Maquinas Termicas
Maquinas Termicas
TÉRMICAS
EAD
DIRIGENTES FICHA TÉCNICA
| PRESIDÊNCIA | AUTOR
Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève Prof. Me. Marciel Viapiana
| PROJETO GRÁFICO
| DIRETORIA DE ENSINO Esp. Janaína de Sá Lorusso
Profª. Me. Daniela Ferreira Correa Esp. Cinthia Durigan
| ORGANIZAÇÃO
NEAD (Núcleo de Educação a Distância) -
UniBrasil
| IMAGENS
Shutterstock
EAD
EDIÇÃO: MAIO/2023
SUMÁRIO
01
MÁQUINAS TÉRMICAS
E O CICLO RANKINE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
VÍDEOS DA UNIDADE
UNIDADE 01
aplicadas no processo produtivo, aumentando a capacidade produtiva. Desde então, a aplicação
destes dispositivos teve sua escala aumentada, atualmente, são empregadas em diversas áreas,
como meios de transporte, processos de fabricação, máquinas industriais e geração de energia.
Com o aumento da aplicação das máquinas térmicas, surgiu a necessidade do desenvolvimen-
to das áreas de metalurgia, materiais e processos de fabricação, considerando, principalmente, a
sua aplicação e eficiência energética, que requerem propriedades cada vez melhores dos materiais
6
VÍDEO
As primeiras máquinas térmicas não eram dispositivos de grande tecnologia, mas sim equipa-
mentos simples com o intuito de realizar atividades simples. O primeiro veículo movido a vapor
UNIDADE 01
foi construído em 1769 por Nicholas Josef Cugnot, dotado de uma caldeira alimentada a lenha,
usava vapor para deslocar êmbolos, que promoviam a rotação da roda dianteira por um sistema
mecânico de catracas. Uma réplica do mesmo foi construída e é apresentada em funcionamento
em raros desfiles históricos, veja o vídeo para mais detalhes do veículo.
Disponível em: [Link] Acesso em 25 out. 2022.
7
Segundo Borgnakke e Sonntag (2018), o termo “máquina térmica” ou “motor térmico” é frequen-
temente utilizado para designar todos os dispositivos que produzem trabalho através da transferência
de calor ou combustão, mesmo que não opere em um ciclo termodinâmico. Os motores de combus-
tão interna e as turbinas a gás são exemplos de dispositivos que podem ser chamados de motores
térmicos, mas não operam em um ciclo termodinâmico, pois o fluido de trabalho não passa por um
UNIDADE 01
ciclo completo. Segundo Çengel e Boles (2013), estes dispositivos operam em um ciclo mecânico.
Para melhor compreensão do funcionamento de uma máquina térmica, utiliza-se a usina de
potência a vapor como exemplo, tal como ilustrado na Figura 3. A usina de potência a vapor apre-
sentada pode ser classificada como uma máquina de combustão externa, pois a queima ocorre fora
do ciclo, agindo apenas como fonte de calor para o vapor na região da caldeira.
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No diagrama esquemático apresentado podemos observar as grandezas de iteração de calor e
trabalho, cujos significados são:
• Qent = quantidade de calor fornecida ao fluido de trabalho na fonte de calor a alta tempera-
tura. No caso da caldeira, a combustão de lenha é responsável por tal fornecimento.
UNIDADE 01
• Qsai = Quantidade de calor descarregada na fonte fria, a baixa temperatura. No exemplo ilus-
trado isto ocorre em um condensador, que consiste em um trocador de calor onde o fluido
de trabalho é refrigerado pela passagem de ar ou água de rios ou lagos.
• Wsai = Trabalho realizado pelo vapor ao passar pela turbina, convertendo energia térmica do
fluido em energia mecânica de rotação.
• Went = trabalho necessário para que a bomba ou compressor eleve a pressão da água até a
9
A eficiência térmica é então definida por:
UNIDADE 01
Da mesma maneira que as máquinas térmicas, as bombas de calor e os refrigeradores operam
entre dois meios, um a alta temperatura e outro a baixa temperatura. Para facilitar então a represen-
tação destes fluxos de calor, que dependendo do dispositivo pode estar se deslocando para o fluido
de trabalho ou do fluido de trabalho, utiliza-se QH para representar a magnitude do calor transferido
na fonte quente e QL para representar a magnitude do calor transferido na fonte fria, independente
do sentido em que ocorrem. As equações (2) e (3) podem ser escritas utilizando também QH e QL.
Figura 4 - Exemplo 1
10
De acordo com a equação (2), Wliq,sai = Qent – Qsai, logo:
UNIDADE 01
̇
𝑊𝑙𝑖𝑞,𝑠𝑎𝑖 30 𝑀𝑊
𝜂𝑡 = = = 0,375 ∴ 𝟑𝟕, 𝟓%
𝑄𝐻̇ 80 𝑀𝑊
Ou seja, apenas 37,5% do calor recebido pela máquina térmica é convertido em trabalho,
enquanto o restante é descartado em rios e lados.
𝑇𝐿
𝜂𝑚á𝑥 = 1 − (4)
𝑇𝐻
Vários são os dispositivos capazes de converter energia térmica em trabalho de eixo, e entre eles,
a aplicação de vapor como fluido de trabalho é a decisão mais amplamente utilizada.
Nos ciclos que operam com vapor, é necessário analisarmos as trocas de calor que ocorrem
em cada porção do sistema, desde o mecanismo de recebimento de energia na fonte quente, a
conversão de energia em trabalho, o descarte de energia em um sumidouro e a compressão para
reinício do ciclo.
É de conhecimento amplo na termodinâmica que o ciclo considerado genericamente ideal é
o ciclo de Carnot, porém para trabalhar continuamente com vapor em um sistema fechado, este
apresenta algumas complicações relacionadas à troca de temperatura, título da mistura durante a
expansão na turbina e elevadas pressões na etapa de compressão. Desta forma, a aproximação de
um sistema real pelo ciclo de Carnot não é realista, logo, inadequada.
Para isto, utilizaremos o ciclo de Rankine, considerado o ciclo ideal de potência utilizando vapor
como fluido de trabalho.
2. CICLO RANKINE
Citados os problemas do ciclo de Carnot ao trabalhar com vapor, segundo Çengel e Boles (2013),
podemos afirmar que muitos deles se resolvem no ciclo de Rankine ao se superaquecer o vapor de
11
água na caldeira e condensá-lo completamente no condensador, de acordo com o diagrama tem-
peratura-entropia da Figura 5 que resulta no denominado Ciclo de Rankine. Mas antes é prudente
descrever melhor em que consiste tal ciclo.
Segundo Borgnakke e Sonntag (2018), o Ciclo de Rankine ideal é composto por quatro proces-
sos internamente reversíveis:
UNIDADE 01
• 1 → 2: Compressão isentrópica pela bomba
• 2 → 3: Transferência de calor a pressão constante em uma caldeira
• 3 → 4: Expansão isentrópica em uma turbina
• 4 → 1: Transferência de calor a pressão constante no condensador
12
O vapor superaquecido (estado 3) entra na turbina, onde se expande em um processo isentró-
pico e produz trabalho, geralmente através de um gerador acoplado em seu eixo. Após a passagem
pela turbina, devido à redução da pressão e da temperatura do fluido de trabalho, este se encontra
como uma mistura de líquido e vapor saturados, com título elevado (estado 4).
O condensador, por fim, recebe o fluido de trabalho como no estado 4 e promove sua condensa-
UNIDADE 01
ção a pressão constante, levando o fluido ao estado 1, onde há apenas líquido saturado novamente
e o ciclo se reinicia. O condensador, assim como a caldeira, é um grande trocador de calor, com a
diferença que sua responsabilidade é remover calor do fluido de trabalho e descarregar em meios
como rios, lagos ou atmosfera.
É de conhecimento que a área sobre uma curva temperatura-entropia representa o calor trans-
ferido em um processo internamente reversível. Portanto, a área sob a curva do processo 2 → 3
(𝑉𝑒2 − 𝑉𝑠2 )
0 = 𝑄̇𝑣𝑐 − 𝑊̇𝑣𝑐 + 𝑚̇ ℎ 𝑒 − ℎ 𝑠 + + 𝑔 𝑧𝑒 − 𝑧𝑠 (5)
2
onde:
Q̇ vc = Taxa de transferência de calor para o volume de controle.
Ẇvc =Trabalho realizado sobre o volume de controle.
ṁe = fluxo de massa do escoamento.
he e hs = entalpias na entrada e na saída do volume de controle, respectivamente.
Ve e Vs = velocidade do fluido na entrada e na saída do volume de controle, respectivamente.
z e e z s = posição vertical da entrada e da saída do escoamento no volume de controle,
respectivamente.
13
Sabe-se que as variações de energia cinética e potencial do vapor nos dispositivos do ciclo de
Rankine são muito pequenas quando comparadas as demais grandezas, por isso, são geralmente
desprezadas. Desta forma, a equação da energia a ser aplicada passa a ser a forma compacta, já
por unidade de massa de vapor:
UNIDADE 01
𝑞𝑒𝑛𝑡 − 𝑞𝑠𝑎𝑖 + 𝑤𝑒𝑛𝑡 − 𝑤𝑠𝑎𝑖 = ℎ 𝑠𝑎𝑖 − ℎ 𝑒𝑛𝑡 (6)
Esta equação utiliza apenas grandezas de energia por unidade de massa (kJ/kg).
Entre os dispositivos envolvidos no ciclo, o condensador e a caldeira não envolvem interações
de trabalho, sendo estes isentrópicos. A equação da conservação de energia para a caldeira é então
𝑞𝑐𝑎𝑙𝑑,𝑒𝑛𝑡 = ℎ 3 − ℎ 2 (7)
𝑞𝑐𝑜𝑛𝑑,𝑠𝑎𝑖 = ℎ 4 − ℎ 1 (8)
𝑤𝑡𝑢𝑟𝑏,𝑠𝑎𝑖 = ℎ 3 − ℎ 4 (9)
𝑤𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎,𝑒𝑛𝑡 = ℎ 2 − ℎ 1 (10)
𝑤𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎,𝑒𝑛𝑡 = 𝜈 𝑃2 − 𝑃1 (11)
Exemplo 2 (Çengel e Boles, 2013): Considere uma usina de potência a vapor de água que
opera segundo o ciclo de Rankine simples ideal. O vapor entra na turbina a 3 MPa e 350 °C e é
condensado no condensador à pressão de 75 kPa. Determine a eficiência térmica desse ciclo.
14
Figura 6 - Exemplo 2
UNIDADE 01
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Çengel e Boles (2013).
Solução: inicialmente observamos que a instalação opera de acordo com o ciclo ideal de
Rankine, então as equações (7) a (15) podem ser utilizadas para o balanço de energia em
cada dispositivo. Podemos considerar também que a bomba e a turbina operam de forma
isentrópica, enquanto o condensador e a caldeira operam a pressão constante.
A obtenção da eficiência térmica requer, segundo a equação (3), o cálculo das quantidades
de calor transferidas pelas fontes quente e fria, ou ao menos a energia fornecida pela fonte
quente e o trabalho líquido do ciclo. Para qualquer das opções, os estados 1 a 4 devem ter
suas propriedades conhecidas, para que os balanços de energia sejam aplicados.
Para determinar as propriedades dos fluidos, valores tabelados são necessários. Vários con-
juntos de tabelas de propriedades estão disponíveis na bibliografia, para este exercício, onde
vapor d’água é utilizado, Çengel e Boles (2013) disponibilizam as tabelas A-4 a A-8 em seus
anexos, das quais serão utilizadas A-4, A-5 e A-6, que representam as propriedades da mis-
tura saturada com entradas em temperatura e pressão, e as propriedades para o vapor su-
peraquecido, respectivamente.
Estado 1 - líquido saturado a 75 kPa. Pela tabela A-5:
Estado 2 - líquido a 3 MPa (P2 = P3, s2 = s1). Pelas equações (15) e (10):
15
Estado 3 - Vapor superaquecido a 3 MPa e 350 °C: Pela tabela A-6
𝒉𝟑 = 𝟑𝟏𝟏𝟔, 𝟏 𝒌𝑱/𝒌𝒈
𝑠3 = 6,7450 𝑘𝐽/𝑘𝑔
UNIDADE 01
Estado 4 - Mistura saturada a 75 kPa. Por termos uma mistura, o título deve ser calculado
primeiramente, para a obtenção da entalpia da mistura. Pela tabela A-5, associando as in-
formações do estado 3, já que s4 = s3:
𝑠4 − 𝑠𝑙 6,7450 − 1,2132
𝑥4 = = = 0,8861
𝑠𝑙𝑣 6,2426
O cálculo da eficiência térmica pode agora ser realizado por duas formas da equação (3):
𝑞𝑠𝑎𝑖 𝑞𝑐𝑜𝑛𝑑,𝑠𝑎𝑖 2018,6
𝜂𝑡 = 1 − = 1− = 1− = 0,260 ∴ 𝟐𝟔%
𝑞𝑒𝑛𝑡 𝑞𝑐𝑎𝑙𝑑,𝑒𝑛𝑡 2728,6
De forma que:
𝑤𝑙í𝑞 710,1
𝜂𝑡 = = = 0,260 ∴ 𝟐𝟔%
𝑞𝑒𝑛𝑡 2728,6
Note que este sistema opera de acordo com o ciclo ideal de Rankine, em condições reais
devido às irreversibilidades existentes, a eficiência térmica será menor que este valor.
16
REFLITA
UNIDADE 01
que se faz é: esta eficiência poderia ser elevada?
Teoricamente sim, mas dentro de um limite. O ciclo de Rankine é o ideal para lidar com vapor,
maior eficiência seria possível se aplicássemos o ciclo de Carnot, mas este não é prático devido a
fenômenos já descritos.
O ciclo de Carnot apresentaria a maior eficiência térmica possível entre estes dois reservatórios,
valor que pode ser calculado a partir das temperaturas, tal como a equação (4) apresenta:
Repare que a temperatura do ambiente frio (91,76 °C) pode ser obtida na tabela de proprieda-
des como a temperatura na qual o fluido de trabalho se encontra nas condições existentes no
condensador.
17
Figura 7 - Efeito da pressão na caldeira no ciclo Rankine
UNIDADE 01
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Borgnakke e Sonntag (2018).
Segundo Moran (2018), o ciclo com reaquecimento objetiva tirar proveito do aumento de efi-
ciência promovido pela elevação da pressão na caldeira, enquanto evita um título baixo do vapor
na saída da turbina.
