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Ebook Material Didatico Engenharia Civil

Engenharia civil desenho tecnico ebook livro resumo

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Me.

Cláudio Vinicius Barbosa Monteiro

Introdução ao
Desenho Técnico

PLANO DE ESTUDOS

Normas básicas da ABNT


Geometria e Técnicas de
voltadas para o desenho
Desenho
técnico

A origem do Desenho
Materiais utilizados no
Técnico e sua utilização nas Símbolos e Convenções
Desenho Técnico
Engenharias

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Introduzir a importância do Desenho Técnico para as mais • Expor técnicas Geométricas de Desenho que facilitarão a
diversas áreas da Engenharia. construção e conferência de Desenhos Técnicos.
• Apresentar as normas mais usuais no processo de cons- • Visualizar e Compreender os símbolos e definições de
trução do Desenho Técnico. Desenho Técnico mais comuns.
• Descrever e praticar o uso adequado dos materiais de
Desenho Técnico.
A Origem do Desenho
Técnico e sua Utilização
nas Engenharias

Seja bem-vindo(a) ao mundo da representação


gráfica ou Desenho Técnico, a princípio parece-
rá uma matéria de média complexidade, mas a
prática irá indicar que se trata de uma aventura
instigante! É importante que você saiba que esse
conteúdo é imprescindível no dia a dia de qual-
quer Engenheiro, desde aqueles que utilizarão os
conceitos desta matéria apenas para entendimen-
to de vistas explodidas em manuais técnicos, até
aqueles que utilizarão as técnicas para construir os
mais diversos projetos de máquinas e edificações.
Para introduzir a unidade, iremos diferenciar
o Desenho Técnico de outras formas de repre-
sentação, como o Desenho Artístico. Já podemos
adiantar que uma das principais diferenças en-
contram-se na premissa de que o segundo não
utiliza conceitos algébricos e matemáticos para
sua construção. Além desses conceitos, veremos,
ainda, nesta unidade introdutória, que algumas
normas permeiam a construção do desenho e são
ditadas por uma associação de normas técnicas.
A princípio, conheceremos aqui as normas essen-
ciais para a construção de desenhos.
Ainda no caminhar de nossa jornada, iremos
conhecer, aprender como utilizar e quais cuidados
devemos ter com materiais de Desenho Técnico.
Nessa parte da unidade, construiremos as formas
convencionadas pela norma, como traços, circun-
ferências e hachuras. Na sequência, aprenderemos
as técnicas geométricas de construção de figuras,
que são aplicadas não apenas em desenho técnico,
mas no dia a dia de várias engenharias. Com a
prática, o aprimoramento dessas técnicas resul-
tará em um melhor entendimento do desenho
computacional.
Para encerrar, trataremos de conhecer os sím-
bolos e as convenções mais comuns em Desenho
Técnico e veremos a aplicação desses símbolos em
projetos de engenharia.
O primeiro passo já foi dado! O croqui do pro-
jeto de um novo engenheiro está na mesa, basta
que você, aluno(a) de Desenho Técnico, finalize
esse projeto. E então, vamos lá?
A necessidade de representar o que via ou as Figura 1 - Taça representada em vitral
ideias para ferramentas, máquinas e edificações,
por meio de figuras sempre foi uma constante na
raça humana. A essa técnica de representação por
meio de traços foi dado o nome de Desenho. Ela
veio se desenvolvendo e transformou-se em arte;
os objetos foram sendo representados conforme
eram percebidos pelos desenhistas. Entretanto,
isso ocasionou diferenças de percepções, o que
pode ser observado conforme as figuras ao lado.
Apesar das Figuras 1 e 2 representarem um
mesmo objeto, a taça, os desenhistas imprimiram,
em seus trabalhos, suas peculiaridades e especifi-
cidades; ambos poderiam estar observando uma
mesma mesa em que se encontrava uma taça, mas
cada um deles representou-a de maneiras distin-
tas, com cores e traços distintos. Figura 2 - Taça representada em natureza morta

UNIDADE I 15
A representação gráfica desse objeto não per- O desenho técnico, tal como se conhece hoje,
mite que alguém que tenha posse dessas obras re- foi desenvolvido graças ao matemático francês
produza os objetos ali representados com suas reais Gaspard Monge (1746-1818). Os métodos de re-
dimensões. Isso resultou em dificuldade por um presentação gráfica que existiam até aquela época
longo período de tempo, pois não bastava apenas não possibilitavam transmitir a ideia dos objetos de
que o inventor ou construtor fizesse um desenho forma completa, correta e precisa (SENAI, 1997).
ou esboço de sua máquina ou peça, mas também O matemático imaginou uma forma de repre-
que ele desse detalhes falados sobre sua construção sentar todos os objetos em suas reais dimensões,
e funcionamento. Mais do que isso, nem sempre era comprimento, largura e profundidade, todas sobre
possível ao dono do projeto estar à disposição do uma mesma prancha de desenho que possui apenas
construtor em todo tempo e lhe passar todas as in- duas dimensões, a saber: comprimento e largura.
formações necessárias para a confecção do projeto. A ideia de Gaspard consistiu em representar as
Com o advento da Revolução Industrial, essa faces dos objetos por meio de linhas que as pro-
necessidade de definição de regras para desenhos jetavam nos planos, ou seja, uma peça com duas
de projetos tornou-se ainda mais evidente, então, faces deveria ter dois desenhos representativos,
os engenheiros e projetistas foram gradativamente uma com seis faces, seis desenhos representativos,
criando normas e regras para a confecção de de- e assim sucessivamente. Para a obtenção das pro-
senhos que pudessem exprimir orientações e téc- jeções dessas faces, ele procedia girando a peça em
nicas para construção e montagens de máquinas um plano perpendicular ao seu plano de referência
e edificações. A partir desse momento, passa-se a e fazia a nova projeção até que todas as faces da
diferenciar o desenho artístico do desenho técnico. peça estivessem representadas. Esse método ficou
Em nosso curso, trataremos apenas do Desenho conhecido como Geometria Descritiva ou Geome-
Técnico, pois é ele o responsável por indicar ordens tria Mongeana. Observe a Figura 3, que demonstra
claras para a produção de peças. o método utilizado por Monge:

