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VI – LIMITES DE CONSISTÊNCIA
VI.1 – INTRODUÇÃO
A experiência mostrou que, para os solos de textura fina, não basta a granulometria
para caracterizá-los. Pois suas propriedades plásticas dependem do teor de umidade, além
da forma das partículas e da sua composição química e mineralógica.
Em mecânica dos solos, o material diz-se plástico quando não recupera seu estado
original ao cessar a ação deformante definindo-se então plasticidade como a maior ou
menor facilidade de moldagem do solo.
VI.2 – LIMITES DE CONSISTÊNCIA (LIMITES DE ATTERBERG)
Foi por volta de 1911 que o agrônomo sueco Atterberg dividiu os valores de umidade
que uma argila pode apresentar em limites correspondentes ao estado aparente do material.
Os limites definidos foram: Contração (LC), Plasticidade (LP) e Liquidez (LL).
LL LP LC
h%(decrescendo)
Estado Estado Estado Estado
Líquido Plástico Semi-Plástico Sólido
V.2.1 - Limite de Liquidez (NBR 6459 – OUT / 1984)
Quando a umidade no solo é muito elevada, ele se apresenta como um fluido denso
e se diz no estado líquido. A medida que a água se evapora, ele vai endurecendo e para um
certo valor de umidade (LL) perde sua capacidade de fluir. Porém pode ser facilmente
moldado e conservar sua forma, o solo encontra-se, então, no estado plástico.
A determinação do Limite de Liquidez é feita pelo aparelho de Casagrande, que
consiste num prato de latão em forma de concha sobre um suporte de ebonite. Por meio de
um excêntrico imprimi-se ao prato, repetidamente, quedas da altura de 1cm e de
intensidade constante e igual a duas quedas por segundo.
Uma amostra de solo passado na # 40 e devidamente destorroada e homogeneizada
é colocada no prato do aparelho de Casagrande, observando-se que esta deve ter 1cm de
espessura no centro do prato. É feito, então, um sulco longitudinal com o auxílio do cinzel.
O número de golpes necessários para provocar o fechamento deste sulco é
registrado. Adicionando água à amostra repete-se o procedimento variando a umidade.
Com os resultados obtidos traça-se a linha de escoamento do material (umidade X
nº de golpes), a qual no intervalo compreendido entre 15 e 35 golpes considera-se como
uma reta. Recomenda-se a determinação de, pelo menos, seis pontos.
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O aparelho projetado por Casagrande e utilizado no ensaio que determina o LL, é
empregado em todo o mundo e padronizado no Brasil pela ABNT NBR 6459.
Definição do Limite de Liquidez - teor de umidade para o qual o sulco se fecha com
25 golpes.
OBS: A resistência que o solo oferece ao fechamento do sulco, medida pelo n º de
golpes requeridos, provém de sua “Resistência ao Cisalhamento” correspondente à
umidade que a apresenta. Experimentalmente, obteve-se no LL, esta resistência que
tem o valor de 25 g/cm2 para todos os solos plásticos.
VI.2.2 – Limite de Plasticidade (NBR 7180 – OUT / 1984)
Quando o solo se encontra no estado plástico ele perde a capacidade de fluir
conservando a sua forma e podendo ser facilmente moldado. Se ele continuar perdendo
umidade, este estado desaparece até que, para um certo valor denominado Limite de
Plasticidade (LP), o solo se desmancha ao ser trabalhado: é o estado semi-sólido.
O ensaio deste limite é determinado pela ABNT NBR 7180, que regulamenta o
cálculo do teor de umidade para o qual o solo começa a se fraturar quando se tenta moldá-
lo na forma de uma amostra cilíndrica de 3mm de diâmetro. A amostra é rolada com a mão,
em um movimento de vaivém, sobre uma placa de vidro fosco, e a umidade correspondente
ao início do fraturamento calculada.
VI.2.3 – Limite de Contração (NBR 7183 – FEV / 1982)
Se o solo já estiver no estado semi-sólido e a perda de água continuar ele passa
gradualmente para o estado sólido. O limite entre estes dois estados é um certo valor de
umidade chamado Limite de Contração (LC).
A determinação do LC, teor de umidade a partir do qual o solo não mais se contrai
não obstante continue a perder peso, é feita tendo em vista que o índice de vazios da
amostra é o mesmo, quer quando ainda saturada, quer estando completamente seca.
Pela própria definição do teor de umidade podemos calcular o limite de contração.
onde:
h - teor de umidade ( solo saturado )
V - vol. inicial da amostra
VS - vol. da pastilha seca
MS - vol. do solo seco
O ensaio é simples. Molda-se em uma cápsula uma amostra com alto teor de
umidade, depois ela é seca em estufa e sua umidade determinada
Para medir o VS emprega-se o método do deslocamento de mercúrio.
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VI.3 – ÍNDICES
VI.3.1 - Índice de Plasticidade
Denomina-se Índice de Plasticidade (IP) a diferença entre os limites de liquidez e de
plasticidade.
Ele define a zona em que o solo se acha no estado plástico e por ser máximo para as
argilas e mínimo, ou melhor, nulo para as areias, fornece um critério para ajuizar o caráter
argiloso de um solo. Assim, quanto maior o IP, tanto mais plástico será o solo.
Quando o material não tem plasticidade (areia, por exemplo), considera-se o IP nulo e
escreve-se IP=NP (não plástico).
Sabe-se que uma pequena quantidade de matéria orgânica eleva o valor do LP sem
elevar simultaneamente o LL. Tais solos apresentam, portanto, baixos valores para IP.
