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Apostila Com Capa

A apostila de História do Maranhão para concursos abrange a colonização, o império e a república, destacando eventos como a expedição francesa, a fundação de São Luís e a Batalha de Guaxenduba. O documento explora a presença francesa e suas tentativas de colonização, a resistência indígena e a subsequente consolidação do domínio português. Além disso, aborda a invasão holandesa e suas implicações econômicas e territoriais na região.

Enviado por

Tiago Veras
Direitos autorais
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A apostila de História do Maranhão para concursos abrange a colonização, o império e a república, destacando eventos como a expedição francesa, a fundação de São Luís e a Batalha de Guaxenduba. O documento explora a presença francesa e suas tentativas de colonização, a resistência indígena e a subsequente consolidação do domínio português. Além disso, aborda a invasão holandesa e suas implicações econômicas e territoriais na região.

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+ QUESTÕES

ESQUEMATIZADA

APOSTILA DE
HISTÓRIA DO
MARANHÃO
PARA CONCURSOS

COLÔNIA
IMPÉRIO
REPÚBLICA

PROF.
DAWDSON
SUMÁRIO

1 França equinocial: expedição de Daniel de La Touche 2


2 Fundação de São Luís 3
3 Batalha de Guaxenduba 5
4 A invasão holandesa 7
5 A expulsão dos holandeses 9
6 O Estado do Maranhão e Grão‐Pará: a Revolta de Bequimão. Causas. Companhia de 10
Comércio do Maranhão e Grão‐Pará. Os objetivos da Revolta
7 Período do Império 14
7.1 Adesão do Maranhão 14
7.2 A Independência do Brasil. Causas da não adesão: a batalha do Jenipapo 15
8 A Balaiada: caracterização e causas do movimento 19
9 Período Republicano: adesão do Maranhão à República 24
10 A Revolução de 1930 no Maranhão 27
11 O Vitorinismo e a Greve de 1951 29
12 Os principais fatos políticos, econômicos e sociais ocorridos no Maranhão, na 30
segunda metade do século XX.
12.1 Fatos políticos 30
12.2 Fatos econômicos e sociais 32
13 QUESTÕES 27
14 QUESTÕES DE CERTO E ERRADO 34

1
1 França equinocial: expedição de Daniel de La Touche

A presença francesa no Norte do Brasil, durante o século XVII, deve ser compreendida no
contexto das disputas entre franceses e portugueses. Inicialmente limitada à competição na
indústria extrativa do pau-brasil e outros recursos tropicais, essa presença evoluiu para um projeto
de colonização visando estabelecer-se permanentemente na região. Embora iniciado por interesses
particulares, o empreendimento de colonização francesa no Maranhão recebeu apoio real.
À medida que a colonização portuguesa se fortalecia ao longo do litoral brasileiro, os
franceses avançavam progressivamente para o norte. As incursões francesas no Brasil nos séculos
XVI e XVII ocorreram em direção oposta, do sul para o norte, começando no Rio de Janeiro em 1555
e culminando no Maranhão em 1615.
Esse movimento foi em grande parte influenciado pela união ibérica em 1580. A Espanha
exigiu que a ocupação do Brasil avançasse para o norte, visando proteger suas minas no Peru de
possíveis invasões estrangeiras. O Maranhão e a Amazônia eram portas de entrada para essas
regiões mineradoras, tornando-os alvos das incursões francesas.
Embora Daniel de la Touche, Senhor de la Ravardière, seja frequentemente lembrado como
o líder principal da expedição ao Maranhão, é importante destacar o papel essencial de François de
Razilly nos preparativos e na administração do empreendimento. O projeto França Equinocial foi
liderado por Razilly e La Ravardière, com Razilly desempenhando um papel crucial, apesar de sua
ausência durante os eventos finais devido à sua permanência na França.
Apesar das intenções francesas de estabelecer uma colônia no Maranhão, sua permanência
de apenas três anos e quatro meses não foi suficiente para consolidar um assentamento
permanente. A França Equinocial não conseguiu estabelecer raízes antes da chegada dos
portugueses, e sua experiência não se tornou um modelo de colonização do século XVII.
Durante sua estadia no Maranhão, os franceses dependiam fortemente das alianças com as
tribos Tupinambás. Sem o apoio dessas tribos, sua presença na região seria inviável. Os Tupinambás
buscaram aliar-se aos franceses como forma de resistir à dominação portuguesa e preservar sua
cultura e modo de vida.

2
No entanto, após a derrota na batalha de Guaxenduba e a expulsão definitiva pelos
portugueses, a tentativa francesa de colonizar o Maranhão chegou ao fim. Assim, a França Equinocial
tornou-se mais uma entre as malsucedidas tentativas de ocupação francesa no Brasil.

❖ Esquema do Texto

➢ Contexto Histórico
✓ Disputas entre franceses e portugueses no século XVII.
✓ Evolução da presença francesa no Norte do Brasil.
✓ Avanço progressivo dos franceses em direção ao norte.

➢ Influência da União Ibérica


✓ Exigências da Espanha devido à união ibérica em 1580.
✓ Necessidade de ocupação do Brasil em direção ao norte para proteger minas no Peru.
✓ Maranhão e Amazônia como alvos das incursões francesas.

➢ Liderança na Expedição
✓ Papel de François de Razilly nos preparativos e administração.
✓ Projeto França Equinocial liderado por Razilly e La Ravardière.
✓ Importância de Razilly apesar de sua ausência nos eventos finais.

➢ Resultados da Expedição
✓ Fracasso em consolidar um assentamento permanente.
✓ Dependência das alianças com as tribos Tupinambás.
✓ Derrota na batalha de Guaxenduba e expulsão pelos portugueses.

➢ Conclusão
✓ França Equinocial como uma das tentativas malsucedidas de ocupação francesa no
Brasil.

2 Fundação de São Luís

Figura 1: Instituto Histórico e Geofráfico do Maranhão

3
Desde os tempos das capitanias hereditárias, diversas expedições foram enviadas ao
Maranhão com o objetivo de estabelecer domínio sobre a área. A capitania do Maranhão,
possivelmente a maior delas, foi concedida ao nobre e rico português João de Barros. A primeira
dessas expedições, em 1535, contava com dez navios, 900 homens e 113 cavalos. Entretanto, o
naufrágio de algumas embarcações ao se aproximarem da ilha impossibilitou o sucesso da
empreitada. Uma segunda tentativa, em 1554, envolveu três navios e doze caravelas, que também
naufragaram nas proximidades da ilha. Expedições terrestres foram igualmente frustradas devido à
resistência dos indígenas, deixando a região sem a presença portuguesa por um longo período.
Enquanto isso, os franceses, por diferentes rotas, estabeleceram em 1594 um posto de
comércio de madeira em uma localização conhecida pelos indígenas como "Upaon-Açu".
Insatisfeitos com sua exclusão do comércio internacional, em 1612, os franceses idealiza ram criar
uma colônia nos trópicos, denominada "França Equinocial". Em uma missão liderada por Daniel de
La Touche, três navios transportaram 500 homens, acompanhados pelos padres capuchinhos Frei
Ambrosio D'Amiens, Frei Ivo D'Evreux, Frei Arsênio de Paris e Frei Claude D'Abbevile. Chegaram ao
local e estabeleceram um forte, posteriormente conhecido como o Palácio dos Leões, além de cerca
de 40 residências. O forte foi batizado de "Saint Louis" em homenagem ao Rei da França, com a
primeira missa sendo celebrada em 8 de janeiro de 1612.
No entanto, esse projeto teve uma duração de apenas um ano e alguns meses. Ao tomar
conhecimento da chegada dos franceses e de suas intenções, os portugueses se mobilizaram
rapidamente para defender sua hegemonia na região.
Após a morte do rei de Portugal, Dom Sebastião, em 1580, sem deixar herdeiros, o trono foi
reivindicado pelo rei da Espanha, Dom Felipe II, que uniu os dois reinos, criando um vasto império
ultramarino. Foi nesse contexto que o reino unido de Espanha e Portugal soube da invasão francesa
no norte do país. Para evitar a presença de estrangeiros na região norte e proteger o fornecimento
de ouro no Peru, a Espanha apoiou os esforços de Portugal, enviando um grupo militar de 400
homens liderados por Alexandre Moura. Com o auxílio de índios amigos, vindos da região de
Pernambuco, Moura construiu um forte na Baía de Guaxenduba e preparou-se para o ataque. Os
franceses, informados previamente, tentaram atacar primeiro com seus aliados tupinambás, mas
foram surpreendidos e derrotados na Batalha de Guaxenduba.
Após a vitória em 1615, em negociação com os portugueses, os franceses remanescentes no
forte se renderam e retornaram à França. Os que haviam se casado com mulheres indígenas
permaneceram na região. O português Jerônimo de Albuquerque foi encarregado de organizar a
formação da cidade, estabelecendo câmaras com juízes, vereadores e um procurador. O engenheiro
Francisco Frias, engenheiro-chefe do Brasil na época, participou da conquista de São Luís e planejou
a cidade com ruas retas e características regulares das cidades espanholas daquele período.

❖ Esquema do Texto

➢ Expedições ao Maranhão nas Capitanias Hereditárias


✓ Tentativas de estabelecer domínio na área desde os tempos das capitanias hereditárias.
✓ Concessão da capitania do Maranhão a João de Barros.
✓ Fracasso das expedições em 1535 e 1554 devido a naufrágios e resistência indígena.

4
➢ Estabelecimento Francês em 1594
✓ Franceses estabelecem posto de comércio de madeira em Upaon-Açu.
✓ Insatisfação dos franceses leva à idealização da colônia "França Equinocial" em 1612.
✓ Missão liderada por Daniel de La Touche chega ao local, estabelece forte (Saint Louis) e
celebra primeira missa em 8 de janeiro de 1612.

➢ Reação Portuguesa e Espanhola


✓ Mobilização portuguesa para defender sua hegemonia.
✓ União Ibérica após a morte de Dom Sebastião em 1580.
✓ Apoio da Espanha aos esforços de Portugal para expulsar os franceses.

➢ Batalha de Guaxenduba e Vitória Portuguesa


✓ Construção de forte por Alexandre Moura na Baía de Guaxenduba.
✓ Ataque dos franceses e aliados tupinambás.
✓ Derrota dos franceses na Batalha de Guaxenduba em 1615.

➢ Consequências e Fundação de São Luís


✓ Rendição dos franceses remanescentes em 1615.
✓ Permanência na região dos que se casaram com mulheres indígenas.
✓ Jerônimo de Albuquerque encarregado de organizar a formação da cidade.
✓ Planejamento da cidade por Francisco Frias com ruas retas e características espanholas.

3 Batalha de Guaxenduba

Figura 2: Ilustração da Batalha

A Batalha de Guaxenduba representa um marco significativo na história colonial do Brasil,


especialmente na região do Maranhão. Este confronto militar entre as forças portuguesas e
francesas, ocorrido em 1615, teve desdobramentos importantes não apenas para a expulsão
definitiva dos franceses da região, mas também para a consolidação do domínio português na área
e, consequentemente, para o processo de formação do Brasil enquanto nação.

5
Contexto Histórico

No contexto das disputas coloniais entre as potências europeias no Novo Mundo, o Brasil
era alvo de constantes invasões e tentativas de colonização. Os franceses, em particular, buscavam
estabelecer colônias em territórios pertencentes a Portugal, como forma de expandir seu domínio
sobre as ricas terras americanas.

Antecedentes da Batalha de Guaxenduba

Antes da Batalha de Guaxenduba, os franceses haviam tentado estabelecer uma colônia


no Rio de Janeiro em 1555, mas foram derrotados pelas forças portuguesas. Em 1612, utilizando
alianças com indígenas locais, os franceses novamente tentaram colonizar o ter ritório português,
fundando a povoação de Saint Louis e construindo o Forte de São Luís do Maranhão.

O Confronto em Guaxenduba

O embate em Guaxenduba teve início em novembro de 1614, quando tropas portuguesas


detectaram a chegada silenciosa de embarcações francesas à costa próxima ao Forte de Santa Maria,
na foz do Rio Munim. Sob o comando de Jerônimo de Albuquerque, os portugueses tentaram um
ataque, mas recuaram diante do grande número de inimigos. Iniciou-se então uma intensa troca de
tiros entre as duas partes.

Desenvolvimento e Desfecho

Os franceses, sob o comando de Monsieur de la Fos Benart, fortificaram um pequeno


morro com trincheiras, enquanto os portugueses liderados por Albuquerque avançaram
secretamente. Após intensos combates, os franceses foram forçados a recuar para o Forte de Saint
Louis. Após uma trégua temporária, as tropas portuguesas, reforçadas, exigiram a retirada dos
franceses. Diante da imposição, os franceses se renderam em 1º de novembro de 1615, com Daniel
de la Touche sendo preso por Alexandre de Moura.

Consequências e Impacto

A vitória portuguesa em Guaxenduba teve profundas consequências para a região. O


Maranhão passou a ser governado por capitães-mores, e a disputa pelo poder entre as capitanias do
Maranhão e do Grão Pará intensificou-se. Esta batalha marcou um ponto crucial na consolidação do
domínio português na região norte do Brasil, contribuindo para a unificação territorial e política do
país. Além disso, a derrota dos franceses em Guaxenduba representou um passo importante na
afirmação da soberania portuguesa sobre o território brasileiro, estabelecendo as bases para o
processo de construção da identidade nacional brasileira.

