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Atd 2 - Questões

Atividade de Direito do 9° semestre

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ATD 2 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA –

9º SEMESTRE DIURNO 2025.1 – QUESTÕES DISSERTATIVAS

Nomes:

Heitor Assumpção Barreto de Sousa

Respondam todas questões a seguir. Ressalta-se que, cada uma, valerá, no


máximo, 0,1. Vocês podem responde-las individualmente, ou em grupo, e devem
entregar ao professor, no dia 30/04/2025, impreterivelmente.

Temas: Dos bens dos ausentes (arts. 744 e 745, CPC; arts. 22 e ss., CC). Das
coisas vagas (arts. 746, CPC; arts. 1.233 a 1.237, CC).

01. O que é a ausência civil? Qual é a justiça competente para a declaração de


ausência? Qual o foro competente para a declaração de ausência?
R: A ausência civil ocorre quando uma pessoa desaparece de seu domicílio sem deixar
notícias e sem constituir um representante ou procurador para administrar seus bens,
gerando incerteza sobre sua existência. É um estado de fato que, para produzir efeitos
jurídicos, necessita ser declarado judicialmente.
A justiça competente para a declaração de ausência é a Justiça Estadual, mais
especificamente, o juízo da Vara de Família e Sucessões do foro do último domicílio do
ausente.
O foro competente para a declaração de ausência é o do último domicílio do ausente.
Essa regra está prevista no artigo 49 do Código de Processo Civil. Caso o domicílio do
ausente seja incerto ou desconhecido, ele poderá ser demandado no foro onde for
encontrado ou no foro do domicílio do autor da ação, conforme o artigo 94, § 2º, do
mesmo código.
02. Como é o procedimento da arrecadação dos bens dos ausentes e da
nomeação do curador? Quais as fases da declaração de ausência?
R: A arrecadação dos bens do ausente e a nomeação do curador ocorrem na primeira
fase do procedimento de declaração de ausência, denominada curadoria dos bens do
ausente. O procedimento se inicia com o desaparecimento da pessoa do seu domicílio
sem deixar representante ou procurador com poderes suficientes para administrar seus
bens.
Procedimento da Arrecadação dos Bens e Nomeação do Curador:
* Requerimento: Qualquer interessado (cônjuge não separado judicialmente, herdeiros
presumidos, legatários, credores ou o Ministério Público) pode requerer ao juiz a
declaração de ausência e a nomeação de um curador.
* Declaração de Ausência e Nomeação do Curador: O juiz, verificando o
desaparecimento e a ausência de representante legal com poderes bastantes, declara a
ausência por sentença e nomeia um curador para administrar os bens do ausente. A
nomeação do curador segue uma ordem de preferência estabelecida no Código Civil:
* Cônjuge não separado judicialmente ou de fato por mais de dois anos antes da
declaração da ausência. Entendimento jurisprudencial estende esse direito ao
companheiro.
* Pais do ausente.
* Descendentes do ausente, observando-se que os mais próximos precedem os mais
remotos.
* Na falta das pessoas mencionadas, o juiz fará a livre escolha do curador.
* Arrecadação dos Bens: Após a nomeação, o curador, sob a supervisão do juiz, procede
à arrecadação dos bens do ausente, realizando um inventário detalhado do patrimônio.
* Publicação de Editais: Feita a arrecadação, o juiz mandará publicar editais durante um
ano, com intervalos de dois em dois meses, anunciando a arrecadação e chamando o
ausente a retornar e tomar posse de seus bens.
Fases da Declaração de Ausência:
O procedimento para a declaração de ausência se desenvolve em três fases distintas:
* Curadoria dos Bens do Ausente (Arts. 22 a 25 do Código Civil): Esta é a fase inicial, que
se inicia com a declaração judicial da ausência e a nomeação de um curador para
administrar o patrimônio do ausente. O objetivo principal desta fase é a proteção dos bens
do desaparecido na expectativa de seu retorno. O curador tem poderes limitados, visando
a conservação dos bens.
* Sucessão Provisória (Arts. 26 a 36 do Código Civil): Decorrido um ano da arrecadação
dos bens (ou três anos se o ausente deixou representante), os interessados podem
requerer a abertura da sucessão provisória. Nesta fase, ocorre a transferência provisória
da posse dos bens aos herdeiros, mediante a prestação de caução (garantia) para
assegurar a eventual restituição dos bens ao ausente, caso ele retorne. Abre-se também
a possibilidade de abertura do testamento do ausente, se houver.
* Sucessão Definitiva (Arts. 37 a 39 do Código Civil): A sucessão provisória se converte
em definitiva com o decurso de dez anos do trânsito em julgado da sentença que a
decretou, ou pela prova inequívoca do falecimento do ausente. Se o ausente contar com
mais de oitenta anos e houver cinco anos de notícias, também se poderá requerer a
sucessão definitiva. Nesta fase, presume-se a morte do ausente, e os herdeiros passam a
ter a propriedade plena dos bens, sendo dispensados da prestação de caução.
É importante ressaltar que, a qualquer momento, se o ausente retornar ou se houver
prova de sua existência, as fases da ausência cessam, e os bens devem ser restituídos
ao seu proprietário.

