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I - FILOSOFIA DA APOSTILA
Com o passar dos anos o curso de laboratório de Mecânica dos Solos III veio sofrendo
ajustes quanto à forma de apresentação dos temas, incremento de ensaios e adequação aos
recursos didáticos disponíveis.
Num determinado momento com a solicitação dos próprios alunos e com apoio
fundamental dos monitores desenvolvemos este documento com a finalidade básica de
apoiar e estimular os alunos.
Cabe-nos registrar que não temos nenhuma pretensão de esgotar qualquer assunto aqui
abordado, mas sim, um resumo dos ensaios discutidos em aula, e que esta apostila a cada
dia merecerá uma revisão para tornar-se cada vez mais útil.
A forma de abordagem foi levada em consideração uma breve teoria seguida de uma
descrição resumida dos ensaios e complementado com fluxos, formulários e resultados
práticos de ensaios.
Finalmente ratificamos os agradecimentos pelo apoio dos monitores e estamos sempre
abertos para receber críticas construtivas a fim de melhorar nossa interface aluno e
professor.
Esperamos que seja útil a nossa iniciativa.
BOA SORTE.
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II – OBJETIVOS DO ESTUDO DOS SOLOS
II.1 - INTRODUÇÃO
È do consenso geral que o projeto de uma obra de engenharia, por mais modesta que
seja, requer o adequado conhecimento das condições do subsolo no local onde será
construída.
Por outro lado, se essas obras utilizarem solos ou rochas, como materiais de
construção, será também necessário o conhecimento do subsolo nas áreas que servirão de
jazidas para esses materiais.
II.2 - DEFINIÇÃO
No livro Theoretical Soil Mechanics a Mecânica dos Solos é assim definida pelo
professor Terzaghi:
“A Mecânica dos Solos é a aplicação das leis da mecânica e da hidráulica aos
problemas de engenharia relacionados com os sedimentos e outros depósitos não
consolidados de partículas sólidas produzidas pela desintegração mecânica ou química das
rochas, prescindindo do fato de conterem ou não elementos constituídos de substâncias
orgânicas.”
O objetivo da Mecânica dos Solos é substituir, por métodos científicos, os métodos
empíricos de projeto, aplicados, no passado, na engenharia de fundações e obras de terra.
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III – AMOSTRAGEM EM SOLOS E ROCHAS
III.1 - INTRODUÇÃO
A amostragem é feita quando se pretende determinar a composição e a estrutura do
material, propiciando ainda a obtenção de corpos de prova para ensaios de laboratório.
III.2 – CLASSIFICAÇÃO DAS AMOSTRAS
De modo geral podem ser classificadas em:
a - Não representativas - aquelas em que, devido ao processo de extração, foram
removidos ou trocados alguns constituintes do solo “in situ”. Incluem-se entre elas as
“amostras lavadas”, colhidas durante o processo de perfuração por circulação de água nas
sondagens a percussão.
b - Representativas (deformadas) - são as que conservam todos os constituintes
minerais do solo “in situ” e se possível sua umidade natural, entretanto, a sua estrutura foi
perturbada pelo processo de extração. Estão nessa categoria as amostras colhidas a trado
por exemplo.
c - Indeformadas - além de representativas, as amostras indeformadas conservam ao
máximo a estrutura dos grãos e portanto as características de massa específica aparente e
umidade natural do solo “in situ”.
III.3 – AMOSTRAS INDEFORMADAS
A viabilidade técnica e econômica da obtenção de amostras indeformadas é função da
natureza do solo a ser amostrado, da profundidade em que se encontra e da presença do
nível d’água. Esses fatores determinam o tipo de amostrador e os recursos a utilizar.
Algumas formações apresentam maiores dificuldades que outras no processo de
extração de amostras indeformadas.
