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empresa ou um dos credores o requeira e o IAPMEI da alínea c) do n.o 1 do artigo 198.o da Constituição,
dê o seu parecer favorável.» o Governo decreta o seguinte:
Artigo 2.o CAPÍTULO I
Entrada em vigor
Disposições gerais
O presente diploma entra em vigor na data de início
de vigência do diploma que aprova o Código da Insol- Artigo 1.o
vência e da Recuperação de Empresas. Objecto
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 1
O presente diploma estabelece o regime jurídico da
de Julho de 2004. — José Manuel Durão Bar-
conservação, fomento e exploração dos recursos cine-
roso — Maria Celeste Ferreira Lopes Cardona — Carlos
géticos, com vista à sua gestão sustentável, bem como
Manuel Tavares da Silva.
os princípios reguladores da actividade cinegética.
Promulgado em 2 de Agosto de 2004.
Artigo 2.o
Publique-se.
Definições
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Para efeitos do presente diploma, considera-se:
Referendado em 5 de Agosto de 2004. a) «Aparcamentos de gado», exploração pecuária
O Primeiro-Ministro, Pedro Miguel de Santana Lopes. que pratica processos de pastoreio ordenado em
áreas compartimentadas;
b) «Áreas classificadas», áreas que são considera-
das de particular interesse para a conservação
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, da Natureza, nomeadamente áreas protegidas,
sítios da Lista Nacional de Sítios, sítios de inte-
DESENVOLVIMENTO RURAL E PESCAS resse comunitário, zonas especiais de conser-
vação e zonas de protecção especial criadas nos
Decreto-Lei n.o 202/2004 termos das normas jurídicas aplicáveis onde o
de 18 de Agosto
exercício da caça pode ser sujeito a restrições
ou condicionantes;
A Lei de Bases Gerais da Caça estabelece os prin- c) «Áreas de protecção», áreas onde o exercício
cípios orientadores que devem nortear a actividade cine- da caça pode causar perigo para a vida, saúde
gética nas suas diferentes vertentes, com especial ênfase ou tranquilidade das pessoas ou constitui risco
para a conservação do meio ambiente, criação e melho- de danos para os bens;
ria das condições que possibilitam o fomento das espé- d) «Áreas de refúgio de caça», áreas destinadas
cies cinegéticas e exploração racional da caça, na pers- a assegurar a conservação ou fomento de espé-
pectiva da gestão sustentável dos recursos cinegéticos. cies cinegéticas, justificando-se a ausência total
O importante contributo da actividade cinegética para ou parcial do exercício da caça ou locais cujos
a economia do meio rural, a necessidade de compa- interesses específicos da conservação da natu-
tibilização permanente com as restantes actividades que reza justificam interditar a caça;
se desenvolvem nestes espaços, os aspectos culturais, e) «Armas de caça», armas de fogo, legalmente
sociais e ambientais relacionados e, ainda, a componente classificadas como de caça, o arco, a besta e
lúdica associada revestem a caça de uma complexidade a lança;
acrescida, com reflexos directos na própria legislação. f) «Batedor», auxiliar de caçador com a função
A experiência de aplicação da regulamentação da Lei de procurar, perseguir e levantar caça maior sem
de Bases Gerais da Caça tem vindo a demonstrar a ajuda de cães ou caça menor com ou sem ajuda
necessidade de se proceder a alterações que permitam de cães;
um melhor enquadramento da actividade cinegética, na g) «Caça», a forma de exploração racional dos
salvaguarda do interesse público e dos cidadãos, bem recursos cinegéticos;
como à simplificação e clarificação de inúmeros aspec- h) «Caçador», indivíduo que, com excepção dos
tos, que permitam adequar o edifício legislativo à rea- auxiliares, pratica o acto venatório, sendo titular
lidade do sector, que ao longo das últimas décadas tem de carta de caçador ou dela está dispensado
vindo a sofrer profundas alterações. nos termos previstos na lei;
Competindo ao Governo a regulamentação da lei, i) «Campos de treino de caça», áreas destinadas
compete igualmente a este órgão de soberania proceder à prática, durante todo o ano, de actividades
à sua alteração por forma a garantir a salvaguarda do de carácter venatório, nomeadamente o exer-
superior interesse nacional, assegurando uma maior jus- cício de tiro e de treino de cães de caça e aves
tiça, transparência e rigor em matéria de caça, com vista de presa, a realização de provas de cães de caça,
à gestão sustentável destes recursos naturais. de aves de presa, corricão e de provas de Santo
Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Huberto, sobre espécies cinegéticas produzidas
Regiões Autónomas e a Associação Nacional de Muni- em cativeiro;
cípios Portugueses. j) «Direito à não caça», faculdade dos proprie-
Assim: tários ou pessoas singulares ou colectivas que
No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido detêm direitos de uso e fruição nos termos
pela Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro, e nos termos legais, neste caso quando as formas contratuais
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de uso e fruição incluem a gestão cinegética, de determinada área geográfica, cuja elaboração
de requererem, por períodos renováveis, a proi- compete à DGRF, com a colaboração das OSC;
bição da caça nos seus terrenos; bb) «Recursos cinegéticos», as aves e os mamíferos
l) «Enclave», terrenos situados no interior de zona terrestres que se encontrem em estado de liber-
de caça não incluídos na mesma, ou que con- dade natural, quer os mesmos sejam sedentários
finam com ela em, pelo menos, quatro sétimos no território nacional quer migrem através
do seu perímetro; deste, ainda que provenientes de processos de
m) «Época venatória», período que decorre entre reprodução em meios artificiais ou de cativeiro
1 de Junho de cada ano e 31 de Maio do ano e que figurem na lista de espécies que seja publi-
seguinte; cada com vista à regulamentação da presente
n) «Exercício da caça ou acto venatório», todos lei, considerando o seu valor cinegético, e em
os actos que visam capturar, vivo ou morto, qual- conformidade com as convenções internacionais
quer exemplar de espécies cinegéticas que se e as directivas comunitárias transpostas para a
encontre em estado de liberdade natural, legislação portuguesa;
nomeadamente a procura, a espera e a per- cc) «Reforço cinegético», actividade de carácter
seguição; venatório que consiste na libertação de exem-
o) «Jornada de caça», exercício do acto venatório plares de espécies cinegéticas criadas em cati-
de um caçador por um dia de caça, considerado, veiro para captura no próprio dia ou nos três
em princípio, entre o nascer e o pôr do Sol; dias seguintes, a realizar apenas dentro dos
p) «Lança», arma de caça constituída por uma períodos venatórios dessas espécies;
lâmina curta adaptada a uma haste suficiente- dd) «Repovoamento», libertação num determinado
mente longa que possibilite ser empunhada com território de exemplares de espécies cinegéticas
as mãos afastadas uma da outra ou o conjunto com o objectivo de atingir níveis populacionais
formado por punhal e haste amovível de adap- compatíveis com as potencialidades do meio e
tação, destinada a prolongar o seu punho para a sua exploração cinegética;
ser utilizado como lança; ee) «Secretário ou mochileiro», auxiliar do caçador
q) «Largadas», actividade de carácter venatório que tem a função de transportar equipamentos,
que consiste na libertação de exemplares de mantimentos, munições ou caça abatida e aves
espécies cinegéticas criadas em cativeiro para de presa;
captura no próprio dia; ff) «Terrenos cinegéticos», aqueles onde é permi-
r) «Matilha de caça maior», conjunto de cães uti- tido o exercício da caça, incluindo as áreas de
lizados em montarias, com número máximo de jurisdição marítima e as águas interiores;
25 animais; gg) «Terrenos murados», os terrenos circundados
s) «Matilheiro», auxiliar do caçador que tem a fun- em todo o seu perímetro por muro ou parede
ção de procurar, perseguir e levantar caça maior com altura mínima de 1,5 m;
com ajuda de cães; hh) «Terrenos não cinegéticos», aqueles onde não
t) «Negaceiro», auxiliar do caçador que tem a fun- é permitido o exercício da caça;
ção de atrair espécies cinegéticas com a utili- ii) «Unidade biológica», área onde se encontram
zação de negaças; reunidos os factores físicos e bióticos indispen-
u) «Ordenamento cinegético», o conjunto de medi- sáveis para o estabelecimento de uma determi-
das e acções nos domínios da conservação, nada população em todas as fases do seu ciclo
fomento e exploração racional dos recursos de vida.
cinegéticos, com vista a obter a produção óptima
e sustentada, compatível com as potencialidades
do meio, em harmonia com os limites impostos CAPÍTULO II
pelos condicionalismos ecológicos, económicos,
sociais e culturais e no respeito pelas convenções Conservação das espécies cinegéticas
internacionais e as directivas comunitárias trans-
postas para a legislação portuguesa; Artigo 3.o
v) «Organizações do sector da caça (OSC)», as Recursos cinegéticos
organizações de âmbito nacional representativas
de organizações de caçadores, de entidades que 1 — Constituem recursos cinegéticos as espécies iden-
se dedicam à exploração económica dos recursos tificadas no anexo I ao presente diploma e que dele
cinegéticos, ou de caçadores de modalidades faz parte integrante, adiante designadas por espécies
específicas, a quem seja reconhecida represen- cinegéticas.
tatividade; 2 — Em cada época venatória só é permitido o exer-
x) «Período de lua cheia», o período que decorre cício da caça às espécies cinegéticas identificadas em
entre as oito noites que antecedem a noite de portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
lua cheia e a noite seguinte à noite de lua cheia; Rural e Pescas.
z) «Plano específico de gestão», instrumento que
define as normas de ordenamento e exploração Artigo 4.o
das áreas em que se verifiquem importantes con-
centrações ou passagem de aves migradoras, Preservação da fauna e das espécies cinegéticas
cuja elaboração compete à Direcção-Geral de 1 — Tendo em vista a preservação da fauna e das
Recursos Florestais (DGRF), com a colabora- espécies cinegéticas, é proibido:
ção das OSC;
aa) «Plano global de gestão», instrumento que a) Capturar ou destruir ninhos, covas e luras, ovos
define as normas de ordenamento e exploração e crias de qualquer espécie, salvo quando auto-
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rizado nos termos definidos nos números sente diploma e sua regulamentação, com as adaptações
seguintes; previstas nos artigos 116.o e seguintes.
b) Caçar espécies não cinegéticas;
c) Caçar exemplares de espécies cinegéticas fora
das condições legais do exercício da caça; Artigo 8.o
d) Caçar nas queimadas, áreas percorridas por
incêndios e terrenos com elas confinantes, numa Normas de ordenamento cinegético
faixa de 250 m, enquanto durar o incêndio e
nos 30 dias seguintes; 1 — O ordenamento cinegético rege-se pelas normas
e) Caçar em terrenos cobertos de neve, com excep- constantes do presente diploma e sua regulamentação,
ção de espécies de caça maior; por planos de ordenamento e a exploração cinegética,
f) Caçar nos terrenos que durante as inundações por planos de gestão (PG) e planos de exploração (PE).
fiquem completamente cercados de água e 2 — Os planos referidos no número anterior garan-
numa faixa de 250 m adjacente à linha mais tem, na área a que se aplicam, a gestão sustentável dos
avançada das inundações, enquanto estas dura- recursos cinegéticos, através da conservação, fomento
rem e nos 30 dias seguintes; e exploração da caça.
g) Abandonar os animais que auxiliam e acom- 3 — O ordenamento e a exploração de uma unidade
panham o caçador no exercício da caça. biológica para determinada população cinegética, que
seja constituída por várias zonas, são feitos nos termos
2 — A DGRF pode autorizar a captura de exemplares previstos em planos globais de gestão (PGG).
de espécies cinegéticas, seus ovos ou crias quando se 4 — O ordenamento e a exploração de áreas em que
destinem a fins didácticos ou científicos, ou a garantir se verifiquem importantes concentrações ou passagem
um adequado estado sanitário das populações ou ainda de aves migradoras são feitos nos termos previstos em
a repovoamentos ou reprodução em cativeiro. planos específicos de gestão (PEG).
3 — As autorizações referidas no número anterior 5 — Os planos referidos nos números anteriores
determinam as espécies cinegéticas e o número de exem- devem submeter-se às orientações contidas nas direc-
plares cuja captura é autorizada, bem como os processos,
tivas da Comunidade Europeia e nas convenções inter-
os meios, os períodos e os locais em que a mesma pode
nacionais subscritas pelo Estado Português.
ser efectuada.
Artigo 5.o Artigo 9.o
Repovoamentos, reforços cinegéticos e largadas Zonas de caça
1 — Só é permitido efectuar repovoamentos, reforços 1 — As zonas de caça, a constituir em áreas contínuas,
cinegéticos e largadas com as espécies cinegéticas iden- de acordo com as normas referidas no artigo anterior,
tificadas em portaria do Ministro da Agricultura, Desen- podem prosseguir objectivos da seguinte natureza:
volvimento Rural e Pescas.
2 — Nas acções de repovoamento referidas no a) De interesse nacional, a constituir em áreas que,
número anterior deve ser salvaguardada a pureza gené- dadas as suas características físicas e biológicas,
tica e o bom estado sanitário das populações de origem permitam a formação de núcleos de potencia-
e, sempre que possível, a sua semelhança com a popu- lidades cinegéticas a preservar ou em áreas que,
lação receptora.
por motivos de segurança, justifiquem ser o
3 — As acções de repovoamento em áreas classifi-
Estado o único responsável pela sua adminis-
cadas carecem de parecer do Instituto da Conservação
da Natureza (ICN). tração, adiante designadas por zonas de caça
nacionais (ZCN);
b) De interesse municipal, a constituir para pro-
CAPÍTULO III porcionar o exercício organizado da caça a um
número maximizado de caçadores em condições
Gestão e ordenamento dos recursos cinegéticos particularmente acessíveis, adiante designadas
por zonas de caça municipais (ZCM);
SECÇÃO I c) De interesse turístico, a constituir por forma
Disposições gerais a privilegiar o aproveitamento económico dos
recursos cinegéticos, garantindo a prestação de
Artigo 6.o serviços adequados, adiante designadas por
zonas de caça turísticas (ZCT);
Gestão dos recursos cinegéticos
d) De interesse associativo, a constituir por forma
A gestão dos recursos cinegéticos compete ao Estado a privilegiar o incremento e manutenção do
e pode ser transferida ou concessionada nos termos do associativismo dos caçadores, conferindo-lhes
presente diploma legal. assim a possibilidade de exercerem a gestão
cinegética, adiante designadas por zonas de caça
Artigo 7.o associativas (ZCA).
Áreas classificadas
2 — Salvo determinação legal ou regulamentar em
À gestão dos recursos cinegéticos nas áreas classi- contrário, as águas e os terrenos do domínio público
ficadas é aplicável o regime jurídico constante do pre- fluvial e lacustre existentes no interior das zonas de caça
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consideram-se abrangidos pelas mesmas e regem-se SECÇÃO II
pelas normas de natureza cinegética aplicáveis à res-
pectiva zona de caça. Zonas de caça nacionais e municipais
3 — Os diplomas que criam zonas de caça podem DIVISÃO I
determinar que as áreas e terrenos do domínio público
fluvial e lacustre confinantes sejam abrangidos, na tota- Disposições gerais
lidade ou em parte, pela respectiva zona de caça.
4 — A título excepcional, pode ser autorizada a cons-
tituição de zonas de caça em áreas descontínuas. Artigo 14.o
Transferência
Artigo 10.o
O Estado pode transferir para associações e fede-
Acesso às zonas de caça rações de caçadores, organizações de agricultores, de
proprietários, de produtores florestais e de defesa do
1 — Às ZCN e às ZCM têm acesso todos os caça- ambiente, autarquias locais ou para outras entidades
dores, sem prejuízo do disposto no artigo 15.o, no n.o 6 colectivas integradas por aquelas:
do artigo 23.o e n.o 3 do artigo 26.o
2 — Às ZCT têm acesso todos os caçadores que cum- a) A gestão de ZCN;
pram as normas privativas de funcionamento das mes- b) A gestão das áreas referidas a terrenos cine-
mas, desde que devidamente publicitadas. géticos não ordenados, com vista à constituição
3 — Às ZCA têm acesso os respectivos associados de ZCM.
e os seus convidados. Artigo 15.o
Artigo 11.o
Acesso
Anexação de terrenos
1 — O acesso às ZCN e ZCM é feito pela seguinte
À anexação de terrenos a zonas de caça já constituídas ordem de prioridade e obedecendo a critérios de pro-
é aplicável o definido para a respectiva constituição, porcionalidade a regular nos termos do número
com as devidas adaptações, mantendo-se o prazo inicial seguinte:
ou da renovação.
a) Os proprietários ou pessoas singulares ou colec-
Artigo 12.o tivas que detenham direitos de uso e fruição
nos termos legais sobre os terrenos nelas inse-
Terrenos do sector público ridos e os caçadores que integrem a direcção
da entidade que gere a ZCN ou ZCM, bem
1 — Os terrenos do sector público são afectos prio-
como os membros das associações que parti-
ritariamente a ZCN e ZCM.
cipem na sua gestão, desde que não associados
2 — Quando a DGRF, em articulação com o ICN,
em zonas de caça;
no caso de localização em áreas classificadas, considerar
b) Os caçadores residentes nos municípios onde
inadequada a constituição de ZCN e ZCM nos terrenos
as mesmas se situam, não associados em zonas
do sector público, podem os mesmos, através de con-
de caça integradas na mesma região cinegética;
curso público, vir a constituir ou ser integrados em ZCA
c) Os caçadores não residentes nos municípios
ou ZCT.
onde as mesmas se situam, não associados em
3 — É dispensado o concurso público referido no
zonas de caça integradas na mesma região
número anterior nos seguintes casos:
cinegética;
a) Quando a área total dos terrenos do sector d) Os demais caçadores.
público não excede 300 ha;
b) Sempre que a entidade gestora desses terrenos 2 — Os critérios de proporcionalidade da participa-
se proponha explorar os recursos cinegéticos ção dos diferentes grupos são fixados nas respectivas
directamente ou associada a outra entidade; portarias de transferência.
c) Em áreas superiores a 300 ha, nos processos
de renovação que incluam terrenos do sector
público desde que existam acordos de explo- Artigo 16.o
ração cinegética válidos. Instrução do processo
Artigo 13.o 1 — A instrução dos processos relativos à criação e
transferência de gestão de ZCN e ZCM é da compe-
Levantamento da sinalização tência da DGRF.
2 — Os processos que incluam terrenos situados em
1 — A remoção da sinalização da zona de caça é da áreas classificadas carecem de parecer do ICN.
responsabilidade de quem detinha a qualidade de titular 3 — O prazo para a emissão do parecer referido no
da mesma, no prazo de 30 dias a contar da data da número anterior é de 30 dias, findo o qual pode o pro-
sua extinção. cedimento prosseguir e vir a ser decidido sem o parecer.
2 — Findo o prazo previsto no número anterior, a 4 — Os prazos e termos do procedimento para a cria-
DGRF procede ao seu levantamento, sendo as despesas ção e transferência de gestão de zonas de caça são regu-
correspondentes da responsabilidade de quem detinha lados por portaria do Ministro da Agricultura, Desen-
a qualidade de titular da zona de caça. volvimento Rural e Pescas.
