0% acharam este documento útil (0 voto)
14 visualizações6 páginas

Basiléia 3

O Conselho Monetário Nacional aprovou as Resoluções para a implementação do Acordo de Basiléia III no Brasil, visando fortalecer o Sistema Financeiro Nacional e prevenir crises financeiras. O acordo estabelece requisitos de capital mais robustos e buffers adicionais para os bancos, garantindo uma expansão sustentável do crédito. A regulação brasileira já está alinhada com os princípios de Basiléia III, e a estimativa é de que a adaptação não impactará negativamente a oferta de crédito no país.

Enviado por

Vitor Eduardo
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
14 visualizações6 páginas

Basiléia 3

O Conselho Monetário Nacional aprovou as Resoluções para a implementação do Acordo de Basiléia III no Brasil, visando fortalecer o Sistema Financeiro Nacional e prevenir crises financeiras. O acordo estabelece requisitos de capital mais robustos e buffers adicionais para os bancos, garantindo uma expansão sustentável do crédito. A regulação brasileira já está alinhada com os princípios de Basiléia III, e a estimativa é de que a adaptação não impactará negativamente a oferta de crédito no país.

Enviado por

Vitor Eduardo
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Brasilia, 1º de março de 2013.

Discurso do Diretor de Regulação do Sistema Financeiro, Luiz


Awazu Pereira da Silva, na coletiva de divulgação das regras de
Basiléia III

1
O Conselho Monetário Nacional (CMN) acaba de aprovar as Resoluções que
permitem a implantação do chamado Acordo de Basiléia III no Brasil. É um
passo importante que dará ainda mais robustez ao nosso Sistema Financeiro
Nacional (SFN) e condições ainda mais seguras para a expansão sustentável
do nosso mercado de crédito.

O Acordo de Basiléia III vai ajudar a prevenir futuras crises financeiras graves.

O Acordo tem por objetivo principal fornecer uma base de capital mais robusta
para a expansão sustentável do crédito. Ele representa a resposta regulatória
internacional à atual crise financeira, foi consensuado entre os reguladores e
supervisores dos principais países com grandes sistemas financeiros e sua
implantação é explicitamente uma das prioridades dos líderes do G20. É um
acordo internacional para evitar uma possível arbitragem de localização, por
exemplo, bancos instalando-se em países com menores exigências
prudenciais. É um acordo técnico complexo, mas no fundo inspira-se no bom
senso: qualquer banco para ser seguro para os seus clientes (famílias e
empresas) precisa ter recursos próprios suficientes (capital, provisões, liquidez,
etc.) para enfrentar situações extremas de crise sem necessidade de resgates.
Ou seja, entre os principais aspectos de Basiléia III encontram-se: (1) a revisão
dos instrumentos que compõem o capital dos bancos, para poder suportar
perdas mesmo durante crises graves; isso leva a uma maior seletividade dos
itens do ativo elegíveis para capital; (2) uma elevação progressiva do nível de
capital que os bancos necessitam manter permanentemente comparado com o
total e as características de seus ativos; (3) a constituição de “buffers” ou
colchões de capital adicionais que podem ser exigidos pelo regulador durante
períodos de expansão (moderando a euforia) para serem usados durante os
períodos de contração do crédito (moderando o pessimismo); isso evita
movimentos bruscos no crédito, suaviza o ciclo. Além disso, vários elementos
técnicos completam o Acordo, para definir como aplicar essas regras a grandes
conglomerados financeiros, como ter ativos suficientemente líquidos, e exigir
mais capital para bancos sistemicamente importantes, etc.

O quadro prudencial-regulatório no Brasil já é bem próximo do Acordo de


Basiléia III.

A regulação prudencial no Brasil não seguiu a tendência de retração nos anos


1990 dos países avançados que os levou à crise. O nosso SFN não tinha e não
tem as características que levaram à crise financeira global (e.g., pouco capital,
provisões insuficientes, alavancagem excessiva, ativos de grande
complexidade, interconectividade global que dificultou a resolução de falências
bancárias, etc.). O Brasil sempre dispôs e dispõe hoje de melhor supervisão e
mais forte regulação que os países avançados.

