ENFERMAGEM
EM PEDIATRIA
Professora: Soraia Lins
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Conceitos introdutórios e
Particularidades do Crescimento
na Infância
3 Epidemiologia
A taxa de mortalidade infantil (referente às crianças menores de um ano)
caiu muito nas últimas décadas no Brasil. Graças às ações de diminuição
da pobreza, ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família e a
outros fatores, os óbitos infantis diminuíram de 47,1 a cada mil nascidos
vivos, em 1990, para 15,6 em 2010.
(IBGE, 2010)
Inúmeras ações (programas e políticas) foram criadas, desde a década
de 1980, com o objetivo de intervir nesta realidade a partir da mudança
do modelo tecnoassistencial, representada pela ampliação do acesso aos
serviços de saúde, pela desfragmentação da assistência e pela mudança
na forma como o cuidado às gestantes e aos recém-nascidos estava
sendo realizado. Apesar da ênfase na gestante, tais iniciativas abrangiam
o binômio materno-infantil.
(BRASIL, 2012)
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5 Medidas Ministeriais
1983, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (Paism), “que propõe
ações voltadas à sua integralidade, equidade e abordagem global em todas as
fases do seu ciclo vital” (CARDOSO, 2008, p. 147).
Em 2000, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Humanização do Pré-Natal e
Nascimento (PHPN), que objetivava, principalmente, reorganizar a assistência e
vincular formalmente o prénatal ao parto e ao puerpério, ampliar o acesso das
mulheres aos serviços de saúde e garantir a qualidade da assistência (SERRUYA,
2003).
Em 2004, o Ministério da Saúde elaborou o documento da Política Nacional de
Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes (PNAISM), que reflete o
compromisso com a implementação de ações em saúde da mulher, garantindo
seus direitos e reduzindo agravos por causas preveníveis e evitáveis.
Rede Cegonha: pacote de ações para garanti r o atendimento de qualidade,
seguro e humanizada para todas as mulheres. O trabalho busca oferecer
assistência desde o planejamento familiar, passa pelos momentos da confirmação
da gravidez, do pré-natal, pelo parto, pelos 28 dias pós-parto (puerpério), cobrindo
até os dois primeiros anos de vida da criança. Tudo dentro do Sistema Único de
Saúde (SUS).
6 Medidas Ministeriais
A prioridade da atenção à criança até 2 anos, prevista na Rede Cegonha,
veio se somar ao recente lançamento pelo governo federal do “Brasil
Carinhoso”, um conjunto de ações interministeriais, envolvendo saúde,
educação, assistência social pela Primeira Infância Brasileira. A proposta é
a proteção e o fomento ao desenvolvimento integral da criança neste
período crítico e sensível da primeira infância.
7 A gravidez constitui um período de muitas
expectativas não só para a gestante, mas para
toda sua família, que se prepara para a
chegada de um novo membro.
E cada criança que nasce não é parte de um
contexto vazio, mas sim de um ambiente familiar
repleto de esperança, crenças, valores e metas,
que influenciarão a formação deste sujeito em
desenvolvimento.
(BRASIL, 2012)
8 O que é Pediatria ?
O que seria
Puericultura
A pediatria é o ramo da ?
medicina que se
especializa na saúde e
nas doenças das
crianças. Trata-se de
uma especialidade
médica que se centra
nos pacientes desde o
momento do
nascimento até à
adolescência.
Puericultura
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A puericultura (do latim puer, pueris, criança) trata da atenção primária à
saúde para a prevenção dos agravos e a promoção da saúde da criança
com o objetivo maior de propiciar condições do pleno desenvolvimento de
suas potencialidades genéticas.
Conjunto de técnicas empregadas para assegurar o perfeito desenvolvimento
físico e mental da criança, desde o período da gestação até a puberdade.
Pensada em todos os aspectos biopsicosocial, visando previnir doenças e
auxiliar a expressão genética plena, resultando, assim em um adulto mais
saudável.
