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O documento analisa a constituição e desenvolvimento das Ciências Sociais, com foco na Antropologia Cultural em Moçambique, destacando sua relevância na compreensão das dinâmicas sociais e culturais do país. Aborda os objetivos teóricos e metodológicos da disciplina, enfatizando a pluralidade, diversidade e interdisciplinaridade necessárias para a análise das realidades moçambicanas. O trabalho também discute a importância da ruptura com o senso comum na pesquisa antropológica, visando uma compreensão crítica e rigorosa das culturas locais.

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O documento analisa a constituição e desenvolvimento das Ciências Sociais, com foco na Antropologia Cultural em Moçambique, destacando sua relevância na compreensão das dinâmicas sociais e culturais do país. Aborda os objetivos teóricos e metodológicos da disciplina, enfatizando a pluralidade, diversidade e interdisciplinaridade necessárias para a análise das realidades moçambicanas. O trabalho também discute a importância da ruptura com o senso comum na pesquisa antropológica, visando uma compreensão crítica e rigorosa das culturas locais.

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Cerramildo Lussane Tajabo

Dilenia Elsa Celestino Wairesse

Fernando Sebastião

Gilberto Ricardo Nhantumbo

Constituição e desenvolvimento das Ciências Sociais

Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2025
Cerramildo Lussane Tajabo

Dilenia Elsa Celestino Wairesse

Fernando Sebastião

Gilberto Ricardo Nhantumbo

Constituição e desenvolvimento das Ciências Sociais

Licenciatura em Contabilidade e Auditoria

Trabalho da Cadeira de Antropoligia


Cultural de Moçambique a ser
apresentado na Universidade Rovuma
Extensão Montepuezde caráter
avaliativo sob orientação de:
Msc: Samuel Antonio de Sousa

Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2025
Índice

1. Introdução...................................................................................................................4

1.1 Objectivos.................................................................................................................5

1.1.1 Objectivo Geral.....................................................................................................5

1.1.2 Objectivos Específicos..........................................................................................5

2. Constituição e Desenvolvimento das Ciências Sociais..............................................6

3. Pluralidade, Diversidade e Interdisciplinaridade nas Ciências Sociais......................8

4. Ruptura com o Senso Comum..................................................................................10

5. A Antropologia Cultural no Domínio das Ciências Sociais.....................................12

5.1 Definição e Especificidade.....................................................................................12

5.2 Objecto de Estudo...................................................................................................13

5.3 Campos de Abordagem..........................................................................................14

6. Métodos e Técnicas de Investigação em Antropologia............................................15

6.1 Etnografia...............................................................................................................15

6.2 Trabalho de Campo................................................................................................17

6.3 Observação Participante.........................................................................................18

6.4 Interpretação...........................................................................................................19

7. Conclusão.................................................................................................................21

8. Referências Bibliográficas........................................................................................22
4

1. Introdução

A Antropologia Cultural, como disciplina das Ciências Sociais, desempenha um papel


fundamental na compreensão das sociedades humanas e suas manifestações culturais.
Em Moçambique, o desenvolvimento desta ciência assume particular relevância, não
apenas pela diversidade étnica e cultural do país, mas também pela necessidade de
compreender as dinâmicas sociais numa sociedade pós-colonial em constante
transformação.

O presente trabalho propõe-se analisar os fundamentos teóricos e metodológicos da


Antropologia Cultural, com particular enfoque no contexto moçambicano. Pretende-se
explorar a constituição das Ciências Sociais, a especificidade da Antropologia Cultural
no domínio científico, bem como os métodos e técnicas de investigação que
caracterizam esta disciplina.

A escolha deste tema justifica-se pela importância crescente da Antropologia Cultural


na compreensão das realidades moçambicanas, desde as estruturas tradicionais de
parentesco e organização social, até às novas dinâmicas identitárias e culturais que
emergem no contexto da globalização. A sociedade moçambicana, caracterizada pela
sua extraordinária diversidade étnica e linguística, apresenta um campo de estudo
privilegiado para a investigação antropológica.

Moçambique, com as suas múltiplas tradições culturais, sistemas de crenças


diversificados e formas variadas de organização social, constitui um laboratório natural
para o desenvolvimento da Antropologia Cultural. A coexistência de culturas
tradicionais com as influências da modernidade e da globalização cria um contexto
particularmente rico para a análise antropológica.

