VIDROS
VIDROS
INTRODUÇÃO AOS
CERÂMICOS E COMPÓSITOS
Tópico Especial em Materiais
Cerâmicos
Classificação
Com base na aplicação dos materiais cerâmicos
Materiais Cerâmicos
Produtos à base
Refratários Abrasivos Cimentos Carbonos Vidros
de argila
CALLISTER, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia dos Materiais, uma Introdução. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
2
Vidros - História
Vidros naturais: existem muito antes da vida na Terra
OBSIDIANA FULGURITO
Vi dro v ul câni co obtid o a parti r d o resfri am ento Rochas d e composi ção ví trea si mpl es em
rel ati vamente rápi do d a l av a. form a d e tubos form ados pel a fusão d e
Com posição pri ncipal : S i O 2 (~ 70%) sedi m entos i nconsoli dad os , solos ou rochas ao
Pod e conter : óxi dos d e al umí nio, ferro, sódi o, serem ati ngi dos por rai os .
potássi o e m agnési o. Com posição pri ncipal : S i O 2 (90%)
ROGERS, A. F. 1946. Sand fulgurites with enclosed lechatelierite from Riverside County, California. The Journal of Geology, v. 54, n. 2, p. 117-122.
LETIZIA, B., OLEKSANDRA, K., GIULIA, R. (2023). XRF Semi-Quantitative Analysis and Multivariate Statistics for the Classification of Obsidian Flows in the 3
Mediterranean Area. Applied Sciences, 13(6):3495-3495. doi: 10.3390/app13063495
Vidros - História
Descoberta: teoria mais popular
LENDA!
Plínio, o Velho (23 – 79 d.C.)
“Naquela parte da Síria conhecida como Fenícia e vizinhanças da Judéia há um lago
chamado Candevia, nas partes baixas do Monte Carmelo. Esta é supostamente a
nascente do Rio Belos, que depois de atravessar uma distância de uns 7 km deságua no
mar próximo à colônia de Ptolomeida. Seu fluxo é lento e suas águas são insalubres
para se beber, embora sejam consideradas sagradas. O rio é lamacento e flui através
de um canal profundo, revelando suas areias apenas quando a maré abaixa. Por isso,
não é antes de serem reviradas pelas ondas e limpas de impurezas que as areias
ressurgem com brilho. Mais, é somente nessa hora, depois que parecem afetadas pelas
propriedades acentuadas e adstringentes da água salgada, que se tornam prontas
para o uso. A praia se estende por não mais que 500 passos, mesmo assim a produção
de vidros dependeu por muitos séculos dessa área sozinha. Há uma história que certa
vez um barco pertencente a alguns comerciantes de soda natural desembarcou aqui e
seus ocupantes se espalharam pela areia para preparar suas refeições. Como, no
entanto, nenhuma rocha estava à mão ou próxima, que pudesse ser utilizada para
apoiar seus caldeirões, eles os apoiaram em blocos de soda de seu próprio
carregamento. Quando estes se aqueceram e se misturaram com a areia da praia um
estranho líquido translúcido escorreu diante deles; esta é dita ser a origem do vidro.”
Rasmussen, S.C. (2012). Origins of Glass: Myth and Known History. In: How Glass Changed the World. SpringerBriefs in Molecular Science(), vol 3.
Springer, Berlin, Heidelberg. [Link]
4
Vidros - História
Descoberta: teoria mais aceita
Rasmussen, S.C. (2012). Origins of Glass: Myth and Known History. In: How Glass Changed the World. SpringerBriefs in Molecular Science(), vol 3.
Springer, Berlin, Heidelberg. [Link]
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Vidros - História
VÍDEO
6
Vidros - História
50 d.C. 1674 1879
P ri mei ro v i dro d e j anel a Pri mei ro v i dro d e óxi d o d e chum bo I nv enção d a l âm pad a el étri ca
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Vidros - Definição
O QUE É VIDRO?
Não existe só
vidros inorgânicos Não existe
somente a fusão
de resfriamento
ASTM: “produto inorgânico obtido por fusão que foi resfriado até uma condição rígida sem
cristalização.”
Por que essa definição não está correta?
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Vidros - Definição
"Um estado da matéria condensada fora do equilíbrio termodinâmico, não cristalino , que exibe
uma transição vítrea ." Zanotto e Mauro (2017)
ZANOTTO, E. D.; MAURO, J. C. The glassy state of matter: Its definition and ultimate fate. Journal of Non-Crystalline Solids, v. 471, n. May, p. 490–495, 2017.
