Contemporânea
Contemporary Journal
Vol. 4 N°. 7: p. 01-17, 2024
ISSN: 2447-0961
Artigo
FISIOTERAPIA NA DIÁSTASE DOS MÚSCULOS RETOS
ABDOMINAIS NO PÓS-PARTO: REVISÃO INTEGRATIVA
PHYSIOTHERAPY IN DIASTASIS OF THE RECTUS ABDOMINAL
MUSCLES IN THE POSTPARTUM: INTEGRATIVE REVIEW
FISIOTERAPIA EN DIÁSTASIS DE LOS MÚSCULOS RECTOS
ABDOMINALES EN EL POSPARTO: REVISIÓN INTEGRATIVA
DOI: 10.56083/RCV4N7-124
Receipt of originals: 06/10/2024
Acceptance for publication: 06/28/2024
Ana Clara Moreira de Jesus
Graduada em Fisioterapia
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: anaclaramoreiravalenca@[Link]
Andresa Santos Souza
Graduada em Fisioterapia
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: souzaandresa797@[Link]
Gabrielle Barreto Menezes
Graduanda em Fisioterapia
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: bgabrielle411@[Link]
Jisielle Oliveira dos Santos
Graduanda em Farmácia
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]
1
Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 7, 2024. ISSN: 2447-0961
Luiz André Santos Silva
Mestre em Ciências Fisiológicas
Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: luizandressilva@[Link]
Elisama de Campos Guimarães
Doutora em Ciências Fisiológicas
Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: zamaguimaraes@[Link]
Isabela da Silva Vasconcelos Rodrigues
Doutora em Agricultura e Biodiversidade
Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: [Link]@[Link]
Grace Kelly Melo de Almeida
Doutora em Ciências Fisiológicas
Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Endereço: Aracaju, Sergipe, Brasil
E-mail: gracekellymelo@[Link]
RESUMO: A diástase dos músculos retos abdominais (DMRA) é uma
condição caracterizada pela separação dos músculos que compõem a parede
abdominal, especialmente os músculos retos abdominais. Esta condição é
mais comum em mulheres após a gravidez, causando prolapso abdominal,
fraqueza abdominal, incontinência urinária, problemas posturais, e
desconforto abdominal. A fisioterapia tem um papel importante no
tratamento de indivíduos que têm essa condição para ajudar a fortalecer os
músculos abdominais, melhorar a função e reduzir os sintomas associados.
Objetiva-se com esse estudo avaliar as evidências científicas sobre a atuação
da fisioterapia em pacientes com DMRA pós-parto. Utilizou-se o método de
revisão de literatura acerca da atuação da fisioterapia na DMRA no pós-parto,
sendo consideradas apenas publicações entre os anos 2018 a 2023, nos
idiomas inglês e português. Os artigos foram pesquisados nas bases
eletrônicas National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic
Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências
da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrievel System Online
(MEDLINE). Foi notado que o treinamento abdominal, fortalecimento do core
profundo, exercícios para a musculatura do assoalho pélvico, aplicação das
fitas KT e STEP são ótimas intervenções para a redução da DMRA após o
parto. Entretanto, foi percebido que o tratamento associado com a contração
dos MAP não mostrou nenhum efeito na redução da DMRA. Os achados
demostram que a fisioterapia no puerpério é capaz de reduzir a DMRA. Este
estudo contribui para o embasamento da prática clínica dos fisioterapeutas
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Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 7, 2024. ISSN: 2447-0961
que trabalham com DMRA em puérperas, bem como para o direcionamento
de pesquisas clínicas futuras.
PALAVRAS-CHAVE: fisioterapia, tratamento, diástase, pós-parto,
puerpério.
