AO JUÍZO DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE
ROSAS/PINHEIROS
AMÂNCIO, já qualificado nos autos em epígrafe, vem por meio de seu procurador
que esta subscreve (procuração anexa), respeitosamente, perante Vossa
Excelência, apresentar:
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
com fulcro no artigo 396 e 396-A do Código do Processo Penal, pelas razões de
fatos e de direitos abaixo aduzidas:
DOS FATOS:
Amâncio foi citado em denúncia criminal por receptação (art. 180, §1º, CP),
após policiais militares encontrarem, sem seu consentimento, por meio de violação
de domicílio, joias avaliadas em cerca de R$30.000,00 em sua residência, em
setembro de 2024. Segundo os policiais, o ingresso no imóvel foi autorizado pelo
acusado, que teria admitido estar guardando os bens para seu irmão Celso.
Já em depoimento na delegacia, Amâncio negou a acusação, alegando que
os policiais entraram sem permissão e que apenas aceitaria guardar as jóias a
pedido do irmão, comerciante, sem saber de sua origem ilícita. A acusação
considerou sua versão inverossímil, entendendo que os bens seriam destinados à
venda, e ofereceu denúncia com base na receptação qualificada.
DO DIREITO
Da nulidade da busca e apreensão e das provas:
A forma como os policiais entraram na residência do acusado violam
expressamente o artigo V, inciso XI e LVI da Constituição Federal, visto que
ausentes todas as condições permissivas para entrada na residência:
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito
ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial.
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos;
Segundo o artigo 157 do CPP, são inadmissíveis e devem ser
desentranhadas do processo as provas ilícitas obtidas por violação às normas
constitucionais legais.
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do
processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a
normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº
11.690, de 2008)
§ 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas,
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras,
ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente
das primeiras.
Ainda o artigo 241 do CPP prevê que:
Art. 241. Quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar
pessoalmente, a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de
mandado.
Da nulidade da citação:
A citação é nula de pleno direito visto que tal procedimento se deu de forma
totalmente irregular não se baseando em nada do que prevê o artigo 351, 352, 357
e 564 do Código de Processo Penal Brasileiro:
Art. 351. A citação inicial far-se-á por mandado, quando o réu estiver no
território sujeito à jurisdição do juiz que a houver ordenado.
Art. 352. O mandado de citação indicará:
I - o nome do juiz;
II - o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa;
III - o nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos;
IV - a residência do réu, se for conhecida;
V - o fim para que é feita a citação;
VI - o juízo e o lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer;
VII - a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz.
Art. 357. São requisitos da citação por mandado:
I - leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé, na qual
se mencionarão dia e hora da citação;
II - declaração do oficial, na certidão, da entrega da contrafé, e sua aceitação
ou recusa.
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando
presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa.
Da quebra da cadeia de custódia:
As provas foram acessadas e manuseadas sem autorização judicial, logo por
pessoas não autorizadas. Logo conforme artigo 158 do CPP, houve a quebra da
cadeia de custódia das provas, viciando e comprometendo a veracidade do conjunto
probatório utilizado pelo Ministério Público para embasar a acusação.
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os
procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do
vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse
e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.
DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA:
Conforme se depreende dos fatos, Amâncio não conhecia da origem
criminosa dos bens em sua posse, logo ausente o requisito subjetivo do tipo penal
de receptação e presente uma excludente de culpabilidade:
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste
Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
(Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do
agente, salvo inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído
pela Lei nº 11.719, de 2008).
IV - extinta a punibilidade do agente.
DA DESCLASSIFICAÇÃO DA RECEPTAÇÃO QUALIFICADA PARA
SIMPLES
Conforme já demonstrado, o autor não tinha conhecimento da destinação
ilícita do bem que tinha em posse, muito menos sabia que tais bens se destinariam
a atividade comercial, assim está provado e deve ser desclassificada a qualificadora
expressa na denúncia.
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em
proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir
para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: (Redação
dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Redação
dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Receptação qualificada (Redação dada pela Lei nº 9.426,
de 1996)
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em
depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de
qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.
DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO DO PROCESSO
Assim, retirada a qualificadora do § 1º do artigo 180 do Código Penal,
deve o Ministério Público oferecer a suspensão do processo, pela pena mínima
cuminada ser de 01 ano:
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou
inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a
quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não
tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizam a suspensão condicional da pena
DOS PEDIDOS:
a) Requer a nulidade da busca e apreensão e desentranhamento das provas
do processo com fulcro no artigo V, inciso XI e LVI da CF e 157 e 241 do CPP;
b) Nulidade da Citação conforme art. 351, 352, 357 e 564 do CPP;
c) Rejeição da denúncia nos termos do art. 395 do CPP;
d) Absolvição sumária conforme art. 397 do CPP;
e) Subsidiariamente, da desclassificação da receptação qualificada para
simples.
Protesta-se pela produção de todas as provas admitidas em direito,
especialmente a oitiva das testemunhas arroladas abaixo.
Rol de testemunhas
- XXXXXXX, portador do CPF XXXXXXXXX residente e domiciliado na Rua
XXXXXXXXXXXX.
- XXXXXXX, portador do CPF XXXXXXXXX residente e domiciliado na Rua
XXXXXXXXXXXX.
Nestes termos, pede deferimento.
ROSAS/PINHEIROS, XX de XXXXX de XXXX.
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Advogado(a)
OAB/UF nº