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Resumo Teoria Da Literatura

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Quando questiona-se “O que é literatura?

” diversas respostas podem ser obtidas,


dependendo a quem a pergunta é dirigida. O senso comum, pessoas que não se ocupam
profissionalmente com literatura, é definida como uma obra escrita, por exemplo romances,
livros de poesia ou de contos. Porém, respostas como essa não são capazes de responder à
pergunta feita. Isso equivale aceitar uma definição difusa e naturalizada. O que equivale
aceitar uma espécie de noção difusa e naturalizada da literatura.
A pergunta inicial, direcionada aos que se ocupam profissionalmente com literatura -
escritores, jornalistas, professores e estudantes de letras - seria também embaraçosa, uma vez
que sua resposta não é óbvia. Esta iria além de um alinhamento de exemplos ou de uma
definição conclusiva. O interrogado partiria do princípio de que a literatura é objeto de uma
problematização ou de um questionamento.
Esse conceito de literatura implica a construção de uma teoria. Uma teoria implica em
criar problema(s) onde determinados pontos passam despercebidos pelo senso comum, pois
demandam o esclarecimento de uma razão analítica. Não é privilégio da literatura a faculdade
de subtrair-se ao reino do óbvio por intervenção de uma teoria. O conceito de teoria ainda em
uma ampla acepção, significa “estudo e análise metódica”. Contudo, quando caracterizamos
teoria de um modo geral, não chegamos a compor uma concepção plena desse conceito.
A produção literária tem sido objeto de teorização, quando empregamos teoria em seu
sentido amplo. O que problematiza pela primeira vez a produção literária é ela própria. Na
cultura ocidental, textos mais antigos como a Ilíada e a Odisseia, de Homero, há passagens
em que a ação narrada aponta sobre a função e a natureza da poesia, bem como sobre o poder
dos discursos. É claro que a “teoria” que consta nesses textos não é a teoria plena e
propriamente dita por não apontar conceitos, não propor definições, não empreende nenhuma
análise, nem discute métodos; apenas levanta brevemente o conceito de poesia e as
representações sociais que ela provoca, usando concepções da poesia e dos mitos.
Em Elogio de Helena, de Górgias, a produção literária se torna objeto de teorização
em sentido próprio. O autor dedicou ao que chamamos hoje de linguagem literária. Mas é
com Platão e Aristóteles que a reflexão sobre obras literárias assume contornos mais
definidos, pelo grau de sistematização que chegaram. Suas contribuições se consolidaram
com a pertinência de conceber que a produção literária era objeto de problematização, pois
segundo eles, jamais deixaria de ocupar-se intelectualmente com as letras e o seu cultivo.
Ao questionar “Pode-se teorizar sobre a literatura?” um estudioso iniciante irá se
deparar com explicações mutuamente contraditórias. Será produtivo fazer certas distinções
que distribuam as teorias propostas em pequenos grupos semelhantes. Podemos admitir dois
grupos básicos de teoria: um de natureza descritiva e outro de natureza normativa. Ainda, é
possível admitir dois outros grupos, um constituído para que a produção possa ser objeto de
estudo sistemático, e outro que se fixa na premissa de que obras literárias, não se prestando a
estudo, sendo apenas objeto de prazer.
Nem todas as construções teóricas correspondem puramente ao tipo normativo ou ao
descritivo. As teorias nem sempre se reduzem de modo esquemático a este ou aquele grupo
de distinção, isso faz com que elas oscilem entre as extremidades apontadas. Historicamente,
na época da clássica grega, em Platão e Aristóteles, predomina a livre reflexão que se dá no
âmbito da filosofia. Ainda na Antiguidade, mas depois da época clássica, o tom normativo
passa a predominar, principalmente pelo elevado prestígio conquistado pela retórica. Na
Idade Média, o normativismo predomina tanto pela conservação dos postulados já existentes,
quanto pelo surgimento de obras semelhantes destinadas a normalizar a produção literária em
diversas línguas que estão em processo de definição, chamados de vulgares. No período
seguinte, época que vai de fins do século XV até o século XVIII, predomina o normativismo,
por obra renascença e seus desdobramentos, filósofos, poetas e tratadistas de retórica e
poética antigos, seus modelos e preceitos devem ser observados por autores modernos. A
partir do século XIX, o romantismo passa a reger a produção literária, com isso a reflexão
sobre as letras e seu cultivo torna-se francamente especulativa, fornecendo o surgimento de
diversas teorias.
A atitude normativa e a descritiva convergem em um ponto: ambas admitem que a
literatura pode tornar-se objeto de estudo. O texto literário suscita apenas a manifestação de
sentimentos, impressões ou juízos emanados da subjetividade dos leitores. Desse modo, as
composições literárias dão margem à formulação de julgamentos subjetivos.
Contrariando a própria tradição, desenvolveu-se uma posição que pretende subtrair o
texto literário a esse circuito analítico, sendo subjetiva e desinteressada de métodos e
conceitos. Essa atitude anti teoria é chamada de impressionismo crítico e busca somente
registrar impressões da leitura, sem submetê-la a um controle conceitual como é feito na
teoria. Esse ponto de vista é defendido por seu principal fundador, Anatole France
(1844-1924).
A questão da disciplina que estuda a produção literária deve ser analisada. Os