Estão relacionados abaixo alguns solos típicos, em ordem crescente de dificuldade de
obtenção de amostras indeformadas e preservação das propriedades:
solos predominantemente argilosos de baixa consistência;
siltes argilosos de fraca compacidade;
solos argilosos de consistência acima da média
solos residuais argilo-siltosos;
solos predominantemente arenosos
areias puras;
areias com pedregulhos;
pedregulhos.
As amostras indeformadas merecem cuidados especiais a saber:
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Manipulação cuidadosa, evitando-se impactos e vibrações;
parafina logo após a extração evitando exposição ao sol;
conservação em câmara úmida;
evitar armazenamento por período demasiadamente longo.
Os processos de extração de amostras indeformadas dependem da profundidade em
que se encontra o solo a investigar.
IV – PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS DE SOLOS PARA OS
ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO E DE COMPACTAÇÃO: (NBR
6457 – DEZ/1983)
Esta norma orienta como proceder a preparação das amostras para o
desenvolvimento dos ensaios de caracterização e de compactação conforme apresenta o
esquema a seguir.
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V - GRANULOMETRIA
V.1 - INTRODUÇÃO
Segundo as dimensões das suas partículas e dentro de determinados limites
convencionais, as “frações constituintes “ dos solos recebem designações próprias que se
identificam com as acepções usuais dos termos. Essas frações, de acordo com a escala
granulométrica brasileira são: pedregulho (conjunto de partículas cujas dimensões estão
compreendidas entre 76 e 2,0 mm), areia (entre 2.0 e 0,6 mm), silte (entre 0,06 e 0,002
mm) e argila (inferiores a 0,002 mm).
A análise granulométrica, ou seja, a determinação das dimensões das partículas do
solo e das proporções relativas em que elas se encontram, é representada, graficamente,
pela curva granulométrica. Esta curva é traçada por pontos em um diagrama semilogaritmo,
no qual, sobre o eixo das abscissas são marcados os logaritmos das dimensões das
partículas e sobre o eixo das ordenadas as porcentagens, em peso, de material que tem a
dimensão menor que a dimensão considerada.
A análise granulométrica de um solo cujas partículas tem dimensões maiores que
0,075 mm (peneira no 200 da ASTM) é feita pelo processo comum do peneiramento.
Para os solos finos, isto é, com dimensões menores que 0,075 mm, já não se pode
usar apenas o processo do peneiramento, utilizando-se então, o método da sedimentação
contínua em meio líquido em conjunto ao peneiramento.
V.2 – FORMAS DAS PARTÍCULAS
As partículas que compõem os sólidos de um solo podem ter as seguintes formas:
a - Esferoidais - possuem dimensões da mesma ordem de grandeza em todas as
direções e podem ser angulares, com arestas vivas, como nos solos residuais, ou polidas
com face arredondadas pelo atrito entre as partículas, quando transportados pela água
(solos aluvionares), por exemplo.
b - Lamelares - predominam duas dimensões (apresentam forma de placa). São em
geral partículas microscópicas cujos minerais constituintes são denominados argilo-
minerais e desempenham papel importante no comportamento físico- químico dos solos.
c - Fibrilares - compõem-se de partículas fibrosas, por exemplo a turfa, que é
material fofo, não plástico e combustível.
V.3 – PARÂMETROS DE ALLEN-HAZEN
Allen-Hazen definiu dois parâmetros para ajudar a caracterizar o solo.
a - Diâmetro efetivo (def)
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É o diâmetro correspondente a 10% em peso total, de todas as partículas
menores que ele.
b - Coeficiente de uniformidade (Cu)
É a razão entre os diâmetros correspondentes a 60% e 10% em peso que
passa acumulado na curva granulométrica.
