UMA INTRODUÇÃO À ASTRONOMIA
Prof. Fernando R de Paula
Departamento de Física e Química - UNESP
I NTRODUÇÃO À ASTRONOMIA
A astronomia é definida como o estudo dos objetos que estão além do nosso planeta
Terra e os processos pelos quais esses objetos interagem uns com os outros. Veremos
que a Astronomia é muito mais.
A Humanidade sempre olhou para os céus
Nossa Galáxia a Via Láctea
Via Láctea e a Mitologia Grega
Registros da Astronomia Antiga
Stonehenge brasileiro (Acre)
Stonehenge (sul da Inglaterra)
O observatório Maia O “Caracol” Chichen
Observatório de Jantar Mantar Itza (México)
Fim da Mitologia e o começo da Ciência
A Tecnologia Evoluiu e com ela a Astronomia
Estima-se que a nossa galáxia, a Via Láctea, possui de 200 a 400 bilhões de
estrelas. As galáxias possuem em média centenas de bilhões de estrelas. E as
estimativas também apontam para centenas de bilhões de galáxias no Universo.
Isto resultaria na existência de mais de 10 sextilhões de estrelas.
O Grupo Local é o grupo composto por mais de 54
galáxias que inclui nossa Galáxia, a Via Láctea,
sendo a maioria delas galáxias anãs, com o centro
gravitacional localizado entre a Via Láctea e a
Galáxia de Andrômeda. As galáxias do Grupo Local
cobrem uns 10 milhões de anos-luz de diâmetro e tem
uma aparência binária.
O NASCIMENTO DA ASTRONOMIA
PRÉ-HISTÓRIA
Na pré-história (de 100 mil anos atrás
até cerca de 8 mil a.C.), quando o ser
humano vivia em pequenos grupos
nômades. A preocupação com a
sobrevivência num ambiente natural e
hostil era crucial. Caçar, pescar, procurar
frutas e raízes comestíveis, fugir de
animais perigosos e abrigar-se das
variações climáticas faziam parte do
cotidiano do homem pré-histórico. O
homem dessa época tinha que se adaptar
à alternância do claro-escuro e à
mudança das estações.
MUNDO ANTIGO
Após a última glaciação, a agricultura e a domesticação de animais tornaram-se atividades
importantes para a sobrevivência do homem em nosso planeta. Começaram a aparecer os
primeiros vilarejos e povoados. As primeiras civilizações mais notáveis surgiram a partir de
5.500 anos atrás, em quatro regiões hidrográficas distintas do planeta: nas bacias dos rios
Tigre e Eufrates (Mesopotâmia, região atual do Irã e Iraque), por volta do ano 3500 a.C., com
os sumerianos; ao longo do rio Nilo (atual Egito) em torno de 3100 a.C.; nas margens do rio
Indus (atual Índia) por volta de 2500 a.C.; e em torno do rio Amarelo (atual China) em cerca
do ano 2000 a.C. As sociedades da Mesopotâmia, Indu e do Antigo Egito influenciaram umas
às outras devido à proximidade entre elas, inclusive marcando o desenvolvimento de outras
posteriores como a da Antiga Grécia.
O desenvolvimento da escrita e, posteriormente, o da matemática, foram essenciais para o
crescimento cultural e científico das primeiras civilizações, inclusive no campo da Astronomia.
Certamente, a Astronomia é uma das ciências mais antigas
da Humanidade. Nas civilizações antigas, o homem ainda
continuava a associar divindades aos fenômenos naturais
(astronômicos ou não). Os homens pré-histórico e antigo
buscavam encontrar explicações mitológicas para vários
fenômenos celestes observados, entre os quais: os dias, as
noites, os eclipses da Lua e do Sol, as fases da Lua, o
deslocamento dos planetas por entre as estrelas, os
cometas e as estrelas cadentes. Além do mais, nossos
antepassados buscavam associar os fenômenos celestes aos
terrestres e vice-versa.
Os babilônios foram um dos primeiros povos a
registrar a presença dos cinco planetas visíveis a olho
nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno).
Os babilônios buscavam entender as vontades dos
deuses observando os astros no céu, as quais se
refletiam de algum modo nos fatos terrestres.
Assim, a Astrologia e a Astronomia nascem juntas,
como uma única forma de conhecimento. A palavra
desastre significa, primordialmente, um fato que
contraria os astros. Conceberam as primeiras
constelações, que eram apenas representações de
figuras de deuses, animais e objetos “desenhados”
pelas estrelas. As constelações do Zodíaco são um
exemplo.
Astrologia é uma pseudociência que estuda os corpos celestes e as
prováveis relações que possuem com a vida das pessoas e os
acontecimentos na Terra. A raiz etimológica desta palavra se
originou a partir da junção dos termos gregos astron, que significa
“estrela” ou “astros”, e logos, que quer dizer “estudo”.
OS ASTRÔNOMOS DA GRÉCIA ANTIGA
Tales de Mileto (624 - 546 a.C.) introduziu na Pitágoras de Samos (572 - 497 a.C.)
Grécia os fundamentos da geometria e da acreditava na esfericidade da Terra, da Lua
astronomia, trazidos do Egito. Pensava que a e de outros corpos celestes. Achava que os
Terra era um disco plano em uma vasta planetas, o Sol, e a Lua eram transportados
extensão de água. Juntamente com seu por esferas separadas da que carregava as
discípulo Anaximandro, (610 - 546 a.C), estrelas. Enfatizou a importância da
também de Mileto, foi dos primeiros a propor matemática na descrição dos modelos
modelos celestes baseados no movimento dos cosmológicos que pudessem ser comparados
corpos celestes e não em manifestações dos com os movimentos observados dos corpos
deuses. Anaximandro descobriu a obliquidade celestes, cuja regularidade via uma
da eclíptica (inclinação do plano do equador da harmonia cósmica". Os pitagóricos
Terra em relação a trajetória anual aparente (seguidores de Pitágoras) foram os
do Sol no céu). primeiros a chamar o universo de cosmos",
palavra que implicava ordem racional,
simetria e beleza.
