Mp-Ba
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CADERNO DE QUESTÕES
PROVA DISCURSIVA
(Grupo de Conteúdos I)
Direito Constitucional
Direito Administrativo
Direito Eleitoral
INSTRUÇÕES:
1. Para a realização desta prova você recebeu este caderno de questões, um caderno de
respostas e um caderno de rascunho.
2. Verifique cuidadosamente se neste caderno contém 4(quatro) questões discursivas. Caso
contrário, solicite ao fiscal de sala outro caderno completo.
3. Será permitida a consulta a impressos da internet (somente atualizações dos códigos e leis)
que não conste no vade mecum ou não exista na forma previamente encadernada/
disponibilizada/comercializada por editoras, valendo principalmente para a legislação
municipal e estadual; capturada diretamente de sítios eletrônicos oficiais (fonte do caractere
máximo 12), devendo o material a ser consultado submeter-se à inspeção pela Comissão do
Concurso ou pessoas por esta autorizadas.
4. Não será permitido portar qualquer aparelho eletrônico de comunicação (bip, telefone celular,
relógios digitais, walkman, agenda eletrônica, notebook, palmtop, tablet, smartphone, receptor,
gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, MP3, MP4, iPod, iPad, ponto
eletrônico, ou quaisquer outros equipamentos similares), bem como fone de ouvido, protetores
auriculares e acessórios de chapelaria (chapéu, bone, gorro, lenço e outros), sujeitando-se à
eliminação sumária do Concurso o candidato que não obedecer a esta norma.
5. NÃO RUBRIQUE, NÃO ASSINE, NEM FAÇA MARCAS QUE DE QUALQUER MODO
IDENTIFIQUEM O CADERNO DE RESPOSTAS. A IDENTIFICAÇÃO DO CADERNO DE
RESPOSTAS IMPORTA NA ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO.
6. Fica vedada a utilização de rascunho diverso daquele caderno de rascunho fornecido pela
Comissão.
6.1 O caderno de rascunho deverá ser identificado pelo candidato e será destruído no
momento em que o candidato entregar o caderno de respostas ao fiscal de sala.
7. Nos termos do art. 40 do Regulamento do Concurso para Ingresso na Carreira do Ministério
Público, na correção da prova escrita levar-se-á em conta o saber jurídico, o domínio da
norma padrão da língua portuguesa e das suas estruturas, a capacidade de exposição do
pensamento, o poder de argumentação e de convencimento do candidato.
8. O candidato que não observar essas instruções será sumariamente eliminado do Concurso.
9. Esta prova terá duração de 05 (cinco) horas e tem caráter eliminatório.
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
CADERNO DE QUESTÕES
PROVA DISCURSIVA
(Grupo de Conteúdos II)
Direito civil
Direito Processual Civil
INSTRUÇÕES:
1. Para a realização desta prova você recebeu este caderno de questões, um caderno de
respostas e um caderno de rascunho.
2. Verifique cuidadosamente se neste caderno contém 4(quatro) questões discursivas. Caso
contrário, solicite ao fiscal de sala outro caderno completo.
3. Será permitida a consulta a impressos da internet (somente atualizações dos códigos e leis)
que não conste no vade mecum ou não exista na forma previamente encadernada/
disponibilizada/comercializada por editoras, valendo principalmente para a legislação
municipal e estadual; capturada diretamente de sítios eletrônicos oficiais (fonte do caractere
máximo 12), devendo o material a ser consultado submeter-se à inspeção pela Comissão do
Concurso ou pessoas por esta autorizadas.
4. Não será permitido portar qualquer aparelho eletrônico de comunicação (bip, telefone celular,
relógios digitais, walkman, agenda eletrônica, notebook, palmtop, tablet, smartphone, receptor,
gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, MP3, MP4, iPod, iPad, ponto
eletrônico, ou quaisquer outros equipamentos similares), bem como fone de ouvido, protetores
auriculares e acessórios de chapelaria (chapéu, bone, gorro, lenço e outros), sujeitando-se à
eliminação sumária do Concurso o candidato que não obedecer a esta norma.
