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Ética Responsabilidade e Regime Disciplinar

O documento aborda a ética, responsabilidade e regime disciplinar no contexto das autarquias locais, destacando a importância de um comportamento ético nas organizações. Apresenta princípios éticos da administração pública e a evolução do quadro normativo relevante, incluindo leis e recomendações sobre ética e prevenção da corrupção. Conclui que a ética e a responsabilidade são fundamentais para a confiança e reputação na sociedade.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Ética Responsabilidade e Regime Disciplinar

O documento aborda a ética, responsabilidade e regime disciplinar no contexto das autarquias locais, destacando a importância de um comportamento ético nas organizações. Apresenta princípios éticos da administração pública e a evolução do quadro normativo relevante, incluindo leis e recomendações sobre ética e prevenção da corrupção. Conclui que a ética e a responsabilidade são fundamentais para a confiança e reputação na sociedade.
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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM REGIME JURÍDICO

DE PESSOAL DAS AUTARQUIAS LOCAIS


CERJPAL – GONDOMAR - 1ª ED.
CURSO 3. AÇÃO 1 – 2025
Mód 4 - ÉTICA, RESPONSABILIDADE E REGIME DISCIPLINAR
ÉTICA, RESPONSABILIDADE
E REGIME DISCIPLINAR

Deolinda Paula Ribeiro


Sumário:
I – ÉTICA e RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR
II – Regime Disciplinar – Fases/ tramitação
III – Procedimento disciplinar comum
IV – Procedimentos Especiais
I - ÉTICA
Origem etimológica:
• latim ethica,-ae,
• do grego ethikê, feminino de ethikós, -ê,-ón,
• do grego éthos,-ous, costume, hábito.

"ética", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024


https://dicionario.priberam.org/%C3%A9tica

Conjunto de regras de conduta de um indivíduo ou de um grupo


ÉTICA nas Organizações

 O comportamento ético é cada vez mais importante, quando o mundo


passa por grandes mudanças. As organizações têm de se transformar
para sobreviver a essas mudanças satisfazer melhor os seus “clientes”
 Assim, hoje, para um sucesso continuado, o desafio maior das empresas é
ter uma ética interna que oriente suas decisões e permeie as relações
entre as pessoas que delas participam e, ao mesmo tempo, um
comportamento ético inequivocamente reconhecido pela comunidade
 A ética é um alicerce da sociedade.
 Impõe limites e estabelece valores.
 As organizações necessitam de princípios e valores na tomada de decisões
 A ética será uma questão de sobrevivência para as
organizações/politica/democracia?
MEDIDAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES
Motivação dos trabalhadores e seu consequente aumento de produtividade
podem ser alcançados adoptando medidas, como:
 a aprendizagem ao longo da vida;

 a igualdade em termos de remuneração e de perspectivas de carreira para ambos os sexos;

(...)
MEDIDAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES
Motivação dos trabalhadores e seu consequente aumento de produtividade
podem ser alcançados adoptando medidas, como:
(...)
 uma preocupação relativamente à empregabilidade e à segurança dos postos de trabalho.
 Uma redução na exploração de recursos, nas emissões poluentes ou na produção de resíduos
contribui para:
 a redução das despesas energéticas e de eliminação de resíduos;
 a redução da poluição.
CONCLUSÃO

 Ética, reputação e confiança são valores importantes na sociedade.


 A punição será um incentivo ao cumprimento, mas uma sociedade baseada em
valores éticos será sempre uma sociedade evoluída e superior.
Princípios éticos da administração pública
(Apenas em 1991 – CPA)

1. princípio do serviço público


Os “funcionários” encontram-se ao serviço exclusivo da comunidade e dos cidadãos,
prevalecendo sempre o interesse público sobre os interesses particulares ou de grupo.
2. princípio da legalidade
Os funcionários atuam em conformidade com os princípios constitucionais e de acordo com
a lei e o direito.
(…)
Princípios éticos da administração pública
(…)

3. princípio da justiça e imparcialidade


Os funcionários, no exercício da sua atividade, devem tratar de forma justa e
imparcial todos os cidadãos, atuando segundo rigorosos princípios de neutralidade.

4. princípio da igualdade
Os funcionários não podem beneficiar ou prejudicar qualquer cidadão em função
da sua ascendência, sexo, raça, língua, convicções políticas, ideológicas ou
religiosas, situação económica ou condição social.
(…)
Princípios éticos da administração pública
(…)

5. princípio da proporcionalidade
Os funcionários, no exercício da sua atividade, só podem exigir aos cidadãos o
indispensável à realização da atividade administrativa.
As decisões da Administração que colidam com direitos subjetivos ou interesses
legalmente protegidos dos particulares só podem afetar essas posições na medida do
necessário e em termos proporcionais aos objetivos a realizar
(…)
Princípios éticos da administração pública
(…)

6. princípio da colaboração e boa fé


Os funcionários, no exercício da sua atividade, devem colaborar com os cidadãos,
segundo o princípio da Boa Fé, tendo em vista a realização do interesse da
comunidade e fomentar a sua participação na realização da atividade
administrativa.

7. princípio da informação e qualidade


Os funcionários devem prestar informações e/ou esclarecimentos de forma clara,
simples, cortês e rápida.
(…)
Princípios éticos da administração pública
(…)

8. princípio da colaboração e boa fé


Os funcionários, no exercício da sua atividade, devem colaborar com os cidadãos,
segundo o princípio da Boa Fé, tendo em vista a realização do interesse da
comunidade e fomentar a sua participação na realização da atividade
administrativa.

9. princípio da informação e qualidade


Os funcionários devem prestar informações e/ou esclarecimentos de forma clara,
simples, cortês e rápida.
(…)
Princípios éticos da administração pública
(…)

10. princípio da competência e responsabilidade


Os funcionários agem de forma responsável e competente, dedicada e crítica,
empenhando-se na valorização profissional.
A Administração Pública responde, nos termos da lei, pelos danos causados no
exercício da sua atividade.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:

• Em 1993 – Através de uma Resolução do conselho de ministros de 18 de fevereiro de


1993, foi aprovada a carta deontológica do serviço público - destina-se a todos os
funcionários públicos: da administração central, regional ou local e que tem como base
valores fundamentais para a administração pública.

Esta Resolução foi revogada em 1997.


EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
• Em 1997 - Resolução do Conselho de Ministros n.º 47/97, de 22 de março - Carta
Ética da Administração Pública - para regular os comportamentos éticos, (Todo
este bloco de regulação faz parte das obrigações comunitárias a que Portugal se
encontra adstrito (designadamente a Convenção Contra a Corrupção).

• Em termos comunitários assume especial destaque O Código Europeu de Boa


Conduta Administrativa, aprovado pelo Parlamento Europeu em 6 de Setembro de
2001.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
• Lei Orgânica 1/2001, de 14-08 - Lei que regula a eleição dos titulares dos órgãos
das autarquias locais – inelegibilidades gerais e especiais – arts. 6.º e 7.º,
respectivamente.

• Lei n.º 54/2008, de 4 de setembro – Criou o CPC – Conselho de Prevenção da


Corrupção – Já revogada (Decreto-Lei n.º 109-E/2021 - Diário da República n.º
237/2021, 1º Suplemento, Série I de 2021-12-09 – Cria o MENAC)- aprovou várias
recomendações importantes: (...)
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)
- Recomendações n.º 1/2009 e 1/2010, publicadas no Diário da República, 2.ª série, n.º 140,
de 22 de julho de 2009 e no Diário da República, 2.ª série, n.º 71, de 13 de abril de 2010,
respetivamente, onde é promovida a elaboração e publicitação do Plano de Gestão de Riscos
de Corrupção e Infrações Conexas (PGRCIC).

- Recomendação n.º 5/2012, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 219, de 13 de
novembro de 2012 – Gestão de Conflitos de Interesses no Setor Público
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)
• Lei n.º 52/2019, de 31 de julho - Aprova o regime do exercício de funções por titulares
de cargos políticos e altos cargos públicos, que já conta com 5 alterações (Leis n.ºs
69/2020, de 09/11, 58/2021, de 18/08, 4/2022, de 06/01, 25/2024, de 20/02, e, 26/2024, de
20/02), contemplando as respetivas obrigações declarativas e o regime sancionatório em caso
de incumprimento.
(…)
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)
De acordo com os artigos 19.º e 25.º desta Lei n.º 52/2019, de 31 de julho, na sua
redação atual, as entidades públicas abrangidas pelo diploma devem aprovar
códigos de conduta (a publicar no Diário da República e nos respetivos sítios da
Internet), no prazo de 120 dias após a entrada em vigor da lei (vigor em 25/10/2019),
para desenvolvimento, entre outras, das matérias relativas a ofertas institucionais e
hospitalidade.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)
• Lei n.º 78/2019, de 2 de setembro - Estabelece regras transversais às nomeações
para os gabinetes de apoio aos titulares de cargos políticos, dirigentes da
Administração Pública e gestores públicos;

• Em 2020 – Carta dos Princípios Éticos da DGAEP

• Resolução do Conselho de Ministros n.º 37/2021, de 6 de abril - Estratégia Nacional


Anticorrupção 2020-2024
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)
• Decreto-Lei n.º 109-E/2021, de 9 de dezembro que cria o Mecanismo Nacional
Anticorrupção (MENAC) e aprova (em anexo) o Regime Geral da Prevenção da
Corrupção (RGPC):
O MENAC - entidade administrativa independente, com personalidade jurídica de
direito público e poderes de autoridade, dotada de autonomia administrativa e
financeira, que desenvolve atividade de âmbito nacional no domínio da prevenção
da corrupção e infrações conexas.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

NB:
Quando das infrações apuradas resultarem indícios de infração
financeira, o MENAC participa-as ao Tribunal de Contas
(n.º 2 do art. 24.º);
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
• Com vista a prevenirem, detetarem e sancionarem atos de corrupção e infrações
conexas, levados a cabo contra ou através da entidade (n.º 1 do art. 5.º do RGPC),
as entidades abrangidas adotam e implementam um programa de cumprimento
normativo que inclua, pelo menos:
- um plano de prevenção de riscos de corrupção e infrações conexas (PPR),
- um código de conduta,
- um programa de formação e
- um canal de denúncias,
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
• Para prevenir eventuais conflitos de interesses, os membros dos órgãos de
administração, dirigentes e trabalhadores das entidades públicas abrangidas
assinam uma declaração de inexistência de conflitos de interesses conforme
modelo definido por portaria dos membros Governo responsáveis pelas áreas da
justiça e da Administração Pública, nos procedimentos em que intervenham
respeitantes a contratação pública, concessão de subsídios, subvenções ou
benefícios, licenciamentos urbanísticos, ambientais, comerciais e industriais e
procedimentos sancionatórios (n.º 2 do art. 13.º do RGPC)
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
Até ao momento, forma publicadas:
a) Portaria n.º 185/2024, de 14 de agosto: Aprova o modelo de declaração de
inexistência de conflitos de interesses destinada aos membros dos órgãos de
administração, dirigentes e trabalhadores das entidades públicas abrangidas
pelo Regime Geral da Prevenção da Corrupção;
b) Portaria n.º 242/2024, de 4 de outubro: Altera a Portaria n.º 185/2024/1, de 14
de agosto,
c) Portaria n.º 38/2025, de 14 de fevereiro: Altera a Portaria n.º 185/2024/1, de 14
de agosto.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

