0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações55 páginas

Cinema e Narração

Enviado por

dai77
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
24 visualizações55 páginas

Cinema e Narração

Enviado por

dai77
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Elementos da Linguagem Cinematográfica

Daiany Dantas
Bonequinha de luxo, Blake Edwards, 1961.

Além disso, ela tinha um gato e tocava violão. Nos dias em que o Sol
batia de chapa, lavava o cabelo e, acompanhada pelo gato, um maltês de
listas vermelhas, sentava-se na escada de incêndio a dedilhar o violão
enquanto secava a cabeça. Sempre que ouvia a música, punha-me à
janela sem me fazer notar. Ela tocava muito bem, e às vezes também
cantava. Cantava com o timbre rouco e quebrado de uma voz de rapaz
adolescente. Conhecia todos os êxitos dos musicais, de Cole Porter e Kurt
Wel, gostava especialmente das canções de 0klahoma, que eram novas
naquele Verão e populares em toda a parte. Mas havia alturas em que
tocava canções que nos punham a pensar onde é que ela as teria
aprendido, de que lugar é que ela vinha. Canções vadias, rudes e ternas,
com palavras que lembravam pinhais e pradarias. Uma delas dizia: "Não
quero dormir, não quero morrer, só quero fugir e correr pelos prados do
céu", e parecia ser a sua preferida, porque muitas vezes continuava a
cantá-la mesmo depois de ter os cabelos secos, depois de o Sol se ter


posto e se verem no acaso as luzes acesas nas janelas.

Bonequinha de luxo, Truman Capote, 1958


A imagem figurativa em movimento
– objetos mostrados como ato de
ostentação.
 A imagem de um revólver não é apenas o
equivalente ao termo revólver – vontade de
que o objeto signifique mais que simples
representação.
 Cada imagem é um discurso.
 Instantes: fragmentos de pequenas narrativas.
 A pele que habito (Almodóvar, 2011)
 Instantes: fragmentos de pequenas narrativas.
 A pele que habito (Almodóvar, 2011)
 Instantes: fragmentos de pequenas narrativas.
 A pele que habito (Almodóvar, 2011)
 Um corpo que cai(Hitchcock, 2011)
 Um corpo que cai(Hitchcock, 1958)
 Objetos em cena – inscritos na duração e
oferecidos à transformação.
 Análise literária estrutural
 Fatos encadeados por sucessões e reações.
 Erro a cometer – erro cometido – fato a punir –
processo punitivo – fato punido – benefício
realizado.
 Cinema = imagem em movimento alterando a
percepção de duração e transformação.
 Cinema narrativo – desenvolvimento organizado

 Elementos não-narrativos – penumbra,


transiçoes, movimentos de câmera,
panorâmicas, jogos de cores e composição.

 Cinema não-narrativo – underground, de


vanguarda, experimental.
 Conserva traços de narrativa.
 O espectador tende a reinjetar a ficção.
 Cinematográfico – tudo o que só é possível
no contexto do cinema.

 Narrativo – transcende o cinematográfico e é


amparado por campos teóricos precedentes,
como a narratologia (Propp – Greimas)

 Relação entre cinema e narrativa –


linguagem, gêneros, montagem.
1)Significação - Unidades cinematográficas
divididas em função da forma e também das
unidades narrativas das quais se encarregam.

 Ex.: Plano, campo, cena, sequência.


2) Metapsicologia – relação entre elementos
narrativos e o espectador.

 Estado fílmico no qual um espectador se


encontra.
3) Representação social –

A tipologia de um personagem ou de uma


série de personagens pode ser considerada
representativa não apenas de um período do
cinema como também de um período da
sociedade.
3) Representação social –
Ex. : neo-realismo italiano.

Ladrão de Bicicletas, Vittorio de


Sica, 1948
4) Ideologia –

Decorre dos dois precedentes (metapsicologia


+ representação social).

Representação + ideologia + escrita fílmica


 Qualquer filme é um filme de ficção

 Qualquer objeto já é signo de outra coisa, já


está preso em um imaginário social e oferece-
se, então, como suporte de uma pequena
ficção.
 Ex.: Descrição, sons, dramatização,
simulações.
 Referente
 Conceito ou generalização (influência da
semiologia).
 “Nos filmes policiais americanos dos anos 30 o
referente não é tanto a época histórica real da lei
seca quanto o universo imaginário da lei seca tal
como se constituiu no espírito do espectador ao
longo dos artigos, romances e filmes que leu ou
viu”. (AUMONT, p. 105).
 Três abordagens com relação à narrativa:
- Como representação: considerando o mundo da
narrativa ou diegese; seu retrato da realidade ou
seu significado mais amplo.
- Como estrutura: modos de combinar partes para
construir um todo; segmentação e “gramática” ou
linguagem do filme, isto é, o grande sintagmático.
- Como processo:“a atividade de selecionar,
organizar, e editar material narrativo de modo a
alcançar efeitos de tempo específicos sobre um
observador”.
 Diegese – A diegese - história compreendida
como pseudomundo.