Representação de um
Representação de um objeto de acordo
objeto
Figura 3 - Planos de Projeção de Gaspard de acordo com os princípios da
Monge
Planos de Projeção
Fonte: SENAI (1997). com os princípios da geometria descritiva
geometria descritiva

16 Introdução ao Desenho Técnico


Esse método, que passou a ser conhecido como envolvidas para a produção do desenho. Logo,
Método Mongeano, é usado na Geometria Des- os desenhistas resultantes desses cursos estavam
critiva, e os princípios da Geometria Descritiva muito mais próximos de matemáticos do que de
constituem a base do desenho técnico. engenheiros. Na atual conjuntura, a situação mu-
Todo o processo de desenvolvimento e criação dou consideravelmente, pois, hoje, com o advento
dentro da engenharia está intimamente ligado dos programas de desenhos computacional, os
à expressão gráfica. O desenho técnico é uma desenhistas podem focar-se muito mais nas me-
ferramenta importante, trazendo, muitas vezes, lhorias tecnológicas de seus projetos ao invés de
soluções gráficas que podem substituir cálculos. focar-se nas técnicas para a obtenção de traçados.
Apesar da evolução tecnológica e dos meios São três os campos envolvidos no processo de
disponíveis pela computação gráfica, o ensino de leitura e produção de projetos, eles se complemen-
desenho técnico ainda é imprescindível na for- tam e, quando interagem de forma equilibrada,
mação de qualquer modalidade de engenharia e resultam em projetos de qualidade. Os campos são
afins, pois, além do aspecto da linguagem gráfica os seguintes: o código, as técnicas e a geometria,
que permite que as ideias concebidas por alguém sendo que o primeiro consiste nos desenhos de
sejam executadas por terceiros, o desenho técnico símbolos convencionados, como, por exemplo, o
desenvolve o raciocínio, o senso de rigor geomé- símbolo de diâmetro, que consiste na letra grega
trico, o espírito de iniciativa e de organização. ∅, que foi convencionada sendo o valor do diâ-
Para desenvolver trabalhos na área de orçamen- metro. O segundo campo compreende as técnicas
to e especificação de materiais, os profissionais das de desenho ortogonal desenvolvidas ao longo do
mais diversas áreas da Engenharia devem saber ler tempo, bem como os instrumentos e os programas
um projeto para compreendê-lo em seus detalhes de desenho desenvolvidos, tanto é que essas téc-
e, assim, quantificar com precisão os itens necessá- nicas são constantemente utilizadas e reutilizadas
rios para a sua viabilização. Por exemplo, se estiver desde a prancha de desenho até os programas
avaliando um fluxograma de produção, deverá ter computacionais. O terceiro campo compreende
condições de ler de forma acertada a posição dos as ideias matemáticas subentendidas no desenho
equipamentos e reconhecer o fluxo dos produtos técnico, elas auxiliam na construção dos desenhos
dentro da área produtiva, além de corrigir possíveis e na obtenção de novas técnicas.
cruzamentos de fluxo de produtos existentes. Se for Os três campos se comunicam durante o pro-
trabalhar na execução de obras, deverá saber ler o cesso de construção de projetos e se complemen-
projeto para poder realizá-lo de forma fidedigna, tam. Por exemplo, ao representar um cilindro visto
conforme indicam as especificações. pela lateral, utilizamos o símbolo convencionado
Antigamente, ao se propor um curso de Dese- da cota do diâmetro mas, para facilitar o entendi-
nho Técnico, os engenheiros aprendiam técnicas mento, vamos utilizar a técnica de projeção orto-
geométricas de como obter as figuras desejadas; gonal de uma segunda vista; durante essa técnica,
muito da parte de produção tecnológica era dei- utilizaremos os conhecimentos geométricos de
xada de lado em face das técnicas matemáticas construção de linhas paralelas.

UNIDADE I 17
Normas Básicas da ABNT
Voltadas para o
Desenho Técnico

Quando os primeiros equipamentos e edificações


foram sendo construídos, cada construtor, inven-
tor ou engenheiro prático, fazia seu projeto con-
forme sua vontade. Isso resultou em projetos das
mais diferentes formas e representações, muitos
deles utilizavam materiais de baixa resistência e
durabilidade, o que colocava em risco a vida dos
que utilizavam o imóvel ou máquina em ques-
tão. Para regular esse processo de modelagem e
construção é que os países viram a necessidade
da criação de normas que norteariam os projetos.
No Brasil, a norma regulamentadora é a ABNT
– Associação Brasileira de Normas Técnicas –,
outros países também criaram suas normas re-
gulamentadoras: os americanos seguem a ASA
(American Standart Association), e os alemães
fazem uso em seus projetos da DIN (Deutsch
Industrie Normen), mas todas essas normas uti-
lizam como fonte a norma ISO (International
System Organization).

