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Sexo Casto Ebook 6

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Sexo
Casto
A arte de fazer amor à
luz das escrituras e da
ciência.

SandroPaiva
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P149s Sandro Paiva


Sexo Casto / autor Sandro Paiva. - Araguari [MG]:
UICLAP, 2023. 354p. : il. 3.729 kb ; ePUB

ISBN 978-65-00-94606-2

1. Sexo. 2. Castidade. 3. Cristianismo.


I. Título.

CDD: 176
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Dedico este livro a todas as pessoas que não se conformam com


uma vida medíocre, mas que desejam viver uma experiência de
alto padrão sexual e espiritual.

Aos jovens que estão em fase de transformação, passando da


adolescência para a vida adulta; àqueles que estão iniciando a
relação a dois e que, no mais íntimo do ser, entenderam que devem
mudar de comportamento e buscar um novo significado para o
amor a dois.

A todas as pessoas que estão fartas de todo o modismo do mundo e


que buscam um verdadeiro sentido para suas vidas.

Dedico este livro, também, a todos os amantes que almejam uma


nova forma de experienciar o Amor, aquela que contempla a
verdadeira saúde sexual, conjugal e espiritual.
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Agradecimentos

Agradeço primeiramente a Deus por ter-me instigado e


proporcionado todo o conhecimento aqui elaborado.

Agradeço à Rita, minha esposa e companheira de jornada na vida


casta, por me auxiliar em várias questões relacionadas à área da
Biologia, importantes para a fundamentação científica do trabalho
desenvolvido.

Agradeço à minha família pelo total apoio e estímulo na realização


desta obra.

Agradeço aos meus alunos e pacientes pelas experiências


compartilhadas, que muito enriqueceram a argumentação aqui
apresentada.

Agradeço, também, à Sandra Costa Pelegrini pela exímia correção


deste livro, que possibilitou uma leitura de fácil compreensão.

E, finalmente, a todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram


para que esta obra viesse à luz.
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Sumário
Agradecimentos ........................................................................... 5
Introdução.................................................................................. 11
PARTE 1 - PRAZER SEXUAL VERSUS FELICIDADE
CONJUGAL .................................................................................. 17
Capítulo 1 – O ser humano foi criado para viver em equilíbrio.
................................................................................................... 18
1.1 - O domínio de nossos instintos....................................... 19
1.2 - O sistema de recompensa cerebral: como funciona o
prazer na realização dos nossos instintos. ............................. 25
1.3 - Reprodução e vínculo afetivo: as duas funções do
instinto sexual. ....................................................................... 34
1.4 - A função ou programa de reprodução. .......................... 37
1.5 - Não existe fidelidade nos animais mamíferos. .............. 38
1.6 - A bioquímica por traz do fim de uma paixão. ............... 39
1.7 - Orgasmo comum: programa de reprodução animal
versus afeto na relação. ......................................................... 43
Capítulo 2 - Tem muita coisa estranha com o sexo ―dito normal‖
que praticamos........................................................................... 51
2.1 - Os efeitos colaterais da ejaculação que você nem
imaginava. ............................................................................. 53
2.2 - As consequências do sexo comum para a saúde e bem-
estar feminino. ....................................................................... 63
2.3 - Os vícios da masturbação e da pornografia modelam o
cérebro e condicionam a prática sexual. ................................ 66
Capítulo 3 - Sexualidade saudável: restabelecendo o amor e a
saúde. ......................................................................................... 79
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3.1 - Nosso corpo foi criado para o carinho, para o amor


primordial! ............................................................................. 84
3.2 - Método karezza: sexo lento baseado no afeto e controle
da tensão sexual. .................................................................... 89
3.3 - A sexualidade casta no decorrer da história. ................. 97
Capítulo 4 - Coitus reservatus: o sexo casto cristão que o mundo
esqueceu. ................................................................................. 106
4.1 - Coitus reservatus no mundo contemporâneo. ............. 112
PARTE 2 - O QUE AS ESCRITURAS NOS DIZEM SOBRE O
SEXO CASTO E O PECADO ORIGINAL. ............................... 125
Capítulo 5 - O sexo casto e o pecado original: uma releitura na
perspectiva dos pais da igreja. ................................................. 126
5.1 - O pecado na queda. ..................................................... 130
5.2 – No paraíso, haveria algum tipo de sexo que agradasse a
deus? .................................................................................... 142
5.3 - Deus controla a cadeia evolutiva do ser humano e o
pecado original a descontrola. ............................................. 154
5.4 - Fluxos sexuais como descontrole do instinto e impureza
espiritual, segundo a lei mosaica. ........................................ 164
5.5 - Imaculada concepção: a divina seleção genética. ....... 171
5.6 - Os imaculados filhos da promessa. ............................. 174
5.7 - Esterilidade ou castidade nas matriarcas de israel. ..... 179
5.8 - Sexo como fonte geradora, degeneradora e regeneradora
de vida. ................................................................................ 184
5.9 - Pecado sexual como morte ou degeneração. ............... 189
5.10 - Vida e regeneração através da linguagem simbólica do
sexo casto. ........................................................................... 203
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5.11 – Circuncisão: sinal da aliança e símbolo de castidade.


............................................................................................. 207
5.12 – Circuncisão e batismo: uma confluência que você nem
imaginava. ........................................................................... 218
5.13 - O ensinamento do sexo casto por Jesus. ................... 233
5.14 - Sexualidade para a santificação: a construção do templo
do Espírito Santo. ................................................................ 246
PARTE 3 – HORA DE APRENDER.......................................... 285
Capítulo 6 - Como praticar o sexo casto, lento ou karezza. .... 286
6.1 - Submissão da mulher ou fragilidade do homem? ....... 296
6.2 - O que deve ser evitado para ter sucesso no sexo casto e
curar as disfunções sexuais? ................................................ 307
6.3 - Castidade para solteiros............................................... 316
6.4 Por que, nos dias de hoje, é difícil compreender e praticar
a castidade dos textos bíblicos? ........................................... 319
Epílogo .................................................................................... 326
Bibliografia.............................................................................. 328
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Sexo Casto - Sandro Paiva

Introdução

Os caminhos da vida nos levam a lugares que, inicialmente, jamais


sonharíamos em percorrer, mas que ao prestarmos a devida atenção
no trajeto, o destino vai se revelando, mostrando-nos qual seria a
nossa missão, o caminho certeiro que Deus escolheu para
percorrermos.

Foi assim que a partir das minhas andanças, nesta vida, fui levado a
conhecer, como pesquisador (desde 1996) a Filosofia, Psicologia,
Arte e a Religião, que me fizeram refletir sobre a vida interior e
exterior do ser humano em sua relação com o Sagrado.

Dando aulas e palestras, desde 2008, fui-me especializando


também em Psicologia Junguiana, Terapia Familiar, Sexologia e
Teologia Contemporânea. Mas, de tudo que estudei, percebi que a
sexualidade é um componente importante que determina muito
daquilo que é a essência do ser humano, por isso todos os meus
trabalhos científicos (em nível de pós-graduação) expõem a
importância da sexualidade como elemento de transcendência do
ser humano.

O grande escritor de best sellers, Napoleon Hill, já demonstrou em


suas pesquisas sobre os grandes homens do mundo, comprovando
que a sexualidade tem um papel central na vida das pessoas e que
seu modo de a conduzir refletirá em seu sucesso ou fracasso
pessoal.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Em todo o tempo que me dediquei aos estudos sobre a sexualidade


humana, bem como a partir da reflexão sobre a minha própria
experiência prática, verifiquei que seria necessário uma abordagem
mais profunda no campo biológico que explicasse todos os sabores
e dissabores da sexualidade humana.

Nos dias de hoje, podemos construir cientificamente uma nova


percepção sobre a prática sexual, considerada ideal para o homem,
a partir de várias pesquisas, formulação de muitas teses,
concepções e conceitos sobre o sexo, construídos ao longo da
história da humanidade, e que hoje podemos alcançar graças ao
avanço da ciência.

Em minha busca por respostas na ciência, me deparei com dois


autores fantásticos que me incentivaram muito no desenvolvimento
de minhas próprias pesquisas e trabalhos científicos no campo da
sexualidade - o casal Marnia Robinson e Garry Wilson.

Marnia com seu maravilhoso livro ―A Flecha Envenenada do


Cupido‖ une o conhecimento biológico da sexualidade com
tradições religiosas que visam um sexo que integra a sacralidade, a
saúde biológica e a perpetuação do amor ao longo do tempo.

Garry, o saudoso escritor do best seller ―Seu Cérebro na


Pornografia‖ e criador do site com o mesmo nome - o mais
acessado no mundo sobre o assunto - é pioneiro nos estudos da
pornografia como atividade compulsiva, demonstrando, através de
várias pesquisas na área, todas as consequências de uma

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Sexo Casto - Sandro Paiva

sexualidade movida pela compulsão e como ela afeta os


relacionamentos.

Após pesquisar, estudar e dar aulas sobre o tema, nasceu em mim


uma imensa vontade de aprofundar meus conhecimentos acerca da
relação da Ciência com o Cristianismo, pois sendo cristão, senti
uma necessidade espiritual de contribuir para o desenvolvimento
de uma teologia sexual cristã, pois percebi o quanto o ensinamento
sexual nas igrejas, nos dias de hoje, é raso, assim como verifiquei o
quanto o conhecimento sexual nos textos antigos tem sido
negligenciado e mal compreendido.

Não quero, com isso, privilegiar o comportamento que observamos


após a revolução sexual em nossa sociedade, longe disso, mas sim
enfatizar o caráter sagrado da sexualidade, buscando resgatar e
decifrar de forma simples e de fácil compreensão tudo que já se
disse e mais ainda sobre o que denomino de ―sexo casto‖: uma
forma de sexualidade que visa proporcionar o amor e a saúde
conjugal.

Assim, para melhor organização dessa temática, este livro foi


dividido em duas partes convergentes que se complementam. Na
primeira parte abordarei uma nova visão biológica da sexualidade;
posteriormente, fundamentarei a temática a partir do conhecimento
primitivo judaico cristão, que na forma como a história do homem
foi escrita nos revelou muito daquilo que estamos aprendendo,
atualmente, na Biologia. Por outro lado, a biologia também está
decifrando muitas passagens que, até o momento, a teologia não

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havia conseguido desvendar o verdadeiro conhecimento ali


contido. Na terceira e última parte abordarei a prática do sexo casto
no cotidiano e como contornar os desafios para o seu sucesso.

Em 1321, a santa inquisição queimou seu último cátaro na


fogueira. A vítima, Guillaume Belibaste, que supostamente
profetizou que ―ao final de setecentos anos o louro voltaria a ficar
verde‖, referindo-se que os princípios do ―verdadeiro cristianismo‖
voltariam à atenção do mundo (AUBARBIER, 2001, p 31).

Se é ou não verdade, essa profecia está no seu tempo de sua


realização, pois somente na atualidade, 700 anos depois, o
conhecimento biológico pode tornar mais claras várias questões
espirituais sobre o comportamento humano, principalmente no
campo da sexualidade, algo tão presente e importante descrito nos
textos bíblicos.

A boa ciência e a boa religião devem ser complementares e não


antagônicas, pois como dizia o saudoso escritor e palestrante Padre
Léo:

Creio que somente chegaremos a uma visão positiva e


equilibrada da sexualidade a partir do momento em que
chegarmos a uma visão equilibrada e correta do nosso copo.
O cristianismo precisa, com urgência urgentíssima,
redescobrir e aprofundar uma visão correta e positiva sobre
o corpo humano como lugar da revelação e da experiência
de Deus (PADRE LÉO, 2015, p. 40).

Isso só pode ocorrer quando se alcança uma visão ampla do que


seja o ser humano: o corpo (Biologia), a alma (Psique) e o espírito
(Divino).

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Assim, abordaremos neste livro uma prática sexual que favorece de


forma saudável a relação entre o casal; nós a chamaremos de sexo
casto ou coitus reservatus (seu nome cristão primitivo), mas que
também possui outros nomes no âmbito terapêutico como: método
Karezza, Sexo lento, dentre outros.

Este livro servirá para que você, leitor, estabeleça ou reestabeleça


uma ligação saudável e afetiva no seu relacionamento, algo como o
amor afetivo da lua de mel que, dessa forma, poderá se estender
para toda a vida conjugal.

Você, também, terá a oportunidade de se surpreender em como os


textos bíblicos e outros afins poderão te redirecionar em uma
prática sexual que vise não só a satisfação do corpo, mas também
um crescimento espiritual.

Falo tudo isso com base em minha experiência de relacionamento


conjugal, em que praticamos esse tipo de sexualidade desde 2003,
e também em testemunhos e depoimentos sobre o tema vindos de
pessoas que praticam as técnicas aqui sugeridas.

Em minhas aulas públicas e nas que leciono dentro das


comunidades terapêuticas, sempre procurei passar a minha
experiência de vida (de um ex-usuário de droga e libertino para um
sóbrio e praticante do sexo casto), pois observei e aprendi, ao
longo dessa prática, que sem castidade não se pode curar os vícios.

Deus sempre quis que a sexualidade fosse uma experiência


prazerosa para os seres humanos e que essa prática também nos

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auxiliasse na vivência equilibrada e responsável da vida no planeta,


pois quando esse instinto básico e fundamental da sexualidade é
conduzido de forma desequilibrada, acaba degenerando a
existência da vida na Terra.

O instinto sexual desequilibrado é como um dragão, que se


esconde dentro de nossa caverna interior. Quando ele sai dessa
caverna, pode provocar destruição e morte. Então todos nós,
cavalheiros e damas, devemos avaliar o nosso modo de agir;
identificar seus pontos fracos e atacá-los sem piedade, para que
assim possamos ter o direito de receber e desfrutar da verdadeira
felicidade que o amor puro e casto pode nos proporcionar.

Pratique a sexualidade casta e verá o sentimento de amor


duradouro no casamento, e também uma considerável melhoria da
saúde física e espiritual. Os resultados demonstraram, de uma
forma prática, o que as Escrituras querem dizer a respeito do sexo
casto.

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PARTE 1 - PRAZER SEXUAL


VERSUS FELICIDADE
CONJUGAL

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Capítulo 1 – O ser humano foi criado para viver em


equilíbrio.

Para analisarmos o ser humano em sua experiência sexual, é


necessário nos voltarmos para o momento de sua criação. O
homem primitivo foi criado para sobreviver às adversidades
impostas pela natureza, pois tem as condições biológicas
equilibradas, necessárias para sobreviver em seu meio original.
Nós, homens modernos, ficaríamos estarrecidos se encontrássemos
frente a frente esse homem primitivo, pois estamos – ao contrário
de nossos ancestrais - acostumados com uma vida de abundância
em todos os sentidos.

A estrutura biológica do corpo humano é composta pelos sistemas:


cardiovascular, respiratório, digestório, nervoso, sensorial,
endócrino, excretor, urinário, reprodutor, muscular, imunológico,
linfático e tegumentar, que exercem suas funções normais e
saudáveis quando o corpo está em equilíbrio.

Sabe-se que todos os sistemas do corpo humano são influenciados


pelos instintos, processos biológicos que existem em nosso corpo,
que são reações espontâneas e naturais, manifestadas dentro dos
padrões de comportamento que buscam a nossa sobrevivência.

O instinto funciona em uma dinâmica de dor (desconforto) e prazer


(interrupção do desconforto), proporcionando um comportamento
de recompensa em sua realização. Os principais instintos do ser
humano são: alimentação, preservação, sexualidade.

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É necessário dar ênfase ao estudo dos processos biológicos que


desencadeiam os instintos, para que assim possamos entender
melhor como eles tomam de assalto o controle dos nossos
pensamentos, sentimentos e ações.

Mesmo sendo uma reação espontânea, os instintos podem e devem


ser conduzidos pela razão, buscando uma vida harmônica,
equilibrada e saudável. Esse comportamento equilibrado é que nos
diferencia dos demais animais, que vivem seus instintos,
puramente, sem nenhum controle racional.

1.1 - O domínio de nossos instintos.

Uma das narrativas mais importantes do ser humano é o


conflito entre o instinto, uma vontade imediata e o controle
sobre ela. O risco de não controlar e se transformar em uma
besta e ao mesmo tempo controlar demais e não ser um
humano. A interação do racional e do afeto, o controle dos
instintos é umas das dinâmicas mais finas para se perceber
pecador, o quão difícil é o controle dos instintos. Mas existe
uma sabedoria nesta experiência do controle, onde se tem
novas possibilidades para novos afetos (PONDÉ, 2022).

Devemos ter em mente que a diferença básica entre os humanos e


os animais é o controle racional sobre os nossos três instintos
básicos que sustentam a vida (alimentação, preservação e
sexualidade) e qualquer desequilíbrio em um desses, desequilibra
toda a estrutura humana. É nesse controle que está uma peça-chave
para a verdadeira felicidade, mais durável: a busca para ser a
criatura original feita à imagem e semelhança do Criador.

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Diferentemente, os prazeres considerados carnais, onde o


descontrole do instinto impera de forma animalesca na busca de
um prazer a qualquer custo, favorece a transformação dos seres
humanos em meros animais intelectuais, onde o intelecto – que nos
diferenciaria dos animais – está à mercê do instinto.

Tudo indica que não somos um ser pleno, estamos sim em


transformação, ora avançando ora retrocedendo, tanto na visão
científica como na religiosa.

Infelizmente, o que mais vemos em nossa sociedade são pessoas


que transitam entre os extremos dos instintos e não conseguem
encontrar um equilíbrio que proporciona uma vida saudável. Basta
olharmos para as muitas vezes em que somos obstinados em
regimes malucos de emagrecimento e, logo depois, submergimos à
comilança sem limites. Dificilmente temos disciplina na
alimentação, o que mostra o quão suscetíveis somos aos nossos
instintos e não a uma vida de equilíbrio.

É comum, na fase da juventude, assumirmos algumas atitudes que


colocam em risco a nossa integridade física e com o passar do
tempo o medo nos paralisa, muitas vezes, nos limitando em nossas
escolhas, tomando conta de muitas de nossas ações.

Também somos dependentes, apegados, em pessoas, coisas e


lugares ou totalmente desapegados, não conseguindo estabelecer
um equilíbrio saudável de convivência.

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No que tange ao instinto sexual, grande parte da humanidade oscila


entre a negligência e a má utilização desse instinto, contribuindo
para a degeneração da espécie (o que veremos com mais detalhes a
partir do capítulo 4), perdendo assim a oportunidade de extrair os
enormes benefícios (biológicos e espirituais) de uma sexualidade
saudável.

Os instintos se expressam em nossas vidas através do prazer que


eles nos proporcionam, pois se não houvesse prazer na realização
deles, não haveria motivação para vivermos. Vejamos como esse
prazer se expressa em nosso cérebro, ou melhor, em nossos
cérebros conforme figura 1.

As formas na condução dos instintos pelos seres humanos se dão,


principalmente, pela diferenciação cerebral entre eles, como
exemplificado na figura a seguir.

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Figura1: Representação da Teoria do cérebro trino

Fonte: o autor

Tanto na ciência quanto na religião, tem-se o entendimento que o


ser humano surgiu após o aparecimento dos outros animais,
aperfeiçoando o que já se tinha de evolução cerebral. Existe, no
meio científico, a teoria do humano como sendo um ser tri-
cerebrado, possuindo uma nova parte cerebral (neocórtex) como
sendo um terceiro cérebro, ou um córtex mais evoluído que dos
outros animais. Essa teoria é bastante esclarecedora à medida que
explica, de forma simples, as diferenças e similaridades do
comportamento, tanto humano como animal.

A Teoria do cérebro trino foi elaborada em 1970, pelo


neurocientista Paul MacLean e apresentada, em 1990, no seu livro
―The Triune Brain in evolution: Role in paleocerebral functions‖,

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no qual discute o fato de que nós, humanos/primatas, temos o


cérebro dividido em três unidades funcionais diferentes. Cada uma
dessas unidades representa um extrato evolutivo do sistema
nervoso dos vertebrados (MACLEAN, 1990).

As três divisões do cérebro humano

Segundo a teoria de MacLean (1990), o cérebro humano/primata


seria composto pelo:

Cérebro Reptiliano

O Cérebro Reptiliano ou cérebro basal, como o chamou MacLean,


é formado apenas pela medula espinhal e pelas porções basais do
prosencéfalo. Esse primeiro nível de organização cerebral é capaz
apenas de promover reflexos simples, o que ocorre em répteis, por
isso o seu nome; conhecido como "cérebro instintivo", tem como
característica a sobrevivência, responsável pelas sensações
primárias como fome, sede entre outras.

Cérebro dos Mamíferos Inferiores

O Cérebro dos Mamíferos Inferiores: ou cérebro emocional, é o


segundo nível funcional do sistema nervoso e, além dos
componentes do cérebro reptiliano, conta com os núcleos da base
do telencéfalo, responsáveis pela motricidade grosseira; pelo
Diencéfalo, constituído por Tálamo, Hipotálamo e Epitálamo, pelo
Giro do Cíngulo; e pelo hipocampo e parahipocampo. Esses
últimos componentes são integrantes do Sistema Límbico, que é
responsável por controlar o comportamento emocional dos

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indivíduos, daí o nome de Cérebro Emocional. Esse nível de


organização corresponde ao cérebro da maioria dos mamíferos.

Cérebro Racional

Conhecido também como neocórtex, é compostos pelo córtex


telencefálico. Esse, por sua vez, é dividido em lobos, sendo esses:

Frontal: responsável pelas funções executivas;

Parietal: responsável pelas sensações gerais;

Temporal: responsável pela audição e pelo olfato;

Occipital: responsável pela visão;

Insular: responsável pelo paladar e gustação.

O cérebro racional é o que diferencia os humanos dos demais


animais. Segundo Paul MacLean, é apenas pela presença do
neocórtex que o homem consegue desenvolver o pensamento
abstrato e tem capacidade de gerar invenções.

Em humanos, o neocórtex representa dois terços da massa total do


cérebro. Mesmo tendo características surpreendentes, o neocórtex
depende muito do cérebro dos mamíferos quando avalia e faz suas
escolhas. De fato, o cérebro racional passa a maior parte de seu
tempo planejando e executando os desejos do cérebro de
mamíferos. Ele está localizado acima do cérebro dos mamíferos,
mas certamente não o domina. Na verdade, o cérebro mamífero,
normalmente, pode sequestrar o cérebro racional sempre que

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percebe uma necessidade. Isto se dá porque a ligação do cérebro


mamífero/racional é duas vezes mais forte do que a
racional/mamífero. Por isso é que realizamos escolhas por impulso,
muitas vezes sem pensar nas consequências (AMARAL, 2022).

O cérebro dos mamíferos impulsiona os comportamentos que


transmitem genes com tal eficiência que, aparentemente pelos
olhos da ciência, não evoluiu muito nos últimos cem milhões de
anos, como mostra a figura abaixo:

Figura 2: Comparação dos cérebros dos mamíferos

Fonte: o autor

1.2 - O sistema de recompensa cerebral: como funciona o


prazer na realização dos nossos instintos.

É evidente que existe prazer em satisfazer os nossos instintos e,


quando isso não ocorre, permanece o desconforto emocional
causado pelo risco da não sobrevivência, uma vez que os instintos

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foram moldados para garantir comportamentos essenciais para a


sobrevivência dos animais em seu ambiente natural. A parte
responsável pelo surgimento do prazer e da dor é chamado de
Sistema de Recompensa Cerebral.

Em resumo, esse sistema inicia-se no cérebro reptiliano (área


tegmental ventral), passa pelo emocional (núcleo accumbens),
ativa a amígdala (quando é uma sensação ruim) e termina no
racional ou córtex pré-frontal, por percorrer esse caminho, também
é chamado de Circuito de Recompensa Cerebral (figura 3).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Figura 3: Circuito de Recompensa Cerebral.

Fonte: o autor

O sistema de recompensa evoluiu para encorajar os nossos


ancestrais a repetirem comportamentos que incentivaram a sua
sobrevivência e perpetuação da espécie. Esse sistema é pequeno,
mas poderoso, pois premia com recompensa (prazer) toda ação que
leva a se conectar com os outros, a comer, beber, assumir riscos,
buscar romance e, especialmente, fazer bebês. Sem esse
mecanismo, não sentiríamos prazer, e não poderíamos nos
apaixonar.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Os responsáveis pelo prazer são pequenas substâncias de


sinalização química: os hormônios e neurotransmissores. Os
hormônios são substâncias secretadas no sangue pelas glândulas
endócrinas para que cheguem aos órgãos alvos por meio da
circulação, já os neurotransmissores são compostos liberados por
um neurônio pré-sináptico, cruzam a sinapse (espaço) que separa a
célula nervosa de seu alvo para, assim, atuarem sobre neurônios
pós-sinápticos ou células de órgãos efetores.

Apesar de serem pertencentes a sistemas diferentes eles possuem


muitas interações que nos ajudam no entendimento da mecânica do
prazer. Assim, para uma melhor compreensão do tema, eles serão
qualificados e nomeados como neuroquímicos.

A anatomia e a fisiologia são semelhantes entre os mamíferos, e os


mesmos neuroquímicos desempenham funções equivalentes nas
diferentes espécies, seja no comportamento maternal, no
acasalamento ou na interação social.

O principal neuroquímico ligado ao sistema de recompensa é a


dopamina, todo prazer que temos em satisfazer os nossos instintos
está associado principalmente aos níveis de dopamina no circuito
de recompensa cerebral.

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Figura 4: Sinapse neuronal.

Fonte: Próprio autor.

Para enviar uma mensagem, um neurônio libera um


neurotransmissor na lacuna (ou sinapse) entre ele e a próxima
célula. O neurotransmissor atravessa a sinapse e se liga a proteínas
receptoras no neurônio pós sináptico, como uma chave em uma
fechadura, isso causa mudanças nesse neurônio. Outras moléculas
chamadas transportadores reciclam neurotransmissores (isto é,

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trazem-nos de volta ao neurônio que os liberou), limitando ou


desligando o sinal entre os neurônios.

No entanto, quando sentimos prazer além do normal, o organismo


se sente envenenado (dopado, muita dopamina), e ordena para os
neuroreceptores fecharem suas portas para que não recebam mais
dopamina. Dessa maneira, o nível de dopamina cai drasticamente,
fazendo com que a pessoa sinta tristeza, angústia e
consequentemente dependência do estado anterior de prazer.

Ocorre, também, a dessensibilização da dopamina no cérebro ao


longo do tempo, onde os neurônios vão perdendo os
neuroreceptores que respondem à dopamina. Por exemplo, um
viciado em drogas necessita sempre de doses mais altas para que
tenha um prazer em nível semelhante (mas nunca igual) ao
primeiro uso; um usuário de pornografia necessita de mais cenas
picantes para disparar novos picos de dopamina; um viciado em
celular necessita de mais vídeos, fotos e jogos intermináveis para
que mantenha o interesse no aparelho e, um comilão necessita de
doses maiores de açúcar para sentir o doce dos alimentos
(GENOVA, 2009).

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Gráfico 1: Oscilação Dopaminérgica

Fonte: o autor

Dessa forma, é fácil a pessoa passar também de um vício para


outro, pois se o acesso a determinada atividade geradora de prazer
é restringido, procura-se outra atividade para substitui-la enquanto
estímulo para a liberação de dopamina. Isto se chama efeito
novidade (PRESS, 2006).

Isso pode ser muito observado nos dependentes de drogas e álcool


durante suas internações, pois geralmente trocam seus vícios
antigos por comida. Também acontece o contrário com pessoas que
passaram por operações bariátricas devido à compulsão por comida
e acabam por desenvolver vício em álcool ou outros
comportamentos compulsivos.

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Gráfico 2: Variação Dopaminérgica

Fonte: o autor

Nosso cérebro processa prazer e sofrimento em um mesmo lugar.


Ou seja, o prazer e o sofrimento funcionam como duas crianças em
uma gangorra, quando uma sobe a outra desce e vice-versa
(LEKNES, TRACEY, 2008, p. 314-320).

Para nos tirar de um momento de sofrimento, nosso sistema de


recompensa nos incita a buscar prazer a qualquer custo, o mais
rápido possível, nos propiciando assim a um ciclo viciante. Isso é
só o que ele consegue fazer, uma vez que é desprovido da função
racional.

É interessante lembrarmos que fomos construídos biologicamente


para enfrentar a escassez, por isso qualquer realização de nossos
instintos básicos gera muito prazer, e assim, por causa desse prazer
eventual, nossos ancestrais arriscavam a enfrentar dias na selva
para experimentar um bife; subir em árvores gigantes para provar
um pouco de mel e ir à tribo vizinha capturar uma companheira.

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Como consequência, nos dias de hoje, temos dificuldade de viver


em tempos de fartura, com acesso a fontes quase inesgotáveis de
prazer, um ambiente extremamente propício ao vício.

Quando o vício é estabelecido, ocorre o que chamamos de


habituação, ou seja, os circuitos do prazer se habituam naquela
atividade como sendo algo essencial para a vida e nada mais é
capaz de gerar prazer a não ser aquele tipo de estímulo.

Portanto, quando não há o estímulo, a amígdala cerebral promove a


liberação dos neuroquímicos que causam sentimentos estressantes
como ansiedade, irritabilidade e mal-estar, que caracterizam a
abstinência depois que o objeto de compulsão acaba, motivando a
pessoa a busca-lo novamente. O sistema de recompensa se torna
cada vez mais sensível com o aumento do uso, a tal ponto que uma
pessoa com transtorno de uso de substâncias passa a usar drogas
para obter alívio temporário desse desconforto.

Isso pode ser comprovado quando observamos como os viciados


em drogas têm muita dificuldade em abandonar seus vícios, pois
não sentem prazer em mais nada na vida que não seja o consumo
de drogas.

Viciados em sexo, pornografia e parafilias, também relatam as


mesmas dificuldades dos dependentes químicos, isso ocorre porque
as drogas ativam os mesmos neurônios responsáveis pelo orgasmo.
Drogas e sexo orgástico são os maiores ativadores de dopamina
(KARLA, 2010).

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Assim, vemos que a dopamina é como um combustível que temos


para movimentar a nossa vida com prazer, na condução e
satisfação de nossas necessidades básicas e, quando se usa
demasiadamente esse combustível, fatalmente faltará para outras
atividades.

Um grande problema relacionado à dependência é a dificuldade de


se perceber dependente, de encontrar uma saída do vício, pois além
do cérebro emocional sequestrar o racional - fazendo que o instinto
fale mais alto do que a razão, ―altas doses frequentes de dopamina
proporcionam a degeneração deste cérebro racional (neocórtex)‖,
diminuindo a sua massa (tudo que não se usa, atrofia), danificando
o sistema de recompensa cerebral e a capacidade de julgamento
(HILTON JR, 2011).

Como já aprendemos um pouco sobre como funciona o prazer em


nossos cérebros, vamos adentrar agora no prazer do instinto sexual
e suas funções: reprodução e afetividade.

1.3 - Reprodução e vínculo afetivo: as duas funções do


instinto sexual.

Não é novidade que buscar o prazer a qualquer custo nos leva à


exaustão e até mesmo ao descontentamento. A busca pela
felicidade sexual de um casal se dá pela preservação de um
equilíbrio no prazer, compreendendo que a forma de se realizar a
prática sexual está intimamente ligada com a manutenção da
afetividade e felicidade de longo prazo.

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Para entendermos esse equilíbrio, é fundamental compreender o


mecanismo por trás do instinto sexual e suas duas funções ou
programas: reprodução e ligação afetiva.

No contexto do instinto sexual, nos mamíferos em geral, existem


duas forças motrizes que movem a atividade sexual: a reprodução e
o vínculo afetivo. Essas duas forças trabalham em sintonia por um
período determinado, mas após a relação sexual comum, se
divergem em funções e caminhos diferentes. Para o programa de
reprodução o objetivo é - no caso dos machos - se reproduzirem
com o maior número de fêmeas e, para as fêmeas, se acasalarem
com os melhores machos. Por outro lado, o programa de ligação
afetiva nos machos se faz presente apenas para alcançar o objetivo
da reprodução, formando assim vínculos temporários e parceiras
sucessivas. Para as fêmeas, após a concepção, o programa de
ligação afetiva se torna mais presente para a prole a ser gerada,
continuando até o seu desenvolvimento. A libido sexual das fêmeas
é interrompida após a concepção. Esse mesmo fenômeno nas
fêmeas humanas se dá pelo famoso ―enjoo do cheiro do marido‖,
inibindo-a de ter relações nesse período, mas que não a restringe da
necessidade de afetividade do marido para com ela.

Saber conduzir o instinto sexual através do controle do programa


de reprodução e do desenvolvimento do programa de ligação
afetiva torna-se a melhor receita para uma vida saudável, tanto
biológica como sexual.

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Ao analisar essas duas funções do instinto sexual nota-se a


importância de entender o comportamento animal para que se
tenha a compreensão do comportamento do instinto sexual humano
e também o funcionamento do sistema de recompensa cerebral,
sendo esse semelhante em todos os mamíferos.

Figura 5: Diagrama do instinto sexual.

Fonte: o autor

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1.4 - A função ou programa de reprodução.

O programa de reprodução visa a perpetuação da espécie pela


seleção genética. Sabemos que os mamíferos possuem seu período
fértil durante o ano (primavera e verão) para o acasalamento,
dedicando o restante do tempo na criação dos filhotes (no caso das
fêmeas) e também no restabelecimento do vigor físico para uma
nova fase de acasalamento. Durante a fase do cio, outros
comportamentos se destacam nos mamíferos como a diminuição da
ingestão de alimentos, aumento da agressividade e o
enfraquecimento do instinto de proteção dos ataques de
predadores, assumindo mais riscos pela distração. Isto ocorre
devido a alterações neuroquímicos que ocorrem nesse período,
igualmente como vimos com os humanos com algum vício,
principalmente em drogas e em sexo.

Dessa forma, os mamíferos assumem todos os riscos para garantir


a procriação, ou seja, o instinto sexual com seu programa de
reprodução sobressai sobre todos os outros instintos, causando um
descontrole geral no comportamento.

É importante destacar que existe uma competição no mundo dos


mamíferos para que se crie uma escala de poder dentro do grupo,
uma hierarquia, aonde somente o macho vencedor (alfa) irá se
reproduzir com as fêmeas. Com isso, haverá um melhoramento
genético daquelas crias nascidas do macho dominante ou vencedor,
pois ele é o mais forte, inteligente e saudável do que todos os
outros do grupo.

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Figura 6: Reprodução do macho alfa.

Fonte: o autor

1.5 - Não existe fidelidade nos animais mamíferos.

Exceto para algumas espécies de ratos das pradarias e para alguns


humanos, ser fiel é algo raríssimo no mundo dos mamíferos –
lembrando que traímos também pelo pensamento (Mateus 5:27-
28), pois não há vantagens em ser fiel no mundo dos animais
mamíferos.

Imaginem se um touro alfa se apaixona eternamente por uma vaca,


todo seu rebanho estará disponível para outros machos de uma
genética pior, com defeitos físicos ou portadores de doenças. Isso
não ocorrerá em um ambiente natural porque antes de um macho
doente copular uma fêmea, aparecerá um macho dominante (alfa)
para disputá-la e conquistá-la. Assim é o mecanismo da natureza

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para realizar a seleção natural, prevalecendo somente os mais aptos


à perpetuação das espécies. Igualmente, a fêmea também escolherá
o macho mais forte do rebanho, mas que ocasionalmente também
poderá cruzar com algum oportunista que apareça, não mantendo
fidelidade para com o macho alfa, pois ele que se garanta em sua
luta para afastar os machos rivais.

Mas o que ocorre dentro de seus corpos, que um macho enjoe


daquela fêmea no cio (que já foi copulada) e desperte um novo
interesse sexual para com uma nova fêmea e vice versa?

1.6 - A bioquímica por traz do fim de uma paixão.


Uma vez comprometido, nenhum homem iria se prostituir;
Eles ficariam com as que adoram,
se as mulheres fossem mais atraentes
Depois do ato como antes (Antologia Grega).

Como a flecha envenenada do Cupido que acaba matando o Amor,


o fim da paixão tem muito mais elementos biológicos envolvidos
do que discordâncias meramente psicológicas – algo que já se sabia
há milênios, mas que necessitaria provar cientificamente.
Analisando o comportamento dos animais, pesquisadores
conseguiram provar este comportamento dentro do reino dos
mamíferos e deram-lhe o nome de efeito Coolidge (WILSON,
1981).

Eles colocaram este nome devido a uma história do presidente


americano Calvin Coolidge. A história conta que o presidente e sua

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esposa, em uma visita a um criatório de frangos, depararam com


um galo em pleno frenesi sexual. A mulher do presidente pediu a
um funcionário que falasse para seu marido como o galo era
potente sexualmente (uma indireta para o presidente). Dado o
recado, o presidente perguntou (com um tom de ironia) se o galo
era potente sempre com a mesma galinha. A resposta: Claro que
não!

Para provar esse efeito nos animais, os cientistas fizeram dois


experimentos. Primeiro, colocaram um casal de ratos em um
ambiente controlado, depois induziram a fêmea com hormônios
sexuais para não interromper o cio. Com o passar do tempo, o rato
macho foi perdendo o interesse sexual pela fêmea, mesmo ela
permanecendo no cio, levando maior tempo para as relações
acontecerem.

No segundo experimento, pegaram o mesmo rato macho e o


submeteram a diversas fêmeas (uma de cada vez). Nesse
experimento, notaram que o ratinho não perdeu o interesse pelas
fêmeas, pois o efeito novidade despertava novamente o interesse
sexual, conforme o gráfico 3.

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Gráfico 3: Efeito Coolidge

Fonte: o autor

Durante a pesquisa constatou-se que o efeito Coolidge se dá pelas


oscilações neuroquímicas ocasionadas pelo orgasmo,
proporcionando uma habituação entre os pares, pois eles vão se
desencantando sexualmente ―entre si‖, levando à saciedade sexual
(FARFÁN, 2009), mas com a aproximação de um novo parceiro
em potencial, renova-se o desejo sexual (efeito novidade), através
de um impulso neuroquímico, um novo pico, principalmente de
dopamina. Este efeito ocorre em machos (com maior intensidade) e
fêmeas (HUGHES, 2021).

Você poderia dizer que ―os humanos são diferentes‖, no entanto,


na verdade são muito pouco diferentes. Basicamente, todos os
testes científicos de medicamentos ou pesquisas com doenças
utilizam ratos, macacos, mamíferos em geral como cobaias para
posteriores tratamentos com humanos, pois a nossa similaridade

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biológica favorece essas pesquisas e demonstra como o nosso


comportamento é parecido.

Em uma pesquisa semelhante a do efeito Coolidge, pesquisadores


australianos exibiram repetidamente o mesmo filme erótico a
homens adultos e constataram que os pênis dos sujeitos do teste
revelaram uma diminuição progressiva da excitação sexual. O
mesmo filme repetitivo vai se tornando chato e a habituação indica
diminuição da dopamina.

Depois de 18 sessões desse filme, foram introduzidos nos dias


seguintes novos filmes e assim notaram a volta do interesse sexual.
Pesquisas com mulheres mostraram efeitos semelhantes. Isso é o
efeito novidade que vimos no gráfico anterior, disparando novos
picos de dopamina (MEUWISSEN, 1990).

Em outra pesquisa, constatou-se que homens ejaculam mais rápido,


com maiores volumes de sêmen e mais espermatozoides móveis
quando expostos a imagens de mulheres novas. É o efeito Coolidge
agindo para garantir sucesso na perpetuação genética com mais
parceiras possíveis (JOSEPH, 2015).

Quando os humanos agem puramente pelos instintos, não passam


de animais. No entanto, é possível nos desassemelharmos dos
outros animais! O sexo baseado em vínculo, que apresentaremos
mais adiante, neutraliza o efeito Coolidge, promovendo não
somente a manutenção, mas o aumento da afetividade do casal.

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1.7 - Orgasmo comum: programa de reprodução animal


versus afeto na relação.

A acomodação ou a diminuição do interesse sexual de um casal


começa após o fim da tempestade neuroquímica nos circuitos de
recompensa proporcionada pela lua de mel. Em média, as paixões
duram o suficiente para garantir que tenhamos dois filhos, que no
futuro serão nossos cuidadores. Que o frisson da lua de mel se
acaba, não é novidade para ninguém, mas dizer que a paixão se
transforma em amor pode ser um pouco ―forçar a barra‖ quando
não existe o desejo sexual, principalmente no mundo masculino.
Tolstoy estava certo quando escreveu em sua sonata de Kreutzer
que ―o estado da paixão se esgotara com a satisfação da
sensualidade‖ (TOLSTOY, 1948, p.47).

Quais são os neuroquímicos da paixão? Pesquisadores italianos


notaram que os novos amantes e pacientes com transtorno
obsessivo-compulsivo têm algo em comum: baixos níveis de
serotonina (MARAZZITI, 1999). Com o tempo, os níveis de
serotonina se recuperam, o que pode ser um alívio, mas isso
também significa que os amantes não são mais tão apaixonados uns
com os outros, sendo propensos a notar outros parceiros à vista. A
paixão intensa também se correlaciona com altos níveis de outra
substância química do cérebro, o fator de crescimento do nervo,
que pode elevar o humor, mas dentro de doze a vinte e quatro
meses os níveis dessa substância não são diferentes daqueles de

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controles que são solteiros, ou seja, inicia-se a antipatia nos


relacionamentos de longo prazo (EMANUELLE et al., 2006).

Assim, pesquisas confirmam o que vemos no cotidiano, que à


medida que a duração da parceria aumenta, o desejo sexual diminui
nas mulheres, enquanto o desejo de ternura declina nos homens
(KLUSMANN, 2002).

Essas violentas alegrias têm fim também violento,


falecendo no triunfo, como a pólvora e o fogo, que num
beijo se consomem. O mel mais delicioso é repugnante por
sua própria delícia, confundindo com seu sabor o paladar
mais ávido. Tem, pois, moderação, que o vagaroso, como o
apressado, atrasa-se do pouso (SHAKESPEARE, 2009).

Poesias à parte, o grande vilão para o fim do Amor é o que


ninguém suspeita, pois é o mais desejado nas relações - o orgasmo.

O orgasmo desencadeia uma cascata de


eventos neuroquímicos programados que
podem continuar por aproximadamente duas
semanas. Eles mudam como nos sentimos e
como percebemos o mundo ao nosso redor,
especialmente em relação ao companheiro.
Eles podem desacelerar o interesse sexual.
Esta ressaca pós-orgasmo pode ser sentida
tanto por homens quanto por mulheres
(TESTEMUNHOS E PESQUISAS, 2012).

Como exemplificado no gráfico a seguir, os principais


participantes neste ciclo quinzenal são: a dopamina que é o maior
ativador do sistema de recompensa cerebral, responsável pelo
prazer e motivação; a prolactina, comumente chamada de
hormônio da saciedade sexual, seu nível aumenta após a

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fertilização, inibindo o desejo sexual e a ocitocina; o hormônio do


amor ou de ligação de par. Vê-se que, logo após o orgasmo os
níveis de dopamina e de ocitocina diminuem consideravelmente
(PITCHERS et al., 2014), e imediatamente, há um aumento do
nível de prolactina de até 4 vezes mais na relação sexual do que na
masturbação. Essas oscilações neuroquímicas são um sinal de
saciedade sexual (BRODY, 2006; KRUGER, 1998).

Gráfico 4: Principais oscilações neuroquímicas após o orgasmo.

Fonte: Autor

As alterações comportamentais advindas do distúrbio no equilíbrio


hormonal podem ser notadas por até duas semanas, além disso, ao
que tudo indica, podemos ficar mais susceptíveis aos vícios
(MANZO et al., 2011). Durante esse tempo, também podemos
estar mais irritados, insatisfeitos, ansiosos ou deprimidos, e em vez
de ver o lado bom do nosso companheiro, agora estamos,
dolorosamente, conscientes de seus defeitos, acelerando assim a
acomodação do relacionamento pois, normalmente, têm-se sempre

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orgasmos em relações sexuais semanais, ligando assim um ciclo de


oscilações a outro, vivenciando um enorme ciclo até o fim da lua
de mel.

Muitas pessoas pensam que em qualquer relação sexual que houver


orgasmo haverá produção sustentada de ocitocina, e que ter mais
sexo orgástico faz com que não se enjoe da pessoa amada. Mas
isso é um mito, pois seu nível sobe – pelo menos no sangue –
durante o orgasmo, mas cai logo depois. Esses picos de ocitocina
no orgasmo apenas sinalizam o aumento da prolactina no pós-
orgasmo, o hormônio da saciedade sexual (EGLI, 2006).

É necessário frisar que a prolactina suprime a dopamina,


neuroquímico responsável pelo desejo, humor e afetividade na
relação. Essa dinâmica entre ocitocina-prolactina pode ajudar a
explicar por que uma paixão mais orgástica pode realmente
acelerar a habituação a um amante e também entender o porquê
enjoamos mais dos amantes do que dos amigos, pois com esses não
nos relacionamos sexualmente.

Tudo indica que esses dois neuroquímicos estimulam a liberação


um do outro, então quando um abaixa afeta os níveis do outro. A
ciência comprova que o desequilíbrio neuroquímico causa diversos
problemas à nossa saúde biológica e psicológica, contribuindo
também para o desencanto da relação (MELIS et al., 2007).

Por que é difícil perceber a ressaca neuroquímica?

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É possível que estejamos dentro desta ressaca neuroquímica


mesmo não tendo orgasmos (durante um período de abstinência),
pois outras atividades que geram compulsão também podem
contribuir e prolongar estas oscilações.

Pesquisas, com todos os tipos de adictos, demonstraram um


declínio na dopamina e na sensibilidade à dopamina em seus
cérebros, incluindo os viciados em internet (KIM et al., 2011). Esse
declínio rápido também pode acontecer com recompensas naturais
como a comida hipercalórica (STICE et al., 2010).

Algo que fica evidente dentro dos primeiros anos de casamento, ou


de relação sexual, é o aumento do peso em casais com tendência a
engordar, uma consequência da atividade sexual que predispõe a
outras atividades geradoras de picos de dopamina. A tendência é
que no futuro haja uma diminuição da atividade sexual e aumento
de outras atividades que levam à ativação do sistema de
recompensa, isto por propiciar o surgimento de vícios.

O ciclo da paixão (período de intensa atividade sexual entre o


casal) também pode ativar a resposta de estresse da amígdala,
promovendo sentimentos de ameaça em relação ao parceiro, o
famoso comportamento bipolar de paixão e ódio nas relações.

A amígdala é o centro do desprazer no sistema de recompensa, o


alarme do perigo, ela ordena toda a produção de hormônios para as
situações de estresses como o cortisol, adrenalina e endorfina.

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De acordo com a pesquisadora Marnia Robinson, durante o


relacionamento conjugal é provável e evidente que não se pode
haver harmonia, exceto quando a resposta defensiva da amígdala é
desativada. A amígdala é nossa sentinela, nossa segurança. Se
quisermos mais união no casamento, temos que silenciá-la ao
mesmo tempo em que ativamos nosso circuito de recompensa.
Caso contrário, nosso parceiro pode ser registrado em nosso
cérebro mamífero como "desagradável". O sexo em sua forma
reprodutiva desliga temporariamente a amígdala, que é uma razão
pela qual os casais podem cair em um padrão de hostilidade,
alternado com sexo intenso por um determinado tempo
(ROBINSON, 2009, pos. 2581).

Marnia Robinson enfatiza que estar apaixonado desativa a


amígdala graças a grandes quantidades de ocitocina gerada neste
período. A ocitocina inibe a amígdala para que você se sinta seguro
o suficiente para se unir. Caso contrário, você sempre estaria em
guarda, incapaz de se conectar profundamente com alguém. Um
dos riscos da explosiva neuroquímica da lua de mel é que ela
transforma a atividade de sua amígdala para níveis tão baixos que
você não pode ver quaisquer falhas em seu/sua parceiro (a), como
comportamentos de agressão, por exemplo (ROBINSON, 2009,
pos. 4119).

Todos concordam que este encantamento cego para com o amante


irá passar. Assim, o que surge depois da tempestade neuroquímica
não é a bonança, mas o tédio, pois mesmo que o parceiro seja uma
pessoa atenciosa, ele não consegue preencher o vazio que se sente,

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um sentimento advindo do desequilíbrio neuroquímico que foi


provocado pela atividade sexual levada à exaustão.

Em alguns raros casos, alguns cônjuges continuam após a lua de


mel com esse comportamento de dominação, ciúmes doentios,
violências, atividade sexual, mas pouco carinho e afeto. Talvez o
ciúme os faça ter relações sexuais pelo medo de traição do
parceiro. Esses, também, são comportamentos característicos dos
mamíferos.

Marnia Robinson diz que é difícil barrar a amígdala e o sentimento


de estresse que é sentido quando ela é ativada, pois os caminhos
cerebrais que vão da amígdala ao cérebro racional são como cabos
de fibra óptica de alta velocidade. Em contraste, o cérebro racional
se comunica com a amígdala usando o equivalente a uma conexão
de internet discada. É por isso que as emoções intensas podem ser
difíceis de controlar. Em um cabo-de-guerra, a amígdala vence. Por
outro lado, se você contar até dez quando irritado, seu cérebro
racional tem uma chance de amenizar sua reação instintiva - pelo
menos durante o tempo em que você está contando (ROBINSON,
2009, pos. 4119).

À medida que o cérebro dos mamíferos desencadeia a habituação


(esfriamento da relação) pela ressaca após o sexo, o cérebro
racional cria justificativas de incompatibilidade entre o casal. Esse
fenômeno com o cérebro racional se dá pela tentativa de interpretar
o forte estímulo de frustação advindo do cérebro mamífero. Assim,
diante de algo que nos desagrada minimamente, a ira se manifesta

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automaticamente, sem ao menos pensarmos sobre o evento. Pior


ainda, mesmo pensando nisso podemos ter uma conclusão limitada,
porque nossa amígdala pode ligar-se a lembranças de eventos ou
situações que nosso cérebro racional não consegue se lembrar, algo
que permanece em um nível inconsciente.

Quando nós dizemos após um evento: "Não sei por que exagerei
dessa maneira", nós estamos dizendo a verdade. Nosso cérebro
racional pode não ter ideia do porquê de ter perdido a razão. O
roteiro de nossa amígdala agora pode ser "Você fez algo comigo,
embora eu não tenha certeza do que era" ou "Você apenas me
irrita, mesmo que eu não possa apontar o porquê" ou "Eu
realmente não confio em você”. A escala destes eventos inclui a
diminuição da ocitocina e aumento de cortisol (ROBINSON, 2009,
pos. 4144).

Buscar ajuda para o relacionamento conjugal nas terapias


tradicionais como terapia de casal não resolve o problema de forma
efetiva e duradoura, pois a maioria destas práticas - exceto as que
abordaremos no capítulo 3 e 6 - não levam em conta a mudança
biológica que os casais estão sofrendo por causa do estilo de
prática sexual.

O poeta romano Ovídio escreveu sobre isso há dois mil anos,


quando aconselhou, como uma estratégia para ―cura para o amor‖,
que se buscasse o orgasmo tão intensamente até o ponto que
gerasse total desinteresse pela parceira.

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Essa sede deve ser saciada, pela qual você está


desesperadamente ressecado: Eu permito: agora é bom
beber no meio do rio: mas beba ainda mais do que o seu
coração exige, faz transbordar a tua garganta, cheia da água
que bebeste. Vá e aproveite sua garota, a qualquer hora,
nada é proibido: deixe-a roubar suas noites e dias. Busque
aversão por sua doença: e deixe que a aversão acabe com
ela. Agora, também, quando você acredita que pode ser
livre, fique, até que você esteja completamente
sobrecarregado, e a abundância destrua o amor, e enojado
por você não ter prazer na casa dela (PUBLIUS, sd).

Com a prática sexual com enfoque no afeto e não no orgasmo, o


amor e o carinho se tornam uma constante na vida do casal, mais
adiante detalharemos essa prática.

Capítulo 2 - Tem muita coisa estranha com o sexo “dito


normal” que praticamos.

Claudio Duarte, pastor e palestrante, afirma que “Tínhamos tudo


para não fazer sexo: suja, cansa e faz filho‖ (Cláudio Duarte, sd).

Não são somente essas as consequências que o sexo comum


proporciona com o tempo, mas também traz irritabilidade,
insatisfação, ansiedade e estados de apatia, em ambos os sexos.

Burri (2020) afirma que todos esses sintomas foram descritos como
sendo a Síndrome pós orgástica. As manifestações dessa síndrome
variam de pessoa para pessoa, sendo mais presentes e severos em
indivíduos viciados em pornografia, pois são pessoas que possuem
uma atividade orgástica mais frequente, mas não deixa de existir
em casais que não consomem pornografia (SÍNDROME PÓS
ORGÁSTICA, sd).

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Estudos constatam que a frequência de visualização de pornografia


está correlacionada com depressão, ansiedade, estresse e
dificuldade de interação social, também com menor satisfação
sexual, relacional, gostos sexuais alterados, pior qualidade de vida,
saúde e problemas reais de intimidade. Apesar disso, os
pesquisadores raramente, ou nunca, perguntam sobre outros
fenômenos vistos regularmente nos fóruns de viciados em
pornografia, como motivação e confiança prejudicadas, dificuldade
de concentração, perda de atração por pessoas reais, disfunção
sexual e uma progressão no material pornográfico no que tange a
conteúdo mais extremo, como menciona o pesquisador Gary
Wilson:

[...] as pessoas que têm usado a pornografia pesadamente


desde a puberdade raramente fazem a conexão entre o uso
de pornografia e sintomas como ansiedade, depressão ou
ereções fracas, mesmo depois de pararem de usar. Não
importa o quão miseráveis eles estejam, a pornografia
parece ser uma maneira de se sentir bem - uma solução e
não uma fonte de problemas (WILSON, 2014, pos. 512).

Da mesma forma, os pesquisadores que são defensores do


orgasmo, dificilmente o condenariam como sendo fonte de vários
problemas. No entanto, temos pesquisas na área da pornografia que
podem embasar o efeito danoso do orgasmo como um todo.

A Síndrome pós orgástica, também denominada disforia pós-coito


por alguns autores, é um fenômeno amplamente documentado,
cujas primeiras referências remontam ao Império Romano. Por
volta de 150 d.C., Galeno, um médico grego escreveu: "Depois do
coito todos os animais entristecem, à exceção da fêmea humana e

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do galo". Aristóteles, Nietzsche e o filósofo holandês Baruch


Spinoza pensavam que o fenômeno vinha, em parte, do
esgotamento da "força vital".

Por outro lado, seria de se esperar, caso o orgasmo fosse garantia


de felicidade, que os profissionais do sexo e os viciados em
pornografia fossem as pessoas mais felizes do mundo.

2.1 - Os efeitos colaterais da ejaculação que você nem


imaginava.