 Universo diegético – série de ações, emoções


ou sentimentos e seu suposto contexto –
geográfico, histórico ou social.

 Exemplos?
 Estrutura: Enunciado no cinema inclui
imagens, palavras, menções escritas, ruídos e
música. Significam por co-presença.
 Nível de leitura conotativo é possível pelo
processo de construção desses elementos
(gramática do cinema).
 A composição deve corresponder a uma
coerência interna – estilo do diretor, gênero,
constexto histórico.
 Organização metódica.
Hitchcock – “Com Psicose, eu dirigia espectadores como se
estivesse tocando órgão”. (AUMONT, p. 108).
 Texto narrativo = rede e discurso fechado.

 História aberta, narrativa fechada.

 Narração: ato narrativo produtor e, por


extensão, o conjunto da situação real ou
fictícia no qual ela toma lugar.
 Narração agrupa ato de narrar e situação na
qual ato se inscreve.
 Autor/narrador
 Autor – noção que atesta personalidade e
visão de mundo.
 Narrador – Utilizador de procedimentos
expressivos que irão dar conta da história.

 Função dos diretores


 Diegese – é mais ampla do que a história.
 Em Aristóteles e Platão, a diegesis era, como a
mimesis uma das maneiras, entre outras, de
apresentar a ficção, uma certa técnica de
narração.
 Sentido atual (cinema) = Universo fílmico - a
história em si + o que ela evoca ou provoca no
espectador.
 Ambiguidade – o que gera a história/ aquilo
sobre o que ela se apóia.
 Roteiro

 Intriga

 História

 Diegese
 Dinâmica da leitura da narrativa

 A forma como a história se desenvolve no


interior do espectador – referências.

 Dilatações / desmoronamentos
 Desmembramentos/ remembramentos
 Gérard Genette

 Ordem
 Duração
 Modo
 Ordem

 Flashback, flashfoward.

 Flashfoward – tendência disnarrativa.

 Ex. O bebê de Rosemary.


 5X2 – François Ozon
 Relação entre suposta duração e ação
diegética.

 As partes da narrativa podem durar mais do


que partes da história.
 Ex. Câmera lenta.

 Elipses na narrativa.
 Ex.: Festim diabólico (um filme num só
plano).
 Focalização
 Ponto de vista, olhar sobre

 Focalização por – câmera subjetiva.

 Fenômeno da diegetização – elementos que


não pertencem de fato à narração.
 Ritual – número de etapas obrigatórias

 Avanço - intriga de predestinação/ primeiros


minutos do filme

 Explicitamente
 Alusivamente
 Implicitamente
 Frase hermenêutica - dificuldades,
reviravoltas

 Os repentes da trama.
 As funções
 O filme de ficção, como o conto e o mito, apóia-se em
estruturas de base cujo número de elementos é finito
e número de combinações é limitado.
 Uso de programa e antiprograma.
 Paradoxos:
 Roland Barthes – paradoxo de qualquer narrativa =
levar à revelação final ao mesmo tempo que deixá-la
para depois.
 Verossímil – Um plano afugenta o outro.
 Gênero policial – enigmas.
 Western – Herói se dá mal com bandidos =
elementos do antiprograma.
 John Ford – cenas de felicidade / cenas de
violência.
 O herói/ heroína deve arrancar um outro
personagem do domínio de um meio hostil.
 Propp/ Strauss/ Greimas

 Análise nas funções recorrentes dos


personagens.

 Funções secularizadas.

 Disjunções normais conjunções abusivas


 Disjunções abusivas conjunções normais
 Agrupamentos de sequencias de funções
 Sequencias-programa

 Encadeamento dita o tom da narrativa.

 Gags – Jerry Lewis – bobagem sobre


bobagem.

Modelo greimasiano e filme noir (p. 131)


 No cinema – encarnação.

 Star system – Morin


 A estrela como grife.
Robert Pattinson James Dean
 Falácia da objetividade

 Neo-realimo italiano – ‘não há mais cinema’


(?)
 O paradoxo
 O previsível
 Vinculado à motivação dentro da história das
ações empreendidas.

 Deve-se aos filmes anteriores.


 Deve-se ao contexto.
 Mas, sobretudo, deve-se ao discurso (p.142).
 Consolida o verossímil de filme em filme

 Remanejamentos – sobrevivência do
verossímil.

Você também pode gostar