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Sem Prejuízo de-WPS Office

As Parcerias Público-Privadas (PPP) em Moçambique, regulamentadas pela Lei 15/2011, visam financiar infraestruturas públicas com a participação do setor privado. A lei define as PPP como empreendimentos que garantem a prestação de serviços públicos, permitindo ao Estado reduzir custos e obter eficiência na gestão. Os contratos de concessão, que podem ter prazos de até 30 anos, são a modalidade mais comum, e a alocação de riscos entre as partes é um princípio fundamental para o sucesso das PPP.

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As Parcerias Público-Privadas (PPP) em Moçambique, regulamentadas pela Lei 15/2011, visam financiar infraestruturas públicas com a participação do setor privado. A lei define as PPP como empreendimentos que garantem a prestação de serviços públicos, permitindo ao Estado reduzir custos e obter eficiência na gestão. Os contratos de concessão, que podem ter prazos de até 30 anos, são a modalidade mais comum, e a alocação de riscos entre as partes é um princípio fundamental para o sucesso das PPP.

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sem prejuízo de a Lei das Parcerias Público-Privadas (“PPP”) ter sido aprovada pela Assembleia da

Républica em 2011 - Lei 15/2011, de 10 de agosto - e regulamentada por Decreto em 2012 (decreto
16/2012, de 4 de julho), as PPP são uma realidade em Moçambique há bastante mais tempo, em
especial no sector dos portos e ferrovias. As PPP destacam-se atualmente como um mecanismo a que os
governos recorrem para financiar a realização de infraestruturas públicas, e Moçambique não é exceção.

A lei moçambicana define as PPP como um “Empreendimento” levado a cabo em áreas de domínio
público ou de prestação de serviço público, no qual, mediante contrato e sob financiamento total ou
parcial do parceiro privado, este obriga-se a realizar o investimento necessário e explorar a respetiva
atividade/prestar serviços ou bens, cuja garantia de disponibilidade aos utentes compete ao Estado.

A finalidade principal é a valorização económica dos bens patrimoniais e outros recursos nacionais
integrados nesse “Empreendimento” e/ou a provisão eficiente, qualitativa e quantitativa de serviços e
bens públicos aos utentes.

A lógica é, portanto, recorrer ao financiamento e investimento de um parceiro privado para assegurar a


satisfação de necessidades coletivas em infraestruturas públicas, como portos, estradas, aeroportos,
silos, a produção de eletricidade ou para a prestação e gestão de serviços públicos, como a prestação de
determinados cuidados de saúde, como os serviços de hemodiálise, de imagiologia ou análises clínicas.

A opção pela PPP permite reduzir os custos do Estado e acomodar restrições orçamentais públicas, da
mesma forma que o Estado beneficia da capacitação técnica e tecnológica, bem como da gestão
eficiente do parceiro privado. Associada à eficiência estará o risco, que deve ser alocado à parte que
esteja em melhor condições de o gerir.

Com efeito, as medidas de alocação, mitigação e partilha de risco são um dos princípios orientadores
das PPP, com expressa previsão no modelo pluricontratual que regerá a sua implementação. Sem
prejuízo da autonomia das partes, a lei moçambicana propõe desde logo uma alocação de um conjunto
de riscos “típicos” e que se encontram associados a este tipo de contratação, assegurando a sua correta
aplicação.
Há riscos que, pela sua natureza, são tendencialmente retidos no parceiro público, como o risco
legislativo, o risco político, o risco de conflito de interesses de natureza institucional e o risco de
concessão da terra e há outros riscos que tendem a ser transferidos para o parceiro privado, como o
risco da procura, da oferta, o risco comercial, financeiro e cambial ou ainda o risco de impacte
ambiental.

Um outro princípio orientador está relacionado com a liberdade e competividade empresarial do


parceiro privado; o facto de haver investimento privado justifica, desde logo, que se permita a
amortização do investimento efetuado. Por esse motivo, a PPP é contrato de duração prolongada, que
deverá assegurar que o parceiro privado tenha liberdade na escolha dos meios necessários para a
gestão da infraestrutura e/ou serviço público, por um período razoável e adequado para que o
investimento possa ter retorno financeiro.

A questão do prazo da PPP estará também diretamente relacionada com o facto de a PPP incidir sobre
empreendimentos de raiz ou sobre empreendimentos já existentes e até operacionais, mas que serão
ou objeto de reabilitação ou de gestão privada.

Tal característica deverá justificar a opção por uma das três modalidades previstas na lei: o contrato de
concessão, o contrato de cessão de exploração ou o contrato de gestão.

De entre estas modalidades, o contrato de concessão (“BOT”, “DBOT”, “BOOT”, “DBOOT”, “ROT” e
“ROO”) tende a ser o modelo mais típico e com um período de vida mais dilatado no tempo. A lei prevê
que os contratos de concessão de empreendimentos de raiz possam ter um prazo de trinta anos,
passível de renovação por mais dez anos.
Se é verdade que o sucesso da PPP assenta, amiúde, na liberdade que é dada ao parceiro privado para a
escolha dos meios necessários para a gestão da infraestrutura e/ou serviço público é essencial que seja
o parceiro público a definir, de antemão, os objetivos que pretende que a PPP acautele.

Por um lado, é fundamental que, em momento anterior ao lançamento da PPP, se realizem


levantamentos e estudos de viabilidade, técnica, económico-financeira e ambiental sobre o objecto da
PPP, o chamado “caso base”, e por outro lado é também importante que, num momento distinto, isto é,
depois de adjudicado o contrato de PPP, estejam definidos mecanismos diversos de controle e de
reporte, que permitam ao parceiro público monitorizar; se necessário intervir e avaliar o sucesso do
modelo implementado.

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