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Direito Economico

O documento analisa a evolução da Constituição Económica de Moçambique e os modelos económicos adotados desde a independência até a atualidade. Destaca a transição de um modelo socialista para uma economia social de mercado, consagrada na Constituição de 2004, que busca equilibrar a liberdade econômica com a justiça social. O trabalho enfatiza a importância da intervenção estatal na regulação e promoção do desenvolvimento econômico e social.
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O documento analisa a evolução da Constituição Económica de Moçambique e os modelos económicos adotados desde a independência até a atualidade. Destaca a transição de um modelo socialista para uma economia social de mercado, consagrada na Constituição de 2004, que busca equilibrar a liberdade econômica com a justiça social. O trabalho enfatiza a importância da intervenção estatal na regulação e promoção do desenvolvimento econômico e social.
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UNIVERSIDADE ABERTA ISCED

Faculdade de Ciências de
Direito
Curso de Direito
Licenciatura em Direito

Tema

Evolução da Constituição Económica Moçambicana e Modelos Económicos Adoptados

Nome do estudante: Buanachaque Armando

Código do estudante: 91240208

Pemba, Setembro de 2025


Índice
Introdução....................................................................................................................................3
Objectivo Geral............................................................................................................................3
Objectivos Específicos..................................................................................................................3
Referencial Teórico......................................................................................................................4
Conceito de Constituição Económica...........................................................................................4
Elementos Nucleares da Constituição Económica:.......................................................................4
Evolução Histórica do Sistema Económico Moçambicano...........................................................5
O Modelo Económico Adoptado em Moçambique......................................................................6
Características Principais do Modelo:..........................................................................................6
Conclusão.....................................................................................................................................7
Referências Bibliográficas............................................................................................................8

2
Introdução

A Constituição Económica constitui o conjunto de normas e princípios fundamentais


insertos na Lei Magna de um país que definem a estrutura e os fundamentos da sua
organização económica. Em Moçambique, a evolução deste conceito reflete a própria
história política e social da nação, marcada por profundas transformações desde a
independência até aos dias de hoje. A análise da Constituição Económica moçambicana
permite compreender não apenas o enquadramento jurídico da atividade económica,
mas também o modelo de desenvolvimento adoptado pelo Estado e as opções políticas
que o orientam.

Este trabalho tem como objectivo analisar a evolução da Constituição Económica em


Moçambique e os modelos económicos daí decorrentes, percorrendo um trajecto
histórico que vai do modelo socialista de orientação marxista-leninista, adoptado após a
independência, até à abertura económica e adopção de um modelo de economia social
de mercado, consagrado na Constituição da República de 2004 e reiterado na revisão de
2018. Serão ainda identificados os princípios estruturantes do actual modelo económico
e o seu impacto na organização da economia nacional.

Objectivo Geral

 Analisar a evolução histórica e jurídica da Constituição Económica de


Moçambique e os modelos económicos por ela consagrados.

Objectivos Específicos

 Conceptualizar a noção de Constituição Económica e a sua relevância no


ordenamento jurídico-constitucional.
 Traçar o processo de evolução histórica do sistema económico moçambicano,
desde a independência até à actualidade.
 Identificar e caracterizar o modelo económico adoptado pela Constituição da
República de Moçambique.

3
Referencial Teórico

Conceito de Constituição Económica

A Constituição Económica pode ser definida como o conjunto de normas, princípios e


valores constitucionais que estabelecem as opções fundamentais de um Estado quanto à
organização e regulação da vida económica. Ela define o papel do Estado na economia,
o regime de propriedade (pública, privada e cooperativa), a intervenção no domínio
económico e social, e os direitos e garantias dos agentes económicos. Não se trata de
um documento autónomo, mas sim do capítulo económico da Constituição, que
funciona como um “quadro jurídico fundamental da economia” (CANOTILHO, 2003).

No contexto moçambicano, a Constituição Económica estabelece as bases do sistema


económico, consagrando princípios como a liberdade de iniciativa económica, a
concorrência, a justiça social e a função social da propriedade. Segundo o jurista
moçambicano Paulo Canelas (2019), a Constituição Económica em Moçambique
“traduz uma opção por um modelo económico misto, no qual coexistem a iniciativa
privada e a intervenção do Estado, visando o desenvolvimento económico e a realização
de justiça social” (p. 78).

Elementos Nucleares da Constituição Económica:

 Princípio da Livre Iniciativa Económica: Reconhecimento da liberdade dos privados


para exercerem actividade económica, dentro dos limites da lei.
 Princípio da Concorrência: Defesa da concorrência livre e leal como motor do
desenvolvimento económico.
 Regime de Propriedade: Definição dos tipos de propriedade (pública, privada,
cooperativa e social) e das suas garantias.
 Intervenção do Estado na Economia: Estabelecimento dos mecanismos de regulação,
planeamento e fiscalização da atividade económica pelo Estado.
 Princípio da Justiça Social e do Desenvolvimento Sustentável: Orientação da
economia para a satisfação das necessidades básicas da população e para a redução das
assimetrias regionais e sociais.