Filolaus
Filolaus de Cretona
Crotona (470-390
(470-390a.C.)
a.C.) Eudoxo de Cnidos (408-344 a.C) foi o primeiro
introduziu
Introduziu
a ideia do movimento
a ideia do damovimento
Terra: eleda a propor que a duração do ano era de 365 dias
imaginava
Terra:
que a ele
Terraimaginava
girava emque torno
a deTerra e 6 horas. Explicou os movimentos observados
seu próprio
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o Sol, Sol, da Lua e dos planetas através de um
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central"
a luz e energia.
que seria o centro do universo velocidades em torno da Terra, fixa no centro.
e fonte de toda a luz e energia.
Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) coletou e sistematizou o conhecimento astronômico de
seu tempo, procurando explicações racionais para todos os fenômenos naturais. Explicou que
as fases da Lua dependem de quanto da parte da face da Lua iluminada pelo Sol está voltada
para a Terra. Explicou, também, os eclipses: um eclipse do Sol ocorre quando a Lua passa
entre a Terra e o Sol; um eclipse da Lua ocorre quando a Lua entra na sombra da Terra.
Aristóteles argumentou a favor da esfericidade da Terra, já que a sombra da Terra na Lua
durante um eclipse lunar é sempre arredondada. (Geocentrismo) Rejeitou o movimento da
Terra como alternativa ao movimento das estrelas argumentando que, se a Terra estivesse em
movimento, os corpos cairiam para trás ao serem largados, e as estrelas deveriam apresentar
movimentos aparentes entre si devido à paralaxe, o que não era observado. Afirmava que o
Universo era esférico e infinito.
Aristarco de Samos (310-230 a.C.) foi o primeiro a propor um modelo heliocêntrico
consistente para o sistema solar, antecipando Copérnico em quase 2000 anos. Arranjou os
planetas na ordem de distância ao Sol que é ceita hoje. Desenvolveu um método para
determinar as distâncias relativas do Sol e da Lua à Terra que o aproxima dos astrônomos
modernos na solução de problemas astronômicos. Também mediu os tamanhos relativos da
Terra, do Sol e da Lua, e mesmo achando valores muito abaixo dos atuais para o tamanho do
Sol em relação à Lua (apenas 30 vezes maior), concluiu que o Sol não poderia estar orbitando
a Terra porque um corpo tão grande como o Sol não poderia girar em torno de um corpo tão
pequeno como a Terra.
Eratóstenes de Cirênia (276-194 a.C.), bibliotecário e diretor da Biblioteca de Alexandrina de
240 a.C. a 194 a.C., foi o primeiro a medir o diâmetro da Terra. Ele notou que, na cidade
egípcia de Siena (atualmente chamada de Aswân), no primeiro dia do verão, ao meio-dia, a luz
solar atingia o fundo de um grande poço, ou seja, o Sol estava incidindo perpendicularmente à
Terra em Siena. Já em Alexandria, situada ao norte de Siena, isso não ocorria; medindo o
tamanho da sombra de um bastão na vertical, Eratóstenes observou que em Alexandria, no
mesmo dia e hora, o Sol estava aproximadamente sete graus mais ao sul. A distância entre
Alexandria e Siena era conhecida como de 5 000 estádios. Um estádio era uma unidade de
distância usada na Grécia antiga. A distância de 5 000 estádios equivalia à distância de
cinquenta dias de viagem de camelo, que viaja a 16 km/dia. Como 7 graus corresponde a 1/50
de um círculo (360 graus), Alexandria deveria estar a 1/50 da circunferência da Terra ao norte
de Siena, e a circunferência da Terra deveria ser 50 x 5 000 estádios. Infelizmente, não é
possível se ter certeza do valor do estádio usado por Eratóstenes, já que os gregos usavam
diferentes tipos de estádios. Se ele utilizou um estádio equivalente a 1/6 km, o valor está a 1%
do valor correto de 40 000 km. O diâmetro da Terra é obtido dividindo-se circunferência por π.
Hiparco de Nicéia (160 - 125 a.C.), considerado o maior astrônomo da era pré-cristã, construiu
um observatório na ilha de Rodes, onde fez observações durante o período de 160 a 127 a.C.
Como resultado, ele compilou um catálogo com a posição no céu e a magnitude de 850 estrelas.
A magnitude, que especificava o brilho da estrela, era dividida em seis categorias, de 1 a 6,
sendo 1 a mais brilhante, e 6 a mais fraca visível a olho nu. Hiparco deduziu corretamente a
direção dos pólos celestes, e até mesmo a precessão (precessão dos equinócios é o movimento
cíclico realizado pela Terra ao redor do plano de sua eclíptica), que é a variação da direção do
eixo de rotação da Terra devido à anuência gravitacional da Lua e do Sol, que leva 26 000 anos
para completar um ciclo. Para deduzir a precessão, ele comparou as posições de várias estrelas
com aquelas catalogadas por Timocharis de Alexandria e Aristyllus de Alexandria 150 anos
antes (cerca de 283 a.C. a 260 a.C.). Estes eram membros da Escola Alexandrina do século III
a.C. e foram os primeiros a medir as distâncias das estrelas de pontos fixos no céu
(coordenadas eclípticas). Foram, também, dos primeiros a trabalhar na Biblioteca de
Alexandria, que se chamava Museu, fundada pelo rei do Egito, Ptólemée Sôter Ier, em 305 a.C.
