IFPI – INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ –
CAMPUS URUÇUÍ
BACHARELADO EM ENGENHARIA AGRONÔMICA
MÓDULO IX
DISCIPLINA: SILVICULTURA
DOCENTE: CARMEM CRISTINA MARECO DE SOUSA PEREIRA
DISCENTES: EDILAINNE ROCHA, LUIS FELIPE, MIKAEL ALMEIDA, RYAN HENRIQUE,
SAMUEL ROCHA, SEBASTIÃO ÍTALO
INVENTÁRIO FLORESTAL
URUÇUÍ
2025
Introdução
O inventário florestal constitui uma ferramenta técnico-científica essencial para o
planejamento e a gestão sustentável dos recursos florestais. Trata-se de um conjunto
sistemático de procedimentos voltados à coleta, análise e interpretação de dados
quantitativos e qualitativos acerca da composição florística, estrutura horizontal e
vertical, volume, biomassa, incremento e estado fitossanitário das formações florestais
(SOARES et al., 2013).
A principal finalidade do inventário florestal é fornecer subsídios técnicos para o
manejo racional dos ecossistemas florestais, seja com fins de produção, conservação
ou pesquisa científica. Entre os principais produtos do inventário estão as estimativas
de volume de madeira por unidade de área, a avaliação da diversidade florística e
estrutural, e a determinação do potencial de uso múltiplo das florestas (CAMPOS;
LEITE, 2017).
As variáveis mais comumente mensuradas incluem o diâmetro à altura do peito (DAP),
a altura total ou comercial das árvores, o tipo e estado da copa, o estado fitossanitário
e a identificação taxonômica. (SILVA, 2005).
Adicionalmente, o avanço tecnológico tem ampliado significativamente a precisão e a
eficiência dos inventários florestais. Ferramentas como sensoriamento remoto,
sistemas de informação geográfica (SIG) e aeronaves remotamente pilotadas (drones)
têm sido incorporadas às metodologias tradicionais, viabilizando análises em maior
escala e com menor custo operacional (AVERY; BURKHART, 2015).
O inventário florestal também possui relevância normativa e estratégica,
especialmente no contexto brasileiro, onde é exigido para a elaboração de planos de
manejo florestal sustentável, licenciamento ambiental e regularização fundiária por
meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Materiais e métodos
Foram utilizados os seguintes equipamentos e materiais: trena, fita métrica, receptor
de GPS e cartilha de identificação taxonômica de espécies arbóreas. A área de estudo
foi demarcada em parcela de 10 metros × 10 metros, totalizando 100 metros
quadrados. Em seguida, registraram‑se todos os indivíduos arbóreos presentes,
procedendo‑se à identificação taxonômica (oitizeiro e cajueiro). Para cada indivíduo
aferiu‑se a circunferência do caule com fita métrica, de onde se obteve o DAP a partir
da relação D = C/π. A altura total foi estimada visualmente compondo o conjunto de
dados necessários à elaboração do inventário.
Resultados e discussão
Tabela 1 – Caracterização dendrométrica dos indivíduos amostrados.
Nome Nome científico Nº de Circunferência Altura (m) DAP
indivíduos (cm)
Oitizeiro Licania tomentosa 1 68 5 21,6
Cajueiro Anacardium occidentale 1 70 3 22,3
Fonte: elaboração própria.
A amostragem realizada no fragmento de 100 m² resultou em dois indivíduos
pertencentes a duas espécies arbóreas distintas (Tabela 1). A ocorrência de apenas
duas espécies sugere baixa diversidade florística, possivelmente associada à
reduzida área amostral.
Os diâmetros à altura do peito (DAP) calculados para o oitizeiro (21,6 cm) e para o
cajueiro (22,3 cm). A densidade observada (200 indivíduos ha⁻¹) foi inferior aos valores
médios de 300-800 indivíduos ha⁻¹ relatados por RIBEIRO et al. (2008) para florestas
de cerrado stricto sensu. Tais discrepâncias reforçam a influência do tamanho da
amostra e das particularidades ambientais locais sobre os parâmetros
dendrométricos.
Conclusão
A parcela analisada apresentou baixa riqueza (duas espécies) e baixa densidade (200
indivíduos ha⁻¹), indicando estrutura simplificada do povoamento.
Recomenda‑se ampliar o número de parcelas e incorporar métodos de sensoriamento
remoto para aprimorar a representatividade das estimativas dendrométricas.
Os resultados obtidos podem subsidiar futuros planos de manejo e pesquisa servindo
como linha de base para o monitoramento temporal da parcela avaliada.
Referências
AVERY, T. E.; BURKHART, H. E. Forest Measurements. Long Grove: Waveland Press,
2015.
CAMPOS, J. C. C.; LEITE, H. G. Mensuração Florestal: perguntas e respostas. Viçosa:
Editora UFV, 2017.
SILVA, J. N. M. Manejo Florestal na Amazônia Brasileira. Belém: Embrapa Amazônia
Oriental, 2005.
SOARES, C. P. B.; PAULA NETO, F.; SOUZA, A. L. Inventário Florestal. Viçosa:
Editora UFV, 2013.
RIBEIRO, J. F.; WALTER, B. M. T. (2008). Fitofisionomias do bioma Cerrado. In:
SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P. (Orgs.). Cerrado: ecologia e flora. Brasília: Embrapa, p.
89–166.