Sabia que se for aplicado um choque elétrico em uma região


específica da medula espinhal, o homem tem ejaculação? E que
também é possível induzir a ejaculação estimulando eletricamente
a próstata, técnica utilizada para coleta de sêmen em touros? E por
fim, enforcar ou torturar alguém também pode provocar a
ejaculação?

A ejaculação, como também o orgasmo comum, é uma resposta


reflexa muscular a um número determinado de estímulos. Eles não
são uma reação necessária para se ter prazer no sexo.

Grande parte da humanidade acredita que sem ejaculação não há


prazer. No entanto, uma coisa não depende da outra. Na verdade,
como veremos mais adiante, a ejaculação é o fim do prazer, ou
melhor, o estraga prazer que põe fim à relação sexual, por uma
única parte da relação a dois.

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Mas, quem realmente é o mais prejudicado nas relações sexuais?


Por incrível que pareça, são os homens - mal sabem eles, pois a
maioria deles chega ao orgasmo, diferentemente das mulheres que
apenas 30% chegam a ele , isso predispõe os homens a maior
desequilíbrio neuroquímico e incitando-os a um comportamento
instintivo animal e suas consequências.

É perceptível como as diferenças entre os gêneros se acentuam


com a puberdade. Como o orgasmo parece contribuir para uma
maior oscilação neuroquímica no sistema de recompensa cerebral,
Pode-se perceber que muitos homens são mais violentos,
ciumentos, promíscuos, compulsivos, desinteressados na
espiritualidade, menos escolarizados, menos altruístas e mais
doentes - consequentemente vivem menos - que as mulheres. Não é
surpresa que as cadeias e as clínicas para dependentes são
ocupadas em sua grande maioria por homens. Também, não é de se
espantar como as mulheres são maioria nas universidades,
confirmando a maior capacidade de absorver conhecimento do que
os homens na atualidade. Pesquisas recentes começam a elucidar
essa diferença de gênero no comportamento relacionando-a ao
sistema de recompensa dopaminérgico (FARINAS, 2018).

Poucas pessoas notam que o instinto sexual em sua vivência plena


do programa de reprodução animal produz uma influência sobre o
comportamento humano.

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Ser ―macho‖ na grande maioria das culturas da atualidade nada


mais é do que viver plenamente o instinto animal pelo sexo, algo
totalmente diferente de ser um verdadeiro ―homem‖.

Observemos como os animais agem na condução de seu programa


de reprodução e seus comportamentos resultantes: O macho
dominante conquista seu território e fêmeas pela força ou ―ira‖;
utiliza-se da ―vaidade‖ para encantar as fêmeas; ―orgulha-se ou
tem soberba‖ com relação aos outros machos se considerando
melhor que eles, pelo fato de tê-los derrotado; sente ―inveja e
ciúme‖ quando algum outro macho tem um poder igual para roubar
suas fêmeas; possui a ―gula‖ como forma de alimentar-se,
aproveitando o máximo de recursos possíveis, para depois usufruir
de um estado de ―preguiça ou má vontade‖; expressa a ―ganância‖
tanto nos alimentos quanto nas fêmeas, praticando a perpetuação
genética, atitudes que para os humanos possuem outros nomes
como: luxúria, concupiscência, promiscuidade, fornicação,
lascívia, impureza, adultério, prostituição, imundice, abominação,
devassidão etc.

Esses comportamentos, próprios dos animais, são considerados ―os


pecados capitais‖ quando praticados pelos humanos.

Os mamíferos, em sua maioria, também conduzem o ato sexual de


forma violenta, com movimentos rápidos, o que ocasiona uma
saída maior de esperma. Por que ocorre esse comportamento?
Porque eles aproveitam a janela de oportunidade para acasalar,
devido à competição entre si, além da constante possibilidade da

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perda da vida devido a ataques de predadores. É bom lembrar que


as fêmeas dos mamíferos também possuem comportamentos
semelhantes aos machos.

É fato que os animais também possuem muitos comportamentos


que revelam virtudes. No entanto, focaremos no comportamento
reprodutivo e nas suas variantes.

Vale lembrar que os animais não possuem defeitos, eles não


pecam, pois necessitam se comportar da forma que descrevemos
acima para garantir que se perpetuem de forma saudável na
construção das futuras gerações. Pecar e ter defeitos são inerentes
ao animal intelectual ―humano‖.

Nota-se que todos pecados ou defeitos citados acima se originaram


por causa do instinto sexual, pois na lei da selva vale tudo para a
perpetuação da espécie. Da mesma forma, vemos a humanidade
tendo os mesmos comportamentos, cometendo os mesmos defeitos,
tendo por ator o instinto sexual e suas manifestações. Segundo
Freud, o instinto sexual é uma força que nos excita e atua de forma
contínua. Esse instinto, em sua forma animal, atua em nossas vidas
de maneira a realizar um determinado objetivo, seja ele comprar,
competir, ostentar, difamar, impor, dominar e muito mais,
garantindo o que podemos chamar de poder de expressão ou
sedução.

Vale tudo para garantir a sedução (a reprodução no caso dos


mamíferos), mesmo que se ponha em risco a própria vida, pois
após a ejaculação, ocorre um declínio no sistema imune e

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conjuntamente uma maior vulnerabilidade ao ataque de predadores


no momento do ato sexual. Exemplos do desgaste de vitalidade são
nítidos em quase todos os mamíferos machos durante a estação de
acasalamento, e em alguns, como os machos de marsupiais
(Antechinus stuartii), o empenho é tamanho que eles acabam por
destruir seus próprios sistemas imunológicos, ocasionando-lhes a
morte devido a várias doenças que adquirem após esse período
(FICHER,D. et al., 2013).

Bitell (2019) afirma que ―o excesso de sexo também faz as cobras-


macho da espécie Thamnophis sirtalis infernalis viverem menos
que as fêmeas‖. Esse desgaste corporal é comum de se observar em
épocas de acasalamento, principalmente para quem trabalha com
animais para reprodução.

Os machos dos mamíferos têm a vantagem de terem estação de cio,


assim possuem o restante do tempo para restabelecer seu vigor
físico entre as estações. Por outro lado, os humanos que praticam o
sexo comum desgastam sua saúde continuamente, pois não
possuem estação de acasalamento.

Existem alguns criatórios de animais que possuem como tradição a


preservação da energia sexual dos animais para direcioná-la para
outros fins, como nas corridas de cavalos. Esses animais são
privados de relações sexuais a fim de aumentarem o vigor físico.
Por outro lado, é notório que animais de criatórios que iniciam a
atividade sexual muito precocemente tem seu desenvolvimento
prejudicado quando comparado aos que iniciam mais tardiamente.

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Na história humana, tradições semelhantes são vistas nas


―concentrações‖ dos desportistas há séculos, onde eles são
agrupados e privados de relações sexuais.

Antes de uma grande luta, os boxeadores abstêm-se de sexo por


semanas, meses e até anos. Mike Tyson, supostamente, se absteve
por cinco anos no início de sua carreira no boxe. Além do mais,
depois de sua derrota por nocaute para Buster Douglas, no Japão,
em 1990, ele disse que semanas antes dessa luta esteve com várias
garotas japonesas. Podemos citar, também, que durante a Copa do
Mundo de 1966, os membros da equipe da Inglaterra foram
encorajados a se absterem e conquistaram seu primeiro e único
título da Copa do Mundo.

Nos fóruns sobre vício em pornografia, são inúmeros relatos de


aumento da vitalidade e força quando se abstém da pornografia e
consequentemente do orgasmo (NO FAP, sd).

Tribos indígenas também se ausentam das relações sexuais nos


períodos de caça e guerra com o intuito de aumentarem a
percepção e força. Grandes pensadores da Antiguidade também
falavam sobre essa perda de força após a ejaculação
(ROMANOFF, 1984).

Pitágoras aconselhava que as relações sexuais ocorressem


preferencialmente no inverno, embora a perda do esperma fosse
sempre prejudicial.

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Hipócrates, considerado o pai da medicina, advertiu que a perda de


quantidades excessivas de sêmen poderia resultar em danos físicos,
tais como a deterioração da medula espinhal. Ele considerava que
reter o sêmen proporcionava ao corpo a máxima energia, a sua
perda a morte (RANKE-HEINEMANN, 1996). Platão e Aristóteles
compartilhavam da mesma visão (PLATÃO; ARISTÓTELES sd).

Não só no Ocidente, mas principalmente no Antigo Oriente essa


visão era partilhada amplamente. Mais adiante no capítulo 3.3,
abordaremos esse tema.

Existe uma antiga expressão francesa que é usada até nos dias de
hoje para o orgasmo: ―La petit mort, a pequena morte‖,
denominando a sensação sentida após o ato sexual.

Não é por acaso que o orgasmo seja relacionado com a morte, pois
muitas pessoas ao redor do mundo morrem por asfixia ao tentar
reduzir o fluxo de oxigênio para o cérebro no intuito de induzir um
orgasmo mais forte; prática conhecida pelo nome de Asfixiofilia.
Foi essa prática que vitimou o ator David Carradine.

Para Herbenick et al. (2020), parece que quanto maior a busca pelo
prazer carnal mais se chega próximo à morte e a seus sintomas, e
ao que tudo indica, práticas sexuais perigosas estão aumentando,
atualmente, em nosso mundo.

É evidente que o corpo manifesta os sintomas de um grande


desgaste físico durante e após o orgasmo, conforme afirma Jorge
Pagura, neurologista, neurocirurgião e professor:

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Primeiro você fica besta, porque as modalidades racionais e


o pensamento lógico são reduzidos no cérebro, resultado de
um hipometabolismo dos lobos frontais. Daí, as regiões
mais profundas e antigas, relacionadas aos instintos
primitivos, às emoções e ao sistema de recompensa são
ativadas: é o seu sistema límbico falando mais alto.
"Hipocampo, hipotálamo e córtex pré-frontal são
orquestrados pelo núcleo accumbens, que dispara a
produção de dopamina, precursora da adrenalina, e
serotonina".

Uma descarga de motivação e prazer aumenta a frequência


cardíaca e respiratória e a pressão arterial, enquanto a
ocitocina turbina o desejo e a sensação de conexão
emocional. Depois da descarga elétrica, a amígdala chega
para jogar água fria, ou melhor, endorfina. Ela desmancha
prazeres, mas, acredite, é para o seu bem. Caso contrário, o
corpo entraria em pane (SUPERABRIL, sd).

Para Civinelli (2021), o estímulo elétrico da amígdala provoca


crises de violenta agressividade, talvez por isso seja tão comum os
surtos de violência, como no sexo dos mamíferos, gritos e
palavrões no momento do orgasmo. O orgasmo no cérebro é bem
semelhante a uma convulsão, podendo até realmente provocá-la,
além de gerar outros fenômenos estranhos (REINERT, 2017).

Durante a ejaculação, são expelidos até 250 milhões de


espermatozoides, cada um deste é um ser humano em potencial,
como uma semente que se torna uma árvore. Não somente futuros
seres que se vão no esperma, mas também moléculas de proteínas,
ácido cítrico, cálcio, fosfatos, lecitina, enzimas e prostaglandinas -
ingredientes preciosos para formar uma vida ou manter a vida. Não
se cria uma vida do nada, para se criar uma vida deve-se doar vida!

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As prostaglandinas, um dos principais componentes que enriquece


o sêmen, quando dentro do organismo tem a função de
rejuvenescimento, função antioxidante, originando uma "sensação
de bem-estar natural".

Caro leitor, você sabia que injeções penianas para disfunção erétil
possuem a prostaglandina como principal substância em sua
composição e joga-se fora esse rico componente, através da
ejaculação, a substância essencial para prolongar a vida sexual?
Que contradição!

O gasto energético da atividade sexual é significativamente maior


nos homens em relação às mulheres. Os resultados do presente
estudo mostram que a média do gasto energético durante a
atividade sexual foi de 101 kcal ou 4,2 kcal / min em homens e 69
kcal ou 3,1 kcal / min nas mulheres (FRAPPIER, 2010).

Segundo o Dr. Lair Ribeiro, em cada ejaculação é perdido 1 ml de


zinco e sua carência no organismo leva à dificuldade de absorção
das proteínas dos alimentos (RIBEIRO, 2018). A carência do zinco
pode causar diminuição da sensação de paladar, anorexia, apatia,
retardo do crescimento, queda de cabelo, retardo da maturação
sexual, baixa produção de esperma, queda de imunidade,
intolerância a glicose e diminuição da produção de testosterona
(ZANIN, 2022).

A falta de zinco afeta especialmente a próstata porque esta


glândula faz uso desse componente muito mais do que qualquer
outro órgão, então uma suplementação de zinco pode reduzir a

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hiperplasia prostática (SAUER, 2020). Além disso, há evidências


de um importante papel do zinco na proteção e tratamento contra o
câncer de próstata (ZHAO et al., 2016). Observe que o zinco, uma
substância que se perde em grande quantidade na ejaculação será
tão importante em um futuro tratamento de câncer de próstata.

Outra consequência da perda seminal citada pelo Dr. Lair Ribeiro é


a sarcopenia - perda de massa muscular - característica do
envelhecimento, que pode surgir em jovens atletas como resultado
da masturbação, que leva à perda de zinco e consequente mal
funcionamento da carboxipeptidase A, enzima pancreática
responsável pela digestão de proteínas, sem ela a absorção de
proteínas fica comprometida levando, portanto, à sarcopenia. Além
disso, a enzima aromatase, que converte testosterona a estradiol
(hormônio estrogênio feminino), pode estar relacionada ao
desenvolvimento de características comuns em jovens adolescentes
que se masturbam com grande frequência, como pouca massa
muscular e ginecomastia (aumento das mamas).

A promiscuidade aumenta ainda mais o risco de câncer em geral.


Indivíduos com 10 ou mais parceiros sexuais ao longo da vida
possuem um risco elevado de serem diagnosticados com câncer, e
entre as mulheres, um maior número de parceiros sexuais também
está ligado a maiores chances de relatar uma doença limitante de
longa data (GRABOVAC, 2019).

Estudos indicaram que os homens com menor número de parceiros


sexuais, idade mais avançada na primeira relação sexual e

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ejaculação moderada foram associados a uma diminuição


significativa do risco de câncer de próstata (JIAN, 2018). Portanto,
uma atividade sexual casta é benéfica à saúde do homem.

Tudo nos leva a crer que as consequências advindas de uma


atividade sexual com perda seminal são motivos urgentes para que
tenhamos uma nova visão da sexualidade, que proporcione um
estado de equilíbrio e saúde para o corpo. Sobre isso, veremos mais
adiante no capítulo 3.

2.2 - As consequências do sexo comum para a saúde e


bem-estar feminino.

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Será que a atividade sexual comum também traz prejuízos para a


mulher?

É realmente impressionante como não se percebe que tem algo


errado com o atual estilo sexual da humanidade! Por isso, vamos
incluir alguns prejuízos que o ato sexual comum produz, agora, nas
mulheres:

- Partos consecutivos - Lembremo-nos das mulheres na


Antiguidade, quantas morriam no parto, nos abortos provocados,
ou sofriam pelos seus filhos abortados naturalmente, sem falar na
dificuldade da criação de uma prole imensa e na perda da saúde por
isso.

- Contraceptivos - Com a revolução sexual, proporcionada pelos


anticoncepcionais, os problemas da gravidez indesejada
diminuíram, mas surgiram outros, como os efeitos colaterais que
esses medicamentos proporcionam, bem como o encerramento
precoce do ciclo menstrual, que segundo alguns pesquisadores,
pode não ser benéfico para a mulher, pois consideram o ciclo
menstrual importante para a saúde feminina (GORVET, 2018).

- Problemas ginecológicos - Poucas pessoas sabem, mas novas


pesquisas apontam que o contato seminal (devido ao seu pH
elevado) favorece o aparecimento de problemas ginecológicos
como endometriose e vaginose bacteriana por Gardnerella
vaginalis (MACGUANE, 2015).

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As infecções vaginais são queixas comuns e uma causa frequente


das infecções do trato urinário é quando microrganismos da área
genital chegam à uretra e à bexiga. O principal mecanismo de
defesa vaginal é sua secreção ácida, que desinfeta naturalmente a
vagina. A estimulação lenta e prolongada da vagina no ato sexual
sem a ejaculação protege a saúde ginecológica da mulher, porque
aumenta as secreções vaginais, mantendo a vagina mais ácida.

- Falta de compatibilidade - homens e mulheres têm tempos


diferentes de orgasmo. Na maior pesquisa já realizada sobre o
assunto, observou-se que em três quartos de todos os homens o
orgasmo se verifique dentro de dois minutos após o início da
relação sexual e, em um número não desprezível de homens, o
clímax é atingido em menos de um minuto ou mesmo em 10 ou 20
segundos, após a penetração.

As mulheres demoram quatro minutos para ter orgasmo com a


masturbação – e de 10 a 20 minutos no ato sexual (KINSEY,
1948). Em pesquisas recentes, mulheres em relacionamentos
estáveis demoraram 13 minutos, em média, para atingir o orgasmo
durante o sexo com seus esposos (GAJANAN, ANURADHA
,2020). No Brasil, mais da metade das mulheres não chegam ao
orgasmo durante a relação (SOARES, 2016), e 17,8% delas dizem
sentir dor na relação sexual (ABDO, 2004).

Tradições no Oriente dizem que se uma mulher não relaxar em um


estado de tranquilidade durante o sexo ela terá o orgasmo nervoso,
que é de curta duração e seguido de insatisfação e exaustão; e que

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isso, muitas vezes, é a causa da histeria e depressão


(SARASWATI,1992).

Em um estudo, constatou-se que três quartos das mulheres com


níveis inexplicados de prolactina elevado estavam sofrendo de
depressão, ansiedade e irritabilidade (PRABHAKAAR, 2008).

Abordaremos mais adiante, no capítulo 6, sobre o prazer feminino


gerado pelo sexo saudável.

2.3 - Os vícios da masturbação e da pornografia modelam


o cérebro e condicionam a prática sexual.

É durante o período da puberdade que o jovem passa a perceber as


mudanças que seu corpo sofre, não só fisicamente, mas também
mudanças na percepção das emoções e pensamentos. Portanto, é de
extrema importância uma educação sexual baseada no
conhecimento biológico de seu corpo, para que assim se tenha a
formação de uma sexualidade saudável.

A adolescência é uma fase de aprendizado para a fase adulta, onde


novos comportamentos surgem e outros desaparecem.

Muitas virtudes características da infância vão se enfraquecendo ou


se transformando ao longo de seu crescimento, como: inocência,
felicidade espontânea, viver o agora, capacidade de memorização,
perdão, imaginação criativa, sinceridade, curiosidade e, por fim, a
castidade.

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Durante o conhecimento de seu corpo, o reconhecimento de


mudanças pelas quais ele tem passado e a descoberta de sensações
sexuais, o adolescente pode entrar em uma relação viciosa por
meio da masturbação. Essa prática promoverá seu desequilíbrio
biológico, psicológico e espiritual, mas infelizmente poucos têm
notado esse efeito colateral.

Assim, veremos com frequência aquela criança virtuosa se tornar


dia a dia mais preguiçosa, compulsiva, desorganizada, infeliz,
desatenta, vaidosa, temperamental etc.

O que ocorre, geralmente, no período da formação da


personalidade é a substituição ou atenuação das virtudes da criança
pelo fortalecimento e atuação do que chamamos de ego, uma
identificação com esses comportamentos de origem animal, como
mencionamos no capítulo 2.

Essa transformação é resultado do instinto sexual e seu programa


de reprodução ditando as regras de comportamento e imperando
sobre os outros instintos do adolescente.

O ego é uma falsa percepção de quem somos, e que, em uma fase


futura, será necessário voltar à nossa essência divina, para
tornarmos uma nova criatura.

Muito do que esses adolescentes sentem são sintomas idênticos à


síndrome pós-orgástica. Para provar isso, temos milhares de relatos
espalhados pelo mundo de usuários de pornografia que tentam uma
recuperação, movimento conhecido pelo nome de NO FAP.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Beyens et al. (2015), constataram que o uso crescente de


pornografia diminuiu o desempenho acadêmico dos meninos, seis
meses após o início dessa prática. É importante lembrar, que em
todo uso da pornografia, há a masturbação e consequentemente o
orgasmo, que é o grande causador da desordem biopsicológica e
espiritual do jovem.

Muito interessante é ver como os pais da psicologia contemporânea


já constatavam tudo aquilo que no futuro a ciência iria provar.

Jung faz uma interessante análise sobre a juventude de sua época -


lembrando que nem existia pornografia naquele tempo -
comentando que:

[...] a sexualidade se impõe ao jovem [menino] como


realidade brutal, enchendo-o de tempestade e ímpeto, de
necessidades e lutas. Raros são aqueles que escapam do
doloroso e amedrontador problema da masturbação, ao
passo que a mocinha pode estar praticando a masturbação
durante anos, sem saber o que está fazendo. [...] Nesta idade
o jovem está cheio de ilusões, que são sempre sinal de
perda de equilíbrio psíquico. Por longo tempo, as ilusões
impossibilitam uma estabilidade e maturidade do
julgamento (JUNG, 2011, p. 115).

Nossa hipótese é que exista uma ligação entre o desequilíbrio


psíquico e a prática da masturbação, sendo que estes fenômenos, na
maioria das vezes, aparecem simultaneamente.

Freud via a masturbação como vício primário e uma porta aberta


para outros vícios compensatórios: ―Comecei a compreender que a
masturbação é o grande hábito, o ‗vício primário‘, e que é somente
como sucedâneo e substituto dela que outros vícios – álcool,

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morfina, tabaco etc. – adquirem existência‖ (FREUD, 1897, p.


367).

Em minha experiência como terapeuta, desde 2012, em


comunidades para tratamento de dependência química, notei
exatamente como observou Freud em seus atendimentos, mais de
90% dos dependentes começaram com o vício da masturbação
antes do uso das drogas e do álcool. Além disso, em mais de 90%
dos usuários que passaram por tratamento e posteriormente
voltaram ao uso de drogas, suas recaídas se deram primeiro na
atividade sexual para depois utilizarem drogas e álcool, substâncias
que liberam doses maiores de dopamina.

O vício da masturbação altera o funcionamento normal de nosso


circuito de recompensa. Assim, atividades que produzem picos
ainda maiores de dopamina constituem tentações para novos
vícios.

Com a restrição do uso de drogas e álcool dentro das comunidades


terapêuticas, torna-se comum os internos alterarem seus vícios para
o uso de jogos, comidas de alto teor calórico e masturbação. Isso
ocorre porque seus circuitos de recompensa cerebral estão viciados
em altas doses de dopamina e qualquer atividade que a desperte
rapidamente se torna um vício.

Frohmader et al. constataram que ―a metanfetamina e a cocaína


ativam as mesmas células nervosas do centro de recompensa que
evoluíram para o condicionamento sexual‖ (FROHMADER et al.,
2010, p. 771-784). Podemos ver esse processo no momento do

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orgasmo de um viciado em pornografia, a ativação de áreas


cerebrais detectadas por tomografia são as mesmas áreas que um
usuário de opiáceos ativa durante o uso da droga (HOLSTEGE et
al., 2003, p. 9185-9193).

Figura 7: Comparação de cérebros sob efeito de droga, orgasmo e


normal.

NORMAL COCAINA ORGASMO

Fonte: HOLSTEGE et al., 2003, p. 9185-9193

É necessário frisar que existe grande diferença entre os processos


biológicos da excitação sexual antes e depois da ejaculação. A
diferença química entre estes dois é que a excitação sexual é o
resultado do aumento de testosterona, dopamina e norepinefrina,
enquanto a euforia experimentada durante o orgasmo está
relacionada à liberação de opioides endógenos e um grande surto
de dopamina. Assim, como os opioides endógenos, drogas como a
heroína promovem a liberação de surtos de dopamina que causam
euforia, reduzem o sofrimento da dor, mas causam a dependência
por afetar o centro de recompensa.

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Em outro estudo científico, descobriu-se que o sexo com


ejaculação encolhe, por uma semana pelo menos, as células que
liberam dopamina no circuito de recompensa. Essas mesmas
células nervosas também encolhem com a exposição à heroína
(PITCHERS, et al., 2014, p. 8825-8836).

Esse é mais um estudo que demonstra o ciclo do pós-orgasmo


gerando efeitos que levam à dependência, como a liberação de
opioides e picos de dopamina. Por isso, é tão difícil o adolescente
sair do vício da masturbação, pornografia e das drogas, pois todas
as outras atividades necessárias para uma vida de qualidade se
tornam chatas, pois não liberam os surtos de dopamina que se
tornam necessários para que esses jovens se sintam bem. Esse é o
efeito Coolidge se manifestando juntamente com programa
cerebral de reprodução, o instinto sexual reprodutivo sobressaindo
sobre os demais.

A atividade masturbatória modela no cérebro do adolescente o seu


estilo de sexo para o futuro e leva à busca frenética por altos picos
de excitação, construindo o que chamamos, erroneamente, de
comportamento sexual natural dos jovens. A excitação sexual é a
prioridade ―número um‖ da natureza e eleva a dopamina o mais
alto de todas as recompensas naturais.

Gráfico 5: Nível de dopamina entre os instintos.

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SEXO COMIDA PRESERVAÇÃO


fonte: o autor

Outros prazeres também ativam o centro de recompensa, mas de


forma menos intensa do que o sexo. Portanto, esses prazeres são
menos atraentes. Todos nós sabemos a diferença entre comer uma
alface e o prazer do orgasmo.

Então, quando o jovem descobre o prazer que a masturbação


proporciona, principalmente aliada à pornografia, este
comportamento se torna muito frequente, fato que em nossa cultura
é considerado normal e até saudável.

Mas, o grande problema em nossa sociedade são os referenciais de


sexualidade saudável, pois todos os modelos existentes são
produzidos através da média referencial do comportamento sexual
humano praticado atualmente, sendo que a maioria advém de uma
adolescência em que o estímulo sexual e os referenciais do que é a

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prática sexual são conduzidos principalmente pela pornografia e


pelo vício da masturbação.

Para o neurocirurgião e pesquisador Hilton Jr., o grande entrave


para se fazer pesquisas sobre o orgasmo na adolescência é a
dificuldade em se encontrar um grupo controle de jovens que não
praticam a masturbação, principalmente aliada à pornografia. Desta
forma, este comportamento e seus efeitos colaterais são
considerados algo natural na adolescência; é como achar que
câncer de pulmão é natural em todos os adultos, porque todos
começaram a fumar na puberdade. Os estímulos ocasionados pelo
excesso de imagens durante a fase de formação cognitiva causam
uma dessensibilização no sistema de recompensa do cérebro, que
passa a necessitar de cada vez mais estímulos para a excitação,
dificultando a compreensão do que seria o sexo inserido numa
relação afetiva saudável. Através da neuroplasticidade cerebral, o
cérebro do adolescente se adapta aos picos de excitação e desejo e
assim não consegue estabelecer uma ligação saudável entre carinho
e sexo, elaborando um padrão de comportamento que o
influenciará na sua conduta sexual na fase adulta (HILTON JR,
2013, p. 207-267).

A tendência é que com o uso da pornografia, o gosto sexual evolua


para cenas cada vez mais fortes e bizarras, para que assim possa
ocorrer o efeito novidade e novos picos de dopamina e opioides
sejam sentidos. Vivemos em um mundo muito distante de uma
relação de carinho e afeto sexual saudável para com o parceiro,
isso devido muito ao consumo cada vez maior de pornografia.

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Várias pesquisas comprovam que o gosto pela pornografia se


tornou "cada vez mais extremo ou desviante" (HILTON JR, 2013,
p. 207-267).

Garry Wilson, pesquisador e escritor, afirma que:

Sabemos que a dopamina desencadeia os eventos


neuroquímicos que causam alterações cerebrais
relacionadas ao vício. Mas, o interruptor molecular real que
inicia muitas das mudanças cerebrais duradouras é a
proteína DeltaFosB. Os surtos de dopamina desencadeiam a
produção da DeltaFosB. Em seguida, ela se acumula
lentamente nos circuitos de recompensa em proporção à
quantidade de dopamina liberada quando nos entregamos
cronicamente a recompensas naturais (sexo, açúcares,
gorduras altas, exercício aeróbico) ou praticamente
qualquer droga de abuso. DeltaFosB leva um mês ou dois
para se dissipar, mas as alterações que ela causa podem
permanecer (WILSON,2014, pos. 1469).

A adolescência é uma fase de desenvolvimento-chave durante a


qual os cérebros de mamíferos são preparados para adaptar seu
comportamento de acasalamento a indícios de excitação no meio
ambiente. As conexões neuronais se multiplicam aos 15 anos,
posteriormente, os cérebros começam a podar os circuitos não
utilizados, para ir se organizando até os 21 anos, durante este
período de reajuste vão se eliminando as conexões menos usadas e
reforçando as mais usadas, dentre as quais tem-se as acumuladoras
de DeltaFosB (PITCHERS, et al., 2010, p. 831-840).

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Figura 8: Crescimento e poda dos neurônios em diferentes idades.

Fonte: adaptada de: WILSON, 2014, pos. 1202.

O sistema de recompensa dos adolescentes reage duas a quatro


vezes mais a estímulos do que o dos adultos, pois produzem mais
Delta-FosB, por isso são mais vulneráveis para com os vícios do
que os adultos, apresentando mais dificuldade em dizer ―não‖, pois
seus lobos frontais, neocórtex, responsáveis pelo julgamento estão
em processo de maturação. Então, todo comportamento que
produza picos de dopamina fortalece essas vias neurais de uma
forma como se fosse uma trilha, que durante o tempo de uso se
transforma em uma grande estrada, larga e profunda. Por isso, é tão
difícil para os viciados saírem do caminho profundo do vício, pois

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são ―puxados‖ para o uso sem ao menos refletirem sobre seus


comportamentos. Assim, podemos afirmar, metaforicamente, que
os adolescentes possuem um cérebro com motor de Ferrari, mas
com freios de Fusca. A fase da adolescência é um tempo de
aprendizado por imitação e repetição, onde se cria um
condicionamento do comportamento que pode permanecer por toda
a vida adulta, como vimos anteriormente.

O que chamamos hoje de ejaculação precoce ou falta de controle


ejaculatório, pode ser um condicionamento de comportamento
criado na adolescência com a masturbação e que se perpetua ao
longo da vida. Cientistas provaram esse condicionamento sexual
em mamíferos através de um experimento com ratos, onde
apresentaram uma rata no cio para um rato virgem e rapidamente a
retiraram imediatamente após a ejaculação. Logo depois,
apresentaram outras ratas deixando-as por muito mais tempo. Mas
o rato macho jovem condicionou a ejacular rápido, mesmo tendo o
tempo necessário para a cópula. Já, outro rato que era normal e
mais velho passou pela mesma experiência e voltou a seu tempo
normal de ejaculação (PFAUS, 2012, p. 31-62).

Durante a masturbação é comum que a ejaculação ocorra muito


rapidamente, fazendo com que o jovem procure sentir essa
sensação cada vez mais rápido e com maior frequência, devido
também ao medo de ser descoberto pelos adultos. Com o advento
da internet rápida este problema tem-se manifestado cada vez mais
cedo, acometendo jovens que, em tempos pré-internet, nunca
apresentaram um grau tão grande de disfunções sexuais, apesar de

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que, a ejaculação precoce parece ser quase que uma regra, um


problema comum no universo masculino, mesmo antes da
pornografia, pois a média de duração do sexo antes da ejaculação
em 1948 era de 2 minutos (KINSEY; POMEROY; MARTIN,
1948), imagine em nossa época atual?

O pesquisador Wilson apresenta sua visão sobre o porquê de


nossas buscas frenéticas pelo prazer:

A possibilidade de se obter o maior prazer em menor


espaço de tempo é uma tática da natureza animal, onde o
consumo em excesso de alimentos ou de sexo sinaliza ao
nosso cérebro que atingimos o prêmio evolutivo [sistema de
recompensa]. Esse é um poderoso incentivo neuroquímico
para se ter vantagens evolutivas e garantir a sobrevivência
na selva. Pense em lobos que precisam arrumar até vinte
quilos de carne em uma única matança, ou em sua época de
acasalamento, onde dispunham de um harém para se
acasalar. No passado, tais oportunidades eram raras e
passavam rapidamente (WILSON, 2014, pos. 1448-1455).

Ao invés de nossa espécie evoluir no controle


ejaculatório/natalidade, fortalecemos mais a genética animal,
perpetuando essa falta de controle nos instintos para as novas
gerações. Além de a genética favorecer esse descontrole, temos o
condicionamento comportamental ao longo da vida.

Não só a ejaculação precoce pode ser um comportamento sexual


condicionado, mas também o gosto por fetiches, movimentos
rápidos, violentos, gritarias, palavrões, espancamentos, orgias,
submissão, parafilias, zoofilia etc. Tudo o que se tem nos filmes
pornográficos pode tornar-se parte do gosto de quem os consome,

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principalmente porque ver novas formas de sexo disparam mais


picos de dopamina devido ao efeito novidade (BROM et al., 2013).

Conforme pesquisa realizada por Spellar e Roger, quanto mais


cedo o jovem usar pornografia torna-se mais provável que tenha
contato com cenas de bestialidade ou pornografia infantil. Quanto
mais pornografia o indivíduo consome, maior a probabilidade de
ser bissexual (SPELLAR; ROGER, 2013).

O consumo de pornografia pelo público feminino é imensamente


menor que o masculino, e as mulheres que a consomem podem se
tornar doentes (IAN, 2014).

As mulheres que gostam da pornografia e masturbação, como


forma de chegarem ao orgasmo, podem adquirir depressão e
insatisfação com a relação sexual, assim como menos prazer físico
(CYRANOWSKI, 2004). Porém, sabemos que o orgasmo
produzido pelo ato sexual comum pode trazer malefícios para as
mulheres (KIM, et al., 2011).

Em minhas observações, através dos relatos dos pacientes,


verifiquei que a maioria de suas companheiras sexuais que
possuíam comportamento multiorgástico ou compulsão por sexo,
apresentavam temperamento extremamente difícil, sugerindo uma
associação entre esses aspectos.

Para Freud (1905) a mulher deve transferir sua libido do clitóris


para o interior da vagina, pois a incapacidade de sentir orgasmos
vaginais está associada à imaturidade psicossexual. Sabe-se que

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menos da metade dos orgasmos femininos se dão pela penetração


do pênis na relação e a estimulação clitoriana desde a adolescência
pode condicionar as mulheres a só sentirem prazer através do toque
do clitóris e assim dificultar a obtenção de prazer intravaginal. Na
verdade, hoje se sabe que 90% do clitóris está localizado atrás das
paredes vaginais, podendo ser estimulado na penetração
intravaginal.

Na prática de um sexo que favorece a ligação afetiva, o enfoque do


prazer se dá no aumento da sensibilidade intravaginal, com uma
expansão de prazer para todo corpo.

Capítulo 3 - Sexualidade saudável: restabelecendo o amor


e a saúde.

Falamos bastante sobre o programa de reprodução dos mamíferos,


agora abordaremos outra parte do instinto sexual, o programa de
ligação afetiva.

Vimos como o impulso de reprodução do instinto sexual é


avassalador e que, sem um controle racional sobre ele, a
afetividade ficará prejudicada devido principalmente ao efeito
Coolidge.

Um grande diferencial do programa de ligação afetiva em relação


ao programa de reprodução é que ele se beneficia do cérebro
racional, pois esse cérebro não é prejudicado com desequilíbrios
neuroquímicos como no programa de reprodução. Para ter uma

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eficiência nesse programa de ligação afetiva também é necessário


que haja sabedoria na condução do relacionamento.

Se o programa de reprodução produz o efeito de acomodação, o


programa de ligação afetiva proporciona a harmonia entre o casal,
em que se estabelece o vínculo afetivo através de comportamentos
que alteram uma parte específica do circuito de recompensa
humano. Marnia Robinson afirma que o programa de ligação
afetiva evoluiu para a interação familiar, através do carinho do
toque, escuta, olhos nos olhos, que são comportamentos que
aumentam o vínculo afetivo em qualquer situação. Quando há uma
diminuição desses comportamentos afetivos - que Marnia chama
―infantil-cuidador‖ - inevitavelmente as ligações afetivas
enfraquecem, principalmente entre os casais (ROBINSON, 2009,
pos. 5539-5561).

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Figura 9: Os dois programas do instinto da sexualidade.

Fonte: o autor

É por isso que quando há afeto entre um casal, a linguagem infantil


(falar como uma criança) é cotidiana na relação, devido a essa
ligação instintiva infantil–cuidador. O protagonista da relação de
afeto é a ocitocina, o neuroquímico do amor produzido por esses
comportamentos de ligação.

Juntamente com a ocitocina, está a dopamina que nos faz sentir


interesse um pelo outro, mas para que esse desejo não se
enfraqueça ao longo do tempo, devemos obter ocitocina de uma
forma que não provoque uma queda na dopamina, como acontece
no sexo com orgasmo.

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Ligações emocionais estáveis necessitam de ocitocina e dopamina.


O orgasmo faz com que a dopamina oscile no circuito da
recompensa, desestabilizando essas ligações. Sabe-se que uma
amígdala rica em ocitocina mantém a dopamina nos circuitos de
recompensa, fazendo com que o companheiro lhe pareça sempre
agradável (MURRAY, 2007, p. 489-497).

A ocitocina traz inúmeros benefícios para o corpo humano, como


menor índice de doenças, melhor imunidade, cicatrização,
neutralização da ansiedade, depressão, medos e vícios. Ela também
é a grande promotora de uma união estável e saudável,
diferentemente dos altos e baixos da dopamina que induzem a
emoção e nos coloca em alta velocidade. Quando estamos
estimulados com muita dopamina, as células nervosas diminuem
sua sensibilidade a ela, criando uma condição que favorece o vício.

A ocitocina é diferente da dopamina, pois tem um efeito oposto.


Quanto mais ocitocina for produzida, mais sensíveis serão algumas
células nervosas, pois expressam receptores extras de ocitocina
(BEETS et al., 2012).

A ocitocina é considerada, pela ciência, como sendo o hormônio do


amor. Vemos que para o amor não existe limites, por mais que
você ame seu companheiro ou o próximo, sempre haverá mais
espaço para amar. Lembrando que amor é diferente de apego, pois
não escraviza, não traz dependência, mas sim liberta e
complementa. O amor não pode ser explicado somente pelo

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balanço neuroquímico, mas essas alterações podem trazer efeitos


que só agora estamos começando a compreender melhor.

Na atualidade, todos os estudos indicam que não adianta


administrar ocitocina na forma de um fármaco visando aumentar o
amor e prazer sexual, pois são benefícios que se tem somente de
forma natural, quando se trabalham os comportamentos saudáveis
para a vida.

Quando deixamos de perseguir o orgasmo como meta para a


relação sexual e priorizamos os toques de carinho, conseguimos
permanecer por mais tempo na fase de platô. Dessa forma,
podemos apreciar o prazer do ato sexual por muito mais tempo,
onde novas sensações serão sentidas e expandidas para mais locais
do corpo, como veremos nos capítulos seguintes.

Figura 10: Demonstrativo das formas de sexo

Fonte: o autor

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O prazer na vida conjugal e na relação sexual do casal que pratica


comportamentos de ligação torna-se algo natural e constante. Mas,
para compreendermos melhor como este programa de ligação
afetiva funciona, devemos voltar, novamente, ao início da
sexualidade, na adolescência.

3.1 - Nosso corpo foi criado para o carinho, para o amor


primordial!

É muito comum notar em nossa sociedade o conceito de que é


natural o comportamento sexual do adolescente, sendo até saudável
o ato da masturbação, como forma de conhecimento do próprio
corpo. É bem verdade que a masturbação na adolescência será uma
prática quase que inevitável, mas pelo que observamos até agora,
não parece tão saudável assim.

Na descoberta de alguns povos nativos, na América do norte e em


outras partes do mundo, verificou-se que era quase inexistente a
prática da masturbação, demonstrando que não é um ato natural do
ser humano e sim um comportamento condicionado de uma
sociedade doente que não possui uma educação adequada, muito
menos a sexual (KELLOGG, 1881).

Em muitas tribos americanas também havia o costume de o casal


não se relacionar sexualmente após o casamento por até um ano,
pois assim provariam que não se casaram por causa da luxúria
sexual, mas sim por admiração e amizade. O motivo geral para
encorajar a abstinência depois do casamento era para evitar o

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nascimento de crianças durante o primeiro ano de relacionamento,


caso o casal provasse incompatibilidade. Normalmente, os
divórcios indígenas para casais sem filhos eram fáceis e não tinham
nenhum estigma associado (BROBERG, 1984).

Quando se tem conhecimento do próprio corpo e sabedoria para


lidar com os seus instintos, tudo na vida se torna mais fácil, mas
para que isso aconteça é necessário termos uma visão holística do
corpo humano.

Até mesmo se observarmos a estrutura biológica de nossos corpos,


notaremos que o desenvolvimento do estímulo sexual e sua
compreensão psicológica deveriam ser algo tranquilo, progressivo
e amadurecido, nos levando a uma compreensão mais profunda do
significado dos comportamentos puramente instintivos para os de
caráter espirituais.

Por exemplo, notemos a genitália masculina que possui o prepúcio


(pele) que nasce colada na glande do pênis. No caso da genitália
feminina tem-se o hímen, uma prega formada por membrana
mucosa e que fecha parcialmente o orifício externo da vagina
virginal. Tanto a tentativa de descolar o prepúcio da glande
masculina, quanto de romper o hímen feminino gera dor e
desconforto, nos dizendo que ali não é para ser mexido fora de
hora. Deus é muito sábio no que faz, nós é que não percebemos!

Somente na transição da adolescência para a fase adulta, quando o


corpo estiver pronto para a atividade sexual, a glande do pênis
deveria ser progressivamente descoberta pelo prepúcio e o hímen

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deveria ser aos poucos rompido, lentamente e progressivamente,


nas primeiras experiências sexuais.

Vemos que esse descolamento e a ruptura deveriam ser


algo progressivo e natural, não sendo forçado precocemente como
vemos na atualidade, conforme orienta Padre Léo:

A Bíblia nos mostra que o corpo masculino foi feito para o


feminino e vice-versa. Deus fez tudo perfeito. O pênis foi
feito para a vagina, e esta por sua vez foi delicadamente
preparada para o pênis. A intimidade sexual precisa
favorecer o encontro desses dois órgãos, que expressam e
manifestam o amor. Infelizmente, da forma como muitos
vivem a sexualidade, parece que o pênis foi feito para
agredir a vagina, pois a relação sexual passa a ser a
reprodução de um movimento rítmico visando
exclusivamente o prazer masculino. Se o corpo foi
preparado para a relação sexual, não existe a menor
necessidade desse movimento. Aliás, o movimento rítmico
masculino é consequência da masturbação. Como o menino
aprende que a masturbação é boa – o que não é verdade, ele
acaba condicionando o prazer peniano ao movimento de
fricção da glande... Quando o pênis a invade com violência,
a vagina se retrai, tornando-se rígida e assumindo uma
postura de defesa. O que era para ser um encontro amoroso,
bonito, gostoso e abençoado, acaba sendo uma invasão fria
e provocadora de feridas (LÉO, 2015, p. 67).

Imaginemos, agora, um exemplo de aprendizado sexual: dois


adolescentes, ou quase adultos, se conhecem e começam a se
gostar. A partir de uma educação sexual aprendem que a relação ou
o toque em seus órgãos sexuais deve acontecer, somente, após o
casamento e que antes devem praticar somente carícias moderadas
e trocas de afeto.

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A partir de técnicas ensinadas por um casal experiente (veremos


mais adiante essas técnicas), após a união matrimonial, o novo
casal iniciará as suas relações sexuais de uma forma mais tranquila
e natural, pois o contato de seus órgãos sexuais virgens não
propiciará a realização de movimentos rápidos e bruscos por causa
da sensibilidade que poderá evoluir para dor.

Dessa forma haverá o aumento gradual da adaptação à


sensibilidade do encontro de seus órgãos sexuais, tanto na ruptura
do hímen quanto no descolamento do prepúcio. Essa prática
fortalecerá os comportamentos de carinho e afeto, condicionando-
os como sendo essenciais para uma atividade sexual prazerosa, ao
longo do tempo.

Essa adaptação dos órgãos genitais para o início da prática sexual


também ocorre depois da prática da circuncisão, quando essa se dá
durante o rito de casamento, como veremos com mais detalhes
adiante.

Assim, os jovens poderiam aprender com muita facilidade ao longo


do tempo, o controle de sua tensão sexual, prevenindo o
esfriamento amoroso da relação ocasionado pelo efeito Coolidge
provocado pelo orgasmo. Consequentemente, com o tempo, o
rapaz controlaria a sua ejaculação, conquistando a arte de dar
prazer a sua esposa e também o domínio do controle da natalidade.

Desta forma, as conexões neurológicas de seus cérebros fariam


ligações afetivas saudáveis, associando carinho, passividade e
atenção na relação sexual do casal, afastando de forma eficaz as

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possibilidades de disfunções sexuais ocasionadas pelo descontrole


neuroquímico e suas sequelas.

Na atualidade, temos algumas iniciativas de pessoas, como a da


educadora e palestrante Janet McGeever, que se esforçam para
passar o conhecimento sobre uma sexualidade saudável para os
jovens, de uma forma que compreendam a linguagem expressa
pelos seus corpos (MCGEEVER, 2013).

Muitos dirão que este caso hipotético é uma forma de utopia. Mas,
com uma maior observação da natureza de nossos corpos,
notaremos uma pré-disposição a este comportamento. É claro que
existe a luta constante do homem em se desvencilhar de sua
característica animal e de seu opressor programa de reprodução,
que possui características únicas para cada pessoa. Então, para que
uma mudança de hábito aconteça, será necessária uma consciência
de si, fé e o auto sacrifício para a transformação.

Para a terapeuta e escritora Diana Richardson,

O estilo de sexo que conhecemos é uma condição


adquirida, e não é necessariamente como nascemos para
estar no sexo. Este condicionamento inconsciente alterou
nossas mentes e nossas psiques, e penetrou as células do
nosso corpo. O impulso do orgasmo nos mantém
firmemente presos a ele, quase como se estivéssemos sob
um certo feitiço, e por isso que é virtualmente impossível
conceber outro estilo de sexo, especialmente quando
ficamos um pouco mais velhos e mais estabelecidos em
nossos caminhos sexuais. Minha observação até agora tem
sido que os jovens casais (de dezoito a trinta anos) que vêm
aos nossos seminários são visivelmente mais abertos para
explorar e encontrar novas formas de amar, do que casais
em seus quarenta, cinquenta e sessenta anos, que são mais

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identificados com a forma cotidiana (RICHARDSON,


2011, pos. 1184,1190).

Na história da humanidade, surgiram técnicas e práticas, em várias


culturas do mundo, com o intuito de se desenvolver uma
sexualidade baseada em vínculo. Apresentamos a seguir essas
técnicas de sexualidade, que possuem uma abordagem que
contribui para uma atividade sexual que visa o vínculo e o
desenvolvimento do programa de ligação afetiva.

3.2 - Método karezza: sexo lento baseado no afeto e


controle da tensão sexual.

A palavra "Karezza" foi criada a partir do termo


italiano "carezza" que traduzido para o português tem o
significado de ―carinho‖. Trata-se de um método criado pela
obstetra e ginecologista de Chicago, Alice B. Stockham (1833-
1912), uma entusiasta lutadora por uma reforma conjugal e
sexual. Stockham foi uma pioneira no ramo da medicina, sendo a
quinta mulher nos EUA que obteve o diploma médico.

Além de sua especialidade em ginecologia e obstetrícia, ela estava


envolvida em caridade e interessada em temas voltados para a
espiritualidade. Ela também praticou homeopatia, lutou contra o
alcoolismo, sendo uma feminista ativa e sufragista. Em 1886 ela
publicou um livro só para as mulheres, com várias edições e
traduções, sobre a saúde feminina: Tokology.

Leo Tolstoi, o grande escritor russo e amigo de Stockham, ficou


tão impressionado com essa obra que iniciou uma tradução do livro

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para o Russo, escrevendo seu prefácio. Ele apoiou, de forma


apaixonada, a abordagem da autora.

O que motivou Stockham a promover uma nova técnica sexual foi


o fato de observar que muitas de suas pacientes estavam exaustas
das muitas gestações, abortos e da incapacidade de dar atenção
adequada a seus filhos. Ela, corajosamente, defendeu o uso de uma
prática anterior: a técnica da continência masculina durante o
casamento para desencorajar a gravidez indesejada. Essa defesa
acabou trazendo conflito com as leis que proibiam a promoção do
controle de natalidade. Sobre a continência masculina falaremos
posteriormente.

Stockham foi contra uma convicção generalizada, em sua época, de


que as mulheres deveriam ser legalmente forçadas a participar do
sexo ejaculatório. Em 1896, ela publicou sua primeira edição de
Karezza: Ética do Casamento; no qual explicava que fazer amor
sem orgasmo produz um fortalecimento conjugal, tanto para o
marido quanto para a esposa, sentindo a necessidade de se manter
maior carinho entre os amantes, proporcionando também um maior
controle da natalidade, e que, se o casal decidisse em ter filhos,
esses seriam mais saudáveis. Ela relata que homens e mulheres
devem estar tão dispostos a aprender a lei da expressão sexual
quanto a estudar qualquer outra ciência da vida ou qualquer lei da
natureza.

Para Stockham, o sexo deve acontecer sem fadiga ou inquietude, o


contato físico deve ser acompanhado por expressões de afeto e

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carinho com calma e, preferencialmente, em momentos


previamente combinados entre o casal. Ela descreve que durante o
sexo Karezza há uma união não somente física, mas também
espiritual, acompanhada por uma sensação maravilhosa de
plenitude, isso se o desejo que leva ao orgasmo for evitado
(STOCKHAM, 1903, p. 7, 25, 32).

Na prática do método Karezza, as preliminares são fundamentais e


muito diferentes do usual, pois o estímulo para os órgãos sexuais
não vem de sua excitação manual ou direta, mas sim de um
sentimento natural de carinho e atenção que brota de seres
inseridos em uma relação afetuosa de amor.

Através de processos semelhantes às técnicas para tratamento de


disfunções sexuais, o método prolonga momentos de intimidade
até o momento em que os amantes tenham capacidade psicológica
para tentarem a penetração. A partir deste ponto, inicia o ato como
uma dança erótica, o cavalheiro conduz a dama através de
respirações profundas e tranquilas, acompanhadas de uma
penetração com movimentos lentos e compassados através de
posturas que mantenham sempre os corpos juntos e não somente o
contato dos órgãos sexuais.

No âmbito das técnicas contemporâneas de tratamento das


disfunções sexuais, a prática Karezza pode ser utilizada como uma
forma de terapia sexual que preza a dessensibilização dos órgãos
sexuais em favor de uma sensibilização afetiva em outros pontos
eróticos do corpo. Segundo Oswaldo Martins Rodrigues Jr.,

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terapeuta sexual e diretor do Inpasex (Instituto Paulista de


Sexualidade), Karezza ou carícia, não é muito conhecida no Brasil,
pois a população do Ocidente não consegue mudar o padrão de
busca pelo orgasmo (DINIZ, 2015). O sexo, na maioria das vezes,
serve como um tipo de descarga e, consequentemente, termina com
o clímax.

Esse é o diferencial do método Karezza em relação a outras


terapias para o tratamento das disfunções sexuais como a Terapia
Racional-Emotiva, Terapia de Grupo Sexual, Intervenção
Educacional e Dessensibilização Sistemática em que os pacientes
acabam voltando o foco sensorial para seus órgãos sexuais após a
penetração, retornando sempre a esse padrão nas relações futuras.
O problema com as terapias tradicionais é que elas não eliminam a
tendência de buscar a sensação orgástica, permanecendo como uma
meta a atingir, um condicionamento do comportamento de outras
relações devido à compulsão na busca desta sensação orgástica.
Compulsão que foi criada pelos caminhos neuronais modificados
pela proteína DeltaFosB em experiências sexuais anteriores, como
citado no capítulo 2.3.

Essa recaída no comportamento orgástico está bem clara e


documentada nos inúmeros relatos dos dependentes de pornografia
que, em seu período de abstinência ou reboot, devem permanecer
também sem atividade sexual pois, mesmo que neste período não
estejam consumindo pornografia, quando têm relações sexuais
comuns, os mesmos antigos circuitos, que disparam a compulsão,
são ativados. Para se ter êxito, necessita assim de um bom tempo

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de abstinência sexual para que estas conexões possam se


enfraquecer e ao mesmo tempo, outras conexões saudáveis se
formem.

O pesquisador Gary Wilson cita em seu livro Your Brian On Porn


(Seu Cérebro Na Pornografia) que:

[...] tradicionalmente, tanto os homens quanto as mulheres


assumem que o aumento do calor sexual é a solução para a
lentidão sexual em um parceiro. No entanto, aqueles com
disfunção sexual relacionada com pornografia geralmente
acham que eles se curam mais rápido se permitirem que sua
libido reflita naturalmente (WILSON, 2014, pos. 2412).

A partir do exposto, pode-se deduzir que tanto a pornografia como


o sexo comum não são diferenciados pelo cérebro e, portanto,
ocorre o mesmo processo de dessensibilização cerebral. Diferente
de uma busca no alívio do estresse através do sexo, os praticantes
de Karezza buscam um sexo de qualidade onde o cansaço mental,
emocional e físico não esteja presente.

Mesmo tendo raízes em práticas sexuais antigas, como veremos


mais adiante, o método de Stockham tem conquistado cada vez
mais adeptos na atualidade, isso devido ao efeito renovador do
carinho sobre a saúde psicológica, biológica e sexual dos
praticantes.

Em seu artigo sobre o método Karezza, publicado na página da


UOL, a jornalista Diniz (2015) cita as palavras do sexólogo Dr.
Osvaldo Rodrigues Jr. ―[...] com o tempo, a prática de Karezza
pode ser grande aliada de homens que sofrem com a ejaculação

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precoce, por exemplo, e outras disfunções sexuais‖. Técnicas


semelhantes têm sido utilizadas nos últimos 60 anos para o
tratamento dessas disfunções de modo a validar a ideia de que o
prazer não depende do orgasmo.