18 Introdução ao Desenho Técnico


A Norma Brasileira que define os tipos de Os tipos de detalhamento estão classificados
Desenho Técnico possíveis é a NBR 10647, e por complexidade, sendo o componente o de me-
sua divisão encontra-se na Figura 4. Segundo o nor complexidade e o conjunto a união desses
organograma a seguir, os projetos diferem com componentes. O detalhe ficou definido como a
relação ao aspecto, projetivo ou não, bem como peculiaridade que precisa ser representada com
com relação à elaboração, que está organizada mais afinco em um componente. A norma ainda
daquela que requer menor cuidado com a norma regulamenta os tipos de material no qual um de-
(Esboço) até a que precisa segui-la rigorosamente senho pode ser feito, sua forma de elaboração e
(Desenho definitivo). de execução:

Quanto ao Aspecto Quanto à Quanto ao Quanto ao Material,


Geométrico Elaboração Detalhamento Execução e Obtenção

Desenho não-
Projetivo: Material:
Esboço; Croqui Componente giz, lápis,
• Diagramas tinta, carvão
• Esquemas
• Fluxogramas
• Nomogramas
Execução:
• Organogramas
à mão livre ou
• Gráficos Desenho preliminar Conjunto
computacional
(máquina)
Desenho
Projetivo: Obtenção:
original ou
• Projeções Desenho definitivo Detalhe reprodução
Ortogonais (cópia, redução
• Perspectivas ou ampliação)

Figura 4 - Organograma dos tipos de Desenho Técnico


Fonte: o autor.

UNIDADE I 19
Materiais Utilizados no
Desenho Técnico

Assim como em toda ocupação, no Desenho Téc-


nico, o material de trabalho e os cuidados que se
deve ter com ele são de extrema importância, isso
porque a qualidade do projeto resulta das técnicas
aplicadas e da habilidade que o projetista tem com
os equipamentos de desenho.
Os principais objetos e materiais a serem uti-
lizados durante esse tópico seguem ao final deste
parágrafo. Ao final dessa lista, nós veremos quais as
formas corretas de uso e os cuidados que devemos
ter com a manutenção e a limpeza de cada objeto:
• Mesa ou Prancheta de Desenho.
• Papel (Padrão A).
• Lápis ou Lapiseira.
• Grafites (H, HB, B).
• Borracha Macia.
• Régua T ou Régua Paralela.
• Régua Graduada.
• Escalímetro.
• Esquadros de 30, 45 e 60°.
• Compasso.
• Fita Crepe.
• Flanela e Álcool (Limpeza).

20 Introdução ao Desenho Técnico


Mesa ou Prancheta de Esses modelos são amplamente utilizados, pois
Desenho aceitam bem o grafite, o nanquim e tintas em ge-
ral. Atualmente, devido ao grande número de pro-
Nada mais é do que o lugar onde iremos colar jetos computacionais, grande parte dos projetos
nossa prancha de desenho, por esse motivo, deve feitos em padrão A4 são aceitos em papel sulfite.
possuir superfície plana e limpa. Há, no merca- Para a fixação do papel na prancheta utiliza-se
do, alguns modelos de prancheta que possuem a fita crepe. Devemos, primeiramente, cortar 4
inclinação variável, outros possuem gavetas para tiras de fitas de aproximadamente 10 cm e, na
guardar e organizar os materiais de desenho. O sequência, colar as bordas superiores para, então
tampo da mesa ou prancheta deve estar a, pelo finalizar, colando as inferiores.
menos, 70 cm do solo. É de grande valia para o Outra técnica consiste em apoiar a régua T
desenhista adquirir o modelo de prancheta com sobre a folha, fazendo com que o limite superior
régua paralela embutida, pois, assim, não haverá do papel fique paralelo à borda superior da régua.
a necessidade da utilização de Régua T na con- Em seguida, fixa-se o papel no canto superior es-
fecção de seus projetos. querdo e nos demais cantos.
Ao colar a fita, o desenhista precisa esticar o
papel na direção desejada, de forma que este fi-
que o mais encostado possível na prancheta, pois
isso evitará que o papel fique frouxo, dificultando,
assim, a utilização das réguas e esquadros e, por
consequência, o desenho de traçados.
O formato usado é o baseado na norma NBR
10068, denominado A0 – trata-se de uma folha
com 1 m². Todos os formatos seguintes são pro-
porcionais: o formato A1 tem metade da área do
formato A0, e assim sucessivamente. A Tabela 1
mostra o tamanho das pranchas de acordo com
o padrão A0.
Tabela 1 - Tamanhos das Pranchas

Figura 5 - Prancheta de Desenho Técnico Prancha Altura (mm) Largura (mm)


A0 841 1189
A1 594 841
Papel (Padrão A) e Fita Crepe
A2 420 594

O papel utilizado para a confecção dos projetos é A3 297 420

o sulfurize ou manteiga, eles são recomendados, A4 210 297


pois são opacos ou transparentes. O sulfurize é A5 148 210
vendido em rolos ou folhas de tamanho padrão.
Fonte: o autor.

UNIDADE I 21
Lápis, Lapiseiras e Grafites

O lápis e a lapiseira têm graus de dureza diferentes; por exemplo, caso


deseje uma ponta mais fina, deve-se trabalhar com grafite de maior
dureza, já para pontas mais rombudas, utiliza-se grafite mais macio.
Nós utilizaremos, em nosso curso, lápis com grafite de dureza
média, ou seja, HB, mas caso deseje realizar traçados mais finos,
comum nos esboços, pode-se utilizar um grafite H.
Para lapiseiras, recomenda-se usar grafites de diâmetro 0,5 ou
0,3 mm para traços finos e 0,7 mm para traços fortes. É importante
que a lapiseira tenha uma ponteira de aço, com a função de proteger
o grafite da quebra, quando pressionada ao esquadro, no momento
do desenho.
Os lápis são classificados em macios (B), médios (HB) e duros
(H), Os lápis devem estar sempre apontados, de preferência com
estilete (ARRUDA, 2004).
A classificação das durezas é dada de acordo com a Tabela 2.
Tabela 2 - Dureza dos lápis

Padrão Dureza Padrão Dureza Padrão Dureza

7B Macio B Médio 4H Duro


6B Macio HB Médio 5H Duro
5B Macio F Médio 6H Duro
4B Macio H Médio 7H Duro
3B Macio 2H Médio 8H Duro
2B Macio 3H Médio 9H Duro

Fonte: o autor.

