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instituto federal de rondônia

Curso Técnico em Enfermagem Subsequente ao Ensino Médio

IFRO/guajará-mirim

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE


(TDAH)

GUAJARÁ-MIRIM/RO
JULHO/2025
NOME DO DISCENTE: Cate Ferreira, Kaylane Elias, Leidyane da Silva,
Myrella Rayanne Maria Sales, Sandra Sampaio, Sandrine Mayara

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE (TDAH)

Trabalho do Curso Técnico em Enfermagem Subsequente ao Ensino Médio


apresentada ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
Rondônia – Campus Guajará-Mirim, realizado na disciplina de Enfermagem em
Saúde Mental, como requisito parcial para a obtenção de nota final.

Docente: Douglas Tassaro da Silva

GUAJARÁ-MIRIM/RO
JULHO/2025
Definição

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do


neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção
e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento e no
desenvolvimento do indivíduo.

Critérios Diagnósticos do DSM-5 para TDAH

É caracterizado por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-


impulsividade que interferem no funcionamento e desenvolvimento, com início
antes dos 12 anos. O diagnóstico requer a presença de sintomas em múltiplos
ambientes (escola, casa, trabalho, etc.) e evidências de prejuízo no
funcionamento social, escolar ou ocupacional.

Desatenção

Dificuldade em prestar atenção a detalhes: Cometer erros por descuido


em trabalhos escolares, atividades profissionais ou outras atividades.

Dificuldade em manter a atenção: Ter dificuldade em manter o foco em


tarefas ou atividades de lazer, como jogos.

Não parecer ouvir quando lhe dirigem a palavra: Aparentar não prestar
atenção quando lhe falam diretamente.

Dificuldade em seguir instruções: Não completar tarefas, trabalhos


escolares ou deveres no local de trabalho.

Dificuldade em organizar tarefas e atividades: Apresentar problemas


para organizar tarefas e atividades.

Evitar tarefas que exijam esforço mental prolongado: Demonstrar


relutância ou evitar atividades que requerem atenção sustentada.

Perder coisas: Perder frequentemente objetos necessários para tarefas ou


atividades escolares, como livros, materiais, etc.

Ser facilmente distraído: Ser facilmente distraído por estímulos externos.


Esquecimento nas atividades diárias: Apresentar esquecimento em
atividades do dia a dia.

Hiperatividade e Impulsividade

Agitação: Frequentemente mover mãos ou pés, ou se remexer na cadeira.

Inquietação: Dificuldade em permanecer sentado em situações apropriadas,


podendo sentir-se desconfortável ou inquieto por períodos prolongados.

Falar excessivamente: Falar mais do que o habitual ou interromper os


outros frequentemente.

Dificuldade em esperar a vez: Ter dificuldade em esperar a sua vez em


jogos, conversas ou atividades em grupo.

Interromper ou intrometer-se: Interromper conversas, jogos ou atividades


de outras pessoas.

Outros Critérios Importantes

Início dos sintomas: Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos
de idade.

Impacto funcional: Os sintomas devem causar prejuízo significativo no


funcionamento social, acadêmico ou profissional.

Presença em múltiplos ambientes: Os sintomas devem ocorrer em mais


de um contexto, como escola e casa.

Fatores de Risco e Prognóstico

Genéticos: histórico familiar, com alta herdabilidade (maior que 0,6).

Modificadores: presença de TDAH, atrasos na linguagem, dificuldades de


memória de trabalho, consciência fonológica e nomeação rápida predizem pior
prognóstico.

Ambientais: Exposição pré-natal a substâncias como álcool, tabaco e


possivelmente cocaína, assim como baixo peso ao nascer e traumatismo
craniano, são fatores de risco ambientais, prematuridade, baixo peso ao
nascer, exposição pré-natal à nicotina.

Outros fatores: Experiências adversas na infância, distúrbios hormonais,


exposição ao chumbo e apneia obstrutiva do sono também foram associados
ao TDAH.