Hiparco também deduziu o valor correto de 8/3 para a razão entre o tamanho da sombra da
Terra e o tamanho da Lua e também que a Lua estava a 59 vezes o raio da Terra de distância; o
valor correto é 60. Ele determinou a duração do ano (365 dias) com uma margem de erro de 6
minutos.
Ptolomeu (85 d.C. - 165 d.C.) (Claudius Ptolemaeus) foi o último astrônomo importante da
antiguidade. Não se sabe se ele era egípcio ou romano. Ele compilou uma série de treze
volumes sobre astronomia, conhecida como o Almagesto, que é a maior fonte de conhecimento
sobre a astronomia na Grécia. A contribuição mais importante de Ptolomeu foi uma
representação geométrica do sistema solar, com círculos, epiciclos e equantes, que permitia
predizer o movimento dos planetas com considerável precisão, e que foi usado até o
Renascimento, no século XVI.
Reprodução de parte do Almagesto, de
Claudius Ptolomaeus, escrito entre
127 e 151 d.C. O termo almagesto é
uma corruptela do _árabe Al Majisti;
em grego, o livro ficou conhecido como
a Mathematike
O Astrônomo Persa Al Sufi (903 a 986 d.C.) atribui nomes para estrelas (Aldebarã, Veja
(constelação de Touro), Algol (constelação de Perseus), etc. Escreveu o Livro das Estrelas
Fixas em 964, onde fez o registo mais antigo da visão das Nuvens de Magalhães, visível
do sul do Iêmem. Ainda que a Nuvem de Magalhães seja visível da Europa, não foi
observada por astrônomos europeus até a viagem de Fernão de Magalhães. A obra de
Azofi permitiu à astronomia moderna fazer comparações úteis para a pesquisa das
variações do brilho das estrelas. Uma das crateras da Lua (coordenadas 22,1° S, 12,7° E)
foi nomeada Azophi em sua homenagem.
Aldebarã ou Aldebaran é
a estrela mais brilhante da
constelação Taurus(gigante
vermelho)
Nuvens de Magalhães
EQUADOR CELESTE
O equador celeste é o círculo
máximo determinado pela
intersecção da esfera celeste com
o plano perpendicular ao eixo
terrestre que passa pelo centro
da Terra. Em outras palavras, é
uma projeção do equador
terrestre para o espaço. Como
resultado da inclinação axial da
Terra, o equador celeste está
inclinado em 23,4° em relação ao
plano da eclíptica. Os dois pontos
da esfera celeste em que a
eclíptica corta o equador celeste
são denominados equinócios.
O equador celeste, por definição, está a uma distância infinita, uma vez que está na
esfera celeste. Portanto, o observador sempre vê as extremidades do semicírculo
desaparecerem sobre o horizonte exatamente no leste e no oeste,
independentemente da posição do observador na Terra. Nos polos, porém, o equador
celeste é paralelo ao horizonte. Em todas as latitudes o equador celeste parece
perfeitamente reto, porque o observador está a uma distância finita do plano do
equador celeste, mas infinitamente distante do equador celeste propriamente dito.
CONSTELAÇÕES E A ANTIGUIDADE
Constelações são agrupamentos aparentes de estrelas, os quais os astrônomos da antiguidade
imaginaram formar figuras de pessoas, animais ou objetos que estivessem relacionados com
sua cultura. Uma constelação fácil de enxergar é Orion, mostrada na figura como é vista no
hemisfério sul.
O POR QUE DAS CONSTELAÇÕES?
As constelações surgiram na antiguidade para ajudar a idêntica as estações do ano. Por
exemplo, a constelação do Escorpião é típica do inverno do hemisfério sul, já que em junho ela é
visível a noite toda. Já Órion é visível a noite toda em dezembro, e, portanto, típica do verão do
hemisfério sul. Alguns historiadores suspeitam que muitos dos mitos associados às constelações
foram inventados para ajudar os agricultores a lembrar quando deveriam plantar e colher.
As constelações foram definidas por:
Claudius Ptolomaeus, no Almagesto
em cerca de 150 d.C.; Johann Bayer
(1572-1625), astrônomo alemão, no
Uranometria em 1603; Johannes
Hevelius (1611-1689), astrônomo
alemão-polonês, e Nicolas Louis de
Lacaille (1713-1762), astrônomo
francês, nos Memorias e Coelum
Australe Stelliferum em 1752 e 1763.
Principais Constelações
Constelação representa um conjunto de estrelas e
objetos celestes numa determinada região do céu.
As principais constelações astronômicas que
existem no universo e vistas do planeta Terra são:
Andrômeda, Cruzeiro do Sul, Ursa Maior, Ursa
Menor, Cão Maior, Cão Menor, Pégaso, Fênix e
Constelação de Órion.
Figura: Céu do Brasil no momento da Proclamação da República.
Constelação é uma região da esfera celeste onde existe uma certa configuração projetada de estrelas.
Os antigos astrônomos costumavam associar figuras de objetos, heróis ou deuses a tais configurações
de estrelas. Muitas sociedades herdaram as constelações de outras enquanto que algumas
conceberam suas próprias constelações como aquelas do grupo indígena tupi-guarani. O termo
constelação vem do vocábulo latino constellatio, que significa reunião de astros, muito embora as
estrelas de uma constelação não estejam fisicamente reunidas pela gravitação em função das
enormes distâncias que as separam. As 48 constelações clássicas foram compiladas pelo Grego
Ptolomeu em 137 d.C., inclusive as zodiacais (círculo de animais) (Fig.).
