Herculano Gurreta
Uso da Radiação Solar na Desinfecção Microbiológica da Água dos Poços do Bairro
Heróis Moçambicanos
Licenciatura em Ensino de Biologia com Habilitações em Ensino de Química
Universidade Pedagógica
Chimoio
2018
Herculano Gurreta
Uso da Radiação Solar na Desinfecção Microbiológica da Água dos Poços do Bairro
Heróis Moçambicanos
Monografia Científica apresentada ao Departamento de
Ciências Naturais e Matemática, Delegação de Manica,
para obtenção do grau académico de Licenciatura em
Ensino de Biologia com Habilitações em Ensino de
Química.
Supervisora:
MSc. Jamila da Silva Sultane Aboobacar
Universidade Pedagógica
Chimoio
2018
Índice
Lista de Tabelas ........................................................................................................................ IV
Lista de Figuras ......................................................................................................................... V
Lista de Símbolos e Abreviaturas ............................................................................................. VI
Declaração de Honra ............................................................................................................... VII
Dedicatória ............................................................................................................................ VIII
Agradecimentos ........................................................................................................................ IX
Resumo ...................................................................................................................................... X
Abstract .................................................................................................................................... XI
CAPITULO I ............................................................................................................................ 12
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................... 12
1.1. Delimitação do Tema ..................................................................................................... 13
1.2. Enquadramento do Tema ............................................................................................... 13
1.3. Problematização ............................................................................................................. 14
1.4. Justificativa .................................................................................................................... 15
1.5. Hipóteses........................................................................................................................ 16
1.6. OBJECTIVOS ............................................................................................................... 17
1.6.1. Objectivo Geral ....................................................................................................... 17
1.6.2. Objectivos Específicos ............................................................................................ 17
1.7. Descrição da Área de Estudo ......................................................................................... 17
1.7.1. População e Actividade Económica ........................................................................ 18
1.7.2. Sistema de Abastecimento à Água e Saneamento .................................................. 18
1.7.3. Clima e Hidrologia .................................................................................................. 19
1.8. METODOLOGIA DO TRABALHO ............................................................................ 19
1.8.1. Materiais e Métodos ................................................................................................ 19
[Link]. Materiais de Campo e Laboratorial ...................................................................... 19
[Link]. Métodos ................................................................................................................ 20
1.8.2. Procedimentos Metodológicos ................................................................................ 22
[Link]. Colecta e Transporte de Amostras ....................................................................... 22
[Link]. Identificação da presença de coliformes fecais .................................................... 24
[Link]. Aplicação do Método SODIS ............................................................................... 24
[Link]. Análise Microbiológica após o tratamento usando SODIS .................................. 25
1.9. Análise de Dados ........................................................................................................... 28
CAPITULO II........................................................................................................................... 29
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ....................................................................................... 29
2.1. Água ............................................................................................................................... 29
2.1.1. Qualidade da Água .................................................................................................. 29
2.1.2. Água Para Consumo Humano ................................................................................. 30
2.1.3. Regulamento Sobre a Qualidade da Água para o Consumo Humano .................... 30
2.2. Organismos Indicadores de Contaminação da Água ..................................................... 31
2.2.1. Bactérias do Grupo Coliforme ................................................................................ 31
2.3. Doenças de Veiculação Hídrica ..................................................................................... 31
2.4. Desinfecção da Água ..................................................................................................... 32
2.4.1. Desinfecção Solar de Água ..................................................................................... 33
2.4.2. Mecanismos de Acção da Desinfecção Solar de Água ........................................... 35
2.4.3. Experiências Práticas de Desinfecção Solar de Água ............................................. 36
2.5. Eficiência da Desinfecção Solar de Água ...................................................................... 37
CAPITULO III ......................................................................................................................... 38
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................................... 38
CAPITULO IV ......................................................................................................................... 44
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................ 44
4.1. Conclusões ..................................................................................................................... 44
4.2. Recomendações ............................................................................................................. 45
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 46
Apêndices
Anexos
IV
Lista de Tabelas
Tabela 1. Dimensões usadas durante a construção do concentrador solar. ............................. 21
Tabela 2. Padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano. ................ 30
Tabela 3. Principais doenças de veiculação hídrica. ............................................................... 32
Tabela 4. Parâmetro microbiológico apresentado nas amostras de água dos poços. .............. 38
Tabela 5. Resultados obtidos no primeiro (1º) ensaio de desinfecção por método SODIS. .... 41
Tabela 6. Resultados obtidos no segundo (2º) ensaio de desinfecção por método SODIS. .... 42
Tabela 7. Resultados obtidos no terceiro (3º) ensaio de desinfecção por método SODIS. ..... 42
V
Lista de Figuras
Figura 1. Localização Geográfica do Bairro Heróis Moçambicanos ...................................... 18
Figura 2. Concentrador solar revestido internamente com papel alumínio............................. 21
Figura 3. Colecta de amostras (A). Identificação de amostras de água (B) ............................ 23
Figura 4. Presença de coliformes fecais na membra filtrante ................................................. 24
Figura 5. Amostras de água submetidas ao tratamento usando o método SODIS (A). Medição
de temperatura da água durante o experimento (B) ................................................................. 25
Figura 6. Meio de cultura MSLB preparado. .......................................................................... 26
Figura 7. Esterilização do sistema de filtração com metanol a 98% (A). Retirada da
membrana filtrante no sistema de filtração com ajuda da pinça (B). ....................................... 27
Figura 8. Incubadora usada para análise de coliformes. ......................................................... 27
Figura 9. Procedimentos usados durante a desinfecção da água usando o método SODIS .... 33
Figura 10. Efeito da radiação UV sobre o material genético bacteriano ................................. 36
Figura 11. Poço número 2 (A). Fossa construída próximo do poço (B) ................................. 39
Figura 12. Poço número 5 (A). Armazenamento de lixo próximo do poço (B). ..................... 40
Figura 13. Balde ao redor do poço usado para lavagem de roupas ......................................... 40
VI
Lista de Símbolos e Abreviaturas
% - Percentagem
- Menor
- Maior
μm – Micrómetro
Km2 – Quilómetro Quadrado
L – Litro
m3 – Metro cúbico
mL – Mililitro
ºC – Graus Célsius
DNA – Ácido Desoxirribonucleico
EAWAG – Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology
FAO – Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
INE – Instituto Nacional de Estatística
MISAU – Ministério da Saúde
MSLB – Main Stean Line Break
NMP – Número Mais Provável
NTU – Unidade de Turvação nefelométrica
ONU – Organização das Nações Unidas
PET – Politereftalato de Etileno ou Polietileno tereftalato
pH – Potencial hidrogeniónico
RNA – Ácido Ribonucleico
SANDEC – Department of Water and Sanitation in Developing Countries
SDSMAS – Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social
SODIS – Solar Water Disinfection
UP – Universidade Pedagógica
UV – Ultra Violeta
VII
Declaração de Honra
Declaro que esta Monografia é resultado da minha investigação pessoal e das
orientações da minha supervisora, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas
estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final.
Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.
Chimoio, aos_______de __________________de 2018.
Assinatura do Autor
_____________________________________
(Herculano Gurreta)
VIII
Dedicatória
Aos meus pais Mariana Isabel Anderson e Faite José Goliate pelos preciosos
ensinamentos e apoio incondicional ao longo da minha carreira estudantil.
À minha irmã Romana Magalhães Beca por todo incentivo, amor, carinho,
compreensão e companheirismo desde o primeiro momento da minha carreira estudantil.
Também dedico de igual modo, a todos meus amigos e colegas, pela atenção, ajuda e
todo apoio moral empreendido para a criação da minha actual personalidade. Vocês foram a
minha inspiração para que eu pudesse superar todos os desafios ao longo do curso até a
defesa.
IX
Agradecimentos
Agradeço em primeiro lugar a Deus Misericordioso, milagroso e omnipotente, que está
no meio de nós, dono de tudo, que me fez chegar a este mundo e por ter me dado força e
coragem para continuar com os meus projectos de estudo.
A MSc. Jamila da Silva Sultane Aboobacar, pela supervisão, orientação, correcção,
conselhos, valiosas sugestões metodológicas, paciência e compreensão que teve ao longo da
elaboração do trabalho. Agradeço também, ao dr. Obete Madacussengua pela ajuda parcial na
escolha do tema.
Aos meus eternos amigos, Lucas Vontade Joaquim, Wilson Carlitos Samajo, Luciano
Sales e Simão Fernando Mugadui, pela companhia na vida estudantil, apoio moral, acima de
tudo pela amizade em bons e maus momentos durante toda caminhada no mundo académico.
A todos os funcionários do laboratório de Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção
Social de Chimoio, em particular aos técnicos de medicina preventiva, Orlando Carlos Raul e
Abílio Julai, por terem cooperado com a realização deste trabalho.
A todos os Docentes da UP – Manica, em particular aos do curso de Biologia e
Química, pela paciência que demonstraram durante a transmissão dos conhecimentos.
Aos colegas da turma de Biologia do ano 2014, pela amizade, pelos momentos alegres,
pelo companheirismo, incentivo e compreensão.
E, por fim, agradeço aos demais que não os mencionei aqui, mas que directa ou
indirectamente contribuíram e continuam contribuindo para o sucesso da minha vida em todos
os âmbitos.
“A TODOS, O MEU MUITO OBRIGADO”
X
Resumo
A água para o consumo humano exige medidas de desinfecção, com vista a garantir padrões de
qualidade e proteger a saúde humana dos patógenos presentes. Os raios UV são eficientes para esta
finalidade e há diversos relatos de sistemas de desinfecção solar no tratamento de água para o consumo
humano. O objectivo principal deste trabalho foi de avaliar a eficiência deste método no tratamento de
água dos poços do Bairro Heróis Moçambicanos usada normalmente para o consumo humano. Uma
vez que, a população do Bairro Heróis Moçambicanos tem consumido a água sem nenhum tratamento
prévio, o que provavelmente pode ser a causa de várias doenças de veiculação hídrica naquele bairro.
