CARTA DE TIAGO
De que maneira podemos ser amigos fiéis de Deus, como foi Abraão? É possível resistir às
pressões do mundo, aos nossos impulsos humanos rebeldes e a influência do diabo? Nós,
cristão, podemos conviver pacificamente enquanto buscamos soluções para os problemas da
vida? Tiago trata dessas questões nesta carta em que procura motivar os cristãos a desenvolver
uma fé madura e firme, ele também busca mostrar como os irmãos podem ter um
relacionamento leal de amizade com Deus e uns com os outros.
Tiago, irmão de Jesus, escreve como líder da igreja de Jerusalém aos judeus cristãos que haviam
sido dispersados por perseguições. Ele os incentiva a suportar as provações com vigor e a
demonstrar firme caráter cristão. Os destinatários da carta eram judeus dispersados pelas
perseguições iniciadas com o apedrejamento de Estevão (Atos 8:1;11.19) – Na metade do
primeiro século, já havia comunidade judaicas em todo o mundo, originado pela diáspora - O
termo diáspora tem a ver com dispersão e refere-se ao deslocamento, forçado ou não, de um
povo pelo mundo.
Essa carta é escrita do ponto de vista de um pastor e se dedica à ética mais que qualquer outro
livro do NT. Ensinamentos baseados na lei, interpretada conforme a vida e o ensino de Jesus,
refletindo também os ensinos de Cristo, especialmente aqueles que, mais tarde, foram
registrados no sermão do monte.
A carta de Tiago a igreja dispersa é um dos livros mais antigos do NT, escrito depois da
perseguição realizada por Herodes Agripas I (44 d.C – Atos 12:1-5). Tiago morreu por
apedrejamento em Jerusalém, 60 d.C.
Significado da mensagem – Tiago incentiva que seus leitores mantenham uma fé integra e leal
para com Deus, devido as pressões que sofriam por uma sociedade que os oprimia
economicamente e os maltratava por causa da sua fé em Jesus Cristo. Tiago recomenda
perseverança paciente, submissão a Deus, e participação nos ministérios da igreja. Essas
atitudes resultarão em perfeição, honra e uma vida gloriosa na volta de Jesus Cristo.
As diferenças óbvias entre Tiago e Paulo com respeito as boas obras devem ser entendidas
dentro de seus contextos históricos e teológicos distintos. Enquanto Paulo defendia que somente
Deus, pela iniciativa de sua graça, podia superar o problema do pecado humano, embora tanto
Paulo como Tiago acreditavam nesse fato com relação a salvação, eles destacam aspectos
diferentes. Tiago, estava se dirigindo a comunidades cristãs judaicas, ele fala de boas obras
como “atos de caridade” (Tiago 2:14-18.
,21-24). Atos que demonstram obediência fiel e relacionamento genuíno com Deus com base na
fé. A fé pratica, a verdadeira fé bíblica sempre produz boas obras agradáveis a Deus, ele enfatiza
que a fé não pode ser reduzida meramente há uma declaração a verdade, e que a fidelidade não
deixa espaço para dedicação dividida entre Deus e o mundo.
A Carta de Tiago nos permite compreender melhor as primeiras comunidades de cristãos judeus,
e também como os cristãos devem viver quando são um grupo minoritário em meio a uma
sociedade não cristã opressora, seu texto é repleto de conselho sábios para nós, mesmo tendo
um forte caráter judaico observados em todo o texto onde refere-se a igreja como DOZE
TRIBOS, a Deus como SENHOR DOS EXÉRCITOS, citando ABRAÃO, RAABE, JÓ, ELIAS,
no entanto, não menciona explicitamente os elementos cerimoniais do judaísmo, como o
sábado, a circuncisão ou as leis alimentares.