03. Quem tem legitimidade para requerer a abertura provisória da sucessão?


Quem devem ser citados como interessados e o que estes devem fazer?
Como ocorre a conversão da sucessão provisória em definitiva? O que
ocorre quando o ausente ou seus sucessores regressam? Quais os efeitos
da declaração de ausência definitiva?
R:
Decorridos um ano da arrecadação dos bens do ausente (ou três anos se ele deixou
representante ou procurador), a legitimidade para requerer a abertura provisória da
sucessão é conferida a:
O cônjuge não separado judicialmente ou de fato por mais de dois anos antes da
declaração da ausência. Entendimento jurisprudencial estende essa legitimidade ao
companheiro.
Os herdeiros presumidos, sejam eles legítimos (indicados pela lei) ou testamentários
(instituídos em testamento).
Aqueles que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte (por
exemplo, o donatário em caso de doação com cláusula de reversão).
Os credores de obrigações vencidas e não pagas pelo ausente.
O Ministério Público, caso não haja nenhum dos outros legitimados a requerer a abertura
da sucessão provisória.

Citação dos Interessados e suas Obrigações


Na ação de abertura da sucessão provisória, devem ser citados como interessados:
O cônjuge do ausente.
Os herdeiros presumidos (legítimos e testamentários).
As demais pessoas que tenham interesse na sucessão (aqueles com direito dependente
da morte do ausente).
O Ministério Público.
Os herdeiros presumidos serão citados para oferecer seus artigos de habilitação, ou seja,
para comprovarem sua qualidade de sucessores do ausente, apresentando os
documentos necessários (certidões de nascimento, casamento, testamento, etc.).

Conversão da Sucessão Provisória em Definitiva


A conversão da sucessão provisória em definitiva pode ocorrer de duas maneiras:
Decurso do Tempo: Dez anos após o trânsito em julgado da sentença que concedeu a
abertura da sucessão provisória, os herdeiros provisórios podem requerer a conversão
em definitiva, independentemente do reaparecimento do ausente ou de notícias sobre ele.
* Prova de Morte ou Idade Avançada: A sucessão provisória também pode ser convertida
em definitiva se houver prova inequívoca do falecimento do ausente. Além disso, se o
ausente contar com oitenta anos de idade ou mais e houver cinco anos ou mais sem
notícias suas, os interessados podem requerer diretamente a sucessão definitiva, sem a
necessidade de aguardar os dez anos da sucessão provisória.
Com a conversão em definitiva, os herdeiros não precisam mais prestar caução e passam
a ter a propriedade plena dos bens.

Regresso do Ausente ou seus Sucessores


Se o ausente regressar ou se for provada sua existência durante a curadoria dos bens ou
durante a sucessão provisória, cessarão imediatamente para ele as vantagens provisórias
entregues aos sucessores. O ausente terá direito de reaver seus bens no estado em que
se encontrarem.
Se o ausente regressar após a abertura da sucessão definitiva, ele terá direito de reaver
os bens existentes no estado em que se encontrarem. Os bens alienados nos dez anos
posteriores à abertura da sucessão definitiva não poderão ser reivindicados pelo ausente,
salvo se comprovada a má-fé do adquirente.
Se os sucessores do ausente (herdeiros) regressarem após a abertura da sucessão
definitiva, eles terão os mesmos direitos do ausente em relação aos bens existentes e aos
alienados, observando-se a questão da boa ou má-fé do adquirente dentro do prazo de
dez anos.