Borracha

As borrachas utilizadas em projetos de desenho devem ser macias


para que não rasguem as pranchas quando utilizadas. A forma para
apagar traços é segurando o papel com a mão esquerda e fazer
movimentos com a borracha da esquerda para a direita.
As borrachas mais indicadas são as sintéticas, naturais brancas
ou as específicas. Evite o uso de borrachas para tinta, que geralmente
são mais abrasivas para a superfície de desenho e, por consequência,
podem levar a alguma rasura no trabalho.
Régua T ou Régua Paralela

A régua paralela é a régua que percorre a pran- A régua paralela surgiu depois da régua T, que era
cheta no sentido vertical (para cima e para bai- utilizada para a mesma finalidade. Ela é confeccio-
xo), destinada ao traçado de linhas horizontais nada em acrílico cristal, sendo fixada na prancheta
paralelas entre si no sentido do comprimento da por meio de parafusos e cordoamentos de nylon
prancheta. Serve, também, de base para o apoio especial. O comprimento da régua paralela deve ser
dos esquadros para traçar linhas verticais ou com um pouco menor do que o da prancheta. Enquanto
determinadas inclinações. a régua paralela é presa, a régua T é móvel.

Régua “T” Régua “Paralela”

Figura 6 - Exemplo de Régua T e Paralela


Fonte: UFES ([2018], on-line)1.

Régua Graduada

Tem a função de medir e auxiliar no desenho de Nos casos em que o projetista não tenha à
linhas retas, portanto, deve ser de boa qualidade disposição uma Régua T, ou mesa com Régua
e não ter deformações ou rebarbas em seus vérti- paralela, podemos utilizar um procedimento de
ces. É o principal instrumento para marcação das construção de retas paralelas, ao alinhá-la com a
medidas dos desenhos. margem do papel ou prancha.

Figura 7 - Régua Graduada

UNIDADE I 23
Esquadros Ao construir grandes circunferências, devemos
utilizar alongadores de compasso, ou esticarmos
Comumente usados para traçar linhas em ângulos. suas pernas por meio de articulações presente no
Quase sempre são pares de 2 esquadros, um isós- meio do material.
celes com 45° e outro esquadro escaleno 30°/60°. A Outros modelos de compasso podem ser en-
combinação de ambos permite obter vários ângu- contrados para venda, mas não são tão comuns
los comuns nos desenhos, bem como traçar retas quanto o que utilizaremos, são eles os compassos
paralelas e perpendiculares, quando utilizados em de mola, compasso bomba, utilizado em circun-
união com a Régua T ou Régua Paralela. ferências de pequenas dimensões e os compassos
de redução, que convertem escalas na construção
de suas circunferências.
Compasso Para a utilização de compassos em papel sul-
furize, recomenda-se colar um pequeno pedaço
Material muito comum para desenho técnico, é de fita crepe no centro da circunferência que se
composto por uma ponta seca metálica e outra deseja traçar, com o intuito de evitar que a ponta
ponta com grafite de média dureza, é utilizado seca do instrumento rasgue a folha e inutilize o
na construção de circunferências e para transpor projeto, ao final do traçado, retira se a fita sem
medidas lineares. maiores danos a sua representação.
Ao comprar um instrumento desse, devemos
verificar se ele está calibrado, para tanto, basta que
suas pontas se toquem ao fecharmos o compasso, a Escalímetro
ponta metálica é chamada de ponta seca, enquanto
a ponta com grafite, de úmida. Essa ponta deve ser O escalímetro é um instrumento na forma de um
lixada para manter o traço do instrumento. prisma triangular que possui 6 réguas com dife-
rentes escalas. Ele possibilita criar desenhos ou
representar objetos em uma escala maior ou me-
nor, dentro das medidas necessárias, conservando
a proporção entre a representação do objeto e o
seu tamanho real.
O tipo mais comum de escalímetro é o trian-
gular, com 6 escalas à disposição do desenhista.
Essas escalas são as mais utilizadas em desenho
técnico e, por esse motivo, os escalímetros faci-
litam a construção dos desenhos. A régua gra-
duada pode ser utilizada como escalímetro de
escala 1:100, e podemos verificar isso alinhando o
escalímetro com a graduação da régua. As outras
escalas são todas de redução e múltiplos de 5, a
Figura 8 - Exemplo de Compasso de pernas fixas e arti-
saber 1:20,1:25,1:50,1:75,1:100 e 1:125 .
culadas

24 Introdução ao Desenho Técnico


O escalímetro não deve ser utilizado no
traçado de linhas. Emprega-se apenas
para medições, evitando-se o desgaste das
marcações das escalas. As linhas devem
ser traçadas com o auxílio dos esquadros
ou da régua T.

Figura 9 - Escalímetro

UNIDADE I 25
Geometria e Técnicas
de Desenho

Para obter pranchas de qualidade e em tempo há-


bil, os projetistas desenvolveram técnicas de dese-
nho e utilizam relações geométricas que facilitam
a confecção de algumas formas. Munidos daquilo
que já aprendemos nos tópicos anteriores, iremos
ver, agora, algumas técnicas de desenho técnico e
de geometria que facilitarão a utilização dos ins-
trumentos de desenho para a obtenção de formas.

Noções de Geometria Básica


para Desenho Técnico

Muitas das formas geométricas utilizadas nos


projetos de desenho técnico podem ser obtidas
por meio de relações geométricas entre retas, se-
mirretas e curvas. Essas relações facilitam a vida
do projetista, que, se souber como utilizá-las, pode
economizar tempo na confecção de seu projeto
e evitar cálculos desnecessários, finalizando o
projeto em menor tempo. Na sequência, veremos
quais as principais relações geométricas utilizadas
em desenho técnico.

