Módulo 1 | Educação na antiguidade clássica e medieval
Faculdade Ari de Sá
Educação a distância
História da Educação
Módulo 2 - Educação na Idade Moderna
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Módulo Educação na Idade Moderna
Objetivos
• Identificar as características do pensamento moderno e suas
implicações na pedagogia.
• Analisar a contribuição da Reforma Protestante para a educação.
• Reconhecer a importância da educação humanista de Montaigne.
• Conhecer a influência do iluminismo na educação.
Sumário
1. IDADE MODERNA
2. AS CONTRIBUIÇÕES DA REFORMA PROTESTANTE
PARA A EDUCAÇÃO
3. A FILOSOFIA DE MONTAIGNE E A EDUCAÇÃO
4. A INFLUÊNCIA DO ILUMINISMO NA EDUCAÇÃO
Apresentação
Olá, aluno (a)! Seja bem-vindo (a) ao módulo II com os estudos da
Educação Moderna, considerado um período compreendido entre
os séculos XV e XVIII, quando surgiu o Renascimento e o movimento
conhecido como Humanismo.
Você também poderá identificar as características do pensamento
moderno e suas implicações na educação, ao analisar os aspectos
da Reforma Protestante em oposição aos dogmas da Igreja Católica e
reconhecer a importância do pensamento humanista para a educação, a
produção do conhecimento e o desenvolvimento da ciência.
Aprenda algo novo todos os dias para compreender melhor o mundo, as
pessoas e, acima de tudo, para conhecer a si mesmo. É a sua dedicação
hoje que vai determinar seu sucesso amanhã.
Estude, evolua, invista em você!
Bons estudos!
Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
1. Idade Moderna
1.1 O que é a Idade Moderna
Quando nos referimos à Idade Moderna, não pense que estamos nos
reportando ao momento atual no qual estamos vivendo, mas sim a um
período da história ocidental que corresponde entre os anos de 1453,
com a tomada de Constantinopla pelo Império Otomano, e 1789,
início da Revolução Francesa. Essa época é também conhecida como a
Modernidade.
Saiba mais
O que é a Idade Moderna?
Idade Moderna é o período compreendido entre a
Idade Média e a Idade Contemporânea. Foi nesse
período que surgiram as bases sociais e econômicas
da sociedade atual.
Idade Moderna foi uma das formas encontradas pelos
historiadores para se dividir a história da humanidade.
Seu recorte temporal inicia-se com a queda do Império
Bizantino e a tomada da cidade de Constantinopla
pelo Império Turco-Otomano, em 1453.
Seu recorte final está delimitado com a Revolução Francesa, em 1789.
Essa divisão é pautada na perspectiva histórica europeia, já que os marcos
divisórios referem-se indireta ou diretamente a fatos importantes para os
europeus. A tomada de Constantinopla pelos turcos pôs fim ao Império
Bizantino – herdeiro direto do Império Romano da Antiguidade e surgido
onde hoje é a Itália – e representou o fim de uma longa era. A concepção de
uma Idade Moderna era também uma ruptura com o que foi considerado
como uma Idade Média da História. Média, nesse sentido, era o período
entre a Antiguidade e a Idade Moderna. A própria divisão histórica como
conhecemos (Idades Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea) surge
nesse momento da História europeia.
O que é a Idade Média? Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 22 dez. 2020.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
1.2 Características da Idade Moderna
Vale ressaltar que a idade moderna tem como característica marcante uma
forma de pensamento, com uma visão de mundo voltada para o aspecto
racional e científico, pautada pelo antropocentrismo, que considera o
Homem o centro do cosmos, das ações, da expressão cultural, histórica e
filosófica, ou seja, o olhar humano passou a ser centrado na terra e não
mais no céu (RIBEIRO, 2018).
Nesse contexto, aspectos da cultura greco-romana foram retomados, como
também uma nova imagem de mundo desponta na pintura, arquitetura,
escultura, literatura, música, política e sociedade. “É nesse período que a
educação se torna um fator importante para a propagação do pensamento
moderno e da secularização do saber” (RIBEIRO, 2018, p.52).
