LEI Nº 8.666, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2024.
Dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo
determinado para atendimento de necessidade
temporária de excepcional interesse público e dá
outras providências.
Autores: Poder Executivo e das Comissões de
Justiça e Redação, de Administração e Assuntos
Ligados ao Servidor Público, de Higiene, Saúde
Pública e Bem-Estar Social, de Proteção e Defesa
Civil, de Educação, de Assistência Social, de
Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática, de
Esportes, Lazer e Eventos, de Trabalho e Emprego e
de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira.
O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º A Administração Pública Municipal Direta e Indireta poderá, nos termos do
inciso IX do art. 37 da Constituição Federal, contratar pessoal por tempo determinado
para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, observadas as
condições previstas nesta Lei.
§ 1º Entende-se como de excepcional interesse público a situação que demande urgência
para assegurar a prestação regular ou a continuidade de serviço público essencial e que
não possa ser atendida com o quadro de pessoal permanente de que dispõe a
Administração Pública Municipal Direta e Indireta, ou aquela que, por sua
transitoriedade e/ou excepcionalidade, não justifique a admissão de pessoal em caráter
permanente.
§ 2º É admissível a contratação por tempo determinado para o desempenho de
atividades de caráter regular ou permanente pelo tempo necessário ao atendimento da
demanda de pessoal gerada pelo afastamento ou desligamento de servidores efetivos,
ou, ainda, para suprir a carência ou insuficiência de pessoal, em situações excepcionais
e/ou imprevisíveis, devidamente justificadas.
Art. 2º Considera-se necessidade temporária de excepcional interesse público, dentre
outras, as seguintes hipóteses de atendimento:
I - a situações de emergência, inclusive combate a surtos, epidemias, endemias e
pandemias, bem como a realização de campanhas de saúde pública;
II - a situações de calamidade pública, assim decretada;
III - à área de educação, nos casos de carência de professores ou de profissionais de
apoio à educação;
IV - à área de saúde pública;
V - à área de assistência social;
VI - à área de tecnologia da informação;
VII - à necessidade de obras de saneamento básico, contenção ou melhorias
emergenciais;
VIII - à necessidade de contratação de pessoal pela Administração Pública Municipal
Direta e Indireta na hipótese de extinção de contrato administrativo de concessão de
serviço público ou de parceria público-privada, com a finalidade de garantir a
continuidade da sua prestação;
IX - a situações de urgência para garantir a realização de eventos públicos; e
X - ao desempenho de atividades regulares da Administração, quando necessária à
reposição da insuficiência de pessoal.
Art. 3º A contratação de que trata esta Lei obedecerá aos seguintes prazos:
I - no caso dos incisos I e II do art. 2º desta Lei, de até 6 (seis) meses, prorrogável uma
única vez, por, no máximo, igual período;
II - no caso dos incisos III, IV, V, VI, VIII e X do art. 2º desta Lei, de até 1 (um) ano,
prorrogável por até 5 (cinco) vezes, por, no máximo, iguais períodos;
III - no caso do inciso VII do art. 2º desta Lei, de até 1 (um) ano, prorrogável uma única
vez, por, no máximo, igual período;
IV - no caso do inciso IX do art. 2º desta Lei, de até 3 (três) meses, prorrogável uma
única vez, por, no máximo, igual período.
§ 1º O ato de prorrogação deverá ser devidamente motivado pelo órgão ou entidade
contratante, que deverá demonstrar a manutenção da situação de necessidade temporária
de excepcional interesse público que ensejou a contratação.
§ 2º Os contratos celebrados serão rescindidos automaticamente quando findos os
prazos neles estipulados, incluídas as eventuais prorrogações.
§ 3º A contratação por tempo determinado prevista no inciso VIII do art. 2º desta Lei se
encerrará antes do seu prazo, caso seja concluída licitação e celebrado novo contrato de
concessão de serviço público.
Art. 4º É vedada a celebração de novo contrato por tempo determinado com o mesmo
contratado, no período de 3 (três) meses após a extinção do contrato anterior.
Art. 5º A contratação por tempo determinado reger-se-á exclusivamente pelo disposto
nesta Lei, não havendo incidência direta ou subsidiária das disposições do Decreto-Lei
nº 5.452, de 1º de maio de 1943 - Consolidação das Leis do Trabalho - CLT ou da Lei
Municipal nº 94, de 14 de março de 1979 - Estatuto dos Funcionários Públicos do Poder
Executivo do Município do Rio de Janeiro, assegurando-se os seguintes direitos aos
contratados:
I - remuneração justa, equivalente ao salário-mínimo ou superior, conforme a função e
carga horária, devendo observar ainda o disposto no § 3º deste artigo;
II - décimo terceiro salário;
III - jornada de trabalho máxima de 44 (quarenta e quatro) horas semanais;
IV - descanso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
V - licença remunerada de 30 (trinta) dias corridos, a cada 12 (doze) meses trabalhados,
em valor equivalente à média das remunerações percebidas no período;
VI - licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias corridos, para a mãe biológica e
adotiva, independentemente da idade do adotado;
VII - licença-paternidade de 5 (cinco) dias corridos, a partir da data do nascimento ou da
adoção;
VIII - licença de 3 (três) dias consecutivos por motivos de seu casamento ou de
falecimento de cônjuge, pais, filhos ou irmãos; e
IX - licença para tratamento de sua saúde ou por motivo de acidente ocorrido em
serviço ou de doença ocupacional, observada a legislação previdenciária aplicável.