6
Esquema do texto

➢ Contexto Histórico
✓ Disputas coloniais europeias no Novo Mundo
✓ Tentativas de colonização francesa no Brasil

➢ Antecedentes da Batalha
✓ Tentativa de estabelecimento de colônia francesa no Rio de Janeiro em 1555
✓ Fundação da povoação de Saint Louis e construção do Forte de São Luís do Maranhão em
1612

➢ O Confronto em Guaxenduba
✓ Início em novembro de 1614
✓ Detecção da chegada de embarcações francesas próximo ao Forte de Santa Maria
✓ Tentativa de ataque português liderado por Jerônimo de Albuquerque

➢ Desenvolvimento e Desfecho
✓ Fortificação do morro com trincheiras pelos franceses
✓ Avanço secreto dos portugueses
✓ Intensos combates e recuo dos franceses para o Forte de Saint Louis
✓ Trégua temporária e exigência de retirada dos franceses pelas tropas portuguesas
✓ Rendição dos franceses em 1º de novembro de 1615 e prisão de Daniel de la Touche por
Alexandre de Moura

➢ Consequências e Impacto
✓ Governo do Maranhão por capitães-mores
✓ Intensificação da disputa pelo poder entre as capitanias do Maranhão e do Grão Pará
✓ Consolidação do domínio português na região norte do Brasil
✓ Contribuição para a unificação territorial e política do país
✓ Afirmação da soberania portuguesa sobre o território brasileiro
✓ Estabelecimento das bases para o processo de construção da identidade nacional brasileira

4 A invasão holandesa

7
A relação dos holandeses com a economia açucareira era profunda e lucrativa, mas
quando Portugal e suas colônias passaram para o domínio espanhol, o acesso holandês ao açúcar
brasileiro foi proibido. Isso representou um golpe significativo para os interesses comerciais dos
holandeses, que dependiam fortemente desse comércio para sustentar sua economia. Diante dessa
restrição, decidiram agir de forma ousada: invadir o Brasil.
A invasão começou pela Bahia e, em seguida, os holandeses avançaram para
Pernambuco, estendendo sua influência pelo Nordeste brasileiro. Em novembro de 1641, as tropas
holandesas desembarcaram no Maranhão, lideradas por João Corneles Lichtardt. Com uma esquadra
de dois mil homens, ancoraram nas terras maranhenses, na enseada da Araçagi, e seguiram em
direção à foz do rio Bacanga, onde desembarcaram no porto de Nossa Senhora do Desterro, hoje
conhecido como Portinho.
A chegada dos holandeses causou grande tumulto em São Luís. Saquearam a cidade,
profanaram igrejas e aterrorizaram a população. O governador Bento Maciel Parente foi
aprisionado, mesmo após ter ordenado a rendição de seus soldados. Sob o domínio holandês, a
população foi coagida a prestar juramento público ao governo e à bandeira holandesa.
Nesse cenário de opressão, Pedro Dessaes emergiu como um exemplo de coragem e
lealdade. Ao ser convocado para prestar juramento aos holandeses, recusou-se a fazê-lo, afirmando
que sua palavra já havia sido dada em juramento ao rei de Portugal. Essa demonstração de bravura
e fidelidade lhe rendeu o perdão dos holandeses, mesmo sem ter prestado o juramento exigido.
Esses eventos ilustram não apenas a determinação dos holandeses em manter seus
interesses comerciais, mas também a resistência e a firmeza do povo brasileiro diante da invasão
estrangeira. A história de Pedro Dessaes destaca-se como um símbolo de honra e compromisso com
a pátria, mesmo nos momentos mais difíceis.

❖ Esquema do texto
➢ Contexto:
✓ Domínio espanhol sobre Portugal e suas colônias.
✓ Proibição dos holandeses de comercializarem o açúcar brasileiro.

➢ Invasão Holandesa:
✓ Início pela Bahia e expansão para Pernambuco.
✓ Desembarque no Maranhão em novembro de 1641.
✓ Comandada por João Corneles Lichtardt.
✓ Esquadra de dois mil homens.
✓ Ancoragem na enseada da Araçagi.
✓ Desembarque no porto de Nossa Senhora do Desterro (Portinho).

➢ Desdobramentos da Invasão:
✓ Saque e profanação em São Luís.
✓ Aprisionamento do governador Bento Maciel Parente.
✓ Coerção da população para prestar juramento à bandeira holandesa.

➢ Atitude de Pedro Dessaes:


8
✓ Recusa em prestar juramento aos holandeses.
✓ Justificativa: lealdade ao rei de Portugal.
✓ Reconhecimento e perdão dos holandeses pela sua bravura.

➢ Significado dos Eventos:


✓ Demonstração da determinação holandesa em manter seus interesses comerciais.
✓ Resistência e firmeza do povo brasileiro diante da invasão estrangeira.
✓ Exemplo de honra e compromisso patriótico representado por Pedro Dessaes.

5 A expulsão dos holandeses

Sob a liderança de Antônio Muniz Barreiros, os proprietários de engenho enfrentaram


corajosamente os invasores holandeses, contando com o apoio estratégico dos jesuítas, que viam
seus interesses religiosos ameaçados pela presença protestante dos holandeses em terras
brasileiras.
Em setembro de 1642, a resistência ganhou força quando os patriotas atacaram e
venceram cinco engenhos na vila de Itapecuru, demonstrando sua determinação em expulsar os
invasores estrangeiros. A vitória os encorajou a seguir em frente, marchando em direçã o à cidade
de São Luís, onde estabeleceram um acampamento estratégico no Outeiro da Cruz, um ponto
estratégico que lhes oferecia vantagens táticas.
No entanto, a luta não foi fácil. Durante o conflito, Antônio Muniz Barreiros, um dos
líderes da resistência, foi ferido mortalmente em combate, deixando um vazio de liderança que seria
preenchido por Teixeira de Melo, um outro patriota destemido e determinado.
Os rebeldes, sob o comando de Teixeira de Melo, enfrentaram inúmeros desafios,
incluindo emboscadas e ataques surpresa, enquanto lutavam para libertar sua terra da ocupação
estrangeira. Apesar das dificuldades, sua determinação e coragem foram recompensada s quando,
em fevereiro de 1644, finalmente conseguiram expulsar os holandeses do Maranhão.
Esse episódio histórico, conhecido como a Revolta Maranhense, foi um dos primeiros
movimentos de resistência contra a dominação estrangeira no Brasil. A união e a bravura dos
maranhenses serviram como exemplo inspirador para outros movimentos de libertação em todo o
país.
Enquanto isso, em Pernambuco, a coexistência pacífica entre holandeses e brasileiros foi
temporária. As crescentes pressões da WIC sobre os brasileiros acabaram gerando tensões que
culminaram na Insurreição Pernambucana (1645-1654), um conflito prolongado que resultou na
expulsão dos holandeses do Brasil e na afirmação da soberania brasileira sobre suas terras.

❖ Esquema do texto

➢ Contexto Inicial:
✓ Dominância holandesa na economia açucareira.
✓ Proibição do comércio de açúcar brasileiro pelos espanhóis.

➢ Invasão Holandesa:
9
✓ Motivação: Preservar o lucrativo comércio de açúcar.
✓ Invasão começou pela Bahia, seguida de Pernambuco e, posteriormente, Maranhão (1641).
✓ Desembarque de uma esquadra holandesa liderada por João Corneles Lichtardt.
✓ Saque e profanação de igrejas em São Luís, causando pânico na população.

➢ Resistência e Revolta:
✓ Proprietários de engenho, liderados por Antônio Muniz Barreiros, enfrentaram os
holandeses.
✓ Aliança estratégica com os jesuítas.
✓ Em setembro de 1642, ataques bem-sucedidos a engenhos na vila de Itapecuru.
✓ Avanço em direção a São Luís, estabelecendo acampamento no Outeiro da Cruz.
✓ Mortalmente ferido, Barreiros é substituído por Teixeira de Melo.
✓ Resistência enfrenta emboscadas e ataques surpresa.

➢ Expulsão dos Holandeses:


✓ Após lutas persistentes, os holandeses são finalmente expulsos em fevereiro de 1644.
✓ A Revolta Maranhense é reconhecida como um dos primeiros movimentos de resistência
contra a dominação estrangeira no Brasil.

❖ Desdobramentos em Pernambuco:
✓ Temporária coexistência pacífica entre holandeses e brasileiros.
✓ Pressões da WIC sobre os brasileiros levam a atritos.
✓ A Insurreição Pernambucana (1645-1654) culmina na expulsão dos holandeses e na
afirmação da soberania brasileira sobre suas terras.

6 O Estado do Maranhão e Grão‐Pará: a Revolta de Bequimão. Causas. Companhia de Comércio do


Maranhão e Grão‐Pará. Os objetivos da Revolta

Figura 3: DIAS, Nunes Manuel. A companhia Geral do Grão Pará e Maranhão (1755-1778). Volume 1. Coleção Amazônica. Série: José
Veríssimo. Belém: UFPA, 1970.

A criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão em 1751 foi um momento crucial na


história colonial brasileira, marcando uma série de transformações políticas, econômicas e sociais
que influenciaram profundamente a região. Essa iniciativa administrativa foi uma resposta
10
necessária para reorganizar e fortalecer o controle sobre os territórios do Grão-Pará e Maranhão,
que desempenhavam um papel estratégico no domínio português na América do Sul.
Vários fatores contribuíram para a implementação dessa medida. Em primeiro lugar,
havia uma crescente preocupação com a defesa dessas regiões contra ameaças externas, incluindo
incursões de potências estrangeiras e ataques indígenas. Além disso, a centralização do poder real
era prioritária para melhorar a eficiência administrativa, fiscal e garantir maior controle sobre as
atividades econômicas locais.
A criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão também visava promover o
desenvolvimento econômico e a integração social dessas áreas. A unificação desses territórios sob
uma única jurisdição facilitaria a implementação de políticas de desenvolvimento e o
estabelecimento de uma infraestrutura mais eficiente, contribuindo para o crescimento e
prosperidade da região.
No entanto, mesmo com essa iniciativa, o Maranhão enfrentou desafios significativos no
final do século XVII. A crise açucareira e a partida dos holandeses do Brasil deixaram a região
vulnerável a conflitos econômicos e sociais, especialmente no Nordeste, onde a economia dependia
fortemente da produção de açúcar.
O primeiro governador desse estado foi o capitão-general Francisco Coelho de Carvalho,
que liderou o Maranhão por uma década. A partir de 1654, o estado foi designado como Estado do
Maranhão e Grão-Pará, invertendo a ordem dos nomes. Esse território abrangia desde o Ceará até
a vastidão da Amazônia brasileira.
O estado era pouco povoado e dependia principalmente de atividades de subsistência,
como a produção de itens agrícolas como algodão, tabaco e cacau. A extração de recursos do sertão,
como canela, anil e alecrim, também era comum, assim como a produção de açúcar por alguns
poucos proprietários de engenho.
Devido à simplicidade da economia, havia pouca circulação de dinheiro e o estado
dependia fortemente do trabalho escravo indígena, já que a compra de africanos para esse fim era
muito cara. Como resultado, incursões para capturar e vender indígenas como escravos eram
comuns.
A questão indígena era altamente conflituosa durante o período colonial, com os
jesuítas, representando a Companhia de Jesus, e os colonos em desacordo. Enquanto os colonos
buscavam escravizar os indígenas, os jesuítas defendiam sua proteção e conversão, a fim de explorar
seu trabalho de maneira mais controlada.
A partir da década de 1680, toda a atividade comercial em São Luís foi monopolizada
pela Companhia de Comércio do Maranhão, autorizada pela Coroa para controlar tanto a compra
quanto a venda de mercadorias na região. Esse monopólio, conhecido como estanco, também visava
substituir os indígenas por escravos africanos, prometendo remessas regulares que, no entanto, não
foram cumpridas.

Causas da Revolta de Beckman


No final do século XVII, o Estado do Maranhão enfrentava um período de turbulência,
resultado da insatisfação dos habitantes de São Luís com as políticas implementadas pela Coroa,
através da Companhia de Comércio do Maranhão, em relação ao monopólio comercial e ao não

11
cumprimento das promessas de envio de escravos africanos. Além disso, havia um
descontentamento local com a influência dos jesuítas sobre as populações indígenas.
Os moradores de São Luís estavam descontentes com a Companhia de Comércio do
Maranhão devido aos baixos preços pagos pela produção local, à preferência dada a terceiros, ao
descumprimento das obrigações em relação aos escravos africanos e à oferta de merca dorias de
qualidade inferior.
A irritação causada pelos jesuítas estava relacionada à legislação promulgada pela Coroa,
que concedia aos religiosos o monopólio do controle sobre os indígenas. No caso do Maranhão, uma
lei de 1º de abril de 1680 foi estabelecida, proibindo a escravização dos indígenas no estado. Essa lei
foi diretamente influenciada pelos esforços dos jesuítas para proteger os indígenas da escravidão e
da exploração.
Essa situação causava indignação entre as pessoas mais influentes de São Luís,
conhecidas como "homens-bons". Para complicar ainda mais a situação, os "homens-bons" de São
Luís não aceitavam o fato de o governador da província, Francisco de Sá e Menezes, r esidir em
Belém, uma cidade considerada rival na época, o que os fazia sentir-se desrespeitados em relação à
sua autoridade.

Revolta de Beckman

Figura 4: Iconografia sobre a Revolta de Beckman

Esses elementos levaram os líderes influentes de São Luís a se unirem em conspiração


contra o governo local. Dois destacados membros desse grupo foram Manuel Beckman e Tomás
Beckman, indivíduos de origem portuguesa que se destacaram por seu envolvimento na revolta,
sendo posteriormente associados ao movimento.
Figuras proeminentes na região, como Manuel Beckman e Francisco Teixeira de Morais,
começaram a disseminar ideias de rebelião, ganhando apoio de um grupo determinado a se revoltar.
Homens-bons e outros cidadãos do Maranhão, descontentes com as autoridades locais, optaram
por se rebelar no dia de uma importante procissão em São Luís, dedicada a Nosso Senhor dos Passos.
Em 24 de fevereiro de 1684, a rebelião teve início, quando homens armados
conseguiram subjugar os guardas da Casa de Estanco, onde a Companhia realizava transações

12
comerciais. Em seguida, ocuparam pontos estratégicos na cidade e capturaram o capitão-mor,
representante do governador.
Após assumirem o controle e estabelecerem o poder, os rebeldes formaram um governo
provisório chamado Junta Geral de Governo, composto por homens-bons, cidadãos comuns e
membros do clero local, excluindo os jesuítas. Entre as medidas adotadas por essa junta estavam a
destituição do governador do Maranhão, o encerramento das operações da Companhia de Comércio
do Maranhão e a expulsão dos jesuítas.
Os rebeldes de São Luís tentaram expandir o movimento para outras áreas da província,
mas não obtiveram sucesso. Por exemplo, a cidade de Belém não aderiu à revolta.

