uma ferida de espessura parcial:
- Resposta in amatória
- Proliferação epitelial e migração;
- Restabelecimento das camadas epidérmicas.
As quatro fases envolvidas no processo de cicatrização de uma ferida de espessura total são:
190
- Hemostasia;
- In amatória
- Proliferativa;
- Maturação.
Hemorragia
Hemorragia ou sangramento do local da ferida é normal durante e imediatamente após o trauma inicial,
podendo ser externa ou interna.
A hemorragia interna detectada pela distensão ou inchaço da parte do corpo afetada, uma mudança no tipo
e na quantidade de drenagem de um dreno cirúrgico, ou sinais de choque hipovolêmico.
A hemorragia externa é óbvia e pode ser observada através de curativos cobrindo uma ferida para a drena-
gem de sangue. Se o sangramento for externso, o curativo logo se tornará saturado e frequentemente drenará
o sangue debaixo do curativo acumulando sob o paciente.
: um hematoma é uma coleção localizada de sangue sob os tecidos. Aparece como um inchaco,
mudança de cor, sensação ou calor que muitas vezes leva a uma descoloração azulada.
Infecção
Todas as ferida possui algum nível de carga bacteriana, poucas são infectadas. A infecção da ferida está
presente quando os microrganismos invadem os tecidos da ferida. O sinais clínicos locias de infeção da ferida
podem incluir eritema, aumento da quantidade de drenagem da ferida, mudança na aparência da drenagem da
ferida (espessa, mudança de cor, presença de odor), e calor, ou edema periférico.
Um paciente pode ter febre e aumento na contagem de leucócitos. As infecções bacterianas inibem a cica-
trização.
Deiscência
Quando uma incisão não cicatriza corretamente, as camadas da pele e do tecido se separam. A deiscência
é uma separação parcial ou total das camadas da ferida. Um paciente que está em risco de má cicatrização de
feridas corre risco de deiscência.
Evisceração
Com a separação total das camadas de ferida, a evisceração ocorre. A condição é considerada uma emer-
gência que requer intervenção cirúrgica. Quando a evisceração ocorre deverá colocar gaze estéril embebida
em soro fisiológico sobre os tecidos exsudados para redu ir as chances de invasão bacteriana e secagem dos
tecidos, observe os sinais e sintomas de choque e prepare o paciente para a cirurgia de emergência.
Sempre que estiver em contato direto com um paciente observe a pele em relação a presença de racha-
duras ou integridade cutânea comprometida. A integridade cutânea comprometida ocorre a partir da pressão
prolongada, incontinência fecal ou urinária, e/ou imobilidade, levando assim ao desenvolvimento de lesões por
pressão.
Uma lesão por pressão é uma lesão localizada na pele e/ou no tecido subjacente. Inúmeros fatores contri-
buem para o aparecimento da lesão por pressão.
A prevenção de lesões por pressão é uma prioridade no cuidado de pacientes e não está limitado aqueles
que apresentam restrições de mobilidade. A integridade cutânea comprometida geralmente não é um problema
em indivíduos saudáveis e imobilizados, mas é um problema grave e potencialmente devastador em pacientes
doentes e/ou debilitados.
191
A integridade cutânea comprometida resulta em lesão por pressão é principalmente o resultado da pressão.
Portanto, fatores adicionais incluído força de cisalhamento, atrito, umidade, nutrição, perfusão tecidual, infecção
e idade aumentam o risco do paciente para o desenvolvimento de lesão por pressão e de ferida mal cicatrizada.
A prevenção é o tópico mais importante no cuidado às Úlceras de Pressão - UP e visa principalmente a
reduzir ou eliminar os principais fatores que contribuem para o seu desenvolvimento.
Todos os indivíduos em risco devem ter uma inspeção sistemática da pele pelo menos 1 vez/dia, prestan-
do-se atenção particular às regiões de proeminências ósseas. O aumento da vascularização e da nutrição dos
tecidos é conseguido por meio de massagens, as quais devem ser realizadas regularmente, evitando-se mas-
sagear as proeminências ósseas.
A mudança de decúbito tem como objetivo alternar os locais de apoio e deve ser efetuada a cada 2 horas,
utilizando todos os decúbitos de acordo com o estado geral e a patologia do paciente. O decúbito lateral a 30°
distribui a pressão, não apoiando o peso corpóreo diretamente sobre o trocanter.
Existem colchões de espuma, ar, gel ou água e camas especiais que ajudam a prevenir as UP. Pacientes
de alto risco podem necessitar de suportes que ofereçam elevada redução da pressão, como a cama de baixa
perda de ar e a de ar uidi ado, que também apresentam efeitos benéficos na cicatri ação das P, porém têm
custo elevado.
Os pacientes que permanecem em cadeira devem ser orientados a reposicionar-se a cada 15 ou 20 min
e utilizar almofadas especiais capazes de diminuir a pressão e de proporcionar estabilidade e conforto. As
almofadas em forma de anel devem ser evitadas, pois elas podem causar isquemia ao redor da úlcera, inten-
sificando-a edidas preventivas de fricção e cisalhamento incluem: manter a cabeceira da cama elevada, no
máximo, 30° para evitar que o paciente escorregue.
A desnutrição é um importante causador da UP, por isso é essencial que o estado nutricional do paciente
seja avaliado com o auxílio de um nutricionista. Medidas antropométricas e dados laboratoriais, como nível de
albumina sérica e contagem total de linfócitos, devem ser obtidos. Os pacientes necessitam de uma dieta pres-
crita rica em proteínas e calorias, se não houver contraindicação. Se as necessidades nutricionais do paciente
não puderem ser atingidas por suplementação oral, métodos alternativos devem ser considerados, como as
dietas enterais ou parenterais.
A umidade excessiva da pele, causada por incontinência, sudorese e drenagem de feridas, predispõe a sua
maceração. A prevenção deve ser instituída por meio de higiene adequada, uso de cremes e protetores de pele.
No controle da incontinência urinária, utilizar coletor externo de urina, fraldas e absorventes.
O envolvimento familiar e o apoio psicológico são fundamentais para o sucesso do tratamento e para a
prevenção de recidiva.
As medidas preventivas são:
• manter a pele sempre limpa;
• hidratar a pele com cremes ou óleos;
• evitar massagear as proeminências ósseas;
• acompanhar ingesta nutricional;
• mudar decúbito a cada 2 horas;
• colocar coxins entre os joelhos;
• colocar travesseiros em panturrilhas, elevando os calcanhares, eliminando a pressão local;
• utilizar decúbito lateral de 30°;
• utilizar colchões de espumas piramidais;
• utilizar almofadas em cadeiras para alívio da pressão no paciente sentado;
• não utilizar almofadas em forma de anel;
• orientar e envolver a equipe, familiares e o próprio paciente sobre a etiologia, os fatores de risco e a pre-
venção das UP.
192
Histórico de Enfermagem
- Identificar o risco do paciente para o desenvolvimento de integridade cutânea comprometida ou cicatri a-
ção ruim;
- Identificar os sinais e sintomas associados à integridade cutânea comprometida ou cicatri ação ruim
- Examinar a pele do paciente quanto ao comprometimento real na integridade cutânea.
Durante o processo de histórico de enfermagem, faça uma avaliação cuidadosa de cada paciente e analise
criticamente os achados para garantir que será tomada decisões clínicas centradas no paciente, necessárias
para os cuidados de enfermagem seguros.
Concentra-se em elementos específicos com o nível de sensação, movimento e estado de continência de
um paciente, pois ajuda a orientar a avaliação da pele.
