Acidente Vascular
Cerebral
D I S C I P L I N A D E F I S I O T E R A P I A
N E U R O F U N C I O N A L
P R O F . M S C . J O S I A N E F . D I M E R
AVC x AVE
Ambos os termos, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e AVE (Acidente Vascular Encefálico), são
utilizados para se referir ao mesmo evento, que é a interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte
do cérebro, resultando em danos cerebrais. No entanto, há algumas nuances:
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Uso Comum: AVC é o termo mais amplamente utilizado no Brasil e em outros países . É o termo
mais familiar para profissionais de saúde e para o público em geral.
Popularidade: Em materiais educativos, orientações de saúde pública e na maioria dos contextos
clínicos, AVC é o termo preferido.
Acidente Vascular Encefálico (AVE)
Uso Menos Frequente: AVE é menos comum e pode ser encontrado em alguns contextos
acadêmicos ou em outros países de língua portuguesa.
Precisão: O termo "encefálico" pode ser considerado mais técnico, uma vez que a palavra
"encefálico" se refere especificamente ao cérebro (encéfalo), abrangendo todas as suas partes. No
entanto, é menos utilizado no dia a dia.
Escolha do Termo
Portanto, para a maioria das situações, especialmente em contextos clínicos e educativos no Brasil, o
termo AVC é o mais apropriado e amplamente reconhecido.
CONCEITO
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma condição
neurológica caracterizada pela interrupção súbita do
fluxo sanguíneo para o cérebro, resultando em dano
tecidual. Essa interrupção pode ser causada por um
bloqueio (AVC isquêmico) ou pela ruptura de um vaso
sanguíneo (AVC hemorrágico). O AVC é uma das
principais causas de morte e incapacidade no mundo,
e sua compreensão é crucial para a atuação efetiva dos
fisioterapeutas na reabilitação dos pacientes.
EPIDEMIOLOGIA
O AVC é uma das principais causas de morbidade e mortalidade global. Estima-se que, a cada ano,
cerca de 15 milhões de pessoas no mundo sofram um AVC, dos quais 5 milhões morrem e outros 5
milhões ficam permanentemente incapacitados.
No Brasil, o AVC é a segunda maior causa de morte e uma das principais causas de incapacidade em
adultos. A prevalência é maior em idosos, mas o número de casos em jovens tem aumentado,
principalmente devido a fatores de risco como hipertensão, diabetes, e estilo de vida sedentário.
CLASSIFICAÇÃO DO AVC
O AVC é classificado em dois tipos principais:
AVC Isquêmico: Responsável por cerca de 85% dos casos, ocorre quando
há uma obstrução em uma artéria que interrompe o fluxo sanguíneo para
uma parte do cérebro. Essa obstrução pode ser causada por um trombo
(coágulo que se forma em uma artéria cerebral) ou um êmbolo (coágulo
que se forma em outra parte do corpo e viaja até o cérebro).
AVC Hemorrágico: Representa aproximadamente 15% dos casos e
ocorre quando um vaso sanguíneo no cérebro se rompe, causando
sangramento intracerebral. Este tipo de AVC está frequentemente
associado à hipertensão arterial e à ruptura de aneurismas.
CAUSAS ASSOCIADAS A TIPOLOGIA
AVC Isquêmico
O AVC isquêmico ocorre devido à oclusão de uma artéria cerebral, levando à isquemia (falta de oxigenação) do tecido cerebral. Esse processo
pode resultar de:
Trombose: Formação de um coágulo dentro de uma artéria que abastece o cérebro, geralmente em áreas de aterosclerose.
Embolia: Deslocamento de um coágulo, geralmente formado no coração ou em grandes artérias, que viaja até uma artéria cerebral e a obstrui.
Isquemia transitória: Episódios breves de obstrução que podem preceder um AVC completo, conhecidos como Ataques Isquêmicos Transitórios
(AITs). Sintomas se resolvem em menos de 24 horas.