ABSTRACT: Diastasis of the rectus abdominis muscles (RADM) is a condition
characterized by the separation of the muscles that make up the abdominal
wall, especially the rectus abdominis muscles. This condition is more
common in women after pregnancy, causing abdominal prolapse, abdominal
weakness, urinary incontinence, postural problems, and abdominal
discomfort. Physical therapy plays an important role in treating individuals
who have this condition to help strengthen abdominal muscles, improve
function, and reduce associated symptoms. The aim of this study is to
evaluate the scientific evidence on the role of physiotherapy in patients with
postpartum AMD. The literature review method was used regarding the role
of physiotherapy in DMRA in the postpartum period, considering only
publications between the years 2018 and 2023, in English and Portuguese.
The articles were searched in the electronic databases National Library of
Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura
Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) and Medical
Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE). It was noted
that abdominal training, deep core strengthening, pelvic floor muscle
exercises, application of KT and STEP tapes are great interventions for
reducing AMD after childbirth. However, it was noticed that treatment
associated with PFM contraction did not show any effect on reducing DMRA.
The findings demonstrate that physiotherapy in the postpartum period is
capable of reducing AMD. This study contributes to the basis of the clinical
practice of physiotherapists who work with DMRA in postpartum women, as
well as to the direction of future clinical research.
KEYWORDS: physiotherapy, treatment, diastasis, postpartum, puerperium.
RESUMEN: La diástasis de los músculos rectos del abdomen (RADM) es una
condición caracterizada por la separación de los músculos que forman la
pared abdominal, especialmente los músculos rectos del abdomen. Esta
afección es más común en mujeres después del embarazo y causa prolapso
abdominal, debilidad abdominal, incontinencia urinaria, problemas
posturales y malestar abdominal. La fisioterapia juega un papel importante
en el tratamiento de personas que padecen esta afección para ayudar a
fortalecer los músculos abdominales, mejorar la función y reducir los
síntomas asociados. El objetivo de este estudio es evaluar la evidencia
científica sobre el papel de la fisioterapia en pacientes con DMAE posparto.
Se utilizó el método de revisión de la literatura sobre el papel de la
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fisioterapia en la DMRA en el posparto, considerando únicamente
publicaciones entre los años 2018 y 2023, en inglés y portugués. Los
artículos fueron buscados en las bases de datos electrónicas Biblioteca
Nacional de Medicina (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO),
Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) y
Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE). Se
observó que el entrenamiento abdominal, el fortalecimiento profundo del
core, los ejercicios de los músculos del suelo pélvico y la aplicación de cintas
KT y STEP son excelentes intervenciones para reducir la DMAE después del
parto. Sin embargo, se observó que el tratamiento asociado con la
contracción de la PFM no mostró ningún efecto en la reducción de DMRA. Los
hallazgos demuestran que la fisioterapia en el posparto es capaz de reducir
la DMAE. Este estudio contribuye a la base de la práctica clínica de los
fisioterapeutas que trabajan con DMRA en mujeres en posparto, así como a
la dirección de futuras investigaciones clínicas.
PALABRAS CLAVE: fisioterapia, tratamiento, diástasis, posparto, puerperio.
1. Introdução
A diástase dos músculos reto abdominais (DMRA) é definida como uma
separação dos dois ventres do músculo reto abdominal ao longo da linha
média da linha alba. Esta condição afeta muitas mulheres, especialmente
após a gravidez, devido às alterações hormonais, elasticidade do tecido
conjuntivo, tensões mecânicas aplicadas na parede abdominal durante o
crescimento fetal e deslocamento dos órgãos abdominais. Entretanto, essa
alteração também pode afetar homens e indivíduos obesos (Gluppe; Engh;
Bø, 2021).
Existem muitos fatores de risco para o desenvolvimento de DMRA em
mulheres, como idade da mãe, multiparidade, parto cesariano, ganho de
peso, peso do feto ao nascer, gravidez múltipla, etnia, polidrâmnio e
macrossomia fetal (Kamel; Yousif, 2017). Em relação aos sintomas, nem
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todos os pacientes com DMRA apresentam sintomas, mas os que apresentam
incluem dor e desconforto abdominal, problemas musculoesqueléticos como
instabilidade pélvica e dor lombar, e sintomas uroginecológicos como
incontinência urinária, incontinência fecal e prolapso de órgãos pélvicos
(Jessen; Öberg; Rosenberg, 2019).