Este trabalho procura, assim, contribuir para uma melhor compreensão dos fundamentos
epistemológicos e metodológicos da Antropologia Cultural, destacando a sua relevância
para o estudo das sociedades moçambicanas e para a construção de conhecimento sobre
a diversidade cultural do país.
5

1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivo Geral

Analisar os fundamentos teóricos e metodológicos da Antropologia Cultural, destacando


a sua aplicação e desenvolvimento no contexto moçambicano.

1.1.2 Objectivos Específicos

 Examinar a constituição e desenvolvimento das Ciências Sociais e o lugar da


Antropologia Cultural neste domínio;
 Analisar a pluralidade, diversidade e interdisciplinaridade nas Ciências Sociais;
 Discutir a ruptura com o senso comum como característica fundamental da
investigação antropológica;
 Definir a Antropologia Cultural, seu objecto de estudo e campos de abordagem;
 Apresentar os principais métodos e técnicas de investigação em Antropologia
Cultural, com destaque para a etnografia, trabalho de campo, observação
participante e interpretação;
 Reflectir sobre os desenvolvimentos e perspectivas da Antropologia Cultural em
Moçambique.
6

2. Constituição e Desenvolvimento das Ciências Sociais

A emergência das Ciências Sociais como campo científico autónomo ocorreu no século
XIX, num contexto de profundas transformações sociais, económicas e políticas que
marcaram a transição para a modernidade. Como refere Nunes (2005), as Ciências
Sociais nasceram da necessidade de compreender as sociedades industriais modernas e
os novos fenómenos sociais que emergiam com a modernidade. Esta necessidade de
compreensão científica dos fenómenos sociais surgiu como resposta às limitações dos
métodos tradicionais de conhecimento para explicar as complexas transformações da
sociedade moderna.

O processo de constituição das Ciências Sociais não foi linear nem homogéneo,
caracterizando-se antes por um desenvolvimento gradual e diferenciado nas várias
regiões do mundo. As transformações sociais decorrentes da Revolução Industrial, dos
processos de urbanização, das mudanças nas estruturas familiares e das novas formas de
organização política criaram a necessidade de novos instrumentos de análise e
compreensão da realidade social.

Pinto e Silva (1986) sublinham que as Ciências Sociais se constituíram como resposta
aos desafios interpretativos colocados pelas sociedades complexas, procurando
estabelecer métodos rigorosos de análise da realidade social. Este processo de
constituição científica caracterizou-se pela progressiva diferenciação disciplinar e pela
definição de objectos de estudo específicos. A necessidade de rigor científico levou à
adopção de métodos de investigação sistemáticos e à definição de critérios de validação
do conhecimento científico no domínio social.

A constituição das Ciências Sociais como campo científico autónomo implicou também
um processo de institucionalização académica, com a criação de departamentos
universitários, revistas científicas especializadas e associações profissionais. Este
processo de institucionalização foi fundamental para a consolidação das diferentes
disciplinas sociais e para o estabelecimento de padrões de qualidade científica.

No contexto moçambicano, o desenvolvimento das Ciências Sociais esteve intimamente


ligado aos processos históricos de colonização, luta de libertação e construção do
Estado pós-independência. Durante o período colonial, os estudos sobre as sociedades
7

moçambicanas foram predominantemente realizados por investigadores estrangeiros,


muitas vezes com objectivos administrativos coloniais. Estes estudos, embora tenham
produzido conhecimento importante sobre as culturas moçambicanas, estavam
frequentemente marcados por preconceitos coloniais e por uma perspectiva
eurocêntrica.

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM), fundada em 1962, desempenhou um papel


central no desenvolvimento das Ciências Sociais em Moçambique, criando condições
para a formação de quadros nacionais e para o desenvolvimento da investigação social.
A criação da UEM representou um marco fundamental na história das Ciências Sociais
em Moçambique, permitindo pela primeira vez a formação sistemática de
investigadores moçambicanos e o desenvolvimento de investigação científica sobre as
realidades do país.

Após a independência, em 1975, o desenvolvimento das Ciências Sociais em


Moçambique ganhou novo impulso, com a necessidade de compreender os desafios da
construção nacional e do desenvolvimento económico e social. A criação de novos
cursos universitários e centros de investigação contribuiu para a consolidação das
Ciências Sociais no país.

O desenvolvimento das Ciências Sociais em Moçambique tem sido marcado pela


necessidade de conciliar rigor científico com relevância social, procurando contribuir
para a resolução dos problemas concretos da sociedade moçambicana. Esta orientação
prática das Ciências Sociais moçambicanas reflecte a necessidade de produzir
conhecimento útil para o desenvolvimento do país e para a melhoria das condições de
vida da população.