2
Nossas regras de regulação prudencial já incorporam em larga medida os
princípios mais conservadores de prudência que de certa forma viraram os
novos princípios de Basiléia III. Nesse sentido, nós já temos no nosso DNA
prudencial-regulatório várias lições do último livro do Alan Blinder “When the
Music Stopped”i que identifica com extrema lucidez os responsáveis pela crise
financeira nos países avançados. Blinder vê a leniência regulatória, as lacunas
na supervisão como fatores que acentuaram a pró-ciclicidade dos mercados
financeiros e permitiram o desenvolvimento de bolhas, a alavancagem
excessiva, a baixa qualidade de originação do crédito (especialmente
imobiliário), etc. E ele recomendaii que o arcabouço regulatório corretivo leve
em conta que “as pessoas esquecem as causas das crises passadas”. Por
esse motivo, como tem repetido o Presidente Tombini, a supervisão e a
regulação são processos contínuos de controle e aprimoramento. O Brasil
nunca abandonou a sua supervisão e regulação ambas muito fortes e já
bastante próximas de Basiléia III. Fizemos bem. A crise confirmou a
pertinência de mantermos o nosso diferencial que nos permitiu atravessar a
crise sem grandes problemas.

O Brasil é membro do G20 e do Comitê de Supervisão Bancária de Basiléia e


participou ativamente na concepção desse novo arcabouço regulatório
denominado Basiléia III. Portanto, é importante salientar que Basiléia III não
está sendo imposta ao Brasil, nem pelo FMI e nem pelo G20. Estamos
decidindo soberanamente reforçar o que já temos sólido porque é benéfico e
desejável para o nosso SFN e para a sociedade, para fornecer uma base ainda
melhor para o nosso crescimento sustentável com inclusão social.

Mas mesmo se existe consenso sobre os benefícios de Basiléia III


naturalmente surgem perguntas sobre o seu custo, o impacto no capital dos
bancos, na oferta de crédito e sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN) em
geral.

Qual é o impacto de Basiléia III sobre o capital dos bancos? A nossa estimativa
da necessidade de capital adicional para o Sistema Financeiro Nacional (SFN)
num cenário de crescimento e retenção de resultados baseado na média dos
últimos anos é que o sistema como um todo terá capital superior aos valores
exigidos. Ou seja, necessidade zero de capital adicional para o SFN como um
todo de 2014 até 2019. Mesmo descendo a estimativa para o nível de cada
banco, nenhum banco precisaria levantar capital em 2013, 2014, 2015 e 2016.
Não obstante a partir de 2017, pela diversidade de carteiras, existem alguns
bancos que precisariam levantar algum capital. Em conjunto esses poucos
bancos precisariam em torno de R$ 2,9 bilhões 2017, R$ 5,1 bilhões 2018 e R$
6,7 bilhões 2019. Isso representa, somado até 2019 cerca de R$15 bilhões.
Ou seja, isso representa cerca de 2,1% do capital total do SFN hoje que é de
R$ 697 bilhões.

3
 Importante destacar o fortalecimento que foi dado aos nossos créditos
tributários e instrumentos de dívida, o que aumenta a qualidade desses
elementos patrimoniais e, consequentemente, reduz a necessidade de
deduções do capital dos bancos. Nós temos duas características: (a)
regras prudenciais robustas e saudáveis de provisionamento para
crédito para absorver perdas futuras; e (b) regras tributárias exigentes
onde a despesa com provisões reduz o lucro para efeitos contábeis, mas
não para efeitos de tributação. Essa divergência cria créditos tributários
nos balanços dos bancos, em outras palavras, impostos pagos
antecipadamente. Esse crédito só podia ser realizado e contabilizado
como capital de maneira contingente, mesmo sendo inequivocamente
“seguro”. O Governo deu apenas a “certeza” de que esse crédito seria
pago em quaisquer circunstâncias e com isso, esse tipo de crédito
tributário se enquadra na nova definição de capital de Basiléia III, não
precisando ser deduzido.
 O pequeno impacto das medidas em termos de capital se dá também
porque o prazo de adaptação às novas regras é longo, de 2014 a 2019,
idêntico ao do Acordo internacional. Nem mais e nem menos. As
exigências de capital serão progressivas e os nossos bancos têm e
terão espaço para perseguir uma expansão moderada e sustentável de
suas carteiras.

Qual é impacto de Basiléia III sobre a oferta de crédito no Brasil? A nossa


estimativa é que será neutro.