Debridamento
É a remoção de tecido não viável e necrótico sendo necessária para livrar a ferida de uma fonte de infecção,
permitir a visualização do leito da ferida e fornece uma base limpa para a cicatrização.
O método de debridamento depende do que é mais apropriado para a condição do paciente. Planeje admi-
nistrar um analgésico solicitado 30 minutos antes do procedimento.
Os métodos de debridamento incluem: mecânico, autolítico, químico e afiado/cirúrgico
- Debridamento autolítico: é a remoção do tecido morto por meio de lise de tecido necrótico por leucócitos e
enzimas naturais do corpo, para isso é necessário utilizar curativos que suportam a umidade na superfície da
ferida. Se a base da ferida estiver seca, use um curativo que permita adicionar umidade, se houver exsudato
excessivo use um curativo que absorva a umidade excessiva.
- Debridamento químico: é o uso de uma preparação enzimática tópica, solução de Dakin ou larvas estéreis.
As enzimas tópicas induzem alterações no substrato, assim resultando na ruptura do tecido necrótico. Essas
preparações exigem a solicitação de um médico. A solução de Dakin rompe e solta o tecido morto da ferida é
preciso embebedar a gaze com a solução e aplicar na ferida. Já as larvas estéreis são usadas na ferida, pois
acredita-se que elas ingerem o tecido morto.
193
- Debridamento cirúrgico: é a remoção de tecido desvitalizado com um bisturi, tesoura ou outro instrumento.
Médico e em algumas localidades enfermeiros treinados na prática avançada realizam o procedimento. É o
método mais rápido de debridamento sendo indicado quando o paciente tem sinais de celulite ou sepse.
- Debridamento mecânico: são irrigação da ferida (irrigação de alta pressão e lavagem de alta pressão pul-
sátil) e tratamentos de hidromassagem.
Quanto mais extensa for uma ferida maior será a limpeza necessária. O tipo de curativo varia de acordo com
a avaliação da ferida e a fase de cicatrização.
m curativo tem a finalidade de proteger uma ferida contra contaminação de microrganismos, de auxiliar na
hemostasia, de promover a cura absorvendo a drenagem e debridando uma ferida, de apoio ou suporte do local
de uma ferida, de promover isolamento térmico da superfície de uma ferida e de fornecer um ambiente úmido.
Em relação aos curativos de pressão é preciso ter a certeza de que não estão interferindo na circulação em
uma parte do corpo, por isso avalie a cor da pele, os pulsos nos membros distais, o conforto do paciente e as
alterações na sensação.
A principal função de um curativo em uma ferida em cicatrização é absorver a drenagem. A maioria dos cura-
tivos de gaze cirúrgica tem três camadas: uma camada de contato ou primária, uma camada absorvente e uma
camada externa protetora ou secundária. Se um curativo de gaze grudar em uma incisão cirúrgica, umedeça-a
levemente com soro fisiológico com isso o curativo ficará saturado e soltará da área incisional, assim evitando
o trauma durante o processo de remoção.
A técnica do curativo possui variação, pois depende do objetivo do plano de tratamento para a ferida em
questão.
Tipos de Curativos
Os curativos variam de acordo com o tipo de material e o modo de aplicação (úmida ou seca). Precisam ser
fáceis de aplicar, confortáveis e feitos de materiais que promovam a cicatrização.
Esponjas de gaze são o tipo de curativo mais antigo e mais comum, são absorventes e especialmente úteis
em feridas para eliminar o exsudato. A gaze está disponível em diferentes texturas, comprimentos e tamanhos.
A gaze pode ser saturada com soluções e usado para limpar e cobrir uma ferida. Ao utilizar uma gaze para co-
brir uma ferida deverá saturar com uma solução geralmente o soro fisiológico torcer logo em seguida deixando
a gaze somente úmida, desdobrada e levemente cobrindo a ferida.
Outro tipo de curativo é um que retém a umidade sobre a ferida, assim
proporcionando um ambiente úmido, esse curativo é ideal para pequenas feridas superficiais e possui diversas
vantagens como:
- Aderência à pele intacta;
- Serve como uma barreira para líquidos externos e bactérias, porém permite que a superfície da ferida res-
pire, pois o oxigênio atravessa ocrurativo transparente;
- Promoção de um ambiente úmido que acelera o crescimento de células epiteliais;
- Pode ser removido sem danificar os tecido subjacentes
- Permite a visualização de uma ferida;
- Não exige um curativo secundário.
são curativos com formulações complexas de coloides e componentes adesivos.
A camada de contato da ferida desse curativo forma um gel à medida que o exsudato da ferida é absorvido e
mantém um ambiente cicatrizante úmido. Os hidrocoloides apoiam a cicatrização em feridas granulantes limpas
e debridam autoliticamente as feridas necróticas, possui disponibilidade de tamanhos e formatos variados.
Esse tipois de curativos possuem as seguintes funções:
- Absorver a drenagem por meio do uso de absorventes de exsudato no curativo;
194
- Manter a ferida úmida;
- Liquefazer lentamente os detritos necróticos;
- É impermeável a bactérias e outros contaminantes;
- É autoadesivo e molda-se bem;
- Atua como um curativo preventivo para áreas de alto risco de atrito;
- Pode ser deixado no lugar durante 3 a 5 dias minimizando o trauma da pele e a interrupção da cicatrização.
Os são gaze ou curativos reutilizáveis impregnados com água ou gel amorfo à
base de glicerina. Esses curativos hidratam as feridas e absorve pequenas quantidades de exsudato. São
indicados para feridas de espessura parcial e de espessura total, feridas profundas com algum exsudato,
feridas necróticas, queimaduras e pele danificada pela radiação
Podem ser úteis em feridas dolorosas, pois são muito calmantes para um paciente e não aderem ao leito da
ferida provocando assim pouco trauma durante a remoção. Possui uma desvantagem já que alguns hidrogéis
exigem um curativo secundário. Os hidrogéis estão disponíveis em um curativo em folha ou em um tubo permi-
tindo assim a capacidade de esquichar o gel diretamente dentro da base da ferida.
O hidrogel possui algumas vantangens:
- É calmante e pode reduzir a dor da ferida;
- Fornece um ambiente úmido;
- Debrida o tecido necrótico;
- Não adere à base da ferida e é fácil sua remoção.
Existem outros tipos de curativos disponíveis. Os e são para feridas com
grande quantidade de exsudato. Os curativos de espuma são usados em torno dos tubos de drenagem para
absorvê-la. Os curativos de alginato de cálcio são confeccionados a partir de algas marinhas e estão disponí-
veis em forma de folha e corda O alginato forma um gel macio quando em contato com o uído da ferida, são
altamente aborventes para feridas com uma quantidade excessiva de drenagem e não causam trauma quando
removidos da ferida. Não se deve utilizar esse tipo de curativo em feridas secas, pois elas exigem um curativo
secundário.
195
- Aplique o curativo;
- Curativo seco: calce as luvas de procedimento ou estéreis, inspecione a ferida quanto ao aspecto, drenos,
drenagem e integridade. Aplique um curativo de gaze de tecido frouxa e seca, cobrindo a ferida. Aplique uma
gaze adicional se necessário;
- Ou aplique o curativo de esponja se indicado;
- Curativo úmido e seco: calce as luvas de procedimento estéreis, avalie o aspecto da pele circundante e
procure por maceração. Umedeça a gaze com a solução prescrita, esprema delicadamente o excesso da solu-
ção. Desdobre. Aplique a gaze como uma única camada diretamente sobre a superfície da ferida. Se a ferida é
profunda cubra suavemente sua base com o curativo usando a mão até que todas as superfícies dela estejam
em contato com a gaze. Se houver encapsulação use um aplicador com ponta de algodão para colocar a gaze
na área encapsular Verifique se a ga e não está tocando na pele circundante Cubra com ga e seca estéril e
curativo de esponja.