Assim, o método Karezza tem a intenção de proporcionar uma


sensação de ampliação do sentimento inicial de carinho,
ocasionando um foco sensorial que abrange os órgãos relacionados
com as emoções. No caso dos homens, exceto aqueles acometidos
por uma frigidez sexual, não é necessário um enfoque sensorial
específico no órgão sexual, pois ele acontece naturalmente e deverá
ser despertado por sentimentos de afeto e carinho, como detalha
outro pesquisador do assunto, J. William Lloyd em seu livro ―O
método Karezza, a arte do amor conjugal‖, nessa obra o autor
afirma que:

A verdadeira Karezza requer exercícios mentais


preparatórios. Primeiro, requer a compreensão e a
convicção de que o lado espiritual, acariciador e terno da
relação é muito mais importante, muito mais gerador de
prazer que o lado meramente sexual, e que durante toda
relação, o lado sexual deve ser subordinado a esse lado
amoroso como seu instrumento, seu agente, seu
alimentador. O sexo realmente é necessário para dar a sua
contribuição para o deleite, mas estritamente sob a
liderança do amor e para a glória do amor. Em segundo
lugar, requer a compreensão e a convicção profunda de que
nesse tipo de deleite de amor o orgasmo é uma
inconveniência, um matador de alegrias, um acidente
inoportuno e tosco, que põe fim na relação, por isso mesmo
o mais indesejado. Requer em terceiro lugar, uma
compreensão da lei psicológica de que todas as emoções
são possíveis de serem ―sublimadas‖ num âmbito amplo e
isso se expressa numa diferente direção e com referências a

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um outro objeto além do primeiro pretendido (LLOYD,


1990, p. 34).

Como já mencionamos antes, este sentimento de amor calmo e


gratificante que a ocitocina produz, enquanto cultivado, não possui
limites na relação de pares. O importante é manter comportamentos
que gerem afetos e que afastem a acomodação.

Pode-se dizer que a prática Karezza é a continuação das


―preliminares‖, mas agora com a penetração. É um sexo com
movimentos lentos ou, às vezes, até sem movimentos, usando
somente a respiração para controlar a tensão sexual.

Diana Richardson; autora de vários livros sobre sexualidade nos


diz em seu livro ―Sexo lento‖, de forma bastante semelhante à
Karezza, que:

Ao tirar velocidade e estresse do ato sexual, removemos a


pressão de desempenho que acompanha o preenchimento
das expectativas e o alcance de metas. Permite-nos tempo e
espaço para a experiência, no sentido de poder estender a
união como uma questão de escolha. A abordagem lenta no
sexo age como um ―remédio‖ que é facilmente capaz de
resolver e curar muitos problemas sexuais e os ferimentos
que causam infelicidade, separação e insegurança no longo
prazo (RICHARDSON, 2011, pos. 320).

Richardson enfatiza a importância de iniciar um ato sexual


relaxado, sem movimentos rápidos que causam stress, pois:

Com o relaxamento, a ejaculação pode ser facilmente


adiada. O esforço e a estimulação necessários para atingir o
orgasmo desaparecem, o resultado é que todo o sistema
relaxa e o corpo é então capaz de ser mais presente. Se você
quiser evitar a ejaculação precoce, então deixe cair a ideia
de que o orgasmo é central para o sexo. Diminuir os

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movimentos reduzirá automaticamente o nível de excitação,


o que é uma coisa boa; é o que queremos. Mesmo se um
homem sofreu da ejaculação precoce toda a sua vida, os
milagres são definitivamente possíveis quando uma atitude
sexual relaxada é adotada (RICHARDSON, 2011, pos.
368).

Richardson, também, enfatiza que a busca pelo orgasmo gera


sempre ansiedade, pois posterga uma felicidade para o futuro e
assim não vivenciamos os mínimos detalhes e a sensibilidade nos
pequenos toques e movimentos que o momento presente e a
lentidão nos proporcionam.

Hoje está cada vez mais comum as mulheres preferirem relações


sexuais que não levam ao orgasmo masculino, e existe até um
fórum feminino que discute sobre o assunto (FORUM, sd). Desta
forma sentimos outros tipos de prazer, ou melhor, um êxtase na
prática sexual, algo muito mais profundo do que um prazer
momentâneo que se torna apático ao longo do tempo.

O sexo lento é uma evolução da condição humana, pois os animais


fazem sexo rapidamente por causa do ciclo do cio e da competição.
Já os humanos não estão sujeitos a essas circunstâncias, somos
criados para que tenhamos um sexo muito mais para o amor entre
os casais do que para somente reprodução (RICHARDSON, 2011,
pos. 287). Só que, infelizmente, a humanidade age muito mais pela
impulsividade do instinto do que pela arte de dominá-lo.

Marnia Robinson diz que a arte na condução do sexo é como


encher um balão, bem devagar, nunca o deixando estourar
(orgasmo) para que depois ele possa esvaziar-se tranquilamente.

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Alice Stockham relata que controlar a tensão sexual é como um


barqueiro que rema contra a corrente, próximo à cachoeira. Sua
habilidade está em navegar em águas calmas sem se aproximar
muito da queda, aonde a correnteza irá te apanhar!

Podemos perceber, assim, que o controle na arte do amor é como


domar um cavalo selvagem, só com o tempo e com a técnica é que
se consegue tirar o melhor proveito. No site [Link]
existem várias dicas e relatos de praticantes do método Karezza ou
sinergia como eles também o chamam. Veja, também, em
[Link]/r/karezza. No capítulo 6 entregaremos mais orientações
acerca dessa maravilhosa técnica.

Os benefícios ou as vantagens dessa prática em relação ao sexo


comum talvez sejam muito mais do que apenas a manutenção e
ampliação da afetividade do casal, mas além disso, auxiliar na
condição de um ser que busca uma transcendência espiritual. O
método Karezza não é essencialmente uma prática sexual do século
XX, mas sim algo com raízes muito mais antigas na humanidade.

Nos próximos capítulos veremos o poder transcendente dessa


sexualidade em relação ao desenvolvimento humano em seus
aspectos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais, ao longo da
história humana.

3.3 - A sexualidade casta no decorrer da história.

Mesmo que tenhamos uma estrutura biológica que favorece uma


sexualidade tranquila, a natureza instintiva do ser humano com sua

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tendência à animalidade ou ao pecado (numa linguagem religiosa),


nos leva ao desafio de buscar com sacrifício a transcendência em
todos os sentidos; saindo de um comportamento animal instintivo
para o comportamento de um ser em busca de transformação.

Assim, ao longo da história, temos relatos do comportamento


sexual humano que expressam ambos os lados, no entanto e –
infelizmente, o comportamento reprodutivo comum tem
preponderado em detrimento do transcendente. Ainda assim, por
meio de um olhar imparcial, analítico e sem preconceito,
poderemos entender como alguns grupos humanos utilizaram essa
forma de sexualidade saudável para promover uma qualidade de
vida melhor.

É importante frisar que não estou promovendo outros aspectos das


religiões que citarei aqui, mas apenas o carácter da sexualidade e
seu papel como ferramenta de ligação entre o casal e a Deus. Uma
prática sexual que por natureza leva à castidade, pois proporciona
que o amor e a saúde aumentem entre o casal.

As referências que expomos a seguir neste livro visam apenas o


conhecimento de traços do que podemos nomear de ―sexo casto‖
espalhados ao redor do mundo – denominamos sexo casto como
sendo a prática sexual sem o orgasmo comum e praticado por
casais que visam o amor conjugal como ferramenta de crescimento
espiritual. No entanto, a citação desses conteúdos com valor
histórico não avaliza os rituais que porventura tradições ao redor
do mundo utilizaram ou ainda utilizam com a prática sexual.

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Devemos ter em mente que o ser humano possui comportamentos


naturais de seu instinto, como alimentação, preservação (práticas
de bem estar, atividades físicas etc.), e sexualidade que permeiam
todos os demais. Não importa onde ele esteja no mundo, qualquer
ser humano desempenha essas funções, que são também
influenciadas pela cultura na qual esteja inserido.

Para além dos componentes instintivos, as diferentes culturas


desenvolveram comportamentos e hábitos com intuito de obter
melhor equilíbrio físico e mental. Por exemplo, a alimentação
mediterrânea, baseada nos alimentos disponíveis naquela região,
tem-se mostrado uma poderosa ferramenta para manutenção e
recuperação da saúde; a meditação é uma ferramenta utilizada por
algumas culturas com o objetivo de silenciar a agitação da mente,
mantendo ou recuperando o equilíbrio psicológico. Infelizmente,
em muitas culturas, essas técnicas têm sido revestidas de uma
roupagem religiosa, por meio da ritualização, o que faz com que
esses conhecimentos sejam vistos como sendo exclusivos de
determina religião.

Atualmente, temos a técnica de meditação chamada Mindfulness


que é mundialmente usada por empresas, escolas, profissionais de
saúde etc. Essa técnica não possui nenhum vínculo com qualquer
instituição religiosa.

Da mesma forma acontece com a devoção, é inata ao ser humano a


necessidade de se ligar ao transcendente, a algo maior do que ele,
que zele por sua integridade, que sacie suas dúvidas, elimine suas

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angústias e dores, que seja uma fonte de esperança no futuro e uma


força maior do que a do próprio homem. As religiões adequaram
seus ritos e práticas para atender a tais necessidades.

A castidade é a forma primordial da sexualidade humana, aquela


que Deus criou para os humanos antes do pecado, como uma forma
responsável de controle da tensão sexual, afetividade e reprodução.
O que várias culturas ao redor do mundo fizeram foi implementar
suas concepções religiosas e culturais sobre o instinto da
sexualidade, que originalmente tinha uma função casta, mas que,
com o mau uso, prevaleceu e se perpetuou a função reprodutiva
animal.

Busco, dessa forma, trazer ao conhecimento geral que a prática do


sexo casto poderia ser a prática primordial ou a base de uma
sexualidade saudável ao redor do mundo, mas que, infelizmente,
foi deixada de lado pela maioria devido à falta de conhecimento e
controle dos instintos.

Poderíamos ter no passado – e acredito que tivemos - instrutores da


arte do amor que auxiliavam jovens casais nessa maravilhosa
comunhão entre duas pessoas.

Quando se pensa na sexualidade sagrada no mundo antigo,


inevitavelmente nos vêm à mente os povos do Oriente.
Diferentemente dos ocidentais, que foram doutrinados de que o
sexo sem pecado é só para reprodução – conceito que não exprime
a verdadeira mensagem Cristã - alguns grupos do Oriente possuem
o entendimento de que é possível praticar uma sexualidade

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saudável que vise a saúde integral do ser humano, sem a existência


do pecado.

O avanço do estudo da sexualidade contemporânea pela Psicologia


e técnicas terapêuticas, se deu pelo conhecimento de textos antigos
que trazem esse resgate de uma sexualidade transcendente.

Ainda temos muito que aprender com o Oriente, o grande Jung já


dizia que ―O estudo da sexualidade que para nós nasceu em Viena
e na Inglaterra, encontra na Índia modelos bem superiores‖ (JUNG,
2011, p.101-102).

Veremos a seguir, como em algumas regiões da terra, a


sexualidade possuía características de integração nos quesitos
amor, espiritualidade e saúde. Condições humanas que são
inseparáveis e interdependentes.

Tanto no Antigo Oriente como no final do século IX e início do


XX no Ocidente (como veremos nos capítulos posteriores),
médicos propunham que a atividade sexual casta transmutava essa
energia reprodutiva para uma forma regenerativa, através dos
hormônios ou fluidos sexuais para todo corpo, proporcionando
uma condição de rejuvenescimento.

Quando falamos em saúde e vigor físico, inevitavelmente temos


que falar em equilíbrio hormonal, pois não é por acaso que a
palavra hormônio significa ―força do ser‖ e nos dias de hoje
sabemos muito sobre o papel que eles exercem na vitalidade e
rejuvenescimento do corpo.

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Já aprendemos muito sobre como o equilíbrio dos neuroquímicos


no corpo auxiliam a saúde plena do ser humano, mas falta muita
coisa a se descobrir pela ciência sobre os benefícios do sexo casto,
principalmente quando analisamos os relatos antigos e seus
extraordinários depoimentos.

Quando falamos de sexualidade oriental, inevitavelmente vem à


nossa mente o sexo tântrico e suas escolas vendedoras de prazer e,
também, os manuais ―acrobáticos‖ do Kama Sutra que se
encontram em bancas e sites de revistas populares. Infelizmente, na
atualidade é comum deturpar os antigos conhecimentos sexuais
para transformá-los em bens de consumo e lucratividade.

Mas, se fizermos uma pesquisa séria, podemos compreender a


essência desses ensinamentos, como na tradição milenar da Índia e
do Tibet chamada Tantrayana, sendo uma técnica de controle da
tensão sexual e melhor aproveitamento dos hormônios presentes
nos fluxos sexuais. Essa é uma técnica que se diferencia do sexo
comum ou ordinário, como eles o denominam. Nas palavras do
Dalai-Lama:

A diferença majoritária entre os dois tipos de ato sexual


está no controle do fluxo dos fluidos regenerativos. Os
praticantes do Tantrayana devem ter controle sobre o fluxo
de seus fluidos, e aqueles que possuem grande experiência
são capazes de reverter a direção deste fluxo, mesmo
quando ele tenha atingido a extremidade dos genitais.

Nunca se deve deixar a energia sair. Esta energia deve ser


controlada e direcionada para as outras partes do corpo. O
que se requer do praticante de Tantra é desenvolver a
capacidade para utilizar as faculdades próprias do gozo e da
experiência estática que são especificamente geradas

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Sexo Casto - Sandro Paiva

através do fluxo dos fluidos regenerativos dentro de seus


próprios canais de energia. É crucial ter a capacidade de
proteger a si mesmo do erro da emissão. Não se trata,
justamente, de um ato de pura sexualidade ordinária
(LAMA, 1997, p. 178).

O que o Dalai-Lama nos parece dizer é como o controle da


reprodutividade nos pode trazer benefícios para o corpo, através de
uma saúde hormonal que ele chama de energia regenerativa, que
percorre todo o corpo pelos ―canais‖, os caminhos que levam os
hormônios das glândulas para os órgãos correspondentes, para que
haja um perfeito funcionamento do corpo em si.

Podemos observar como essa tradição sexual existente no Tibet e


na Índia nos remete a uma sexualidade que visa à vitalidade do
corpo humano através do redirecionamento dessa energia vital que
o ato sexual nos proporciona. O Dalai-Lama chama esse prazer de
―gozo especial‖, sendo um prazer que migra do caráter reprodutivo
para o regenerativo e afetivo.

No século oitavo, um Buda feminino, Yeshe Tsogyal, enfatizou


que as mulheres também devem controlar as suas energias sexuais,
assim como os homens precisam controlar sua ejaculação, se
quiserem almejar progresso espiritual. Aconselhando uma mulher,
ela diz:

Pratique com perfeição a habilidade de reter sua essência-


semente. Esteja atento aos obstáculos e poderes hostis [seus
egos, defeitos, vícios]. Se a samaya [passividade] é
prejudicada, lute para restaurá-la. Não se deixe cair nos
velhos hábitos [de luxúria e orgasmo]. Ou você se tornará
como homens e mulheres comuns [que não controlam seus
instintos] (TSOGYAL, sd).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Há também na China registros milenares de práticas sexuais


semelhantes ao sexo casto e aos propósitos do Tantrayana. No
livro; ―O Segredo da Flor de Ouro‖, atribuído a Lü Dongbin, um
estudioso e poeta chinês no final da dinastia Tang 618 – 751dc, que
fora traduzido por Richard Wilhelm, com comentários de Jung, nos
traz relatos interessantes sobre a força dessa sexualidade:

[...] Mas todo homem que se une corporalmente a uma


mulher, primeiro sente prazer e depois, amargura; quando a
semente escorreu, o corpo se sente cansado e o espírito,
abatido. Algo bem diverso ocorre quando o adepto permite
que o espírito e a força se unam. Isto dá primeiro pureza e
depois frescor; quando a semente transmuta, o corpo se
sente bem e livre.

[...] Um velho adepto dizia: ―Antigamente todas as escolas


conheciam esta joia, só os tolos não a compreendiam
totalmente‖

[...] Por isso, todos os sábios iniciaram seu trabalho pela


vesícula germinal, na qual cessa a efluxão [ejaculação].
Quando não se estabelece esta senda [caminho do sexo
casto], mas outras coisas em seu lugar, tudo é inútil. Por
isso, todas as escolas e seitas que ignoram estar na vesícula
germinal o princípio soberano de consciência e vida,
procurando-o fora, não conseguem encontrá-lo, apesar de
todos os seus esforços (JUNG, 1983, p. 120-121,125).

O grande escritor chinês contemporâneo, Mantak Chia, autor de


vários livros sobre sexualidade chinesa, cita em um de seus livros
que esse conhecimento sobre a perda de energia pelo orgasmo
comum é antiquíssimo,

[...] há 5.000 anos, Peng Tze, um conselheiro sexual do


famoso Imperador amarelo, disse: Após ejacular, o homem
fica cansado, seus ouvidos zunem, suas pálpebras pesam e
ele deseja ardentemente dormir. Ele tem sede e seus
membros parecem fracos e tensos. Ao ejacular, ele usufrui

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Sexo Casto - Sandro Paiva

de um breve momento e depois sofre um longo período de


exaustão (CHIA; ARAVA, p. 28).

Chia menciona que as lendas chinesas falam de uma época de ouro


quando todos os homens viviam em harmonia com a natureza e
transmutavam sua semente tão naturalmente como nós respiramos.

No mundo árabe também vemos relatos dessa sexualidade, como


na obra ―O Jardim Perfumado‖ de autoria de Umḥammad Ibum
Muḥammad al-Nafzawi. Sheikh Nefzawi, possivelmente do século
XVI, do sul da atual Tunísia, já alertava:

Lembre-se de que um homem prudente evitará abusar do


gozo do coito. O esperma é a água da vida; se você o usa
economicamente, você sempre estará pronto para os
prazeres do amor; é a luz de seus olhos; não seja pródigo
com ele o tempo todo e sempre que tiver vontade de se
divertir, pois se não o poupar, você se exporá a muitos
males.

Os médicos sábios dizem: 'Uma constituição robusta é


indispensável para a cópula, e aquele que é dotado dela
pode se entregar ao prazer sem perigo; mas é diferente com
o homem fraco; ele corre o perigo por se entregar
livremente às mulheres (NEFZAOUI, 1886).

O sexo casto também está presente no cristianismo, de uma forma


pouco lembrada, mas que marcou a sua época na produção artística
e romântica.

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Capítulo 4 - Coitus reservatus: o sexo casto cristão que o


mundo esqueceu.

O coitus reservatus ou coito reservado, em português, baseia-se em


uma prática sexual sem emissão seminal, onde se destacam a
ampliação do desejo, do amor, além da própria contracepção.
Semelhante ao método Karezza, essa prática era amplamente
difundida no Ocidente, principalmente na Idade Média.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Tudo leva a crer que o coitus reservatus teve origem nas


interpretações bíblicas, aquelas que estão intimamente ligadas ao
entendimento do pecado original. Apresentaremos esses indícios
no próximo tópico para um melhor entendimento.

É importante ressaltar que com base na pesquisa histórica


desenvolvida para escrever este livro, opto por denominar como
―Cristãos‖ todos os grupos que se dizem ou diziam crentes em
Cristo, independentes de suas divergências doutrinárias e suas
crenças. Na verdade, suas diferenças não influenciam o escopo
deste livro, pois a essência do estudo é a prática sexual casta, algo
comum em todos os grupos de seres humanos.

Segundo a teóloga e especialista sobre sexualidade cristã, Uta


Ranke–Heinemann, muitos cristãos católicos praticavam o coitus
reservatus e muitos clérigos apoiavam. O grande defensor da
prática foi o Cardeal Hugúcio (1210), grande especialista em leis
canônicas e professor do Papa Inocêncio III. Outros defensores
foram: Arcebispo Pedro Palude (m.1342), S. Antonino (m.1439),
Cardeal Caetano (m.1608), Jesuíta Tomás Sanchez (m.1610),
chegando até ao Cardeal Suenens, que em 1960 o recomendou
como método anticoncepcional para casais que por razões
legítimas necessitavam evitar a gravidez. Por outro lado, muitos
outros consideravam essa prática como pecado venial, pois viam o
sexo como ato apenas para efeito de reprodução (RANKE-
HEINEMANN, 1996, p. 184-188).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Há indícios que desde o início do cristianismo já existia a prática


do coitus reservatus, como relata Galeno, médico do imperador
Marco Aurélio:

Entre os Cristãos, encontram-se não só homens, mas


mulheres que vivem uma vida inteira na continência sexual.
Entre eles existem pessoas que atingiram tal estágio de
autodisciplina e autocontrole que não é inferior ao dos
filósofos genuínos (WALZER, 1949, p.19-20).

Acreditamos que esses primeiros cristãos não eram somente


celibatários - exceto aqueles que por missão o preferiam, ou por
evitarem um casamento arranjado pelos pais - pois, casais castos
não eram prolíferos, assim poderiam passar uma imagem de
celibatários. O celibatarismo clerical iniciou-se muito mais tarde
com a Igreja Católica Romana.

O coitus reservatus parecia ser também uma prática dos


valentinianos, mas tendo o nome de ―orientação matrimonial‖
valentiniana: o marido deve amar a esposa e não a luxúria “para
que ele possa gerar filhos com uma vontade casta e controlada”.
Outro Valentim, que também pregava algo diferente do tradicional
era São Valentin, um Bispo Romano do século terceiro, famoso por
realizar casamentos de casais que realmente se amavam (algo raro
num mundo onde o interesse financeiro e político ditava as regras)
e que muitas vezes eram escondidos. Em grande parte do mudo
ocidental é comemorado o Dia dos Namorados na data de sua
morte 14 de fevereiro.

Tais costumes cristãos sobre sexualidade casta vêm, além dos


ensinamentos bíblicos, de algumas tradições Gregas. Os

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pitagóricos, como menciona Clemente de Alexandria, se casavam


para ter seus filhos e depois mantinham o prazer sexual sob
controle. Segundo Plutarco, o legislador de Esparta Licurgo
impunha aos jovens casados uma abstinência prolongada. "A fim
de que - dizia ele - sejam cada vez mais fortes e bem-dispostos
fisicamente e que, não gozando do prazer de amar com o coração
embriagado, seu amor permaneça sempre tenro e seus filhos
nasçam mais robustos." Tudo indica que os espartanos, assim como
os filósofos gregos, evitavam a perda de vitalidade com a perda
seminal, se preocupando também com sua prole, a qual nasceria
com qualidade melhor, devido a este amor casto. Segundo
Rougemont, a cavalaria feudal honrava a castidade do mesmo
modo que os espartanos o faziam, objetivando tornar mais
valorosos os guerreiros (ROUGEMONT, 1988, p. 48).

Sêneca, poeta romano, já afirmava:

Ao amar a esposa, o homem sábio toma a razão como guia,


e não a emoção. Resiste ao assalto das paixões, e não se
permite ser levado impetuosamente ao ato conjugal. Não há
gesto mais depravado do que o de amar a própria esposa
como se ela fosse uma adúltera (BRABO, 2007).

A falta de compreensão por parte dos clérigos em relação aos


benefícios do coitus reservatus e as diferenças sobre o que é o
prazer sexual reprodutivo e prazer sexual afetivo; fez com que essa
prática passasse a ser considerada como pecado, dificultando o
entendimento por parte da população sobre seus benefícios. No
tópico seguinte, examinaremos como alguns pais da igreja estavam

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corretos em suas interpretações sobre o prazer sexual para


reprodução e prazer sexual para o vínculo afetivo.

A teóloga Ranke-Heinemann nos relata que a prática do coitus


reservatus, como sendo um contraceptivo natural, foi incorporada
também na vida de vários outros grupos cristãos. Dentre esses
praticantes estão os bogomilos, trovadores, cátaros e albigenses
(RANKE-HEINEMANN, 1996, p. 184-188). A grande vantagem
do coitus reservatus em relação às outras formas de coito é que ele
pretendia se aproximar de uma pureza sexual, uma tentativa de
recuperar uma condição paradisíaca da relação sexual, remetendo
ao Éden e supera a força separadora do sexo reprodutivo.

Vale lembrar que a maioria dos antigos casamentos cristãos eram


algo formal, um contrato entre as partes, em que interesses
variados sobressaíam-se sobre o amor. Tudo isso iria mudar pelos
praticantes do amor cortês (praticantes do coitus reservatus), uma
forma de sexualidade que privilegia o amor em detrimento do
interesse econômico. Segundo o escritor Allan Watts:

[...] Mas o fator que transformou, mais que qualquer outra


coisa, a concepção cristã do casamento foi o surgimento, no
princípio da Idade Média, do culto do amor palaciano, que
constitui a base histórica daquilo que conhecemos como a
concepção romântica de amor e casamento. [...]

Eles praticavam a arte de personalização do desejo sexual,


isto é, de retardar o apetite sexual a fim de que o sentimento
sexual não se restringisse apenas aos órgãos e membros
subpessoais da mulher, mas a toda ela (WATTS, 1958, p.
157-163).

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Uma nova concepção de matrimônio e de amor contemplativo


toma força na Europa. Como menciona o professor espanhol de
teologia Marciano Vidal:

[...] o amor cortês com o tema da dama e do cavalheiro,


aparece na época de maior elevação e humanismo na
civilização ocidental, séc. XII-XIII. É nesse novo conceito
de amor, de práticas de piedade, (e valorização do
feminino) que ganha força a devoção mariana (VIDAL,
1978, p. 90-99).

Nós, da geração do século XX, tivemos a oportunidade de


vivenciar uma serenata, um cancioneiro, uma cantiga, o
cavalheirismo do homem perante a dama (educação, respeito e
reverência). Essas tradições maravilhosas nasceram dos corações
desses puros cavalheiros do amor cortês, ou trovadores como
também eram chamados.

[...] Quando dois amantes puros e sinceros se olham nos


olhos como dois iguais, eles estão sentindo... tanta alegria
em seus corações que o sentimento gentil que nasce ali os
reanima e nutre todo o coração. E os olhos pelos quais essa
ternura passa de um lado para o outro são tão leais que
nenhum dos dois amantes pode reter nada em benefício
próprio (MARKALE, 2000, p. 100).

[...] ―Aquele cujo desejo é grande demais não ama de


verdade" e ―Do amor vem a castidade‖ são princípios
fundamentais da cavalaria. (MARKALE, 2000, p.27-28).

Apresentamos, abaixo, alguns pensamentos dos Trovadores do


século XIII, citados em Rougemont (1988, p. 101-103), que
descrevem ―alegoricamente‖ experiências de sexo casto:

No palácio onde ela reside há cinco portas: quem consegue


abrir as duas primeiras, passa facilmente pelas outras três,
mas é difícil de lá sair, e vive na alegria aquele que pode

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permanecer. Aí se chega por quatro degraus muito suaves,


mas não entram nem vilões nem grosseiros, estes são
alojados no subúrbio que ocupa mais da metade do mundo
(EGUIRAUT DE CALANSON).

Quem se dispõe a amar de amor sensual entra em guerra


consigo mesmo, pois o tolo após esvaziar a bolsa (ejacular)
faz triste figura! (MARCABRU).

O prazer desse amor se destrói quando o desejo é saciado


(MAFRE ERMENGAU).

Quero guardar (minha dama) para animar meu coração e


renovar meu corpo, de tal forma que não possa envelhecer...
Viverá cem anos quem conseguir possuir a alegria de seu
amor (GUILHERME DE POITIERS).

Para a pesquisadora Marnia Robinson, esses grupos que


praticavam o coitus reservatus foram os idealizadores do
cavalheirismo e precursores do Romantismo até o final da Idade
Média. Esses homens corteses inspiraram também os movimentos
protestantes e dos Quakers (ROBINSON, 2009, pos. 2059).

4.1 - Coitus reservatus no mundo contemporâneo.

No mundo protestante, John Wesley o fundador da Igreja


Metodista, em 1767 já dava indícios de que considerava o coitus
reservatus a melhor prática sexual sem concepção, pois em suas
reflexões sobre o pecado de Onan (abordaremos esse pecado no
capítulo 5.9), considera que ―qualquer desperdício de sêmen em
um ato sexual improdutivo, seja na forma de masturbação ou coito
interrompido, como no caso de Onan, destruiu as almas dos
indivíduos que o praticam‖. As ideias de Wesley alertam sobre "os
perigos da polução" e os efeitos físicos e mentais da masturbação,
descrevendo casos de doenças e recomendando terapias. Seu

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pensamento sobre o mal patológico da perda seminal se deu pela


influência de outro protestante e médico de referência na Europa;
Auguste Tissot que em 1760 publicou L'Onanisme, seu próprio
tratado médico abrange os supostos efeitos negativos da
masturbação (DONAT, 2001).

Neste livro, Tissot cita estudos de caso de seus pacientes em


Lausanne, que eram rapazes que se masturbavam. Tissot
argumentou que o sêmen era um "óleo essencial" e "estímulo" que,
quando perdido do corpo em grandes quantidades faria "uma
redução perceptível da força, da memória e até mesmo da razão e
que ao mesmo tempo poderia desenvolver: visão turva, distúrbios
nervosos, gota e reumatismo, enfraquecimento dos órgãos genitais,
sangue na urina, perturbação do apetite, dores de cabeça e outras
tantas doenças‖. Os relatos de Tissot, muito deles semelhantes aos
relatos de viciados em pornografia, foram até mesmo reconhecidos
e ecoados por luminares como Kant e Voltaire, bem como
influenciou a percepção da masturbação na medicina ocidental nos
próximos dois séculos, que se equipara a de uma doença
debilitante.

Passando para a época contemporânea, no mundo protestante,


houve um interessante experimento no estado de Nova York, entre
os anos de 1849 a 1879, em que foi realizado um estudo pioneiro
com 250 casais que viviam em uma comunidade protestante
chamada Oneida, onde John Humphrey Noyes, teólogo e fundador
da comunidade, implementou um método contraceptivo que ele

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denominou de ―continência masculina‖ (prática sexual idêntica ao


coitus reservatus).

Usando de sua interpretação bíblica, incentivou a prática sexual


sem a ejaculação. Noyes afirmava que era possível ter prazer no
sexo sem o derrame do sêmen e que este era somente para a
concepção de crianças.

Ele tomou a decisão de mudar sua conduta sexual após sua mulher
sofrer com vários abortos ao longo de sua vida. Noyes até almejou
em parar suas relações sexuais para evitar novos sofrimentos para
ele e sua esposa.

Pregando igualdade entre homens e mulheres, ele dizia que os


homens deveriam aprender a amar suas mulheres com mais
carinho. Também enfatizava que as relações afetivas deviam ser
baseadas no amor e não em contratos de compromisso em que os
noivos eram escolhidos pelos pais. Com base nisso, Noyes
defendia que as pessoas poderiam se rearranjar em novos casais,
atitude que gerou bastante revolta na sociedade da época e
culminaria no fim da comunidade em 1879.

O mais interessante na experiência da comunidade Oneida foram


os resultados clínicos observados pelos médicos que
acompanharam o experimento, dados publicados no livro
―Continência masculina‖ (NOYES, 1872, sp). Dos 250 casais,
nasceram apenas 58 crianças, comprovando realmente que os
homens evitavam a ejaculação. As concepções eram organizadas
de modo que casais que possuíam algum defeito físico ou mental

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eram desencorajados de terem filhos. Assim nasceram crianças


mais saudáveis e inteligentes.

Constatou-se que a taxa de mortalidade infantil, doenças


ginecológicas e crises de histerias (muito comuns na época) eram
praticamente inexistentes. Um quadro bastante diferente da
sociedade da época e também da atual, no que tange aos problemas
ginecológicos e mentais (DE VAN DER WALKER, 1884).

Um dos maiores psicólogos da época, Havelock Ellis, autor dos


termos narcisismo e autoerotismo na psicologia, descreve sua visão
a respeito do coito reservado:

O Coito reservado era a prática ordinária da comunidade


Oneida e foi defendida posteriormente no bem conhecido
livro Karezza da Doutora (Quaker) Alice Stockham. Não
pode haver dúvida de que o coito prolongado é
extremamente agradável para o parceiro feminino, e sem o
menor resultado maléfico (ELLIS, 1971, p, 187).

Interessante salientar que o mal produzido pelo excesso sexual era


um consenso na visão dos pensadores, religiosos e cientistas do
século XIX e da metade do século XX.

Outra religiosa, a profetisa adventista e escritora Ellen G. White


(1827-1915), possuía uma visão de que o sexo saudável não
poderia ser levado ao extremo da paixão e que o marido deveria
controlar sua tensão sexual. Segundo ela:

O excesso sexual destruirá com efeito o amor para com os


cultos devocionais, tirará do cérebro a substância necessária
para nutrir o organismo, vindo positivamente a debilitar a
vitalidade. Mulher alguma deve ajudar o marido nesta obra
de autodestruição. Ela não o fará caso esteja esclarecida, e

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tenha por ele verdadeiro amor. ...quanto mais


condescendência houver com as paixões animais, tanto
mais fortes se tornarão.

Mesmo homens e mulheres que professam piedade dão


rédea solta a suas paixões de concupiscência, e nem pensam
que Deus os considera responsáveis pelo dispêndio da
energia vital que lhes enfraquece o suporte da vida e lhes
debilita todo o organismo (WHITE, 2004, p. 117).

Em 1949, Paul Chanson, um intelectual católico francês, escreveu


um livro intitulado ―A Arte do Amor e a Continência Conjugal‖,
em que propunha a continência da ejaculação como uma solução
de controle de natalidade para casais com razões legítimas para
limitar os nascimentos. Ele também ressaltou que a continência era
uma forma de promover a harmonia sexual entre os cônjuges.
Chanson intitulou seu método de ―Amplexus Reservatus‖ (Abraço
Reservado), prática idêntica ao método Karezza de Stockham, a
qual Chanson mencionara ter conhecimento. Seu livro tinha o
posfácio de HM Féret, professor em teologia da faculdade de
Salchoir na França; Féret defendia seu método para as famílias
cristãs, pois resolveria vários problemas conjugais que o
aconselhamento religioso tradicional não apresentava soluções
eficazes.

Chanson escrevera outro livro em 1951: O Abraço Reservado:


Testemunho dos Cônjuges, com 300 depoimentos de casais que
praticaram a técnica. Os livros de Chanson geraram grande
repercussão na França e Bélgica, onde debates acalorados no
Mundo Cristão levaram à lamentável condenação da prática pelo
Papa Pio XII, em 1952.

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Arraigada em velhos conceitos equivocados e distante do


conhecimento primordial cristão, a cúpula da igreja católica perdeu
uma grande oportunidade para fazer uma revolução na teologia
sexual cristã. Um artigo sobre a repercussão dos livros no mundo
católico foi escrito em 1993 por Martine Sevegrand‘s
(SEVEGRAND‘S, 1993).

No âmbito da ciência biológica entre os séculos XIX e início do


XX, os cientistas constatavam suas afirmações nas extensas
observações e relatos de seus pacientes.

John Harvey Kellogg, renomado médico americano, dizia que:

O ato reprodutivo é o mais exaustivo de todos os atos vitais.


Seu efeito sobre uma pessoa não desenvolvida é retardar o
crescimento, enfraquecer a constituição e diminuir o
intelecto. Muitos homens aos quarenta anos têm uma mente
tão infantil e imatura quanto o julgamento como seria um
rapaz de dezoito anos bem desenvolvido. São como frutos
secos colhidos antes de amadurecer; eles nunca podem se
tornar como os frutos maduros e deliciosos que podem
amadurecer adequadamente.

No século XIX John Kellogg e Sylvester Graham até


desenvolveram seus flocos de milho e biscoitos de mesmo nome
como parte de uma dieta branda para reduzir o desejo sexual dos
homens e desencorajá-los de se masturbarem.

Albert Chavannes (1836 - 1903) foi um escritor, filósofo e


sociólogo americano nascido na Suíça. Ele explicou os benefícios
da continência durante o sexo, incluindo harmonia conjugal,
controle de natalidade e melhor saúde, através do que ele chamou
de magnetismo sexual, tendo sido o primeiro ocidental a falar

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sobre uma energia sexual na relação. Suas ideias também foram


inspiradoras para Alice Stockham em seu livro ―Karezza‖:

As pessoas que acreditam que sua força sexual pode ser


desviada de sua função original de reproduzir a raça para
aumentar suas próprias forças físicas, e desejam colher esse
benefício, devem estudar a si mesma e descobrir o limite de
si mesmas, para evitar, tanto quanto possível, a entrega total
ao desejo apaixonado que é sempre o precursor da
procriação (CHAVANNES, 1897, p. 85).

Para Chavannes (CHAVANNES, 1898, p. 22-24) a excitação


sexual leve e prolongada ajuda no magnetismo do casal, pois
ocorre uma mistura benéfica de elementos masculinos e femininos
nos corpos. Ao contrário, a excitação do orgasmo é mais ou menos
prejudicial. Ao longo de sua vida, Chavannes se convenceu que há
uma semelhança entre explosões de ira e orgasmos.

Na década de 1920, o Dr. Rudolf von Urban, um psicanalista


freudiano dos Estados Unidos, escreveu em seu livro ―Sexo,
Perfeição e Felicidade Conjugal‖ que "energias bioelétricas" de
polaridades opostas eram trocadas entre amantes. Sua técnica pedia
relaxamento completo antes do sexo e por relações sexuais
prolongadas em uma posição que o favorecesse. O orgasmo era
evitado, da mesma forma que no método Karezza. Muitos dos seus
pacientes relataram que a técnica gerou prazer estático,
contentamento profundo e curas físicas (URBAN, 1949).

Outra personalidade interessante do início do século XX foi o pai


da reposição hormonal e da endocrinologia - Dr. Brown Sequard -
afirmava que o envelhecimento humano se dá pelo desgaste das

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glândulas sexuais e diminuição de suas secreções no sangue e, que


se revertesse o fluxo, fazendo uma retroalimentação do sistema por
meio da transmutação dos fluidos sexuais, poderia produzir
vitalidade ao ser humano.

Brown-Sequard estava convencido de que a maioria das glândulas


que possuem dutos e secreções externas também possui secreções
internas que entram diretamente na corrente sanguínea e afetam
órgãos distantes.

Sequard fabricava um elixir da juventude feito de testículos de


animais. Ele comprovou seus benefícios em si mesmo e em várias
pessoas como em Jim Pud Galvin, jogador de beisebol de
Pittsburgh, que quebrou o recorde de arremesso em uma partida
contra o Boston após tomar o elixir (BROWN-SEQUARD, 1889).

Atualmente, a reposição hormonal é uma estratégia corrente para o


rejuvenescimento, mas infelizmente, por não ser um método
natural, pode trazer riscos à saúde. O melhor seria praticar o sexo
casto como em Karezza e ter os resultados naturalmente.

Outro cientista do início do século XX que contribuiu para a


compreensão do benefício da prática Karezza foi o Dr. Steinach,
considerado o pai da vasectomia. Steinach começou seus estudos
com animais de laboratório, quando constatou que ratos castrados
antes da puberdade cresciam sexualmente subdesenvolvidos,
enquanto animais intocados regrediram a um nível quase infantil
em termos do estado sexual na velhice. Para Steinach, os humanos
não eram necessariamente diferentes dos animais, pois as

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diferenças sexuais foram apagadas em crianças e idosos, sendo a


senilidade uma inexpressão do processo. Segundo ele, os senis
eram funcionalmente análogos aos pré-castração puberal: ambos
careciam de funcionamento adequado das glândulas sexuais.

Assim, para Steinach, não existe velhice, mas sim mau


funcionamento das glândulas sexuais que geram envelhecimento;
posição essa defendida também pelo médico e nutrólogo
contemporâneo, Ribeiro (2019).

Steinach realizou vasectomia bilateral em ratos machos idosos e


notou um aumento expressivo na atividade diária e sexual dos
animais, copulando até 19 vezes em 15 minutos e, de certa forma,
neutralizando o efeito Coolidge.

Em humanos, ele realizou várias vasectomias e muitos notaram


grande vigor físico, mental e sexual após o procedimento. O poeta
William Butler Yeats e o romancista americano Gertrude Atherton
passaram pelo procedimento e relataram significativas melhoras
(SENGOOPTA, 2003, p. 122).

Em uma pesquisa realizada na Universidade de Campinas, em


2010, com pacientes que haviam passado por vasectomia,
constatou-se que a maioria dos entrevistados atribuiu à vasectomia
mudanças para melhor sobre sua saúde do corpo, relacionamento
em geral com a família e com a esposa, também na vida sexual e
na situação econômica (MARCHI et al., 2011).

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Acredito que não seja necessário para os homens passarem por


nenhum procedimento cirúrgico para lograrem os benefícios aqui
descritos. Lembremo-nos dos inúmeros depoimentos dos
recuperados do vício da pornografia e da masturbação, de como a
vitalidade retorna a seus corpos e mentes sem necessidade de fazer
qualquer intervenção ou uso de medicamentos. Nosso corpo foi
construído de forma perfeita e, sabendo usá-lo, nos trará benefícios
bem maiores sem necessidade de cirurgia.

Outro a defender o método Karezza antes da revolução sexual foi


Fritz Kahn, médico ginecologista judeu alemão, autor de livros
sobre ciências e especialmente sobre o corpo humano. Ele relata
sua visão sobre Karezza no seu livro ―A nossa vida sexual‖,
sucesso no mundo, inclusive no Brasil, na década de 1960. Kahn
afirma que:

[...] o homem, em lugar de expelir o produto de suas


glândulas sexuais, conserva-o dentro de si, de sorte que ele
se lança em seu sangue. Com isso o homem sente, após a
união sexual, uma sensação maravilhosa de força (KAHN,
1960, p. 134).

Uma famosa constatação de que uma sexualidade casta traz


resultados positivos em vários aspectos da vida do ser humano foi
feita por nada mais nada menos que Napoleon Hill, o homem que
mundou o mundo com seu trabalho literário, produto de uma
grandiosa pesquisa para descobrir qual a fórmula do sucesso que os
grandes homens da humanidade possuíram.

Seus ideais me inspiraram na construção deste livro, na busca de


uma essência divina para a sexualidade humana ao redor do

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mundo. Napoleon Hill afirmou que ―As emoções da fé, do amor e


do sexo são as mais poderosas de todas as principais emoções
positivas‖.

Com 25 anos de idade, Napoleon Hill, um jornalista americano da


Virgínia, ao longo de uma entrevista com o segundo homem mais
rico do mundo, Andrew Carnegie, recebe um desafio proposto por
ele; descobrir qual a fórmula, ou quais são as características dos
homens de maior sucesso ao longo da história, em todas as áreas
possíveis.

Com o apoio de Carnegie, Napoleon dedicou-se a 20 anos de


pesquisa, entrevistando os grandes nomes do sucesso da época
como: Thomas Edison, Alexander Graham Bell, Henry Ford,
Elmer Gates, Theodore Roosevelt, William Jennings Bryan,
George Eastman, John D. Rockefeller e, pesquisando também, a
biografia dos ―imortais‖, homens da história, da ciência e da
religião que deixaram seus legados. Assim surgiu seu primeiro
livro: ―A Lei do Triunfo‖, em 1928, sendo o primeiro dentre vários
outros best-sellers ao redor do mundo.

Dentre todas as características ou comportamentos observados para


o sucesso, ele destaca o fato que:

[...] todos os grandes líderes, em todos os setores da vida


em que tenham surgido, foram e são pessoas de natureza
sexual superior.

[...] o poder da relação sexual que realizada de forma


inteligente entre um homem e uma mulher e, que sentem
amor um pelo outro, tem a capacidade de revitalização do
cérebro. Mas qualquer outra espécie de relação sexual tem

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uma característica mental desvitalizadora (HILL, 2014, p.


48).

Incrível como suas constatações ressoam com aquilo que já


verificamos anteriormente, e principalmente como demonstram
que pessoas que trabalham de forma correta seus programas de
ligações cerebrais do instinto sexual adquiriram sucesso em suas
vidas. No seu livro ―Pense e enriqueça‖, Napoleon Hill dedica um
capítulo somente para falar sobre sexualidade.

Ao falar sobre os motivos das pessoas falharem na conquista do


sucesso ele aponta a falta de controle do impulso sexual:

[...] A energia sexual é o mais poderoso de todos os


estímulos, que levam as pessoas à ação. Por ser a mais
poderosa das emoções, deve ser controlada pela
transmutação e dirigida a outros canais.

[...] A transmutação da energia sexual exige o exercício de


força de vontade, é verdade, mas a recompensa vale o
esforço. O desejo de expressão sexual é inato e natural. Não
deve e não pode ser subjugado ou eliminado. Mas deve
receber vazão, através de formas de expressão que
enriquecem o corpo, a mente e o espírito do homem. Se não
lhe dermos essa forma de vazão, pela transmutação, esse
desejo procurará vazão por canais puramente físicos. Pode-
se represar o rio e controlar lhe as águas durante algum
tempo, mas ele logo forçará uma saída. O mesmo vale para
as emoções sexuais. Podem ser submergidas e controladas
por algum tempo, mas sua própria natureza faz com que
estejam sempre procurando meios de expressão. Se não
forem transmutadas em esforço criador, encontrarão vazão
menos digna.

Infelizmente, o que mais vemos na atualidade é essa vazão


inapropriada que chega, inclusive, a provocar terríveis crimes

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envolvendo a sexualidade. Sobre os resultados de seus estudos,


Hill diz que:

A pesquisa da qual surgiram essas descobertas devassou as


páginas de biografias e da história, num período de dois mil
anos. Onde quer que houvesse evidência relativa às vidas
de homens e mulheres de grandes realizações, esta
indicava, de modo convincente, a natureza sexual altamente
desenvolvida que possuíam (HILL, 2020, p. 97).

Napoleon Hill, que mesmo antes da criação do termo


neurolinguística, já trabalhava com os conceitos que
posteriormente foram incorporados nesta área, tinha também uma
visão diferenciada quanto à sexualidade, mas infelizmente, todo
seu conhecimento a esse respeito foi deixado em segundo plano ou
utilizado por poucos estudiosos. Isso se deu, talvez, pela falta de
compreensão sobre a transmutação sexual ou pela dificuldade em
realizá-la.

Sempre é bom lembrar que não basta somente ter uma sexualidade
casta, devemos cuidar dos diversos aspectos que contribuem para
nossa saúde e equilíbrio, como: alimentação, exercícios,
pensamentos, sentimentos e espiritualidade. Veremos, mais
adiante, que todas essas outras atividades têm extrema relação e
importância para se obter o controle da tensão sexual.

Assim, se torna muito interessante constatar que o conhecimento


antigo do Oriente sobre sexualidade e os estudos desses ocidentais
do início do século XX se convergem, demonstrando que a
vitalidade depende do equilíbrio hormonal e que o tempo não é
sinônimo de velhice.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Mas onde estava a fonte de inspiração para as pessoas Judaico-


Cristãs praticarem o sexo casto? Onde estão os indícios primordiais
dessa prática? Vejamos agora todas as pistas que as Escrituras nos
trazem para entendermos o que é o sexo casto.

PARTE 2 - O QUE AS
ESCRITURAS NOS DIZEM
SOBRE O SEXO CASTO E O
PECADO ORIGINAL.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Capítulo 5 - O sexo casto e o pecado original: uma


releitura na perspectiva dos pais da igreja.

Se estudarmos o ensinamento das Escrituras e observarmos a nossa


vida em detalhes, veremos que Deus sempre nos revela a verdade,
mostrando-a através da linguagem e símbolos que extrapolam o
tempo. Além disso, em nossos dias, temos também a boa ciência

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Sexo Casto - Sandro Paiva

para nos orientar e esclarecer ainda mais a respeito de vários


aspectos dos textos antigos.

Penso que essa elucidação dos textos pela ciência só está no


começo, pois existe uma janela de oportunidades para aprendermos
mais, desde que nos dediquemos a interligar os conhecimentos
disponíveis sobre o tema.

As culturas antigas demonstraram ter um grande conhecimento na


área da sexualidade, utilizando sua linguagem para descrever
fenômenos que hoje podemos verificar através da ciência
biológica. Assim se torna muito mais fácil desvendar os textos
antigos, quando esses são esclarecidos pela ciência, provando
aquilo que vemos como fato no cotidiano.

Nesta segunda parte do livro, tento transmitir tudo que aprendi


nesses últimos 10 anos de pesquisas, testemunhos que presenciei
(tanto nas aulas na igreja, como nas comunidades terapêuticas) e
nas revelações espirituais que tive sobre a sexualidade casta
contida nas Escrituras.

Saber somente a parte biológica da sexualidade é andar metade do


caminho, necessitamos entender o poder espiritual contido na
castidade e também os perigos dos pecados sexuais para nossa
vida.

Só podemos entender e vivenciar a castidade no momento em que


temos uma interação sincera com a vontade de Deus, pois para
vencer a tentação sexual, necessita-se da devoção espiritual.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

É importante esclarecermos que para a pesquisa bíblica deste livro,


utilizamos, em grande parte, o dicionário da Sociedade Bíblica
Alemã e o site Bibliaonline na tradução da Almeida corrigida fiel e
também outras traduções antigas da Bíblia em menor extensão.

Outras fontes de pesquisa são também os textos dos Pais da Igreja,


textos apócrifos, judaicos, pseudoepígrafos e autores de relevância
religiosa que a nosso ver são de extrema importância para o maior
entendimento do pensamento e comportamento sexual dos povos
da época, apesar de que, somente com a Bíblia já conseguiríamos
demonstrar a relação do pecado original com a perda da
sexualidade casta.

Mesmo assim, vemos a importância da diversidade de textos e a


busca por qualquer informação relevante no contexto sexual, pois
os textos que temos hoje não expressam a totalidade do
conhecimento que se tinha na época e, a inclusão de outros nos
ajuda a aclarar um pouco sobre a forma de pensar e atuar daqueles
povos.

Um grande motivo, a nosso ver, de incluir também estes textos está


mencionado na passagem de João 21:25 que diz que Jesus realizou
muito mais do que os escritos que hoje temos sobre ele. Assim,
pedi para que o Espírito Santo me guiasse nesta pesquisa,
revelando-me o conhecimento necessário para a concretização
desta obra, limitando-me somente aos assuntos que nos levassem a
um melhor entendimento da sexualidade, sem confrontar ou

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Sexo Casto - Sandro Paiva

depreciar dogmas das várias correntes do cristianismo que tratam


de outros assuntos.

Da mesma forma que não se põe vinho novo em odre velho,


devemos estar com uma mente receptiva, aberta e nova para
receber, compreender e praticar um novo conhecimento. Mesmo
assim, como disse Jesus, muitos se voltarão ao vinho velho dizendo
que ele é melhor, isso porque mudar os conceitos estabelecidos,
crenças e dogmas é uma das tarefas mais difíceis que existe.

É importante frisar que a linguagem bíblica e os textos religiosos


cristãos possuem muitas características simbólicas, metafóricas e
hiperbólicas, que são condizentes com a cultura e tradições da
época. Também temos que apontar a grande quantidade de
símbolos arquetípicos nos textos que expressam um conhecimento
universal, nos mostrando a multiforme sabedoria de Deus (Ef
3:10).

A linguagem simbólica é a linguagem das crianças, dos pássaros,


da alma, da poesia e do amor. ―... graças te dou, ó Pai, Senhor do
céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e
as revelaste aos pequeninos‖ (Mt 11:25). Essas formas de
linguagem sempre foram utilizadas pela humanidade como uma
importante maneira de passar conhecimento ao longo do tempo,
uma informação que não se perde e não se altera, pois, por meio
delas as imagens são fixadas em nosso subconsciente, criando,
assim, ferramentas que ajudam a estruturar o conhecimento em
nossa psique, alma e coração. A própria linguagem dos sonhos

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proféticos é simbólica e metafórica, sendo uma forma de Deus


passar o conhecimento para os humanos (Nm 12:6-8).

Portanto, por mais absurdo que um acontecimento bíblico possa


parecer para uma mente racional, é necessário considerar que tudo
aconteceu para o nosso entendimento intuitivo, principalmente
relacionado ao ensino sexual, como Paulo menciona em 1
Coríntios 10:6,11.

Convoco você, leitor, para fazer como eu, pedir a confirmação do


Espírito Santo de Deus para o esclarecimento das alegações aqui
colocadas. Peça a Ele e Ele te guiará, melhor do que ninguém, para
a busca da verdade (1 Jo 2:27).

5.1 - O pecado na queda.

Padre Léo afirma que:

Os grandes dramas relacionados à vivência da sexualidade


têm sua gênese na falta de uma verdadeira teologia da
sexualidade. Mas será possível falar em teologia da
sexualidade?

Será por acaso que o primeiro livro bíblico tem seu nome
derivado da mesma palavra que originou a palavra genital?
(LÉO, 2015, p. 13)

Grande parte dos teólogos modernos acham irrelevante a relação


da sexualidade com a saída do Paraíso, talvez por quererem atenuar
o tabu sexual que virou marca no cristianismo. Mas não podemos

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dar as costas aos indícios do quanto o pecado danificou a


sexualidade da humanidade, desde seu princípio.

Muitos estudiosos declaram que o pecado original no Éden foi a


desobediência a Deus. Também concordo que foi, mas
desobedeceram a quê? Qual a simbologia do fruto e dos outros
elementos do jardim do Éden?

Meu intuito não é descreditar ninguém em relação aos dogmas da


queda, em suas leituras literais dos textos, mas sim mostrar a
importância da castidade dentro do contexto da santificação, desde
o início da humanidade.

O professor e escritor Felipe Aquino diz que ―A nossa união com


Deus passa pelo caminho da redenção e da cura da sexualidade,
pois ela foi ferida pelo pecado original‖ (AQUINO, 2018, p. 57).

Inicialmente, devemos analisar os principais elementos figurativos


do jardim do Éden para montarmos a cena da queda. Toda a cena
está relacionada com a moral humana, como pensava Fílon de
Alexandria (De opificio mundi, parágrafo LVI,153), e que para
mim representa os dois caminhos que a humanidade pode seguir.
Esse será o início do entendimento sobre o pecado original, e mais
detalhes que reforcem a nossa compreensão serão acrescidos ao
longo do livro.

Prezado leitor, lembre-se que não existem respostas simples para


questionamentos complexos, então não faça conclusões
antecipadas à completa leitura deste livro.

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Vemos que na composição do Éden, Deus colocou as duas árvores


no meio do jardim: a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e
a Árvore da Vida.

Podemos ver que uma traz a vida, a pureza espiritual da qual


somente aqueles em uma especial comunhão com Deus podem se
alimentar, um prêmio por sua conduta (Ap 2:7). Essa grande árvore
é um símbolo universal de comunhão com o sagrado em todas as
culturas do mundo e um desejo contido no coração de cada ser
humano (Pv 13:12), mas que infelizmente, nem todos desfrutarão
(Ap 22:14,15).

Existe uma condição clara, sine qua non, e simbiótica para


saborear essa Árvore da Vida; a de não comer da Árvore do
Conhecimento do bem e do mal (Gn 3:22-24).