Desfecho da Revolta de Beckman


Os rebeldes mantiveram o controle de São Luís por mais de um ano, porém, a partir de
1685, começaram a enfraquecer. Nesse ano, Portugal despachou uma frota para São Luís com o
objetivo de retomar o domínio sobre a cidade. Devido à perda de vigor do movimento, a frota
portuguesa conseguiu recapturar São Luís.
A fase subsequente envolveu a punição dos envolvidos na Revolta de Beckman. Os dois
principais líderes, Manuel Beckman e Jorge de Sampaio, foram condenados à morte por
enforcamento e executados em novembro de 1695. O irmão de Manuel, Tomás Beckman, foi
sentenciado a 20 anos de prisão.
Outros participantes da revolta receberam penas que incluíam prisão perpétua,
deportação (expulsão da colônia) e castigos públicos. Após a derrota do movimento, os jesuítas
retornaram ao Maranhão e seu direito de tutelar os indígenas foi restabelecido, contudo, em 1688
foram estabelecidos mecanismos legais para aquisição de indígenas como escravos. A Companhia
de Comércio do Maranhão foi dissolvida pelo novo governador, Gomes Freire de Andrade.

❖ Esquema do texto

❖ Contexto Histórico:
✓ Criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão em 1751.
✓ Necessidade de reorganização política e econômica.
✓ Importância estratégica dos territórios para Portugal na América do Sul.

❖ Motivos para a Criação:

➢ Defesa e Controle:
✓ Proteção contra ameaças externas.
✓ Centralização do poder real.
✓ Melhor controle administrativo e fiscal.

➢ Desenvolvimento Econômico e Social:


✓ Promoção do desenvolvimento econômico.
✓ Integração social das regiões.
13
✓ Facilitação da implementação de políticas de desenvolvimento.

➢ Desafios no Maranhão no Final do Século XVII:


✓ Crise açucareira e saída dos holandeses.
✓ Conflitos econômicos no Nordeste.

➢ Revolta de Beckman (1684):


✓ Liderada por Manuel e Tomás Beckman.
✓ Motivada pela escravização dos índios e descontentamento com a
administração colonial.
✓ Apoio de diversos setores da sociedade.
✓ Domínio temporário da cidade de São Luís pelos rebeldes.
✓ Legado duradouro, inspirando movimentos posteriores de resistência.

➢ Repercussões da Revolta:
✓ Proibição da escravização dos índios.
✓ Restauração da presença dos Jesuítas.
✓ Reconhecimento indireto das demandas dos rebeldes pela Coroa Portuguesa.
✓ Demonstração de como eventos locais podem ter impacto duradouro na
história do país.

7 Período do Império
7.1 Adesão do Maranhão

A Independência do Brasil marcou a emancipação


política do país em relação a Portugal no início do século XIX,
com a data oficialmente celebrada em 7 de setembro de 1822,
conhecida pelo emblemático "Grito do Ipiranga". Segundo a
narrativa histórica, à beira do riacho Ipiranga, o Príncipe
Regente D. Pedro proclamou perante sua comitiva:
"Independência ou Morte!".

No Maranhão, as elites agrícolas e pecuaristas


mantinham fortes vínculos com a Metrópole, e, assim como
em outras províncias, resistiram à adesão à independência do
Figura 5: Dom Pedro I Brasil. Na época, o Maranhão destacava-se como uma das
regiões mais prósperas do país. O intenso comércio marítimo com
Portugal, facilitado pela proximidade geográfica com a Europa, tornava as trocas comerciais mais
acessíveis com Lisboa do que com o sul do Brasil. Além disso, os filhos das famílias abastadas
frequentavam escolas em Portugal.

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A região era caracterizada pelo conservadorismo e resistência às ordens vindas do Rio de
Janeiro. Foi da Junta Governativa da Capital, em São Luís, que surgiu a iniciativa para reprimir o
movimento pela independência no Piauí. A Junta exercia controle sobre a região produtora no vale
do rio Itapecuru, com destaque para a vila de Caxias. Foi lá que o Major Fidié buscou fortificar -se
após a derrota na Batalha do Jenipapo, no Piauí, frente às tropas brasileiras, compostas por
contingentes do Piauí e do Ceará. Fidié acabou se rendendo, sendo preso em Caxias e
posteriormente enviado para Portugal, onde foi recebido como herói.

São Luís, a exuberante capital e bastião tradicional português, acabou cercada por mar e
ameaçada de bombardeio pela esquadra de Lord Cochrane, sendo compelida a aderir à
independência em 28 de julho de 1823. Os anos imperiais que se seguiram foram desafiadores para
o Maranhão; o abandono e a negligência com essa região próspera resultaram em um
empobrecimento duradouro, que persiste até os dias atuais.

7.2 A Independência do Brasil. Causas da não adesão: a batalha do Jenipapo

Figura 6: Monumento em homenagem à Batalha do Jenipapo

A batalha do jenipapo ocorreu junto do Riacho Jenipapo na cidade de Campo Maior – Pi.
Houve uma importante luta sangrenta envolvendo soldados treinados do governo de Portugal,
fortemente armados, e cidadãos comuns piauienses, na data de 13 de março de 1823, cujas
circunstâncias históricas consistia em tornar o Piauí livre da dominação Portuguesa, uma vez que em
7 de setembro de 1822 o Brasil oficialmente se declarava independente de Portugal.
As provas da Batalha do Jenipapo estão devidamente registradas nos livros de pesquisadores
que se interessaram pelo episódio como a professora Claudete Maria Miranda Dias, Francisco
Castro, Abdias Neves Caio Tiago e Bernardo Aurélio e a criação em 1973 do Monumento do Jenipapo
em Campo Maior.

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Exército de sertanejos
Claudete Maria Miranda Dias relata que mais de 2.000 pessoas entre fazendeiros, oficiais
militares, vaqueiros, lavradores, artesãos, escravos e roceiros foram lutar contra os soldados
portugueses no campo de batalha, usando foices, facões, machados, enxadas bem como outros
instrumentos domésticos.
Do lado oposto havia soldados treinados, entre 1.600 a 1.800 homens, na cavalaria, fuzilaria,
homens de infantaria, todos equipados e armados, com 11 peças de artilharia, um canhão e
lançadoras de granadas, conforme relata a professora Claudete Maria Miranda Dias.
O resultado obviamente foi uma carnificina, com 200 mortos em poucas horas. Em 1823 essa
região era composta por pessoas de vida humilde, simples, e um padrão social, típico de zona rural.
A vida dessas pessoas, nessa época, consistia em sair de casa para a roça e no domingo da casa para
a capela.
Do outro lado, os inimigos eram pessoas acostumadas com uma vida de crueldade, com
históricos de assassinatos e sabe lá Deus do que mais, pois eram mercenários.
Esses humildes camponeses teriam sido levados a luta por um sentimento patriótico? Ou
foram empurrados para a morte por uma elite local que oprimia seus pares tanto quanto o governo
estrangeiro?

A tática de guerrilha dos piauienses


Não importava o quanto de preparação militar tinham os piauienses, antes de tudo,
importava sair da dominação portuguesa, pelo menos é o que podemos compreender.
Penso que na época aquelas pessoas não sabiam o que era tática de guerrilha, no entanto,
após a luta que durou de 9:00h às 14:00h, num ataque de surpresa, os sertanejos se apoderaram
dos armamentos, munições e bagagem dos militares portugueses e cercaram o caminho para a
cidade de Oeiras, que já tinha aderido a Independência.

A fuga do Comandante Fidié


Este fato, somado a outros, fizeram que o Comandante Fidié se retirasse do Piauí. Ele, com
sua tropa, se refugiou em Caxias – Ma, onde tentou recuperar suas forças militares e econômicas,
mas não conseguiu ao que tudo indica.
Nesse momento, os portugueses já se encontravam provavelmente sem recursos financeiros
e passando sérias dificuldades de sobrevivência, até porque estavam em terras estranhas para eles.
Sem recursos financeiros, com boa parte do armamento subtraída pelos sertanejos e com
pouca alimentação, os soldados, que eram mercenários, começaram a deserdar do exército
português, deixando o comandante em sérios apuros.

O cerco a Caxias
Na sequência, mais de 6.000 homens, entre piauienses, maranhenses e cearenses, se
dirigiram para Caxias e após 15 dias de cerco a cidade ocorreu o combate no Morro das Tabocas,
com a rendição de Fidié, faminto e desarmado.
Em 6 de agosto de 1823 foi oficializado, por uma junta Militar, a independência do Maranhão,
Piauí e Ceará.

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Fidié foi preso e enviado para o Rio de Janeiro, de onde foi enviado para Portugal,
aparentemente sem nenhuma consequência para as mortes a que deu causa.
Entendemos que, sendo ele prisioneiro de guerra, deveria ter sido submetido a julgamento
no Brasil pelas mais de 200 mortes, segundo DIAS, de piauienses. Possivelmente que inocentes
devem ter sido brutalmente violentados e assinados, pois a guerra é terreno fértil para todo tipo de
atrocidades contra os direitos humanos.

Conclusão
O que justificou uma multidão mergulhar para morte num campo de batalha
tremendamente desigual neste Estado do Piauí? A resposta pode ser simples, parafraseando Ihering,
a luta pelo direito de um povo de ser soberano, livre e de se autodeterminar.
Mas, será que não havia uma elite local com interesses próprios, que oprimia seus pares
tanto quanto o governo estrangeiro e que teria conduzido esses camponeses para um mergulho de
morte?
Todavia, não há dúvida de que a Batalha do Jenipapo contribuiu efetivamente para que
houvesse uma unidade geográfica nacional, pois obviamente a Coroa Portuguesa queria conseguir
manter sob seu domínio pelo menos uma parte do Brasil, com grandes dimensões geográficas, com
terras férteis abundantes e grandes jazidas de minérios.
Defendemos que a Batalha do Jenipapo seja inserido nos conteúdos de ensino de
História do Brasil em todas as series da educação básica a nível nacional porque o tamanho da
importância desta batalha é o tamanho que tem o Brasil.

❖ Esquema do texto

Contexto Histórico:

• Data: 13 de março de 1823


• Local: Campo Maior, Piauí
• Contexto: Guerra da Independência do Brasil (1821-1824)
• Objetivo: Expulsão das tropas portuguesas do Piauí e consolidação da independência

Forças em Combate:

Exército Piauienses:

• Número: Mais de 2.000 homens (estimativa)


• Composição: Fazendeiros, vaqueiros, lavradores, artesãos, escravos e roceiros
• Armamento: Foices, facões, machados, enxadas e outros instrumentos domésticos
• Motivação: Patriotismo, desejo de liberdade e oposição à opressão portuguesa

Exército Português:

• Número: Entre 1.600 e 1.800 homens (estimativa)


• Composição: Soldados treinados, cavalaria, fuzileiros, infantaria, artilharia (11 peças),
canhões e lançadoras de granadas
• Armamento: Equipamento militar completo e de alta qualidade
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• Motivação: Defender o domínio português sobre o Piauí e manter a integridade do império

Desenvolvimento da Batalha:

• 9h00: Início da batalha com ataque frontal dos piauienses.


• Resistência Portuguesa: Forte resistência por parte dos soldados portugueses, utilizando
armamento superior.
• Tática de Guerrilha: Piauienses adotam estratégia de guerrilha, utilizando o conhecimento
do terreno e ataques surpresa.
• Ponto de Virada: Piauienses conseguem desarmar e capturar parte dos soldados
portugueses, apoderando-se de munições e bagagem.
• Cerco a Oeiras: Piauienses cercam a cidade de Oeiras, que já havia aderido à
Independência, isolando as tropas portuguesas.
• Fuga de Fidié: Diante da situação crítica, o Comandante Fidié ordena a retirada das tropas
portuguesas do Piauí.

Consequências da Batalha:

• Vitória Piauiense: Expulsão das tropas portuguesas do Piauí e consolidação da


independência na região.
• Fuga de Fidié: Fidié e suas tropas se refugiam em Caxias, no Maranhão, buscando
reestruturar suas forças.
• Cerco a Caxias: Piauienses, maranhenses e cearenses se unem e cercam Caxias por 15 dias.
• Combate do Morro das Tabocas: Fidié, faminto e desmoralizado, rende-se no Combate do
Morro das Tabocas.
• Independência do Maranhão, Piauí e Ceará: Em 6 de agosto de 1823, a independência do
Maranhão, Piauí e Ceará é oficialmente oficializada.
• Injustiça do Destino: Fidié, responsável pela morte de mais de 200 piauienses, é preso e
enviado de volta para Portugal sem sofrer punição.

Legado da Batalha do Jenipapo:

• Marco Heroico: A Batalha do Jenipapo é considerada um marco heroico na luta pela


independência do Brasil.
• Bravura e Patriotismo: Demonstra a bravura e o patriotismo do povo piauiense em sua luta
pela liberdade.
• Símbolo da Luta pela Liberdade: A batalha se tornou um símbolo da luta pela liberdade,
pela justiça e pelo direito de autodeterminação de um povo.
• Monumento do Jenipapo: Em 1973, foi erguido o Monumento do Jenipapo em Campo
Maior para homenagear os heróis piauienses.
• Inserção nos Currículos: É fundamental que a Batalha do Jenipapo seja inserida nos
currículos de História do Brasil em todas as séries da educação básica em nível nacional.

A Batalha do Jenipapo: Uma Dívida Histórica e um Patrimônio Nacional

A Batalha do Jenipapo representa um capítulo fundamental da história do Brasil e deve ser


conhecida e valorizada por todos os brasileiros. Sua importância transcende as fronteiras do Piauí e
se torna um patrimônio inestimável da nação.

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8 A Balaiada: caracterização e causas do movimento

Figura 7: Gravura sobre a Balaiada

A Balaiada foi uma revolta popular que ocorreu na província do Maranhão entre 1838 e
1841, derivando seu nome dos "balaios", cestos produzidos localmente. As camadas menos
privilegiadas estavam descontentes com as condições precárias em que viviam e não suportavam
mais a tirania dos líderes locais que governavam a província com mão de ferro. Os insurgentes
enfrentaram as tropas do governo central em combate, mas foram eventualmente derrotados. O
coronel Luís Alves de Lima e Silva, posteriormente conhecido como o duque de Caxias, liderou as
forças que puseram fim definitivo à revolta.