Para tal, a pesquisa baseou-se no método de observação, experimental e comparativo associados à
pesquisa quantitativa e qualitativa. Numa primeira fase, fez-se a observação directa no local de estudo
e seguiu – se com uma amostragem, onde fez-se a recolha de amostras de água em seis poços, em
garrafas esterilizadas tipo PET de 1L, onde, as mesmas foram armazenadas dentro de uma caixa de
isopor e transportadas para o laboratório do SDSMAS de Chimoio. Em seguida, as mesmas foram
submetidas às análises laboratoriais para a identificação dos coliformes fecais. Os resultados desta
análise mostraram que, os poços número 1, 2, 3, 4, 5 e 6 apresentaram <9; >18; <8; <6; >28 e >16
colónias respectivamente. Na segunda fase, apenas os poços número 2, 5 e 6 foram seleccionados para
o estudo subsequente, uma vez que, estes apresentaram elevado número de coliformes fecais, esta fase
foi acompanhada por três ensaios (ensaio 1, 2 e 3). Para esta fase, as amostras foram colectadas usando
garrafas tipo PET de 2L, após a colecta, armazenou-se as amostras em uma caixa de isopor e
transportou-se de imediato para os Campus da UP-Manica, onde as mesmas foram colocadas no
concentrador solar para o respectivo tratamento por um período de 6 horas. Após o tempo de
exposição, retirou-se as amostras do concentrador solar e acondicionou-se na caixa de isopor contendo
gelo reciclável, de seguida levou-se ao laboratório e submeteu-se as amostras em uma análise
microbiológica. Os resultados desta análise mostram que no primeiro ensaio os poços número 2, 5 e 6
apresentaram >11.9; >16.5 e >13.4 colónias respectivamente; no segundo ensaio os poços número 2, 5
e 6 apresentaram >14; <7 e <8 colónias respectivamente e no terceiro ensaio os poços número 2, 5 e 6
apresentaram <9; <7 e >11 colónias respectivamente. Contudo, os resultados obtidos mostraram um
desempenho bastante satisfatório na inactivação dos coliformes fecais após o período de exposição
solar, em comparação à amostra padrão, tendo em conta, as características exigidas pelo MISAU.
Desta forma, conclui-se que, o método SODIS é eficiente no tratamento da água para o consumo
Humano.
Palavras – chave: Água, coliformes fecais, SODIS.
XI
Abstract
Water for human consumption requires disinfection measures in order to ensure quality
standards and protect human health from the pathogens present. UV rays are efficient for this purpose
and there are several reports of solar disinfection systems in the treatment of water for human
consumption. The main objective of this work was to evaluate the efficiency of this method in the
treatment of water in the Mozambicans heroes neighborhood used normally for human consumption.
Once, the population Mozambicans heroes neighborhood have consume the water without none
previous treatment, which probably can be the cause of several waterborne diseases in that
neighborhood. For it, the research was based on the method of observation, experimental and
comparative associated to the quantitative and qualitative research. In the first phase, a direct
observation was made at the study site and followed by a sampling, where water samples were
collected in six wells in 1L sterilized PET bottles, where they were stored inside a styrofoam box and
transported to Chimoio's SDSMAS laboratory. Subsequently, they were submitted to laboratory tests
for the identification of fecal coliforms. The results of this analysis showed that wells number 1, 2, 3,
4, 5 and 6 presented <9; >18; <8; <6; >28 and >16 colonies respectively. In the second phase, only the
wells number 2, 5 and 6 were selected for the subsequent study, since these had a high number of fecal
coliforms, this phase was followed by three essays (essay 1, 2 and 3). For this phase, the samples were
collected using PET bottles of 2L, after collection, the samples where they were placed in the solar
concentrator for the respective treatment for a period of 6 hours. After the exposure time, it has
withdrawn from the solar concentrator and packed in the styrofoam box containing recyclable ice, then
taken to the laboratory and subjected to microbiological analysis. The results of this analysis show that
in the first essay wells number 2, 5 and 6 presented >11.9; >16.5 and >13.4 colonies respectively; in
the second essay, wells number 2, 5 and 6 presented> 14; <7 and <8 colonies respectively and in the
third essay wells number 2, 5 and 6 presented <9; <7 and >11 colonies respectively. However, the
results obtained showed a very satisfactory in the inactivation of fecal coliforms after the period of
sun exposure compared to the standard sample, taking into account the characteristics required by
MISAU. Therefore, it is concluded that the SODIS method is efficient in the treatment of water for
human consumption.
Key words: Water, fecal coliforms, SODIS.
12
CAPITULO I
1. INTRODUÇÃO
A água é um recurso natural essencial à vida e ao desenvolvimento das comunidades
humanas, portanto, é direito de todos, independente do estágio de desenvolvimento ou
condição socioeconómica, atender às necessidades humanas em seus diversos aspectos:
fisiológicos, económicos e domésticos (ONU, 1992).
Assim sendo, a água quando não tratada correctamente se torna uma importante fonte
de transmissão de doenças, principalmente, doenças que afectam o trato intestinal, sendo
capaz de agir como meio de cultura para microrganismos patogénicos, desta forma, podendo
causar várias doenças para a população de uma determinada região, principalmente em
crianças com menos de cinco anos, quando a mesma for ingerida. Uma vez que, é possível
notar nas crianças, a falta de hábitos de higiene que possam evitar tais doenças (COPASAD,
1995 citado por PEDRO, 2016).
O abastecimento de água nos Bairros da Cidade de Chimoio é assegurado
principalmente por poços familiares. Na maioria das vezes, tem - se observado que, essa água
é consumida sem nenhum tratamento prévio, o que provavelmente pode levar ao
desenvolvimento de doenças de veiculação hídrica no seio da população que usa a mesma
para diferentes fins.
O presente trabalho focou no tratamento microbiológico de água dos poços do Bairro
Heróis Moçambicanos usando a radiação solar, visto que, o uso da energia solar para
desinfecção de água vem sendo proposto para utilização nas áreas rurais de países em
desenvolvimento, possibilitando o tratamento de água, cujas características físicas e químicas
são adequadas ao consumo humano, mas biologicamente não. Além disso, tem sido discutido
por vários autores sobre a eficiência do método de radiação solar na desinfecção
microbiológica de água, seja dos poços, mananciais ou cisternas, contribuindo para a melhoria
da qualidade de vida de população e da qualidade de água.
Nesse contexto, o objectivo do trabalho foi de avaliar a eficiência do método de
radiação solar na desinfecção microbiológica da água dos poços do Bairro Heróis
Moçambicanos na Cidade de Chimoio, com vista a contribuir para a melhoria da qualidade da
água que é consumida pela população do bairro em causa.
13
Contudo, o presente trabalho está dividido em quatro capítulos, sendo o primeiro, a
Introdução, que faz uma abordagem de forma detalhada sobre a delimitação do tema,
enquadramento do tema, problematização, justificativa, hipóteses, objectivos do trabalho,
descrição da área de estudo, materiais e metodologias do trabalho, e também o tipo de
métodos que foram usados. O segundo capítulo trata da fundamentação teórica, que aborda
conceitos teóricos de aspectos relacionados com a água, qualidade da água, doenças de
veiculação hídrica, normas de qualidade de água abastecida sem tratamento e também sobre a
desinfecção de água através do método de radiação solar. O terceiro capítulo apresenta os
resultados e discussões. Neste capítulo, encontram-se os resultados obtidos das análises e do
tratamento de água usando o concentrador solar, a fim de avaliar a eficiência do método de
radiação solar no tratamento microbiológico de água dos poços do Bairro Heróis
Moçambicano, na Cidade de Chimoio. Os Resultados são também discutidos neste capítulo
com base nas literaturas lidas e faz-se uma análise comparativa entre o que foi dito/escrito e os
resultados obtidos no presente trabalho. Por último, o quarto capítulo inclui a conclusão e as
recomendações do trabalho.
1.1. Delimitação do Tema
O presente trabalho tem como objecto de estudo, uso da radiação solar na desinfecção
microbiológica da água dos poços do Bairro Heróis Moçambicanos, um tema que actualmente
vem ganhando grande importância em diversas áreas académicas e de pesquisas relacionadas
com a eficiência da radiação solar na desinfecção microbiológica da água dos poços, em zonas
onde a disponibilidade da água potável é bastante escassa. O estudo foi desenvolvido na
província de Manica, Cidade de Chimoio, concretamente no Bairro Heróis Moçambicanos,
entre os meses de Agosto a Dezembro do ano 2017.
1.2. Enquadramento do Tema
O presente tema enquadra-se em três âmbitos:
Âmbito Social: A sociedade no seu todo desde muito, vem padecendo de sérios
problemas de saúde causados pelo consumo de água contaminada por agentes patogénicos
como é o caso das doenças diarreicas que são consideradas como sendo as mais frequentes no
país, levando muitas vezes a morte de várias pessoas, principalmente crianças menores de 5
anos. Desta forma, a água contaminada é considerada uma das grandes preocupações da
sociedade no geral.
14
Âmbito do Plano Estratégico Universitário: Enquadra-se no curso de biologia da
Universidade Pedagógica, em particular nas disciplinas de Microbiologia nos conteúdos
relacionados a microrganismos com importância médica e Qualidade microbiológica dos
alimentos e da água. Na Parasitologia e Fitopatologia ao se tratar da patogenicidade dos
organismos. Na Hidrobiologia ao se abordar sobre a Poluição Límnica. Na Biologia de
Conservação nos conteúdos de Qualidade da Água e Saúde Pública; Conservação dos recursos
hídricos. Na Química ambiental ao se tratar de qualidade de água. E por fim, na disciplina de
Educação Ambiental e Saúde Pública ao se tratar de Promoção da saúde pública e Poluição
das águas, como também no saneamento básico e na preservação dos mesmos com o
propósito de garantir a qualidade de vida, uma vez tratar-se de questões microbiológicas que
podem influenciar negativamente na saúde humana.