Efeitos da Declaração de Ausência Definitiva


A declaração de ausência definitiva produz os seguintes efeitos principais:
Presunção de Morte: A principal consequência é a presunção legal da morte do ausente,
para todos os efeitos jurídicos.
Dissolução do Vínculo Conjugal: O casamento do ausente é dissolvido, permitindo ao
cônjuge "sobrevivente" contrair novas núpcias.
Extinção do Poder Familiar: Caso o ausente tenha filhos menores, o poder familiar é
extinto.
Transferência Definitiva da Propriedade: Os herdeiros provisórios tornam-se
proprietários definitivos dos bens do ausente, sendo liberados da obrigação de prestar
caução.
Possibilidade de Registro de Óbito: Com a sentença declaratória da sucessão definitiva,
pode ser lavrado o assento de óbito do ausente.
Início da Contagem de Prazos Prescricionais: Abre-se a contagem de prazos
prescricionais relacionados aos bens do ausente.
Em suma, a declaração de ausência definitiva visa dar segurança jurídica às relações
patrimoniais e familiares do ausente, diante da prolongada incerteza sobre sua existência.
04. O que é a descoberta, prevista nos artigos 1.233 a 1.237, do Código Civil?
Como deve proceder o descobridor quando acha a coisa perdida e qual
destinação deve dar a ela? O descobridor tem algum direito?
R:
A descoberta, prevista nos artigos 1.233 a 1.237 do Código Civil, refere-se ao achado de
coisa alheia perdida. Não se trata de um modo de aquisição de propriedade como a
ocupação (de coisa sem dono), mas sim de um encontro fortuito de um objeto que
pertence a outrem e que, por alguma razão, se encontra extraviado.
Como deve proceder o descobridor:
O artigo 1.233 do Código Civil estabelece a conduta que o descobridor deve adotar:
Restituir ao dono ou legítimo possuidor: A primeira e principal obrigação de quem
encontra uma coisa perdida é devolvê-la ao seu proprietário ou àquele que tinha a posse
legítima sobre ela.
Diligências para encontrar o dono: Caso o descobridor não conheça o dono ou o
possuidor, ele deve realizar diligências razoáveis para tentar encontrá-lo. Isso pode incluir
perguntar nas proximidades do local onde a coisa foi achada, divulgar o achado em redes
sociais ou outros meios, dependendo da natureza e do valor do objeto.
Entrega à autoridade competente: Se, apesar das tentativas, o descobridor não
conseguir encontrar o dono, ele deve entregar a coisa achada à autoridade competente.
No âmbito civil, a "autoridade competente" geralmente é entendida como a autoridade
policial (delegacia) ou, em alguns casos, a Prefeitura Municipal, especialmente se houver
um setor específico para objetos achados e perdidos.
Destinação da coisa perdida:
Uma vez entregue à autoridade competente (artigo 1.236 do Código Civil):
A autoridade dará conhecimento da descoberta através da imprensa e outros meios de
informação, especialmente se o valor da coisa justificar.
Serão expedidos editais, se o valor da coisa for considerável, para que o proprietário
possa reclamá-la.
Se, no prazo de sessenta dias após a divulgação (ou do edital), o proprietário não se
apresentar, a coisa será vendida em hasta pública (leilão).
Do valor obtido na venda, serão deduzidas as despesas e a recompensa devida ao
descobridor (se este a requerer).
O restante do valor pertencerá ao Município em cuja circunscrição a coisa foi
encontrada.
Se a coisa for de diminuto valor, o Município poderá abandoná-la em favor de quem a
achou (artigo 1.237, parágrafo único, do Código Civil).
Direitos do descobridor:
O descobridor tem alguns direitos assegurados pelo Código Civil (artigo 1.234):
Recompensa (achádego): Quem restitui a coisa achada tem direito a uma recompensa
não inferior a cinco por cento do seu valor. O parágrafo único do artigo 1.234 estabelece
que, para determinar o montante da recompensa, será considerado o esforço
desenvolvido pelo descobridor para encontrar o dono, as possibilidades que o dono teria
de encontrar a coisa e a situação econômica de ambos. A recompensa é devida se o
dono reaver a coisa e não optar por abandoná-la.
Indenização pelas despesas: O descobridor também tem direito a ser indenizado pelas
despesas que houver feito com a conservação e o transporte da coisa.
É importante ressaltar que o descobridor responde pelos prejuízos causados ao
proprietário ou possuidor legítimo se tiver procedido com dolo (intenção de causar dano)
(artigo 1.235 do Código Civil).
A apropriação da coisa achada sem tentar devolvê-la ou entregá-la à autoridade
competente, dentro de um prazo razoável (o Código Penal, em seu artigo 169, parágrafo
único, inciso II, menciona o prazo de quinze dias), pode configurar o crime de apropriação
de coisa achada.