O ciclo com reaquecimento consiste basicamente em promover a expansão do fluido de traba-
lho em duas etapas, com nova passagem do fluido pela caldeira. A primeira etapa é realizada por
uma turbina de alta pressão, o fluido como vapor superaquecido se expande até um estado inter-
mediário entre a caldeira e o condensador, então retorna a caldeira (gerador de vapor), para um
novo aquecimento a pressão constante, para então passar pela segunda turbina, a de baixa pres-
são, onde a expansão ocorre até a pressão e temperatura do condensador.
18
Exemplo 3 (Moran, 2018): O vapor d’água é o fluido de trabalho em um ciclo ideal de Ranki-
ne com reaquecimento. O vapor entra na turbina do primeiro estágio a 8,0 MPa e 480 °C, e
se expande até 0,7 MPa. Em seguida, é reaquecido até 440 °C antes de entrar na turbina do
segundo estágio, onde se expande até a pressão do condensador de 0,008 MPa. A potência
UNIDADE 01
líquida na saída é de 100 MW. Determine:
a) A eficiência térmica do ciclo;
b) A vazão mássica do vapor, em kg/h;
c) A taxa de transferência de calor do vapor que condensa quando passa pelo condensador,
em MW.
Figura 9 - Exemplo 3
𝑘𝐽
ℎ 1 = 𝟑𝟑𝟒𝟖, 𝟒
𝑘𝑔
𝑘𝐽
𝑠1 = 6,6586
𝑘𝑔. 𝐾
19
Estado 2: Mistura saturada, p2 = 0,7 MPa e s2 = s1. Pode-se identificar o estado como uma
mistura (mesmo sem o diagrama fornecido), pois para esta pressão, a entropia está entre a
do líquido saturado (sf) e do vapor saturado (sg), então é necessário definir o título da mis-
tura. Pela tabela A-3:
𝑠2 − 𝑠𝑓 6,6586 − 1,9922
UNIDADE 01
𝑥2 = = = 0,9895
𝑠𝑔 − 𝑠𝑓 6,708 − 1,9922
𝑘𝐽
ℎ 3 = 𝟑𝟑𝟓𝟑, 𝟑
𝑘𝑔
𝑘𝐽
𝑠3 = 7,7571
𝑘𝑔. 𝐾
Estado 4: Mistura saturada, p4 = 0,008 MPa e s4 = s3. Pela tabela A-3, iniciando-se pela ob-
tenção do título:
𝑠4 − 𝑠𝑓 7,7571 − 0,5926
𝑥4 = = = 0,9382
𝑠𝑔 − 𝑠𝑓 8,2287 − 0,5926
𝑘𝐽
ℎ 5 = 𝟏𝟕𝟑, 𝟖𝟖
𝑘𝑔
Estado 6: Líquido comprimido com s6 = s5. Como se trata de líquido comprimido, é conve-
niente analisar este estado pela soma do estado 5 (cujo volume específico é ν = 1,0084 ×
10-3 m3/kg) com o trabalho da bomba, utilizando então a tabela A-3:
Agora que conhecemos todos os estados, podemos obter os valores solicitado pelo problema.
a) Para obter a eficiência térmica, precisamos da potência líquida do ciclo, assim como a
quantidade de calor recebido na fonte quente. A potência líquida desenvolvida pelo ciclo
consiste na soma das potências desenvolvidas nas turbinas subtraído da potência consumida
20
pela bomba. Até o momento os dados foram apresentados em termo de unidades de massa,
porém a potência requer uma análise completa, considerando o fluxo mássico. Desta forma:
Sendo a potência em cada dispositivo igual ao trabalho específico multiplicado pelo fluxo
UNIDADE 01
mássico. O trabalho específico em cada dispositivo foi apresentado anteriormente no balan-
ço de energia para cada dispositivo.
𝑊̇𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜 = 𝑚̇ ℎ 1 − ℎ 2 + ℎ 3 − ℎ 4 − ℎ 6 − ℎ 5
Já a quantidade de calor recebido na caldeira será a soma das transferências obtidas nas
𝑄̇𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 = 𝑚̇ ℎ 1 − ℎ 6 + ℎ 3 − ℎ 2
O fluxo mássico ainda é desconhecido, mas devido à eficiência ser obtida pela razão entre o
trabalho líquido e o calor transferido, esta variável não influenciará na eficiência:
𝑊̇𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜 ℎ1 − ℎ2 + ℎ3 − ℎ4 − ℎ6 − ℎ5
𝜂= = =
𝑄̇ 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 ℎ1 − ℎ6 + ℎ3 − ℎ2
b) A vazão mássica pode ser obtida a partir do dado do problema que diz que a potência lí-
quida do ciclo é de 100 MW:
ℎ1 − ℎ2 + ℎ3 − ℎ4 − ℎ6 − ℎ5
𝑚̇ =
𝑊̇𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜
O resultado deve ser convertido por o fluxo mássico ocorre por hora, sendo a taxa de trans-
ferência avaliada por segundo, resultando em Q̇ sai = 148 MW.
21
SAIBA MAIS
Os diagramas temperatura-entropia nem sempre estão disponíveis, cabe a nós saber desenvolvê-
-los, para isto, visite a seção 7.3 de Çengel e Boles (2013), disponível na Minha Biblioteca (https://
UNIDADE 01
[Link]/#/books/9788580552010/) para melhor compreender como
estes diagramas podem ser construídos, da mesma forma como as linhas de entalpia e pressão
constantes se expressam nestes diagramas.
ÇENGEL, Y.A.; BOLES, M.A. Termodinâmica. Grupo A, 2013.
22
O uso de regenerados reduz a aeração do fluido de trabalho que sai do condensador para evitar
corrosão da caldeira, além de utilizar parte do vapor no final do processo de expansão na turbina
como fonte de energia para o aquecimento do fluido de alimentação. Este vapor na saída da turbina
possui elevada vazão volumétrica devido à expansão e redução da pressão, não sendo totalmente
aproveitado para geração de trabalho, motivo pelo qual o uso do regenerador é amplamente utili-
UNIDADE 01
zado também para reaproveitar parte da energia do fluido que seria perdida.
Dentre os tipos de trocador de calor possíveis para os sistemas regenerativos, existem os siste-
mas abertos e os sistemas fechados, que serão descritos a seguir.
Neste ciclo, o fluido de trabalho passa por processo isentrópico na turbina e nas bombas, e por
processo isobárico no gerador de vapor, no condensador e no aquecedor de água de alimentação.
Analisando o ciclo, vemos que o vapor entra na turbina de primeiro estágio no estado 1 e se
expande até o estado 2, onde uma fração é removida para o aquecedor, que opera a esta “pres-
são de extração”, o restante do vapor continua sua expansão na turbina de segundo estágio até o
estado 3. A porção que atingiu o estado 3 é condensada para líquido saturado no estado 4, para
então ser bombeada até a pressão de extração no estado 5, para ser introduzida no aquecedor de
23
alimentação. A partir do aquecedor, apenas uma corrente de fluido existe, caracterizando o estado
6. A vazão mássica de líquido saturado advinda da primeira bomba (a baixa temperatura) somada a
vazão mássica de vapor advinda da extração da turbina (a alta temperatura) devem resultar em uma
única vazão de líquido saturado no estado 6, à pressão de extração. O líquido é então novamente
bombeado (bomba 2) até a pressão de entrada no gerador de vapor (ou caldeira), estando então
UNIDADE 01
no estado 7. Por fim, o fluido de trabalho é aquecido até o estado 1 na saída do gerador de vapor.
A análise do ciclo regenerativo com aquecedor aberto requer a consideração de dois fluxos de
massa saindo da turbina (ṁ2 e ṁ3), de tal forma que somados resultem no fluxo mássico que entra
neste dispositivo (ṁ1). Destes fluxos de massa, um representa a extração que segue para o aque-
cedor (ṁ2), enquanto o outro retorna para o segundo estágio da turbina (ṁ3).
Desta forma a análise de energia deve considerar a fração de fluido que se mantém na turbina,
𝑚̇2
𝑦= (12)
𝑚̇1
Desta forma, a fração do escoamento total que passa pelo segundo estágio da turbina será:
𝑚̇3
= 1 −𝑦 (13)
𝑚̇1
ℎ6 − ℎ5
𝑦= (14)
ℎ2 − ℎ5
O trabalho gerado pelo primeiro e pelo segundo estágios da turbina, assim como as trocas de
energia no condensador estão relacionados ao parâmetro de fração extraída, portanto, deve-se
tomar cuidado ao considerá-lo no balanço de energia.
Aquecedores de água de alimentação fechados também podem ser aplicados nos ciclos re-
generativos. Este tipo de aquecedor se difere do aberto por não promover a mistura dos fluidos,
tomando cada um deles um caminho distinto após passar pelo aquecedor. Os aquecedores fecha-
dos são basicamente trocadores de calor do tipo casca e tubos, nos quais a água de alimentação é
aquecida pela condensação de vapor nos tubos, sendo este extraído da turbina antes da entrada
24
no segundo estágio. O fato de os fluxos não se misturarem, permite diferentes pressões entre eles,
diferindo do que acontece nos aquecedores abertos, onde apenas uma câmara existe e logo, ape-
nas uma pressão é possível.
A Figura 12 apresenta uma representação esquemática de um ciclo de potência a vapor regene-
rativo que utiliza aquecedor de água de alimentação fechado, onde o vapor que se condensa pas-
UNIDADE 01
sa por um purgador (que permite apenas a passagem de líquido e impede a passagem de vapor)
e retorna para o condensador. A mesma figura apresenta o diagrama temperatura-entropia deste
ciclo para acompanhamento e compreensão.
Neste ciclo, ocorrem processos isentrópicos nas bombas e nos estágios da turbina, enquanto
processos isobáricos ocorrem no gerador de vapor, no condensador e no aquecedor.
Entre os estados 1 e 2 o fluido de trabalho passa pela turbina de primeiro estágio. A partir de
então, uma fração do escoamento é extraída para o aquecedor de água de alimentação fechado,
onde sofre condensação e sai do aquecedor como líquido saturado no estado 7. O fluido no estado
7 é purgado para o condensador no estado 8, onde é adicionado a fração total do escoamento, que
veio da turbina de segundo estágio e passou pela expansão completa até o estado 3. A expansão
entre os estados 7 e 8, passando pelo purgador, é um processo irreversível, por isso é representado
com uma linha tracejada no diagrama temperatura-entropia da Figura 12. Após a passagem pelo
condensador, tem-se líquido saturado no estado 4, sendo este bombeado até a pressão do gerador
de vapor para entrar no aquecedor de água de alimentação no estado 5. A temperatura da água
de alimentação é elevada ao passar pelo aquecedor, até o estado 6. O ciclo é completado quando
o fluido de trabalho entra no gerado de vapor no estado 6 e é aquecido a pressão constante até o
estado 1, onde o ciclo se reinicia.
25
A análise do ciclo com aquecedor fechado para a água de alimentação também requer, assim
como no caso do aquecedor aberto, a consideração de um parâmetro de fração y, que expressa a
parcela do fluido de trabalho que foi extraído entre as turbinas de estágio 1 e 2 para passar pelo
sistema de aquecimento. De forma análoga ao caso do aquecedor aberto, o balanço de energia
aplicado ao aquecedor de água de alimentação fechado permite obter uma relação entre a ental-
UNIDADE 01
pia dos estados do ciclo e a fração que é extraída:
ℎ6 − ℎ5
𝑦= (15)
ℎ2 − ℎ7
26
Também é valido citar que a aplicação de vários aquecedores está associada também a vários es-
tágios de extração de vapor da turbina, de forma que as pressões sejam selecionadas de acordo com
o trocador de calor utilizado em cada aquecedor a fim de reduzir as irreversibilidades do processo.
Outro exemplo ilustrativo de um sistema com vários estágios de extração e aquecimento é apre-
sentado na Figura 14, juntamente ao diagrama temperatura-entropia associado ao ciclo.
UNIDADE 01
Este caso tem particular importância, pois expressa os diversos fatores de fração de escoamento,
repare que para cada extração de fluido executada na turbina, um novo índice de fração é utilizado,
e com isso o balanço de energia deve ser analisado com extrema cautela, identificando no diagrama
esquemático o fluxo mássico que é direcionado para cada percurso do ciclo.
Da mesma forma, o diagrama temperatura-entropia passa a ter maior número de estados e pro-
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta Unidade foram apresentados conceitos cruciais sobre máquinas térmicas, entre
os quais a máxima eficiência possível de se obter princípios necessários para operação, além de
características termodinâmicas necessárias para a execução de um ciclo.
Para a execução de tais ciclos, se mostrou necessário abordar ciclos ideais amplamente utilizados
27
para modelar instalações industriais de potência a vapor, visto que este é o fluido de trabalho mais
amplamente utilizado pela sua abundância, custo e facilidade de operação.
Ao final desta Unidade, você deve ser capaz de interpretar diagramas termodinâmicos de ciclos,
compreender os processos pelos quais o fluido de trabalho passa durante a execução de um ciclo,
estimar os fluxos de energia em cada dispositivo através do balanço de energias e, por fim, calcular
UNIDADE 01
a potência que uma instalação é capaz de fornecer.
Em busca de melhoria na eficiência dos ciclos termodinâmicos, variações de propriedades e dis-
posição de componentes no ciclo ideal Rankine foram apresentadas, permitindo melhor compre-
ensão dos fenômenos que geram irreversibilidades ao longo dos processos.
Sistemas de reaquecimento de vapor e ciclos regenerativos são amplamente utilizados em ins-
ANOTAÇÕES
28
UNIDADE
02
REFRIGERADORES E
BOMBAS DE CALOR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
VÍDEOS DA UNIDADE
UNIDADE 02
perdas representam menores custos e maior sustentabilidade.
Nesta unidade abordaremos um tema complementar dos ciclos de potência a vapor, que con-
siste no uso de cogeração nos ciclos de potência, que permite uma segunda aplicação para uma
energia que antes seria desperdiçada ao ambiente.
Estudaremos também maneiras de reduzir as irreversibilidades nos sistemas de aquecimento
do vapor, geralmente denominados caldeiras. Estes sistemas têm aplicação bastante diversa, não
30
1.1 COGERAÇÃO
O ciclo de potência a vapor, em seu modelo básico, descarrega energia em um reservatório à
baixa temperatura, sendo então perdida para este meio.