A evolução das Ciências Sociais em Moçambique tem sido também influenciada pelas
transformações políticas e económicas do país, nomeadamente pela transição do sistema
económico socialista para a economia de mercado e pela democratização política
iniciada nos anos 1990. Estas transformações criaram novos desafios para a
investigação social e novas oportunidades para o desenvolvimento das Ciências Sociais.
8

3. Pluralidade, Diversidade e Interdisciplinaridade nas Ciências Sociais

As Ciências Sociais caracterizam-se pela sua natureza pluridisciplinar e pela diversidade


de abordagens teóricas e metodológicas que as constituem. Esta pluralidade, longe de
constituir uma fragilidade epistemológica, representa uma das principais forças deste
campo científico, permitindo uma análise multifacetada e abrangente dos fenómenos
sociais complexos que caracterizam as sociedades humanas.

A diversidade teórica nas Ciências Sociais manifesta-se na coexistência de diferentes


paradigmas explicativos, desde as abordagens funcionalistas e estruturalistas até às
perspectivas interpretativas e críticas. Esta diversidade reflecte a complexidade dos
objectos de estudo social e a impossibilidade de reduzir os fenómenos sociais a
explicações unidimensionais.

A interdisciplinaridade emerge como uma necessidade face à complexidade dos


objectos de estudo social. Como observa Pinto e Silva (1986), os fenómenos sociais não
se deixam encerrar nas fronteiras rígidas de uma única disciplina, exigindo abordagens
que mobilizem conhecimentos de diferentes campos disciplinares. Esta perspectiva
interdisciplinar reconhece que a realidade social é multidimensional e que a sua
compreensão adequada requer a articulação de diferentes saberes e métodos de
investigação.

A interdisciplinaridade nas Ciências Sociais não significa a eliminação das


especificidades disciplinares, mas antes a sua articulação produtiva em torno de objectos
de estudo comuns. Cada disciplina mantém a sua identidade teórica e metodológica,
mas abre-se ao diálogo e à colaboração com outras áreas do conhecimento social. Este
diálogo interdisciplinar enriquece a compreensão dos fenómenos sociais e permite
abordagens mais completas e rigorosas.

Em Moçambique, esta perspectiva interdisciplinar revela-se particularmente importante,


dada a complexidade cultural do país. A cultura moçambicana resulta da fusão dos
vários povos que habitaram esta parte oriental da África, exigindo abordagens que
articulem contributos da Antropologia, História, Sociologia, Linguística e outras
disciplinas. A diversidade étnica e linguística de Moçambique, com mais de vinte
9

grupos étnicos e línguas diferentes, cria um contexto particularmente propício para a


investigação interdisciplinar.

A pluralidade cultural moçambicana manifesta-se não apenas na diversidade étnica, mas


também nas diferentes formas de organização social, sistemas de crenças, práticas
rituais e modos de vida. Esta diversidade cultural representa um desafio e uma
oportunidade para as Ciências Sociais em Moçambique, exigindo abordagens teóricas e
metodológicas capazes de captar a complexidade e a riqueza das culturas
moçambicanas.

A interdisciplinaridade nas Ciências Sociais moçambicanas manifesta-se também na


necessidade de articular conhecimentos académicos com saberes tradicionais. As
culturas moçambicanas possuem sistemas de conhecimento complexos e sofisticados
que devem ser considerados pela investigação científica. Esta articulação entre
conhecimento académico e saberes tradicionais constitui um dos desafios mais
importantes das Ciências Sociais em Moçambique.

A diversidade metodológica nas Ciências Sociais permite diferentes formas de acesso à


realidade social, desde os métodos quantitativos até às abordagens qualitativas e
interpretativas. Esta diversidade metodológica é particularmente importante no contexto
moçambicano, onde a investigação deve ser capaz de captar tanto as dimensões
quantificáveis dos fenómenos sociais quanto os seus aspectos simbólicos e culturais.

A pluralidade das Ciências Sociais manifesta-se também na diversidade de escalas de


análise, desde os estudos microssociais centrados em comunidades locais até às análises
macrossociais que abordam processos de âmbito nacional ou internacional. Esta
diversidade de escalas é fundamental para a compreensão da complexidade social e para
a articulação entre diferentes níveis de análise.