05. Qual o procedimento a ser seguido quando entregue a coisa ao juiz? Qual o
foro competente para o procedimento judicial de arrecadação? Como é feita
a divulgação da descoberta e o que deve ser feito por aquele que se intitule o
dono? O que pode ser feito quando ninguém reclamar a coisa?
R:
Quando a coisa perdida é entregue ao juiz, o procedimento a ser seguido é o de jurisdição
voluntária, conforme previsto no artigo 746 do Código de Processo Civil. O juiz deverá:
Autuar o pedido: Registrar a entrega da coisa em um processo judicial.
Determinar a avaliação da coisa: Se necessário, o juiz pode determinar a avaliação do
bem para fins de fixação da recompensa ao descobridor e para as futuras providências.
Ordenar a citação do Ministério Público e da Fazenda Pública: Estes órgãos serão
intimados para manifestarem seu interesse no procedimento.
Determinar a publicação de edital: O juiz mandará publicar edital, com prazo não inferior
a 30 (trinta) dias, anunciando a descoberta para que o dono ou legítimo possuidor possa
reclamá-la. A publicação deve ocorrer na imprensa oficial e, se o valor da coisa justificar,
em outros meios de divulgação.
O foro competente para este procedimento judicial de arrecadação é o do lugar onde a
coisa foi encontrada, conforme interpretação conjunta dos artigos 1.233 e seguintes do
Código Civil e as regras gerais de competência do Código de Processo Civil,
especialmente considerando a natureza do ato (jurisdição voluntária) e a necessidade de
facilitar a reclamação pelo eventual dono.
A divulgação da descoberta é feita por determinação judicial, através da publicação de
edital na imprensa oficial e, se o valor da coisa for considerável, em outros meios de
comunicação. O edital deve conter a descrição da coisa achada, o local onde se encontra
e o prazo para que o proprietário ou legítimo possuidor a reclame.
Aquele que se intitular o dono da coisa deve se apresentar em juízo, dentro do prazo
estabelecido no edital, e provar o seu direito de propriedade ou posse sobre o bem. Ele
deverá fornecer detalhes que permitam a identificação da coisa como sendo sua
(descrição, características particulares, etc.) e apresentar documentos que comprovem
sua alegação (notas fiscais, fotos, testemunhas, etc.). O juiz ouvirá o descobridor, o
Ministério Público e a Fazenda Pública antes de decidir sobre a entrega da coisa.
Quando ninguém reclamar a coisa dentro do prazo estabelecido no edital (que não será
inferior a 60 dias, conforme o artigo 1.236 do Código Civil, contado da divulgação), a coisa
será vendida em hasta pública (leilão judicial). Do valor arrecadado na venda, serão
deduzidas as despesas processuais e a recompensa devida ao descobridor (que não será
inferior a 5% do valor, conforme o artigo 1.234 do Código Civil), se este a tiver requerido.
O restante do valor pertencerá ao Município em cuja circunscrição a coisa foi encontrada.
Se a coisa for de diminuto valor, o Município poderá abandoná-la em favor de quem a
achou (artigo 1.237, parágrafo único, do Código Civil).

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