VARSHNEYA, A. K.; MAURO, J. C. Fundamentals of inorganic glasses. 1994.
CALLISTER, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia dos Materiais, uma Introdução. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. 9
Vidros - Definição
"Um estado da matéria condensada fora do equilíbrio termodinâmico, não cristalino, que exibe
uma transição vítrea." Zanotto e Mauro (2017)
"A passagem do estado sólido para um estado termodinamicamente instável, conhecido como
estado super-resfriado, que é a temperatura na qual o vidro começa a amolecer sob aquecimento."
Varshneya e Mauro (1994).
ZANOTTO, E. D.; MAURO, J. C. The glassy state of matter: Its definition and ultimate fate. Journal of Non-Crystalline Solids, v. 471, n. May, p. 490–495, 2017.
VARSHNEYA, A. K.; MAURO, J. C. Fundamentals of inorganic glasses. 1994.
CALLISTER, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia dos Materiais, uma Introdução. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. 10
Vidros - Definição
COMO IDENTIFICAR SE O MATERIAL POSSUI
TRANSIÇÃO VÍTREA E DESORDEM ATÔMICA?
T f : Temperatura de fusão.
GABBOTT, P. Principles and Applications of Thermal Analysis. 1. ed. New Delhi: Blackwell Publishing Ltd, 2008.
12
Vidros - Definição
Como identificar o carácter cristalino do material?
Princípio é baseado na difração dos raios-x quando interagem com o material, podendo causar interferência
construtiva ou destrutiva.
13
Vidros – Definição
É possível vitrificar qualquer tipo de material?
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Vidros – Formação vítrea
AGENTES FORMADORES
AGENTES MODIFICADORES
AGENTES INTERMEDIÁRIOS
Martins (2009, p. 33).
Atuar dentro da rede como formador
ou modificador
TiO2, ZnO, BeO, PbO2 e AlO3
15
Vidros – Formação vítrea
Influência do modificador na T f
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Vidros – Famílias, propriedades e
aplicações
• Refratariedade
• Alta resistência química à corrosão
• Baixa condutividade elétrica
• Coeficiente de expansão térmica próximo de zero
• Boa transparência no UV e visível.
APLICAÇÕES
Tubos de fornos, espelhos astronômicos, fibras ópticas, cadinhos para fusão de silício de
alta pureza e envelopes de lâmpadas de alta eficiência.
SÍNTESE
APLICAÇÕES
SÍNTESE
Fusão contínua em larga escala de materiais de lote baratos, como carbonato de sódio
(Na 2 C0 3 ), calcário (CaC0 3 ) e sílica a 1.400-1.500°C.
APLICAÇÕES
SÍNTESE
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Vidros – Famílias e aplicações
Silicato de chumbo
PROPRIEDADES
APLICAÇÕES
SÍNTESE
Geralmente é composto por 48% de areia de sílica, 24% de óxido de potássio ou sódio e
28% de óxido de chumbo a ~900-1400°C.
APLICAÇÕES
SÍNTESE
• É estirado com facilidade em fibras de alta resistência a partir do seu estado fundido.
• Material facilmente disponível e pode ser fabricado economicamente, usando uma
ampla variedade de técnicas de fabricação de compósitos.
• Como uma fibra, é relativamente resistente e, quando incorporado em uma matriz
polimérica, produz um compósito com resistência específica muito alta.
• Inércia química que torna o compósito útil em inúmeros ambientes corrosivos.
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Vidros – Famílias
Aluminossilicato - Compósitos poliméricos
COMPÓSITOS POLIMÉRICOS REFORÇADOS COM FIBRA DE VIDRO
FIBRAS
MATRIZ
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Vidros – Famílias
Aluminossilicato - Compósitos poliméricos
INTERAÇÃO FIBRA X MATRIZ
Ex.: Silano.