- Fixe o curativo. Aplique o esparadrapo não alérgico;
- Correias de Montgomery: abra expondo a superfície adesiva do esparadrapo na extremidade de cada
correia. Coloque as correias em lados opostos do curativo. Coloque o adesivo diretamente sobre a pele ou
aplique uma barreira cutânea sólida e fixe a extremidade do esparadrapo na barreira cutânea Fixe o curativo
amarrando as correias através dele;
- Remova as luvas e descarte-as em local apropriado. Remova máscara, óculos ou vestimenta;
- Escrever à tinta a data e a hora que o curativo foi aplicado no esparadrapo que fixa o curativo
- Descarte os materiais e higienize as mãos.
Bandagens e Ataduras
m curativo de ga e simples muitas ve es não é suficiente para imobili ar ou dar apoio a uma ferida Atadu-
ras e bandagens aplicados sobre ou em torno de curativos fornecem proteção extra e benefícios terapêuticos.
As bandagens estão disponíveis em rolos de diferentes larguras e materiais, incluindo gaze, malha elástica,
tira elástica, anela e musselina As bandagens de ga e são leves e baratas, moldam facilmente ao redor de
contornos do corpo e permitem a circulação de ar para evitar a maceração da pele. As bandagens elásticas
adaptam-se bem às diversas partes do corpo, porém exercem pressão.
196
As ataduras são bandagens que são feitas de grandes pedaços de material para ajustar-se a uma parte
específica do corpo A maioria é feita de elástico ou algodão
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
Pre ado Candidato, o tema supracitado, já foi abordado na matéria de Legislação S S e Específica
Não deixe de conferir!
A partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em 1972, em Es-
tocolmo, as preocupações com os problemas ambientais tornaram-se um dos assuntos mais importantes
no âmbito internacional m dos resultados mais importantes foi a Declaração de Estocolmo que re etia o
conjunto das preocupações e concepções ambientais e o Plano de Ação de Estocolmo, com recomendações
que visavam estabelecer as bases para as tomadas de medidas designadas ao aumento do conhecimento do
meio ambiente, a melhoria da sua qualidade e a sua preservação.
A vigilância ambiental busca a identificação de situações de risco ou perigos no ambiente que possam
causar doenças, incapacidades e mortes com o objetivo de se adotar ou recomendar medidas para a remo-
ção ou redução da exposição a essas situações de risco.
No ano 2000 foi estabelecida como uma competência do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) a
gestão do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde.
Em 2001, as competências da Coordenação Geral de Vigilância Ambiental em Saúde foram instituídas no
Regimento Interno da Funasa e, em 2003, com a reforma administrativa promovida pelo Governo Federal, a
área de Saúde Ambiental é incorporada ao Ministério da Saúde, para atuar de forma integrada com as vigilân-
cias sanitária e epidemiológica, no âmbito da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). O Sistema Nacional
de Saúde Ambiental (Sinvisa) foi instituído por meio da Instrução Normativa Funasa n. 2/2001, que foi poste-
riormente atualizada pela Instrução Normativa SVS n. 1/2005.
o Brasil, devido à complexidade da situação, foram identificadas como áreas prioritárias de atuação da
Vigilância em Saúde Ambiental (VSA): o controle da qualidade da água para consumo humano (Vigiagua);
qualidade do ar (Vigiar); solo contaminado (Vigisolo); substâncias químicas (Vigiquim); desastres naturais
(Vigidesastres); acidentes com produtos perigosos; fatores físicos (radiações ionizantes e não ionizantes) (Vi-
gifis) e ambiente de trabalho Esses elementos da VSA são abordados sob a óptica da promoção da saúde e
da prevenção dos riscos de agravos às populações humanas.
197
A Saúde do Trabalhador foi uma resposta institucional aos movimentos sociais que, entre a metade dos
anos e os anos , reivindicavam que as questões de saúde relacionadas ao trabalho fi essem parte do
direito universal à saúde, incluída no escopo da Saúde Pública.
Em 1984, foi criado na SES/SP e depois em vários UF, o Programa de Saúde do Trabalhador (PST), um
experiência pioneira com efetiva participação sindical em sua gestão.
A saúde dos trabalhadores é uma conquista dos trabalhadores brasileiros, institucionalizada na Constituição
Federal de 1988 como parte do direito universal à saúde e competência do Sistema Único de Saúde – SUS. A
temática requer uma contínua e abrangente discussão e um debate propositivo entre os setores do governo e
as instâncias dos segmentos sociais envolvidos.
O termo Saúde do Trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as relações entre o
trabalho e o processo saúde/doença.
Nesta acepção, considera a saúde e a doença como processos dinâmicos, estreitamente articulados com
os modos de desenvolvimento produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte do princípio
de que a forma de inserção dos homens, mulheres e crianças nos espaços de trabalho contribui decisivamente
para formas específicas de adoecer e morrer O fundamento de suas ações é a articulação multiprofissional,
interdisciplinar e intersetorial.
Para este campo temático, trabalhador é toda pessoa que exerça uma atividade de trabalho, independen-
temente de estar inserido no mercado formal ou informal de trabalho, inclusive na forma de trabalho familiar e/
ou doméstico. Ressalte-se que o mercado informal no Brasil tem crescido acentuadamente nos últimos anos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, cerca de / da população economicamente
ativa – PEA têm desenvolvido suas atividades de trabalho no mercado informal. É importante ressaltar, ainda,
que a execução de atividades de trabalho no espaço familiar tem acarretado a transferência de riscos/fatores
de risco ocupacionais para o fundo dos quintais, ou mesmo para dentro das casas, num processo conhecido
como domiciliação do risco.
Num momento em que o processo de descentralização das ações de saúde consolida-se em todo o país,
um dos mais importantes desafios sobre os quais os municípios brasileiros têm se debruçado é o da organi a-
ção da rede de prestação de serviços de saúde, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde
– SUS: descentralização dos serviços, universalidade, hierarquização, equidade, integralidade da assistência,
controle social, utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, entre outros.
A municipalização e a distritalização, como espaços descentralizados de construção do SUS, são conside-
rados territórios estratégicos para estruturação das ações de saúde do trabalhador.
As propostas de ações apresentadas a seguir deverão ser desenvolvidas pela rede básica municipal de
saúde, quer ela se organize em equipes de Saúde da Família, em Agentes Comunitários de Saúde e/ou em
centros/postos de saúde.
Não devem ser compreendidas como um check-list, devendo ser discutidas e adaptadas em função da
dinâmica de trabalho dos grupos de profissionais que atuam na atenção básica no nível municipal de saúde
198
- Os integrantes das famílias que são trabalhadores (ativos do mercado formal ou informal, no domicílio,
rural ou urbano e desempregados), por sexo e faixa etária.
- A existência de trabalho precoce (crianças e adolescentes menores de 16 anos, que realizam qualquer
atividade de trabalho, independentemente de remuneração, que frequentem ou não as escolas).
- A ocorrência de acidentes e/ou doenças relacionadas ao trabalho, que acometam trabalhadores inseridos
tanto no mercado formal como informal de trabalho. Mais adiante serão apresentados e discutidos os agravos
considerados neste momento como prioritários para a Saúde do Trabalhador.
- Organizar e analisar os dados obtidos em visitas domiciliares realizadas pelos agentes e membros das
equipes de Saúde da Família.