Os códigos de conduta apresentam um conjunto de diretrizes, regras e normas, com


base nos valores e princípios da organização, com a finalidade de influenciar
transversalmente a tomada de decisões e de orientar a sua relação com as partes
interessadas, internas e externas, bem como estimular os comportamentos que se
pretendem incutir nos trabalhadores no contexto do exercício das suas funções
profissionais, tendo em conta os valores éticos e princípios de ação no seu
relacionamento entre si e com terceiros destinatários da sua ação.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

Os códigos de conduta, entre outros objetivos, devem facilitar aos seus órgãos e
agentes a comunicação às autoridades competentes de factos ou situações
conhecidas no desempenho das suas funções e estabelecer o dever de participação
de atividades externas, investimentos, ativos ou benefícios substanciais, suscetíveis
de criar conflitos de interesses no exercício das suas funções.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

O RGPC prevê que o programa de cumprimento normativo deve incluir, um código


de ética e de conduta, nos termos do n.º 1 do artigo 7.º, que estabeleça o conjunto
de princípios, valores e regras de atuação de todos os dirigentes e trabalhadores em
matéria de ética profissional, tendo em consideração as normas penais referentes à
corrupção e às infrações conexas e os riscos de exposição da entidade a estes
crimes.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

Por outro lado, no domínio do assédio laboral, a Lei n.º 73/2017, de 16 de agosto,
vem reforçar o quadro legislativo para a prevenção desta prática no setor privado e
na Administração Pública, procedendo à 12.ª alteração ao Código do Trabalho,
aprovado em anexo à Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro e à 6.ª alteração à Lei Geral
do Trabalho em Funções Públicas, aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de
junho e à 5.ª alteração ao Código de Processo do Trabalho, aprovado pelo Decreto-
Lei n.º 480/99, de 9 de novembro.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

Esta Lei veio aditar a alínea k), ao n.º 1, do artigo 71.º da Lei Geral do Trabalho em
Funções Públicas, a qual determina que sejam adotados códigos de boa conduta
para a prevenção e combate ao assédio no trabalho e que se instaure procedimento
disciplinar sempre que tiver conhecimento de alegadas situações de assédio no
trabalho.
EVOLUÇÃO do quadro normativo relevante:
(...)

De acordo com o disposto nos artigos 19.º e 25.º da Lei n.º 52/2019, de 31 de julho,
na sua redação atual, as entidades públicas abrangidas pelo diploma devem aprovar
códigos de conduta para desenvolvimento, entre outras, das matérias relativas a
ofertas institucionais e hospitalidade.
DOS DIREITOS, DEVERES E
GARANTIAS DAS PARTES
(art. 70.º a 78.º e 19.º a 24.º da LTFP)

■ Neste capítulo introduzem-se os deveres gerais dos trabalhadores que estavam previstos
no Estatuto Disciplinar.
■ A formação profissional além de um direito passa a ser um dever/deveres especiais
inerentes à situação de trabalhador em funções públicas (v. n.º 12 do art. 73.º da LTFP).

NB: O direito de uma das partes corresponde ao dever da outra!!


Deveres do Trabalhador (art. 73.º)

NB:
Especial cautela nesta matéria, porquanto os deveres dos
trabalhadores vão muito para além do elenco dos deveres GERAIS do
n.º 2 do art. 73.º!
Deveres do Trabalhador (art. 73º)

O trabalhador está sujeito aos deveres previstos:

a) na LTFP,

b) noutros diplomas legais e regulamentos, e

c) no instrumento de regulamentação coletiva de trabalho que lhe seja


aplicável.
Deveres do Trabalhador (art. 73.º)
2 - São deveres gerais dos trabalhadores:
a) O dever de prossecução do interesse público;
b) O dever de isenção;
c) O dever de imparcialidade;
d) O dever de informação;
e) O dever de zelo;
f) O dever de obediência;
g) O dever de lealdade;
h) O dever de correção;
i) O dever de assiduidade;
j) O dever de pontualidade
Deveres do Trabalhador (art. 73.º
- O dever de prossecução do interesse público, consiste na sua defesa, no
respeito pela Constituição, pelas leis e pelos direitos e interesses legalmente
protegidos dos cidadãos;

- O dever de isenção consiste em não retirar vantagens, diretas ou indiretas,


pecuniárias ou outras, para si ou para terceiro, das funções que exerce;

- O dever de imparcialidade consiste em desempenhar as funções com


equidistância relativamente aos interesses com que seja confrontado, sem
discriminar positiva ou negativamente qualquer deles, na perspetiva do respeito
pela igualdade dos cidadãos;
Deveres do Trabalhador (art. 73.º)

- O dever de informação consiste em prestar ao cidadão, nos termos legais, a


informação que seja solicitada, com ressalva daquela que, naqueles termos, não
deva ser divulgada.

- O dever de zelo consiste em conhecer e aplicar as normas legais e


regulamentares e as ordens e instruções dos superiores hierárquicos, bem
como exercer as funções de acordo com os objetivos que tenham sido fixados e
utilizando as competências que tenham sido consideradas adequadas

- O dever de obediência consiste em acatar e cumprir as ordens dos legítimos


superiores hierárquicos, dadas em objeto de serviço e com a forma legal;
Deveres do Trabalhador (art. 73.º)

- O dever de lealdade consiste em desempenhar as funções com subordinação aos


objetivos do órgão ou serviço.

- O dever de correção consiste em tratar com respeito os utentes dos órgãos ou


serviços e os restantes trabalhadores e superiores hierárquicos.

- Os deveres de assiduidade e de pontualidade consistem em comparecer ao


serviço regular e continuamente e nas horas que estejam designadas;
Deveres do Trabalhador (art. 73.º)

IMPORTANTE:

1 - O trabalhador tem o dever de frequentar ações de formação e aperfeiçoamento


profissional na atividade em que exerce funções, das quais apenas pode ser dispensado
por motivo atendível.

2 - Na situação de requalificação (valorização profissional), o trabalhador deve observar


os deveres especiais inerentes a essa situação.
Deveres do Trabalhador (art. 73.º)

NB:
Não esquecer os deveres constantes dos arts. 19.º a 24.º, pois que estando sob a
epígrafe de “GARANTIAS DE IMPARCIALIDADE”, constituem verdadeiros deveres para
o trabalhador (incompatibilidades e impedimentos)
Deveres do Trabalhador

• No exercício das suas funções, os trabalhadores em funções públicas estão


exclusivamente ao serviço do interesse público, tal como é definido, nos termos
da lei, pelos órgãos competentes da administração.

• Sem prejuízo de impedimentos previstos na Constituição e noutros diplomas, os


trabalhadores com vínculo de emprego público estão sujeitos ao regime de
incompatibilidades e impedimentos previsto na presente secção
Deveres do Trabalhador

• Incompatibilidade com outras funções (REGRA - art. 20.º)

• As funções públicas são, em regra, exercidas em regime de exclusividade;

• Daí as normas restritivas de possibilidade de acumulação com outras funções


públicas (art. 21.º) ou funções/actividades privadas (art. 22.º);

• A obrigatoriedade da autorização para acumulação de funções (art. 23.º) e as proibições


especificas constantes do art. 24.º.
Deveres do Trabalhador

A possibilidade de acumulação com outras funções públicas (art. 21.º):

• tem de revestir interesse público

• Requer autorização ainda que as funções a exercer não sejam remuneradas.

• Apenas admissível nos casos taxativamente previstos no n.º 2 do art. 21:


Deveres do Trabalhador

Possibilidade de acumulação com outras funções públicas (art. 21.º):


a) Participação em comissões ou grupos de trabalho;
b) Participação em conselhos consultivos e em comissões de fiscalização ou outros
órgãos colegiais de fiscalização ou controlo de dinheiros públicos;
Deveres do Trabalhador
Possibilidade de acumulação com outras funções públicas (art. 21.º):

c) Atividades docentes ou de investigação de duração não superior à fixada em


despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, da
Administração Pública e da educação e que, sem prejuízo do cumprimento da
duração semanal do trabalho, não se sobreponha em mais de um quarto ao horário
inerente à função principal;

d) Realização de conferências, palestras, ações de formação de curta duração e


outras atividades de idêntica natureza.
Deveres do Trabalhador

Acumulação com outras funções/actividades privadas (art. 22.º):

• O exercício de funções públicas não pode ser acumulado com funções ou


atividades privadas, exercidas em regime de trabalho autónomo ou subordinado, com
ou sem remuneração, concorrentes, similares ou conflituantes com as funções públicas.

• Consideram-se concorrentes, similares ou conflituantes com as funções públicas as


atividades privadas que, tendo conteúdo idêntico ao das funções públicas
desempenhadas, sejam desenvolvidas de forma permanente ou habitual e se dirijam ao
mesmo círculo de destinatários.
Deveres do Trabalhador
Acumulação com outras funções/actividades privadas (art. 22.º):
O exercício de funções públicas pode ser acumulado com funções ou atividades privadas que:

a) Não sejam legalmente consideradas incompatíveis com as funções públicas;

b) Não sejam desenvolvidas em horário sobreposto, ainda que parcialmente, ao das funções
públicas;

c) Não comprometam a isenção e a imparcialidade exigidas pelo desempenho das funções


públicas;

d) Não provoquem prejuízo para o interesse público ou para os direitos e interesses legalmente
protegidos dos cidadãos
Deveres do Trabalhador
Acumulação com outras funções/actividades privadas (art. 22.º):

• No exercício das funções ou atividades privadas autorizadas, os trabalhadores da


Administração Pública não podem praticar quaisquer atos contrários aos
interesses do serviço a que pertencem ou com eles conflituantes.

• A violação do disposto no número anterior determina a revogação da


autorização para acumulação de funções, constituindo ainda infração disciplinar
grave. (tendencialmente punida com sanção de suspensão – cfr. al. c) do art. 186.º)
Deveres do Trabalhador

SEMPRE:
Autorização para acumulação de funções em qualquer das
modalidades – requerimento:
a) Local do exercício da função ou atividade a acumular;
b) Horário em que ela se deve exercer, quando aplicável;
c) Remuneração a auferir, quando aplicável;
d) Natureza autónoma ou subordinada do trabalho a desenvolver e respetivo
conteúdo;
Deveres do Trabalhador

SEMPRE
Autorização para acumulação de funções em qualquer das
modalidades – requerimento:
e) Justificação do manifesto interesse público na acumulação, quando
aplicável;

f) Justificação da inexistência de conflito com as funções públicas, quando


aplicável;

g) Compromisso de cessação imediata da função ou atividade acumulada,


no caso de ocorrência superveniente de conflito
Deveres do Trabalhador

NB
Acumulação de funções em qualquer das modalidades:

• Compete aos titulares de cargos dirigentes, sob pena de cessação da


respetiva comissão de serviço, nos termos do respetivo estatuto, verificar da
existência de situações de acumulação de funções não autorizadas, bem
como fiscalizar o cumprimento das garantias de imparcialidade no
desempenho de funções públicas.
Deveres do Trabalhador
PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

• Os trabalhadores não podem prestar a terceiros, por si ou por interposta pessoa, em


regime de trabalho autónomo ou subordinado, serviços no âmbito do estudo, preparação
ou financiamento de projetos, candidaturas ou requerimentos que devam ser
submetidos à sua apreciação ou decisão ou à de órgãos ou serviços colocados sob sua
direta influência.

