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Resenha Todorov

Resenha Crítica do Texto "Literatura em Perigo" de Todorov. Resenha inspirada na leitura do texto de modo crítico levando em consideração o social e o semantico da escrita do autor.

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Resenha Crítica do Texto "Literatura em Perigo" de Todorov. Resenha inspirada na leitura do texto de modo crítico levando em consideração o social e o semantico da escrita do autor.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

GRUPO DE PESQUISA EM LITERATURA COMPARADA CEARENSE


CENTRO DE HUMANIDADES-DEPARTAMENTO DE LITERATURA
PROFESSOR DOUTOR CHARLES RIBEIRO
Discente: Hellen Evylen Bezerra de Castro
hellencastro@[Link]

Tzvetan Todorov é autor do livro A Literatura em Perigo, obra esta que será debatida nesta
resenha. O crítico é de origem Bulgária e cresceu num ambiente repleto de livros que auxiliou
neste processo de amor pela leitura e literatura.

O foco principal do livro é uma leitura crítica de Todorov à forma como a literatura é
atualmente ensinada e estudada, e a defesa de uma compreensão mais humanista e vital da
sua função para a sociedade. Esta resenha se divide em três partes, sendo elas: o perigo e a
redução ao absurdo, além da escola e o que pode a literatura?

O perigo e a redução ao absurdo.

O perigo, neste viés, localiza-se em como essa literatura está sendo consumida, tendo em
vista que “por uma estranha inversão”, estes conteúdos são fornecidos ao jovem estudante por
intermédio de críticas ou histórias literárias. Desse modo, a leitura e experiência literária é
limitada ao currículo escolar e não como “conhecimento sobre o mundo”. Nas aulas de
história, como exemplo proposto pelo autor, se vê a história de fato, mas nas aulas de
literatura vê-se fórmulas e métodos.

Sua reflexão é válida para a contemporaneidade pois há uma queda significativa do número
de leitores no território nacional, sendo 53% de não-leitores, segundo a ADUF, e o ambiente
escolar, formador de leitores, não consegue cumprir seu papel pois o contato inicial com a
forma, correntes literárias ou questões guiadas prejudicam o estímulo destes no cenário leitor.
É válido ressaltar que sua crítica é voltada, também, para a seguinte questão: esse foco na
forma, na métrica e questões estruturais do texto (que é sua linha de pesquisa) não é viável
para o cenário escolar pois cria uma barreira entre o que o texto quer dizer ao leitor e como o
leitor pode se aproximar com ele e com a narrativa. No cenário acadêmico é viável a
discussão sobre os críticos ou as tendências narratológicas, mas, Todorov defende que a
escola deve estimular a verdadeira mudança que o texto literário pode oferecer, indo além da
grade curricular.

O teórico afirma que este problema pode estar associado a não determinação ou planejamento
do ensino da literatura: “Em primeiro lugar, porque não existe consenso entre os
pesquisadores no campo da literatura, sobre o que deveria constituir o núcleo de sua
disciplina” (TODOROV, 2008, p. 15). Essa ausência prejudica de modo significativo na
construção do saber do aluno no que se refere ao ensino e aprendizado da literatura e pode
resultar “[...] no fato de ensinarmos nossas próprias teorias acerca de uma obra em vez de
abordar a própria obra em si mesma” (2008, p. 15), deixando de lado a aproximação entre
obra-leitor. Este viés não recai ao professor como responsável pelo afastamento, é um debate
geral que respinga no meio escolar.

Além da escola.