Define-se assim a graduação do solo:
- uniforme
- medianamente uniforme
- desuniforme
c - Coeficiente de curvatura (Cc)
Dado pela fórmula:
Define-se o solo bem graduado:
V.4 – ENSAIO GRANULOMÉTRICO (NBR 7181 – DEZ/1984)
V.4.1 - Peneiramento
Segundo a NBR - 6457 a amostra obtida no campo é colocada em uma bandeja para
secagem por 24 horas para que a amostra apresente uma umidade próxima ao valor da sua
umidade higroscópica. Após este procedimento, a amostra é colocada no almofariz e com
auxílio da mão de gral destorroada.
Feito isso toda a amostra é passada pela peneira #10 e o material que passa é
recolhido para posterior continuidade da análise. O material retido é lavado na própria
peneira para garantir que todo o material possua apenas partículas com diâmetros maiores
que 2mm.
Para análise da umidade higroscópica são recolhidas pequenas amostras do material
que passa na peneira #10, que são depositadas em 3 cápsulas metálicas
(previamente determinadas suas massas). Em seguida cada conjunto é pesado
separadamente e depois levado a estufa para secagem. Após serem retirados da estufa os
conjuntos são novamente pesados e através de relações entre os valores encontrados,
determina-se a umidade higroscópica de cada conjunto. A umidade adotada, então, para o
solo é a média aritmética entre estes 3 valores.
O material recolhido na peneira #10 após a lavagem, colocado na estufa e depois
seco passa pelo peneiramento grosso. Este peneiramento consiste na passagem do material
pelo seguinte conjunto de peneiras: 1”, 1/2”, 3/4”, 3/8”, 4 , 8 e 10. Depois todo o material
retido em cada uma das peneiras é pesado.
Do material que passou na peneira #10 uma parte é separada e lavada na peneira
#200 garantindo que todo o material retido possua apenas partículas de diâmetros entre 2,00
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e 0,74mm. Esta amostra é levada para a estufa e depois de seca é utilizada no peneiramento
fino. Este consiste na passagem do material pelas peneiras 10, 16, 30, 40, 50, 100 e 200.
Novamente todo o material retido em cada uma das peneiras é pesado.
V.4.2 - Sedimentação
Com os resultados que são obtidos neste ensaio são calculadas as variáveis
necessárias para a complementação da curva granulométrica, onde o peneiramento não
fornece mais resultados.
Uma parte do material passada na peneira #10 é utilizada nesta análise.
Utilizando-se uma proveta transfere-se este material para um becher de 250 cm 3 e
junta-o com o defloculante (hexametofosfato de sódio). Deixa-se, então, o becher em
repouso por no mínimo 12h, após tê-lo agitado para que todo o material fique imerso.
Depois esta mistura é passada para o copo de dispersão. Água destilada é adicionada
até que o nível fique 5cm abaixo das bordas do copo de dispersão submetendo-o a ação do
dispersor por um período de 15min.
Depois todo o material é transferido do copo dispersor para a proveta. Completa-se,
então, com água destilada até o traço correspondente a 1000 cm 3, para em seguida colocar a
proveta em um local com temperatura aproximadamente constante. Com auxílio de um
bastão de vidro agita-se freqüentemente o conjunto para tentar manter as partículas em
suspensão. Após a dispersão atingir a temperatura de equilíbrio, tampa-se a boca da proveta
com uma das mãos e em seguida executa-se uma série de movimentos enérgicos de rotação
durante 1min.
Imediatamente após terminada a agitação, coloca-se a proveta sobre uma mesa
anotando-se a hora exata do início da sedimentação e mergulha-se cuidadosamente o
densímetro na dispersão. Fazem-se as leituras do densímetro correspondente aos tempos de
sedimentação (t) de 0,5; 1 e 2 min. Retira-se lentamente o densímetro da dispersão. Em
seguida são realizadas leituras a 4, 8, 15 e 30 min, 1, 2, 4, 8, e 24 horas a partir do início da
sedimentação.
O densímetro é mergulhado lentamente na dispersão antes de cada leitura. Assim
que a leitura é efetuada o densímetro é retirado e colocado numa proveta com água limpa e
à mesma temperatura da dispersão.