Antecedentes da Balaiada
Com a abdicação do trono imperial por Dom Pedro I em 1831, o Brasil entrou em um
período de governo regencial. Essa fase, que teve início com a saída do primeiro imperador brasileiro
e culminou com a coroação de Dom Pedro II em 1840, foi caracterizada por revoltas provinciais e
uma considerável instabilidade, colocando em risco a unidade territorial do país. Além da
disseminação dos ideais republicanos em todo o império, questões locais foram os principais
motivadores das revoltas durante o Período Regencial.
Em 1834, foi promulgado o Ato Adicional, que modificava a Constituição de 1824,
concedendo às províncias uma autonomia relativa. Isso permitiu que as assembleias provinciais
elaborassem suas próprias leis, desencadeando disputas pelo poder local e contribuindo para as
revoltas no período regencial. O Nordeste foi o epicentro dessas revoltas, onde as questões sociais
frequentemente figuravam entre as demandas dos rebeldes.
A região já sofria com uma crise socioeconômica desde o final do século XVIII, quando a
produção de cana-de-açúcar no Brasil não conseguiu competir com o açúcar produzido pelos
holandeses nas Antilhas. Isso resultou em uma queda significativa nos preços do produto fabricado
nos engenhos nordestinos, levando ao empobrecimento da população, especialmente os mais
desfavorecidos.
Além disso, o algodão norte-americano emergiu como uma concorrência devastadora
para o algodão nordestino, frustrando qualquer tentativa de recuperação da economia regional. Sem
o apoio do Rio de Janeiro, os habitantes das províncias, influenciados pelos ideais republicanos,
organizaram revoltas contra o governo central e seus representantes locais, buscando melhores
condições de vida.
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Até a coroação de Dom Pedro II em 1840, quando ele tinha apenas 13 anos, as províncias
continuariam envolvidas em conflitos que ameaçavam a coesão do império brasileiro.

Objetivos da Balaiada
Os objetivos da Revolta da Balaiada foram:
➢ melhorar as condições de vida da população mais pobre do Maranhão;
➢ acabar com as injustiças e as perseguições cometidas pelo governo maranhense."

Causas da Balaiada
Devido ao Ato Adicional de 1834, as províncias ganharam maior autonomia para
administrar seus próprios assuntos, o que intensificou a luta pelo poder entre facções regionais. Os
detentores do poder recorreram a todos os meios autoritários ao seu alcance para se manterem no
comando, enquanto grupos rivais empunharam armas para assumir o controle provincial. Além
disso, os sérios problemas sociais enfrentados pela população mais desfavorecida geraram um
amplo apoio popular ao movimento.
O Nordeste brasileiro foi duramente atingido pela crise do açúcar no final do século XVIII,
quando os holandeses se tornaram importantes concorrentes na produção açucareira local. A
descoberta das primeiras minas de ouro em Minas Gerais e Goiás deslocou o centro econômico para
o centro-sul da colônia. Além disso, a transferência da capital do Brasil de Salvador, na Bahia, para o
Rio de Janeiro, distanciou ainda mais as províncias nordestinas do poder administrativo central.
Logo após a independência do Brasil, o algodão emergiu como uma importante atividade
econômica no Nordeste, porém a concorrência da produção algodoeira dos Estados Unidos causou
uma queda abrupta nos preços do produto brasileiro no mercado internacional. Junto com a crise
do açúcar, a desvalorização do algodão brasileiro aprofundou a crise econômica nas províncias
nordestinas, incluindo o Maranhão.
Essa crise econômica veio acompanhada de uma crise social, já que não houve
investimentos significativos no Maranhão, exacerbando a desigualdade social e a pobreza entre os
segmentos mais vulneráveis da população. A promulgação do Ato Adicional de 1834, ao conceder
mais autonomia para as províncias, acirrou ainda mais as disputas entre os grupos sociais pelo
controle dos governos provinciais.

Bem-te-vis e Conservadores
O poder na província do Maranhão foi dividido em dois grupos:
➢ Bem-te-vis: cujo nome foi inspirado no jornal que representava os anseios da
população urbana; eram liberais e apoiaram a fase inicial da Balaiada.
➢ Conservadores: lutaram contra a revolta.

Os dois grupos entraram em confronto, indo além da simples disputa pelo poder e
desencadeando um conflito armado. Além disso, desde as vésperas da independência do Brasil, em
1822, a imprensa tornou-se um meio de comunicação crucial no país. Os jornais não apenas
transmitiam notícias, mas também serviam como veículo para disseminar ideias republicanas,
criticar o governo imperial e sofrer censura por parte do imperador. A existência de um grupo no

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Maranhão que compartilhava o nome de um jornal da época é um exemplo claro do papel central
desempenhado pela imprensa nas revoltas provinciais.

Lei dos Prefeitos


A Lei dos Prefeitos estipulava que o governador da província tinha o poder de designar
os prefeitos das cidades. Isso causou indignação, pois era uma maneira do governador estender sua
influência para o interior da província e desmantelar qualquer oposição ao governo estabelecido.
Essa nomeação tornou-se viável graças ao Ato Adicional de 1834, que conferiu maior autonomia aos
governos provinciais.

Líderes da Balaiada

Figura 8: Imagens representando os líderes da Balaiada

Os líderes da Balaiada se destacaram por adotarem táticas de guerrilha durante os


conflitos. Como as tropas do governo não tinham conhecimento da região, os ataques empreendidos
pelos revoltosos colaboraram na derrota de algumas tropas e no fortalecimento do movimento. Os
principais líderes da revolta foram:
Raimundo Gomes: vaqueiro conhecido como “Cara Preta”, teve participação no começo
da Balaiada, em dezembro de 1838, quando invadiu a cadeia de Vila Manga, no interior do
Maranhão, para libertar seu irmão e outras pessoas que estavam presas.
Manoel dos Anjos Ferreira: fabricante de balaios, decidiu se vingar do soldado que havia
desonrado uma de suas filhas.
Cosme Bento de Chagas: negro líder de um quilombo, juntou-se a Manoel dos Anjos
Ferreira e outros negros para fazerem a referida vingança.

Revolta da Balaiada
Inicialmente, o movimento contava principalmente com o apoio das classes dominantes.
No entanto, com o agravamento da crise social, os segmentos mais pobres aderiram à revolta e
uniram-se às tropas rebeldes com o objetivo de depor o governo provincial. As disputas internas e a
participação da população carente intensificaram o conflito entre os grupos rivais. Além disso, a
administração autoritária da província do Maranhão serviu como motivação para o conflito armado.
A Balaiada teve início em dezembro de 1838, quando o vaqueiro Raimundo Gomes
invadiu a cadeia da cidade maranhense de Vila da Manga para libertar seu irmão, acusado de
assassinato, e outros detentos. Os guardas não resistiram ao ataque e juntaram-se ao movimento.

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Raimundo buscou mais aliados para formar uma tropa rebelde contra o governo provincial. Os
negros fugitivos que viviam nos quilombos seguiram os rebeldes sob a liderança de Cosme Bento,
que liderava um dos quilombos no Maranhão.
Manoel dos Anjos Ferreira, um fabricante de balaios, foi outra figura central na revolta,
daí o nome do movimento. Ele se revoltou contra um soldado que havia desonrado uma de suas
filhas e, determinado a se vingar, buscou apoio por onde passava e organizou um grupo armado que
atacava vilas e fazendas da região.
Em 1839, os rebeldes dominaram Vila de Caxias e Vargem Grande, estabelecendo uma
junta provisória para governar o território conquistado. Apesar das vitórias iniciais, os insurgentes
começaram a perder força após a morte de Manoel dos Anjos Ferreira, que foi alvejado em um dos
confrontos contra as tropas imperiais.

Fim e consequências da Balaiada


O desfecho da Balaiada foi selado com a chegada do coronel Luís Alves de Lima e Silva, o
futuro duque de Caxias, ao Maranhão em 7 de fevereiro de 1840, à frente de oito mil soldados
altamente armados. Caxias conseguiu derrotar Raimundo Gomes com relativa facilidade. Recém-
coroado imperador do Brasil, Dom Pedro II decretou anistia para os rebeldes que se rendessem às
tropas imperiais.
Essa medida levou mais de 2500 insurgentes a se renderem, enfraquecendo o
movimento e facilitando às tropas o esmagamento dos últimos focos de resistência da Balaiada. Os
participantes remanescentes da revolta foram neutralizados pelas forças militares. Assim, a unidade
territorial do império foi preservada e a estabilidade política foi assegurada.

❖ Esquema do texto

Contexto Histórico:

• Local: Província do Maranhão


• Período: 1838 a 1841
• Contexto Geral: Período Regencial (1831-1840) no Brasil, marcado por instabilidade política
e social.

Causas da Balaiada:

• Pobreza da população: Condições precárias de vida, fome e miséria entre os grupos mais
desfavorecidos.
• Insatisfação com a elite: Abusos de poder, falta de representatividade política e exploração
por parte dos grandes fazendeiros.
• Desmandos políticos: Corrupção, nepotismo e favorecimento de grupos específicos pela
elite dominante.
• Crise econômica: Concorrência com o algodão norte-americano, levando ao declínio da
economia local e agravando a situação da população.
• Imposição da "Lei dos Prefeitos": Permitia ao governador nomear prefeitos, centralizando
o poder e gerando ainda mais insatisfação.

Desenvolvimento da Revolta:
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• 1838: Revolta iniciada por Raimundo Gomes em Vila da Manga, com a libertação de
prisioneiros.
• 1839: Crescimento do movimento com a liderança de Manoel dos Anjos Ferreira e ataques
a vilas e fazendas.
• União com Cosme Bento de Chagas: Líder quilombola se junta à revolta, fortalecendo o
movimento.
• Conquistas significativas: Captura de importantes vilas e estabelecimento de uma Junta
Provisória pelos rebeldes.
• Morte de Manoel dos Anjos: Enfraquecimento do movimento após a perda de um dos
principais líderes.

Repressão e Fim da Revolta:

• 1840: Coronel Luís Alves de Lima e Silva assume o comando das tropas imperiais.
• Combates intensos: Derrota dos líderes rebeldes e rendição de milhares de "balaios".
• Anistia concedida pelo Imperador Dom Pedro II: Rendição de mais rebeldes.
• 1841: Fim da revolta com a captura e enforcamento de Cosme Bento de Chagas e a
expulsão de Raimundo Gomes.
• Condecoração do Coronel Luís Alves de Lima e Silva: Recebe o título de Barão de Caxias
por sufocar a revolta.

Consequências da Balaiada:

• Repressão brutal: Morte de milhares de pessoas, incluindo líderes e membros da


população civil.
• Desarticulação do movimento: Fim das esperanças de mudança social e política para os
grupos mais marginalizados.
• Fortalecimento do poder central: Reforço da centralização do poder nas mãos do governo
imperial.
• Legado de luta: A Balaiada é lembrada como um episódio de resistência popular contra a
opressão e as desigualdades sociais.

Considerações Adicionais:

• A Balaiada foi um movimento complexo e multifacetado, com diversos grupos e interesses


envolvidos.
• As causas da revolta estão interligadas a fatores socioeconômicos, políticos e étnicos.
• A repressão brutal do movimento teve um impacto significativo na sociedade maranhense.
• A Balaiada ainda é tema de debates e pesquisas, buscando compreender suas nuances e
seus impactos na história do Brasil.

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9 Período Republicano: adesão do Maranhão à República

Figura 9: Proclamação da República é uma pintura a óleo sobre tela de 1893, realizada por Benedito Calixto.

Na introdução do livro de sua autoria, 1889, o jornalista Laurentino Gomes afirma: “O quinze
de novembro é uma data sem prestígio no calendário cívico brasileiro. Ao contrário do Sete de
Setembro, Dia da Independência, comemorado em todo o país com desfiles escolares e militares, o
feriado da Proclamação da República é uma festa tímida, geralmente ignorada pela maioria das
pessoas”.

Em outro trecho, revela o escritor: “Personagens republicanos como Benjamin Constant,


Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto são nomes onipresentes em
praças e ruas das cidades brasileiras, mas pergunte a qualquer estudante do ensino médio quem
foram esses homens e a resposta certamente demorará a vir”. Em conclusão, diz categoricamente:
“A julgar pela maneira cívica nacional, o Brasil tem uma República mal-amada”.

Sobre tão importante assunto, nada mais instigante do que perguntar: o que aconteceu no
Maranhão e como a elite e os políticos se comportaram com relação ao movimento republicano que
teve o Rio de Janeiro por palco, levando de roldão a Monarquia que dominava o Brasil há 67 anos?

Pelo que narram os historiadores, no Maranhão, as ações voltadas para a instalação do novo
regime foram inexpressivas e desarticuladas. Das cidades maranhenses identificadas com a mudança
da forma de governo, apenas Barra do Corda se empolgou e fundou um Clube Republicano, em 1888,
tendo como figuras destacadas o juiz municipal, Isaac Martins, o promotor público João Dunshee de
Abranches, Frederico Figueira e Antônio Rocha Lima, este, dono do jornal O Norte, que fazia
propaganda republicana.

Em São Luís, os ideais republicanos custaram a encontrar adeptos que se preocupassem com
a veiculação por meio dos jornais das ações ocorridas na capital do país, com vistas à mudança de
regime.

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Só nas proximidades do fim do reinado de Pedro II é que apareceram alguns poucos e
apáticos republicanos, que se juntaram para fundar um clube, de cuja organização faziam parte o
jornalista Paula Duarte e Casemiro Dias Vieira Júnior, este, dono do jornal O Globo, que se tornou o
porta-voz do movimento para instalação da República no país.

O jornalista Francisco de Paula Duarte, o principal agitador da causa republicana em São Luis,
quando a República foi proclamada no Rio de Janeiro, estava em Recife e foi para ele que chegou a
primeira notícia, a 16 de novembro, dando conta de que o marechal Deodoro da Fonseca, no dia
anterior, havia decretado o fim da Monarquia no Brasil.