 Primeiro, porque os nossos bancos são robustos e não estão com


problemas de desalavancagem como os bancos dos países avançados,
com balanços enfraquecidos por ativos de baixa qualidade. Ao contrário,
para os nossos bancos, os custos de adaptação serão menores que os
benefícios e oportunidades de negócios num sistema gradualmente mais
capitalizado e com maior potencial de expansão. Nossos bancos têm
como fazer essa transição de maneira segura, gradual, mantendo
lucratividade em um contexto onde o Brasil está em fase de crescimento
e aprofundamento dos seus mercados financeiros com inclusão de
milhões de novos clientes.
 Segundo porque o nosso Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem um
elevado nível de provisões, liquidez e capital cuja qualidade respeita a
nova definição de Basiléia III. Isso foi confirmado em Julho de 2012 pela
avaliação externa feita pelo FMI e Banco Mundial no Programa de
Avaliação do Setor Financeiro (FSAP – Financial Sector Assessment
Programiii), corroborando a análise dos nossos Relatórios de
Estabilidade Financeira (REF) e os esforços empreendidos pelo BCB
para aprimorar seu Processo de Supervisão.

4
 Terceiro porque a publicação das Resoluções de Basiléia III reduz
incertezas para os nossos bancos, dá clareza e previsibilidade para agir,
adaptar-se e programar-se. Essa previsibilidade de médio-longo prazo é
um fator importante para que a implantação de Basiléia III no Brasil seja
tranqüila. Com parâmetros conhecidos, os bancos deterão as
informações necessárias para elaborar os seus planos de negócios,
dando continuidade ao crescimento sustentável da oferta de crédito.
 E quatro, porque as nossas instituições financeiras durante todo o
processo de Audiência Pública no ano passado sinalizaram que estão
preparadas para a implantação de Basiléia III, e que reconhecem a
importância da preservação do nosso diferencial prudencial-regulatório
para os seus negócios, sejam eles domésticos ou internacionais. A
implantação de Basiléia III no nosso quadro regulatório fortalece as
nossas possibilidades de expansão internacional e posiciona
favoravelmente nossos bancos nas comparações internacionais. A
nossa solidez financeira reforçada nos preserva de crises internacionais
e melhora o nosso custo de captação.

Muito obrigado.

5
Notas

i
Alan S. Blinder (2013), “When the Music Stopped: the Financial Crisis, the Response and the Work
Ahead”, The Penguin Press, New York.
ii
Os Dez Mandamentos (Financeiros) de Alan Blinder são (muitos estão presentes na lógica de Basiléia
III): 1) os mercados esquecem e tendem a recorrentemente voltar a sua pró-ciclicidade financeira (à la
Minsky), ou seja a regulação tem que funcionar como memória do passado; 2) a auto-regulação por
agentes de mercado é insuficiente; 3) o gerenciamento de risco tem que ser priorizado nas estruturas
decisórias; 4) a alavancagem tem que ser limitada; 5) o arcabouço regulatório-prudencial tem que ser
simples e compreensível; 6) o mercado de derivativos tem que ter um grau de padronização para evitar
excessiva complexidade, ser transacionado em câmaras centrais de registro, depósitos, negociação e
liquidação de ativos e com registros obrigatórios; 7) é preciso evitar transações fora de balanço; 8) o
sistema de remuneração de dirigentes não pode ter incentivos perversos a assunção de riscos
excessivos; 9) a proteção e educação do consumidor de serviços financeiros tem que ser efetiva; e 10),
as estratégias de negócios tem privilegiar a proteção do acionista, não dos executivos e dirigentes.
iii
O FSAP, criado em 1999 depois da crise Asiática, é um exercício conduzido conjuntamente pelo FMI e
pelo Banco Mundial para avaliar os sistemas financeiros dos países-membros, sob as óticas de
estabilidade e de desenvolvimento. Entre novembro de 2011 e março de 2012, várias missões do FMI e
do Banco Mundial visitaram o Brasil para realizar essa avaliação. 1) o SFN é considerado sólido
(capitalizado, rentável, com boa liquidez e bem provisionado), estável e com baixos níveis de risco; 2) o
SFN é resistente à choques, conforme comprovam testes de stress realizados; 3) o rápido e recente
crescimento do crédito do SFN não gera preocupações; essa expansão deve-se em boa parte ao
processo de inclusão financeira; 4) a exposição do SFN a riscos externos é pequena; 5) a exposição do
SFN a riscos no setor corporativo e derivativos é menor que na fase aguda da crise de 2008.; e 6) a
supervisão do SFN, especialmente dos bancos, é forte, sofisticada e efetiva porque tem amplos
instrumentos de prevenção e intervenção; obtivemos a melhor nota entre países avaliados. Os
documentos completos podem ser encontrados no seguinte endereço:
http://www.imf.org/external/country/BRA/index.htm.

Você também pode gostar