Em Moçambique, a articulação entre diferentes escalas de análise é particularmente


importante, dado que os fenómenos locais estão frequentemente conectados com
processos regionais, nacionais e globais. A compreensão das realidades moçambicanas
exige, assim, abordagens que sejam capazes de articular análises locais com
perspectivas mais amplas.
10

4. Ruptura com o Senso Comum

Uma das características fundamentais das Ciências Sociais é a ruptura com o senso
comum e com as explicações do quotidiano baseadas no conhecimento espontâneo. Esta
ruptura epistemológica, teorizada por Gaston Bachelard e desenvolvida por Pierre
Bourdieu, constitui um imperativo metodológico fundamental para a construção do
conhecimento científico no domínio social. A necessidade desta ruptura deriva do facto
de os fenómenos sociais fazerem parte da experiência quotidiana dos investigadores,
criando o risco de confundir conhecimento científico com conhecimento do senso
comum.

O senso comum caracteriza-se por ser um conhecimento imediato, não crítico e


frequentemente baseado em generalizações apressadas e estereótipos. Embora o senso
comum possa conter elementos de verdade e seja útil para a navegação quotidiana na
vida social, não possui o rigor metodológico nem a fundamentação teórica necessários
para constituir conhecimento científico. A ruptura com o senso comum não implica o
seu desprezo total, mas sim a sua submissão a um exame crítico sistemático.

Nunes (2005) sublinha que esta ruptura não significa desprezar o conhecimento prático
dos actores sociais, mas sim submeter as pré-noções e representações comuns a um
exame crítico sistemático. O investigador deve manter uma vigilância epistemológica
constante para evitar que os preconceitos e estereótipos contaminem a análise científica.
Esta vigilância epistemológica implica uma atitude de suspeita metódica em relação às
evidências aparentes e às explicações espontâneas dos fenómenos sociais.

A ruptura com o senso comum é particularmente desafiante nas Ciências Sociais porque
o investigador faz parte da mesma realidade social que estuda. Esta proximidade entre
sujeito e objecto de estudo cria riscos específicos de contaminação do conhecimento
científico pelo senso comum. O investigador social deve, por isso, desenvolver
estratégias metodológicas específicas para manter a distância crítica necessária à
produção de conhecimento científico.

No contexto moçambicano, esta questão assume particular relevância face à persistência


de visões estereotipadas sobre as culturas tradicionais africanas. Durante o período
colonial, as culturas africanas foram frequentemente descritas através de estereótipos
11

depreciativos que as apresentavam como primitivas, irracionais ou atrasadas. Estes


estereótipos coloniais continuam, infelizmente, a influenciar as representações sobre as
culturas africanas, incluindo as moçambicanas.

Como observa Ngoenha (1998), a construção de uma identidade moçambicana autêntica


exige o questionamento de representações coloniais e pós-coloniais que reduzem a
diversidade cultural moçambicana a esquemas simplificadores. A Antropologia Cultural
pode desempenhar um papel importante na desconstrução destes estereótipos, através da
produção de conhecimento rigoroso e respeitoso sobre as culturas moçambicanas.

A ruptura com o senso comum no contexto moçambicano implica também o


questionamento de visões essencialistas da cultura que apresentam as tradições culturais
como imutáveis e homogéneas. As culturas moçambicanas, como todas as culturas
humanas, são dinâmicas e heterogéneas, caracterizando-se por processos contínuos de
mudança e adaptação. A investigação antropológica deve, por isso, evitar as visões
estáticas da cultura e procurar compreender os processos de transformação cultural.

A vigilância epistemológica no contexto moçambicano deve também estar atenta aos


riscos de etnocentrismo, isto é, à tendência para avaliar outras culturas a partir dos
critérios da própria cultura. O etnocentrismo pode levar a julgamentos depreciativos
sobre as culturas estudadas e impedir a compreensão adequada dos seus valores e
práticas. A Antropologia Cultural desenvolveu o conceito de relativismo cultural como
antídoto contra o etnocentrismo, defendendo que cada cultura deve ser compreendida
nos seus próprios termos.

A ruptura com o senso comum implica também o desenvolvimento de uma linguagem


científica rigorosa que permita descrever e analisar os fenómenos sociais com precisão.
Esta linguagem científica deve ser capaz de captar as nuances e complexidades dos
fenómenos estudados, evitando as simplificações e generalizações do senso comum.

No contexto da investigação antropológica em Moçambique, a ruptura com o senso


comum assume também uma dimensão política, na medida em que contribui para a
desconstrução de representações coloniais e para a valorização das culturas
moçambicanas. A produção de conhecimento científico rigoroso sobre as culturas
12

moçambicanas constitui um contributo importante para a afirmação da dignidade e do


valor das tradições culturais do país.