Âmbito Sectorial: Enquadra-se no Ministério de Saúde, na área de Saúde Pública,
sobre o controlo e melhoramento da qualidade da água para o abastecimento da população.
Como também, no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, no que tange a
educação do Homem.
1.3. Problematização
Pelo menos um terço da população nos países em desenvolvimento não tem acesso a
água potável. A falta de fornecimento adequado de água propicia sérios riscos à saúde e expõe
a população ao perigo de contaminação e de doenças que podem ser transmitidas através da
ingestão de água não tratada. Há cerca de 4 bilhões de casos de diarreia a cada ano, e 2,5
milhões de casos que terminam em morte, principalmente em crianças dos 0 – 5 anos de
idade. A cada dia, cerca de 6000 crianças morrem de desidratação devido à diarreia, uma das
causas destas doenças é o consumo da água contaminada (MORGADO, 2008).
Segundo CANGOLA (2014) a água pode veicular um elevado número de
enfermidades e essa transmissão pode se dar por diferentes mecanismos, e o mecanismo de
transmissão de doenças mais comummente e directamente relacionado à qualidade da água é o
da ingestão, por meio do qual, um indivíduo ingere água que contenha bactérias do grupo
coliforme, que é nocivo à saúde, provocando desta forma o aparecimento de doenças.
Em relação ao Bairro Heróis Moçambicanos, é importante salientar que, este se insere
no grupo de região que não dispõem com abrangência de infra-estrutura adequada para o
abastecimento de água potável. Portanto, a população recorre à água do poço para o consumo
15
e diferentes actividades, e esta pode provavelmente estar contaminada por coliformes fecais.
Além disso, a água retirada dos poços tem sido consumida pela população sem nenhum
tratamento prévio, situação esta, que pode dar origem a problemas de saúde pública,
sobretudo a doenças diarreicas no seio dos populares que fazem o uso desta água.
MORGADO (2008) destaca que, no que diz respeito à desinfecção solar, diversos
estudos têm sido realizados com objectivo de determinar a eficiência da luz solar sobre
diferentes organismos indicadores de contaminação e organismos patogénicos transmissores
de doenças que surgem através da água contaminada. A importância desses estudos resulta no
facto de que, como as condições ambientais são distintas em cada país e região, as condições
de uso da desinfecção solar variam de local para local.
Estudos realizados por DAMASCENO (2015) mostram que, com o uso do SODIS, é
possível causar a morte de coliformes fecais, embora tenha fraca acção contra alguns tipos de
bactérias, sendo necessário aplicar outro tipo de desinfectante para a distribuição e
armazenamento da água.
Em face destas situações, coloca-se a seguinte questão:
Até que ponto o uso da radiação solar pode ser eficaz no tratamento microbiológico
da água dos poços do Bairro Heróis Moçambicanos na Cidade de Chimoio?
1.4. Justificativa
De acordo com FAO (2007) citado por CANGOLA (2014), ao se considerar as
tendências actuais, mais de 45% da população do mundo não poderá contar com a quantidade
mínima de água para o consumo diário em 2050. Seja em termos quantitativos ou qualitativos,
a escassez de água já é uma realidade em muitas regiões do planeta. Nos países em
desenvolvimento o problema de falta de acesso a água potável aparece relacionado a 80% de
enfermidades e mortes.
A degradação da qualidade da água desperta a necessidade de desinfecção deste bem
de consumo às diversas formas, seja uma delas, o uso da radiação solar, pois, o uso da
radiação solar na desinfecção microbiológica de água é de grande importância para a
minimização e/ou eliminação de coliformes fecais, visto que, quando ultrapassados os seus
limites, provavelmente podem causar enfermidades e mortes no seio da população que
consome.
16
Assim sendo, a escolha do local de estudo deveu-se a observação feita pelo autor, em
relação à carência de água canalizada nesse local, razão esta, que muitas vezes tem levado a
população do bairro a recorrer ao consumo de água dos poços, onde, a construção dos mesmos
é feita sem nenhuma protecção, tornando duvidosa a potabilidade da água. Aliado a isso,
muitas vezes, a água desses poços é consumida pela população sem nenhum conhecimento
sobre a sua qualidade, assim como, o tratamento da mesma. Desta forma, este cenário acaba
por comprometer a saúde da população, e para que essas águas sejam consideradas potáveis
sob o ponto de vista microbiológico, a mesma deve estar livre de bactérias indicadoras de
contaminação e não pode conter microrganismos patogénicos.
O sistema de desinfecção solar da água (SODIS) constitui um eficiente método de
tratamento de água, recomendado para sua utilização em comunidades carentes desprovidas
de abastecimento de água por rede pública. Este facto contribuiu muito na escolha e no
desenvolvimento do presente tema. Por outro lado, este é um método que possibilita a
inactivação de coliformes e outros microrganismos. O mesmo é considerado de extrema
importância para a melhoria de qualidade microbiológica da água, principalmente em
comunidades desprovidas de água potável, como é o caso do Bairro Heróis Moçambicanos.
Além disso, o SODIS é uma alternativa de desinfecção de água que funciona sem
fornecimento de energia eléctrica, baixo custo de investimento, fácil operação, fonte limpa,
renovável e abundante de energia. Este método usa um procedimento técnico e
economicamente viável utilizado para controlar a transmissão das doenças de veiculação
hídrica, e oferece segurança quanto a não geração de produtos nocivos à saúde humana.
Contudo, o presente trabalho irá contribuir para o melhoramento da qualidade
microbiológica da água, no desenvolvimento sustentável e melhoria da saúde de diversas
famílias no bairro em causa e às demais comunidades urbanas e rurais com problemas de
abastecimento de água potável, visto que, o SODIS é um método de tratamento de água que
apresenta efeitos benéficos na saúde das famílias.
1.5. Hipóteses
H0: O método de radiação solar não é eficiente no tratamento microbiológico de água dos
poços do Bairro Heróis Moçambicanos.
H1: O método de radiação solar é eficiente no tratamento microbiológico de água dos poços
do Bairro Heróis Moçambicanos.
17
1.6. OBJECTIVOS
1.6.1. Objectivo Geral
Avaliar a eficiência do método de radiação solar no tratamento de água dos poços do
Bairro Heróis Moçambicanos.
1.6.2. Objectivos Específicos
Identificar a presença de coliformes fecais na água dos poços do Bairro Heróis
Moçambicanos;
Aplicar o método SODIS no tratamento da água dos poços do Bairro Heróis
Moçambicanos;
Comparar o parâmetro microbiológico da água antes e depois do processo de
desinfecção por radiação solar.
1.7. Descrição da Área de Estudo
A Província de Manica está localizada no Centro-Oeste do País, ao longo da fronteira
com o Zimbabwe, entre os paralelos 21º 34´ 07´´ e 16º 24´ 05´´, Latitude Sul, 34º 01´ 47´´ e
32º 42´ 45´, Longitude Oeste. A superfície total da Província é de 61.661 Km2. Os limites da
Província são, a Norte a Província de Tete, através dos Rios Luenha e Zambeze; a Sul é
limitado pelas Províncias de Gaza e Inhambane, através do Rio Save; a Este, separa-se da
Província de Sofala e a Oeste, faz fronteira com a República do Zimbabwe (PEDPM, 2015).
A Cidade de Chimoio está situada no centro do Distrito de Gondola. Este Distrito tem
limite a norte com os distritos de Macossa e Bárue, a Oeste com o Distrito de Manica, a Sul
com os Distritos de Sussundenga e Búzi na Província de Sofala, e a Nordeste com o Distrito
de Gorongosa também em Sofala (INDE, 2009 citado por GUMBO, 2017).
No que diz respeito ao Bairro Heróis Moçambicanos, este se localiza a 11 quilómetros
do centro da Cidade de Chimoio, limitado ao Norte e Oeste pelo Bairro Samora Machel
pertencente ao (Distrito de Vanduzi), a Este pelo rio Tembwe que o separa do Bairro Piloto, e
a Sul pelo rio Tembwe novamente que o separa do Bairro Hombwe. Em relação às
coordenadas geográficas, observa-se uma Latitude de 19º 06’ Sul e Longitude 33º 29’ Este
(INDE, 2009 citado por GUMBO, 2017).
18
Figura 1. Localização Geográfica do Bairro Heróis
Moçambicanos. Fonte: Google Earth, 2017.
1.7.1. População e Actividade Económica
Actualmente no Bairro Heróis Moçambicanos residem cerca de 5.387 habitantes, de
acordo com informações adquiridas através do líder comunitário no ano 2017. É um local
constituído na sua maioria por população camponesa. Existe no povoado uma Escola Primária
Completa Tabacos. A região é planáltica, chefiada por um líder comunitário, a principal
actividade económica praticada na região é a agricultura, onde principalmente faz-se o cultivo
de Milho, Mapira, Tomate, Feijão, Couve e outras culturas. A agricultura de subsistência é
complementada pela criação de animais pelo sector familiar, destacando-se a criação de gado
(bovino, caprino) e de aves. Na sua maioria a população fala a língua Chiuté, sendo a mais
predominante.