O autor segue o debate sobre o ensino da literatura sob uma ótica importante: estes
professores reproduzem o modo no qual foram ensinados. Será forte a influência do
estruturalismo (1960-1970) neste movimento empírico literário, sendo: moldar a um contexto
e inventário biográfico do autor e obra. Essa aplicação é viável para o cenário acadêmico
pois: “A tradição universitária não concebia a literatura como, em primeiro lugar, a
encarnação de um pensamento e de uma sensibilidade, tampouco como interpretação do
mundo.” (ibidem, p. 38) pois o foco do universitário é analisar as técnicas, influências
literárias e fatores estéticos gerais. Todavia, essa visão é redutora mediante os conhecimentos
que poderiam ser adquiridos pelos estudantes do ensino básico

Alguns filósofos já debatiam acerca da função da literatura, mediante Aristóteles, a poesia era
uma imitação da natureza, reprodução do que já existe, diferente de Horácio no qual afirmava
que a literatura deve agradar e instruir.
Na Europa cristã dos primeiros séculos, a poesia serve principalmente à
transmissão e à glorificação de uma doutrina da qual ela apresenta uma variante
mais acessível e mais impressionante, mas ao mesmo tempo menos precisa.
(ibidem, p.46)

Compreender a visão histórica da poesia ao decorrer dos anos é fundamental e é debatida por
Todorov nesta busca de responder quais os perigos da literatura na modernidade. Nessa
investigação, o autor apresenta a secularização da experiência religiosa e uma concomitante
sacralização da arte em: retomar a imagem do artista criador e romper com a visão clássica
sendo o objetivo produzir o belo. “Ora, o belo se caracteriza pelo fato de não conduzir a nada
que esteja para além de si mesmo” (ibidem, p. 48).

Platão define o bem supremo como o que basta a si mesmo. O filósofo grego estimula o
convite à contemplação desinteressada das ideias, abandonando a perspectiva do criador para
adotar a do receptor. Ideia esta que irá perpetuar durante muitos séculos sendo debatida,
novamente, no século XVIII: “assimilação do criador a um deus fabricante de microcosmo e
a assimilação da obra a um objeto de contemplação, ilustram a progressiva secularização do
mundo na Europa ao mesmo tempo em que contribuem para uma nova sacralização da arte”
(ibidem, p. 52). A beleza se define como aquilo que não tem fim prático, organizado com
rigor de um cosmo.

O que pode a literatura?

“A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente
deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cercam, nos
fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver” (ibidem, p. 76). A literatura tem a
função de cuidar da alma, dar sentido à vida do leitor. As condições humanas são
apresentadas, contextualizadas de modo que permite o leitor a viver experiências singulares.
“A obra literária produz um tremor de sentidos, abala nosso aparelho de interpretação
simbólica, desperta nossa capacidade de associação e provoca um movimento cujas ondas de
choque prosseguem por muito tempo depois do contato inicial” (ibidem, p. 78)

Richard Rorty, filósofo americano, propôs caracterizar essa contribuição da literatura como
algo que auxilia a remediar a ignorância e a autossuficiência. Auxiliam a expandir o
universos de personalidades existentes, consciências e formulação do senso crítico, muda o
aparelho perceptivo das coisas percebidas oferecendo uma nova capacidade de comunicação
e entendimento

Todorov aborda sobre a troca de cartas entre George Sand e Gustave Flaubert sobre não
partilharem da mesma concepção literária. Flaubert age com a espera de algo bom no além, o
mundo visível decai aos seus olhos. Sand já gostava do presente, aceitação da vida como ela
é. Por mais que haja essa mutação de ideias, os autores continuam a interpretar a literatura
como melhor compreensão da condição humana e transforma o ser de cada um dos seus
leitores a partir do interior. A análise escolar, por exemplo, poderia auxiliar nesse processo
nos apresentando não os conceitos recém introduzidos na linguística mas sim a aplicação, o
acesso ao sentido da obra, de fato.

O autor reflete sobre a abordagem do texto literário, sendo: as obras produzem o sentido e o
escritor pensa. O crítico fica responsável pela conversão do sentido mediante o tempo e
espaço inserido. O objeto da literatura, afinal, é “a própria condição humana”. O leitor é
aquele que compreende o ser humano, que tem a capacidade de viajar e conhecer pessoas sem
sair do lugar. Sua obra é de desabafo quanto às concepções literárias de ensino atual e este
distanciamento do que é de fato necessário nas aulas de literatura.

REFERÊNCIAS

Todorov, Tzvetan. Literatura em perigo. Bertrand Brasil, 2008.

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