• Os trabalhadores não podem beneficiar, pessoal e indevidamente, de atos ou tomar


parte em contratos em cujo processo de formação intervenham órgãos ou unidades
orgânicas colocados sob sua direta influência.
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

Consideram-se colocados sob direta influência do trabalhador os órgãos


ou serviços que:
a) Estejam sujeitos ao seu poder de direção, superintendência ou tutela;

b) Exerçam poderes por ele delegados ou subdelegados;

c) Tenham sido por ele instituídos, ou relativamente a cujo titular tenha intervindo como
representante do empregador público, para o fim específico de intervir nos
procedimentos em causa;
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

d) Sejam integrados, no todo ou em parte, por trabalhadores por ele designados;

e) Cujo titular ou trabalhadores neles integrados tenham, há menos de um ano, sido


beneficiados por qualquer vantagem remuneratória, ou obtido menção relativa à
avaliação do seu desempenho, em cujo procedimento ele tenha tido intervenção;

f) Com ele colaborem, em situação de paridade hierárquica, no âmbito do mesmo órgão


ou serviço.
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

Atenção que, para efeitos destas proibições, são equiparados ao trabalhador:

a) O seu cônjuge, não separado de pessoas e bens, ascendentes e descendentes em qualquer


grau, colaterais até ao segundo grau e pessoa que com ele viva em união de facto;

b) A sociedade em cujo capital o trabalhador detenha, direta ou indiretamente, por si mesmo


ou conjuntamente com as pessoas referidas na alínea anterior, uma participação não
inferior a 10 %.
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

Consequência para quem violar estas proibições:

Incorre em infração disciplinar grave, punível com sanção de suspensão, nos termos do
disposto no art. 186º, al. n).
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

O trabalhador que pretenda tomar decisões ou intervir nos actos ou


contratos nos casos aqui previstos, deve comunicar PREVIAMENTE ao
respetivo superior hierárquico a existência das situações de parentesco /
participações sociais.
Deveres do Trabalhador
PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

• Neste particular dever, a LTFP vem aplicar, com as necessárias adaptações, o anterior e
revogado Código do Procedimento Administrativo, o DL n.º 442/91, de 15-11,
designadamente o art. 51.º (sanções)

• Não se percebe a razão de ser, porquanto poderia simplesmente voltar a colocar uma norma
de igual teor (as questões continuam a suscitar-se: causas de impedimento-escusa e suspeição);

• Mais: o art. 51.º do velho CPA não se encontra sequer em vigor! Foi revogado com a entrada em
vigor do novo CPA: Decreto- Lei n.º 4/2015, de 07-01.
Deveres do Trabalhador

PROIBIÇÕES ESPECÍFICAS (art. 24º.)

Assim, o que se encontrava previsto no dito art. 51.º do antigo CPA, era o
seguinte:

1 - Os actos ou contratos em que tiverem intervindo titulares de órgão ou agentes


impedidos são anuláveis nos termos gerais.

2 - A omissão do dever de comunicação, constitui falta grave para efeitos disciplinares.


Poderes do Empregador Público

1 – PODER DE DIRECÇÃO (art. 74.º)

♦ Compete ao empregador público, dentro dos limites decorrentes do vínculo de emprego


público e das normas que o regem, fixar os termos em que deve ser prestado o trabalho.
Poderes do Empregador Público

1 – PODER DE DIRECÇÃO (art. 74.º)


♦ Elaboração de Regulamentos internos do órgão ou serviço, contendo normas de
organização e disciplina do trabalho (ouvir Comissão de Trabalhadores, sindicatos…);

♦ Obrigação de dar publicidade (afixação física e meios electrónicos) – estar disponível a


todo o tempo para conhecimento do trabalhador
Poderes do Empregador Público

2 – PODER DISCIPLINAR (art. 76.º)

Sem prejuízo do disposto no artigo 176.º, o empregador público tem poder disciplinar
sobre o trabalhador ao seu serviço, enquanto vigorar o vínculo de emprego público.
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Sujeição ao poder disciplinar
(Artigo 176.º)
1. Todos os trabalhadores são disciplinarmente responsáveis perante os seus superiores
hierárquicos.

2. Os titulares dos órgãos dirigentes dos serviços da administração direta e indireta do


Estado são disciplinarmente responsáveis perante o membro do Governo que exerça a
respetiva superintendência ou tutela.
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Sujeição ao poder disciplinar
(Artigo 176.º)
3. Os trabalhadores ficam sujeitos ao poder disciplinar desde a constituição do vínculo de
emprego público, em qualquer das suas modalidades.
4. A cessação do vínculo de emprego público/a alteração da situação jurídico-funcional do
trabalhador não impedem a punição por infrações cometidas no exercício da função.
5. Em caso de cessação do vínculo de emprego público, o procedimento disciplinar ou a
execução de qualquer das sanções previstas nas alíneas b) a d) do n.º 1 do artigo 180.º
suspende-se por um período máximo de 18 meses, podendo prosseguir caso o
trabalhador constitua novo vínculo de emprego público para as mesmas funções a que o
procedimento disciplinar diz respeito e desde que do seu início, ressalvado o tempo de
suspensão, não decorram mais de 18 meses até à notificação ao trabalhador da decisão
final.
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Sujeição ao poder disciplinar
(Artigo 176.º)

Desta norma importa realçar 2 notas (alterações introduzidas pelo DL n.º 6/2019, de 14,01):

• O n.º 4 foi alterado, pois veio agora aditar a figura jurídica da “cessação do vínculo de
emprego público”, quando anteriormente apenas constava “a alteração da situação
jurídico-funcional”, alargando, assim, o âmbito das situações que pretende abarcar;
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Sujeição ao poder disciplinar
(Artigo 176.º)
O n.º 5, completamente novo, vem regular as situações em que ocorre a cessação do vínculo de emprego
público. Assim:
• Em caso de cessação do vínculo de emprego público, o procedimento disciplinar ou a execução
de qualquer das sanções previstas nas alíneas b) a d) do n.º 1 do artigo 180.º (isto é, todas as
sanções, excepto a repreensão escrita) suspende-se por um período máximo de 18 meses, podendo
prosseguir caso o trabalhador constitua novo vínculo de emprego público para as mesmas funções a
que o procedimento disciplinar diz respeito e desde que do seu início, ressalvado o tempo de suspensão,
não decorram mais de 18 meses até à notificação ao trabalhador da decisão final.
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar
(Artigo 177.º)
1. É excluída a responsabilidade disciplinar do trabalhador que atue no cumprimento de ordens
ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, quando
previamente delas tenha reclamado ou exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.
PODER DISCIPLINAR
(arts. 176.º a 240.º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar
(Artigo 177.º)

Trata-se, aqui, de verdadeira causa de exclusão da ilicitude.

Cfr. art. 37º. do Código Penal : Obediência indevida desculpante


“Age sem culpa o funcionário que cumpre uma ordem sem conhecer que ela conduz à prática
de um crime, não sendo isso evidente no quadro das circunstâncias por ele representadas”.
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar (Artigo 177.º)

QUE DEVE FAZER O TRABALHADOR?


1. Reclamar ou exigir a transmissão ou confirmação da ordem por escrito, referindo,
expressamente, que a considera ilegal.

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar (Artigo 177.º)

QUE DEVE FAZER O TRABALHADOR?


2. Quando a decisão da reclamação ou a transmissão ou confirmação da ordem ou instrução
por escrito não tenham lugar dentro do tempo em que, sem prejuízo, o cumprimento
destas possa ser demorado, o trabalhador comunica, também por escrito, ao seu imediato
superior hierárquico, os termos exatos da ordem ou instrução recebidas e da reclamação ou
do pedido formulados, bem como a não satisfação destes, executando seguidamente a
ordem ou instrução.

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176º a 240º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar (Artigo 177.º)

SE A ORDEM FOR DADA EXIGINDO-SE CUMPRIMENTO IMEDIATO??

Neste caso, não dá tempo para estes procedimentos!

Que fazer??

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Exclusão da responsabilidade disciplinar (Artigo 177.º)

SE A ORDEM FOR DADA EXIGINDO-SE CUMPRIMENTO IMEDIATO??

1º o trabalhador cumpre a ordem, depois faz a comunicação escrita

NB: Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou


instruções implique a prática de qualquer crime.
(...)
PRINCÍPIOS DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR

• Princípio da obrigatoriedade do procedimento disciplinar- artigos 269.º, n.º3 da CRP e


194º da LTFP.

• Princípio da legalidade – vigora em domínio disciplinar (quer na fase de instrução,


quer na de aplicação das sanções disciplinares
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição da infracção disciplinar
(Artigo 178.º)

Um ano sobre a respetiva prática, salvo quando consubstancie também infração


penal, caso em que se sujeita aos prazos de prescrição estabelecidos na lei penal à
data da prática dos factos.

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição da infracção disciplinar
(Artigo 178.º)

MAS SUSPENDE-SE QUANDO, CUMULATIVAMENTE:

a) Tenham sido instaurados, nos 30 dias seguintes à suspeita da prática de factos


disciplinarmente puníveis, processos de sindicância aos órgãos ou serviços ou de inquérito
ou disciplinar (mesmo que a outro trabalhador);

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176º a 240º)
Prescrição da infracção disciplinar (Artigo 178.º)

MAS SUSPENDE-SE QUANDO, CUMULATIVAMENTE:

b) O procedimento disciplinar subsequente tenha sido instaurado nos 30 dias seguintes à recepção
daqueles processos, para decisão, pela entidade competente;

c) À data da instauração dos processos e procedimento referidos nas alíneas anteriores, não se
encontre já prescrito o direito de instaurar procedimento disciplinar (60 dias após o
conhecimento da infracção).
Cfr. Acórdão do TCA (N) de 25/02/2022, Proc. n.º 00285/18.6BECBR
(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição do procedimento disciplinar (Artigo 178.º)

O direito de instaurar o procedimento disciplinar prescreve no prazo de 60 dias sobre o


conhecimento da infração por qualquer superior hierárquico.

(NB: anteriormente eram apenas 30 dias!)

O procedimento disciplinar prescreve decorridos 18 meses, a contar da data em que foi


instaurado quando, nesse prazo, o trabalhador não tenha sido notificado da decisão final.

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição do PROCEDIMENTO disciplinar (Artigo 178.º)
SUSPENSÃO desta prescrição do procedimento disciplinar:

Esta prescrição suspende -se durante o tempo em que, por força de decisão ou de apreciação
judicial de qualquer questão (por ex. interdição), a marcha do correspondente processo não
possa começar ou continuar a ter lugar (n.ºs 5 e 6 do art. 178.º).
e
A prescrição volta a correr a partir do dia em que cesse a causa da suspensão

(...)
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição da infracção e do procedimento disciplinar (Artigo 178.º)
SUSPENSÃO DOS PRAZOS PRESCRICIONAIS:

Suspendem os prazos prescricionais por um período até seis meses, a instauração de processo
de sindicância aos órgãos ou serviços, ou de processo de inquérito ou disciplinar, mesmo que
não dirigidos contra o trabalhador a quem a prescrição aproveite, quando em qualquer deles
venham a apurar-se infrações por que seja responsável.
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição da infracção e do procedimento disciplinar (Artigo 178.º)
CONTAGEM DOS PRAZOS PRESCRICIONAIS:

Segue a regra geral do art. 3º do Diploma (Lei n.º 35/2014, de 20,06):

- até seis meses: dias úteis;

- Superior a 6 meses: dias seguidos

Cfr. Parecer (PGR) n.º 13/2022, 2-06, sobre a natureza e o modo de contagem dos prazos
previstos no n.º 2 e nas alíneas a) e b) do n.º 4 do artigo 178.º
PODER DISCIPLINAR (arts. 176.º a 240.º)
Prescrição das infracções permanentes ou continuadas
Acórdão do TCA (S) de 3/10/2024, proc. n.º 640/12.5BELRA-A:
“Invoca ainda o Recorrente, a prescrição do procedimento disciplinar, procurando evidenciar
uma suposta inexistência das infrações de que vem acusado. Desde logo, e à luz do EOA1984,
a natureza permanente das infrações mostra-se impeditiva do decurso do prazo de prescrição,
como se discorreu no Acórdão do TCA Norte proferido no Proc. n.º 00740/10.6BEPNF, de
05.12.2014, relatado pelo aqui igualmente relator. Aí se sumariou, nomeadamente, que “A
prescrição de infração permanente - que se distingue da infração instantânea de efeitos
permanentes – só corre desde o dia em que cessar a consumação.” Não deve ser confundida a
consumação das infrações com a cessação dos seus efeitos. Em concreto, perante a retenção
ilegítima do dinheiro do cliente pelo seu advogado, estamos, naturalmente, perante infrações
de natureza permanente.
NOTAS SOBRE INFRAÇÃO DISCIPLINAR QUE
CONCOMITANTEMENTE CONSTITUI CRIME

1. A condenação em processo penal (comunicada pelo tribunal 24h após o trânsito em


julgado da sentença) não prejudica o exercício da ação disciplinar quando a infração
penal constitua também infração disciplinar.