5. A Antropologia Cultural no Domínio das Ciências Sociais

5.1 Definição e Especificidade

A Antropologia Cultural define-se como a ciência que estuda o homem e a sua cultura,
analisando as diferentes formas de organização social, sistemas de crenças, práticas
rituais, estruturas de parentesco e modos de vida das sociedades humanas. Segundo
Hoebel e Frost (s/d), a Antropologia Cultural procura compreender a diversidade
cultural humana e os processos através dos quais as culturas se formam, transformam e
reproduzem ao longo do tempo. Esta definição ampla reflecte a amplitude do campo de
estudos da Antropologia Cultural e a sua preocupação central com a compreensão da
diversidade cultural da humanidade.

A especificidade da Antropologia Cultural no conjunto das Ciências Sociais reside em


várias características distintivas que a diferenciam de outras disciplinas. Em primeiro
lugar, a Antropologia Cultural adopta uma perspectiva holística, procurando
compreender as culturas como totalidades integradas em que todos os elementos se
encontram interrelacionados. Esta perspectiva holística contrasta com abordagens mais
especializadas que se centram em aspectos particulares da vida social.

Marconi e Presotto (2006) sublinham que a especificidade da Antropologia Cultural


reside na sua abordagem holística e comparativa, procurando compreender as culturas
como totalidades integradas e estabelecer comparações entre diferentes sistemas
culturais. A perspectiva comparativa é fundamental para a Antropologia Cultural,
permitindo identificar tanto as universalidades quanto as particularidades das diferentes
culturas humanas.

A Antropologia Cultural distingue-se também pela sua preocupação com as sociedades


não-ocidentais e com as culturas tradicionais, embora nas últimas décadas tenha
alargado o seu campo de estudos para incluir também as sociedades complexas e
urbanas. Esta preocupação inicial com as sociedades tradicionais contribuiu para o
desenvolvimento de métodos de investigação específicos, nomeadamente a etnografia e
o trabalho de campo prolongado.
13

Outra característica distintiva da Antropologia Cultural é a sua ênfase nos aspectos


simbólicos e significativos da vida social. A Antropologia Cultural interessa-se não
apenas pelos comportamentos observáveis, mas também pelos significados que os
actores sociais atribuem às suas práticas e representações. Esta dimensão interpretativa
da Antropologia Cultural coloca-a numa posição particular no conjunto das Ciências
Sociais.

A Antropologia Cultural caracteriza-se também pela sua sensibilidade à diversidade


cultural e pela rejeição de visões etnocêntricas que hierarquizam as culturas. O
desenvolvimento do conceito de relativismo cultural constituiu um contributo
importante da Antropologia Cultural para as Ciências Sociais, defendendo que cada
cultura deve ser compreendida nos seus próprios termos e não avaliada a partir dos
critérios de outras culturas.

No contexto moçambicano, a especificidade da Antropologia Cultural assume particular


relevância dada a diversidade cultural do país. Moçambique caracteriza-se pela
coexistência de múltiplas tradições culturais, desde as culturas bantu tradicionais até às
influências árabes, indianas e europeias. Esta diversidade cultural cria um campo de
estudos privilegiado para a Antropologia Cultural e exige abordagens teóricas e
metodológicas capazes de captar a sua complexidade.

5.2 Objecto de Estudo

O objecto de estudo da Antropologia Cultural é a cultura, entendida como o conjunto de


conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e outras capacidades e hábitos
adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Este conceito amplo de cultura,
desenvolvido inicialmente pelo antropólogo Edward Tylor, permite à Antropologia
abordar uma vasta gama de fenómenos sociais e culturais. A cultura, nesta perspectiva,
engloba todas as dimensões da vida social que são aprendidas e transmitidas
socialmente, distinguindo-se assim dos aspectos biológicos da existência humana.

A cultura, como objecto de estudo da Antropologia Cultural, não deve ser compreendida
como uma entidade estática ou homogénea, mas antes como um sistema dinâmico e
complexo que se transforma continuamente através da interacção social. As culturas são
14

sistemas abertos que se modificam através do contacto com outras culturas, da inovação
interna e da adaptação a novas circunstâncias históricas.

Rivière (2000) destaca que a Antropologia Cultural se interessa particularmente pelas


sociedades "tradicionais" ou "primitivas", mas também pelas culturas urbanas
contemporâneas, procurando compreender os processos de mudança cultural e as
dinâmicas de contacto entre culturas diferentes. Esta evolução do objecto de estudo da
Antropologia Cultural reflecte as transformações da própria disciplina e a sua adaptação
às mudanças do mundo contemporâneo.