5. NÃO RUBRIQUE, NÃO ASSINE, NEM FAÇA MARCAS QUE DE QUALQUER MODO
IDENTIFIQUEM O CADERNO DE RESPOSTAS. A IDENTIFICAÇÃO DO CADERNO DE
RESPOSTAS IMPORTA NA ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO.
6. Fica vedada a utilização de rascunho diverso daquele caderno de rascunho fornecido pela
Comissão.
6.1 O caderno de rascunho deverá ser identificado pelo candidato e será destruído no
momento em que o candidato entregar o caderno de respostas ao fiscal de sala.
7. Nos termos do art. 40 do Regulamento do Concurso para Ingresso na Carreira do Ministério
Público, na correção da prova escrita levar-se-á em conta o saber jurídico, o domínio da
norma padrão da língua portuguesa e das suas estruturas, a capacidade de exposição do
pensamento, o poder de argumentação e de convencimento do candidato.
8. O candidato que não observar essas instruções será sumariamente eliminado do Concurso.
9. Esta prova terá duração de 05 (cinco) horas e tem caráter eliminatório.
Caso 1
Pedro Paulo da Silva, brasileiro, casado, empregado d e uma indústria petrolífera, natural e
domiciliado no Rio de Janeiro, residente na Rua das Flores, 25, em Laranjeiras, no mês de junho
do ano de 2001, veio para Salvador a trabalho e aqui se envolveu afetivamente com Sandra
Patrícia de Oliveira, residente e domiciliada na Rua da Mouraria, 55, tendo esta informado ao seu
namorado, em setembro de 2001, que engravidara. Nascida, a menina Sandra Paula, em 23 de
abril de 2002, Pedro Paulo, inicialmente, negou a paternidade que lhe foi atribuída, comentando
tal fato com o advogado que o procurou, porém, temendo a ação de investigação da paternidade,
posteriormente a reconheceu. O registro civil da menina com a declaração da paternidade foi feito
em junho de 2002 e Pedro Paulo passou a enviar, mensalmente, via conta bancária da
representante legal da menina, o valor equivalente a um salário mínimo, a título de pensão
alimentar. Tudo isso sem o conhecimento de sua esposa e filhos, estes em número de três, sendo
dois maiores de 18 anos e um menor de 15 anos.
Reconhecida a menor, Pedro Paulo afastou-se desta e de sua genitora não mantendo com elas
qualquer contato.
Pedro Paulo veio a falecer em 2006, em virtude de um acidente numa plataforma da empresa.
Ao tomar conhecimento do óbito porque o depósito da pensão não foi feito, Sandra Paula, por sua
representante legal, verificou que já havia inventário ajuizado no Rio de Janeiro e habilitou-se na
qualidade de herdeira, requerendo, inclusive, e em caráter de antecipação de tutela, os alimentos
a que diz ter direito, até o início do pagamento da pensão por morte, além de sua quota parte na
herança paterna.
Recebida a petição de habilitação no juízo da 13ª Vara de Família, da capital do Estado do Rio, o
juiz determinou vista para a inventariante e herdeiros do autor da herança.
Estes se pronunciaram, alegando que a menor Sandra Paula não é filha de Pedro Paulo e, por tal
motivo, não tem qualquer dos direitos pleiteados: alimentos, pensão ou quota parte na herança e,
ajuizaram uma ação negatória de paternidade, no mesmo juízo do inventário, requerendo a prova
técnica do exame de DNA, segundo eles, apta para excluir os direitos alegados por Sandra Paula,
além do vício de consentimento para a declaração da suposta paternidade, até porque o
advogado contratado pela genitora da menor admitiu que houve a ameaça de contato com a
família no Rio de Janeiro e que, somente por isto, esta foi reconhecida.