Zodíaco é uma faixa imaginária do firmamento celeste que se estende
aproximadamente a 8° ao norte e ao sul (medida em latitude celeste) da
eclíptica, a qual inclui as órbitas aparentes do Sol, da Lua e
dos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano Netuno.
As divisões do zodíaco
representam constelações na astronomia e signos na astrologia.
Constelações do Zodíaco: Aries (Áries), Taurus
(Touro), Gemini (Gêmeos), Cancer (Câncer), Leo
(Leão), Virgo (Virgem), Libra (Libra), Scorpius
(Escorpião) Sagittarius (Sagitário), Capricorn
(Capricórnio), Aquarius (Aquário), Pisces (Peixes)
PERCEPÇÃO E CONTAGEM DO TEMPO
O homem começou a perceber o “caminhar” do tempo, que acontece em uma única direção e
flui sem interrupção (conceitos de unidirecionalidade e continuidade do tempo clássico), por
meio da observação de fenômenos naturais. São exemplos: o germinar e crescimento de uma
planta, o desabrochar de uma flor, o crescimento de um animal doméstico, o envelhecimento de
uma pessoa, o deslocamento do Sol no céu durante um dia, a mudança do aspecto da Lua ao
longo de um mês, a mudança cíclica das estações do ano e, até mesmo, a alteração do aspecto
do céu noturno ao longo de um ano.
As primeiras organizações sociais humanas precisavam medir a passagem do tempo em
inúmeras atividades práticas, tais como: saber a época certa para plantar uma determinada
cultura, antecipar as estações de cheia e vazante de um rio e conhecer as datas das celebrações
religiosas. Por incrível que pareça, a primeira marcação de tempo ocorreu para períodos longos
(meses e anos) e não para intervalos curtos (dias e horas).
ANO SOLAR E LUNAÇÃO
A observação sistemática do deslocamento do Sol no céu permitiu ao homem perceber dois
fatos notáveis: (i) tanto o nascer do Sol como o pôr do Sol não ocorrem diariamente nos
mesmos pontos do Círculo do Horizonte, (ii) a duração desse deslocamento é diferente dia após
dia. O mais incrível foi notar que esses fatos ocorrem de forma cíclica, cujo período é
denominado de ano solar ou trópico. O ano solar tem 365,2422 dias (365 dias, 5 horas, 48
minutos e 46,08 segundos).
A observação persistente da mudança do aspecto da Lua fez notar que o intervalo de tempo
entre duas fases iguais e consecutivas corresponde a 29,53059 dias. Esse período lunar é
denominado de lunação (ou período sinódico da Lua).
CALEDÁRIOS INICIAIS
Mesmo as culturas mais antigas estavam preocupadas com a manutenção do tempo e do
calendário. Alguns exemplos interessantes incluem monumentos deixados por pessoas da
Idade do Bronze no noroeste da Europa, especialmente nas Ilhas Britânicas.
O mais bem preservado dos monumentos é Stonehenge, a cerca de 13 quilômetros de Salisbury,
no sudoeste da Inglaterra (Fig.). É um conjunto complexo de pedras, valas e buracos dispostos
em círculos concêntricos. A datação por carbono e outros estudos mostram que Stonehenge foi
construído durante três períodos que variam de cerca de 2.800 a 1.500 aC.
Algumas das pedras estão alinhadas com as direções do Sol e da Lua durante o nascer e o pôr
do sol em épocas críticas do ano (como os solstícios de verão e inverno), e geralmente acredita-
se que pelo menos uma função do monumento estava conectada com a manutenção de um
calendário.
Figura: Stonehenge. O antigo monumento conhecido como Stonehenge foi usado para acompanhar os movimentos do Sol e da
Lua.
Os maias da América Central, que prosperaram há mais de mil anos, também se preocupavam
com a contagem do tempo. Seu calendário era tão sofisticado quanto, e talvez mais complexo,
do que os calendários contemporâneos da Europa. Os maias não tentaram correlacionar seu
calendário com precisão com a duração do ano ou mês lunar. Em vez disso, seu calendário era
um sistema para acompanhar a passagem dos dias e contar o tempo no passado ou no futuro.
Entre outros propósitos, era útil para prever eventos astronômicos, como a posição de Vênus no
céu (Fig.).
Figura : El Caracol. Este observatório maia em Chichen Itza no Yucatán, México, data por volta do ano 1000.
CALENDÁRIO VIGENTE
Um modo de entender o calendário ocidental atual (gregoriano modificado) é expressar a
duração do ano solar por uma soma de dias inteiros e fracionários.
365,2422 dias ≅ 365 + 1/4 – 1/100 + 1/400 – 1/3.300 dias
O termo à esquerda da quase-igualdade representa a duração do ano solar. O lado direito é
composto por cinco termos:
(a) o primeiro é a duração do ano padrão;
(b) a adição da fração 1/4 corresponde à soma de um dia a cada quatro anos (os anos bissextos,
que ocorrem em anos divisíveis por 4);
(c) a subtração de 1/100 mostra a necessidade de não incluir um dia a cada 100 anos;
(d) a adição de 1/400 indica a necessidade da ocorrência de um ano bissexto a cada 400
anos;
(e) a última fração à direita diz que se deve suprimir a inclusão de um dia a cada 3.300 anos,
aproximadamente.
De acordo com os itens (c) e (d), o ano 2000 foi bissexto, mas os anos 2100, 2200 e 2300 não o
serão.
DIA SOLAR E DIA SIDERAL
O Dia Solar corresponde ao intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do Sol pelo
Meridiano Celeste do lugar, uma linha imaginária no céu que une os Pontos Cardeais Norte e
Sul passando pelo Zênite (ponto imaginário no céu diametralmente oposto ao centro da Terra).
