UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
DIREITO
CAMILA DE CASTRO FAUSTINO
42200555
LUANA GABRIELA CARRANZA CUNHA
42270936
SABRINA ZAN DE ANDRADE
42250625
PROCESSO CIVIL E COMPETÊNCIA
Campinas
2023
CAMILA DE CASTRO FAUSTINO
42200555
LUANA GABRIELA CARRANZA CUNHA
42270936
SABRINA ZAN DE ANDRADE
42250625
PROCESSO CIVIL E COMPETÊNCIA
Trabalho sobre competência apresentada ao
curso de Direito, referente a disciplina de ”Te-
oria Geral do Processo Civil”, como parte dos
requisitos necessários à obtenção do título de
”Processo Civil e Competência“
Orientador: Ms. Maurita Baldin Altino Teodoro De Bellis
Campinas
2023
2
1 Fundamentação e respostas
A) CONCEEITO DE JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA; B) COMPETÊCIA ABSOLUTA
E RELATIVA:
O objetivo da jurisdição é prevenir e corrigir diferenças nos julgamentos e garantir a
igualdade de tratamento das partes que procuram proteção jurídica. Assim, os Códigos (de
1939 e 1973) adotaram historicamente algumas medidas para alcançar esse resultado, mas
o Código (2015) finalmente retirou a uniformidade da jurisprudência e estendeu a presunção
de competência a todos os julgamentos nos termos do artigo 947.
O incidente de uniformização de jurisprudência, apontado por códigos anteriores,
pode ser provocado durante o julgamento recurso em qualquer membro órgão fracionário
de um tribunal. Dessa maneira, sua finalidade é encontrar solução na interpretação da
norma jurídica, caso haja divergências (que sejam reconhecidas: adiar a execução da
sentença, encaminhar a questão para órgão mais competente). Portanto, o conceito aceito
pelo tribunal torna-se sumário e abre precedente para a padronização da jurisprudência.
Porém, se houver divergência entre as interpretações e nenhuma delas atingir a maioria
absoluta, o caso é rejeitado e alguns aceitam a interpretação que consideram correta.
Atualmente, há mudança na competência: a Lei 10.352/2001 não especifica as regras,
mas por analogia, propõe-se a aplicação da regra do evento da unidade da jurisprudência
(§ 79), onde a interpretação de a maioria absoluta. da autoridade mais competente como
precedente. Por fim, o Código de 2015 ampliou o caso (artigo 947) para ser aplicado a
qualquer julgamento ou recurso.
A jurisdição é, portanto, um pressuposto processual, enquanto a competência é
vista como um pressuposto processual de validade. Assim, a competência, no caso brasi-
leiro, pode ser absoluta ou relativa: geralmente é absoluto, mas normativamente pode ser
considerado relativo com base nos interesses das partes, como valor e território.
O artigo 54 do novo Código de Processo Civil (CPC) decidiu referir-se à competência
relativa, ao contrário do CPC (1973) que se referia à espécie (valor ou área). Porém, essa
mudança é técnica e preferível porque a competência baseada em valor ou domínio pode
ser de natureza absoluta e a associação ou rejeição não muda. A competência absoluta
serve o interesse público, pode ser invocada a qualquer momento e não pode ser alterada
por vontade das partes.
Outrossim, a competência relativa atende a um interesse privado, só pode ser
afirmada pelo réu, pode ser modificada pelas partes com base na escolha do foro e pode
ser modificada com base no nexo ou na coisa julgada. De acordo com o artigo 5 do atual
CPC do Brasil, a competência relativa pode ser alterada com base na adesão ou abstenção.
C) MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA:
A modificação da competência tem por sentido atribuí-la a órgão diversos daquele
Capítulo 1. Fundamentação e respostas 3
indicado originalmente pela lei, portanto somente poderá ocorrer a modificação nos estritos
termos da lei, que se incumbe de mencionar as causas suficientes para derrogação de seus
preceitos primários. Outrossim, a modificação da competência denota superação de regra
básica.
Ademais, CPC, em seus arts. 54 e 63, institui regras de modificação de competência
que se aplicam significativamente a processos sujeitos apenas a critérios de competência
relativa, onde se discorre sobre prevenção e prorrogação. Sendo assim, se tem uma
prorrogação de competência quando ocorre a ampliação da esfera de competência de um
órgão judiciário para conhecer certas causas que não estariam compreendidas em suas
atribuições jurisdicionais, podendo ser legal (necessária) – para quando decorrer imposição
da própria lei, como por exemplo nos casos de conexão ou continência previstos nos arts. 54
a 56 – ou voluntária – para quando decorrer do ato de vontade das partes, como por exemplo
foro de eleição, previsto no art. 63, ou a falta de alegação de incompetência relativa em
preliminar de constatação ou de impugnação com base em convenção de arbitragem –. No
entanto, a prorrogação, em quaisquer casos descritos, pressupõe competência relativa, uma
vez que juiz absolutamente incompetente nunca se legitims para causa, mesmo que haja
conexão ou continência, ou atpe mesmo acordo expresso entre os interessados. Enquanto
que, a prevenção implica negação de atribuição ao juízo que à luz das regras abstratas
seria competente, deixando de sê-lo em razão da anterioridade de uma ação proposta
noutro juízo, sendo notoriamente causa de modificação visto que o juízo prevento exclui
a competência dos demais, que seriam competentes para ações encartadas na esfera de
atribuição jurisdicional.