Classificação do solo segundo Jenquins:
fracamente plásticos 1 < IP < 7
medianamente plásticos 7 < IP < 15
altamente plásticos IP > 15
VI.3.2 - Índice de Consistência
h - teor de umidade natural do solo
Segundo o IC as argilas são classificadas em:
IC = 0 muito moles
0 < IC < 0,5 moles
0,5 < IC < 0,75 médias
0,75 < IC < 1,0 rijas
IC > 1,0 duras
VI.3.3 - Índice de Grupo
Método do Índice de Grupo – IG
Esse método é usado no auxílio do dimensionamento do pavimento de uma rodovia.
Sendo o pavimento composto de: revestimento, base e sub-base que são apoiadas no
subleito (terreno de fundação).
Definição do IG - É um dos parâmetros que visa a identificação da “capacidade de
suporte” do terreno de fundação de um pavimento e seu valor é definido empiricamente
através da fórmula:
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Sendo que:
0 P - 35 75
a - P # 200
0 35 75
0 P - 15 55
b - P # 200
0 15 55
0 LL - 40 60
c - LL
0 40 60
0 IP - 10 30
d - IP
0 10 30
Segundo o IG os solos podem ser classificados em:
Solos Granulares IG = 0 a 4
Solos Siltosos IG = 1 a 12
Solos Argilosos IG = 1 a 20
Solos Ótimos IG = 0
Solos Péssimos IG = 20
Aplicação:
Calcule o IG de um solo com as seguintes características:
- 65% em peso passa na P200
- LL = 32%
- IP = 13%
Solução:
a = 65 - 35 = 30
b = 55 - 15 = 40
c=0
d = 13 - 10 = 3
IG = 0,2 x 30 + 0,005 x 30 x 0 + 0,01 x 40 x 3 = 7,2 = 7
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VII – MASSA ESPECÍFICA REAL DOS GRÃOS
VII.1 - INTRODUÇÃO
O método consiste em determinar a massa específica dos grãos do solo que passam na
peneira de 4.8mm, utilizando-se um picnômetro com água, pela determinação do volume de
água deslocada pelo solo quando introduzida neste picnômetro.
A densidade relativa das partículas ( ) é a razão entre o peso da parte da sólida e o
peso de igual volume de água pura a 4º C.
O peso específico das partículas ( g ) deu um solo é por definição o peso da parte
sólida dividido pelo volume dos sólidos.
VII.2 – FÓRMULAS E EXPRESSÕES UTILIZADAS
PS = g . VS
e Pa = a . Va sendo Va = VS tem-se:
g = . a4C a4C = 1g / cm3 , então,
concluiu-se que e g são expressos pelo mesmo nº, sendo que é adimensional e g
tem dimensões ( g / cm3, t / m3, etc... ).
VII.3 – MÉTODO DO PICNÔMETRO ( NBR 6508 – OUT / 1984 )
Na preparação da amostra a ser usada o solo é passado na peneira # 10 e levado à
estufa para secagem. Para solos argilosos e siltosos utiliza-se cerca de 50g de material seco
( MS ) e para os arenosos 60g, de acordo com a norma.
A amostra a ser ensaiada é colocada em uma cápsula com água destilada em
quantidade suficiente para total imersão do material, durante no mínimo 12h.
Depois esta amostra é transferida para o copo de dispersão e lava-se a cápsula de
dispersão com água destilada para completa remoção do material, tomando o cuidado de
evitar a perda do mesmo. Acrescenta-se água destilada até cerca da metade do volume do
copo e faz-se a dispersão durante 15min.
Com auxílio do funil de vidro, transfere-se a amostra para o picnômetro, novamente
lavando o copo de dispersão e o funil, com água destilada para completa remoção do
material.
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Adiciona-se água destilada até cerca da metade do volume do picnômetro. A seguir
aplica-se um vácuo de 88kPa durante pelo menos 15min., agitando o picnômetro em
intervalos regulares de tempo.
Acrescenta-se água destilada até cerca de 1cm abaixo da base do gargalo e aplica-se a
mesma pressão de vácuo durante o mesmo tempo já referido.
Cerca de 2 / 3 do picnômetro é, então, esvaziada, colocando-o em seguida em banho
maria durante no mínimo 30min. Adiciona-se mais água destilada, até 1cm abaixo da base
do gargalo, para em seguida deixar o picnômetro em repouso até que sua temperatura se
equilibre com a do ambiente.
Com a ajuda de um conta gotas adiciona-se água destilada no picnômetro até que a
base do menisco coincida com a marca de referência. Enxuga-se a parte externa do
picnômetro e a interna do gargalo acima do menisco.
Determina-se, em seguida, a massa do conjunto picnômetro + solo + água ( M as ), com
precisão de 0,01g. Com este valor, obtém-se na curva de calibração correspondente com
precisão de 0,01g a massa do picnômetro cheio de água ( M C ). Transfere-se, logo após, o
conteúdo do picnômetro para uma cápsula e seca-se em estufa. A amostra é pesada com
aproximação de 0,1g e anota-se como peso do solo seco em estufa ( MS ).
Tem-se então;
Cujo os parâmetros são:
- massa específica dos grãos do solo, em g/cm³
Ms – massa do solo úmido
Mc – massa do picnômetro + solo + água, na temperatura T de ensaio
MAS – massa do picnômetro cheio de água até a marca de referência, na temperatura T
de ensaio
A - massa específica da água, na temperatura T de ensaio