- Desenvolver programas de Educação em Saúde do Trabalhador.
- Incluir o item ocupação e ramo de atividade em toda ficha de atendimento individual de crianças acima de
5 anos, adolescentes e adultos.
- Em caso de acidente ou doença relacionada com o trabalho, deverá ser adotada a seguinte conduta:
1. Condução clínica dos casos (diagnóstico, tratamento e alta) para aquelas situações de menor complexi-
dade, estabelecendo os mecanismos de referência e contra referência necessários.
2. Encaminhamento dos casos de maior complexidade para serviços especializados em Saúde do Trabalha-
dor, mantendo o acompanhamento dos mesmos até a sua resolução.
otificação dos casos, mediante instrumentos do setor saúde: Sistema de Informações de ortalidade
SI Sistema de Informações Hospitalares do S S - SIH Sistema de Informações de Agravos otificáveis
SINAN e Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB.
4. Solicitar à empresa a emissão da CAT, em se tratando de trabalhador inserido no mercado formal de tra-
balho. Ao médico que está assistindo o trabalhador caberá preencher o item 2 da CAT, referente a diagnóstico,
laudo e atendimento.
5. Investigação do local de trabalho, visando estabelecer relações entre situações de risco observadas e o
agravo que está sendo investigado.
199
otificar à equipe de saúde a existência de trabalhadores em situação de risco, trabalho precoce e trabalha-
dores acidentados ou adoentados pelo trabalho.
Informar à família e ao trabalhador o dia e o local onde procurar assistência.
Planejar e participar das atividades educativas em Saúde do Trabalhador.
Acompanhar, por meio de visita domiciliar, os trabalhadores que sofreram acidentes graves e/ou os portado-
res de doença relacionada ao trabalho que estejam ou não afastados do trabalho ou desempregados.
Preencher e organi ar arquivos das fichas de acompanhamento de Saúde do Trabalhador
Participar do planejamento das atividades educativas em Saúde do Trabalhador.
Coletar material biológico para exames laboratoriais.
Prover assistência médica ao trabalhador com suspeita de agravo à saúde causado pelo trabalho, enca-
minhando-o a especialistas ou para a rede assistencial de referência (distrito/município/ referência regional ou
estadual), quando necessário.
Realizar entrevista laboral e análise clínica (anamnese clínico-ocupacional) para estabelecer relação entre
o trabalho e o agravo que está sendo investigado.
Programar e realizar ações de assistência básica e de vigilância à Saúde do Trabalhador.
Realizar inquéritos epidemiológicos em ambientes de trabalho.
Realizar vigilância nos ambientes de trabalho com outros membros da equipe ou com a equipe municipal e
de órgãos que atuam no campo da Saúde do Trabalhador (DRT/MTE, INSS etc.).
otificar acidentes e doenças do trabalho, mediante instrumentos de notificação utili ados pelo setor saúde
Para os trabalhadores do setor formal, preencher a Ficha para Registro de Atividades, Procedimentos e otifi-
cações do SIAB.
Colaborar e participar de atividades educativas com trabalhadores, entidades sindicais e empresas.
Cabe à Vigilância Sanitária verificar se os sistemas destinados ao saneamento básico respondem aos pro-
cessos técnicos necessários para a garantia de saúde da população. Assim, exercer a vigilância da qualidade
da água destinada ao consumo humano, inspecionar os sistemas de coleta e disposição de esgotos, fiscali ar o
destino dos resíduos sólidos de origem doméstica, industrial, de serviços de saúde e outras, têm como objetivo
melhorar a qualidade de vida e saúde da população.
A Vigilância da qualidade da água para o consumo humano
200
A água é uma necessidade do homem para usos variados, como em casa, na indústria, no lazer, na agricul-
tura, em hospitais, escolas, entre outros, e que requer tratamento e cuidados.
A relação entre a água e a saúde é conhecida desde a Antiguidade porém, a demonstração científica desse
fato somente foi possível a partir dos estudos sobre a cólera efetuados pelo Dr. Snow em Londres, em 1854, e
pelo Dr. Koch, em Hamburgo, em 1892.
Estima-se que, em países em desenvolvimento ou em regiões economicamente pobres, cerca de 80 %
das internações se devem a enfermidades infecciosas causadas por ingestão de água contaminada, o que
demonstra ser a água consumida uma fonte importante, direta ou indiretamente, de disseminação de doenças
diarreicas em geral, virais, parasitárias, hepatite A, cólera, etc. Sabe-se também que a provisão em quantidade
inadequada de água, que dificulta os bons hábitos de higiene, propicia inúmeros agravos à saúde, favorecen-
do a disseminação de verminoses, infecções oculares e dermatites. Esses dados revelam que a quantidade
de água fornecida a uma população é tão importante quanto sua qualidade, no que se refere aos aspectos de
prevenção da doença e promoção da saúde.
Técnicas e métodos de tratamento permitiram diminuir as taxas de enfermidades e mortes devidas a agen-
tes patógenos transmitidos pela água, já que os processos de tratamento estabeleceram barreiras contra eles,
assegurando uma qualidade microbiológica apropriada. Sua importância não se restringe às doenças infeccio-
sas, pois a água pode conter também elementos tóxicos à saúde humana, como metais pesados, produtos quí-
micos, algas venenosas, entre outros, que provocam danos agudos, doenças crônicas e efeitos teratogênicos.
A adição de determinados componentes pode contribuir para a prevenção de doenças, como a uoretação
das águas, destinada à erradicação da cárie dentária. Uma medida que nem sempre tem sido cumprida pelos
sistemas de abastecimento.
Assim, o Programa de Vigilância de qualidade da água para consumo tem como objetivo conhecer as eta-
pas de captação, adução, tratamento, reservação e distribuição da água, para garantir a potabilidade dentro
dos padrões técnicos necessários à prevenção de agravos e proteção da saúde dos usuários.
A vigilância da água pressupõe um monitoramento do processo que deve ser feito, imprescindível e primei-
ramente, pelos próprios serviços de abastecimento de água, isto é, através de um controle interno sistemático
e rigoroso Vigilância Sanitária cabe o controle externo, como forma de acompanhar e garantir a eficácia dos
processos envolvidos para a garantia de qualidade.
A maioria dos sistemas de abastecimento de água é operada pelos próprios municípios; parte deles, por
órgãos ligados ao Estado. Há trabalhos que mostram que, mesmo nos Estados mais desenvolvidos da Federa-
ção, os sistemas produtores de água apresentam algum tipo de problema nas diversas etapas, acabando por
comprometer a qualidade do produto final por falta de um controle sistemático
No espaço urbano, a Vigilância Sanitária deve examinar os projetos de sistemas de abastecimento, através
de inspeções que permitam reconhecer o potencial de risco das etapas de captação, adução, tratamento, reser-
vação e distribuição, bem como os aspectos relacionados ao controle de qualidade realizado pelo sistema. Nes-
sas inspeções, devem estar disponíveis aos técnicos da Vigilância Sanitária os parâmetros do monitoramento,
frequências e resultados, para que sejam incluídos em uma avaliação global do desempenho do sistema.
Os procedimentos de Vigilância Sanitária da Água não são complexos e envolvem inspeções e coletas de
água periódicas em vários pontos do sistema para avaliação do processo e das características físico-químicas
e bacteriológicas da água, que permitirão diagnosticar a origem dos problemas e sua correção. Um roteiro de
inspeção, à semelhança do que foi proposto nas seções anteriores, é um instrumento importante para definir
os aspectos principais da avaliação e delimitar a abrangência das ações. A partir do conhecimento do sistema,
podem-se programar coletas de amostras da água distribuída, para verificar o cumprimento dos padrões de
potabilidade. O tamanho e a frequência das amostras dependerão do grau de fatores críticos visualizados no
sistema e de aspectos como sazonalidade e outros, que podem interferir na qualidade ou quantidade da água.