No contexto moçambicano, o objecto de estudo da Antropologia Cultural assume


características específicas relacionadas com a diversidade cultural do país. As culturas
moçambicanas caracterizam-se pela sua diversidade étnica e linguística, pela
coexistência de tradições culturais diferentes e pelos processos de sincretismo cultural
decorrentes dos contactos históricos entre diferentes povos.

A cultura moçambicana contemporânea resulta da interacção complexa entre tradições


africanas ancestrais, influências árabes decorrentes dos contactos comerciais seculares,
influências indianas relacionadas com a presença de comunidades de origem indiana, e
influências europeias resultantes da colonização portuguesa. Esta multiculturalidade
constitui uma característica fundamental da cultura moçambicana e um desafio para a
investigação antropológica.

5.3 Campos de Abordagem

A Antropologia Cultural abrange diversos campos de estudo especializados, cada um


dos quais se centra em aspectos específicos da vida cultural e social. Esta especialização
interna da disciplina reflecte a complexidade do seu objecto de estudo e permite uma
análise mais aprofundada de diferentes dimensões da cultura.

A Antropologia do Parentesco constitui um dos campos mais desenvolvidos da


disciplina, estudando os sistemas de parentesco, casamento e organização familiar. Este
campo de estudos analisa as regras que governam as relações familiares, os sistemas de
descendência, as práticas matrimoniais e as estruturas de autoridade familiar. No
contexto moçambicano, a Antropologia do Parentesco assume particular importância
15

dada a diversidade dos sistemas de parentesco existentes no país, desde sistemas


patrilineares até sistemas matrilineares.

A Antropologia Religiosa constitui outro campo importante, analisando os sistemas de


crenças, rituais e práticas religiosas. Este campo de estudos interessa-se pelos mitos,
rituais, práticas mágicas, sistemas de crenças e formas de organização religiosa. Em
Moçambique, a Antropologia Religiosa tem um campo de estudos particularmente rico,
dada a diversidade de tradições religiosas existentes no país, incluindo religiões
tradicionais africanas, cristianismo, islamismo e movimentos sincréticos.

A Antropologia Política examina as formas de organização política e sistemas de poder,


analisando as estruturas de autoridade, os mecanismos de tomada de decisão e as formas
de exercício do poder nas diferentes sociedades. Este campo de estudos é
particularmente relevante no contexto moçambicano, onde coexistem sistemas de
autoridade tradicionais com estruturas políticas modernas.

A Antropologia Económica investiga os sistemas económicos e formas de produção,


distribuição e consumo, analisando as diferentes formas de organização económica e as
relações entre economia e cultura. Em Moçambique, este campo de estudos pode
contribuir para a compreensão dos sistemas económicos tradicionais e da sua
articulação com a economia moderna.

A Antropologia Simbólica analisa os sistemas de símbolos e significados culturais,


procurando compreender como as sociedades constroem e partilham significados
através de símbolos, rituais e narrativas. Este campo de estudos é fundamental para a
compreensão das dimensões simbólicas da cultura moçambicana.

6. Métodos e Técnicas de Investigação em Antropologia

6.1 Etnografia

A etnografia constitui o método fundamental da Antropologia Cultural, consistindo na


descrição densa das culturas estudadas através de um trabalho de investigação
prolongado e intensivo. Como sublinha Burgess (1997), a etnografia não é apenas uma
técnica de recolha de dados, mas uma forma específica de conhecimento que procura
16

compreender as culturas do ponto de vista dos seus próprios membros, adoptando uma
perspectiva émicaca que privilegia os significados internos da cultura estudada.

A etnografia antropológica caracteriza-se pela sua natureza qualitativa e interpretativa,


procurando captar os significados que os actores sociais atribuem às suas práticas e
representações. Este método exige uma imersão prolongada no terreno de estudo e uma
familiarização íntima com a cultura estudada, permitindo ao investigador aceder a níveis
de compreensão que não seriam possíveis através de outros métodos de investigação.

O método etnográfico desenvolve-se através de várias etapas que incluem a preparação


da investigação, o trabalho de campo, a recolha e análise de dados, e a redacção do texto
etnográfico. Cada uma destas etapas apresenta desafios específicos e exige
competências particulares por parte do investigador.