(IMIP, 2010)
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Atenção Anamne
personalizada se
Adequado
preenchimento
Exame da Caderneta
físico
de saúde da
criança
Orientaçõ
es e
Visita prescriçã
domiciliar o
11 Ações desenvolvidas na Puericultura
O atendimento da criança saudável – consulta de puericultura – é
realizado pelo enfermeiro (habilitado a realizar a consulta de enfermagem
– Lei 7.498) na Unidade de Saúde da Família (USF). Nessa consulta, o
mesmo realiza atividades voltadas para o acompanhamento e avaliação
da criança com subsequente orientação às mães/familiares.
A consulta de enfermagem – princípios
propostos pela resolução COFEN 159/93 –
envolve o histórico de enfermagem,
exame físico, diagnóstico de
enfermagem, prescrição e
implementação da assistência.
12 Objetivos da consulta
Vigiar o crescimento físico e o desenvolvimento neuropsicomotor;
Promover a educação alimentar e a vigilância nutricional;
Ampliar a cobertura vacinal;
Promover a segurança e a prevenção de acidentes;
Diminuir o índice de morbi-mortalidade infantil;
Estimular a promoção da saúde;
Promover a higiene física e mental e a prática de atividades de lazer
adequadas às faixas etárias;
Proporcionar a socialização, a estimulação cultural e a adaptação da criança
em seu meio cultural;
Promover a intersetorialidade;
Encaminhar para consulta médica a qualquer agravo e/ou alteração.
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14 COMO FAZER A CAPTAÇÃO DA CRIANÇA?
A organização da assistência, inicia-se pela captação
precoce da criança, ainda na vida uterina, devendo assim,
contemplar uma série de atividades programadas, de
atendimentos individuais e coletivos e atividades educativas e
promocionais com as famílias. Em qualquer circunstância, o
acesso ao serviço de saúde deve ser garantido.
A assistência à saúde do RN na USF deve começar logo após a
alta da maternidade. A equipe da USF poderá captar essas
crianças através de:
O Agente Comunitário de Saúde (acompanhado do enfermeiro)
deverá fazer a visita domiciliar à puérpera e ao RN nos primeiros 7
a 10 dias após a alta hospitalar; Consulta de Egresso (IMIP)
Pela Declaração de Nascidos Vivos (via rosa).
Agendamento realizado por profissional da Maternidade por
telefone;
Os objetivos dessa visita são:
15 Orientar os pais sobre as melhores atitudes e comportamentos
em relação aos cuidados com o RN.
Identificar precocemente os RN com sinais gerais de perigo.
Toda oportunidade de contato com a família e a criança, seja
em visita domiciliar pelo Agente Comunitário de Saúde, em
demanda espontânea na UBS, deve ser aproveitada para a
inscrição no programa e início das atividades previstas.
Todas as crianças da área de abrangência da UBS devem
estar cadastradas e incluídas no programa de
acompanhamento.
O eixo da assistência à criança é centrado em seu
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
O Cartão da Criança é o principal instrumento utilizado para
esse acompanhamento e deve ser visto com um “cartão de
identidade” da criança até cinco anos.
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• Recusa alimentar (a criança não consegue beber ou
mamar);
• Vômitos importantes (ela vomita tudo o que ingere);
• Convulsões ou apneia (a criança fica em torno de 20
segundos sem respirar);
• Frequência cardíaca abaixo de 100bpm;
• Letargia ou inconsciência;
• Respiração rápida (acima de 60mrm);
• Atividade reduzida (a criança movimenta-se menos do
que o habitual);
• Febre (37,5ºC ou mais);
• Hipotermia (menos do que 35,5ºC);
• Tiragem subcostal;
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Batimentos de asas do nariz;
Cianose generalizada ou palidez importante;
Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas primeiras 24
horas de vida;
Gemidos;
Fontanela (moleira) abaulada;
Secreção purulenta do ouvido;
Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à pele da
parede abdominal) e/ou com secreção
purulenta (indicando onfalite);
Pústulas na pele (muitas e extensas);
Irritabilidade ou dor à manipulação.
Para as crianças maiores de 2 meses, é importante observar se a criança não consegue
beber ou mamar no peito.
(AMARAL, 2004)
Atribuições do enfermeiro na assistência à criança
saudável
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Realizar consulta de enfermagem.
Realizar visitas domiciliares nos primeiros sete dias de vida
do recém nascido e quando necessário.
Realizar busca de faltosos.
Orientar, treinar e supervisionar os auxiliares de
enfermagem em suas atividades relacionadas à saúde
da criança.