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
Considere o enunciado da questão como o relatório de seu parecer e como se ali estivesse
transcrito.
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
CADERNO DE QUESTÕES
PROVA DISCURSIVA
(Grupo de Conteúdos III)
Direito Penal
Direito Processual Penal
INSTRUÇÕES:
1. Para a realização desta prova você recebeu este caderno de questões, um caderno de
respostas e um caderno de rascunho.
2. Verifique cuidadosamente se neste caderno contém 4(quatro) questões discursivas. Caso
contrário, solicite ao fiscal de sala outro caderno completo.
3. Será permitida a consulta a impressos da internet (somente atualizações dos códigos e leis)
que não conste no vade mecum ou não exista na forma previamente encadernada/
disponibilizada/comercializada por editoras, valendo principalmente para a legislação
municipal e estadual; capturada diretamente de sítios eletrônicos oficiais (fonte do caractere
máximo 12), devendo o material a ser consultado submeter-se à inspeção pela Comissão do
Concurso ou pessoas por esta autorizadas.
4. Não será permitido portar qualquer aparelho eletrônico de comunicação (bip, telefone celular,
relógios digitais, walkman, agenda eletrônica, notebook, palmtop, tablet, smartphone, receptor,
gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, MP3, MP4, iPod, iPad, ponto
eletrônico, ou quaisquer outros equipamentos similares), bem como fone de ouvido, protetores
auriculares e acessórios de chapelaria (chapéu, bone, gorro, lenço e outros), sujeitando-se à
eliminação sumária do Concurso o candidato que não obedecer a esta norma.
5. NÃO RUBRIQUE, NÃO ASSINE, NEM FAÇA MARCAS QUE DE QUALQUER MODO
IDENTIFIQUEM O CADERNO DE RESPOSTAS. A IDENTIFICAÇÃO DO CADERNO DE
RESPOSTAS IMPORTA NA ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO.
6. Fica vedada a utilização de rascunho diverso daquele caderno de rascunho fornecido pela
Comissão.
6.1 O caderno de rascunho deverá ser identificado pelo candidato e será destruído no
momento em que o candidato entregar o caderno de respostas ao fiscal de sala.
7. Nos termos do art. 40 do Regulamento do Concurso para Ingresso na Carreira do Ministério
Público, na correção da prova escrita levar-se-á em conta o saber jurídico, o domínio da
norma padrão da língua portuguesa e das suas estruturas, a capacidade de exposição do
pensamento, o poder de argumentação e de convencimento do candidato.
8. O candidato que não observar essas instruções será sumariamente eliminado do Concurso.
9. Esta prova terá duração de 05 (cinco) horas e tem caráter eliminatório.
Tomando-se como parâmetro o fenômeno criminal, e em face do texto acima, e considerando as regras do
Código Penal, da Lei de Execução Penal e demais legislações penais especiais, discorra, com clareza,
objetividade e linguagem técnica, em no máximo 40 linhas, sobre os seguintes aspectos:
a) o conceito de Política Criminal (até 3,5 pontos);
b) a conexão entre Política Criminal e a Legislação Penal e suas características (até 5,5 pontos);
c) as relações entre a Política Criminal e o Saber Penal e suas características (até 5,5 pontos);
d) há reflexos da política criminal na Política de Execução Penal e Política Penitenciária? Justifique.
(até 3,5 pontos).
Não bastasse esse posicionamento doutrinário, o artigo 23 do Código Penal prescreve que não haverá
crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade (inciso I), em legítima defesa (inciso II) e
em estrito cumprimento do dever legal, ou exercício regular do direito (inciso III) (BRASIL, 1940).
Considerando que o texto acima tem caráter exclusivamente motivador, discorra, com clareza, objetividade
e linguagem técnica, em no máximo 40 linhas, sobre os seguintes aspectos:
a) as características e distinções do estado de necessidade defensivo e agressivo (até 4,0 pontos);
b) a teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro vigente e concernente ao estado de necessidade.