O quadro de avaliação é completado pelo registro sistemático das doenças relacionadas à água, como local de
ocorrência, número e faixa etária, recorrências no tempo, etc , o que permitirá estabelecer ações específicas
destinadas a corrigir problemas pontuais como conexões cruzadas (vazamento de esgoto próximo da rede de
abastecimento), pressão negativa, entre outros.
a área rural, a Vigilância Sanitária deve verificar e indicar as alternativas para a captação de águas sem
contaminação por fossas e águas residuais e para os processos de tratamento doméstico.
201
Para tanto, o programa deve obrigatoriamente contar com infraestrutura laboratorial para a realização das
análises e com sistema de informação adequado para as tomadas de decisão em tempo oportuno. Além disso,
a Vigilância deve voltar-se também para a proteção dos mananciais, consubstanciada na Política Nacional de
Recursos Hídricos (Comitê de Bacias), para evitar sua poluição e comprometimento da qualidade da água a
ser consumida.
Dessa forma, a atuação da Vigilância requer uma programação que inclui inspeções rotineiras, coletas sis-
temáticas, informações epidemiológicas, avaliação dos resultados laboratoriais, orientação e educação, atendi-
mento de denúncias e aplicação de medidas para solução dos problemas.
A equipe de Vigilância Sanitária deve contar com um engenheiro sanitarista familiarizado com os procedi-
mentos de captação, adução, tratamento, reservação e distribuição das águas, bem como apto a proceder às
avaliações dos problemas locais para encaminhamento das soluções.
É função do Ministério da Saúde coordenar os programas em todo o país e garantir, junto com as secreta-
rias estaduais e municipais, as condições para um monitoramento efica em todos os municípios O Decreto
nº 79.367/77, em seu artigo 6º, determina a obrigatoriedade das secretarias da Saúde ou órgãos equivalentes,
em suas áreas geográficas, de manter um registro permanente de informações sobre a qualidade da água e
notificação de fato epidemiológico relacionado à água A Portaria G / S n /9 especifica as normas e os
padrões de potabilidade da água destinada ao consumo humano.
202
coletores que transportam esgoto são conectados aos coletores troncos, e estes por sua vez aos interceptores,
geralmente localizados no fundo de vales. A condução dos esgotos até o local de tratamento é feito por emis-
sários, que possuem diâmetros semelhantes aos dos interceptores. Nas estações de tratamento são realizados
procedimentos para a redução do potencial contaminante e poluente dos esgotos O resultado é um e uente
com condições adequadas para ser lançado em um corpo de água receptor ou aplicado no solo, conforme suas
características e em observância às normas vigentes.
Estima-se que a quantidade de água despejada no esgoto corresponde a cerca de 80% da dotação de água
potável de consumo doméstico. As instituições e indústrias fazem aporte ao esgoto segundo suas atividades e
produtos.
A atuação da Vigilância Sanitária em relação aos sistemas de coleta e disposição dos esgotos varia con-
forme a situação encontrada. Nas áreas onde não existem sistemas coletivos, as inspeções deverão voltar-se
para a qualidade das soluções individuais utilizadas. Os moradores deverão ser orientados para as alternativas
mais adequadas do ponto de vista sanitário e ambiental. Em relação aos sistemas coletivos, a Vigilância Sa-
nitária deve estar articulada com o órgão responsável pelo sistema, acompanhar o monitoramento feito sobre
a etapa de tratamento, através de inspeções e coletas de amostras, para investigar a presença de patógenos
e substâncias químicas que possam degradar os pontos de descarga de e uentes os casos em que sejam
detectados esgotamentos fora da rede coletora, a Vigilância Sanitária deverá, além de orientar os moradores
quanto à obrigatoriedade e importância de se conectarem à rede, reali ar inspeções nos esgotos, para verifi-
car seu potencial de dano ao ambiente e as razões técnicas e socioeconômicas dessas ocorrências. Caso o
sistema de coleta e disposição de esgoto não inclua, de imediato, a etapa do tratamento, a Vigilância Sanitária
deverá requisitar do órgão responsável o mapeamento dos pontos de lançamento do esgoto bruto, avaliando
os riscos da água à jusante e intervindo no sentido de proteger a saúde da população.
Para isso, a equipe de Vigilância Sanitária deve contar com um profissional engenheiro sanitário familiari-
zado com as técnicas de tratamento e parâmetros de qualidade das águas servidas e esgotos, para realizar
uma avaliação adequada da situação dos sistemas, orientar e subsidiar as intervenções para a correção dos
problemas.
Essa vigilância consiste na avaliação permanente do sistema, com inspeções, coleta de amostras, em
conjunto com o laboratório de retaguarda, levantamento de dados antecedentes, entrevistas e análises sobre
a operação, análise dos projetos e dos processos de manutenção e controles de qualidade, verificação do cum-
primento das normas técnicas, avaliação do potencial de risco de contaminação da água, do solo e subsolo,
dentre outras atividades, para garantir a saúde ambiental e a saúde da população.
203
O gerenciamento inadequado dos sistemas de resíduos sólidos pode causar graves prejuízos à saúde da
população, favorecendo a disseminação de doenças infecciosas, proliferação de insetos vetores de dengue e
febre amarela, de roedores causadores de leptospirose, entre outros agravos.
Estima-se ainda que, no Brasil, cerca de 80% dos municípios (mesmo nos Estados mais desenvolvidos) não
dispõem de sistemas adequados de destinação do lixo, que é depositado em lixões.
Além dos efeitos imediatamente danosos à saúde, a disposição incorreta do lixo pode contaminar os len-
çóis freáticos pela infiltração de chorum e produ ido pela decomposição do lixo ou favorecer práticas indevidas
como criação de animais junto aos lixões, para comercialização de carne. Isso sem falar nos catadores de pa-
pel, que passam a morar próximos aos lixões e se servir de alimentos recolhidos do lixo.
Constitucionalmente, é concedida ao município a autonomia para gerenciar a limpeza pública, a remoção e
destino do lixo domiciliar e outros resíduos, além de atribuições como tratamento e distribuição de água, coleta
e tratamento de esgoto, drenagem e limpeza de bueiros e córregos, iluminação pública, pavimentação, feiras e
mercados, serviço funerário, corpo de bombeiros e outros.
No gerenciamento de resíduos sólidos adquirem importância determinados tipos de lixo, como os de origem
hospitalar, os industriais ou lixos tóxicos e perigosos, que demandam critérios rigorosos para a definição de
áreas a que serão destinados e processados.