Prognóstico:

Infância e Adolescência: O TDAH pode levar a baixo rendimento escolar,


dificuldades de relacionamento, baixa autoestima e problemas de
comportamento.

Adulta: Sem tratamento, o TDAH pode persistir na idade adulta, causando


problemas no trabalho, relacionamentos e aumento do risco de abuso de
substâncias e outros problemas de saúde mental.

Comorbidades Comuns do TDAH

Transtornos de Ansiedade: Indivíduos com TDAH podem apresentar altos


níveis de ansiedade, incluindo transtorno de ansiedade generalizada (TAG),
transtorno do pânico e transtorno de ansiedade social.

Transtornos do Humor: Depressão e transtorno bipolar são comorbidades


frequentes, especialmente em adultos com TDAH.

Transtornos de Aprendizagem: Dificuldades de aprendizagem, como


dislexia e discalculia, são frequentemente encontradas em crianças com
TDAH.

Transtornos do Sono: Problemas para dormir, como insônia, são comuns


em pessoas com TDAH.

Transtornos Disruptivos: Transtorno Opositor Desafiador (TOD),


caracterizado por comportamento desafiador e desrespeitoso, é
frequentemente associado ao TDAH.

Subtipos de TDAH
Predominantemente Desatento: Indivíduos com este subtipo apresentam
dificuldades em manter a atenção, seguir instruções, organizar tarefas e evitar
distrações. Eles podem parecer sonhadores, cometer erros por descuido e ter
problemas para concluir atividades.

Predominantemente Hiperativo/Impulsivo: Este subtipo é caracterizado


por inquietação, dificuldade em permanecer sentado, fala excessiva e
impulsividade. Indivíduos com este subtipo podem interromper os outros, ter
dificuldade em esperar a vez e agir sem pensar.

Combinado: Este subtipo apresenta sintomas tanto de desatenção quanto de


hiperatividade/impulsividade. Os indivíduos com este subtipo exibem
características de ambos os outros dois subtipos.

Sintomas principais incluem

Desatenção: Dificuldade em manter o foco em tarefas ou atividades,


especialmente aquelas que exigem atenção prolongada. Esquecimento de
detalhes, erros por descuido e dificuldade em seguir instruções. Dificuldade em
organizar tarefas e atividades, procrastinação e perda de objetos
necessários. Distração fácil com estímulos externos e dificuldade em manter a
atenção em conversas.

Impulsividade: Ações precipitadas, dificuldade em esperar a vez e


interrupção constante de outras pessoas. Respostas impulsivas e dificuldade
em controlar as emoções, podendo levar a conflitos. Dificuldade em avaliar as
consequências de suas ações.

Hiperatividade: Inquietação constante, dificuldade em ficar parado em


situações que exigem atenção. Movimentação excessiva, falar muito e
dificuldade em realizar atividades calmas. Em adultos, a hiperatividade pode se
manifestar como inquietação interna, agitação e dificuldade em relaxar.

Outros sintomas: Instabilidade de humor, baixa autoestima e dificuldades


interpessoais. Procrastinação, dificuldade em seguir rotinas e problemas de

organização. Dificuldades em lidar com frustrações e em aceitar críticas.


Impacto na Vida Escolar:

Dificuldades de Aprendizagem: Crianças e adolescentes com TDAH


podem ter problemas de concentração, organização, memória e controle de
impulsos, o que pode levar a dificuldades na aprendizagem e baixo
desempenho escolar.

Baixo Desempenho: A falta de atenção e a dificuldade em seguir instruções


podem resultar em notas baixas, tarefas incompletas e problemas de
comportamento em sala de aula.

Desafios Comportamentais:

Hiperatividade e impulsividade podem levar a comportamentos inadequados,


como agitação, interrupções e dificuldade em respeitar regras.

Problemas de Socialização: Dificuldades em regular as emoções e em


entender sinais sociais podem dificultar o estabelecimento e a manutenção de
relacionamentos com colegas e professores.

Impacto na Vida Familiar

Conflitos Familiares: O comportamento impulsivo e a dificuldade em seguir


regras podem levar a conflitos frequentes entre pais e filhos e entre irmãos.