Quadro 1 – Principais características da Idade Moderna
foi um movimento cultural que vigorou entre os séculos XIV e XVI, e influenciou diversos
Renascimento aspectos da sociedade europeia, se constituindo como grande precursor da Modernidade.
cultural Entre suas principais características, podemos mencionar o humanismo, o racionalismo, o
desenvolvimento cultural e científico.
Renascimento o renascimento cultural foi acompanhado por um intenso renascimento comercial,
comercial possibilitado pela reconquista de antigas rotas comerciais no Oriente e no Mar Mediterrâneo,
o que possibilitou o surgimento da burguesia, classe social ligada à atividade comercial.
com as revoltas camponesas e o renascimento comercial, o feudalismo, antigo modelo de
Centralização do organização social, entrou em crise.
poder político Os senhores feudais perderam gradualmente seu poder, que se concentrou na mão dos
reis, o que culminou com a formação dos Estados Modernos.
no aspecto religioso, a ascensão do Humanismo, entre outros fatores, teve impacto nas
Reformas críticas à Igreja Católica, que culminaram com a Reforma Protestante no século XVI. A Igreja
religiosas Romana, por sua vez, promoveu a Contrarreforma para evitar perder o poder que havia
acumulado durante a Idade Média.
com a centralização política e a criação dos Estados Modernos, os reis passaram a financiar
Expansão e incentivar grandes expedições marítimas que tinham por objetivo promover o comércio
marítima com a região das Índias. Posteriormente, essas expedições tiveram outros objetivos, e
culminaram com o estabelecimento de colônias europeias no continente americano.
Colonialismo depois do estabelecimento de colônias na América, os países europeus passaram a basear
grande parte de sua economia na exploração colonial.
Fonte: adaptado de SPINACE, Otávio. Idade Moderna. 2018.
Disponível em: [Link] Acesso em: 22 dez. 2020.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Assim, nesse período, “o progresso intelectual dos séculos XVII e XVIII
floresceu devido a fatores decorrentes dos movimentos econômicos e
culturais da sociedade europeia desde o fim da Idade Média e buscava
superar as contradições do pensamento religioso medieval e legitimar um
saber secularizado” (RIBEIRO, 2018, p.52).
1.3 O Renascimento
O Renascimento surgiu na Itália no século XIV e se estendeu até o século XVII
por toda a Europa, caracterizado como um movimento cultural, econômico e
político que reformulou a vida medieval, e deu início à Idade Moderna. Nesse
sentido, o Renascimento foi uma visão de mundo estimulada pela ascensão
da burguesia, pela intensificação do comércio e pelo desenvolvimento do
racionalismo e do individualismo (RIBEIRO, 2018).
Quadro 2 - Cinco características marcantes da cultura renascentista
Racionalismo a razão era o único caminho para se chegar ao
conhecimento, e que tudo podia ser explicado pela razão
e pela ciência.
Cientificismo para eles, todo conhecimento deveria ser demonstrado
através da experiência científica.
Individualismo o ser humano buscava afirmar a sua própria personalidade,
mostrar seus talentos, atingir a fama e satisfazer suas
ambições, através da concepção de que o direito individual
estava acima do direito coletivo.
Antropocentrismo colocando o homem como a suprema criação de Deus e
como centro do universo.
Classicismo os artistas buscam sua inspiração na Antiguidade Clássica
greco-romana para fazer suas obras.
Fonte: Adaptado de BEZERRA, Juliana. Renascimento: Características e Contexto Histórico.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 22 dez. 2020.
Leonardo da Vinci contribuiu para o cenário científico do Renascimento,
sua pintura Monalisa de Da Vinci é um dos exemplos mais famosos do
Renascimento. Da Vinci foi matemático, físico, anatomista, inventor,
arquiteto, escultor e pintor, ele foi o estereótipo do homem renascentista
que domina várias ciências. Por isso, é considerado um gênio absoluto
(RIBEIRO, 2018).
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Além da Mona Lisa e A Última Ceia que são suas obras primas, outros
projetos de Da Vinci demonstram a capacidade intelectual dos estudiosos
da época, incentivados pelo novo modelo cultural que surgia. Da Vinci foi
o primeiro a idealizar vários objetos, dentre eles o paraquedas, o aparelho
de mergulho, a asa-delta e os aparelhos de escavação (RIBEIRO, 2018).
