1.
EI03EO01 – Identificar e nomear sentimentos e emoções
próprias e alheias.
2. EI03EO03 – Demonstrar empatia pelos outros, percebendo e
respeitando as diferenças individuais.
3. EI03EO04 – Identificar regras de convívio e expressar a
importância de seu cumprimento.
4. EI04EO01 – Expressar pensamentos, sentimentos,
necessidades e dúvidas de forma clara e respeitosa.
5. EI04EO02 – Resolver conflitos por meio do diálogo, buscando
soluções pacíficas e respeitando opiniões diferentes.
6. EI05EO02 – Refletir sobre valores éticos e morais e aplicá-los
em situações cotidianas.
7. EI05EO03 – Participar ativamente de ações coletivas,
respeitando as diferenças individuais e valorizando a
cooperação.
OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE
Produções Didático-Pedagógicas
A violência no Brasil é um fenômeno social que cresceu de forma
significativa a partir da segunda metade do século XX. As causas da
violência são de natureza estrutural e sistêmica, tendo como
exemplos as profundas desigualdades socioeconômicas, a falta de
oportunidades à população mais pobre e a ausência ou inadequação
das políticas públicas sociais e de segurança promovidas pelo Estado.
Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram
que o Brasil responde por 20,4% dos casos de homicídio no mundo,
sendo importante ressaltar que a parcela da população mundial que o
país representa é dez vezes menor do que esse valor, o que torna
ainda mais explícita a gravidade do problema da violência na
sociedade brasileira.
Saiba mais: Fome no Brasil — outro grave problema enfrentado pela
população
Resumo sobre violência no Brasil
As causas para a violência no Brasil possuem natureza
estrutural e sistêmica. São exemplos as profundas
desigualdades sociais, a falta de oportunidades para as
camadas mais pobres da população, a ausência e a negligência
do Estado, o sistema judiciário falho, o aumento da circulação
de armas e o tráfico de drogas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define três tipos de
violência: autoinfligida, interpessoal e comunitária.
Dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública
(FBSP) mostram um aumento significativo da violência no Brasil
entre os anos de 2020 e 2021, apesar da queda da taxa de
homicídios.
As cidades mais violentas do Brasil ficam nas regiões Norte e
Nordeste do país Entre as 30 principais cidades, 10 ficam na
região da Amazônia, de acordo com dados do FBSP.
Perda na qualidade de vida, prejuízo econômico a comerciantes
e donos de imóveis, aumento das despesas com saúde e
segurança pública e transformações a longo prazo no perfil da
população são algumas das consequências da violência no
Brasil.
Causas da violência no Brasil
A violência pode ser definida como um fenômeno social e estrutural
cujas principais causas estão relacionadas a questões
socioeconômicas e históricas, à ausência ou negligência do
Estado no que diz respeito à asseguração dos direitos básicos e
fundamentais da população e também às lacunas e falhas no
sistema judiciário, as quais, muitas vezes, reforçam preconceitos
étnicos e de renda e deixam impunes atos graves de violência.
Tendo esses aspectos em vista, a violência pode ser descrita também
como um problema sistêmico. São essas as bases que nos auxiliam
na compreensão dos motivos pelos quais esse problema se perpetua
no Brasil.
É importante ressaltar que a violência no Brasil está associada,
principalmente, à forma como o território e a sociedade brasileira
foram constituídos historicamente. Esse processo teve início com a
chegada dos colonizadores europeus e a tomada das terras
pertencentes à população indígena.
A violência imposta pelos recém-chegados colonizadores, que eram,
então, os principais agentes de poder no Brasil Colônia, se estendeu
para a escravização da população nativa brasileira e também de
povos africanos que eram trazidos à força de seus países de origem.
Nota-se, ainda, a imposição de crenças e das tradições culturais
europeias tanto aos indígenas quanto aos africanos, que constituem
uma das várias formas de violência cometidas nesse período da
história.