Estresse e Sobrecarga: Cuidar de uma criança com TDAH pode ser


desgastante, especialmente quando os pais não possuem informações
adequadas sobre o transtorno.

Impacto na Dinâmica Familiar: A rotina familiar pode ser afetada, com


dificuldades em planejar atividades em conjunto e lidar com as necessidades
específicas da criança com TDAH.

Preocupações com o Futuro: Os pais podem se preocupar com o futuro


acadêmico e social do filho, bem como com a possibilidade de o TDAH persistir
na vida adulta.

Intervenções e Suporte:
Apoio Escolar: É fundamental que a escola ofereça um ambiente acolhedor e
adaptado às necessidades do aluno com TDAH, com estratégias pedagógicas
e recursos que favoreçam a aprendizagem e a inclusão.

Intervenção Familiar: O suporte familiar é crucial para o desenvolvimento do


indivíduo com TDAH, com orientação sobre como lidar com o transtorno,
estratégias de manejo comportamental e apoio emocional.

Acompanhamento Multidisciplinar: O acompanhamento com profissionais


de saúde, como psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais, pode
auxiliar no manejo dos sintomas e no desenvolvimento de habilidades sociais e
emocionais.

Educação e Conscientização: É importante que pais, professores e a


comunidade em geral tenham acesso a informações precisas sobre o TDAH,
para reduzir estigmas e promover a inclusão.

Estratégias para Cuidadores:

Educação e Conscientização: Informar-se sobre o TDAH: Conhecer os


sintomas, desafios e necessidades específicas da pessoa com TDAH é
fundamental para oferecer o suporte adequado.

Comunicação aberta: Criar um ambiente onde a pessoa com TDAH se sinta


à vontade para expressar suas dificuldades e necessidades, e onde os
cuidadores possam compartilhar suas preocupações e frustrações.

Evitar comparações: Não comparar a pessoa com TDAH com outras


crianças ou adultos, pois cada indivíduo tem seu próprio ritmo e desafios.

Estrutura e previsibilidade: Rotinas diárias claras e previsíveis podem


ajudar a reduzir a ansiedade e melhorar o foco.

Lista de tarefas: Utilizar listas de tarefas, calendários e lembretes para


auxiliar na organização e planejamento das atividades.

Dividir tarefas: Quebrar tarefas maiores em etapas menores e mais


gerenciáveis para evitar sobrecarga e aumentar a sensação de realização.
Horários fixos: Estabelecer horários para refeições, sono, estudo e outras
atividades importantes.

Comunicação clara e direta: Utilizar linguagem simples e objetiva,


evitando ambiguidades e excesso de informações.

Reforço positivo: Reconhecer e recompensar os comportamentos positivos,


incentivando a persistência e a autoestima.

Paciência e compreensão: Ser paciente e compreensivo com as


dificuldades enfrentadas pela pessoa com TDAH, evitando julgamentos e
críticas.

Empatia: Tentar se colocar no lugar da pessoa com TDAH e compreender


suas dificuldades e desafios.

Minimizar distrações: Reduzir estímulos visuais e auditivos que possam


prejudicar a concentração, como televisão, celular e barulho excessivo.

Organizar o espaço: Manter o ambiente de estudo e trabalho organizado,


com materiais acessíveis e bem distribuídos.

Incentivar atividades físicas: Praticar exercícios físicos regularmente pode


ajudar a reduzir a hiperatividade e melhorar o foco.

Estimular o relaxamento: Praticar atividades como mindfulness e técnicas


de respiração pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.

Grupos de apoio: Participar de grupos de apoio para cuidadores de pessoas


com TDAH pode ser uma fonte de suporte emocional e prático.

Profissionais de saúde: Buscar orientação de profissionais de saúde


especializados em TDAH, como psicólogos, psiquiatras e terapeutas
ocupacionais.

Comunicação com a escola: Manter contato com a escola para alinhar


estratégias de ensino e acompanhamento do aluno com TDAH.