26 Introdução ao Desenho Técnico


Encontrar uma Linha que seja O motivo de a abertura do compasso ser maior
Equidistante aos Pontos A e B que a metade, deve-se ao fato de que, se fosse me-
nor, não haveria cruzamento entre as circunferên-
Primeiramente, deve-se colocar a ponta seca do cias e, se fosse igual, teríamos apenas um ponto e
compasso no ponto A, e com a abertura maior não seria possível construir a reta. Aqui, a Geome-
do que a metade da distância entre A e B, traçar tria Euclidiana confirma a Geometria Analítica,
uma circunferência; na sequência, com a mesma que diz ser necessário ao menos dois pontos para
abertura, traçar outra circunferência com centro definir uma reta.
em B. Para finalizar, ligar os pontos em que as Com a prática, verá que não é necessário traçar
circunferências se cruzarem. circunferências inteiras para encontrar os pontos.
Usa-se somente um traço onde, provavelmente, es-
tará o ponto. O cruzamento desses traços do com-
passo é chamado informalmente de “borboleta”.
Ao traçarmos uma linha ligando os pontos A
A e B e cruzando a linha resposta no ponto M, tere-
mos uma perpendicular e dividiremos o segmen-
to AB em 2 partes iguais, ou seja, os segmentos
AM e BM; o ponto que divide esse segmento em
2 partes iguais é chamado de ponto médio, e a reta
que o define é chamada de mediatriz.
Mais do que isso, é interessante observar que
esse procedimento também é válido para a cons-
trução de perpendiculares a retas nos desenhos.
B Veja a Figura 11.

Figura 10 - Procedimento para traçar uma linha equidis-


tante a dois pontos conhecidos
Fonte: Arruda (2004).
M
A linha demarcada na Figura 10 representa todos
os pontos em que há equidistância; isso ocorre,
pois, de acordo com a geometria, a circunferência é
o objeto em que todos os pontos externos possuem
a mesma distância do centro, ou seja, são equi-
B
distantes. Ao se traçar duas circunferências com
centro nos pontos de interesse e raio maior que a
metade da distância entre os pontos, encontrare- Figura 11 - Procedimento para dividir um segmento de reta
mos dois lugares geométricos que definirão uma em 2 partes iguais e encontrar a mediatriz (ponto médio)
reta – resposta dos pontos equidistantes a A e B. Fonte: o autor.

UNIDADE I 27
Traçar a Bissetriz de um
Ângulo Qualquer

Bissetriz nada mais é do que a linha que divide Além da bissetriz, outros tipos de linhas e pontos
um ângulo qualquer de valor 2α em dois ângu- são definidos com base nas relações entre os
los de mesmo valor α. Com abertura qualquer triângulos, dentre os quais podemos destacar:
do compasso e ponta seca no vértice do ângulo mediatriz, mediana, baricentro e encentro.
dado, traçar um arco que corte seus dois lados
nos pontos E e F. Na sequência, com ponta seca
em E e depois em F, traçar outros dois arcos que
se cruzem no ponto G.
A linha que liga o vértice B do ângulo com o Dividir um Ângulo Reto em 3
ponto G é a bissetriz. Observe o procedimento Partes Iguais
conforme Figura 12.
Utilizaremos, aqui, o conceito matemático de que
A a soma dos ângulos internos de um triângulo
equilátero é igual a 60°. Com um compasso em
uma abertura qualquer, deve ser traçado o arco
F DE com centro no ângulo reto; então, com a mes-
α ma abertura, mas com centro em D, será marcado
o ponto H no arco, e repete-se o procedimento,
B mas com centro em E, e agora se obtém o ponto
G
G. Observe o procedimento na Figura 13.
α
E
A
C

Figura 12 - Procedimento para dividir um ângulo em 2


partes iguais e encontrar a bissetriz
Fonte: o autor.
D G

Ao observar esse procedimento, o aluno pode con-


cluir que o procedimento anterior, para divisão de H
um segmento em 2 partes iguais, é também um
procedimento de encontro de bissetriz; no caso em
questão, a bissetriz do ângulo de 180°, ou seja, a me- X B E C
diatriz, nada mais é do que um caso específico de Figura 13 - Procedimento para dividir um ângulo reto em
bissetriz, a bissetriz do ângulo reto. Essa técnica é 3 partes
de grande valia, pois é válida para qualquer ângulo. Fonte: SENAI (2005).

28 Introdução ao Desenho Técnico


Traçar uma Paralela a uma
Distância Conhecida da Reta AB

O procedimento a seguir, caro(a) aluno(a), pode Existem, hoje, aplicativos que ensinam de for-
ser utilizado para desenhos de edificações com ma lúdica e rápida os conceitos de desenhos
paredes paralelas, bem como para a confecção de geométrico, um deles é o Euclidea, que leva o
linhas paralelas de fluxogramas produtivos. Ob- usuário a testar seus conhecimentos geométri-
serva-se que esse procedimento é semelhante ao cos, desafiando-o a encontrar as mais variadas
procedimento de traçado de uma mediatriz, mas, soluções para os problemas euclidianos. Teste
neste caso, definimos um ponto definido para a seus conhecimentos instalando esse aplicativo
construção da linha e, no primeiro caso, cons- disponível em: <https://play.google.com/store/
truímos a linha em função dos pontos definidos. apps/details?id=com.hil_hk.euclidea&hl=pt_BR>.
O procedimento inicia-se com a marcação de
dois pontos equidistantes na semirreta AB, com
centros conhecidos, a saber: C e D. Encontrados
os pontos equidistantes, devemos centrar o com- Circunferência Tangente a
passo nesses pontos e, com aberturas maiores do Duas Retas (Concordância)
que o raio utilizado para marcação destes, marcar
um novo ponto acima de C e D. Esta representação aparece em muitos desenhos
Ao ligarmos esses pontos a C e D, teremos duas técnicos, por exemplo, onde uma peça tem seus
retas ortogonais, logo, para finalizar o procedi- cantos “aliviados” para minimizar os esforços me-
mento, abrimos o compasso com o tamanho de- cânicos. A concordância também surge em peças
sejado da distância entre as duas linhas paralelas fundidas, onde não se consegue cantos agudos
e marcamos os pontos E e F nas linhas ortogonais. sem haver um trabalho de usinagem. Em projetos
Ao ligar os pontos E e F, nós obteremos uma arquitetônicos, também é útil para a confecção de
reta paralela à semirreta AB, conforme mostra a esquinas em quadras de áreas de estoque ou pro-
Figura 14. dução, ou mesmo curvas onde passarão máquinas
Essa técnica confirma o teorema geométrico de movimentação.
que diz que, se temos duas retas, p e q, ortogonais
entre si, e q e r, ortogonais entre si, então p e r serão R
paralelas entre si.
R