currículos acadêmicos dos séculos XIX e XX apontam diversas designações referentes a
disciplinas.
A expressão teoria da literatura tornou-se de uso generalizado somente a partir da
publicação, em 1949, da obra que a tomou por título o outrora famoso Teoria da Literatura,
tratado universitário assinado pelos professores René Wellek (1903-1995) e Austin Warren
(1899-1986). Sendo uma obra de muito sucesso e por seu grande êxito passou a integrar
currículos universitários mundo afora.
A disciplina, teoria da literatura, trata das questões envolvendo literatura de modo
geral. Essa compreensão pressupõe desconhecer a especificidade histórica tanto da teoria da
literatura, quanto das demais disciplinas da relação apresentada, para cobrir tal extensão é
preferível a expressão estudos literários, que não define nenhuma formação disciplinar
historicamente determinada. Outro entendimento equivocado é considerar o estudo da teoria
da literatura como preparatória para o estudo de diversas literaturas nacionais ou clássicas.
Essas concepções, no entanto, estão longe de corresponder à natureza disciplinar da
teoria da literatura, uma vez que esta consiste em determinada modalidade histórica e
conceitualmente distinta de problematizar a literatura, de maneira metódica e aberta a
pluralidade da produção literária e de seus modelos de análise.
Existe uma disciplina conhecida exatamente pelo nome de teoria da literatura, que se
difere das diversas teorias cristalizadas em disciplinas distintas. Para entendê-la é preciso
caracterizar aspectos que implicam na produção literária, apresentando as disciplinas
suscitadas por cada qual.
Existem duas disciplinas surgidas na Grécia Clássica, a retórica e a poética, cujo
objetivo é estabelecer normas e preceitos destinados a orientar o trabalho dos escritores e sua
avaliação crítica.
A retórica surge no século V a.C. com o objetivo de sistematizar os recursos aptos a
dotar de eficiência a argumentação por meio da palavra, bem como próprio para ornamentar
discursos. Divide-se em: invenção (procura do que dizer); disposição (disposição de
determinada ordem da matéria inventada); elocução (expressão de pensamentos por meio de
ornamentos verbais e linguagem adequada do tema tratado); pronunciação (apresentação oral
do discurso) e memória (reintegração do texto em mente). A retórica só perde seu prestígio
nos fins do século XVIII com o advento das ideias românticas.
A poética tem no tratado de mesmo nome escrito por Aristóteles o seu primeiro texto
específico e sistemático. Divide-se em: mímesis (consiste na imitação de objetos e ações por
meio da linguagem); verossimilhança (o compromisso com a realidade que a obra tem);
catarse (efeito de mobilizar os espectadores e leitores) e noções como a tragédia, epopeia,
comédia, etc., destinadas a construir um importante tópicos dos estudos literários.
A retórica e a poética constituem saberes distintos, cabe a primeira regulamentar a
oratória e a prosa escrita, e a segunda, naturalmente, a poesia. No entanto, sempre apresentam
propostas de sincretismo. Com o passar do tempo, não houve uma conservação dos saberes
de retórica e poética, tornando-se obsoletas. A retórica, antes uma disciplina fundamental,
passou a ser considerada meramente ornamental. Já a poética conhecerá uma espécie de
renascimento em fins do século XIX com a concepção de “arte poética” por Paul Verlaine
(1844-1896), a palavra poética acabou se desvencilhando de sua concepção clássica - passou
a ser usada para designar a disciplina geral dedicada ao estudo da literatura.
As composições literárias prestam-se a avaliação por seus destinatários. De início,
essas avaliações permaneciam como senso comum, cedo transformaram-se em objetos de
prática intelectual, em Dionísio Trácio, gramático grego dos séculos II-I a.C., encontramos
uma clara demonstração disso. Crítica tornou-se um termo que designa a aferição
especializada em composições literárias quanto ao seu valor. Com o passar do tempo houve
uma renovação de seus fundamentos, mas atualmente é definida como um projeto aspirante a
objetividade científica, paralelo à concepção do ato crítico como pura fruição subjetiva. A
expressão crítica literária, âmbito acadêmico passou a ser empregada para designar o estudo
analítico a textos específicos, ora, como sinônimo de teoria da literatura.
Os estudos literários acompanharam as mudanças ocorridas no século XIX, por
influência do nacionalismo, do romantismo, do historicismo e do cientificismo. A pesquisa
passa a valorizar as particularidades nacionais, ao mesmo tempo que torna-se historicista. A
produção literária passa a ter influência tanto daquele que escreve, quanto a sua vida e
personalidade, como também do contexto social da obra. Com a renegação da retórica e da
poética, instala-se um conceito moderno chamado história literária, destinada às noções
clássicas de boas letras, individualizando as tradições literárias. Tais expressões passaram a
designar textos produzidos em determinado estado-nação, por exemplo em vez de história da
literatura brasileira, diz-se em forma mais sintética: literatura brasileira.
A palavra literatura passa a designar o currículo das instituições de ensino da
educação básica com a iniciação aos estudos literários. Literatura comparada destina-se às
relações entre literatura nacional diversa em intercâmbio, de temas, motivos e tradições. Por
fim, a expressão ciência literária equivale a teoria da literatura.

Escrito por Felipe Ribeiro Oliveira

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