A notícia não era oficial, por isso, não foi levada a sério pela opinião pública, que começou a
ser abastecida de informações falsas e contraditórias. Os boatos eram tantos que os escravos libertos
logo imaginaram que a República fora proclamada para tornar sem efeito a Lei Áurea, razão pela
qual ganharam as ruas da cidade na tentativa de invadir o jornal O Globo e depredá-lo. Não fora a
intervenção policial, os escravos teriam concretizado o seu intento.

Só três dias após o ato do marechal Deodoro, o comandante do Exército em São Luis, o
coronel João Luis Tavares, resolveu agir, já que o presidente do Maranhão, Tito Augusto Pereira de
Matos, por acomodação ou medo, não sabia o que fazer. O militar, no dia 18 de novembro, para
manter a tranquilidade social e restabelecer a governabilidade, reuniu a tropa, nas primeiras horas
da manhã, declarando a Adesão do Maranhão à República. Em seguida, em cumprimento às ordens
recebidas do Rio de Janeiro, nomeou a Junta Provisória Governativa para responder não mais pelos
destinos da Província, mas de um dos vinte Estados Unidos da República do Brasil.

Mais tarde, às 11 horas, em solenidade simples, rápida e sem a presença do povo, que assistia
passivamente e sem entender o que acontecia no palácio, onde a Junta Governativa, presidida pelo
coronel João Luis Tavares, tomava posse.

Como tudo aqui continuava a ocorrer com atraso, só a 22 de


novembro uma passeata de estudantes desfilou pela cidade em
regozijo ao novo regime. Posteriormente, no dia 30, as ruas de São
Luis também assistiram manifestações populares, organizadas pelo
poeta Joaquim Sousândrade, que endereçou uma mensagem de
saudação ao marechal Deodoro com estas singelas palavras: “Paus
d’arco em flor. Viva a República”.

Como todo governo que toma conta do poder, os republicanos


que assumiram o comando do Maranhão deflagraram diversas
medidas de caráter vingativo, ressaltando-se a destruição de
materiais e símbolos do antigo regime – bandeiras, insígnias, Figura 10: pau-d´arco, ou ipê-amarelo
brasões e retratos do ex-imperador -, demissões de funcionários
públicos, extinção de instituições, como a Escola de Aprendizes Artífices, prisões dos considerados
inimigos ou adversários do regime implantado, e castigos aos negros que idolatravam a Princesa
Isabel, que lhes outorgara o direito à liberdade.

Esse legado de represálias que a República trouxe no seu bojo, perdura até hoje no
Maranhão, a despeito dos avanços democráticos conquistados pelo povo brasileiro. Se há algo que
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os detentores do poder aprenderam com o regime instalado em 1889, são as práticas
consubstanciadas nas perseguições e nos revanchismos contra os eventuais opositores e
adversários.

❖ Esquema do texto

Contexto:

• Data: 1889
• Evento: Proclamação da República no Brasil
• Contexto Geral: Queda da Monarquia e início da República no Brasil.

A República no Maranhão:

• Falta de Entusiasmo: A mudança de regime foi recebida com apatia e desarticulação no


Maranhão.
• Exceção: Apenas a cidade de Barra do Corda se engajou na causa republicana, fundando um
Clube Republicano em 1888.
• São Luís: Os ideais republicanos encontraram pouca adesão na capital maranhense.
• Clubes Republicanos: Somente no fim do reinado de Pedro II surgiram clubes republicanos
em São Luís, como o organizado por Paula Duarte e Casemiro Dias Vieira Júnior.

Proclamação da República:

• Notícia em Recife: Francisco de Paula Duarte, principal agitador republicano em São Luís,
estava em Recife quando a República foi proclamada no Rio de Janeiro em 15 de novembro.
• Desinformação e Tumulto: A notícia não oficial gerou boatos e confusão, levando escravos
libertos a tentar invadir o jornal O Globo por engano.
• Ação Militar: Somente em 18 de novembro, o coronel João Luis Tavares, comandante do
Exército em São Luís, declarou a adesão do Maranhão à República.

Formação da Junta Governativa:

• Acomodação Política: O presidente do Maranhão, Tito Augusto Pereira de Matos, não


tomou iniciativa sobre a mudança de regime.
• Posse da Junta: A Junta Governativa, presidida pelo coronel João Luis Tavares, tomou posse
em 19 de novembro, sem grande participação popular.

Reações à República:

• Desfile Estudantil: Em 22 de novembro, estudantes desfilaram em comemoração ao novo


regime.
• Manifestações Populares: No dia 30 de novembro, Joaquim Sousândrade organizou
manifestações populares em apoio à República.

Medidas Vingativas:

• Repressão e Destruição: Os republicanos no poder destruíram símbolos do antigo regime,


demitiram funcionários públicos, extinguiram instituições e perseguiram opositores.

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• Prisões e Castigos: Houve prisões de opositores e castigos aos negros que idolatravam a
Princesa Isabel.

Legado da República no Maranhão:

• Represálias e Ressentimentos: O legado de perseguição e revanchismo da República ainda


perdura no Maranhão.
• Aprendizados do Poder: Os detentores do poder aprenderam com a República as práticas
de perseguição e revanchismo contra oponentes.

Considerações Adicionais:

• A República foi recebida com indiferença pela maioria da população maranhense.


• A mudança de regime gerou instabilidade e violência no Maranhão.
• O legado da República no Maranhão é marcado por repressão e ressentimentos.

10 A Revolução de 1930 no Maranhão

Após a vitória do movimento tenentista,


Getúlio Vargas optou por nomear interventores de fora do
Maranhão para governar o estado, visto que os primeiros
escolhidos não conseguiram desempenhar
satisfatoriamente suas funções. O Capitão Lourival Seroa
da Mota foi o primeiro indicado, mas logo deixou o cargo
devido a conflitos com o empresariado. Ele foi sucedido
pelo Capitão Antônio Martins de Almeida, também não
nascido no Maranhão, com a incumbência de liderar as
eleições para as Constituintes Federal (1933) e Estadual
(1934), além de restaurar a ordem no estado.
Após a eleição de Aquiles Lisboa para o governo
do Maranhão em 22 de julho de 1935, uma crise política se
instalou devido à dissolução da coalizão partidária que o
apoiava, as Oposições Coligadas do Maranhão, composta
pela União Republicana Maranhense (URM) e o Partido
Figura 11: Retrato de Getúlio Vargas Republicano do Maranhão. Em janeiro de 1936, a
Assembleia Legislativa o declarou "governador deposto" e,
como Lisboa se recusou a renunciar, solicitou a intervenção federal no estado em abril. Em 14 de
junho, o presidente Getúlio Vargas nomeou o major Roberto Carneiro de Mendonça como
interventor, buscando reconciliar as facções em conflito. Após consultas, indicou Paulo Ramos como
candidato ao governo maranhense. Em 18 de julho, Ramos foi eleito governador pela Assembleia
Legislativa, assumindo o cargo em 15 de agosto.
Paulo Ramos, ao buscar autonomia em relação às máquinas partidárias maranhenses,
entrou em conflito com Vitorino Freire, um político influente no estado ligado ao Partido Social
27
Democrático (PSD). Apesar disso, Ramos garantiu do presidente Vargas que Vitorino não interferiria
em seu governo, o que de fato não aconteceu.
Posteriormente, Paulo Ramos foi nomeado interventor federal no Maranhão em 23 de
novembro de 1937. Durante sua gestão, foram estabelecidas a Secretaria de Justiça do estado, o
Instituto de Educação do Maranhão e foram implementadas colônias para psicopatas e leprosos. O
Centro de Saúde Paulo Ramos foi criado, e o Hospital Geral do estado foi restaurado. Por meio do
sistema de fomento agrícola, pequenos produtores, principalmente do Sul do estado, receberam
créditos para culturas como arroz e algodão. Medidas administrativas foram tomadas para restaurar
o crédito público e sanear as finanças estaduais.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o enfraquecimento do Estado Novo, diversas
candidaturas surgiram para suceder Vargas. No Maranhão, Vitorino Freire liderou uma oposição
contra Paulo Ramos, que percebendo sua falta de apoio, renunciou ao cargo de interventor em
março de 1945, sendo substituído por Clodomir Cardoso. Apoiando a candidatura de Eduardo
Gomes, Ramos retornou ao Ministério da Fazenda após a derrota de Gomes por Eurico Gaspar Dutra.

❖ Esquema do texto

Contexto:

• Período: Pós-Revolução de 1930


• Governo: Getúlio Vargas e Estado Novo (1930-1945)
• Contexto Geral: Instabilidade política e ascensão do tenentismo no Brasil.

Intervenções Federais:

• 1930: Getúlio Vargas nomeia interventores de fora do Maranhão após a vitória do


movimento tenentista.
• Capitão Lourival Seroa da Mota: Primeiro interventor, logo renuncia por conflitos com o
empresariado.
• Capitão Antônio Martins de Almeida: Segundo interventor, também não nascido no
Maranhão, com a missão de liderar eleições e restaurar a ordem.
• 1935: Crise política no Maranhão após dissolução da coalizão partidária que apoiava o
governador Aquiles Lisboa.
• Intervenção Federal: Assembleia Legislativa declara Lisboa "governador deposto" e solicita
intervenção federal em abril.
• Major Roberto Carneiro de Mendonça: Nomeado interventor em junho de 1936 por
Getúlio Vargas para reconciliar as facções em conflito.
• Paulo Ramos: Indicado por Mendonça como candidato ao governo maranhense, é eleito
em julho de 1936.

Governo de Paulo Ramos (1936-1945):

• Autonomia e Conflitos: Ramos busca autonomia em relação às máquinas partidárias


maranhenses, entrando em conflito com Vitorino Freire, líder do PSD no estado.
• Apoio de Getúlio Vargas: Ramos obtém garantias de Vargas de que Vitorino não interferiria
em seu governo, mas isso não se concretiza.
• Intervenção Federal: Paulo Ramos é nomeado interventor federal em novembro de 1937.
28
• Ações Governamentais: Criação de secretarias, institutos e colônias; construção de centros
de saúde e hospital; fomento à agricultura; medidas administrativas para restaurar o
crédito público e sanear as finanças.

Fim do Estado Novo e Novas Eleições:

• 1945: Fim da Segunda Guerra Mundial e enfraquecimento do Estado Novo.


• Oposição e Renúncia: Vitorino Freire lidera oposição contra Paulo Ramos, que renuncia ao
cargo de interventor em março de 1945.
• Clodomir Cardoso: Substitui Paulo Ramos como interventor.
• Eleições Presidenciais: Ramos apoia Eduardo Gomes, mas Dutra vence o pleito.
• Retorno ao Ministério da Fazenda: Ramos retorna ao cargo após a derrota de Gomes.

Considerações Adicionais:

• As intervenções federais no Maranhão durante o Estado Novo refletem a instabilidade


política da época.
• Paulo Ramos, apesar dos conflitos políticos, implementou diversas medidas administrativas
para o desenvolvimento do estado.
• O fim do Estado Novo e as novas eleições marcaram o fim do período de intervenções
federais no Maranhão.

11 O Vitorinismo e a Greve de 1951

Oficialmente, de acordo com o jornalista e historiador Benedito Buzar, o título de Ilha


Rebelde foi atribuído em 1951, quando a capital maranhense completou 349 anos de existência. Este
epíteto remetia à emblemática Greve de 1950, um evento no qual o povo da capital resistiu contra
a investidura do governador Eugênio Barros. Líderes políticos da cidade denunciaram uma fraude
eleitoral que, na época, contou com a conivência do sistema judiciário.
Por cerca de seis meses, a população de São Luís se insurgiu contra a fraude eleitoral e
se manteve firme na resistência. O movimento, descrito por Buzar em seu livro "A Greve de 51: os
trinta e quatro dias que abalaram São Luís", foi considerado fabuloso.
Desde o final dos anos 1940 até meados da década de 1960, o Maranhão estava sob o
domínio político do funcionário público e político Vitorino Freire, período conhecido como
"vitorinismo", do qual Barros fazia parte. A ascensão de Barros ao governo ocorreu durante o auge

29
do poder do vitorinismo, que controlava firmemente os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Poucas instituições escapavam da influência do grupo liderado por Vitorino Freire.
Nesse contexto, São Luís se tornou uma verdadeira trincheira política contra o
vitorinismo. A cidade já era reconhecida como o cemitério eleitoral dos candidatos governistas,
enquanto o domínio político que prevalecia no interior do estado era praticamente inexistente na
capital.

12 Os principais fatos políticos, econômicos e sociais ocorridos no Maranhão, na segunda metade


do século XX.

12.1 Fatos políticos

Com o fim do Estado Novo, o Maranhão testemunhou o surgimento de uma nova liderança
política: Vitorino Freire, que dominaria a cena política estadual por aproximadamente duas décadas,
entre 1946 e 1964. A ascensão do chamado "Vitorinismo", caracterizado por uma rede complexa de
conexões políticas tanto em âmbito local quanto federal, consolidou-se como uma verdadeira
oligarquia, com o Partido Social Democrático (PSD) desempenhando um papel central nesse sistema
político.
No entanto, durante o governo de Newton Bello (1961-1965), uma nova figura política
emergiu no cenário maranhense: o deputado federal José Sarney. Indicado como interlocutor do
estado junto ao governo federal por Bello, Sarney começou a minar o poder de Vitorino Freire,
aproveitando sua influência nas articulações entre o PSD e a União Democrática Nacional (UDN).
Essa nomeação resultou no rompimento de Bello com o grupo político de Vitorino Freire, levando a
uma disputa eleitoral em 1965, na qual Sarney saiu vitorioso, apoiado pelos militares que assumiram
o governo em 1964.