O Dia Solar é dividido por definição em 24 horas solares.
Uma outra referência astronômica para definir o dia é representada pelas estrelas. É o dia
sideral. Corresponde ao intervalo de tempo entre duas passagens sucessivas de uma
determinada estrela pelo Meridiano Celeste Local. Por convenção, o dia sideral é dividido em
24 horas siderais.
O Dia Solar e o dia sideral são diferentes
pela simples razão de que a Terra não é
imóvel e sim translada ao redor do Sol.
Qual é o mais curto? Pensemos juntos:
enquanto a Terra gira em torno do seu eixo
ela continua o seu deslocamento ao redor
do Sol no mesmo sentido e para que o Sol
volte a assumir a mesma posição no céu
depois de uma rotação completa da Terra,
serão gastos alguns minutos a mais.
Portanto, o Dia Solar é mais longo do que o
sideral por apenas 3 minutos e 56 segundos
em média.
MEIO-DIA SOLAR E GNÔMON ASTRONÔMICO
Quando o Sol cruza o Meridiano
Celeste Local, estamos na metade
tanto do “dia claro” como do dia civil
e do dia astronômico, o meio Dia
Solar. Diz-se que o Sol culminou, de
modo que ele atinge sua altura
máxima no céu, projetando a menor
sombra de qualquer objeto. Se esse
objeto for uma haste perpendicular
a uma superfície horizontal plana
(um gnômon astronômico), sua
sombra mínima diária fica sempre
alinhada paralelamente à direção
norte-sul. O gnômon é o mais antigo
instrumento de observação
astronômica
ESFERICIDADE E MOBILIDADE DA TERRA
A ideia de imobilidade da Terra perdurou por muito tempo, até por volta do Renascimento
Europeu, com a primeira revolução científica liderada por Nicolau Copérnico (1473-1543),
Galileu Galilei (1564-1642) e Isaac Newton (1642-1727). O conceito de esfericidade para o
nosso planeta não era totalmente aceito nessa época, embora Aristóteles (600 a.C.) já o tivesse
proposto, ao observar eclipses da Lua (a sombra da Terra era sempre circular quando
projetada na Lua), e Eratóstenes (240 a.C.) já tivesse calculado o raio terrestre. Com as
grandes viagens de circunavegação, todos tiveram que aceitar tais ideias.
Eratóstenes de Cirene (273 a.C) notou que o Sol não
ficava a uma mesma altura no céu, simultaneamente
em duas cidades do Egito Antigo (Alexandria e Siena,
atual Assuan), situadas aproximadamente no mesmo
meridiano terrestre. Ele observou que ao meio dia de
um Solstício de Verão, enquanto o Sol iluminava o
fundo de um poço d’água em Siena, um gnômon
projetava uma pequena sombra em Alexandria, como
é mostrado na Fig.. Bastaria, então, conhecer a
distância entre as duas cidades e o ângulo de
separação entre elas em relação ao centro da Terra.
Este ângulo corresponde àquele formado pelo gnômon
e o raio de luz vindo do Sol, cujo vértice é a própria
extremidade superior do gnômon. Admitindo-se uma
distância de 5.000 stadias (unidade de comprimento Medição do raio terrestre por Eratóstenes (240 a.C).
da época; 1 stadia ≅ 185 m), a estimativa de O ponto A designa Alexandria, Siena onde um poço é
Eratóstenes para o diâmetro polar da Terra foi de esquematizado e C, o centro da terra. O raio polar da
terra é designado por R.
14.722 km, próximo do valor real de 12.718 km.
SALSTÍCIO DE VERÃO
O solstício de verão, ocorre quando um dos pólos da Terra tem sua inclinação máxima em
direção ao sol. Isso acontece duas vezes por ano, uma vez em cada hemisfério (norte e sul).
Para esse hemisfério, o solstício de verão é quando o Sol atinge sua posição mais alta no céu e
é o dia com o maior período de luz do dia.
ESFERA CELESTE E ROTAÇÃO DA TERRA
Qualquer pessoa ao observar o céu de um local O movimento dos astros no céu, ao longo
descampado percebe que está no centro de um de um dia ou uma noite, ocorre de leste
grande hemisfério celeste. Esse tipo de para oeste. Dizemos que é um
visualização do céu contribuiu para a concepção movimento aparente, porque não são os
do geocentrismo. O céu na Astronomia é astros que se movem, mas sim a Terra
idealizado como uma grande esfera, a esfera ou que gira de oeste para leste. A Figura
abóbada celeste, que está centrada na Terra mostra que a esfera celeste parece girar
(visão geocêntrica: Fig.). no sentido contrário ao da rotação da
Terra. A trajetória de um determinado
astro durante seu movimento diário
aparente ocorre paralelamente ao
Equador Celeste,
HORA SOLAR E FUSOS HORÁRIOS
O Sol culmina no céu sempre ao meio-Dia Solar. Porém, isto ocorre em tempos diferentes para
cada meridiano terrestre, conforme a Terra vai girando em torno de si mesma. Enquanto em
um determinado lugar o Sol está culminando, em outros o Sol já culminou ou ainda vai
culminar. Do mesmo modo, enquanto em alguns lugares o Sol está surgindo no Horizonte, em
outros o Sol está se pondo. Portanto, a hora solar é local e é fornecida diretamente por um
relógio solar.
Além disso, o Sol não se desloca com a mesma velocidade ao longo de sua trajetória anual
aparente (ao redor da Terra). Para corrigir esse efeito, criou-se a hora solar média, a partir do
movimento uniforme de um Sol fictício. A diferença entre a hora solar média e a hora solar
verdadeira é definida como sendo a Equação do Tempo, e pode resultar em até 15 (quinze)
minutos a mais ou a menos. A equação do tempo decorre do fato de que a velocidade da Terra
em torno do Sol não é constante (translação numa órbita elíptica).