AVC Hemorrágico
O AVC hemorrágico resulta da ruptura de um vaso sanguíneo, levando ao extravasamento de sangue para dentro do tecido cerebral ou ao redor
dele. As principais causas incluem:
Hipertensão arterial: Que pode enfraquecer as paredes arteriais ao longo do tempo.
Aneurismas: Dilatações anormais em artérias cerebrais que podem se romper.
Malformações arteriovenosas: Conexões anormais entre artérias e veias que são frágeis e propensas à ruptura.
Uso de Anticoagulantes: Medicamentos que afinam o sangue podem aumentar o risco de hemorragias cerebrais.
FATORES DE RISCO E PREDISCPOSIÇÃO
Dislipidemia: Níveis
Hipertensão Diabetes elevados de colesterol
Tabagismo: Promove a
Arterial: Principal fator de Mellitus: Contribui para a LDL e triglicerídeos
aterosclerose e aumenta a
risco para AVC isquêmico aterosclerose e aumentam o risco de
viscosidade sanguínea.
e hemorrágico. fragilidade vascular. formação de placas
ateroscleróticas.
Doenças Idade Avançada e Sexo Estilo de Vida
História Familiar e
Cardíacas: Fibrilação Masculino: Maior Sedentário e Dieta Não
Genética: Predisposição
atrial e outras arritmias incidência de AVC em Saudável: Contribuem
genética pode aumentar
favorecem a formação de indivíduos mais velhos e para obesidade,
o risco.
êmbolos. homens. hipertensão e diabetes.
FISIOPATOLOGIA - DÉFICITS
A fisiopatologia do Acidente Vascular Cerebral (AVC) envolve uma série de eventos biológicos que resultam na
interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, levando à morte neuronal e a déficits funcionais.
As consequências do AVC dependem da localização e da extensão da lesão cerebral. Podem incluir:
Déficits Motores: Hemiplegia ou hemiparesia, afetando um lado do corpo.
Déficits Sensoriais: Perda de sensibilidade ou percepção alterada.
Alterações Cognitivas e Comportamentais: Dificuldades na linguagem (afasia), memória, e alterações de
humor.
Comprometimento do Equilíbrio e Coordenação: Especialmente se o cerebelo estiver envolvido.
Problemas Visuais: Como hemianopsia ou diplopia.
FISIOPATOLOGIA - MECANISMOS
A interrupção do fluxo sanguíneo cerebral desencadeia uma cascata de eventos bioquímicos e celulares que levam
à morte neuronal. Os principais mecanismos incluem:
Isquemia Celular: A falta de oxigênio e nutrientes impede o funcionamento normal das células cerebrais, levando à
disfunção e morte celular.
Excitotoxicidade: A isquemia leva à liberação excessiva de neurotransmissores excitadores, como o glutamato, que
sobrecarregam os receptores neuronais, resultando em entrada excessiva de íons cálcio e danos celulares.
Estresse Oxidativo: A reperfusão (restabelecimento do fluxo sanguíneo) pode causar a formação de radicais livres,
que danificam proteínas, lipídios e DNA celular.
Inflamação: A resposta inflamatória pós-AVC envolve a ativação de células gliais e a liberação de citocinas pró-
inflamatórias, exacerbando a lesão tecidual.
Apoptose e Necrose: As células cerebrais podem morrer por necrose (morte celular não programada) ou apoptose
(morte celular programada), dependendo da gravidade e duração da isquemia.
Edema Cerebral: O acúmulo de líquido no tecido cerebral pode aumentar a pressão intracraniana, agravando a
lesão neuronal e levando a complicações secundárias.
FISIOPATOLOGIA - LOCALIZAÇÃO
A localização da lesão cerebral no AVC influencia diretamente os sintomas apresentados pelo paciente. As
principais áreas cerebrais afetadas incluem:
Artéria Cerebral Média (ACM): Responsável pelo suprimento sanguíneo à maior parte do lobo frontal,
parietal e temporal. AVC na ACM pode resultar em hemiparesia contralateral, afasia (se o hemisfério
dominante estiver envolvido), e hemianopsia.