1.7.2. Sistema de Abastecimento à Água e Saneamento
O abastecimento de água canalizada no Bairro Heróis Moçambicanos é proveniente da
Barragem de Chicamba, construída entre 1994 a 1995 com fundos do Governo da Itália a 42
quilómetros a oeste da cidade. “O centro de tratamento da água, com uma capacidade diária
de 3.000m3, situa-se em Mezingaze e o centro de distribuição localiza-se no centro da cidade,
com um depósito elevado com uma capacidade de armazenagem de 190m 3 e um depósito em
baixo com 208m3” (INE, 1999).
19
É preciso salientar que, apesar desse abastecimento de água pela barragem de
Chicamba, o Bairro Heróis Moçambicanos enfrenta graves problemas de abastecimento de
água tratada, e enfrenta sérios problemas com a alta incidência de doenças que se relacionam
com a deficiência de água canalizada.
1.7.3. Clima e Hidrologia
O Clima do Bairro Heróis Moçambicanos é tropical húmido modificado pela altitude,
que é um tipo de clima que partilha ao nível do País, subdivide-se em duas estações: estação
chuvosa de Novembro a Março e estação seca entre os meses de Abril a Outubro (GUMBO,
2017).
1.8. METODOLOGIA DO TRABALHO
1.8.1. Materiais e Métodos
[Link]. Materiais de Campo e Laboratorial
Alguns materiais de campo adquiriu-se no supermercado Shoprite e no mercado
central da cidade de Chimoio, o concentrador solar montou-se em uma carpintaria no Bairro
Heróis Moçambicanos, com ajuda do dono da carpintaria, o termómetro adquiriu-se na UP
(Manica) e a caixa de isopor emprestou-se um colega da turma de Biologia do ano 2014. A
câmera celular pertencia ao pesquisador do presente trabalho. O material laboratorial adquiriu-
se no Laboratório do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, fornecido pelos
técnicos de Medicina Preventiva, mencionados anteriormente, para tal, foi necessário remeter
credencial na secretaria da instituição.
a) Materiais usados no campo
Álcool a 70%;
Câmera celular;
Caneta;
Caixa de Isopor;
Concentrador solar;
Corda plástica;
Ficha de colecta de amostras e de observação;
Garrafas PET esterilizadas (1L e 2L);
Gelo reciclável;
20
Marcador;
Relógio;
Sabão;
Termómetro.
b) Materiais e Equipamentos laboratoriais
Almofadas de placas de Petri;
Bomba de vácuo (seringa);
Copo graduado de alumínio;
Descarregador de Membrana Filtrante;
Equipamento de filtração com porta-filtro;
Esqueiro;
Incubadora de Potakitwagtech WE 37/44ºC;
Meio de cultura (MSLB);
Membrana filtrante (porosidade de 0,45μm);
Metanol a 98%;
Pinça de aço inox;
Pipetas graduadas;
Placas de Petri.
[Link]. Métodos
Para o presente trabalho, a pesquisa centrou-se em dois campos, Pesquisa
Quantitativa: esta que ajudou a determinar em termos de quantidades numéricas os
coliformes fecais encontrados nas amostras de água dos poços, cadastramento dos poços,
colecta e análise de amostras de água, assim como, tratamento dos dados. Pesquisa
Qualitativa: esta que foi usada na determinação da qualidade microbiológica da água desses
poços, tendo em conta o número de colónias de coliformes fecais viáveis nas amostras antes e
após o processo de SODIS, assim como, na análise dos resultados da pesquisa.
Em relação aos métodos, usou-se neste trabalho primeiramente, o Método de
Observação: este que permitiu fazer uma observação directa no local de estudo, com a
finalidade de identificar os poços e avaliar os aspectos físicos dos mesmos e da água, onde, a
posterior esses aspectos foram registados em uma ficha de observação elaborada pelo autor.
Com este método, foi possível também, verificar os cuidados de tratamento das amostras após
21
a captação da água nos poços. Para além do método de observação, usou-se também o
Método Experimental: neste método, foi utilizado um concentrador solar feito de madeira
compensada de 10 milímetros e revestido internamente com papel alumínio, com a finalidade
de ajudar no aumento da temperatura da água, e por consequência, inactivando as colónias de
coliformes fecais viáveis nas amostras em menos tempo.
Tabela 1. Dimensões usadas durante a construção do concentrador solar.
Peças Quantidades das peças Dimensões (centímetro)
Base 1 67,66 x 55,00
Aletas 2 47,66 x 35,00
Suportes triangulares 2 35,00 x 35,00
8 8,50 x 15,00 x 17,50
Figura 2. Concentrador solar revestido internamente
com papel alumínio. Fonte: Autor, 2017.
E por fim, usou-se o Método Comparativo: com este método, primeiramente fez-se
uma comparação dos resultados obtidos nas amostras de água antes de tratamento, com base
na tabela dos parâmetros microbiológicos de água destinada ao consumo humano fornecido
por fontes de abastecimento público sem tratamento. Posteriormente, após o tratamento das
amostras por método SODIS, comparou-se os resultados da qualidade microbiológica das
amostras antes e após o tratamento por método SODIS.
22
1.8.2. Procedimentos Metodológicos
[Link]. Colecta e Transporte de Amostras
Primeiramente fez-se uma observação directa do local de estudo, com a finalidade de
identificar os poços e avaliar os aspectos físicos dos mesmos e da água, como foi mencionado
anteriormente, onde, com ajuda de uma ficha de observação (ver apêndice I), foram registados
alguns aspectos, tais como: região periférica em que o poço se encontrava; destino dos
líquidos percolados proveniente da área de deposição dos resíduos sólidos; infiltração de
águas da superfície pelo terreno atingindo a parede e o interior do poço; escoamento de água
da superfície enxurrada pela boca do poço para seu interior; entrada de objectos
contaminantes pela boca do poço; etc.
O trabalho teve duas fases, na primeira fase, predeterminou-se uma amostragem para a
selecção, retirada, preservação, preparação das amostras e interpretação dos dados. Em
seguida colectou-se seis amostras, sendo uma amostra em cada poço (Poço número1, 2, 3, 4,5
e 6) no dia 29 de Novembro de 2017, no período de 07h00min a 09h30min. Após a colecta de
amostras colocou-se etiqueta em cada amostra para evitar a troca dos resultados e
acondicionou-se na caixa de isopor para se preservar as amostras até o momento da análise em
laboratório. Em seguida, transportou-se as amostras ao laboratório do SDSMAS de Chimoio
para a identificação dos coliformes fecais. Nesta fase, foram usados frascos tipo PET de 1L
para cada amostra colectada. A distância que separava um poço do outro era
aproximadamente 50 metros, isto permitiu que as amostras fossem colectadas em menos
tempo.
Na segunda fase, predeterminou-se três amostragens que consistiram em colectar uma
amostra nos poços número 2, 5 e 6 no dia 01 de Dezembro de 2017, uma amostra nos poços
número 2, 5 e 6 no dia 10 de Dezembro de 2017, e por último, uma amostra nos poços número
2, 5 e 6 no dia 12 de Dezembro de 2017, no período de 07h00min a 08h30min
respectivamente. Após a colecta, colocou-se etiqueta em cada amostra, acondicionou-se na
caixa de isopor e levou-se ao Campus da UP-Manica. Em seguida, colocou-se as amostras no
concentrador solar para o tratamento por método SODIS. Ao término do experimento, retirou-
se as amostras do concentrador solar e as mesmas foram perfeitamente acondicionadas na
caixa de isopor contendo gelo reciclável, e imediatamente transportadas ao laboratório do
SDSMAS de Chimoio, para que se efectuasse a análise microbiológica. Nesta fase, usou-se
frascos tipo PET de 2L para cada amostra colectada.
23
Antes da colecta das amostras, assim como após cada experimento, os frascos foram
esterilizados com água morna e sabão, lavou-se os frascos por dentro e por fora três vezes, os
espaços pequenos perto da borda e a tampa do frasco. É importante salientar que foram
utilizadas as mesmas garrafas PET durante todo o experimento, por isso foi necessário
garantir a esterilização destas garrafas após cada experimento.
A colecta de amostra fez-se da seguinte maneira:
Primeiramente, anotou-se na ficha de colecta de amostra (ver apêndice II), o endereço
completo do local;
Em seguida lavou-se as mãos e antebraços com água e sabão e passou-se o álcool;
Amarou-se o frasco com uma corda e uma pedra como contrapeso para facilitar a
descida no poço;
Largou-se cuidadosamente sem tocar nas laterais o frasco, sem tampa até no fundo do
poço;
Uma vez o frasco cheio, recolheu-se para fora sem que o mesmo tocasse nas laterais
do poço, derramou-se parte da água para criar um espaço de ar e colocou-se a tampa
nos frascos imediatamente e a respectiva etiqueta;
Em seguida, identificou-se a amostra e preencheu-se a ficha de colecta;
Por fim, acomodou-se as amostras na caixa de isopor contendo gelo reciclável para
melhor conservar as amostras.
A B
Figura 3. Colecta de amostras (A). Identificação de amostras de água (B). Fonte: Autor, 2017.
24
[Link]. Identificação da presença de coliformes fecais
Após a chegada das amostras de água dos poços número 1, 2, 3, 4, 5 e 6 da primeira
amostragem e da primeira fase no laboratório, identificou-se imediatamente os coliformes
fecais, esta que foi determinada pelo teste comprovativo, as colónias indicadoras de
coliformes fecais apareceram de cor castanhas, confirmando desta forma a sua presença nas
amostras, onde a posterior fez-se a respectiva contagem das colónias. Igualmente as amostras
dos poços número 2, 5 e 6 da segunda fase, para a identificação dos coliformes fecais após o
tratamento por método SODIS, usou-se o mesmo procedimento. Para a contagem das colónias
usou-se o método mais simples, que é a contagem visual, isto é, a olho nu, sem precisar de
qualquer instrumento ou material que auxilia na contagem de coliformes.
Figura 4. Presença de coliformes fecais na
membrana filtrante. Fonte: Autor, 2017.