Um fuso horário corresponde a uma faixa de longitude terrestre com 15° (ou 1 h) de largura,
na qual se adota a hora solar média do seu meridiano central como sendo sua única hora: a
hora civil ou legal. O meridiano de origem (longitude = 0 h) dos fusos horários é aquele que
passa pelo Observatório de Greenwich, adotado por questões históricas. A Fig. mostra os fusos
horários adotados no mundo. O Brasil possui quatro fusos horários: o fuso de -2 horas para
Fernando de Noronha e Ilhas Oceânicas, -3 horas para Brasília e a maioria dos estados, -4
horas para os estados de RO, RR, MS, MT, parte oeste do Pará e a parte leste do Amazonas e -
5 horas para o Acre e o extremo oeste do Amazonas. O horário de Brasília está em atraso com
relação aos europeus, e adiantado em relação aos dos EUA.
: Fusos horários da Terra
ASPECTOS DO CÉU EM DIFERENTES LATITUDES
Quando nos deslocamos em latitude na Terra, podemos perceber que o aspecto do céu noturno
vai mudando ligeiramente. Certas estrelas e constelações deixam de ser vistas e outras passam
a ser avistadas por nós. O Sol também começa a mudar de trajetória diurna, fazendo com que a
duração do dia civil aumente ou diminua. Para uma pessoa que está exatamente sobre o
Equador da Terra (latitude 0° e longitude qualquer), ambos os hemisférios do céu podem ser
observados por completo. Nesse caso singular, o plano do Equador Celeste está disposto
perpendicularmente ao plano do Horizonte, e é representado pelo círculo que cruza o Zênite e
une os Pontos Cardeais Leste e Oeste (Fig.).
Figura: Visão topocêntrica da esfera celeste a partir do equador.
Se alguém se situar exatamente em um dos pólos de rotação da Terra (latitude +90° ou – 90° e
longitude indeterminada), a visão do céu será completamente diferente da anterior. Nessa
situação extrema, o círculo do Equador Celeste coincide com o do Horizonte e o pólo celeste
respectivo com o Zênite (Z). As trajetórias dos astros no céu ocorrem de modo paralelo ao plano
do Horizonte, como é visualizado na Figura. Somente um hemisfério celeste é observado. Se
estivermos no Pólo Sul, avistaremos somente a metade sul do céu como é o caso da mesma
Figura. Os astros situados nesse hemisfério celeste nunca se “escondem” abaixo do plano do
Horizonte. Há noites de 24 horas (quando o Sol estiver abaixo do Horizonte) e vice-versa no
caso dos “dias claros”, quando ocorre o chamado sol da meia-noite. Os Dias Civis são de 24 h
durante toda a Primavera local, todo o Verão, início do Outono e fim do Inverno, de modo que
as noites civis de 24 h ocorrerão no restante do ano. Os Dias Astronômicos abrangem períodos
maiores do início do Outono local e fim do Inverno, além de toda a Primavera
e Verão.
Figura: Visão topocêntrica da
esfera celeste a partir do pólo sul.
No caso intermediário (Fig.), se estivermos fora do Equador ou de um dos pólos terrestres
(como é o caso de Ilha Solteira), perceberemos que as trajetórias aparentes diárias dos astros
ocorrem em planos oblíquos ao plano do Horizonte. O plano do Equador Celeste
apresentar-se-á também com a mesma obliquidade relativa ao Horizonte. O pólo celeste,
correspondente ao hemisfério onde a pessoa se situa, fica elevado no céu, e o outro, abaixo do
Horizonte. Os astros ficam uma parte do dia visíveis acima do plano do Horizonte e a outra
parte abaixo do mesmo, em períodos desiguais. Certos astros próximos do pólo celeste elevado
ficam sempre acima do Horizonte (aparentemente girando em torno desse pólo) e uma parte
do céu próxima ao outro pólo celeste nunca é visível.
Figura: Visão topocêntrica da
esfera celeste a partir de um local
entre o equador e o pólo sul
ESTAÇÕES DO ANO
MOVIMENTO ANUAL DO SOL E ECLÍPTICA
Os primeiros astrônomos começaram a perceber que
o Sol se movia lentamente contra o fundo do céu,
definido pelas estrelas e constelações. Faziam isso
observando as constelações que são vistas, na
direção do poente, logo após o pôr do Sol (antes de se
“porem”) e aquelas que são ofuscadas pelo brilho
solar um pouco antes do nascer do Sol na direção do
nascente. Notaram que, gradualmente, as
constelações situadas a leste do Sol deixam de ser
vistas devido ao ofuscamento pela claridade solar e
que as constelações a oeste do Sol passam a ser
visualizadas. Como as estrelas eram consideradas
fixas na esfera celeste (o que só é válido em primeira
aproximação), eles concluíram que era o Sol que se
movimentava. Esse movimento, denominado
movimento anual aparente do Sol, faz com que este
se desloque cerca de 1 grau por dia (de oeste para
leste). Daí a origem do círculo geométrico de 360°
provavelmente no Egito Antigo).
O movimento anual do Sol define no céu uma trajetória circular, a qual foi denominada
Eclíptica, porque é onde a Lua se situa na ocasião de um eclipse. O plano dessa trajetória
circular anual do Sol é inclinado em relação ao plano do Equador Celeste, em cerca de 23°,5.