Moody – comentário
Com relação ao aparente conflito entre a teologia paulina a respeito da salvação, Tiago
muito provavelmente tenha escrito essa carta antes do primeiro ensino escrito por Paulo
a respeito da graça, muito provavelmente por volta dos anos 47 d.C – uma vez que se
sugere que Tiago seja datado de 44 a 46 d.C. Tiago em Atos 15 durante o concilio em
Jerusalém onde alguns vindos da judeia à Antioquia começaram a ensinar os irmãos que
exigissem que os prosélitos gentios fossem circuncidados conforme a lei de Moisés para
serem salvos, Tiago se posiciona sendo um elo entre a pacificação e entendimento a
respeito dos gentios, percebe-se sua forte ênfase ao antigo testamento fazendo uma
leitura a respeito da aceitação dos gentios como novo ISRAEL, sugerindo apenas
algumas direções para o cuidado dos próprios irmãos, como atitudes de sabedoria. Atos
15:19 “portanto, considero que não devemos criar dificuldades para os gentios que se
convertem a Deus.” Nitidamente tanto a teologia de Paulo, quanto a de Tiago
concordam entre si em palavras concernentes a salvação, o que torna o livro de Tiago
um complemento da graça, a salvação, e agora a fé prática como atitudes de obras.
A Epístola de Tiago é um pedido em prol do cristianismo vital. Herder captou o teor
deste livro quando escreveu: "Que nobre é o homem que fala nesta Epístola! Que
incansável paciência no sofrimento! Que grandeza na pobreza! Que alegria na tristeza!
Simplicidade, sinceridade, confiança direta na oração! Como ele quer ação! Ação, não
palavras . . . não uma fé morta!" (citado por F.W. Farrar em The Early Days of
Christianity, pág. 324)
ESBOÇO
I. Saudação. 1:1.
II. Provações. 1:2-8.
III. Pobreza e riqueza. 1:12-18.
IV. Provação e tentação. 1:12-18.
V. Recepção da Palavra. 1:19-25.
VI. Verdadeira religião. 1:26, 27.
VII. Distinções sociais e "a lei real". 2:1-13.
VIII. Fé e obras. 2:14-26.
IX. A 1íngua. 3:1-12.
X. As duas sabedorias. 3:13-18.
XI. O mundo e Deus. 4:1-10.
XII. Julgando. 4:11, 12.
XIII. Autoconfiança proveniente do pecado. 4:13-17.
XIV. Julgamento do rico inescrupuloso. 5:1-6.
XV. Paciência até a volta de Cristo. 5:7-11 .
XVI. Juramentos. 5:12. XVII. Oração. 5:13-18.
XVIII. Reabilitando o irmão pecador. 5:19, 20.
Verso 1 – doze tribos. O autor tem em mente todos cristãos simbolizando o novo israel
espalhados afora num mundo hostil e estranho, podemos concluir isso pois dificilmente
ele se dirigiu somente aos judeus, visto que por motivos da diáspora estavam morando
fora da palestina, portanto, não poderiam ser reconhecidos como judeus segundo as
tradições, o que nos permite compreender no verso 2 quando os chama de irmãos que
está se dirigindo a todos que por meio de Cristo tornam-se irmãos por causa da fé, tanto
judeus como gentios.
Verso 2 ao 4 – Tiago exorta que esses irmãos espalhados mundo afora, muito
provavelmente sofrendo perseguições de todos os lados devido a sua fé, e suas
dificuldades externas – provações tem por significado tanto perseguição externa quanto
interna relacionado a natureza pecaminosa do indivíduo – tivesse confiança e se
alegrassem por tais situações, pois elas seriam motivo de amadurecimento e fortificação
de sua fé, afim que tornassem maduros e completos, sem falta alguma. Alguns
relacionam essa ideia com a de Mateus 5:48 quando Jesus nos convida a sermos
perfeitos como nosso Pai é perfeito, TELEIOS – MADUROS, ao suportar as
dificuldades, os inimigos, tendo atitudes de perseverança na fé e não retribuindo
segundo o mundo descrente.
O fruto da perseguição é a perseverança – resistência. Essa resistência tem ação
completa, é um processo que se desenvolve na vida de todo cristão sendo a
MATURIDADE o seu alvo.