[Link]. Aplicação do Método SODIS
Após a identificação de coliformes fecais nas amostras de água dos poços
mencionados anteriormente, três poços (Poço número 2, 5 e 6) da primeira, segunda e terceira
amostragem da segunda fase, foram seleccionados devido ao elevado número de coliformes
fecais apresentados. Em seguida colectou-se amostras nesses poços usando garrafas tipo PET
de 2L e as mesmas foram levadas ao Campus da Universidade Pedagógica – Delegação de
Manica (UP – Manica), neste local encontrava-se o concentrador solar. As amostras de água
foram colocadas logo em seguida no concentrador solar por um período de 6 horas (das 9
25
horas às 15 horas), período esse considerado ideal para o experimento, como recomendado
pela literatura especializada na temática. Após 6 horas, mediu-se a temperatura da água em
cada amostra com ajuda de um termómetro fornecido pela Instituição. Este processo foi
repetido por três dias diferentes, nos dias 1, 10 e 12 de Dezembro do ano 2017.
A B
Figura 5. Amostras de água submetidas ao tratamento usando o método SODIS (A). Medição de
temperatura da água durante o experimento (B). Fonte: Autor, 2017.
[Link]. Análise Microbiológica após o tratamento usando SODIS
Para saber se realmente a radiação solar é ou não eficiente na desinfecção
microbiológica de água, fez – se a análise das amostras após o tratamento pelo processo de
desinfecção solar. A análise consistiu em um teste microbiológico, onde, foi necessário ter as
amostras colectadas nas placas de petri. Este teste foi dado através de um sistema para
identificação e quantificação de coliformes fecais na água e a técnica usada foi a da
Membrana Filtrante. Contudo, a análise microbiológica consistiu em:
a) Preparação do Meio de Cultura
Para preparar o meio de cultura para 15 amostras, sendo da primeira e da segunda fase,
usou-se 5 colherzinha plástica de MSLB;
Diluiu-se o MSLB com 50mL de água fervida para o frasco e fechou-se bem;
Agitou-se o frasco para dissolver o meio de cultura totalmente;
Esterilizou-se o meio de cultura durante 15 minutos em banho-maria;
Em seguida deixou-se arrefecer o meio de cultura e guardou-se bem fechado o frasco
na geladeira a 5ºC.
26
Figura 6. Meio de cultura MSLB preparado.
Fonte: Autor, 2017.
b) Distribuição do Meio de Cultura nas Placas de Petri
Distribuiu-se por cada placa de petri esterilizada 1 almofada com ajuda do
descarregador;
Com ajuda de pipeta graduada colocou-se 3mL do meio de cultura MSLB em cada
almofada distribuída nas placas de petri;
Em seguida, taparam-se as placas com almofada e MSLB para evitar contaminação.
c) Filtração de Água
Primeiramente esterilizou-se o sistema de filtração molhando o copo do filtrado com
1mL de metanol;
Acendeu-se o sistema com ajuda de um esqueiro;
Tapou-se com o copo filtrante na forma invertida;
Para filtração de água, colocou-se a membrana filtrante (0,45μm) com ajuda duma
pinça no sistema de filtração esterilizado;
Filtrou-se 100mL de amostra de água;
Criou-se o vácuo por uma pêra fixada no sistema de filtração;
Em seguida esterilizou-se a pinça com esqueiro;
Cuidadosamente, retirou-se a membrana com ajuda da pinça sem quebrar a membrana
para a placa de petri com almofada embebida com meio MSLB;
Por fim, fechou-se e identificou-se cada placa com o número de amostra.
27
A B
Figura 7. Esterilização do sistema de filtração com metanol a 98% (A). Retirada da membrana
filtrante no sistema de filtração com ajuda da pinça (B). Fonte: Autor, 2017.
d) A Ressurreição das Bactérias
Levou-se as placas com amostras filtradas para a incubadora e deixou-se ficar por 2
horas antes de ligar a incubadora para a ressurreição dos microrganismos;
Após 2 horas, ligou-se a incubadora a 44ºC durante 24 horas;
Encerrado o período de incubação, examinou-se o filtro fazendo a contagem das
colónias;
Figura 8. Incubadora usada para análise de
coliformes. Fonte: Autor, 2017.
28
1.9. Análise de Dados
Os resultados obtidos desta pesquisa foram submetidos ao pacote Microsoft Excel para
tratamento estatístico e construção de tabelas. A interpretação dos dados baseou-se em tabelas
construídas pelo autor e no método comparativo, com a finalidade de verificar diferenças e
semelhanças, explicar divergências que permitem um dado concreto, deduzindo o mesmo, os
elementos constantes, abstractos e gerais de sectores concretos assim como para o estudo
quantitativo.
29
CAPITULO II
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Água
Segundo a Organização das Nações Unidas (1992), a água é a seiva de nosso planeta,
ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano, a utilização da água
implica respeito à lei, sendo que o equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da
preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando
normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra, a água deve ser manipulada
com racionalidade e precaução.
Para PASSADOR & FREITAS (2001), a água é a substância que existe em maior
quantidade nos seres vivos e é responsável por setenta por cento (70%) do peso do corpo
humano. Além de entrar na constituição dos tecidos, a água é o solvente que transporta as
substâncias não aproveitadas pelo organismo.
Segundo FRANÇA (2008, p. 18), a água é um elemento essencial para o nosso dia-a-
dia e, mais ainda, durante a prática de actividades desportivas, é importante para a
sobrevivência do homem: o corpo humano é constituído por 80% de água, sendo ela a
responsável pelo transporte de nutrientes e substâncias para dentro e fora das células, além de
controlar a temperatura corporal e eliminar substratos tóxicos advindos do metabolismo
energético.
2.1.1. Qualidade da Água
“Qualidade de água para o consumo humano é a característica dada pelo conjunto de
valores de parâmetros microbiológicos, organolépticos e físicos-químicos fixados que
permitem avaliar se a água é potável ou não” (MISAU, 2004).
Segundo PASSADOR & FREITAS (2001) consideram que a água encontrada na
natureza possui uma série de impurezas que definem suas características físicas, químicas e
biológicas. Ao cair em forma de chuva, já carrega impurezas do próprio ar. Ao atingir o solo
seu grande poder de dissolver e carrear substâncias altera ainda mais suas qualidades.
30
A água pode carrear substâncias em suspensão, tais como partículas finas dos terrenos
por onde passa e que dão turbidez à mesma; pode também carrear substâncias animadas, como
algas, que modificam seu sabor, ou ainda, quando passam sobre terrenos sujeitos à actividade
humana, podem levar em suspensão microrganismos patogénicos (PASSADOR & FREITAS,
2001).
No caso das águas subterrâneas, diversos factores podem comprometer sua qualidade:
o destino final do esgoto doméstico e industrial em fossas e tanques sépticos, a disposição
inadequada de resíduos sólidos urbanos e industriais, postos de combustíveis, criação de
animais, lavagem de máquinas usadas na agricultura, representam fontes de contaminação por
bactérias e vírus patogénicos, parasitas, substâncias orgânicas e inorgânicas nocivas aos seres
vivos (FRANÇA, 2008, p. 19).
2.1.2. Água Para Consumo Humano
Segundo MISAU (2004), a água para o consumo humano é:
a) Toda a água no seu estado original ou após tratamento, destinada a ser bebida, a
cozinhar, a preparar alimentos ou para outros fins domésticos, independentemente da
sua origem e de ser fornecida a partir de um sistema de abastecimento de água com ou
sem fins comerciais;
b) Toda a água utilizada numa empresa da indústria alimentar para o fabrico,
transformação, conservação ou comercialização de produtos destinados ao consumo
humano.
2.1.3. Regulamento Sobre a Qualidade da Água para o Consumo Humano
Segundo o Diploma Ministerial nº 180/2004 de 15 de Setembro do Ministério da
Saúde, constituem parâmetros de qualidade aplicáveis obrigatoriamente para a água destinada
ao consumo humano fornecido por fontes de abastecimento públicas sem tratamento:
Tabela 2. Padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano.
Parâmetro Limite Máximo Admissível Unidades
Coliformes totais ----- NMP/100mL
Coliformes fecais <10 NMP/100mL
Vibrio cholera Ausente 1000mL
Fonte: MISAU, 2004, p. 9.
31
2.2. Organismos Indicadores de Contaminação da Água
Segundo PELZER; CHAN & KRILG (1996) afirmam que os organismos indicadores
de contaminação são aqueles microrganismos cuja sua presença na água é evidência de que
ela está poluída com material fecal de origem humana ou de outros animais de sangue quente,
e este tipo de poluição indica que qualquer microrganismo patogénico que ocorre no trato
intestinal desses animais pode também estar presente na água.
“Indicadores de contaminação da água são substâncias que resultam da
biodegradação do material orgânico animal e vegetal. Ao longo do processo
de decomposição, formam-se substâncias como o amoníaco, nitritos,
nitratos, ou dióxido de carbono. Portanto sua presença na água pode ser
uma indicação de contaminação da água” (MISAU, 2004).
2.2.1. Bactérias do Grupo Coliforme
Denomina-se de bactérias do grupo coliformes bacilos gram-negativos, em forma de
bastonetes, aeróbios ou anaeróbios facultativos que fermentam a lactose a 35-37ºC,
produzindo ácido, gás e aldeído em um prazo de 24 - 48 horas. É também oxidase-negativa e
não formam esporos. São eles: coliformes totais e coliformes fecais (FRANÇA, 2008, p. 28).
Segundo PEDRO (2016) afirma que os coliformes totais são utilizados como
organismos indicadores de contaminação, geralmente não são patogénicas, mas indicam a
possibilidade da presença de organismos patogénicos. O mesmo autor afirmou ainda que os
coliformes totais indicam as condições higiénicas e podem estar presentes inclusive em águas
e solos não contaminados.