Artéria Cerebral Anterior (ACA): Fornece sangue ao lobo frontal e parietal medial. AVC na ACA pode causar
hemiparesia contralateral, com maior impacto nos músculos inferiores, e alterações comportamentais ou
emocionais.
Artéria Cerebral Posterior (ACP): Suprimento sanguíneo ao lobo occipital e partes do lobo temporal. AVC na
ACP pode levar a déficits visuais como hemianopsia homônima e agnosia visual.
Artéria Basilar e suas Ramos: Afeta o tronco encefálico e o cerebelo. AVC nessas áreas pode causar déficits
motores e sensoriais bilaterais, disartria, diplopia, e problemas de equilíbrio.
Artérias Periféricas e Pequenos Vasos: Envolvidas em lacunas lacunares, que podem causar déficits motores
e sensitivos menores, como fraqueza unilateral ou paresia facial.
Área de Isquemia e Área de Penumbra
Em um AVC isquêmico, existe uma distinção entre a área central
de isquemia (núcleo) e a área periférica que ainda recebe algum
suprimento sanguíneo (zona de penumbra).
Núcleo: Área de tecido cerebral que sofre necrose irreversível
devido à falta prolongada de fluxo sanguíneo.
Zona de Penumbra: Região adjacente ao núcleo que está em
risco de infarto, mas ainda pode ser salva se o fluxo sanguíneo
for restabelecido rapidamente. A intervenção terapêutica visa
preservar essa área para minimizar os danos.
COMO IDENTIFICAR O AVC
Os sintomas de um AVC podem aparecer de repente e incluem:
Fraqueza ou Dormência: Geralmente em um lado do corpo. Pode afetar o rosto, braço ou perna.
Dificuldade para Falar: A pessoa pode ter dificuldade para falar, entender a fala ou apresentar fala
arrastada e confusa.
Perda de Visão: Visão em um ou ambos os olhos pode ser afetada, com perda de visão ou visão dupla.
Dificuldade de Movimentação: Perda de coordenação e equilíbrio, dificuldade para caminhar ou falta
de coordenação.
Dor de Cabeça Súbita e Severa: Muitas vezes descrita como a pior dor de cabeça da vida do paciente,
especialmente no caso de AVC hemorrágico.
Tontura ou Vertigem: Sensação de rotação ou desequilíbrio, que pode estar acompanhada de náuseas.
CAMPANHAS DE IDENTIFICAÇÃO AVC
Sinal de FAST
A abordagem mais comum para identificar um AVC é o acrônimo FAST, que pode ajudar a
lembrar os sinais mais comuns:
F (Face - Face): Peça à pessoa para sorrir. Observe se um lado do rosto cai ou se a pessoa
tem dificuldade para sorrir de forma simétrica.
A (Arms - Braços): Peça à pessoa para levantar ambos os braços. Veja se um dos braços
tende a cair ou se há fraqueza em um dos lados.
S (Speech - Fala): Peça à pessoa para repetir uma frase simples. Note se a fala está confusa
ou se a pessoa tem dificuldade para falar claramente.
T (Time - Tempo): Se qualquer um desses sinais estiver presente, é importante procurar
ajuda médica imediatamente. O tempo é essencial para o tratamento efetivo do AVC.
• https://br-pt.fastheroes.com
EXAMES NO AVC
Após a identificação inicial dos sintomas, o diagnóstico definitivo é feito por meio de exames:
Tomografia Computadorizada (TC): Geralmente é o primeiro exame realizado para identificar
se há hemorragia cerebral e para avaliar a extensão do dano.
Ressonância Magnética (RM): Fornece imagens mais detalhadas do cérebro e pode identificar
infartos cerebrais que não aparecem na TC.
Angiografia Cerebral: Utilizada para visualizar as artérias cerebrais e detectar obstruções ou
malformações.
Ultrassonografia das Carótidas: Avalia a presença de placas ateroscleróticas nas artérias
carótidas, que podem contribuir para AVC isquêmico.
