Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juiz(a) de Direito da Vara
Criminal da Comarca de Pinheiros – Estado de São paulo
Processo nº XXXXXX
AMÂNCIO, já qualificado nos autos da Ação Penal que lhe move o
Ministério Público, por intermédio de seu advogado infra-assinado,
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar,
nos termos do art. 396-A do Código de Processo Penal, sua
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
em face da denúncia ofertada, pelos motivos de fato e de direito que
passa a expor:
I – SÍNTESE DA DENÚNCIA
O acusado foi denunciado como incurso no art. 180, § 1º, do Código
Penal, sob a alegação de que teria guardado joias provenientes de
crime de roubo, encontradas em sua residência.
Segundo a denúncia, os policiais ingressaram em sua residência e
apreenderam joias, alegadamente com autorização do acusado.
Ocorre que o próprio Amâncio narrou que os agentes pularam o muro
de sua casa, violando a garantia constitucional da inviolabilidade do
domicílio.
II – PRELIMINARMENTE
a) Nulidade por prova ilícita (art. 5º, XI e LVI, CF/88; art. 157, CPP)
O ingresso forçado no domicílio sem mandado judicial e sem
comprovação de situação de flagrante delito constitui violação
constitucional. A prova obtida é ilícita e, portanto, deve ser
desentranhada dos autos, bem como todas as provas dela derivadas.
III – DO MÉRITO
a) Ausência de dolo
O tipo penal do art. 180 do CP exige que o agente saiba da origem
ilícita da coisa. Amâncio apenas aceitou guardar os bens a pedido de
seu irmão, comerciante, sem que tivesse ciência da suposta origem
criminosa.
b) Atipicidade da conduta
A conduta de guardar bens sem conhecimento de ilicitude não se
amolda ao núcleo típico do crime de receptação. A dúvida quanto ao
dolo deve favorecer o acusado (in dubio pro reo).
c) In dubio pro reo
A prova é frágil e contraditória. A versão dos policias diverge da
apresentada pelo réu e não há demonstração suficiente da ciência
inequívoca da origem criminosa dos objetos. Dessa forma o
art.397,lll,CPP é caso de absolvição sumária.
IV – PEDIDOS
Diante do exposto, requer:
1.O reconhecimento da nulidade da prova obtida mediante invasão de
domicílio, com a consequente absolvição sumária do acusado (art.
397, II, CPP);
2. No mérito, caso ultrapassada a preliminar, a absolvição sumária de
Amâncio por ausência de dolo ou de prova suficiente de materialidade
e autoria (art. 397, III e IV, CPP);
3. A produção de todas as provas em direito admitidas, em especial:
oitiva de testemunhas abaixo arroladas;
juntada de documentos;
eventual acareação e perícia.
Rol de Testemunhas (art. 401, CPP):
1. [nome completo], [endereço
2. [nome completo], [endereço]
V – REQUERIMENTO FINAL
Requer que a presente resposta à acusação seja recebida, com a
rejeição da denúncia ou, subsidiariamente, a absolvição sumária do
acusado, nos termos do art. 397 do CPP.
Termos em que,
Pede deferimento.
Advogado
OAB/XXXX n° XXXX