A preparação da investigação etnográfica inclui a definição do problema de


investigação, a revisão da literatura relevante, a preparação logística da investigação e a
reflexão sobre as questões éticas envolvidas no estudo. Esta fase preparatória é
fundamental para o sucesso da investigação etnográfica e deve ser cuidadosamente
planeada.

O trabalho de campo constitui o momento central da investigação etnográfica,


caracterizando-se pela presença prolongada do investigador no contexto social estudado.
Durante o trabalho de campo, o investigador recolhe dados através de diversas técnicas,
incluindo observação participante, entrevistas, recolha de histórias de vida e análise de
documentos.

A análise dos dados etnográficos constitui um processo complexo que se desenvolve


simultaneamente com a recolha de dados. O investigador deve procurar identificar
padrões significativos nos dados recolhidos e desenvolver interpretações teóricas que
permitam compreender a cultura estudada.

A redacção do texto etnográfico representa o momento final da investigação, em que o


investigador deve traduzir a experiência vivida no terreno num texto científico que
comunique os resultados da investigação à comunidade académica e ao público em
geral.
17

6.2 Trabalho de Campo

O trabalho de campo constitui a experiência fundamental da formação antropológica e o


momento privilegiado da produção de conhecimento etnográfico. Iturra (1987) define o
trabalho de campo como a prática de investigação que consiste na deslocação do
investigador ao contexto social que pretende estudar, estabelecendo uma relação directa
e prolongada com as pessoas e situações que constituem o objecto de investigação.

O trabalho de campo antropológico distingue-se de outras formas de investigação social


pela sua duração prolongada, pela intensidade da relação estabelecida entre investigador
e investigados, e pela abrangência da investigação. Enquanto outros métodos de
investigação social podem limitar-se a aspectos específicos da vida social, o trabalho de
campo antropológico procura uma compreensão global da cultura estudada.

Burgess (1997) sublinha que o trabalho de campo não é apenas uma técnica de recolha
de dados, mas uma experiência de socialização que transforma o próprio investigador.
Esta dimensão formativa do trabalho de campo é particularmente importante na tradição
antropológica, constituindo uma experiência de iniciação que marca profundamente a
identidade profissional do antropólogo.

O trabalho de campo implica uma série de desafios práticos e metodológicos que o


investigador deve saber gerir. A entrada no terreno constitui um momento
particularmente delicado, em que o investigador deve estabelecer relações de confiança
com as pessoas que pretende estudar e negociar o seu papel no contexto social.

A duração do trabalho de campo varia em função dos objectivos da investigação e das


circunstâncias específicas, mas tradicionalmente a Antropologia privilegia períodos
prolongados de investigação que permitam uma familiarização aprofundada com a
cultura estudada. Esta duração prolongada é considerada necessária para superar as
impressões superficiais e aceder a uma compreensão mais profunda da cultura.

O trabalho de campo coloca também questões éticas importantes relacionadas com o


respeito pelos direitos das pessoas estudadas, a confidencialidade dos dados recolhidos e
a reciprocidade na relação entre investigador e investigados. Estas questões éticas
devem ser cuidadosamente consideradas pelo investigador e podem influenciar
significativamente o desenvolvimento da investigação.
18

6.3 Observação Participante

A observação participante constitui a técnica central do trabalho de campo


antropológico, caracterizando-se pela combinação da observação sistemática com a
participação directa do investigador na vida quotidiana do grupo estudado. Segundo
Iturra (1987), esta técnica consiste na participação directa do investigador na vida
quotidiana do grupo estudado, combinando a observação sistemática com a participação
nas actividades sociais, o que permite uma compreensão mais profunda e
contextualizada dos fenómenos culturais.

A observação participante baseia-se no princípio de que a compreensão adequada de


uma cultura exige não apenas a sua observação externa, mas também a experiência
directa dos seus modos de vida. Esta técnica permite ao investigador aceder a
informações que não seriam obtidas através de outros métodos, nomeadamente os
aspectos não verbais da cultura, as práticas quotidianas que os actores consideram
evidentes e não verbalizam espontaneamente, e as dinâmicas subtis das relações sociais.

A prática da observação participante exige do investigador uma capacidade de


adaptação cultural que lhe permita integrar-se no contexto estudado sem perder a sua
identidade de investigador. Esta dupla condição - de participante e observador -
constitui um dos aspectos mais desafiantes da técnica, exigindo um equilíbrio delicado
entre envolvimento e distanciamento.

A observação participante desenvolve-se através de diferentes graus de participação,


que podem variar desde a observação discreta até à participação plena nas actividades
do grupo. O grau de participação adequado depende dos objectivos da investigação, das
características do contexto estudado e das possibilidades de integração do investigador.