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Vidros – Famílias
Aluminossilicato - Compósitos poliméricos
FIBRAS DE VIDRO UTILIZADAS NA MANUFATURA DE COMPÓSITOS
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Vidros – Famílias
FIBRAS DE VIDRO UTILIZADAS NA MANUFATURA DE COMPÓSITOS
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Vidros – Famílias
RESUMO
Propriedade Sílica Soca cal Borossilicato Silicato de chumbo Aluminossilicato
Fusão ~2000°C ~1450°C ~1650°C ~900-1400°C ~1650°C
Temperatura máxima ~1000°C ~500°C ~520°C ~270-460°C ~700°C
de trabalho
Coeficiente de 5.5 x 10-7 /°C 90 x 10-7 /°C 30-50 x 10-7 /°C ~90-150 x 10-7 /°C ~50 x 10-7 /°C
expansão térmica
Durabilidade Muito bom Bom Muito bom Bom Muito Bom
Química
Condutividade Muito baixa Baixa Baixa Muito Baixa Muito baixa
Elétrica
Área de trabalho - - - Longa -
Transparência no UV Alta - - - -
Índice de refração - - - Alto -
Módulo de Alto Alto
elasticidade
Custo Alto Muito baixo Médio Baixo Médio
Aplicações Tubos de forno, Recipientes de Vidrarias de Taças, objetos de Fibras de vidro para
espelhos bebidas, janelas de laboratório, arte e reforço em
astronômicos, fibras vidro e bulbo de recipientes microeletrônica compósitos
ópticas. lâmpadas farmacêuticos, poliméricos e
incandescentes e recipientes culinários lâmpadas de alta
fluorescentes. eficiência em
automóveis 29
Vidros – Famílias
Vidros óxidos sem sílica e não óxidos
Janela de transparência: região do espectro entre o ultravioleta e visível (0,19µm a
0,7µm) até o infravermelho (0,7µm a 27µm) que o material transmite a radiação
incidida.
ENERGIA
VIBRACIONAL
TRANSPARENCIA
NO Iv
ZKHALID, M.; USMAN, M.; ARSHAD, I. Germanate glass for laser applications in ∼ 2.1 μm spectral region: A review. Heliyon, v. 9, n. 1, p. e13031, jan. 2023. 30
Vidros – Famílias
Vidros óxidos sem sílica
TELURITOS VOMP
TZN: (75–80)TeO 2-(10 − 20)ZnO-(5–15)Na 2 O Vidros óxidos de metais pesados - Bi2O3, Sb2O3,
PbO (>50%)
• Alta estabilidade térmica
• Ampla região de transparência • Transparência no IV
• Alto índice de refração • Alto índice de refração
• Baixa temperatura de fusão (<1000°C)
Aplicações:
Aplicações:
Vidros foto-termo-refrativos (PTR) utilizados em
Principalmente na fotônica para lasers e fibra aplicações militares, dispositivos como grades
óptica. de difração e na fabricação de lasers.
NALIN, M. et al. MATERIAIS VÍTREOS E LUZ: PARTE 1. Quimica Nova, v. 39, n. 3, p. 328–339, 2016.
31
Vidros – Famílias
Vidros não óxidos
Aplicações:
CALCOGENETOS
Selênio vítreo:
Um ou mais elementos calcogênios (enxofre, Tg – Temperatura ambiente
selênio e telúrio), ligados covalentemente à Tf – 220°C
formadores de redes tais como As, Ge e Sb.