Explique (até 4,5 pontos);
c) a controvérsia sobre a ausência de provocação do ofendido no tocante à legítima defesa (até 4,5
pontos);
d) os requisitos exigidos para a eficácia jurídico-penal do consentimento do ofendido (até 5,0 pontos).
Considerando que o texto acima tem caráter exclusivamente motivador, discorra em no máximo 40 linhas,
com clareza, objetividade e linguagem técnica, sobre os seguintes aspectos:
a) o sistema acusatório e o poder investigatório do Ministério Público (até 4,0 pontos);
b) a investigação criminal pelo Ministério Público e a Teoria dos Poderes Implícitos (até 5,0 pontos);
c) hipótese e consequências do trancamento do Procedimento Investigatório Criminal (até 4,5 pontos);
d) as providências que poderão ser adotadas após a conclusão do Procedimento Investigatório
Criminal no âmbito dos Ministérios Públicos Federal e Estadual (até 4,5 pontos).
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
CASO 1
No dia 10/02/2019, o Sr. Beviláqua da Mata Virgem, brasileiro, solteiro, natural de São Desidério-BA,
nascido em 20/07/1968, filho de Cambuquira da Mata e Dakarai Virgem, vereador e primeiro secretário da
mesa diretora da Casa Legislativa de São Desidério, residente e domiciliado na Rua da Casa Rosa, nº 123,
Centro, São Desidério-BA, compareceu à Delegacia de Polícia local e face à Autoridade Policial apresentou
oralmente a notitia criminis referente à conduta delitógena, supostamente praticada pelo Sr. Fedon
Justiceiro da Paz, brasileiro, solteiro, natural de Barreiras-BA, nascido em 08/08/1970, filho de Cabocla
Justiceiro e Laparino da Paz, vereador e presidente da Câmara de Vereadores de São Desidério-BA,
residente e domiciliado na Avenida Volta da Cobra, nº 09, São Desidério-BA.
Segundo o vereador Beviláqua, o presidente da Câmara falsificou sua assinatura, na condição de
primeiro-secretário, ao emitir o cheque nº 000022, do Banco 001 (Banco do Brasil), agência 0231
(Barreiras), no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conta corrente n º 0593-7, cujo titular era a Câmara de
Vereadores de São Desidério, datado de 20/01/2018.
A Autoridade Policial instaurou Inquérito Policial nº 13/2019, com o fito de apurar os fatos. Na
oportunidade do interrogatório do Presidente da Câmara, o mesmo confessou que falsificou a assinatura do
vereador e primeiro-secretário, Sr. Beviláqua, na oportunidade em que adquiriu duas cabeças de gado
bovino do Sr. Agrícola da Terra Fonseca, brasileiro, nascido em 13/05/1967, solteiro, natural de
Queimadas-BA, residente e domiciliado na Fazenda Alma de Veia, município de São Desidério-BA,
trabalhador rural, filho de Aleluia de Vera.
Informou, ainda, que a compra foi realizada no dia 21/01/2019, na residência do Sr. Agrícola da Terra
Fonseca, pessoa analfabeta, e combinou com ele que não depositasse o cheque, pois com vinte dias
voltaria para pegar o título executivo e pagaria a compra do gado em dinheiro (em espécie). Todavia, o
cheque foi depositado e houve a recusa do pagamento no Banco do Brasil, em razão da divergência da
assinatura falsificada. Assim, exibiu para a Autoridade Policial o recibo no valor de R$ 10.000,00 (dez mil
reais), assinado pelo Sr. Agrícola da Terra Fonseca, o que demonstra que o pagamento do gado adquirido
foi realizado, e entregou ao Delegado o cheque, cuja assinatura fora falsificada.