Segundo RAI & VIAGEM (2012), os coliformes fecais são as bactérias que abundam
em fezes de animais de sangue quente capazes de crescer a temperatura de 44 - 44,5ºC em
menos de 24 horas, fermentando a lactose com produção de ácido e gás. Compreendem a esse
grupo, os géneros Escherichia, Enterobacter, Citrobacter e Klebsiella.
2.3. Doenças de Veiculação Hídrica
A água pode representar um importante meio de transmissão de doenças. Entretanto,
não basta que as populações apenas disponham de água, é necessário também que essa água se
caracterize por ter um mínimo de qualidade. A água sem qualidade, ou seja, contaminada por
32
algum agente patogénico pode conduzir a prejuízos na saúde ou mesmo levar a outros efeitos
negativos (CHIBITE, 2011).
Na tabela 3 são apresentadas as principais doenças de veiculação hídrica e os
respectivos agentes etiológicos, sintomas e fontes de contaminação:
Tabela 3. Principais doenças de veiculação hídrica.
Doença Agente etiológico Sintomas Fontes de
contaminação
Febre tifóide e Salmonella typhi Febre elevada, Fezes humanas
paratifóide Salmonella paratyphi diarreia
AeB
Disenteria bacilar Shigella dysenteriae Diarreia Fezes humanas
Diarreia, abcessos no
Disenteria amebiana Entamoeba histolytica fígado e intestino Fezes humanas
delgado
Cólera Vibrio cholerae Diarreia e Fezes humanas e
desidratação águas costeiras
Diarreia, náusea, Fezes humanas e de
Giardíase Giardia lamblia indigestão, animais
flatulência
Hepatite A e B Vírus da hepatite A e B Febre, icterícia Fezes humanas
Poliomielite Vírus da poliomielite Paralisia Fezes humanas
Cryptosporidium Diarreia, anorexia,
Criptosporidiose parvum dor intestinal, Fezes humanas e de
Cryptosporidium muris náusea, indigestão, animais
flatulência
Escherichia coli;
Campylobacter jejuni;
Gastroenterite Yersinia enterocolitica; Diarreia Fezes humanas
Aeromonas hydrophila
Rotavírus e outros
vírus entéricos
Fonte: Daniel (2001) citado por França (2008, p. 31).
Os microrganismos presentes na água, quando em grande número, além de
representarem risco à saúde podem ocasionar outros problemas, tais como: deterioração da
qualidade da água, com desenvolvimento de odores e sabores desagradáveis, produção de
limo ou películas.
2.4. Desinfecção da Água
“A desinfecção é um processo através do qual se deseja inactivar ou destruir os
organismos patogénicos e outros microrganismos indesejados” (MONTEIRO, 1999).
33
“A desinfecção é considerada um mecanismo para a inactivação/destruição de
organismos patogénicos de modo a prevenir o alastramento de doenças presentes na água para
os seus utilizadores e para o meio ambiente” (AQUAAMBIENTE, 2004, p. 3).
Segundo QUELUZ (2013, p. 26) o objectivo da desinfecção de águas residuárias não é
a eliminação total dos microrganismos, mas sim a diminuição da concentração de patógenos
até níveis de qualidade necessários para diferentes usos.
Segundo FRANÇA (2008, p. 32) os principais perigos para o processo de tratamento
de água decorrentes da desinfecção são provenientes, essencialmente, do doseamento
incorrecto de desinfectante e do tempo de contacto insuficiente da água com o desinfectante.
2.4.1. Desinfecção Solar de Água
O método SODIS, foi apresentado inicialmente por Acra et al., (1980), sua equipe fez
experimentos com água e soluções rehidratantes que foram expostas à luz solar em recipientes
transparentes. Com esses experimentos, foi demonstrado que a luz solar pode inactivar
agentes nocivos à saúde e possivelmente poderia ser utilizado com esse propósito. Desde
então, muitos estudos têm sido feitos a fim de, cientificamente, comprovar sua eficácia e
encontrar formas de torná-lo mais efectivo e difundido entre a sociedade (BOMURA, 2011).
A Desinfecção Solar da Água foi aprimorada pelo instituto EAWAG, na Suíça e
consiste em remover agentes patógenos da água armazenando-a em garrafas do tipo PET
transparentes e deixando-as expostas à luz solar durante o tempo de 6 horas, conforme mostra
a figura 9, aquecendo a água a uma temperatura em torno de 50°C, tendo eficiência de 100%
na inactivação de coliformes fecais (OLIVEIRA; SOUZA & LUIZ, 2014).
Figura 9. Procedimentos usados durante a desinfecção da água usando o método SODIS. Fonte:
OLIVEIRA; SOUZA & LUIZ, 2014.
34
O SODIS é ideal para desinfectar quantidade pequena de água de baixa turvação. A
água contaminada é colocada em garrafas de plástico transparente e exposta à plena luz solar
durante seis horas. No período de exposição solar os microrganismos causadores de doenças
são destruídos. Havendo nebulosidade durante pelo menos 50% do período, as garrafas de
plástico precisam ser expostas durante dois dias sucessivos para produzirem água segura para
consumo (EAWAG & SANDEC, 2002).
Porém, se as temperaturas da água excederem 50°C, uma hora de exposição é
suficiente para obter água boa para consumo. A eficiência do tratamento pode ser melhorada
se as garrafas de plástico estiverem acomodadas em superfícies reflectoras de luz solar como
alumínio ou placas de ferro onduladas (EAWAG & SANDEC, 2002).
Os microrganismos patogénicos geralmente presentes nas águas são vulneráveis ao
calor e à radiação ultravioleta. Uma vez que o sol é uma fonte natural, universalmente
disponível e gratuita, tanto de calor como de radiação UV, é de se imaginar que essa fonte
pode ser a base de um sistema desinfecção efectivo e de baixo custo para uso em regiões
afastadas e menos favorecidas (MONTEIRO, 1999).
O uso da energia solar para desinfecção de águas vem sendo proposto para utilização,
por exemplo, nas áreas rurais de países em desenvolvimento, possibilitando a desinfecção de
águas captadas em poços ou mananciais superficiais, cujas características físicas e químicas
são adequadas ao consumo humano, mas biologicamente não, uma vez que apenas a avaliação
do aspecto dessas, não permite conclusão sobre a contaminação da amostra de água colectada
(VELOSO, 2010, p. 27).
Segundo EAWAG & SANDEC (2002) citado por VELOSO (2010, p. 28), apresentam
as seguintes recomendações para a aplicação do método:
Verificar se as condições climáticas são adequadas;
Encher as garrafas PET com água até a metade, agitar durante 20 segundos e
completar com água;
Verificar se a água está suficientemente clara para aplicação do método SODIS, pois se
a água estiver muito turva, é necessário um pré-tratamento;
Verificar se as garrafas estão fechadas correctamente;
Eleger um suporte adequado para expor as garrafas, onde haja sol por pelo menos 6
horas.
35
Apesar da recomendação de agitar a água por alguns segundos antes de aplicar o
método SODIS, EAWAG & SANDEC (2002), comprovaram em seus estudos que as amostras
agitadas não apresentaram eficiência significativa na remoção do indicador coliforme
termotolerante (Escherichia coli) quando comparada às amostras não agitadas. Em média, a
eficiência das amostras agitadas foi de apenas 0,014% maior que as não agitadas e a taxa de
decaimento bacteriano foram de 1,10 vezes maior para as amostras agitadas.
“As garrafas plásticas utilizadas para a desinfecção solar devem ser
transparentes, limpas e do tipo PET (tereftalato de polietileno) com
capacidade para até dois litros e se estiverem com um dos lados pintados de
preto, podem absorver melhor o calor em oposição às cores claras que
possuem propriedades reflectoras” (VELOSO, 2010, p. 29).
O sistema de desinfecção solar apresenta as seguintes limitações:
Não é útil para o tratamento de grandes volumes de água;
Requer água relativamente incolor, com turbidez menor que 30 NTU;
Necessita de condições geográficas e climáticas que favoreçam a utilização da
radiação solar (EAWAG & SANDEC, 2002).
Apesar de o método ser interessante e de não requerer muitos materiais, o SODIS não
alcançou uma grande popularidade devido a um excesso de variáveis em relação a sua
eficiência e uma eventual segurança. A latitude e a altitude geográfica, a estação do ano; o
número de horas e o horário de exposição, as nuvens, a temperatura; o tipo, o volume e o
material das embalagens utilizadas para armazenar a água; a turbidez e a cor da água; são
entre outros, os parâmetros que poderiam interferir em uma desinfecção perfeita (EAWAG &
SANDEC, 2002).
2.4.2. Mecanismos de Acção da Desinfecção Solar de Água
A inactivação dos microrganismos por radiação UV é provocada, principalmente,
pelos danos causados ao material genético (DNA/RNA), o qual é formado por bases
nitrogenadas unidas por pontes de hidrogénio. A energia incidente lesa o DNA rompendo as
pontes de hidrogénio e causando dimerização das bases nitrogenadas pirimídicas de um
mesmo filamento de cromossoma. Estas alterações resultam na perda da função biológica,
inclusive na capacidade de se reproduzir. Nesta situação, os microrganismos que,
36
eventualmente, conseguirem se duplicar serão mutantes incapazes de se reproduzirem
(QUELUZ, 2013, p. 17).
Figura 10. Efeito da radiação UV sobre o material genético bacteriano. Fonte: QUELUZ, 2013, p. 17.