Saiba mais
Mona Lisa (ou La Gioconda) é uma famosíssima obra
de arte feita pelo italiano Leonardo da Vinci.
O quadro, no qual foi utilizada a técnica do sfumato,
retrata a figura de uma mulher com um sorriso tímido
e uma expressão introspectiva.
Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 22 de dez. de 2020.
Outra obra de Da Vinci conhecida e muito importante é o desenho do
“Homem Vitruviano”, baseado em uma famosa passagem do arquiteto
romano Vitrúvio, na sua série de 10 livros intitulados De Architectura, em que
ele descreve as proporções do corpo humano masculino (RIBEIRO, 2018).
Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci
O Renascimento também foi marcado por importantes descobertas
científicas, notadamente nos campos da astronomia, da física, da medicina,
da matemática e da geografia. No campo da ciência, a principal mudança
foi em relação à teoria geocêntrica, elaborada na Antiguidade e defendida
pela Igreja Católica. Essa teoria defende que a terra estaria imóvel no
universo, e os outros corpos celestes, inclusive o sol, é que giravam em
torno dela. Contudo, Nicolau Copérnico, matemático e astrônomo, foi o
primeiro a questionar essa máxima e propor a Teoria do Heliocentrismo,
na qual estabelece que o sol é o centro imóvel e a Terra gira em torno dele
(RIBEIRO, 2018).
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
1.4 O Renascimento e a Educação
A educação nesse período se interessava apenas em difundir os valores
burgueses e em legitimar o modo de produção capitalista, ou seja, se
organizou a partir de bases naturais não religiosas a fim de se tornar um
instrumento adequado à difusão dos valores da burguesia.
Nesse sentido, diante da nova concepção de ser humano, a educação se
tornou uma fonte de preocupação e até sinônimo de poder e status, e assim,
nessa nova concepção, os nobres e os burgueses é que desejavam ser
educados. Desta forma, surgiram os primeiros colégios aliados a uma nova
imagem da criança, da infância e da família, sendo os primeiros esboços de
uma reflexão pedagógica (ARANHA, 1990 apud RIBEIRO, 2018).
Desta forma, os mais ricos permaneciam sendo educados por seus
preceptores em seus castelos, enquanto a pequena nobreza e a burguesia
passaram a encaminhar seus filhos para às escolas com o intuito de serem
melhor preparados para a política e os negócios. É importante ressaltar
que ordens religiosas mantinham a administração da maioria dessas
escolas. Porém, algumas escolas humanistas foram criadas como resposta
à iniciativa de alguns leigos (ARANHA, 1990 apud RIBEIRO, 2018).
O quadro 3 apresenta um panorama da educação no período renascentista,
com o nascimento dos colégios, a educação leiga, educação religiosa
reformada, reação católica aos colégios jesuítas, a secularização do
pensamento e a pedagogia da contrarreforma.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Quadro 3 - A educação no Renascimento
Nascimento do O aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII, foi um fenômeno paralelo ao
colégio surgimento da nova imagem da infância e da família. As crianças começam finalmente a ser
notadas, a serem vista sob um novo olhar, distinto daquele da Idade Média.
Educação leiga A maioria dos colégios continuava por conta das ordens religiosas, isso significa que nem
sempre os ideais renascentistas eram implantados. Só no século XVII apareceram as primeiras
academias científicas (quando ocorreu o chamado renascimento científico).
Educação A educação torna um importante instrumento para a reforma, uma vez que a grande ênfase
religiosa desse movimento estava no acesso igualitário da leitura e interpretação da Bíblia. Implantação
reformada da escola primária para todos, ainda que houvesse distinção entre a educação que receberia a
classe trabalhadora, que deveria receber educação elementar, enquanto a classe privilegiada
receberia a educação voltada ao ensino médio e superior.
Reação católica Os colégios jesuítas são uma reação à educação reformada. Além disso, exerceram forte
influência não só na concepção da educação na Europa, mas também no Brasil. Inácio de
Loyola vê-se desafiado por essa causa e funda a Companhia de Jesus em 1534, com o apoio
do Papa III em 1540.