O plano da Eclíptica define o plano da órbita da Terra em torno do Sol. O círculo da Eclíptica
é, simplesmente, a projeção de seu respectivo plano na esfera celeste. Ao longo da direção da
Eclíptica no céu foram concebidas, pelos povos antigos da Mesopotâmia, as constelações do
Zodíaco, associadas a lendas e mitos desses povos.
SOLSTÍCIOS E EQUINÓCIOS
O movimento anual aparente do Sol na esfera
celeste pode ser entendido através da translação
da Terra em torno do Sol (visão heliocêntrica em
conjunto com a visão geocêntrica), ou da
observação do pôr do Sol (visão topocêntrica).
A Fig. mostra a Terra em quatro ocasiões especiais
de sua órbita ao redor do Sol. São os dias em que
ocorrem os Solstícios e Equinócios. Tomemos como
referência o hemisfério sul da Terra. Na posição 1,
fixando nossa visão a partir da Terra, o Sol está na
distância angular máxima ao norte do plano do
Equador Celeste, parecendo parar na esfera
celeste para depois retroceder, para o sul, em seu
movimento anual aparente. Os raios solares, nessa
época do ano, incidem mais obliquamente sobre a
superfície do hemisfério sul da Terra, de forma que
a incidência de calor é menor. Esse dia é
denominado Solstício do Inverno Austral (Solstício
significa Sol parado; em latim: solstitium), o qual
ocorre por volta de 22 de junho. A noite do Solstício
do Inverno Austral é a mais longa do ano. A partir
do Solstício de Inverno, tanto os “dias claros” como
os Dias Civis e Astronômicos voltam a aumentar
de duração, lentamente.
De modo análogo, na posição 3 da Fig., quando ocorre o “dia claro” mais longo do ano para o
hemisfério sul, o Sol atinge a posição angular mais ao sul do Equador Celeste. É o dia do
Solstício do Verão Austral, que ocorre por volta de 21 de dezembro. No Verão, a incidência dos
raios solares acontece de forma menos oblíqua à superfície. Em lugares próximos ao Trópico de
Capricórnio, a incidência é quase perpendicular. Portanto, a insolação é maior. Após o Solstício
de Verão, os “dias claros” se tornam cada vez mais curtos novamente.
Em duas ocasiões especiais intermediárias (posições 2 e 4 da Fig. 1.8), o “dia claro” e a noite
têm a mesma duração (isso ocorre para todo o globo terrestre). São os dias dos Equinócios de
Primavera e Outono, que ocorrem, respectivamente, em torno de 22 de setembro e 21 de março
no hemisfério sul. A palavra Equinócio, de origem latina, significa noites de iguais duração. Os
Equinócios ocorrem quando o Sol está sobre o círculo do Equador Celeste, deslocando-se do
hemisfério celeste norte para o sul, no caso do Equinócio da Primavera Austral, e fazendo o
caminho inverso, no Equinócio do Outono Austral. Nesses dias, ambos os hemisférios terrestres
recebem a mesma quantidade de insolação. Entre o início do Outono Austral e o fim do Inverno,
os “dias claros” são mais curtos do que as noites (a noite mais longa ocorre no início do Inverno),
e entre o início da Primavera e o fim do Verão, a situação se inverte (o dia mais longo ocorre no
início do Verão).
Sequencialmente, para o hemisfério sul da Terra, tem-se: o Equinócio de Outono em 20 ou 21 de
março, o Solstício de Inverno entre 21 e 23 de junho, o Equinócio de Primavera em 22 ou 23 de
setembro e o Solstício de Verão entre 21 e 23 de dezembro. As estações do ano acontecem de
forma inversa em cada um dos hemisférios terrestres. Enquanto é Verão no hemisfério sul, é
Inverno no hemisfério norte.
A fim de complementar o entendimento, vamos pensar
na observação do nascer e pôr do Sol nos dias dos
Equinócios e Solstícios, como está representado na Fig.,
para um local na região tropical do hemisfério sul
(entre o Equador e o Trópico de Capricórnio). Somente
nos Equinócios o Sol surge no Horizonte exatamente a
partir do Ponto Cardeal Leste, deslocando-se ao longo
do dia sobre o Equador do céu e escondendo-se,
exatamente também, no Ponto Cardeal Oeste (isso
ocorre para quase toda a Terra; as exceções são os pólos
geográficos). Os Solstícios são os dias quando o Sol
mais se distancia dos Pontos Cardeais Leste e Oeste,
no nascer e ocaso, respectivamente. No Solstício do
Verão Austral, o Sol surge mais ao sul do Ponto Leste e
esconde-se, com o mesmo distanciamento, ao sul do
Ponto Oeste. No Solstício do Inverno Austral, o Sol
nasce com o maior afastamento angular ao norte do
Ponto Leste e põe-se, com o mesmo distanciamento, ao
norte do Ponto Oeste (veja a Fig.). O distanciamento
angular máximo que a direção do Sol pode assumir em
relação ao Equador Celeste é exatamente igual à
inclinação entre o plano da Eclíptica e o plano do
Equador (≅ 23,5° ). O ângulo entre a direção do Sol e a
do Ponto Cardeal Leste, medido sobre o Círculo do
Horizonte no momento do nascer do Sol em qualquer
dia do ano depende da latitude do lugar e da declinação
FASES DA LUA
A Lua é o único satélite natural da Terra. Foi denominada, na antiguidade, de
Luna, antiga cidade de Tucana (Itália) pelos romanos e Selene, irmã de Hélio e filha
de Hipérion e Téia pelos gregos. É o astro mais brilhante do céu noturno.
