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Friedrich Nietzsche

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PESSIMISMO FILOSÓFICO: FRIEDRICH NIETZSCHE

1. Introdução – Vida e Formação de Friedrich Nietzsche

Nascimento e Contexto Familiar:

●​ Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, na cidade de Röcken, na


Prússia (atual Alemanha).
●​ Filho de um pastor luterano, cresceu em um ambiente profundamente religioso e rígido.
●​ Seu pai morreu quando ele tinha apenas cinco anos, o que causou grande impacto
emocional e existencial.

Educação e Reconhecimento Precoce:

●​ Ainda jovem, destacou-se por sua habilidade em línguas clássicas e interesse por filosofia.
●​ Aos 24 anos, tornou-se professor de Filologia Clássica na Universidade da Basileia
(Suíça), um feito notável por sua juventude.

Saúde Frágil e Vida Nômade:

●​ Sofria com problemas crônicos de saúde, como fortes dores de cabeça e dificuldades de
visão, o que o levou a se aposentar precocemente em 1879.
●​ Após deixar o cargo acadêmico, viveu como nômade entre Suíça, Itália e França,
dedicando-se exclusivamente à escrita filosófica.

Obra, Reconhecimento Póstumo e Morte:

●​ Sua obra é marcada por uma crítica radical à moral cristã, à tradição filosófica ocidental e
aos valores burgueses.
●​ Seus principais conceitos são: vontade de potência, eterno retorno, Übermensch
(além-do-homem) e "Deus está morto".
●​ Em 1889, teve um colapso mental em Turim, possivelmente causado por sífilis terciária.
●​ Passou seus últimos anos sob os cuidados da mãe e depois da irmã.
●​ Morreu em 25 de agosto de 1900, em Weimar, aos 55 anos.

Legado Filosófico:

●​ Foi pouco reconhecido em vida, mas tornou-se um dos pensadores mais influentes da
modernidade.
●​ É considerado precursor do existencialismo e crítico fundamental da cultura ocidental
contemporânea.

2. O Nascimento da Tragédia (1872) - OBRA

Tema e Objetivo da Obra:

●​ Primeira obra filosófica importante de Nietzsche.


●​ Analisa a tragédia grega como forma de arte e expressão profunda da existência humana.
●​ Introduz os conceitos de Apolíneo e Dionisíaco, duas forças fundamentais da arte e da
vida.
→ Conceito Apolíneo (ligado ao Deus Apolo):

○​ Razão - Equilíbrio - Beleza - Forma e controle​

●​ É como um sonho calmo e ordenado, onde tudo está sob controle.


●​ Valoriza a lógica, o planejamento, a harmonia e a clareza.
●​ Na arte, aparece na escultura e poesia épica, que mostram figuras bem definidas e
idealizadas.

→ Conceito Dionisíaco (ligado ao Deus Dionísio):

○​ Caos - Êxtase emocional - Instinto e fusão com a natureza​

●​ Surge em momentos de embriaguez, festa, música, dança e transe.


●​ Valoriza a intensidade da vida, o corpo e a aceitação do sofrimento.
●​ Na arte, se expressa de forma mais evidente na música e na tragédia.

A Tragédia como Fusão Criativa:

●​ A tragédia grega nasce da união entre o apolíneo e o dionisíaco:


○​ Apolo dá forma e estrutura.
○​ Dionísio fornece conteúdo visceral e profundo.
●​ A tragédia mostra que, mesmo diante da dor e do caos, a vida vale a pena ser vivida.
●​ Oferece uma espécie de redenção estética, permitindo compartilhar e compreender o
sofrimento.

Crítica à Filosofia Socrática:

●​ Nietzsche afirma que o racionalismo de Sócrates e Platão destruiu a tragédia.


●​ A supervalorização da razão sufocou o espírito dionisíaco.
●​ Resultado: uma cultura desequilibrada, racional demais, superficial e repressora das
forças vitais.

3. Genealogia da Moral (1887)

Objetivo da Obra:

●​ Investigar a origem histórica dos valores morais ocidentais.


●​ Mostrar que a moral não é natural ou eterna, mas resultado de disputas históricas e relações
de poder.

Primeiro Ensaio – “Bom e Mau” - Nietzsche diferencia dois tipos de moral:

→ Moral dos Senhores: Originada na nobreza da Antiguidade.