A secularização A produção intelectual do Renascimento demonstrava interesse em superar as contradições
do pensamento entre o pensamento religioso medieval e o anseio da secularização da burguesia. Nesse
contexto de crítica à tradição medieval, a educação procurava bases naturais, não-religiosas,
a fim de se tornar instrumento adequado para a difusão de valores burgueses.
A pedagogia da Para os católicos adeptos da contrarreforma, a intenção era estudar os autores greco-romanos,
contrarreforma mas de acordo com um olhar religioso que pudesse adaptá-los às verdades eternas da fé. Por
isso estudavam Platão e Aristóteles sob o viés cristianizado de Santo Agostinho e Santo Tomás.
Fonte: adaptado de ARRAIS, Edilian. A educação no Renascimento: humanismo, Reforma e Contrarreforma.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 22 de dez. de 2020.
Segundo Aranha (1990) apud Ribeiro (2018, p.55), a educação no período
do Renascimento apresentou os seguintes aspectos:
a produção intelectual do Renascimento demonstrou grande interesse em
superar as contradições entre o pensamento religioso medieval e o anseio de
secularização da burguesia. Nesse contexto, a educação assumiu bases naturais
e não religiosas, a fim de se tornar um instrumento adequado à difusão dos
valores da burguesia. Nem sempre alcançado nas escolas, esse pensamento foi
intensificado na obra de vários filósofos e pedagogos. Não há propriamente uma
filosofia da educação como sistema de pensamento coerente e organizado; há
esboços de uma teoria da educação e fragmentos de uma reflexão pedagógica
como parte de uma produção filosófica mais ampla.
No tópico seguinte, será apresentado as contribuições da reforma
protestante para a educação.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
2. As contribuições da reforma protestante para a educação
2.1 A Reforma Protestante e Martinho Lutero
A Reforma Protestante foi um movimento religioso que se voltou contra
ações e regras da Igreja Católica e mudou a história do pensamento
ocidental. O protagonista desse movimento foi o monge católico Martinho
Lutero que no dia 31 de outubro de 1517, fixou na porta da catedral de
Wittenberg, na Alemanha, 95 teses cujo objetivo principal era fomentar
a reforma do catolicismo: no texto, uma série de atividades papais era
questionada: dentre elas, a venda de indulgências pela Igreja Católica
(RIBEIRO, 2018).
O movimento protestante estava diretamente ligado à educação, pois
dentre os princípios da Reforma, estava a obrigação à leitura, bem como
compreensão e interpretação da Bíblia. Nesse sentido, a tradução da bíblia
por Lutero e seus seguidores pretendia que o povo tivesse acesso direto aos
ensinamentos bíblicos sem o intermédio da Igreja Católica (RIBEIRO, 2018).
Assim, para o protestantismo foi fundamental oferecer instrução às
pessoas, uma vez que todos, sem distinção e discriminação, deveriam ler
as Sagradas Escrituras, a fim de buscarem a Deus no texto sagrado.
Importante salientar que o modelo educacional proposto pelos reformadores
era semelhante ao modelo humanístico, baseado na prioridade das
línguas e na centralidade da educação gramatical. Vale ressaltar que o
aprendizado de oficio não era deixado de lado, unindo estudo e trabalho.
Desta forma, foi com os protestantes que as iniciativas de educação dos
pobres conquistaram mais espaço, porque a formação religiosa era mais
liberal e pregava a livre interpretação da Sagradas Escrituras. Segundo
a doutrina protestante, o ato de educar se tornou um dever sagrado e
necessário à vida religiosa e ao convívio em sociedade.
Russo (2012) apud Ribeiro (2018) descreve a concepção de educação
presente nos escritos de Lutero:
Para Lutero, a educação é tarefa igualmente secular e religiosa. Sendo assim,
educar é um dever dos pais e uma responsabilidade do Estado. Aos primeiros,
cabe à educação moral dos filhos, dando-lhes a oportunidade de adquirir
um bem maior, qual seja, a salvação. Negligenciar esse dever seria incorrer
em pecado. Ao Estado, cabe a educação formal, mediante a instauração,
sustentação e o controle da escola pública, gratuita e obrigatória para todos
(RUSSO, 2012, p. 30).