Foi negado aos seres humanos o prazer de comer o fruto do


conhecimento, pois comendo-o, conheceriam o que era o Mal,
explicitado nas consequências de seu ato, que se desdobraria nos
pecados capitais, ou seja, nas obras da carne. O aspecto benéfico da
árvore já era por eles conhecido, desfrutavam todos os dias dessa
condição. Podiam vê-la, sentir o cheiro de seu fruto, mas não tocá-
lo ou degustá-lo, somente era permitido apreciar essa magnífica
criação de Deus. Talvez a sua degustação pudesse ter sido
autorizada em um momento futuro, após o amadurecimento, tanto
do fruto como do casal, pois tudo que estava no jardim era para os
seres humanos, porém, cada coisa a seu tempo, ou melhor, o tempo
de Deus.

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O fruto da Árvore do Conhecimento teve sua representação


figurativa advinda do inconsciente coletivo, que segundo o pai da
psicologia analítica Carl Jung, são padrões (arquétipos) universais
de comportamento, pensamento, símbolos e imagens que se
repetem ao longo da história e das culturas (JUNG, 2018).

Dentro deste contexto surge a figura da maçã, uma fruta que está
associada à paixão sexual avassaladora, uma tentação que
entorpece e adormece a nossa mente, que culmina na pequena
morte (La petit mort), da mesma forma como o orgasmo, que tem
um gosto bom, mas depois amarga a nossa vida.

Essa relação do fruto como desejo sexual pode ter vindo do


significado do verbo ―conhecimento‖ em hebraico ‫ידע‬jd' que é
usado tanto para o reconhecimento ou conhecimento intelectual
quanto para a execução do ato sexual (WIBILEX, 2022).

Creio eu, como também vários estudiosos no assunto, que o termo


―conhecimento‖ utilizado na nomenclatura da Árvore se relaciona
ao ato sexual, pois as mais próximas utilizações do verbo no livro
do Gênesis se dão nas relações sexuais de Adão e Eva (Gn 4:1, 17,
25).

Para o autor Boteach ―O sexo deve tornar-se uma forma de


conhecimento como está expresso na Bíblia, por isso não existe
uma palavra que melhor defina ―sexo‖ do que a palavra
―conhecimento"‖ (BOTEACH, 1999, p. 62).

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Interessante notar que o fruto em uma árvore representa a


descendência, a genealogia, daí vem o termo árvore genealógica,
expressando a perpetuação e qualidade da espécie que se obteve
através do ato sexual. Fica claro que naquele momento, não
poderia haver interferência humana na Árvore do Conhecimento
(sexualidade), por isso a proibição divina de comer seu fruto,
evitando assim problemas na perpetuação genética.

Essa Árvore do Conhecimento deixa explícitas as duas


sexualidades que se podem expressar em bem e mal. Assim, não
podemos descartar que a figura da serpente encontra-se em
simbiose com o símbolo do fruto e com o mal quando associados
aos seres humanos, evidência que ficará cada vez mais clara ao
longo do livro. Sempre perpetuamos o mal quando praticamos uma
sexualidade similar a dos animais, quando a luxúria animal domina
a razão.

Em sua forma de bem, a Árvore (como símbolo metafórico de


genealogia) pode se referir tanto à própria sexualidade da fauna (da
qual a serpente faz parte) e dos seres humanos. Os dois reinos
possuem as suas formas de ser, para uma melhor perpetuação das
espécies e diversidade genética, mantendo o equilíbrio da natureza.

O autor Padre Léo, conclui que

Para a reprodução de todos os seres vivos, o autor (da


Bíblia) reservou o refrão ―segundo a sua espécie”. É
interessante que esse refrão não é repetido quando se fala
da reprodução humana. Ao citar dez vezes o refrão e depois
mudá-lo bruscamente, o autor sagrado quer fixar uma ideia
fundamental: a reprodução humana não segue a mesma

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lógica da reprodução de nenhum outro ser. Porque é único,


o ser humano também tem um modo único de se reproduzir.
Aliás, não é difícil perceber uma profunda e bela teologia
da sexualidade, já a partir dessa mudança de refrão.
Enquanto todos os seres criados se reproduzem segundo a
sua espécie, o ser humano é criado à ―imagem e semelhança
de Deus”. Que absurdo maravilhoso: o ser humano não se
reproduz; o ser humano reproduz Deus! A criação do ser
humano foi o jeito que Deus encontrou para se reproduzir.
Podemos então imaginar as consequências espirituais disso
para a vivência sexual (LÉO, 2015, p. 32).

E assim, Padre Léo descreve o que deveria ser a condução da


sexualidade e a reprodução dos seres humanos. Mas como a
história nos mostra, algo saiu errado, tanto na forma da reprodução
e no tempo de realização.

Vemos que a reprodução humana deveria se dar pela comunhão


divina, como veremos nos próximos capítulos, e não por influência
da animalidade, representada tanto pela tentação da serpente, como
pelo desejo de Eva pelo fruto (Gn 3: 4-6).

Ficará também mais evidente a participação da atividade sexual no


pecado original quando analisarmos mais adiante as consequências
do pecado no capítulo 3 do livro de Gênesis.

Podemos constatar que as árvores do Éden fazem parte de nossa


essência e que, de alguma forma, se fazem presentes em nossa
composição. Seus benefícios, ou seja, o bem e a vida, dependem de
alguma ação nossa para que se realizem em nosso ser, portanto,
dependem da escolha de cada um, seguindo o livre arbítrio que nos
foi concedido. Lembrando que foi por uma ação da humanidade,
que perdemos esses benefícios, e não por vontade divina.

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Dessa forma, a expressão desses símbolos arbóreos faz parte de


nossa vida, de nosso corpo. Até os nomes comumente atribuídos a
nós - varão e varoa (Jo 15:5) - estão relacionados com as árvores.

Essa simbiose dos seres humanos com as árvores divinas,


atribuindo funções idênticas de suas qualidades quando é colocado
que devem frutificar e multiplicar, se encontram na Bíblia em
várias passagens, tanto em Gênesis 1:22, 1:28, 9:7, 17:6, 17:20,
28:3, 35:11, 47:27, 48:4, como em Levítico 26:9.

Frutificai, multiplicai e se tornarão uma só carne, representando a


união casta no ato sexual, foram as primeiras ordens dadas aos
humanos, trata-se de processos distintos, mas profundamente
interligados.

Somente através de uma frutificação correta, perfeita, haverá uma


multiplicação de uma prole perfeita. Deus quer que a humanidade
dê frutos espirituais, que são a expressão máxima das virtudes da
Árvore da Vida, para só depois vir a multiplicação, o aumento
dessa população mais espiritualizada, e assim o homem possa
dominar sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre
todo animal que se move sobre a terra. Isso aponta para a
responsabilidade dos seres humanos quanto à proteção do meio
ambiente, em contraposição do que sempre ocorreu na
humanidade, que ao utilizar os recursos naturais acaba destruindo o
mundo em que vivemos (Gn 1:28).

As passagens bíblicas em relação à importância dessa frutificação


são inúmeras, destacamos algumas: Is 5:5-7, 27:11, Dn 4:14, Ez

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15:2-7, Mt 3:10, 7: 19, 21:19, Lc 3:9, 13:6-9, Jo 15:2-6, Jd 1:12,


Hb 6:8.

Voltando ao simbolismo da Árvore do Conhecimento, não existirá


frutificação espiritual quando se come a fruta fora de seu tempo,
um fruto verde proporciona um sabor amargo e na vida em si, e
comendo-o se perde, automaticamente, o acesso à Árvore da Vida,
que nos daria longevidade e a comunhão com Deus.

Em Romanos 7:5 lemos ―Porque, quando estávamos na carne, as


paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos
membros para darem fruto para a morte‖ ou seja, a morte espiritual
através do recrudescimento dos defeitos, e também biológica pela
perda da saúde.

Enquanto se alimentavam da Árvore da Vida, eles estavam no


processo de frutificação, mas não eram autorizados a comerem da
Árvore do Conhecimento, pois se comessem, a frutificação, a vida
carnal e espiritual entrariam em declínio.

É através da união sexual ―casta‖, que os seres humanos se tornam


seres mais próximos de sua pureza original, uma forma andrógina
que compreende a totalidade das essências masculinas e femininas,
tornando-se uma só carne (Mc 10:8) consciente de sua essência,
imagem e semelhança divina (Gn 1, 26,27).

Dessa forma, pode-se compreender que a sexualidade promove o


conhecimento tanto do bem como do mal. Adão e Eva conheciam o

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que era o bem, a felicidade plena, e com o pecado conheceram o


que era o mal, o sofrimento.

Uma relação matrimonial nos proporciona muitas experiências,


levando-nos a uma gama de conhecimentos. Tanto que na tradição
judaica as pessoas que não fossem casadas não tinham grande
reputação, pois se considerava que não possuíam conhecimento
que lhes desse autoridade.

Na Árvore do Conhecimento, quando analisada pelo ponto de vista


da sexualidade em sua forma má, tem-se a serpente, representada
na literatura judaica como a inclinação maligna do coração
humano, símbolo do prazer como acreditava Fílon de Alexandria
(SILVA, 2021, p. 52). A figura da serpente representaria o prazer
da luxúria ou fornicação, sendo esse o comportamento sexual
natural dos animais vinculado ao instinto, ou seja, no
comportamento irracional advindo do cérebro reptiliano, “da mente
serpentina‖. Fica claro, assim, que o ser humano possui uma
constituição múltipla, com todos esses elementos simbólicos que o
caracterizam.

Na verdade, possuímos uma grande semelhança com os animais,


tanto em aspectos biológicos como comportamentais, fomos
criados após eles por Deus, como evolução do conhecimento
divino expresso na Terra. Em contraposição, também fomos
criados à imagem e semelhança de Deus, que na minha visão, não
significa ser idêntico a Deus, mas uma potencialidade nata no ser

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humano à medida que busque estar na presença dEle e na imitação


de Cristo (1Cr 11.1), até que Ele seja formado em nós (Gl 4:19).

A partir dessa dualidade existencial, o ser humano decidiu


vivenciar seu lado animal, acessando-o através da desobediência
com o intuito de saborear um prazer momentâneo, mas que logo o
levaria ao desgosto, como todo prazer desmedido.

Assim, a sexualidade em sua forma animal, a libido sexual


astuciosa como a serpente, que ao menor descuido no movimento
ou no pensamento equivocado, nos atinge com seu veneno, como
uma flecha do cupido que fere de morte pela paixão (palavra que
tem a mesma etimologia de pathos, doença). Acometidos por ela,
nos distanciamos de nossa semelhança com o criador e nos
tornamos semelhantes à criatura animal, imagem simbólica do
demônio, uma mistura de ser humano e animal, como vimos
anteriormente com os comportamentos advindos do desequilíbrio
neuroquímico provocado pelo orgasmo.

No Evangelho Apócrifo de Felipe, encontramos a seguinte


passagem:

Duas árvores estão crescendo no Paraíso. Uma carrega


animais, a outra carrega pessoas. Adão comeu da árvore
que gerou animais e se tornou um animal e gerou animais, e
por isso os filhos de Adão adoram animais. A árvore cujo
fruto Adão comeu é a Árvore do Conhecimento. Então seus
pecados aumentaram. Se ele tivesse comido o fruto da
Árvore da Vida, que dá à luz as pessoas, os deuses
adorariam o homem e a mulher, pois no princípio Deus
criou o homem e a mulher. Agora eles criam deuses
[idolatrias]. No mundo, os humanos fazem deuses e adoram

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sua criação. Seria melhor se os deuses os adorassem (THE


GOSPEL OF PHILIP sd).

Podemos notar como foi construída a imagem do mal, ou a do ser


humano se comportando mal quando se comporta como um
animal: anima (alma) + mal. Conforme encontramos na carta de
Tiago ―Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena,
animal e diabólica (Tg 3:15).”

Assim, o mal, a morte, e a reprodução descontrolada, que são


comportamentos tipicamente animais, entraram na humanidade por
escolha do próprio homem - através do livre arbítrio - enfatizado
pela tentação do mal, conforme registrado no Apocalipse de
Moisés ―e a serpente foi e derramou sobre o fruto o veneno de sua
maldade, que é a luxúria, a raiz e o princípio de todo pecado, e ele
dobrou o galho na terra e eu tomei o fruto e eu comi‖ (OXFORD,
1919, cp. XIX).

Em outro texto apócrifo ―Apocalipse de Abraão‖, Abraão pergunta


a Deus enquanto revê a cena do pecado original:

Quem são esses entrelaçados um com o outro [relação


sexual], ou quem é esse entre eles, e qual é o fruto do qual
eles estão comendo, ó Eterno e Poderoso? E ele disse, este
é o mundo dos homens, este é Adão, e isto é seu
pensamento na terra, esta é Eva. E quem está entre eles é a
impiedade de seus comportamentos até a perdição, o
próprio Azazel (apud SILVA, 2021, p. 72).

Essas visões sobre o pecado original e sua interligação com o sexo


animal vão se intensificando com os relatos dos Pais da Igreja
primitiva. Gregório de Níssa, em seus textos Oratio catechetica
magna 28 e Devirginitate 12, descreve que o sexo:

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[...] foi criado por Deus e, portanto, é bom. Os órgãos


sexuais são preciosos, porque com eles o homem luta
contra a morte. No Paraíso, entretanto a natureza animal da
humanidade, ou seja, nossa masculinidade e feminilidade
ainda não tinham quaisquer consequências. Quando Adão
andava nu, ainda não coberto com peles de animais, olhava
o rosto de Deus, desconhecia qualquer prazer no olhar e no
provar, e simplesmente se regozijava no Senhor, e sua
companheira o ajudava nesse mistério. Só depois da queda,
diz Gregório, teve início a atual forma de vida, a
constituição animal do homem entrou em operação: Os
humanos passaram a se reproduzir como animais. E com a
procriação animal, as paixões animais começaram a atuar.
O homem foi originalmente feito á imagem de Deus, ou
seja, sem paixão. As paixões não pertencem à natureza
verdadeira do homem, eram a princípio peculiares aos
animais: os animais carnívoros subsistem através da raiva,
os fracos através do medo, e as espécies são mantidas pelo
anseio do prazer (RANKE-HEINEMANN, 1996, p. 66).

Parece até que Gregório já tinha estudado todos os processos


resultantes da utilização do programa de reprodução do instinto
sexual como: desequilíbrio biológico, epigenética, subutilização do
córtex pré-frontal, efeito Coolidge e muitas outras informações que
vimos nos capítulos anteriores.

Quando Gregório diz que a paixão animal começou a atuar após o


fruto consumido, podemos entender como as consequências do ato
sexual animalizado se intensificam com o frenesi do ato sexual.
Como o ser humano não possui uma estação de acasalamento como
os animais, ele sofre as consequências durante longo tempo, que
promove repetidas tempestades neuroquímicas. Essa paixão é um
comportamento natural para os animais; já para os humanos, se
torna um comportamento pecaminoso, como vimos no capítulo 2.1.
Esse comportamento faz parte dos 7 pecados capitais, também

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Sexo Casto - Sandro Paiva

chamados as obras da carne ou defeitos de caráter. Assim, por


meio da luxúria, aconteceu o afastamento do ser humano como
criatura semelhante ao Divino, em seu estado paradisíaco.

5.2 – No paraíso, haveria algum tipo de sexo que


agradasse a deus?

Agostinho de Hipona afirma que:

Deus não disse aos primeiros esposos, cujo casamento ele


abençoou, que crescessem e se multiplicassem? Estavam
nus e não se envergonhavam. Por que, então, depois do
pecado surge confusão naqueles membros, senão porque ali
ocorreu um movimento desonesto, o qual, sem dúvida, o
casamento não sofreria se o homem não tivesse pecado?
(HIPONA, Livro I, v. 6)

De acordo com o Agostinho de Hipona, antes da queda, o sexo era


praticado sem a grande excitação que atualmente o acompanha,
pois no Éden, a vontade governava os órgãos sexuais, como hoje
governamos as mãos e os pés.

Agostinho, em ―A Cidade de Deus‖, conclui ―Então, sem sentir a


tentação da paixão a aguilhoá-lo, o marido relaxaria no seio da
esposa com tranquilidade de espírito e sem prejuízo para a
integridade do corpo‖ (AGOSTINHO, 1977, p. 1303-1314).

Tomás de Aquino também escreveu sobre o sexo no Paraíso ou em


um estado de inocência, citando o trecho escrito acima, de
Agostinho, e de como a luxúria torna a pessoa fora da razão e
embrutece a mente humana:

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Como os brutos carecem de razão, o homem, na conjunção,


torna–se bruto, porque o deleite do coito e o ardor da
concupiscência não podem ser moderados pela razão. Mas
no estado de inocência nada haveria que não fosse por estar
moderado. Não que houvesse menor deleite sensível, como
querem alguns; pois, este seria tanto maior quanto mais
pura fosse a natureza e o corpo mais sensível; mas a virtude
concupiscível não perturbaria, desordenadamente, o
referido deleite, regulado pela razão, que faz, não com que
este seja menor, mas com que a virtude concupiscível não
se lhe torne imoderadamente inerente. E digo,
imoderadamente, por causa da medida da razão. Assim o
sóbrio não tem, no alimento moderadamente tomado,
menor deleite que o guloso; mas o seu concupiscível
concentra–se menos em tal deleite. E as palavras de
Agostinho (citadas acima) significam que do estado de
inocência não está excluída a intensidade do deleite, mas o
ardor da libidinosidade e a perturbação da alma (AQUINO,
2017, p. 801).

Tomás de Aquino diferenciava o descontrolado prazer orgástico


animal (luxúria) de um deleite sexual, de um corpo sensível ao
êxtase, mas que seja controlado pela razão e que levaria a uma
experiência quase religiosa durante o ato sexual.

Todo ser humano pode praticar um ato sexual paradisíaco, isto não
é uma utopia ou algo somente experimentável no Paraíso - como
parece acreditar (em alguns momentos) Agostinho e uma grande
parte da igreja primitiva que também condenava todo tipo de
prazer sexual terreno - pois basta não extrapolar ou afundar na
carnalidade por meio do orgasmo comum, mas buscar o carinho, o
toque tranquilo, a paz na relação e assim apreciar emoções
sublimes que advêm somente de uma relação casta, do espírito que
se torna manso e santo, livre da fornicação, para que dois corpos
possam se tornam um.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

John Humphrey Noyes, pastor e fundador da Comunidade Oneida,


explica que:

A relação sexual ordinária é uma relação momentânea, que


termina na exaustão e no desgosto. Se ela começa no
espírito, logo termina na carne. A amorosidade, que é
espiritual, é abafada pela reprodutividade (luxúria), que é
sensual. A exaustão, que naturalmente se segue, produz
remorso e vergonha, e isto leva ao desgosto e ao
encobrimento dos órgãos sexuais, que contraem associações
desagradáveis, devido ao fato de serem instrumentos de
excesso pernicioso. Esta é sem dúvida a filosofia da origem
da vergonha depois da Queda. Adão e Eva primeiro
afundaram o espiritual no sensual, avançando
prematuramente do espiritual em direção ao sensual, e
então ficaram envergonhados, e começaram a olhar de
modo negativo para os instrumentos de sua insensatez. Ao
mesmo princípio podemos creditar o processo de
esfriamento que se instaura entre os amantes depois do
casamento e que frequentemente termina em indiferença e
desgosto. Exaustão e remorso tornam o olhar malicioso não
só em relação aos instrumentos do excesso, mas também
em relação à pessoa que provoca o excesso. Em contraste a
isto, os amantes que utilizam seus órgãos sexuais como
simples servidores de suas naturezas espirituais, abstendo-
se do ato propagativo, exceto quando a procriação é
planejada, podem desfrutar o mais alto êxtase da
cooperação sexual por qualquer duração de tempo, sem
saciedade ou exaustão; e assim a vida conjugal pode se
tornar permanentemente mais doce que o cortejo ou mesmo
a lua de mel (NOYES, 1872, p. 8).

Esses grandes homens cristãos obtinham o conhecimento através


da palavra, observação da vida prática e do cotidiano da sociedade
em que estavam inseridos.

Agostinho de Hipona, afirma que ―Assim também não estava no


poder do homem viver bem, mesmo no Paraíso, sem a ajuda de
Deus, mas estava em seu poder viver mal, perdendo a felicidade e

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incorrendo no mais justo dos castigos‖ (AGOSTINHO, 1977, p.


1318).

Através dos castigos imputados ao casal primordial, que nada mais


são do que as consequências do ato cometido, podemos ter ainda
mais clara a compreensão sobre a natureza sexual da queda. É
interessante o relato de Satanás no Evangelho Apócrifo de
Bartolomeu, onde diz:

[...] descobri como podia seduzi-lo: tomei em minhas mãos


umas folhas de figueira, enxuguei com elas o suor do meu
peito e das minhas axilas e atirei-as ao rio. Eva, então, ao
beber daquela água, conheceu o desejo carnal e o ofereceu
ao marido. A ambos pareceu doce seu sabor e não se deram
conta do amargo de haverem prevaricado. Se não
houvessem bebido dessa água jamais poderia eu enredá-los,
pois outro meio eu não tinha para poder superá-los se não
esse (BÍBLIA, APÓCRIFOS, 1992, p. 295-296).

A obediência à castidade, à união sagrada onde dois se tornam


um, foi a primeira Aliança de Deus com o casal primordial. ―Mas
eles transgrediram a aliança, como Adão; prevaricaram contra
mim [...] fornicaram Efraim e contaminaram Israel.‖ (Os 6:7-10
Versão Reina Valera).

Se lermos atentamente a descrição do capítulo 3 de Gênesis a partir


do versículo 7, veremos claramente os indícios que decifram o
crime do pecado original: ―Então foram abertos os olhos de ambos,
e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e
fizeram para si aventais.‖ (Gn 3:7).

Após começar a ver o lado mau da vida, notaram a sua nudez


descoberta pela perda das vestes espirituais. ―E cobriram a sua

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vergonha‖ (JUBILEUS, APÓCRIFO, sd). O termo ―descobrir a


nudez‖ sempre se relacionava a ato sexual impróprio como
demonstrado em quase todo o capítulo 18 de Levítico. O ato de
tapar os órgãos sexuais com folhas nos remete a essa perda da
inocência pura, livre do pecado no ato sexual, indicador de
vergonha e por onde o pecado fora consumado. Se o fruto fora
comido literalmente, eles tapariam suas bocas, da mesma forma
que as crianças fazem quando comem algo escondido. Esse é o
mesmo entendimento de Agostinho de Hipona (RANKE-
HEINEMANN, 1996, p. 90).

Eva comeu primeiro, tomou a frente as rédeas do ato sexual, por


talvez querer tanto a reprodução, (como Sara de Abraão quis,
quando não era a hora certa de acontecer e acabou incentivando o
adultério em Gênesis cap.16), mas o pecado fora cometido juntos,
pois os olhos foram abertos em ambos ao mesmo tempo.

Nos versículos 8 a 11 de Gênesis 3, se dá a perda de intimidade


com Deus, o medo do encontro e a descoberta por Deus do ato
cometido.

No versículo 12 de Gênesis 3, lemos ―Então disse Adão: A mulher


que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi‖.
Observamos, nesse versículo a perda de intimidade entre o casal, o
efeito Coolidge que esfria a relação, processo que já fora
comentado anteriormente pelo Pastor Noyes.

Já, no versículo 13, lemos ―E disse o Senhor Deus à mulher: Por


que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu

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comi‖. Vemos, aqui, que a luxúria sempre engana por sua


formosura, prazer fugaz e influência espiritual. Principalmente
quando se tem prazer sexual com o desejo da maternidade juntos,
como veremos mais adiante.

O autor Boteach afirma, em seu livro, que:

Enquanto os autores feministas estão apenas começando a


afirmar a forte natureza sexual das mulheres, o Talmude
realmente declarou a dois mil anos que a paixão sexual de
uma mulher é muito maior do que a de um homem. Na
verdade, Nachmanides (1194-1270), um dos maiores
estudiosos judeus, explica em seu comentário sobre a Bíblia
que quando Deus declarou que Eva ansiaria por Adão
depois de comer da Árvore do Conhecimento, ânsia
(teshukah) representa um grande desejo sexual por seu
marido (BOTEACH, 1999, p. 64-65).

No capítulo 6.1, deste livro, aprofundarei mais no porquê de a


mulher ter sido enganada primeiro, qual é o verdadeiro sentido da
palavra ―submissão‖ para as mulheres e porque carregam a culpa
do pecado. Como podemos confirmar no versículo 14 de Gênesis
3, ―Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto,
maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do
campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da
tua vida‖. Dito e feito, a serpente se tornou um dos animais mais
temidos do mundo, associada ao mal, à luxúria e a Satanás. O ser
humano agora deverá dominar a luxúria demoníaca, simbolizada
pelo réptil que se move sobre a terra, já mencionado e bem
especificado em Gênesis 1:26.

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No versículo 15 de Gênesis 3, vemos uma ordem contundente do


Criador, em resposta à desobediência da mulher e à estratégia
maligna da Serpente ―E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre
a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe
ferirás o calcanhar‖. Aqui, vemos o combate quase eterno da
humanidade com a luxúria, a demonstração de um conflito de duas
descendências ao longo da história: os filhos da serpente ou do
diabo (Jo 8: 41-44) geradores da luxúria, fornicação, habitantes da
cidade dos homens de Agostinho - sobre os quais falaremos mais
adiante - são aqueles que despertam para o mal e não se
arrependem das impurezas e pecados que cometem, mas sim os
defendem, correspondem aos ímpios do Sl 58:3,5 e Mt 13: 37; do
outro lado os filhos da mulher, da castidade, do arrependimento,
seguidores e imitadores do comportamento e do ensino de Cristo -
o nosso salvador - de sua verdadeira igreja, habitantes da cidade de
Deus.

Os resultados dessas feridas mencionadas no versículo 15 de


Gênesis 3 afetam diretamente o ser humano.

A serpente (luxúria demoníaca) ataca no calcanhar, pois quando


menos o homem espera poderá ser picado por ela. A luxúria é o
calcanhar de Aquiles dos filhos de Deus, o ponto fraco da
humanidade, sobre o qual Deus sempre alertou ao povo de Israel a
fugir dela e que, o mesmo Deus, irado por seu povo não obedecer,
compara-os a uma prostituta, símbolo oposto ao da igreja
verdadeira, a mulher virgem e casta.

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A animalidade do instinto da sexualidade é um dos maiores


desafios para a humanidade. Freud já pontuava como esse impulso
move o mundo. Quase tudo gira em torno dele: vaidade, prestígio,
orgulho, compulsões etc. Quando não se é bem resolvido na
questão da sexualidade, a libido é transferida para as questões de
poder.

Mal sabem os pobres mortais que quem organiza e rege toda essa
conjuntura de desvios comportamentais são Satanás e suas legiões.
Eles sempre inclinaram a humanidade para fornicação (Jd: 6,7).

No livro secreto do Apóstolo João, encontramos esse diálogo: ―Eu


disse ao salvador, Mestre, não foi a cobra que instruiu Adão a
comer? O salvador riu e disse: A serpente os instruiu a comer da
maldade do desejo sexual e da destruição para que Adão pudesse
ser útil para a serpente‖ (THE SECRET BOOK OF JOHN, sd).

Se você quiser destruir um inimigo, por onde atacaria? Por seu


ponto fraco, é claro!

Assim, Satanás controla o mundo que jaz no maligno (1 Jo:5 19)


através do controle da energia sexual humana, impondo a luxúria e
o orgasmo como um comportamento padrão, abrindo assim as
portas para todos os outros males do mundo, como uma caixa de
Pandora. Desta forma, Satanás mina a possibilidade da humanidade
alcançar a santidade, ou seja, sua maior força.

A autora e pastora Ellen G. White, afirma que

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Satanás procura rebaixar a norma de pureza e enfraquecer o


autocontrole dos que se casam, porque sabe que enquanto
as paixões subalternas estão em ascendência, as faculdades
morais se tornam seguramente mais fracas, e ele não
precisa preocupar-se com o seu crescimento espiritual
(WHITE, 2004, p. 118).

Quando se é ferido no calcanhar, não se pode caminhar, fica-se


estagnado no caminho espiritual. Essa é uma ferida que nunca
cicatrizou na igreja cristã e também em todas as outras religiões: o
escândalo sexual.

Por outro lado, o ponto fraco da serpente é a cabeça, esmagada pela


castidade - nesse momento me vem à mente a imagem da
―Imaculada (sem mancha da luxúria) Conceição (concepção)‖
pisando na serpente, uma imagem talvez inspirada nessa passagem
- essa mulher, a noiva casta, igreja verdadeira que será formada por
aqueles que obtêm o conhecimento de si mesmos, das fraquezas e
dos pontos fracos, que têm Cristo como cabeça, a força que nos
leva para a sabedoria de viver no mundo e não ser do mundo (Jo 15
19).

No versículo 16, de Gênesis 3, lemos o que Deus disse à mulher:


―Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição‖. É
comum desvendar-se um crime pelas pistas deixadas no local ou,
nesse caso, pelas consequências do ato. Esse talvez seja o
versículo mais significativo para nossos estudos - retirei esse
trecho como está na versão Reina Valera, ACF e outras, pois em
algumas versões atualizadas foi colocada uma vírgula após a
palavra dor, descaracterizando o sentido da multiplicação da
conceição, esse versículo mostra como o castigo da multiplicação
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da dor (sexo animal) e da conceição (reprodução descontrolada)


feminina, indicam a perda da castidade no ato sexual,
demonstrando assim que o primeiro pecado na relação sexual de
Adão e sua esposa foi que eles foram ao nível dos animais
irracionais e, portanto, foram expulsos do Paraíso (WIBILEX, sd).

Esses castigos nos indicam que antes da queda não haveria um


descontrole do instinto sexual em sua forma reprodutiva, pois a
concepção não era algo rotineiro e automático como seria no
mundo pós-Paraíso, onde se tem uma concepção quase imediata
após o ato sexual findado pelo orgasmo. Essa era a forma de sexo
dos animais e não a escolhida por Deus para os humanos, por isso a
multiplicação da concepção, aqui mencionada, é um castigo de
Deus: ―com dor darás à luz filhos‖.

Parece até que Deus já sabia - e com certeza sabia - que o sexo
casto, praticado com Amor, é o maior gerador de Ocitocina (o
hormônio do amor) que existe, diferentemente do sexo orgástico
que neutraliza a ocitocina devido à ressaca neuroquímica
consequente.

Já vimos todos os benefícios desse hormônio, mas é necessário


enfatizar que ele é o responsável pelas contrações que preparam o
corpo feminino para expulsar o bebê na hora do parto, produzir
leite, evitar a hemorragia e, também, amar a cria quase que à
primeira vista. Todas essas vantagens da ocitocina são fatores que
levam à diminuição da dor no parto.

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A partir da passagem ―e o teu desejo será para o teu marido, e ele


te dominará‖ decreta-se o que viria a ser o Patriarcado, o masculino
dominando o feminino; o prazer sexual da esposa não importa, o
sexo servirá apenas para o gozo do marido (na maioria das vezes) e
a multiplicação descontrolada de seres humanos.

Nota-se a extrema semelhança entre esse castigo decretado aos


humanos e o comportamento dos casais de mamíferos no reino dos
animais, o macho domina a fêmea através da força maior, e o
prazer durante o ato sexual parece existir apenas para os machos.

Assim, descreve a escritora adventista Ellem G. White sobre essa


passagem, referindo-se à Eva e às mulheres no mundo ―[...] a
tristeza e a dor que deveriam dali em diante ser o seu quinhão‖
(WHITE, 2004, p. 110).

Em relação à questão de Deus advertindo Adão por ter escutado


sua mulher, optei por comentá-lo, mais amplamente no capítulo
6.1. No entanto, para adiantar um pouco o entendimento, Satanás
dominou inicialmente Eva porque facilmente assim dominaria
também a Adão, pois a questão envolvida nesse versículo é toda
dinâmica hormonal da luxúria sexual no casal. O restante desse
versículo, juntamente com o versículo 18 e parte do 19, nos
mostram a dificuldade que a humanidade irá passar como
consequência do pecado. Na sequência, é decretada a mortalidade
da humanidade e no versículo 20, o nome de Eva como mãe de
todos.

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Devemos levar em conta, a partir do versículo 21 ―E fez o Senhor


Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu‖, a
característica simbólica das vestes na Bíblia, que sinalizam o
caráter da pureza espiritual (Is 52:1, 61.3,10, Mt 22 1-14, Zc 3. 4-5,
Ap 16:15 etc.)

O que aconteceu com o casal primordial foi - como mencionou


Gregório - a perda do olhar, no provar casto e na comunhão com
Deus. O que se deu foi o inverso da passagem de 1Co 15:53, o
corpo incorruptível se revestiu de corruptibilidade onde a
animalidade nas vestes revela a impureza espiritual na vivência
puramente instintiva.

A humanidade vivenciava o bem, a plenitude - sentimento do qual


ainda temos um resquício dentro de nós, em nosso inconsciente.
Mas agora ela provaria o mal, o sofrimento e o distanciamento da
Árvore da Vida. Como seria se o mal não tivesse fim? Por isso a
finitude dele é essencial, pois enquanto não houver a castidade, o
mal sempre terá raízes e brotará. Dessa forma, a solução para a
existência do mal está determinada no versículo 22 ―Então disse o
Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem
e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da
Árvore da Vida, e coma e viva eternamente‖.

Mas o caminho ao Paraíso não está fechado para a humanidade, ele


está guardado por querubins e uma espada flamejante (versículo
23) para que ali não tenham entrada os que pecam, os impuros que
odeiam a castidade e a Cristo, os que não se arrependem.

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Parece-nos bem claro que pela mesma porta que saímos, devemos
entrar. A porta se chama santidade e a chave dessa porta é a
castidade ensinada por Deus, resgatada e revelada pelo nosso
Senhor Jesus Cristo (2 Cr 3:14-16).

5.3 - Deus controla a cadeia evolutiva do ser humano e o


pecado original a descontrola.

É necessário compreender que os seres humanos - e demais seres


vivos do planeta -estão em um processo de evolução, ou involução
da espécie. Alguns estão desenvolvendo habilidades novas e
também progredindo espiritualmente (no caso de alguns humanos).
Por outro lado, outros estão deixando até de existir, seja por falta
de adaptação, deterioração genética ou espiritual.

Assim, o processo de frutificação que Deus sugeriu que os seres


humanos realizassem (já mencionado antes) seria o processo
evolutivo da humanidade, ou melhor, uma revolução da
consciência, pois evolução dá a entender que o processo acontece
automaticamente, e isto não é verdade, temos que realizar aquilo
que Jesus nos propôs para essa caminhada evolutiva: negar a si
mesmo, tomar cada um a sua cruz e segui-lo (Lc 9:23). Mas em
sentido contrário, o pecado original trabalha contra a frutificação,
fazendo com o que o ser humano regrida a um mero animal
intelectual, um pobre mortal.

Se não houvesse a interferência do pecado na humanidade, aí sim a


evolução ocorreria automaticamente. Para Deus o que importa é o

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desenvolvimento espiritual de sua criação e com consequência


disso, teríamos também a evolução da genética humana.

Analisando a história no livro de Gênesis, vemos que a prole


oriunda do pecado original de Adão e Eva foi Caim: ―E conheceu
Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim (Gn
4.1).‖

Nesse sentido, O termo ‗conheceu‘ refere-se ao ato sexual


realizado no passado, portanto, dentro do Paraíso, que resultou na
concepção de Caim, perpetuando em sua descendência, a qual
Agostinho de Hipona chamou de Cidade dos Homens:

Efetivamente, todo esse tempo ou século durante o qual uns


desaparecem, morrendo, e outros aparecem, nascendo, é
que constitui o desenvolvimento das duas cidades de que
estamos a falar. Caim, o primeiro a nascer dos dois pais do
género humano, pertence à cidade dos homens; e Abel, o
segundo pertence à cidade de Deus. Assim como, num só
homem, constatam os o que diz o Apóstolo (1Cr 15:46): O
espiritual não é o que nasceu primeiro: primeiro nasceu o
animal depois o espiritual (AGOSTINHO, 1977, p 1325).

Caim (que significa possuído, como sendo propriedade de Adão e


Eva e não filho de Deus) nasce fora do Paraíso, ao que tudo indica,
fruto do fruto, a concepção não autorizada por Deus que nos
mostra a consequência de uma sexualidade animalizada.

A história em Gênesis nos ensina (e foi feita para nos ensinar como
menciona Paulo em 1Cr 10:11) sobre o carácter de Caim, o qual se
deu pela transgressão dos pais. Tudo indica que Adão e Eva
aprenderam a lição sobre o pecado, pois as outras crias, Abel e

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depois Seth, ―um filho à sua semelhança, conforme a sua


imagem‖ (Gn 5:3), possuíam o carácter que agradava a Deus.

É notória na descrição de Gênesis a diferença entre as


descendências de Caim e depois Seth.

O fruto do pecado (Caim) se apresentou em um ser invejoso e


assassino, que continuou seu comportamento animalizado em sua
cidade dos homens (voltada para as coisas terrenas), repassando
seu comportamento através da genética do pecado original para sua
descendência.

Como diz Tomás de Aquino citando Agostinho, ―é por pena de


pecado que o movimento dos membros genitais não obedece a uma
razão; de modo que uma alma sofra uma pena de desobediência a
Deus, precisamente no membro pelo qual o pecado original é
transmitido aos descendentes‖ (AQUINO, 2017, p. 1040).

Essa frase demonstra o tamanho do conhecimento desses Pais da


Igreja sobre a natureza do pecado original, a perda do controle da
tensão sexual que gera a perpetuação da espécie de forma
desordenada e ainda repassa a tendência luxuriosa para a próxima
geração.

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo


pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens
por isso que todos pecaram (Rm 5:12).

Hoje, podemos provar, cientificamente, o que esses grandes


cristãos já diziam há muito tempo, através dos estudos que

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demonstram que há uma transmissão de comportamentos de pais


para filhos por meio dos genes e pelo comportamento adquirido ao
longo da vida por meio da epigenética - que é a transmissão de
informações à geração seguinte sem que tenha havido uma
modificação no DNA.

Da mesma forma que existe uma tendência de vícios em drogas


(MESSAS, 1999, p. 35-42), álcool e outros comportamentos como
a depressão (BETANCOURT, et al., 2018, p. 5-6) serem
transmitidos de geração para geração, com a luxúria ocorre o
mesmo, pois se origina e se mantém pelo mesmo processo de
dependência produzida no cérebro pelas drogas, sendo a luxúria o
vício primordial e estimulante para os outros que vêm a seguir,
como constatou Freud.

O propósito de Deus sempre foi que a humanidade frutificasse


primeiro (evolução espiritual com castidade), para depois se
multiplicar ―vivas e te multiplique‖ (Dt 30: 16), pois só assim
nasceriam seres com uma genética mais saudável e evoluídos
espiritualmente. Essa concepção seria orquestrada por Deus, no
tempo de Deus, pela ordem de Deus, através - do que veremos
adiante - de uma ―concepção imaculada‖.

Agora, pergunto ao leitor, será que as consequências de uma


prática sexual desequilibrada agradam a Deus? A qual produz
humanos de saúde frágil, frutos de noitadas ou mesmo de estupros,
propensos a vícios e a todos os comportamentos advindos dos
pecados capitais? Será Deus responsável pela perpetuação de uma

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humanidade que se multiplica desenfreadamente e que destrói seu


próprio meio ambiente e o dos outros seres vivos - o qual havia
sido incumbida de cuidar - ou tudo é fruto de nosso livre arbítrio?

O autor Percival afirma que ―O uso do poder procriador foi o


‘pecado original‘. O resultado após o ato procriativo foi dar à raça
humana a tendência para a procriação ilegal, e essa tendência foi
um dos meios de provocar a ignorância e a morte no mundo‖
(PERCIVAL, 1946, p. 112).

O destino da maior parte da humanidade muito se assemelha ao


dos habitantes da cidade dos homens, descendentes de Caim, e ao
dos caídos da cidade de Deus. Podemos compreender melhor essa
questão nesse comentário bíblico de Agostinho sobre os tipos de
geração:

E aconteceu que, depois de os homens terem começado a


multiplicar-se sobre a terra, nasceram-lhes filhas‖. Mas os
Anjos de Deus, reparando que as filhas dos homens eram
belas, tomaram por esposas as que dentre todas escolheram.
E disse o Senhor Deus: o meu espírito não permanecerá
para sempre nestes homens porque são carne. Os seus dias
serão de cento e vinte anos. Havia, porém, naqueles tempos
sobre a terra gigantes. E depois disso, quando os filhos de
Deus se uniram às filhas dos homens, delas procriaram
filhos para si, (Gn 6:1,4 versão citada por Agostinho).

Mas quanto ao que se diz ―Geraram para si‖, fica bem


patente que, anteriormente, antes de terem assim caído, os
filhos de Deus geraram para Deus e não para si próprios,
isto é, o desejo carnal, em vez de dominar, submetia-se ao
dever de procriação; não geravam uma família que fosse a
sua glória, mas cidadãos para a Cidade de Deus, ensinando-
lhes, com o «anjos de Deus», a pôr em Deus a sua
esperança a exemplo do filho de Sete, o filho da

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ressurreição, que pôs a sua esperança em invocar o nome de


Deus…

Agostinho completa que esses ―filhos de Deus‖ caídos, voltaram


para as coisas inferiores, chamam-se, pelo seu nome da natureza, e
não pelo nome da graça, ―homens‖; e como desertores do espírito e
abandonados, também se chamam ―carne‖ (AGOSTINHO, 1977,
p. 1404-1405).

Neste texto de Agostinho, fica claro a diferença de gerar filhos para


si e filhos para Deus. Gerar filhos para si, se dá através de uma
reprodução descontrolada, sem a orientação Divina.

Vemos como é difícil vencer o instinto reprodutivo da sexualidade,


pois mesmo sendo filho de Deus, pode-se deixar encantar pela
artimanha do desejo.

A partir dessa multiplicação desordenada da humanidade, aliada ao


aumento da maldade do coração humano (mentiras, ofensas,
luxúrias abomináveis, pelo livro Segredos de Enoch), Deus se
arrepende da criação humana, (Gn 6:5,6), principalmente da
linhagem de Caim e dos caídos, mas preserva a linhagem de Sete
através de Noé (BÍBLIA, APÓCRIFOS, 1992, p. 47).

O declínio do ―primeiro‖ mundo se deve principalmente ao


fato de a violência ter se espalhado a um ponto que perverte
completamente a missão da criação ―seja frutífero e se
multiplique‖ [...] é sobretudo o coração humano em que a
fonte dessa força destrutiva é vista, porque suas "poesias e
costumes" produzem apenas o mal. Sociedade Bíblica
Alemã comentando (Gn 6.5; Gn 8.21) (WIBILEX, sd).

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Deus puniu a humanidade usando o mesmo elemento que ela


deturpou; o desperdício das águas criadoras para somente nutrir e
vitalizar a luxúria animal. O desperdício do sêmen é uma aberração
mesmo antes da criação do povo de Israel, um pecado que
culminou no dilúvio bíblico (REUVEN, sd).

Para a escritora protestante Ellen G. White o dilúvio aconteceu


porque: ―nos dias de Noé foi o amor desordenado excessivo
daquilo que era em si mesmo legítimo quando usado com
propriedade que tornou o casamento pecaminoso aos olhos de
Deus‖. (WHITE, 2004, p. 116)

Um detalhe interessante de se notar é a diferença nas idades


mencionadas das gerações de Caim e Sete. Os descendentes de
Caim nem têm suas idades mencionados, mas os descendentes de
Set são longevos, muito provavelmente por serem saudáveis. Eles
possuíam uma genética especial, adquirida pela castidade que
favorecia essa vida longa, pois quanto menos pecado, menos morte
se tem. Essa genética foi se perdendo, pela própria degeneração da
humanidade ao longo do tempo, ao ponto de em Israel, em sua
história antiga, ser normal crianças morrerem prematuramente e
idosos não cumprirem seus anos (Is 65:20).

Infelizmente, a nova aliança que Deus iria firmar com a família de


Noé também não estava totalmente isenta dessa genética fornicária.
Alguns estudiosos bíblicos afirmam que Noema, esposa de Noé era
descendente de Caim. Essa descendência fornicária é expressa na
história familiar quando Cam vê a nudez de seu pai Noé (Gn:

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29,22) um comportamento que nos remete a supor um abuso sexual


a seu pai (Lv: 18,7) ou à sua mãe (Lv: 20,11). Considerando a
maldição que Noé lança ao filho de Cam - seu neto Canaã -
presume-se que esse evento não fora somente uma nudez comum, e
sim um comportamento de fornicação que será repassado para a
próxima geração, por isso a maldição é para o neto e seus
descendentes e não para o próprio Cam. Foi dessa descendência
que surgiria os cananeus, um povo fornicador que sofreria uma
punição em Sodoma e Gomorra. É bom ressaltar que foi durante o
período da destruição dessas cidades que surgiriam mais dois
povos advindos da fornicação, os moabitas e amonitas, oriundos do
incesto das filhas de Ló (Gn 19.30-38).

Pecado hereditário

Analisando melhor como a genética favorece, apesar de não impor,


o comportamento das gerações futuras, podemos compreender
melhor algumas passagens bíblicas que mencionam essas ditas
―maldições‖, verbalizadas por Deus.

Pela utilização da linguagem hiperbólica, os escritos bíblicos que


mencionam a vontade de Deus demonstram uma mensagem
marcante para os leitores, no intuito de avisar sobre as
consequências do pecado, e, assim, tentar garantir que Sua vontade
seja realizada:

[...] porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que
visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e
quarta geração daqueles que me odeiam (Ex 20:5).

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Nenhum bastardo entrará na congregação do Senhor; nem


ainda a sua décima geração entrará na congregação do
Senhor. Nenhum amonita nem moabita entrará na
congregação do Senhor; nem ainda a sua décima geração
entrará na congregação do Senhor eternamente (Dt 23:1-3).

Nota-se nesses versículos como Deus se importava que seu povo


tivesse uma responsabilidade na atividade sexual, que não fossem
amonitas e moabitas, pois eram exemplos de povos fornicários. A
expressão ―décima geração‖ talvez demonstre uma ampliação das
consequências mencionadas em Ex 20:5; comportamentos impuros
que se ampliaram ao longo da história do povo de Israel, e que
atualmente a ciência demonstra a perpetuação genética de
comportamentos (ROBERTS et al., 2018).

Para o Talmude (TB, Nedarim, 20) a forma como o casal se une


afeta também o caráter da criança gerada dessa união. Quanto mais
elevadas são as intenções originais, mais elevados serão os filhos,
no sentido físico e espiritual (NEDARIM 20, sd).

Moisés deixa claro a grande necessidade de os sacerdotes terem


uma santidade sexual, para que assim pudessem transmitir essa
imagem de pureza para seu povo.

As passagens em Levíticos eram para os sacerdotes, descendentes


de Arão, irmão de Moisés, pessoas escolhidas a dedo, que
deveriam preservar os mandamentos, ser puros fisicamente e
espiritualmente para servirem de exemplo para o resto da
população: ―E ele tomará por esposa uma mulher na sua
virgindade.‖ [...] ―E não profanará a sua descendência entre o seu
povo; porque eu sou o Senhor que o santifico‖ (Lv 21:13,15).

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Os que possuíam defeitos ou doenças eram tidos como impuros


para o ofício, pois eram frutos de uma possível degeneração
genética. Deus fala a Arão: ―Ninguém da tua descendência, nas
suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer
o pão do seu Deus.‖ (Lv 21:17-24).

Mas, vale lembrar que tanto os defeituosos como os bastardos não


estão excluídos da salvação, pois a palavra de Deus esclarece:
―mas faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que
guardam os meus mandamentos.‖ (Ex 20:6).

Contudo, arcamos com as consequências do pecado original e a


dificuldade de lidar com o instinto sexual, como declarado em
Salmos 51.2, 5: ―Lava-me completamente da minha iniquidade, e
purifica-me do meu pecado. [...] Eis que em iniquidade fui
formado, e em pecado me concebeu minha mãe‖.

Todo esse desse

quilíbrio no instinto se dá pela degeneração genética que sofremos


ao longo do tempo, ocasionando uma batalha constante com nosso
sistema de recompensa cerebral. Uma batalha que travamos há
muito tempo e que se não fosse a desobediência do casal
primordial, a nossa história seria bem diferente, como menciona
Agostinho ―Por isso as núpcias dignas da felicidade do Paraíso, se
não tivesse havido o pecado, teriam gerado filhos dignos de amor e
não teriam vergonha da volúpia‖, que nada mais é do que a libido
em forma de luxúria (AGOSTINHO, 1977, p. 1303).

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Assim, no livro de Isaías 57:3,6, Deus chama seu povo de


descendência do adultério, da fornicação, de filhos da transgressão
e descendência da falsidade por inflamar-se com os deuses (luxúria
animal) debaixo de toda a árvore verde, e sacrificar os filhos nos
ribeiros, nas fendas dos penhascos.

O termo acima ―inflamar com os deuses” remete ao calor sexual da


luxúria animal que se torna uma idolatria, uma compulsão, que
desperdiça o sêmen em vão (sacrificai os filhos) seja no sexo
comum ou na masturbação, como veremos agora com mais
detalhes.

5.4 - Fluxos sexuais como descontrole do instinto e


impureza espiritual, segundo a lei mosaica.

Há um tempo, fui questionado por uma pessoa cristã sobre meu


entendimento do que é uma sexualidade casta. Em sua alegação,
ela afirmava que, se esse tipo de sexo – por meio do controle do
orgasmo - fosse realmente o ideal, Deus teria feito constar na
Bíblia.

Então respondi a ela: não há nada mais explícito sobre esse


comportamento na Bíblia do que quando se trata das impurezas dos
fluxos sexuais mencionadas no capítulo 15 do livro de Levítico.

A maioria dos grupos cristãos contemporâneos enxergam somente


o carácter higiênico nessas passagens, mas higiene e saúde
espiritual são inseparáveis.

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Nascimento (2013) afirma que ―Deve-se ter em mente que nessa


época, o conceito de santidade e pureza sanitária eram idênticos,
por isso o sacerdote exercia um papel de inspeção da saúde do
povo fazendo a prevenção a partir da orientação‖ (NASCIMENTO,
2013, p. 55-56).

Muitos fluxos, como corrimentos vaginais e uretrais, advêm de


infecções sexualmente transmissíveis, como a gonorreia e a sífilis,
que podem ser ocasionados por relações sexuais comuns, através
do contato com o sêmen e sangue ou locais contaminados por essas
relações, por isso eram considerados impurezas, desde há muito
tempo pelo o povo hebreu. Moisés apenas formalizou essas leis,
tão esquecidas e descumpridas por seu povo. Lembremo-nos de
Raquel sentada com fluxo em cima dos ídolos de Labão (Gn
31:34).

Mas, por que mencionam somente os fluxos sexuais como


impureza e não os excrementos -urina e fezes - que sujam as vestes
com maior facilidade e constância?

Porque muitas impurezas mencionadas em Levítico estão de certo


modo relacionadas à sexualidade, sejam elas nas doenças (que
demonstram perda de vitalidade ou castidade), na alimentação
(vamos aprofundar sobre esse tema no capítulo 6.2), no parto (uma
referência ao pecado original) e circuncisão (prática que
aprofundaremos no capítulo 5.11).

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Está claro que no caso do sêmen, ele possui uma característica


especial para Deus, é algo sagrado e, nada que é sagrado é de se
jogar fora.

É considerado impuro aquele que joga fora seu sêmen seja por
masturbação ou polução noturna, isso é, quando o homem tem um
sonho erótico e acaba por ejacular em decorrência desse sonho.
Conforme vemos em Levítico [Link] ―Também o homem, quando
sair dele o sêmen da cópula, toda a sua carne banhará com água, e
será imundo até à tarde”.

Também nas relações sexuais: ―E se um homem se deitar com a


mulher e tiver emissão de sêmen, ambos se banharão com água, e
serão imundos até à tarde (Lv 15:18)‖.

O termo ―até a tarde‖, que significa até o outro dia, poderia se


referir a um prazo para realização de uma nova prática sexual,
porque a purificação completa só se daria após sete dias sem fluxo
e depois de um sacrifício (Lv 15:13, 14). Deus sempre enaltece a
importância de se ter uma vida limpa espiritualmente, que nos
afastasse da morte, como vemos em Levítico 15: 31-32:

Assim separareis os filhos de Israel das suas imundícias,


para que não morram nas suas imundícias, contaminando o
meu tabernáculo, que está no meio deles. Esta é a lei
daquele que tem o fluxo, e daquele de quem sai o sêmen da
cópula, e que fica por eles imundo.

Interessante notar que a impureza não era somente relacionada aos


ofícios do tabernáculo físico, mas também ao corpo humano que
sempre foi considerado um tabernáculo, templo, onde Deus habita,

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―no meio deles‖, dentro de vós (Lc 17:21), a morada do Espírito


Santo (1 Cr 6:19).

A lei é clara, mas o cumprimento dela não é nada fácil, por isso seu
entendimento sofreu possíveis alterações de interpretação ao longo
do tempo, permanecendo somente para poucos grupos que
cumpriam parcialmente essas leis, e raríssimos os que o faziam em
sua totalidade. A visão sexual de alguns grupos judaicos demonstra
certa compreensão nas passagens de Levítico 15.

O Talmude Babilônico proíbe "emitir sêmen em vão" e em Mishná


se afirma que se um homem tocar em seu pênis com a mão (para
verificar se há emissão ritualmente impura), sua mão "deve ser
cortada". Em Niddah no Mishná quem emite e quem recebe o
sêmen (lembrem-se do problema da deterioração do sêmen na
vagina) estarão impuros (NIDDA, 33B, sd).

O código da lei judaica Shulchan Aruch e a obra Kitzur Shulchan


Aruch afirmam que desperdiçar esperma é considerado um pecado
maior do que qualquer pecado na Torá. Conforme podemos
confirmar em Isaías [Link] ―Quem desperdiça o sêmen é como se
ele fosse um assassino, derramasse sangue‖, como está escrito:
―Assassinos de crianças nos vales, sob as pontas das rochas‖
(NEDARIM, 43B, sd) e ainda ―Quem desperdiça sêmen, Deus o
livre, seus filhos morrerão cedo, ou acabarão como pessoas más‖
(REUVEN, sd).

Quem ama o desperdício do sêmen ou a luxúria "é como se ele


fosse um adorador de ídolos" (NIDDAH, 13a). E Não há maior

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idolatria na humanidade do que o prazer do descontrole sexual e


dos vícios em geral.

Essa impureza espiritual era tão séria na Antiguidade que tanto no


pensamento Hassídico Judaico (ZUCHIWSCHI, 2010, v. 30) como
no Cristianismo medieval (AQUINO, 2017, p. 488), eles
acreditavam que demônios -os íncubus e súcubus dos sonhos
eróticos- se originavam e se alimentavam dos fluxos sexuais.
Falaremos com mais detalhe sobre esse assunto no capítulo 6.3.