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Artigo 17.o e da execução financeira respeitantes à época
Decisão da Direcção-Geral de Recursos Florestais
venatória anterior, em termos a regulamentar
por meio portaria do Ministro da Agricultura,
Finda a instrução do processo, a DGRF deve: Desenvolvimento Rural e Pescas;
j) A DGRF deve tratar estatisticamente os resul-
a) Indeferir o pedido, sempre que o mesmo não
tados da exploração cinegética recebidos das
reúna os requisitos legais ou não se revele com-
zonas de caça e remeter ao Instituto Nacional
patível com os critérios e princípios superior-
de Estatística o quadro de resultados obtidos,
mente aprovados;
nomeadamente o número total de peças aba-
b) Propor ao Ministro da Agricultura, Desenvol-
tidas de cada espécie cinegética constante do
vimento Rural e Pescas a criação e ou trans-
anexo I do presente diploma, que dele faz parte
ferência de gestão da respectiva zona de caça,
integrante.
sempre que não se verifiquem as situações pre-
vistas na alínea anterior. Artigo 20.o
Intervenção sobre os terrenos
Artigo 18.o Nas áreas em que a gestão dos recursos cinegéticos
Decisão final seja exercida directamente pelo Estado ou tenha sido
objecto de transferência, as acções que requeiram inter-
O Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural venção sobre os terrenos dependem de autorização pré-
e Pescas pode: via dos titulares de direitos sobre os mesmos.
a) Conceder, por portaria, a respectiva transferên-
cia de gestão; Artigo 21.o
b) Por despacho devidamente fundamentado, inde-
ferir o pedido de transferência. Renovação da transferência
O requerimento de renovação da transferência de ges-
Artigo 19. o tão deve ser apresentado entre um ano e seis meses
antes do termo da transferência da respectiva zona de
Obrigações das entidades gestoras caça, aplicando-se, com as devidas adaptações, o dis-
Constituem obrigações das entidades gestoras, desig- posto para a transferência inicial.
nadamente:
a) Efectuar a sinalização das zonas de caça e con- Artigo 22.o
servá-la em bom estado; Extinção da transferência
b) Cumprir e fazer cumprir as normas reguladoras
do exercício da caça; A transferência de gestão prevista no artigo 14.o
c) Cumprir os PG, assim como os planos anuais extingue-se:
de exploração; a) A pedido da entidade gestora;
d) Não permitir o exercício da caça até à aprovação b) Por incumprimento das obrigações previstas no
do plano anual de exploração (PAE); artigo 19.o;
e) Garantir igualdade de oportunidades a todos c) Por caducidade, se decorrido o prazo de trans-
os caçadores interessados em exercer o acto ferência esta não for renovada.
venatório, no respeito pelo definido no n.o 1
do artigo 15.o do presente diploma;
f) Apresentar à DGRF da área onde se situa a DIVISÃO II
zona de caça um PAE, até 15 de Junho de cada Zonas de caça nacionais
ano, propondo nomeadamente:
i) Espécies e processos de caça autorizados; Artigo 23.o
ii) Número de exemplares de cada espécie
Constituição e gestão
a abater, devendo, no caso da caça maior,
com excepção do javali, ser indicados o 1 — As ZCN são criadas por portaria do Ministro
sexo e a idade; da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas ou por
iii) Número previsto de jornadas de caça e portaria conjunta deste Ministro e dos ministros com-
limite de peças a abater; petentes em razão da matéria.
2 — As ZCN são geridas pela DGRF em conjunto
g) Após a aprovação do PAE, promover a divul- com o ICN nas áreas protegidas e em colaboração nas
gação das condições de candidatura e de acesso restantes áreas classificadas ou, sempre que estejam em
dos caçadores às jornadas de caça até à data causa razões de segurança, pelos serviços competentes
limite de recepção de candidaturas a jornadas em razão da matéria.
de caça, nos locais do costume e, pelo menos, 3 — Em casos devidamente fundamentados, a gestão
num jornal de expansão nacional; das ZCN pode ser efectuada por outras entidades, nos
h) Manter actualizada uma contabilidade simpli- termos a regulamentar por despacho do Ministro da
ficada, na qual sejam registadas as receitas e Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e minis-
despesas efectuadas, e onde se possa apurar o tros competentes em razão da matéria.
resultado final; 4 — É da responsabilidade da entidade gestora da
i) Apresentar anualmente, até 15 de Junho, à ZCN, com o apoio da DGRF, quando solicitado, ela-
DGRF os resultados da exploração cinegética borar os PG ou os planos de ordenamento (PO) e os
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PAE, bem como suportar os encargos com a sua gestão renos cinegéticos não ordenados, mediante apresenta-
e funcionamento. ção de candidatura na DGRF.
5 — A aprovação dos planos referidos no número 2 — O processo de candidatura é instruído com:
anterior é da responsabilidade da DGRF, em conjunto
a) Requerimento dirigido ao Ministro da Agricul-
com o ICN nas áreas classificadas. tura, Desenvolvimento Rural e Pescas do qual
6 — O exercício da caça nas ZCN está sujeito ao paga- constem a identificação da entidade que se pro-
mento de taxas, cujo montante é fixado por despacho põe gerir a ZCM, a designação, a localização
do ministro que tutela a entidade que gere a zona de e a área do terreno cinegético não ordenado
caça. para a qual se pretende a transferência;
b) Planta dos terrenos, com localização daqueles
Artigo 24.o que estão integrados em áreas classificadas e
delimitação da área referida no n.o 4 do
Transferência de gestão
artigo 26.o, nos termos a definir em portaria
1 — O Ministro da Agricultura, Desenvolvimento do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
Rural e Pescas pode autorizar a abertura de um processo Rural e Pescas;
de candidatura para a transferência de gestão de ZCN. c) Plano de gestão, contendo, nomeadamente:
2 — A transferência de gestão é efectuada por perío- i) Apresentação genérica das acções de
dos mínimos de 6 anos e máximos de 12 anos, através ordenamento cinegético a desenvolver;
de portaria que estabelece as condições da mesma. ii) Recursos humanos e materiais a dispo-
3 — Nas ZCN a suspensão e revogação é determinada nibilizar pela entidade candidata;
por portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvi- iii) Listagem das espécies cinegéticas objecto
mento Rural e Pescas, que estabelece ainda, no caso de exploração e estimativa qualitativa das
da suspensão, o prazo para a supressão do motivo que respectivas populações, assim como as
a determinou. medidas a implementar para o seu
fomento e conservação;
Artigo 25.o iv) Processos de estimação de efectivos das
espécies cinegéticas sedentárias;
Plano anual de exploração v) PAE para a primeira época venatória em
1 — A elaboração do plano anual de exploração cabe que seja previsível ter início a actividade
cinegética;
à entidade gestora da ZCN, que suporta os encargos
vi) Proposta dos critérios de proporcionali-
com a sua gestão e funcionamento e arrecada as receitas
dade a utilizar para o acesso dos caça-
resultantes do exercício da caça.
dores e sua fundamentação;
2 — É proibido o exercício da caça em ZCN rela-
vii) Proposta das taxas a cobrar pelo exercício
tivamente às quais não exista PAE aprovado.
da caça;
viii) Identificação do técnico responsável.
DIVISÃO III
Zonas de caça municipais Artigo 28.o
Exclusão de terrenos
o
Artigo 26. 1 — Os proprietários ou pessoas individuais ou colec-
Constituição tivas podem requerer a exclusão dos seus terrenos da
ZCM no momento da constituição ou renovação desta,
1 — As ZCM são criadas por portaria do Ministro sem prejuízo das situações constituídas ao abrigo do
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, que direito anterior, desde que se verifiquem cumulativa-
define as condições da transferência de gestão. mente as seguintes condições:
2 — As ZCM são constituídas por períodos de
seis anos. a) Sejam titulares de direitos de uso e fruição nos
3 — O exercício da caça nas ZCM está sujeito ao termos legais, quando as formas de uso e fruição
pagamento de taxas, cujo montante máximo é fixado incluírem a gestão cinegética;
por portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvi- b) Não tenham estabelecido acordos com a enti-
mento Rural e Pescas. dade gestora.
4 — Para assegurar melhores condições de conser-
2 — A exclusão dos terrenos produz efeitos na data
vação e fomento das espécies cinegéticas nas ZCM, o
de entrada em vigor da portaria que redefine os limites
exercício da caça não é permitido em pelo menos um
da zona de caça na qual os terrenos referidos no número
décimo da sua área, a qual deverá ser identificada
anterior se encontravam integrados.
perante os caçadores e agentes fiscalizadores.
3 — No caso de alteração dos titulares de direitos
sobre os prédios, aplica-se o disposto no n.o 5 do
Artigo 27.o artigo 36.o
Transferência 4 — No caso em que os terrenos excluídos constituam
enclaves ou confinem com outras figuras de ordena-
1 — As associações e federações de caçadores, asso- mento cinegético e a sua área individualmente consi-
ciações de agricultores, de produtores florestais e de derada não exceda 10 % da área total da zona de caça
defesa do ambiente, autarquias locais ou outras enti- até um máximo de 50 ha, passam os mesmos a ser con-
dades integradas por aquelas isoladamente ou em par- siderados terrenos não cinegéticos, até que sejam inte-
ceria podem requerer a transferência da gestão de ter- grados noutra figura de ordenamento da caça.
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Artigo 29.o Artigo 31.o
Acompanhamento da gestão das zonas de caça municipais Limites territoriais das zonas de caça turística
1 — A área mínima para as ZCT é de 400 ha.
1 — Compete à DGRF: 2 — Em casos devidamente fundamentados de caça
a) Aprovar o PAE; a uma única espécie ou grupo de espécies, a área mínima
b) Apoiar tecnicamente a sua execução; pode ser inferior à prevista no n.o 1 do presente artigo.
c) Colaborar na divulgação a que se refere a alí-
nea g) do artigo 19.o; Artigo 32.o
d) Verificar o cumprimento cabal das obrigações
previstas no artigo 19.o Gestão das zonas de caça turística
As ZCT podem assumir formas de gestão específicas,
2 — O prazo para aprovação do plano referido na nas condições e termos a definir pelo Ministro da Agri-
alínea a) do n.o 1 do presente artigo é de 15 dias, findo cultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, nomeada-
o qual pode o procedimento prosseguir e vir a ser deci- mente no que respeita aos períodos, às espécies, aos
dido sem o parecer. processos e aos meios de caça.
3 — No caso de a ZCM incluir terrenos situados em
áreas classificadas, a aprovação do PAE, referida no
número anterior carece de parecer do ICN, que tem Artigo 33.o
15 dias para o emitir, findo o qual pode o procedimento Prazos de constituição
prosseguir e vir a ser decidido sem o parecer.
4 — Na situação referida no número anterior, a A constituição de zonas de caça associativa e turística
DGRF tem cinco dias para remeter o plano referido é efectuada pelos prazos mínimo de 6 anos e máximo
na alínea a) do n.o 1 do presente artigo ao ICN, recep- de 12 anos, renováveis por iguais períodos.
cionar o parecer desta entidade e informar o interessado
do resultado do mesmo, suspendendo a contagem do Artigo 34.o
prazo previsto no n.o 2 com o envio do plano ao ICN,
e sempre que sejam solicitados esclarecimentos e infor- Exercício da caça nas zonas de caça associativas
mações adicionais ao interessado.
5 — É proibido o exercício da caça até à aprovação 1 — Nas ZCA não pode ser exigido a caçadores con-
do plano anual de exploração. vidados o pagamento de quaisquer quantias pelo exer-
6 — A suspensão da actividade cinegética, em termos cício da caça.
a regulamentar, é determinada por despacho do direc- 2 — A área correspondente a cada associado não
tor-geral das Florestas, que estabelece o prazo para a pode ser superior a 50 ha.
supressão da falta que a determinou.
7 — A extinção da zona de caça é determinada por DIVISÃO II
portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
Rural e Pescas. Procedimentos para a concessão das zonas de caça
associativa e turística
SECÇÃO III Artigo 35.o
Requerimento inicial
Zonas de caça associativa e turística
1 — A concessão de zonas de caça é requerida ao
DIVISÃO I
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pes-
Disposições gerais cas, mediante pedido apresentado nos serviços da
DGRF, do qual deve constar:
Artigo 30.o a) A identificação do requerente;
b) O tipo de zona de caça pretendido, prazo de
Concessão concessão e eventuais períodos de renovação
automática;
1 — As ZCA são concessionadas por portaria do c) Área total e localização de prédios a integrar.
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pes-
cas a associações de caçadores com um mínimo de 20 ca- 2 — O requerimento é instruído com os seguintes
çadores associados. documentos:
2 — As ZCT são concessionadas por portaria do
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pes- a) Delimitação perimetral da área requerida, em
cas a entidades públicas ou privadas que tenham por suporte digital, com localização daquela que
objecto a exploração económica dos recursos cinegé- esteja integrada em áreas classificadas, nos ter-
ticos. mos a definir em portaria do Ministro da Agri-
3 — A prestação de serviços de cariz turístico, para cultura, Desenvolvimento Rural e Pescas;
além das actividades cinegéticas, que as entidades ges- b) Listagem com a identificação dos prédios a inte-
toras ou outras pretendam desenvolver associadas às grar e respectivos titulares;
ZCT tem enquadramento na legislação específica exis- c) Acordos escritos com os titulares de direitos
tente, devendo encontrar-se licenciadas para o efeito sobre os prédios, nos termos do disposto no
pelo Ministério da Economia. artigo seguinte;
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5325
d) Plano de ordenamento e exploração cinegética Artigo 38.o
(POEC), do qual devem constar: Instrução do processo
i) A cartografia da ocupação do solo e dos 1 — A instrução dos processos relativos à concessão
recursos hídricos disponíveis para a de ZCA e ZCT é da competência da DGRF.
fauna; 2 — Os processos que incluam terrenos situados em
ii) Listagem das espécies cinegéticas objecto áreas classificadas carecem de parecer do ICN.
de exploração e estimativa qualitativa das 3 — O prazo para a emissão do parecer referido no
respectivas populações, assim como as n.o 2 do presente artigo é de 30 dias, findo o qual pode
medidas a implementar para o seu o procedimento prosseguir e vir a ser decidido sem o
fomento e conservação; parecer.
iii) Processos de estimação dos efectivos das 4 — Os prazos e termos do procedimento para con-
espécies cinegéticas sedentárias; cessão de zonas de caça são regulados por portaria do
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
Pescas.
e) Identificação do técnico responsável.
Artigo 39.o
o
Artigo 36. Decisão da Direcção-Geral de Recursos Florestais
Acordos Finda a instrução do processo, a DGRF deve:
1 — Os acordos são estabelecidos entre a entidade a) Indeferir o pedido, sempre que o mesmo não
que acede ao direito de caça e os proprietários ou pes- reúna os requisitos legais ou não se revele com-
soas individuais ou colectivas que sejam titulares de patível com os critérios e princípios superior-
direitos de uso e fruição nos termos legais, que incluam mente aprovados;
a gestão cinegética, e deles tem obrigatoriamente que b) Propor ao Ministro da Agricultura, Desenvol-
constar: vimento Rural e Pescas a concessão da respec-
tiva zona de caça, sempre que não se verifiquem
a) Identificação dos prédios a integrar na zona de as situações previstas na alínea anterior.
caça;
b) Prazo e condições de eventuais renovações. Artigo 40.o
Decisão final
2 — No caso de terrenos do sector público, os acordos
O Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural
devem ser subscritos pelo órgão executivo da entidade
e Pescas decide:
pública a que os mesmos estejam afectos.
3 — O prazo estabelecido nos acordos referidos no a) Conceder, por portaria, a respectiva concessão;
n.o 1 do presente artigo tem de ser coincidente, pelo b) Por despacho devidamente fundamentado, in-
menos, com o período da concessão pretendida, deferir o pedido de concessão.
podendo ser renovados automaticamente, caso dos mes-
mos conste cláusula específica nesse sentido. Artigo 41.o
4 — A denúncia dos acordos que prevêem renovação
automática tem de ser feita até um ano antes do termo Conteúdo da portaria de concessão
da concessão ou renovação. As portarias de concessão de zonas de caça devem
5 — Qualquer alteração dos titulares dos direitos especificar, designadamente:
sobre os prédios integrados em zona de caça obriga
ao estabelecimento de novo acordo, no termo do prazo a) A identificação do concessionário;
da concessão ou renovação. b) O tipo de zona de caça;
6 — No caso de o requerente ser o proprietário dos c) A área e localização dos terrenos abrangidos;
terrenos a integrar na zona de caça, está o mesmo dis- d) O prazo de concessão e eventuais períodos de
pensado de apresentar acordo prévio. renovação.
Artigo 42.o
Artigo 37.o
Obrigações dos titulares de zonas de caça
Impossibilidade de acordo prévio
1 — Constituem obrigações dos titulares de zonas de
1 — Na impossibilidade de obter o consentimento caça:
prévio de algumas das pessoas mencionadas no artigo a) Efectuar a sinalização da zona de caça e con-
anterior, por ser desconhecida a sua identidade ou o servá-la em bom estado;
seu paradeiro, os interessados devem instruir o processo b) Cumprir e fazer cumprir as normas reguladoras
com uma declaração da junta de freguesia que o do exercício da caça;
certifique. c) Efectuar o pagamento da taxa anual;
2 — Se a zona de caça incluir terrenos sem o con- d) Cumprir o POEC;
sentimento dos titulares de direitos sobre os prédios, e) Comunicar à DGRF os resultados anuais de
nos termos do número anterior, aqueles podem, a todo exploração da época venatória anterior, bem
o tempo de duração da concessão, solicitar ao Ministro como o número, a nacionalidade e a qualidade
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas a sua dos utentes no caso das zonas de caça turísticas,
exclusão. até 15 de Junho de cada ano;
5326 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
f) Não permitir o exercício da caça até à entrega 120 dias, o óbito e manifestar a sua posição quanto
dos resultados anuais de exploração; à concessão.
g) Não permitir que, nos dois últimos anos de con- 4 — Na mudança de concessionário mantêm-se os
cessão, seja caçado um número de exemplares direitos e obrigações do anterior concessionário bem
de espécies cinegéticas sedentárias superior à como o prazo da concessão.
média dos dois anos precedentes, salvo nos casos 5 — A mudança de concessionário é efectuada por
autorizados pela DGRF. portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
Rural e Pescas.
2 — Sempre que ocorram alterações, os concessio-
Artigo 46.o
nários de ZCA devem enviar à DGRF, até 15 de Junho,
a actualização dos caçadores associados em cada zona Alterações múltiplas
de caça, reportadas a 31 de Maio desse ano.
Ocorrendo alteração na estrutura ou tipologia de uma
3 — Os concessionários de zonas de caça devem
ou várias zonas de caça confinantes entre si, seja por
comunicar à DGRF as alterações da sede social, no
divisão de uma zona de caça, por unificação de várias
prazo de 90 dias contado da mesma.
zonas, por anexação, por mudança de tipologia ou
4 — Os concessionários devem proceder à actualiza-
outras, em que se verifique simultaneidade ou sucessão
ção dos planos de ordenamento cinegético sempre que
temporal imediata de actos, são os mesmos objecto de
ocorram alterações significativas no meio com reflexos
uma única portaria do Ministro da Agricultura, Desen-
sobre as espécies a explorar.
volvimento Rural e Pescas.