Figura 12: Vitorino Freire e José Sarney

Essa mudança marcou o fim do Vitorinismo e o início de uma nova era política no Maranhão,
conhecida como "Sarneysmo". Embora essas "novas oligarquias" não seguissem estritamente os
padrões das oligarquias tradicionais e desafiassem a lógica política anterior a 1930, Vitorino Freire e
José Sarney ainda eram reconhecidos como os novos líderes políticos do Maranhão, lembrando os
antigos coronéis devido aos seus métodos políticos e à sua influência tanto local quanto centralizada.
Eles se tornaram os "coronéis modernos", capazes de exercer autoridade e comando em níveis tanto
locais quanto nacionais.
30
José Sarney ingressou na carreira pública no grupo de Vitorino Freire com o apoio de seu pai,
que na época era Desembargador e tinha o desejo de ver seu filho na política. “A necessidade de um
“patrono” para se ter acesso à esfera da política institucional é apontada como uma característica
das carreiras políticas no Brasil”. Por isso não bastava apenas ter um cargo na esfera pública, como
já era o caso de Sarney como assessor do governador, era importante um padrinho político, que lhe
indicasse e lhe apoiasse como fez Vitorino Freire.
Desta forma Sarney se iniciou na política partidária sendo filiado ao PSD e concorrendo ao
cargo de Deputado Federal. Em sua carreira, chegando até a Presidência da República, o que se
percebe é uma trajetória flexível, com idas e vindas em diversos partidos, sempre estrategicamente
com a intenção de se permanecer no poder. Numa disputa pelo governo do estado com o próprio
Vitorino Freire, José Sarney é eleito governador pelo Maranhão com o apoio político dos militares,
este momento foi definitivo para a política do Maranhão.
Consciente da necessidade de se articular politicamente no estado, José Sarney começou a
alicerçar o seu próprio conglomerado de comunicação, o atual Sistema Mirante, que hoje é
composto pela TV Mirante, Rádios Mirante AM e FM, Portal imirante e pelo jornal O Estado do
Maranhão.
Na época, o então governador do Maranhão criou um cenário de modernização econômica
para o estado que “aumentou o número de áreas com energia elétrica, houve um processo de
urbanização e, especialmente de modernização da economia do estado”.
As primeiras concessões do grupo Mirante foram obtidas no último governo militar do
General Figueiredo, pois o interesse dos militares na época era a expansão dos sistemas de
comunicação visando o desenvolvimento do projeto de integração nacional. Já no governo do ex-
presidente Sarney acontece a expansão do Sistema Mirante, que de 1985 a 1990 passa de 37
emissoras para 85 em todo o estado.

❖ Esquema do texto

Contexto:

• Pós-Estado Novo (1945)


• Ascensão de novas lideranças no cenário político nacional e estadual
• Influência dos militares na política brasileira

Vitorinismo (1946-1964):

• Ascensão de Vitorino Freire: Domínio da cena política maranhense por quase 20 anos
• Características:
o Rede complexa de conexões políticas locais e federais
o Partido Social Democrático (PSD) como base de sustentação
o Oligarquia com forte influência política e econômica
• Fim do Vitorinismo:
o Governo de Newton Bello (1961-1965)
o Ascensão de José Sarney
o Rompimento com o grupo político de Vitorino Freire

31
o Disputa eleitoral em 1965 com vitória de Sarney, apoiado pelos militares

Sarneysmo (1965-1990):

• Nova Era Política: Fim do Vitorinismo e início do "Sarneysmo"


• José Sarney:
o Trajetória política flexível e estratégica
o Filiado a diversos partidos ao longo da carreira
o Presidente da República (1985-1990)
• Características:
o "Coronel moderno": Exercício de autoridade e comando em níveis locais e nacionais
o Conglomerado de comunicação: Sistema Mirante (TV, rádio, jornal)
o Modernização econômica do Maranhão
• Expansão do Sistema Mirante:
o Concessões obtidas no governo militar (General Figueiredo)
o Crescimento de 37 para 85 emissoras no estado (1985-1990)

Considerações Adicionais:

• As "novas oligarquias" desafiaram a lógica política pré-1930


• Vitorino Freire e José Sarney marcaram a política maranhense
• Influência dos militares na ascensão e queda de líderes políticos
• Importância da comunicação na política: Sistema Mirante
• Modernização econômica do Maranhão sob o governo Sarney

12.2 Fatos econômicos e sociais

O desenvolvimento econômico do Maranhão tem sido tradicionalmente marcado por


ciclos distintos, incluindo a produção de cana-de-açúcar, algodão e babaçu. O ciclo do babaçu foi
predominante nas décadas de 1920 a 1970. Nas últimas décadas do século XX, houve um aumento
na produção de soja no sul e leste do estado, juntamente com a produção de cana-de-açúcar para
álcool nas regiões Tocantina, Gerais de Balsas e Baixo Parnaíba, além de uma pecuária significativa,
coexistindo com a agricultura familiar.
Além desses setores, destacam-se na economia maranhense os enclaves industriais da
Alumar e da Vale do Rio Doce, juntamente com a Base de Lançamento de Satélites de Alcântara.
Esses empreendimentos foram estabelecidos durante o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND)
do governo Geisel. Essa estrutura econômica permaneceu relativamente inalterada até o início do
século XXI.
Em 28 de julho de 1947, após a redemocratização do país, a Assembleia Constituinte do
estado promulgou uma nova constituição. O governo de José Sarney da Costa, a partir de 1966,
marcou o início do período de modernização conhecido como "Maranhão Novo", que incluiu a
construção do Porto de Itaqui e a pavimentação da estrada São Luís-Teresina.

32
Figura 13: José Sarney toma posse como governador do Maranhão

Foi somente nas décadas seguintes, com os investimentos da Superintendência do


Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene), que a economia do estado passou por mudanças significativas.

Figura 14: Logo da Sudam e da Sudene

A usina de Boa Esperança entrou em operação em 1970, seguida pela inauguração da


fábrica de celulose e papéis (CEPALMA) em 1973, utilizando matéria-prima local. Em 1984, foi
inaugurada a primeira etapa da fábrica de alumínio da Alumar, como parte do progra ma Grande
Carajás, e em 1987 começou a construção do centro de lançamento de foguetes de Alcântara.
A partir das décadas de 1960 e 1970, houve um forte impulso na economia maranhense,
com investimentos nos setores agropecuário e de extrativismo vegetal e mineral, impulsionados
pelos incentivos fiscais da Sudam e da Sudene. Grandes projetos de gado, soja, arroz e minério de
ferro, como o Projeto Carajás, trouxeram riqueza, mas também aumentaram a concentração
fundiária e as migrações, além de causar impactos ambientais, como a devastação florestal.
No final dos anos 1970, quase metade das matas originais de transição entre o cerrado
e a floresta Amazônica no Maranhão já havia sido perdida. Esses projetos econômicos também
geraram disputas de terra e conflitos com populações indígenas, resultando em tensões e violência .

❖ Esquema do texto

33
Ciclos Econômicos:

• Histórico: Cana-de-açúcar (colonial), algodão (século XIX), babaçu (1920-1970).


• Final do Século XX: Soja, cana-de-açúcar (álcool), pecuária, agricultura familiar.
• Enclaves: Alumar (alumínio), Vale do Rio Doce (mineração), Base de Alcântara (lançamento
de satélites).

Marcos Históricos:

• 1947: Nova Constituição Estadual após redemocratização.


• 1966-1970: Governo José Sarney ("Maranhão Novo"): Porto de Itaqui, estrada São Luís-
Teresina.
• 1970: Usina de Boa Esperança (energia).
• 1973: CEPALMA (fábrica de celulose e papel).
• 1984: Alumar (alumínio, projeto Grande Carajás).
• 1987: Início da construção da Base de Alcântara.

Desenvolvimento Econômico (1960-1990):

• Investimento em agropecuária e extrativismo: Sudam e Sudene.


• Grandes projetos: Criação de gado, soja, arroz, mineração de ferro (Carajás).
• Consequências: Riqueza, concentração fundiária, migrações, devastação florestal, conflitos
por terra.
• Década de 1970: Perda de quase metade das matas de transição.

Tendências e Desafios:

• Diversificação da economia: Buscar novos setores e atividades além dos tradicionais.


• Sustentabilidade ambiental: Conciliar desenvolvimento com preservação ambiental.
• Redução da desigualdade social: Combater a concentração de renda e promover inclusão.
• Promoção da paz e do diálogo: Resolver conflitos de forma pacífica e garantir direitos
indígenas.

Considerações Adicionais:

• A economia do Maranhão passou por diversas transformações ao longo da história.


• O desenvolvimento recente trouxe riqueza, mas também problemas sociais e ambientais.
• É fundamental buscar um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo para o futuro
do estado.

34
QUESTÕES

1) Os indígenas que habitavam as terras maranhenses dividiam-se entre os Tupi e os Jês. Os Tupi, do
grupo Tupinambá, viviam em pequenas aldeias no litoral. Eram bons nadadores e remadores. Suas
aldeias eram protegidas por cercas de madeira. No centro, havia um pátio onde todos se reuniam
para a vida diária, para as festas e comemorações. As moradias eram cabanas grandes e abrigavam
muitas pessoas. Os jês habitavam o interior do aldeias, em forma circular, eram construídas em
áreas de descampadas. Grandes guerreiros, os Jês
a) lutaram muito para evitar que os invasores franceses ocupassem suas terras e, por muitos anos,
impediram o avanço do negro pelo interior.
b) lutaram muito para evitar que os invasores portugueses ocupassem suas terras e, por muitos anos,
impediram o avanço do homem branco pelo interior.
c) lutaram muito para formação da Confederação dos Tamoios a fim de expulsarem os holandeses
de suas terras.
d) lutaram muito para evitar a entrada dos negros nos portos de São Luís e nas áreas de Caxias.
e) lutaram muito para evitar que os jesuítas ocupassem suas terras e construíssem missões ou
reduções.

2) Sobre a expedição de Daniel de La Touche é correto dizer que:


A) À semelhança da colonização francesa de Caiena, tinha por objetivo o estabelecimento de uma
colônia de povoamento no atual território maranhense e tinha como modelo o colonialismo britânico
e holandês.
B) Tratou-se de uma missão holandesa de estabelecimento de uma nova colônia no extremo norte da
América portuguesa e foi o balão de ensaio para o modelo administrativo que os holandeses aplicariam
em Pernambuco.
C) Estava inserido no plano de formação de uma França Equinocial, um projeto de colonização de
uma vasta faixa litorânea no norte da América portuguesa; no entanto, o projeto não prosperou e
acabou derrotado militarmente pelas forças portuguesas.
D) Foi responsável pela construção do Forte de São Luís, cujo objetivo principal era o extermínio das
populações indígenas da região para viabilizar a colonização francesa.
E) Aliou-se ao governo local de Jerônimo de Albuquerque para fundar a cidade de São Luís, que seria
o embrião do período francês no Maranhão.

3) No início do século XVII, os franceses tentaram organizar uma colônia no Brasil. Para isso,
fundaram a chamada de França Equinocial, no Maranhão. Identifique os fatos históricos
associados a essa colonização.
I. Contrariando as determinações do rei francês, Daniel de La Touche autorizou a difusão da religião
dos protestantes entre os indígenas no Maranhão.
II. Com o objetivo de fixar a colonização no Brasil, os franceses construíram o forte que denominaram
de São Luís, em homenagem ao rei francês.
III. Um dos ordenamentos instituídos na França Equinocial era a conversão da população ao
cristianismo, segundo determinação do rei da França.
35
IV. Os franceses fundaram a França Equinocial para garantir a posse das terras do Maranhão,
conforme determinava as normas do Tratado de Tordesilhas.

É correto o que se apresenta apenas em:


a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV.

4) Em 1684, eclodiu uma revolta de proprietários de terra no Maranhão, conhecida por Revolta de
Beckman (bequimão). Os revoltosos posicionaram-se:
a) contra o monopólio da companhia de comércio e contra os jesuítas.
b) contra a escravidão dos africanos e dos indígenas maranhenses.
c) a favor da catequização dos indígenas realizada pelos jesuítas.
d) a favor do monopólio real sobre a exploração dos produtos da região.
e) contra a expulsão dos jesuítas determinada pela coroa portuguesa.

5) Portugal, preocupado com a invasão dos franceses no Maranhão, nomeou Jerônimo de


Albuquerque como “capitão da conquista e descobrimento das terras do Maranhão”. Na
desembocadura do rio Munim, os portugueses ergueram um forte denominado Santa Maria.
Jerônimo de Albuquerque derrotou os franceses em novembro de 1614,
a) na batalha de Guaxenduba
b) na batalha de Vitória
c) na batalha dos mascates
d) na batalha de Beckman
e) na batalha de Nossa Senhora da Vitória

6) Nas terras férteis do vale do Rio Itapecuru, os colonizadores plantaram lavouras de algodão. O
cultivo e o comércio de algodão contribuíram para a prosperidade de uma povoação que deu origem
à cidade de Caxias. Várias fábricas de tecido foram instaladas no município e a cidade cresceu tanto
que, no final do século XIX e início do século XX, chegou a competir com a capital, São Luís em
importância econômica e poder político. Foi também nas margens do Itapecuru que, ainda no século
XVII, foram instalados os primeiros engenhos no atual território do Maranhão. Essa atividade
também foi importante para a formação de núcleos de povoamento. Outra atividade importante
no processo de colonização do Maranhão foi:
a) a metalurgia que serviu para a fabricação de armas para a Europa.
b) a farinha de mandioca que serviu de base para à ocupação de uma extensa área, em rápido
espaço de tempo e com um reduzido número de pessoas.
c) a pecuária que serviu de base à ocupação de uma extensa área, em rápido espaço de tempo e com
reduzido número de pessoas.
d) a produção de drogas de sertão que trouxe o interesse de muitos holandeses de ocuparam as
terras do maranhense.
e) a produção de arroz que trouxe uma disputa com o Rio Grande do Sul.

7) Desde 1621 o Maranhão era uma colônia à parte, ligada diretamente a Portugal; portanto, não
tinha nenhum vínculo com Salvador, que era a capital colonial do estado do Brasil. Durante o
36
governo de Pombal, a capital foi transferida de São Luís para Belém, e a colônia do norte do Brasil
passou a denominar-se
a) Estado do Grão-Pará e Pernambuco
b) Estado do Maranhão e Piauí
c) Estado do Grão-Pará e São Luís
d) Estado do Grão-Pará e Caxias
e) Estado do Grão-Pará e Maranhão

8) (Ufpel 2008) "No decorrer do período colonial no Brasil os interesses entre metropolitanos e
colonos foram se ampliando. O descontentamento se agravou quando, a 1º de abril de 1680, a Coroa
estabeleceu a liberdade incondicional dos indígenas, proibindo taxativamente que fossem
escravizados. Além disso, confiou-os aos jesuítas, que passaram a ter a jurisdição espiritual e
temporal das aldeias indígenas. Visando solucionar o problema da mão-de-obra para as atividades
agrícolas do Maranhão, o governo criou a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão (1682).
Durante vinte anos, a Companhia teria o monopólio do comércio importador e exportador do Estado
do Maranhão e do Grão-Pará. Cabia-lhe fornecer dez mil escravos africanos negros, à razão de
quinhentos por ano, durante o período da concessão outorgada."
(AQUINO, Rubim Santos Leão de [et al.]. "Sociedade Brasileira: uma história através dos movimentos
sociais". 3. ed., Rio de Janeiro: Record, 2000.)