2. Quando os factos praticados pelo trabalhador sejam passíveis de ser considerados


infração penal, dá-se obrigatoriamente notícia deles ao Ministério Público
competente para promover o procedimento criminal, nos termos do artigo 242.º do
Código de Processo Penal (DL n.º 78/87, de 17.02).
DAS SANÇÕES (art. 180.º e ss)

(e não “PENAS” como anteriormente)


Escala e caracterização das sanções disciplinares
As sanções disciplinares aplicáveis aos trabalhadores em funções públicas pelas infrações que
cometam são as seguintes:

a) Repreensão escrita (mero reparo pela irregularidade praticada);

b) Multa (fixada em quantia certa e que não pode exceder o valor correspondente a seis
remunerações base diárias por cada infração e um valor total correspondente à
remuneração base de 90 dias por ano);
DAS SANÇÕES (art. 180.º e ss)
(e não “PENAS” como anteriormente)
Escala e caracterização das sanções disciplinares

c) Suspensão (afastamento completo do trabalhador do órgão ou serviço durante o período


da sanção, variando entre 20 e 90 dias por cada infração, num máximo de 240 dias por ano);

d) Despedimento disciplinar ou demissão:


• despedimento disciplinar: afastamento definitivo do órgão ou serviço do trabalhador com
contrato de trabalho em funções públicas, cessando o vínculo de emprego público;
• demissão afastamento definitivo do órgão ou serviço do trabalhador nomeado, cessando
o vínculo de emprego público;
NOTAS SOBRE AS SANÇÕES

1. Não pode ser aplicada mais de uma sanção disciplinar por cada infração, pelas infrações
acumuladas que sejam apreciadas num único processo ou pelas infrações apreciadas em
processos apensados.

2. As sanções disciplinares são registadas no processo individual do trabalhador.


EFEITOS DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 182º)

1. As sanções disciplinares produzem unicamente os efeitos previstos na presente lei.

2. A sanção de suspensão determina, por tantos dias quantos os da sua duração, o não
exercício de funções e a perda das remunerações correspondentes e da contagem do
tempo de serviço para antiguidade.

3. A aplicação da sanção de suspensão não prejudica o direito dos trabalhadores à manutenção, nos
termos legais, das prestações do respetivo regime de proteção social.

(...)
EFEITOS DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 182º)

4. As sanções de despedimento disciplinar ou de demissão importam a perda de todos os direitos


do trabalhador, salvo quanto à reforma por velhice ou à aposentação, nos termos e condições
previstos na lei, mas não o impossibilitam de voltar a exercer funções em órgão ou serviço que
não exijam as particulares condições de dignidade e confiança que aquelas de que foi despedido
ou demitido exigiam.

(...)
EFEITOS DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 182º)

5. A sanção de cessação da comissão de serviço implica o termo do exercício do cargo dirigente ou


equiparado e a impossibilidade de exercício de qualquer cargo dirigente ou equiparado durante
o período de 3 anos, a contar da data da notificação da decisão.

(...)
INFRACÇÃO DISCIPLINAR

Art. 183.º
DEFINIÇÃO
1- Comportamento do trabalhador,

2 - por ação ou omissão,


3 - ainda que meramente culposo (quer dizer negligente, com falta de cuidado),
4 - que viole deveres gerais ou especiais inerentes à função que exerce.
INFRACÇÃO DISCIPLINAR

Art. 183.º
NB: A infração disciplinar é atípica (princípio da não tipicidade);
• Para se estar perante uma infracção disciplinar é necessário estarem reunidos,
cumulativamente, 3 pressupostos, a saber:

1- Ocorrência de um facto (acção ou omissão)

2- Ilicitude;

3- CULPA
INFRACÇÃO DISCIPLINAR
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares A que
infracções se aplica cada uma das sanções?

1 - Repreensão escrita

Artigos 184.º e 194.º: aplicável a infrações leves de serviço.


• É aplicada sem dependência de processo, mas com audiência e defesa do
trabalhador. – único caso em que não é obrigatório o processo disciplinar;

• A requerimento do trabalhador é lavrado auto dessas diligências, na presença de


duas testemunhas por ele indicadas.

• O trabalhador tem o prazo máximo de cinco dias para, querendo, produzir a sua
defesa por escrito.
INFRACÇÃO DISCIPLINAR
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares A que
infracções se aplica cada uma das sanções?

2 - Multa: (art. 185.º)

Aplicável a casos de negligência ou má compreensão dos deveres funcionais, nomeadamente


no caso dos comportamentos constantes do Artigo 185.º.
INFRACÇÃO DISCIPLINAR
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

2 - Multa: (art. 185.º)


Nomeadamente aos trabalhadores que:
a) Não observem os procedimentos estabelecidos ou cometam erros por
negligência, de que não resulte prejuízo relevante para o serviço;

b) Desobedeçam às ordens dos superiores hierárquicos, sem consequências


importantes;
INFRACÇÃO DISCIPLINAR
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

2 - Multa: (art. 185.º)

c) Não usem de correção para com os superiores hierárquicos, subordinados ou colegas ou


para com o público

d) Pelo defeituoso cumprimento ou desconhecimento das disposições legais e regulamentares


ou das ordens superiores, demonstrem falta de zelo pelo serviço;

e) Não façam as comunicações de impedimentos e suspeições previstas no Código do


Procedimento Administrativo.
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

A que infracções se aplica cada uma das sanções?

3 - SUSPENSÃO:
Aplicável aos trabalhadores que atuem com grave negligência ou com grave
desinteresse pelo cumprimento dos deveres funcionais e àqueles cujos
comportamentos atentem gravemente contra a dignidade e o prestígio da função,
nomeadamente quando se verificar um comportamento dos constantes no art. 186º;
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

3 - SUSPENSÃO: 186º

nomeadamente quando:
a) Deem informação errada a superior hierárquico;

b) Compareçam ao serviço em estado de embriaguez ou sob o efeito de


estupefacientes ou drogas equiparadas;

c) Exerçam funções em acumulação, sem autorização ou apesar de não autorizados ou,


ainda, quando a autorização tenha sido concedida com base em informações ou
elementos, por eles fornecidos, que se revelem falsos ou incompletos;
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

3 - SUSPENSÃO: 186º

d) Demonstrem desconhecimento de normas essenciais reguladoras do serviço, do


qual haja resultado prejuízos para o órgão ou serviço ou para terceiros;

e) Dispensem tratamento de favor a determinada entidade, singular ou coletiva;

f) Omitam informação que possa ou deva ser prestada ao cidadão ou, com violação
da lei em vigor sobre acesso à informação, revelem factos ou documentos
relacionados com os procedimentos administrativos, em curso ou concluídos;
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

3 - SUSPENSÃO: 186º
g) Desobedeçam escandalosamente, ou perante o público e em lugar aberto ao mesmo, às
ordens superiores;

h) Prestem falsas declarações sobre justificação de faltas;

i) Violem os procedimentos da avaliação do desempenho, incluindo a aposição de datas


sem correspondência com o momento da prática do ato;

j) Agridam, injuriem ou desrespeitem gravemente superior hierárquico, colega, subordinado


ou terceiro, fora dos locais de serviço, por motivos relacionados com o exercício das funções;
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
SUSPENSÃO: 186º
k) Recebam fundos, cobrem receitas ou recolham verbas de que não prestem
contas nos prazos legais (cfr. dever de isenção- n.º 4 do art. 73.º);

l) Violem, com culpa grave ou dolo, o dever de imparcialidade no exercício das


funções;

m) Usem ou permitam que outrem use ou se sirva de quaisquer bens pertencentes aos
órgãos ou serviços, cuja posse ou utilização lhes esteja confiada, para fim
diferente daquele a que se destinam;

n) Violem os deveres previstos nos n.ºs 1 e 2 do artigo 24.º (proibições


específicas).
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
SUSPENSÃO: 186º

NB: Ressaltei a vermelho os comportamentos previstos nas als.

c) (acumulação de funções);

h) (falsas declarações na justificação de falta) e,

i) (violação dos procedimentos do SIADAP), PORQUE, em caso de reincidência


dão lugar à sanção de DESPEDIMENTO – al. e) do n.º 3 do art. 297.º-
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
A que infracções se aplica cada uma das sanções?

4. DESPEDIMENTO DISCIPLINAR ou DEMISSÃO (Artigo 187.º):


aplicáveis em caso de infração que inviabilize a manutenção do vínculo de emprego público nos
termos previstos na presente lei.
NB:
Esta é uma das causas de extinção do vínculo, por motivos disciplinares - v. art. 297.º
(O vínculo de emprego público pode cessar em caso de infração disciplinar que
inviabilize a sua manutenção);
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
A que infracções se aplica cada uma das sanções?

5. CESSAÇÃO DA COMISSÃO DE SERVIÇO


é aplicável, a título principal, aos titulares de cargos dirigentes e equiparados que (art. 188.º):

a) Não procedam disciplinarmente contra os trabalhadores seus subordinados pelas infrações


de que tenham conhecimento;

b) Não participem criminalmente infração disciplinar de que tenham conhecimento no


exercício das suas funções, que revista caráter penal;

(...)
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
A que infracções se aplica cada uma das sanções?

5. CESSAÇÃO DA COMISSÃO DE SERVIÇO


c) Autorizem, informem favoravelmente ou omitam informação, relativamente à
situação jurídico-funcional de trabalhadores, em violação das normas que regulam o
vínculo de emprego público;

d) Violem as normas relativas à celebração de contratos de prestação de serviço.

(...)
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares

5. CESSAÇÃO DA COMISSÃO DE SERVIÇO

2. A sanção disciplinar de cessação da comissão de serviço é sempre aplicada acessoriamente


aos titulares de cargos dirigentes e equiparados por qualquer infração disciplinar punida com
sanção disciplinar igual ou superior à de multa.

(...)
Infracções a que são aplicáveis as sanções disciplinares
5. CESSAÇÃO DA COMISSÃO DE SERVIÇO

NB:
Fora da LTFP é necessário não esquecer a existência de outras causas de extinção da comissão
de serviço, mas que não se prendem com infrações disciplinares.