Fato é que grande parte dos sistemas de geração de potência a partir do vapor estão instalados
UNIDADE 02
em usinas e indústrias onde o calor é necessário em várias etapas da produção, o chamado calor
de processo.
Segundo Çengel e Boles (2013), algumas usinas dependem intensamente do calor de processo
para sua operação, sendo exemplo aquelas do setor químico, produção de celulose e papel, refi-
narias de petróleo, fabricação de aço, processadoras de alimento e as indústrias têxteis. Nestas in-
dústrias o calor de processo é geralmente fornecido por vapor d’água a temperaturas entre 150 °C
31
No sistema apresentado na figura acima, uma característica importante é a ausência do conden-
sador, pois no caso ideal, nenhuma energia deve ser descarregada para o ambiente. Desta forma,
toda a energia fornecida ao vapor na caldeira é utilizada como calor de processo ou energia elétrica.
Uma razão pode ser estabelecida entre a energia utilizada no ciclo e a energia fornecida pela
caldeira, o denominado fator de utilização (ϵu) apresentado na Equação (1).
UNIDADE 02
𝑊̇𝑙í𝑞 + 𝑄̇𝑝
𝜖𝑢 = (1)
𝑄̇𝑒𝑛𝑡
Onde Ẇlíq representa a taxa de produção da turbina, Q̇ p a taxa de consumo de calor de processo
e Q̇ ent a taxa de calor fornecida pela caldeira.
32
A aplicação do equilíbrio de energia para fluidos em regime permanente entre cada um dos
estados apresentados no esquemático, permite obter as taxas de transferência de energia, calor
e trabalho que ocorrem na caldeira, na turbina, na válvula de expansão, na unidade de processa-
mento de calor, no condensador e nas bombas.
UNIDADE 02
Exemplo 1 (Çengel e Boles, 2013): Considere a usina de cogeração mostrada na Figura 3.
Vapor de água entra na turbina a 7 MPa e 500 °C. Parte do vapor é extraído da turbina a
500 kPa para processamento térmico. O vapor restante continua se expandindo até 5 kPa.
Em seguida, o vapor é condensado a pressão constante e bombeado à pressão de caldei-
ra, equivalente a 7 MPa. Em épocas de alta demanda por calor de processo, parte do vapor
que sai da caldeira é estrangulada até 500 kPa e encaminhada para a unidade de processa-
Figura 3 - Exemplo 1
Solução: Tal como os problemas que envolvem ciclos de potência já analisados na unidade
anterior, resolver este problema de ciclo com cogeração consiste em definir com precisão
seus estados. Devido às diferentes ramificações presentes, estarão presentes maior número
de estados, sendo onze o total. As tabelas termodinâmicas disponíveis na bibliografia devem
ser consultadas, para este problema serão consideradas as tabelas de Çengel e Boles (2013).
Estado 1: Sabe-se que este vapor está a 500 °C e 7 MPa, de acordo com o enunciado, com
isso define-se a entalpia deste estado:
33
h1 = 3411,4 kJ/kg
Sabe-se que os estados 2 e 3 consistem no mesmo estado que 1, além de que a válvula de
expansão realiza processo isentrópico, portanto a entalpia destes estados será a mesma:
h1 = h2 = h3 = h4
UNIDADE 02
Estado 5: sendo a turbina isentrópica (a entropia é constante), basta procurarmos na tabe-
la de propriedades do vapor, sabendo que s5 = s6 = s3 e a pressão no estado 5 foi reduzida
para 500 kPa, que nos leva a entropia deste estado:
h5 = 2739,3 kJ/kg
Estado 6: semelhante ao estado 5, a entropia é mantida, porém a pressão é reduzida para
5 kPa, que pelas tabelas termodinâmicas nos permite obter a entalpia:
Estado 10: assim como no estado anterior, obtém se a entalpia como a soma da entalpia
anterior com o trabalho executado pela bomba, portanto:
𝑊𝑏𝑜𝑚𝑏𝑎 𝐼𝐼 = 𝑣7 𝑃10 − 𝑃7 = 0,001093 𝑚3 /𝑘𝑔 7000 − 500 𝑘𝑃𝑎 = 7,10 𝑘𝐽/𝑘𝑔
34
Nesta situação um fator de utilização de 100% seria observado, já que todo o calor fornecido
à caldeira é convertido em calor de processo.
b) Para o caso oposto, em que nenhum calor de processo é produzido, todo o fluxo mássico
é processado pela turbina para posterior passagem pelo condensador. Neste caso, teremos
ṁ3 = ṁ6 = ṁ1 = 15 kg/s, e ṁ2 = ṁ5 = 0. Desta maneira, a potência líquida produzida pelo
UNIDADE 02
ciclo será:
Este valor significativamente menor que para o caso com cogeração se deve ao fato de que
grande parte da energia é descarregada (desperdiçada) para o ambiente no condensador.
REFLITA
Para o caso estudado no último exemplo, onde o circuito de cogeração do ciclo está “inativo”, a
equação do fator de utilização pode ser reduzida para:
𝑊̇𝑙í𝑞
𝜖𝑢 =
𝑄̇𝑒𝑛𝑡
Esta equação nos remete à eficiência térmica de um ciclo, estudada na Unidade anterior em ciclos
de potência a vapor. Esta equação nos comprova o fato de que, se removermos o ciclo de cogera-
ção do exercício anterior, teremos um simples e tradicional sistema de geração a vapor.
Esta discussão é válida para reforçar a importância da utilização de cogeração em instalações in-
dustriais, afinal, na pior das hipóteses (quando a demanda de calor de processo for nula) o sistema
operará como um ciclo de potência a vapor convencional. Enquanto em situações de uso de calor
de processo, a energia desperdiçada é reduzida significativamente.
35
1.2 EFICIÊNCIA DAS CALDEIRAS?
Entre as formas de elevação de aproveitamento de ciclos a vapor, pode-se citar também os es-
forços em elevar a eficiência das caldeiras.
Caldeiras são geralmente alimentadas pela chama de combustão de algum combustível, enquanto
UNIDADE 02
transferem esta energia para o fluido de trabalho do ciclo. Fato é que esta transferência de energia
não possui rendimento ideal, ou seja, a energia disponibilizada pelo combustível não é transferida
de forma integral ao fluido de trabalho, de tal forma que possamos escrever uma equação para o
rendimento de uma caldeira. Sabemos que rendimentos são razões entre a energia que pode ser
aproveitada e a energia que é fornecida. No caso da caldeira, a energia aproveitada consiste na-
quela que foi atribuída ao fluido de trabalho que circula em seu interior, enquanto a energia forne-
Exemplo 2 (Filho, 2020): Uma caldeira produz 15 t/h de vapor saturado a 26 barg (pressão
relativa), mediante a queima de gás natural. A temperatura da água de alimentação é de 70
°C. Calcule o consumo de gás natural sabendo que o rendimento da caldeira é de 88%. PCIgás =
36.960 kJ/kg, ρgás = 0,74 kg/m3.
Solução: Sabemos que a pressão absoluta para o caso estudado será pabs = prel + patm = 26 + 1
= 27 bar. Para este valor de pressão, através das tabelas termodinâmicas para vapor saturado,
temos que a temperatura de saturação é de T = 227 °C, e que para esta condição as entalpias
do líquido e do vapor saturados são hl = 978,6 kJ/kg e hv = 2814,0 kJ/kg, respectivamente.
A água deve ser aquecida pela caldeira de um estado de líquido comprimido a 70 °C até a
condição de vapor saturado a pressão de 27 bar. Serão necessários então dois estágios de
cálculo, primeiramente o aquecimento do líquido até a condição de saturação e posterior-
mente a vaporização. Portanto, a porção de aquecimento do líquido pode ser calculada por:
𝑞 = 𝑐𝑝 . Δ𝑇 = 4,2 𝑘𝐽⁄𝑘𝑔. 𝐾 . 227 − 70 𝐾 = 659,4 𝑘𝐽/𝑘𝑔
36
𝑚̇ 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟 . ℎ𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟 − ℎ𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 15000. 2814 − 319,2
0,88 = = ∴ 𝑚̇ 𝑐𝑜𝑚𝑏. = 1150,6 𝑘𝑔/ℎ
𝑚̇ 𝑐𝑜𝑚𝑏. . 𝑃𝐶𝐼𝑐𝑜𝑚𝑏. 𝑚̇ 𝑐𝑜𝑚𝑏.. 36960
Como o combustível é um gás, é mais conveniente expressar este resultado como um volu-
me, então através da densidade do gás natural, têm-se:
UNIDADE 02
𝑚̇
𝑉̇ = = 𝟏𝟓𝟓𝟓 𝒎𝟑 /𝒉.
𝜌
Perdas em caldeiras são algo difícil de se eliminar, isto se deve a um conjunto de características
de funcionamento destes dispositivos, que operam geralmente pela queima de combustíveis. Ga-
Segundo Filho (2020), rendimentos entre 80% e 92% são comuns para caldeiras, entre suas di-
ferentes disposições e combustíveis aplicados.
A operação da caldeira fora da faixa nominal pode levar também é uma redução do rendimento,
assim como interrompimentos de sua operação, dado o fato que durante a fase de aquecimento
muita energia é utilizada para aquecer o sistema, sem que haja produção de vapor.
37
2. CICLO DE REFRIGERAÇÃO
É de conhecimento amplo o princípio termodinâmico do fluxo de calor, sabe-se que o calor sai
naturalmente de um meio a alta temperatura para um meio à baixa temperatura. Um caso prático
UNIDADE 02
simples de se compreender é aquele em que se deixa uma xícara de café quente (80 °C) sobre uma
mesa em uma sala a 25 °C, ao passar do tempo, o café terá sua temperatura reduzida ao perder
calor para o ar ambiente, o contrário não ocorre naturalmente.
Meios de refrigeração são então necessários para que se possa controlar a temperatura de um
ambiente ou dispositivo, contrapondo o sentido natural do fluxo de calor.
Na Unidade anterior estudamos ciclos de potência a vapor, onde o calor era adicionado ao fluido
38
Analisando o ciclo apresentado observamos que no estado 4 o fluido de trabalho se encontra
como uma mistura de líquido e vapor com título baixo, que ao passar pelo evaporador, recebe ca-
lor da fonte fria (TC), que promove a vaporização de parte do fluido de trabalho, sem que ocorram
variações de pressão e temperatura, até o estado 1 do ciclo.
O fluido de trabalho passa então pelo compressor (processo 1 → 2), onde é comprimido adia-
UNIDADE 02
baticamente até o estado 2, apresentando-se como vapor saturado. Durante a compressão a tem-
peratura é elevada de TC para TH, assim como a pressão também aumenta.
No processo 2 → 3 o fluido de trabalho passa pelo condensador, onde calor é removido até que
este seja convertido em líquido saturado. Este processo ocorre a temperatura TH constante e pres-
são também constante.
Para avaliar a eficácia com a qual um refrigerador executa sua função, utiliza-se o coeficiente
de desempenho (ou de performance), que nada mais é que a razão entre a energia removida do
ambiente à baixa temperatura (Qentra) e a energia necessária no compressor (WC). O coeficiente de
performance do refrigerador (βR) é expresso pela equação (3).
𝑄𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎
𝛽𝑅 = (3)
𝑊𝐶
𝑇𝐶
𝛽𝑚á𝑥 = (4)
𝑇𝐻 − 𝑇𝐶
Com isto, o ciclo reverso de Carnot é o mais eficiente que opera entre dois níveis especificados
de temperatura.
Embora consideremos o ciclo de Carnot como o modelo para estudo, devemos conhecer os mo-
tivos que fazem este não ser fiel ao que se observa nos sistemas reais.
Entre os três principais motivos da existência de desvios entre os ciclos ideais e os ciclos reais, o
primeiro que podemos citar consiste na diferença entre as temperaturas consideradas no ciclo (TH e
TC) e as temperaturas reais dos ambientes frio e quente em contato com o sistema de refrigeração.
Para compreensão, imaginemos um sistema de ar-condicionado como dispositivo de análise. Para
39
que o calor seja removido do ambiente interno, a temperatura do fluido de trabalho que passa pelo
evaporador deve ser inferior a temperatura do ambiente, para que o calor saia do ambiente para
o fluido, assim como no ambiente externo a temperatura do ar deve ser inferior à temperatura do
fluido de trabalho na condensadora, caso contrário o calor não será removido.
Estas diferenças entre as temperaturas promovem redução do coeficiente de performance, re-
UNIDADE 02
duzindo o potencial de refrigeração do ciclo.
Um segundo fator que gera complicações no ciclo ideal é a etapa de compressão, se observar-
mos novamente o diagrama temperatura-entropia da Figura 5, vemos que a compressão (1 → 2)
ocorre com uma mistura líquido-vapor, o que na práticas é difícil de se obter, pois compressores
não trabalham bem com líquidos, apenas com vapor. Este fator é que leva ao surgimento do ciclo
real, apresentado na seção seguinte.
40
Note que neste ciclo a compressão de vapor é deslocada para a região de vapor superaquecido
(1 → 2, ao invés de 1' → 2'), reduzindo suas irreversibilidades. Com o mesmo objetivo, a turbina
foi substituída por uma válvula de expansão, como já citado anteriormente. A válvula de expansão
realiza um processo não isoentrópico.
Um exemplo cotidiano de sistema de refrigeração que facilita nossa compreensão, é um simples
UNIDADE 02
refrigerador doméstico, tal como ilustrado na Figura 7. Note que existem duas serpentinas, uma
interna ao refrigerador responsável por remover calor do ambiente que se deseja refrigerar (aqui
representado por QL) e outra no ambiente externo, por onde o calor é descarregado para o am-
biente (aqui representado por QH). Observa-se ainda o compressor, responsável pela manutenção
do ciclo e, por fim, um tubo capilar, que executa função análoga a válvula de expansão.
VÍDEO
41
Para os sistemas de refrigeração, o fluido de trabalho é geralmente referido como “Fluido
Refrigerante”.
Seguindo-se o fluxo de fluido refrigerante de acordo com a Figura 6, inicia-se pelo evaporador,
onde o calor recebido proporciona sua vaporização, elevando sua entalpia. A taxa de transferência
de calor para o fluido neste dispositivo consistirá em:
UNIDADE 02
𝑄̇𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 = 𝑚̇ (ℎ1 − ℎ4) (5)
Vale lembrar que Q̇ entra é o calor removido do meio à baixa temperatura, então caso seja neces-
sário aumentar a taxa de remoção de calor do meio, esta é a quantidade a se observar.