Seguidores do movimento Chabad Lubavitch defendem que:

O homem para ser perfeito deve ter controle completo sobre


seu desejo sexual, alimentar ou de bebida, para não impedir
o desenvolvimento de sua perfeição. A moderação no sexo,
como em todas as esferas das atividades biológicas
humanas, é recomendada. Sempre que o sêmen é emitido
em excesso, o corpo fica esgotado e sua força diminui.
Aquele que se excede estará sujeito ao envelhecimento
precoce, esgotamento físico e enfraquecimento da visão
(RAMBAM, sd).

De acordo com a visão judaica Kosher sobre o sexo:

Deus exige de nós uma situação em que o marido não esteja


interessado em ejaculação e clímax, mas em encontrar um
ritmo compartilhado no sexo com sua esposa. O sexo
humano, portanto, necessita um foco na harmonia e
intimidade ao invés do mero prazer ou reprodução
(BOTEACH, 1999, p.62).

O controle da ejaculação era algo necessário para manter a


sanidade biológica, espiritual, além do controle de natalidade, pois
não se mata a carne, através de mais carne. Quanto mais prazer
advindo da luxúria, mais descontrole da sexualidade acontecerá,

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produzindo também mais ejaculação ou fluxo (como se diz


também na linguagem bíblica), dificultando assim o controle sobre
a tensão sexual.

Todo o mundo antigo tinha consciência dos males que o


destempero sexual, ocasionava para a saúde emocional, mental,
motora e espiritual da pessoa. Assim o termo ―prazer‖ se tornou
sinônimo dessa luxúria, e foi combatido por muitos. Daí surgiu o
pensamento de que o sexo era somente para a reprodução,
principalmente por aqueles que não conheciam o sexo casto. Para
Fílon de Alexandria ―Os que durante o coito causam a destruição
do sêmen são sem dúvida inimigos da natureza‖ (RANKE-
HEINEMANN, 1996, p. 32).

No livro de Números 5:2 (versão Reina Valera) encontramos a


seguinte ordenança: ―Ordene aos filhos de Israel que expulsem do
campo todos os leprosos, e todos aqueles que sofrem com fluxo de
sêmen, e todos os que estão contaminados sobre os mortos‖. E
ainda, em Ezequiel 23:8 (versão Reina Valera) ―E ela (Israel) não
deixou as suas fornicações do Egito; porque com ela se deitaram na
sua juventude, e apertaram os seios da sua virgindade, e
derramaram sobre ela as suas fornicações‖.

Com as passagens citadas, acima, e muitas outras existentes na


Bíblia, nota-se como o povo de Israel não cumpria a lei de ser
casto, assemelhando-se a seus povos vizinhos nos comportamentos
impuros. Deus compara quem não controla a ejaculação como
sendo animal: ―E (Israel) enamorou-se dos seus amantes, cuja

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carne é como a de jumento [órgão sexual desproporcional ao


corpo], e cujo fluxo é como o de cavalos” (Ez 23:20; Jr 2:24; Jr
5:7,8).

A falta de controle do orgasmo era motivo de vergonha, desonra e


até uma forma de maldição, como, por exemplo, a maldição de
Davi para Joabe: ―e nunca na casa de Joabe falte quem tenha
fluxo‖ (2 Sm 3:29).

Dá para notar que a lei de Deus sempre foi bastante rigorosa.


Podemos compará-la à ordem de um pai que espera que seu filho
cumpra o máximo possível àquela obrigação. Quanto mais
exigência, mais perfeito o comportamento terá de ser, pois quem
exige pouco, o resultado quase sempre é ruim.

Deus nos convoca a nos purificarmos, a deixarmos o


comportamento impuro para que tenhamos acesso às bênçãos por
Ele prometidas. Por isso a Bíblia enfatiza que quando se tem uma
perda seminal, até que estejamos limpos espiritualmente, não
comeremos as coisas santas (Lv 22:4).

Enquanto estivermos imundos espiritualmente, somente


realizaremos as obras da carne, como veremos mais adiante.
Somente com a influência do Espírito Santo, livres da imundície é
que poderia haver uma possibilidade de transmitir uma genética
favorável para os descendentes, como podemos abstrair do texto
em Jó 14:1-4: ―Quem do imundo tirará o puro? Ninguém‖.

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Mas, com esse controle sobre o ato sexual, como seria a


fecundação? Qual o propósito da sexualidade na espécie humana
para Deus? A resposta está na geração de filhos dignos de amor, de
uma essência espiritual e genética melhorada. São os filhos da
Concepção Imaculada!

5.5 - Imaculada concepção: a divina seleção genética.

Está muito bem consolidado no mundo cristão o conceito de que a


doença, o sofrimento e a morte não estavam nos planos divinos
para a humanidade, e que estes acontecimentos se deram pela
desobediência às regras divinas.

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Comer ou não o fruto é uma decisão humana, advinda do livre


arbítrio que foi dado aos seres humanos e, a partir da escolha
errada decorrente da má influência, tem-se como consequência a
multiplicação desordenada da humanidade e a perpetuação do mal
em todos os sentidos, conforme podemos verificar em Gênesis
3:16.

Mas, na história bíblica, Deus deveria deixar o exemplo de como


as coisas poderiam ser diferentes, quando se faz a Sua vontade e
não a do ego humano-animal.

Quando observamos o termo Imaculada Concepção, imediatamente


nos vem à mente a imagem da Virgem Imaculada Conceição
(concepção) um dos vários nomes dados à Maria, mãe de Jesus.

Esse termo se refere a uma tradição oral baseada em textos


apócrifos de que Maria foi concebida pelos seus pais sem o pecado
original, sem mácula, pois, como dizem alguns religiosos sobre o
assunto, se tanto Jeremias (Jr 1:5) como João Batista (Lc 1:15),
Isaías (Is 49:1), Sansão (Jz 13:5), Paulo (Gl 1:15) e Noé, conforme
registrado nos Pergaminhos do Mar Morto, já eram conhecidos
por Deus e que Deus os santificara desde o ventre sendo eles
cheios do Espírito Santo - poderiam ser imaculados - o que se
poderia supor da mãe do super-imaculado Salvador?

Sua imagem imaculada pisando na serpente nos remete à vitória da


castidade sobre o demônio da luxúria, a tentação satânica a qual
Eva e Adão sucumbiram.

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Os termos ―imaculada concepção ou separado desde o ventre‖ se


referem à forma de concepção a qual o ser é concebido, ou seja,
concepção sem ejaculação, sem mácula, impureza, que não fora
advindo da luxúria animal pelo descontrole do instinto.

Sabemos que não são necessários milhares de espermatozoides


para a fecundação, sendo apenas um suficiente, aquele especial,
imaculado, selecionado por Deus, no tempo de Deus.

A concepção imaculada só existe através de uma prática sexual


casta, sem impureza (Lv 15), onde se dá o predomínio da vontade
Divina da concepção sob a vontade da pessoa.

Podemos compreender também o significado do termo


―imaculado‖ - sem mancha da luxúria, sem impureza - por meio do
versículo de Paulo em Hebreus 13:4 (versão Reina Valera):
―Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula;
mas os fornicários e aos adúlteros, Deus os julgará‖.

A única coisa que produz mácula em um leito matrimonial são os


fluxos sexuais expressados em Levítico 15. O termo fornicação
aqui, assim como em outros trechos da Bíblia, tem o sentido de
impureza sexual pelo derrame do sêmen, pois na passagem de
Hebreus 13:4 o escritor está falando para casados e qualquer delito
cometido dentro do leito matrimonial seria ou traição ou a
impureza no ato sexual.

O sexo imaculado e, consequentemente, a concepção imaculada


seriam da vontade Divina no que tange à sexualidade humana,

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conduzindo assim à melhoria de nossa genética e à espiritualidade.


Conforme podemos verificar nas palavras do Rabino Itschak Dan
Grunberger ―A pessoa para trazer uma vida deve-se elevar
espiritualmente [frutificar]‖ (GRUNBERGER, sd). Para que esse
argumento tenha fundamento, a Bíblia deveria mostrar esse
comportamento como vontade de Deus, e foi o que Ele fez.

5.6 - Os imaculados filhos da promessa.

A promessa divina revelada ao patriarca Abraão, em Gn 12:2, diz


que ele seria o pai de uma grande nação abençoada por Deus.
Dessa forma a vida de Abraão se torna um exemplo para a
participação nessa promessa Divina. Antes de iniciar a
descendência prometida por Deus, Abraão teve que passar por
algumas transformações espirituais e carnais que o aperfeiçoariam
para sua missão de pai das nações.

Seguindo as orientações de Deus, Abraão deveria abandonar sua


cidade, seus parentes, seus pais; deixando todas as influências de
uma possível idolatria para trás.

Durante outro encontro com Deus (Gn: 17), Abraão é orientado a


mudar seu nome de Abrão (pai grande) para Abraão (pai de muitas
nações), o mesmo aconteceu com a matriarca Sara, que antes se
chamava Sarai. A mudança de nome certificava um processo de
renascimento espiritual, que remete à frutificação ordenada por
Deus em Gênesis, surgindo assim uma nova criatura, um nascer de
novo, como muitos outros fizeram na história bíblica após um
aperfeiçoamento espiritual (Ap 2:17).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Ainda, no mesmo diálogo, Deus revela que a sua promessa


depende de uma aliança perpétua entre Ele, Abraão e sua
descendência, tendo como sinal: ―[...] que todo homem entre vós
será circuncidado‖ (Gn 17:10).

Assim, passa a se tornar clara a importância da castidade sexual


como condição indispensável no processo de aliança perpétua para
a concretização da promessa divina, pois a circuncisão (como
analisaremos mais profundamente no capítulo 5.11) não é somente
um sinal da aliança na descendência, mas sim uma atitude de
responsabilidade e santidade com o caráter sagrado da sexualidade,
através da extirpação da carne (da carnalidade ou animalidade) do
membro sexual.

Ser casto sempre foi, desde o início, fundamental no processo de


todas as alianças que Deus firmou com a humanidade, como
descrito no livro de Oséias 6:7-10 (versão Reina Valera) ―Mas eles
transgrediram a aliança, como Adão; todos ali prevaricaram
contra mim [...] fornicaram Efraim e contaminaram Israel‖.

Após todos esses processos, é anunciado por Deus a Abraão e Sara,


que eles teriam um filho por nome de Isaque, o filho segundo a
promessa, por vontade divina, diferentemente do outro filho de
Abraão com a escrava que fora gerado segundo a carne, por
vontade humana e não Divina, ―[...] era um zombador‖ (Gn 21:9).

Santo Agostinho de Hipona elucida-nos qual o significado dos dois


filhos de Abraão:

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Sexo Casto - Sandro Paiva

[...] um, o da escrava chamada Agar, nascido de modo


natural (secundum camem natus), é Ismael; o outro, o de
Sara, mulher livre, nascido devido a uma promessa
(secundum repromissionem natus), é Isaac. Ambos são,
sem dúvida, da semente de Abraão: mas a um gerou-o ele
segundo o modo habitual da natureza, e o outro resultou da
promessa que significa a graça. Naquela mostra-se a
maneira humana — e neste evidencia-se o benefício
divino‖ (AGOSTINHO, 1977, p. 1329).

Essas duas formas de concepção nos ensinam, com o mesmo


sentido de linguagem usada nos filhos de Adão e Eva (Caim e
Sete), o propósito de Deus para com a humanidade, e as escolhas
que foram seguidas pelos humanos, em que se tem as seguintes
características:

1) Reprodução pelo modo da natureza animal e vontade própria da


luxúria:

- Sem a comunhão com Deus;

- Falta de domínio próprio;

- Vida desregrada;

- Gera pessoas que poderão perpetuar geneticamente os 7 pecados


capitais.

2) Reprodução imaculada, através do controle do instinto


(orgasmo)

- Vida abstêmia de bebida forte e comida imunda;

- Acontece sob a vontade de Deus, e em Seu tempo;

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- Gera pessoas com características espirituais superiores (graça) e


com qualidades genéticas favoráveis.

Segundo a Torá:

Sara, que era profetisa, não entendia por que demorava


tanto tempo para que este milagre prometido por Deus se
concretizasse. Ela entendeu que para que lhes nascesse um
filho seria necessário não apenas um milagre, mas também
que Abraão se purificasse de toda e qualquer influência
negativa que poderia estar ligada a sua alma proveniente de
sua ascendência. O segundo patriarca, Isaque, por ter sido
oferecido como sacrifício para Deus, tinha santidade tal que
não se casou com uma segunda mulher (TORÁ, sd).

Em Gênesis 22:12 vemos que Abraão passa por sua última


provação de fé, o sacrifício do seu amado filho, o filho de Deus, a
prova maior de desapego que uma pessoa que ama pode passar. A
escolha e a preferência de Deus por Isaque são tamanhas que Ele o
chama de ―único filho de Abraão‖.

Mas, a influência genética da luxúria ainda se perpetuou na


descendência de Isaque através de Rebeca, pois ela não nasceu de
uma concepção imaculada, uma vez que vinha de uma família de
idólatras.

Rebeca dá à luz a gêmeos, assim a narrativa histórica dos dois


caminhos se repete mais uma vez. Os irmãos lutam dentro do
ventre e o primeiro a nascer é Esaú, todo ruivo e todo peludo,
como vestido de pelo, propondo uma semelhança animal.

Mais adiante vemos como a falta de domínio próprio, o descontrole


dos instintos, no caso de Esaú, a gula, faz com que ele venda sua

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Sexo Casto - Sandro Paiva

primogenitura, mostrando seu desinteresse pelas coisas espirituais.


Outro relato que o caracteriza como luxurioso foi o de ter duas
esposas, que foram amargura de espírito para os pais do próprio
Esaú (Gn 26:35), posteriormente seu sobrinho Rúben também
perderia a primogenitura por causa da luxúria (Gn 49:3-4).

Mesmo que a promessa divina seguisse com Jacó e sua família, é


importante frisar, como menciona Paulo em Romanos capítulo 9:
6-10: ―Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos
os que são de Israel são israelitas, nem por serem descendência de
Abraão são todos filhos‖.

Não basta ter a descendência, ela ajuda, mas o que conta é o


comportamento espiritual, a busca na relação com Deus. Esaú tinha
descendência, mas a desprezou, saindo da promessa por causa da
luxúria. O contrário também é verdade, mesmo que tenhamos
nascido filhos da carne, podemos nos transformar em filhos da
promessa por nascer em Cristo, mas é necessário entender o
sentido da promessa, ou melhor, a palavra da promessa como Paulo
explica adiante continuando o capítulo:

Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são


os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da
promessa são contados como descendência. Porque a
palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá
um filho. E não somente esta, mas também Rebeca, quando
concebeu de um, de Isaque, nosso pai (Rm 9:7-10).

Paulo enaltece o sentido e a importância da castidade para a


participação da promessa e da concepção imaculada quando
menciona a espera das matriarcas pelos filhos de Deus, o chamado

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Sexo Casto - Sandro Paiva

à missão de prover, que só pode existir através da castidade, ou


seria da esterilidade?

5.7 - Esterilidade ou castidade nas matriarcas de israel.

Se fizermos uma pesquisa, notaremos como as grandes mulheres


na história bíblica se diferenciavam das mulheres comuns,
principalmente na forma de suas concepções, por meio das quais
geraram os grandes homens da Bíblia.

Mulheres como Sara, Rebeca, Raquel, Ana (mãe de Samuel); a


mãe de Sansão, a mulher de Manoá; a Sunamita; Ana (mãe de
Maria de Jesus); Isabel, a mãe de João Batista e Maria (mãe de
Jesus), foram retratadas como estéreis - com exceção de Maria de
Jesus - e tiveram concepções com intervenção divina, seja por
orações de profetas, sonhos proféticos, revelações, anunciações de
anjos e comunhão com o próprio Deus, e assim, não fizeram parte
do castigo divino da multiplicação desordenada e sofrida, como
descrito em Gênesis 3:16.

Podemos traçar um paralelo em relação à concepção dessas


mulheres que foram, sem sombra de dúvida, as genitoras da
Aliança, que o apóstolo Paulo relata em Gálatas 4:20-27, dizendo
que a alegoria das duas alianças (ou dois caminhos para a
humanidade a partir de Abraão), são os filhos segundo a carne,
filhos para a escravidão (Ismael de Agar) e os outros são os filhos
da promessa, filhos para a liberdade (Isaque de Sara). Paulo
compara Agar com o monte Sinai, ou seja, a Jerusalém física em
escravidão e Sara com a Jerusalém espiritual em liberdade.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Podemos notar que não era algo ruim ser uma mulher estéril, ou
melhor, uma mulher que esperava a vontade divina para trazer a
vida, diferentemente de quase todas as outras que procriavam
desordenadamente.

Para que possamos compreender qualquer palavra que expressa


um comportamento, devemos analisar o seu significado oposto, o
seu antônimo, para entender a nomenclatura; então, o contrário de
gestações consecutivas sem controle de natalidade (que era o
normal para as mulheres comuns) denominou-se esterilidade –
termo muito usado para referir-se às mulheres que não
concebiam. É claro que existia a esterilidade como a conhecemos,
mas no caso bíblico, ela se fez presente para instrução de
comportamento e expressão da graça e propósito Divino.

É claro que o desejo de ser mãe é instintivo nas mulheres, mas


essas mulheres especiais e seus maridos esperavam no Senhor a
realização da graça de terem os filhos de Deus e não da carne.
Elas não engravidavam por inveja das irmãs ou das amigas que já
tinham filhos, por medo de uma velhice solitária, pelo desejo de
prender o marido ou resolver a apatia no casamento, ou seja,
motivos totalmente equivocados que são comuns na atualidade.

É promessa de Deus que Ele ―Faz com que a mulher estéril habite
em casa, e seja alegre mãe de filhos. Louvai ao Senhor‖ (Sl 113:9).

Vemos também essa diferenciação dos filhos imaculados com os


filhos da carne na oração de Ana quando diz em 1 Samuel [Link]
―Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos; até a

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estéril deu à luz sete filhos (número da perfeição, não quantidade)


e a que tinha muitos filhos enfraqueceu‖.

Está bem claro que o desgaste de ter várias concepções e abortos


sempre cobrou um preço alto na saúde das mulheres, com
exceção aos filhos imaculados, como os de Ana (1Sm 2:21).

Segundo a Enciclopédia Bíblica Científica na Internet:

A falta de filhos temporária é uma narrativa que visa


enfatizar a natureza especial da prole tão esperada.
Mulheres que têm um filho na terceira idade são uma
imagem bíblica da esperança. O entendimento hebraico na
Bíblia não descreve infertilidade como a negação de um
termo positivo, mas com suas próprias palavras e figuras.
De acordo com a noção bíblica, a falta de filhos não é
culpa humana, mas vontade Divina (WIBILEX).

Acreditamos que o termo estéril, usado tão frequentemente na


Bíblia serviu para destacar essas grandes mulheres e, por que não,
seus maridos, pois sem o amor casto deles não haveria a
realização da concepção imaculada, selada e autorizada por Deus.
Essa ideia é reforçada em Isaías 65:23 (versão Reina Valera) ―Eles
não trabalharão em vão, nem darão à luz maldições; pois eles são a
semente dos benditos do Senhor e seus descendentes com eles‖.

Outros exemplos da esterilidade ligada ao sucesso - seguindo a


mesma linguagem dual recorrente da promessa - é o de Raquel e
Lia, mulheres do patriarca Jacó. Lia não era amada e assim teve
filhos, sendo seu primogênito, o fornicário Rúben, por outro lado,
Raquel era amada por Jacó e por isso era estéril, do mesmo modo
que Sara por Abraão.

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Quando Raquel concebeu um filho, este foi o grande José do


Egito, um grande profeta, salvador das nações, que venceu a
tentação da mulher de Potifar e foi o maior de todos os filhos, o
que Jacó mais amava, tanto ele como seus filhos Manassés e
Efraim.

Também na história de Elcana e suas duas mulheres, Ana (já


mencionada há pouco) e Penina. Ana era amada, assim era estéril,
Penina não era amada, mas tinha filhos. Ana foi mãe do profeta
Samuel e de mais cinco filhos por intercessão divina (1Sm 1-2).

Através da história da humanidade podemos notar que o amor, a


castidade e a bênção sempre andaram juntos. Segundo Lewin:

A natureza transcendental da concepção é de tal forma


enfatizada que o termo que designa piedade, misericórdia
em hebraico, é a forma plural da palavra útero. A
misericórdia do Deus de Israel vem do útero. Eu não
conheço maior elogio ao feminino. A esterilidade, eu creio,
faz parte integral da auto percepção dos israelitas antigos,
principalmente no período formativo de Israel (LEWIN,
2009, p. 465).

A única forma de se ter uma concepção imaculada é sendo casto,


através do controle masculino da ejaculação, pois assim é tirada a
responsabilidade do homem, da concepção na hora errada,
creditando o nascimento por pura vontade divina, no tempo de
Deus ele abre o útero e extrai o espermatozoide imaculado.

Na primeira carta de Pedro 3:4-7, encontramos uma clara


orientação a respeito dessa concepção imaculada:

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Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje


de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de
Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as
santas mulheres que esperavam em Deus [a concepção], e
estavam sujeitas aos seus próprios maridos; [...] Igualmente
vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando
honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os
seus coerdeiros da graça da vida; para que não sejam
impedidas as vossas orações (1 Pedro 3:4-7).

Não são todas as concepções humanas que são oriundas da vontade


divina, pois um homem pode muito bem trair sua mulher fazendo
sexo casual com várias mulheres em período fértil e engravidá-las.
Também pode um casal, apesar de ter conhecimento de uma
incompatibilidade genética, ter vários filhos com problemas
genéticos concebidos pelo sexo comum.

Será que a traição e as consequentes concepções desastrosas foram


por vontade de Deus? Por acaso ele coopera com o pecado?

Deus deu ao homem o dom de criar, tornando o ser humano


semelhante a ele através do sexo casto, mas usamos mal esse dom
e acabamos por reproduzir o pecado no mundo, gerando animais
intelectuais.

A responsabilidade humana pela escolha de seus atos está bem


evidenciada desde o início da Bíblia, que aponta que a vontade de
Deus para nossa vida nos traz felicidade; e a vontade do homem
contrária a de Deus, a duras consequências.

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5.8 - Sexo como fonte geradora, degeneradora e


regeneradora de vida.

Figura 11 Condição bioespiritual do ser humano ao longo da vida.

Fonte: Próprio Autor

Assim como a sexualidade e sua importância está presente do


início ao fim da Bíblia, essa energia criadora também faz parte da
existência humana desde seu começo até seu fim, desta forma,
ajudando a modelar quem nós somos.

Podemos dizer que a energia sexual e a energia vital são idênticas,


possuem a mesma raiz na existência, pois nenhuma vida surge do
nada, mas sim da energia sexual.

Tudo que tem vida neste planeta surgiu dessa energia que não
somente gera a vida, mas favorece o seu desenvolvimento para a
sua perpetuação. Por isso a energia sexual é uma energia divina,
quando é criada e direcionada para o bom e o belo.

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No livro do apóstolo João 3:7, Jesus nos adverte ―Necessário vos


é nascer de novo.‖ Podemos estabelecer uma conexão dessa frase
de Jesus com o poder criador e regenerador da sexualidade, pois
não existe um nascimento ou renascimento espiritual se não
houver a participação da sexualidade casta. As simbologias da
criança, da água e do espírito, que estão presentes nesse capítulo
de João, serão analisadas profundamente mais adiante.

Nada nasce nesse mundo sem que a energia sexual esteja


presente, pois é a única capaz de criar a vida. Um ser vivo não
nasce pela força do pensamento ou do sentimento, mas sim pela
força criadora do sexo. A energia sexual está expressa desde a
concepção e formação do ser humano através da multiplicação
celular.

Quando a energia sexual de um ser diminui, inevitavelmente a


energia vital acompanha essa queda e vice versa, como vimos
anteriormente nos estudos sobre reposição hormonal.

Quando nos sentimos em nosso pleno vigor físico, nossa energia


sexual também está plena, a prova disso sãos os níveis de
testosterona aumentados durante a madrugada e manhã, para que
assim possamos começar nossas atividades diárias com motivação
e bem-estar. Esses níveis se tornam mais notórios no homem
através da ereção peniana matutina e menos perceptível na
clitoriana. Esse fenômeno acontece nas crianças e adultos,
indicando os níveis de testosterona aumentados.

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Parece até estranho acontecer isso nas crianças, mas esses


hormônios produzidos nas glândulas sexuais auxiliam no
desenvolvimento do ser humano e no poder de regeneração.

Pode-se provar isso através das experiências realizadas com os


animais. Nota-se a diferença no desenvolvimento dos animais que
são castrados jovens em relação aos que não o são. Os castrados
têm seu crescimento prejudicado e são mais propensos a doenças,
sinalizando que os hormônios sexuais contribuem também para o
desenvolvimento do corpo e da saúde.

Olhemos o poder de regeneração de uma criança, como cicatriza e


cura rápido de várias enfermidades em relação a uma pessoa
adulta. Isso ocorre devido ao poder da energia da sexualidade
casta.

Não só o quesito saúde se destaca na criança, mas toda a referência


de pureza espiritual nos remete a elas em nosso inconsciente.
Vejamos as pinturas de anjos e querubins nas igrejas antigas, todas
demonstram esses seres como crianças, estão nus sem a vergonha
do pecado original, traçando assim um paralelo real entre eles. Não
precisamos provar essa comparação, basta conviver com um bebê
ou com uma criança pequena para notar como ela transborda uma
pureza espiritual.

Para um dos pais da psicologia Carl Jung nós ―nascemos originais


e morremos cópias.‖ Podemos abstrair dessa frase que as crianças
pequenas são exemplos de humildade, vivência no presente,
castidade, perdão, criatividade, fé, sinceridade, questionadoras,

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coragem para o novo, sede de conhecimento e uma felicidade


verdadeira, que vem de dentro e que não depende muito de coisas
externas, basta-lhes que sejam atendidas suas necessidades básicas.
Paro por aqui, pois são inúmeras as qualidades da criança pequena
até os três anos de idade.

É claro que existem as exceções, como os que ―Alienam-se os


ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando
mentiras‖ (Sl 58:3).

Mas, é da maioria que vem o símbolo da pureza. Não é por menos


que o nosso Jesus falou sobre a importância de nos tornarmos
crianças (Mt 18:3, Mc 10:14,15) e exaltou suas qualidades
espirituais e sabedoria (Lc 10:21).

Mas por que essas qualidades não permanecem por mais tempo no
ser humano, por que se modificam ao longo da vida?

Isto se dá porque a essência divina presente na criança vai sendo


oprimida a partir dos três anos pela formação da personalidade
influenciada pelo ego. Geralmente, esses novos comportamentos
herdados pela genética, educação familiar e social, vão se somando
à construção da personalidade, estruturando sua base até os sete
anos e se consolidando aos catorze, dando início à vida do filho
pródigo (Lc 15: 11-32).

A partir dessa idade, a energia sexual deixa de estar presente na


geração da vida da pessoa e é direcionada para o programa de
reprodução, que passa a controlá-la com força brutal.

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Assim, a personalidade se torna muito mais ativa favorecendo e


fortalecendo as compulsões - que se iniciam com a masturbação, e
os defeitos psicológicos - comportamento semelhante aos
mamíferos no período de acasalamento. Consequentemente, a
essência divina (suas virtudes) diminui sua expressão, por ser
inversamente proporcional aos defeitos.

Outro fenômeno presente nessa faixa etária é a da psique, que


deixa de ser individual na infância e passa a ser cada vez mais
coletiva. O comportamento grupal, tribal, ou melhor dizendo, ―de
manada‖, passa a se tornar regra.

Etimologicamente, a palavra ―adolescer‖ expressa o ―adoecer‖ da


criança interna, dessa essência divina que deverá ser resgatada no
futuro da vida. Podemos encontrar na Bíblia os exemplos desse
adoecimento do ser humano, desde sua juventude:

[...] porque a intenção do coração do homem é má desde a


sua juventude; nem tornarei a destruir todos os viventes,
como fiz. (GÊNESIS 8:21)

[...] Deitemo-nos em nossa vergonha; e cubra-nos a nossa


confusão, porque pecamos contra o Senhor nosso Deus, nós
e nossos pais, desde a nossa mocidade até o dia de hoje; e
não demos ouvidos à voz do Senhor nosso Deus.
(JEREMIAS 3:25)

[...] Foge também das paixões da mocidade; e segue a


justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração
puro, invocam o Senhor. (2 TIMÓTEO 2:22)

Torna-se nítido que o descontrole do instinto sexual durante a


adolescência torna a vida do ser humano muito mais sofrida, pois o
processo de degeneração da vida, tanto carnal como espiritual,

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ganha força ao longo dos anos se nada for feito. Podemos afirmar
que o comportamento sexual influenciará e modificará o corpo,
alma e espírito.

5.9 - Pecado sexual como morte ou degeneração.

Podemos dizer que os pecados sexuais começam a existir a partir


da adolescência, pois para a imensa maioria dos jovens, as
primeiras experiências da sexualidade, de exploração e
conhecimento de seu próprio corpo, se dão de forma independente,
sem orientação educacional de qualidade (como tentamos passar
aqui), e sim, o que a moda sugere como comportamento. Por isso,
na figura 11, é mostrado que a degeneração sexual ocorre após o
fim do período de geração e antes da regeneração. Isso ocorre pela
falta de orientação e conhecimento de si mesmo, de uma educação
adequada da sexualidade. Assim, a pornografia se torna a
professora sexual da juventude.

Primeiramente, devemos definir o termo pecado sexual, ou melhor,


pecados sexuais, pois nos dias atuais temos várias nomenclaturas
usadas no mundo cristão para esses comportamentos sexuais
prejudiciais como:

Adultério: Traição de alguém casado;

Fornicação: sexo entre pessoas não casadas;

Prostituição: venda do corpo para o ato sexual.

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Mas, nas Escrituras bíblicas esses termos nem sempre representam


os descritos acima, já consolidados em nossa sociedade atual.

Na verdade, os termos adultério, fornicação, prostituição e até


idolatria - em alguns casos como citados em Ef 5:5 - têm o mesmo
sentido. Por isso devemos sempre analisar o contexto no qual a
palavra está inserida para entender o seu significado.

Os ídolos, que podem ser pessoas, estátuas etc. encantam por


instigar o comportamento animal do ego, como ocorre, por
exemplo, na pornografia, que é uma grande forma de idolatria.

Apenas a palavra impureza, quando relacionada à sexualidade, e


seus sinônimos mais utilizados - luxúria e fornicação - têm o seu
significado inalterado, pois abarca todos os pecados sexuais. Fica
evidente que a falta de controle do instinto sexual é a mola
propulsora para todos os outros pecados sexuais posteriores.

Para melhor compreensão dos pecados, analisaremos a palavra


fornicação utilizada na versão bíblica Reina Valera, (exceto as
passagens que sejam idênticas à versão Almeida corrigida fiel) que
para mim e para muitos traduz o seu melhor significado.

Etimologicamente, a palavra fornicação ou ―porneia”, do grego,


significa ―falta de castidade‖, algum ato de imoralidade sexual
física (STOTT, sd). No Latim FORNICARI, ―ter relações sexuais
proibidas‖, de FORNIX, ―arco, câmara abobadada‖, interpretação
relacionada aos locais (debaixo dos arcos públicos) onde as
prostitutas trabalhavam na Antiguidade.

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Fornicação também está relacionada com FORNUS, ―forno com


teto recurvo‖, simbologia utilizada para significar a energia sexual
como um forno de calor, que se deve manter na temperatura
adequada, mas não muito quente que possa transbordar em
orgasmo animal. Essa ideia é claramente expressa na primeira carta
de Paulo aos Coríntios, 6:13,18:

[...] Mas o corpo não é para a fornicação, senão para o


Senhor, e o Senhor para o corpo [...] Fugi da fornicação.
Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o
que fornica peca contra o seu próprio corpo (1 Co 6:13,18).

A fornicação, como essa passagem diz, produz primeiramente


consequências para a própria pessoa, de forma imediata para seu
corpo, mesmo que não tenha outras pessoas envolvidas, como no
caso da masturbação, por isso se diferencia de outros pecados. Se a
castidade, como já vimos, provoca uma melhora na qualidade de
vida e saúde, através do equilíbrio da produção hormonal, o
desequilíbrio hormonal, por sua vez, provocado pela fornicação,
nos aproximará cada vez mais cedo para a morte.

Paulo em sua carta aos Colossenses 3:5 e aos Efésios 5:5, faz uma
forte ordenança ―Mortificai, pois, os vossos membros, que estão
sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição desordenada, a vil
concupiscência, e a avareza, que é idolatria‖.

A fornicação, como toda compulsão é idolatrada, venerada pelo ser


humano, pois é um prazer que causa ganância de querer sempre
mais para si, trazendo assim a impureza espiritual por adorar a
animalidade.

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O livro de Hebreus 13:4 faz uma advertência: ―O casamento é


honroso para todos e a cama imaculada; mas Deus julgará
fornicadores e adúlteros”. O escritor de Hebreus fala para os
casados, para que tenham um leito matrimonial sem mácula, sem
impureza (Lv 15), pois a fornicação e a traição, Deus julgará. Em
1Tessalonicenses 4:1-5, Paulo fala sobre a fornicação que o marido
pratica com sua esposa. Essas passagens contrariam a ideia errônea
de que entre quatro paredes pode tudo entre um casal e que a
fornicação é uma denominação para atos sexuais somente entre
solteiros, tanto que Jesus condenou veemente a fornicação, uma
vez que não repreendeu o repúdio do marido à esposa que a
cometesse (Mt 19:9).

Matthew Henry, Teólogo Presbiteriano, comentando Hebreus 13:4


diz que ―É honroso e feliz, quando as pessoas se unem puras e
castas e preservam o leito conjugal imaculado, não apenas de
afeições ilegais, mas desordenadas‖ (HENRY, sd).

Quando Paulo menciona que ―bom seria que o homem não tocasse
em mulher, mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua
própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido‖ (1Cr
7:1,2), é porque a fornicação, ou seja, a ação do forno do instinto
sexual que não se pode conter o fogo (o abrasar do versículo 9) faz
tornar necessário contrair matrimônio para que se possa transmutar
esse instinto sexual em uma sexualidade casta e prazer espiritual.
Assim, não se pode negar esse instinto, pois fatalmente cairá na
fornicação.

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Sexto mandamento: não fornicarás!

Em algumas interpretações da Bíblia, esse mandamento é não


adulterará, mas temos que analisar primeiramente esta palavra para
extrair o seu total significado.

Talvez pareça estranho para você que esse mandamento não seja
―não adulterarás‖, mas seu emprego como lei é muito mais
abrangente que apenas uma traição conjugal. O significado da
palavra adulterar é: retirar a pureza de algo, misturar, corromper a
substância.

O teólogo e professor de línguas Rodrigo Fonseca afirma que a


palavra adulterar em hebraico é na'aph, mas ele crê que a palavra
seja uma aglutinação de duas outras em hebraico na'ah que é
traduzida como lar e 'aph traduzida como nariz, narina, face, ou ira,
portanto, quando há uma respiração acelerada ao ser colocado sob
pressão, indicando ato cometido no lar sob descontrole emocional
(ANDRADE, sd).

Penso que o sentido desse mandamento abrangia todo tipo de


impureza sexual, a luxúria que retira a santidade, sanidade,
tranquilidade e o domínio próprio da energia sexual.

Não adulterarás não é somente não trair, pois se fosse


simplesmente isso, teríamos uma duplicidade de mandamentos,
pois quem não cobiça a mulher do próximo - décimo mandamento
- jamais trairia. Até porque se cobiçar, como menciona Jesus, já
comete adultério em seu coração (Mt 5:28).

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Por isso o sentido mais correto desse mandamento seria o pecado


contra a castidade, ou seja, cometer a fornicação. Para os católicos
esse mandamento é o pecado contra a castidade, como também
essa era a mesma visão de Lutero (LUTERO, 2018).

Matthew Henry comentando Mt. 5:28 diz que “Este mandamento


proíbe todos os atos de impureza, com todos aqueles desejos
carnais que produzem esses atos e guerreiam contra a alma‖
(HENRY, sd).

Clemente de Alexandria enfatizava que se comete adultério com a


esposa quando se mantém relações sexuais com ela como se fosse
uma prostituta. Para Clemente, a palavra adultério tem o mesmo
significado da palavra fornicação, como impureza.

Em relação à lei de Moisés sobre adultério, Fílon de Alexandria


critica o prazer com a própria esposa [...] ―homens lúbricos que em
sua frenética paixão praticam toda a sorte de coito lascivo, não com
a esposa alheia, mas com a própria‖ (RANKE-HEINEMANN,
1996, p. 31-62).

Certa vez, ao explicar sobre a essência do mandamento da


castidade para um pastor evangélico, este me repreendeu, pois não
aceitava que tivesse pecado contra a castidade por tanto tempo, nas
vezes em que chegou ao orgasmo. Talvez você também esteja se
sentindo desconfortável nesse momento, após ler essas páginas.
Mas fique tranquilo, pois só é cobrado de nós como pecado aquilo
que é feito com consciência do erro. No entanto, uma coisa é certa
e temos que admitir: conscientes ou não de nossas ações, os

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sentimentos do pós-orgasmo e suas consequências são inevitáveis;


o esvaziamento do vigor físico, da capacidade cognitiva e o
sentimento de culpa (sem saber por que), sempre foram sintomas
de que algo não estava certo.

O apóstolo Paulo corrobora com essa ideia em sua carta aos


Romanos [Link] ―Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos
pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para
darem fruto para a morte‖. Paulo se refere, nesse versículo, à morte
espiritual através do recrudescimento dos defeitos, e biológica pela
perda da saúde.

O ensinamento bíblico sobre a problemática sexual na humanidade


não poderia ser diferente do que aprendemos sobre o processo
biológico da sexualidade dos animais na natureza.

Deus alerta que ao comer o fruto, certamente isso nos levará à


morte. Nenhum dos pecados capitais consegue nos aproximar da
morte tão rapidamente como a fornicação e o vício em substâncias
químicas, que causam estragos semelhantes em nossos corpos.

O orgasmo, na França, é popularmente chamado de ―a pequena


morte‖, e não é de se espantar, pois todos os sintomas durante este
transe: enrijecimento muscular, cãibras, nuca rígida para trás (dura
cerviz, Dt 10:16, At 7:51), falas desconexas, desequilíbrio
respiratório, cardíaco, cerebral, alteração da temperatura, pranto e
ranger de dentes (uma amostra do inferno) e vitalidade exaurida,
exemplificam os sinais da morte, o salário do pecado, conforme
nos adverte o apóstolo Paulo (Rm 6:19-23).

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Através do descontrole do instinto sexual, surge um efeito cascata


que desorganiza todos os outros instintos, efeito observado com
mais facilidade nos animais durante a estação de acasalamento, que
não se alimentam direito e também perdem sua atenção ao perigo.
Além do descontrole dos instintos, a fornicação produz o desgaste
do sistema imunológico, que leva mais rapidamente a doenças e à
morte, como vimos anteriormente no capítulo 2.1.

Para os animais, esses comportamentos são instintivos e, portanto,


naturais segundo cada espécie, mas para os seres humanos, quando
se comportam como animais, essas práticas são chamadas desvios
de carácter, defeitos, obras da carne ou pecados capitais.

Para Tomás de Aquino, a concupiscência nos animais é uma regra


normal da natureza. Nos homens, como vimos, devido à perda da
justiça original pelo pecado original, ela passou a existir,
significando uma inclinação desordenada do homem à
sensualidade em detrimento da razão. A concupiscência ―não tem
razão de lei, mas antes é desvio da lei da razão‖ (AQUINO, sd, p.
1516).

As leis expressas nos mandamentos servem também para


dominarmos os nossos instintos, para que tenhamos uma vida
plena, saudável e santa, conforme o conselho dos Ensinamentos de
Silvanos: ―É bom para você, ó homem, voltar-se para a natureza
humana, em vez de para a natureza animal - quero dizer, para a
carnal. Você assumirá a semelhança da parte para a qual se
voltará‖ (THE TEACHINGS OF SILVANUS, sd).

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Para o Rabino Yaron Reuven (citando haGado Vayeshev Rav


Achabar Jascha no Midrash ); “quem desperdiça o sêmen se iguala
a um animal. Como um animal o homem não se importa com o que
faz e continua esse comportamento pecaminoso, morrendo como
um animal sem herdar a vida eterna‖ (REUVEN, sd).

Não é coincidência, e muito menos uma ordem aleatória, que os


pecados sexuais são o início de uma reação em cadeia de
degeneração espiritual da humanidade. Foi assim desde o Éden até
os dias de hoje, a origem do pecado nos humanos é a forma natural
do comportamento dos animais.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Gálatas, nos dá uma lista de


pecados advindos ―das obras da carne‖:

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são:


adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria,
feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas,
dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices,
glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais
vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem
tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5:19-21).

Além dessa passagem de Paulo em Gálatas, todas essas outras


referências (Rm 6:19, Ef 5:3-5, Cl 3,5, Tg 1:21, Mc 7:21, Mt
15:19, 1Cr 6;10, 1 Jo 2:16) seguem a mesma ordem de expor os
pecados sexuais primeiro, para listar, em seguida, outros tipos de
pecados relacionados.

Não tem como ser coincidência uma ordem fenomenológica assim,


mas a verdade é que essas passagens expressam o ensinamento
divino nos alertando sobre as consequências do pecado contra a

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castidade. Jesus e Paulo anteciparam Freud (o vício primordial) e


os estudos sobre os desequilíbrios do sistema de recompensa
cerebral e do neocórtex.

Sabemos que ―o salário do pecado é a morte‖ (Rm 6:23) ou seja, a


consequência do pecado. Talvez seja por isso que desde o início da
história da humanidade, com o fim do acesso à Árvore da Vida -
por causa do pecado original - a vida humana está passível de
degeneração e consequentemente de morte (Gn 2. 17).

O inimigo sabe que basta estimular a fornicação nos seres


humanos, o resto do estrago será um efeito cascata. Por isso, ele
ataca onde o ser humano tem simultaneamente sua maior força,
bem como sua maior fraqueza.

A Mishná (Ética dos Pais 4:2) nos diz que "Um pecado chama
outro pecado". Isso quer dizer que cometer um pecado dá a nossos
impulsos mais energia para mais pecados, tornando mais difícil
para nós nos disciplinar na próxima vez em que a tentação vier. A
cada vez que você ceder à tentação, fortalecerá os poderes
espirituais negativos dentro de você, chamados em hebraico de
"yêtser hará", ou má inclinação, que deseja que você cometa mais e
mais pecados (CAHBAD, sd).

Em muitos textos, inclusive de outras religiões, o termo ―morte‖,


em uma linguagem simbólica e hiperbólica, está inteiramente
relacionado com a luxúria sexual ou fornicação, como
mencionamos anteriormente.

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Tanto o Faraó (Gn 12) e o Rei Abimeleque (Gn 20:11,12), que


eram de outras culturas, tinham convicção - pelo menos em algum
momento de suas histórias - que o adultério era uma fonte de
sofrimento e morte.

No clássico indiano Mahabharata, o imortal Pandu morre depois de


uma relação sexual proibida com Madri.

Como também na cultura hebraica, segundo a tradição do Midrash,


têm-se o expressivo exemplo de Onan e de seu irmão Er, que
foram mortos por derramarem o seu sêmen (CHABAD, sd), pois o
que eles faziam ―era mau aos olhos de Deus‖ (Gn 38:7-10), e assim
receberam a pena de morte. Na tradição judaico-cristã, a morte de
Onan era explicada pela proibição divina do coitus interruptus
(coito interrompido) (WIBILEX).

Existe a interpretação de que Onan foi morto por não dar


descendência a seu irmão (lei do levirato), mas talvez não seja esse
o motivo, pois na lei do levirato dada por Moisés, a pena para esse
crime não era a morte, mas sim o desrespeito público, Para se ter o
cumprimento dessa pena, a cunhada deve entrar no portão e tirar o
sapato do cunhado na frente dos anciãos e cuspir em sua cara (Dt
25:9).

Para o Rabino Yochanan, qualquer um que desperdiça seu sêmen é


responsável pela pena de morte. Rabi Yitzchak e Rabino Ami
diziam: É como se ele fosse um assassino, como está escrito:
―assassinos de crianças nos vales, sob as pontas das rochas‖ (Is
57:5; GUARDIAN, sd).

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Outro exemplo também muito interessante está no livro de Tobias.


Esse livro pertence ao gênero sapiencial e é uma espécie de
romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos.

Em resumo, Tobias iria se casar com Sara, sua prima, mas Sara
tinha um problema, todos os seus sete maridos morreram na noite
de núpcias por causa de um Demônio chamado Asmodeu
(considerado o demônio da luxúria). Tobias recebe o auxílio do
Anjo Rafael para acabar com o demônio em sua noite de núpcias.
Na descrição do capítulo 6, nos versículos 16 a 21 o anjo disse-lhe:
―Ouve-me e eu te mostrarei sobre quem o demônio tem poder: são
os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu
pensamento e se entregam à sua paixão como o cavalo e o burro,
que não têm entendimento: sobre estes o demônio tem poder. Tu,
porém, quando te casares e entrares na câmara nupcial, viverás
com ela em castidade durante três dias e não vos ocupareis de outra
coisa senão de orar juntos. Na primeira noite, queimarás o fígado
do peixe e será posto em fuga o demônio. Na segunda noite, serás
admitido na sociedade dos santos patriarcas. Na terceira noite,
receberás a bênção que vos dará filhos cheios de saúde. Passada
essa terceira noite, te aproximarás da jovem no temor ao Senhor,
mais com o desejo de ter filhos que o ímpeto da paixão. Obterás
assim para os teus filhos a bênção prometida à raça de Abraão‖
(Tb, 6: 16-21).

Vale ressaltar o diálogo de Tobias com Sara no leito matrimonial


[...] "porque somos filhos dos santos patriarcas e não nos devemos

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casar como os pagãos que não conhecem a Deus‖ (Tb 8:5, BÍBLIA
AVE MARIA, sd).

O livro de Tobias deixa explícito que ter um profundo


conhecimento de Deus só é concedido a pessoas castas, que sabem
conduzir sua sexualidade na santidade e assim preservam a sua
saúde e integridade espiritual.

Um grande exemplo bíblico de perda de vitalidade advinda da falta


de castidade está na história de Sansão e Dalila. Sansão era um
nazireu, uma criança imaculada preparada para servir ao Senhor,
por isso não lhe era permitido cortar o cabelo. Sabemos que o
cabelo comprido é um símbolo quase universal de castidade e
consequentemente de força física e espiritual.

Assim, quando Dalila, uma filisteia - cuja nação era conhecida pela
fornicação - muito formosa, engana a Sansão cortando seu cabelo,
fica subentendida a perda de sua força advinda da castidade, preso
espiritualmente nas garras da luxúria e fornicação.

O livro de Provérbios faz uma séria advertência aos homens sobre


isso: ―Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos ao
que destrói os reis‖ (Pv 31:3).

Mesmo um nazireu imaculado como Sansão está sujeito a cair nas


garras da luxúria, o ponto fraco do ser humano. A luxúria foi a
pedra de tropeço da humanidade, o motivo de queda espiritual de
grandes reis e líderes religiosos. A falta de controle e

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transcendência desse instinto sempre levou a humanidade à


degeneração e ao afastamento da intimidade com Deus.

A história da corrupção sexual dentro das instituições religiosas


sempre se dá em dois caminhos polarizados: A promiscuidade que
leva à adulteração, uma mistura impura espiritual pela quebra de
pacto ―e serão uma só carne‖, ou o celibatarismo castrador, que
tenta de forma opressiva reprimir um impulso natural e instintivo
do ser humano, provocando em muitos casos o extravasamento da
energia sexual em atos terríveis de pedofilia, estupro e outros
abusos. Esse tipo de celibatarismo está baseado em uma crença
fundada em tabus que desconhecem o caráter sagrado e benéfico da
sexualidade no desenvolvimento espiritual.

No capítulo 6.3 abordaremos sobre como ser casto sendo solteiro,


rotinas e técnicas que facilitam a condição.

Torna-se essencial trabalhar a energia sexual de uma forma santa e


equilibrada, para que ela possa nos auxiliar em nosso
desenvolvimento espiritual, evitando assim a degeneração, o
sofrimento e consequentemente a morte eterna.

A morte, como resultado do desvio da sexualidade casta, é um


grande chamado de atenção para a humanidade, por isso ela foi tão
enaltecida pelas Escrituras. Nelas podemos ver a morte coletiva
devido à luxúria do povo de Israel, como em Números 16:35,49,
possivelmente a revolta advinda de pessoas impuras, como
mencionado em Judas 1:11, em que morreram 14.700 pessoas; em
Números 21:6 também morrem muitos pelas ―serpentes‖, elemento

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simbólico que remete diretamente à serpente rastejante e luxuriosa


do Éden; em Números 25:9 foram 24.000 israelitas mortos por
fornicarem com as filhas dos moabitas.

Para fechar a lista de mortes causadas pela luxúria, temos os


habitantes antediluvianos e os de Sodoma e Gomorra (Judas 1:7),
que se entregaram à fornicação e ao adultério e sofrem a pena do
fogo eterno.

Seja de imediato ou aos poucos, o processo de morte era algo que


não fazia parte dos planos de Deus na criação de uma
humanidade transcendente, pois deveria ter sido eliminada no
decorrer de nossa evolução espiritual, algo que só acontece pela
castidade.

5.10 - Vida e regeneração através da linguagem simbólica


do sexo casto.

A energia sexual é uma mola propulsora para a motivação, está


incorporada, em alguma extensão, em todas as escalas da
necessidade humana, sendo um aspecto essencial para a
autorealização e, incorporada nos vários objetivos a serem
alcançados pelo ser humano, como estudado por Napoleon Hill.
A forma com a qual conduzimos a nossa sexualidade está
diretamente ligada à formação de nossos pensamentos,
sentimentos e ações.

Um adolescente talvez tenha preguiça de acordar cedo para ir


trabalhar, estudar, fazer exercícios ou ajudar nas tarefas de casa,

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mas não existe preguiça alguma para ir de encontro de sua


paixão.

Freud evidenciou a influência da libido sexual no comportamento


humano, Jung ampliou esse conceito para todo espectro de
possibilidades do ser humano.

A energia sexual move o mundo, seja para a transcendência ou


para a degeneração. O consumismo e as outras compulsões, que
são todas formas de idolatria, advêm da frustração sexual da
humanidade, uma forma ilusória de buscar preencher uma lacuna
em sua alma sedenta de pertencimento.

Com a degeneração da energia sexual, o ser humano perde a


capacidade de inovação, de criatividade, sendo que isso vai se
intensificando à medida que envelhece. Endurecida pelo ego, sua
personalidade se torna cada dia mais rígida: o medo da mudança,
o apego, a desconfiança, que muitas vezes está relacionada à falta
de fé e a irritabilidade tornam-se padrões comuns na velhice. O
saudosismo do passado, relembrado repetidamente, torna-se um
breve momento de esquecimento do presente, uma fuga da
amargura e desânimo. Nos casos de senilidade, as únicas
memórias restantes são as da infância. Isso se dá porque foram os
momentos em que se viveu verdadeiramente, com consciência
mais desperta, ativada pela castidade e sem tanta interferência do
ego.

Por outro lado, uma pessoa que recebe e pratica o conhecimento


do poder da castidade e da destruição do ego, aprende a controlar

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seu instinto sexual em seu aspecto animal, equilibrando assim


seus outros instintos, tornando-se uma pessoa feliz com o que
tem, com as coisas essenciais para suas necessidades básicas,
favorecendo um sentimento de integridade e pertencimento ao
divino.

Para os que seguem o caminho da sexualidade casta, a


criatividade e todas as outras virtudes presentes na criança, que
são os dons do Espírito Santo expresso na pessoa, continuam seu
processo de santificação espiritual na fase adulta, não entram em
involução e degeneração. É claro que o envelhecimento faz parte
de nossa genética desde o pecado original, mas com a castidade,
esse castigo não é expresso tão severamente.

Os casais que verdadeiramente se amam, até conservam a forma


inocente da fala das crianças nos momentos de carícias, sendo um
resgate da pureza original, um nascer de novo.

Uma energia sexual bem conduzida auxilia a pessoa a vencer


barreiras mentais, transcender os maiores desafios na vida e lutar
pelos verdadeiros ideais de uma sociedade.

Quanto mais cedo o ser humano buscar esse caminho da castidade


aliada aos princípios espirituais mais se avança na comunhão com
Deus e menor será seu fardo a carregar na vida futura. Pois
quando a velhice se apresenta, advindo da impotência sexual e
vital, pouco se pode fazer para mudar a personalidade, somente
lhe restará viver as consequências de seus atos no passado, a
colheita do que plantou (Gl 6: 7,8).

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O sábio Salomão já aconselhava os jovens:

Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua


mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os
anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles
contentamento [...] antes que se escureçam o sol, e a luz, e
a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da
chuva. (Ec 1: 1,2).

Como já foi dito e ilustrado na figura 11 do capítulo 5.8; a


degeneração sexual antecede à regeneração, isso se deve à falta
de conhecimento de nosso instinto sexual no início da
adolescência, por isso podemos sentir melhor o efeito dessa
transformação quando praticamos a sexualidade casta o mais
cedo possível em nossas vidas.

Vários problemas mentais, emocionais, físicos e espirituais são


solucionados apenas sublimando e transmutando a energia sexual
de uma forma casta.

Atualmente, existem, disponíveis na internet, uma variedade de


fóruns (como Reddit, No fap e [Link]) que
apresentam milhares de relatos dos benefícios de se interromper
uma vida escrava da pornografia e do orgasmo comum.

Abordaremos mais adiante sobre a prática da sublimação e


transmutação na sexualidade e como elas estão inseridas nos
conceitos cristãos de regeneração, ou seja, o nascer de novo e da
santificação.

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5.11 – Circuncisão: sinal da aliança e símbolo de


castidade.

Deus estabeleceu e restabeleceu uma aliança com a humanidade


fundamentada na castidade, vemos já no início da criação os
primeiros sinais e símbolos dessa aliança; as ordens para o
homem e mulher serem uma só carne, para frutificarem e
multiplicarem, e evitarem o fruto proibido.

Na aliança com Noé, temos a importância do casal, da fidelidade


para a salvação, contra as águas impetuosas do pecado. Os
símbolos dessa aliança são a fidelidade, águas tranquilas, a
pomba e o arco íris, esse último que só é visto quando se tem a
mistura correta de fogo e água, o princípio masculino é fogo
........ que se projeta, e água é feminino, sentimento que
recebe e acolhe. Por isso que quando a tormenta acaba, vem o
arco íris que também representa uma aliança entre o Céu e a
Terra, um semicírculo que começa na terra (nosso compromisso)
segue para o céu (para aprovação de Deus) e volta para a terra

(nossa graça).