A Resolução CONAMA nº 5/93 estabelece normas mínimas para o tratamento e destinação de resíduos só-
lidos gerados em portos, aeroportos, terminais ferroviários e estabelecimentos prestadores de serviços de saú-
de. Referência as normas brasileiras ABNT para acondicionamento dos resíduos sólidos, e o tratamento e sua
disposição dependerão do tipo de resíduo sólido Essa resolução fa uma classificação dos resíduos sólidos:
• resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente devido à presença
de agentes biológicos. Enquadram-se nesse grupo, dentre outros: sangue e hemoderivados; animais usados
em experimentação, bem como os materiais que tenham entrado em contato com eles; excreções, secreções
e líquidos orgânicos meios de cultura tecidos, órgãos, fetos e peças anat micas filtros de gases aspirados de
áreas contaminadas; resíduos procedentes de área de isolamento; restos alimentares de áreas de isolamento;
resíduos de laboratórios de análises clínicas; resíduos de unidades de atendimento ambulatorial; resíduos de
sanitários de unidades de internação e de enfermaria; e animais mortos a bordo dos meios de transporte obje-
tos da resolução. Incluem-se ainda os objetos perfurantes ou cortantes capazes de causar punctura ou corte,
como lâminas de barbear, bisturi, agulhas, escalpes, vidros quebrados, etc., provenientes de estabelecimentos
prestadores de serviços de saúde.
resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente devido às suas
características químicas. Enquadram-se nesse grupo, dentre outros: drogas quimioterápicas e produtos por
elas contaminados; resíduos farmacêuticos (medicamentos vencidos, contaminados, interditados ou não utili-
ados) e demais produtos considerados perigosos, conforme classificação da BR 1 da AB T (tóxicos,
corrosivos, in amáveis e reativos)
rejeitos radioativos. Enquadram-se nesse grupo os materiais radioativos ou contaminados com
radionuclídeos, provenientes de laboratórios de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia,
segundo a Resolução CNEN 6.05.
resíduos comuns: todos os demais que não se enquadram nos grupos descritos anteriormente.
Os resíduos sólidos pertencentes ao grupo A não poderão ser dispostos no meio ambiente sem tratamento
prévio que assegure a eliminação da periculosidade do resíduo, permita a preservação do meio ambiente e
esteja de acordo com os padrões exigidos de qualidade ambiental e de saúde pública.
Os resíduos sólidos pertencentes ao grupo B deverão ser submetidos a tratamento e disposição final espe-
cíficos, de acordo com as características de toxicidade, in amabilidade, corrosividade e reatividade, segundo
as exigências do órgão ambiental competente.
Os resíduos enquadrados no grupo C devem atender ao estabelecido pelas normas CNEN.
Os resíduos classificados no grupo D devem ser tratados e dispostos como resíduos domiciliares, desde
que resguardadas as condições de proteção do meio ambiente e da saúde pública.
204
Apresentadas as principais questões, cabe à Vigilância Sanitária a fiscali ação e monitoramento das condi-
ções em que se reali am a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos sólidos em geral
e, em especial, nos estabelecimentos de saúde e outros que se configurem de alto risco, visando a proteção da
saúde pública e do meio ambiente.
O Programa de Vigilância Sanitária do saneamento básico inclui atividades de orientação, educação e ins-
peção, sob a perspectiva da avaliação de estrutura, processo e resultado. Nas atividades de inspeção deverá
verificar as instalações e processos reali ados pelos sistemas de água, de esgoto e de resíduos sólidos, em
todas as etapas Deve verificar os aspectos estruturais e os relativos aos procedimentos que, se não obedece-
rem aos padrões técnicos, alteram o produto final ou promovem a poluição do ambiente A coleta de amostras
visa analisar o produto, no caso da água, ou as possíveis contaminações do ambiente, no caso do esgoto ou
resíduos sólidos. Esses serviços, se adequados, deverão contribuir para a melhoria dos indicadores de saúde:
redução da morbimortalidade por agravos decorrentes de medidas inadequadas e/ou da ausência de sanea-
mento básico, água de boa qualidade, controle de vetores, da poluição dos rios e do ambiente em geral, bem-
-estar e saúde da população.
1. (Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: EBSERH Prova: CESPE - 2018 - EBSERH ) Acerca da assistência de
enfermagem na vigilância em saúde e da saúde da criança e da mulher, julgue o item subsequente.
Mesmo com o avanço do trabalho de enfermagem na atenção primária em saúde no Brasil, ainda devem
ser superados alguns desafios, como a sobrecarga de trabalho em ra ão do acúmulo de atividades gerenciais
e de assistência com enfoque no indivíduo em detrimento da coletividade.
( ) CERTO
( ) ERRADO
2. (Ano: 2018 Banca: Prefeitura de Fortaleza - CE Órgão: Prefeitura de Fortaleza - CE Prova: Prefeitura de
Fortaleza - CE - 2018 - Prefeitura de Fortaleza) As ações de Vigilância em Saúde estão inseridas nas atribui-
ções:
(A) da Equipe de Saúde da Família.
(B) da Coordenação de Vigilância em Saúde.
(C) de todos os profissionais da Atenção Básica
(D) da Equipe de Enfermagem da Atenção Básica.
3. (Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: EBSERH Prova: CESPE - 2018 - EBSERH ) Julgue o item a seguir, a
respeito de segurança hospitalar.
A garantia da segurança na incorporação de tecnologias na assistência à saúde requer uma série de pro-
cessos, tais como: regulação de pré-comercialização e de pós-comercialização, avaliação e controle da quali-
dade dos produtos e do processo de assistência à saúde e gerenciamento de risco.
( ) CERTO
( ) ERRADO
205
4. (Ano: 2018 Banca: CS-UFG Órgão: UFG Prova: CS-UFG - 2018 - UFG ) O Modelo Calgary de avaliação
e intervenção de famílias, desenvolvido pelas enfermeiras pesquisadoras Wrigth e Leahey, vem sendo continu-
amente utilizado. Fundamenta se em um esquema conceitual necessário à compreensão do sistema familiar
como uma unidade de cuidados. Consta de três categorias e cada uma é dividida em várias subcategorias.
Neste modelo de avaliação,
(A) o genograma e o ecomapa não devem ser utilizados durante a coleta de dados, uma vez que a visua-
li ação de ambos dificulta a identificação de forças e problemas das famílias e o relacionamento de seus
membros Entretanto, pode ser útil na elaboração de um plano de tratamento esquemati ado e codificado,
facilitando a comunicação sigilosa da equipe de enfermagem.
(B) o outro instrumento utilizado é o ecomapa, o qual permite uma visão geral da família, retratando relações
importantes de educação ou relações con ituosas e de opressão entre a família e o mundo Demonstra o
uxo ou a falta de recursos e as privações e tem como objetivo representar os relacionamentos íntimos dos
membros da família com pessoas significativas
(C) a avaliação e intervenção das famílias prevê a utilização de todas as subcategorias durante o processo,
que devem estar todas registradas no prontuário do paciente índice. Algumas categorias e subcategorias
precisarão ser criteriosamente reavaliadas em determinadas famílias, facilitando a tomada de decisão pelo
enfermeiro.
(D) o instrumento preconizado para avaliação estrutural da família é o genograma, que consiste em uma
árvore familiar que representa a estrutura familiar interna. Este instrumento desencadeia informações úteis
tanto para a família como para os profissionais da saúde e propicia a informação sobre relacionamentos ao
longo do tempo, incluindo dados de saúde, doença, ocupação, religião, etnia e migração
5. (Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: SEDF Prova: Quadrix - 2018 – SEDF) Quanto às teorias de enferma-
gem e ao processo de enfermagem, julgue o item.
Os diagnósticos de enfermagem são interpretações empíricas dos dados levantados, usados para orientar
o planejamento, a implementação e a avaliação de enfermagem.
( ) CERTO
( ) ERRADO
6. (Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: SEDF Prova: Quadrix - 2018 - SEDF ) Quanto às teorias de enferma-
gem e ao processo de enfermagem, julgue o item.
Segundo a teoria das necessidades humanas básicas de Wanda Horta, o prognóstico de enfermagem
estima a capacidade do ser humano de atender suas necessidades básicas após a implementação do plano
realizado a partir da evolução da enfermagem.