• Baixa Tg e Tf
• Transparência na região do infravermelho
médio e distante (região de transmissão
mais ampla)
Aplicações:
2. Desorganiza-los
Vantagem Desvantagens
• Grandes quantidades • Altas temperaturas
• Diversos formatos • Risco de contaminação
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Vidros – Métodos de síntese
Indústria
Maior desafio: reduzir o consumo de energia por unidade de produto
KODAK, Onur; SADEGHI-KHANEGHAH, Farshid; KONUKMAN, Alp Er Ş.; KđLđÇ, Levent; ARZAN, Neşet; DURAL, Gürhan. Energy Usage in Glass Industry: past, today,
and tomorrow. Springer Proceedings In Energy, [S.L.], p. 101-111, 2023. Springer International Publishing. [Link]
35
Vidros – Métodos de síntese
CÁLCULO DE COMPOSIÇÃO
Massas molares:
1° Passo
Na 2 O: 61,98 g/mol * 15% = 9,30 g
Na 2 O: 61,98 g/mol
CaO: 56,08 g/mol CaO: 56,08 g/mol * 10% = 5,61 g
SiO 2 : 60,08 g/mol SiO 2 : 60,08 g/mol * 75% = 45,06 g
TOTAL = 59,97 g
2° Passo
Na 2 O: CaO: SiO 2 :
59,97 g ----- 9,29g 59,97 g ----- 5,61g 59,97 g ----- 45,06g
100 g ------- m Na2O 100 g ------- m CaO 100 g ------- m SiO2
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
PROCESSAMENTO
Utensílios de vidro Lentes, blocos de Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, vidro, telas fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
VÍDEO
PROCESSAMENTO
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
DEFIBRAÇÃO
VÍDEO VÍDEO
PROCESSAMENTO
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
VÍDEO VÍDEO
PROCESSAMENTO
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
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PRODUÇÃO
Vidros – Processos de fabricação
SOPRO PRENSAGEM ESTIRAMENTO EXTRAÇÃO/DEFIBRAÇÃO LAMINAÇÃO FLOATING
Utensílios de vidro Vidros, lentes, Tubos de vidro, Lã de vidro, fibras de vidro Vidro plano, vidro Vidros para
oco, copos, blocos de vidro, fibra óptica têxteis, lã de vidro de fundido, blocos de janelas e
PRODUTOS
SOL GEL
CARTER, C. Barry et al. Ceramic materials: science and engineering. New York: springer, 2007. 46
Vidros – Métodos de síntese
SOL-GEL
VANTAGENS DESVANTAGENS
CARTER, C. Barry et al. Ceramic materials: science and engineering. New York: springer, 2007. 47
Vidros – Métodos de síntese
CVD (Chemical Vapor Deposition)
1. Preparação do substrato;
2. Introdução dos precursores químicos
(elementos necessários para obtenção
do produto final);
3. Reações químicas na superfície do
substrato;
4. Formação da camada de material - os
produtos das reações se depositam no
substrato formando uma fina camada;
5. Remoção dos subprodutos da câmara.
VANTAGENS DESVANTAGENS
• Controle de espessura.
MEYLAND, Martin J.; NIELSEN, Jens H. High strain rate characterisation of soda-lime-silica glass and the effect of residual
stresses. Glass Structures & Engineering, v. 7, n. 4, p. 641-657, 2022. 51
Vidros – Tratamentos térmicos
RECOZIMENTO
MEYLAND, Martin J.; NIELSEN, Jens H. High strain rate characterisation of soda-lime-silica glass and the effect of residual
stresses. Glass Structures & Engineering, v. 7, n. 4, p. 641-657, 2022. 52
Vidros – Tratamentos térmicos
RECOZIMENTO
• Composição do vidro;
• Espessura;
• Design do produto.
RECOZIMENTO
53
Vidros – Tratamentos térmicos
TÊMPERA
54
Vidros – Tratamentos térmicos
TÊMPERA
ASTM: “produto inorgânico obtido por fusão que foi resfriado até uma condição rígida sem
cristalização.”
Por que essa definição não está correta?
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PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE MATERIAIS E PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
Vitrocerâmicas
Vitrocerâmicas - História
INICIALMENTE...
CRISTALIZAÇÃO EVITADA
nucleação crescimento
Dificuldade em
DUAS ETAPAS: controlar a
nucleação!!
58
Vitrocerâmicas - História
1953 – Stanley Donald Stookey, Corning Glass
VITROCERÂMICA
0,5 a 99,5%
Mais comuns: 30 a 70%
“Materiais inorgânicos e não metálicos preparados por cristalização controlada de vidros através
de diferentes métodos de processamento. Estas contêm pelo menos um tipo de fase cristalina
funcional e vidro residual. A fração de volume cristalizada pode variar de ppm a quase 100%.”
Deubener et al., 2018
60
Vitrocerâmicas - Definição
Tradicionalmente obtidas a partir de um vidro precursor pelo tratamento
térmico
15Na40LaTampaTT
VITROCERÂMICA
Autora (2023)
62
Vitrocerâmicas - Cristalização
nucleação crescimento
DUAS ETAPAS:
NUCLEAÇÃO
Formação de pequenos núcleos na matriz vítrea que darão origem aos cristais na
etapa de crescimento a partir do tratamento térmico.
• Superficial heterogênea
• Volumétrica heterogênea
• Volumétrica homogênea
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
63
Vitrocerâmicas - Cristalização
NUCLEAÇÃO
SUPERFICIAL HETEROGÊNEA
Ocorre na superfície em
direção ao volume;
Preferencialmente em locais
com trincas, imperfeições
(bolhas) e impurezas.