As formas comuns de modificação se dão por conexão – exemplo pedido e causa de
pedir – e continência – considera-se como uma conexão de maior amplitude, por envolver
todos os elementos de duas ações, partes, pedido e a causa de pedir, sendo o pedido mais
amplo numa delas –, podendo ser descritas nos arts. 55 e 56 do CPC.
D) INCOMPETÊNCIA:
Se divide incompetência sendo relativa ou absoluta. Incompetência relativa se dá
por um defeito sanável pela falta de provocação da parte onde se torna competente o juízo
à míngua de impugnação, como questão preliminar, conforme os arts. 64, caput e 337, II,
do CPC. Outrossim, a incompetência absoluta é considerada grave na medida em que o
próprio juiz do ofício, independentemente de provocação da parte, pode denunciar a mesma,
no entanto, a parte deve alegá-la na primeira oportunidade em que se manifestar nos autos,
mercê de o vício poder ser suscitado em qualquer tempo e grau de jurisdição antes de
transitar em julgado a decisão.
E) ART. 109 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL:
A Justiça comum federal é organizada e mantida pela União, que, no primeiro grau,
Capítulo 1. Fundamentação e respostas 4
exerce a jurisdição federal por meio dos juízes federais integrantes das diversas varas
federais espalhadas por todo o território nacional.
O artigo 109 da constituição discorre sobre as competências de juízes federais, aos
quais, compete processar e julgar:
“I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência,
as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou
pessoa domiciliada ou residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou
organismo internacional;
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça
Eleitoral;
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a
execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciproca-
mente;
V- A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei,
contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra
jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal,
excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência
da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de
carta rogatória, após o “exequatur”, e de sentença estrangeira, após a homologação, as
causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral
da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes
de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá
suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo,
incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)”
Capítulo 1. Fundamentação e respostas 5
Logo, o processo deve se desenvolver em primeiro grau de jurisdição perante as
varas federais sempre que estirem presentes uma das pessoas ou matérias citadas no art.
109, CF, tanto para o exercício da jurisdição civil como da jurisdição penal.
O rol do art. 109 é taxativo, o que implica dizer que apenas as causas ali expressa-
mente previstas são da competência da Justiça federal, sendo a competência de processar
e julgar das Justiças estaduais, demais Justiças especializadas, estabelecida por exclusão.
No que tange às causas em que a União, suas autarquias e fundações públicas sejam parte,
é competente o foro de domicílio do réu quando os entes federados forem autores (art. 109,
§ 1º, da CF) e o domicílio do autor, o local do fato, ou mesmo o Distrito Federal nas causas
em que as pessoas jurídicas de direito público sejam rés, (art. 109, § 2º, CF).
Já o § 3º do art. 109, CF, estabelece, sempre para o Tribunal Regional Federal na
área de jurisdição do juiz de primeiro grau (§ 4º):
“Uma vez concedida a autorização constitucional para a delegação de competência
da justiça federal para a justiça estadual, a Lei 13.876/2019 alterou o art. 15, III, da Lei
5.010/1966, que trata da organização da Justiça Federal de primeira instância. Agora,
quando a comarca não for sede de Vara Federal, poderão ser processadas na Justiça
Estadual as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado e
que se referirem a benefícios de natureza pecuniária, quando a Comarca de domicílio do
segurado estiver localizada a mais de 70 km (setenta quilômetros) de Município sede de
Vara Federal.” (Ribeiro, Marcelo. 2023, p. 243).
F) CRITÉRIOS PARA A DETERMINAÇÃO DA COMPETÊNCIA
Existem três critérios de distribuição de competência: objetivo, funcional e territorial.
O critério objetivo subdivide-se, nos elementos formadores da demanda, em: matéria
(ratione materiae), relacionado a causa de pedir, valor da causa ( ratione valore) referente
ao pedido, e pessoa (ratione personae), que se pauta nos sujeitos principais do processo,
como na primeira hipótese da competência da Justiça Federal (art. 109, I, da CR/1988) ou
das Varas de Fazenda Pública, quando instituídas pelas leis de cada ente estadual.