No Evangelho Apócrifo de Tomé encontramos a seguinte


passagem:

Eles lhe disseram: Nós também, como crianças, entraremos


no Reino? Jesus lhes disse: ―Quando fizerdes de dois um e
quando fizerdes o interior como o exterior, o exterior como
o interior, o acima como o embaixo e quando fizerdes do
macho e da fêmea uma só, de forma que o macho não seja

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mais macho nem a fêmea seja mais fêmea‖ (THE GOSPEL


OF THOMAS, sd).

Transcendendo as características animalescas incorporadas no


machismo e feminismo, que são ideologias ausentes nas crianças, o
ser humano desenvolve a vida interior como a vida exterior e vive
versa, acima (vontade de Deus) como abaixo (vida com propósito)
e dois (macho e fêmea) se tornam um, ou seja, uma só carne. Essa
passagem em Tomé está, também, de acordo com a concepção da
Psicologia Analítica de integração dos opostos e o processo de
individuação, conforme descritos por Jung (2018).

Deus, no livro de Gênesis, ordena a respeito da circuncisão: ―E


circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da
aliança entre mim e vós‖ (Gn 17:11).

Talvez não seja uma mera coincidência que o formato de uma


aliança matrimonial seja idêntico à de um prepúcio cortado (anel
prepucial). Essa Aliança de Deus com a humanidade (Gn 17:11)
traz literalmente, no corpo físico, a castidade como figura central
da união divina. A união de dois corpos humanos que se
transformam em uma só carne. Ou melhor, dois corpos dentro de
uma aliança divina (Ml 2 :14; Mc 10:8), fundamentos para a
futura tribo de Israel.

Figura 12: Análise da construção do símbolo de Israel.

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Fonte: Próprio Autor.

Através de pesquisas antropológicas constatou-se que a


circuncisão fez e faz parte dos ritos em várias culturas ao redor do
mundo, sugerindo existir um possível ensinamento através do
ritual, uma prática advinda do inconsciente coletivo.

Seja no início da vida adulta ou do matrimônio (o que ocorre na


maioria dos povos que a realiza), a circuncisão é um rito voltado
para a responsabilidade da sexualidade, sendo mais um elemento
dentro de um ritual maior, geralmente de casamento. Muitas
tribos ao redor do mundo possuem rituais de casamento que visam
uma responsabilidade na condução do sexo e da manutenção da
afetividade e carinho.

Mesmo que possa parecer estranho aos nossos costumes atuais, os


rituais de casamento ou de iniciação dentro das tribos foram e são
de extrema importância para preparar a psique para a morte de uma
fase da vida e início de outra, proporcionando assim o
amadurecimento da consciência e seu desenvolvimento.

Vejamos o entendimento de um dos pais da Psicologia, Carl G.


Jung, sobre o tema:

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Todas as tribos e grupos primitivos que se organizam, de


um modo ou de outro, têm seus ritos de iniciação,
frequentemente muito desenvolvidos e que desempenham
um papel importantíssimo em sua vida social e religiosa.
Através dessas cerimônias os meninos tornam-se homens e
as meninas, mulheres. Os cavirondos insultam aqueles que
não se submetem à circuncisão ou à excisão, chamando-os
de "animais". Isto demonstra que os costumes de iniciação
representam meios mágicos através dos quais o homem
abandona a condição animal, ascendendo à condição
humana (JUNG, 1987, p. 105).

É interessante notar como a prática de circuncisão era, e ainda é


utilizada pela humanidade, como forma de rito de passagem e de
promoção de um caráter sagrado à sexualidade.

Outro exemplo desses ritos matrimoniais nos traz o grande


mitologista e escritor americano Joseph John Campbell; onde relata
em seu best seller ―As máscaras de Deus‖ o seguinte:

Durante toda noite [do ritual] a mãe do rapaz manteve uma


fogueira acesa em seu acampamento e agora traz nas mãos
duas longas achas [tochas] que foram acesas naquela
fogueira. Os homens cantam uma canção do fogo enquanto
a mãe passa uma acha para a mulher que deverá tonar-se
sogra do rapaz e ela, aproximando-se do jovem, lhe envolve
o pescoço com tiras de pele de animal, entrega-lhe a acha e
diz-lhe para segurar firme seu próprio fogo; o que quer
dizer jamais envolver-se com mulheres destinadas a outros
homens. [...] Mas temos que reconhecer também que a vara
incandescente que o menino acabou de receber das duas
mães é, no contexto do rito, uma referência explícita à
liberação controlada de seu próprio fogo sexual, que deve
ser socialmente autorizada através da provação ritualística
de sua iminente circuncisão: a segunda vara, para o qual o
seu próprio fogo deve ser dirigido, agora no acampamento
da esposa escolhida (CAMPBELL, 2005, p 86).

Nota-se, nesse e em vários outros ritos, a necessidade de um


controle da energia sexual de forma equilibrada, para a qual a

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circuncisão tem um significado e um papel a cumprir na relação


sexual, não somente o de rito de passagem, mas também de
correção de problemas no genital masculino como a fimose,
parafimose, balonismo etc.

Dependendo da idade da circuncisão, após a cirurgia, há uma


diminuição da libido sexual, dificultando a ejaculação e
prolongando a relação. Existem estudos que revelam uma
diminuição no prazer masturbatório e prazer sexual após a
circuncisão, indicando que a circuncisão adulta afeta a função
sexual em muitos homens, possivelmente em decorrência de
complicações da cirurgia e uma perda de terminações nervosas
(KIM; PANG, 2007, p. 619-622).

A circuncisão poderia ser um método primitivo para o aprendizado


no controle da tensão sexual, pois o sexo seria doloroso para o
jovem, fazendo-o praticar com calma e com o mínimo de
movimentos, assim seu cérebro jovem aprenderia e fixaria o
domínio da arte do amor.

Acredito que, com uma educação sexual adequada, não haveria a


necessidade da prática da circuncisão (como vimos no capítulo 3.1
e também como veremos nas passagens do Novo Testamento); a
menos que, por alguma questão de saúde ela seja necessária.

Já a circuncisão para os povos de Israel, de acordo com o


Dicionário Bíblico Alemão, não era praticada por razões de
higiene, tão pouco como um ritual tribal que sinalizasse
pertencimento, porque, como tal, uma barba seria mais apropriada.

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O termo circuncisão, ou o prepúcio aplicava-se a tudo que deveria


ser extirpado no corpo para que funcionasse corretamente, seja nos
ouvidos, coração (Jr 4: 4, 6:10; At 7: 51) e no próprio prepúcio do
pênis. Consequentemente, a circuncisão era originalmente um
ritual de iniciação relacionado à fertilidade (WIBILEX, 2020),
realizado no início da puberdade e talvez tivesse também a função
de afastar o mal ou a desgraça. Por outro lado, as passagens como
Ez 28:8-10; Ez 31,18; Ez 32:17-32 sugerem que a prática durante
o exílio, por exemplo, era entendida pela proclamação profética
como condição para uma existência melhor no mundo dos
mortos; isso, em conexão com a alta taxa de mortalidade infantil,
pode ter contribuído para o aumento da prática da circuncisão
infantil (WIBILEX, 2020).

Mas, ao longo do tempo prevaleceu na tradição judaica a


circuncisão no oitavo dia, pois na visão de muitos Judeus:

Ao colocar um sinal do nosso vínculo com Deus no local da


reprodução humana, tornamos o ato da procriação algo
sagrado, espiritual, e especial – além do natural. Essa é uma
razão pela qual o brit [pacto] é feito no oitavo dia. O
número sete significa a ordem racional, natural das coisas
[sete céus, sete dias da semana etc.]. Oito é o salto além dos
limites do nosso mundo e um pulo até o infinito
(WIBILEX, 2020; POSNER, sd).

Também penso que o simbolismo do número oito tenha tido uma


maior importância antes da lei, elevando a importância do pacto
para uma esfera infinita (∞) algo para ser sempre respeitado e
cumprido, tendo prevalecido a prática no oitavo dia de nascido.

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Quando Deus diz a Abraão (Gn 17) que a circuncisão será um sinal
da aliança entre ele e seu povo, assim Deus quer extirpar a
carnalidade no ato sexual e consequentemente de suas gerações.
Do mesmo modo que o uso do cachimbo deixa a boca torta, como
dito em um velho ditado popular, o prepúcio alongado poderia ser
um sinal genético do mau uso do membro viril, o aumento da carne
em seu órgão de conexão de amor, um sinal simbólico da
perpetuação do pecado original. No Evangelho de Felipe vemos
que ―Quando Abraão se alegrou em ver o que estava para ver, ele
circuncidou a carne de seu prepúcio, ensinando-nos que é
apropriado destruir a carne‖ (THE GOSPEL OF PHILIP, sd).

Na tradição judaica somente os homens são circuncidados.


Segundo o Talmude; as mulheres nascem ―circuncidadas‖, já
possuindo a santidade adicional que vem com o Brit Milá
[circuncisão de seus pais] ([Link]).

A Biologia poderia explicar o porquê da não circuncisão feminina,


pois se sabe que 44% das mulheres tem dificuldade de chegar ao
orgasmo (MENEZES, 2015) Acredito que seja por isso que as
mulheres possuem maior santidade, saúde e controle emocional do
que os homens, pois não desperdiçam constantemente sua
vitalidade sagrada através do orgasmo comum.

As mulheres têm, na sua maioria, a sexualidade menos voraz do


que o masculino. O que elas necessitam mesmo é de carinho e
atenção para alcançar um prazer que vai muito além de apenas um
orgasmo.

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Portanto, o sinal da aliança de Abraão com Deus é a castidade


masculina, pois trata-se de uma aliança feita no membro
masculino, para que no futuro, o casal possa dar frutos para o
espírito através da castidade e da santificação, confirmando a
aliança de castidade que fora descumprida desde Adão e Eva,
conforme podemos ver no livro de Oséias 6:7-10: ―Mas eles
transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram
aleivosamente contra mim. [...] fornicaram Efraim e
contaminaram Israel‖.

Uma das melhores interpretações feitas pelos Pais da Igreja sobre a


função da circuncisão vem de Tomás de Aquino. Ele enfatiza que:

[...] no tempo de Abraão, porém diminuía a fé e muitos


caíam na idolatria; E também a razão natural se debilitava
pelo aumento da concupiscência da carne, que chegou até
aos pecados contra a natureza. Por isso, então e não antes,
foi instituída a circuncisão como uma profissão de fé e para
diminuir a concupiscência carnal.

[...] A circuncisão devia ser feita no membro da geração. -


Primeiro, por ser o sinal da fé, pela qual Abraão creu em
Cristo, que havia de nascer da sua raça. - Segundo, porque
era remédio do pecado original, que se transmite pelo ato da
geração. - Terceiro, porque tinha por fim diminuir a
concupiscência da carne, que sobretudo por esses membros
se exerce, por causa da intensidade do prazer venéreo
(AQUINO, sd).

A circuncisão é o pacto da castidade, sendo ela a garantia da


aliança entre nós e Deus, um compromisso de um comportamento
de responsabilidade sexual, para que assim seja garantida uma
geração dos filhos imaculados da promessa, como Isaque, que
nasceu após a circuncisão de seu pai. Seja na concepção, seja na

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Sexo Casto - Sandro Paiva

transformação do indivíduo, a castidade é o objetivo principal do


ato simbólico, pois sem ela nada surtiria efeito.

No livro de Levíticos (Lv 26:25), Deus faz uma séria advertência


em caso da não observância dos mandamentos divinos: ―Porque
trarei sobre vós a espada, que executará a vingança da aliança; e
ajuntados sereis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre
vós, e sereis entregues na mão do inimigo‖.

Sobre esse versículo em Levítico, o Rabino Shimon Bar Yochai


comenta que: ―não há pecado no mundo que cause de tal forma a
raiva do Todo Poderoso como a transgressão do Pacto (aliança),
que é a destruição do sêmen‖ (GUARDIAN, sd).

Fica evidente que muitos judeus esqueceram o objetivo maior da


circuncisão e se apegaram somente à lei e à sua prática formal. No
livro de Hebreus (Hb 8:9), e no livro de Josué (Js 5:9), fica claro
como os israelitas que saíram do Egito pagaram caro por sua falta
de castidade, adoraram a animalidade - o bezerro de ouro -
quebrando a aliança. Mesmo sendo eles circuncidados fisicamente,
eles não viram a Terra Prometida por causa de sua desobediência.
Apenas seus filhos entraram na terra prometida e imediatamente
foram circuncidados: ―hoje retirei sobre vós a vergonha do Egito‖.

Outras passagens como as de Is 57:5; Jr 2:20; Ez 16 e muitas


outras demonstram que a castidade estava longe do comportamento
do povo judeu, um esquecimento que se estendeu ao longo do
tempo como vemos em 1 Macabeus 1.

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Já em Rm 2:17-29 e Gl 6:12,13 podemos ver bem claro esse


esquecimento, e atestam sem sombra de dúvidas, que a circuncisão,
o termo simbólico, está relacionado com a castidade:

Todos os que querem mostrar boa aparência na carne,


esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não
serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. Porque
nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a
lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na
vossa carne (Gl 6:12,13).

A lei a que Paulo se refere é o mandamento de ―não fornicarás‖.


Em Jeremias 31:33 Deus já mencionava que a nova aliança teria as
leis escritas no coração, uma forma correta de cumprir a lei, não na
obrigação, mas sim na compreensão e no amor.

Assim, Cristo assumiu o papel da nova aliança, recordando o que


estava esquecido, sendo ele sinônimo de castidade (Ef 2:12-16; Rm
15:8; Cl 2:10-12), preservando e dando agora mais importância na
circuncisão do coração, interromper o pecado em sua fonte, uma
vez que ao cobiçar já se comete adultério. Por isso Ele quer
construir uma aliança firme e casta, com sua noiva virgem e pura
(Igreja Verdadeira) formada por aqueles que têm o selo da justiça
da fé através do sinal da circuncisão (Rm 4:11).

Somente com a prática do sexo casto podemos jogar contra o


instinto que nos puxa para a fornicação, e com certeza, foi essa a
vontade de Cristo, ter uma igreja formada por pessoas que
pratiquem a castidade, para que seja uma igreja virgem e pura.

[...] porque vos tenho preparado para vos apresentar como


uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas

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temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua


astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos
os vossos sentidos [desequilíbrio neuroquímico] e se
apartem da simplicidade que há em Cristo (2Cr 11:2-3).

Somente com a Nova Aliança, ou seja, esse novo pacto, Jesus


resgata tal ensinamento, se tornando símbolo da própria castidade,
o homem Deus imaculado, que firma seu casamento com sua
noiva, a Igreja (Ap 21:2), mas com uma noiva virgem, da mesma
forma que a antiga aliança; a de Deus com sua noiva (Israel), mas
que infelizmente, adulterou e não honrou a aliança de seu
casamento; a castidade, o sinal do que é a aliança:

E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não


estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu
povo; quebrou a minha aliança (GÊNESIS 17:14).

Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-


te das tuas roupas formosas, ó Jerusalém, cidade santa,
porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem
imundo (ISAÍAS 52:1).

Essa é a eterna luta dos cristãos e judeus, que entenderam a


mensagem divina, uma luta que travam consigo mesmo e com o
inimigo para se manterem limpos e pertencentes à aliança.

Reuven, em seu livro afirma que ―Os estudantes da Torá estarão


lutando contra Satã, qual a luta? Imoralidade? Qual?
Desperdiçando sêmen em vão, P‘gam habrit (desonrar a aliança),
pornografia, fornicação será a luta nos tempos do Mashiach‖
(REUVEN, 2022).

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5.12 – Circuncisão e batismo: uma confluência que você


nem imaginava.

A prática do batismo pelos cristãos substituiu a prática da antiga


aliança - a circuncisão - mas a ideia central não mudou, tanto a
antiga como a nova aliança (e última) possuem em sua essência a
castidade e a limpeza espiritual das consequências do pecado
original, como veremos a seguir.

Desde que a circuncisão foi instituída no povo de Deus,


como o sinal da justiça pela fé, era capaz de purificar as
crianças do pecado original e antigo, pela mesma razão o
batismo começou a ter o poder de renovar o homem desde
o tempo em que foi instituído (HIPONA, sd).

A urgência na reparação dos males causados pelo pecado original


fez com que tantos os judeus e depois os cristãos circuncidassem
ou batizassem o mais cedo possível suas crianças, acreditando
assim que esses ritos os salvariam desse mal.

Gregório Nazianzo em relação às crianças, orienta sobre a


importância de a consagração acontecer o mais cedo possível:

[...] não dê tempo para a malícia apoderar-se deles,


santificai-os quando, todavia, são inocentes, consagrai-os
ao Espírito quando, todavia, não tenham nascido os
dentes. Estamos obrigados a dizer o mesmo a respeito da
prática da circuncisão, que se realizava no oitavo dia
prefigurando o batismo e que também se fazia sobre as
crianças desprovidas de razão (RODRIGUES, 2013).

A extrema urgência nessas práticas nos demonstra de como era


considerada importante a purificação espiritual da pessoa, em

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relação à sexualidade, mesmo que ela ainda não tenha


discernimento de seu comportamento.

Assim, prevaleceu para os cristãos a prática do batismo em


relação à circuncisão, em uns sendo recém-nascidos e outros em
idade de entendimento e compreensão para assumir
compromissos de fé e castidade.

No entanto, a circuncisão continuou sendo praticada depois da


instituição do batismo entre os judeus cristãos (At 21:18-25),
talvez na tentativa de manter seu significado real da castidade.

Para Tomás de Aquino, ―A circuncisão era preparatória para o


batismo, por ser ela uma profissão de fé em Cristo, que também
manifestamos no batismo‖ (AQUINO, sd, p. 3438).

Dessa forma, o batismo se torna um compromisso de fé e


castidade, um ato que tem seu valor pelas ações e compromisso
da aliança com Cristo, o que podemos verificar na carta de Paulo
aos Colossenses:

No qual também estais circuncidados com a circuncisão


não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da
carne, pela circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no
batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de
Deus, que o ressuscitou dentre os mortos (Cl 2:11,12).

Como é notório nas epístolas, como veremos também mais


adiante, o termo Cristo simboliza os poderes de Jesus como:
graça, misericórdia, justiça, amor e também castidade.

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Da mesma forma que devemos ser circuncidados não por mãos


humanas, mas por Cristo (como símbolo da castidade verdadeira),
devemos passar por um batismo profundamente espiritual (não
somente feito por mãos humanas), o qual somente os castos
receberão, os que sepultaram a luxúria, e os outros pecados de si
mesmo.

Pedro, da mesma forma que Paulo, traça uma conexão do batismo


e a circuncisão, dizendo que o batismo salva pela consciência
para com Deus diferentemente de somente o despojamento da
imundice da carne. O Batismo é uma figura verdadeira (rito
simbólico) que salva pelas águas calmas, como a família de Noé
foi salva em relação ao resto da humanidade (1Pe 3:20-21).

Veremos agora como os elementos simbólicos da castidade estão


relacionados com o batismo.

Os elementos simbólicos da castidade no batismo.

Na história da humanidade, a maneira mais fácil de transmitir o


conhecimento foi através da simbologia, de elementos figurativos
narrados em histórias e parábolas. Isso acontece porque o
cérebro tem muito mais facilidade de gravar na memória essas
formas de linguagens com conteúdos figurativos e simbólicos.

Da mesma forma que o corte da carne (circuncisão) era um


elemento físico e simbólico de algo mais profundo como a
castidade, os elementos figurativos do batismo também têm

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características simbólicas que confirmam a continuação do


propósito das antigas alianças, a importância da castidade no
processo de ser uma nova criatura.

Para compreender esses elementos, que na verdade são a água e a


pomba, devemos voltar ao Antigo Testamento para uma análise
de interpretação.

As primeiras menções desses elementos estão no dilúvio bíblico,


onde temos as águas tormentosas que destruíram a humanidade
fornicária, sendo uma clara menção que essas águas provinham
da fornicação dessas pessoas, usando o elemento na sua forma
destrutiva, uma consequência que causaria a ruína de todos,
conforme afirmado por Isaías 57:20 ―Mas os ímpios são como o
mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam
de si lama e lodo‖. O fogo sexual da fornicação traz ebulição do
elemento água, por isso ela sobe repentinamente.

Podemos notar, também, a importância de salvar os casais,


mesmo para os animais que não tinham esse comportamento
monogâmico e destrutivo no que tange à invariabilidade genética,
assim o termo ―casais‖ frisa também simbolicamente a castidade
e salvação, pois se salvariam dessa destruição estando acima
dessas águas tormentosas (advindas da fornicação), navegando
com tranquilidade à espera de uma salvação pelas águas
tranquilas, que seria um novo mundo apresentado pelo Espírito
Santo em forma de uma pomba, que pousa quando as águas são

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tranquilas (castidade), trazendo o galho da oliveira como sinal da


frutificação espiritual, Árvore da Vida.

Agostinho de Hipona nos revela que as medidas da Arca são


proporcionais à medida de um homem, que no caso representa
Cristo, e no seu interior à sua Igreja: ―E a porta que a arca
recebeu no lado é seguramente a ferida que a lança abriu no lado
do Crucificado. É por aí com certeza que entram os que vêm a
Ele, porque daí dimanaram os sacramentos pelos quais os crentes
são iniciados‖ (AGOSTINHO, 1977, p. 1414).

As mensagens são claras, a arca sobre as tormentas, Cristo sob a


cruz. Dessa ferida em Cristo saiu sangue (sacrifício, remição dos
pecados) e água (pureza e castidade).

Vamos, agora, aprofundar mais nos significados desses dois


elementos: a água e a pomba.

A Pomba

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Ao analisarmos a característica dessa ave, representação do


Espírito Santo, vemos que se trata de um pássaro, animal
mensageiro que trafega nos céus, local da morada de Deus. Outra
característica interessante dessa espécie é o comportamento
monogâmico, sua fidelidade conjugal, um comportamento quase
exclusivo das aves em nosso reino animal. Assim, ela acabou se
tornando símbolo do amor conjugal no inconsciente coletivo:
assim, muitas vezes refere-se aos noivos como sendo os
pombinhos, que possivelmente culminou também na
representação do amor pela figura na forma de coração quando as
duas imagens são unidas como referência ao momento de
intimidade conjugal.

O Talmude declara que se a Torá não tivesse sido outorgada,


teríamos aprendido como ser fiéis aos nossos esposos com o
comportamento das pombas (DAVIDSON, sd).

Esse símbolo até se tornou nome dos órgãos sexuais masculinos


(rola) e femininos (pomba): ―[...] oh, minha pomba nas fendas da
rocha, ...abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha,
imaculada minha‖. (Ct 2:14; Ct 5:2), mas infelizmente, como
mencionava o saudoso Padre Léo ―houve a vulgarização da
nomenclatura dos órgãos sexuais ao longo do tempo, e o que era
sagrado se tornou profano‖ (LÉO, 2015, p. 14), a ponto de que os
termos pomba, denotando o órgão sexual feminino, e rola, para o
masculino são considerados extremamente inadequados,
pejorativos e vulgares.

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A pomba e a rola são os únicos animais usados para expiar os


pecados relacionados à emissão dos fluxos sexuais mencionados
em Levítico 15, indicando assim ser o símbolo da castidade
purificadora em relação aos atos de fornicação: ―Ao oitavo dia
tomará para si duas rolas, ou dois pombinhos, e virá perante o
Senhor, à porta da tenda da revelação, e os dará ao sacerdote‖ (Lv
15:14).

Para mostrar-se como símbolo da pureza casta, uma pomba foi


dada como oferta para consagração do menino Jesus no templo, e
aos 30 anos, essa ave surge como manifestação do Espírito Santo
em seu batismo. Assim, vemos no batismo de Jesus, nas águas
limpas e calmas, o advento da pomba do Espírito Santo. Símbolos
presentes em Levítico, capítulo 15, águas limpas para purificar e
depois o sacrifício das pombas e rolas. Somente após o batismo é
iniciada a missão de Jesus em nosso planeta, dando-nos um claro
exemplo de que somente com a castidade poderemos avançar em
nossa missão espiritual, uma vida em Cristo.

Não existe crescimento espiritual, muito menos comunhão com


Deus, enquanto se é fornicário. Quando o ser humano é dominado
pelas compulsões ocorre o fortalecimento dos defeitos,
culminando na ocorrência dos pecados capitais. A perda da
castidade tem como consequência a perda da santidade, termos
quase equivalentes no meio cristão e sobre os quais iremos
aprofundar mais adiante. Quanto à fornicação, as Escrituras
afirmam que ―Enquanto estivermos fornicando na luxúria, Deus
não nos ouve, não atenderá às nossas orações (Is 1:10-15), (Jd 1:7)

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e se vingará de nossas impurezas‖ (1Ts 4:3-7). Para os sábios


Rabinos do livro Likutey Moharan ―as orações daqueles que
desperdiçam seu sêmen não são ouvidas por Deus‖ (REUVEN, sd).

Essa parece ser a única circunstância em que o Espírito Santo se


afasta de nós, por que será? Não seria porque nos tornamos
espíritos impuros, onde a imundice entra em nosso corpo; corpo
esse que deveria ser morada do Espírito Santo? A impureza entra e
o Espírito Santo sai imediatamente. Pecar sexualmente é pecar
contra o Espírito Santo, contra sua casa, conforme nos adverte o
apóstolo Paulo:

Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é


fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio
corpo. [...] Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do
Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e
que não sois de vós mesmos? (1 Co 6:18,19).

Se defendermos ou justificarmos um comportamento fornicário,


cometeremos o pecado contra o Espírito Santo, blasfemamos
contra a castidade. Porque esse é o pecado que não é perdoado,
pois é contra o Espírito Santo de Deus, a quebra da aliança eterna
(Mc 3:28-30).

A fornicação faz parte do pecado contra o Espírito Santo, pois é


Ele que é dado em sacrifício quando uma pomba é ofertada a
morrer em nosso lugar, como nas impurezas sexuais em Levítico
15:14,29, nós pecamos e Ele morre em sacrifício. Da mesma
forma, na apresentação dos recém-nascidos, como sugerido pelos
Rabinos Rabbenu Baĥya e Rabi Shlomo Efraim ben Aaron
Luntschitz (KLI YAKAR, 1550–1619) em que pombas ofertadas

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lembram o pecado de Eva no Éden e os castigos que lhe são


impostos por Deus em Gênesis [Link] as dores e a multiplicação
desordenada da humanidade (TAZRIA, 2019).

Todo animal de sacrifício é a representação de um pecado capital


cometido. Sua relação é intrínseca, e nesses casos, podemos
deduzir que é a morte do espiritual, da possibilidade da ascensão ao
Céu que os pássaros representam ao voarem. Durante o sacrifício
acontecia a reflexão do pecador, pois presenciava o animal
morrendo em seu lugar (CHABAD, sd).

Não somente blasfemar contra o Espírito Santo, mas sim se tornar


homicida pelas vidas jogadas fora (Is 57:5) e convidar a impureza
espiritual para habitar o templo que era dEle. Por isso o Espírito
Santo se afasta.

Não é o que nós fazemos com o outro, mas sim o que fazemos
―conosco mesmos‖ que se peca contra o Espírito Santo, ou melhor,
o nosso corpo não é nosso, ele foi feito para habitação do Espírito
Santo (1Cr 6:18-19). Dessa forma, percebe-se a inadequação da
expressão: ―meu corpo, minhas regras‖.

Não há como fugirmos das consequências de pecar contra o


Espírito Santo. Não há sacrifício, oração, que apague os resultados;
eles são físicos (desequilíbrio neuroquímico), psicológicos
(agravamentos dos defeitos) e espirituais (afastamento do Espírito
Santo e aproximação de espíritos imundos).

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Essas consequências são alertadas por Deus para quem pratica a


fornicação, pois despreza a santificação, ou melhor, despreza a
Deus que nos deu o Espírito Santo (1Ts 4:3-8).

O sacerdote Eli falando sobre a fornicação de seus filhos em 1


Samuel 2:25, conclui que ―Pecando homem contra homem, os
juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o Senhor,
quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o
Senhor os queria matar‖.

O único pecado que Jesus permitiu a separação conjugal é a


fornicação, ―porneia”, (Mt 5 31-32). Ressaltamos que Jesus, nessa
passagem, não colocou fornicação no sentido de prostituição, mas
sim remetendo a lei anterior em Deuteronômio capítulo 24:1-4
(HIMITIAN, sd).

Vemos semelhanças desse entendimento também na tradição


judaica, grandes rabinos como Shulchan Aruch e Kitzur Shulchan
Aruch afirmam que desperdiçar esperma é considerado um pecado
maior do que qualquer pecado na Torá (JUDAISMO E
CIRCUNCISÃO, sd).

O Zohar, livro do Judaísmo místico, enfatiza isto em vários


lugares, especialmente na Parashat Vayechi, dizendo que todos os
pecados podem ter arrependimento, mas não o derramamento de
sêmen em vão, a menos que haja um grande e constante
arrependimento, pois este pecado previne o transgressor de ver a
Presença Divina (TIKUN KRIAT SHEMA, sd).

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Assim, o ser humano acaba se aproximando mais de suas


características animais aprofundando nas obras da carne e
afastando o Espírito Santo. Mas o retorno ao Seu aconchego e o
afastamento das tentações não são algo imediato, e sim um
processo lento e gradativo de recuperação, que nos impõe muita
força de vontade e fé. Vejo isso no mundo da dependência química
e sexual, poia a recuperação e a manutenção de uma vida sem
vícios são processos difíceis e lentos, mas não impossíveis, quando
se tem um propósito com Deus para a mudança.

A Água

Além do dilúvio, batismo e das purificações para os pecados


sexuais e outras impurezas, as águas estão muito presentes na
linguagem simbólica da sexualidade. Ela foi um símbolo utilizado
para os casais firmarem uniões castas e sagradas; Isaque e
Rebeca, Jacó e Raquel, Moisés e Zípora, tiveram seus encontros
iniciais em fontes de água.

Outros episódios interessantes, que para mim não são mera


coincidência, foram os pactos formados pela propriedade dos
poços, tanto de Abraão como de Isaque com Abimeleque e seus
servos (Gn 21:22-24 e Gn 26:17-32), episódios que foram
posteriores aos quase adultérios autorizados por ambos (Abraão
Gn 20:2 e Isaque Gn 26:7). Nestes casos vemos uma narrativa
alegórica clara das propriedades dos poços/mulheres, ou o roubo
das águas. Os filisteus eram fornicários (incircuncisos),
demonstrado alegoricamente – pois ninguém é louco de fazer isso

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em um deserto - no episódio do entupimento dos poços que


Abraão cavara (Gn 26:15-19), desprezando as águas vivas
(conhecimento da castidade) que Abraão trouxera.

A água também é utilizada alegoricamente como sendo os fluxos


sexuais, a água que sai do homem como pode ser visto no
capítulo 5 de Provérbios (Pv 5:3-14), em que há uma orientação
de Deus para que os homens não se encantem pelos lábios de uma
mulher licenciosa, ou seja, uma mulher luxuriosa ou promíscua,
cujos lábios destilam mel, e cuja boca é mais macia do que o
azeite; mas o seu fim é amargo como o absinto, agudo como a
espada de dois gumes. Mais adiante no texto, Deus expõe a fala
de arrependimento que irão pronunciar: ―Como odiei a correção!
e o meu coração desprezou a repreensão! E não escutei a voz dos
que me ensinavam, nem aos que me instruíam inclinei o meu
ouvido! Quase cheguei à ruína completa, no meio da congregação
e da assembleia‖. É bom frisar que a repreensão que o coração
desprezou refere-se ao pecado contra a castidade.

A partir do versículo 15 a narrativa se mostra educativa, quando


Deus diz para que se beba da água da própria cisterna, que é a
própria esposa. Seguindo no texto Ele ordena a beber das
correntes do seu poço. Aqui vemos que o poço é uma menção à
energia sexual, que se encontra localizada nos hormônios sexuais
em seu reservatório de água da vida, ou seja, no testículo. As
correntes são os canais pelos quais essa energia sexual, que antes
era desperdiçada, deve agora ser içada para nutrir todo seu corpo,

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trata-se da transmutação hormonal já mencionada pelo Dr.


Brown-Sequard e que veremos mais adiante no capítulo 5.14.

Continuando, Deus questiona: ―Derramar-se-iam as tuas fontes


para fora, e pelas ruas os ribeiros de águas?‖ Esse trecho faz uma
clara menção à ejaculação no contexto do pecado da fornicação.
Ainda, Deus adverte que essa disciplina é para seus filhos que já
têm o propósito da castidade, e não para os estranhos.
Finalizando, Deus deseja que seja bendito o seu manancial, ou
seja, o sêmen; e para que regozije na mulher da tua mocidade,
lembrando que regozijar é muito mais elevado do que
simplesmente gozar.

E em Provérbios 9:15-18 temos:

A mulher louca é alvoroçadora; é simples e nada sabe.


Assenta-se à porta da sua casa numa cadeira, nas alturas
da cidade, e põe-se a chamar aos que vão pelo caminho, e
que passam reto pelas veredas, dizendo: Quem é simples,
volte-se para cá. E aos faltos de entendimento ela diz: As
águas roubadas são doces, e o pão tomado às escondidas é
agradável. Mas não sabem que ali estão os mortos; os seus
convidados estão nas profundezas do inferno.

O capítulo 57 do livro de Isaías enfatiza os pecados sexuais dos


filhos da transgressão, descendência adúltera, questionando-os se
eles inflamaram com os deuses debaixo de toda árvore e
sacrificaram os filhos nos ribeiros nas fendas dos penhascos;
sendo uma clara menção a perda seminal. Em seguida adverte:
―Nas pedras lisas dos ribeiros está a tua parte [seu sêmen]; estas
são a tua sorte; sobre elas também derramaste a tua libação. [...]

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Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode


aquietar, e suas águas lançam de si lama e lodo‖.

As águas em forma impetuosa simbolizam a fornicação no caso


de Rúben, o primogênito (princípio do vigor sexual), sobre a
concubina de seu pai Jacó (Gn 49:3,4). Ademais, no capítulo
58:11,12 de Gênesis, Deus diz:

[...] para os que andam no caminho do senhor; serás como


um jardim regado, e como um manancial, cujas águas
nunca faltam. E os que de ti procederem edificaram as
antigas ruinas; e levantarás os fundamentos de geração em
geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e
restaurador de veredas para morar.

Vemos como Deus simboliza a vida e suas bênçãos como sendo


um manancial de águas vivas. Também podemos traçar um
paralelo ao ser humano que possui o seu manancial de águas
vivas - fluxos sexuais – que usando-o corretamente, de maneira
divina, produz vida, caso contrário, é como possuir uma cisterna
que não retêm água, referindo-se ao desperdício do sêmen por
indivíduos fornicários, e, assim, produz morte. Conforme afirma
Jeremias: ―[...] o meu povo fez duas maldades: a mim me
deixaram o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas,
cisternas rotas, que não retêm águas‖ (Jr 2:13).

Também existe na literatura milenar Árabe essa mesma


compreensão: ―Lembre-se de que um homem prudente evitará
abusar do gozo do coito. O esperma é a água da vida‖ (CHEIKH
NEFZAOUI, 1886).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

No livro de amor conjugal de Cantares lemos: ―Jardim fechado és


tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
[...] És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do
Líbano‖ (Ct 4:12,15).

Paulo menciona em Efésios 5, um capítulo que trata muito sobre


relacionamento conjugal e que vamos abordá-lo mais
profundamente no capítulo 6, que a relação sexual deve ser
purificada pela lavagem da água pela palavra (ensino) de Cristo.

Todas essas citações e muitas outras não mencionadas formam a


simbologia da sexualidade casta ao longo da história bíblica, mas
que infelizmente grande parte da nação judaica não praticou. Por
isso, como profetizou o profeta Zacarias, haveria de vir o Messias
para restaurar o ensinamento da castidade: ―Naquele dia haverá
uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de
Jerusalém, para purificação do pecado e da imundícia” (Zc 13:1).

Veremos nos capítulos a seguir mais provas da relação da água


com a sexualidade.

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5.13 - O ensinamento do sexo casto por Jesus.

Para começarmos a falar sobre essa missão específica de Jesus,


devemos voltar no início de seu ministério, ou melhor, em seu
batismo e analisarmos o mundo no qual ele estava inserido.

Mesmo Jesus sendo um Judeu, possivelmente fariseu, escolheu


iniciar sua missão com o batismo proferido por João Batista. Mas,
por que João Batista, que não era um samaritano? Possivelmente
porque João era Essênio, uma tribo judaica que vivia no Deserto
em Qumran, um povo que se afastou dos grupos Judaicos

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tradicionais das cidades que se contaminaram pela hipocrisia


([Link]).

Mas qual a grande diferença dessa tribo de João Batista do


demais grupos? A castidade! Os Essênios que, possivelmente era
o grupo de João Batista, tinham poucos filhos (quando os tinham)
ou adotavam crianças na tenra idade com o intuito de educá-las.

Também eram temerosos em relação à lascívia e não tinham


relações sexuais com as mulheres nos períodos menstruais e
gestacionais (JEWISHENCYCLOPEDIA, sd). João personificava
essa figura da castidade, uma vida no deserto longe do tumulto
das cidades.

Curiosamente, em uma famosa obra demonológica do século


XVII que especifica e relaciona demônio ao pecado e santo à
oração; João Batista é mencionado como estando em combate a
Asmodeus, que representa o pecado da luxúria, o que reforça o
entendimento tradicional da relação entre batismo e castidade
(BATALHA, 2015).

Um aspecto interessante, que talvez não seja mera coincidência, é


que os cristãos surgiram quando os essênios desapareceram, mas
as suas semelhanças nos remetem a uma possível continuação de
comportamentos.

Vale ressaltar que, dentre todos os comportamentos que os


Essênios se diferenciavam dos outros grupos Judaicos, a
castidade era o que mais se destacava, não só em relação a esses

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grupos e outros gentios, mas também em relação ao governo


romano, governo esse que não via com bons olhos um controle de
natalidade.

A situação começou a complicar pois o estado romano teve que


intervir ativamente no planejamento familiar para conter o
declínio populacional por meio de um sistema de punição (para
quem não tem filhos) e recompensa (para famílias com filhos),
dessa forma mostrou eficiência na previsão de gravidezes e partos
(cf. Cassius Dio, Roman History, 56, 1-10, e Kunz-Lübcke, 2007,
33; WIBILEX).

Para se ter uma ideia da pressão feita pelos romanos para o


aumento da natalidade, o Imperador Otávio Augusto sancionou as
leis Iulia de maritandis ordinibus (18-17a.c) e posteriormente
Papia Poppaea (9 d.c) que favoreciam casais que tinham três
filhos ou mais e penalizava quem não os tinha, incluindo
celibatários. Essas leis visavam a manutenção da taxa de
natalidade alta para suprir o exército romano de soldados
combatentes. Essas leis contra a castidade perduraram até o
governo de Justiniano no século VI (LEGES IULIAE, 2020).

Com a influência dessas medidas romanas punitivas, podemos


vislumbrar como terá sido difícil a popularização do
conhecimento do sexo casto (coitus reservatus) no início da Era
Cristã e, posteriormente, ao longo dos séculos.

O Sínodo de Elvira (305) e o Concílio de Nicéia (325) proibiram


o coitus reservatus completamente, por medo do escândalo, pois

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muitos o consideravam um pecado venial (WILLIAS 1939, p. 13-


14). Mas como vimos anteriormente, alguns clérigos o apoiaram
ao longo da história cristã.

Para se ter uma ideia dessa dificuldade em implementar a


castidade, vejamos os relatos apócrifos de Pedro e de Paulo em
Atos de Paulo e Tecla cap. II:

[...] e foram também colocadas junto a Pedro as


concubinas de Agripa, o governador, e elas ao escutarem
as palavras sobre a castidade e todos os oráculos do
Senhor, ficaram feridas nas suas almas.

[...] Eu sofri mesmo por sua mão, pois ele retirou minhas
concubinas. Agripa Governador (BERALDO, 2020, p.
208-209).

[...] E ele privou os homens jovens de suas esposas, e as


noivas de seus maridos, Dizendo: só permanecendo castos
e não poluindo a carne poderão alcançar a ressurreição
(PADRES ANTE-NICENOS, 2020).

Vamos imaginar o que pensaram esses jovens, juntamente com


Agripa, uma vez que Paulo e Pedro intervieram na intimidade
sexual desses homens, mostrando que sexo não é algo que se faz
de qualquer jeito, repreendendo aqueles que amavam a
fornicação, que levava à poluição da carne. Esses amantes da
fornicação se revoltaram, com certeza, ao contrário de muitas
mulheres que viram com bons olhos a castidade, controle de
natalidade, saúde ginecológica e concepção imaculada.

Penso que a defesa da castidade foi a maior desavença ocorrida


entre cristãos, judeus e romanos, e que culminaria em perseguição

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ao longo da história cristã, principalmente na necessidade desses


povos de suprirem seus exércitos com novos soldados.

Com a intervenção do estado na religião cristã, poucos clérigos


católicos defenderam a prática do coitus reservatus, tornando-o
marginalizado e considerando-o pecaminoso (pecado venial),
enfatizando somente o sexo comum para reprodução.

Jesus sabia de tudo o que iria ocorrer com o ensinamento cristão,


especialmente com a dificuldade de aceitação do ensinamento da
castidade pelo mundo, pois ele nascera e crescera nesse sistema
opressor contra a castidade, que era defendido por judeus,
romanos e tantos povos do mundo.

Jesus teve que adotar uma estratégia de passar esse conhecimento


de uma forma que aqueles que estariam abertos para a mudança
pudessem absorvê-lo, sem arriscar tanto suas vidas, além do que
já arriscavam.

Assim, toda mensagem de Jesus em relação à sexualidade vem de


forma simbólica e metafórica, para que não se deteriore ou se
deturpe ao longo do tempo nas mãos dos equivocados, sendo
revelado somente para aqueles que realmente almejem uma
transformação de comportamento.

Quando os discípulos alegaram para Jesus que era melhor que o


homem não se casasse para assim não incorrer no risco da
fornicação ou adultério, Jesus respondeu que ―nem todos podem
receber essa palavra, mas só a quem foi concedido‖. Está claro,

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pela reação dos discípulos, que o comportamento sexual que


Jesus propunha não era nada fácil de entender - somente por
aqueles aos quais foi concedido - e muito menos de realizar (Mt
19: 9-11).

Para que a pessoa pudesse receber esse ensinamento, ela deveria


estar aberta a mudar suas crenças em relação ao conhecimento
sexual que possuía. Só assim ela cresceria no entendimento, se
tornando uma boa terra para dar seus frutos, caso o praticasse.
Nós precisamos dar o primeiro passo para receber o
conhecimento, ter interesse em crescer na sabedoria, como
demonstra todas as passagens abaixo:

A árvore que dá bons frutos é a que foi semeada em terra


boa, onde o significado da parábola atinge seu coração,
compreende e a pratica. Para esses é dado conhecer os
mistérios do Reino dos céus, aos outros não (MATEUS
13).

O Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o


conhecimento e o entendimento. Ele reserva a verdadeira
sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham
na sinceridade (PROVÉRBIOS 2:6,7).

Não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie;


repreende o sábio, e ele te amará. Dá instrução ao sábio, e
ele se fará mais sábio; ensina o justo e ele aumentará em
entendimento (PROVÉRBIOS 9:8,9).

Não deis aos cães as coisas santas, nem vos deiteis aos
porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com
os pés e, voltando-se, vos despedacem...Porque, aquele
que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate,
abrir-se-lhe-á. (Mt 7:6,8)

Em Marcos (7:27) está escrito: ―Deixa primeiro saciar os filhos‖,


ou seja, filhos de Deus, aqueles que querem ser nascidos de novo;

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―porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos


cachorrinhos‖, que seriam os humanos animalizados, ignorantes
que somente se sustentam das migalhas que Deus oferece para os
que querem se tornar filhos.

Como dizia Platão: ―É preferível a ignorância absoluta ao


conhecimento em mãos inadequadas‖.

Tenho a percepção de que muitos que lerão interpretações que


faço das passagens de Jesus, que irei relatar adiante, infelizmente,
ficarão pelo meio do caminho e as desprezarão sem ao menos ter
um olhar ampliado do contexto sexual, se afirmando somente nas
interpretações tradicionais. Mas, isso já é esperado, pois como
escrito em Mateus 13, poucos irão se desenvolver no
entendimento, e muito menos frutificarão na própria prática.

O ser humano detesta sair da zona de conforto, principalmente na


forma de se relacionar com sua sexualidade. Foi e é assim desde o
início da humanidade.

Assim, vejo a importância, também, da inclusão dos textos


apócrifos para a ampliação no entendimento do ensino cristão
sobre a sexualidade e compreensão do pensamento da época de
todos os grupos que se auto intitulavam cristãos. Se Jesus ensinou
muito mais coisas do que temos oficialmente na Bíblia (João
21:25), porque então não incluirmos esses textos, quando eles não
entrarem em conflito com os textos canônicos? Parece-me que
João sabia que faltava algo, por isso seu evangelho é tão distinto

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dos demais, principalmente no que se refere à sexualidade em sua


forma simbólica.

O professor Alfredo dos Santos Oliva, associado no Departamento


de História da UEL, doutor em História pela UNESP e pós
doutorando em Ciências da Religião pela UMESP, afirma que os
livros apócrifos ―enfatizam a questão sexual muito mais que o
Novo Testamento, certamente levando às últimas consequências
temas que são apenas aludidos no cânon cristão‖ (OLIVA, 2017).

Com um olhar interpretativo e revelatório para minha pessoa,


vamos nos deter um pouco mais ao ministério de Cristo Jesus.

Após o batismo e a tentação no deserto, Jesus inicia sua missão,


enfatizando o que seria fundamento inicial na vida do cristão, a
vida matrimonial casta, as bodas de Caná da Galileia, em que fez
seu primeiro milagre (Jo 2:1-11).

Vamos analisar o acontecimento: a ideia central é o casamento e,


portanto, a sexualidade, pois basicamente, um não existe sem o
outro e, para Deus, o casamento se dá verdadeiramente com a
união sexual, que os torna uma só carne, aliança de sangue e
espírito.

O vinho comum que normalmente as pessoas bebiam se acabou,


uma possível analogia da paixão sexual, do sexo comum no casal,
que se acaba com o tempo.

Jesus pede aos serventes para encherem as talhas de pedra de


purificação com água - talhas que serviam para a purificação dos

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pecados, uma alusão clara ao Batismo - e assim transforma a água


em vinho (suco de uva em grego), mostrando que para a
sexualidade casta que Jesus quer ensinar, não há sede de amor,
não se acaba o vinho, que no caso também poderia simbolizar a
transmutação, da água em vinho, da luxúria em amor. Para o
escritor cristão Paul Chanson, essa passagem mostra que Jesus
quer com isso incitar à continência amorosa, à retenção do
reflexo procriativo (CHANSON, 1949, p. 39).

Há também a diferenciação daqueles noivos que servem o vinho


bom no início e depois o ruim, remetendo à paixão inicial da lua
de mel, mas que ao longo do tempo vai se desgastando, em
contraposição àqueles que sempre servem um bom vinho, os
castos.

Podemos relacionar esse milagre e seus elementos simbólicos


com o encontro de Jesus com a Samaritana no poço de Jacó (Jo
4:4-22), poço que simbolizava a herança ou a descendência casta
que honra a aliança divina que passou de Jacó para José, símbolo
que vimos anteriormente com Abraão. Esse poço fora
posteriormente utilizado por antigos cristãos para o batismo
(POÇO DE JACÓ, 2020).

Jesus exclama que se ela pedir água - pois se tem que pedir para
receber - ele dará uma fonte de água viva, fará na pessoa uma fonte
que salta (caminho inverso da natureza, e do instinto) para a vida
eterna, algo diferente daquele poço que possui uma água que não
mata a sede.

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A mulher pede a ele que lhe dê dessa água, para que ela não tenha
mais sede e não precise mais ir ao poço buscá-la. Como a mulher
pediu, Jesus então pede que ela chame o seu marido e venha para
receber o conhecimento.

Nesse momento, vemos o significado da fonte da água viva, a


sexualidade casta que deveria ser passada para o casal, pois fica
explícito no texto que era necessário ser marido e mulher para
receber o conhecimento, ou seja, algo relacionado à sexualidade do
casal.

A mulher reclama que não tem marido e Jesus responde que ela já
teve 5 e o último não é seu marido.

Podemos notar que a mensagem se repete igualmente como a das


bodas de Caná, a água que a mulher bebe sempre lhe dá sede,
assemelhando-se ao vinho comum, pois o prazer passageiro do
orgasmo, nunca satisfaz, sempre provoca sede de luxúria,
compromete a saúde biológica, espiritual e qualquer sentimento de
amor duradouro no relacionamento (por isso teve 5 maridos, tinha
sede de homens).

Mesmo que a mulher tenha um relacionamento afetivo naquele


momento, mas, que Jesus afirmou não ser um marido, Jesus não
lhe passou o conhecimento, pois ela não estava em condições de
recebê-lo (Mt 19:11). Talvez ela tenha sido repudiada pelos 5
maridos por causa da fornicação (Mt 5 31,32).

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Se ao menos a Samaritana se convencesse de seu comportamento


sexual e suplicasse a cura como fez a mulher do fluxo (Mt 9: 20-
22) que toca nas vestes de Cristo (Cristo como a castidade em
pessoa) e se cura, ela pudesse ter sido contemplada com a graça do
ensinamento e da cura.

Interessante notar, e não é mera coincidência, que a mulher do


fluxo sofria da doença há doze anos, a mesma idade da filha de
Jairo que Jesus iria ressuscitar. A idade da puberdade sexual no
feminino, morre a menina e nasce a mulher.

O Evangelho Apócrifo de Felipe nos esclarece sobre o casamento:

O mistério do casamento é grande. Sem ele, o mundo não


existiria. A existência do mundo depende de pessoas, e a
existência de pessoas depende do casamento. Então pense
no poder da pura relação sexual, embora sua imagem esteja
contaminada.

Ninguém pode saber quando o marido e a mulher fazem


sexo, exceto aqueles dois. O casamento no mundo é um
mistério para quem é casado. Se há uma contaminação
oculta no casamento, quão maior é o verdadeiro mistério do
casamento imaculado! Não é carnal, mas puro. Não
pertence ao desejo, mas à vontade. Não pertence às trevas
da noite, mas ao dia e à luz (BARNSTONE, MEYER,
2006).

O que vemos nesse texto atribuído a Felipe é uma extrema


importância na relação sexual do casal, onde a existência e a
qualidade espiritual das pessoas dependem do casamento, de um
matrimônio imaculado, como o autor de Hebreus 13:4 nos diz;
―leito matrimonial sem mácula, pois fornicários, e adúlteros, Deus
os julgará‖.

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Esses imaculados não pertencem ao desejo carnal, mas à vontade


espiritual, um estágio superior de prazer divino, simbolizado no
termo ―o mistério da câmara nupcial‖, que enreda boa parte do
texto atribuído a Felipe, comparando o caráter sagrado da
sexualidade com a devoção da alma do indivíduo a Deus, uma
linguagem simbólica semelhante ao casamento de Deus com Israel
no Antigo Testamento, e o de Cristo com a noiva (a Igreja) no
Novo Testamento.

O evangelho de Felipe ainda explica sobre o mistério da câmara


nupcial:

Os animais não têm câmara nupcial, nem escravos ou


mulheres contaminadas. A câmara nupcial é para humanos
livres e castos.

Se a fêmea não tivesse se separado do macho, a fêmea e o


macho não teriam morrido. A separação entre homem e
mulher foi o início da morte. Cristo veio para curar a
separação que havia desde o início e reunir os dois, a fim de
dar vida aos que morreram por separação e uni-los.

Uma mulher está unida a seu marido na câmara nupcial, e


aqueles que estão unidos na câmara nupcial não serão
separados novamente. É por isso que Eva se separou de
Adão, porque ela não se uniu a ele na câmara nupcial (THE
GOSPEL OF PHILIP, sd).

Cristo veio restabelecer essa conexão esquecida ao longo do


tempo, nos mostrando o caminho para a santidade e salvação,
tendo o sexo casto como base desse processo.

Padre Léo afirma que: ―A primeira coisa que melhora na vida de


um casal que verdadeiramente se encontrou com Jesus Cristo tem

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de ser a comunhão íntima. Se isso não acontece, o encontro com


Cristo não foi real‖ (LÉO, 2015, p. 67).

Muitas pessoas ao serem perguntadas se amam seus cônjuges,


dirão que sim, mas e a relação sexual? Como anda? Por isso
sempre faço a pergunta aos casais: Sua relação amorosa e
carinhosa é a mesma de quando o casal se conheceu? Tem atração
sexual do mesmo modo? Pois a sexualidade casta de Jesus restaura
o amor nas relações.

Finalizando, trago este lindo texto da Biblioteca de Nag Hammadi,


Exegese da Alma, que descreve como podemos, através de uma
relação pura com o nosso cônjuge, nos aproximar de Deus, mesmo
que seja em um breve momento e uma pequena amostra, o
encontro com o divino, o retorno à eternidade, ao Criador.

Este casamento não é como o casamento carnal, no qual


aqueles que fazem amor tornam-se saciados ao fazer amor.
E como se fosse um fardo, eles deixam para trás o
aborrecimento do desejo físico. Eles veem os rostos um do
outro. Nesse casamento uma vez que eles se juntam, eles se
tornam uma única vida. Como o profeta disse sobre o
primeiro homem e mulher, ―Eles se tornarão uma única
carne‖.

Eles se uniram originalmente quando estavam com o pai,


antes que a mulher desviasse o homem, que é seu irmão.
Este casamento os reúne novamente, e a alma se junta a seu
verdadeiro amor e verdadeiro mestre, como as Escrituras
nos dizem: O mestre da mulher é seu marido (THE
EXEGESIS ON THE SOUL, sd).

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5.14 - Sexualidade para a santificação: a construção do


templo do Espírito Santo.

Muito se fala sobre santificação, e muitos a tratam como um


processo natural que acontece com qualquer cristão. Mas a palavra
santificação é uma ação para ser santo, para ser separado ou
escolhido por Deus para ser seu.

A santificação é um chamado para uma preparação do que


devemos fazer como cristãos, uma ação nossa para termos uma
vida santa para que Deus nos santifique, assim, ela é uma via de
mão dupla de ação e graça de Deus.

Para Schlessinger, santidade e sexualidade estão inteiramente


relacionadas, tanto que depois do casamento, o casal é considerado
como tendo nascido de novo, e todos os seus pecados anteriores
são perdoados. Isso tem relação com a cunhagem, no início da era
rabínica, da palavra hebraica kidushim (santidades) para designar a
cerimônia de casamento (SCHLESSINGER, sd).