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
64
Vitrocerâmicas - Cristalização
NUCLEAÇÃO
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
65
Vitrocerâmicas - Cristalização
Pode ocorrer em uma ou duas etapas!
N: taxa de nucleação
Variação da Taxa de Nucleação (N) e Taxa de C: taxa de crescimento
Crescimento (C) em função
da temperatura
T 1 a T 3 - faixa de T de nucleação dos grãos
T 2 a T f - faixa de T de crescimento dos
grãos
T 2 a T 3 - nucleação e crescimento, região
crítica para cristalização
T2 a T3
ACÁCIO, M. A. ESTUDO DOS PROCESSOS DE NUCLEAÇÃO E CRISTALIZAÇÃO EM VIDROS BORATOS. [s.l.] Universidade Estadual Paulista, 2006.
66
Vitrocerâmicas - Cristalização
N < C: poucos cristais de tamanho maior N > C: muitos cristais de tamanho menor
Cenário
ideal!
67
Vitrocerâmicas - Cristalização
AGENTES NUCLEANTES
Devem ser solúveis na fase fundida produzida inicialmente, mas não em temperaturas mais
baixas. Durante o resfriamento ou no tratamento térmico adicional precipitam como
cristalitos distribuídos uniformemente no vidro.
Flúor: adicionado como 2 a 8% molar de fluoreto, permite que fases fluoreto cristalizem em
uma ampla variedade de sistemas de silicato e aluminossilicato.
Metais nobres (Ag, Au e Pt): Os metais são geralmente introduzidos na forma iônica em
quantidades inferiores a 1% em mol.
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
68
Vitrocerâmicas - Propriedades
PRINCIPAIS VANTAGENS
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
69
Vitrocerâmicas - Propriedades
MICROESTRUTURA
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
70
Vitrocerâmicas - Propriedades
PROPRIEDADES MECÂNICAS
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
71
Vitrocerâmicas - Propriedades
PROPRIEDADES ÓPTICAS
VIDRO CRISTAIS
MATERIAIS LUMINESCENTES
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021.
72
Vitrocerâmicas - Propriedades
PROPRIEDADES REOLÓGICAS E TÉRMICAS
• Maior viscosidade por conta da presença dos cristais que se opõe aos efeitos
do aumento de temperatura;
Keralite ®
Janelas resistentes ao fogo.
Suporta um choque térmico de
até 700°C
COMTE, Monique. Glass‐Ceramics. Encyclopedia of Glass Science, Technology, History, and Culture, v. 2, p. 937-949, 2021. 73
Vitrocerâmicas - Aplicações
PRODUTOS DE CONSUMO
• Esteticamente atraente.
KeraSpectrum® K erali te ®
Zanotto, E.D. (2010). A bright future for glass-ceramics. American Ceramic Society Bulletin, 89, 19-27.
74
Vitrocerâmicas - Aplicações
ASTRONOMIA
• Semitransparente;
• Não porosa;
Espelhos de satélites, telescópios astronômicos, elementos ópticos para sondas de cometas, etc.
Zanotto, E.D. (2010). A bright future for glass-ceramics. American Ceramic Society Bulletin, 89, 19-27.
75
Vitrocerâmicas - Aplicações
CONSTRUÇÃO CIVIL
• Sinterização;
• Não porosa;
Zanotto, E.D. (2010). A bright future for glass-ceramics. American Ceramic Society Bulletin, 89, 19-27. 76
Vitrocerâmicas - Aplicações
ODONTOLOGIA
• Biocompatibilidade;
• Resistência química.
Zanotto, E.D. (2010). A bright future for glass-ceramics. American Ceramic Society Bulletin, 89, 19-27.
77
Vitrocerâmicas - Aplicações
MEDICINA
Cerabone A/W ®
• Biocompatibilidade;
WORKIE, Andualem Belachew; SHIH, Shao-Ju.. A study of bioactive glass–ceramic's mechanical properties, apatite formation, and medical
applications. Rsc Advances, [S.L.], v. 12, n. 36, p. 23143-23152, 2022. Royal Society of Chemistry (RSC). [Link]
78
Vitrocerâmicas - Aplicações
MEDICINA
• Wollastonita: magnetização;
DANEWALIA, S.s.; SINGH, K.. Bioactive glasses and glass–ceramics for hyperthermia treatment of cancer: state-of-art, challenges, and
future perspectives. Materials Today Bio, [S.L.], v. 10, p. 100100, mar. 2021. Elsevier BV. [Link]
79
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
PTR – Foto-termo-refrativos
• Cristalização localizada.