Em 13/02/2019, o Delegado de Polícia realizou a oitiva do Sr. Marajá da Purificação Aveludado,
brasileiro, nascido em 10/09/1972, natural de Ibicaraí-BA, vereador e 2º secretário da mesa diretora da
Casa Legislativa de São Desidério, residente e domiciliado na Avenida Céu Azul do Sol Poente, Centro, São
Desidério-BA, filho de Faraó Aveludado e Rainha da Purificação.
Em suas declarações, o Sr. Marajá informou que tanto ele quanto o vereador Beviláqua, primeiro-
secretário, costumavam assinar folhas de cheques da conta da Câmara, em branco, e deixavam em poder
do Presidente da Câmara, Sr. Fedon, pois nem sempre se encontravam na sede da Câmara, nas ocasiões
em que se realizavam pagamentos aos fornecedores.
O edil, Sr. Marajá, ainda informou, durante o seu depoimento, que assinou a folha de cheque (em
branco) nº 000044, do Banco 001 (Banco do Brasil), agência 0231 (Barreiras-BA), conta corrente da
Câmara de Vereadores de São Desidério-BA.
Posteriormente, tomou conhecimento que o Sr. Fedon utilizou aquela folha de cheque para pagar
compra de material de construção (telhas de argila, caixa d’água de polietileno, cimento, blocos, piso tipo
porcelanato, argamassa, tijolos, rejunte, diversos materiais hidráulicos e elétricos, dentre outros), no valor
de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais).
A referida compra foi realizada no dia 20/06/2017, na loja de material para construção Casa do Divino,
situada em São Desidério-BA, CNPJ 12.931.843/0001-63. No entanto, o material foi utilizado na reforma do
imóvel de propriedade da Sra. Vitória Carne e Osso, brasileira, nascida em 09/03/1983, viúva, natural de
Buerarema-BA, filha de Maria Carne e João Osso, vereadora do município de São Desidério-BA, residente
e domiciliada na Praça dos Honestos, s/n, São Desidério-BA.
O gerente da Loja Casa do Divino, Sr. Inocente Coitadinho, brasileiro, solteiro, comerciante, natural de
Floresta Azul-BA, nascido em 19/05/1985, filho de Dolosa da Rosa, residente e domiciliado na Rua da
Linha, bairro Salomeia, São Desidério-BA, ao prestar seu depoimento, na fase policial, informou que a
compra foi realizada e a Nota Fiscal foi emitida em nome da Câmara de Vereadores de São Desidério,
todavia, os materiais adquiridos foram entregues na residência da Vereadora, Vitória Carne e Osso,
conforme determinado pelo Presidente da Câmara, Sr. Fedon. Por fim, esclareceu que o cheque nº 000044
foi depositado e compensado no dia 27/06/2017. Na ocasião, entregou à Autoridade Policial a Nota Fiscal nº
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
000205, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), datada de 20/06/2017, e o comprovante da entrega
do material assinado pela vereadora.
Por derradeiro, o Sr. Inocente Coitadinho informou que é fornecedor de material para a construção da
Câmara, pois celebrou contrato após vencer a licitação, pregão eletrônico, nos termos do Edital nº
002/2017. Em 19/02/2019, a Autoridade Policial ouviu a vereadora Vitória Carne e Osso, quando esta
esclareceu “que a compra dos materiais de construção foi realizada pelo Presidente da Câmara, Sr. Fedon,
e empregados na reforma de seu imóvel residencial. Todavia, a vereadora ajustou com o Sr. Fedon que
pagaria aquela compra ao longo de 30 (trinta) meses, depositando, mensalmente, o valor de R$ 2.000,00
(dois mil reais) na conta corrente da Câmara de Vereadores.
Apresentou comprovante de depósito na conta bancária da Câmara de Vereadores, que demonstra que
no período compreendido entre julho/2017 a fevereiro/2019 depositou o valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil
reais) como pagamento daquela compra.