5 — Os concessionários devem prestar informações
e colaborar com a DGRF e com o ICN no que respeita
às áreas classificadas, em tudo o que estas fundamen- Artigo 47.o
tadamente solicitarem. Desanexação de prédios
1 — Sem prejuízo dos direitos emergentes de denún-
Artigo 43.o cia unilateral de acordos, à desanexação de prédios de
Resultados anuais de exploração zonas de caça já constituídas e a pedido do conces-
sionário é aplicável o definido nos artigos 35.o e 38.o
1 — Os resultados anuais de exploração, referidos na a 40.o com as devidas adaptações.
alínea e) do n.o 1 do artigo 42.o, devem referir: 2 — Excepciona-se do número anterior a audição do
a) Número total de caçadores que exerceram o Conselho Cinegético Municipal prevista na alínea d)
acto venatório; do artigo 158.o
b) Número de jornadas de caça e de dias de caça; DIVISÃO III
c) Exemplares de cada espécie cinegética abatidos,
devendo, no caso da caça maior, serem indi- Renovação, suspensão e extinção de concessões
cados o sexo, a idade e o processo.
Artigo 48.o
2 — Para os efeitos do disposto no número anterior,
as entidades concessionárias devem dispor de um sis- Renovação de concessões
tema de registo dos dados por jornada de caça. 1 — A renovação pode ser automática desde que a
3 — Até à entrega dos resultados de exploração é respectiva portaria de concessão o preveja e as condições
proibido o exercício da caça. que estiveram na sua origem não tenham sido alteradas
ou, ainda, se no decorrer da concessão ou renovação
Artigo 44.o vier a reunir as condições que o permitam.
2 — No fim de cada período de concessão, o Estado
Obrigações do Estado pode denunciar a sua renovação automática, notificando
A DGRF, em articulação com o ICN nas áreas clas- o concessionário com a antecedência mínima de um
sificadas, deve apoiar tecnicamente a gestão das zonas ano em relação ao termo do prazo da concessão.
de caça e proceder a inspecções destinadas a avaliar 3 — A não renovação das concessões não confere aos
o cumprimento das obrigações referidas nos artigos que tinham a qualidade de concessionários o direito
anteriores. a qualquer indemnização.
4 — Sempre que se verifique exclusão de prédios de
uma zona de caça ou a concessão não reúna as condições
Artigo 45.o que permitam a sua renovação automática, o conces-
Mudança de concessionário sionário deve apresentar requerimento dirigido ao
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pes-
1 — A mudança de concessionário de zona de caça cas, junto da DGRF, no prazo que decorre entre 15
é requerida pelo interessado em aceder à concessão e 9 meses em relação ao termo da concessão.
junto da DGRF. 5 — O requerimento de renovação de concessão pode
2 — Para o efeito do número anterior, é necessário entrar nos serviços nos três meses seguintes ao termo
apresentar os acordos entre o concessionário e o inte- do prazo previsto no número anterior, ou até ao termo
ressado e entre este e os proprietários ou as pessoas da concessão mediante o pagamento de taxas a fixar
individuais ou colectivas que detenham direitos de uso por despacho do Ministro da Agricultura, Desenvolvi-
e fruição nos termos legais, neste caso quando as formas mento Rural e Pescas.
de uso e fruição incluírem a gestão cinegética. 6 — Os prazos estipulados no número anterior apli-
3 — Em caso de morte de concessionário de ZCT, cam-se também à renovação automática de concessões,
os herdeiros devem comunicar à DGRF, no prazo de aquando do seu termo.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5327
7 — Sem prejuízo do disposto na alínea a) do a que se referem os n.os 1 e 2 do artigo 49.o
artigo 39.o, decorridos os prazos estipulados no n.o 4 ou quando deixem de se verificar os requisitos
do presente artigo, a renovação deve ser recusada pela exigidos para a concessão.
DGRF.
8 — À renovação de concessões requerida nos termos 2 — No caso previsto na alínea a) do número anterior
do n.o 5 aplica-se o disposto nos artigos 35.o a 41.o, é devida indemnização reportada ao termo do período
com as necessárias adaptações. de concessão ou de cada período de renovação em curso.
9 — Excepciona-se do número anterior a audição do
Conselho Cinegético Municipal prevista na alínea d)
do artigo 158.o CAPÍTULO IV
10 — Nas concessões cujos titulares requeiram a reno- Terrenos não cinegéticos e de caça condicionada
vação da concessão no prazo do n.o 4 do presente artigo
e cujos processos não ficaram concluídos até ao termo
da concessão ficam suspensas as actividades de carácter Artigo 52.o
venatório. Terrenos não cinegéticos
1 — São terrenos não cinegéticos:
Artigo 49.o
a) As áreas de protecção;
Suspensão da actividade cinegética b) As áreas de refúgio de caça;
c) Os campos de treino de caça;
1 — Sem prejuízo da aplicação de outras sanções pre- d) Os enclaves ou terrenos que confinem com
vistas na lei, o incumprimento, por parte de entidades outras figuras de ordenamento cinegético e cuja
concessionárias de zonas de caça, de obrigações decor- área individualmente considerada não exceda
rentes da concessão pode constituir causa de suspensão 10 % da área total da zona até um máximo de
das actividades de carácter venatório. 50 ha;
2 — Constitui ainda causa de suspensão das activi- e) As zonas interditas à caça integradas em áreas
dades de carácter venatório a constatação de que, no classificadas e outras que venham a ser con-
decurso da vigência da concessão ou renovação, não sideradas como tal em despacho do Ministro
foram ou deixaram de ser cumpridos os requisitos essen- da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas
ciais à mesma. a requerimento da entidade gestora.
3 — Nos casos previstos nos números anteriores e no
n.o 10 do artigo 48.o, a suspensão é determinada DGRF, 2 — A sinalização dos terrenos referidos no número
que estabelece ainda o prazo para a supressão da falta anterior é da responsabilidade da entidade gestora nos
que a determinou. casos seguintes:
a) Enclaves, terrenos que confinem com outras
Artigo 50.o figuras de ordenamento cinegético e campos de
Extinção treino de caça;
b) Todos os terrenos que a requerimento da enti-
1 — As concessões de zona de caça associativa e de dade gestora venham a ser alvo de despacho
zona de caça turística extinguem-se por: do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
Rural e Pescas.
a) Revogação a pedido do concessionário;
b) Denúncia, nos termos do disposto no n.o 2 do
artigo 48.o; Artigo 53.o
c) Revogação, nos termos do disposto no artigo Áreas de protecção
seguinte;
d) Caducidade. 1 — Constituem áreas de protecção os locais seguin-
tes:
2 — No caso de caducidade da concessão ou reno- a) Povoados, praias de banho, terrenos adjacentes
vação, e na salvaguarda do património cinegético exis- a estabelecimentos de ensino, hospitalares, pri-
tente, a extinção da zona de caça é determinada apenas sionais ou tutelares de menores, científicos, lares
por portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvi- de idosos, instalações militares ou de forças de
mento Rural e Pescas, não sendo entretanto permitida segurança, estabelecimentos de protecção à
a actividade cinegética. infância, estações radioeléctricas, faróis, portos
marítimos e fluviais, aeroportos, instalações
Artigo 51.o turísticas, parques de campismo e desportivos,
instalações industriais e de criação animal, bem
Revogação das concessões como quaisquer terrenos que os circundem,
numa faixa de protecção de 500 m;
1 — O Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
b) As estradas nacionais e as linhas de caminho
Rural e Pescas pode em qualquer altura revogar a con-
de ferro e numa faixa de protecção de 100 m;
cessão de zonas de caça quando:
c) Os aeródromos, os cemitérios e as estradas
a) A concessão se torne inconveniente para o inte- municipais;
resse público; d) Os terrenos ocupados com culturas florícolas
b) O titular da zona de caça não cumpra de forma e hortícolas, desde a sementeira ou plantação
reiterada ou continuada obrigações a que está até ao termo das colheitas, e os terrenos ocu-
vinculado, não supra tempestivamente as faltas pados com viveiros;
5328 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
e) Os terrenos com culturas frutícolas, com excep- Artigo 55.o
ção dos olivais, desde o abrolhar até ao termo
das colheitas; Campos de treino de caça
f) Os aparcamentos de gado nas condições defi-
nidas em portaria do Ministro da Agricultura, 1 — Constituem campos de treino de caça as áreas
Desenvolvimento Rural e Pescas; destinadas durante todo o ano ao exercício de tiro com
g) Os apiários e pombais, bem como quaisquer ter- armas de fogo, legalmente classificadas como de caça,
renos que os circundem, numa faixa de pro- arco ou besta, e à prática de actividades de carácter
tecção de 100 m; venatório, designadamente o treino de cães de caça e
h) Os terrenos situados em zonas militares ou de de aves de presa, a realização de provas de cães e de
forças de segurança, terrenos de estabelecimen- Santo Huberto ou outras, sobre espécies cinegéticas cria-
tos de ensino, hospitalares, prisionais ou tute- das em cativeiro.
lares de menores, de lares de idosos e os ter- 2 — Nos campos de treino de caça pode ser auto-
renos onde decorram acções de investigação ou rizada a formação ou avaliação de indivíduos inscritos
experimentação que possam ser prejudicadas para exame de carta de caçador, quando inseridas em
pelo livre exercício da caça, situados para além curso aprovado pela DGRF.
do âmbito previsto na alínea a); 3 — As associações de caçadores, os clubes de cani-
i) Os olivais e os pomares e vinhas com instalação cultores, os clubes de tiro e as entidades titulares de
de rega gota a gota e por microaspersão; zonas de caça podem ser autorizadas a instalar campos
j) Os terrenos ocupados com culturas arvenses e de treino de caça, nos termos a definir em portaria do
os ocupados com sementeiras ou plantações de Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
espécies florestais com altura média inferior a Pescas.
80 cm; 4 — Nos campos de treino de caça são permitidas
l) Os terrenos situados entre o nível de água das competições desportivas envolvendo a utilização de ani-
albufeiras e o nível de pleno armazenamento mais quando realizadas sob controlo das competentes
(NPA), com excepção das situações previstas confederações, federações ou associações e no estrito
nos n.os 2 e 3 do artigo 9.o cumprimento dos respectivos regulamentos.
5 — Para a realização das provas referidas no n.o 4,
pode excepcionalmente ser considerado campo de
2 — A eficácia da proibição do acto venatório referida treino, durante o período de realização da prova, toda
nas alíneas f), g), h), i) e j) do número anterior depende a área da zona de caça, desde que a entidade gestora
de os terrenos em causa se encontrarem sinalizados, o comunique à DGRF em conjunto com a entidade
nos termos a definir por portaria do Ministro da Agri- organizadora, após parecer do ICN, quando inserido
cultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. em áreas classificadas, a emitir no prazo de 10 dias,
3 — A sinalização dos aparcamentos de gado e dos findo o qual pode o procedimento prosseguir e vir a
terrenos referidos na alínea h) do n.o 1 do presente ser decidido sem o parecer.
artigo carece de autorização prévia da DGRF. 6 — Fora do período venatório para as espécies de
caça menor, só é permitido o abate de espécies cine-
Artigo 54.o géticas criadas em cativeiro.
7 — Para fins didácticos ou científicos, a DGRF pode
Áreas de refúgio de caça
constituir campos de treino de caça, bem como ser auto-
rizada a sua instalação a estabelecimentos de ensino.
8 — A prática das actividades de carácter venatório
1 — As áreas de refúgio de caça são criadas por por- definidas no n.o 1 do presente artigo só é permitida
taria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento a caçadores titulares dos documentos legalmente exi-
Rural e Pescas, que estabelece as limitações às acti- gidos para o exercício da caça, com excepção da licença
vidades que prejudiquem ou possam perturbar as espé- de caça.
cies cinegéticas e não cinegéticas, cuja conservação, 9 — A realização de largadas fora dos períodos vena-
fomento ou protecção se pretende. tórios só é permitida em campos de treino de caça.
2 — As compensações devidas pelos prejuízos que
10 — Nas largadas é permitida a utilização de pom-
advenham das limitações referidas no número anterior
bos.
são suportadas pelo Estado.
3 — Sem prejuízo do disposto para correcção de den- 11 — Nos campos de treino de caça devem ser reco-
sidades das populações de espécies cinegéticas, o exer- lhidos todos os resíduos resultantes das actividades
cício da caça é proibido nas áreas de refúgio de caça. desenvolvidas.
4 — Para os efeitos da correcção de densidade de
populações cinegéticas, as normas de acesso dos caça- Artigo 56.o
dores são definidas por edital da DGRF.
5 — As áreas de refúgio de caça devem ser sinalizadas Terrenos de caça condicionada
nos termos a definir em portaria do Ministro da Agri-
cultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. 1 — É proibido caçar sem consentimento de quem
6 — O Ministério das Cidades, Ordenamento do Ter- de direito nos quintais, parques ou jardins anexos a casas
ritório e Ambiente pode propor áreas de refúgio quando de habitação bem como em quaisquer terrenos que os
estejam em causa espécies não cinegéticas, a criar atra- circundem numa faixa de 250 m e ainda nos terrenos
vés de portaria conjunta dos Ministros da Agricultura, murados.
Desenvolvimento Rural e Pescas e das Cidades, Orde- 2 — É ainda proibido caçar sem consentimento de
namento do Território e Ambiente. quem de direito nas zonas de caça.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5329
CAPÍTULO V d) Quando ocorrer violação da proibição de caçar
por parte dos titulares ou com o seu con-
Direito à não caça sentimento.
Artigo 57.o Artigo 62.o
Direito à não caça
Obrigações dos titulares do direito à não caça
1 — O direito à não caça é a faculdade dos proprie-
tários requererem a proibição da caça nos seus terrenos, 1 — Os titulares do direito à não caça têm a obrigação
passando estes a constituir áreas de não caça. de colocar a sinalização respectiva e de a conservar em
2 — As pessoas singulares ou colectivas que detenham bom estado.
direitos de uso e fruição nos termos legais, neste caso 2 — Extinto o direito à não caça, os que tinham a
quando as formas de uso e fruição incluírem a gestão qualidade de titular devem retirar a sinalização no prazo
cinegética, podem, em conjunto com o proprietário, de 30 dias.
requerer o direito à não caça. 3 — Se a sinalização não for retirada, nos termos do
3 — Os requerentes não podem ser titulares de carta número anterior, a DGRF procede ao seu levantamento,
de caçador e, no caso de pessoas colectivas, o objecto sendo os responsáveis obrigados ao pagamento das des-
social não pode contemplar a exploração dos recursos pesas efectuadas.
cinegéticos nem os elementos que integram os órgãos
sociais serem titulares de carta de caçador.
CAPÍTULO VI
o
Artigo 58.
Exercício da caça
Procedimento
SECÇÃO I
O reconhecimento do direito à não caça é requerido
ao Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Disposições gerais
Pescas, mediante pedido apresentado nos serviços da
DGRF do qual conste, designadamente:
Artigo 63.o
a) Identificação completa do requerente;
b) Identificação dos prédios rústicos a afectar e Requisitos para o exercício da caça
respectiva planta dos terrenos, em suporte digi-
tal, nos termos a definir em portaria do Ministro Salvo nos casos previstos na lei, só é permitido o
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pes- exercício da caça aos titulares de carta de caçador, da
cas; respectiva licença de caça, de seguro de responsabilidade
c) Direitos do requerente sobre os prédios; civil por danos causados a terceiros e dos demais docu-
d) Declaração onde conste que sobre o prédio não mentos legalmente exigidos.
incide qualquer acordo de integração em zona
de caça. Artigo 64.o
Artigo 59.o Direito às peças de caça
Prazo 1 — O caçador adquire o direito à propriedade do
O direito à não caça é concedido por um período animal por ocupação, sem prejuízo de regime diverso
de seis anos, renovável mediante requerimento a apre- em zonas de caça e em montarias e batidas a espécies
sentar até seis meses antes do fim do prazo. cinegéticas de caça maior em terrenos cinegéticos não
ordenados, não podendo, porém, ser recusado ao caça-
dor o direito ao troféu dos exemplares de caça maior,
Artigo 60.o desde que cumpridos os termos regulamentares ou
Decisão contratuais.
2 — Considera-se ocupado o animal que durante o
O reconhecimento do direito à não caça é tornado acto venatório for morto ou apanhado pelo caçador,
público por edital da DGRF da área onde se situam pelos seus cães ou aves de presa.
os prédios, após decisão do Ministro da Agricultura, 3 — O caçador adquire o direito à ocupação do ani-
Desenvolvimento Rural e Pescas. mal logo que o fere, mantendo esse direito enquanto
for em sua perseguição.
4 — O caçador que ferir ou matar exemplar que se
Artigo 61.o
refugie ou tombe em terreno onde o exercício da caça
Extinção seja proibido ou condicionado não pode entrar nesse
terreno sem legítima autorização, salvo tratando-se de
O direito à não caça extingue-se:
terreno não murado e aquele se encontre visível, caso
a) Quando se extinguirem os direitos que funda- em que o pode fazer desde que sozinho e sem armas
mentam a atribuição do direito à não caça; nem cães.
b) Por caducidade, se decorrido o prazo do direito 5 — Quando for necessária a autorização referida no
à não caça não for renovado; número anterior e esta seja negada, é obrigatória a
c) Quando deixarem de se verificar as condições entrega do animal ao caçador, no estado em que se
previstas no n.o 3 do artigo 57.o; encontre, sempre que tal seja possível.
5330 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
Artigo 65.o 5 — Os titulares de carta de caçador em que não
conste qualquer especificação estão habilitados a exercer
Documentos que devem acompanhar o caçador os actos venatórios correspondentes à especificação
«com arma de fogo».
1 — Durante o exercício da caça o caçador é obrigado
a trazer consigo e a apresentar às entidades com com-
petência para a fiscalização, sempre que lhe seja exigido: Artigo 67.o
Exame para obtenção de carta de caçador
a) A carta de caçador, quando não esteja dispen-
sado nos termos da lei; 1 — A obtenção de carta de caçador fica dependente
b) A licença de caça; de exame teórico ao qual têm acesso os candidatos que
c) A licença dos cães que o acompanhem; frequentarem com aproveitamento uma acção de for-
d) A licença de uso e porte de arma e o livrete mação a ministrar pelas OSC, em termos a regulamentar
de manifesto, quando utiliza armas de fogo, bem por despacho do Ministro da Agricultura Desenvolvi-
como a declaração de empréstimo, quando a mento Rural e Pescas
arma não seja do próprio; 2 — Os interessados que, não sendo titulares de carta
e) O recibo comprovativo do pagamento do pré- de caçador, pretendam obter mais de uma especificação
mio do seguro de caça válido; realizam uma única prova teórica.
f) O bilhete de identidade ou passaporte;
g) Quando menor, a autorização escrita da pessoa
que legalmente o represente especificando o Artigo 68.o
período para o qual a mesma é válida. Júri de exame
1 — O exame para obtenção de carta de caçador é
2 — Os documentos previstos na alínea d) do número efectuado perante um júri constituído por um repre-
anterior podem, no caso de estrangeiros e de portu- sentante da DGRF e por um representante das OSC.
gueses não residentes em território português, bem 2 — A presidência do júri cabe ao representante da
como de membros do corpo diplomático e consular acre- DGRF, tendo este voto de qualidade.
ditados em Portugal, ser substituídos por outros que 3 — Na falta do representante de qualquer das OSC
legitimem o uso e porte da arma de que sejam por- referidas no n.o 1 é o mesmo substituído por um repre-
tadores. sentante da DGRF.