Zanotto, E.D. (2010). A bright future for glass-ceramics. American Ceramic Society Bulletin, 89, 19-27.
80
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
PTR – Foto-termo-refrativos
Fibra óptica
MIHAILOV, Stephen J.. Fiber Bragg Grating Sensors for Harsh Environments. Sensors, [S.L.], v. 12, n. 2, p. 1898-1918, 10 fev. 2012. MDPI AG.
[Link]
81
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
Materiais luminescentes
Luminescência: emissão de radiação eletromagnética pelo material quando submetido a
uma fonte de energia.
Radiação
Térmica Mecânica Química Elétrica eletromagnética
82
ENGENHARIA DE MATERIAIS E PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
Obrigada!
83
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
PTR – Foto-termo-refrativos
Sensores
MIHAILOV, Stephen J.. Fiber Bragg Grating Sensors for Harsh Environments. Sensors, [S.L.], v. 12, n. 2, p. 1898-1918, 10 fev. 2012. MDPI AG.
[Link]
84
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
Materiais luminescentes
• Amplificação óptica
85
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
Materiais luminescentes
• O fenômeno de luminescência
nesses íons se dá pelo fato da
camada 4f não estar
completamente preenchida.
86
Vidros – Famílias
Fibra de vidro e
vidros especiais
10%
Construção
civil e
automotiva
30%
Recipientes
60%
[Link]
KODAK, Onur; SADEGHI-KHANEGHAH, Farshid; KONUKMAN, Alp Er Ş.; KđLđÇ, Levent; ARZAN, Neşet; DURAL, Gürhan. Energy Usage in Glass Industry: past, today,
and tomorrow. Springer Proceedings In Energy, [S.L.], p. 101-111, 2023. Springer International Publishing. [Link]
87
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
Materiais luminescentes
Elementos terras-raras
Adicionados em pequenas quantidades (0.1 a 1%mol)
88
Vitrocerâmicas - Aplicações
FOTÔNICA
Materiais luminescentes
Mecanismos de processos luminescentes possíveis para um íon:
CASSANJES, F. C. VIDROS A BASE DE ÓXIDO DE TELÚRIO PARA DISPOSITIVOS FOTÔNICOS. [s.l.] Universidade Estadual
Paulista, 2003.
89
Vidros – Formação vítrea
Como determinar se o material é um bom
formador vítreo?
4 regras de Zachariasen
90
Vidros – Formação vítrea
Como determinar se o material é um bom
formador vítreo?
4 regras de Zachariasen
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Vidros – Métodos de síntese
SOL-GEL
Exemplos de metais alcóxidos
Fórmula
Nome Estado Físico
Química
S-butóxido de alumínio Al(OC4H9)3 Líquido incolor, Te -203°C
Etóxido de alumínio Al(OC2H5)3 Pó branco, Tf 130°C
Isopropóxido de alumínio Al(OC3H7)3 Pó branco, Tf 118.5°C
Etóxido de antimônio Sb(OC2H5)3 Líquido incolor, Te 95°C
Isopropóxido de bário Ba(OC3H7)2 Pó branco
Etóxido de boro B(OC2H5)3 Líquido incolor, Te 117.4°C
Metóxido de cálcio Ca(OCH3)2 Pó branco
Etóxido de ferro Fe(OC2H5)3 Tf 120°C
Isopropóxido de ferro Fe(OC3H7)3 Pó marrom
Tetraetóxido de silício Si(OC2H5)4 Líquido incolor, Te 165.8°C
Tetraetóxido de silício Si(OC2H5)4 Líquido amarelo
Tetratoxissilano de silício Si(OCH3)4 Líquido incolor
Etóxido de titânio Ti(OC2H5)4 Líquido incolor, Te 121-122°C
Isopropóxido de titânio Ti(O*C3H7)4 Líquido incolor, Te 122°C
Isopropóxido de ítrio Y(OC3H7)3 Líquido marrom-amarelado, Te 58°C
CARTER, C. Barry et al. Ceramic materials: science and engineering. New York: springer, 2007. 92