TROMBOEMBOLÍT ICO NA JANELA TERAPÊUT ICA
Os trombolíticos, como o alteplase (rt-PA), são medicamentos usados para dissolver coágulos sanguíneos que bloqueiam o
fluxo sanguíneo para o cérebro durante um AVC isquêmico. O uso desses medicamentos é altamente eficaz, mas também
está associado a riscos, como hemorragia, por isso deve ser administrado dentro de uma janela de tempo específica.
Tempo Ideal: A janela terapêutica para a administração de trombolíticos é geralmente de até 4,5 horas após o início dos
sintomas do AVC. Dentro deste período, o tratamento é mais eficaz, pois a extensão do dano cerebral é menor.
Primeiras 3 Horas: O tratamento dentro das primeiras 3 horas após o início dos sintomas é considerado o mais seguro e
eficaz. Estudos mostram que a administração de trombolíticos dentro desse período pode reduzir significativamente a
gravidade do AVC e melhorar as chances de recuperação funcional.
3 a 4,5 Horas: Embora ainda eficaz, a administração de trombolíticos entre 3 e 4,5 horas deve ser feita com mais cautela, pois
o risco de complicações, como hemorragia intracerebral, começa a aumentar.
Critérios de Inclusão e Exclusão
Critérios de Inclusão: Pacientes devem ser avaliados para garantir que se encaixem nos critérios para o uso de trombolíticos. Isso inclui a
confirmação de AVC isquêmico por meio de exames de imagem (como TC) e a exclusão de contraindicações (por exemplo,
hemorragias).
Critérios de Exclusão: Pacientes com histórico de sangramento recente, hipertensão descontrolada, ou uso recente de anticoagulantes
são geralmente excluídos da terapia com trombolíticos.
Benefícios do Uso
Redução da Mortalidade e Morbidade: O uso de trombolíticos dentro da janela terapêutica pode reduzir a mortalidade e a morbidade
associadas ao AVC, aumentando as chances de uma recuperação completa ou quase completa.
Prevenção de Deficiências Permanentes: Pacientes tratados com trombolíticos têm maior probabilidade de recuperar a independência
nas atividades da vida diária e de evitar deficiências permanentes.
Riscos Associados
Hemorragia Intracerebral: O risco mais grave associado ao uso de trombolíticos é a hemorragia intracerebral, que pode ocorrer em até
6% dos casos. Este risco aumenta com o tempo após o início dos sintomas e com a presença de certos fatores de risco, como
hipertensão severa.
Necessidade de Monitoramento Cuidadoso: Após a administração do trombolítico, os pacientes devem ser monitorados de perto em
uma unidade de cuidados intensivos para detectar sinais precoces de complicações.
PACIENTE CRÍT ICO COM AVC NA UT I
Gerenciamento Suporte
Características Monitoramento
Avançado de Respiratório
comuns: Intensivo
Complicações Avançado
Monitoramento Neurológico
Alteração do Nível de Contínuo: Utilização de tecnologias Controle do Edema Cerebral: Uso Ventilação
Consciência: Pacientes podem avançadas, como monitoramento de agentes osmóticos, como Mecânica: Administração de
estar em coma ou com níveis de pressão intracraniana e manitol ou solução salina ventilação mecânica invasiva ou não
reduzidos de consciência, exigindo electroencefalografia (EEG) hipertônica, e monitoramento invasiva, com ajustes frequentes
vigilância constante e cuidados contínua, para avaliar a função rigoroso da pressão intracraniana baseados nas necessidades
especializados. cerebral e detectar mudanças para manejar o edema cerebral. respiratórias do paciente.
precoces.
Controle Rigoroso dos Sinais Cuidados com a
Instabilidade Tratamento de Complicações
Vitais: Monitoramento contínuo da Ventilação: Implementação de
Hemodinâmica: Flutuações pressão arterial, frequência Secundárias: Intervenção para fisioterapia respiratória para
significativas na pressão arterial, tratar infecções secundárias,
cardíaca, saturação de oxigênio, e prevenir complicações pulmonares,
frequência cardíaca e outras outros parâmetros hemodinâmicos trombose venosa profunda, úlceras como pneumonia associada à
variáveis hemodinâmicas que de pressão e outras complicações
para detectar e tratar rapidamente ventilação, e promover a
necessitam de controle rigoroso. qualquer instabilidade. comuns em pacientes críticos. recuperação respiratória.