Observe que ẆC é a energia necessária a se inserir no sistema para que o ciclo ocorra, então
para que se aumente a eficiência do ciclo de refrigeração, deve-se minimizar ẆC enquanto se ma-
ximiza Q̇ entra.
Após comprimido, o fluido refrigerante passa pelo condensador, onde libera calor para a vizi-
nhança (a alta temperatura) enquanto se condensa até o estado de líquido saturado, de forma que
a energia descarregada na fonte quente possa ser obtida por:
Por fim, o fluido refrigerante chega ao estado 3, onde passa pela válvula de expansão, que reduz
sua pressão até a encontrada no evaporador. Note que no diagrama da Figura 6 o processo 3 → 4
é representado por uma linha tracejada, isso se deve pelo fato de este ser um processo irreversível
onde a entalpia é constante, logo:
ℎ4 = ℎ3 (8)
As equações (5) a (9) nos mostram que os fluxos de calor e trabalho em cada interface do ciclo
podem ser obtidos através do conhecimento da entalpia em cada um dos estados, que também
nos permite obter o coeficiente de performance do refrigerador.
Exemplo 3 (Çengel e Boles, 2013): Um refrigerador utiliza refrigerante-134a como fluido de tra-
balho e opera em um ciclo de refrigeração por compressão de vapor entre 0,14 MPa e 0,8 MPa,
tal como ilustrado na Figura 8. Se a vazão mássica do refrigerante for de 0,05 kg/s, determine:
42
a) A taxa de remoção de calor do espaço refrigerado e a potência fornecida ao compressor;
b) A taxa de rejeição de calor para o ambiente;
c) O COP do refrigerador.
Figura 8 - Exemplo 3
UNIDADE 02
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Çengel e Boles (2013).
Solução: sabemos que este é um ciclo de refrigeração por compressão de vapor, logo, o fluido
refrigerante entra no compressor como vapor saturado e sai do condensador como líquido
saturado. Ainda, o compressor é isentrópico e os processos no evaporador e no condensador
são isotérmicos e isobáricos, por fim, a válvula de expansão opera com entalpia constante.
O fluido refrigerante aqui é o R-134ª, amplamente utilizado e para o qual se tem várias ta-
belas de propriedades termodinâmicas.
A primeira etapa para resolução do problema consiste em definir os estados do ciclo.
Estado 1: Sabe-se que a pressão neste estado é de 0,14 MPa e que há apenas vapor satura-
do. Portanto, utilizando as tabelas de mistura saturada para R-134ª, temos:
A entropia deste estado é coletada, pois será mantida até o estado 2, onde esta informação
é necessária.
Estado 2: Sabendo que a entropia deste estado é a mesma que do estado 1 e que a pressão
agora, após a compressão, é de 0,80 MPa, obtemos a entalpia do estado:
ℎ2 = 275,39 𝑘𝐽/𝑘𝑔
43
Estado 3: neste estado temos a mesma pressão de 0,80 MPa, porém agora como líquido sa-
turado apenas, portanto, na mesma tabela de mistura saturada a pressão citada, obtém-se:
UNIDADE 02
constante, logo:
ℎ4 = ℎ3 = 95,47 𝑘𝐽/𝑘𝑔
b) a taxa de rejeição de calor no ambiente a alta temperatura será obtida pela equação (7):
Este valor nos permite concluir que aproximadamente 4 unidades de energia térmica são re-
movidas do ambiente refrigerado para cada unidade de energia consumida pelo compressor.
Sabe-se que os ciclos ideais e os ciclos reais apresentam algumas diferenças, especialmente de-
vido às irreversibilidades. Duas fontes de irreversibilidades mais comuns são o atrito entre o flui-
do e a tubulação, que em muitos casos é extensa o suficiente para causar quedas de pressão, e a
transferência de calor entre os componentes do ciclo e a vizinhança do sistema. Para melhor com-
preender as variações citadas, o diagrama temperatura-entropia da Figura 9 apresenta de forma
aproximada um ciclo real de refrigeração.
No ciclo ideal supomos que o fluido sai do evaporador e entra no compressor como vapor satu-
rado, porém o controle da fase no caso real nem sempre é possível, portanto, é habitual o projeto
do sistema para que o fluido seja ligeiramente superaquecido, para que não reste nada de fluido
na condição líquida.
44
Nas instalações reais ocorre também de a linha que leva o fluido do evaporador ao compressor
ser longa, causando queda de pressão (processo 8 → 1), tornando necessário uma margem de se-
gurança na evaporação, para que o fluido chegue efetivamente como vapor ao compressor.
Um processo real de compressão envolve atrito e consequente troca de calor com o fluido, que
pode aumentar ou diminuir a entropia do fluido, tal como os processos 1 → 2 ou 1 → 2'.
UNIDADE 02
De forma semelhante ao evaporador, o condensador não é, na realidade, capaz de realizar o pro-
cesso com tamanha precisão quanto no ciclo ideal. O atrito do fluido refrigerante com a tubulação
gera queda de pressão (processo 2 → 4), além de ser bastante complexo garantir que na saída do
condensador haverá líquido na condição de saturação, sendo mais provável haver líquido compri-
mido (estado 4). Em todas as tubulações que ligam os dispositivos, devido aos seus possíveis com-
primentos, o atrito gerará influência no sentido de aumentar as irreversibilidades, a exemplo dos
45
e confiável. A segurança está associada à prevenção de riscos, como toxicidade e inflamabilidade.
Já o impacto ambiental é avaliado quanto à agressividade do refrigerante, especialmente a camada
estratosférica de ozônio, ou que contribuam para alterações climáticas globais.
Quando um sistema de refrigeração é dimensionado, tem-se como dado de entrada as tempe-
raturas entre as quais este irá operar, com isto, para um certo fluido refrigerante, deve-se ajustar a
UNIDADE 02
pressão em cada uma destas interfaces para que suas mudanças de fase ocorram de acordo com o
necessário para que o ciclo opere. É desejável, sempre que possível, evitar pressões excessivamente
altas no condensador e excessivamente baixas no evaporador. A estabilidade do fluido refrigerante,
assim como sua corrosividade devem ser consideradas juntamente ao seu custo.
Quando se observa o aspecto ambiental, existe um índice chamado Potencial de Aquecimento
Global (GWP) que, segundo Moran (2018), é utilizado para estimar a influência potencial futura
A coluna “Tipo” da tabela acima está relacionada à molécula base da composição, que acarreta
certa estabilidade molecular e efeitos adversos de longa duração.
Pode haver casos em que nenhum fluido refrigerante atenda aos requisitos de temperatura do
ciclo necessário, então mais de um ciclo precisará ser utilizado, cada um deles com um diferente
fluido refrigerante, acoplados em série, gerando a definição de sistema em cascata, que será ex-
posta na próxima seção.
46
2.4.1 REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR EM CASCATA
UNIDADE 02
são de vapor, onde há um trocador de calor comum a ambos os ciclos, que age como condensador
para um dos ciclos e como evaporador para outro.
A Figura 10 apresenta a disposição de um sistema com dois ciclos em cascata juntamente ao seu
diagrama temperatura-entropia, onde pode-se observar o ganho em capacidade de refrigeração e
a redução do trabalho necessário para o compressor ao se utilizar um sistema em cascata ante a
possibilidade de se utilizar um único sistema com maior variação de pressão.
De forma semelhante ao sistema em cascata, a compressão pode possuir duas etapas, porém
apenas um fluido de trabalho, que ao invés de passar por um trocador de calor entre as duas etapas
de compressão, passa por uma câmara de mistura. Este sistema é o denominado de compressão
por múltiplos estágios.
47
A vantagem deste sistema em relação ao sistema em cascata é que a câmara de mistura tem
melhores características de transferência de calor.
A Figura 11 apresenta um sistema de refrigeração por compressão em dois estágios, juntamente
ao seu diagrama temperatura-entropia, onde pode-se observar a grande semelhança com o caso
anterior, do sistema em cascata. Cuidado deve ser tomado com a análise de energia deste sistema,
UNIDADE 02
pois mesmo que interligado, os fluxos mássicos em cada subsistema têm valores diferentes.
Foi abordado anteriormente que o ciclo de potência de Carnot, ao ser invertido, se torna um ci-
clo de refrigeração. Quando constatamos que o superaquecimento do vapor seria necessário para
aumentar a eficiência do ciclo de refrigeração, o ciclo resultante nada mais é que o ciclo de potên-
cia Rankine, também invertido. Com isto observamos que a inversão de ciclos de potência pode
resultar em ciclos de refrigeração. O mesmo acontece com o denominado ciclo de refrigeração a
gás, que nada mais é que a inversão do ciclo Brayton, amplamente conhecido como um ciclo de
potência a gás.
Embora os ciclos de potência a gás tenham sido pouco abordados até agora, um esquemático
de seu funcionamento e o diagrama temperatura-entropia do ciclo é apresentado na Figura 12,
juntamente a uma comparação deste com o ciclo reverso de Carnot.
48
Figura 12 - Ciclo de refrigeração a gás
UNIDADE 02
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: adaptado de Çengel e Boles (2013).
Repare no diagrama mais à direita da Figura 12, onde o ciclo de refrigeração a gás é comparado
ao ciclo reverso de Carnot, podemos observar que a área sob a linha B → 1 do ciclo Carnot reverso
é maior que a área sob a curva 4 → 1 do ciclo de refrigeração a gás, ou seja, a energia removida do
ambiente frio pelo ciclo reverso de Carnot é superior a do ciclo a gás, além de necessitar de uma
menor quantidade de energia para compressão do fluido refrigerante.
Os sistemas de refrigeração por absorção recebem este nome, pois a fonte de energia para o
fluido de trabalho é acessível e pode ser absorvida, tal como energia geotérmica, energia solar,
calor rejeitado por usinas de cogeração, gás natural, entre outros. Estas fontes de energia devem
proporcionar ao fluido o aquecimento até temperaturas na faixa de 100 °C a 200 °C.
O sistema de refrigeração por absorção mais conhecido e utilizado é o sistema de amônia e água,
ilustrado na Figura 13, onde a amônia age como refrigerante e a água como meio de transporte da
energia. Água pode ser utilizada como fluido refrigerante junto a outros componentes, porém sua
aplicação será restrita à refrigeração a temperaturas acima do ponto de congelamento da água.
O funcionamento deste tipo de sistema de refrigeração é baseado na solubilização da amônia
na água, de forma que ao receber calor por absorção esta amônia possa ser separada da água para
então completar o ciclo através do evaporador, da válvula de expansão e do condensador.
49
Figura 13 - Sistema amônia-água de refrigeração por absorção
UNIDADE 02
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Moran (2018).
Quando comparados aos sistemas de refrigeração por compressão de vapor, os sistemas de re-
frigeração por absorção apresentam uma grande vantagem: a compressão é de líquido ao invés de
vapor, o que faz com que o trabalho necessário para compressão seja muito menor, sendo geral-
mente desprezado no balanço de energia.
Porém, várias desvantagens tornam os sistemas de refrigeração por absorção menos vantajo-
sos, como o grande espaço necessário e o elevado custo de instalação, de forma que este seja um
sistema que só se torna vantajoso quando o custo da energia de alimentação seja bastante baixo.
3. BOMBAS DE CALOR
Na seção anterior os sistemas de refrigeração foram detalhadamente abordados, como dispo-
sitivos responsáveis por remover calor de um ambiente à baixa temperatura e descarregá-la em
outro com temperatura superior. Note que este sistema realiza, na verdade, duas funções: a pri-
meira e principal para um refrigerador, é a remoção de calor do ambiente que se deseja refrigerar,
porém este também cumpre uma segunda função, que consiste em “aquecer” o ambiente onde a
temperatura é superior.
50
De fato, para um refrigerador isto não é de interesse, tampouco o aquecimento será percebido,
pois geralmente o ambiente a alta temperatura é o ar atmosférico. Porém, este mesmo tipo de
sistema pode ser utilizado quando se deseja aquecer um ambiente ao invés de refrigerá-lo, sendo
este equipamento então denominado bomba de calor.
Uma bomba de calor não difere em nada, quando ao princípio de funcionamento, de um já co-
UNIDADE 02
nhecido refrigerador, a única diferença é sua finalidade: aquecer um ambiente. A Figura 14 ilustra um
esquemático de uma bomba de calor utilizada para aquecer o ambiente interno de uma residência.
Note que ambos operam entre dois reservatórios a diferentes temperaturas, a diferença está
no fato de que o refrigerador descarrega na atmosfera o calor removido do ambiente refrigerado,
enquanto a bomba de calor rouba da atmosfera o calor necessário para aquecer o ambiente.
51
𝑄𝑠𝑎𝑖
𝛽𝐵𝐶 = (9)
𝑊𝐶
UNIDADE 02
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta Unidade abordamos diversos pontos cruciais para o estudo das máquinas térmicas,
entre os quais alguns dos dispositivos termodinâmicos mais utilizados, que são os refrigeradores.
Através do estudo dos sistemas de refrigeração é possível compreendermos o dimensionamento
ANOTAÇÕES
52
UNIDADE
03
CICLOS A GÁS E
MOTORES DE COM-
BUSTÃO INTERNA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
VÍDEOS DA UNIDADE
UNIDADE 03
tivemos contato com sistemas de potência a vapor, amplamente utilizados na indústria devido ao
seu alto potencial energético e eficiências possíveis.
Nesta Unidade falaremos sobre sistemas de geração de potência, porém agora usando fluidos
de trabalho no estado gasoso. Este tipo de dispositivo não consegue atingir a mesma escala de
rendimentos que sistemas a vapor, porém podem ser razoavelmente mais compactos e de simples
operação, pois a fonte de energia é predominantemente a combustão.
54
sistema, cumprindo um ciclo termodinâmico completo. Já os ciclos abertos são aqueles em que o
fluido de trabalho é renovado após cada ciclo, ao invés de retornar para recirculação. Os motores
dos automóveis, por exemplo, promovem exaustão de gases de combustão enquanto aspiram no-
vos gases da atmosfera junto ao combustível, desta forma o fluido não executa um ciclo termodi-
nâmico, mas o motor realiza um ciclo mecânico.
UNIDADE 03
A Figura 1 ilustra um motor de automóvel em operação, onde o combustível entra no motor,
sofre a queima e é expelido pelo sistema de exaustão, caracterizando um ciclo aberto.