Pelos elementos mercantilistas, geográficos e cronológicos, o conflito inferido do texto foi a


Revolta:
a) dos emboabas
b) dos mascates
c) de Amador Bueno
d) de Felipe dos Santos
e) de Bequimão

9) (Uema 2014) Quem desconhece ser mais interessante para as províncias do Norte do Cabo de São
Roque obedecer antes a Portugal que ao Rio de Janeiro? [...] Haverá, porventura, alguém tão louco
que troque o certo, pelo duvidoso? Acaso não temos nós já os nossos direitos declarados, a nossa
propriedade garantida, e o que é mais apreciável, os nossos nomes de homens livres inscritos, nas
bases da constituição que abraçamos e juramos? Fonte: JORNAL O CONCILIADOR. [s.n.], n. 88, 15
mai. 1822.
Publicadas em um jornal de grande circulação na cidade de São Luís-MA, essas palavras expressam
o repúdio de algumas províncias do Norte da América portuguesa à possibilidade de
a) emancipação política do Brasil.
b) juramento da Constituição portuguesa.
c) retorno do rei D. João VI para Portugal.
d) transferência da capital do Império luso.
e) queda do príncipe regente, à época no Rio de Janeiro.

37
10) (Uema 2013) No final do século XIX, o município de Grajaú e quase todo sertão maranhense
viveu uma rebelião política. Para o governo do Estado, o estopim foi o assassinato do promotor
público Estolano Polary. Para os sertanejos, era uma disputa pelo controle político da região.
Benedito Leite enviou forte contingente policial que praticou desmandos e atrocidades contra a
população. CABRAL, M. do S. Caminhos do gado: conquista e ocupação do sul do Maranhão, 1992
(adaptado).
O texto é uma referência a conflitos vividos no interior do Maranhão e conhecidos como
a) Balaiada.
b) Guerra do Léda.
c) Rebelião do padre João de Boa Vista.
d) República de Pastos Bons.
e) Setembrada.

11) Sobre o Maranhão República marque V ou F:


( ) Com a proclamação da República, no Maranhão, em 18 de novembro de 1889 foi deposto o
presidente da província e uma junta provisória, presidida pelo tenente-coronel João José da Cunha
Fidié.
( ) A primeira Constituição do Maranhão foi promulgada no dia 4 de julho de 1891.
( ) Quando Getúlio Vargas assumiu a Presidência da República, substituiu os governadores estaduais
por interventores. Dessa forma, o Maranhão ficou praticamente durante todo o período Vargas sob
dominação federal.
( ) Em 1965, quando José Sarney assumiu o governo do estado, ele iniciou um período que
denominou de Maranhão Novo.

12) Os chamados “republicanos de 16 de novembro” acabaram roubando a cena política dos


republicanos históricos na maior parte dos estados brasileiros. O “festival” adesionista foi tamanho
que deixou incomodado um conjunto de republicanos idealistas. O editorial de 18 de novembro de
1891 do jornal “Pacotilha”, ao fazer a avaliação dos dois primeiros anos de República afirma que tão
logo fora nomeada a Junta Governativa, em 18 de novembro de 1889, tornou-se difícil encontrar
monarquistas no Maranhão. (Luis Alberto Ferreira. In: www.outrostempos.uema.br)
A análise do texto permite afirmar que
a) não havia políticos monarquistas na província do Maranhão antes do novo regime.
b) os “republicanos de 16 de novembro” proclamaram a República no Maranhão.
c) os maranhenses republicanos demitiram os monarquistas dos cargos políticos.
d) os republicanos maranhenses condenaram os monarquistas ao exílio político.
e) os monarquistas maranhenses não tiveram receio em aderir ao novo regime.

13) No Maranhão inicia o século XX em processo do declínio econômico. Com advento republicano,
o Maranhão continuava com as práticas primitivas tais como:
a) monocultura, latifúndio e pecuária intensiva
b) monocultura, latifúndio e pecuária extensiva
c) policultura, minifúndio e café
d) algodão, latifúndio e café
38
14) No Maranhão, a Independência proclamada por D. Pedro não foi imediatamente acatada. Desde
o início de sua colonização (com a divisão do Brasil em dois estados em 1621), o Maranhão teve a
sua administração ligada diretamente a Portugal. Em 1822, quando D. Pedro proclamou a
Independência, os portugueses residentes no Maranhão não aceitaram a decisão. Os maranhenses,
entretanto, queriam a Independência. Para controlar a reação portuguesa, D. Pedro I, enviou ao
Maranhão
a) mercenários como Fidié para garantir a luta.
b) mercenários como Manoel de Sousa Martins para garantir a luta.
c) mercenários como o inglês Lord Cochrane, que deu fim à luta.
d) independentes como o conde D`Eu para garantir a luta.
e) liberais apoiados pelos bem-te-vis para garantir a luta.

15) O conflito de interesses entre jesuítas e colonos foi bem retratado no filme “A Missão”, do diretor
Roland Joffé (1986). No Maranhão colonial, a atividade missionária dos jesuítas também gerou
conflitos de interesses. Sobre a questão jesuítica no Maranhão, nesse período, marque a
alternativa correta.
a) Os jesuítas não se apossavam do trabalho dos índios em benefício próprio e condenavam o uso
dessa força de trabalho para fins econômicos.
b) A ordem dos jesuítas se sobressaiu pouco na catequese dos índios porque se dedicou mais à obra
educacional dos colonos.
c) O Pe. Antônio Vieira, membro dos jesuítas, foi criticado por defender arduamente a liberdade dos
escravos indígenas e africanos.
d) A expulsão dos jesuítas por ocasião da Revolta de Beckman (1684) ocorreu devido a conflitos de
caráter religioso.
e) A força da missão jesuíta chocou-se com os interesses econômicos da Coroa e dos colonos, o que
resultou na expulsão dessa ordem religiosa.

16) Sabeis quem traz as pragas à terra? Cativeiros injustos. Quem trouxe ao Maranhão a praga dos
Holandeses? Quem trouxe a praga das bexigas? Quem trouxe a fome e a esterilidade? Estes
cativeiros. [...] Todo o homem que deve serviço ou liberdade alheia, e podendo-a restituir, não
restitui, é certo que se condena: todos, ou quase todos os homens do Maranhão devem serviços e
liberdades alheias, e podendo restituir, não restituem; logo, todos os quase todos se condenam.
(Cleonice Berardinellí. Pretos, Índios e Judeus nos Sermões de Vieira. In. João Adolfo Hansen, Adma
Muhana, Hélder Garm (Orgs). Estudos sobre Vieira - São Paulo: Ateliê Editorial. 2011).
Este Sermão do Pe. Antônio Vieira (1608-1697) faz uma crítica à escravização dos indígenas e expõe
a grande demanda por essa mão de obra no Estado Colonial do Maranhão até meados do século
XVIII. A assertiva que explica o cativeiro dos indígenas no Maranhão colonial é a seguinte:

a) As guerras contra os indígenas eram a única forma de abastecimento de mão de obra escrava para
as atividades produtivas.
b) A escravização dos indígenas só poderia ocorrer em áreas onde houvesse uma profunda pobreza
dos moradores.
39
c) A escravidão indígena foi uma prática sistemática dos colonos e gerou uma disputa entre esses e
os missionários pelo controle dessa mão de obra.
d) A mão de obra indígena era utilizada nos serviços domésticos e substituiu os africanos
escravizados que trabalhavam na lavoura.
e) A escravidão indígena foi estimulada pela Coroa Portuguesa para evitar o extermínio dos nativos
pelos colonos.

17) Fenômeno político importante do Maranhão no século XX, o Vitorinismo se caracteriza por:
A) Predomínio político de Vitorino Freire, principalmente a partir da redemocratização brasileira em
1945, elegendo, num corte mandonista, correligionários para o governo estadual e dominando o
sistema de partidos situacionista no Maranhão.
B) Organização de uma oposição forte liderada por Vitorino Freire contra o domínio político da
família Sarney no estado.
C) Oposição do Maranhão ao projeto de modernização nacional de Getúlio Vargas e de Juscelino
Kubitschek sob a liderança de Vitorino Freire, senador pelo PSD maranhense.
D) Plano geral de modernização de São Luís por influência das reformas de inspiração francesa do
Rio de Janeiro com Pereira Passos e de Belém com Antônio Lemos.
E) Movimento trabalhista de corte popular em favor da ampliação da cidadania no estado sob a
liderança sindical de Vitorino Freire.

18) UEMA 2022) mito da Atenas Brasileira foi incorporado pela elite do século XIX, a partir da
existência de uma classe dominante abastada, proprietária de estabelecimentos comerciais, escravos,
terras e agroexportação de algodão, açúcar, além das fábricas. Foi essa opulência econômico-
comercial, respaldada na exportação de produtos, sobretudo agrícolas, que norteou a convicção de
“sociedade de letrados”, que predominou, na província, ao longo do século XIX.

BOTELHO, Joan. Conhecendo e debatendo a História do Maranhão. 3.ed. São Luís: Gráfica e Editora
Impacto, 2019.

A que se refere esse imaginário que produziu uma construção identitária da cidade de São Luís
como a Atenas Brasileira?
A) Ao conjunto de intelectuais ligado à cultura das letras, responsável por destacar a excepcionalidade
da cultura regional.
B) Aos literatos que saíram de São Luís, tornando conhecida a literatura local no quadro das letras
nacionais.
C) Ao grupo de notáveis escritores que estudou nos grandes centros europeus, formando uma elite
cultural.
D) A uma elite local de hábitos e de costumes europeus, representante de um grupo social distinto
economicamente.
E) Aos intelectuais oriundos de famílias menos abastadas, constituindo uma elite que ascendeu
socialmente pelo talento das letras.

40
19) UEMA 2022) A Balaiada foi a maior revolta rural do Maranhão, ocorrida entre dezembro de 1838
e fevereiro de 1841, caracterizando-se por ser uma luta protagonizada por homens e por mulheres do
povo.

Leia o trecho a seguir.

Oficialmente, a Balaiada iniciou-se no lugar denominado Vila da Manga do Iguará (hoje município
de Nina Rodrigues), próximo à Vargem Grande, quando o vaqueiro Raimundo Gomes invadiu o
cárcere da vila, proclamando a soltura de todos os indivíduos que estavam presos. Esse foi, apenas, o
estopim de um movimento que se expandiu por quase todo o interior da província, alcançando,
inclusive, as terras do Piauí.

BOTELHO, Joan. Conhecendo e Debatendo a História do Maranhão. 3.ed. São Luís: gráfica e Editora
Impacto, 2019, p. 165.

O episódio que representa o ápice desse movimento foi


A) o cerco da capital São Luís, com a organização de um Conselho de guerra, formado por balaios e
por políticos liberais.
B) a tomada da cidade de Caxias no sertão maranhense, com a instalação de uma Junta Governativa.
C) a ocupação da região de Pastos Bons, com a organização de um governo separatista no sul da
Província.
D) a chegada dos balaios ao poder no governo provincial, com a prisão do presidente da Província.
E) a rendição das principais autoridades políticas da Província, com a emissão de decretos para a
expulsão dos portugueses.

20) A divisão da América portuguesa entre Estado do Brasil e Estado do Grão-Pará e Maranhão se
deu dentro do contexto estratégico-administrativo bastante específico. Entre as preocupações,
razões e incumbências principais do Estado do Grão-Pará e Maranhão, podemos citar todos,
exceto:
A) Estabelecer uma linha defensiva com relação à foz do Amazonas.
B) Por conta do regime de correntes marítimas, havia uma maior facilidade de estabelecer contatos
diretos com Portugal do que com Salvador e Rio de Janeiro.
C) Organizar melhor o exclusivo de comércio e as dinâmicas administrativas do extrativismo e da
pecuária.
D) Consolidar posições na região amazônica ao mesmo tempo em que impedia o avanço espanhol na
região.
E) Isolar as investidas francesas e espanholas contra as regiões mineradoras portuguesas a partir do
Norte.

41
QUESTÕES EXTRAS PARA MEMORIZAR

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO DE JULGUE O ITEM 112


O território atual do Maranhão fazia parte de várias capitanias. Essas capitanias foram doadas a João
de Barros e Fernando Álvares de Andrade. Esses donatários associaram-se a Aires da Cunha, e
organizaram uma grande expedição para vir ao Brasil. O comando foi dado a Aires Cunha, enquanto
os seus sócios permaneciam na Europa.
112 A expedição, composta por dez navios e quase mil homens, partiu de Portugal em outubro de
1535, mas ao chegar ao Maranhão, naufragou no canal do Boqueirão. Os sobreviventes, entre eles
dois filhos de João de Barros, fundaram um povoado chamado Nossa Senhora de Nazaré, que foi
destruído pelos índios.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO E JULGUE O ITEM


Os indígenas que habitavam as terras maranhenses dividiam-se entre os Tupi e os Jês. Os Tupi, do
grupo Tupinambá, viviam em pequenas aldeias no litoral. Eram bons nadadores e remadores. Suas
aldeias eram protegidas por cercas de madeira. No centro, havia um pátio onde todos se reuniam para
a vida diária, para as festas e comemorações. As moradias eram cabanas grandes e abrigavam muitas
pessoas. Os jês habitavam o interior das aldeias, em forma circular, eram construídas em áreas de
descampadas.
113 Grandes guerreiros, os Jês lutaram muito para evitar que os invasores franceses ocupassem suas
terras e, por muitos anos, impediram o avanço do negro pelo interior.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO DE JULGUE O ITEM


A comunicação marítima entre os diferentes núcleos coloniais era muito difícil, pois as embarcações
eram movidas pela força dos ventos, e esses mudam de sentido semestralmente. Isso dificultava a
navegação pelo litoral da Colônia no sentido norte-sul. (...) SAMPAIO, Francisco Coelho. História do
Maranhão. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2008. p. 28.
114 A comunicação marítima entre a parte norte da Colônia e Portugal era mais fácil do que com o
restante da Colônia. Isso teve influência para que, em 1621, o governo de Portugal resolvesse criar o
Estado do Maranhão, separado do restante das terras colônias.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO DE JULGUE OS ITENS


No início do século XVII, os franceses tentaram organizar uma colônia no Brasil. Para isso, fundaram
a chamada de França Equinocial, no Maranhão.
115 Contrariando as determinações do rei francês, Daniel de La Touche autorizou a difusão da religião
dos protestantes entre os indígenas no Maranhão.