Mobilização Precoce: primeiras 24
Análise Laboratorial Suporte Nutricional e horas após o AVC, pode prevenir
Comprometimento
Frequente: Testes regulares para Metabólico: Monitoramento e complicações secundárias, como
Respiratório: Necessidade de avaliar a função renal, hepática, suporte nutricional intensivo,
suporte respiratório avançado, trombose venosa profunda, e
eletrólitos e outros parâmetros incluindo alimentação enteral ou melhorar os resultados funcionais a
como ventilação mecânica, devido críticos para ajustar o tratamento parenteral, e manejo de
a dificuldades respiratórias severas. longo prazo. Isso pode incluir
conforme necessário. desequilíbrios metabólicos. atividades leves na cama, exercícios
passivos e mudanças de posição.
Complicações
Multissistêmicas: Presença de
múltiplas complicações, como
infecções, disfunção renal ou
hepática, que complicam o
tratamento.
QUADRO CLÍNICO
Déficits Motores: Déficits Sensoriais: Déficits Cognitivos e Alterações Visuais: Alterações no
Comportamentais: Equilíbrio e
Coordenação:
Hemiplegia ou Anestesia ou Afasia: Dificuldade na Hemianopsia: Perda de visão Vertigem e Tontura: Sensação
Hemiparesia: Paralisia ou Hipoestesia: Perda total ou comunicação, que pode se em metade do campo visual de rotação ou desequilíbrio,
fraqueza em um lado do parcial da sensibilidade em manifestar como de um ou ambos os olhos. que pode ser acompanhada
corpo, geralmente oposto à uma parte do corpo. incapacidade de falar (afasia Diplopia: Visão dupla, que por náuseas.
área do cérebro afetada. Parestesia: Sensações expressiva) ou de entender pode ocorrer quando os Disartria: Dificuldade em
Fasciculações ou anormais como formigamento (afasia receptiva). músculos oculares estão articular palavras devido a
Espasticidade: Contrações ou dormência. Agnosia: Incapacidade de enfraquecidos ou mal problemas musculares na face
involuntárias e aumento do reconhecer objetos, pessoas coordenados. ou língua.
tônus muscular podem ou sons.
ocorrer, especialmente após Apraxia: Dificuldade em
o AVC agudo. realizar movimentos
Ataxia: Falta de coordenação voluntários, apesar de não
motora, especialmente se o haver paralisia.
cerebelo for afetado.
ESTÁGIOS DE RECUPERAÇÃO DO AVC
1. Estágio flácido
Persistência da hipotonia, havendo perda motora geral e perda sensorial severa. O braço fica mole e
caído e o paciente não consegue firmar-se devido à fraqueza muscular e ao baixo tônus muscular,
sendo o mais incapacitante dos 3 estágios.
2. Estágio de recuperação
Evolução para o tônus normal, permanecendo na generalidade uma leve incapacidade.
3. Estágio espástico
Evolução para a hipertonia, a recuperação da função motora com uma evolução para a espasticidade
é bastante frequente. Há uma recuperação inicial dos movimentos proximais dos membros. O tônus
muscular aumentado conduz à espasticidade que se apresenta nos músculos antigravíticos .Este
tônus muscular é diferente em cada indivíduo, influenciando a qualidade do movimento.
HEMINEGLIGÊNCIA - PUSHER
A Síndrome de Pusher (SP) é uma alteração perceptual presente em 10% dos casos de hemiparesia
Principal disfunção neurofuncional secundária ao AVC, caracterizada pela alteração da percepção da verticalidade.