55
• A combustão é substituída por um processo de transferência de calor de uma fonte externa.
• Considera-se troca de calor com às vizinhanças para a execução do ciclo, diferentemente dos
processos de admissão e exaustão que aconteceriam nos motores reais.
• Os processos executados pelo ciclo padrão a ar são internamente reversíveis.
UNIDADE 03
• Embora não seja a opção mais precisa, considera-se que o ar como “ar frio” durante todo o
processo, tendo calor específico constante, determinado a temperatura ambiente, aproxi-
madamente 300 K.
As hipóteses idealizadoras citadas tornam a análise dos ciclos a gás significativamente mais sim-
ples, mesmo que informações se percam devido às considerações. A maior importância da aplica-
ção deste modelo de ciclo consiste na possibilidade de análise qualitativa do processo, permitindo
56
Figura 2 - Ciclo aberto a ar Brayton Figura 3 - Ciclo fechado a ar Brayton
UNIDADE 03
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Borgnakke e Sonntag (2018).
Para compreender os processos envolvidos no ciclo padrão a ar, façamos a análise das transfe-
rências de calor e trabalho principais deste ciclo. Para isto, a Figura 4 ilustra os diagramas tempe-
ratura – entropia e pressão – volume para o ciclo.
Podemos deduzir a partir dos diagramas e conhecendo os processos que ocorrem entre cada
etapa as equações de energia em cada dispositivo, sendo positiva aquela que ocorre no sentido
indicado pelas setas.
Iniciando pela turbina, considerando que esta opera adiabaticamente, e com efeitos desprezí-
veis de energia cinética e potencial, podemos modelar o trabalho produzido por unidade de massa
𝑊̇𝑡
através da diferença entre as entalpias na entrada e na saída deste dispositivo:
𝑚̇
57
𝑊̇𝑡
= ℎ3 − ℎ4 (1)
𝑚̇
Com hipóteses semelhantes, o trabalho realizado pelo compressor por unidade de massa do
UNIDADE 03
escoamento, será:
𝑊̇𝑐
= ℎ2 − ℎ1 (2)
𝑚̇
Note que a ordem dos termos na subtração assume que ambos os trabalhos tenham valores
positivos, mesmo que o do compressor necessite ser inserido no ciclo e o da turbina seja disponi-
𝑄̇𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎
= ℎ3 − ℎ2 (3)
𝑚̇
𝑄̇𝑠𝑎𝑖
= ℎ4 − ℎ1 (4)
𝑚̇
Desta forma, podemos escrever a equação da eficiência também para os ciclos padrão a ar, como
a razão entre o trabalho líquido produzido e o calor fornecido ao sistema:
(5)
Se os dados das tabelas de ar puderem ser utilizados, então os processos isentrópicos podem ser
analisados através das relações de pressão e pressão normalizada (ou reduzida) para os processos:
𝑝2
𝑝𝑟2 = 𝑝𝑟1 (6)
𝑝1
𝑝4 𝑝1
𝑝𝑟4 = 𝑝𝑟3 = 𝑝𝑟3 (7)
𝑝3 𝑝2
𝑝2 𝑝4
Nestas equações, 𝑝1
é a relação de pressão do compressor, enquanto 𝑝3
é a relação de pressão
na turbina, que como pode ser observado no diagrama pressão – volume da Figura 4, apresenta-
rão mesmo valor de razão. Já as pressões normalizadas são valores tabelados para as respectivas
58
condições de temperatura. Entre as opções disponíveis de tabela para uso nestes casos está a Ta-
bela A-22, disponível como anexo em Moran (2018).
Se optarmos por considerar o ciclo Brayton com fluido de trabalho ar padrão frio, a variação dos
calores específicos será considerada nula. Para este caso, as equações (6) e (24) são substituídas,
respectivamente, pelas expressões para processo isentrópico de um gás ideal:
UNIDADE 03
𝑘−1⁄𝑘
𝑝2
𝑇2 = 𝑇1 (8)
𝑝1
𝑘−1 ⁄𝑘 𝑘−1⁄𝑘
𝑝4 𝑝1
Em que k é a razão entre os calores específico a pressão constante e a volume constante, k = cp/cv.
O exemplo a seguir ilustra as discrepâncias encontradas ao se simplificar o fluido de trabalho
para ar frio.
Figura 5 - Exemplo 1
Solução: Cada dispositivo pode ser analisado separadamente como um volume de controle,
tal como as indicações tracejadas em torno destes. Sabe-se que os processos na turbina e
59
no compressor são isentrópicos, enquanto nos trocadores de calor são a pressão constan-
te. Para os pontos 1 e 3, é fornecido a temperatura e a pressão, bastando então consultar
as tabelas de propriedades. Já para os estados 2 e 4, as relações de processos isentrópicos
serão necessárias.
O cálculo da eficiência está associado à definição dos estados de energia de cada ponto dos
UNIDADE 03
diagramas, portanto, devem ser obtidos primeiramente.
Estado 1: Temperatura T1 = 300 K, pressão p1 = 100 kPa. Pela tabela de propriedades do
ar como gás ideal, temos que para esta temperatura:
ℎ1 = 300,19 𝑘𝐽/𝑘𝑔
Com esta pressão normalizada, busca-se na Tabela de propriedades do ar como gás ideal,
que após interpolação identifica-se o estado após a compressão como:
ℎ2 = 579,9 𝑘𝐽/𝑘𝑔
Estado 3: Tem-se que T3 = 1400 K e pela razão de compressão p3 = 1000 kPa. Pela tabe-
la de propriedades, obtém-se diretamente a entalpia do estado, juntamente a sua pressão
normalizada:
ℎ3 = 1515,4 𝑘𝐽/𝑘𝑔
𝑝𝑟3 = 450,5
ℎ4 = 808,5 𝑘𝐽/𝑘𝑔
60
b) Para se definir a potência líquida desenvolvida, deve-se aplicar a relação:
𝑊̇𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜 = 𝑚̇ ℎ3 − ℎ4 − ℎ2 − ℎ1
Porém a vazão mássica não é fornecida, apenas a vazão volumétrica. Sabendo que fluxo más-
UNIDADE 03
sico é a razão entre o fluxo volumétrico e o volume específico, juntamente a equação para
gases ideais, obtém-se então a vazão mássica:
𝑉1̇
𝑚̇ =
𝑣1
𝑅� 𝑅� 𝑇1
𝑝1 . 𝑣1 = 𝑇1 ∴ 𝑣1 =
𝑀 𝑀 𝑝1
𝑉1̇ 5
𝑚̇ = = = 5,807 𝑘𝑔/𝑠
𝑅� 𝑇1 8314 300
.
𝑀 𝑝1 28,97 100
Caso o mesmo problema seja analisado sob a consideração de ar padrão frio, as equações
(8) e (24) poderiam ser aplicadas. Se isto for efetuado, utilizando-se uma razão entre calores
específicos k = 1,4, os resultados da tabela a seguir são obtidos.
Note que as variações dos resultados quando se compara a análise Ar Padrão e Ar Padrão
Frio são bastante pequenas, sendo geralmente de escolha livre o procedimento de resolução.
Segundo Çengel e Boles (2013), uma notação alternativa para a eficiência térmica de um ciclo
Brayton padrão a ar frio pode ser obtida, definida pela equação (24).
61
1
𝜂𝑡,𝐵𝑟𝑎𝑦𝑡𝑜𝑛 = 1 − (𝑘−1)⁄𝑘 (10)
𝑟𝑃
𝑃2
Onde 𝑟𝑃 =
𝑃1
é a “razão de pressão” entre a pressão máxima e mínima do ciclo.
UNIDADE 03
Analisando a equação (24) percebemos que sob a hipótese do padrão a ar frio, a eficiência tér-
mica de um ciclo Brayton ideal estará relacionada à razão de pressão das turbinas a gás e da razão
dos calores específicos do fluido de trabalho (fator k).
A elevação dos parâmetros rP e/ou k promovem maiores eficiências, o que condiz com as situações
reais das turbinas a gás. A variação da eficiência com a razão de pressão é ilustrada na Figura 6 para
um valor fixo k = 1,4, que consiste na razão dos calores específicos do ar a temperatura ambiente.
Quando se trata da temperatura, sabe-se que existe uma limitação metalúrgica, pois as pás das
turbinas são feitas de metal e não são capazes de suportar temperaturas extremas. Portanto, pas-
sa-se a considerar a relação de pressão para o aumento da eficiência térmica.
A Figura 7 apresenta um exemplo onde dois ciclos estão sobrepostos em um único diagrama
temperatura – entropia. Observe que ambos os ciclos possuem a mesma temperatura de entrada
na turbina, porém diferentes razões de pressão (distância entre os pontos 1-2 e 1-2’). O ciclo deno-
minado por “A” possui maior relação de pressão, logo, maior eficiência térmica, porém o ciclo “B”
possui área maior na curva do ciclo, que representa maior trabalho líquido produzido por escoa-
mento de fluido. Desta forma, para que o ciclo “A” desenvolva a mesma potência que o ciclo “B” é
capaz de desenvolver, seria necessária uma vazão mássica maior, e consequentemente um sistema
significativamente maior, algo que nem sempre é economicamente viável.
Análise semelhante é efetuada nas turbinas a gás destinadas ao uso em veículos, onde o peso
do motor deve ser mantido dentro de limites cabíveis. Nestes casos, o interesse é em operar o ciclo
62
próximo da relação de pressão do compressor que suporte o máximo trabalho por unidade de fluxo
de massa, ao invés da relação de pressão para a maior eficiência térmica.
UNIDADE 03
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Moran (2018).
Turbinas a gás, assim como os sistemas a vapor, podem receber componente regenerador, dado
o fato de que os gases de exaustão da turbina são consideravelmente mais quentes que aqueles que
entram no compressor. O ar a alta pressão que sai do compressor pode então ser aquecido pelos
gases de exaustão da turbina em um trocador de calor de correntes opostas.
Uma ilustração de um motor a gás que utiliza um regenerador é apresentada na Figura 8.
63
Repare que ao sair da turbina os gases de exaustão transferem calor para o ar comprimido no
trocador de calor, causando um pré-aquecimento deste antes de entrar na câmara de combustão.
Desta forma, menos energia é necessária na câmara de combustão, ou seja, menos combustível
será consumido.
Na Figura 9 o diagrama temperatura – entropia deste ciclo é apresentada. Note que caso não
UNIDADE 03
houvesse o sistema regenerativo, o combustível seria responsável por fornecer a energia necessá-
ria para a mudança do estado 2 para o estado 3. Com o sistema regenerativo, a combustão deverá
fornecer apenas o necessário para a mudança do estado 5 para o estado 3, pois a porção de ener-
gia entre os estados 2 e 5 foi fornecida pelo regenerador. Basicamente, calor é transferido de uma
etapa do ciclo para outra, reduzindo a descarga de energia no ambiente enquanto proporciona
menor consumo de combustível para o aquecimento.
Deve-se tomar cuidado com o fato de que o sistema de regeneração para os ciclos a gás só tem
aplicação para o caso de a temperatura na saída da turbina ser superior à temperatura da saída do
compressor (pelo diagrama da Figura 9, o estado 4 deve estar acima do estado 2), caso contrário o
calor fluirá para o sentido oposto.
Note que a temperatura de saída do ar comprimido do regenerador (estado 5) é inferior a tem-
peratura do fluido que sai da turbina para o regenerador (estado 4), isto ocorre, pois o calor apenas
fluirá de um fluido para outro caso haja diferença de temperatura. Em um sistema ideal, o fluido
aquecido pelo regenerador sairia a temperatura do estado 4, ou seja, sairia no estado 5’, porém,
esta consideração não é realista.
A quantidade de calor transferida para o fluido aquecido pelo regenerador pode ser estimada
para o caso real e para o caso máximo possível, pelas equações (11) e (24) respectivamente.
64
𝑞𝑟𝑒𝑔𝑒𝑛,𝑟𝑒𝑎𝑙 = ℎ5 − ℎ2 (11)
UNIDADE 03
1.2 CICLO PADRÃO A AR PARA PROPULSÃO A JATO
Uma das mais conhecidas aplicações dos motores a turbina a gás é na aviação, graças a sua alta
relação potência-peso. Este tipo de motor opera em um ciclo aberto denominado ciclo de propul-
65
A ilustração de um motor turbo jato e seu respectivo diagrama temperatura – entropia é apre-
sentada na Figura 11. Ao entrar pelo difusor do turbo jato (estado 1), o ar atmosférico é desace-
lerado enquanto sua pressão é ligeiramente elevada (estado 2), logo na sequência, ao passar pelo
compressor, sua pressão é elevada em maior quantidade (estado3). O combustível é então mistu-
rado ao ar para a combustão a pressão constante, adicionando calor ao fluido (estado 4). Os gases
UNIDADE 03
de combustão entram então a alta pressão e temperatura na turbina, onde se expandem parcial-
mente, produzindo potência suficiente para acionar o compressor e os dispositivos auxiliares (es-
tado 5). Por fim, os gases se expandem ao passar por um bocal até a pressão ambiente (estado 6),
deixando o sistema a alta velocidade.
Onde Vsai é a velocidade de saída dos gases de exaustão e Vent a velocidade em que os gases
entram no sistema, ambas avaliadas em relação ao avião. Note que na saída do turbo jato, o fluxo
mássico inclui o combustível adicionado no ciclo, porém devido à baixa quantidade quando com-
parado ao fluxo de ar, esta quantidade é desprezada.
Podemos definir também a potência de propulsão, que nada mais é que a força de empuxo ve-
zes a velocidade do deslocamento do avião:
66
𝑊̇𝑃 = 𝐹. 𝑉𝑎𝑣𝑖ã𝑜 = 𝑚̇ . (𝑉𝑠𝑎𝑖 − 𝑉𝑒𝑛𝑡 ). 𝑉𝑎𝑣𝑖ã𝑜 (14)
Como o trabalho líquido produzido por um turbo jato é nulo, a definição de sua eficiência não
UNIDADE 03
pode ser calculada a partir deste, devemos então aplicar o conceito base da eficiência, que consis-
te em medir a entrada necessária para se gerar um fenômeno de interesse, neste caso, deseja-se
obter uma potência de propulsão para o avião (ẆP), enquanto energia é adicionada em forma de
poder calorífico de combustível (Q̇ ent). Desta forma, a eficiência de propulsão será:
𝑊̇𝑃
𝜂𝑃 = (15)
𝑄̇𝑒𝑛𝑡
VÍDEO
Uma ilustração do funcionamento completo de um turbo jato é apresentada pelo autor Jacob
O’Neal através do canal “Animagraffs”. Este tipo de motor é de difícil acesso para que se possa co-
nhecer pessoalmente, portanto tal visualização é de extrema importância e proporciona contato
com diversos termos técnicos e subcomponentes deste tipo de propulsão.