E F
r
s

0 R
T
A B T’
C D

Figura 14 - Procedimento para traçar retas paralelas


Fonte: SENAI (2005). Figura 15 - Procedimento para traçar circunferência tan-
gente a 2 retas
Fonte: Arruda (2004).

UNIDADE I 29
O Procedimento para traçado de circunferência concordante é o
que segue:
• Dadas as retas “r” e “s”, trace uma paralela a “r” a uma distância
R, definindo um lugar geométrico de todas as circunferên-
cias de raio R tangentes a “r”. Faça o mesmo com a reta “s”. A
interseção das retas é definida como “O”.
• Com o compasso centrado em “O” e abertura de tamanho
R, determine os pontos de tangência T e T’.
• Apague as linhas que não serão necessárias ao projeto.

Construir um Hexágono Regular

O hexágono possui a propriedade de ter seus lados com o mesmo


tamanho do círculo que o inscreve.
O Procedimento para obtenção dele é o que segue:
• Trace uma circunferência cujo raio é o tamanho de um dos
lados do hexágono. Essa é a circunferência na qual o hexá-
gono estará inscrito.
• Trace a reta AB passando pelo centro do círculo e cruzando
a circunferência em dois pontos quaisquer.
• Defina a posição dos vértices do hexágono com o compasso
aberto no mesmo tamanho do raio e, com centro no ponto
A, encontre os vértices C e D; repita o procedimento para o
ponto B e encontre os vértices E e F.
• Ligue os vértices encontrando os lados do hexágono e apague
as linhas desnecessárias.

C E

A 1 B

D F
Figura 16 - Procedimento para a construção de hexágono regular
Fonte: SENAI (2005).

30
As linhas horizontais devem ser feitas com auxílio
da régua paralela ou régua T, sempre da esquerda
para a direita. Para as linhas verticais, dever-se-
-á utilizar o esquadro apoiado na régua paralela,
O procedimento feito anteriormente é muito útil formando um ângulo de 90° com esta. As linhas
na construção de desenhos de peças mecânicas deverão ser feitas sempre de cima para baixo.
com parafusos sextavados vistos de cima, basta
que o projetista saiba a medida de uma face do
parafuso para realizar sua representação.

Técnicas para construção de


Traçados com esquadros e
Réguas
Figura 17 - Direção indicada para o traçado de linhas
Fonte: o autor.
Para a aplicação dessas técnicas construtivas, é
necessária uma mínima destreza no manuseio Para a boa confecção de um desenho, os traços
dos instrumentos, por isso, a prática do desenho devem apresentar regularidade em toda sua ex-
tem início com trabalhos em traçado. No começo tensão. Assim, a uniformidade do traçado deve ser
desse trabalho, é importante ter conhecimento de minuciosamente observada, devendo ser mantida
que a lapiseira deve ser mantida entre os dedos a espessura escolhida, do início ao fim, sem que
polegar, indicador e médio, enquanto o anular e haja interrupções, como pedaços de traço apa-
o mínimo apoiam na folha. A pressão exercida gados ou não completados. As linhas contínuas
na lapiseira deve ser constante e firme, mas não não devem ultrapassar os cantos ou deixar de al-
excessiva, para evitar sulcos no papel. cançá-los; os diversos traços de uma linha trace-
jada devem ter comprimentos aproximadamente
iguais e ser equidistantes.
Para facilitar a confecção dos traços e dimi-
nuir, ao máximo, a necessidade de completar as
Tenha sua dose extra de linhas ou apagar as sobras, recomenda-se marcar
conhecimento assistindo ao a medida com a régua graduada no traço antes de
vídeo. Para acessar, use seu fazer o traço vertical. Observe a Figura 19 para
leitor de QR Code. entender o procedimento.

UNIDADE I 31
Figura 18 - Procedimento para obter linhas ortogonais com esquadro e régua (1ª parte)
Fonte: o autor.

Primeiro, traça-se a linha na horizontal; na se- Uso de Esquadro e Régua


quência, marca-se a distância com a régua gra- Paralela
duada e lápis.
A utilização correta dos esquadros em desenho
técnico é de fundamental importância para a ob-
tenção da precisão necessária. Esses instrumentos
são utilizados para o traçado de linhas horizontais
e verticais e podem servir, também, como apoio.
O traçado de retas paralelas ou perpendiculares à
determinada direção pode ser realizado moven-
do-se um esquadro apoiado sobre o outro que
permanece fixo.
Os esquadros podem ser utilizados, também,
para o traçado de linhas em ângulos determinados
Figura 19 - Procedimento para obter linhas ortogonais com
(30º, 45º, 60º e outros). Um recurso para o traçado
esquadro e régua (2ª parte)
Fonte: o autor. de linhas com ângulos diferentes é a combinação
dos esquadros, apoiados, como nos exemplos a
Apague a linha restante com a borracha e, na seguir (Figura 20). Quando dispomos de régua
sequência, utilize o esquadro para traçar a linha paralela, esta, além de apoiar o traçado de linhas
vertical faltante. horizontais, serve como apoio aos esquadros.