A fisioterapia desempenha um papel crucial no tratamento da DMRA
por várias razões, proporcionando benefícios significativos para indivíduos
que enfrentam essa condição. Ela representa uma abordagem não invasiva,
visando não apenas tratar os sintomas, mas também promover a reabilitação
completa da região abdominal trabalhando na melhoria da coordenação
muscular, fortalecimento, e correção postural. Diversos tratamentos têm se
mostrado eficazes na redução da DMRA em mulheres pós-parto. Entre as
abordagens destacam-se o fortalecimento do core profundo, exercícios
direcionados para a musculatura do assoalho pélvico, e a aplicação de fitas
KT e STEEP (Thabet et al., 2019).
A avaliação quantitativa da DMRA é conduzida predominantemente de
maneira anatômica. Esse método envolve a mensuração da separação entre
os dois músculos retos abdominais. Embora outros aspectos sejam levados
em conta, como qualidade de vida (QV), percepção da imagem corporal,
experiência de dor e limitações funcionais secundárias (Fuentes et al., 2021).
É fundamental conscientizar as pessoas sobre a possibilidade de buscar
ajuda profissional. Muitos indivíduos podem não estar cientes de que existem
abordagens específicas, incluindo exercícios direcionados e
acompanhamento de fisioterapeutas especializados, que podem ajudar na
recuperação e fortalecimento dessa região. Por isso, a realização da revisão
de literatura com levantamento de dados acerca da atuação da fisioterapia
na DMRA torna-se de suma importância na prática da fisioterapia para
subsidiar a assistência à mulher. A utilização da Prática Baseada em
Evidência incorporará a melhor evidência científica para ser utilizada nas
tomadas de decisões na prática clínica em relação à ocorrência de DMRA nas
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mulheres após o parto.
Diante da necessidade de analisar as evidências científicas sobre a
DMRA nas mulheres após o parto, a seguinte questão norteou o estudo:
"Qual a importância da fisioterapia no tratamento da diástase abdominal no
pós-parto?". Desta forma, procurando contribuir para ampliação do
conhecimento da fisioterapia com impacto no ensino, pesquisa e na
assistência, o presente trabalho teve como objetivo avaliar as evidências
científicas sobre a atuação da fisioterapia em pacientes com DMRA pós-parto.
2. Metodologia
Este estudo consiste em uma revisão integrativa de literatura que
buscou artigos científicos sobre os benefícios da fisioterapia no tratamento
da diástase abdominal, no período de maio a setembro de 2023, orientado
pela pergunta: qual a importância da fisioterapia no tratamento da diástase
abdominal no pós-parto? Os descritores utilizados foram: Fisioterapia,
tratamento, diástase, pós-parto, puerpério. Os artigos foram pesquisados
nas bases de dados eletrônicas National Library of Medicine (PubMed),
Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e
do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and
Retrieval System Online (MEDLINE).
Como critérios de inclusão, foram considerados artigos publicados
entre 2018 e 2023, em língua inglesa e portuguesa, que respondessem à
questão de pesquisa. Os critérios de exclusão abrangeram documentos como
editoriais, artigos de revisão ou reflexão, resumos, resenhas, relatos de
experiência e artigos não disponíveis na íntegra. Após a identificação dos
textos, foi realizada uma leitura criteriosa para seleção dos artigos que
compõem esta revisão integrativa de literatura.
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3. Resultados e Discussões
Após o levantamento bibliográfico, foram encontrados 111 artigos.