( ) CERTO
( ) ERRADO
7. (Ano: 2018 Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos) Órgão: Prefeitura de Pará de Minas - MG Prova:
FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2018 - Prefeitura de Pará de Minas - MG ) O objetivo do dimensionamento
de pessoal de enfermagem é fixar e estabelecer parâmetros no quadro de profissionais de enfermagem para
as unidades assistenciais nas instituições de saúde e similares.
Considerando o dimensionamento de pessoal de enfermagem, é incorreto afirmar:
(A) O responsável técnico de enfermagem deve dispor de a do quadro geral de profissionais de en-
fermagem para cobertura de situações relacionadas à rotatividade de pessoal e participação de programas
de educação continuada.
(B) O quadro de profissionais de enfermagem da unidade de internação composto por ou mais de
pessoas com idade superior a 50 anos deve ser acrescido de 10% ao índice de segurança técnica (IST).
206
(C) Compete ao enfermeiro estabelecer o quadro quantitativo / qualitativo de profissionais, necessário para
a prestação da assistência de enfermagem.
(D) O dimensionamento e a adequação quanti-qualitativa do quadro de profissionais de enfermagem devem
se basear na quantidade de pacientes internados.
8. (Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: SEDF Prova: Quadrix - 2018 - SEDF) Quanto às teorias de enferma-
gem e ao processo de enfermagem, julgue o item.
A teoria do autocuidado, empreendida por Dorothea Orem, descreve que a enfermagem é um sistema que
identifica e executa as necessidades básicas do indivíduo até que ele aprenda a reali á las
( ) CERTO
( ) ERRADO
9. (Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Valinhos - SP Prova: VUNESP - 2019 - Prefeitura de
Valinhos - SP) No suporte básico de vida ao paciente com agravo clínico, a avaliação
(A) primária da ventilação inclui observar o padrão ventilatório, a circunferência torácica e a autonomia res-
piratória.
(B) secundária do estado circulatório consiste em pesquisar hemorragias externas de natureza não traumá-
tica e verificar, nos pulsos periféricos, frequência, ritmo e simetria
(C) complementar da ventilação requer observar, em especial, se há uso de musculatura acessória e tira-
gem intercostal, além de movimentos assimétricos dos membros superiores.
(D) secundária é importante, porém não obrigatória, principalmente nos pacientes críticos, ou se sua reali-
zação implicar em atraso de transporte.
(E) secundária tem como objetivo único localizar assimetrias morfológicas e instabilidades hemodinâmicas.
10. (Ano: 2018 Banca: AOCP Órgão: Prefeitura de Juiz de Fora - MG Prova: AOCP - 2018 - Prefeitura de
Juiz de Fora – MG) A violência é um fenômeno que atinge mulheres de diferentes orientações sexuais, classes
sociais, origens, regiões, estados civis, escolaridade ou raças/etnias em relações desiguais de poder. Sobre a
violência contra mulher, assinale a alternativa correta.
(A) Violência patrimonial são atos violentos, nos quais se fez uso da força física de forma intencional, com o
objetivo provocar dor e sofrimento, deixando, ou não, marcas evidentes no seu corpo.
(B) É desnecessário que sejam descritos em prontuário dados completos sobre as circunstâncias da situa-
ção de violência, para que a mulher não seja constrangida.
(C) Pelo fato de a Atenção Básica estar nos territórios, mais próxima do cotidiano das pessoas, tem papel
insignificante na identificação de situações de violência
(D) Somente os casos de violência sexual devem ser notificados
(E) Pode ser definida como qualquer ato ou conduta baseada no gênero que cause morte, dano ou sofri-
mento físico, sexual ou psicológico à mulher.
207
(C) Um conjunto de ações que proporciona a detecção ou prevenção de qualquer mudança da saúde indivi-
dual ou coletiva, com a finalidade de avaliar o impacto que as tecnologias provocam à saúde
(D) Um conjunto de atividades que se destina ao controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente,
se relacionem com a saúde.
(E) Um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mu-
dança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de
recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravo
12. Prefeitura de Juiz de Fora-MG- AOCP- Enfermeiro-2018)O controle e o rastreamento das ISTs são de
grande importância. No caso das gestantes, todas devem ser rastreadas para:
(A) HIV, Hepatite A e difiteria
(B) HIV, Sífilis e Hepatite B
(C) Hepatite B, Gonorreia e Hepatite A.
(D) HIV, Hepatite A e Tularemia.
(E) Hepatite A, tricomoníase e [Link] inferior do formulário
13. (Prefeitura de Juiz de Fora-MG- AOCP- Enfermeiro-2018O Programa Nacional de Imunizações (PNI)
organiza toda a política nacional de vacinação da população brasileira e tem como missão
(A) vacinar todas as crianças de todo território Nacional até 2020.
(B) o controle, a erradicação e a eliminação de doenças imunopreveníveis.
(C) vacinar crianças e adultos vulneráveis.
(D) o controle de doenças imunossupressoras.
(E) vacinar crianças e idosos combatendo as doenças de risco controlável.
14. (Prefeitura de Juiz de Fora-MG- AOCP- Enfermeiro-2018) Segundo o Programa Nacional de Imuniza-
ções, na sala de vacinação, é importante que todos os procedimentos desenvolvidos promovam a máxima
segurança Com relação a esse local, é correto afirmar que
(A) deve ser destinado à administração dos imunobiológicos e demais medicações intramusculares.
(B) é importante que todos os procedimentos desenvolvidos promovam a segurança, propiciando o risco de
contaminação.
(C) a sala deve ter área mínima de metros quadrados, para o adequado uxo de movimentação em con-
dições ideais para a realização das atividades.
(D) a sala de vacinação é classificada como área semicrítica
(E) deve ter piso e paredes lisos, com frestas e laváveis
15. (Prefeitura de Juiz de Fora-MG- AOCP- Enfermeiro-2018) São vias de administração de imunobiológi-
cos, EXCETO a via
(A) oral.
(B) subcutânea.
(C) intraóssea.
(D) endovenosa.
(E) intramusculaParte inferior do formulário
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16. Camara Legislativa do Distrito Federal- T;ecnico em Enfermagem- FCC-2018)Ao orientar um paciente
adulto sobre os cuidados com a dieta a ser administrada pela sonda nasoenteral no domicílio, o profissional de
saúde deve orientar que
(A) antes de administrar a dieta, deverá aquecê-la em banho-maria ou em micro-ondas.
(B) após o preparo da dieta caseira, deverá guardá-la na geladeira e, 40 minutos antes do horário estabele-
cido para a administração, retirar somente a quantidade que for utilizar.
(C) no caso de ter pulado um horário de administração da dieta, o volume do próximo horário deve ser au-
mentado em, pelo menos, 50%.
(D) a dieta enteral industrializada deve ser guardada fora da geladeira e, após aberta, tem validade de 72
horas.
18. (Camara Legislativa do Distrito Federal- T;ecnico em Enfermagem- FCC-2018 A equipe de saúde, ao
reali ar o acolhimento com escuta qualificada a uma mulher apresentando queixas de perda urinária, deve
atentar-se para, dentre outros sinais de alerta:
(A)amenorreia.
(B)dismenorreia.
(C)mastalgia.
(D)prolapso uterino sintomático.
(E)ataxia.
19-(Pref de Macapá- Técnico de Enfermagem- FCC- 2018)As técnicas de higienização das mãos, para
profissionais que atuam em serviços de saúde, podem variar dependendo do objetivo ao qual se destinam a
técnica de higienização simples das mãos, recomenda-se
(A) limpar sob as unhas de uma das mãos, friccionando o local com auxílio das unhas da mão oposta, evi-
tando-se limpá-las com as cerdas da escova.
(B) respeitar o tempo de duração do procedimento que varia de 20 a 35 segundos.