Definir atribuições e delegar tarefas para a equipe de
enfermagem.
Promover a integração da equipe no desenvolvimento
das atividades.
Promover atividades educativas na UBS e na
comunidade tanto individual quanto coletiva.
Promover acompanhamento e orientação sobre
aleitamento materno.
Atribuições do enfermeiro na assistência à criança
20 saudável
Marcar os dados antropométricos no gráfico de
crescimento (após mensuração e pesagem em consulta),
ensinando as mães como interpretá-los e informar sobre a
importância dos mesmos.
Agendar, orientar e executar a vacinação das crianças.
Prescrever as dietas alimentares, quando necessário, e
orientar as mães quanto ao seu preparo e oferta às
crianças.
Prescrever medicamentos básicos, conforme a lei do
exercício profissional (Lei 7498), aprovados pela secretaria
de saúde.
Orientar os familiares das crianças e auxiliares de
enfermagem quanto às prescrições.
Fazer a solicitação de exames, estabelecidos pela
secretaria de saúde, quando necessário.
O Calendário de Acompanhamento
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O acompanhamento da criança, inicia-se com a visita domiciliar
durante a primeira semana após nascimento. Recomenda-se no
primeiro ano de vida, sendo uma etapa de grande vulnerabilidade,
um total de 7 consultas individuais, realizadas por médicos e
enfermeiros. No segundo ano, são recomendadas 2 consultas
individuais e a partir de 2 anos até os 5 anos, 1 consulta individual
ano.
Mensal até 6 meses de idade;
Trimestralmente entre 6 meses à 2 anos de idade;
Anual entre 2 à 5 anos de idade.
A primeira consulta à criança deve ser realizada pelo médico. As
demais podem ser desenvolvidas pelo(a) enfermeiro(a) ou
intercaladas com o médico conforme critério da equipe desde que a
criança seja classificada como sadia.
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RESERVAR 2 HORÁRIOS DE CONSULTAS NORMAIS PARA 1° CONSULTA
Não utilizar jargões técnicos.
Deixar em aberto durante toda a consulta a oportunidade para
perguntas dos responsáveis.
Triagem Neonatal (solicitar os exames que ainda não foram
realizados)
Ao final perguntar se há dúvidas ou esclarecimentos, e se há
queixas
Encaminhar para imunização
Agendar próxima consulta
23 Orientações de cuidados com Recém-
nascido
Teste do pezinho (triagem neonatal) – realizado a partir do 3º dia de vida,
até o 30º dia de vida.
Caderneta de saúde da criança: são inseridas informações de
identificação, dados da gravidez, parto, nascimento e puerpério, dicas de
saúde, gráficos de acompanhamento e desenvolvimento, calendário
vacinal e cartão de vacinas.
Amamentação: aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida, e
com alimentação complementar até os dois anos de vida.
Eliminações: criança em aleitamento materno exclusivo pode evacuar
várias vezes ao dia (fezes pastosas a líquidas, de cor amarelada) ou passar
até dez dias sem evacuar, e isso não necessita intervenções externas. O
leite é tão bem absorvido pelo organismo que quase não produz resíduo.
24 Orientações de cuidados com Recém-
nascido
Cólicas do lactente são geralmente causadas por algum alimento consumido
pela mãe. Medidas de alívio: compressas mornas e massagens em sentido
horário no abdome da criança, banhos mornos, deitar a criança em decúbito
dorsal e comprimir pernas contra o abdome, encostar barriga da criança com
a da mãe.
Banho de sol: deverá receber diariamente para evitar e/ou tratar icterícia.
Promove fotoisomerização da bilirrubina e ativação da vitamina D (que
previne raquitismo). Horário – 7h da manhã e/ou após as 16h por 30 min.
Higiene: deve tomar no mínimo dois banhos ao dia com água morna; enxugar
bem as dobras do pescoço, braços, pernas e atrás da orelha para evitar
dermatites; evitar excesso de perfumes nos primeiros seis meses de vida; fazer
higiene oral após alimentações; fazer limpeza dos cotos umbilicais; usar
pomadas em regiões genitais após necessidades fisiológicas.
25 Alimentação
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27 Suplementação de ferro e Vitaminas
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