(...)
MEDIDA DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 189.º)

Na aplicação das sanções disciplinares atende-se:

• aos critérios gerais enunciados nos artigos 184.º a 188.º (os comportamentos que vimos),
• à natureza, à missão e às atribuições do órgão ou serviço,
• ao cargo ou categoria do trabalhador, às particulares responsabilidades inerentes à
modalidade do seu vínculo de emprego público,
• ao grau de culpa,
• à sua personalidade, e
• a todas as circunstâncias em que a infração tenha sido cometida que militem contra ou a
favor dele.
(...)
MEDIDA DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 189.º)

Circunstâncias dirimentes (excluem) e atenuantes da responsabilidade disciplinar – V. art.190.º;

Circunstâncias agravantes especiais da responsabilidade disciplinar – V. art. 191.º;

(...)
PRESCRIÇÃO DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 193.º)

As sanções disciplinares prescrevem nos prazos seguintes, contados da data em que a


decisão se tornou inimpugnável:
a) 1 mês, nos casos de sanção disciplinar de repreensão escrita;
b) 3 meses, nos casos de sanção disciplinar de multa;
c) 6 meses, nos casos de sanção disciplinar de suspensão;
d) 1 ano, nos casos de sanções disciplinares de despedimento disciplinar ou de demissão
e de cessação da comissão de serviço.
OBRIGATORIEDADE DE PROCESSO DISCIPLINAR
(art. 194.º)

1. As sanções disciplinares de multa e superiores são sempre aplicadas após o apuramento dos
factos em processo disciplinar.
2. A sanção disciplinar de repreensão escrita é aplicada sem dependência de processo, mas com
audiência e defesa do trabalhador.

• Aqui o trabalhador pode requerer que seja lavrado auto destas diligências, na presença de 2
testemunhas por ele indicadas.
• Tem o prazo máximo de 5 dias para, querendo, produzir a sua defesa por escrito.
COMPETÊNCIA PARA A INSTAURAÇÃO
DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
(art. 196.º)

1. Qualquer superior hierárquico, ainda que não seja competente para aplicar a sanção, tem
competência para instaurar ou mandar instaurar procedimento disciplinar contra os
respetivos subordinados;
2. Compete ao membro do Governo respetivo a instauração de procedimento
disciplinar contra os dirigentes máximos dos órgãos ou serviços.

3. A competência disciplinar dos superiores hierárquicos envolve a dos seus inferiores


hierárquicos dentro do órgão ou serviço.
COMPETÊNCIA PARA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
(art. 197.º)

Nas autarquias locais, associações e federações de municípios, bem como nos serviços
municipalizados, a aplicação das sanções disciplinares previstas nos n.os 1 e 2 do artigo 180.º (ou seja, a
totalidade!) é da competência, respetivamente, dos correspondentes órgãos executivos, bem como
dos conselhos de administração.

NB: Esta competência NÃO é delegável!


NATUREZA SECRETA DO PROCESSO
(art. 200.º)

1. O processo disciplinar é de natureza secreta até à acusação, podendo, contudo, ser facultado ao
trabalhador, a seu requerimento, para exame, sob condição de não divulgar o que dele conste.

2. O indeferimento do requerimento a que se refere o número anterior é comunicado ao


trabalhador no prazo de três dias.

3. Não obstante a sua natureza secreta, é permitida a passagem de certidões quando destinadas à
defesa de interesses legalmente protegidos e em face de requerimento especificando o fim a que
se destinam, podendo ser proibida, sob sanção disciplinar de desobediência, a sua publicação.
NATUREZA SECRETA DO PROCESSO
(art. 200º)

4. A passagem de certidões é autorizada pelo instrutor até ao termo da fase de defesa do


trabalhador, sendo gratuita quando requerida por este.

NB:
Ao trabalhador que divulgue matéria de natureza secreta, nos termos do presente
artigo, é instaurado, por esse facto, novo procedimento disciplinar.
CONSTITUIÇÃO DE ADVOGADO

(art. 202.º)
1. O trabalhador pode constituir advogado em qualquer fase do processo, nos termos gerais
de direito.

2. O advogado exerce os direitos que a lei reconhece ao trabalhador.

NB:
A notificação da acusação e da decisão tem de ser efectuada PESSOALMENTE ao trabalhador.
NULIDADES
(art. 203º)

1 — É insuprível a nulidade resultante da falta de audiência do trabalhador em artigos de


acusação, bem como a que resulte de omissão de quaisquer diligências essenciais para a
descoberta da verdade.
2 — As restantes nulidades consideram -se supridas quando não sejam objecto de reclamação
pelo trabalhador até à decisão final.

(...)
NULIDADES
(art. 203.º)
3 - Do despacho que indefira o requerimento de quaisquer diligências probatórias cabe
recurso hierárquico ou tutelar para o respetivo membro do Governo, a interpor no prazo de
cinco dias.

4 - O recurso referido no número anterior sobe imediatamente nos próprios autos,


considerando-se procedente quando, no prazo de 10 dias, não seja proferida decisão que
expressamente o indefira. (Deferimento tácito)
NULIDADES
(art. 203.º)

NB: Exemplos de nulidades insupríveis:


- Falta de notificação da acusação;
- Acusação vaga (imprecisa);
- Acusação sem referência ao tempo dos factos nem à sanção que se
pretende aplicar;
- Concessão de prazo insuficiente para defesa;
- Recusa de possibilidade de consultar o processo.
FASES DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR (COMUM)

1 – INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

2 – DEFESA DO TRABALHADOR (arts. 214º a 218º)

3 – DECISÃO (arts. 219º a 223º)


4 – IMPUGNAÇÕES (arts. 224º a 228º)
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

Participação ou queixa
1 — Todos os que tenham conhecimento de que um trabalhador praticou infração disciplinar
podem participá-la a qualquer superior hierárquico daquele.

2 — Quando se verifique que a entidade que recebeu a participação ou queixa não tem
competência para instaurar o procedimento disciplinar, aquelas são imediatamente remetidas à
entidade competente para o efeito.

(...)
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

Participação ou queixa

A proteção de denunciantes –Lei n.º 93/2021, de 20 de dezembro

Âmbito subjetivo – artigo 5.º - inclui os trabalhadores em funções públicas


(alínea a) do n.º 2), mas também prestadores de serviços, subcontratantes…
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

Participação ou queixa

A proteção de denunciantes –Lei n.º 93/2021, de 20 de dezembro


Amplitude: mesmo que tenha cessado a relação profissional (n.º 3 do artigo 5.º);

Condições de proteção: (artigo 6.º): (i) boa fé do denunciante; (ii) fundamento para
considerar verdadeiras as informações; (iii) no momento da divulgação;

Extensão da proteção–n.º 4 do artigo 6º.


INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

Participação ou queixa

A proteção de denunciantes –Lei n.º 93/2021, de 20 de dezembro


Proteção de denunciante quanto ao cometimento de infração disciplinar–artigo 24.º/1:

“A denúncia ou a divulgação pública de uma infração, feita de acordo com os requisitos


impostos pela presente lei, não constitui, por si, fundamento de responsabilidade disciplinar,
civil, contraordenacional ou criminal do denunciante.”

Proibição de retaliação–artigo 21.º


INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
INSTAURAÇÃO - Despacho liminar (Artigo 207.º)
- Importância da factualidade para prosseguir ou não como procedimento
disciplinar (artigo 207.º)

- A questão da determinação do(s) dever(es) violados (ilicitude do


comportamento):
deveres gerais;

deveres especiais;

deveres em diplomas não associados às carreiras em especial


(regime da valorização profissional- Lei n.º 25/2017, de 30 de maio
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
Despacho liminar (Artigo 207.º)
1 — Assim que seja recebida participação ou queixa, a entidade competente para instaurar
procedimento disciplinar decide se a ele deve ou não haver lugar.

2 — Quando entenda que não há lugar a procedimento disciplinar, a entidade referida no


número anterior manda arquivar a participação ou queixa.

3 — No caso contrário, instaura ou determina que se instaure procedimento disciplinar. –


Nomeação do instrutor e comunicação – art. 208.º

4 — Quando não tenha competência para aplicação da sanção disciplinar e entenda que não há
lugar a procedimento disciplinar, a entidade referida no n.º 1 sujeita o assunto a decisão da
entidade competente.
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
1. Princípio da maleabilidade procedimental ou discricionariedade instrutória: há
formalidades legais obrigatórias(como a audiência e os prazos), mas há
discricionariedade instrutória para requerer, decidir a realização de diligências
(cfr. o disposto nos artigos 201.º,210.º, 211.º e 212.ºLTFP);

2. Princípio do inquisitório, mesmo após a dedução de acusação –cfr. o disposto no


artigo 220.º(além do artigo 218.º, por exemplo).

- A lei prevê maior amplitude de meios probatórios, em ordem a cumprir


totalmente o princípio do inquisitório. A amplitude permitida pela lei quanto ao
número de testemunhas;
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)

Início e prazo da instrução: “10 dias, a contar da data da notificação ao instrutor do


despacho que o mandou instaurar, e ultima-se no prazo de 45 dias” (artigo 205.º);

As diligências instrutórias: audição do trabalhador, audição de testemunhas, junção


de documentos, medidas cautelares, etc.;
DETERMINADA A INSTAURAÇÃO DO P. D.

NB: Nesta fase (instrução):


1 - O número de testemunhas é ILIMITADO;

2 - Até à elaboração do relatório final, podem ser ouvidos, a requerimento


do trabalhador, representantes da associação sindical a que o mesmo
pertença.
DETERMINADA A INSTAURAÇÃO DO P. D.

NB: Nesta fase (instrução):


1 - O número de testemunhas é ILIMITADO, MAS…
Não significa que o instrutor, no âmbito dos poderes de direção da instrução, não possa recusar a
audição de algumas delas. Bastará, por exemplo que a indicação de um número elevado de
testemunhas consubstancie, na perspetiva do instrutor, uma manobra dilatória ou incida sobre
factos não relevantes ou já excessivamente dotados de meios de prova.

Dever de fundamentação da decisão do instrutor.


DETERMINADA A INSTAURAÇÃO DO P. D.

NB: Nesta fase (instrução):

Princípio da imediação: a produção de prova como testemunhos, acareações, etc. decorre na


presença, em regra, do instrutor (artigo 218.º, por exemplo);
DETERMINADA A INSTAURAÇÃO DO P. D.

NB: Nesta fase (instrução):

Princípio da imparcialidade - causas de suspeição do instrutor (artigo 209.º e o recurso da decisão–


artigo 227.º,n.º3)
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
Termo da Instrução (Artigo 213º)
HIPÓTESES:

A – ARQUIVAMENTO – relatório final no prazo de 5 dias e remessa IMEDIATA com o


respetivo processo à entidade que o tenha mandado instaurar, com proposta de
arquivamento.

QUANDO o instrutor entenda que os factos constantes dos autos:

1 - não constituem infração disciplinar,

2 - que não foi o trabalhador o autor da infração ou

3 - que não é de exigir responsabilidade disciplinar em virtude de prescrição ou


de outro motivo,
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
Termo da Instrução (Artigo 213º)
HIPÓTESES:

B – ACUSAÇÃO - No caso contrário ao referido no número anterior, o instrutor


deduz, articuladamente, no prazo de 10 dias, a acusação.