4
Evolução Histórica do Sistema Económico Moçambicano

A evolução do sistema económico moçambicano está intimamente ligada à sua história


política, podendo ser dividida em três fases principais:

1. Fase Socialista (1975-1986)

Imediatamente após a independência em 1975, a FRELIMO, partido no poder, adoptou


uma orientação marxista-leninista. A primeira Constituição (1975) consagrou
um modelo de economia centralmente planificada, com a estatização dos principais
meios de produção, a colectivização da agricultura e a criação de empresas estatais. O
objectivo era a construção de uma sociedade socialista. Este período foi marcado por
fortes constrangimentos económicos, agravados pela guerra civil (1977-1992) e pelo
embargo internacional.

2. Fase de Transição para uma Economia de Mercado (1987-2004)

A crise económica e o fim do bloco socialista levaram a uma viragem pragmática. Em


1987, o governo lançou o Programa de Reabilitação Económica (PRE), com o apoio do
FMI e do Banco Mundial, iniciando um processo de abertura económica e
liberalização. As reformas incluíram a privatização de empresas estatais, a liberalização
de preços e a atracção de investimento estrangeiro. A Constituição de 1990 reflectiu esta
mudança, abolindo a referência ao marxismo-leninismo e consagrando a economia de
mercado e a liberdade de iniciativa privada, embora mantendo um papel significativo
para o Estado.

3. Consolidação do Modelo de Economia Social de Mercado (2004 - Presente)

A actual Constituição da República (CRM), promulgada em 2004 e revista em 2018,


consolida um modelo de economia social de mercado. O Artigo 98º da CRM
estabelece que a economia de Moçambique se rege pelos princípios da “iniciativa
económica livre, da concorrência, da função social da propriedade, da moralidade e
ainda pelos critérios de eficiência e de justiça social”. O Estado assume um papel duplo:
como regulador da economia e como promotor do desenvolvimento e da justiça social,
podendo intervir para corrigir distorções do mercado e garantir direitos sociais
fundamentais.

5
O Modelo Económico Adoptado em Moçambique

O modelo económico consagrado na Constituição moçambicana é, portanto, o de


uma economia social de mercado. Este modelo representa uma terceira via, que busca
harmonizar a eficiência de uma economia de mercado livre com os imperativos de
equidade e justiça social próprios de um Estado social.

Características Principais do Modelo:

 Liberdade de Empresa e Concorrência: Garantia constitucional da livre iniciativa aos


particulares, nacionais e estrangeiros, como motor principal da economia.
 Propriedade Privada e sua Função Social: A propriedade privada é garantida, mas o
seu exercício deve respeitar a sua “função social” (Art. 109º CRM), podendo o Estado
intervir para assegurar que serve o interesse colectivo.
 Intervencionismo Estatal Qualificado: O Estado não é um mero espectador. Actua
como:
Regulador: Define as regras do jogo económico e defende a concorrência.

Planeador: Elabora planos e estratégias nacionais de desenvolvimento (ex: Programa


Quinquenal do Governo).

Empresário: Mantém a propriedade de recursos e sectores considerados estratégicos


(ex: recursos minerais, energia – Art. 100º CRM).

Promotor da Justiça Social: Através de políticas fiscais, sociais e de redistribuição de


riqueza.

Este modelo busca, em teoria, criar um ambiente propício para o investimento e o


crescimento económico, assegurando ao mesmo tempo que os frutos do
desenvolvimento sejam distribuídos de forma mais equitativa pela população.

6
Conclusão

A evolução da Constituição Económica moçambicana é um reflexo da própria journey


da nação na busca de um modelo de desenvolvimento que conjugue crescimento
económico e bem-estar social. Do experimento socialista dos primeiros anos à abertura
económica dos anos 90, Moçambique estabilizou a sua orientação constitucional num
modelo de economia social de mercado.

Este modelo, consagrado na Constituição de 2004, assenta num delicado equilíbrio entre
a liberdade de iniciativa económica, necessária para gerar riqueza, e a intervenção
regulatória e promotora do Estado, indispensável para garantir justiça social, reduzir
assimetrias e orientar a economia para o desenvolvimento sustentável do país. O grande
desafio actual reside na efectiva implementação deste modelo, combatendo práticas de
corrupção, promovendo um ambiente de negócios verdadeiramente competitivo e
assegurando que a riqueza gerada pelos recursos naturais e pelo investimento se traduz
em melhores condições de vida para todos os moçambicanos.

7
Referências Bibliográficas

Canelas, P. (2019). Direito Constitucional Económico Moçambicano. Centro de


Estudos Jurídicos e Formação.

Canotilho, J. J. Gomes. (2003). Direito Constitucional e Teoria da Constituição.


Almedina.

Constituição da República de Moçambique. (2004). Imprensa Nacional de


Moçambique. (Com as revisões de 2007 e 2018).

Instituto Nacional de Estatística de Moçambique. (2021). Relatório Anual da Economia


Moçambicana.

Mosca, J. (2005). Economia de Moçambique: Século XX. Instituto Piaget.

Plano Quinquenal do Governo 2020-2024. (2020). República de Moçambique.

World Bank. (2022). Mozambique Economic Update. The World Bank Group.

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