SECÇÃO II 4 — Da decisão do júri cabe recurso para o direc-
tor-geral dos Recursos Florestais, a interpor no prazo
Carta de caçador de 15 dias após a comunicação do resultado ao exa-
minado.
Artigo 66.o 5 — O exame para obtenção de carta de caçador pode
ser realizado na Região Autónoma dos Açores, podendo
Carta de caçador a DGRF delegar a sua representação em organismo
daquela Região e cabendo às OSC designar o respectivo
1 — A carta de caçador só pode ser emitida a favor representante.
de pessoas que reúnam as seguintes condições: 6 — Os critérios para a representação dos caçadores
referida no n.o 1 são definidos por portaria do Ministro
a) Terem mais de 16 anos; da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
b) Não serem portadoras de anomalia psíquica ou
de deficiência orgânica ou fisiológica que torne
perigoso o exercício da caça; Artigo 69.o
c) Não estarem sujeitas a proibição de caçar por Requerimento e emissão de carta de caçador
disposição legal ou decisão judicial;
d) Terem sido aprovadas em exame destinado a 1 — Os interessados que tenham obtido aprovação
apurar a aptidão e o conhecimento necessário em exame devem requerer a emissão da carta de caçador
ao exercício da caça. até 31 de Maio do ano seguinte ao da sua realização,
em impresso próprio, de modelo a definir por portaria
2 — A carta de caçador admite as seguintes espe- do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
cificações: Pescas, nos serviços da DGRF ou do município da sua
residência ou, caso não residam em território português,
a) Sem arma de caça nem ave de presa; no respectivo consulado português.
b) Com arma de fogo; 2 — Para os efeitos do disposto no número anterior
c) Arqueiro-caçador; deve o interessado apresentar:
d) Cetreiro. a) Atestado médico comprovativo de que não é
portador de anomalia psíquica ou de deficiência
3 — O titular de carta de caçador com a especificação orgânica ou fisiológica que torne perigoso o
«com arma de fogo» ou «arqueiro-caçador» ou exercício da caça ou, ainda que portador de tal
«cetreiro» está habilitado também a exercer os actos anomalia ou deficiência, a mesma só limite o
venatórios com lança e correspondentes à especificação interessado a exercer a caça com o emprego
definida na alínea a) do número anterior. de arma de fogo, arco ou besta;
4 — A carta de caçador com a especificação «arquei- b) Certificado de registo criminal;
ro-caçador» permite ao seu titular exercer o acto vena- c) Quando menor, não emancipado, a autorização
tório com arco ou com besta. escrita da pessoa que legalmente o represente.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5331
3 — A carta de caçador é emitida pela DGRF, dela SECÇÃO III
devendo constar, designadamente:
Licenças e seguros
a) O número da carta;
b) As especificações nos termos do n.o 2 do Artigo 73.o
artigo 66.o;
c) A identificação do titular pela menção do nome, Tipos de licenças de caça e validade
data de nascimento e residência; Os tipos, validade, condições gerais e específicas da
d) A data da concessão e de validade. licença de caça são regulamentados por portaria do
Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
4 — Os titulares da carta de caçador, quando dela Pescas.
devam ser privados, são obrigados a entregá-la sempre
que para o efeito sejam notificados. Artigo 74.o
5 — Quando a carta de caçador seja apreendida por Emissão e requerimento
prática de infracção ou tenha sido entregue pelo seu
titular nos termos do número anterior, é emitido recibo 1 — As licenças de caça são emitidas pela DGRF.
de modelo aprovado pelo Ministro da Agricultura, 2 — As licenças de caça podem ser requeridas nos
Desenvolvimento Rural e Pescas, comprovativo da sua serviços da DGRF, nos municípios ou nas associações
apreensão ou entrega, recibo que substitui a referida de caçadores para tal habilitadas por acordo estabe-
carta, caso o seu titular possa continuar a exercer o lecido com a DGRF.
acto venatório correspondente à especificação da 3 — As licenças de caça são atribuídas a titulares de
mesma. carta de caçador, ou a quem dela esteja legalmente dis-
pensado, e de seguro de responsabilidade civil contra
terceiros válido para o período autorizado pela respec-
Artigo 70.o tiva licença.
Equivalência de carta de caçador
Artigo 75.o
1 — Os portugueses e os estrangeiros residentes em Licença para não residentes em território português
território português que sejam titulares de carta de caça-
dor ou documento equivalente emitido por outro país 1 — A licença de caça para não residentes em ter-
da União Europeia podem requerer ao director-geral ritório português só pode ser emitida a favor de pessoas
de Recursos Florestais a emissão de carta de caçador que se encontrem nas situações previstas no artigo 22.o
portuguesa com especificação correspondente, desde da Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro.
que o referido documento esteja válido e os interessados 2 — A licença de caça para não residentes em ter-
reúnam as demais condições exigidas no n.o 2 do ritório português pode ser requerida nos serviços da
artigo 21.o da Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro. DGRF e nas OSC para tal habilitadas por acordo com
2 — A emissão de carta de caçador portuguesa, rela- a DGRF, devendo os interessados, para além do seguro
tivamente à equivalência concedida aos estrangeiros a que se refere o n.o 3 do artigo 74.o e com excepção
residentes em território português, é condicionada ao dos membros do corpo diplomático ou consular acre-
regime de reciprocidade. ditados em Portugal, apresentar, ainda:
a) Documento que permita comprovar a residência
Artigo 71.o no estrangeiro;
Validade da carta de caçador
b) Documento equivalente à carta de caçador ou
licença de caça que comprove estarem habili-
1 — Salvo renovação nos termos dos números seguin- tados a caçar no país da sua nacionalidade ou
tes ou disposição em contrário, a carta de caçador é residência ou, no caso de nesse país não ser
válida até aos 60 anos e seguidamente por períodos permitida a caça, documento que comprove
de cinco anos. estarem habilitados a manusear armas de fogo.
2 — A renovação da carta de caçador deve ser reque-
rida pelo interessado nos 12 meses que antecedem a
data de validade, juntando para o efeito os documentos Artigo 76.o
referidos no n.o 2 do artigo 69.o Seguros
3 — No prazo de cinco anos após a data de validade
da carta de caçador pode ainda ser requerida a sua 1 — Para o exercício da caça, os caçadores devem
renovação excepcional, sob pena de a mesma caducar. celebrar um contrato de seguro de responsabilidade civil
contra terceiros no montante mínimo de E 100 000, no
caso de acto venatório com arma de caça, e de E 25 000,
Artigo 72.o nos restantes casos.
Sujeição a exame médico 2 — No caso de realização de montarias, batidas e
largadas, as entidades responsáveis pelas mesmas devem
1 — Sempre que haja fundado receio de o titular de celebrar um contrato de seguro em termos a regula-
carta de caçador ter deixado de reunir os requisitos pre- mentar por portaria do Ministro da Agricultura, Desen-
vistos na alínea b) do n.o 2 do artigo 21.o da Lei volvimento Rural e Pescas e dos ministros competentes
n.o 173/99, de 21 de Setembro, a DGRF pode determinar em razão da matéria.
a sua sujeição a exame médico. 3 — Os montantes mínimos dos seguros referidos nos
2 — Na sequência do exame médico, a carta de caça- números anteriores podem ser actualizados por portaria
dor pode ser mantida, revogada ou alteradas as suas do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
especificações. Pescas e dos ministros competentes em razão da matéria.
5332 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
SECÇÃO IV 4 — No exercício da caça com armas de fogo, os caça-
dores devem recolher os cartuchos vazios após a sua
Auxiliares e meios de caça
utilização.
5 — Fora do exercício da caça ou de actividades de
Artigo 77.o carácter venatório apenas é permitido o transporte de
Auxiliares armas de fogo legalmente classificadas como de caça
quando descarregadas e acondicionadas em estojo ou
1 — Os secretários ou mochileiros não podem pra- bolsa.
ticar quaisquer actos venatórios ou exercer funções de 6 — O disposto no número anterior não é aplicável
matilheiro ou batedor e só podem ser portadores de às deslocações entre locais de espera, desde que a dis-
armas de fogo, arco ou besta desde que acondicionados tância entre eles não exceda 100 m.
em estojo ou bolsa e de aves de presa aparelhadas com 7 — Exceptua-se do disposto na alínea b) do n.o 3
piós e avessada. a caça às raposas e saca-rabos, durante as montarias
2 — Os negaceiros, os batedores e os matilheiros não e batidas de caça maior realizadas em terreno ordenado,
podem ser portadores de arma de fogo, arco ou besta em que é permitido o uso de bala.
nem capturar qualquer exemplar de espécie cinegética,
com excepção dos matilheiros no remate de um animal Artigo 80.o
ferido.
3 — Nos terrenos cinegéticos não ordenados cada Arco e besta
caçador só pode ser acompanhado por um auxiliar. 1 — No exercício da caça com arco ou com besta
4 — Os auxiliares não podem fazer parte da linha é proibido o uso ou detenção de flechas e virotões:
de caçadores.
a) Envenenados ou portadores de qualquer pro-
Artigo 78.o duto destinado a acelerar a captura dos animais;
Meios de caça b) Com pontas explosivas, com barbelas ou com
farpa;
1 — No exercício da caça e dentro dos limites fixados c) Com menos de duas lâminas na ponta e com
nos artigos seguintes apenas são permitidos os seguintes uma largura de corte inferior a 25 mm, na caça
meios: às espécies de caça maior.
a) Armas de caça;
b) Pau; 2 — Fora do exercício da caça ou de actividades de
c) Negaças e chamarizes; carácter venatório apenas é permitido o transporte de
d) Aves de presa; arco ou besta devidamente acondicionado em estojo ou
e) Cães de caça; bolsa.
f) Furão; 3 — O disposto no número anterior não é aplicável
às deslocações entre locais de espera, desde que a dis-
g) Barco;
tância entre eles não exceda 100 m.
h) Cavalo.
2 — Para os efeitos do presente diploma, são con- Artigo 81.o
siderados objectos os instrumentos e meios utilizados Pau
no exercício da caça.
3 — No acto venatório é proibido iluminar as peças O uso de pau só é permitido no exercício da caça
a caçar. a corricão e de salto.
Artigo 82.o
Artigo 79.o
Negaças e chamarizes
Armas de fogo
1 — O uso de negaças e chamarizes só é permitido
1 — No exercício da caça apenas podem ser utilizadas nos termos definidos nos artigos 92.o a 106.o do presente
as armas de fogo classificadas, nos termos da lei apli- diploma para cada uma das espécies cinegéticas.
cável, como armas de caça. 2 — Durante o exercício venatório é proibida a uti-
2 — As armas semiautomáticas, que correspondem lização ou a detenção de aparelhos que emitam ultra-
às armas de fogo que se recarregam automaticamente -sons e ainda dos que, funcionando por bateria ou pilhas,
por acção do disparo, apenas podem ser utilizadas no tenham por efeito atrair as espécies cinegéticas, bem
exercício da caça quando estejam previstas ou trans- como o uso de negaças que sejam animais cegos ou
formadas de forma que não possam comportar mais mutilados.
de três munições.
3 — No exercício da caça com armas de fogo é proi- Artigo 83.o
bido o uso ou detenção de: Aves de presa
a) Cartuchos carregados com múltiplos projécteis 1 — No exercício da caça com aves de presa é proibido
de diâmetro superior a 4,5 mm, vulgarmente soltar simultaneamente mais de duas aves a uma presa.
designados por zagalotes; 2 — Os proprietários de aves de presa destinadas à
b) Na caça às espécies de caça menor, cartuchos cetraria devem proceder ao seu registo na DGRF,
carregados com um projéctil único, vulgarmente mediante apresentação dos certificados de proveniência
designado por bala; de cativeiro e CITES (Convenção Internacional das
c) Na caça às espécies de caça maior, cartuchos Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de
carregados com múltiplos projécteis, vulgar- Extinção, aprovada, para ratificação, pelo Decreto
mente designados por chumbos. n.o 50/80, de 23 de Julho).
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5333
Artigo 84.o 2 — Na caça com utilização de cavalo é proibido usar
Cães de caça
armas de fogo, arco ou besta.
1 — No exercício da caça às espécies de caça menor,
cada caçador só pode utilizar até dois cães, sem prejuízo SECÇÃO V
das seguintes excepções: Períodos e processos de caça
a) Na caça de batida, em que o número de cães
não é limitado; Artigo 88.o
b) Na caça ao coelho-bravo, por processo diferente
do de batida, cada caçador ou grupo de caça- Jornada de caça
dores pode utilizar até 10 cães;
c) Na caça à raposa a corricão podem ser utilizados 1 — O exercício da caça só é permitido no período
até 50 cães. que decorre entre o nascer e o pôr do Sol, excepto:
a) Na caça aos patos pelo processo de espera até
2 — Os galgos só podem ser utilizados na caça à lebre 100 m dos planos de água, em que é permitido
a corricão. desde uma hora antes do nascer do Sol até uma
3 — Na caça à lebre a corricão é proibido utilizar hora depois do pôr do sol;
mais de dois cães de busca ou soltar mais de dois galgos b) Na caça a espécies de caça maior pelos processos
a cada espécime. de aproximação e, em período de lua cheia, de
4 — Nas montarias e caça de salto, prevista no espera.
artigo 105.o, o número de cães não é limitado, podendo
apenas ser utilizadas matilhas de caça maior. 2 — A jornada de caça aos pombos, tordos e estor-
5 — A DGRF deve organizar e manter um cadastro ninho-malhado, bem como a detenção de exemplares
nacional das matilhas de caça maior. destas espécies no exercício da caça, só é permitida entre
6 — A organização do cadastro referido no número o nascer do Sol e as 16 horas, exceptuando-se em locais
anterior pode ser transferida para as OSC mediante de passagem:
protocolo estabelecido entre o Ministério da Agricultura
Desenvolvimento Rural e Pescas e cada uma destas. a) Em terreno que não esteja sujeito a qualquer
7 — Os cães que compõem as matilhas de caça maior tipo de ordenamento cinegético, em locais devi-
devem ser portadores de coleira ou marca corporal que damente identificados em edital da DGRF;
identifique o seu proprietário, sem prejuízo do disposto b) Em zonas de caça identificadas em edital da
nos Decretos-Leis n.os 312/2003, 313/2003, 314/2003 e DGRF, nos locais que tenham sido autorizados.
315/2003, todos de 17 de Dezembro.
Artigo 89.o
o
Artigo 85. Dias de caça
Furão
1 — Nos terrenos cinegéticos ordenados, os dias de
1 — As entidades gestoras de zonas de caça e as asso- caça são:
ciações de caçadores devem proceder ao registo anual a) Para as espécies de caça maior, os previstos nos
dos furões nos serviços da DGRF da área onde os mes- respectivos planos de ordenamento cinegético
mos se encontrem instalados. ou exploração;
2 — A utilização de furões em acções de ordenamento b) Para as espécies de caça menor sedentária:
de populações de coelho-bravo ou na sua caça depende
de autorização prévia da DGRF da área onde se situe i) As quintas-feiras, domingos, feriados
a zona de caça. nacionais obrigatórios e um dia à escolha
3 — O transporte e a utilização de furões devem ser previsto nos planos de ordenamento e
acompanhados de guia de transporte de modelo da exploração cinegética e anuais de explo-
DGRF, emitida pela entidade detentora dos mesmos. ração, no caso das ZCA, ZCM e ZCN;
ii) Os dias previstos nos planos de ordena-
mento e exploração cinegética, no caso
Artigo 86.o das ZCT;
Barco
c) Para as espécies de caça menor migratória:
1 — É proibida a utilização de barco na caça, com
excepção da caça aos patos, ao galeirão e à gali- i) As quintas-feiras, domingos, feriados
nha-d’água. nacionais obrigatórios e o dia à escolha
2 — É proibida a utilização de barco para perseguir referido na subalínea i) da alínea b) do
a caça, bem como atirar com o barco em movimento presente número, no caso das ZCA,
ou com o motor em funcionamento. ZCM e ZCN;
ii) Os feriados nacionais obrigatórios e os
três dias da semana constantes nos res-
Artigo 87.o pectivos nos planos de ordenamento e
Cavalo exploração cinegética, no caso das ZCT.
1 — A utilização de cavalo só é permitida na caça 2 — A escolha do dia referida na subalínea i) da alí-
às espécies de caça maior, à raposa e à lebre e na caça nea b) do número anterior terá de ser comunicada à
de cetraria. DGRF, produzindo efeitos cinco dias após a recepção
5334 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
da mesma, podendo apenas sofrer uma alteração por anteriores à realização da batida ou montaria e numa
época venatória. faixa com largura de 500 m circundante daqueles ter-
3 — Nos terrenos cinegéticos não ordenados, os dias renos, nos dias das batidas ou montarias, desde que
de caça são as quintas-feiras, domingos e feriados nacio- devidamente sinalizados.
nais obrigatórios, exceptuando-se: 4 — É proibido enxotar, bater ou praticar quaisquer
actos que possam conduzir intencionalmente as espécies
a) A caça de batida à raposa e saca-rabos e caça
cinegéticas de uns terrenos para outros, com excepção
ao javali prevista no n.o 2 do artigo 105.o nos
das batidas e montarias devidamente autorizadas.
meses de Janeiro e Fevereiro, que pode ser exer-
cida aos sábados;
b) A caça de cetraria, a caça à raposa a corricão, Artigo 91.o
a caça com lança e a caça com arco ou besta,
que se exerce às quartas-feiras e sábados não Calendário venatório
coincidentes com dia de feriado nacional obri- 1 — A portaria referida no n.o 2 do artigo 3.o fixa
gatório. igualmente em cada época venatória os períodos, os
processos e outros condicionamentos venatórios, com
4 — É proibido caçar nos dias em que se realizem as limitações fixadas nos artigos 78.o a 90.o e 92.o a
eleições ou referendos nacionais e, ainda, quando se 106.o
realizem eleições ou referendos locais na área das res- 2 — As espécies constantes na portaria referida no
pectivas autarquias. número anterior, os períodos, os processos e os outros
condicionamentos venatórios podem variar consoante
Artigo 90.o as regiões cinegéticas, os processos de caça e os terrenos
Processos de caça cinegéticos estarem ou não ordenados.