2.4.3. Experiências Práticas de Desinfecção Solar de Água
De acordo com MEIERHOFER & LANDOLT (2009) citado por QUELUZ (2013), a
tecnologia SODIS já é utilizada para a desinfecção de água para consumo por mais de dois
milhões de pessoas em 33 países e os resultados obtidos pela adopção da SODIS nesses países
mostram que é possível reduzir drasticamente a ocorrência de casos de diarreia. Os mesmos
autores estimaram que a razão entre custo-benefício da adopção desse sistema pode chegar até
1:49, ou seja, para cada dólar investido na SODIS (compra ou troca dos recipientes) é possível
economizar 49 dólares no sector da saúde.
Nesse contexto, WEGELIN et al., (1994) sugerem que, para fornecer água para esses
locais, sejam reduzidos os custos dos sistemas de abastecimento de água através do uso de
tecnologias apropriadas e de baixo custo, instalando sistemas cuja operação e manutenção
possam ser gerenciadas e sustentadas com recursos locais.
De acordo com SOUZA; SARTORI & DANIEL (2000), as vantagens na escolha da
radiação como agente desinfectante em tratamento de água são:
É efectiva para uma grande variedade de vírus e bactérias, utilizando-se doses
relativamente pequenas;
Minimiza os riscos à saúde (a formação de subprodutos é mínima);
Não confere residual, como o cloro, o qual poderia reagir com substâncias orgânicas;
Aceitação e segurança dos operadores e do público, visto que nenhum produto tóxico é
transportado, armazenado ou manuseado;
É simples, possuindo baixos custos de operação e manutenção;
37
Pouco tempo de contacto, consequentemente, não necessita de grandes tanques de
contacto.
De acordo com MORGADO (2008), as desvantagens da desinfecção de água com
método SODIS, destacam-se:
Os mecanismos de reparo do dano provocado ao DNA dos microrganismos, se uma
dose subletal for empregada;
A matéria dissolvida ou em suspensão reduz a intensidade de radiação quando esta
atravessa a lâmina liquida.
2.5. Eficiência da Desinfecção Solar de Água
Diversas variáveis, tais como sólidos suspensos totais (SST), demanda bioquímica de
oxigénio (DBO), dureza, pH, temperatura, variações sazonais de incidência luminosa e tipo de
microrganismo, podem alterar a eficiência do processo de desinfecção UV (QUELUZ, 2013,
p. 18).
Segundo USEPA (1999) os sólidos suspensos totais alteram a eficiência do processo
porque protegem os microrganismos, uma vez que impedem a penetração e absorvem a
radiação incidente. Também, a DBO quando composta de grande quantidade de matéria
húmida, pode reduzir a eficiência do processo, pois materiais húmidos têm elevada
absorvência de raios UV. Por outro lado, a dureza e o pH afectam a solubilidade de metais que
podem absorver a radiação UV. Além disso, a temperatura altera a configuração do DNA e a
actividade das enzimas reparadoras.
Segundo MALATO et al., (2009), temperaturas entre 20 e 40ºC não afectam a
inactivação de bactérias por radiação UV, mas temperaturas iguais ou superiores à 45ºC
actuam em sinergismo com a radiação e aceleram o processo de desinfecção solar.
Devido à garrafa PET possuir menos aditivos que outros plásticos ele é preferido pelo
menor potencial de contaminação da água. As garrafas PET possuem estabilizantes para
conter a degradação devido à exposição aos raios UV, não sofrendo alterações nas
características químicas quando testado em laboratório. A garrafa pode ser pintada de preto o
que é justiçado pelo princípio da radiação do corpo negro, a qual toda a radiação incidida não
é reflectida e sim, totalmente absorvida, contribuindo para o aumento da temperatura do
sistema (OLIVEIRA; SOUZA & LUIZ, 2014).
38
CAPITULO III
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na primeira fase, durante a identificação da presença de coliformes fecais na água dos
poços do Bairro Heróis Moçambicanos, o resultado obtido mostra que todas as amostras
apresentaram coliformes fecais, como mostra a tabela abaixo.
Tabela 4. Parâmetro microbiológico apresentado nas amostras de água dos poços.
Parâmetro Limite Máximo Local NMP em Observações
Admissível 100mL
P.1 <9 Dentro do limite máximo admissível
P.2 >18 Fora do limite máximo admissível
Coliformes <10 P.3 <8 Dentro do limite máximo admissível
fecais P.4 <6 Dentro do limite máximo admissível
P.5 >28 Fora do limite máximo admissível
P.6 >16 Fora do limite máximo admissível
De acordo com a tabela acima pode se observar que dos seis poços, três deles (2, 5 e 6)
apresentaram valores elevados de coliformes fecais tendo >18, > 28 e >16 colónias
respectivamente. Segundo a tabela dos parâmetros microbiológicos de água, estes valores
significa que está acima das normas estabelecidas pelo Diploma Ministerial nº 180/2004 de 15
de Setembro do Ministério da Saúde, para água destinada ao consumo humano fornecido por
fontes de abastecimento públicas sem tratamento.
Os resultados das amostras de água dos poços número 1, 3 e 4 enquadram-se no
Diploma Ministerial nº 180/2004 de 15 de Setembro do Ministério da Saúde, pois na tabela
consta que a água destinada para o consumo humano os coliformes fecais devem ser <10
colónias por amostras de 100mL de água, aconselhando assim, que mesmo com o resultado
abaixo do recomendado, deve se realizar a desinfecção da água para que ela possa ser
consumida.
Segundo AMARAL et al., (2005, p. 43), os principais indicadores de contaminação
fecal são as concentrações de coliformes totais e fecais, expressas em número de organismos
por 100mL de água. Por exemplo, as bactérias do grupo coliforme, em especial a Escherichia
39
coli, representam contaminação fecal recente e indica a possível presença de bactérias
patogénicas, vírus entéricos ou parasitas intestinais.
De referir que estes poços, embora apresentem contaminação por coliformes fecais não
se pode afirmar que sejam estritamente de origem fecal, pois, de acordo com CHIBITE
(2011), a presença de coliformes fecais na água nem sempre indica uma contaminação de
origem fecal, pois, estes podem também surgir de efluentes industriais ou de vegetais e
mesmo do solo.
Em relação ao valor alto de coliformes fecais para a amostra do poço número 2 pode
ser justificada por uma fossa ter sido construída próximo do poço, não respeitando a distância
mínima entre a fossa e poço, como mostra a figura abaixo.
A B
Figura 11. Poço número 2 (A). Fossa construída próximo do poço (B). Fonte: Autor, 2017.
Segundo CAMARGO & PAULOSSO (2009) as fossas devem ser construídas na parte
mais baixa do terreno e com uma distância mínima de 30 metros do poço. A pouca distância
entre fossas e poços pode ser considerada um dos grandes causadores do alto índice de
contaminação por coliformes fecais.
Em relação ao valor altíssimo de coliformes fecais para amostra do poço número 5
pode ser explicado pela falta de estrutura do poço que foi construído sem revestimento (existe
somente um pneu de carro com uma tampa acima do poço para evitar que algum animal ou
objecto caia dentro do poço), pelo armazenamento de lixo próximo ao poço, ou ainda, pela
falta de limpeza no poço.
40
A B
Figura 12. Poço número 5 (A). Armazenamento de lixo próximo do poço (B). Fonte: Autor, 2017.
Concordando com BARCELLOS et al., (2006) em seu trabalho afirmam que, o que
auxilia para a contaminação das águas subterrâneas é a forma com que os proprietários lidam
com o lixo e os dejectos, os conhecimentos e percepções de qualidade da água, presença de
animais e tratamentos utilizados.
Em relação ao valor alto de coliformes fecais para a amostra do poço número 6 pode
ser justificada pelo manejo inadequado do catador que a população usa para tirar a água desse
poço e pela lavagem de roupas como é o caso de fraldas ao redor do poço, que a mesma água
pode escorrer de volta para o poço ou mesmo filtrar até atingir o lençol freático, contaminando
assim a água desse poço.
Figura 13. Balde ao redor do poço usado para
lavagem de roupas. Fonte: Autor, 2017.
41
Assim como SILVA (2004), no seu trabalho observou que a utilização inadequada de
baldes com auxílio de corda para a retirada de água, pode provocar a contaminação das águas
contidas em seu interior por causa dos possíveis contaminantes (organismos patogénicos e/ou
matérias orgânicas) que possam estar agregados ao balde.
Na segunda fase, após a aplicação do método SODIS no tratamento de água dos poços
do Bairro Heróis Moçambicanos, foi possível observar a eliminação de colónias de coliformes
fecais nas amostras submetidas ao tratamento, em três dias subsequentes, como mostram as
tabelas 5, 6 e 7.
Tabela 5. Resultados obtidos no primeiro (1º) ensaio de desinfecção por método SODIS.
P.2 P.5 P.6
Padrão de In Após o In Após o In Após o
Parâmetro Potabilidade natura processo natura processo natura processo
Coliformes
fecais <10 >18 >11,9 >28 >16,5 >16 >13,4
Conforme os valores ilustrados na tabela 5, obtidos no primeiro ensaio de aplicação do
método SODIS, a uma temperatura do ar de 28ºC com céu totalmente limpo, foi possível
observar que a temperatura da água contida nas garrafas PET atingiu 52ºC, inactivando os
coliformes fecais com resultados não tão satisfatórios, sendo o menor resultado >11,9
colónias. Desta forma, pode-se afirmar que a temperatura da água atingida, actuando nas
condições de estudo apresentadas, não produziu efeito significativo de redução de colónias de
coliformes fecais. Entretanto, mesmo no maior tempo de exposição à radiação solar, o
resultado não é satisfatório, não se obtendo a qualidade desejada da água.
De acordo com WEGELIN et al., (1994), em seu trabalho semelhante ao tema em
abordagem, observaram que a temperatura da água entre 20 e 50ºC não afecta
satisfatoriamente a inactivação da bactéria por meio da luz visível.
