O Brasil ocupa a terceira posição no ranking dos maiores produtores de frutas no
mundo, com uma produção em 2022 em torno de 41 milhões de toneladas, ficando atrás
apenas da China e da Índia, ressaltando a importância do setor para a economia brasileira
(Schneider, 2022). Geradora e distribuidora de renda, a fruticultura contribui
significativamente para o desenvolvimento do país. O segmento possui grande potencial
para o aumento no volume de produção, a partir do uso de novas tecnologias em conjunto
com práticas sustentáveis (MAPA, 2018). Do total produzido no país, cerca de 65% são
destinados para o consumo interno, enquanto 35% são destinados ao mercado externo.
Devido ao alto consumo nacional de frutas, o Brasil não se destaca entre os maiores
exportadores desse segmento (EMBRAPA, 2021).
A fruticultura está presente em todos os estados brasileiros, com crescimento
contínuo de produção e de área cultivada ao longo dos anos. Devido à grande extensão
territorial e vasta diversidade de clima e solo, o Brasil apresenta grande potencial de
expansão desta atividade. Hoje o país consegue produzir as mais variadas espécies, de
clima tropical, subtropical e temperado (Fachinello; Nachtigal; Kersten, 1996).
A fruta de maior destaque em produção no Brasil é a laranja, correspondendo por
mais de 40% das colheitas totais da fruticultura nacional (IBGE, 2025). O país é o maior
produtor e exportador do suco concentrado da fruta, principal produto extraído da laranja
(IBGE, 2025). A sua produção é concentrada no estado de São Paulo, que detém cerca de
75% da produção nacional. Depois da laranja, as frutas mais produzidas no país são a
banana e o abacaxi, com participação na produção nacional de 16 e 8% respectivamente
(IBGE, 2025)..
Vale destacar que a fruticultura está presente principalmente em pequenas
propriedades rurais da agricultura familiar, devido principalmente a capacidade de atingir
quantidades de produção e de renda compatível com pequenas áreas. Nas pequenas
propriedades o produtor tem buscado a diversificação da produção de frutas, com o
objetivo de escalonar sua oferta de produto durante todo o ano (Silva, 2015).
A fruticultura pode ser explorada com sucesso nos mercados estaduais, regionais e
locais. Porém, a cadeia produtiva deve estar preparada e se organizar além das técnicas de
cultivo, como ter e formar parcerias entre produtores, pesquisa, extensão, distribuidores e
o próprio consumidor, buscando a produção de frutas de boa qualidade, com oferta
regular, cumprindo a legislação a respeito do uso de agrotóxicos e a formulação de preço
competitivos (Fachinello; Nachtigal; Kersten, 1996).
Uma maneira de se diferenciar na atividade é a adoção de práticas sustentáveis de
produção, visto que a sociedade está cada vez mais buscando por alimentos
ecologicamente corretos. Um sistema que tem se destacado neste segmento é a Produção
Integrada de Frutas (PIF). Segundo Villani (2015), a PIF é baseada em um Sistema de
Produção que tem como princípio as Boas Práticas Agrícolas que consideram o uso de
novas tecnologias que possam resultar na certificação e no aumento da competitividade
de seus produtos.
Segundo Fonseca (2024), a diversidade da fruticultura brasileira, com cultivo em
todas as regiões do país, com frutas mundialmente conhecidas ou consumidas apenas
regionalmente, possui características comuns: valorização da terra e do homem do campo,
preservação dos recursos naturais e produção de alimentos saudáveis. A produção
nacional está crescendo e se desenvolvendo ano após ano, trazendo tecnologia e inovação
para as lavouras, sem abandonar um legado de gerações, que garante nutrição, geração de
renda para pequenos, médios e grandes produtores, preservação cultural e
sustentabilidade ambiental (MAPA, 2018).