32 Introdução ao Desenho Técnico


90º

30º 45º

60º

15º

75º

Figura 20 - Posição dos esquadros de desenho


Fonte: o autor.

Divisão de uma reta utilizando Esquadros

Nesse processo, partimos de uma reta qualquer e a dividimos com base em uma outra conhecida,
construída e dividida com auxílio de régua graduada. Devemos, primeiro, partindo da extremidade
da reta AB, traçar uma outra reta BC de comprimento conhecido; depois disso, dividimos essa reta em
quantas partes desejarmos, no nosso exemplo, utilizou-se 5 partes iguais. Ligamos, então, os vértices
finais da reta AB e BC, formando o segmento AC, a partir daí, basta alinhar os esquadros com a reta
AC e ir construindo linhas paralelas a ela nos pontos anteriormente definidos, veja a figura:

UNIDADE I 33
C Tabela 3 - Polígonos Regulares e seus ângulos internos

Número Ângulo
Polígono de lados Interno

Triângulo Isósceles 3 60

Quadrado 4 90
A B
Hexágono 6 60

Figura 21 - Procedimento para a divisão de reta utilizando Octógono 8 45


esquadros
Fonte: Arruda (2004). Dodecágono 12 30

Fonte: o autor.

Construindo Polígonos • Trace o primeiro lado do polígono e mar-


Regulares com os Esquadros que seu comprimento com o compasso.
• Trace os lados adjacentes a esse polígono
Aproveitando os ângulos dos esquadros e sabendo com os esquadros, marcando o mesmo
dos ângulos de alguns polígonos regulares, pode- comprimento com o compasso.
mos construí-los com facilidade: • Continue até fechar o polígono.

Traçado de Arcos (À Mão Livre)

O melhor caminho para desenhar circunferências ou arcos à mão livre é marcar previamente, sobre
linhas perpendiculares entre si, as distâncias radiais e, a partir daí, fazer o traçado do arco, conforme
mostra a Figura 22 (RIBEIRO; PERES; IZIDORO, 2003).

34 Introdução ao Desenho Técnico


Símbolos e
Convenções

Figura 22 - Procedimento de confecção de arcos à mão livre


Fonte: Ribeiro, Peres e Izidoro. (2003).

Os desenhos e projetos obedecem a algumas con-


venções e regras que têm como intuito facilitar o
entendimento e padronizar as formas de repre-
sentar determinadas formas geométricas, então
foram propostas convenções, entre as normas,
para determinados assuntos.
Agora, vamos introduzir alguns desses sím-
bolos e convenções, que serão revisitados em um
momento mais oportuno, mas que se fazem im-
portante verificar antes de entrarmos na unidade
que tratará do desenho técnico propriamente dito.

UNIDADE I 35
Linhas

O tipo e a espessura de linha indicam sua função no desenho.


Tabela 4 - Tipos e Funções de linhas

TIPO FUNÇÃO
Contínua larga – arestas e contornos visíveis de peças, caracteres,
indicação de corte ou vista.
Contínua estreita – hachuras, cotas.
Contínua à mão livre estreita (ou contínua e “zig-zag”, estreita) – linha
de ruptura.

Tracejada estreita – lados invisíveis.

Tracejada larga – planos de simetria.

Traço e ponto larga – planos de corte (extremidades e mudança de


plano).

Traço e ponto estreita – eixos, planos de corte.

Traço e dois pontos larga – peças adjacentes.

Fonte: o autor.

Cores Caracteres

Para as linhas representadas em desenhos técni- As letras, em desenho técnico, são definidas por
cos, deve-se prezar pela utilização de grafite ou meio de normas da ABNT e devem ser escritas em
tinta na cor preta. Esse tipo de definição não é caixa alta delimitada por linhas paralelas e verti-
regra, afinal de contas, para diferenciar as linhas, cais que formam ângulos retos entre si. Também
costumamos utilizar cores diferentes. podemos utilizar os normógrafos para construir
Caso utilize em seu projeto um padrão de co- as letras sem muitas variações; mas, atualmente,
res, esse padrão deve ser descrito em uma legenda, com a utilização de projetos computacionais, elas
próxima à região do carimbo: na frente de um são previamente digitadas.
quadrado pintado com a cor da linha, deverá vir A caligrafia deve ser legível e facilmente dese-
descrito qual o significado dela. nhável. Essa técnica consiste em desenhar letras
com inclinação de 75 graus à direita, conforme os
exemplos na Figura 23.

36 Introdução ao Desenho Técnico


4 1 2 3 3 2 1 2
1 2 1 1 1 1 1 2 1
3 4 3 3
5
3
3
2 2 2

2 3 3
1 1 1 1 21 2 1 2 1 1 2 1
3
3
2 3 2 2
3 4
2

2 1
1 1 2
3 1 21 2 3 4 1 2 1 2
1 3
3
2
3 2

1 2 2 1 4 1
1 2 2 1 1 2 1 2
1 1 1
2 2 2

3 3 4
2 3

Figura 23 - Procedimento de confecção de arcos à mão livre


Fonte: adaptada de Ferreira et al. (2008).