Após a abolição da escravidão, que aconteceu somente em 1888,
revelou-se uma nova camada da violência estrutural perpetuada no
país. As populações africanas e seus descendentes brasileiros não
receberam nenhum amparo do Estado para darem início a uma vida
digna e, na ausência de condições financeiras adequadas, visto que
não tinham acesso à renda ou a um trabalho remunerado, ocuparam
as áreas mais distantes dos centros urbanos, onde a infraestrutura
básica era inexistente. Constituíram-se, assim, as favelas.
Essas áreas foram gradualmente sendo habitadas pelas camadas
mais pobres da população brasileira, evidenciando a profunda
desigualdade socioeconômica característica do país. Um relatório do
Laboratório das Desigualdades Mundiais, divulgado em 2021, revelou
que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, de modo que
os 10% mais ricos recebem quase 60% de toda a renda nacional,
enquanto a metade da população mais pobre acumula apenas 0,4%
dessa renda. |1|
A ampliação da pobreza e a falta de emprego e de oportunidades são
aspectos que levam ao aumento da violência no Brasil, intensificados
pela ausência do Estado na assistência à população de mais baixa
renda e na elaboração de políticas públicas voltadas à garantia de
uma melhor qualidade de vida, com acesso à educação, aos sistemas
básicos de saúde e à infraestrutura urbana.
Além disso, a violência no Brasil está associada também ao tráfico de
drogas e à maior circulação de armas de fogo, que, de acordo com
dados do Atlas da Violência do Ipea, ocasionaram 30.825 mortes no
país em 2019.
Quais são os tipos de violência?
A definição e categorização mais utilizada no que se refere à violência
é a elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que
determina três tipos de violência:
Violência autoinfligida: a violência cometida pelo indivíduo
contra si próprio. São exemplos de violência autoinfligida a
automutilação e o suicídio.
Violência interpessoal: a violência cometida por um ou mais
indivíduos contra outro(s) indivíduo(s), podendo ele(s) ser parte
ou não do mesmo círculo social do(s) agressor(es). Em caso de
não pertencimento, chama-se a violência de comunitária. São
exemplos de violência interpessoal a violência contra a mulher,
o feminicídio, o abuso infantil, o abuso ao idoso, os homicídios e
os latrocínios.
Violência comunitária: a violência cometida por grupos
políticos, sociais ou econômicos. São exemplos de violência
comunitária as formas de atuação das facções criminosas e os
crimes de ódio direcionados a determinados grupos.
Dados da violência no Brasil
A violência no Brasil é um fenômeno que se intensificou a partir da
segunda metade do século XX, com a ampliação das áreas
urbanas no país e o início do que chamamos de macrocefalia
urbana (ou inchaço das cidades).
Os índices apontados pela OMS sobre a violência no Brasil indicam
que, no início dos anos 2000, o total de homicídios era de 32,3 para
cada 100 mil habitantes. Ao longo dos anos, observou-se uma
pequena queda nesse valor, que passou para 31,1 em 2010. No
entanto, em 2019, o total de homicídios era de 32,6 homicídios
para cada 100 mil habitantes
Segundo a organização, esse tipo de violência acomete
principalmente os homens e a parcela mais jovem da
população brasileira, na faixa etária entre os 15 e 29 anos de
idade.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, por sua vez, é uma
organização não-governamental brasileira que publica o Anuário
Brasileiro de Segurança Pública, documento que expõe um retrato
dos diferentes tipos de violência registrados no país com base em
dados obtidos por meio de fontes oficiais de Segurança Pública, como
as secretarias de segurança estaduais e as polícias. Abaixo
apresentamos os principais dados divulgados no anuário mais
recente do FBSP.
O Brasil registra 20,4% de todos os homicídios que acontecem
no mundo, apesar de sua população representar somente 2,7%
da população mundial.
Houve, em 2021, uma redução das mortes intencionais no
Brasil. A taxa de homicídio foi de 22,3 para cada 100 mil
habitantes, experimentando queda de 6,5% com relação ao ano
anterior.
76% dos homicídios registrados foram causados por armas de
fogo.
Os maiores índices estaduais de homicídio são registrados nas
regiões Norte e Nordeste do país, mais precisamente nos
estados do Amapá, da Bahia, do Amazonas, do Ceará e de
Roraima.
Houve um crescimento no número de roubos no Brasil,
especialmente a instituições financeiras e a estabelecimentos
comerciais.