O critério funcional é baseado nas funções desempenhadas pelo juiz durante o
processo, refletindo um interesse público. Nesse contexto, a natureza da função exercida
pelo tribunal determina sua competência para conduzir e decidir sobre um caso específico,
no qual pode ocorrer uma distribuição de funções entre juízos diversos ou, até mesmo,
no próprio juízo. Divide-se o critério funcional no plano horizontal, em hipóteses como
na oitiva de testemunha por carta precatória (art. 237 do CPC/2015), no incidente de
inconstitucionalidade em Tribunal, onde há uma cisão horizontal da competência (art. 949
do CPC/2015) ou na hipótese do art. 516 do CPC/2015, em que o juízo que processou
a causa de primeiro grau terá competência para o cumprimento de sentença; E no plano
vertical (também denominado critério hierárquico), no julgamento do recurso em juizado
especial (art. 41 da Lei 9.099/1995) ou na competência originária e recursal (art. 1.013 do
CPC/2015), por exemplo
Capítulo 1. Fundamentação e respostas 6
No critério territorial a distribuição da competência se dá visando aproximar o juiz
à causa. O foro na justiça estadual é chamado comarca e na justiça federal de seção
judiciária. Muitas vezes, a competência é atribuída ao tribunal cuja jurisdição abrange
o local onde reside uma das partes envolvidas no litígio ou onde ocorreu o evento que
deu origem ao processo porém, em alguns casos, especialmente em crimes online ou
transfronteiriços, a competência pode ser atribuída ao tribunal do local onde o efeito do ato
ocorreu, independentemente da localização física das partes.
Segundo Haroldo Lourenço, os critérios em razão da matéria, pessoa e funcional
refletem uma competência absoluta (art. 62 do CPC/2015), enquanto o critério territorial e o
do valor uma competência relativa (art. 63 do CPC/2015), ressalvadas algumas exceções.
Pode, também, ocorrer o conflito de competências, positivo quando dois ou mais
juízos reputam-se competentes (art. 66, I, do CPC/2015), ou negativo, quando dois ou mais
juízos se dão por incompetentes (art. 66, II, do CPC/2015). O conflito pode ser suscitado
pelas partes, pelo Ministério Público (MP), nas situações citadas no art. 178, por meio de
petição, ou pelo próprio juízo envolvido, por ofício.
O mérito do conflito é julgado pelo STF quando envolve Tribunais Superiores, pelos
TJ ou TRFs em casos entre juízes estaduais e federais, e pelo STJ quando há conflitos entre
Tribunais diversos. São designado para revisar os argumentos apresentados pelos tribunais
envolvidos e resolver casos de conflitos de competência, emitindo uma decisão definitiva.
Durante o sobrestamento do processo, o relator pode indicar um juízo para praticar atos de
urgência, mesmo que a competência seja contestada. Isso visa evitar possíveis prejuízos
às partes.
A legislação, por sua vez, pode fornecer critérios específicos para a determinação
de competência, atribuindo a responsabilidade de resolver conflitos de competência a um
determinado tribunal ou estabelecendo critérios específicos para a decisão.
Em situações em que os tribunais não conseguem resolver o conflito de competência,
as partes envolvidas podem concordar, inclusive, com mediação ou arbitragem para decidir
sobre a questão.
Não existe conflito de competência entre órgãos que mantenham uma relação de
superioridade hierárquica, como um juízo estadual e o tribunal de justiça, pois sempre
prevalecerá a decisão do Tribunal.
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2 Referências
GRECO, Leonardo. Instituições de Processo Civil - Recursos e Processos da Com-
petência Originária dos Tribunais - Vol. III. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-book. ISBN
978-85-309-6834-8. Disponível em: [Link]
6834-8/. Acesso em: 22 nov. 2023.
SOUZA, Artur César de. Jurisdição e Competência no Novo C.P.C. São Paulo: Grupo
Almedina (Portugal), 2019. E-book. ISBN 9788584934423. Disponível em: [Link]
[Link]/#/books/9788584934423/. Acesso em: 22 nov. 2023.
LOURENÇO, Haroldo. Processo Civil Sistematizado. São Paulo: Grupo GEN, 2021.
E-book. ISBN 9786559640133. Disponível em: [Link]
9786559640133/. Acesso em: 25 nov. 2023.
RIBEIRO, Marcelo. Processo Civil. São Paulo : Grupo GEN, 2023. E-book. ISBN
9786559646166. Disponível em: [Link]
6/. Acesso em: 25 nov. 2023.
MONNERAT, Fábio Victor da F. Introdução ao estudo do direito processual civil. São
Paulo: Editora Saraiva, 2022. E-book. ISBN 9786553620599. Disponível em: [Link]
[Link]/#/books/9786553620599/. Acesso em: 25 nov. [Link]
FUX, Luiz. Curso de Direito Processual Civil. Grupo GEN, 2023. E-book. ISBN
9786559648474. Disponível em: [Link]
4/. Acesso em: 26 nov. 2023.
JÚNIOR, Humberto T. Curso de Direito Processual Civil. v.1. Grupo GEN, 2023.
E-book. ISBN 9786559646579. Disponível em: [Link]
9786559646579/. Acesso em: 26 nov. 2023.