No curso da investigação policial, o delegado formulou representação pela quebra de sigilo bancário da
conta corrente da Casa Legislativa, com o devido deferimento da autoridade judicial.
Assim, foi acostada ao caderno policial a microfilmagem do cheque utilizado para compra do material de
construção, além dos extratos bancários, os quais revelaram que entre o período de maio/2017 a
fevereiro/2019, mensalmente, foram sacados na “boca do caixa” 22 (vinte e dois) cheques (um a cada mês),
no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) cada um.
Reinterrogado, o Presidente da Câmara, Sr. Fedon, esclareceu que aqueles 22 (vinte dois) cheques
foram emitidos, um a cada mês, desde que assumiu a Presidência da Câmara, e entregues à pessoa de
Marciano Verdinho da Hora Pontual, brasileiro, solteiro, natural de Itapé-BA, nascido em 20/12/2001, filho
de Vênus da Hora e Plutão Pontual, residente e domiciliado na Rua da Via Láctea, 99, São Desidério-BA.
Sr. Fedon justificou, ainda, que resolveu contemplar o Sr. Marciano, com R$ 1.000,00 (mil reais) todos os
meses, pois ele foi um grande colaborador em sua campanha eleitoral e por isso resolveu pagar as
mensalidades do curso de Direito, que o Sr. Marciano cursa em uma instituição de ensino particular. Por fim,
esclareceu que os 22 (vinte e dois) cheques foram assinados pelos vereadores e secretários da mesa
diretora; uns foram assinados pelo primeiro-secretário e outros pelo segundo-secretário, Sr. Beviláqua e Sr.
Marajá, respectivamente, pois estes costumavam assinar folhas de cheques em branco e deixar em seu
poder.
Destaca-se que é exigência prevista no Regimento Interno da Casa Legislativa as assinaturas do
Presidente da Câmara e de um dos secretários da mesa diretora nos cheques emitidos.
Os fatos investigados foram amplamente explorados pela imprensa local e, no dia 28/02/2019, houve
manifestação popular em frente ao Fórum de São Desidério-BA, onde cerca de 200 (duzentas) pessoas se
concentraram e ostentaram cartazes com pedidos de providências da justiça.
Salienta-se que, na Comarca de São Desidério-BA não há agência do Banco do Brasil S/A, portanto, a
conta é da agência situada em Barreiras-BA, cidade localizada a 28 km do município de São Desidério-BA.
Concluída a investigação, a Autoridade Policial encaminhou os autos inquisitoriais para a Central de
Inquérito do Ministério Público, na Comarca de São Desidério e sugeriu o encaminhamento do Caderno
Policial para o Promotor de Justiça, com atribuições na 100ª Zona Eleitoral do Estado da Bahia (Município
de São Desidério).
Na data de hoje, o órgão do Parquet recebeu o inquérito policial.
Considere-se o órgão de execução do Ministério Público com atribuições para o caso 1 e adote a(s)
providência(s) conforme a legislação pátria pertinente.
OBS: A resposta deve ser apresentada de forma clara, objetiva e fundamentada na legislação aplicável ao
caso, em no máximo 80 linhas. (até 38 pontos).
- A pontuação relativa à estrutura gramatical totaliza 2,0 pontos.
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
CADERNO DE QUESTÕES
PROVA DISCURSIVA
(Grupo de Conteúdos IV)
Direitos Transindividuais
Legislação Institucional
INSTRUÇÕES:
1. Para a realização desta prova você recebeu este caderno de questões, um caderno de
respostas e um caderno de rascunho.
2. Verifique cuidadosamente se neste caderno contém 4(quatro) questões discursivas. Caso
contrário, solicite ao fiscal de sala outro caderno completo.
3. Será permitida a consulta a impressos da internet (somente atualizações dos códigos e leis)
que não conste no vade mecum ou não exista na forma previamente encadernada/
disponibilizada/comercializada por editoras, valendo principalmente para a legislação
municipal e estadual; capturada diretamente de sítios eletrônicos oficiais (fonte do caractere
máximo 12), devendo o material a ser consultado submeter-se à inspeção pela Comissão do
Concurso ou pessoas por esta autorizadas.