§ 1º Será aplicado aos contratados nos termos desta Lei o Regime Geral de Previdência
Social.
§ 2º Ficam vedadas quaisquer outras espécies de afastamentos, que não as especificadas
neste artigo.
§ 3º A remuneração do pessoal contratado nos termos desta Lei será fixada em
importância não superior ao valor da remuneração dos servidores do quadro permanente
que desempenhem funções semelhantes, excluídas as vantagens pessoais, ou, se não
existir a similitude, em condições do mercado de trabalho.
§ 4º No caso da contratação por tempo determinado em razão da extinção ou
intervenção em contrato administrativo de concessão de serviço público, fica facultada a
adoção do regramento do Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 - Consolidação
das Leis do Trabalho - CLT, a fim de garantir a continuidade do serviço público.
§ 5º O décimo terceiro salário será correspondente a 1/12 (um doze avos) da
remuneração a que o contratado faça jus por mês de exercício no respectivo ano,
considerando-se como mês integral a fração igual ou superior a 15 (quinze) dias.
§ 6º No caso de extinção do contrato por tempo determinado, o contratado fará jus ao
recebimento proporcional das parcelas previstas nos incisos II e V deste artigo,
calculadas na proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de efetivo exercício.
Art. 6º A contratação realizada nos termos desta Lei será precedida de processo seletivo
simplificado, com critérios objetivos de seleção definidos em Edital, sujeito a ampla e
prévia divulgação.
§ 1º O processo seletivo simplificado será realizado por meio de Comissão Especial ou
Permanente, com a participação de servidores do órgão ou da entidade solicitante,
instituída para esse fim, a qual definirá as etapas do certame a ser fixado em edital, que
conterá, no mínimo, as seguintes informações:
I - requisitos de habilitação;
II - critérios de classificação dos candidatos habilitados, caso seja ultrapassado o
número de vagas oferecido;
III - função, com descrição das atribuições a serem desempenhadas, e carga horária;
IV - número de vagas;
V - remuneração;
VI - jornada de trabalho;
VII - prazo de validade do processo seletivo simplificado;
VIII - prazo de duração do contrato por tempo determinado;
IX - critérios objetivos de seleção;
X - fases do processo seletivo simplificado, assegurada a realização, pelo menos, de
etapa de análise curricular com critérios de pontuação objetiva; e
XI - hipóteses de rescisão do contrato por tempo determinado.
§ 2º A divulgação do número de vagas em edital consiste em mera estimativa da
Administração Pública Municipal Direta e Indireta da necessidade temporária de
excepcional interesse público, e não gera direito adquirido à contratação por tempo
determinado dos classificados nos processos seletivos simplificados, assegurado, em
qualquer caso, o respeito, respectivamente, à ordem cronológica dos editais
anteriormente publicados que estejam vigentes e com aprovados remanescentes, bem
como à ordem de classificação de cada certame.
§ 3º O edital do processo seletivo simplificado poderá prever o regime de escala de
serviço ou plantão, desde que respeitada a carga horária máxima prevista no inciso III
do art. 5º desta Lei.
Art. 7º O candidato deverá preencher os seguintes requisitos mínimos de habilitação,
que necessariamente constarão do edital, para a contratação:
I - possuir 18 (dezoito) anos de idade completos ao tempo da contratação;
II - estar quite com as obrigações eleitorais;
III - estar em dia com as obrigações militares, se do sexo masculino;
IV - gozar de boa saúde física e mental;
V - não ser portador de deficiência incompatível com o exercício das funções a serem
desempenhadas;
VI - possuir escolaridade ou formação e/ou habilitação profissional específica para o
exercício da função, conforme o caso;
VII - não ter sofrido, no exercício de cargo, função ou emprego público, penalidade
incompatível com a nova admissão;
VIII - não ser aposentado por invalidez;
IX - não estar em acumulação de cargo, emprego ou função pública vedada pela
Constituição Federal.
Parágrafo único. O contratado deverá manter, durante toda a vigência do contrato, as
condições de habilitação previstas nesta Lei e no respectivo edital, sob pena de rescisão
do contrato.
Art. 8º A publicação de editais de processos seletivos simplificados para contratação por
tempo determinado exigirá prévia autorização do Chefe do Poder Executivo.