Assista através do link: [Link] Acesso em 25 jan. 2023.
67
Os motores com ignição por centelha, uma vela de ignição faz com que uma mistura de ar e
combustível seja inflamada, enquanto no motor com ignição por compressão o ar é comprimido até
elevados valores de temperatura e pressão, suficientes para que no instante em que o combustível
é injetado na câmara de combustão, este sofra combustão espontânea. Os motores por centelha
têm construção mais leve e compacta, sendo adequados para valores de potência até a casa dos
UNIDADE 03
225 kW. Já os motores com ignição por compressão são significativamente mais robustos e pesa-
dos, motivo pelo qual são instalados geralmente em maquinários mais pesados como caminhões,
locomotivas, navios, geradores de eletricidade etc.
A construção dos motores de combustão interna se baseia em um pistão que se move dentro
de um cilindro dotado de ao menos duas válvulas. A Figura 12 ilustra esta disposição. Algumas de-
finições pertinentes, segundo Moran (2018):
VÍDEO
Uma ilustração do funcionamento completo de um motor veicular de combustão interna, que opera
de acordo com o ciclo Otto, é apresentada pelo autor Jacob O’Neal através do canal “Animagraffs”.
Embora este ciclo ainda não tenha sido apresentado, o vídeo citado deve clarear a imaginação e
facilitar a compreensão dos tópicos subsequentes.
Assista através do link: [Link] Acesso em 25 jan. 2023.
68
Figura 12 - Componentes e nomenclatura para motores alternativos cilindro-pistão
UNIDADE 03
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Moran (2018).
69
Este ciclo é ilustrado através de um diagrama pressão – volume como apresentado na Figura 13, onde
pode-se observar os quatro tempos do ciclo, juntamente aos fenômenos inerentes a cada um deles.
UNIDADE 03
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Moran (2018).
SAIBA MAIS
𝑊𝑙í𝑞
𝑃𝑀𝐸 = (16)
𝑉𝑚á𝑥 − 𝑉𝑚í𝑛
70
Onde Vmáx e Vmin são os volumes máximo e mínimo do cilindro, quando o pistão está no ponto
morto inferior e superior, respectivamente.
UNIDADE 03
Citou-se anteriormente que a centelha em um motor de combustão interna pode ser iniciada
através de dois métodos. O ciclo Otto é o ciclo ideal dos motores alternativos de ignição por cen-
telha. A Figura 14 ilustra os quatro tempos descritos na seção anterior, porém agora apresentando
uma comparação entre o fenômeno presente em um ciclo real e os fenômenos observados em um
ciclo ideal, agora denominado por ciclo Otto.
Figura 14 - Comparação entre ciclo real e ciclo Otto para motores de ignição
Note que os processos do ciclo real, ao serem representados no ciclo Otto, são substituídos por
processor reversíveis em um ciclo fechado, em que o fluido de trabalho não é substituído. Os pro-
cessos passam então a ser:
• 1 → 2: Compressão isentrópica;
• 2 → 3: Fornecimento de calor a volume constante;
• 3 → 4: Expansão isentrópica;
• 4 → 1: Rejeição de calor a volume constante.
71
Atenção especial deve ser dada aos processos 2 → 3, e 4 → 1, pois a adição ou rejeição de calor
ocorrem a volume constante, ou seja, sem que o pistão se desloque e realize trabalho.
Por ser executado em um sistema fechado, a análise dos processos no ciclo Otto é executada
pelo balanço de energia da equação (17), onde as energias cinética e potencial são desprezadas.
UNIDADE 03
𝑞𝑒𝑛𝑡 − 𝑞𝑠𝑎𝑖 + 𝑤𝑒𝑛𝑡 − 𝑤𝑠𝑎𝑖 = Δ𝑢 (17)
Sob a hipótese do padrão a ar frio, a eficiência térmica do ciclo Otto pode ser escrita por:
𝑤𝑙í𝑞 𝑞𝑠𝑎𝑖 𝑇4 − 𝑇1
𝜂𝑡,𝑂𝑡𝑡𝑜 = =1− =1− (20)
𝑞𝑒𝑛𝑡 𝑞𝑒𝑛𝑡 𝑇3 − 𝑇2
𝑘−1 𝑘−1
𝑇1 𝑣2 𝑣3 𝑇4
= = = (21)
𝑇2 𝑣1 𝑣4 𝑇3
Por fim, pode-se então reescrever a equação da eficiência térmica do ciclo de Otto para a hipó-
tese do padrão a ar frio.
1
𝜂𝑡,𝑂𝑡𝑡𝑜 = 1 − (22)
𝑟 𝑘−1
𝑉1 𝑐𝑝
Onde 𝑟=
𝑉2
é a razão de compressão e 𝑘=
𝑐𝑣
é a razão dos calores específicos.
Tal como os motores a turbina a gás, a eficiência térmica do ciclo Otto se eleva com o aumento
das razões de compressão e de calores específicos.
72
Exemplo 2 (Çengel e Boles, 2013): Um ciclo Otto ideal tem uma razão de compressão igual
a 8. No início do processo de compressão, o ar está a 100 kPa e 17 °C, e 800 kJ/kg de calor
são transferidos para o ar durante o processo de fornecimento de calor a volume constan-
te. Considerando a variação dos calores específicos do ar com a temperatura, determine:
UNIDADE 03
a) a temperatura e a pressão máximas que ocorrem durante o ciclo;
b) o trabalho líquido produzido;
c) a eficiência térmica;
d) a pressão média eficaz do ciclo.
Solução: Sabe-se que os maiores valores de pressão e temperatura em um ciclo Otto serão
observados ao final do processo de fornecimento de calor a volume constante, ou seja, no
estado 3 do ciclo. Para que possamos determinar este estado, é necessário definir o estado
2, após a compressão isentrópica.
a) Devemos consultar a tabela de propriedades de gás ideal do ar ao longo de nossa análise.
Estado 1: de acordo com a informação de pressão e temperatura para este estado, obte-
mos que para T = 290 K, a energia interna e o volume normalizado serão, respectivamente:
𝑢1 = 206,91 𝑘𝐽/𝑘𝑔
𝑣𝑟 = 676,1
Estado 2: sabe-se que o processo 1 → 2 é uma compressão isentrópica de gás ideal, portan-
to a relação de volumes normalizados pode ser aplicada:
73
𝑣𝑟1 676,1
𝑣𝑟2 = = = 84,51
𝑟 8
Para este volume reduzido, obtemos por interpolação a temperatura e energia interna do
estado 2:
UNIDADE 03
𝑇2 = 652,4 𝐾
𝑢2 = 475,11 𝑘𝐽/𝑘𝑔
Pela equação dos gases ideais, pode-se obter também a pressão para este estado:
Este valor de energia interna está associado a uma temperatura e a um volume normalizado
de, respectivamente:
𝑻𝟑 = 𝟏𝟓𝟕𝟓, 𝟏 𝑲
𝑣𝑟3 = 6,108
Com a informação da temperatura, aplica-se a equação dos gases ideais para obter a pres-
são neste estado:
𝑇3 𝑣2 1575,1 𝐾
𝑷𝟑 = 𝑃2 . = 1799,7 𝑘𝑃𝑎 . . 1 = 𝟒, 𝟑𝟒𝟓 𝑴𝑷𝒂
𝑇2 𝑣3 652,4 𝐾
𝑇4 = 795,6 𝐾
𝑢4 = 588,74 𝑘𝐽/𝑘𝑔
b) Para se obter o trabalho líquido do ciclo, sabendo que 𝑤𝑙í𝑞 = 𝑞𝑒𝑛𝑡 − 𝑞𝑠𝑎𝑖 , temos de cal-
cular a quantidade de energia rejeitada, dado que a fornecida já e de conhecimento:
74
Então:
UNIDADE 03
𝑤𝑙í𝑞 418,17
𝜼𝒕 = = = 0,523 ∴ 𝟓𝟐, 𝟑%
𝑞𝑒𝑛𝑡 800
75
Diesel sejam mais robustos devido às elevadas pressões, além de possuir um bico injetor de com-
bustível ao invés de uma vela de ignição, tal como ilustrado na Figura 16.
Figura 16 - Diferença entre vela no ciclo Otto (a gasolina) e bico injetor no ciclo Diesel
UNIDADE 03
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Çengel e Boles (2013).
A injeção de combustível no ciclo Diesel se inicia imediatamente antes do pistão atingir o PMS,
se mantendo até parte do processo de expansão, de forma que a combustão nestes motores ocorra
durante uma maior extensão de tempo. Este fenômeno faz com que no ciclo ideal a Diesel a etapa
de combustão seja modelada como um fornecimento de calor a pressão constante, sendo o único
processo que torna o ciclo ideal a Diesel diferente do ciclo Otto ideal. Os diagramas pressão – vo-
lume e temperatura – entropia são apresentados na Figura 17 para análise.
Figura 17 - Diagramas pressão - volume e temperatura - entropia para o ciclo Diesel ideal
76
Com isso, podemos definir as magnitudes das trocas de calor em cada processo do ciclo, em es-
pecial aqueles onde há adição ou remoção de calor de ou para o volume de controle.
Como o calor é transferido para o fluido de trabalho a pressão constante, haverá interação de
trabalho de fronteira enquanto calor é adicionado, desta forma podemos escrever:
UNIDADE 03
𝑞𝑒𝑛𝑡 − 𝑤𝑓,𝑠𝑎𝑖 = 𝑢3 − 𝑢2 → 𝑞𝑒𝑛𝑡 = 𝑃2 𝑣3 − 𝑣2 + 𝑢3 − 𝑢2 = ℎ3 − ℎ2 = 𝑐𝑃 (𝑇3 − 𝑇2) (23)
Enquanto para o caso da remoção de calor a pressão constante a equação se torna equivalente
àquela do ciclo Otto para este mesmo processo. Representada pela equação (19).
Podemos então descrever a eficiência térmica do ciclo Diesel ideal sob a hipótese do padrão a
𝑤𝑙í𝑞 𝑞𝑠𝑎𝑖 𝑇4 − 𝑇1
𝜂𝑡,𝐷𝑖𝑒𝑠𝑒𝑙 = =1− =1− (24)
𝑞𝑒𝑛𝑡 𝑞𝑒𝑛𝑡 𝑘 𝑇3 − 𝑇2
77
0,287.288,2
𝑃𝑣 = 𝑅𝑇 → 𝑣1 = = 0,827 𝑚3 /𝑘𝑔
100
Estado 2: sabendo que a razão de compressão é igual a 20:
𝑣1 0,827
𝑣2 = = = 0,041 𝑚3 /𝑘𝑔
UNIDADE 03
20 20
Como o processo 1 → 2 é isentrópico, temos que:
𝑘−1
𝑇2 𝑉1
= = 200,4 = 3,3145 ∴ 𝑻𝟐 = 𝟗𝟓𝟓, 𝟐 𝑲
𝑇1 𝑉2
𝑘
𝑃3 𝑉4
= = 6,9521,4 = 15,099 ∴ 𝑷𝟒 = 𝟎, 𝟗𝟓𝟒 𝑴𝑷𝒂
𝑃4 𝑉3
Para o cálculo do rendimento térmico precisamos conhecer o calor descarregado pelo ciclo:
78
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Finalizada mais uma Unidade, nos resta analisar as principais informações discutidas ao longo do
texto. Esta Unidade apresentou diversos novos conceitos, muitos sobre sistemas menos habituais,
UNIDADE 03
outros sobre sistemas extremamente presentes em nosso cotidiano, em especial as características
dos motores de combustão interna, utilizados nos principais meios de transporte que utilizamos
em nosso dia a dia.
Ciclos de potência a gás se mostraram poderosos, capazes de gerar grandes quantidades de
energia e potência, porém ainda assim com eficiências térmicas menores que ciclos a vapor apre-
sentados nas Unidades de estudo anteriores.
ANOTAÇÕES
79
UNIDADE
04
COMBUSTÃO E
MOTORES DE COM-
BUSTÃO INTERNA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
VÍDEOS DA UNIDADE
UNIDADE 04
refrigeração.
Nesta Unidade o foco é dado em sistemas de geração de potência, porém com algumas parti-
cularidades em relação ao apresentado anteriormente. Nos casos já vistos, o fluido de trabalho se
mantinha ao longo do ciclo, ou seja, sua composição não era alterada. Nesta Unidade serão apre-
sentados os conceitos de combustão, que nada mais é que uma reação química onde se utiliza da
energia liberada por uma reação exotérmica para gerar trabalho útil, de diversas maneiras. Sendo
1. SISTEMAS REATIVOS
Nas Unidades anteriores analisamos ciclos de potência onde o fluido de trabalho não era sub-
metido a qualquer reação química, as transferências de calor eram baseadas na mudança de fase e
condições de pressão e temperatura do fluido de trabalho, apenas. Também analisamos casos em
que estão presentes as câmaras de mistura, onde dois fluidos são misturados, porém ainda assim
sem que haja qualquer reação química.
Nesta Unidade inicia-se o estudo dos sistemas onde a composição química do fluido varia du-
rante o processo, ou seja, sistemas onde reações químicas ocorrem.
Ao analisarmos o balanço de energia dos sistemas onde a composição não é alterada, bastava
relacionarmos as variações de entalpia entre estados do ciclo para determinar as transferências de
calor e iterações de trabalho. Para os sistemas onde reações químicas estão presentes (também
denominados sistemas reativos), deve-se considerar também a energia química do processo, ou
seja, aquela associada à destruição e formação de ligações químicas entre os átomos das diferen-
tes substâncias envolvidas.
81
A reação química mais comum em ciclos de potência, que são a maioria em nossas análises, é
a reação de combustão. Portanto, devemos definir inicialmente com clareza os conceitos de com-
bustão e combustíveis.
1.1 COMBUSTÍVEIS
UNIDADE 04
Todo material que ao ser queimado libera energia térmica pode ser chamado de combustível.
A maioria dos combustíveis utilizados atualmente tem sua composição baseada em carbono e hi-
drogênio, motivo pelo qual são denominados combustíveis de hidrocarbonetos, possuindo fórmula
básica CnHm. São exemplos de combustíveis de hidrocarbonetos o carvão, a gasolina e o gás natural,
sendo encontrados, portanto, em todas as fases.