A taxa de letalidade policial (2,9 para cada 100 mil habitantes)
é maior para a população negra, que corresponde a 84,1% das
vítimas desse tipo de violência.
A violência sexual aumentou 4,2% entre 2020 e 2021, com
registro de 66.020 casos de estupro.
Também foi maior a violência contra a mulher, como a agressão
doméstica e as ameaças. Os chamados para a polícia
aumentaram em 4%, e mais de 370 mil medidas de proteção
foram concedidas.
Os casos de racismo aumentaram 31% entre 2020 e 2021.
A violência contra a população LGBTQIA+ aumentou de forma
alarmante entre os anos de 2020 e 2021. Os registros de
estupro cresceram 88,4%, as agressões aumentaram em 35,2%
e os casos de homicídios cresceram em 7,2%.
Saiba também: Pobreza no Brasil — outro problema relacionado à
histórica e crescente desigualdade social
Cidades mais violentas no Brasil
As cidades mais violentas do Brasil podem ser identificadas a
partir das taxas de mortes intencionais que são nelas
registradas. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança
Pública de 2022, as cidades com maior índice de violência estão
localizadas na região Norte e na região Nordeste do país. Das trinta
cidades mapeadas no documento, ao menos dez cidades ficam na
região da Amazônia. Confira abaixo uma lista com as dez cidades
mais violentas do Brasil.
Quais são as consequências da
violência no Brasil?
A violência implica consequências diversas no Brasil, em especial
para a população do país. Um dos principais efeitos desse fenômeno é
a diminuição da qualidade de vida das pessoas, principalmente
nos centros urbanos e nas áreas de maior risco, que passam a
conviver com a sensação constante de insegurança e de medo.
Pensando ainda em como a violência afeta a dinâmica dos espaços,
tanto urbanos quanto rurais, há perdas econômicas para
comerciantes e proprietários de imóveis em áreas com altos
índices de violência.
Os impactos econômicos são sentidos também nas finanças públicas
municipais, estaduais e federais, pois há um aumento das
despesas com segurança pública como resposta à ampliação dos
índices de violência no Brasil, o que não necessariamente implica
uma diminuição das ocorrências de crimes.
Junto a esse aumento, também ocorre um crescimento nas
demandas no setor da saúde. Outro ramo da economia afetado é
o dos investimentos privados, tanto nacionais quanto internacionais,
que passam a ser menores à medida que a violência aumenta.
A composição demográfica da população também sofre
modificações com a acentuação da violência. Como os jovens e os
negros são os dois grupos mais acometidos por diferentes atos
violentos no país, como os homicídios, a médio e longo prazo,
mantidas as atuais tendências de estagnação do crescimento da
população brasileira, a violência pode imputar mudanças no perfil
dessa população.
Violência no Brasil
A violência no Brasil é um fenômeno comportamental de
agressividade complexo que envolve as bases históricas do
País e que atinge todas as camadas da sociedade.
O Brasil ocupa a 10.ª posição no ranking dos cem países que mais
matam por armas de fogo, conforme dados da OMS (Organização
Mundial de Saúde) divulgados em 2014.
A posse de armas de fogo é fator determinante para a ocorrência da
maior parte da violência registrada no País.
Tipos de Violência
As armas de fogo são caracterizadas como o instrumento para a
prática de todo tipo de violência registrada no País. Entre as formas
que mais fazem vítimas estão:
Feminicídio
O termo feminicídio foi reconhecido no Brasil a partir de março de
2015, como o mais adequado para especificar as mortes violentas de
mulheres. A Lei Federal n.º 13.104 especifica o assassinato da mulher
pela simples condição de ser mulher como crime hediondo.
Entre 2001 e 2011, 50 mil mulheres foram assassinadas no País, de
acordo com dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada).
As mortes violentas de mulheres são caracterizadas como o resultado
da exposição à violência doméstica. Para esses casos, a Lei Maria da
Penha enquadra criminosos com penas específicas para condenar a
violência de gênero.
Estupro
O Brasil registra 50 mil estupros por ano, conforme o Fórum Brasileiro
de Segurança Pública. As vítimas são de todas as idades e de ambos
os sexos. A maior parte, porém, é do sexo feminino. O Ipea aponta
que a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no País.