O termo santidade na religião judaica vem do termo Kadosh que


significa santo, e o oposto do matrimônio é a prostituição, e uma
das palavras que significa prostituta é Kadeshah – literalmente,
uma mulher que corrompeu a sua santidade, indicando seu outro
lado que é a perversão (SEFAFERIA,sd).

Por isso, é necessário estar em ―estado de santidade‖, jargão muito


utilizado pelos cristãos que expressa uma condição de castidade
sexual, mas que na verdade abrange todo o comportamento

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humano; para que Deus edifique a santificação, a qual sem ela,


ninguém verá o senhor (Hb 12.14), não será justificado (1Co 6:11)
e nem receberá as promessas (2Co 7:1).

No processo de santificação, a castidade é a base, o alicerce que


sustenta todo o processo, e que sem esta a santificação nunca se
realizará, pois com o descontrole neuroquímico e as obras da carne
inundando o corpo, não se pode avançar em nada. Então, para
progredir na fé e na pureza espiritual; fuja da fornicação para que
possa andar no caminho para a santificação, sabendo possuir seu
vaso (esposa) em santificação e honra e não na paixão da
concupiscência (descontrole orgástico gerado pela fornicação) (1
Ts 4:1-5).

Portanto, o marido cristão não deve apenas não usar o vaso


de outra pessoa, o que é feito por quem deseja a esposa do
próximo, mas ele sabe que mesmo seu próprio vaso não
deve ser possuído na maldade da luxúria carnal (HIPONA,
sd).

A santidade começa em casa, especialmente na intimidade do


casal, no local mais sagrado do lar.

Em nossas vidas a sexualidade não tem a ver


essencialmente com o nosso prazer, mas com a glória de
Deus e seu propósito. Ao concedê-la Deus, em seu plano
eterno, desejou que ela cooperasse para o nosso bem final:
edificar em nós a imagem de Cristo por meio do processo
ao qual chamamos de santificação (ARAGÃO, 2019).

É imprescindível enfatizar que durante a santificação ocorre


simultaneamente em nós a edificação do templo do Espírito Santo,

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com a morte do homem velho e o nascimento do novo, a formação


da imagem de Cristo em nós para sermos filhos de Deus.

Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho


homem, que se corrompe pelas concupiscências do
engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos
revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em
verdadeira justiça e santidade (Ef 4:22-24).

Na verdade, devemos levar uma vida santa em todo sentido, ou


melhor, em todos os instintos, pois se eles não se santificarem,
entraremos na animalidade.

Todo nascimento espiritual necessita do sexo e da morte de si


mesmo, o nascer de novo, também!

Somos seres da natureza divina, um ser dentre infinitos da criação


de Deus. Tudo na natureza obedece a princípios e leis, como a
evolução (progresso automático) revolução (progresso provocado)
e involução (retrocesso).

Nessas oscilações constantes da natureza, uma coisa é certa, na


natureza não existem saltos imediatos, seja de evolução ou
involução, tudo se dá através de processos de transformações
gradativos, morre uma fase, nasce outra. Assim se cria uma nova
criatura ou um novo ambiente.

No que tange à luta entre carne e espírito, uma substância não se


transforma imediatamente em outra. Paulo, em Romanos 7,
descreve como é difícil essa luta contra o pecado, onde o nosso ego
é regido pelos nossos defeitos, escravizando o espírito e
favorecendo a carne.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Muitos de nós nos sentimos exaltados quando batizamos, quando


somos novos na fé, quando assistimos uma pregação inspirada na
igreja. Mas quando chega a segunda-feira e durante a semana,
somos acometidos pelos desejos do ego, da carne, é como se o
Espírito Santo fosse um visitante ocasional em nossas vidas. Para
que isso não ocorra, necessitamos de um reavivamento para nos
levantar na fé, que só acontecerá com uma revolução de
consciência, que se expressa por meio de novas atitudes.

Na verdade, enquanto a morada do Espírito não é completamente


formada em nós (pedra sobre pedra) somos muito mais carnais do
que espirituais (1 Co 3:1-9). Como nos alertou Jesus: "Se alguém
me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos
a ele e faremos morada nele‖ (Jo 14:23).

É uma luta constante que se dá num âmbito de equilíbrio, como em


toda natureza (Gl 5:17). Para que sejamos cheios do Espírito
devemos estar vazios de carne, de pecados, de defeitos. Um só
aumenta quando o outro diminui, tem que morrer o velho para que
o novo nasça.

Quer seguir a Jesus? Então, ―Negue-se a si mesmo, tome a sua


cruz.‖ (Lc 9:23; Mc 8 34,35; Mt 16:24). Perca sua vida (de
pecados), para se salvar (Lc 24). Essa é a luta entre os opostos,
carne e espírito (Gl 5:17-25).

Paulo em sua primeira carta aos Coríntios clama: ―Insensato! o que


tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer‖ (1 Co 15:36).

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Como disse João Batista: “É necessário que Ele cresça e que eu


diminua‖ (Jo 3:30).

Essas palavras de João se referem ao fim de seu ministério e ao


início do ministério de Jesus, em que podemos ver esse movimento
representando o nosso ego que deve diminuir e o poder de Cristo
que deve crescer em nossa vida.

No Evangelho Apócrifo de Felipe, está claro que não adianta falar


por falar que estamos cheios do Espírito Santo, pois nenhum
espírito impuro poderia agarrar quem realmente é fiel a Deus e está
cheio do Espírito Santo (BARNSTONE, MEYER, 2006).

Para a Imprensa Canção Nova, ―a palavra santificação fala de


trabalho, de esforço, de luta, de transformação. Neste processo,
vamos deixando o homem velho e conquistando o homem novo‖
(IMPRENSA, 2017).

Santificação é um processo longo, de uma vida, e somente com


paciência teremos nossas almas (Lc 21:19), as vestes espirituais da
santificação. Por isso, Jesus disse que é pelos frutos que se
conhece a árvore (Mt 7:16). Jesus nos deu o desafio de buscarmos
a santidade, deixando a concupiscência, para sermos como ele é
(1Pe 1: 14-16).

Deus nos chamou para que frutificássemos, para que manifestemos


os frutos do Espírito Santo. Quando os frutos são maus, devemos
cortar o mal pela raiz. Esses frutos são os nossos pecados e a raiz o
pecado original.

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O homem novo nasce como uma criança e vai se desenvolvendo se


permanecermos em Cristo e andarmos como ele (Jo 2:6).

Toda a história bíblica está voltada para o nossa vida prática, e a


vida de Jesus e seus ensinamentos devem ser o nosso ideal de vida,
do início ao fim, imitadores de Cristo (Ef 5:1).

A concepção imaculada e o seu nascimento, simbolizam o nosso


nascimento espiritual. O grande Francisco de Assis explanou esse
ensinamento com a tradição do presépio, mostrando que Cristo
nasce em nós como uma criança, cercado de animais, que
simbolizam nossos defeitos e nossos pecados, em um estábulo,
representando que é o nosso corpo de pecados, corpo que necessita
se transformar, deixar de ser uma casa de animais e se edificar em
um templo divino. Para o desenvolvimento dessa criança,
Francisco enfatiza em sua oração que é morrendo que se nasce para
a vida eterna, morre o defeito (exemplo: luxúria) e nasce a virtude
(castidade) que é a seu oposto.

É através desse nascimento que nos tornarmos mais essência


espiritual (a criança e suas virtudes que tratamos no capítulo 5.9) e
assim edificamos a habitação do Espírito Santo em nós. A criança é
o símbolo desse nascimento, é o maior no Reino dos céus, local
que só entra quem se tornar criança (Mt 18:3), pois eles sabem
receber o Reino (Mc 10:14,15).

Somente deixando as obras da carne é que vamos recebendo ―como


meninos novamente nascidos, o leite racional (o entendimento

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sobre o alimento espiritual), não falsificado, para que por ele,


possamos crescer na santidade‖ (1 Pe 2:1-2).

No livro apócrifo de Tomé os discípulos perguntam: ―Quando você


aparecerá para nós e quando o veremos? Jesus respondeu: Quando
vocês se desnudam sem se envergonhar - uma referência a não
cometer o pecado original - e pegam suas roupas e as colocam sob
seus pés como crianças pequenas e as pisam, então você verá o
filho do ser vivo e não terá medo‖. Um medo como o de Adão e
Eva para com Deus após o pecado (Evangelho Apócrifo de Tomé,
sd).

No intuito de nos transformarmos em crianças nascidas em Cristo,


devemos nos perguntar: qual é a grande diferença entre uma
criança e um homem adulto, aquilo que se usa para classificar a
faixa etária de um ser humano?

A resposta é: a maturidade sexual, sendo a castidade o grande


diferencial da criança em relação ao homem adulto comum, a
inocente nudez do casal primordial contida nos pequenos.

Seus hormônios sexuais não estão sendo derramados na fornicação,


mas sim edificando seu corpo: músculos, esqueleto, órgãos etc.

Sua energia sexual (libido) experimenta cada fase em seu tempo


certo: oral, anal, complexo de Édipo ou afeição paterna, auxiliando
a formação de sua psique nas questões de prazer e sociabilidade. O
templo físico do Espírito Santo está sendo formado nesse estágio
da vida.

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No período da pré-adolescência, a sua semente, o líquido seminal,


não é jogado fora, é divino. Ele é tão especial que em suas
primeiras ejaculações para fora do corpo, no início da puberdade,
não possui cheiro desagradável e nem cor purulenta como a dos
adultos comuns, ele é translúcido e inodoro como tendo uma forma
espiritual.

Essa transformação seminal ocorre também com todo adulto que


pratica o sexo casto ao longo do tempo, quando por um acidente,
ocorre um pequeno escape do sêmen, ou quando sai somente o
líquido de lubrificação que não contém esperma.

Espírito e esperma não se parecem somente no nome, eles contêm


vida, água da vida. Cada espermatozoide é um espírito em
potencial, um proto-espírito, que possui até movimento próprio,
mesmo fora do corpo humano. Ele é como uma semente de uma
árvore, basta colocá-la nas condições necessárias para o seu
desenvolvimento completo. Esperma e Espírito estão interligados
nos processos de nascimento - como no imaculado de Cristo, o
esperma espiritual de Deus. Eles também participam dos processos
de crescimento do corpo físico (hormônios sexuais) e na
santificação espiritual (castidade). Quando se deturpa esses
elementos através da fornicação, abrem-se portas para espíritos
imundos que levam à impureza e degeneração.

Toda nossa alimentação, física e espiritual, depende das sementes,


seja ela humana/divina ou da natureza. Na tradução do Antigo
Testamento, a partir do aramaico ou do hebreu, a palavra

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"semente" quase sempre é transliterada com o sentido de


Progenitor, como uma metáfora de Fertilidade. Os que defendem
esta doutrina acreditam que os tradutores, com o passar do tempo
deixaram de fazer estas referências em suas traduções, reduzindo o
impacto do conceito (SEMENTE DA SERPENTE, 2020).

Para que possamos frutificar no Espírito, não podemos consumir o


fruto, conforme Romanos 7:5 ―[...] nossos membros dão fruto para
morte [...]‖, a morte representando o pecado original,
desperdiçando assim a semente por meio da fornicação.

Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca


desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou:
para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de
Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece
nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus (1 Jo 3:8-
9).

O sêmen é a semente divina que está no homem, sendo a água que


contém vida em abundância, se permanecer nele, como no relato
anterior de João e também do Evangelho Apócrifo dos Doze
Santos que nos traz:

Não sejas enganado pela beleza da mulher, pois toda a


carne é como a erva e a flor do campo. Seca-se a erva, e cai
a flor; porém a palavra do Eterno subsiste para sempre.
Minha tarefa é ensinar e curar os filhos dos homens, e quem
é nascido de Deus guarda a sua semente dentro de si (O
EVANGELHO DOS DOZE SANTOS, 2016, p. 33).

No diálogo que se desenrola entre Jesus e Nicodemos no


Evangelho de João capítulo 3, fica nítido o desconhecimento sobre
o processo de nascimento da água (batismo, castidade dos fluxos
sexuais) e do Espírito (santidade) pelos judeus Fariseus, além do

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real significado da circuncisão e da aliança, como já alertava o


profeta Oséias: "Meu povo foi destruído por falta de conhecimento
[...]‖ (Os 4:6).

Nicodemos era uma autoridade entre os Judeus e não compreendia


o ensinamento (―tu és mestre em Israel e não sabes isso‖), pois esse
fora rejeitado e esquecido por muitos judeus ao longo do tempo, a
verdadeira circuncisão, o testemunho de todos os profetas como o
próprio Jesus enfatizou em João 3 :10,11. e 8:39.

Jesus fala de um nascimento espiritual que depende da castidade


(Jo 3:12), simbolizada também na serpente de metal que Moisés
levantou no deserto para curar os israelitas, o símbolo oposto à
serpente do deserto - a luxúria demoníaca no pecado original - que
matava os israelitas no deserto (Jo 3:14; Nm 21:6-9).

Fílon de Alexandria também pensava assim, quando diz que:

a mente entorpecida, a qual foi mordida pelo prazer, isto é,


pela serpente que foi mandada a Eva, deve ter força para
contemplar a beleza da temperança, ou seja, a serpente feita
por Moisés de uma maneira que afete a alma, e para
contemplar o próprio Deus através do meio da serpente,
esta viverá! (SILVA, 2021, p. 56)

Cristo foi levantado na crucificação, no sacrifício de morrer por


nós e deixar o exemplo a ser seguido para termos a vida eterna.
Trazendo para nossa vida, Cristo deve ser levantado em nós,
sermos revestidos em Cristo conforme Rm 13:14, para que assim
haja esse nascimento, apoiando-nos como pedra angular que

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sustenta o templo do Espírito Santo, a castidade crística, a qual sem


ela não se forma uma nova criatura (Jo 3:12-15)‖.

Edificação do templo do Espírito Santo

Sempre é bom lembrar que muito do que a ciência entende hoje


como efeitos dos hormônios, por exemplo, foram expressos
biblicamente e nos textos antigos de uma forma simbólica e
alegórica, utilizando as referências que eram observadas na
natureza e no universo em que viviam.

As visões espirituais dos profetas bíblicos revelavam elementos da


natureza que expressavam com o máximo de semelhança o que se
passava dentro do ser humano, no corpo, alma e espírito.

Nosso corpo não é nosso, ele foi feito para ser morada do Espírito
Santo (1Co 6 :15-19). Essa morada deve ser construída para ser
Sua habitação perene, que começa a ser edificada no crescimento
do corpo físico, desde a fase da concepção; chega à segunda etapa
já na fase adulta, por meio da regeneração, que utiliza como
substância base o sexo casto - a única substância capaz de criar
vida - presente na relação de duas pessoas que se amam e que têm
o fogo do Espírito Santo selando essa união.

Essa união entre duas pessoas que se amam é tão importante que
Jesus ressalta que Ele mesmo estará presente e que pedidos serão
realizados (Mt 18:19-20).

A união do masculino e feminino é uma ordem divina (Gn 2:18),


necessária para se adquirir conhecimento (mesmo nome para

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relação sexual em hebraico), sabedoria de vida. Essa sabedoria é


conquistada ao longo do tempo no relacionamento do casal, como
diz o ditado popular, ―antes de comer um quilo de sal juntos, não
se conhece nada da outra pessoa‖.

Pela mesma porta que saímos do Paraíso, o sexo, devemos retornar


para termos acesso à árvore da vida, que dá os frutos do Espírito
Santo.

O instinto sexual é uma força latente nos seres humanos, um desejo


de se encontrar no outro como forma de se alcançar um estado
paradisíaco.

Com a saída do Paraíso, passamos pela experiência da separação,


tanto na comunhão do casal, como da comunhão plena com Deus.
Assim, nos resta entender e dominar essa força de atração da
sexualidade que funde dois corpos com o fogo do Espírito Santo,
restaurando essa tríplice união.

Devemos nos conectar e santificar para nos tornarmos uma só


carne, na busca de se tornar o que Deus espera de nós, a sua
imagem e semelhança. No casal que pratica o sexo casto e a
santidade, as diferenças favorecem o conhecimento de si próprio,
do cônjuge e do Reino de Deus.

Cristo veio para curar a separação que havia desde o início e reunir
os dois, a fim de dar vida aos que morreram por separação (morte
pelo pecado original) e uni-los (THE GOSPEL OF PHILIP sd).
Porque, assim como todos morrem em Adão (pecado original,

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fornicação) assim também todos serão vivificados em Cristo


(castidade; 1 Cr15:22).

Desde que houve a separação, criou-se a força de retorno, da


atração e encontro das polaridades positivo e negativo, para que se
forme uma terceira força, a neutra, a força crística que estabiliza a
ligação. O racional com o emocional apoiados e ligados na
sabedoria divina do Cristo.

Figura 13: Nomes em Hebraico e símbolos que representam


masculino, feminino e Deus.

‫אשה‬ ‫איש‬

Em hebraico, ish significa "homem" e isha "mulher": ish ‫איש‬


(homem) isha ‫( אשה‬mulher). Repare bem nas duas palavras que são

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parecidas, diferindo apenas numa letra a mais ou a menos: ish tem


um yod (‫ )י‬a mais do que isha, mas não tem hé (‫ )ה‬isha contém hé
(‫)ה‬, mas não um yod (‫)י‬. Se unirmos as duas letras que distinguem
o homem da mulher (e que representam, simbolicamente, os seus
órgãos sexuais), obtemos: ‫י ה‬: estas duas letras (que se leem da
direita para a esquerda) formam a palavra YH, que pode ler-se
"Ya", a imagem de Deus na união do homem e da mulher. Saber
isto muda alguma coisa? Sim, muda tudo! Se for um leitor
frequente, saberá que no Antigo Testamento aparecem várias vezes
as quatro letras YHWH para se referir a Deus. YH é a forma
abreviada deste nome. Basicamente, é como uma conta de somar:
letra própria do nome do homem (‫ )י‬somada à letra própria do
nome da mulher (‫ )ה‬equivale ao Nome de Deus ‫( הי‬BAZELATTO,
2020)

O símbolo de Israel , a Cruz de madeira (Varão e Varoa )


e os símbolos sexuais são símbolos antiquíssimos de gênero
que poderiam remeter à união sexual sagrada, um dos primeiros
mandamentos do divino: e serão uma só carne (GÊNESIS 2 :24).

"E com sua ardente luxúria maculou a terra, adulterando-se com a


pedra e com a madeira” (Jr 3: 9).

Vemos como o termo Cristo na Bíblia foi usado para descrever


todas as qualidades de Jesus como: bondade, misericórdia, justiça,
paz, salvação... pureza e castidade.

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O sexo casto sempre foi o fundamento dos apóstolos e profetas na


defesa da aliança, e Cristo com a boa nova, resgata essa união,
sendo ele a pedra angular que sustenta o templo, símbolo da
castidade que ampara a edificação da morada de Deus em espírito
(Ef 2 :20-22).

A castidade é a pedra angular para ser ―todo cristo‖ (Crist-al),


a pedra Cristal “que foi rejeitada por todos os edificadores” (1 Pe
2:7).

Assim, Cristo assume a figura da própria castidade. Tanto a pedra


como Cristo, foram rejeitados pelos clérigos judeus (Gl 6:12,13).
A sexualidade sempre foi pedra de tropeço no entendimento e
cumprimento da palavra, se tornando a rocha de escândalo pelas
concupiscências carnais que combatem contra a alma (1 Pe 2:6-
11).

Como Pedro, Paulo também deixa claro em Romanos 9 :25-33 que


a pedra de tropeço é a sexualidade, pois se não fosse a misericórdia
divina e os filhos de Deus (descendentes), estaríamos como
Sodoma e Gomorra, onde Israel tropeçou na fé, na rocha de
escândalo, uma vez que não acreditou na palavra da castidade, que
escandalizava os fornicários.

Lembremo-nos da mulher de Ló que ficou petrificada ao voltar seu


olhar a Sodoma, como querendo retornar à cidade da perdição. A
luxúria petrifica a mente e o coração, destemperando os sentidos e
o prazer da vida.

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Paulo enfatiza que os judeus se apegam somente à circuncisão


física e negam a castidade, como a pedra e a cruz que escandalizam
(Gl 5 :7-12). A cruz de cristo é a verdadeira circuncisão
(castidade; Gl 6:12-15).

Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne (a castidade,


símbolo da cruz em seus órgãos sexuais) com as suas paixões e os
seus desejos (Gl 5:24).

Em 1 Coríntios 10:1-11, temos muitos elementos que representam


a castidade, inclusive Cristo: Paulo fala aos Coríntios que o povo
de Israel durante a peregrinação no deserto foi batizado na nuvem
(espírito) e no mar (água que simbolizava o compromisso da
castidade). E que todos bebiam de uma mesma bebida espiritual,
porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era
Cristo, vitalidade espiritual que a castidade oferece; a rocha que sai
água viva (ÊXODO 17). Paulo disse que Deus não se agradou da
maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto, uma vez
que muitos caíram na fornicação e sofreram como consequência
disso.

―E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos


as coisas más, como eles cobiçaram‖. Figuras, símbolos que
representavam a sexualidade casta, de forma que não fomentasse a
luxúria, para não a cobiçar, conforme podemos ler em Salmos 78.

―Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está
escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para

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entregar a orgia. E não nos forniquemos, como alguns deles


fizeram; e caíram num dia vinte e três mil‖.

Paulo continua dizendo que não tentemos a Cristo como alguns


deles também tentaram e pereceram pelas serpentes. Nesse
contexto, as serpentes remetem à serpente tentadora do éden, que
representa a luxúria geradora da morte e Cristo representa a fé e a
castidade que curam, como na serpente de metal de Moisés. Paulo
prossegue, ―E para que também não murmuremos como também
alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor‖, que
equivale a pecar contra o Espírito Santo e tentar justificar tal
equívoco.

Paulo explicita que ―tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão
escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos
séculos‖. São figuras de linguagens para o entendimento de quem
compreendesse a mensagem, como agora em nosso tempo (como
fora mencionado na profecia do último Cátaro na fogueira em
1321). Lembremos que, chegando o povo à Terra Prometida, todos
foram circuncidados com facas de pedra, símbolo da castidade (Js
5:2).

Golias, o filisteu incircunciso, é vencido pelo jovem (casto) e


pastor Davi com as pedras lisas do ribeiro em sua fronte (1 Sm
17:36-49).

Todas as partes sexuais do corpo humano, que é o templo do


Espírito Santo, são representadas por símbolos, figuras que nos
ajudam a interpretar o seu significado espiritual. Assim, a

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edificação do nosso templo deve ser feita sobre a rocha (castidade)


para que tenha sustentação (Mt 7:24-27).

A associação da sexualidade casta com a divindade e seus atributos


virtuosos sempre esteve presente nos textos, ritos e na estrutura das
igrejas primitivas, demonstrando a importância de sacralizar a
sexualidade.

Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais


fracos são necessários; e os que reputamos serem menos
honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que
em nós são menos decorosos damos muito mais honra.
Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade
disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais
honra ao que tinha falta dela. (1Co 12:22-24).

A sexualidade casta e os órgãos sexuais eram símbolos de grandeza


espiritual, como expresso em Deuteronômio [Link] ―Aquele a quem
forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não
entrará na congregação do Senhor‖.

A tradição do cumprimento judaico da mão na coxa é um símbolo


de honra e juramento, principalmente no que tange ao sinal da
aliança divina. Esse símbolo remete ao testemunho, palavra que em
latim é testis, e seu diminutivo ―testiculus”, o órgão sagrado e vital
que testemunha e não participa efetivamente do ato sexual, mas
onde contém toda a força sexual, as águas da vida. Vale ressaltar
que na Antiguidade acreditava-se que as mulheres também
possuíam testículos, pois seus ovários produziam óvulos como das
aves (GOUVEIA, 2003).

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Os testículos possuem o formato semelhante às pedras; pedras


brutas que devem ser lapidadas (santificadas), pedra lisa do ribeiro,
a rocha que sai água viva, ―...as almas que emanaram de sua coxa‖
(Gn 46:26, Ex 1:5, Jz 8:3). A coxa aqui é um sinal que indica os
testículos, por onde sai vida, e um símbolo de castidade e poder de
Cristo, conforme ―E no manto e na sua coxa tem escrito este nome:
Rei dos reis, e Senhor dos senhores‖ (APOCALIPSE 19:17).

Interessante notar também que sentir a coxa, nos textos bíblicos,


era um sinal de revelação, reflexão e entendimento do pecado,
provando também a ligação e o desenvolvimento dessas qualidades
humanas com a prática da castidade (Gn 32:24-32; Sl 38:17-18; Jr
31:19; 1Pe 1,13-14).

Por Jacó ter-se ferido na coxa (Gn 32:25), no sentido literal para os
judeus, eles por tradição não comem o nervo ciático. Esse nervo
tem suas raízes na 4ª vértebra lombar e a 3ª vértebra do osso sacro.
O osso sacro ou plexo sacral é o local onde se conectam os nervos
dos estímulos sexuais para o cérebro. É bom relembrar que dores
na região lombar, fadiga crônica, rigidez nas articulações podem
constituir sinais de excesso de fornicação. Podemos sentir de
imediato, da cintura para baixo, uma fraqueza durante e após o
orgasmo.

Não se trata de simples coincidência o fato de que esse osso se


chama sacro (sagrado), pois desempenha um importante papel no
despertar espiritual humano. O osso da bacia conecta-se ao osso
sacro, onde os órgãos sexuais são assentados, a bacia também tem

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um nome sagrado que remete à bacia ou pia batismal, local sagrado


que contém a água da castidade, da vida e purificação que nos
batiza no Espírito Santo.

Interessante que na mesma região lombar, que para os antigos


pertencia ao ventre, temos os rins, o órgão responsável pela
filtragem das águas do corpo humano, e que é muito mencionado
biblicamente como local onde Deus verifica a castidade da pessoa,
sonda os rins (Sl:7:9,16:7, 26:2; Jr: 11:20,17:10, 20:12; Ap 2:23), e
estar em castidade é cingir os lombos (Lc 12:35; Pv: 31:17; Ef
6:14; 1Pe 1:13,14).

O nosso corpo é o primeiro templo que existiu!

Sendo assim, nada mais lógico que as igrejas contenham a


fisionomia do corpo humano, pois somos uma imagem e
semelhança do Divino (Gn 1:26) e morada dEle (1Co 6:19). Assim,
muitas igrejas que surgiram ao longo do tempo contém os
elementos do corpo humano. No livro "A Abadia de Westminster",
de Richard Jenkyns, é relatado a história e a arquitetura da famosa
abadia inglesa e aborda a analogia do corpo humano em detalhes.
Em "Gothic Architecture and Scholasticism", de Erwin Panofsky,
um ensaio clássico de 1951 examina a relação entre a arquitetura
gótica e a filosofia escolástica medieval, incluindo a ideia da
catedral como um símbolo do corpo humano.

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A mente de Cristo é o altar da igreja e no corpo, o final da coluna


(cérebro) onde a palavra de Deus deve ser experienciada nas
revelações.

O Púlpito é onde a palavra deve ser proferida, palavra essa que


deve ser verdadeira e sair do coração.

Os bancos e os Arcos centrais na abóboda são as costelas onde


advém vem o ar, o sentir da verberação da palavra, que anima o
espírito.

O corredor é a coluna vertebral, que simboliza o caminho na


edificação Crística, passo a passo em cada uma das 33 vértebras
humanas, idade de Cristo.

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As bacias batismais das igrejas, localizadas nos corredores centrais


ou em capelas laterais a entrada (na coxa do corpo onde emanam as
almas), são feitas de pedra, símbolo de cristo e da castidade, e são
apoiadas em uma coluna. Igualmente na igreja humana, o nosso
corpo, a coluna (osso sacro) apoia-se na bacia que acolhe em seu
interior os órgãos (sexuais) das águas da vida.

Com certeza, os órgãos mais decorosos e honrosos do corpo (1Co


12:23), estariam representados dentro das igrejas, sacralizando
aquilo que fora depravado na queda.

O vaso, taça, copo - de onde advém a palavra cópula - representam


também os órgãos sexuais, e devem ser possuídos em santificação
e não na fornicação (1Tl 4:3-5), (1Pe 3,7).

Outro símbolo utilizado também como alegoria da pia (bacia) e


coluna humana é a fonte de água (chafariz) que salta (vem de baixo
para cima, transmutando o instinto sexual animal em virtude

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Sexo Casto - Sandro Paiva

espiritual) para a vida eterna, como Cristo disse à samaritana sobre


castidade (Jo 4:14) e Salomão em cantares (Ct 4:12,15). Muitas
fontes possuem acima, onde sai a água, o formato de uma pinha,
fruta que alegoriza o cérebro humano e que deve se transformar na
mente de Cristo (1Co 2:26).

O nascer de novo da água e do espírito nos torna uma nova


criatura, uma criança que nos remete à pureza casta e inocente do
princípio; castidade é uma fonte da juventude.

Uma criança urinando também é um símbolo de uma jovialidade e


saúde da sexualidade, principalmente do músculo PC que
proporciona o jato forte. Sobre esse músculo, veremos na terceira
parte do livro.

Como afirma Jesus ―Quem crê em mim, como diz a escritura, rios
de água viva correrão do seu ventre (bacia)‖ (Jo 7:38). Também,

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Sexo Casto - Sandro Paiva

o Evangelho Apócrifo de Felipe afirma que ―A água viva é um


corpo (de Cristo) e devemos vestir o ser humano vivo. Assim,
quando alguém está prestes a entrar na água, tira-se para vestir o
ser humano vivo‖ (THE GOSPEL OF PHILIP, sd).

Dentro do ventre, onde estão localizados os órgãos sexuais,


acontece a transformação simbólica da água em vinho durante o
sexo casto feito com amor. Os fluxos sexuais sofrem uma
transmutação, pois ao invés de serem direcionados para a
reprodução, análogo a serem direcionados para baixo e para fora,
eles parecem ser reabsorvidos e levados para cima, como uma
fonte de água que tem o fluxo oposto à força da gravidade (em
termos espirituais, sobe o fluxo de água viva e derrama
vitalidade). Esse fluxo oposto é uma luta contra a natureza
animal, pois esta segue o fluxo instintivo da reprodução
desenfreada e, consequente, perde vitalidade.

A sexualidade humana não pode ser reduzida à genitalidade


(estímulos genitais que visam somente o orgasmo). Para os seres
humanos, a sexualidade é muito mais abrangente, pois engloba
tanto o físico, como o psíquico e também o espiritual (LÉO,
2015, p. 46).

Durante a relação sexual, o carinho do amor faz com que haja um


aquecimento dos corpos a tal ponto que chega a parecer que os
fluxos sexuais se transformam em sensações como se fossem
vapores que percorrem nosso corpo subindo pelo sistema linfático
e circulatório, são os hormônios trabalhando na regeneração do

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corpo. Essas sensações não ocorrem exclusivamente nos órgãos


genitais, pois se percebe que sobe para todo o corpo,
transformando as emoções e chegando a níveis mais elevados:
psíquico e espiritual.

Esse é um fenômeno que pode ser muito mais fácil sentir do que
explicar e que implica numa transformação do corpo, alma e
espírito, onde todas as partes de nosso ser são afetadas. Trarei
mais detalhes no capítulo 6 onde abordaremos a prática sexual em
si.

Albert Einstein nos deu a fórmula de se transformar energia em


massa e vice-versa: E=mc2, sendo assim, a energia sexual acaba
se transformando em massa, seja na reprodução, ou na
regeneração. Um ovo é somente algo redondo com clara e gema,
mas por ação do calor (energia), se transforma em nova criatura;
do petróleo, através do calor se extrai vários componentes e
derivados. Então, dentro do fluido sexual humano, que é uma
substância divina, água da vida, existem enormes possibilidades -
como vimos nos capítulos anteriores - e outras que serão
descobertas, penso eu, no futuro.

Existe um estudo sobre sexo sem preservativo que sugere, apesar


de seus riscos óbvios, que ele protege a saúde psicológica das
mulheres, devido à maior intimidade, confiança ou chance de
gravidez - ou mesmo à presença de substâncias neuroquímicas no
fluido sexual (GALLUP et al., 2022, p. 289-293), pois talvez a

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lubrificação e essas substâncias - excluindo a perda dos


espermatozoides - podem trazer benefícios para a saúde de ambos.

Não sou um especialista em Biologia, mas o que exponho aqui são


indagações que induzem à busca de mais pesquisas sobre o tema.

Da mesma forma que uma poça de água se transmuta em vapor


pela energia do sol, os fluxos sexuais, que seriam usados para a
reprodução, se transmutam em energia regeneradora, que
contribui para a regeneração da saúde humana em uma reação em
cadeia de baixo para cima, das glândulas sexuais para as
cerebrais, equilibrando o sistema endócrino.

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Fonte: [Link]

Nosso sistema endócrino controla o funcionamento do corpo


humano através dos hormônios, que são produzidos pelas diversas
glândulas, conforme ilustrado na figura acima.

O corpo humano é uma somatória de partes que integram um todo:

Temos na base, a função sexual que sustenta e fornece energia para


o restante do corpo.

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Na parte mediana, (região do tórax e abdômen), é onde as emoções


são manifestadas fisicamente.

E a parte superior (sistema nervoso central) é responsável pela


parte racional, cognitiva e espiritual. Com a mente de Cristo, tudo
estará bem ajustado (Ef 4:15,16).

Nosso corpo é um templo, onde a base (parte sexual) interfere na


parte emocional, e essa nos aspectos racional e espiritual. Por isso
que uma saúde sexual mantém o bom funcionamento do todo, da
base ao topo; o sexual estabiliza o emocional, que estabiliza o
racional e nos conecta com o espiritual. Cristo/castidade é a pedra
angular que sustenta o templo, a porta principal para a entrada na
igreja humana que nos eleva até o altar, na comunhão racional e
espiritual com Deus.

Todos os nossos instintos (alimentação, preservação e


sexualidade) devem passar por uma depuração, devemos saber
conduzi-los com sabedoria para que não tenhamos uma vida
puramente instintiva como os animais, que não refletem a
respeito de suas ações e suas consequências.

Pessoas que vivem para satisfazer seus instintos não desenvolvem


seus aspectos superiores, não ascendem espiritualmente; isso está
provado na própria estrutura cerebral, onde se tem uma hiper
estimulação das regiões primitivas do cérebro (instintiva e
emocional) e uma redução de estímulos e massa no córtex pré-
frontal (HILTON; WATTS, 2011).

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Não podemos comer como um animal, devemos ter educação


alimentar para poder ter saúde. Tudo que ingerimos passa por
uma transformação, os alimentos são processados em nosso corpo
e convertidos a proteínas, açúcares e gorduras. O sexo puramente
instintivo se transforma desenfreadamente em novos seres por
meio da reprodução não planejada, ou em abusos, vícios,
parafilias e possessões, mas se o sexo for depurado e
transmutado, sua energia contribui para a regeneração do próprio
ser tanto na vida carnal como na espiritual e também para a
construção de outro por meio da concepção imaculada.

Por isso, Paulo enfatiza a prática de uma nova forma de


sexualidade que nos diferencia dos animais, lembrando-nos que
nosso membro ―viril‖ é de Cristo e nunca poderá ser de uma
meretriz, pois se assim for, nos tornamos um com ela, mas se
formos castos, praticando um sexo que nos une ao Espírito Santo,
tornamo-nos um com Deus (1Co 6:15-20).

Sexo que se une ao espírito, revestido de Cristo: esse é o papel da


sexualidade na vida espiritual do indivíduo, muito mais do que
simplesmente um prazer descontrolado que gera seres sofredores.
Em todo o Novo Testamento e escrituras apócrifas, o sexo não é
visto com a finalidade de reprodução, a não ser quando se trata da
imaculada concepção. O foco, na verdade, reside no papel
espiritual que o sexo possui, tanto no sentido de nos santificar
como também nos advertir para os riscos dos pecados sexuais.
Em alguns trechos do texto Apócrifo ―Testemunho da verdade‖,
vemos como uma linguagem simbólica fala da questão

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reprodutiva humana descontrolada e ignorante perante a lei que


determina multiplicar e frutificar, seguindo no texto temos Cristo
trazendo a boa nova, uma nova sexualidade casta.

[...] A Lei manda [um] tomar marido, casar-se, e gerar,


multiplicar-se como a areia do mar. Mas a paixão, que é um
deleite para eles, constrange as almas dos que são gerados
neste lugar, daqueles que contaminam e daqueles que são
contaminados, a fim de que a Lei seja cumprida por meio
deles.

[...] Mas o Filho do Homem saiu da imperecibilidade, sendo


estranho à contaminação. Ele veio ao mundo pelo rio
Jordão, e imediatamente o Jordão voltou atrás. E João deu
testemunho da descida de Jesus. Pois ele viu a força que
desce sobre o rio Jordão; pois ele sabia que o domínio da
procriação carnal havia chegado ao fim. O rio Jordão é a
força do corpo, ou seja, os sentidos dos prazeres. A água do
Jordão é o desejo de relação sexual (THE TESTIMONY
OF TRUTH, sd).

A boa nova sobre a castidade que Jesus nos trouxe mostra o


trabalho contra a força da natureza, uma luta contra a corrente do
rio, que insiste em descer, pois é muito mais fácil deixar o instinto
sexual tomar seu curso natural (animal) do que tentar dominá-lo.
Por isso que o sexo casto sempre foi para poucos, somente para
aqueles que dominaram essa torrente de água, fazendo um caminho
reverso (o Jordão voltou atrás), subindo em vez de descer e se
perder.

Por isso, João Batista disse que ele abriria o caminho para aquele
que batizaria com fogo (Mt 3:11), pois só o fogo faz a água subir, o
fogo sexual, que sobe desde a base do corpo até o topo, que abre as
portas para a entrada do fogo do Espírito Santo, demonstrado na
mente dos castos, como expresso em Pentecoste (At 2).

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Paulo nos traz esse mistério da transmutação sexual em Efésios 5,


quando nos fala: ―Vós, maridos, amai vossas mulheres, como
também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela
palavra [que corresponde o ensinamento correto da castidade que
santifica], para apresentá-la a si mesmo, igreja gloriosa, sem
mácula [ ou seja, nosso corpo, igreja, limpo de fornicação], nem
ruga [sem degeneração da saúde], nem coisa semelhante, mas santa
e irrepreensível... Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se
unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este
mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja‖ (Ef 5:25-
27,31,32).

Paulo enfatiza que tornar uma só carne é a união de Cristo com a


Igreja, sendo esse um grande mistério, texto muito semelhante à
linguagem da ―câmara nupcial‖ dos textos de Nag hamadi. A união
de Cristo com a Igreja (nosso corpo, alma, espírito), portanto, é um
matrimônio entre Cristo e cada um de nós, onde a sexualidade tem
papel fundamental. Essa união é construída, mas leva um tempo
para ser edificada, [...] até que Cristo seja formado em vós (Gl
4:19).

Tanto no antigo testamento (Ez 16:8-14) como nas outras


escrituras, a linguagem sexualizada utilizada por Deus, referindo-
se na relação tanto individual como coletiva com Ele, nos faz crer
do precioso papel que a relação sexual tem de promover uma
ligação espiritual de três seres; homem, mulher e Deus, que se
culminará através da santificação, na fusão destes.

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Só revestidos, formados, edificados, transformados em Cristo é


que matamos a luxúria em nós, conforme lemos em Romanos
―Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado
da carne em suas concupiscências‖ (Rm 13:14); bem como, "Se
alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós
viremos a ele e faremos morada nele‖ (Jo 14:23).

Lembremos que somos intimados a nos cristificar para sermos


morada para o pai e o grande desafio para essa missão é manter-se
em Cristo, estar em santidade. Tomás de Aquino tem essa visão
relatando a opinião dos pais da Igreja: Por isso, Agostinho diz que,
de todas as lutas em que os Cristãos vivem empenhados, as mais
duras são as da castidade, onde a pugna é quotidiana e rara a
vitória. E Isidoro diz que pela luxúria da carne, mais do que por
qualquer outro pecado, o gênero humano se faz presa do diabo, isto
é, porque é difícil vencer a veemência dessa paixão (AQUINO, sd,
p. 2639).

É notório que Cristo tem a mesma visão sobre a maior debilidade


humana, por isso utilizou tanta linguagem simbólica na expressão
da sexualidade.

Em muitas culturas temos a demonstração física dos símbolos


relacionados com a castidade. São símbolos que demonstram a
conquista dessa vitória sobre a luxúria e a obtenção das virtudes do
Espírito Santo: o templo interno decorado com santidade, a noiva
adornada para seu noivo.

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Dentre os símbolos dessa conquista temos a vestimenta de uma


realeza, que representa o que acontece espiritualmente com a
pessoa, se tornando rei sobre si mesmo, ou seja, tendo domínio
sobre sua própria carne por meio do pleno controle de seus
instintos pelo poder e governo do Cristo. Os trajes necessários para
participar das bodas no Reino celeste, como na parábola de Mt
22:1-14.

O manto ou a capa representa o novo nome da pessoa (Ap 19:16),


a castidade que cobre a nudez (Ez 16:18), parte da vestimenta
espiritual que remete à salvação, à justiça (Is 61:10), e à
comunhão com Deus (2 Re 2:13-14).

O Cetro, cajado, bordão ou vara representa o poder de conduzir um


povo, defender, (Moisés, Arão e apóstolos em Mc 6:8), e quando
florida nos remete à Árvore da Vida expressa nas virtudes, nas
flores, de onde advêm os frutos do Espírito Santo (Nm 17:1-5), (Pv
11:30).

Orígenes afirmava que: ―esta vara de Moisés, com o qual ele


dominou os egípcios, é o símbolo da cruz de Jesus, que
conquistou o mundo‖. Assim, a cruz de Cristo deve ser levantada
em nós (Jo 3:14), da base (osso sacro) até a cabeça (coroação),
um caminho de ascensão que percorre as 33 vértebras da coluna
(o cetro), que corresponde à idade de Cristo. É na coluna
vertebral, do cóccix ao cérebro que se irradiam todos os nervos
que controlam o corpo humano, nossas percepções sexuais,
instintivas, motoras, emocionais, mentais e espirituais. Quando

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Cristo está no controle, a máquina humana exerce sua plena


capacidade.

É preciso entender que a santificação se dá ascendendo do sexual


para o emocional, racional e espiritual, e a perda do estado de
santidade se dá no sentido oposto, descendo até a perda do cetro,
como no exemplo simbólico de Judá com Tamar.

Não é por acaso que os símbolos que estão dentro da Arca da


Aliança devem fazer parte de nosso ser: As leis escritas no coração
(Jr 31:33), a vara de Arão que é a nossa frutificação, para que
assim, o maná, alimento espiritual que só com santidade podemos
apreciar (Nm 11), desça sobre nós. Interessante é que o acesso à
arca é guardado por dois querubins, igualmente aqueles que
guardam o acesso à Árvore da Vida, no Paraíso.

A coroa é o símbolo da conquista, um símbolo do fogo do


Espírito Santo que deve subir, como é sua própria manifestação
de ascender ao céu.

O próprio caractere do fogo em hebraico é um formato de uma

coroa , que sempre fora feita de ouro para a realeza, a cor do


fogo e da divindade, o metal incorruptível e eterno. Visões
espirituais de um halo brilhante na cabeça dos santos pode ser
também a inspiração para as coroas; como também em Moisés,
após se encontrar com Deus no monte (Ex 34:29-30) e na
transfiguração de Jesus (Mt 17:1–9, Mc 9:2–8 e Lc 9:28–36).

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Lembremos que Jesus inicia seu ministério quando uma pomba


branca, representação da luz pura e casta do Espírito, pousa sobre
sua cabeça; assim como termina seu ministério, fisicamente na
terra, com uma coroa de espinhos (referência a Gênesis 3:18), uma
vara e um manto escarlate, representando a condição espiritual da
humanidade e seu sacrifício por ela.

A coroa ou grinalda da noiva que é atrelada ao véu (todos brancos


como a pomba) e que se estende da cabeça aos pés (caminho para a
santificação), são símbolos desse sacramento (casamento) que
simboliza o nascer de novo.

A coroação pode ser também o batismo de fogo, feito não por


mãos humanas, mas por Cristo e o Espírito Santo (lc 3:16, Mt
3:11), como fora em Pentecostes, nas línguas de fogo sobre as

cabeças ‫( ש‬At 2:3). A coroação é um galardão cravejado de


pedras preciosas que será testado pelo fogo, a edificação completa

do templo de Deus (1Co 3:11-17). O símbolo do fogo ‫ ש‬é comum


nos nomes do homem ‫ שיא‬e mulher ‫השא‬. O fogo do Amor bem
conduzido ascende para a vida espiritual, sendo a coroação o
símbolo do domínio racional e espiritual desse fogo, em que a
sabedoria controla o instinto primitivo. O fogo é um elemento que
tem as características de destruir, criar, regenerar ou transmutar
uma substância em outra.

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Durante o clímax da transmutação sexual, que é a maior sensação


de amor (e calor) entre duas pessoas, ocorre a fusão de dois seres e
a preparação para vinda de um terceiro: o Espírito Santo, isso
ocorre quando não se desperdiça essa energia, mas sim a
transmuta, como o sol incidindo em uma poça de água,
transformando-a em nuvens, em um novo elemento criado, de água
(fluxos) para ar (espírito).

Se pararmos para pensar, existe o elemento fogo dentro do ar, pois


sem o ar não há como obter o fogo. Aliás, o elemento ar é o que
mais próximo chega de uma representação material do Espírito
Santo. A própria palavra ―espírito‖ tem a mesma raiz de expiração,
um movimento de soltar o ar por alguém que estava antes inspirado
(cheio de ar, do Espírito Santo, do sopro de Deus que o fez alma
vivente em Gênesis 2:27). Sabemos que basta respirarmos melhor,
com inspiração prolongada e uma expiração mais ainda, para
mudarmos nosso estado de espírito para a tranquilidade e
mansuetude.

Portanto, uma pessoa inspirada pelo Espírito Santo, é uma pessoa


leve, branda, intuitiva e mansa em todos os sentidos, incluindo o
sexual. Como o próprio Jesus nos disse, o nascido de novo é como
o vento, assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de
onde vem, nem para onde vai (Jo 3:8). Vós me buscareis, e não me
achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir, Jesus como o vento
para os fariseus (Jo 7:34).

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As experiências espirituais de um nascido de novo o tornam um


com o espírito, seu caminho espiritual é todo guiado por Cristo e
não tanto mais pelos homens.

A energia do sexo sempre impacta o ser humano, seja na vida


espiritual, como física, e também uma vida para a luxúria animal,
que consequentemente, aniquila com as anteriores. É um enorme
potencial que necessita ser utilizado para o bem, caso não o seja,
ele naturalmente se voltará para o lado oposto e será utilizado para
o mal.

O Evangelho Apócrifo de Tomé nos adverte: ―Se você revelar o


que está dentro de você, o que você tem o salvará. Se você não tem
nada dentro de você, o que você não tem dentro de você o matará‖
(THE GOSPEL OF THOMAS, sd). E, ainda, o ―Testemunho da
verdade‖ de Nag Hammadi nos orienta: ―Não tema a carne e não a
ame. Se você tem medo da carne, ela o dominará. Se você ama a
carne, ela vai engoli-lo e estrangulá-lo‖ (TESTEMUNO DA
VERDADE, sd).

A vida para o pecado se transforma em uma morte dupla para o


homem, pois os fornicários são manchas na festa do amor, nuvens
sem água, árvores murchas e infrutíferas, ondas do mar que
escumam suas abominações (Jd 1:12,13). A fornicação segundo
Judas, está representada aqui pela forma degenerativa de muitos
símbolos espirituais que vimos anteriormente e em outros textos
pela figura de animais.

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Podemos comprovar também, a partir dos ensinamentos de


Silvanus, como o nosso templo (corpo) deve ser sagrado.

[...] Pois quando eles estiverem dentro de você [impureza,


demônios, pecados como representação do comportamento
animal], que coisa viva entrará em você? Os anjos vivos
irão detestar você. Você foi um templo, [mas] fez para si
uma tumba. Deixe de ser uma tumba e torne-se
[novamente] um templo, para que a retidão e a divindade
permaneçam em você.

[...] Deixe apenas Cristo entrar em seu mundo, e deixe-o


destruir todos os poderes que vieram sobre você. Deixe-o
entrar no templo que está dentro de você, para que ele possa
expulsar todos os mercadores. Que ele habite no templo que
está dentro de ti, e te tornes para ele um sacerdote e um
levita, entrando pureza (THE TEACHINGS OF
SILVANUS, sd).

Interessante notar que os acontecimentos históricos na vida de


Jesus nos remetem aos processos aos quais nossa vida passa ao seu
encontro, em nosso corpo. Jesus entra em Jerusalém montado em
um burro xucro, nunca domado, (um símbolo antigo do instinto
sexual brutal: Ez 23:20; Jr 2:24; Jr 5:7,8) sendo um sinal de que o
poder de cristo pode controlar a animalidade indomável, a
―burrice‖ ou a inabilidade de controle de nossos instintos básicos.
Assim, também, Jesus entra em nosso corpo (Jerusalém) e é
exaltado por quem tem os mantos e ramos para recebê-lo.

No caminho para o templo, ele nos lembra, utilizando-se da


parábola da figueira, de que aqueles que não dão frutos, por meio
da frutificação do Espírito Santo, serão amaldiçoados por Deus.
Chegando ao templo, ele expulsa os mercadores, um covil
(coletivo de lobos) de ladrões, pois só ele tem esse poder de

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eliminar os nossos defeitos, impurezas e pecados e assim fazer


morada em nós.

Assim como é o caminho de Cristo desde a entrada em Jerusalém


até a subida no calvário, também será Cristo em nosso corpo, desde
a entrada (a base do templo), até o altar, no alto do calvário,
expiando nossos pecados, carregando a cruz (símbolo também da
castidade) até a ressureição em nova criatura.

Portanto, só o fogo do Cristo através do Espírito Santo consegue


destruir o pecado em nós, eliminando assim o velho homem para
que o novo possa nascer, (o nascido venceu o mundo, 1 Jo:5), para
ser coluna do templo de Deus, selado por Deus e Cristo, para servir
na obra divina (Ap 3:12).

O apóstolo Tiago nos esclarece que ―Bem-aventurado o homem


que sofre a tentação [por sua própria concupiscência].‖ (Tg 1:14);
―[...] porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual
o Senhor tem prometido aos que o amam‖ (Tg 1:12).

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PARTE 3 – HORA DE
APRENDER

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Capítulo 6 - Como praticar o sexo casto, lento ou karezza.

Primeiramente, o sexo casto não se insere nos manuais de sexo sem


compromisso, como sendo uma forma de curtição sem
responsabilidade, nos chamados ―amor livre,‖ encontros casuais ou
de namorados. Assim, o sexo casto deve ser praticado por pessoas
que verdadeiramente se amam, que possuem uma intenção de
compromisso para o resto de suas vidas, pois é uma forma de união
espiritual, um pacto de sangue entre duas pessoas e Deus.

Casais que não possuem uma conexão de gostos e costumes jamais


serão felizes durante suas vidas, mesmo que tenham prazer nas
relações sexuais (até que o efeito Coolidge comece a atuar).
Entendemos que o sucesso do sexo casto e os seus benefícios só
serão alcançados por casais que possuem mais semelhanças do que
diferenças, tendo assim compromisso e amor em sua relação
matrimonial.

Mas, praticar o sexo casto na atualidade não é tarefa fácil, uma vez
que nossa sociedade hedonista possui uma compulsão aos prazeres
carnais. Vários comportamentos levam ao desânimo e abandono da
castidade, seja devido à renúncia ou ao controle que se deve ter em
relação a vários tipos de compulsão, como veremos mais adiante.

Por isso, se quisermos trabalhar uma prática correta, deve-se


extinguir da mente todos os modismos sexuais construídos pelo
costume da fornicação. Conforme nos orienta o apóstolo Paulo em
sua epístola aos Tessalonicenses:

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Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação, que


vos abstenhais da fornicação; cada um saiba controlar o
seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não
dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os
pagãos que desconhecem a Deus (1 Ts 4:3-5).

Vimos no exemplo do capítulo 3.1 como Deus fez a anatomia e


fisiologia de nossos corpos para uma sexualidade saudável.
Quando, ainda, se tem saúde, a libido sexual é algo muito forte em
nós, portanto, aprender a controlar essa libido é fundamental para o
sucesso.

Vários aspectos interferem em nossa libido como a psique, estado


emocional, alimentação, genética, medicamentos etc. Esses
interferentes serão abordados com mais profundidade no próximo
tópico, contudo já vou mencionar alguns para uma melhor
compreensão da prática.

Horário para a prática

Comumente, as pessoas fazem sexo à noite para liberar a tensão


sexual acumulada durante o dia, como forma de esquecer-se do
estresse do trabalho e de outras atividades. No entanto, ao contrário
do que é esperado, esse hábito aumenta ainda mais a tensão ao
longo do tempo, chegando ao ponto dessa tensão ser direcionada
para comportamentos compulsivos. Sexo logo após o trabalho ou
jantar é receita garantida para uma ejaculação precoce.

O melhor horário para a prática seria durante a madrugada até o


início da manhã, pois o corpo já teria descansado o suficiente para

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Sexo Casto - Sandro Paiva

que possamos dominar o instinto sexual. Algumas horas de sono


ajudam para iniciar a prática.

Uma prova disso é constatada na ereção masculina, seja ela na


madruga ou no início da manhã como sendo um fenômeno comum.
Muitos acham que é provocada pelo acúmulo de urina, mas se isso
fosse verdade, teríamos ereção durante o dia, quando a bexiga se
enche novamente. Acontece que no período da madrugada até o
início da manhã, temos níveis mais elevados de testosterona.

Local

O leito matrimonial é um local sagrado, pois é onde duas almas se


tornam uma só carne, onde o Espírito de Deus está presente, ou
deveria estar. Não se pratica sexo casto em qualquer lugar, como
para sair da rotina, pois o sexo casto não cria rotina ou enjoo. Cada
dia é único, onde o amor e a atração sexual não se apagam.

Por isso, a energia positiva contida em um leito casto, forma um


ambiente de santidade que auxilia na prática, desde que seja um
quarto limpo, organizado e se for do agrado: perfumado e com
música instrumental tranquila, pois a música com letra pode causar
distração no casal.

Iluminação

A humanidade está condicionada pelo sentido da visão como porta


de entrada para o prazer, sendo, esse aspecto, um grande estímulo
sexual. Olhar os atributos físicos do sexo oposto é um

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comportamento instintivo que qualifica a saúde e a perpetuação de


uma prole saudável.

