A CRISE ENERGÉTICA E OS CAMINHOS PARA O ENFRENTAMENTO SUSTENTÁVEL
A crise energética é um fenómeno que ocorre quando o abastecimento de energia de um
país se torna insuficiente para atender à sua demanda interna. Esse desequilíbrio pode
causar apagões, aumento no custo da energia, impactos económicos e sociais severos.
Embora tenha ganhado maior visibilidade nas últimas décadas, trata-se de um problema
recorrente em várias partes do mundo. Segundo Goldemberg (2008), crises energéticas
estão frequentemente ligadas à dependência excessiva de fontes não renováveis e à
ausência de planeamento energético de longo prazo.
No contexto actual, marcado pela transição energética e pelas alterações climáticas, é
necessário repensar o modelo de produção e consumo de energia. A melhor forma de lidar
com a crise energética, segundo Sachs (2015), é investir numa estratégia de transição
baseada na sustentabilidade e na eficiência, com foco em três pilares principais:
diversificação da matriz energética, uso de fontes renováveis e promoção da eficiência
energética.
A diversificação da matriz energética é fundamental para reduzir a vulnerabilidade do
sistema energético nacional a choques externos. Como defende Tolmasquim (2016), uma
matriz energética diversificada é mais estável, resiliente e menos poluente. Países que
apostaram na integração de múltiplas fontes – como solar, eólica, hídrica e biomassa – têm
conseguido minimizar os riscos de desabastecimento e mitigar impactos ambientais
negativos.
O uso de fontes renováveis de energia, como energia solar e eólica, é outro pilar
indispensável. De acordo com Pinguelli Rosa (2004), as energias renováveis oferecem
vantagens ambientais e económicas, além de representar uma solução viável para regiões
com abundância de recursos naturais. Em países como Moçambique, com elevado potencial
solar e hídrico, esta é uma oportunidade estratégica para promover segurança energética e
inclusão social.
A eficiência energética é apontada por Lovins (2005) como a forma mais rápida e económica
de enfrentar a crise. Isso inclui a utilização de tecnologias eficientes, redução de perdas na
transmissão de energia, edifícios sustentáveis, sistemas inteligentes de gestão e mudança
de hábitos de consumo por parte da população.
Também é importante destacar o papel da educação energética e do planeamento público
integrado, como afirmam Sachs e Sant’Anna (2001), pois uma população consciente dos
seus hábitos de consumo pode contribuir significativamente para a redução do desperdício
energético.
Portanto, a crise energética não deve ser vista apenas como um problema técnico ou
momentâneo, mas como um desafio sistémico que exige mudanças estruturais no modo de
produção e consumo de energia. Através de uma abordagem sustentável, inovadora e
inclusiva, é possível construir um sistema energético mais seguro, acessível e
ambientalmente responsável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Goldemberg, J. (2008). Energia: o estado da arte. São Paulo: Editora Unesp.
Pinguelli Rosa, L. (2004). Energia e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ.
Sachs, I. (2015). Rumo à Ecossocioeconomia: Teorias e Práticas do Desenvolvimento. São
Paulo: Cortez.
Sachs, I.; Sant’Anna, L. B. (2001). Planeamento Energético e Desenvolvimento Sustentável.
Brasília: IPEA.
2.
COMO OS TRANSGÉNICOS PODEM AFECTAR O MEIO AMBIENTE
A discussão sobre os organismos geneticamente modificados (OGMs), também conhecidos
como transgénicos, levanta preocupações válidas, principalmente quando pensamos na sua
libertação no meio ambiente e nas consequências ecológicas a médio e longo prazo. Como
estudante interessado nos impactos ambientais da produção agrícola, vejo a necessidade
de reflectirmos criticamente sobre essa questão.
Os transgénicos são plantas ou animais cujo material genético foi artificialmente modificado
para incorporar características específicas, como resistência a pragas, tolerância a
herbicidas ou aumento da produtividade. Embora muitos cientistas defendam os benefícios
dessa tecnologia, os riscos ambientais ainda são alvos de intensos debates. Segundo Altieri
(2004), um dos principais problemas ambientais associados aos transgénicos é a
possibilidade de contaminação genética de espécies silvestres por meio da polinização
cruzada, o que pode afectar a biodiversidade local.
Outro ponto crítico é a emergência de pragas e ervas daninhas resistentes. Quando culturas
transgénicas resistentes a herbicidas ou insectos são utilizadas repetidamente, isso pode
acelerar o surgimento de organismos que não são mais controlados pelos métodos
convencionais. Conforme aponta Shiva (2001), essa resistência gera um ciclo de
dependência de agro-tóxicos mais potentes, agravando ainda mais os impactos ambientais.
Além disso, há preocupações sobre os efeitos imprevisíveis no solo e nos microrganismos
benéficos. Pesquisas indicam que resíduos de plantas transgénicas podem alterar a
composição microbiana do solo e afectar o equilíbrio ecológico subterrâneo (Carvalho,
2011).
Embora os defensores da biotecnologia afirmem que os transgénicos podem contribuir para
a segurança alimentar global, é fundamental lembrar que o progresso tecnológico deve
caminhar lado a lado com a precaução e a sustentabilidade. O Protocolo de Cartagena
sobre Biossegurança, do qual Moçambique é signatário, enfatiza a importância da avaliação
de riscos antes da introdução de OGMs no meio ambiente, justamente para prevenir danos
irreversíveis.
Portanto, acredito que o uso de transgénicos deve ser acompanhado de rigorosos critérios
científicos, éticos e ambientais. A liberação indiscriminada de OGMs pode trazer
consequências negativas para os ecossistemas naturais e para a agricultura tradicional,
especialmente nos países em desenvolvimento. Portanto, é nosso dever questionar, estudar
e debater este tema com base em dados científicos confiáveis e preocupações reais com a
sustentabilidade do planeta.
Referências bibliográficas
Altieri, M. A. (2004). Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. Porto
Alegre: Editora UFRGS.
Carvalho, W. (2011). Biotecnologia e meio ambiente: riscos dos transgénicos. São Paulo:
Ed. Fundação Perseu Abramo.
Shiva, V. (2001). Biopirataria: o saque da natureza e do conhecimento. São Paulo: Editora
Petrópolis.