Esse tipo de violência está entre os que mais geram gastos no SUS
(Sistema Único de Saúde). Segundo o Ministério da Saúde, a cada
quatro minutos, uma mulher dá entrada no SUS vítima de violência
sexual.
Leia mais sobre a Lei Maria da Penha.
Racismo
A intolerância racial é apontada como motivadora do aumento da
violência, principalmente, contra os negros no Brasil.
De acordo com o Mapa da Violência, enquanto os homicídios contra
brancos caíram 27% entre 2003 e 2014, o mesmo tipo de crime
praticado contra negros cresceu 9,9% no período.
Leia mais em: Racismo no Brasil.
Violência Policial
A polícia brasileira é apontada como uma das mais violentas do
mundo, conforme dados da ONU (Organização das Nações Unidas).
Somente no Estado de São Paulo são registradas ao menos mil
mortes por ano cometidas pela Polícia Militar, segundo a Anistia
Internacional.
Violência Contra Homossexuais
Em 2015, 318 homossexuais foram assassinados no Brasil, segundo a
Ong Grupo Gay da Bahia. A maior parte das vítimas é do sexo
masculino, correspondendo a 52% dos assassinatos.
Abuso Infantil
Todos os anos, ao menos 91,3 mil crianças e adolescentes têm seus
direitos violados no Brasil. A estimativa é da Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República. A negligência é o crime mais
registrado, correspondendo a 74% dos casos.
Em seguida, estão a violência psicológica, 49%; violência física, 43%;
e violência sexual, 25%. Os principais violadores são pessoas da
própria família, como pais, padrastos, irmãos, mães, tios e avós.
Violência no Trânsito
Os acidentes de trânsito também são considerados pela OMS uma
forma de violência e são elevados à categoria de epidemia.
Isso ocorre porque a maioria dos acidentes é evitável, causada por
abuso de álcool na estrada e desrespeito às regras de circulação de
trânsito.
O Brasil registra, em média, 42 mil mortes por acidentes de trânsito
todos os anos, segundo o Ministério da Saúde. A epidemia de
acidentes de trânsito gera em torno de R$ 230 milhões de gastos com
o SUS e R$ 30 bilhões de prejuízos para o PIB (Produto Interno Bruto).
O prejuízo econômico ocorre porque a maioria das vítimas é formada
por homens jovens em plena capacidade produtiva. Quando não
morrem, ficam temporariamente ou permanentemente incapacitados
e passam a depender da Previdência Social.
Violência no Campo
As disputas pela posse de terras são um dos fatores que mais matam
no Brasil. A maioria das vítimas é indígena. Todos os anos, ao menos
130 indígenas são assassinados no País, conforme dados do Cimi
(Conselho Indigenista Missionário).
O elevado número de mortes de indígenas levou a ONU a emitir um
alerta para o governo brasileiro no primeiro semestre de 2016. A
entidade cobrava a demarcação de terras para findar com as
históricas disputas de territórios.
Narcotráfico
O Brasil é o principal corredor de passagem de drogas para a América
do Norte e Europa Central, conforme o UNODC (Escritório das Nações
Unidas sobre Drogas e Crimes). Esse tipo de crime representa 70%
das prisões no País e aumenta o nível de insegurança.
Facções criminosas controlam a maioria das 11 milhões de favelas no
País. Além dos traficantes, as favelas são alvo de milícias formadas
por policiais corruptos.
Consulte também: Narcotráfico e Favelização no Brasil.
Roubos e Assaltos
Segundo o Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança
Pública, Prisionais e sobre Drogas), a média anual de mortes em
assaltos com o uso de armas de fogo chega a 1,7 mil no Brasil.
São Paulo é o estado que apresenta o maior número de casos de
latrocínios (assalto à mão armada).
Em 2014 foi registrado que um carro era roubado a cada 2 minutos e
meio no Brasil, o que resulta num total de 210 mil carros roubados no
ano.
Principais Causas
Corrupção
Clientelismo político
Desigualdades sociais
Baixo investimento em educação e saúde
Desemprego