116 Com o objetivo de fixar a colonização no Brasil, os franceses construíram o forte que
denominaram de São Luís, em homenagem ao rei francês.

117 Os franceses fundaram a França Equinocial para garantir a posse das terras do Maranhão,
conforme determinava as normas do Tratado de Tordesilhas.

(DAWDS0N, 2017) SOBRE A REVOLTA NATIVISTA DE BECKMAN, JULGUE O ITEM

42
118 Em 1684, eclodiu uma revolta de proprietários de terra no Maranhão, conhecida por Revolta de
Beckman (bequimão). Os revoltosos posicionaram-se contra o monopólio da companhia de comércio
e contra os jesuítas.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO E JULGUE OS ITENS.


Nas terras férteis do vale do Rio Itapecuru, os colonizadores plantaram lavouras de algodão. O cultivo
e o comércio de algodão contribuíram para a prosperidade de uma povoação que deu origem à cidade
de Caxias. Várias fábricas de tecido foram instaladas no município e a cidade cresceu tanto que, no
final do século XIX e início do século XX, chegou a competir com a capital, São Luís em importância
econômica e poder político. Foi também nas margens do Itapecuru que, ainda no século XVII, foram
instalados os primeiros engenhos no atual território do Maranhão. Essa atividade também foi
importante para a formação de núcleos de povoamento.
119 Outra atividade importante no processo de colonização do Maranhão foi a farinha de mandioca
que serviu de base para à ocupação de uma extensa área, em rápido espaço de tempo e com um
reduzido número de pessoas.

120 A pecuária serviu de base à ocupação de uma extensa área, em rápido espaço de tempo e com
reduzido número de pessoas.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO E JULGUE O ITEM


Desde 1621 o Maranhão era uma colônia à parte, ligada diretamente a Portugal; portanto, não tinha
nenhum vínculo com Salvador, que era a capital colonial do estado do Brasil.
121 Durante o governo de Pombal, a capital foi transferida de São Luís para Belém, e a colônia do
norte do Brasil passou a denominar-se Estado do Grão-Pará e Maranhão.

(DAWDS0N, 2017) Leia o texto e julgue as questões.


Na aventura francesa do Maranhão seiscentista, os indígenas eram peças-chave nos métodos de
cooptação dos brancos. As alianças entre franceses e Tupinambás, demonstram uma relação com o
“outro”, feita com base em negociações comerciais, ao mesmo tempo em que também se constituía
uma política para se viabilizarem em terras da América.
122 Sem o apoio das tribos Tupinambás do Maranhão, dificilmente os franceses tinham condições de
se estabelecerem por estas terras. Os “Papagaios Amarelos”, como eles eram chamados pelos
indígenas, tinham tanta consciência disso que procuram estabelecer leis que protegessem os índios,
pois sabiam que o sucesso da colonização, dependia, do bom relacionamento entre os europeus, mas
principalmente da relação amistosa entre franceses e nativos.

124 A Batalha de Guaxenduba foi um confronto militar ocorrido entre forças portuguesas e espanholas
onde hoje se localiza a cidade de Icatu, no estado do Piaui. A batalha foi um importante passo dado
pelos portugueses para a expulsão definitiva dos franceses do Maranhão, dada em 4 de novembro de
1615.

(DAWDS0N, 2017) Leia o texto e julgue as questões.


Os holandeses sempre estiveram ligados à economia açucareira. Porém, quando Portugal e suas
colônias entraram para o domínio espanhol, eles foram proibidos pelo rei da Espanha de comercializar
o açúcar brasileiro.

43
125 Para não perderem o comércio que lhes garantia um lucro muito alto, os holandeses resolveram
invadir o Brasil, começando pela Bahia. Depois invadiram Pernambuco, expandindo-se pelo Nordeste
e, em novembro de 1641, invadiram o Maranhão.

126 Tendo dominado a cidade de São Luís em 1641, os holandeses obrigaram a população a prestar
juramento público ao governo e à bandeira holandesa.

127 Sob a liderança de Antônio Muniz Barreiros, proprietários de engenho enfrentaram os holandeses.
Os jesuítas eram seus aliados, pois viam seus interesses religiosos sendo ameaçados pelos protestantes
holandeses.

(DAWDS0N, 2017) Leia o texto e julgue a questão


Com a crise açucareira e a saída dos holandeses do nosso País, o Brasil tornou-se um palco para vários
conflitos econômicos, principalmente a área do Nordeste. Foi justamente esse tipo de problema que
fez do Maranhão um dos estados mais carentes de todo o país no final do século XVII. Todos esses
problemas degradantes e a exploração por parte da Coroa Portuguesa, deixaram muita gente revoltada.
Foi aí que em 1684, iniciou-se um movimento na cidade de São Luís, no Maranhão, onde os líderes
foram Manuel e Tomás Beckman.

128 Uma das principais causas da Revolta de Beckman foi a escravização dos índios. Isso foi bem
visto pelos Jesuítas, que pregavam que esses povos deveriam mesmo ser escravos.

(DAWDS0N, 2017) Leia o texto e julgue as questões.


A Independência do Brasil foi um processo que culminou com a emancipação política desse país do
reino de Portugal, no início do século XIX. Oficialmente, a data comemorada é a de 7 de setembro de
1822, quando ocorreu o episódio do chamado "Grito do Ipiranga". De acordo com a história oficial,
nesta data, às margens do riacho Ipiranga o Príncipe Regente D. Pedro bradou perante a sua comitiva:
Independência ou Morte!
129 No Maranhão, as elites agrícolas e pecuaristas não eram muito ligadas à Metrópole e a exemplo
de outras províncias se recusaram a aderir à Independência do Brasil. À época, o Maranhão era uma
das mais pobres regiões do Brasil. O fraco tráfego marítimo com a Metrópole, justificado pela maior
proximidade com a Europa, tornava mais difícil o acesso e as trocas comerciais com Lisboa do que
com o sul do país.

130 São Luís, a bela capital e tradicional reduto português, foi finalmente bloqueada por mar e
ameaçada de bombardeio pela esquadra do Lord Cochrane, sendo obrigada a aderir à Independência
em 28 de julho de 1823.

(DAWDS0N, 2017) Leia o texto e julgue as questões.


A Balaiada foi uma luta popular que se sucedeu na província do Maranhão durante os anos de 1838 e
1841.

131 As principais causas da Balaiada estão ligadas à pobreza da população da província maranhense,
bem como sua insatisfação diante dos desmandos políticos dos grandes fazendeiros da região.

44
132 Em 1840, o recém coroado imperador Dom Pedro II, resolve anistiar os rebeldes que se
entregarem. Imediatamente, mais de 2.500 balaios se rendem. Com isso, Luís Alves de Lima e Silva
esmaga definitivamente aqueles que continuavam lutando em 1841. Neste mesmo ano, Cosme Bento
é capturado e enforcado.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO


Uma das mais conhecidas revoltas ocorridas no período colonial brasileiro, a Revolta de Bequimão
envolveu, na segunda metade do século XVII, colonos do Maranhão liderados por Manuel Beckman
contra as autoridades metropolitanas. A respeito desse acontecimento, julgue o item a seguir.
132 A dificuldade para a obtenção de escravos negros e alguns produtos da metrópole está na raiz do
referido movimento.

(DAWDS0N, 2017) A respeito da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, julgue


o item a seguir.
133 A criação da companhia ocorreu no contexto de autonomia do Estado do Grão-Pará e Maranhão,
em relação ao Brasil, que permitia que o estado tivesse, inclusive, governador próprio.

(DAWDS0N, 2017) SOBRE A ECONOMIA DO MARANHÃO COLONIAL, JULGUE O ITEM A


SEGUIR.
134 A primeira companhia privilegiada de comércio, surgida em 1755, voltada ao desenvolvimento
da região Norte, e que pretendia oferecer preços atraentes para os produtos que a região deveria
exportar para o mercado europeu, foi instituída pelo Marquês de Pombal e denominada Companhia
Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO E JULGUE OS ITENS


“Personagens republicanos como Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Deodoro da
Fonseca e Floriano Peixoto são nomes onipresentes em praças e ruas das cidades brasileiras, mas
pergunte a qualquer estudante do ensino médio quem foram esses homens e a resposta certamente
demorará a vir”. Em conclusão, diz categoricamente: “A julgar pela maneira cívica nacional, o Brasil
tem uma República mal-amada”.
135 Pelo que narram os historiadores, no Maranhão, as ações voltadas para a instalação do novo
regime foram inexpressivas e desarticuladas.

136 Das cidades maranhenses identificadas com a mudança da forma de governo, apenas Barra do
Corda se empolgou e fundou um Clube Republicano, em 1888, tendo como figuras destacadas o juiz
municipal, Isaac Martins, o promotor público João Dunshee de Abranches, Frederico Figueira e
Antônio Rocha Lima, este, dono do jornal O Norte, que fazia propaganda republicana.

137 Só nas proximidades do fim do reinado de Pedro II é que apareceram, em São Luis, alguns poucos
e apáticos republicanos, que se juntaram para fundar um clube, de cuja organização faziam parte o
jornalista Paula Duarte e Casemiro Dias Vieira Júnior, este, dono do jornal O Globo, que assumiu
forte oposição ao movimento para instalação da República no país.

45
138 A notícia recém chegada ao Maranhão sobre a Proclamação da República não era oficial, por isso,
não foi levada a sério pela opinião pública, que começou a ser abastecida de informações falsas e
contraditórias. Os boatos eram tantos que os escravos libertos logo imaginaram que a República fora
proclamada para tornar sem efeito a Lei Áurea.

139 Só três dias após o ato do marechal Deodoro, o comandante do Exército em São Luis, o coronel
João Luis Tavares, resolveu agir, já que o presidente do Maranhão, Tito Augusto Pereira de Matos,
por acomodação ou medo, não sabia o que fazer. O militar, no dia 18 de novembro, para manter a
tranquilidade social e restabelecer a governabilidade, reuniu a tropa, nas primeiras horas da manhã,
declarando a Adesão do Maranhão à República.

140 Como todo governo que toma conta do poder, os republicanos que assumiram o comando do
Maranhão deflagraram diversas medidas de caráter vingativo, ressaltando-se a destruição de materiais
e símbolos do antigo regime (bandeiras, insígnias, brasões e retratos do ex-imperador), e demissões
de funcionários públicos.

(DAWDS0N, 2017) SOBRE A INTERVENTORIA DE PAULO RAMOS NO MARANHÃO,


JULGUE OS ITENS.
141 Paulo Ramos foi nomeado interventor federal no Maranhão em 1937. Durante sua gestão, foi
organizada a Secretaria de Justiça do estado e edificado o Instituto de Educação do Maranhão. Foram
também instaladas colônias de psicopatas e de leprosos, foi criado o Centro de Saúde Paulo Ramos e
restaurado o Hospital Geral do estado.

142 Através do sistema de fomento agrícola então instituído, foram concedidos créditos aos pequenos
produtores, principalmente aos do Sul do estado, dedicados às culturas do arroz e soja, já em expansão
na região.

(DAWDS0N, 2017) LEIA O TEXTO E JULGUE OS ITENS


Vindo a queda do estado novo, o Maranhão deixou de ter a atuação do interventor federal, e aparece
então a figura de Vitorino Freire que irá participar da política do estado por cerca de 20 anos (entre
1946 – 1964).

143 A hegemonia política do grupo de Vitorino Freire, conhecida como Vitorinismo, que pelos seus
moldes foi reconhecida como oligarquia, era baseada num conjunto de ligações exercidas a nível local
e federal resultante da posição ocupada por seu partido, o PSD, dentro do sistema político do país.

144 José Sarney ingressou na carreira pública no grupo de Vitorino Freire com o apoio de seu pai, que
na época era Desembargador e tinha o desejo de ver seu filho na política.

46
145 Vitorino Freire e José Sarney são reconhecidos, neste contexto, como os novos coronéis do
Maranhão por trazerem em sua história e formação política, os traços do que ficou reconhecido como
coronelismo.

146 Na época, Sarney criou um cenário de modernização econômica para o estado que “aumentou o
número de áreas com energia elétrica, houve um processo de urbanização e, especialmente de
modernização da economia do estado”.

147 Em 1966 assumiu o governo José Sarney da Costa, que iniciou o período de modernização
"Maranhão Novo", cujos destaques foram a construção do porto de Itaqui e a pavimentação da estrada
São Luís-Teresina.

148 A partir dos anos 1940 e 1950, a economia do Maranhão ganha impulso. São feitos investimentos
nos setores de agropecuária e de extrativismo vegetal e mineral, estimulados pelos incentivos fiscais
da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

47
GABARITO DAS QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA
1–B
2–C
3–C
4–A
5–A
6–C
7–E
8–E
9–A
10 – B
11 – F, V, F, V
12 – E
13 – B
14 – C
15 – E
16 – C
17 – A
18 – A
19 – B
20 – B

48
GABARITO DAS EXTRAS

112 C
113 E
114 C
115 E
116 C
117 E
118 C
119 E
120 C
121 C
122 C
123 PULA
124 E
125 C
126 C
127 C
128 E
129 E
130 C
131 C
132 C
132 C
133 C
134 C
135 C
136 C
137 E
138 C
139 C
140 C
141 C
142 E
143 C
144 C
145 C
146 C
147 C
148 E

49

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