Verso 5 ao 8 – Tiago sugere encontrar em Deus respostas para encontrarem motivo de
alegria em um mundo hostil, de entenderem o amadurecimento por base aos
sofrimentos. Orar com fé, sinceridade, para perceberam o propósito divino em suas
dificuldades, declarando sua fé exclusivamente em Deus, sem vacilar, sem dividir sua
lealdade com Deus e o mundo. Uma oração de confiança e dependência, sabedor que
Deus tem todo o controle, portanto está tudo cooperando para o Seu bom propósito
(Romanos 8:28).
Versos 9 ao 11 – um paralelo entre o pobre e o rico, como devem ser suas atitudes de fé.
O pobre deve contentar-se na eternidade, Tiago não sugere riqueza aos pobres que são
justos, mas garante que o contentamento reverterá isso no céu. Tem motivo para
orgulhar-se, não no sentido pejorativo, mas orgulhar-se naquilo que Deus fez. E o rico
orgulhar-se em sua insignificância, comparando os orgulhosos em si mesmos pelo que
possuem, levando que eles se considerem como Cristo, que foi rebaixado a um nível de
engano quanto as riquezas, ensinando também onde está a verdadeira riqueza do crente,
confrontando todo tipo de mal que provoca quem a procura, e toda ansiedade para reter
aqui.
Versos 12 ao 18 – Tiago contratas aqui o motivo que deve nos levar a considerar
MOTIVO DE GRANDE ALEGRIA todas aflições deste mundo presente, a expectativa
no que virá no futuro. Como sugere no verso 5: “se algum de vocês precisar de
sabedoria.” Sabedoria para compreender, sabedoria superior – preocupação com as
coisas do alto.
FELIZ – Makarios – é o que suporta! o resultado desse contentamento é a coroa da vida
que Deus nos prometeu. A não satisfação e a ausência desse entendimento nos leva a
vivermos desejos, somos tentados pelos nossos próprios desejos. Há uma grande
diferença entre DESEJO e NECESSIDADE – SOMOS CARENTES DA GLÓRIA DE
DEUS, da GRAÇA redentora, da salvação. Tiago transiciona aqui a provações externas
para as internas - Enquanto os desejos geralmente estão relacionados aos nossos
sentimentos ardentes internos quanto a tudo que acreditamos ser necessário. Uma vez
que somos caídos e pecadores, não há em nós desejos bons. Como Paulo diz: “o bem
que eu quero não faço.” Somos incapazes de desejar interiormente o bem, por isso
Cristo conhece o que eu de fato necessito e nos provê segundo o que necessitamos para
a nossa completa redenção, levando-nos a satisfação nEle e não em nossos próprios
desejos.
Tiago sugere que essa insatisfação e a falta de sabedoria concernentes a essas coisas nos
levem a culpar Deus, - Provavelmente Tiago tinha em mente a doutrina judia (impulso
do mal) onde sugeriam que Deus havendo criado tudo, também criou o impulso do mal,
uma vez que ele é quem tenta o homem ao pecado, tal tentação vem do próprio Deus.
Ele refuta a ideia dizendo “Deus nunca é tentado, e ele mesmo nunca tenta ninguém.” –
levando-nos a refletir que somos responsáveis por nossas atitudes pecaminosas, pois são
nossas cobiças e desejos que nos seduzem ao pecado - a tentação vem dos nossos
próprios desejos... gerando o pecado e por consequência a morte. Mas toda dadiva
perfeita vem de Deus, por isso devemos orar a Ele buscando sabedoria neste mundo
terrível e feroz, o Pai das luzes, em quem não há variação nem sombra de mudança. Ele
não muda, suas promessas permanecem em pé, Ele mesmo irá nos salvar, Ele mesmo irá
nos redimir deste corpo corruptível e de todo sofrimento presente será recompensador,
digno de confiança é a Sua Palavra. Relaciona a mente dividida do homem que dúvida,
que está divido entre o mundo e Deus, que não confia plenamente na condução de Deus
em toda a história, mas o que rebate tal atitude é a fé centrada no Pai das luzes e a
confiança em Deus e Seu plano.