82
A Figura 2 apresenta os diversos produtos do refinamento do petróleo, juntamente aos tamanhos
das cadeias de carbono e suas respectivas temperaturas de ebulição aproximadas, de forma que
a destilação seja capaz de separá-los um a um. Note que entre as etapas do processamento, nada
é desperdiçado, o material com menor ponto de ebulição é um frequente consumível em nossas
cozinhas, enquanto os resíduos com maiores pontos de ebulição são empregados em rodovias por
UNIDADE 04
onde trafegamos diariamente.
83
Dentre os combustíveis mais comumente utilizados encontram-se a gasolina, o diesel e o gás
natural. A gasolina é predominantemente composta por octano (C8H18), motivo pelo qual surge o
termo “octanagem” quando se refere à capacidade de gerar energia de um combustível com com-
posição duvidosa. Já o diesel é composto predominantemente por duodecano (C12H26), enquanto
o gás natural tem em sua composição maioritariamente o gás metano (CH4).
UNIDADE 04
Outra classe de combustível amplamente utilizado atualmente é a dos álcoois. Álcoois são ca-
racterizados pela substituição de um dos átomos de hidrogênio da cadeia por um radical OH. Por
exemplo, o álcool metílico (também conhecido como metanol) tem fórmula CH3OH, enquanto o
etanol possui fórmula química C2H5OH.
Um grande diferencial dos álcoois está relacionado a sua fabricação, pois são considerados bio-
combustíveis por serem produzidos a partir cultivos agrícolas ou conversão química de matéria re-
1.2 COMBUSTÃO
Segundo Çengel e Boles (2013), define-se por combustão a reação química durante a qual um
combustível é oxidado e uma grande quantidade de energia é liberada. Como uma reação quími-
ca qualquer, a massa de cada elemento permanece a mesma, sendo este fato necessário para o
equilíbrio da reação. Sabendo disso, podemos identificar a quantidade de cada constituinte a ser
obtido após uma reação de combustão.
A título de exemplo, consideremos a reação do carbono com o oxigênio apresentada na equação
(32). Os constituintes a esquerda da seta representam os reagentes, enquanto os constituintes a
direita da seta são denominados produtos da reação.
𝐶 + 𝑂2 → 𝐶𝑂2 (1)
interpretação da equação (32) nos mostra que um kmol de carbono reage com um kmol de
oxigênio, gerando como produto um kmol de dióxido de carbono. Convertendo estes valores para
84
unidades de massa a partir das características químicas molares dos constituintes da reação, te-
mos que 12 kg de carbono reagem com 32 kg de oxigênio formando 44 kg de dióxido de carbono.
Hidrocarbonetos ao sofrerem combustão fazem com que o carbono e o hidrogênio que o cons-
tituem sejam oxidados. A equação (32) representa a combustão do metano.
UNIDADE 04
𝐶𝐻4 + 2𝑂2 → 𝐶𝑂2 + 2𝐻2 𝑂 (2)
A reação do metano gera como produto, além do dióxido de carbono, duas moléculas de água,
cujo estado dependerá das condições de pressão e temperatura dos produtos da combustão.
Uma análise mais aprofundada dos processos de combustão deve considerar os constituintes in-
85
REFLITA
Note que a reação de combustão apresenta como reagente apenas a quantidade de oxigênio ne-
cessária para a reação estequiométrica. A quantidade de ar necessária para a combustão estequio-
UNIDADE 04
métrica é denominada ar teórico, ou seja, quando ocorre a combustão completa com ar teórico,
não haverá gás oxigênio entre os produtos da reação.
De acordo com Borgnakke e Sonntag (2018), a equação geral para a combustão de um hidrocar-
boneto com ar terá a forma da equação (32):
𝐶: 𝑣𝐶𝑂2 = 𝑥 (5)
𝐻: 2𝑣𝐻2𝑂 = 𝑦 (6)
𝑣𝐻2𝑂 𝑦
𝑂2 : 𝑣𝑂2 = 𝑣𝐶𝑂2 + = 𝑥+ (8)
2 4
Como o ar é composto pela proporção de 1 mol de oxigênio para cada 3,76 moles de nitrogênio,
temos que o número de moles de ar para cada mol de combustível será:
𝑦
𝑛𝑎𝑟 = 𝑣𝑂2 × 4,76 = 4,76 𝑥 + (9)
4
Sendo, portanto, nar equivalente a 100% do ar teórico. Em ambientes e condições ideais a com-
bustão ocorreria por completo ao se utilizar ar teórico, porém sabe-se que a quantidade de ar a ser
fornecida para a combustão será sempre superior a quantidade teórica necessária.
Uma característica importante para a análise de combustão é a demanda de ar para cada uni-
dade de combustível, para isto, define-se dois parâmetros, a relação ar-combustível (denominada
86
AC) e sua recíproca, a relação combustível-ar (denominada CA). Estes parâmetros são representa-
dos tanto em unidades de massa quanto em unidades molares, como apresentado nas equações
(10) e (32) respectivamente.
𝑚 𝑎𝑟
𝐴𝐶𝑚á𝑠𝑠𝑖𝑐𝑎 =
UNIDADE 04
𝑚 𝑐𝑜𝑚𝑏 (10)
𝑛𝑎𝑟
𝐴𝐶𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 = (11)
𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏
𝐶𝐴
𝜙= (13)
𝐶𝐴𝑡
De acordo com Moran (2018), os reagentes formarão uma mistura pobre quando ϕ < 1 (menos
combustível que para o caso estequiométrico), enquanto a mistura será considerada rica para os
casos em que ϕ > 1 (mais combustível que para o caso estequiométrico). Note que para casos de
mistura pobre, sobrará oxigênio e este estará entre os produtos da combustão, enquanto para o
caso da mistura rica, faltará oxigênio para a combustão completa, de forma que hidrocarbonetos
serão encontrados entre os produtos da combustão.
Exemplo 1 (Çengel e Boles, 2013): Um kmol de octano C8H18 é queimado com ar que contém
20 kmol de O2, como mostra a Figura 3 - Exemplo 1. Admitindo que os produtos contenham
apenas CO2, H2O, O2 e N2, determine o número de mols de cada gás dos produtos e a razão
ar/combustível desse processo de combustão.
87
Figura 3 - Exemplo 1
UNIDADE 04
Fonte: Çengel e Boles (2013).
Sendo o termo (O2 + 3,76N2) referente à composição do ar seco que contém 20 kmol de
O2, enquanto x, y, z e w são os números de mols de cada um dos gases obtidos como pro-
duto da combustão.
Aplicando o balanço de massa para os elementos envolvidos, sabendo que as quantidades
de cada um deles é mantida durante a reação, temos:
𝐶: 𝒙 = 𝟖
𝐻: 18 = 2𝑦 ∴ 𝒚 = 𝟗
𝑂: 20 × 2 = 2𝑥 + 𝑦 + 2𝑧 ∴ 𝒛 = 𝟕, 𝟓
88
Com isso, podemos obter a razão ar-combustível:
𝑚 𝑎𝑟 2757,94 𝒌𝒈 𝒂𝒓
𝐴𝐶 = = = 𝟐𝟒, 𝟏𝟗
𝑚 𝑐𝑜𝑚𝑏 114 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃𝒖𝒔𝒕í𝒗𝒆𝒍
Esta é então a quantidade de ar, em massa, necessária para queimar cada quilograma de
UNIDADE 04
combustível.
Exemplo 2 (Moran, 2018): Metano (CH4), é queimado com ar seco. A análise molar dos pro-
dutos em uma base seca resulta em 9,7% de CO2, 0,5% de CO; 2,95% de O2; e 86,85% de
N2. Determine a razão ar–combustível nas bases molar e mássica, assim como o percentual
de ar teórico.
Solução: como os valores fornecidos consideram as quantidades de cada produto como
quantidades, é conveniente supor que os produtos somados resultam em uma base de 100
kmol de produtos secos. A equação da combustão será, desta forma:
Lembre-se que o volume percentual citado se refere aos produtos secos, deve-se adicionar
água aos produtos de combustão, pois a combustão gerará tal produto naturalmente.
Pela conservação de massa dos constituintes, podemos escrever para o carbono, hidrogê-
nio e oxigênio:
𝐶: 9,7 + 0,5 = 𝑎
𝐻: 2𝑐 = 4𝑎
A solução destas equações leva a a = 10,2, b = 23,1 e c = 20,4. Desta forma, a equação cor-
retamente balanceada será:
A razão ar-combustível pode então ser determinada, inicialmente em base molar, teremos,
de acordo com a equação (11):
89
𝑛𝑎𝑟 23,1 × 4,76 𝒌𝒎𝒐𝒍 𝒂𝒓
𝑨𝑪𝒎𝒐𝒍𝒂𝒓 = = = 𝟏𝟎, 𝟕𝟖
𝑛𝑐𝑜𝑚𝑏 10,2 𝒌𝒎𝒐𝒍 𝒄𝒐𝒎𝒃.
UNIDADE 04
kmol, de acordo com a equação (12):
𝑀𝑎𝑟 28,97 𝒌𝒈 𝒂𝒓
𝑨𝑪𝒎á𝒔𝒔𝒊𝒄𝒂 = 𝐴𝐶𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 = 10,78 × = 𝟏𝟗, 𝟒𝟕
𝑀𝑐𝑜𝑚𝑏 16,04 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.
Conhecida esta razão, o percentual de ar teórico pode ser definido pelo inverso da razão de
equivalência:
1 𝐴𝐶𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 10,78
= = = 1,13 ∴ 113% 𝑑𝑒 𝑎𝑟 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜
𝜙 𝐴𝐶𝑡𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 9,52
Isto significa que 13% do ar disponível como reagente não será utilizado na combustão, sen-
do então representado também como produto da mesma.
90
padrão. Por exemplo, para o gás ideal nitrogênio a 500 K, sua entalpia molar é h̅ 500 K = 14,581 kJ/
kmol, enquanto para o estado padrão a entalpia vale h̅ ° = 8,669 kJ/kmol, logo, se desejarmos saber
a entalpia relativa desta substância, basta realizarmos: h̅ 500 K – h̅ ° = 14,581 – 8,669 = 5912 kJ/kmol.
Para fim de análise, consideremos a formação do CO2 a partir de seus elementos carbono e oxigê-
nio durante sua combustão em regime permanente. Tanto o oxigênio quanto o carbono entram na
UNIDADE 04
câmara de combustão como reagentes no estado de referência padrão, tal como ilustrado na Figura 4.
Note que na representação da combustão que gera o CO2, este sai da câmara de combustão
também no estado de referência padrão, mesmo a combustão sendo uma reação exotérmica (que
libera calor). Isto ocorre, pois 393,520 kJ/kmol de energia é fornecido ao longo do processo de
combustão, sendo que ao longo da combustão citada não há interações de trabalho, portanto, a
transferência de calor observada é originada da diferença entre a entalpia dos produtos e a ental-
pia dos reagentes, descrita pela equação (32).
Como o estado dos reagentes e dos produtos é o mesmo, a variação de entalpia durante a com-
bustão ocorre devido às alterações da composição química do sistema. Cada reação química apre-
sentará uma variação de entalpia diferente, denominada entalpia da reação hR, que segundo Çengel
e Boles (2013) pode ser definida como a diferença entre a entalpia dos produtos e a entalpia dos
reagentes em um mesmo estado, para uma reação completa.
Para os casos específicos em que a reação química que ocorre é a combustão, esta entalpia é
convenientemente chamada de entalpia de combustão hC, que representa então a quantidade de
calor liberado durante uma combustão em regime permanente quando 1 kmol ou 1 kg de com-
bustível é queimado completamente a certa pressão e a certa temperatura. Temos então que:
91
Note que ao mudar as condições em que a combustão ocorre, a entalpia de combustão será
também alterada.
Em situações gerais, a análise da energia liberada pela combustão pode se tornar complexa se
considerarmos uma entalpia de combustão para cada um dos muitos possíveis casos de reação de
combustão e sua respectiva proporção de mistura, além deste método não possibilitar a análise de
UNIDADE 04
combustão incompleta, tornando-se inconveniente o uso de tatos dados tabelados. Para lidar com
isso, utiliza-se uma propriedade mais fundamental para representar a energia química de um ele-
mento ou composto em um certo estado, a denominada entalpia de formação h̅ f, que representa
a entalpia de uma substância em um estado específico, graças a sua formulação química.
Como referência, a entalpia de formação dos elementos estáveis (tais como O2, N2, H2 e C) recebe
valor nulo no estado de referência padrão (25°C e 1 atm), ou seja, h̅ f = 0 para todos os elementos
O sinal negativo indica que a entalpia do dióxido de carbono é inferior àquela do oxigênio e do
carbono no estado de referência padrão, ou seja, esta quantidade de energia é liberada pelas subs-
tâncias ao se converterem para CO2. Um valor negativo de entalpia de formação indicará então a
liberação de energia para formação (reação exotérmica) enquanto um valor positivo indicará a neces-
sidade de calor para que a reação aconteça (reação endotérmica), este segundo em geral não gera
interesse para processos de combustão, onde se deseja liberar energia através de reação química.
O poder calorífico apresenta diferentes valores a depender da fase da água entre os produtos da
reação. Caso a água seja encontrada entre os produtos da reação na forma líquida, denomina-se
92
poder calorífico superior (PCS), enquanto para o caso de a água estar na forma gasosa denomina-se
poder calorífico inferior (PCI). Isto se deve pela necessidade de energia ser fornecida a água para a
mudança do estado líquido para o gasoso, motivo pelo qual a relação da equação (17) é estabelecida.
UNIDADE 04
𝐻2 𝑂 (17)
Onde m é a massa de água presente nos produtos da reação e hlv é a entalpia de vaporização
da água na temperatura da saída dos produtos da combustão.