Excetuando-se as duas primeiras, após cada leitura mede-se a temperatura de
dispersão com precisão de 0,1oC.
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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
ENSAIO DE SEDIMENTAÇÃO (NBR 7181 – DEZ/1984)
Laboratório de Mecânica dos Solos
TABELAS DE APOIO
9
L
ATÉ 2 MIN. DEPOIS 2 MIN.
40 11,9 11,0
39 12,1 11,1
38 12,3 11,3
37 12,4 11,5
36 12,6 11,7
35 12,8 11,8
34 12,9 12,0
33 13,1 12,2
32 13,3 12,3
T (°C) LF 31 13,5 12,5
20 1,0019 30 13,6 12,7
21 1,0017 29 13,8 12,9
22 1,0014 28 14,0 13,0
23 1,0012 27 14,1 13,2
24 1,0010 26 14,3 13,4
25 1,0007 25 14,5 13,5
26 1,0004 24 14,6 13,7
27 1,0002 23 14,8 13,9
28 0,0099 22 15,0 14,0
29 0,0069 21 15,2 14,2
30 0,0039 20 15,3 14,4
19 15,5 14,6
18 15,7 14,7
17 15,8 14,9
16 16,0 15,1
15 16,2 15,2
14 16,4 15,4
13 16,5 15,6
12 16,7 15,8
11 16,9 15,9
10 17,0 16,1
9 17,2 16,3
8 17,4 16,4
7 17,6 16,6
6 17,7 16,8
5 17,9 17,0
4 18,1 17,1
3 18,2 17,3
2 18,4 17,5
1 18,6 17,6
0 18,8 17,8
COEFICIENTES DE VISCOSIDADE DA ÁGUA DESTILADA = m (I)
°C 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
20 10,29 10,03 9,799 9,565 9,340 9,126 8,922 8,718 8,525 8,341
30 8,157 7,984 7,821 7,658 7,505 7,454 7,199 7,056 7,924 6,791
PESOS ESPECÍFICOS DA ÁGUA DESTILADA (II)
°C 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
20 0,9982 0,9980 0,9978 0,9976 0,9973 0,9971 0,9968 0,9965 0,9963 0,9960
30 0,9957 0,9954 0,9951 0,9947 0,9944 0,9941 0,9937 0,9934 0,9930 0,9926
CÁLCULO DE UMA PRÁTICA DE SEDIMENTAÇÃO
A – Diâmetro dos Grãos
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Tabela I (Coeficiente de Viscosidade H2O Destilada a 26°C)
Tabela II (Peso Específico da H2O a 26°C)
B – % total dos grãos de diâmetro inferior a D
Peso Específico da água na temperatura
de calibração do densímetro a 20°C
Porcentagem que passa na #10
Peso Específico do Solo Leitura do Densímetro no Ensaio
Total acumulado passado na
#10
Tabela II Leitura do Densímetro na Solução
Material seco usado na sedimentação
ROCHAS E SOLOS
NBR 6502 – SET/1995
CLASSIFICAÇÃO GRANULOMÉTRICA
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DESCRIÇÃO DIMENSÕES -
1 – BLOCO DE ROCHA > 1,00 m
2 – MATACÃO 1,00 < < 60 mm
3 – PEDREGULHO 60 mm < < 2,0 mm
3.1 – GROSSO 60 mm < < 20 mm
3.2 – MÉDIO 20 mm < < 6,0 mm
3.3 – FINO 6,0 mm < < 2,0 mm
4 – AREIA 2,0 mm < < 0,06 mm
4.1 – GROSSA 2,0 mm < < 0,6 mm
4.2 – MÉDIA 0,6 mm < < 0,2 mm
4.3 – FINA 0,2 mm < < 0,06 mm
5 – SILTE 0,06 mm < < 0,002 mm
6 - ARGILA < 0,002 mm