TRANSLAÇÃO DA LUA
O intervalo de tempo que a Lua gasta para completar
uma volta completa em torno do centro de massa do
sistema Terra-Lua, em relação ao referencial das
estrelas, é chamado de período sideral; é igual a 27
dias, 7 horas, 43 minutos e 12 segundos (solares). Já o
intervalo de tempo entre duas fases iguais sucessivas
(ex. duas fases cheias) é denominado período sinódico
ou, simplesmente, lunação; relativo ao referencial
solar (o qual consequentemente definirá a duração do
Figura: A Lua em fases distintas. Dia Solar da Lua). Uma lunação dura 29 dias, 12 h,
Com certa regularidade, a Lua ora
44 min e 3 s (solares), cerca de 29 dias e meio, maior
atravessa a sombra da Terra
(eclipse da Lua), ora projeta sua
que o período sideral! É a base dos calendários
sombra na superfície terrestre lunares.
(eclipse do Sol).
FASES DA LUA
Figura: A translação da Lua: Suas fases principais como são
vistas do hemisfério sul da Terra.
ROTAÇÃO DA LUA E SUA FACE OCULTA
Além do movimento orbital ao redor da Terra, a Lua também possui um movimento de
rotação em torno de si mesma.
O movimento rotacional da Lua também ocorre no mesmo sentido do seu movimento orbital.
A face “oculta” é a parte da Lua que não podemos avistar a partir da superfície terrestre. Em
virtude do movimento orbital da Lua estar sincronizado com sua rotação (em 1:1), por
questão de equilíbrio dinâmico evolutivo, a Lua tem sempre a mesma parte voltada para a
Terra. Seu período sideral de rotação é igual ao seu período sideral de translação, isto é, o dia
sideral da Lua dura cerca de 27 Dias Solares da Terra.
Figura: A face oculta da Lua visualizada em duas
imagens. Observe que a Lua está na sua fase nova!
MARÉS DOS OCEANOS
INTERAÇÕES SOL-TERRA-LUA
Figura: Ilustração do efeito de maré total sobre os oceanos da Terra na
ocasião da lua cheio
A área umbral, ou seja, a área na qual a
umbra se apresenta, é onde se manifesta o
eclipse de forma total, onde fica totalmente
Eclipse Solar e Lunar escuro durante o eclipse. Já a área penumbral
Um eclipse resulta da ocultação é aquela onde o eclipse ocorre apenas
temporária, total ou parcial, de um astro parcialmente, com uma breve sombra.
pela interposição de outro objeto celeste Devido as variações da distância da Terra ao
entre este e o observador (como é o caso Sol (do periélio ao afélio) e da Lua à Terra (do
do eclipse do sol), ou pela entrada desse perigeu ao apogeu), pode ocorrer uma pequena
objeto celeste na sombra de outro (como diferença de diâmetro aparente de ambos os
é o caso do eclipse da Lua). Durante o astros. Assim, dependendo dessa distância,
eclipse solar, duas áreas bem definidas não se chega a formar uma sombra por
são projetadas na superfície terrestre: a completo, mas apenas um “ponto preto”, que
umbra e a penumbra. Confira o modelo seria a Lua, em menor tamanho aparente,
esquemático a seguir: passando em frente ao Sol diante de sua visão
na Terra.
Afélio é o ponto da órbita de um astro
em que sua distância em relação ao Sol
é máxima. Periélio é o ponto mais
próximo de um astro em relação ao Sol.
No Apogeu a Lua está no ponto mais
distante da Terra, e no Perigeu a Lua
está o mais próximo.
Quando a Lua está perto da Terra (perigeu) e a Terra está longe do Sol (afélio), forma-se uma
sombra completa, e quando a Lua está mais longe da Terra (apogeu), forma-se uma sombra
incompleta. Desse modo, classifica-se os eclipses solares em:
•Eclipse solar total: quando toda a luz do sol é ocultada pela Lua
•Eclipse solar parcial: quando apenas parte da luminosidade solar é ocultada pelo disco lunar.
•Eclipse anular: quando o tamanho da Lua não é o suficiente para encobrir toda a área do sol,
formando um “anel” em volta do satélite natural da Terra.
•Eclipse híbrido: quando o eclipse é total em alguns pontos de visão e anelar em outros, em
virtude do grau de inclinação da órbita lunar.
Já o eclipse lunar ocorre toda vez que a Terra fica entre o Sol e a Lua,
exatamente na linha de intersecção de sua órbita com a da Lua, a chamada
“linha dos nodos”, e sempre que a Lua está na fase cheia, conforme figura abaixo:
Acontece que a lua, de acordo
com a inclinação de sua
órbita, pode passar apenas
perto da região de “umbra”,
causando um eclipse parcial,
ou mesmo um eclipse
“penumbral” quando ela
apenas atravessa a região de
penumbra. Este último não
Quando isso ocorre, a Lua entra na chamada zona de pode ser percebido a olho nu,
“umbra” (ou sombra), ou “penumbra” da Terra e fica porque a lua permanece
totalmente ou parcialmente invisível durante alguns praticamente com o mesmo
minutos. brilho.
•umbra: região da sombra que não recebe luz de
nenhum ponto da fonte.
•penumbra: região da sombra que recebe luz de
alguns pontos da fonte.
A principal diferença do eclipse lunar e do eclipse solar, que pode ser percebida por
nós, é que o eclipse lunar pode ser avistado de qualquer parte do hemisfério
terrestre que estiver voltado para a Lua. Já um eclipse solar só pode ser avistado do
chamado “caminho do eclipse”, que é o caminho que a “umbra” da lua (a ponta do
cone) percorre na superfície terrestre quando a lua se encontra entre o Sol e a Terra.
Outra diferença é que os eclipses solares costumam durar apenas cerca de 7
minutos, enquanto que o eclipse lunar pode durar até pouco mais de 3 horas, embora
a fase total dura cerca de 1h.