4. Não será permitido portar qualquer aparelho eletrônico de comunicação (bip, telefone celular,
relógios digitais, walkman, agenda eletrônica, notebook, palmtop, tablet, smartphone, receptor,
gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, MP3, MP4, iPod, iPad, ponto
eletrônico, ou quaisquer outros equipamentos similares), bem como fone de ouvido, protetores
auriculares e acessórios de chapelaria (chapéu, bone, gorro, lenço e outros), sujeitando-se à
eliminação sumária do Concurso o candidato que não obedecer a esta norma.
5. NÃO RUBRIQUE, NÃO ASSINE, NEM FAÇA MARCAS QUE DE QUALQUER MODO
IDENTIFIQUEM O CADERNO DE RESPOSTAS. A IDENTIFICAÇÃO DO CADERNO DE
RESPOSTAS IMPORTA NA ELIMINAÇÃO DO CANDIDATO.
6. Fica vedada a utilização de rascunho diverso daquele caderno de rascunho fornecido pela
Comissão.
6.1 O caderno de rascunho deverá ser identificado pelo candidato e será destruído no
momento em que o candidato entregar o caderno de respostas ao fiscal de sala.
7. Nos termos do art. 40 do Regulamento do Concurso para Ingresso na Carreira do Ministério
Público, na correção da prova escrita levar-se-á em conta o saber jurídico, o domínio da norma
padrão da língua portuguesa e das suas estruturas, a capacidade de exposição do
pensamento, o poder de argumentação e de convencimento do candidato.
8. O candidato que não observar essas instruções será sumariamente eliminado do Concurso.
9. Esta prova terá duração de 05 (cinco) horas e tem caráter eliminatório.
Caso 1
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017
Caso 2
Uma área rural localizada no Município fictício de Manacá da Serra foi incorporada ao perímetro
urbano no ano de 2017, por meio de lei específica. Nesse mesmo ano, a propriedade rural
“Vivendas”, com extensão de 10,0 hectares, inserida nesta área, foi vendida para a empresa
incorporadora Alto Padrão Empreendimentos Imobiliários ltda., com a finalidade de implantar um
loteamento privado de casas para veraneio.
A empresa incorporadora Alto Padrão Empreendimentos Imobiliários ltda. protocolou um
requerimento de licenciamento ambiental deste loteamento perante o Município de Manacá da
Serra, considerado apto para licenciar, em conformidade com o regramento legal vigente, não
havendo qualquer ato de delegação de atribuições ou de execução de ações administrativas de
outros entes para nenhum ato do licenciamento.
Para a implantação do loteamento (composto por lotes e arruamentos), haverá a necessidade de
supressão de vegetação nativa do bioma Mata Atlântica. Os estudos de inventário florestal e
classificação da fitofisionomia elaborados e apresentados ao Município pela equipe técnica do
empreendedor, classificaram a vegetação nativa da totalidade da gleba (propriedade “Vivendas”)
da seguinte forma:
• 2,0 hectares de vegetação nativa de fitofisionomia ombrófila em estágio secundário médio
de regeneração, estando compreendido neste montante, 1,0 hectare da área de Reserva
Legal original;
• 1,0 hectare de vegetação nativa de fitofisionomia de restinga em estágio secundário
avançado de regeneração, não identificada como estabilizadora de mangue;
• 2,0 hectares de vegetação nativa de fitofisionomia ombrófila em estágio secundário
avançado de regeneração, estando compreendido neste montante, 1,0 hectare da área de
Reserva Legal original;
• 1,0 hectare de vegetação nativa de mangue;
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CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE VAGAS NO CARGO DE PROMOTOR DE
JUSTIÇA SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA – Resolução nº 142/2017