●​ “Bom” = forte, nobre, belo, poderoso.


●​ “Mau” = fraco, feio, vulgar.

→ Moral dos Escravos: Criada pelos oprimidos como reação ressentida.

●​ Inverte os valores: chama os fortes de maus e os fracos, submissos e humildes de bons.


●​ Está na base do cristianismo, movida por ressentimento.
Segundo Ensaio – “Culpa, Má Consciência e Castigo”

●​ A culpa surge da relação entre devedor e credor, como forma de compensar uma dívida
com sofrimento.
●​ A má consciência nasce da repressão dos instintos naturais, quando o ser humano passa a
viver em sociedade.
●​ A religião, especialmente o cristianismo, intensifica esse processo, transformando a culpa
em um instrumento de controle e sacrifício.

Terceiro Ensaio – “O Ideal Ascético”

●​ Analisa o ideal que nega a vida:


○​ Valoriza a pobreza, castidade, sofrimento e repressão.
○​ Presente no cristianismo, filosofia e ciência tradicional.
●​ Esse ideal transforma o sofrimento em virtude e enfraquece o ser humano.
●​ Serve como forma de dominação da vontade de poder.

→ Conclusão da Obra:

●​ A moral cristã é uma construção histórica baseada na dominação.


●​ Nietzsche propõe a transvaloração de todos os valores: criar novos valores que afirmam a
vida, o corpo e os instintos.

4. “Deus Está Morto”

Significado da Frase:

●​ Não é uma afirmação literal, mas simbólica.


●​ Representa a crise de valores causada pelo declínio da fé religiosa na modernidade.

Consequências da Morte de Deus:

●​ Fim de valores absolutos: sem Deus, a moral tradicional perde sua base.
●​ Crise de sentido: o ser humano se sente desorientado e perdido.
●​ Perigo do niilismo: sensação de que a vida não tem mais valor ou propósito.
●​ Oportunidade de libertação: abre caminho para criar novos valores e viver com
autenticidade.

5. Übermensch (Além-do-Homem)

●​ Conceito desenvolvido em Assim Falou Zaratustra.


●​ Representa o ideal de ser humano que supera a moral tradicional.

→ O Übermensch:

○​ Cria seus próprios valores.


○​ Afirma a vida, com todas as suas contradições.
○​ Vive com autenticidade, criatividade e liberdade.
○​ Supera o “homem comum” e se torna uma versão mais elevada de si mesmo.
6. Vontade de Potência

●​ A vontade de potência é a força vital presente em todos os seres vivos.


●​ Não é poder político, mas sim, o desejo de crescer, se afirmar, superar limites, criar.
●​ Impulso que leva o ser humano a ir além de si mesmo.
●​ Está em toda a natureza, movendo o mundo e a vida.

7. Niilismo e Amor Fati

→ Niilismo:

●​ Surge com a morte de Deus.


●​ Crise de valores leva à sensação de que nada tem sentido.
●​ Perigo de desespero e vazio existencial.

Superação do Niilismo:

●​ Nietzsche propõe criação de novos valores, sem depender da religião.


●​ Amor fati: “amor ao destino” — aceitar a vida como ela é.

→ Amor Fati:

●​ Aceitação incondicional de tudo que acontece — o bom e o ruim.


●​ Viver com total intensidade, sem arrependimentos ou desejo de mudança.
●​ Dizer “sim” à vida como ela é, inclusive ao sofrimento.

8. Eterno Retorno

●​ Ideia de que a vida se repete infinitamente, exatamente como é.


●​ Desafio existencial: você aceitaria viver sua vida eternamente, do mesmo jeito?
○​ Se a resposta for sim, significa que você está vivendo de forma autêntica e plena.
○​ Caso contrário, é um convite à reavaliação e transformação da vida.

9. Nietzsche e o Nazismo: Um Equívoco Histórico

●​ Nietzsche nunca foi nazista e morreu antes do surgimento do nazismo.


●​ Sua irmã Elisabeth, nazista e antissemita, distorceu seus textos após sua morte.
●​ Nazistas usaram seus conceitos fora de contexto, como o Übermensch, para justificar suas
ideias.
●​ Na verdade, Nietzsche:
○​ Criticava o nacionalismo e o antissemitismo.
○​ Defendia a liberdade individual e a superação pessoal.
○​ Rejeitava o autoritarismo e a obediência cega ao Estado.​

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