Contudo, a Igreja Católica, frente às críticas apresentadas pela Reforma
Protestante, se ocupou de organizar um movimento de reação chamado
Contrarreforma, com o intuito de punir os responsáveis pelo movimento da
Reforma Protestante (RIBEIRO, 2018).
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Saiba mais
Quem foi Martinho Lutero?
Martinho Lutero foi um monge e teólogo, nascido em
Eisleben, Alemanha, em 10 de novembro de 1483
e falecido em 18 de fevereiro de 1546, na mesma
cidade. Foi o responsável pelo início do movimento da
Reforma Protestante, no século XVI. Lutero era crítico
ao poder da Igreja Católica e ao comportamento equivocado por parte
do clero. Além dele, outros teólogos como Thomas Müntzer, João Calvino
ou Felipe Melanchthon, e políticos como o rei Henrique VIII, criticaram as
ações da Igreja. As ideias de Martinho Lutero se espalharam por vários
territórios do Sacro Império-Germânico, Holanda, Países Escandinavos,
Suíça, Reino Unido e parte da França.
Disponível em: [Link] Acesso em: 22 dez. 2020.
2.2 A Companhia de Jesus e Inácio de Loyola
Dentre as estratégias de reação da Igreja Católica contra a Reforma
Protestante, destacam-se a criação da “Companhia de Jesus” ou ordem
dos Jesuítas, em 1540, e a convocação do “Concílio de Trento”, em 1545,
ambos sob a administração do Papa Paulo III (RIBEIRO, 2018).
O fundador da Companhia de Jesus, em 1534, foi Inácio de Loyola,
militar espanhol que havia sido soldado, fez votos de pobreza, castidade e
dedicação a Deus após ter sido gravemente ferido por um tiro de canhão
em 1521. Como era militar, Inácio de Loyola se baseou no modelo militar
para criar a estrutura da companhia, assim, os jesuítas eram considerados
os “soldados de Jesus” e pretendiam combater as críticas protestantes com
as “armas do espírito”, a catequização e a criação de escolas religiosas
(RIBEIRO, 2018).
A convocação do Concílio de Trento tinha como objetivo garantir a unidade
da fé católica, e assim, nesse sentido, apresentou um documento com um
conjunto de medidas para unir a fé católica e manter a disciplina eclesiástica.
Saiba mais
Sobre o “Papel da Companhia de Jesus na Contrarreforma” no site:
[Link]
[Link]. Acesso em: 24 de dez. de 2020.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
3. A filosofia de Montaigne e a educação
3.1 Quem foi Michel de Montaigne
Filósofo, escritor e humanista francês. É considerado o inventor do
gênero ensaio pessoal quando publicou sua obra Ensaios, em 1580. Foi
influenciado por diversas correntes filosóficas, sobretudo pelo humanismo
renascentista, que estava inspirado no antropocentrismo (homem como
centro do mundo).
3.2 Montaigne e a Educação
Na visão de Montaigne, o ensino deveria estar atrelado ao empirismo, ou seja,
por meio de experiências práticas. Nessa concepção, a educação deveria criar
seres humanos voltados à investigação e conclusões, enquanto exercitavam a
mente, o que resultaria em um posicionamento crítico do indivíduo.
Desta forma, Montaigne criticou o esquema de memorização e o mero
uso dos livros no Renascimento, pois considerava uma cultura livresca na
qual os estudantes não vivenciavam a prática de solucionar temas de suma
importância ligados ao desenvolvimento humano e à moral. Assim, para
Montaigne, a finalidade da educação reside na preparação de um espírito
ágil e crítico, valores considerados por ele fundamentais na formação do
homem gentil e burguês da Idade Moderna.
Para Montaigne, o ser humano não nasce pronto, mas segue se formando
ao longo da vida, é por meio da educação que uma criança será bem
formada, sensata, forte fisicamente, que pensa por si mesma e que anseia
conhecimento e bem viver. Para isso, sendo fundamental o apoio dos pais
e dos preceptores.
Nesse sentido, a educação era a boa formação do pensamento, que
tornaria a criança um ser melhor, e não um mero erudito, como também
a instrução, de forma prática, deveria educar para a vida, assim como
entender o sentido e a substância das lições.