A acusação contém a indicação dos factos integrantes da mesma, bem como das circunstâncias de
tempo, modo e lugar da prática da infração, bem como das que integram atenuantes e
agravantes, acrescentando a referência aos preceitos legais respetivos e às sanções disciplinares
aplicáveis.
INSTRUÇÃO (arts. 205º a 213º)
Termo da Instrução (Artigo 213º)

HIPÓTESES:
B – ACUSAÇÃO

A dedução de acusação:
i) a descrição dos elementos da infração, com destaque para a descrição factual dos
elementos objetivo e subjetivo da infração;
ii) a relação entre a acusação e a decisão final;
FASE DA DEFESA
(arts. 214.º, ss)

Funções da defesa: contraditório; requerimento de contraprova

1º - Notificação da acusação ao trabalhador (art. 214º);

2 º - Exame do processo e apresentação da defesa (art. 216º);

3 º - Produção de prova oferecida pelo trabalhador (art. 218º)


FASE DA DEFESA (arts. 214º, ss)

Notificação da acusação ao trabalhador (art. 214º);

1 — Da acusação extrai -se cópia, no prazo de 48 horas, para ser entregue ao trabalhador
mediante notificação pessoal ou, não sendo esta possível, por carta registada com aviso de
receção, marcando -se -lhe um prazo entre 10 e 20 dias para apresentar a sua defesa escrita.
(mas pode ser elevado – ver nº 4)
FASE DA DEFESA (arts. 214º, ss)

Notificação da acusação ao trabalhador (art. 214º);

2 — Quando não seja possível a notificação nos termos do número anterior, designadamente por
ser desconhecido o paradeiro do trabalhador, é publicado aviso na 2.ª série do Diário da
República, notificando -o para apresentar a sua defesa em prazo não inferior a 30 nem superior a
60 dias, a contar da data da publicação.

3 — O aviso deve apenas conter a menção de que se encontra pendente contra o


trabalhador procedimento disciplinar e indicar o prazo fixado para apresentar a defesa.
FASE DA DEFESA (arts. 214º, ss)

Notificação da acusação ao trabalhador (art. 214º);

4 — Quando o processo seja complexo, pelo número e natureza das infrações ou por abranger
vários trabalhadores, e havendo autorização prévia da entidade que mandou instaurar o
procedimento, o instrutor pode conceder prazo superior ao previsto no n.º 1, até ao limite de
60 dias.
FASE DA DEFESA (arts. 214º, ss)

Notificação da acusação ao trabalhador (art. 214º);

5 — Quando sejam suscetíveis de aplicação as sanções de despedimento disciplinar, demissão ou


cessação da comissão de serviço, a cópia da acusação é igualmente remetida, no prazo previsto no
n.º 1, à comissão de trabalhadores, e quando o trabalhador seja representante sindical, à
associação sindical respetiva.

6 — A remessa de cópia da acusação, nos termos do número anterior, não tem lugar quando o
trabalhador a ela se tenha oposto por escrito durante a fase de instrução.
Exame do processo e apresentação da defesa (art. 214.º)

1 – Exame do Processo:

Durante o prazo para apresentação da defesa, pode o trabalhador ou o seu representante ou


curador (trabalhador incapacitado), bem como o advogado por qualquer deles constituído, examinar
o processo a qualquer hora de expediente.
Exame do processo e apresentação da defesa (art. 214º)

2 – Defesa/Resposta:

— Quando remetida pelo correio, a resposta considera-se apresentada na data da sua


expedição.

— Na resposta, o trabalhador expõe com clareza e concisão os factos e as razões da sua defesa.

— A resposta que revele ou se traduza em infrações estranhas à acusação e que não interesse à
defesa é autuada, dela se extraindo certidão, que passa a ser considerada como participação para
efeitos de novo procedimento.

(...)
Exame do processo e apresentação da defesa (art. 214º)

2 – Defesa/Resposta:

— Com a resposta, pode o trabalhador apresentar o rol das testemunhas e juntar


documentos, requerendo também quaisquer diligências.

NB: A falta de resposta dentro do prazo marcado vale como efetiva audiência
do trabalhador, para todos os efeitos legais.
PRODUÇÃO DA PROVA OFERECIDA PELO TRABALHADOR (art. 218.º)

1º - As diligências requeridas pelo trabalhador podem ser recusadas em despacho do instrutor,


devidamente fundamentado, quando manifestamente impertinentes e desnecessárias.

2º - Não podem ser ouvidas mais de três testemunhas por cada facto, podendo as que não residam
no lugar onde corre o processo, quando o trabalhador não se comprometa a apresenta-las, ser ouvidas
por solicitação a qualquer autoridade administrativa.

3º - O instrutor pode recusar a inquirição das testemunhas quando considere suficientemente


provados os factos alegados pelo trabalhador.

(...)
PRODUÇÃO DA PROVA OFERECIDA PELO TRABALHADOR (art.
218º)

4º - A autoridade a quem seja solicitada a inquirição, nos termos da parte final do n.º 2,
pode designar instrutor ad hoc para o ato requerido.

5º - As diligências para a inquirição de testemunhas são notificadas ao


trabalhador.

6º - O advogado do trabalhador pode estar presente e intervir na inquirição das


testemunhas.

(...)
PRODUÇÃO DA PROVA OFERECIDA PELO TRABALHADOR (art. 218.º)

7º - O instrutor inquire as testemunhas e reúne os demais elementos de prova oferecidos pelo


trabalhador, no prazo de 20 dias, o qual pode ser prorrogado, por despacho, até 40 dias, quando o
exijam as diligências referidas na parte final do n.º 2.

8º- Finda a produção da prova oferecida pelo trabalhador, podem ainda ordenar-se, em
despacho, novas diligências que se tornem indispensáveis para o completo esclarecimento da
verdade.
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

A realização de diligências de prova – possível nas Fases:

- Da defesa
- Subsequentes à fase da defesa

Reformulação da acusação = nova audiência – Cfr. Ac. STA de 12/01/2012

JURISPRUDÊNCIA

Vejamos outros acórdãos quanto à questão da acusação/defesa:


PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. STA de 12/01/2012, P. n.º 863/11:


“ I - Nada obsta, no processo disciplinar, conhecidos que sejam novos factos, ou novas
circunstâncias relacionadas com factos contidos em acusação já formulada, a que o instrutor proceda
à reformulação da acusação, com vista à completa articulação dos factos e circunstâncias que
envolvem responsabilidade disciplinar do arguido.
II - A concretização do direito de defesa do arguido impõe que a acusação reformulada seja
notificada ao arguido e que a este seja dada nova oportunidade de defesa.”
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TCA (S) de 04/02/2021, P. n.º 2992/12.8BELSB:

“A acusação disciplinar é nula por violação do n.º1 do art.37.ºda Lei n.º 58/2008, de
09.09.(ED2008), por ausência de identificação concreta e especificada dos factos imputados ao
arguido, em virtude de conter no seu texto, a referência a algumas situações, o que não permitiu
ao arguido identificá- las e contestá-las.”
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TCA (S) de 02/11/2022, P. n.º 2093/08.3BELSB:

“I - O art. 42º do Estatuto Disciplinar (Dec.Lei 24/84, de 16/01) dividia então as nulidades do
procedimento disciplinar em insupríveis e supríveis, sendo insupríveis, nos termos do n.º 1, “a falta de
audiência” e a “omissão de diligências essenciais para a descoberta da verdade”, sendo supríveis,
nos termos do n.º 2, do mesmo artigo, todas as demais, as quais se consideravam supridas se não
fossem reclamadas pelo arguido até à decisão final do procedimento disciplinar.”
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TCA (N) de 28/02/2020, P. n.º 00696/17.4BECBR:

“I –(…) a acusação nada teve de surpreendente ou incompreensível por comparação com


aquilo que o autor já tinha sido confrontado no processo e sobre que, ciente do que estava em causa,
prestou declarações; e dela não tinha de constar quer referência concreta à composição concreta em
termos de identificação e quantitativo da “escala de voluntários” para realização dos serviços
remunerados; não se reputa como elemento essencial legalmente exigível à acusação; certo que daí
poderá vir robustez ou fragilidade do que vem imputado; mas trata-se, então, de contributo de prova,
não de elemento da infracção. As imputações que depois aí foram vertidas, mesmo que umas até
menos pormenorizadas, têm-se como suficientemente precisas para que o arguido possa elaborar
defesa e exercer contraditório; facilmente o autor podendo infirmar os vários eventos que se revêem
suportados nos registos documentados no processo disciplinar.”
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TCA (N) de 28/02/2020, P. n.º 02526/10.9BEPRT:

“I - O direito de audiência no âmbito de procedimento disciplinar é um direito fundamental e


compreende não só o direito do trabalhador arguido a ser ouvido, como o direito a defender-se da acusação.
II- Esse direito de defesa deve ser assegurado relativamente à materialidade dos factos integrantes da
infração pela qual o trabalhador arguido venha a ser disciplinarmente punido.
III- Se a decisão disciplinar punitiva assentou em factos que foram dados como provados no respetivo
Relatório Final mas que não constavam da acusação, e se estes não serviram para excluir, dirimir ou atenuar a
responsabilidade disciplinar da trabalhadora arguida, antes tendo justificado, nos termos da fundamentação
externada no Relatório Final, o juízo de muito elevada gravidade da conduta da trabalhadora arguida, traduzido
no seu enriquecimento ilegítimo à custa do erário público no quantitativo que ali foi apurado, não se mostra
assegurado, quanto a eles, o direito de defesa da trabalhadora arguida, consubstanciando nulidade insuprível do
processo disciplinar, a qual contamina a decisão final punitiva”.
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TCA (S) de 10/12/2020, P. n.º 94/20.2BCLSB:

“I – A decisão sobre a prática da infracção disciplinar não pode ser tomada sem antes se ter
facultado à arguida o exercício dos direitos de audiência e defesa, conforme imposto pelo n.º 10 do
artigo 32.º da CRP.
II. Tais direitos também devem ser assegurados no âmbito dos procedimentos disciplinares
que seguem sob a forma de processo sumário previsto no RD da LPFP.
III. Não tendo sido facultado à arguida o exercício dos referidos direitos de audiência e defesa,
a sanção disciplinar aplicada é nula nos termos do disposto no art.º 161.º, n.º 2, al. d) do CPA.”

(art. 32.º/10 da CRP: “Nos processos de contra-ordenação, bem como em quaisquer processos sancionatórios, são assegurados
ao arguido os direitos de audiência e defesa”.

Art. 161.º, n.º 2, al. d) do CPA: “São, designadamente, nulos: d) Os atos que ofendam o conteúdo essencial de um direito
fundamental)
PRODUÇÃO DA PROVA (art. 218.º)

AC. TC n.º 594/2020 de 10/11/2020:

“Julga inconstitucional a norma que estabelece a possibilidade de aplicar uma sanção


disciplinar, no âmbito do processo sumário, sem que esta seja precedida da faculdade de
exercício do direito de audiência pelo arguido, extraível do artigo 214.º do Regulamento
Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional; (…)”
FASE DA DECISÃO
(arts. 219º a 223º)
Relatório final do instrutor

1 — Finda a fase de defesa do trabalhador, o instrutor elabora, no prazo de cinco dias, um relatório
final completo e conciso donde constem a existência material das faltas, a sua qualificação e
gravidade, importâncias que porventura haja a repor e seu destino, bem como a sanção disciplinar
que entenda justa ou a proposta para que os autos se arquivem por ser insubsistente a acusação,
designadamente por inimputabilidade do trabalhador.

(...)
FASE DA DECISÃO
(arts. 219º a 223º)
Relatório final do instrutor

2 - A entidade competente para a decisão pode, quando a complexidade do processo o exija,


prorrogar o prazo fixado no número anterior, até ao limite total de 20 dias.

3 — O processo, depois de relatado, é remetido, no prazo de 24 horas, à entidade que o tenha


mandado instaurar, a qual, quando não seja competente para decidir, o envia no prazo de dois
dias a quem deva proferir a decisão.

(...)
DECISÃO
(art. 220º)

1º - A entidade competente analisa o processo, concordando ou não com as conclusões do


relatório final, podendo ordenar novas diligências, a realizar no prazo que para tal estabeleça.

2º — Antes da decisão, a entidade competente pode solicitar ou determinar a emissão, no prazo de


10 dias, de parecer por parte do superior hierárquico do trabalhador ou de unidades orgânicas do
órgão ou serviço a que o mesmo pertença.