Desses, foram excluídos 100 por não atenderem aos critérios de inclusão
adotados. Por fim, foram selecionados 11 artigos para leitura na íntegra. A
Figura 1 representa o fluxograma da seleção dos estudos.
Figura 1. Fluxograma da seleção dos estudos.
Fonte: Elaborado pelos autores (2023).
O Quadro 1 mostra os estudos incluídos nesta revisão integrativa. A
amostra total foi de 963 mulheres. Em relação à idade, evidenciaram uma
faixa etária entre 18 e 45 anos.
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Tabela 1. Descrição dos estudos incluídos na revisão de literatura.
AUTOR TÍTULO OBJETIVO AMOSTRA/IDADE
Gluppe et al., Effect of a postpartum Avaliar o efeito de um 175 mulheres/
2018. training program on the programa de ~29 anos.
prevalence ofdiastasis treinamento pós-parto
recti abdominis in na prevalência de
postpartum primiparous diástase reto abdominal.
women: A randomized
controlled trial.
Gluppe et al., Immediate Effect of Investigar o efeito 38 mulheres/
2020. Abdominal and Pelvic imediato dos exercícios ~36 anos.
Floor Muscle Exercises abdominais e dos MAP
on Interrecti Distance in na DMRA.
Women with Diastasis
Recti Abdominis Who
Were Parous
Gluppe et al., Curl-up exercises Analisar o efeito de um 70 mulheres/ 33-
2023. improve abdominal programa de exercícios 35 anos.
muscle strength without abdominais domiciliares
worsening inter-recti de 12 semanas
distance in women with contendo elevação da
diastasis recti abdominis cabeça e flexões
postpartum: a abdominais.
randomised controlled
Trial.
Liu et al., 2021. Efficacy of acupuncture Avaliar a eficácia da 144 mulheres/
in post-partum with acupuntura e do 18-45 anos.
diastasis recti treinamento físico na
abdominis: A DRA em mulheres no
randomized controlled pós-parto.
clinical trial study
protocol.
Pacheco et al., Contribution of the Comparar a distância 56 mulheres/ 18-
2023. practice of resistance entre os músculos retos 40 anos.
exercises and the type of do abdome (MRAs)
delivery to the diastasis entre primíparas
of the rectus abdominis treinadas e sedentárias
muscles in primiparous que realizaram parto
women. vaginal e cesárea.
Pampolim et Physiotherapy in the Verificar se a 50 mulheres/ 22-
al., 2021. reduction of diastasis of intervenção 28 anos.
the recti abdominis in fisioterapêutica no
inmediate pospartum. puerpério imediato
contribui para a redução
da diástase.
Ptaszkowska et Immediate Effects of Avaliar por palpação da 24 mulheres/ 18-
al., 2021. Kinesio Taping on Rectus DRA em puérperas antes 38 anos
Abdominis Diastasis in e depois da aplicação de
Postpartum Women fitas Kinesio Taping.
Preliminary Report
Shohaimi et al., Split tummy exercise Avaliar o efeito de um 41 mulheres/
2023. program for reducing programa de exercícios ~28 anos.
diastasis recti in de barriga dividida
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Postpartum (STEP) no fechamento
primigravidae: A da DRA em mães no
randomized controlled pós-parto.
trial
Thabet, A., Efficacy of deep core Investigar a eficácia do 40 mulheres/ 23-
2019. stability exercise programa de atividades 33 anos.
program in postpartum físicas voltado para
women with diastasis fortalecimento da região
recti abdominis: a central do corpo no
randomised controlled processo de fechamento
trial. da diástase abdominal e
na promoção geral da
qualidade de vida em
mulheres após o parto.