4. A influência do Iluminismo na educação
O século XVIII foi marcado por inúmeras transformações como a
Revolução Industrial, a Revolução Francesa e por um dos mais importantes
movimentos filosóficos: o Iluminismo. Nesse período, o iluminismo foi
movimento intelectual europeu que surgiu na França no século XVII, tendo
como principal característica defender o uso da razão sobre o da fé para
entender e solucionar os problemas da sociedade.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Os pensadores iluministas acreditavam no pensamento racional e
combatiam a visão teocêntrica e suas explicações religiosas para a origem
e os sentidos do mundo.
O nome Iluminismo se explica porque os filósofos da época acreditavam
estar iluminando as mentes das pessoas. É, de certo modo, um pensamento
herdeiro da tradição do Renascimento e do Humanismo por defender a
valorização do Homem e da Razão. Os iluministas acreditavam que a Razão
seria a explicação para todas as coisas no universo e se contrapunham à fé.
As ideias iluministas foram tão populares no século XVIII que este ficou
conhecido como “Século das Luzes”. Nesse sentido, o iluminismo rejeitava
a herança medieval e, por isso, passaram a chamar este período de “Idade
das Trevas”. Foram esses pensadores que inventaram a ideia que nada de
bom havia acontecido nesta época.
4.1 Os precursores do Iluminismo e a educação
4.1.1 René Descartes
Os estudos de Descartes contribuíram muito para a educação, embora
suas obras não tratassem especificamente desse tema. Contudo, seu
posicionamento de dúvida sobre a vida e o mundo foram imensamente
importantes para a educação, principalmente a educação de cunho
humanista e emancipatório. Sua obra “O discurso do método”, por
exemplo, foi largamente utilizada no desenvolvimento de diversos
ramos da ciência.
Descartes buscava encontrar um método de análise que pudesse
explicar o mundo à sua volta. Possivelmente, essa inquietação foi sua
principal contribuição à educação contemporânea. Para ele, os estudos
devem servir à felicidade do indivíduo, à saúde e ao cultivo do espírito.
Para isso, deve se orientar pela busca da verdade. Assim, o aprender
se faz necessário ao homem para que possa agir na sociedade, sem
preconceitos e sem cometer injustiças.
4.1.2 Francis Bacon
Francis Bacon foi outro pensador iluminista que merece destaque
na história da educação. Bacon foi um filósofo renascentista que
apresentou uma visão filosófica voltada ao rigor científico, cujo
significado foi profundo à educação.
Bacon pode ser considerado o legítimo filósofo moderno, pois seu
pensamento e racionalidade questionam os saberes produzidos pela
filosofia escolástica e apresentam uma mudança na concepção do
Estado, da educação a da própria escolarização.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
O pensamento de Bacon foi imprescindível à educação, uma vez que
seu pensamento estaria voltado para um método de observação dos
fatos naturais e concretos da realidade calcado na ciência e não no
senso comum ou em crenças.
4.1.3 John Locke
John Locke, filosofo inglês, também foi relevante para a história da
educação, mesmo não escrevendo especificamente sobre educação,
seus escritos são constituídos de cartas endereçadas a uma parenta,
nas quais oferece algumas orientações de como deve ser a educação
dos meninos.
Locke manifestava uma herança dos preceitos gregos de educação para
o corpo e a mente. Assim, acreditava que o homem deve ser educado
em sua completude, em todas as dimensões da vida humana, sua
concepção de educação prevê uma ação formativa que venha dar conta
tanto do corpo como da mente, pois, corpo e mente seria a unidade
constitutiva da natureza humana na qual incidirá o processo educativo.
Com base nessa ideia, a formação humana seria resultado da interação
entre a experiência e as virtudes de cada ser ou, ainda, ao que cada ser
esteve exposto ao longo da vida. No pensamento de Locke, a infância
seria o momento ideal para a criança aprender as virtudes necessárias
para a vida em sociedade.
4.1.4 Isaac Newton
Com base no viés iluminista na educação, são fundamentais as
contribuições que Isaac Newton proporcionou ao fazer pedagógico
e à produção do conhecimento científico. Foram justamente os
estudos de Newton e a pertinência de seus temas que proporcionaram
o desenvolvimento das ciências e da pesquisa a partir de questões
racionais também na educação.