(...)
DECISÃO
(art. 220º)

3º — O despacho que ordene a realização de novas diligências ou que solicite a emissão de


parecer é proferido no prazo máximo de 30 dias, a contar da data da receção do processo.

4º - A decisão do procedimento é sempre fundamentada quando não concordante com a


proposta formulada no relatório final do instrutor

5º - Na decisão não podem ser invocados factos não constantes da acusação nem
referidos na resposta do trabalhador, excepto quando excluam, dirimam ou atenuem a sua
responsabilidade disciplinar.
NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO
(art. 222º)

1 — A decisão é notificada ao trabalhador, observando-se, com as necessárias adaptações, o regime


disposto para a notificação da acusação.

2 — A entidade que tenha decidido o procedimento pode autorizar que a notificação do trabalhador
seja protelada pelo prazo máximo de 30 dias, quando se trate de sanção disciplinar que implique
suspensão ou cessação de funções por parte do infrator, desde que da execução da decisão disciplinar
resultem para o serviço inconvenientes mais graves do que os decorrentes da permanência do
trabalhador punido no exercício das suas funções.

(...)
NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO
(art. 222º)
3 — Na data em que se faça a notificação ao trabalhador é igualmente notificado o
instrutor e o participante, quando este o tenha requerido.

4- Quando o processo tenha sido apresentado às estruturas de representação dos trabalhadores, a


decisão é igualmente comunicada à comissão de trabalhadores e à associação sindical.

NB: As sanções disciplinares produzem efeitos no dia seguinte ao da notificação do trabalhador


ou, não podendo este ser notificado, 15 dias após a publicação de aviso na 2.ª série do Diário da
República.(art. 223º).
IMPUGNAÇÕES
(art. 225º a 228º)
Recurso hierárquico ou tutelar (art. 225º)

1º - Os actos proferidos em processo disciplinar podem ser impugnados hierárquica ou


tutelarmente, nos termos do Código do Procedimento Administrativo, ou jurisdicionalmente.

NB: Nas autarquias locais, associações e federações de municípios, bem como nos serviços
municipalizados, não há lugar a recurso tutelar.

(...)
IMPUGNAÇÕES
(art. 225º a 228º)
Recurso hierárquico ou tutelar (art. 225º)

2 º O trabalhador e o participante podem interpor recurso hierárquico ou tutelar (na A. Central)


dos despachos e das decisões que não sejam de mero expediente, proferidos pelo instrutor ou
pelos superiores hierárquicos daquele.

3º — O recurso hierárquico ou tutelar suspende a eficácia do despacho ou da decisão


recorridos, excepto quando o seu autor considere que a sua não execução imediata causa grave
prejuízo ao interesse público;

(...)
Por último:

Renovação do procedimento disciplinar

(art. 228.º)

Quando o acto de aplicação da sanção disciplinar tenha sido judicialmente impugnado com
fundamento em preterição de formalidade essencial no decurso do processo disciplinar, a
instauração do procedimento disciplinar pode ser renovada até ao termo do prazo para
contestar a acção judicial.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Inquérito e Sindicância

(art. 229º)
• Inquérito tem por fim apurar factos determinados

• Sindicância destina-se a uma averiguação geral acerca do funcionamento do órgão,


serviço ou unidade orgânica
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Inquérito e Sindicância

(art. 229º)
NB:

1 – Apenas o dirigente máximo do órgão ou serviço pode ordenar a abertura de inquérito ou


sindicância;

2 – Aplicam-se subsidiariamente as normas do Proc. Disciplinar, nos termos do disposto no


art. 195.º/3.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Inquérito e Sindicância
Relatório e Trâmites ulteriores

(art. 231º)
1 - Concluída a instrução, o inquiridor ou sindicante elabora, no prazo de 10 dias, o seu
relatório, que remete imediatamente à entidade que mandou instaurar o
procedimento.

2 - O prazo fixado no número anterior pode ser prorrogado pela entidade que
mandou instaurar o procedimento até ao limite máximo, improrrogável, de 30 dias,
quando a complexidade do processo o justifique.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Inquérito e Sindicância
Relatório e Trâmites ulteriores

(art. 231º)
3 - Verificando-se a existência de infrações disciplinares, a entidade que instaurou os
procedimentos instaura os procedimentos disciplinares a que haja lugar.

4 - O processo de inquérito ou de sindicância pode constituir, por decisão da entidade


referida no n.º 2, a fase de instrução do processo disciplinar, deduzindo o instrutor, no
prazo de 48 horas, a acusação do trabalhador ou dos trabalhadores, seguindo-se os
demais termos previstos na presente lei.

5 - Nos processos de inquérito, os trabalhadores visados podem, a todo o tempo,


constituir advogado.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Inquérito e Sindicância

Relatório e Trâmites ulteriores

(art. 231º)
NB:
• Prazo de que o instrutor/inquiridor dispõe:

- 45 dias úteis para Instrução + 10 dias para Relatório


Procedimentos Disciplinares Especiais

Processos de Averiguações

(art. 232º)
1 - Quando um trabalhador com vínculo de emprego público tenha obtido duas
avaliações do desempenho negativas consecutivas, o dirigente máximo do
órgão ou serviço instaura, obrigatória e imediatamente, processo de averiguações.

2 - O disposto no número anterior não é aplicável ao titular de cargos dirigente ou


equiparado.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Averiguações

(art. 232º)

3 - O processo de averiguações destina-se a apurar se o desempenho que justificou


aquelas avaliações constitui infração disciplinar imputável ao trabalhador avaliado
por violação culposa de deveres funcionais, designadamente do dever de zelo.

4 - É causa de exclusão da culpabilidade da violação dos deveres funcionais a não frequência


de formação, ou a frequência de formação inadequada, aquando da primeira
avaliação negativa do trabalhador.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Processos de Averiguações

(art. 232.º)
5 - O procedimento de averiguações prescreve decorridos três meses, contados da data
em que foi instaurado quando, nesse prazo, não tenha tido lugar a receção do
relatório final pela entidade competente.

6 - Quando, no processo de averiguações, sejam detetados indícios de violação de


outros deveres funcionais por parte de quaisquer intervenientes nos processos de
avaliação do desempenho, o instrutor participa-os ao dirigente máximo do órgão ou
serviço, para efeitos de eventual instauração do correspondente procedimento de
inquérito ou disciplinar.
Procedimentos Disciplinares Especiais

Processos de Averiguações
(art. 232.º)
NB: Aqui está-se, precisamente, perante a possibilidade de despedimento disciplinar de
trabalhador, designadamente por violação do dever de zelo, que tenha levado a 2
avaliações de desempenho negativas, nos termos do disposto no art. 297.º/3, al. h)

3 - Constituem infração disciplinar que inviabiliza a manutenção do vínculo,


nomeadamente, os comportamentos do trabalhador que:
h) Cometa reiterada violação do dever de zelo, indiciada em processo de averiguações
instaurado após a obtenção de duas avaliações de desempenho negativas
consecutivas;
Procedimentos Disciplinares Especiais
Revisão do procedimento Disciplinar

Requisitos da Revisão (art. 235.º)


1 - A revisão do procedimento disciplinar é admitida, a todo o tempo, quando se
verifiquem circunstâncias ou meios de prova suscetíveis de demonstrar a
inexistência dos factos que determinaram a condenação, desde que não
pudessem ter sido utilizados pelo trabalhador no procedimento disciplinar.

2 - A simples ilegalidade, de forma ou de fundo, do procedimento e da decisão


disciplinares não constitui fundamento para a revisão.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Revisão do procedimento Disciplinar

Requisitos da Revisão - (art. 235.º)

3 - A revisão pode conduzir à revogação ou à alteração da decisão proferida no procedimento


revisto, não podendo em caso algum ser agravada a pena.

4 - A pendência de recurso hierárquico ou tutelar ou de ação jurisdicional não prejudica o


requerimento de revisão do procedimento disciplinar.
Procedimentos Disciplinares Especiais
Revisão do procedimento Disciplinar

Decisão sobre o requerimento (art. 237.º)

1 - Recebido o requerimento, a entidade que tenha aplicado a sanção disciplinar


resolve, no prazo de 30 dias, se deve ou não ser concedida a revisão do
procedimento.

2 - O despacho que não conceda a revisão é impugnável nos termos do Código de


Processo nos Tribunais Administrativos
Procedimentos Disciplinares Especiais
Revisão do procedimento Disciplinar

Trâmites (art. 238.º)

1 - Quando seja concedida a revisão, o requerimento e o despacho são apensos ao


processo disciplinar, nomeando-se instrutor diferente do primeiro, que marca ao
trabalhador prazo não inferior a 10 dias nem superior a 20 dias para responder
por escrito aos artigos da acusação constantes do procedimento a rever, seguindo-se
os termos dos artigos 222.º e seguintes.

2 - O processo de revisão do procedimento não suspende o cumprimento da sanção.


Procedimentos Disciplinares Especiais
Revisão do procedimento Disciplinar

Legitimidade (art. 236.º)

1 - O interessado na revisão do procedimento disciplinar ou, nos casos previstos no n.º


1 do artigo 215.º (Incapacidade física ou mental), o seu representante, apresenta
requerimento nesse sentido à entidade que tenha aplicado a sanção disciplinar.

2 - O requerimento indica as circunstâncias ou meios de prova não considerados


no procedimento disciplinar que ao requerente parecem justificar a revisão e é
instruído com os documentos indispensáveis
Reabilitação

Regime Aplicável (art. 240.º)

1 - Os trabalhadores condenados em quaisquer sanções disciplinares podem ser reabilitados


independentemente da revisão do procedimento disciplinar, sendo competente para o
efeito a entidade à qual cabe a aplicação da sanção.

2 - A reabilitação é concedida a quem a tenha merecido pela sua boa conduta, podendo o
interessado utilizar para o comprovar todos os meios de prova admitidos em direito.
Reabilitação
Regime Aplicável (art. 240.º)
3 - A reabilitação é requerida pelo trabalhador ou pelo seu representante, decorridos os
prazos seguintes sobre a aplicação das sanções disciplinares de repreensão escrita,
despedimento disciplinar, demissão e cessação da comissão de serviço ou sobre o
cumprimento das sanções disciplinares de multa e suspensão, bem como sobre o
decurso do tempo de suspensão de qualquer sanção:

a) Seis meses, no caso de repreensão escrita;

b) Um ano, no caso de multa;

c) Dois anos, no caso de suspensão e de cessação da comissão de serviço;

d) Três anos, no caso de despedimento disciplinar ou demissão.


Reabilitação

Regime Aplicável (art. 240.º)

4 - A reabilitação faz cessar as incapacidades e demais efeitos da condenação ainda


subsistentes, sendo registada no processo individual do trabalhador.

5 - A concessão da reabilitação não atribui ao trabalhador a quem tenha sido aplicada sanção
disciplinar de despedimento disciplinar ou demissão o direito de, por esse facto,
restabelecer o vínculo de emprego público previamente constituído.
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

A análise de várias e importantes questões:

- Da prescrição do procedimento disciplinar

1. Alegou o Recorrente que «os factos invocados na acusação apresentada


remontavam ao dia 11 de Abril de 2013, o que significava que, em relação à data da entrega
daquele documento, tinham decorrido mais de 18 meses», em violação do regime constante
do artigo 6.º/6 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas,
aprovado pela Lei n.º 58/2008, de 9 de setembro, nos termos do qual «[o] procedimento
disciplinar prescreve decorridos 18 meses contados da data em que foi instaurado quando,
nesse prazo, o arguido não tenha sido notificado da decisão final».
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

A análise de várias e importantes questões:

- Da prescrição do procedimento disciplinar

2. Como resulta da norma transcrita, há um manifesto equívoco por parte do Recorrente,


na medida em que o termo inicial do prazo de prescrição reporta-se à instauração do
procedimento e não à prática dos factos integradores das infrações disciplinares.