3 — Os limites diários de abate autorizados para cada
1 — A caça pode ser exercida pelos seguintes pro- espécie cinegética são fixados pela portaria referida no
cessos: n.o 1 do presente artigo.
a) De salto — aquele em que o caçador se desloca 4 — No caso das espécies cinegéticas sedentárias, os
para procurar, perseguir ou capturar exemplares limites referidos no número anterior só se aplicam aos
de espécies cinegéticas que ele próprio levanta, terrenos não ordenados, aplicando-se nos terrenos orde-
com ou sem auxílio de cães de caça; nados os limites estabelecidos nos respectivos POEC
b) À espera — aquele em que o caçador, parado, ou PG.
emboscado ou não, com ou sem negaça ou cha- SECÇÃO VI
mariz e com ou sem cães de caça para cobro,
aguarda as espécies cinegéticas a capturar; Condicionamentos venatórios
c) De batida — aquele em que o caçador aguarda,
para capturar, as espécies cinegéticas que lhe
são levantadas por batedores, com ou sem cães Artigo 92.o
de caça, no caso de caça menor, e sem cães, Caça ao coelho-bravo
no caso de caça maior;
d) Com furão — aquele em que o caçador se 1 — A caça ao coelho-bravo pode ser exercida de
coloca à espera para capturar coelhos-bravos salto, de batida, à espera, a corricão, de cetraria e com
com auxílio de furão; furão, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
e) A corricão — aquele em que o caçador se des- 2 — Os processos de caça de batida e com furão só
loca a pé ou a cavalo para capturar espécies podem ser exercidos em zonas de caça, desde que pre-
cinegéticas apenas com o auxílio de cães de caça vistos no POEC ou PG devidamente aprovado.
e com ou sem pau; 3 — A caça ao coelho-bravo pode ser permitida nos
f) De cetraria — aquele em que o caçador, para meses de Setembro a Dezembro, inclusive, sem prejuízo
capturar espécies cinegéticas utiliza aves de do disposto no número seguinte.
presa para esse fim adestradas, com ou sem auxí- 4 — As entidades gestoras das zonas de caça podem
lio de cães de caça; autorizar a caça ao coelho-bravo durante o mês de Julho
g) De aproximação — aquele em que o caçador desde que tal esteja previsto na portaria referida no
se desloca para capturar determinado exemplar n.o 2 do artigo 3.o
de caça maior;
h) De montaria — aquele em que o caçador aguarda,
em local previamente definido, para capturar Artigo 93.o
exemplares de caça maior levantados por matilhas Caça à lebre
de caça maior conduzidas por matilheiros;
i) Com lança — aquele em que o caçador para 1 — A caça à lebre pode ser exercida de salto, de
capturar exemplares de caça maior utiliza lança, batida, à espera, a corricão e de cetraria, sem prejuízo
com ou sem auxílio de cavalo e de cães de caça. do disposto no número seguinte.
2 — O processo de caça de batida só pode ser auto-
2 — Nos terrenos cinegéticos não ordenados, no pro- rizado em zonas de caça.
cesso de caça de salto, os grupos ou linhas de caçadores 3 — A caça a esta espécie pode ser permitida nos
não podem ser constituídos por mais de cinco caçadores, meses de Setembro a Fevereiro, inclusive, sem prejuízo
devendo entre linhas mediar no mínimo 150 m. do disposto no número seguinte.
3 — Nos terrenos cinegéticos não ordenados a bater 4 — Nos meses de Janeiro e Fevereiro, a caça à lebre
ou a montear é proibido o exercício venatório nos 15 dias é permitida em zonas de caça e a corricão.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5335
Artigo 94.o 4 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos
Caça à raposa e ao saca-rabos
meses de Agosto, Setembro e Janeiro, aos patos e galei-
rão, e, ainda, Fevereiro, à galinha-d’água; a caça a estas
1 — A caça à raposa e ao saca-rabos pode ser exercida espécies só é permitida de espera e de cetraria e apenas
de salto, à espera e de batida, podendo ainda a raposa nos locais e nas condições estabelecidos por edital da
ser caçada a corricão e, em terrenos ordenados, no DGRF.
decurso de montarias. Artigo 98.o
2 — É permitida a utilização de chamariz na caça
Caça à tarambola-dourada
à raposa.
3 — A caça à raposa e ao saca-rabos pode ser per- 1 — A caça a estas espécies pode ser exercida de salto
mitida nos meses de Outubro a Fevereiro, inclusive, e à espera.
sem prejuízo do disposto no n.o 5. 2 — O exercício da caça a estas espécies pode ser
4 — É permitido o uso de bala na caça à raposa e permitido nos meses de Outubro a Fevereiro, inclusive,
ao saca-rabos durante as montarias e batidas de caça sem prejuízo do disposto no número seguinte.
maior realizadas em terreno ordenado. 3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos
5 — Em terrenos cinegéticos não ordenados: meses de Janeiro e Fevereiro, a caça a esta espécie
só é permitida à espera e apenas nos locais e nas con-
a) A caça de salto só pode ser permitida nos meses dições estabelecidos por edital da DGRF.
de Outubro a Dezembro, inclusive;
b) A caça de batida e a corricão só pode ser per-
mitida nos meses de Janeiro e Fevereiro e ape- Artigo 99.o
nas nos locais e nas condições estabelecidos em Caça às narcejas
edital da DGRF.
1 — A caça à narceja-comum e à narceja-galega pode
o
ser exercida de salto e à espera.
Artigo 95. 2 — O exercício da caça a estas espécies pode ser
Caça à perdiz-vermelha e ao faisão permitido nos meses de Outubro a Fevereiro, inclusive,
nos termos definidos anualmente na portaria que esta-
1 — A caça à perdiz-vermelha e ao faisão pode ser belece o calendário venatório, sem prejuízo do disposto
exercida de salto, de batida e de cetraria, sem prejuízo no número seguinte.
do disposto no número seguinte. 3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos
2 — A caça de batida só é autorizada em zonas de meses de Janeiro e Fevereiro, a caça a estas espécies
caça. só é permitida nos locais e nas condições estabelecidos
3 — A caça a estas espécies pode ser permitida nos por edital da DGRF.
meses de Outubro a Janeiro, inclusive, nos termos defi-
nidos anualmente na portaria que estabelece o calen- Artigo 100.o
dário venatório, sem prejuízo do que vier a ser definido
ao abrigo do disposto no artigo 32.o Caça à galinhola
4 — A DGRF pode autorizar a caça à perdiz-ver- 1 — A caça à galinhola pode ser exercida de salto.
melha com chamariz ou negaça, em terrenos ordenados 2 — O exercício da caça a esta espécie pode ser per-
nos meses de Fevereiro a Abril. mitido nos meses de Outubro a Fevereiro, inclusive,
sem prejuízo do disposto no número seguinte.
Artigo 96.o 3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos
Caça ao gaio, à pega-rabuda e à gralha-preta
meses de Janeiro e Fevereiro, a caça a esta espécie
só é permitida nos locais e nas condições estabelecidos
1 — A caça ao gaio, à pega-rabuda e à gralha-preta por edital da DGRF.
pode ser exercida de salto, à espera e de cetraria.
2 — A caça a estas espécies pode ser permitida nos
meses de Agosto a Fevereiro, inclusive, sem prejuízo Artigo 101.o
do disposto no n.o 4. Caça à rola-comum
3 — É permitida a utilização de negaças na caça à
1 — A caça a esta espécie pode ser exercida à espera.
pega-rabuda e à gralha-preta.
2 — O exercício da caça a esta espécie pode ser per-
4 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos mitido nos meses de Agosto e Setembro.
meses de Agosto, Setembro, Janeiro e Fevereiro, a caça 3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados só é per-
a estas espécies só é permitida nos locais e nas condições mitida a caça a esta espécie nos locais e nas condições
estabelecidos por edital da DGRF. estabelecidos por edital da DGRF.
4 — É proibido o exercício da caça a esta espécie
Artigo 97.o a menos de 100 m de pontos de água acessíveis à fauna
Caça aos patos, à galinha-d’água e ao galeirão
e de locais artificiais de alimentação.
1 — A caça aos patos, à galinha-d’água e ao galeirão Artigo 102.o
pode ser exercida de salto, de espera e de cetraria.
Caça à codorniz
2 — É permitida a utilização de negaça e chamariz
na caça aos patos. 1 — A caça à codorniz pode ser exercida de salto
3 — A caça a estas espécies pode ser permitida nos e de cetraria.
meses de Agosto a Janeiro, inclusive, aos patos e galeirão 2 — O exercício da caça a esta espécie pode ser per-
e até de Fevereiro à galinha-d’água, sem prejuízo do mitido nos meses de Setembro a Dezembro, inclusive,
disposto no número seguinte e no artigo 32.o sem prejuízo do disposto no número seguinte.
5336 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, no mês 2 — É permitida a utilização de chamariz na caça
de Setembro, só é permitida a caça à codorniz nos locais ao veado e ao corço.
e nas condições estabelecidos em edital da DGRF. 3 — Com excepção da caça pelos processos de batida
e de montaria, que só pode ser permitida nos meses
de Outubro a Fevereiro, inclusive, a caça a estas espécies
Artigo 103.o pode ser permitida durante toda a época venatória, sem
Caça aos pombos prejuízo do disposto no número seguinte.
4 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, a caça
1 — A caça ao pombo-da-rocha, ao pombo-bravo e a estas espécies só pode ser exercida nos casos e con-
ao pombo-torcaz pode ser exercida de salto, à espera dições autorizados pelo Ministro da Agricultura, Desen-
e de cetraria. volvimento Rural e Pescas.
2 — O exercício da caça ao pombo-da-rocha, ao pom-
bo-bravo e ao pombo-torcaz pode ser permitido nos
meses de Agosto a Fevereiro, inclusive, sem prejuízo CAPÍTULO VII
do disposto nos números seguintes.
3 — É permitida a utilização de negaças na caça aos Espécies cinegéticas em cativeiro
pombos.
4 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, a caça Artigo 107.o
a estas espécies nos meses de Agosto, Setembro, Janeiro
e Fevereiro só é permitida de espera e de cetraria e Espécies cinegéticas em cativeiro
apenas nos locais e nas condições estabelecidos por edi-
tal da DGRF. 1 — A reprodução, criação e detenção de espécies
5 — Nos meses de Agosto e Setembro é proibido o cinegéticas em cativeiro pode ser autorizada para fins
exercício da caça a estas espécies a menos de 100 m de repovoamento, utilização em campos de treino, pro-
de pontos de água acessíveis à fauna e de locais artificiais dução de reprodutores, consumo alimentar, produção
de alimentação. de peles ou fins científicos, didácticos, recreativos e de
6 — O exercício da caça ao pombo-da-rocha só é per- colecção.
mitido nos municípios definidos em portaria do Ministro 2 — Só é permitida a reprodução, criação e detenção
da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. em cativeiro das espécies cinegéticas e subespécies iden-
tificadas em portaria do Ministro da Agricultura, Desen-
volvimento Rural e Pescas, que estabelece os fins a que
Artigo 104.o se destina cada espécie e, ainda, as condições de
Caça aos tordos, ao melro e ao estorninho-malhado
autorização.
3 — A reprodução, a criação e a detenção de espécies
1 — A caça aos tordos, ao melro e ao estorninho- cinegéticas em cativeiro dependem de autorização
-malhado pode ser exercida de salto, à espera e de expressa da DGRF, após parecer favorável da Direc-
cetraria. ção-Geral da Veterinária sobre os aspectos sanitários,
2 — O exercício da caça a estas espécies pode ser com excepção do pombo, e ainda a reprodução de coe-
permitido nos meses de Outubro a Fevereiro, inclusive, lho-bravo de populações locais em zonas de caça com
sem prejuízo do disposto no número seguinte. o fim exclusivo de proceder ao respectivo repovoamento.
3 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, nos 4 — A DGRF pode ainda autorizar a detenção de
meses de Janeiro e Fevereiro, a caça a estas espécies espécies cinegéticas em centros de recuperação de
só é permitida à espera e de cetraria e apenas nos locais animais.
e nas condições estabelecidos por edital da DGRF. 5 — Os alvarás para reprodução, criação e detenção
de espécies cinegéticas em cativeiro definem as obri-
gações decorrentes da autorização e são válidos por
Artigo 105.o cinco anos civis, renováveis por iguais períodos.
Caça ao javali 6 — A reprodução de pombos e de coelho-bravo pre-
vista no n.o 3 não carece de alvará, devendo ser comu-
1 — A caça ao javali pode ser exercida à espera, de nicada à DGRF.
salto, de aproximação, de batida, de montaria e com
lança.
2 — Em terrenos cinegéticos não ordenados, a caça CAPÍTULO VIII
a esta espécie só pode ser permitida, de batida e de
montaria, nos meses de Outubro a Fevereiro, nos locais Detenção, comércio, transporte
e nas condições estabelecidos por edital da DGRF. e exposição de espécies cinegéticas
3 — Em terrenos cinegéticos ordenados, com excep-
ção da caça de salto, de batida e de montaria, que só Artigo 108.o
pode ser permitida nos meses de Outubro a Fevereiro,
inclusive, a caça ao javali pode ser permitida durante Exemplares mortos
toda a época venatória.
1 — Só é permitida a comercialização, a detenção,
o transporte e a exposição ao público para fins de comer-
Artigo 106.o cialização de exemplares mortos de espécies cinegéticas,
Caça ao gamo, ao veado, ao corço e ao muflão
bem como de qualquer parte ou produto obtido a partir
dos mesmos, identificados em portaria de Ministro da
1 — A caça ao gamo, ao veado, ao corço e ao muflão Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
pode ser exercida à espera, de aproximação, de batida, 2 — Só é permitido o transporte, o comércio, a cedên-
de montaria e com lança. cia e a exposição para venda de exemplares mortos de
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5337
espécies cinegéticas durante os períodos venatórios res- b) Pela DGRF, quando provenientes de capturas
pectivos e nos cinco dias seguintes. de animais silvestres ou de países comunitários.
3 — Exceptua-se do disposto no número anterior:
a) O transporte, o comércio e a exposição para Artigo 111.o
venda efectuados ao abrigo do Decreto-Lei Importação e exportação de exemplares vivos
n.o 44/96, de 10 de Maio, com as alterações que
lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei Depende de autorização da DGRF e da Direcção-
n.o 481/99, de 11 de Setembro, bem como de -Geral de Veterinária, quanto aos aspectos hígio-sani-
espécies produzidas em cativeiro, desde que tários, a importação e a exportação de exemplares vivos
devidamente marcadas; de espécies cinegéticas, sem prejuízo do disposto no
b) O transporte, pelo próprio caçador, de exem- Decreto-Lei n.o 565/99, de 21 de Dezembro, com as
plares mortos de espécies cinegéticas em países alterações que lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei
comunitários ou em países terceiros, quando n.o 205/2003, de 12 de Setembro.
acompanhados de documento comprovativo da
sua origem. Artigo 112.o
4 — Os exemplares mortos no exercício da caça Marcação de exemplares vivos
podem estar sujeitos a marcação, nos termos a definir
A marcação de exemplares de espécies cinegéticas
em portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvi-
mento Rural e Pescas. prevista no presente diploma é efectuada pela DGRF
5 — Os quantitativos de exemplares de espécies cine- ou pelas entidades por esta autorizadas.
géticas a transportar diariamente por cada caçador
durante os respectivos períodos venatórios não podem CAPÍTULO IX
ser superiores aos limites diários de abate fixados na
portaria a que se refere o n.o 2 do artigo 3.o Correcção da densidade dos animais prejudiciais
6 — O disposto no número anterior não se aplica à caça, pesca e agricultura
quando, nos termos do artigo 89.o, ocorram dias de caça
consecutivos, em que é permitido o transporte de quan- Artigo 113.o
titativos de exemplares de espécies cinegéticas corres- Correcção da densidade das espécies cinegéticas
pondentes ao somatório dos limites diários de abate
permitidos para essas espécies. 1 — As populações de espécies cinegéticas podem,
7 — Os exemplares abatidos em dias diferentes dos fora das condições regulamentares do exercício da caça,
permitidos no terreno não ordenado ou em quantidades ser objecto de acções de correcção quando tal seja neces-
superiores às permitidas naqueles terrenos devem ser sário para prevenir ou minimizar a ocorrência de danos
acompanhados de guia de transporte emitida pela enti- na fauna, na flora, nas pescas, nas florestas, na agri-
dade gestora da zona de caça ou do campo de treino cultura e na pecuária ou ainda para a protecção da
de caça. saúde e segurança públicas.
Artigo 109.o 2 — As acções de correcção carecem de autorização
da DGRF.
Exemplares naturalizados e troféus
3 — A DGRF dispõe de um prazo de cinco dias para
1 — A avaliação e classificação de troféus de caça decidir o pedido de autorização da realização das acções
maior compete a uma comissão nacional de homolo- de correcção, findo o qual se considera deferida a
gação de troféus nomeada pelo Ministro da Agricultura, autorização.
Desenvolvimento Rural e Pescas. 4 — O prazo referido no número anterior é de 10
2 — A DGRF organiza e mantém um cadastro nacio- dias quando as acções de correcção são em áreas
nal de troféus de caça maior. classificadas.
3 — A formação e o funcionamento da comissão refe- 5 — As acções de correcção são efectuadas pelos inte-
rida no n.o 1 podem ser assegurados por OSC, em termos ressados, associações de caçadores ou outras entidades.
a regulamentar por despacho do Ministro da Agricul- 6 — A entidade que realiza a acção de correcção
tura, Desenvolvimento Rural e Pescas. comunica à DGRF, no prazo de 30 dias contado do
termo da acção, o resultado desta.
Artigo 110.o 7 — As acções de correcção para prevenir ou mini-
mizar danos na fauna revestem-se de carácter excep-
Exemplares vivos
cional.
1 — A detenção, o comércio, a cedência a título gra-
tuito, o transporte e a exposição de exemplares vivos Artigo 114.o
de espécies cinegéticas e seus produtos só são permitidos
desde que autorizados nas condições constantes dos n.os Responsabilidade por prejuízos
2 e 3 do artigo 4.o ou quando se trate de exemplares 1 — As entidades titulares de zonas de caça, de ins-
provenientes de cativeiro. talações para a criação de caça em cativeiro e de campos
2 — O transporte de exemplares vivos de espécies de treino de caça são obrigadas a indemnizar os danos
cinegéticas ou dos seus produtos deve ser acompanhado que, por efeitos da sua actividade, forem causados nos
de certificado sanitário e guia de transporte de modelo terrenos vizinhos e nos próprios terrenos.
da DGRF emitida: 2 — Nas áreas de direito à não caça, a responsabi-
a) Pela entidade detentora de alvará, quando pro- lidade por prejuízos causados pelas espécies cinegéticas
venientes de estabelecimentos de reprodução, nos terrenos vizinhos e nos próprios é dos titulares do
criação e detenção em cativeiro; direito, podendo a DGRF ou entidade por ela auto-
5338 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
rizada proceder ao seu controlo, a pedido e a expensas Artigo 118.o
do requerente. Zonas de caça
3 — A obrigação de indemnização referida no n.o 1
do presente artigo não existe nas situações em que os 1 — A criação de zonas de caça, a anexação e desa-
danos não se teriam verificado caso tivessem sido auto- nexação de terrenos, bem como a sua renovação, revo-
rizadas pelas autoridades competentes as medidas cor- gação e mudança de concessionário, são efectuadas por
rectivas requeridas pelas entidades em causa. portaria dos Ministros da Agricultura, Desenvolvimento
4 — As indemnizações previstas nos números ante- Rural e Pescas e das Cidades, Ordenamento do Ter-
riores podem ser fixadas por tribunal arbitral. ritório e Ambiente.
2 — A DGRF deve comunicar ao ICN as informações
que lhe forem prestadas nos termos do disposto nas
Artigo 115.o alíneas f) e i) do artigo 19.o e do n.o 1 do artigo 43.o
Responsabilidade do Estado 3 — À criação e renovação de ZCT em áreas clas-
sificadas aplica-se o disposto no n.o 3 do artigo 30.o
1 — O Estado, através da DGRF, é obrigado a indem-
nizar os danos causados pelas espécies cinegéticas nas Artigo 119.o
florestas, na agricultura e na pecuária, desde que não
tenha autorizado medidas de correcção ou efectuado Terrenos não cinegéticos
directamente as mesmas. Constituem zonas interditas à caça:
2 — As entidades que tenham sido autorizadas a pro-
ceder às acções de correcção não têm direito a receber a) Reservas integrais constituídas em áreas pro-
indemnizações pelos prejuízos causados por espécies tegidas;
cinegéticas. b) Os locais definidos em portaria dos Ministros
3 — Não há também lugar à indemnização prevista da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas
no n.o 1 do presente artigo quando, designadamente, e das Cidades, Ordenamento do Território e
as culturas ou plantações prejudicadas não estiverem Ambiente, ponderados os interesses específicos
devidamente licenciadas. de conservação da natureza.