Quadro 4 – Outros Filósofos Iluministas
Montesquieu foi um dos mais importantes filósofos e pensadores do iluminismo francês, ao lado de
(1689-1755) Voltaire e Rousseau. Considerado um dos criadores da “Filosofia da História”, sendo
sua maior contribuição teórica a separação dos poderes estatais, sistematizados em
três tipos: executivo, legislativo e judiciário.
Voltaire foi um destacado filósofo, historiador e pensador do Iluminismo francês, além de ter
(1694-1778) desenvolvido trabalhos como dramaturgo, poeta e ensaísta.
Diderot foi um filósofo, escritor e enciclopedista francês e uma das mais proeminentes
(1713-1784) figuras do Iluminismo. Consagrou-se como um grande escritor e fez da literatura
o seu ofício, o que valeu uma vasta produção literária. Apesar de sua iniciação
religiosa, foi um ateu materialista e um dos precursores da filosofia anarquista.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Rousseau foi um destacado filósofo social e escritor suíço. O mais radical e popular dos
(1712-1778) filósofos que participaram do movimento intelectual do século XVIII – o Iluminismo.
Sua obra principal, “O Contrato Social”, serviu de verdadeiro catecismo para a
Revolução Francesa e exerceu grande influência no chamado liberalismo político.
Adam Smith foi um economista e filósofo social do iluminismo escocês e é considerado o Pai
(1723-1790) da Economia Moderna. Abordou questões como o crescimento econômico, ética,
educação, divisão do trabalho, livre concorrência, evolução social etc.
Fonte: Autoria própria (2020)
Para refletir
Para refletir sobre as bases da formação do pensamento moderno, suas
implicações na educação, na organização do conhecimento e na produção
cultural desse período é necessário compreender o contexto histórico
em que ocorreram essas mudanças de pensamento, suas motivações e,
principalmente, suas consequências para a organização da sociedade e
do conhecimento.
Resumindo
A Idade Moderna é constituída no período da história ocidental que
corresponde entre os anos de 1453, com a tomada de Constantinopla pelo
Império Otomano, e 1789, início da Revolução Francesa. É caracterizada
por uma forma de pensamento, com uma visão de mundo, voltada para
o aspecto racional e científico, pautada pelo antropocentrismo, que
considera o Homem o centro do cosmos.
O Renascimento surgiu na Itália, no século XIV, e se estendeu até o século
XVII por toda a Europa, caracterizado como um movimento cultural,
econômico e político que reformulou a vida medieval, e deu início à
Idade Moderna. Nesse sentido, o Renascimento foi uma visão de mundo
estimulada pela ascensão da burguesia, pela intensificação do comércio e
pelo desenvolvimento do racionalismo e do individualismo.
A Reforma Protestante foi um movimento religioso que se voltou contra
ações e regras da Igreja Católica e mudou a história do pensamento
ocidental. O protagonista desse movimento foi o monge católico Martinho
Lutero. Dentre as estratégias de reação da Igreja Católica contra a Reforma
Protestante, destacam-se a criação da “Companhia de Jesus” ou ordem
dos Jesuítas, em 1540, e a convocação do “Concílio de Trento”, em 1545,
ambos sob a administração do Papa Paulo III.
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Módulo 2 | Educação na Idade Moderna
Michel de Montaigne, filósofo, escritor e humanista francês, postulava
que o ensino deveria estar atrelado ao empirismo, ou seja, por meio de
experiências práticas.
O iluminismo foi movimento intelectual europeu que surgiu na França no
século XVII, tendo como principal característica defender o uso da razão
sobre a fé para entender e solucionar os problemas da sociedade. Os
precursores do Iluminismo foram René Descartes, Francis Bacon, John
Locke, Isaac Newton, dentre outros filósofos como Montesquieu, Voltaire ,
Diderot, Rousseau e Adam Smith.
Referências
R.M.E.D.S. E. História da educação. Grupo A, 2018. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 26 dez. 2020.
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Módulo 3 | A educação nos séculos XX e XXI: o liberalismo e o neoliberalismo.
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