§ 1º O pedido de autorização para abertura do processo seletivo, encaminhado pelo
Secretário Municipal ou pela autoridade máxima da entidade ou empresa municipal da
Administração Indireta, deverá ser instruído com:
I - justificativa e indicação da hipótese legal autorizativa da contratação pretendida;
II - indicação da quantidade de agentes que serão contratados, das funções que serão
exercidas e do valor da remuneração;
III - indicação da dotação orçamentária que suportará a despesa com a contratação
temporária;
IV - observância dos requisitos do art. 16 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de
2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal;
V - minuta de edital de processo seletivo simplificado e do contrato por tempo
determinado que será celebrado;
VI - parecer da Procuradoria Geral do Município - PGM ou da Assessoria Jurídica da
entidade ou empresa municipal; e
VII - parecer da Comissão de Programação e Controle da Despesa de Pessoal -
CODESP.
§ 2º A competência do Chefe do Poder Executivo para autorização de publicação de
edital de processo seletivo poderá ser delegada, por Decreto, aos Secretários Municipais
ou às autoridades máximas de entidades ou empresas municipais da Administração
Indireta, vedada a subdelegação, devendo ser cumpridos os requisitos de instrução
processual definidos no § 1º deste artigo.
Art. 9º Encerrado o processo seletivo simplificado, deverá haver a publicação, pelo
órgão ou entidade contratante, da relação nominal dos candidatos habilitados, em ordem
decrescente de classificação, no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro.
Art. 10. A contratação de pessoal por tempo determinado será celebrada pelo respectivo
Secretário Municipal ou pela autoridade máxima da entidade ou empresa municipal,
podendo tal competência ser delegada, através de ato próprio, vedada a subdelegação.
Parágrafo único. O extrato do contrato celebrado será publicado no prazo de 30 (trinta)
dias de sua assinatura, contendo nome do contratado, sua qualificação, local de lotação,
indicação da função temporária, e prazo de duração do contrato.
Art. 11. O contratado deverá iniciar o exercício da função na data contratualmente
estabelecida, sob pena de tornar-se sem efeito a admissão, exceto se prorrogado, por
justa causa devidamente comprovada e aceita pela Administração Pública Municipal
Direta e Indireta.
§ 1º A prorrogação do início do exercício, nunca superior a 15 (quinze) dias, poderá
ocorrer a critério da autoridade responsável pela contratação, nos termos do art. 10 desta
Lei.
§ 2º A comprovação do fato impeditivo ao início do exercício da função deverá ser feita
pelo interessado até o dia estabelecido para o início das atividades, pessoalmente ou por
procurador devidamente constituído.
Art. 12. O contrato por tempo determinado se extinguirá sem direito a indenizações,
ressalvadas as parcelas previstas no § 6º do art. 5º desta Lei, nos seguintes casos:
I - pelo término do prazo contratual;
II - por iniciativa do contratante, nos casos:
a) de cometimento de infração funcional, contratual ou legal por parte do contratado,
apurada em regular processo administrativo, observados o contraditório e a ampla
defesa;
b) de decisão unilateral, devidamente fundamentada no interesse público, da
Administração Pública Municipal Direta e Indireta; ou
c) de o contratado deixar de atender as condições de habilitação previstas nesta Lei e no
edital.
III - por iniciativa do contratado; ou
IV - pelo óbito do contratado.
Parágrafo único. Consideram-se infrações funcionais, dentre outras, as seguintes
condutas:
I - prática de crime contra a Administração Pública;
II - prática de ato de improbidade;
III - desobediência a ordem de superior hierárquico, salvo no caso de manifesta
ilegalidade;
IV - conduta incompatível com o decoro e a dignidade da função pública;
V - insubordinação ou impontualidade habitual; e
VI - a divulgação de segredo ou de informação confidencial ou privilegiada de que
tenha conhecimento em razão da função.
Art. 13. Constitui falta grave, sujeitando a autoridade contratante, nos termos do art. 10
desta Lei, a responsabilidade funcional e patrimonial:
I - permitir a prestação de serviços antes de atendidas as formalidades para a contratação
prevista nesta Lei;
II - efetuar a publicação de edital de processo seletivo simplificado sem a anterior
autorização de que trata o caput do art. 8º desta Lei;
III - admitir a contratação sem que o candidato comprove os requisitos mínimos
previstos no art. 7º e no edital; e
IV - permitir a continuidade da prestação dos serviços após o término do prazo do
contrato ou deixar de promover os atos necessários à sua rescisão.
Art. 14. As despesas para atender as contratações a que se refere esta Lei correrão à
conta de dotações orçamentárias próprias.
Art. 15. Os editais de contratação por tempo determinado publicados sob a égide das
Leis Municipais nº 1.978/93 e nº 2.217/94 têm sua validade e eficácia preservados,
inclusive para efeitos de eventuais contratações e prorrogações, a critério do órgão ou
entidade contratante, mantendo-se regidos pelas referidas leis.
Parágrafo único. É vedada, a partir da vigência desta Lei, a publicação de novos editais
de contratação por tempo determinado que adotem regime jurídico diverso do previsto
nesta Lei.
Art. 16. O Poder Executivo editará os atos necessários à regulamentação desta Lei.
Art. 17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 18. Ficam revogadas:
I - a Lei nº 1.978, de 26 de maio de 1993; e
II - a Lei nº 2.217, de 23 de setembro de 1994.
NILTON CALDEIRA
Prefeito em exercício
[Link] de 11.11.2024
DCM de 11.11.2024