Artigo 120.o
CAPÍTULO X Períodos, processos e condicionantes venatórios
Áreas classificadas 1 — Por portaria dos Ministros da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas e das Cidades, Orde-
Artigo 116.o namento do Território e Ambiente pode ser fixado um
calendário venatório próprio para as áreas classificadas.
Ordenamento e exploração dos recursos cinegéticos
2 — A caça ao coelho-bravo no mês de Julho e a
O regime jurídico a que devem obedecer o ordena- caça pelo processo com furão carece de parecer do ICN,
mento e a exploração cinegética nas áreas classificadas a emitir no prazo de cinco dias, findo o qual pode o
é estabelecido por portaria dos Ministros da Agricultura, procedimento prosseguir e vir a ser decidido sem o
Desenvolvimento Rural e Pescas e das Cidades, Orde- parecer.
namento do Território e Ambiente. 3 — A caça ao veado, gamo, corço e muflão em ter-
renos cinegéticos não ordenados depende de autoriza-
ção conjunta dos Ministérios da Agricultura, Desenvol-
Artigo 117.o vimento Rural e Pescas e das Cidades, Ordenamento
Recursos cinegéticos e preservação da fauna
do Território e Ambiente.
4 — Os editais previstos na alínea b) do n.o 5 do
1 — Por portaria dos Ministros da Agricultura, artigo 94.o, n.o 4 do artigo 96.o, n.o 4 do artigo 97.o,
Desenvolvimento Rural e Pescas e das Cidades, Orde- n.o 3 do artigo 98.o, n.o 3 do artigo 99.o, n.o 3 do
namento do Território e Ambiente, pode ser interdito artigo 100.o , n.o 3 do artigo 101.o, n.o 3 do artigo 102.o,
o exercício da caça a determinadas espécies cinegéticas. n.o 4 do artigo 103.o, n.o 3 do artigo 104.o e n.o 2 do
2 — As autorizações previstas no artigo 4.o relativas artigo 105.o carecem de parecer do ICN, no prazo de
a áreas classificadas dependem de parecer do ICN. 10 dias, findo o qual pode o procedimento prosseguir
3 — A aprovação dos PAE referidos na alínea c) do e vir a ser decidido sem o parecer.
artigo 19.o carece de parecer do ICN, a emitir no prazo 5 — As autorizações previstas no n.o 2 do artigo 113.o
de 15 dias, findo o qual pode o procedimento prosseguir carecem de parecer do ICN, que tem um prazo de cinco
e vir a ser decidido sem o parecer. dias para a sua emissão, findo o qual pode o proce-
4 — O ICN pode solicitar à DGRF, por ofício, infor- dimento prosseguir e vir a ser decidido sem o parecer.
mações e documentos em falta ou adicionais, suspen- 6 — A realização de montarias e batidas a espécies
dendo-se a contagem do prazo previsto no número ante- de caça maior carecem de comunicação ao ICN.
rior, por uma única vez, no período de tempo que se
verifique entre a entrada do primeiro ofício na DGRF Artigo 121.o
e a entrada do ofício de resposta da DGRF àquele no
Correcção de animais prejudiciais à caça,
ICN. pesca e agricultura
5 — Os planos referidos nos n.os 3 e 4 do artigo 8.o
são elaborados pela DGRF em conjunto com o ICN. 1 — As acções de correcção da densidade das espécies
6 — Nas áreas classificadas os planos de exploração cinegéticas previstas no artigo 113.o carecem de parecer
são anuais. do ICN a emitir no prazo de 10 dias, findo o qual pode
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5339
o procedimento prosseguir e vir a ser decidido sem o Artigo 126.o
parecer. Autos de notícia
2 — O ICN pode efectuar acções de correcção.
3 — A responsabilidade pelo pagamento da indem- 1 — Os autos de notícia são levantados nos termos
nização prevista no n.o 1 do artigo 115.o compete ao previstos no Código de Processo Penal, acrescendo as
ICN sempre que o indeferimento do pedido de auto- seguintes menções:
rização resulte de parecer desfavorável emitido nos ter-
a) Número e data da carta de caçador ou da licença
mos do n.o 1 do presente artigo.
para não residentes;
b) Preceito legal violado;
Artigo 122.o c) Espécies e número de exemplares caçados ou
Receitas destruídos e o processo usado;
d) Meios e instrumentos utilizados na prática da
Constitui receita do ICN uma percentagem das recei- infracção ou abandonados pelo infractor;
tas provenientes das taxas cobradas pela concessão e e) Danos causados, o seu valor provável e a iden-
manutenção de zonas de caça nas áreas classificadas tificação dos lesados e dos prédios ou coisas
e do montante líquido das licenças de caça cobradas, danificados;
em percentagem equivalente à superfície das áreas clas- f) Apreensões efectuadas.
sificadas onde é permitido o exercício da caça, a fixar
por portaria dos Ministros da Agricultura, Desenvol- 2 — Nos autos de notícia levantados pelos agentes
vimento Rural e Pescas e das Cidades, Ordenamento de autoridade referidos no n.o 1 do artigo anterior do
do Território e Ambiente. presente diploma, por contra-ordenações que tenham
presenciado em matéria de caça, é dispensada a indi-
cação de testemunhas sempre que as circunstâncias do
CAPÍTULO XI facto a tornem impossível, sem prejuízo de fazerem fé
Regime sancionatório até prova em contrário.
SECÇÃO I Artigo 127.o
Disposições gerais Envio dos autos de notícia
1 — Levantado o auto de notícia, caso se trate de
Artigo 123.o contra-ordenação, os dois exemplares são remetidos à
Infracções de caça DGRF, acompanhados da carta de caçador ou da licença
especial para não residentes.
1 — Constitui infracção de caça todo o facto punível 2 — Caso se trate de crime, um dos exemplares é
que seja praticado com violação das normas legais em remetido ao tribunal competente para conhecer da
matéria de caça. infracção, sendo o outro remetido à DGRF, acompa-
2 — As infracções de caça são crimes ou contra- nhado da carta de caçador ou da licença especial para
-ordenações. não residentes.
SECÇÃO II SECÇÃO II
Conhecimento da infracção de caça Apreensões e destino dos bens apreendidos
Artigo 124.o Artigo 128.o
Participação Apreensão de objectos e documentos
Os agentes de autoridade competentes para o poli- 1 — Os agentes de autoridade sempre que presen-
ciamento e fiscalização da caça que tiverem conheci- ciarem a prática de um facto punível procedem à apreen-
mento da prática de qualquer infracção em matéria de são da carta de caçador do infractor, da licença de caça
caça que não tenham presenciado devem efectuar a com- para não residentes, quando for caso disso, e procedem
petente participação e enviá-la às entidades competentes à emissão da respectiva guia, nos termos da Portaria
para o respectivo procedimento criminal ou contra- n.o 1239/93, de 4 de Dezembro.
-ordenacional. 2 — Os agentes de autoridade procedem, ainda, à
apreensão de todos os objectos que tiverem servido ou
Artigo 125.o estivessem destinados à prática de infracção de caça,
ou que constituam seu produto, e de todos os objectos
Levantamento dos autos de notícia que tiverem sido deixados pelo agente no local da infrac-
1 — O levantamento de autos de notícia compete aos ção e quaisquer outros susceptíveis de servir de prova.
agentes de autoridade que realizam o policiamento e
a fiscalização da caça, sem prejuízo das competências Artigo 129.o
das demais autoridades judiciárias, administrativas e Apreensão e devolução de objectos
policiais.
2 — Os autos de notícia são emitidos em duplicado. 1 — Podem ser provisoriamente apreendidos pelas
3 — O autuante, no momento do levantamento do autoridades policiais ou administrativas competentes os
auto de notícia, deve notificar o arguido, com a indicação objectos que serviram ou estavam destinados a servir
do preceito legal violado pela sua conduta e da sanção para a prática de infracção de caça e quaisquer outros
aplicável. que forem susceptíveis de servir de prova.
5340 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
2 — Os objectos são restituídos logo que se tornar 2 — As testemunhas arroladas pelo arguido são noti-
desnecessário manter a apreensão para efeitos de prova, ficadas pela entidade à qual for confiada a instrução.
a menos que possam ser declarados perdidos a favor 3 — O arguido pode proceder à substituição das tes-
do Estado. temunhas até ao dia designado para a sua audição,
3 — Os objectos apreendidos são restituídos logo que devendo, neste caso, por ele ser apresentadas.
a decisão se torne definitiva e os mesmos não tenham
sido declarados perdidos. Decisão
4 — Consideram-se perdidos a favor do Estado os
objectos que tenham sido apreendidos e que após noti- Artigo 134.o
ficação aos interessados a ordenar a sua entrega não Proposta de decisão
tenham sido reclamados no prazo de dois meses.
5 — Os bens e produtos resultantes da infracção de Finda a instrução do processo, o instrutor elabora,
caça perdidos a favor do Estado revertem para a DGRF, no prazo de 20 dias, proposta de decisão, devidamente
que lhes dá o destino que julgar adequado. fundamentada, em relatório, donde constem os elemen-
tos previstos no artigo 58.o do Decreto-Lei n.o 433/82,
de 27 de Outubro, na última redacção que lhe foi con-
Artigo 130.o ferida pela Lei n.o 109/2001, de 24 de Dezembro.
Apreensão de animais
1 — Os exemplares de animais mortos apreendidos Artigo 135.o
e susceptíveis de consumo público são entregues a ins- Decisão
tituições de solidariedade social da área onde a infracção
foi cometida. 1 — Compete ao director-geral de Recursos Flores-
2 — Os exemplares vivos de espécies cinegéticas ili- tais aplicar as coimas e as sanções acessórias.
citamente capturados em zonas de caça são entregues 2 — A competência prevista no número anterior pode
às autoridades que administram essas zonas, salvo se ser delegada em funcionário com categoria não inferior
lhes for imputável total ou parcialmente a prática da a director de serviços ou equiparado e, no caso das
infracção. áreas classificadas, no presidente do ICN.
3 — Verificando-se a excepção prevista na última
parte do número anterior e, bem assim, quando a infrac- Pagamento
ção haja sido cometida fora de zonas de caça, os exem-
plares capturados são entregues à DGRF. Artigo 136.o
4 — Os exemplares vivos de espécies cinegéticas deti- Pagamento voluntário
dos indevidamente e perdidos a favor do Estado são
pertença da DGRF, que lhes dá o destino adequado. O infractor tem a possibilidade de efectuar o paga-
mento voluntário da coima, nos termos do artigo 36.o
da Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro.
SECÇÃO II
Processos de contra-ordenação SECÇÃO III
Contra-ordenações
Artigo 131.o
Instrução Artigo 137.o
1 — A instrução dos processos de contra-ordenação Contra-ordenações e coimas
compete à DGRF e ao ICN relativamente a factos pra- 1 — Constituem contra-ordenações de caça:
ticados nas áreas classificadas.
2 — A instrução de processos de contra-ordenação a) O exercício da caça sem licença de caça válida,
não pode ser atribuída ao autuante ou ao participante. em violação do disposto no artigo 63.o e na alí-
nea b) do n.o 1 do artigo 65.o do presente
diploma;
Artigo 132.o
b) O exercício da caça em local que não seja
Prazo permitido;
c) Efectuar repovoamentos fora das condições pre-
1 — O prazo para a instrução é de 60 dias.
vistas no n.o 1 do artigo 5.o;
2 — Se por fundadas razões a entidade que dirigir d) A violação dos critérios de proporcionalidade
a instrução não a puder completar no prazo indicado no acesso dos caçadores às ZCN e ZCM fixados
no número anterior solicita a sua prorrogação à entidade nas respectivas portarias de constituição de
que ordenou a instrução pelo prazo indispensável à sua ZCM e nas portarias de transferência de gestão
conclusão. de ZCN;
Artigo 133.o e) O não cumprimento pelas respectivas entidades
Notificação e defesa do arguido gestoras de ZCN e ZCM das obrigações cons-
tantes nas alíneas f) e i) do artigo 19.o;
1 — Recebido o auto de notícia ou participação, o f) O não cumprimento pelas respectivas entidades
arguido deve ser notificado para, no prazo de 15 dias, gestoras de ZCN e ZCM das obrigações cons-
apresentar resposta escrita, arrolar testemunhas, juntar tantes nas alíneas b), d), g), e h) do artigo 19.o
documentos, requerer quaisquer meios de prova ou com- e no n.o 2 do artigo 25.o;
parecer em dia determinado, a fim de prestar depoi- g) A exigência de quaisquer contrapartidas, por
mento. parte das ZCA, a caçadores não sócios pelo
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5341
exercício da caça ou de actividades de carácter hh) A reprodução, criação e detenção de espécies
venatório; cinegéticas em cativeiro, quando não autori-
h) A infracção ao disposto na alínea a) do zadas;
artigo 19.o e na alínea a) do n.o 1 do artigo 42.o; ii) A detenção de espécies cinegéticas em centros
i) O não cumprimento pelos titulares de zonas de de recuperação de animais, quando não auto-
caça do disposto nas alíneas b), c) e f) do n.o 1 rizada;
do artigo 42.o e no n.o 3 do artigo 43.o; jj) A reprodução, criação e detenção em cativeiro
j) O não cumprimento pelos titulares de zonas de de perdizes que não sejam das espécies Alectoris
caça do disposto na alínea e) do n.o 1 e nos rufa;
n.os 2, 3 e 5 do artigo 42.o; ll) O não cumprimento das obrigações definidas
l) O não cumprimento pelos titulares de zonas de no respectivo alvará de reprodução, criação e
caça do disposto na alínea g) do n.o 1 do detenção de espécies cinegéticas em cativeiro;
artigo 42.o; mm) A infracção ao disposto nos n.os 1 e 2 do
m) Não cumprimento pelas respectivas entidades artigo 108.o;
gestoras de ZCN e ZCM das obrigações cons- nn) A não marcação dos exemplares mortos no exer-
tantes da alínea c) do artigo 19.o; cício da caça quando a mesma seja exigida nos
n) A prática de actividades de carácter venatório termos do n.o 4 do artigo 108.o;
previstas no n.o 1 do artigo 55.o fora de campos oo) Deter ou transportar quantitativos de exempla-
de treino de caça; res mortos de espécies cinegéticas superiores
o) A infracção ao disposto nos n.os 8 e 9 do aos definidos nos termos do n.o 5 do artigo 108.o
artigo 55.o; e bem assim a detenção, no exercício da caça,
p) A infracção ao disposto no n.o 4 do artigo 64.o; de pombos, tordos e estorninhos malhados,
q) A infracção ao disposto no n.o 1 do artigo 65.o; depois de finda a jornada de caça a estas
r) O exercício da caça no período estabelecido espécies;
para a renovação excepcional da carta de caça- pp) A infracção ao disposto no n.o 7 do artigo 108.o;
dor, definido no n.o 3 do artigo 71.o e antes qq) A comercialização, a detenção, o transporte e
que opere a respectiva caducidade;
a exposição ao público para fins de comercia-
s) O transporte de armas de fogo e de aves de lização de exemplares mortos de espécies cine-
presa, por parte dos secretários ou mochileiros, géticas, bem como qualquer parte ou produto
fora das condições previstas no n.o 1 do obtido a partir dos mesmos fora das condições
artigo 77.o; estabelecidas nos termos do n.o 1 do artigo 108.o;
t) A infracção ao disposto nos n.os 3 e 4 do
rr) A infracção ao disposto no artigo 110.o;
artigo 77.o;
u) A infracção ao disposto nas alíneas a) a c) do ss) A infracção ao disposto no artigo 111.o;
n.o 3 do artigo 79.o e nas alíneas a) a c) do tt) A infracção ao disposto no n.o 6 do artigo 113.o
n.o 1 do artigo 80.o;
v) A infracção ao disposto no n.o 5 do artigo 79.o 2 — As contra-ordenações previstas no número ante-
e no n.o 2 do artigo 80.o; rior são punidas com as seguintes coimas:
x) A infracção ao disposto no n.o 2 do artigo 83.o,
no n.o 7 do artigo 84.o e n.o 3 do artigo 85.o; a) De E 50 a E 500, no caso das alíneas e), j), p),
z) A utilização, no exercício venatório, de cães em q), r), s), t), x), z), cc), ii), nn) e tt);
número superior ao previsto nos n.os 1 e 3 do b) De E 100 a E 1000, no caso das alíneas h), v),
artigo 84.o; oo) e pp);
aa) A infracção ao disposto no n.o 2 do artigo 87.o; c) De E 100 a E 3700, no caso da alínea hh);
bb) A infracção ao disposto no n.o 4 do artigo 89.o; d) De E 250 a E 1850, no caso das alíneas g), l),
cc) A formação nos terrenos cinegéticos ordenados, dd) e ee);
no processo de caça de salto, de grupos ou linhas e) De E 300 a E 2500, no caso das alíneas d), m),
com mais de cinco caçadores e bem assim a n), u), aa), ll), mm), qq) e rr);
distância entre grupos ou linhas de menos f) De E 500 a E 3700, no caso das alíneas a), b),
de 150 m; c), f), i), o), bb), ff), gg), jj) e ss).
dd) A infracção ao disposto no n.o 3 do artigo 90.o;
ee) A infracção ao disposto no n.o 4 do artigo 90.o,
3 — No caso de se tratar de pessoas colectivas, o mon-
no n.o 4 do artigo 101.o, no n.o 5 do artigo 103.o,
tante máximo das coimas definidas nas alíneas a), b),
no n.o 2 do artigo 77.o e no n.o 1 do artigo 85.o;
c), d) e e) do número anterior é de E 22 400.
ff) A caça fora dos locais e sem observância das
condições estabelecidas no respectivo edital da 4 — A tentativa e a negligência são puníveis.
DGRF, nos termos da alínea b) do n.o 5 do
artigo 94.o, no n.o 4 do artigo 96.o, no n.o 4 Artigo 138.o
do artigo 97.o, no n.o 3 do artigo 98.o, no n.o 3
do artigo 99.o, no n.o 3 do artigo 100.o, no n.o 3 Sanções acessórias
do artigo 101.o, no n.o 3 do artigo 102.o, no
n.o 4 do artigo 103.o, no n.o 3 do artigo 104.o Cumulativamente com as contra-ordenações previstas
e no n.o 2 do artigo 105.o, sem prejuízo da apli- nas alíneas a), b), c), r), t), u), ee), ff), hh), mm), nn),
cação ao caso de outra sanção; pp), qq), rr) e ss) podem ser aplicadas, em função da
gg) A não observância das condições previstas nas gravidade da infracção e da culpa do agente, as sanções
autorizações a que se refere o n.o 4 do acessórias previstas no artigo 35.o da Lei n.o 173/99,
artigo 106.o; de 21 de Setembro.
5342 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
Artigo 139.o 2 — Os concessionários de zonas de caça podem pro-
Aplicação e destino das coimas por à DGRF a nomeação de guardas florestais auxiliares,
com funções de fiscalização da actividade cinegética.