Como resultado, o indivíduo acometido se empurra para o lado mais afetado, principalmente, quando há contato ou
a tentativa de correção passiva de seu alinhamento corporal. Em outras palavras, o paciente não possui a
capacidade de perceber o correto posicionamento de seu corpo no espaço e tem a sensação constante de queda
em direção ao lado menos afetado. Desta forma, a tendência é de se empurrar em direção ao hemicorpo mais
afetado pelo AVC, com a intenção (equivocada) de corrigir posturas e evitar quedas.
Queda para o lado parético, comportamento de empurrar-se para o lado acometido com o hemicorpo não parético
e resistência à correção externa
O tratamento fisioterapêutico deve ter como base a estimulação dos sistemas visual, proprioceptivo e vestibular,
com o objetivo de fornecer ao paciente correta percepção a respeito do posicionamento do corpo no espaço.
PROGNÓST ICO – FATORES A CONSIDERAR
O prognóstico de um paciente após um AVC pode variar amplamente, dependendo de diversos fatores:
Idade: Pacientes mais jovens tendem a ter um prognóstico melhor devido à maior capacidade de neuroplasticidade. No entanto, idosos
podem apresentar maior número de comorbidades, o que pode complicar a recuperação.
Localização do AVC: A área do cérebro afetada pelo AVC tem um impacto significativo no prognóstico. Por exemplo, lesões no
hemisfério dominante (geralmente o esquerdo) podem levar a déficits de linguagem mais graves, enquanto lesões no cerebelo podem
afetar gravemente a coordenação e o equilíbrio.
Gravidade do AVC: A gravidade inicial, frequentemente medida por escalas como a NIHSS, está diretamente relacionada com os
resultados funcionais. AVCs mais graves tendem a resultar em déficits neurológicos mais pronunciados e persistentes.
Tempo até o Início do Tratamento: A intervenção precoce, especialmente em casos de AVC isquêmico, está associada a melhores
desfechos. O conceito de "tempo é cérebro" reflete a importância de minimizar o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento.
Comorbidades: Condições pré-existentes, como diabetes, hipertensão, e doenças cardíacas, podem complicar a recuperação e
aumentar o risco de novos eventos vasculares.
Nível de Consciência: Pacientes que permanecem em coma ou com níveis de consciência reduzidos após o AVC têm um prognóstico
mais reservado.
PROGNÓSTICO - REABILITAÇÃO
A reabilitação após um AVC não se limita ao período imediatamente posterior ao evento. A recuperação pode continuar por meses ou
anos, dependendo da gravidade do AVC e da resposta do paciente à reabilitação. Alguns pontos importantes incluem:
Continuidade dos Cuidados: A transição do ambiente hospitalar para a reabilitação ambulatorial ou domiciliar deve ser bem
planejada para garantir a continuidade dos cuidados. Isso inclui o acompanhamento regular com fisioterapeutas, terapeutas
ocupacionais, fonoaudiólogos, e médicos.
Adaptações Funcionais: Muitos pacientes podem necessitar de adaptações em casa e no ambiente de trabalho para compensar as
limitações físicas e funcionais. Isso pode incluir a instalação de barras de apoio, rampas, e outros dispositivos de assistência.
Prevenção de Recorrência: A reabilitação deve incluir estratégias para reduzir o risco de novos AVCs, como controle rigoroso da
pressão arterial, gestão do colesterol, cessação do tabagismo, e promoção de uma dieta saudável e atividade física regular.
Suporte Psicológico: O suporte emocional e psicológico é crucial, uma vez que muitos pacientes podem enfrentar depressão,
ansiedade, e frustração devido às limitações impostas pelo AVC. A inclusão de psicólogos ou terapeutas é recomendada.
Qualidade de Vida: O objetivo final da reabilitação a longo prazo é melhorar a qualidade de vida do paciente, permitindo que ele
recupere a maior independência possível e participe ativamente em sua comunidade e atividades sociais.
TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR
Neurologista /
Neurocirurgião/
Cardiologista
Nutricionista Enfermagem
Psicólogo Fisioterapeuta
Terapeuta
Fonoaudiólogo
Ocupacional
Assistente
social
COMO MOBILIZAR
O PACIENTE COM
AVC
AUXILIAR DE COMUNICAÇÃO
FISIOTERAPIA NO AVC
Neuroplasticidade: A base da reabilitação fisioterapêutica é a neuroplasticidade, ou a capacidade do cérebro de reorganizar-se e formar novas conexões neurais após a lesão. O
treinamento intensivo e específico das atividades pode ajudar a estimular essa adaptação.
Treinamento de Marcha: Utilização de dispositivos de assistência, como barras paralelas, andadores ou órteses, para melhorar a capacidade de deambulação.
Exercícios de Mobilização: Incluem exercícios passivos, ativos e resistidos para melhorar a amplitude de movimento, força e coordenação dos membros afetados.
Exercícios de Fortalecimento: Foco na recuperação da força muscular nos membros afetados
Treinamento Funcional: Foca na recuperação das habilidades necessárias para atividades diárias, como vestir-se, comer e usar o banheiro, utilizando tarefas simuladas ou reais.
Treinamento de Equilíbrio: Inclui exercícios e técnicas para melhorar o equilíbrio estático e dinâmico, como exercícios em superfícies instáveis e treinamento com feedback visual e
proprioceptivo.
Treinamento de Postura: Foca em melhorar a postura e o alinhamento corporal para prevenir deformidades e melhorar a função motora geral.
Treinamento Cognitivo: Atividades e exercícios para melhorar funções cognitivas afetadas, como atenção, memória e resolução de problemas.
Reabilitação Perceptiva: Trabalha para melhorar a percepção sensorial e a integração sensório-motora, abordando déficits na percepção do corpo e do ambiente.
Reeducação Postural e Equilíbrio: Exercícios que visam melhorar a postura e o controle do tronco, fundamentais para a realização de atividades diárias e prevenção de quedas.
Treinamento Cognitivo e de Atividades da Vida Diária (AVDs): Inclui o ensino e a prática de técnicas compensatórias para realizar tarefas diárias, como vestir-se, alimentar-se e
realizar higiene pessoal.
TERAPIAS DE REABILITAÇÃO ESPECÍFICA
Terapia de Reabilitação com Realidade Virtual (RV): Utiliza ambientes virtuais interativos para promover a prática de habilidades
motoras e cognitivas de forma envolvente e segura.
Terapia de Robótica: Utiliza dispositivos robóticos para fornecer suporte e feedback durante exercícios de reabilitação, ajudando a
promover a recuperação do movimento e da força muscular.
Terapia de Restrição e Indução ao Movimento (CIMT): Técnica que envolve a restrição do uso do membro não afetado para estimular
o uso do membro afetado, promovendo recuperação motora.
Técnicas de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF): Utilização de padrões de movimento específicos e estímulos sensoriais
para melhorar a coordenação e a força muscular.
Estimulação Elétrica Funcional (FES): Aplicação de correntes elétricas de baixa intensidade para ativar músculos paralisados ou
enfraquecidos, facilitando a realização de movimentos funcionais.
BOBATH: Utiliza de pontos chaves para trabalhar padrões funcionais
Hidroterapia: Recursos do meio hídrico para potencializar o tratamento
Terapia espelho: neurônios-espelho estão em atividade quando o indivíduo realiza uma atividade motora e como quando observa
uma atividade motora similar de outro
Terapias de suspensão: Uso de dispositivos auxiliares para ortostase e marcha
ATENÇÃO
EXERCÍCIOS PARA RECUPERAÇÃO MOTORA E FUNCIONAL
FOCADOS NO DESEMPENHO DA AVALIAÇÃO
TRABALHAR DIFICULDADES E TAMBÉM AS
POTENCIALIDADES
Essa aula possui
continuidade com a tema
condutas e manuseios
fisioterapêuticos no AVC
REFERÊNCIAS
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• KELLEHER, L.; PIERCE, R.; MILLER, A. Impact of Early Mobilization on Functional Outcomes in Stroke Patients: A Systematic Review. Stroke, v.
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