3. No caso dos autos a instauração do procedimento disciplinar ocorreu por despacho de


5.5.2014 e em 24.9.2015 o Recorrente foi notificado da respetiva decisão final. Antes, portanto, de
completados os referidos 18 meses.
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024 - Proc. n.º 2798/15.2BELSB
- Da prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar
artigo 6.º/1 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

4. O artigo 6.º/1 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas
estabelece que «[o] direito de instaurar procedimento disciplinar prescreve passado um ano sobre a
data em que a infracção tenha sido cometida».

5. As infrações foram cometidas em 11.4.2013 e o procedimento disciplinar foi instaurado


em 5.5.2014, ou seja, depois de completado um ano. No entanto, esse prazo suspendeu-se por um
período de seis meses, por força do processo de inquérito, ao abrigo do regime dos n.ºs 4 e 5 do
referido artigo 6.º, motivo pelo qual a invocada prescrição não ocorreu (acresce que, quanto à
infração relativa à agressão, valeria ainda o disposto no n.º 3 do mesmo artigo, nos termos do qual
«[q]uando o facto qualificado como infracção disciplinar seja também considerado infracção penal,
aplicam-se ao direito de instaurar procedimento disciplinar os prazos de prescrição estabelecidos na
lei penal»)..
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

- Da prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar - artigo 6.º/2 do


Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

6. De acordo com o Recorrente, teria sido igualmente ultrapassado o prazo de 30


dias a que se refere o artigo 6.º/2 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem
Funções Públicas. A propósito, extrai-se do referido artigo o seguinte:

1 - O direito de instaurar procedimento disciplinar prescreve passado um ano sobre a data em que a
infracção tenha sido cometida.
2 - Prescreve igualmente quando, conhecida a infracção por qualquer superior hierárquico, não seja
instaurado o competente procedimento disciplinar no prazo de 30 dias.
(…)».
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

- Da prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar


- artigo 6.º/2 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

7. Resulta da factualidade fixada na sentença recorrida que em 15.4.2013 o chefe de serviços do


Departamento de Higiene Urbana da Câmara Municipal de Lisboa elaborou a participação do acidente no PL
Lumiar com o assistente operacional A…, da qual fez constar, nomeadamente, que «[p]ara os devidos efeitos
levo ao conhecimento que em 11/04/2013, entre as 16:15 e as 16:30 horas o assistente operacional A… foi
vítima de acidente no balneário do PL Lumiar não se sabendo com rigor o que se terá passado».
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

- Da prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar


- artigo 6.º/2 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

8. Em face dessa comunicação, e tendo em vista o apuramento dos factos, foi determinada,
em 9.5.2013, a instauração do processo de inquérito n.º 4/2013-I-JSF, cujo relatório final foi elaborado
em 30.4.2014 e nele proposto a instauração de procedimento disciplinar ao Recorrente. Foi nesse momento que
se deu o conhecimento da infração a que alude o n.º 2 do artigo 6.º do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores
Que Exercem Funções Públicas, o que, de resto, não mereceu do Recorrente qualquer tentativa de
demonstração em contrário.
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

- Da prescrição do direito de instaurar procedimento disciplinar


- artigo 6.º/2 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

9. Em 5.5.2014 foi instaurado o procedimento disciplinar, ou seja, dentro do prazo de 30 dias previsto
no invocado n.º 2 do artigo 6.º. Portanto, e por aqui, também não se verificou a prescrição do direito de instaurar
o procedimento disciplinar.
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

Da alegada «prescrição do processo disciplinar» por violação do prazo previsto no artigo


39.º/1 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

10. O artigo 39.º do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas
estabelece, nos seus n.ºs 1 e 2, o seguinte:

«1 - A instrução do processo disciplinar inicia-se no prazo máximo de 10 dias contados da data da


notificação ao instrutor do despacho que o mandou instaurar e ultima-se no prazo de 45 dias, só
podendo ser excedido este prazo por despacho da entidade que o mandou instaurar, sob proposta
fundamentada do instrutor, nos casos de excepcional complexidade.

2 - O prazo de 45 dias referido no número anterior conta-se da data de início da instrução,


determinada nos termos do número seguinte.
(…)».
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

Da alegada «prescrição do processo disciplinar» por violação do prazo previsto no artigo


39.º/1 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

11. A propósito, escreve Paulo Veiga e Moura, Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores da
Administração Pública, Coimbra Editora, 2009, p. 152, que «[o]s prazos mencionados neste preceito
– 10 dias para o início e 45 dias para o termo da instrução – são prazos meramente ordenadores,
que constituem referências para o instrutor responsável pelo processo (…)», sendo que o seu
incumprimento, «no máximo, apenas poderá implicar a responsabilidade disciplinar do próprio
instrutor, não constituindo qualquer nulidade processual de que se possa aproveitar o arguido. Pelo
contrário, o incumprimento destes prazos só poderá ser aproveitado pelo arguido se esse mesmo
incumprimento determinar que seja ultrapassado o prazo geral de 18 meses previsto no n.º 6, do art.
6.º para a conclusão do procedimento disciplinar».
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

Da alegada «prescrição do processo disciplinar» por violação do prazo previsto no artigo


39.º/1 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas

12. Subscreve-se integralmente a citada observação, a qual, de resto, vai ao encontro da


jurisprudência sedimentada, no sentido de que, em regra, os prazos procedimentais são meramente
ordenadores. E os prazos previstos no artigo 39.º do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem
Funções Públicas integram essa regra.

13. Na verdade, vale, também aqui, a apreciação que o acórdão de 2.6.2010 do Tribunal Central
Administrativo Sul (processo n.º 5260/01) fez incidir sobre o artigo 66.º/4 do Estatuto Disciplinar de 1984:
«[quando] essa norma prescreve tal prazo tem como destinatário pessoas que, no cumprimento de um dever,
instruem um processo, sendo certo que inexistindo qualquer elemento literal ou sistemático que lhe atribua
natureza perentória, é de qualificar esse prazo como disciplinador, podendo a sua a sua violação implicar apenas
consequências para as entidades que intervierem no processo que os não respeitaram, para além da relevância
que possam ter na formação do prazo prescricional». Portanto, também por aqui o recurso não poderá ter
qualquer sucesso.
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

Da desconsideração das circunstâncias atenuantes especiais

16. Para o Recorrente «a aplicação da pena de demissão por parte da Recorrida ignorou
todas as circunstâncias atenuantes existentes». Ou seja, «[o] Recorrente gozaria sempre, de acordo
com o instituído na alínea a) do artigo 22º do Estatuto Disciplinar, aprovado pela Lei n.º 58/2008,
de 9 de Setembro, de circunstância atenuante especial da eventual infração disciplinar,
designadamente a prestação de mais de 10 anos de serviço com exemplar comportamento e zelo»,
o que «justificaria, caso o entendimento dado fosse o não arquivamento do processo, a atenuação
da pena aplicável e sua suspensão, de acordo com os artigos 22º e 25º do diploma legal acima
referido». Em suma, «o Recorrente não viu reconhecido o seu mérito e competência profissional e a
ausência de antecedentes disciplinares».
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Da não inviabilidade da manutenção da relação funcional

25. Partindo do pressuposto de «não ter violado, de forma dolosa, deveres profissionais a que estava
obrigado, designadamente os deveres de prossecução do interesse público, de imparcialidade, de zelo, de
lealdade e correção», o Recorrente conclui, naturalmente, que «em nenhuma altura (…), com algum
comportamento por si adotado inviabilizou a manutenção da relação funcional». Trata-se, sem dúvida, de
uma conclusão lógica para a premissa considerada. Sucede que, como vimos, essa premissa nada tem a ver
com a realidade dos factos.

26. De qualquer modo, e conhecidos os factos, tenha-se presente que, de acordo com o disposto no
artigo 18.º/1/a) do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores Que Exercem Funções Públicas, «[a]s penas de
demissão e de despedimento por facto imputável ao trabalhador são aplicáveis em caso de infracção que
inviabilize a manutenção da relação funcional, nomeadamente aos trabalhadores que [a]gridam, injuriem ou
desrespeitem gravemente superior hierárquico, colega, subordinado ou terceiro, em serviço ou nos locais de
serviço»
O recente Ac. TCA (S), de 12/12/2024
Proc. n.º 2798/15.2BELSB

Da não inviabilidade da manutenção da relação funcional

27. É certo que, não obstante estarmos perante uma das condutas que o próprio legislador
considerou, na concretização exemplificativa a que procedeu, como inviabilizadoras da relação funcional, «o
tribunal [pode] invalidar o juízo da Administração quanto à escolha da pena disciplinar, [caso se demonstre] a
ocorrência de circunstâncias de tal modo mitigadoras da culpa ou da ilicitude disciplinar
que [permitam] afirmar que a punição com a pena que cabe na moldura penal emerge de um critério
ostensivamente inadmissível no exercício do poder disciplinar, ou constitui violação manifesta dos princípios da
justiça e da proporcionalidade, como é jurisprudência deste Supremo Tribunal (Cfr. p. ex. ac. Pleno de 23/6/98,
Proc. 40.332)» (acórdão de 14.3.2002 do Supremo Tribunal Administrativo, processo n.º 048166, cuja doutrina
é totalmente válida à luz do regime disciplinar aqui em causa).

28. Não é certamente o caso, quanto a uma das infrações, que demonstra um concreto grau de gravidade já
amplamente evidenciado, e que o Recorrente insiste em não reconhecer.
CASO PRÁTICO 1

O trabalhador do município X, que recusa receber ou registar pedido de licença relativo a operação
urbanística não acompanhado de cartão de cidadão, pode incorrer em infração disciplinar?

a) Não, por falta de ilicitude

b) Não, por existir uma causa de exclusão da culpa

c) Por poder não lhe ser exigível conduta diversa

d) Sim, por constituir defeituoso cumprimento ou desconhecimento das disposições legais


CASO PRÁTICO 2

Um condomínio requereu, ao diretor do urbanismo da Câmara X, o envio de cópia, por e-mail, do


processo relativo à operação de loteamento. O pedido foi satisfeito, mas com informação
indevidamente omitida e, após o pagamento de cópias físicas, enviadas pelo correio, o que o
impediu de intentar a ação judicial oportunamente:
a) a conduta do diretor do urbanismo não tem relevância disciplinar
b) foi violado o dever de informação, mas falta tipicidade disciplinar
c) foi violado o dever de informação e o dever de imparcialidade
d) a conduta constitui infração disciplinar e obriga o PCM a participação criminal
CASO PRÁTICO 3
Serafim, diretor do departamento jurídico do município X, obedecendo uma ordem do Presidente da
Câmara – e após transmissão da mesma, por escrito, a seu pedido -, não promoveu a publicitação
de concurso público no jornal oficial da União Europeia como era juridicamente devido.
No quadro de procedimento disciplinar, invocou que não lhe era exigível conduta diversa, pelo que
estava excluída a sua responsabilidade disciplinar.
- Quid Júris?
a) Não há tipicidade disciplinar?
b) Está excluída a ilicitude da conduta do Serafim?
c) Pode estar excluída a culpa do Serafim?
FIM!
GRATA PELA V/ ATENÇÃO

DEOLINDA PAULA RIBEIRO

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