(C) executar o procedimento com antisséptico degermante durante 30 segundos.
(D) utilizar papel toalha para secar as mãos, após a fricção antisséptica das mãos com preparações alcoó-
licas.
(E) higienizar também os punhos utilizando movimento circular, ao esfregá-los com a palma da mão oposta.
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20. (Pref de Macapá- Técnico de Enfermagem- FCC- 2018)Processo físico ou químico que destrói micror-
ganismos patogênicos na forma vegetativa, micobactérias, a maioria dos vírus e dos fungos, de objetos inani-
mados e superfícies Essa é a definição de
(A) desinfecção pós limpeza de alto nível.
(B) desinfecção de alto nível.
(C) esterilização de baixo nível.
(D) barreira técnica.
(E) desinfecção de nível intermediário.
21. (Prefeitura de Macapá- Técnico em enfermagem- FCC- 2018) Foi prescrito pelo médico uma solução
glicosada a 10%. Na solução glicosada, disponível na instituição, a concentração é de 5%. Ao iniciar o cálculo
para a transformação do soro, o técnico de enfermagem deve saber que, em 500 mL de Soro Glicosado a 5%,
o total de glicose, em gramas, é de
(A) 5.
(B) 2,5.
(C) 50.
(D) 25.
(E) 500
22. (TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC-2018)Com relação à Sistematização da Assis-
tência de Enfermagem, considerando as atribuições de cada categoria profissional de enfermagem, compete
ao técnico de enfermagem, realizar
(A) a prescrição de enfermagem, na ausência do enfermeiro.
(B) o exame físico.
(C) a anotação de enfermagem.
(D) a consulta de enfermagem.
(E) a evolução de enfermagem dos pacientes de menor complexidade.
(TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC- 1 ) O profissional de enfermagem, para
executar corretamente a técnica de administração de medicamento por via intradérmica, deve, dentre outros
cuidados, estar atento ao volume a ser injetado. O volume máximo indicado a ser introduzido por esta via é,
em mL, de
(A) 1,0.
(B) 5,0.
(C) 0,1.
(D) 1,5.
(E) 0,5.
24. (TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC-2018) -Na pessoa idosa com depressão, um
dos sintomas/sinais indicativo do chamado suicídio passivo é
(A) o distúrbio cognitivo intermitente.
(B) a recusa alimentar.
(C) o aparecimento de discinesia tardia.
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(D) a adesão a tratamentos alternativos.
(E) a súbita hiperatividade.
26. (TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC-2018)Na desinfecção da superfície de uma
mesa de aço inox, onde será colocado uma bandeja com um pacote de curativo estéril, o técnico de enferma-
gem, de acordo com as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) pode optar pela
utilização dos seguintes produtos:
(A) álcool a 70% aplicado sem fricção, por ser esporicida, desde que aguardado o tempo de evaporação
recomendado, porém tem a desvantagem de ser in amável
(B) ácido peracético a 0,2% por não ser corrosivo para metais, tendo como desvantagem não ser efetivo na
presença de matéria orgânica.
(C) hipoclorito de sódio a 1,0% por ser de amplo espectro, ter baixo custo e ação lenta, apresentando a des-
vantagem de não ter efeito tuberculocida.
(D) álcool a 70% por ser, dentre outros, fungicida e tuberculocida, porém apresenta a desvantagem de não
ser esporicida, além de ser poluente ambiental.
(E) hipoclorito de sódio a 0,02% por não ser corrosivo para metais nesta concentração, ser fungicida de pri-
meira escolha, tendo a desvantagem da instabilidade do produto na presença de luz solar.
27. (TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC-2018)No pós-operatório imediato de uma cola-
boradora que foi submetida a uma intervenção de colecistectomia, e já se encontra com respiração espontânea
e sem sonda vesical, a assistência prestada pelo técnico de enfermagem inclui verificar e comunicar ao enfer-
meiro sinais e sintomas associados a seguinte alteração:
(A) complicações do sistema digestório: náuseas e vômitos decorrente da administração de antieméticos.
(B) hipertermia: coloração da pele, sudorese, elevação da temperatura, bradipneia e bradicardia.
(C) retenção urinária: dificuldade do paciente para urinar, abaulamento em região suprapúbica e diurese
profusa.
(D) complicações respiratórias: acúmulo de secreções, ocasionado pela maior expansibilidade pulmonar
devido à dor, exacerbação da tosse e eliminação de secreções.
(E) hipotermia: confusão, apatia, coordenação prejudicada, mudança na coloração da pele e tremores.
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28. (TRT Região São Paulo- Técnico em enfermagem- FCC-2018)Um adulto de porte médio apresenta uma
parada cardiorrespiratória (PCR) durante o período de trabalho em um Tribunal, onde recebe o suporte básico
de vida (SBV), conforme as recomendações da American Heart Association (AHA), 2015. Nessa situação, ao
proceder à ressuscitação cardiopulmonar (RCP) manual, recomenda-se aplicar compressões torácicas até uma
profundidade de
(A) 4,5 cm, no máximo, sendo esse limite de profundidade da compressão necessário, devido à recomen-
dação de que se deve comprimir com força para que a mesma seja efica
(B) cm, no mínimo, atentando para evitar apoiar-se sobre o tórax da vítima entre as compressões, a fim
de permitir o retorno total da parede do tórax a cada compressão.
(C) , cm, no mínimo, a fim de estabelecer um uxo sanguíneo adequado, sem provocar aumento da pres-
são intratorácica.
(D) cm, no mínimo, objetivando que haja uxo sanguíneo suficiente para fornecer oxigênio para o coração
e cérebro.
(E) 5 cm, ou menos, porque uma profundidade maior lesa a estrutura torácica e cardíaca.
29. (Prefeitura de Juiza de Fora-MG- AOCP- Enfermeiro-2018)Paciente chega à Unidade Básica de Saúde
(UBS) com história de lesões na pele, com alteração da sensibilidade térmica e dolorosa. É provável que esse
paciente tenha qual doença
(A) Síndrome de Mono like.
(B) Tuberculose.
(C) Hepatite A.
(D) Hanseníase.
(E) Varicela.
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31. (Pref. Paulista/PE- Assistente de Saúde - Técnico de Enfermagem- UPENET/UPE-2018
Prescrever e administrar um medicamento não são um ato simples, pois exigem responsabilidade, conhe-
cimentos em geral e, principalmente, os cuidados inerentes à enfermagem Sobre isso, analise as afirmações
abaixo:
Na administração por via sublingual, é importante oferecer água ao paciente, para facilitar a absorção do
medicamento.
A vantagem da via parenteral consiste na absorção e ação rápida do medicamento, e o medicamento não
sofre ação do suco gástrico.
A via intradérmica é considerada uma via diagnóstica, pois se presta aos testes diagnósticos e testes alér-
gicos.
Hipodermóclise é uma infusão de uidos no tecido subcutâneo para a correção de distúrbio hidroeletrolítico
Somente está CORRETO o que se afirma em
(A) I e II.
(B) I, II e III
(C) II, III e IV
(D) I e IV..
(E) I e III
32. (Prefeitura Municipal de São Bernardo-MA- Técnico em Enfermagem- INST. Machado de assis- 2018)
No Brasil, o Programa Nacional de Imunização (PNI) se destaca por ser um dos melhores programas de imu-
nização do mundo, atuando na prevenção e na erradicação de várias doenças. São doenças que podem ser
prevenidas através da vacinação, EXCETO:
(A) Hanseníase.
(B) Rubéola.
(C) Tuberculose.
(D) Coqueluche.
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