Esta técnica coloca questões metodológicas e éticas importantes, nomeadamente a


tensão entre envolvimento e distanciamento, entre subjectividade e objectividade. O
investigador deve manter um equilíbrio delicado entre a necessária proximidade com o
grupo estudado e o distanciamento crítico exigido pela análise científica. Esta tensão é
inerente à técnica e deve ser gerida com cuidado pelo investigador.

A observação participante exige também uma reflexividade constante por parte do


investigador, que deve estar consciente do impacto da sua presença no contexto
19

estudado e das formas como a sua identidade social e cultural influencia as suas
observações e interpretações.

No contexto moçambicano, a observação participante assume características específicas


relacionadas com a diversidade cultural do país e com as questões de poder e identidade
que atravessam a sociedade moçambicana. O investigador deve estar particularmente
atento às questões de género, idade, estatuto social e origem étnica que podem
influenciar o seu acesso a diferentes contextos e informações.

6.4 Interpretação

A interpretação constitui o momento culminante do processo etnográfico, consistindo na


atribuição de sentido aos dados recolhidos no terreno através de um processo complexo
de análise e síntese teórica. Kilani (1994) sublinha que a interpretação antropológica
não consiste numa simples descrição da realidade observada, mas numa construção
teórica que procura compreender os significados culturais e as lógicas internas dos
sistemas culturais estudados.

A interpretação antropológica caracteriza-se pela sua natureza hermenêutica,


procurando compreender as culturas como sistemas de significados que devem ser
decifrados e interpretados pelo investigador. Esta abordagem interpretativa exige do
antropólogo uma sensibilidade particular aos aspectos simbólicos da vida social e uma
capacidade de compreender os significados implícitos das práticas culturais.

O processo de interpretação desenvolve-se através de várias etapas que incluem a


organização dos dados recolhidos, a identificação de padrões significativos, a
formulação de hipóteses interpretativas e a sua validação através do confronto com os
dados empíricos. Este processo não é linear, caracterizando-se antes por um movimento
circular entre dados empíricos e construção teórica.

A interpretação antropológica exige uma reflexividade constante sobre o próprio


processo de conhecimento e sobre a relação entre investigador e investigado. O
antropólogo deve estar consciente de que a sua interpretação é influenciada pela sua
posição social, pela sua formação teórica e pelas suas experiências pessoais.
20

A validação das interpretações antropológicas constitui um desafio particular, dado que


os fenómenos culturais não podem ser submetidos aos mesmos critérios de verificação
que caracterizam as ciências naturais. A Antropologia desenvolveu critérios específicos
de validação que incluem a coerência interna da interpretação, a sua adequação aos
dados empíricos e a sua capacidade de produzir compreensões novas e significativas.

No contexto moçambicano, a interpretação antropológica deve estar particularmente


atenta às questões de poder e dominação que atravessam a sociedade moçambicana. O
investigador deve evitar interpretações que reproduzam estereótipos coloniais ou que
ignorem as dimensões políticas das práticas culturais.
21

7. Conclusão

A Antropologia Cultural constitui uma disciplina fundamental para a compreensão das


realidades moçambicanas, oferecendo instrumentos teóricos e metodológicos essenciais
para a análise da diversidade cultural do país. O desenvolvimento desta disciplina em
Moçambique tem sido marcado pela necessidade de conciliar rigor científico com
relevância social, procurando contribuir para a resolução dos desafios colocados pela
construção de uma sociedade moçambicana moderna e inclusiva.

A análise dos fundamentos teóricos e metodológicos da Antropologia Cultural revela a


sua especificidade no conjunto das Ciências Sociais e a sua particular adequação ao
estudo das sociedades culturalmente diversas como Moçambique. A perspectiva
holística, comparativa e interpretativa da Antropologia Cultural oferece instrumentos
valiosos para a compreensão das culturas moçambicanas na sua complexidade e
dinamismo.

Em conclusão, a Antropologia Cultural representa uma ferramenta indispensável para a


compreensão da sociedade moçambicana e para a construção de um futuro que valorize
a diversidade cultural como fonte de riqueza e desenvolvimento. O seu desenvolvimento
continuado constitui um investimento estratégico na formação intelectual do país e na
preservação da sua identidade cultural. A disciplina pode contribuir significativamente
para o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre as realidades moçambicanas e
para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva que respeite e valorize a sua
diversidade cultural.
22

8. Referências Bibliográficas

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