O produto das coimas é distribuído da seguinte forma:
a) 10 % para a entidade autuante; Artigo 145.o
b) 20 % para a entidade que instrui o processo; Subordinação jurídica dos guardas florestais auxiliares
c) 10 % para a entidade que aplica a coima;
d) 60 % para o Estado. 1 — Os guardas florestais auxiliares ficam submetidos
a uma relação jurídica de emprego privado com as enti-
Artigo 140.o dades concessionárias de zonas de caça.
2 — Os guardas florestais auxiliares exercem funções
Actualização das coimas de polícia e, relativamente a estas, dependem hierár-
Sem prejuízo dos limites máximos previstos no quica e disciplinarmente do director-geral dos Recursos
Regime Geral das Contra-Ordenações e Coimas e na Florestais.
Lei de Bases Gerais da Caça, os quantitativos das coimas
previstos neste diploma serão actualizados automatica- Artigo 146.o
mente de acordo com as percentagens de aumento da
remuneração mínima nacional mais elevada, arredon- Competências dos guardas florestais auxiliares
dando-se o resultado obtido para a unidade de euro 1 — Os guardas florestais auxiliares contratados para
imediatamente superior. fiscalização das zonas de caça têm competência para
o policiamento e fiscalização das zonas de caça.
Artigo 141.o 2 — Os guardas fiscais auxiliares participam à DGRF
Regime subsidiário todas as infracções que tenham presenciado ou de que
tomem conhecimento.
Em tudo o que não for contrário ao presente diploma 3 — O guarda florestal auxiliar, no exercício da sua
aplica-se subsidiariamente as normas do Regime Geral competência para fiscalizar a caça, tem competência
das Contra-Ordenações e Coimas. para:
a) Verificar a posse, pelos que exerçam a caça,
CAPÍTULO XIII da carta de caçador e das respectivas licenças
de caça;
Administração e fiscalização da caça b) Verificar a identidade e o conteúdo do equi-
pamento dos que cometam qualquer infracção
Artigo 142.o relativa a disposições sobre caça ou sejam sus-
Regiões cinegéticas
peitos da sua prática;
c) Tomar as medidas cautelares necessárias à pre-
Para efeitos de organização e administração da caça servação de vestígios das infracções, bem como
o País considera-se dividido em cinco regiões cinegéticas relativamente a objectos susceptíveis de apreen-
conforme definido no anexo II ao presente diploma e são;
que dele faz parte integrante. d) Ordenar aos caçadores que descarreguem as
armas, as coloquem no chão e se afastem 10 m
Artigo 143.o do local onde a arma fica colocada, ordem que
lhes é transmitida levantando o braço estendido
Fiscalização da caça
na vertical e efectuando, três vezes seguidas,
1 — O policiamento e a fiscalização da caça com- o levantamento do braço e o seu abaixamento
petem ao Corpo Nacional da Guarda Florestal, à Guarda lateral, até o juntar ao corpo num movimento
Nacional Republicana, à Polícia de Segurança Pública, lento e cadenciado.
aos guardas florestais auxiliares, à Polícia Marítima, à
polícia municipal e aos vigilantes da natureza, nos ter- 4 — A acção fiscalizadora dos guardas florestais auxi-
mos das suas competências, bem como às autoridades liares é exercida numa ou mais zonas de caça.
a quem venham a ser atribuídas essas competências.
2 — Os agentes de autoridade aos quais compete o
policiamento e fiscalização da caça não podem caçar Artigo 147.o
durante o exercício das suas funções. Competências dos serviços do Ministério da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas
Artigo 144.o 1 — Compete ao Ministério da Agricultura, Desen-
Recrutamento e nomeação de guardas florestais auxiliares volvimento Rural e Pescas, pela DGRF, a prossecução
das atribuições e o exercício das competências previstas
1 — O recrutamento dos guardas florestais auxiliares no artigo 39.o da Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro.
obedece aos requisitos fixados na lei geral para os guar- 2 — Compete à DGRF propor a celebração de acor-
das florestais, com excepção de: dos e convenções internacionais no âmbito da conser-
a) Limite de idade máxima; vação e gestão da fauna cinegética e do exercício da
b) As habilitações literárias, que devem correspon- caça, bem como participar nas actividades dos organis-
der no mínimo à escolaridade obrigatória, se mos internacionais relativas àquelas matérias.
não forem detentores de três anos de exercício 3 — Compete à DGRF promover acções de formação
de funções semelhantes reconhecidas pela para os guardas florestais e guardas florestais auxiliares,
DGRF. bem como promover ou apoiar acções de formação a
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5343
levar a efeito pelas forças policiais com competência 3 — O reconhecimento das organizações representa-
na fiscalização da actividade cinegética. tivas de caçadores e a sua intervenção ao nível da admi-
4 — Os cursos de formação para os guardas florestais nistração da caça são objecto de diploma próprio.
auxiliares podem ser organizados pelas federações ou
confederações de caçadores, nos termos a estabelecer, Artigo 150.o
por acordo, com o Ministério da Agricultura, Desen-
volvimento Rural e Pescas. Federações e confederações de caçadores
5 — São encargos da DGRF: 1 — As associações de caçadores previstas neste
a) As despesas resultantes da execução deste diploma diploma podem federar-se ou confederar-se a nível
e demais legislação relativa à caça; regional ou nacional nos termos da lei.
b) As dotações e subsídios eventuais a conceder 2 — Às federações e confederações de caçadores
por acções que tenham por objecto a caça ou compete, no âmbito da respectiva área de actuação:
com ela relacionadas, nomeadamente à sua pro- a) Administrar ou participar na administração dos
tecção, fomento e fiscalização; terrenos cinegéticos nos termos deste decre-
c) Os prémios a atribuir a agentes de fiscalização to-lei;
da caça que se revelem particularmente diligen- b) Propor a atribuição ou conceder subsídios a
tes no desempenho das suas funções; associações de caçadores ou outras entidades
d) A organização de missões de estudo, congressos, individuais ou colectivas que tenham desenvol-
e da representação nestes, exposições, estudos vido actividades relevantes em favor do patri-
e publicação de trabalhos que tenham por mónio cinegético;
objecto a caça. c) Cooperar com os serviços oficiais na apreciação
de projectos, planos e orçamentos e na reso-
Artigo 148.o lução de problemas emergentes da prática do
ordenamento e da aplicação da lei e seus
Receitas regulamentos;
d) Contribuir para a formação dos caçadores por-
1 — Para fazer face aos encargos e despesas resul- tugueses, auxiliando nessa função as associações
tantes da execução da Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro, e clubes de caçadores, nomeadamente na pre-
e do presente diploma são atribuídas à DGRF, sem paração dos candidatos à carta de caçador;
prejuízo do disposto nos números seguintes, as receitas e) Fomentar nos caçadores o espírito associativo;
previstas no artigo 41.o da referida lei, de acordo com f) Dar pareceres sobre matérias que lhes sejam
portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento solicitadas, designadamente sobre as propostas
Rural e Pescas, e o produto das coimas resultantes de quanto a espécies, locais e processos de caça
contra-ordenações de caça, nos termos previstos no para cada época venatória;
artigo 140.o do presente diploma. g) Representar os caçadores portugueses a nível
2 — O disposto no número anterior aplica-se a todos nacional e internacional;
os casos de infracção à lei da caça, excepto quando h) Exercer as competências que lhes sejam come-
a aplicação da coima pertença em primeira instância tidas.
às entidades judiciais, caso em que lhes pertence a res-
pectiva receita.
3 — Os municípios e as OSC que tenham intervenção Artigo 151.o
no processo de concessão de licenças de caça e de
Outras organizações
cobrança de quaisquer taxas previstas nas disposições
legais e regulamentares sobre caça ficam autorizadas 1 — As entidades dedicadas à exploração económica
a arrecadar 30 % das taxas referidas como contrapartida dos recursos cinegéticos, previstas no presente diploma,
dos serviços prestados. designadamente as entidades concessionárias de zonas
de caça turística, podem associar-se nos termos da lei.
2 — Às organizações representantes das entidades
CAPÍTULO XIV referidas no número anterior compete, no âmbito da
Organização venatória respectiva área de actuação:
a) Administrar ou participar na administração dos
Artigo 149.o terrenos cinegéticos nos termos deste decre-
to-lei;
Organização venatória b) Propor a atribuição ou conceder subsídios a
1 — O associativismo dos caçadores é livre e as asso- entidades individuais ou colectivas que tenham
ciações e os clubes constituem-se nos termos da lei. desenvolvido actividades relevantes em favor do
2 — As associações e clubes de caçadores que tenham património cinegético;
como objectivo gerir zonas de caça associativa ou par- c) Cooperar com os serviços oficiais na apreciação
ticipar na gestão de zonas de caça nacionais ou muni- de projectos, planos e orçamentos e na reso-
cipais deverão prosseguir, designadamente, os seguintes lução de problemas emergentes da prática do
fins: ordenamento e da aplicação da lei e seus
regulamentos;
a) Contribuir para o fomento dos recursos cine- d) Contribuir para a formação dos gestores e enti-
géticos e para a prática ordenada e melhoria dades concessionárias das zonas de caça;
do exercício da caça; e) Fomentar nos gestores e entidades concessio-
b) Zelar pelas normas legais sobre a caça. nárias de zonas de caça o espírito associativo;
5344 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
f) Dar pareceres sobre matérias que lhes sejam selhos cinegéticos municipais, circunscrevem-se à área
solicitadas, designadamente sobre as propostas do concelho e são presididos pelo presidente da res-
quanto a espécies, locais e processos de caça pectiva câmara municipal.
para cada época venatória; 2 — Os conselhos cinegéticos municipais são cons-
g) Representar as entidades que se dedicam à tituídos pelos seguintes vogais:
exploração comercial dos recursos cinegéticos
a nível nacional e internacional. a) Três representantes dos caçadores do concelho;
b) Dois representantes dos agricultores do con-
celho;
CAPÍTULO XV c) Um representante das ZCT do concelho;
d) Um representante das associações de defesa do
Participação da sociedade civil ambiente existentes no concelho;
e) Um autarca de freguesia a eleger em assembleia
Artigo 152.o municipal;
Participação da sociedade civil f) Um representante da DGRF sem direito a voto;
g) Um representante do ICN, no caso da área do
1 — A participação da sociedade civil na política cine- município abranger áreas classificadas, sem
gética efectiva-se no Conselho Nacional da Caça e da direito a voto.
Conservação da Fauna e nos conselhos cinegéticos e
da conservação da fauna. 3 — A composição de cada conselho é fixada por des-
2 — Na constituição dos órgãos referidos no número pacho do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento
anterior é dada preferência às associações cuja área de Rural e Pescas.
acção mais se aproxime do âmbito territorial de cada 4 — A duração do mandato dos membros destes con-
um desses órgãos. selhos é de quatro anos.
3 — A representatividade das associações de caçado-
res, de agricultores e outras entidades colectivas obedece
aos princípios gerais inscritos na lei. Artigo 158.o
Competências
Artigo 153.o
No desempenho das suas atribuições, aos conselhos
Conselho Nacional da Caça e da Conservação da Fauna cinegéticos municipais compete, no que respeita à sua
área geográfica, nomeadamente, o seguinte:
O Conselho Nacional da Caça e da Conservação da
Fauna é presidido pelo Ministro da Agricultura, Desen- a) Propor à administração as medidas que con-
volvimento Rural e Pescas e a sua composição é definida siderem úteis à gestão e exploração dos recursos
de acordo com os critérios fixados na lei. cinegéticos;
b) Propiciar que o fomento cinegético e o exercício
Artigo 154.o da caça, bem como a conservação da fauna, con-
tribuam para o desenvolvimento local, nomea-
Funcionamento damente para a melhoria da qualidade de vida
O Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural das populações rurais;
e Pescas pode convidar para participarem nas reuniões c) Apoiar a Administração na fiscalização das nor-
do Conselho Nacional da Caça e da Conservação da mas legais sobre a caça e na definição de medi-
Fauna representantes de serviços públicos ou pessoas das tendentes a evitar danos causados pela caça
de reconhecida competência sobre as matérias a apre- à agricultura;
ciar. d) Emitir parecer, no prazo de 15 dias, sobre a
concessão de ZCA e ZCT, a criação e trans-
ferência de ZCN e ZCM, bem como sobre a
Artigo 155.o
anexação de prédios rústicos a zonas de caça
Competências e, ainda, sobre a transferência de gestão de ter-
renos cinegéticos não ordenados e suas reno-
O Conselho Nacional da Caça e da Conservação da
Fauna tem funções consultivas do Ministro da Agri- vações, findo o qual pode o procedimento pros-
cultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, no que se seguir e vir a ser decidido sem o parecer;
refere a todos os assuntos de carácter cinegético sobre e) Emitir parecer sobre as prioridades e limitações
que o Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural dos diversos tipos de zona de caça;
e Pescas entenda consultá-lo. f) Facilitar e estimular a cooperação entre os orga-
nismos cujas acções interfiram com o ordena-
mento dos recursos cinegéticos.
Artigo 156.o
Conselhos cinegéticos e da conservação da fauna
CAPÍTULO XVI
Os conselhos cinegéticos e da conservação da fauna
são órgãos consultivos que se constituem a nível muni- Taxas
cipal.
Artigo 159.o
Artigo 157.o
Cobrança de taxas
Conselhos cinegéticos e da conservação
da fauna municipais 1 — São devidas taxas nos seguintes casos:
1 — Os conselhos cinegéticos e da conservação da a) Concessão de zonas de caça, cujo montante é
fauna municipais, designados, abreviadamente, por con- reduzido para metade, no caso das ZCA;
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5345
b) Exame para carta de caçador; Artigo 163.o
c) Emissão de carta de caçador; Reconhecimento de assinaturas
d) Renovação de carta de caçador, nos 60 dias que
antecedem o prazo de validade e num ano após Salvo legislação específica em contrário, as assinaturas
o prazo de validade; previstas no âmbito da instrução dos processos previstos
e) Emissão de segunda via de carta de caçador, no presente diploma não carecem de reconhecimento.
por deterioração, extravio, alteração de dados
ou de modelo de carta; Artigo 164.o
f) Atribuição de licenças de caça;
g) Atribuição dos alvarás para reprodução, criação Zonas de caça
e detenção de espécies cinegéticas em cativeiro 1 — Exceptuando o disposto no artigo seguinte, as
e sua renovação. zonas de caça criadas ao abrigo da Lei n.o 30/86, de
27 de Agosto, mantêm-se válidas até ao fim do respectivo
2 — Os montantes das taxas são fixados por portaria período de vigência, salvo se forem renovadas nos ter-
do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e mos do presente diploma.
Pescas. 2 — Com a renovação referida no número anterior,
3 — A aplicação da taxa referida na alínea a) do n.o 1 deve ser requerida a mudança de concessionário quando
do presente artigo pode ser reduzida ou isentada por este não reunir os requisitos previstos no n.o 2 do
portaria do Ministro da Agricultura, Desenvolvimento artigo 30.o do presente diploma.
Rural e Pescas. 3 — Os processos de caça em instrução e pendentes
de decisão à data de entrada em vigor do presente
diploma regulam-se pela legislação em vigor à data da
CAPÍTULO XVII sua apresentação.
Disposições finais e transitórias
Artigo 165.o
Artigo 160.o Zonas de caça sociais
Limitações territoriais 1 — As zonas de caça sociais podem ser convertidas
em zonas de caça de um dos tipos previstos no presente
1 — A área global abrangida por zonas de caça que diploma, através de requerimento dirigido ao Ministro
não sejam nacionais ou municipais, durante o período da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
de cinco anos após a entrada em vigor da Lei n.o 173/99, 2 — As zonas de caça sociais que não sejam objecto
de 21 de Setembro, não pode exceder 50 % da área de conversão, nos termos do número anterior, extin-
total dos respectivos municípios, exceptuando as situa- guem-se em 2005 ou no termo do respectivo prazo de
ções existentes à data de entrada em vigor do presente vigência, quando este for anterior a 2005.
diploma.
2 — A percentagem referida no número anterior pode Artigo 166.o
ser alterada por despacho do Ministro da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas, ouvidos os conselhos Colaboração das OSC
cinegéticos e da conservação da fauna respectivos. 1 — O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento
3 — A alteração da percentagem prevista no número Rural e Pescas pode celebrar protocolos com as OSC
anterior fundamenta-se, designadamente, em situações que tenham como objecto a colaboração destas rela-
relativas à integração de enclaves em zonas de caça já tivamente às seguintes matérias:
constituídas e à localização dos terrenos em áreas
classificadas. a) Instrução dos processos relativos à criação e
transferência de ZCN e ZCM a que se refere
Artigo 161.o o n.o 1 do artigo 16.o do presente diploma;
Cartas de caçador b) Recepção do requerimento inicial do procedi-
mento de concessão de zonas de caça a que
1 — Até à publicação do despacho referido no n.o 1 se refere o n.o 1 do artigo 35.o do presente
do artigo 67.o, o exame para a obtenção de carta de diploma;
caçador é composto por uma prova teórica e, no caso c) Instrução dos processos relativos à concessão
de carta de caçador com arma de fogo, de arqueiro de ZCA e ZCT a que refere o n.o 1 do artigo 38.o
caçador e de cetreiro, por uma prova prática ou do presente diploma;
teórico-prática. d) Recepção do requerimento inicial do procedi-
2 — São dispensados da prova teórica referida no mento relativo à mudança de concessionário de
número anterior os titulares de carta de caçador que zona de caça a que se refere o n.o 1 do artigo 45.o
pretendam obter outras especificações. do presente diploma;
e) Recepção do requerimento inicial relativo ao
procedimento de renovação de concessão de
Artigo 162.o zona de caça a que se refere o n.o 4 do artigo 48.o
Conselhos cinegéticos e de conservação da fauna do presente diploma.
Até à publicação das portarias que fixam a compo- 2 — A obrigação constante do n.o 3 do artigo 45.o
sição dos conselhos cinegéticos e de conservação da pode ser satisfeita junto das entidades identificadas no
fauna, mantêm-se em vigor as portarias de constituição número anterior que, para esse efeito, tenham celebrado
existentes. protocolo com o MADRP.