Theodorsen et Effect of a specific Investigar o efeito de 100 mulheres/
al., 2022. exercise programme um programa específico >18 anos.
during pregnancy on de exercícios realizado
diastasis recti durante a gravidez na
abdominis: study DRA durante a gravidez
protocol for a e 1 ano após o parto
randomised controlled
trial
Vesting et al., Clinical assessment of Avaliação da 222 mulheres/
2021. pelvic floor andconfiabilidade ~33 anos.
abdominal muscles 3 interavaliadores de
months postpartum: an métodos de avaliação
inter-rater reliability
clínica para músculos do
study. assoalho pélvico e
diástase reto abdominal
pós-parto.
Fonte: Elaborado pelos autores (2023).
Gluppe et al. (2018) em seu estudo buscaram analisar o efeito de um
programa de treinamento dos músculos do assoalho pélvico na DMRA. A
pesquisa avaliou a separação dos músculos retos abdominais em 175
mulheres primíparas, com média de idade de 29 anos, e com diástase ≥ 2
dedos de largura. Existem evidências de que a contração dos MAPs causa
uma co-contração de diferentes músculos abdominais (Keeler et al., 2012).
Portanto, seria de se esperar que a contração dos MAPs proporcionasse um
efeito de treinamento para os músculos abdominais. No entanto, os
resultados não mostraram nenhum efeito na redução da prevalência da
DMRA.
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Sandra B. Gluppe, Marie Ellström Engh e Kari Bø (2020) realizaram um
estudo de corte transversal, que teve como objetivo examinar os efeitos de
8 tipos diferentes de exercícios abdominais e da pressão abdominal
moderada (MAP) em mulheres que deram à luz e foram diagnosticadas com
DMRA. Participaram do estudo 38 mulheres, com média de idade de 36 anos.
O estudo trouxe dados relevantes e favoráveis quanto ao uso de exercícios
abdominais no tratamento da DMRA.
No estudo de Gluppe, Ellström Engh, Bø et al. (2023) foi avaliado se o
exercício de rosca direta melhora a força muscular abdominal sem piorar a
distância inter-recti em mulheres com diástase do músculo reto abdominal
no pós-parto. Participaram 70 mulheres com idade média entre 33 e 35 anos.
Concluiu-se que os exercícios de rosca direta não pioram a diástase nem
agravam os distúrbios do assoalho pélvico, dor lombar, cintura pélvica ou
abdominal. Contudo, aumentaram a espessura muscular e a força
abdominal.
No ensaio clínico randomizado controlado realizado por Yan Liu et al.
(2021) foi avaliada a eficácia da combinação de acupuntura e exercícios
físicos no tratamento da DMRA. Participaram do estudo 144 mulheres, entre
18 e 45 anos, sem história prévia de DMRA, que tiveram filhos por via vaginal
e que o parto foi realizado entre 42 dias a 1 ano. A acupuntura aliada ao
treinamento físico melhorou significativamente a DMRA, devido à melhora da
circulação sanguínea e ao ajuste do equilíbrio mecânico do músculo
abdominal pós-parto.
O estudo de Pacheco et al. (2023) investigou a relação entre exercícios
resistidos, tipo de parto e a separação do Reto Abdominal Médio (RAM) em
primíparas. Os resultados evidenciaram que o nível de atividade física e o
tipo de parto não afetam a separação do RAM, mas há uma associação entre
o peso pré-gestacional e a distância do RAM.
Em Pampolim et al. (2021) foi avaliado o efeito da intervenção
fisioterapêutica no puerpério imediato. Participaram 50 puérperas recrutadas
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Revista Contemporânea, vol. 4, n°. 7, 2024. ISSN: 2447-0961
na maternidade no período de abril a setembro de 1998. Nesse estudo,
conclui-se que a fisioterapia está ganhando importância nas maternidades
devido aos benefícios que oferece durante a gravidez e o pós-parto, com
resultados estatísticos que comprovam a redução da dor, redução da
diástase abdominal e a melhoria do bem-estar das mulheres nesse período.
Além disso, destacou-se a necessidade de incluir essa discussão nos
processos de educação em saúde durante o período pré-natal.