Cota • Para melhorar a interpretação da medida,


usam-se os seguintes símbolos:
A cota deve ser realizada da seguinte forma: • ∅ - Diâmetro.
• Acima e paralelamente às suas linhas de • R – Raio.
cota, preferivelmente no centro. • - Quadrado.
00
000

• Quando a linha de cota é vertical, colocar • ∅ ESF – Diâmetro esférico.


a cota preferencialmente no lado esquerdo. • R ESF – Raio esférico.
• Quando estiver cotando uma meia-vista,
colocar a cota no centro da peça (acima Os símbolos de diâmetro e quadrado podem ser
ou abaixo da linha de simetria). omitidos quando a forma for claramente indicada.
• Não repetir cotas, salvo em casos especiais. Chegamos ao final de nossa primeira unidade
• Não usar qualquer linha do desenho como e você já é capaz de fazer seus primeiros projetos
linha de cota. utilizando algumas das técnicas de desenho aqui
• Evitar que uma linha de cota corte uma apresentadas. Vimos, nesta unidade, um pouco
linha auxiliar. sobre o desenvolvimento e aprimoramento das
• Não esperar de quem for ler o desenho técnicas de desenho e seus ramos, como a divisão
que faça somas e subtrações: cotar todas do ramo em Desenho Artístico e Desenho Téc-
as medidas e as dimensões totais. nico. Vimos, ainda, que o Desenho Técnico pode
• Evitar cotar linhas ocultas. ser subdividido levando em conta seu grau de
• Evitar cotas dentro de hachuras. elaboração, se é ou não projetivo, além de outras
variáveis expostas na unidade.

UNIDADE I 37
Conhecemos quais os materiais essenciais na sua mesa de trabalho, fizemos propostas de cuidados
e utilização correta dos materiais de desenho, que são o cerne do desenho Clássico. Esses cuidados
devem ser tomados visando a correta confecção dos projetos que faremos na sequência.
Após conhecermos um pouco de nossas ferramentas enquanto engenheiros projetistas, aprendemos
técnicas que remontam à época da Grécia Antiga e se apoiam em técnicas matemáticas –tratam-se dos
processos geométricos; vimos que eles podem ser úteis não só na aplicação de desenho técnico, mas
também na engenharia aplicada no dia a dia.
Foi interessante aprender que nem sempre se faz necessária, ao bom projetista, a necessidade de
régua graduada, pois essas técnicas garantem, por igualdade matemática, que as divisões serão exatas.
Findamos nossa primeira caminhada, aprendendo um pouco sobre os principais sinais e conven-
ções utilizados no Desenho Técnico, quais os símbolos representativos de diâmetros, as técnicas para
construção de letras com tamanhos similares, os tipos de representação para raios, seções quadradas
e cotas. Esses assuntos foram introdutórios para a próxima unidade, em que veremos, mais a fundo,
os processos de cotagem.
Ao final dessa primeira caminhada, acreditamos ter construído o conhecimento de forma clara e
concisa, formando, assim, projetistas com uma base sólida de conhecimentos primordiais ao desen-
volvimento de projetos.

38 Introdução ao Desenho Técnico


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Complete as lacunas conforme seus conhecimentos de técnicas de projeção:


“Segundo o método de Gaspard Monge, os raios projetantes são _________ que
atingem a folha de forma _________ e representam as dimensões ______ de um
objeto”.
a) Retas - paralela - ampliadas.
b) Linhas - ortogonal - ampliadas.
c) Curvas - perpendicular - reais.
d) Retas - perpendicular - reais.
e) Linhas - ortogonal - reduzidas.

2. Dentre a lista de materiais a seguir, quais fazem parte do grupo de materiais


essenciais para construção de projetos à mão livre.
I) Lapiseira, Régua, Esquadros, Escalímetro, Esfuminho e Fita Crepe.
II) Lapiseira, Régua Graduada, Prancheta, Esquadros e Escalímetro.
III) Lápis, Borracha, Papel, Prancheta, Esquadro e Régua Graduada.
IV) Régua T, Régua Graduada, Curva Francesa, Esquadro, Escalímetro e Trans-
feridor.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.

39
3. Os projetistas utilizam-se, muitas vezes, de técnicas de geometria para construir
projetos de peças e edificações. Dentre os projetos a seguir, assinale V para os
desenhos que podem ser obtidos pelos respectivos métodos geométricos e F
para os que não podem:
(( ) Construção de paredes a partir do procedimento de construção de linhas
paralelas.
(( ) Desenho de parafusos sextavados por meio do procedimento de construção
de bissetriz.
(( ) Construção de peças arredondadas pelo procedimento de circunferência
tangente a retas.
(( ) Construção de peças arredondadas pelo procedimento de divisão de reta em
2 partes iguais.
(( ) Desenho de parafusos sextavados por meio do procedimento de construção
de hexágono regular.
Assinale a alternativa correta:
a) V-V-V-V-V.
b) V-V-V-F-F.
c) F-F-F-F-F.
d) F-V-F-V-F.
e) V-F-V-F-V.

40
WEB

Quando tratamos sobre o principal responsável no desenvolvimento da técnica


de projeção ortogonal, não nos aprofundamos na importância e vida de Gaspard
Monge. Essa biografia encontra-se disponível no blog Matemática na veia.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

41
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10068. Folha de desenho – Leiaute e dimensões –
Padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.

______. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10647. Desenho Técnico. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

ARRUDA, C. K. C. Apostila de Desenho Técnico Básico. Campos dos Goytacazes: UCAM, 2004.

FERREIRA, R. C.; FALEIRO, H. T.; SOUZA, R. F. Desenho Técnico. Goiânia: UFG, 2008.

RIBEIRO, A. C.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico. Lorena:
USP, 2003.

SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecâ-
nico. São Paulo: LTC, 1997.

______. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Traçados de Caldeiraria. Vitória: LTC, 2005.

REFERÊNCIA ON-LINE

¹Em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAeoccAH/apostila-desenho-tecnico>. Acesso em: 10 jul. 2018.

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1. D.

2. B.

3. E.

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