5346 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
3 — Excepciona-se do número anterior a matéria res- f) O despacho n.o 19 853/2001 (2.a série), de 20
peitante às ZCN. de Setembro, que aprova o modelo de impresso
de requerimento para realização de exame para
obtenção de carta de caçador;
Artigo 167.o g) O despacho n.o 6358/2002 (2.a série), de 22 de
Exclusão de terrenos de ZCM Março, que aprova as regras de procedimento
aplicáveis à realização da prova teórica para
1 — A exclusão dos terrenos referidos no n.o 2 do obtenção de carta de caçador;
artigo 28.o pode ser requerida: h) O despacho n.o 6424/2002 (2.a série), de 25 de
Março, que aprova as regras de procedimento
a) No prazo de um ano sobre a data de publicação aplicáveis à realização das provas prática e teó-
da portaria de transferência de gestão, até 2005, rico-prática para obtenção de carta de caçador;
inclusive; i) A Portaria n.o 469/2001, de 9 de Maio, que
b) A qualquer momento nas ZCM criadas ou reno- determina que as licenças gerais e especiais de
vadas a partir de 2006, inclusive. caça sejam tituladas por vinhetas a emitir anual-
mente e fixa os montantes das taxas devidas
2 — O disposto no número anterior não se aplica às em cada época venatória;
ZCM que tenham sido objecto de portaria de trans- j) A Portaria n.o 736/2001, de 17 de Julho, que
ferência de gestão em data anterior à da entrada em identifica os municípios onde é permitida a caça
vigor do presente diploma. ao pombo-da-rocha (Columbia livia);
l) A Portaria n.o 553/2004, de 22 de Maio, que
Artigo 168.o estabelece o calendário venatório para a época
de 2004-2005;
Informação m) A Portaria n.o 893/98, de 10 de Outubro, que
actualiza as normas de funcionamento das zonas
A DGRF fornece à Direcção-Geral do Turismo os de caça sociais e revoga a Portaria n.o 640-C/94,
elementos previstos na alínea e) do n.o 1 do artigo 42.o de 15 de Julho;
n) A Portaria n.o 1119/2001, de 21 de Setembro,
Artigo 169.o que define as normas gerais que concretizam
o direito de acesso dos caçadores e as condições
Regiões Autónomas particulares do exercício da caça nas zonas de
caça nacionais (ZCN), geridas pelas direcções
1 — Nas Regiões Autónomas dos Açores e da regionais de agricultura (DRA) ou, em con-
Madeira as competências cometidas à DGRF pelo pre- junto, com o Instituto da Conservação da Natu-
sente diploma são exercidas pelos competentes serviços reza (ICN);
e organismos das respectivas administrações regionais. o) A Portaria n.o 1118/2001, de 20 de Setembro,
2 — O produto das coimas cobradas nas Regiões que fixa os valores das taxas a pagar pelo exer-
Autónomas constitui receita própria destas. cício da caça em zonas de caça municipais;
p) O Despacho Normativo n.o 41/2003, de 30 de
Artigo 170.o Setembro, que estabelece os valores das taxas
a pagar pela concessão de autorizações especiais
Revogação
de caça da zona de caça nacional (ZCN) do
São revogados: perímetro florestal da Contenda;
q) A Portaria n.o 1103/2000, de 23 de Novembro,
a) O Decreto-Lei n.o 227-B/2000, de 21 de Setem- que define os modelos e as condições de colo-
bro, e o Decreto-Lei n.o 338/2001, de 26 de cação das tabuletas e sinais a utilizar na deli-
Dezembro, que cria o regime jurídico da gestão mitação de zonas de caça, campos de treino de
sustentada dos recursos cinegéticos e regula- caça, áreas de refúgio, áreas sujeitas ao direito
menta a Lei n.o 173/99, de 21 de Setembro (Lei à não caça, aparcamentos de gado, bem como
de Bases Gerais da Caça); de outras áreas de protecção em que a eficácia
b) Os n.os 1 e 4 do artigo 3.o do Decreto-Lei da proibição ao acto venatório depende de os
n.o 64/98, de 17 de Março, relativos à zona de terrenos em causa se encontrarem sinalizados;
caça existente na Tapada Nacional de Mafra; r) A Portaria n.o 1391/2002, de 25 de Outubro,
c) A Portaria n.o 1239/93, de 4 de Dezembro, que que altera a Portaria n.o 1103/2000, de 23 de
define os modelos de impressos, os documentos Novembro;
a apresentar, o procedimento para a concessão, A portaria n.o 1288/2001 (2.a série), de 25 de
renovação e emissão de segundas vias da carta Julho, que define a sinalização aplicável às zonas
de caçador e o valor das taxas devidas; interditas à caça;
d) A Portaria n.o 123/2001, de 23 de Fevereiro, s) A Portaria n.o 1391/2002, de 25 de Outubro,
que define os termos, os conteúdos das provas que estabelece os requisitos, prazos e termos
e o processo do exame e o valor das taxas devidas de procedimento administrativo a seguir em
pela inscrição para realização de exame para processos relativos a zonas de caça municipais,
obtenção de carta de caçador; associativas e turísticas, bem como os períodos
e) A Portaria n.o 229/2002, de 12 de Março, que de sinalização das zonas de caça e o valor das
altera a Portaria n.o 123/2001, de 23 de Feve- taxas anuais devidas pela concessão de zonas
reiro, que define os termos, os conteúdos das de caça, e revoga as Portarias n.os 439/2001,
provas e o processo do exame para obtenção 467/2001 e 1123/2001, respectivamente de 28 de
da carta de caçador; Abril, de 8 de Maio e de 24 de Setembro;
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5347
t) A Portaria n.o 45/2004, de 14 de Janeiro, que ii) A Portaria n.o 247/2001, de 22 de Março, que
altera o n.o 8.o da Portaria n.o 1391/2002, de define as condições e os termos em que os ter-
25 de Outubro; renos sujeitos a pastoreio ordenado podem ser
u) O Despacho Normativo n.o 6/2001, de 2 de Feve- considerados aparcamento de gado e autoriza
reiro, que estabelece as condições a preencher a colocação de sinalização indicativa da proi-
pelos técnicos responsáveis pelos planos de bição do exercício da caça nos mesmos;
ordenamento e exploração cinegéticos a apre- jj) O despacho n.o 25 035/2002 (2.a série), de 25
sentar nos termos da alínea d) do n.o 2 do de Novembro, que estabelece a composição e
artigo 31.o do Decreto-Lei n.o 227-B/2000, de funcionamento da Comissão Nacional de
15 de Setembro; Homologação de Troféus;
v) O Despacho Normativo n.o 21/2001, de 3 de ll) O despacho n.o 1104/2001 (2.a série), de 19 de
Maio, que estabelece o valor da taxa devida pelo Janeiro, que aprova o modelo de guia de trans-
pedido de renovação de zonas de caça turísticas porte de furões (privativo da Direcção-Geral das
(ZCT) e associativas (ZCA) fora do prazo Florestas, não sendo de reprodução livre) e
normal; define as condições da sua utilização e aquisição.
x) O despacho n.o 23 133/2001 (2.a série), de 15 de
Novembro, que aprova o modelo de impresso
para efeitos de declaração anual, por entidades Artigo 171.o
gestoras de zonas de caça associativas(ZCA), Entrada em vigor
dos caçadores associados;
z) O despacho n.o 2203/2002 (2.a série), de 28 de O regime previsto nos diplomas ora revogados man-
Janeiro, que aprova o modelo de impresso para tém-se transitoriamente em vigor até à publicação das
apresentação de proposta de plano anual de portarias e dos despachos previstos no presente diploma.
exploração de zonas de caça; Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 1 de
aa) O despacho n.o 2417/2002 (2.a série), de 30 de Julho de 2004. — Maria Manuela Dias Ferreira
Janeiro, que aprova o modelo de impresso para Leite — Maria Manuela Dias Ferreira Leite — António
apresentação dos resultados de exploração de Jorge de Figueiredo Lopes — Maria Celeste Ferreira Lopes
zonas de caça; Cardona — Carlos Manuel Tavares da Silva — Armando
bb) A Portaria n.o 466/2001, de 8 de Maio, que iden- José Cordeiro Sevinate Pinto — Maria da Graça Martins
tifica as espécies ou subespécies cinegéticas com da Silva Carvalho — Arlindo Marques da Cunha.
que é permitido efectuar repovoamentos e esta-
belece normas particulares para repovoamentos
Promulgado em 2 de Agosto de 2004.
com corços;
cc) A Portaria n.o 465/2001, de 8 de Maio, que esta- Publique-se.
belece as normas para autorizar a instalação de
campos de treino de caça; O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
dd) A Portaria n.o 463/2001, de 8 de Maio, que res-
tringe a comercialização a detenção, o trans- Referendado em 5 de Agosto de 2004.
porte e a exposição ao público para fins de O Primeiro-Ministro, Pedro Miguel de Santana Lopes.
comercialização de exemplares mortos de espé-
cies cinegéticas; ANEXO I
ee) A Portaria n.o 464/2001, de 8 de Maio, que
Lista de espécies cinegéticas
define os termos da autorização para criação
e detenção de espécies e subespécies cinegéticas 1 — Caça menor
em cativeiro; I — Mamíferos
ff) O Despacho Normativo n.o 4/2002, de 31 de
Janeiro, que determina que a sanção a aplicar Coelho-bravo — Oryctolagus cuniculus.
pelo não pagamento das taxas anuais devidas Lebre — Lepus granatensis.
pela autorização de criação ou detenção de Raposa — Vulpes vulpes.
espécies em cativeiro seja graduada de acordo Saca-rabos — Herpestes ichneumon.
com o prejuízo concreto e com um certo critério;
gg) O despacho n.o 23 134/2001 (2.a série), de 15 II — Aves
de Setembro, que aprova o modelo da guia de
a) Aves sedentárias
transporte de exemplares mortos de espécies
cinegéticas, a emitir pelas entidades gestoras de Perdiz-vermelha — Alectoris rufa.
ZC sempre que os quantitativos de exemplares Faisão — Phasianus colchicus.
a transportar são superiores aos limites diários Pombo-da-rocha — Columba livia.
de abate permitidos em terrenos cinegéticos não Gaio — Garrulus glandarius.
ordenados, e define as condições da sua uti- Pega-rabuda — Pica pica.
lização e aquisição; Gralha-preta — Corvus corone.
hh) O despacho n.o 1105/2001 (2.a série), de 19 de Melro — Turdus merula.
Janeiro, que aprova o modelo de guia de trans-
porte de exemplares vivos de espécies cinegé- b) Aves migradoras ou parcialmente migradoras
ticas e define as condições da sua utilização e
aquisição. Estabelece que, até se esgotarem, Pato-real — Anas platyrhynchos (*).
podem continuar a ser utilizadas as guias de Frisada — Anas strepera (*).
modelo aprovado ao abrigo da Portaria Marrequinha — Anas crecca (*).
n.o 487/95, de 22 de Maio; Pato-trombeteiro — Anas clypeata (*).
5348 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
Marreco — Anas querquedula (*). G
Arrabio — Anas acuta (*).
Piadeira — Anas penelope (*). Gondomar.
Zarro-comum — Aythya ferina (*). Guimarães.
Negrinha — Aythya fuligula (*). L
Galinha d’água — Gallinula chloropus (*).
Galeirão — Fulica atra (*). Lamego.
Tarambola-dourada — Pluvialis apricaria. Lousada.
Galinhola — Scolopax rusticola.
Rola-comum — Streptopelia turtur. M
Rola-turca — Streptopelia deacoto. Macedo de Cavaleiros.
Codorniz — Coturnix coturnix. Maia.
Pombo-bravo — Columba oenas. Marco de Canaveses.
Pombo-torcaz — Columba palumbus. Matosinhos.
Tordo-zornal — Turdus pilaris. Melgaço.
Tordo-comum — Turdus philomelos. Mesão Frio.
Tordo-ruivo — Turdus iliacus. Miranda do Douro.
Tordeia — Turdus viscivorus. Mirandela.
Estorninho-malhado — Sturnus vulgaris. Mogadouro.
Narceja-comum — Gallinago gallinago. Moimenta da Beira.
Narceja-galega — Lymnocryptes minimus. Monção.
Mondim de Basto.
2 — Caça maior Montalegre.
Javali — Sus scrofa. Murça.
Gamo — Cervus dama. O
Veado — Cervus elaphus.
Corço — Capreolus capreolus. Oliveira de Azeméis.
Muflão — Ovis ammon.
P
(*) Aves aquáticas para efeitos deste diploma. Paços de Ferreira.
Paredes.
ANEXO II Paredes de Coura.
Regiões cinegéticas Penafiel.
Penedono.
1.a região
Peso da Régua.
A Ponte da Barca.
Ponte de Lima.
Alfândega da Fé. Porto.
Alijó. Póvoa de Lanhoso.
Amarante. Póvoa de Varzim.
Amares.
Arcos de Valdevez. R
Armamar.
Arouca. Resende.
Ribeira de Pena.
B
S
Baião.
Barcelos. Sabrosa.
Boticas. Santa Maria da Feira.
Braga. Santa Marta de Penaguião.
Bragança. Santo Tirso.
São João da Madeira.
C São João da Pesqueira.
Cabeceiras de Basto. Sernancelhe.
Caminha. T
Carrazeda de Ansiães.
Castelo de Paiva. Tabuaço.
Celorico de Basto. Tarouca.
Chaves. Terras de Bouro.
Cinfães. Torre de Moncorvo.
Trofa.
E
Espinho. V
Esposende. Vale de Cambra.
F Valença.
Valongo.
Fafe. Valpaços.
Felgueiras. Viana do Castelo.
Freixo de Espada à Cinta. Vieira do Minho.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5349
Vila do Conde. Marinha Grande.
Vila Flor. Mealhada.
Vila Nova de Cerveira. Meda.
Vila Nova de Famalicão. Mira.
Vila Nova de Foz Côa. Miranda do Corvo.
Vila Nova de Gaia. Montemor-o-Velho.
Vila Pouca de Aguiar. Mortágua.
Vila Real. Murtosa.
Vila Verde.
Vimioso. N
Vinhais.
Vizela. Nelas.
O
2.a região
Oleiros.
A Oliveira de Frades.
Águeda. Oliveira do Bairro.
Aguiar da Beira. Oliveira do Hospital.
Albergaria-a-Velha. Ovar.
Almeida.
Alvaiázere. P
Anadia. Pampilhosa da Serra.
Ansião. Pedrógão Grande.
Arganil. Penacova.
Aveiro. Penalva do Castelo.
B Penamacor.
Penela.
Batalha. Pinhel.
Belmonte. Pombal.
C Porto de Mós.
Proença-a-Nova.
Cantanhede.
Carregal do Sal. S
Castanheira de Pêra. Sabugal.
Castelo Branco.
Santa Comba Dão.
Castro Daire.
Celorico da Beira. São Pedro do Sul.
Coimbra. Sátão.
Condeixa-a-Nova. Seia.
Covilhã. Sertã.
Sever do Vouga.
E Soure.
Estarreja. T
F Tábua.
Figueira da Foz. Tondela.
Figueira de Castelo Rodrigo. Trancoso.
Figueiró dos Vinhos. V
Fornos de Algodres.
Fundão. Vagos.
Vila de Rei.
G
Vila Nova de Paiva.
Góis. Vila Nova de Poiares.
Gouveia. Vila Velha de Ródão.
Guarda. Viseu.
Vouzela.
I
Idanha-a-Nova. 3.a região
Ílhavo.
A
L
Abrantes.
Leiria. Alcanena.
Lousã. Alcobaça.
Alcochete.
M
Alenquer.
Mação. Almada.
Mangualde. Almeirim.
Manteigas. Alpiarça.
5350 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A N.o 194 — 18 de Agosto de 2004
Amadora. T
Arruda dos Vinhos.
Azambuja. Tomar.
Torres Novas.
B Torres Vedras.
Barreiro. V
Benavente.
Bombarral. Vila Franca de Xira.
Vila Nova da Barquinha.
C
4.a região
Cadaval.
Caldas da Rainha. A
Cartaxo.
Cascais. Alandroal.
Chamusca. Alcácer do Sal.
Constância. Aljustrel.
Coruche. Almodôvar.
Alter do Chão.
E Alvito.
Arraiolos.
Entroncamento. Arronches.
F Avis.
Ferreira do Zêzere. B
G Barrancos.
Beja.
Golegã. Borba.
L C
Lisboa. Campo Maior.
Loures. Castelo de Vide.
Lourinhã. Castro Verde.
Crato.
M Cuba.
Mafra. E
Moita.
Montijo. Elvas.
Estremoz.
N Évora.
Nazaré. F
O Ferreira do Alentejo.
Óbidos. Fronteira.
Odivelas. G
Oeiras.
Ourém. Gavião.
Grândola.
P
M
Palmela.
Peniche. Marvão.
Mértola.
R Monforte.
Rio Maior. Montemor-o-Novo.
Mora.
S Moura.
Mourão.
Salvaterra de Magos.
Santarém. N
Sardoal.
Sesimbra. Nisa.
Seixal. O
Setúbal.
Sintra. Odemira.
Sobral de Monte Agraço. Ourique.
N.o 194 — 18 de Agosto de 2004 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 5351
P MINISTÉRIO DA SAÚDE
Ponte de Sor.
Portalegre. Decreto-Lei n.o 203/2004
Portel. de 18 de Agosto
R O actual regime jurídico dos internatos médicos, apro-
vado pelo Decreto-Lei n.o 128/92, de 4 de Julho, como
Redondo. fase de formação pós-graduada subsequente à obtenção
Reguengos de Monsaraz. da licenciatura em Medicina, contempla dois processos
formativos — internato geral e internato complemen-
S tar — autónomos entre si, embora a frequência deste
último pressuponha a aprovação no internato geral.
Santiago do Cacém. Este modelo, para além do elevado peso adminis-
Serpa. trativo que lhe está associado e de provocar um hiato
Sines. temporal na formação pós-graduada entre o termo do
Sousel. internato geral e o início do internato complementar,
V não se harmoniza com as actuais realidades e exigências
da educação médica e dos serviços de cuidados de saúde,
Vendas Novas. carecendo, pois, de ser reformulado.
Viana do Alentejo. Nos últimos anos, com efeito, registaram-se modi-
Vidigueira. ficações e avanços importantes na medicina, o que
Vila Viçosa. acarreta, necessariamente, alterações ao ensino médico
pré-graduado, ao mesmo tempo que recomenda uma
permanente actualização do ensino pós-graduado e um
5.a região
mais eficaz acompanhamento do desenvolvimento pro-
A fissional contínuo durante toda a vida profissional,
visando a qualidade e a excelência da formação.
Albufeira. Por outro lado, foram introduzidas alterações impor-
Alcoutim. tantes no ensino pré-graduado.
Aljezur. Estas modificações respeitam à reestruturação e
reforma dos cursos de licenciatura em Medicina ini-
C ciadas em 1995 e às medidas tomadas na sequência de
recomendações do grupo de missão interministerial para
Castro Marim. a formação na área da saúde, criado pela Resolução
do Conselho de Ministros n.o 140/98, de 4 de Dezembro.
F Entende-se, assim, ser oportuno redefinir o regime
Faro. jurídico da formação após a licenciatura em Medicina,
articulando-o melhor com os processos de formação pré-
L -graduada e de formação contínua, perspectivando assim
o processo de educação médica na sua globalidade.
Lagoa. Nesta linha, é criado um único internato médico. Ao
Lagos. optar-se por um único internato médico, cabe anotar
Loulé. que se elimina o intervalo de tempo que, no actual
regime, medeia entre a conclusão do internato geral
M e o início do complementar, também se reduzindo apre-
ciavelmente o peso administrativo que os dois processos
Monchique. formativos implicavam.
Foram ouvidos os órgãos de Governo próprio das
O
Regiões Autónomas e a Ordem dos Médicos.
Olhão. Foram observados os procedimentos decorrentes da
Lei n.o 23/98, de 26 de Maio.
P Assim:
Nos termos da alínea a) do n.o 1 do artigo 198.o da
Portimão. Constituição, o Governo decreta o seguinte:
S
CAPÍTULO I
São Brás de Alportel.
Silves. Âmbito de aplicação
T Artigo 1.o
Tavira. Objecto
V O presente diploma define o regime jurídico da for-
mação médica, após a licenciatura em Medicina, com
Vila do Bispo. vista à especialização, e estabelece os princípios gerais
Vila Real de Santo António. a que deve obedecer o respectivo processo.