Figura 5 - Exemplo 3
Solução: sabemos das análises efetuadas anteriormente que a combustão do octano líquido
envolve octano e ar (oxigênio e nitrogênio), para produzir água, dióxido de carbono e nitro-
gênio, portanto a entalpia de formação dos compostos que sofrem reação química deve ser
obtida. Considerando-se o estado padrão de referência, as entalpias de formação são obti-
das na tabela informada no enunciado:
𝑘𝐽
ℎ�°𝑓,𝐶𝑂2 = −393,52
𝑘𝑚𝑜𝑙
𝑘𝐽
ℎ�°𝑓,𝐻2𝑂 = −285,83
𝑘𝑚𝑜𝑙
𝑘𝐽
ℎ�°𝑓,𝐶8𝐻18 = −249,95
𝑘𝑚𝑜𝑙
93
Consideramos que tanto os reagentes quanto os produtos estão no estado de referência pa-
drão, assim como os gases nitrogênio e oxigênio são estáveis e, portanto, a entalpia de forma-
ção de ambos é nula. A entalpia de combustão do octano será então dada pela equação (15):
ℎ�𝐶 = 𝐻𝑝𝑟𝑜𝑑 − 𝐻𝑟𝑒𝑎𝑔 = ∑𝑁𝑝 ℎ�°𝑓,𝑝 − ∑𝑁𝑟 ℎ�°𝑓,𝑟 = 𝑁ℎ�°𝑓 + 𝑁ℎ� °𝑓 − 𝑁ℎ�°𝑓
𝐶𝑂2 𝐻2 𝑂 𝐶8 𝐻18
UNIDADE 04
Substituindo então o número de mols de cada reagente e produto, juntamente às suas en-
talpias de formação:
� 𝑘𝐽 𝑘𝐽 𝑘𝐽
𝒉𝑪 = 8 𝑘𝑚𝑜𝑙 −393 ,52 + 9 𝑘𝑚𝑜𝑙 −285,83 − 1 𝑘𝑚𝑜𝑙 −249 ,95 =
𝑘𝑚𝑜𝑙 𝑘𝑚𝑜𝑙 𝑘𝑚𝑜𝑙
−𝟓𝟒𝟕𝟏𝟎𝟎𝟎 𝒌𝑱/𝒌𝒎𝒐𝒍
SAIBA MAIS
Nos motores a combustão em geral, as quantidades de energia e massa são quantificadas como
taxas, ou seja, por unidade de tempo. Esta análise nos leva a obtenção de potência (energia por
tempo), que é a grandeza mais amplamente utilizada para avaliação de dispositivos para diversas
circunstâncias, seja para propulsão de um veículo, ou para o acionamento de um maquinário pe-
sado. Busque na bibliografia disponível na Minha Biblioteca para melhor compreender a análise
de energia para sistemas com combustão em regime permanente.
94
Esta seção visa apresentar aspectos dos motores de combustão interna voltados para as carac-
terísticas construtivas e aspectos físicos destes, proporcionando melhor compreensão da metodo-
logia de projeto e seleção deste tipo de motor.
A Figura 6 apresenta uma disposição amplamente utilizada em motores alternativos de com-
bustão interna, denominado mecanismo pistão-biela-manivela, capaz de converter um movimento
UNIDADE 04
linear gerado pela expansão do fluido na câmara de combustão do motor em um movimento de
rotação em torno do eixo árvore deste.
Na Figura 6 podemos observar que a força de expansão F é transferida pela biela até a manive-
la, onde a componente Ftan age com braço de alavanca r para produzir o momento torsor Tα. Note
que a expansão do embolo do motor, em situações reais, não ocorre através de um movimento
com pressão constante, de forma que a própria componente de força F varie de acordo com a po-
sição do eixo de manivelas, fazendo com que o próprio torque Tα também varie de acordo com a
posição angular α do eixo de manivelas.
A força F aplicada no pistão é função da pressão gerada pela combustão, que por sua vez é função
da rotação e da massa de mistura combustível-ar inserida na câmara de combustão. Esta combinação é
que permite a variação do torque disponibilizado pelo motor com a rotação e a carga de alimentação.
Para que se possa avaliar o torque disponibilizado por um motor, é necessário que uma carga de
resistência seja imposta, caso contrário a rotação n do eixo tenderia a aumentar indefinidamente.
Estas cargas resistivas são geradas por dispositivos denominados dinamômetros.
95
2.1 DINAMÔMETROS
Para que se possa aplicar uma carga resistiva ao motor que se deseja avaliar, esta carga deverá
ser o mais constante possível. Entre os modelos, podemos citar o Freio de Prony, os Dinamômetros
hidráulicos e os Dinamômetros Elétricos.
UNIDADE 04
Freio de Prony é um dispositivo geralmente aplicado para fins didáticos que se baseia no atrito
gerado por uma cinta de freio em torno de um cilindro ou eixo girante, tal como ilustrado na Figura 7.
Quanto maior o esforço aplicado na cinta de frenagem, maior será a resistência a rotação e con-
sequentemente o motor terá de fornecer maior torque, o que proporciona que a força de resistên-
cia do dispositivo possa ser equalizada com o torque do motor de forma razoável. A maior limitação
do Freio de Prony está associada a dissipação do calor gerado pela fricção da cinta com o cilindro,
de tal forma que este seja aplicável apenas para motores pequenos em fins didáticos.
O princípio de funcionamento dos demais dinamômetros tem certa semelhança ao Freio de
Prony, o grande diferencial consiste no mecanismo de aplicação dos freios, sendo o cisalhamento
de água no sistema hidráulico e campo elétrico ou magnético nos sistemas elétricos.
Os dinamômetros hidráulicos possuem uma carcaça metálica vedada que se apoia em dois man-
cais coaxiais. Desta forma a carcaça fica livre para oscilar em torno de seu eixo, sendo equilibrada
pelo braço que se apoia na balança ou célula de carga.
Entre as principais vantagens deste tipo de sistema está a possibilidade de refrigeração do líqui-
do utilizado, através de um circuito secundário. A Figura 8 ilustra um exemplar de dinamômetro
hidráulico, note em sua lateral a haste onde uma célula de carga é instalada, para que se possa
mensurar a força a ser aplicada para manter o equilíbrio do sistema de freio.
96
Figura 8 - Dinamômetro hidráulico
UNIDADE 04
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Brunetti (2018).
97
2.2 CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES DOS MOTORES
Uma das especificações mais importantes quanto ao desempenho dos motores é o torque, cujo
significado e método de medição já foi apresentado na subseção anterior. Existem outras proprie-
dades que também descrevem o desempenho dos motores, além de sua eficiência.
UNIDADE 04
Quando relacionamos o torque (T) e a velocidade angular (ω) de um motor, podemos definir a
potência deste, mais especificamente, a potência efetiva Ne, considerada a potência na saída do
motor e obtida pela equação (32).
𝑁𝑒 = 𝑇 × 𝜔 = 𝑇 × 2𝜋 × 𝑛 (18)
𝑛
𝑁𝑖 = 𝑊𝑖 𝑧 (19)
𝑥
Onde n é a rotação do motor, x = 1 para motores com ciclo 2 tempos ou x = 2 para motores com
ciclo 4 tempos e z é o número de cilindros do motor.
Note que a potência indicada sempre será superior a potência efetiva, devido às perdas por atri-
to durante o processo, de tal forma que possamos equacionar uma potência de atrito Na, tal que:
𝑁𝑖 = 𝑁𝑒 + 𝑁𝑎 (20)
Sabendo que um motor nada mais é que uma máquina térmica, a potência desenvolvida provém
basicamente do calor proveniente de uma mistura ar-combustível. Isto pode ser representado, de
forma simplificada, por:
𝑄̇ = 𝑚̇ 𝑐 × 𝑃𝐶𝐼 (21)
98
propriedades termodinâmicas do ciclo, e que nem todo o calor fornecido pela combustão poderá
ser transformado em trabalho do ciclo. Devido a isto, podemos afirmar que a potência indicada do
ciclo será sempre inferior a taxa de fornecimento de calor, ou seja Ni < Q̇ .
Uma relação pode ser estabelecida para relacionar a taxa de fornecimento de calor e a potência
indicada, a denominada eficiência térmica ηt:
UNIDADE 04
𝑁𝑖
𝜂𝑡 = (22)
𝑄̇
Além da eficiência térmica da conversão de energia, podemos definir outras variáveis de eficiên-
cia, sendo elas a eficiência global (ηg) e a eficiência mecânica (ηm), tal como as seguintes relações:
𝑁𝑒
𝜂𝑚 = (24)
𝑁𝑖
𝜂𝑔 = 𝜂𝑡 × 𝜂𝑚 (25)
Estas relações, quando associadas a equação (20) nos permitem afirmar que a potência efetiva
pode ser obtida por:
𝑁𝑒 = 𝑚̇ 𝑐 × 𝑃𝐶𝐼 × 𝜂𝑡 × 𝜂𝑚 (26)
Esta expressão tem grande significado, pois deixa claro que a potência efetiva possui relação
de proporcionalidade direta com a vazão mássica de combustível, com o poder calorífico e com os
rendimentos, então a elevação de qualquer um deles está associada a elevação da potência efetiva.
Definimos anteriormente a razão combustível-ar mássica, denominada CAmássica, para simplificar
sua representação e adequá-la a formulação matemática realizada por Brunetti (2018), esta razão
para o caso estequiométrico, ou seja, ar teórico, será representada por F, tal que:
𝑚 𝑐 𝑚̇ 𝑐
𝐹= = (27)
𝑚 𝑎 𝑚̇ 𝑎
Esta razão entre os fluxos de massa de combustível e de ar pode ser utilizada para reescrever a
equação (26) em função do fluxo de ar:
99
𝑁𝑒 = 𝑚̇ 𝑎 × 𝐹 × 𝑃𝐶𝐼 × 𝜂𝑡 × 𝜂𝑚 (28)
Como o ar que chega a câmara de combustão geralmente sofre aquecimento durante seu per-
UNIDADE 04
curso, devido a altas temperaturas dos motores a combustão e seu entorno, é válido representar
uma eficiência volumétrica ηv, tal que:
𝑚𝑎 𝑚̇
𝜂𝑣 = = 𝑎 (29)
𝑚 𝑎𝑐 𝑚̇ 𝑎𝑐
Eficiência volumétrica consiste na razão entre a massa de ar que é admitida pelo motor (ma) e
𝑁𝑒 = 𝑚̇ 𝑎𝑐 × 𝐹 × 𝑃𝐶𝐼 × 𝜂𝑡 × 𝜂𝑚 × 𝜂𝑣 (30)
Esta equação é utilizada pelo sistema de gerenciamento de potência dos motores de combus-
tão interna, com intuito de controlar a vazão de ar atmosférico que é admitido pelo sistema de
alimentação, considerando os demais parâmetros, que devem ser previamente conhecidos para
determinadas condições de temperatura e pressão.
Outro importante parâmetro a ser avaliado para motores de combustão, segundo Brunetti (2018),
é o consumo específico, denotado por Ce, que consiste na razão entre o fluxo mássico de combus-
tível e a potência efetiva:
𝑚̇ 𝑐
𝐶𝑒 = (31)
𝑁𝑒
De forma simplificada, pode-se aplicar o conceito de eficiência global, com a equação (26) para
reescrever:
1
𝐶𝑒 = (32)
𝑃𝐶𝐼 × 𝜂𝑔
100
A Figura 10 apresenta uma curva de consumo de combustível para diferentes faixas de rotação
de um motor ciclo Diesel.
UNIDADE 04
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
101
Figura 11 - Exemplo de mapa de motor
UNIDADE 04
UNIBRASIL EAD | MÁQUINAS TÉRMICAS
Fonte: Brunetti (2018).
Estes diagramas permitem extensas interpretações sobre o comportamento dos motores, a mais
simples de se observar é que os menores valores de consumo específico (que devem ser deseja-
dos), estão voltados para as regiões de menor rotação do motor, região de trabalho no qual habi-
tualmente se obtém maior rendimento em motores alternativos.
102
No Brasil, em 1986 foi criado o PROCONVE – Programa de Controle de Poluição do Ar por Veícu-
los Automotores, onde um plano de redução foi elaborado. Em 2002 um novo programa, denomi-
nado PROMOT – Programa de Controle da Poluição do Ar por Motocicletas e Veículos Similares foi
elaborado, onde algumas fases foram estabelecidas, baseando-se nas normas europeias EURO III.
Estes regulamentos devem ser respeitados pelos importadores e fabricantes de veículos às custas
UNIDADE 04
da proibição da venda em território nacional.
Estas regulamentações são responsáveis pela necessidade de readaptação de diversos modelos
de veículos mundiais para que possam ser comercializados no Brasil, sendo, portanto, considerado
exemplar no que tange a regulamentação para emissão de poluentes.
Na década de 60, a cidade de Los Angeles sofreu com um fenômeno chamado “smog”, causado
por excesso de partículas no ar, associada a uma condição geográfica única do local. Este fenômeno
causou a morte de muitos habitantes da cidade por problemas de pele e respiratórios, sendo mo-
tivador da elaboração de diversas regulamentações quanto à emissão de poluentes por indústrias,
aquecedores residenciais e especialmente veículos automotores. O vídeo “The Science of smog”
do canal TED-Ed aborda este tema, descrevendo detalhes do fenômeno e suas consequências.
Assista através do link: [Link] Acesso em 25 jan. 2023.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta Unidade encerra a disciplina de Máquinas Térmicas apresentando uma das máquinas mais
comuns e antigas da história, os motores a combustão.
Atualmente a humanidade ainda depende fortemente de combustíveis fósseis para deslocamen-
to, produção de energia elétrica e mecânica para indústrias e residências. Os esforços têm estado
fortemente direcionados para técnicas de elevação da eficiência destas máquinas térmicas, seja
através da utilização de combustíveis renováveis ou alternativos, ou através da mudança de carac-
terísticas no funcionamento dos dispositivos.
Na última década, um movimento intenso tem surgido por parte dos fabricantes de veículos
automotores pela utilização de motores sobrealimentados ou híbridos. O primeiro caso se refere
à instalação de sistema que proporciona maiores potências sendo geradas em motores de meno-
res dimensões, proporcionando maiores rendimentos gerais do veículo como um todo. Já no caso
dos veículos híbridos, motores a combustão são combinados com motores elétricos para propul-
são, de forma que o consumo de combustível seja drasticamente reduzido apenas para situações
específicas do uso do veículo, como a demanda por elevada potência ou por maiores autonomias.
Fato é que combustão e motores a combustão fazem parte intensamente de nossa realidade e
seu conhecimento é imprescindível.
103
Esta Unidade apresentou então conceitos sobre combustíveis, combustão e avaliação de moto-
res, de forma que estudos avançados nesta área possam ser subsidiados, com intuito de promover
avanço tecnológico e melhoria contínua destas máquinas térmicas.
UNIDADE 04
ANOTAÇÕES
104
REFERÊNCIAS
105
EAD