Conforme os valores ilustrados na tabela 6, obtidos no segundo ensaio de aplicação do
método SODIS, a uma temperatura do ar de 33ºC com céu totalmente limpo, foi possível
observar que a temperatura da água contida nas garrafas PET atingiu 61ºC, possibilitando a
redução da quantidade de colónias de coliformes fecais, obtendo-se resultado satisfatório após
o período de exposição ao tratamento, em relação ao primeiro ensaio.
42
Tabela 6. Resultados obtidos no segundo (2º) ensaio de desinfecção por método SODIS.
P.2 P.5 P.6
Padrão de In Após o In Após o In Após o
Parâmetro Potabilidade natura processo natura processo natura processo
Coliformes
fecais <10 >18 >14 >28 <7 >16 <8
Observa-se na tabela acima, uma redução gradual de coliformes fecais nas amostras,
num período de seis horas, onde, a desinfecção da água só foi satisfatória após este período,
proporcionando maior decaimento de colónias nas amostras número 5 e 6. Esse
comportamento não condiz com DAMAS; ARAÚJO & REZENDE (2013), onde os resultados
obtidos por estes autores já se mostravam satisfatórios no tratamento de 2 horas e afirmaram
que os demais tratamentos de 4 horas e 6 horas serviriam apenas para lapidar os resultados.
Em contrapartida, os resultados de OLIVEIRA; SOUZA & LUIZ (2014) não se apresentaram
satisfatórios para tratamento de 2 horas de exposição, onde ocorreu a inactivação das bactérias
após 4 horas de exposição.
Conforme os valores ilustrados na tabela 7, obtidos no terceiro ensaio de aplicação do
método SODIS, nas mesmas condições descritas anteriormente, foi possível observar que a
temperatura da água contida nas garrafas PET também atingiu 61ºC, obtendo-se resultado
satisfatório após o período de exposição, proporcionando maior decaimento de colónias nas
amostras número 2 e 5, em conformidade ao segundo ensaio de desinfecção.
Tabela 7. Resultados obtidos no terceiro (3º) ensaio de desinfecção por método SODIS.
P.2 P.5 P.6
Padrão de In Após o In Após o In Após o
Parâmetro Potabilidade natura processo natura processo natura processo
Coliformes
fecais <10 >18 <9 >28 <7 >16 >11
Os resultados obtidos possibilitou observar uma maior redução de coliformes fecais
com uma média de <7 colónias, apresentando similaridade a resultados do segundo ensaio,
devido à alta temperatura atingida nas amostras, isso ocorreu porque, à medida que a
43
temperatura aumentou, as reacções químicas e enzimáticas dos coliformes fecais passaram a
ocorrer com maior velocidade, o que levou ao aumento do crescimento e das actividades
metabólicas, mas até certos limites, pois, a essas temperaturas, as funções celulares caíram
rapidamente para <7 colónias devido a danos irreversíveis causados em determinadas
proteínas dos coliformes fecais.
Para JOYCE et al., (1996) afirmam que isso ocorre certamente porque a temperatura
tem um papel muito importante na desinfecção solar, sob temperaturas variadas e utilizando
garrafas plásticas transparentes de 2000mL, os melhores resultados de desinfecção podem ser
encontrados para as temperaturas acima de 55ºC.
Na comparação do parâmetro microbiológico antes e depois do processo de
desinfecção por radiação solar, com os resultados obtidos e apresentados foi possível observar
a melhoria na qualidade da água consumida pelos moradores do Bairro Heróis
Moçambicanos.
Importa referir ainda que, antes de desinfecção de água por radiação solar, as amostras
dos poços número 2, 5 e 6 apresentaram valores altos de coliformes fecais, excedendo o limite
recomendado pelo Ministério da Saúde, mas após a aplicação do método SODIS, as
concentrações de colónias diminuíram drasticamente. O menor valor obtido foi <7 colónias no
segundo e terceiro ensaio de exposição, atendendo ao estabelecido pelo Diploma Ministerial
nº 180/2004 de 15 de Setembro do Ministério da Saúde, que retrata sobre o padrão
microbiológico de água para o consumo humano.
Esses resultados mostram que o método SODIS é eficiente na remoção/diminuição de
coliformes fecais usando o concentrador solar e nas condições climáticas descritas no segundo
e terceiro ensaio. BERTHOLINI & BELLO (2011) em seu trabalho afirmaram que o método
de desinfecção de água para consumo humano (SODIS) é eficiente para comunidades isoladas
e/ou de baixa renda, possibilitando melhorias reais na qualidade de vida de moradores.
Desta forma, admite-se que o método de radiação solar na desinfecção microbiológica
da água é eficiente quando aplicada em 6 horas de exposição, embora não a eliminação
completa dos coliformes fecais como verificado no presente trabalho, contradizendo com
SILVA (2004), que afirma que 6 horas seriam o suficiente para eliminar completamente
bactérias do grupo coliforme.
44
CAPITULO IV
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.1. Conclusões
Mediante os resultados apresentados no presente trabalho pode-se concluir que:
O método de radiação solar no tratamento microbiológico de água dos poços é
eficiente, inactivando os coliformes fecais presentes nas amostras no tempo
programado e mostrando que o método é bastante viável economicamente. Desta
forma, este trabalho apresenta a metodologia SODIS como solução paliativa para o
tratamento da água em locais ausentes de água tratada, como é o caso do Bairro Heróis
Moçambicanos;
Na identificação da presença de coliformes fecais, verificou-se que todas as amostras
apresentaram coliformes fecais e algumas amostras apresentam valores muito
elevados, ou seja, fora do recomendado pelo MISAU, como é o caso das amostras dos
poços número 2, 5 e 6 que apresentaram valores >18, >28 e >16 colónias
respectivamente, diferente do valor recomendado, que seja <10 colónias em 100mL, o
que significa que a água destes poços é imprópria para o consumo humano;
De acordo com o estudo realizado, foi possível concluir que, o SODIS pode ser uma
solução para a desinfecção da água dos poços, reduzindo custos e riscos encontrados
em outros tipos de tratamento da água;
Portanto, pode se concluir que o método de radiação solar é bastante satisfatório na
inactivação dos coliformes fecais.
45
4.2. Recomendações
Aos moradores do Bairro Heróis Moçambicanos:
Que façam campanha de limpeza dos poços de um em um mês para garantir a
segurança e a saúde humana;
Que antes de consumirem a água dos poços, façam um prévio tratamento, aplicando a
metodologia SODIS, para minimizar os possíveis riscos que podem comprometer a
saúde humana.
Ao Ministério da Saúde:
Que efectuem palestras que possam ajudar a população a não contrair nenhum tipo de
infecção a partir do consumo de água contaminada por patógenos;
Que faça estudos de monitoramento das fontes de água desta e de outras zonas que não
são abastecidas pelas empresas de abastecimento de água potável, de modo a inteirar-
se da situação e permitir as negociações com empresas de abastecimento de água
potável;
Que promova programas de educação sanitária com a comunidade do Bairro Heróis
Moçambicanos, com vista a ter noções da importância do saneamento básico e do
tratamento da água.
À FIPAG:
Que a empresa Fundo de Investimentos, Património e Abastecimento de Água,
expanda os seus serviços de abastecimento de água potável, com vista a diminuir o
risco de vida da população que consome água imprópria para o consumo humano.
À Comunidade acadêmica:
Que a pesquisa tenha continuidade estudando a utilização do SODIS, comparando a
outros métodos de desinfecção de água;
Que possam continuar com o trabalho de pesquisa, observando a remoção de outros
organismos patogénicos e avaliar um possível recrescimento bacteriano algum tempo
após a desinfecção por método SODIS;
A difusão deste método às demais comunidades urbanas e rurais com problemas de
abastecimento de água potável, contribuindo com isso, para o desenvolvimento
sustentável e melhoria da saúde de diversas famílias.
46
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1994.
Apêndices
APÊNDICE I: Ficha de observação
Poço número_______
Aspectos físicos Observação
Região periférica em que o poço se encontrava?
Destino dos líquidos percolados proveniente da
área de deposição dos resíduos sólidos urbanos
Infiltração de águas da superfície pelo terreno,
atingindo a parede e o interior do poço.
Escoamento de água da superfície enxurrada
pela boca do poço, para seu interior.
Entrada de objectos contaminantes, animais,
papéis, etc., pela boca do poço.
Higiene e salubridade global Observação
Descargas de lixos a uma distância de 10m a
poços
Fossas/latrinas a uma distância de 30m a poço
Esgotos a céu aberto
Lavandaria de roupa próximo do poço
Fezes de animais de sangue quente
Outros aspectos
APÊNDICE II: Ficha de Colecta de Amostras de água
Código de identificação de colecta:
IDENTIFICAÇÃO DA AMOSTRA
1. Tipo de água
Tratada/clorada
Não tratada/in natura
Dosagem de flúor
2. Ponto de colecta
Directo da rede/Cavalete Directo da nascente
Directo do poço Saída do tratamento - ETA
Após a caixa Outros - Especificar ______________________
3. Município/local: ___________________________________________________________
Endereço do colector: _________________________________________________________
Data da colecta: _______/_____/______ Hora da colecta: ______________________
Nome do colector: _____________________ Contacto: ___________________________
Temperatura Ambiental: _____
Ocorrência de chuva nas últimas 48h: Sim Não
4. Parâmetros a serem analisados no laboratório
Físico e Organoléptico
Químico
Microbiológico
5. Data de entrada no Laboratório ________/______/______ Hora de entrada___________
Anexos
ANEXO A: Resultados de identificação da presença de coliformes fecais
ANEXO B: Resultado do primeiro ensaio de desinfecção de água por método SODIS
ANEXO C: Resultado do segundo ensaio de desinfecção de água por método SODIS
ANEXO D: Resultado do terceiro ensaio de desinfecção de água por método SODIS