No Nordeste brasileiro, a fruticultura tem crescido e ganhado destaque na economia
regional. Autores como Quintino, Khan e Lima (2010); Souza et al. (2018) e Ferreira e
Vieira Filho (2021), destacam a importância da fruticultura para a geração de emprego e
renda para os nordestinos, visto que a atividade exerce um papel determinante no
montante agrícola produzido na região, viabilizando a possibilidade de desenvolvimento
dessas economias historicamente fragilizadas. Dentre os Estados nordestinos, o
Maranhão é caracterizado pela abundância de recursos naturais e pela grande diversidade
de ecossistemas. O Estado conta com um regime pluviométrico quantitativamente
satisfatório; grandes reservatórios de água de boa qualidade; solos ora argilosos, ora
arenosos e, ainda, uma diversificada e rica fauna e flora (LEMOS, 2014). Por conta disso,
o potencial frutícola maranhense sempre foi visto com bons olhos.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca (SAGRIMA), as
culturas com maior potencial são as nativas (açaí, bacuri, buriti e pequi), mas, frutas
como banana, abacaxi, melancia, cajú e, até mesmo, a uva, também apresentam potencial
para se desenvolverem no Maranhão (SAGRIMA, 2014). No entanto, apesar dos avanços
recentes em outros cultivos presentes no Estado, por exemplo, soja, milho e o algodão, a
fruticultura maranhense ainda apresenta uma defasagem produtiva e tecnológica se
comparada às demais regiões do Nordeste brasileiro.
Segundo Vidal (2019), em um estudo publicado pelo Banco do Nordeste do Brasil
(BNB), o Maranhão responde por apenas 2% da participação relativa dos estados em
termos de área cultivada com fruticultura na jurisdição do BNB, ficando atrás de todos os
demais estados assistindo pela organização. Neste sentido, notou-se que, a banana, a
melancia e o coco-da-baía, são as três culturas que expressam as maiores áreas plantadas
no Estado. Seguindo temos, abacaxi, manga e maracujá. Por outro lado, quando levamos
em consideração a quantidade produzida (toneladas), esse cenário tende a mudar.
Mesmo algumas culturas apresentando variações crescentes em alguns anos, como
foi o caso da melancia em 2011 e abacaxi em 2015, de maneira geral, as curvas de
produção de todas as frutíferas analisadas apresentaram-se em uma posição decrescente,
mostrando que ao longo dos anos, a fruticultura maranhense vem diminuindo sua área de
produção e, consequentemente, a quantidade de frutas produzidas, algumas suposições
podem ser levantadas em consideração a essa diminuição nas áreas plantadas e nas
quantidades produzidas de frutas no Maranhão: a primeira, seria a falta de investimento e
incentivos voltados para desenvolvimento desse setor, o que consequentemente, leva ao
baixo uso de tecnologias que poderiam ajudar no aumento da produção.
Associado à baixa produção e produtividade, o volume de frutas que entra de outros
Estados nos municípios maranhenses provoca uma competição de preços com a produção
interna, já que essas frutas chegam a um preço muito mais baixo que as produzidas
internamente. Para Vidal (2019), a queda de produção das frutíferas, não vem ocorrendo
somente no Maranhão. Um estudo de 2017, aponta que as áreas cultivadas com culturas
permanentes na região Nordeste vêm caindo continuamente desde 2013 e se acentuaram
em 2017.
As sucessivas quedas, em área colhida e em quantidade produzida, podem estar
estreitamente associadas ao período de seca entre os dois últimos censos agropecuários. A
seca de 2012–2015 foi considerada a mais grave nas últimas décadas, com impactos em
muitos distritos das regiões semiáridas, principalmente as do Nordeste (Vidal; Ximenes,
2016). Essa redução pode ser proveniente de alguns fatores, entre eles, a falta de
investimento e incentivos voltados para desenvolvimento desse setor, o que,
consequentemente, leva ao baixo uso de tecnologias que poderia ajudar no aumento da
produção; falta de competitivi-dade interna em relação aos preços das frutas que chegam
de outros Estados, provocando um desestimulo à produção e; principalmente, a grande
concorrência de frutas dos outros Estados, principalmente dos nordestinos. Por fim, tanto
a literatura e os órgãos oficiais apresentam pouquíssimas informações sobre as inovações
tecnológicas na produção de frutas e sobre transporte e meios de comercialização das
frutas produzidas no Estado, o que impede uma análise mais aprofundada sobre esses
temas para o Estado.
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