Papel da Enfermagem no Suporte a Pacientes com TDAH


Identificação Precoce: O enfermeiro, especialmente na atenção primária,
pode ser o primeiro profissional a identificar sinais de TDAH durante consultas
de acompanhamento do desenvolvimento infantil ou em outras situações de
contato com a criança, adolescente ou adulto.

Educação e Orientação: É fundamental que o enfermeiro eduque o


paciente e sua família sobre o TDAH, seus sintomas, causas e tratamentos
disponíveis. Isso inclui informações sobre medicamentos, terapias
comportamentais e estratégias de enfrentamento.

Desenvolvimento de Habilidades: O enfermeiro pode auxiliar o paciente a


desenvolver habilidades de organização, planejamento, atenção e controle da
impulsividade, utilizando técnicas como a terapia cognitivo-comportamental
(TCC) e outras abordagens lúdicas.

Promoção de um Ambiente Adequado: O enfermeiro pode orientar a


família e a escola sobre a criação de um ambiente estruturado, com rotinas
claras, espaços livres de distrações e estratégias de comunicação eficazes,
que auxiliem o paciente a lidar com os desafios do TDAH.

Acompanhamento e Monitoramento: O enfermeiro acompanha de perto a


evolução do paciente, monitorando a eficácia dos tratamentos, identificando
possíveis efeitos colaterais e ajustando as intervenções conforme necessário.

Facilitador da Comunicação: O enfermeiro atua como um facilitador da


comunicação entre o paciente, a família, a escola e a equipe multidisciplinar,
buscando um entendimento mútuo e a resolução de conflitos.

Gerenciamento de Crises: Em situações de crise, como explosões de raiva


ou comportamento impulsivo, o enfermeiro pode intervir para acalmar o
paciente, identificar as causas do conflito e buscar soluções.

Promoção da Empatia: O enfermeiro pode ajudar a família e a escola a


desenvolverem empatia pelo paciente com TDAH, compreendendo suas
dificuldades e desafios, o que contribui para a redução de conflitos e o
fortalecimento do relacionamento.
Advocacia: O enfermeiro pode atuar como um defensor dos direitos do
paciente com TDAH, buscando garantir que ele tenha acesso a serviços de
saúde, educação e apoio social adequados.

Medicamento mais usado para TDAH

Especificamente naqueles casos diagnosticados com TDAH, o medicamento


mais recomendado é o metilfenidato, considerado como o tratamento de
primeira linha, é vendido no Brasil com os nomes comerciais de Ritalina®,
Ritalina® LA e Concerta®. Estimulantes (ex: metilfenidato, lisdexanfetamina):
São os mais

comuns e eficazes, atuando nos neurotransmissores. Não estimulantes (ex:


atomoxetina): Usados quando estimulantes

não são eficazes ou são contraindicados. A medicação ajuda a melhorar o


foco, reduzir a impulsividade e a hiperatividade.

Conclusão

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma condição


neurobiológica do desenvolvimento que se manifesta por sintomas persistentes
de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Reconhecido pelo DSM-5 como
um transtorno do neurodesenvolvimento, o TDAH pode impactar
significativamente o desempenho escolar, a vida social, familiar e a autoestima
dos indivíduos afetados.

Embora a etiologia envolva fatores genéticos, ambientais e neuroquímicos, o


diagnóstico deve ser cuidadoso, baseado na observação clínica, relatos
familiares e critérios bem definidos. O tratamento deve ser multidisciplinar,
combinando intervenções psicossociais, apoio educacional, acompanhamento
familiar e, quando necessário, o uso de medicação psicoestimulante.

É fundamental que profissionais da saúde e da educação atuem de forma


integrada, promovendo estratégias de adaptação e suporte que favoreçam o
desenvolvimento pleno das habilidades cognitivas, emocionais e sociais dos
indivíduos com TDAH. O acolhimento, a orientação aos cuidadores e o
combate ao preconceito são pilares para garantir qualidade de vida e inclusão.

Portanto, compreender o TDAH é essencial para promover uma abordagem


humanizada, eficiente e que respeite as particularidades de cada indivíduo.

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