Ptaszkowska et al. (2021) avaliaram a anatomia palpatória da DMRA
em puérperas antes e após a aplicação de fitas KT. Participaram do estudo
24 mulheres no pós-parto com idade entre 18 e 38 anos. Pode-se observar
uma redução significativa da DMRA em todos os pontos avaliados após a
aplicação das fitas KT. Desta forma, este estudo sugere que a aplicação de
fitas KT usando uma abordagem corretiva pode contribuir para a redução da
DMRA em mulheres até 12 meses após o parto.
Shohaimi et al. (2023) examinaram os efeitos de um programa de
exercícios específico para a DMRA, denominado STEP, em mulheres no pós-
parto. Participaram 41 mulheres, com média de idade de 28 anos. O grupo
que recebeu intervenção STEP demonstrou uma redução significativa no
tamanho médio da DMRA ao longo de 8 semanas. A estratégia de
treinamento abdominal, como no módulo STEP, visa encurtar as fibras
musculares anterior e lateralmente, com o intuito de reduzir a DMRA.
Thabet, Alshehri et al. (2019) avaliaram o impacto do programa de
exercícios na recuperação da diástase abdominal. Participaram 40 mulheres
com diástase reto abdominal, com média de idade entre 23 e 33 anos. Este
estudo evidenciou que a implementação do programa de exercícios para
fortalecimento do core profundo reduziu significativamente a separação dos
músculos retos abdominais e melhorou a QV das mulheres. Portanto, pode
ser considerado como uma terapia conservadora alternativa que pode ser
complementar a outras abordagens terapêuticas (Thabet, Alshehri et al.,
2019).
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Theodorsen et al. (2022) realizaram um ensaio clínico randomizado e
controlado para analisar o impacto de um programa de exercícios de
treinamento abdominal e do assoalho pélvico realizados durante a gravidez
sobre o desenvolvimento da DMRA durante a gestação e 6 semanas após o
parto. Foram selecionadas 96 mulheres com idade acima de 18 anos.
Percebeu-se com este estudo que não existe uma diferença significativa
associada ao treinamento da musculatura abdominal e do assoalho pélvico
durante a gestação no desenvolvimento da DMRA até 6 semanas após o
parto. Ademais, revelou a necessidade de novas pesquisas sobre o efeito dos
exercícios abdominais e do assoalho pélvico sobre a distância inter-retal em
gestantes com diástase reto abdominal.
No estudo de Vesting et al. (2021) foi avaliada a concordância entre
diferentes examinadores na utilização de métodos clínicos para avaliar a
musculatura do assoalho pélvico e a DMRA. As condições para a elegibilidade
dos participantes incluíram ser do sexo feminino, ter pelo menos 18 anos de
idade e estar dentro dos primeiros três meses após o parto. Percebe-se que
a palpação vaginal se destaca como um método confiável na avaliação da
musculatura do assoalho pélvico após o parto.
4. Conclusão
Conforme a pesquisa, a DMRA é uma disfunção que causa prejuízos
para a saúde das mulheres que sofrem com esta alteração. No que se refere
à fisioterapia, foi possível perceber que os tratamentos como: exercícios de
fortalecimento de core profundo, abordagem corretiva com KT e acupuntura
associada a exercícios físicos, apresentam resultados satisfatórios frente ao
tratamento da DMRA. Por outro lado, programas de treinamento para os
músculos do assoalho pélvico não têm apresentado efeitos significativos.
Quanto aos exercícios abdominais, os novos estudos não apontam
agravantes associadas a DMRA, assim como estudos revelam que a prática
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de MAP e um protocolo denominado STEEP apresentam resultados favoráveis
na redução da diástase abdominal.
Este estudo contribui para o embasamento da prática clínica dos
fisioterapeutas que trabalham com DMRA em puérperas, bem como para o
direcionamento de pesquisas clínicas futuras.
13
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