Mas devemos levar em conta que para os seres humanos, os


relacionamentos que são iniciados e mantidos apenas nos atributos
físicos estão fadados ao fracasso. A visão é importante? Sim, mas
não deve sobrepor aos outros sentidos para que o sexo casto feito
com amor possa ter fluxo para corpo, alma e espírito.

Pessoas com histórico de relações sexuais comuns e de consumo de


pornografia terão grande dificuldade para realizar o sexo casto caso
não limitem o estímulo visual antes e durante o sexo, pois o
condicionamento do olhar para o corpo aumentará o nível de
dopamina além do necessário. Outro problema é o fato de que o
efeito novidade se acabará ao longo do tempo fazendo com que
tudo não tenha mais graça.

Não é por acaso que a iluminação de penumbra está ligada ao


romance proporcionando um clima que não profana, que protege e
que sempre terá um ar de encantamento, como em um jantar à luz
de velas.

Os rabinos antigos defendiam fortemente que o amor se realizasse


no escuro. Como podemos confirmar a partir dos escritos de
Boteach (1999), ―Há outras razões talvez mais profundas porque a
escuridão aumenta o mistério do sexo, isso porque as coisas santas
e especiais sempre são veladas‖ (BOTEACH, 1999, p. 122).

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Com a penumbra, deixa de existir o foco sobre as qualidades ou


defeitos do corpo e assim, cria-se um ambiente favorável a uma
união mais espiritual do que carnal.

O Rabbi Shmuley Boteach, autor do livro Sexo Kasher, afirma que:

os rabinos não disseram que um homem não deveria olhar


para os genitais de sua esposa, mas, antes, não deveria olhar
fixamente, porque muitos homens degradam uma mulher
reduzindo-a a um pequeno número de zonas erógenas em
detrimento da total personalidade. Devemos nos preocupar
acima de tudo com a unidade matrimonial holística em vez
de uma obsessão básica com partes corporais inferiores em
que nenhum homem ou mulher se distingue como
indivíduos (BOTEACH, 1999, p. 82).

Oração

Muitas pessoas consideram o sexo algo incompatível com a


santidade, isso se dá pelo tabu que a sexualidade ocidental tem,
pois costuma-se relacioná-la a algo demoníaco. Como já
mencionamos, o sexo pode ser edificante ou degradante, depende
de como o praticamos. Promover um ambiente com boas energias é
fundamental em qualquer local ou situação. Não é diferente no
momento íntimo, pois se você não convida os anjos para
guardarem o local e santificar sua prática, certamente outros
visitantes buscarão influenciá-lo(a) para o pecado da fornicação.

Portanto, é de extrema importância fazer uma oração, utilizando a


fé e a imaginação para proteger o leito matrimonial.

Período de Inocência

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É necessário para o novo casal que está descobrindo o sexo, ou o


casal que quer mudar sua sexualidade comum para casta, começar
pela inocência sexual. O encontro de dois seres descobrindo o
prazer sexual deve se dar pela inocência do encontro, como sendo
algo novo, experienciando novas sensações do toque e carinho que,
necessariamente, não se remetem ao toque nos genitais, ou
qualquer tipo de penetração.

Muitos textos que tratam dessa sexualidade alegam que é


necessário um tempo de intimidade sem a consumação do ato
sexual para que o casal se habitue a controlar a tensão sexual, ou a
revitalizar o desejo sexual. Geralmente, um mês de práticas de
carinho sem penetração pode ser suficiente para iniciar o sexo
casto.

Sempre que vamos começar um novo hábito é necessário dar um


―reset no sistema‖ para eliminar hábitos antigos. Só assim
poderemos formar novas conexões e novos hábitos, tornando a
prática sexual casta cada vez mais natural.

Nossas conexões cerebrais estão habituadas a chegar ao orgasmo o


mais rápido possível, por isso é necessário mudar a forma das
preliminares para que não sejam disparados gatilhos mentais que
condicionam ao orgasmo.

Com o tempo e o exercício, essas conexões antigas são


enfraquecidas e novas conexões que favoreceram a prática casta
são construídas.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Esse tempo inicial sem sexo e sem orgasmo está também presente
nas terapias daqueles que têm vício por pornografia; por exemplo,
o famoso reboot (recomeçar, reiniciar) dos participantes do
movimento ―NoFap” é um deles. Nesses casos, dependendo da
gravidade do vício, o tempo necessário para essa ―desintoxicação‖
pode chegar a um ano ou mais. Essa abordagem é um dos melhores
tratamentos para ejaculação precoce, mas é bom lembrar que, no
sexo casto a ejaculação não ocorre, nem precoce ou tardia.

Segundo o Talmude (TB, Niddah 31b), para o casamento ser bem-


sucedido, a atração entre marido e mulher no período inicial do
casamento deve ser preservada e até ampliada. E a abstinência
sexual, recomendada pela pureza familiar, ajuda a manter aquela
atração, estimulando a renovação do desejo.

Segundo o Sábio Rabino Shulchan Aruch, muitas vezes para a


mulher, a preparação que antecede o ato, ou seja, as chamadas
preliminares, é mais importante que o próprio ato. É por isso que o
homem deve se preparar antes do momento do ato de tal maneira
que ele institua dentro do seu coração um amor único pela esposa
de modo que a inspire, envolva com palavras, beijos e muito
carinho (GLASMAN, 2001).

Respiração

O controle da respiração é extremamente importante em todos os


momentos da vida. O estado de espírito do indivíduo é diretamente
influenciado pela respiração; se esta for calma, ele se tranquiliza,
se for ofegante, estressa. A respiração abdominal, em que se infla o

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abdômen durante a inspiração, é a ideal para se ter saúde, ela é a


respiração natural dos bebês; sendo profunda, o diafragma expande
fazendo com que o pulmão se encha com mais oxigênio, desta
forma favorecendo o controle emocional.

Por outro lado, a respiração torácica não estende o abdômen,


restringindo a capacidade respiratória, sendo uma respiração curta
e rápida, manifestada em momentos de estresse e agitação.

A respiração lenta e profunda mantém os níveis de dopamina


estabilizados, controla a excitação, mantendo os batimentos
cardíacos em equilíbrio. No sexo comum predomina a respiração
torácica ofegante, os gritos de histeria e palavrões que demonstram
a animalidade do ato assim praticado.

Uma criança pequena que vê seus pais fazendo um sexo comum


ficará com a impressão de que seus pais estejam brigando. Isso
poderá trazer um trauma na vida dessa criança que impactará na
sua relação futura com a sexualidade (ROCHA, 2020). Por outro
lado, casais que praticam o sexo casto se confortam com
expressões de carinho e sussurros que demonstram o amor
conjugal.

Respirações tranquilas e prolongadas produzem ereções tranquilas


e prolongadas, da mesma maneira que respirações ofegantes
produzem ereções rápidas que induzem à ejaculação.

A respiração deve ser integrada com o movimento, como veremos


a seguir.

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Posição e movimentos

As posições sexuais mais apropriadas para iniciar na prática, são


aquelas que visam um maior contato entre os corpos e não somente
o contato exclusivamente dos genitais.

Posições como a do missionário (popularmente conhecida como


posição papai e mamãe) e a do trono (esposa senta sobre o esposo
de frente) favorecem um contato além dos genitais, promovendo a
sensação de toque entre as partes geradoras de emoção como
tronco, face, lábios, pernas, e braços, além do contato por meio do
olhar, irradiando assim o amor por todo corpo e a experimentação
de novas sensações.

O sexo comum é geralmente praticado com posições semelhantes


aos animais, que foca quase exclusivamente no encontro dos
genitais. O autor Boteach (1999) afirma:

As leis sexuais judaicas giram em torno de uma tentativa


constante de promover e sustentar a intimidade emocional
dos casais através da intimidade física. Podemos intuir
imediatamente e intuitivamente como a posição missionária
leva a essa proximidade e familiaridade. Em nenhuma outra
posição sexual vemos um encontro das bocas acompanhado
por uma plena integração de todos os membros. Não só o
marido e a esposa estão juntos na região genital, mas eles se
unem em sua totalidade, de modo que mesmo na aparência
eles se tornam como um só... os antigos rabinos, por
exemplo, chamam a nossa atenção para o fato de que os
seres humanos são as únicas criaturas que fazem o amor se
encarando (BOTEACH, 1999, p. 69).

Por se evitar superestímulos genitais, o sexo casto é praticado


somente na conexão entre o pênis e a vagina. Todo outro tipo de

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conexão poderá levar ao excesso. Por isso que biblicamente não é


mencionado outro tipo de conexão como sendo algo saudável.

Os movimentos devem ser os mínimos possíveis para evitar a


perda de ereção e realizá-los em concordância com a inspiração,
sentindo o prazer subindo dos genitais para a cabeça, e quando
exalar o ar, relaxar o corpo parando o movimento e sentindo o
êxtase espalhar para o coração. Caso a tensão sexual aumente
muito, o casal poderá ficar sem movimentos, apenas sentindo o
contato das partes do corpo através do carinho e amor mútuo. A
autora Richardson afirma que ―Os movimentos não estão sendo
intensificados para chegar ao orgasmo como destino final, mas
como forma de celebrar o presente. Esse tipo de experiência sexual
é a verdadeira paixão - presença pura‖ (RICHARDSON, 2011, pos.
2188).

Podemos constatar que movimentos lentos causam mais


sensibilidade, por isso é tão bom um cafuné, sexo lento, comer
devagar, respirar calmamente etc. Isso é saúde, é saber apreciar a
vida.

Retirar o foco sensorial dos genitais é de extrema importância para


se experimentar novas sensações ao longo de todo corpo. Aqueles
casais que têm um passado de sexualidade comum terão maiores
dificuldades no início, mas com a prática, tendo paciência e
dedicação, conseguirão os resultados.

Como já mencionamos no tópico sobre a prática karezza, os


movimentos lentos vão restabelecer a sensibilização dos

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neuroreceptores para o prazer nos mínimos toques em todo corpo.


Novas sensações serão sentidas, como sendo um êxtase espiritual,
sentimento esse inacessível para as pessoas que praticam
movimentos rápidos, parafilias, pornografias, fetiches e outras
formas de fazer sexo que buscam um prazer que, no futuro, irá
trazer consequências perversas.

6.1 - Submissão da mulher ou fragilidade do homem?

Na dança do amor, o cavalheiro é que deve conduzir a dama; sabe


por quê?

A explicação está no fato de que em todo reino animal, durante a


época de acasalamento, existe entre o par o cortejo do macho para
com a fêmea. No reino dos pássaros, em algumas espécies, essa
dança se torna um magnífico espetáculo. Não é de se espantar que
as aves sejam as espécies mais fiéis do reino animal!

A dança de um par é uma tradição que remonta os primórdios da


humanidade e exprime a intimidade do casal, favorecendo o
aprendizado do controle da tensão sexual, como afirma David
Deida:

A maneira como alguém dança diz muito sobre como eles


fazem amor. A facilidade com que movem seus quadris, sua
capacidade de expressar o ritmo musical dos dedos dos pés
ao nariz, sua conexão ou esquecimento com o parceiro de
dança, revelam aspectos de sua capacidade sexual
(GENDREAU, 2010, p. 60).

Não são todos os tipos de dança que possuem uma conotação


ritual, e tantas outras expressam a degradação da sexualidade como

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vemos atualmente em muitas músicas que são acompanhadas por


coreografias que contêm movimentos idênticos ao sexo dos
animais.

O homem, tanto na dança como no ato sexual, deve saber conduzir


a mulher. A iniciativa do movimento deve ser dada pelo homem.
Talvez isso possa parecer uma prática machista, mas percebemos
que não se trata disso, mas está relacionado ao fato de que o
homem é, na verdade, a parte mais frágil durante a relação sexual,
uma vez que o controle do instinto sexual é um grande desafio para
a maioria dos homens e uma dificuldade menor quando se trata de
grande parte das mulheres. O homem deve ter o controle do
movimento, pois por qualquer descompasso ele não conseguirá
controlar sua tensão e assim chegará ao orgasmo. Portanto, a
mulher deve ajudá-lo nesse desafio, pois um descuido fará com que
ele perca o controle e o leve a interromper o ato.

Para ter uma dança cadenciada, o cavalheiro sempre conduz a


dama, nunca o contrário; isso ocorre em todas as culturas em que
se tem a dança como um prenúncio da intimidade sexual. Por isso,
muitos manuais sexuais do Oriente são orientados quase que
exclusivamente para os homens, devido à sua dificuldade nata de
controle tensional.

Biblicamente, o que geralmente se interpretava como sendo


orientações quanto ao comportamento de obediência da mulher ao
marido no cotidiano, na verdade se destina ao comportamento no

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ato sexual, pois a submissão é imprescindível para o sucesso da


prática casta.

Notem que o ato de Eva ter comido o fruto oferecido pela serpente
é uma insubordinação, quando ela se deixa convencer pela fala da
serpente alegando que se ela comesse, não morreria. Isso de certa
forma é verdade, pois a mulher lida melhor com efeitos do
orgasmo, como a ressaca neuroquímica, do que o homem. Ela pode
até mesmo ter vários orgasmos e ainda desejar sexo, algo quase
impossível para o homem. Por isso, as consequências da queda
vêm após Adão comer o fruto.

O ato de Eva comer primeiramente o fruto simboliza também o


prazer egoísta que leva à insubmissão em detrimento da busca pelo
prazer mútuo que depende da submissão, ou como já dissemos,
simboliza também o desejo enorme de ser mãe, antes mesmo da
autorização de Deus.

Em outra visão, que não prejudica o entendimento do egoísmo no


ato, Nachmanides (1194-1270), um dos maiores estudiosos judeus,
explica em seu comentário sobre a Bíblia que quando Deus
declarou que Eva ansiara por Adão depois de comer da árvore do
conhecimento (teshukah), representou um grande desejo sexual
para seu marido (BOTEACH, 1999, p. 65). Esse pensamento, do
perigo da dominação sexual feminina, sempre esteve latente no
inconsciente de muitos judeus ao longo da história.

No folclore Judaico, Lilith, uma suposta primeira mulher de Adão,


é mencionada por sua insubordinação e tentativa de dominação

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sobre Adão. Lilith não queria estar em uma posição abaixo de


Adão (posição missionário) durante a prática do ato sexual. Então
Adão enfatiza que ele acima, ou seja, no controle do ato, era o
certo a se fazer. Insatisfeita, Lilith foge para o ar e se torna um
demônio para tentar a humanidade com relação à sexualidade. A
sua influência está presente desde a tentação de comer o fruto no
Paraíso até os dias de hoje (LILITH, 2020).

Lendas à parte, em Gênesis 3:16 no trecho ―a vontade da mulher


será para teu marido e ele a dominará‖ podemos considerar como
sendo uma ordem de submissão sexual da mulher ao homem,
consertando o erro do pecado original. Mas, poucos veem essa
passagem no âmbito sexual. Podemos dar também outro
significado a esta passagem, como sendo um castigo para a
humanidade com a perpetuação do patriarcado.

Vemos em Provérbios 30:20 como a insubordinação sexual


feminina era um caminho imprevisível, que não se controla, de
rumo incerto:

Há três coisas misteriosas demais para mim, quatro que não


consigo entender: O caminho do abutre no céu, o caminho
da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto mar,
e o caminho do homem com uma moça. Este é o caminho
da adúltera: Ela come e limpa a boca, e diz: ‗Não fiz nada
de errado‘ (Pv 30:20).

Mas, o apóstolo Paulo deixa claro em Efésios capítulo 5 que a


mulher deve sujeitar-se ao homem, pois ele é a cabeça da relação,
tem que partir dele a condução do ato sexual, como de Cristo com
a igreja (mente casta dominando e salvando o corpo): ―para

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santificá-la, purificando-a com a lavagem da água [castidade que


purifica] pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa
e irrepreensível‖. E termina dizendo que: cada homem em
particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher
reverencie o marido.

Para fechar a correta orientação, Paulo deixa essa pérola em 1


Coríntios 7:4 dizendo que ―a mulher não tem poder sobre o seu
próprio corpo, mas tem-no o marido‖. A mulher não pode conduzir
a dança sexual, mas sim o homem conduz, pois o prazer sexual
casto que a mulher experiencia está na condução do homem
durante o ato, em ser conduzida, acolhida. Paulo continua dizendo
que: ―também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o
seu próprio corpo, mas tem-no a mulher‖. Se o homem não souber
conduzi-la, um descompasso qualquer pode levá-los à fornicação,
basta um movimento brusco da mulher o homem se acaba, por isso
o seu poder está com a mulher.

Na relação sexual o homem é fogo a mulher é água ;o


fogo aquece a água, mas se a água se movimentar demais, se
ferver, apaga o fogo. A mulher tem naturalmente um tempo mais
longo para se aquecer, maior do que o homem. Na relação sexual
basta seguir a estrutura genital de nossos corpos, onde o feminino
possui uma estrutura de acolhimento, receptivo., enquanto que o
masculino é para fora, dinâmico, proativo.

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O sexo lento ajuda a diminuir a tensão feminina que levaria a um


orgasmo, também evita a danificar a mucosa genital que, como
toda mucosa, é muito sensível; assim a lentidão ajuda tanto a
mulher como o homem a ter maior sensibilidade no toque e no
controle do orgasmo.

Você mulher que lê estas palavras, e que possui um marido que


não pratica um sexo lento e casto, faça como diz Pedro ―sede
sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns
não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam
ganhos sem palavra; Considerando a vossa vida casta, em temor‖
(1Pe 3:1, 2).

Paulo, ainda, adverte os homens que:

Nós homens devemos ter encoberto no coração; no


incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é
precioso diante de Deus... coabitando com elas no
entendimento, dando honra a mulher. Porque o marido
descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente
é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos
seriam imundos; mas agora são santos (1 Co 7:12-14).

Infelizmente, vivemos em uma época em que imitar o


comportamento masculino virou sinônimo de revolução sexual
feminina. Destaca-se a busca frenética pelo orgasmo, onde a
maioria das mulheres só o conseguem por estimulação clitoriana
(como no caso da masturbação) e outras poucas pela penetração
vaginal.

Mulheres relatam que o prazer sentido exclusivamente pelo


clitóris é localizado e externo. Ao contrário, a prática do sexo

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casto estimula terminações nervosas no interior da vagina, com


sentimentos internos que envolvem todo corpo. Não que o clitóris
seja dispensável na prática, mas sim estimulado pela penetração e
movimentos naturais da prática.

A sexóloga Diana Richardson afirma que somente o toque no


clitóris não configura uma experiência sexual total e superior para
a mulher, pois provoca a contração da vagina e aumento da
tensão sexual e da expectativa.

Uma mulher enlouquecida de desejo sexual é um gatilho para


uma ejaculação precoce no homem, pois o homem tem nela a
segurança no ato sexual, um porto seguro para atracar seu barco.
Se esse porto é instável, o barco afundará.

Todo homem que se propõe a praticar o sexo casto não deve


buscar comportamentos femininos hipersexualizados, caso
contrário não alcançará êxito em seu propósito.

Por outro lado, as mulheres devem refletir a respeito desse


comportamento hipersexualizado, fazendo uma análise de quando
iniciou esse gosto sexual. O condicionamento do comportamento
sexual, o gosto por determinada prática, advém muito das vezes
da cultura da pornografia e da imposição do machismo na mente
das mulheres, para que elas possam se comportar ao gosto deles.
Sob pressão e pelo medo da perda da relação, elas se adaptam a
esses comportamentos. Com isso perde-se a qualidade receptiva e
acolhedora da sexualidade feminina.

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O orgasmo comum, pelo que foi indicado nas pesquisas de


Kinsey, nunca foi sinônimo de felicidade conjugal, pois mulheres
orgásticas são mais propícias ao divórcio ou a não contrair
matrimônio, corroborando com o que já estudamos anteriormente
sobre os desequilíbrios neuroquímicos (KINSEY et al., 1998, p.
511-521).

Esse descontrole emocional nas mulheres também esteve presente


nas que se submeteram aos testes de medicamentos para aumentar
o prazer sexual. A pílula feminina para o prazer é o sonho dos
laboratórios ao redor do mundo, mas até hoje esses medicamentos
só trouxeram problemas para elas. É evidente que tanto o homem
quanto a mulher não foram feitos para uma sexualidade orgástica,
pois esse comportamento é uma disfunção, um condicionamento
aprendido desde o início de nossas experiências sexuais, sendo
impulsionado pela genética corrompida há milhares de anos.

Controle da tensão sexual e os sentimentos sublimes do amor

Somente com o tempo e muita prática, os amantes poderão


conseguir o controle da tensão sexual. Anos se passam até o
pleno controle, e a paciência é uma virtude dos que buscam
resultados, onde os benefícios compensam o sacrifício.

Para esse controle tensional é imprescindível a harmonia dos


movimentos ou até mesmo a ausência deles, dependendo da
situação; pois somente com a respiração podemos ter sentimentos
sublimes e um êxtase sexual.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

A respiração é algo fundamental no sucesso da prática, ela deve


ser lenta e profunda, combinada com o prazer dessa energia do
amor que sobe dos órgãos sexuais para o cérebro quando se
inspira, produzindo sentimentos de completude e de amor que
transbordará no casal, trazendo alegria e paz.

Costumo dizer que o sentimento que nos acomete durante essa


experiência de amor é algo semelhante, mas em uma extensão
muito maior, à sensação de encontrar uma pessoa amada que há
muito tempo não se vê. Um abraço que completa algo que faltava
desde o início, um estado paradisíaco, a união para a formação de
uma só carne.

O prazer do sexo casto é sentido para dentro e para cima, e da


fornicação é para baixo e para fora. Tanto para o homem quanto
para a mulher no momento de uma inspiração cadenciada é
favorável à contração do esfíncter urinário, músculo que segura a
urina e promove a ereção nos homens, e do músculo
pubococcígeo, pois eles auxiliarão para que o prazer sexual possa
expandir para outras áreas do corpo. Inspire contraindo e sentindo
essa energia subir e depois solte o ar relaxando o músculo e
sentindo a energia descer e se espalhar do coração para o resto do
corpo. Esta ação deve ser em conjunto, mas não necessariamente
executada a todo o momento.

O movimento de contração desses músculos ajudará o homem a


segurar a ejaculação quando essa parecer iminente. Quando isso
acontecer, é necessário que o homem desconecte de sua mulher

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Sexo Casto - Sandro Paiva

segurando a respiração e os músculos ao mesmo tempo e por um


longo tempo, como se segurasse a urina, até que a falta de ar o
obrigue a respirar, relaxando o corpo a seguir. Nas primeiras
experiências o descontrole da ejaculação será bastante presente,
mas não desanime, só com a prática consegue-se o
aperfeiçoamento.

Como se diz na sabedoria antiga: não navegue muito próximo à


cachoeira, pois suas remadas não lhe evitarão a queda. Navegue
sempre em águas seguras e não force seu corpo a essas tensões.
Levar o sexo até o ponto de quase orgasmo pode ser prejudicial
ao longo do tempo, tanto para os homens quanto para as
mulheres. Exalar mais do que inspirar o ar pode diminuir a tensão
sexual e evitar o orgasmo.

Após a desconexão do casal, seja por consenso do término ou


porque um dos dois teve que se retirar antes para não ter
orgasmo, o casal deve deitar-se de costas e continuar uma
respiração calmante e profunda até que a tensão sexual cesse, por
volta de 30 minutos.

Levantar da cama imediatamente, após o fim da relação pode


ocasionar tonturas e outros problemas de saúde, pois essa energia
sexual estará presente nos corpos durante os minutos a seguir.
Aproveite e continue respirando profundo e sentindo essa energia
do amor subindo para seu cérebro e irradiando para o coração e
todo corpo.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Após a desconexão para o fim da relação, não torne a conectar-se


por pelo menos 24 horas, pois tudo que extrapola na quantidade
causa problemas. Evite praticar também nos períodos menstruais
e gestacionais, são épocas naturais de descanso para a mulher.

Toda fêmea do reino dos mamíferos não possui libido sexual


durante a gravidez, pois os níveis de prolactina estão elevados
para o nascimento da cria. Por isso, a mulher nesse período enjoa
fácil do cheiro do marido e de várias outras coisas. Infelizmente,
há mulheres que se submetem à vontade do marido para ter
relação sexual, mesmo não tendo vontade; outras se condicionam
em ter prazer sexual na gravidez, principalmente as viciadas em
orgasmo.

A natureza é sábia em retirar o prazer sexual das fêmeas durante a


gravidez, pois essa tensão sexual não deve ser benéfica para a
formação do feto. É necessário que o homem durante esse
período tenha paciência e compreensão com sua esposa, e
pratique as recomendações que mostraremos no tópico para
solteiros.

O apóstolo Paulo orienta o casal quanto à necessidade de


abstenção sexual ―Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo
consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração.
Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não
terem domínio próprio (1 Co 7:3-5)‖.

Se existe amor entre o casal, essas pausas na prática sexual não


afetarão de modo prejudicial o convívio entre eles, pelo contrário,

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Sexo Casto - Sandro Paiva

manterá uma relação estável. Praticar relação sexual duas a três


vezes por semana já está de bom tamanho. Também não se deve
praticar quando se tem um dia muito estressante, desgastante ou
com alguma enfermidade, pois o corpo não estará suficientemente
equilibrado. Os períodos de pausa ajudarão a manter o magnetismo
do casal e sua intimidade na relação.

Declaravam os sábios Rabinos que a felicidade e a paz familiar só


poderiam ser alcançadas por um meio: pelo poder do amor entre
marido e mulher.

6.2 - O que deve ser evitado para ter sucesso no sexo casto
e curar as disfunções sexuais?

Podemos dizer que o domínio da prática do sexo casto é o grande


diferencial na relação do casal. No entanto, isso não vem de
imediato, pois necessita de paciência, dedicação, abnegação e
compromisso. Uma série de fatores estão correlacionados para
este sucesso, e muitos deles são ações individuais que favorecem
o casal como um todo.

Deus cobra um preço, uma mudança interna de caráter e atitude


espiritual para que possamos nos deliciar nas ternuras do amor
casto. Pessoas regidas pelo Ego, dominadas pelos pecados
capitais, jamais desfrutarão dessas doçuras do amor, não
conseguem, assim, avançar no aprendizado da vida.

A função sexual é uma peça muito importante em uma máquina


complexa chamada ser humano. Para que essa máquina tenha um

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Sexo Casto - Sandro Paiva

bom funcionamento é necessário que todas as peças estejam


funcionando bem e em sintonia umas com as outras, para que o
conjunto tenha harmonia na realização de qualquer função, com
excelência.

Quando desmembramos o ser humano em partes ou sistemas,


podemos compreender melhor o funcionamento de cada um
desses sistemas e a interação que existe entre eles.

Em nossa análise, iremos observar como determinadas emoções,


sentimentos e sensações do corpo físico estão ligadas diretamente
a determinadas regiões de nosso corpo.

Muitas pessoas já escutaram a frase ―o corpo fala‖, mas


infelizmente poucas pessoas dão ouvidos a ele, pois muitos estão
ansiosos, presos em preocupações e desconectados com seus
corpos, não fazem ideia de que comportamentos nocivos à saúde
geram sinais de alerta em determinadas áreas do copo, chamando
a atenção para o problema.

Para termos uma melhor compreensão do que ocorre em nosso


corpo, especificamente em determinadas áreas, denominaremos
esses locais como centros ou sistemas de energia, pois eles
somatizam sintomas semelhantes a distúrbios biopsíquicos
(GURDJIEFF, 2017, p. 47).

Esses centros necessitam de um equilíbrio e interação entre as


partes para um bom funcionamento do corpo como um todo. São
eles:

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Centro intelectual: localizado na cabeça, expressa a


manifestação dos pensamentos, raciocínios que a mente produz.
Notamos que algo está errado com ele quando sentimos dores de
cabeça, esquecimentos, pensamentos acelerados etc.

Centro emocional: localizado na região do tórax e abdômen,


expressa as emoções, alterando o funcionamento dos órgãos que
o compõe, modificando a respiração, batimentos cardíacos,
digestão, vocalização, excreção etc.

Centro motor: localizado em nossa parte esquelética, muscular,


principalmente na coluna vertebral, expressa uma reação de dor
em qualquer uso indevido de nosso corpo, principalmente da
parte motora.

Centro instintivo: sem um local específico no corpo, mas


responsável para a manutenção dos sistemas autônomos
(simpático, parassimpático, hormonais etc.) que garantem o
equilíbrio no funcionamento normal de nosso corpo, como na
alimentação, no sono, na respiração, na resposta ao estresse etc.,
ou seja, seu papel é garantir a própria sobrevivência. Podemos
perceber a ação desse centro quando extrapolamos os nossos
instintos (alimentação, preservação e sexualidade) além do
necessário para a nossa sobrevivência.

Centro sexual: que também está inserido no centro instintivo,


mas tem uma classificação especial, à parte, devido à sua vital
importância no funcionamento dos outros centros. Localizado nos

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órgãos genitais, possui a característica de uma usina de força, que


nutre o corpo como um todo.

Para lograr sucesso na prática do sexo casto, devemos ter um


equilíbrio entre esses centros. Qualquer descontrole em um centro
provoca um efeito cascata em todos os outros centros,
desestabilizando toda a máquina humana.

Vejamos exemplos de como problemas em outros centros afetam


o centro sexual quanto à prática da castidade, e geralmente
resultam em descontrole do orgasmo ou disfunção erétil:

Centro intelectual: preocupações, traumas, fantasias atrapalham


a mente, impedindo que ela se torne tranquila para a prática
sexual. Estar em um estado de relaxamento mental é fundamental
para o sexo, como afirma Richardson:

O orgasmo como meta do sexo é um reflexo do nosso


condicionamento sexual. Alguns homens e mulheres que
exploraram o sexo em profundidade compartilharam sua
observação de que o pensamento no orgasmo é necessário
antes que haja o desejo pelo orgasmo. Em outras palavras,
o objetivo é basicamente uma mentalidade, e o corpo pode
ser convencido.

Eu observei isso também. O pensamento precede a


compulsão, o desejo e o orgasmo, e a fixação excitante do
clímax é, de fato, parte de nosso condicionamento
hereditário no sexo e se torna um grande distúrbio na
verdadeira expressão sexual humana (RICHARDSON,
2011, p. 1210).

Centro emocional: ansiedades, stress, vergonha aumentam os


batimentos cardíacos, aceleram a respiração e levam ao
descontrole digestivo, dificultando o sucesso na prática.

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Centro motor: O excesso de exercícios mina a energia necessária


para o funcionamento do centro sexual. Mulheres atletas param
de menstruar e homens atletas têm baixa produção de
espermatozoides viáveis, pois os corpos entendem que é
necessário brecar a reprodução para preservar a vida. É o centro
sexual mandando energia para a demanda extra do centro motor.
A falta de exercícios físicos também atrapalha na prática, pois a
pessoa sedentária geralmente tem seus níveis de colesterol,
triglicerídeos, açúcar, testosterona e outros índices alterados no
corpo, uma receita certa para as disfunções sexuais. O caminho
correto sempre foi a moderação, em tudo o que se faz. No tópico
para solteiros, que traz informações que também são essenciais
para os casados, daremos exercícios para ajudar a equilibrar todos
os centros.

Centro instintivo: Como uma pessoa com medo ou raiva por


exemplo, pode ter segurança em uma relação? Medo de ejacular,
decepcionar, falhar. A calma e a confiança devem estar presentes
na prática, onde um amante auxilia o outro. Mas a calma deve ser
uma regra diária na vida, pois uma pessoa que passou por pelo
menos 5 minutos do dia tendo medo, ansiedade, raiva,
preocupação, produz hormônios de estresse que ficam presentes
no organismo por pelo menos seis horas. Então, mesmo que você
passou por essa situação estressante no início de seu dia, esses
hormônios podem prejudicá-lo na sua prática à noite.

Portanto, é necessária uma vida tranquila, um coração manso (Mt


5:5), para que se tenha tanto saúde como uma vida sexual plena.

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Qualquer tipo de vício também desestabiliza o organismo, como


já vimos anteriormente, alterando a condução natural de nossos
instintos.

Drogas e bebidas já estão mais do que provados que trazem muito


prejuízo para a função sexual, menos divulgado é o vício em
comida e os tipos de alimentos que prejudicam o centro
instintivo.

Na Antiguidade, o pecado da gula, que englobava bebida, comida


e possivelmente drogas, enfatizava o perigo de enveredar por
estes caminhos. O profeta Daniel era rigoroso em sua dieta, não
comia a comida da realeza, chegando até a vencer os súditos em
um desafio de saúde por somente alimentar-se de alimentos
naturais (Dn 1: 8-16). Comidas ricas em gorduras e açúcares são
prejudiciais para a saúde, inclusive para a função sexual.

Vemos que o livro de Levítico em seu capítulo 11 fala de


alimentos impuros como a carne de porco, a qual era uma das
poucas fontes de muita gordura da época. Interessante notar que
em muitas culturas antigas a gordura era oferecida aos deuses,
não fazia parte da alimentação diária dos humanos. O desejo
descontrolado, que caracteriza vício, sempre foi olhado com maus
olhos por Deus (Hb 12:16-17; Nm 11:33-34).

Uma receita certeira para se ter um sonho erótico com polução


noturna ou uma péssima noite de sexo (fornicação) ou de sono
(pesadelos) é se alimentar de muita gordura ou açúcar

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principalmente à noite, Tomás de Aquino já nos alertava a esse


respeito há tempos (AQUINO, sd, p. 3541).

Maomé acreditava que alguns alimentos ativavam a luxúria e


deveriam ser evitados, e o Imã Bukhari Sahih Bukhari ensinava
que o jejum enfraquece o apetite sexual (AQUINO, sd, p. 3541),
opinião também compartilhada por estudiosos judaicos, que
também acreditavam que determinados alimentos levavam à
perda de sêmen (GUARDIAN, sd).

Os nazireus e suas mães (antes e durante a gravidez) tinham uma


alimentação especial, diferenciada para favorecer a pureza
espiritual do nazireu (Jz 13:4-5). Os antigos cristãos também
utilizavam o jejum como forma de frear seus apetites sexuais e
alimentares. Na verdade, o jejum é uma das melhores ferramentas
para eliminar qualquer tipo de vício, pois faz restaurar os níveis
de sensibilidade do organismo ao normal.

Quer aumentar o tempo da relação sexual? É só comer pouco ou


basicamente nada durante a noite, ou ir reduzindo o consumo de
açúcar e gordura ao longo do tempo. Por outro lado, uma vida
sem se alimentar de proteína animal, não favorece a prática
sexual, pois reduz muito o estímulo. Vemos claramente essa
redução no comportamento reprodutivo dos animais que quando
estão magros ou gordos em excesso não se reproduzem.

John Kellogg e Sylvester Graham no século XIX até


desenvolveram seus flocos de milho e biscoitos de mesmo nome
como parte de uma dieta branda para reduzir o desejo sexual dos

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jovens e desencorajá-los de se masturbarem (SYLVESTER


GRAHAM, 2020).

Centro sexual: Não precisamos alongar tanto na explicação do


desequilíbrio desse centro, pois falamos dos problemas do sexo
comum ao longo de todo o livro, mas é importante lembrar que
vigiar seus 5 sentidos dos estímulos sexuais ao longo do dia (o
que se vê, escuta, toca, cheira e prova) evitará a se nutrir de
luxúria, contribuindo para o sucesso na condução da prática (Jó
31:11 e Mt 5:28).

É muito claro que após um orgasmo, o corpo se descontrole em


todos os centros, ficando com dificuldade de raciocínio, corpo
exausto, emocional abalado ao longo do ciclo de variação
hormonal, instintos exaltados e luxúria fortalecida.

Qualquer desequilíbrio em um centro altera o bom funcionamento


dos outros, como acontece também com os instintos. O nosso
corpo é como uma orquestra sinfônica, todos os instrumentos
devem estar afinados para que se produza uma boa música.

No equilíbrio dos centros, vestimos a armadura de Deus, da


cabeça aos pés, não dando brecha para o inimigo agir, como está
escrito em Efésios 6.

A perda de força espiritual está intimamente ligada ao


desequilíbrio do corpo biológico como um todo e, por outro lado,
a energia sexual transmutada pela castidade se torna uma força
rítmica dessa sinfonia, harmonizando todos esses centros e

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ajudando no equilíbrio do corpo, algo necessário para se ter uma


boa saúde.

Quando praticamos de forma tranquila o ato sexual, colhemos


somente benefícios. A atenção em si mesmo e no outro aumenta
consideravelmente, pois há uma maior capacidade de percepção
devido à lentidão do ato. Isso expandirá para o relacionamento
como um todo, sintonizando os aspectos emocionais em uma
mesma frequência, a da tranquilidade. A manutenção dos níveis
corretos dos neuroquímicos do relacionamento saudável
ocasionará também o fortalecimento do sistema imunológico,
evitando adoecimentos.

O amor é o melhor remédio para tudo na vida, seja ele para nós,
para o cônjuge, para os filhos, para a humanidade e para Deus.

Para constatar tudo o que falamos sobre os benefícios do sexo


casto, basta praticá-lo, sem haver orgasmos durante no mínimo
um mês e depois retorne para o sexo comum. Faça uma análise a
respeito de aspectos psicológicos, biológicos e espirituais de todo
seu corpo (percepção dos centros) e de seu cônjuge, antes e após
o experimento e tire suas próprias conclusões.

Em resumo, mesmo com todas as dicas que aqui mencionamos,


com o tempo, o casal vai descobrir seu próprio ritmo para uma
prática mais harmoniosa.

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6.3 - Castidade para solteiros.

Não é fácil viver na época de hoje como solteiro, principalmente


quando se amadurece sexualmente aos 15 anos e a sociedade
estabelece como sendo a partir dos 30 anos a idade ideal para um
matrimônio, pois é a partir dessa idade que se costuma adquirir
certa estabilidade financeira.

Os namorados jovens, geralmente, não esperam essa idade para


ter relações sexuais, o que leva a um conflito entre biologia,
religião e status social. Conflitos à parte, é necessário que haja
um compromisso maior, ou seja, o casamento anterior à prática
sexual, pois o sexo é uma união espiritual, não é uma forma de
recreação apenas. Assim, esperar o tempo de Deus, para que ele
nos dê a companhia correta para a jornada da vida é fundamental
para ter felicidade conjugal.

Em contrapartida, forçar uma vida celibatária quando se tem o


desejo sexual como instinto latente é um golpe contra a natureza.

Quando Jesus menciona os que se castram pelo reino dos céus


(Mt 19:12), penso que ele não está apoiando o celibatarismo
forçado, mas sim demonstrando que pessoas casadas, que por um
motivo de força maior não poderiam ter relações sexuais com
seus cônjuges e muito menos com outras pessoas, pois
cometeriam adultério. Sob outra perspectiva, quem pratica o sexo
casto, se castra por causa do reino dos céus, tornando-se um
eunuco para o mundo.

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Quantos crimes e sofrimentos sexuais ao longo da história


poderiam ter sido evitados se tivéssemos tido uma leitura
profunda das escrituras sobre a sexualidade.

Dessa forma, a história mostrou que celibato verdadeiro é para


pouquíssimos, como também mencionava Lutero há séculos
(LUTERO, 2011, p. 168).

Assim, se você é solteiro ou solteria ou, por alguma questão


particular, está impedido(a) de se relacionar com seu cônjuge, é
importante controlar esse vulcão que existe dentro de você.

Sabemos que não há como sublimar ou controlar, totalmente, esse


instinto sendo solteiro, pois fomos feitos para o sexo. Mas, é
necessário tomar certas providências para que ele atrapalhe o
menos possível a sua vida.

Na verdade, todas as recomendações de saúde que vimos


anteriormente são, também, para os solteiros, pois ajudam a
equilibrar nossos centros de energia. Ter uma alimentação menos
calórica, eliminar drogas, pornografia, bebidas alcoólicas;
praticar exercícios físicos em quantidade maior do que para os
ativos sexualmente, alongamento, pilates, exercícios de
respiração abdominal (até ela se tornar natural como nos bebês,
pois ela é fundamental para se ter uma boa saúde emocional,
mental e sexual), canto, relaxamento, Mindfulness
(VILLODRES, 2018), banhos gelados quando a tentação for
muito forte, desenvolver habilidades artísticas, musicais e

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espirituais, sendo que a oração tem um papel fundamental nessa


jornada.

É bom frisar que a tentação aumenta quanto mais se dá alimento


para ela. Vigiar os cinco sentidos diariamente te ajudará a ter
controle sobre seus impulsos.

Uma queixa constante no mundo dos jovens solteiros são os


sonhos eróticos ou poluções noturnas. Eles acontecem devido à
maturação dessa energia no corpo que, por não ser transmutada,
se desdobra em sonhos eróticos. É evidente que quanto mais se
nutre de desejos sexuais reprimidos, maior será a quantidade
desse tipo de sonhos.

Há muito tempo, acredita-se que as imagens personificadas


nesses sonhos são demônios que roubam a energia sexual dos
humanos. Esses são os famosos íncubus e súcubus da religião
cristã, e os mazzikin da mitologia judaica, figuras simbólicas que
se formam dos desejos e imagens pornográficas gravadas nas
mentes das pessoas.

Muitos pesadelos que tive ao longo da vida foram encontros com


figuras que pareciam sedutoras, mas que na verdade eram
horrendas. Ouvi, também, inúmeros relatos de pacientes que
passaram por experiência parecida.

É claro que uma perda seminal ocorrida por polução noturna não
exaure tanto uma pessoa como a de uma perda consciente de
sêmen, pois no sonho quando se chega ao momento do orgasmo a

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pessoa geralmente acorda, e assim pode evitar a perda seminal


praticando a mesma técnica que se utiliza durante o ato sexual;
segurando a respiração e contraindo os músculos pélvicos.

O poder da energia sexual dos jovens é tão grande que quando


mal direcionado pode acarretar possessões e efeitos poltergeist.
Nessa fase, não é fácil controlar a tensão sexual que leva ao
orgasmo, mas assim que a idade e a experiência com o sexo casto
avançam, a vida tende a melhorar.

6.4 Por que, nos dias de hoje, é difícil compreender e


praticar a castidade dos textos bíblicos?

Não digo que compreender a prática do sexo casto seja difícil,


como podemos notar depois da leitura aqui realizada. Mas praticar
essa castidade, isso sim sempre foi e será um desafio, pois ao longo
da história cristã, no âmbito sexual, prevaleceu uma leitura
ambígua tanto sobre a fornicação na relação sexual matrimonial,
como no prazer casto.

Deixar que esse conhecimento verdadeiro sobre as questões


sexuais permanecesse na sombra sempre foi uma forma de atender
aos interesses da maioria e de não perder fiéis por causa das
restrições.

Como nos mostra a história, a maioria das pessoas não está


disposta a abrir mão daquilo que lhe convém. Então, é muito mais
cômodo focar nos aspectos do ensinamento bíblico que não nos tira
da zona de conforto e não mexe com os desejos quase

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incontroláveis da carne, do que provocar uma revolução no modo


de pensar, sentir e agir (Lc 9:23; Mc 8 34-35; Mt 16:24).

Na atualidade, esse conhecimento profundo do sexo casto quase se


perdeu. Ainda existem praticantes em alguns raros grupos de
cristãos, gnósticos modernos, adeptos do sexo oriental casto e
praticantes de Karezza, sexo lento e da comunidade NoFap.

Excluindo esses grupos, a sexualidade casta e todo seu


conhecimento acabaram sendo sufocados, ainda mais pela moda
que virou regra no século XX, a tal ―revolução sexual‖, um
movimento que fortemente fomentou o prazer acima da razão.

Algo, na verdade, compreensível, pois após um longo período de


repressão sexual, o pêndulo do comportamento humano se
deslocou para o lado oposto, da explosão sexual. Oscilando assim
de um extremo para outro, uma oscilação comum de se observar na
humanidade, em que um extremo leva a reação oposta que, por sua
vez, acaba por levar ao outro extremo.

Não só a castidade sofreu um choque, mas tudo foi transformado


no campo da sexualidade pelas novas tendências. Padre Léo afirma
que:

Antigamente, o sexo era considerado um tabu. Pouco se


falava a respeito. Era algo vergonhoso e feio. Era
necessário superar essa fase e atingir uma visão correta da
sexualidade dentro do plano de Deus. Mas do tabu
chegamos a um liberalismo barato. E o liberalismo acaba
sendo mais opressor do que o tabu (LÉO, 2015, p. 128).

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Precisamos nos lembrar que as visões dentro do cristianismo eram


divergentes, sobre o prazer sexual, mas todas as religiões cristãs
têm em comum o conceito que o sexo animalizado, desmedido é
algo prejudicial.

A mudança de pensamento se deu por pressão das feministas e elas


por sua vez tinham razão de se rebelar, pois o prazer sexual era um
direito praticamente exclusivo dos homens, era algo quase
inexistente para as mulheres e muitas até duvidavam que, esse
prazer, existisse para elas.

Através do pensamento machista, perpetuavam-se as relações


sexuais que culminavam, na maioria das vezes, em ejaculações
precoces, sem o mínimo tempo para o prazer feminino. Podemos
destacar, também, todo o sofrimento que as mulheres da época
passavam com as inúmeras gestações indesejadas e tantos abortos
espontâneos ou mesmo provocados na tentativa equivocada e
desesperada de alguma forma de controle de natalidade, sem contar
as doenças ginecológicas e as mortes durante o parto.

Assim, antigamente, o sexo para as mulheres era quase que uma


obrigação marital, um momento de apreensão pelos sofrimentos do
porvir e mesmo atualmente se mantém dessa mesma maneira para
muitas mulheres.

Podemos acrescentar também o efeito Coolidge, que colaborava


para o distanciamento afetivo do casal, e muitas vezes influenciava
a ida dos maridos aos prostíbulos. A infidelidade dos maridos,

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muitas vezes, se tornava um alívio para as esposas, pois assim não


necessitariam cumprir a missão de aliviar suas tensões sexuais.

Mas, o fator mais determinante para a revolução sexual foi a


invenção da pílula, que deu um fim na triste realidade das
concepções indesejadas, algo experimentado pela maioria das
mulheres da época e comprovado pela grande adesão aos modernos
métodos contraceptivos.

Outros eventos que ajudaram a consolidar a revolução sexual


foram: o fim ou a diminuição dos casamentos arranjados pelos pais
dos noivos que, com as novas leis de separação, independência e
maior inserção na sociedade, abriram-se espaço para uma maior
conquista de direitos pelas mulheres.

Mas, nem tudo são flores, pois sabemos que o psiquismo coletivo
do ser humano oscila em um movimento pendular, assim, saímos
de uma época de restrições do prazer para uma liberalidade geral,
ou melhor dizendo, libertinagem. Muitas feministas
compreenderam o ―empoderamento feminino‖ como sendo o
direito de serem como os homens, ou melhor, como os machos,
imitando o que eles têm de pior, aprendendo as atitudes
animalescas orquestradas pelo ego.

O escritor Bary Long (LONG, 2014) nos esclarece que muito desse
comportamento feminista se espelha no comportamento opressivo
do masculino, na falsa ideia que a hiperexcitação sexual clitoriana
era comportamento de amor. Assim, o prazer se concentra somente
na área clitoriana ao invés de se espalhar para seu corpo inteiro.

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Bary enfatiza que a mulher moderna comemora sua libertação


sexual, mas infelizmente não compreende que está firmemente
presa nessa sexualidade orgástica e seu substituto clitoriano para o
amor.

Mudamos para a era do prazer a qualquer custo e de qualquer jeito.


A era do hedonismo foi instalada na humanidade e tudo que vai
contra ou refuta essa ideia é considerada como uma visão obsoleta,
opressora e que merece descrédito.

Muitos dos estudiosos da sexualidade moderna desprezaram tudo


que se sabia sobre sexualidade casta, considerando-a castradora e
um tipo de parafilia (distúrbio), pois essa prática não levava ao
orgasmo ejaculatório como o dito ―sexo normal reprodutivo‖.
Logo, deixar o instinto se expressar na sua totalidade foi
considerado o padrão normal de comportamento. O pesquisador
Karl Bunn afirma que:

O orgônio de Reich, independente de seus estudos,


continuará sendo desperdiçado pela humanidade em cada
relação sexual; a libido freudiana continuará sendo utilizada
para jogar fora a energia da vida; os dados estatísticos de
Kinsey e de Masters e Johnson servem apenas para
demonstrar as consequências que uma vida sexual errada
pode provocar no relacionamento afetivo. Nenhum deles,
com todos os estudos feitos, apresentaram uma solução
integrada que resolvesse o problema humano da
afetividade, dos conflitos psicológicos e da sexualidade.
Mas todos tentaram conciliar prazeres sexuais, liberdade ou
liberalidade sexual com plenitude espiritual – algo
impossível de se alcançar (BUNN, 2018).

O orgasmo comum se torna, assim, objeto desejado, benéfico e


excluído de toda e qualquer crítica, principalmente pela ciência

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Sexo Casto - Sandro Paiva

moderna que baseava suas pesquisas sobre sexo, naqueles


princípios da revolução sexual, desprezando todo o conhecimento
anterior sobre o assunto. O único benefício dessas pesquisas,
principalmente as relacionadas à potência sexual, como já
demonstramos nos capítulos anteriores, é que podemos provar os
benefícios do sexo casto ou iniciar novos debates a respeito da
sexualidade casta.

A partir da revolução sexual até os dias de hoje, colhemos uma


grande quantidade de separações, vícios sexuais, relações vazias;
sem contar, também, com muitos dos problemas que já tínhamos
antes dessa ―revolução‖. Pelo que vejo hoje, grande parte da
ciência moderna busca soluções paliativas para os problemas
sexuais. Devemos, sim, é começar do zero, com uma nova
roupagem e leitura sobre a prática sexual casta, e isto já está
começando no mundo cristão, conforme afirmam alguns autores e
palestrantes:

Na configuração atual da sexualidade, percebemos uma


―hipergenitalização‖ que não corresponde ao que se espera
de um desenvolvimento normal da evolução, muitas vezes
regressiva, levando-nos a uma etapa sexual infantil ou pré-
adolescente (Marciano Vidal, teólogo e escritor).

Mas, principalmente, o amor pelo outro acaba à medida que


nos tornamos apaixonados demais por nossa própria
imagem no espelho. Quando os apelos da carne são
atendidos. Quando somos picados pelo inseto do pecado, e
já inflamados, perdemos o controle sobre a razão (Darleide
Alves pastora, apresentadora e escritora).

A felicidade não está no prazer, a felicidade é da alma, o


prazer é do corpo. Não fomos feitos para um grande
estímulo de prazer (Paulo Ricardo, padre e apresentador).

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Você pode até se converter para Cristo, mas seus


hormônios não convertem (Claudio Duarte, pastor).

A castidade é a virtude que nos eleva da natureza humana à


natureza angélica (Pio de Pietrelcina, padre e santo
católico).

Os casados também são chamados à castidade, vivendo sua


vida sexual de forma sadia. Toda vez que se trata uma
pessoa como se fosse um objeto pessoal de prazer, se está
indo contra a castidade (Fábio de Melo, padre e
apresentador).

Pessoas castas vivem mais e possuem melhor saúde (Felipe


Aquino, escritor e apresentador).

É no relacionamento sexual equilibrado, sem a busca


constante no orgasmo passageiro, cansativo e atordoante,
que as almas se refazem, tornam-se autenticas em estados
rítmicos de espiritualização (Jorge Andréa, psiquiatra e
escritor).

No quesito tempo, o homem precisa aprender a controlar e


a dominar seu desejo, conseguindo atrasar ao máximo a
concretização da relação (Roberta Castro, escritora).

O homem precisa aprender a se controlar; a mulher, por sua


vez, deve ser livre o suficiente para ajudá-lo a recuperar a
ereção ou retardá-la (Padre Léo).

Educa a mente, disciplina a vontade, corrige os hábitos e


utiliza-se do sexo como fonte de inspiração e reprodução,
de criatividade e ação enobrecida, sob o comando do amor,
que é a força apropriada para dirigi-lo e dignificá-lo. Sexo e
vida são termos da mesma realidade corporal. Conforme te
utilizares, serás senhor ou escravo de um como de outro.
Tem cuidado! (Divaldo Franco, escritor e palestrante).

Não há tentação mais forte do que o poder de cristo para


conosco (Andrea Vargas, pastora e palestrante).

Portanto, juntamente com pensadores cristãos, terapeutas e


cientistas da atualidade estamos abrindo um novo horizonte para
uma sexualidade saudável que realmente possa nos humanizar.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Epílogo

Muito falamos sobre sexualidade nas páginas deste livro, e não


podemos esgotar toda a matéria acerca do que seja a prática de
uma sexualidade casta, pois só a experimentação das práticas que
aqui propusemos poderá ajudar os leitores a experimentarem os
primeiros lampejos de consciência sexual, consequentemente,
uma melhor auto-observação no âmbito biológico e espiritual.

Caro leitor, dedique este livro à pesquisa, consulte as fontes aqui


citadas e constate que ainda há muito a descobrir sobre o sexo
casto e seus benefícios.

Infelizmente, como já mencionado, muitas pesquisas na área


sexual estão sob o viés de que o orgasmo é algo natural e
benéfico para o ser humano. A grande maioria da humanidade
pensa assim e, assim, deseja ficar.

Muitas pessoas nunca tomarão consciência de suas atitudes


sexuais, entendendo que se comportaram como animais, presas
em seus fetiches, parafilias, pornografias e, não percebendo que
quando a energia sexual se extinguir só restarão os vícios e a
decrepitude.

Fomos projetados para ter uma consciência desperta sobre todas


as coisas, incluindo a sexual, que nos possibilita abrir novos
horizontes na vida. Mas, infelizmente, poucos serão os que se
despirão dos velhos hábitos.

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Sexo Casto - Sandro Paiva

Por isso, escrevi este livro pensando nas pessoas que não se
deixam levar pela manada, que são questionadoras do sistema, do
mundo no qual vivem, e não são dele (Jo 15:19), pois ele jaz no
maligno (1 Jo 5:19).

Este é um livro para aqueles que querem se tornar íntegros, que


querem cooperar com a grande obra divina, como foram os
grandes homens da humanidade. Como afirmava Clemente de
Alexandria: ‖Bem? Os justos do passado não compartilharam
com gratidão a criação de Deus? Alguns deles se casaram e
produziram filhos sem perda de autocontrole‖ (CLEMENTE DE
ALEXANDRIA, p. 289).

Sei que são poucos os que abraçarão essa nova abordagem sexual,
mas tenho certeza de que para aqueles que se dedicarem a essa
proposta da prática do sexo casto, fazendo morrer o homem velho
e suas velhas práticas, e permitindo o nascimento do homem
novo, bem como desenvolver o amor ao próximo perpetuando e
divulgando esse conhecimento, terão merecido o seu galardão.
Pois, como alerta-nos Jesus: ―Entrai pela porta estreita; porque
larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e
muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e
apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a
encontrem‖ (Mt 7:13,14).

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