Embora a nossa fé e nosso amor não sejam o motivo de sermos salvos, é indispensável
que amemos a Deus e sejamos fieis aos Seus mandamentos em todo tempo, servindo-O
fielmente a todo custo (Mateus 19:27-28).
Versos 19 ao 25 – Tardio no falar talvez faça referencias as acusações que os cristãos
fazem quando submetidos as provações e tentações, acusações contra Deus. Tomando o
coração de ira – uma vez que não há compreensão da soberania de Deus – essa ira não
produz justiça divina. Remover toda impureza e maldade faz referencia a abandonar
tais sentimentos como que se esvaziar para aceitar a obra divina – a palavra que foi lhes
implantada pela graça de Deus ao coração do homem – ou até mesmo abandonar a ira,
os restos de uma vida contrária a Deus e entregar-se completamente a Ele.
Comentário Tasker.
"Cada cristão convertido traz consigo para sua nova vida, muita coisa que é
inconsistente com ela. Isto tem de ser abandonado, para que possa entregar-se mais
completamente à obra positiva da recepção com mansidão a palavra em vós enxertada,
esta palavra é poderosa para salvar as vossas almas.”
Não se limitem, porém a ouvir a palavra, ponham-na em prática... Tiago cita aqui a
lei perfeita, a lei da libertade, a lei perfeita fazendo menção ao que Cristo aperfeiçoou,
por isso trás a lei da liberdade, contudo a continuação é uma exortação a todo aquele
que ouvindo a exposição da palavra, entendendo que é pela graça que somos salvos, e
toma como liberdade para viver em seus pecado, ou seja, uma perspectiva errada da
liberdade para qual Cristo nos chamou – então compara ao homem que se vê no espelho
e logo se esquece do que viu – são negligentes quanto ao que ouvem, por isso Tiago dá
forte ênfase ao OUVIR E PRATICAR.
Estes que ouvem e a põem em prática SERÃO MAKARIOS. Tiago parece fazer
referencia a citação do próprio Jesus em (Mateus 27:24-27) quando diz que quem ouve
as suas palavras e pratica é sábio, como um construtor que constrói sobre alicerce firme,
quando vierem as chuvas, os ventos – isto é uma metáfora do julgamento onisciente de
Deus, o que estamos construindo será provado, o tolo pelo contrário ouve e não prática,
mas constrói sobre seus próprios fundamentos e ideais este sofrerá dano e prejuízo no
dia do Senhor.
Makários – termo utilizado por Jesus no sermão do monte – bem aventurados, os
humildes de espirito, porque deles é o reino do céu; bem aventurados os que choram,
pois serão consolados; bem aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque
deles é o reino do céu; Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem,
e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós;
Mateus 24:46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier,
achar fazendo assim.
Sempre fazendo alusão a uma alegria futura, embora possamos desfruta-la
imediatamente pela graça que nos enche o coração de esperança, contudo, é um
contraste entre os sofrimentos e aflições presente com a glória futura. Poderíamos
aplicar ouvir e praticar para sermos bem sucedidos e felizes em nossas obras, e está tudo
bem, desde que, compreendamos que felizes faz relação ao dia do Senhor e que obras
desaprovadas pelo Senhor podem trazer-nos satisfação e sentimento de alegria nessa
vida, porém temporariamente e essas obras serão falidas no dia do Senhor.
Por isso ouça a palavra e pratique, custe o que custar, sofra prejuízos se necessário, mas
pratique, pois ela é digna de confiança e quem constrói sob essa rocha firme será bem
aventurado.
Versos 26 ao 27 – Se algum de vós afirma ser religioso – THRESKOS – significado
dado as observâncias religiosas – ou seja, frequente aos cultos, ofertante, das esmolas,
faz orações, MAS, não refreia a língua, então engana a si mesmo e sua religião não tem
valor. NÃO TEM VALOR – MATAIOS – NÃO É VERDADEIRO, SEM
PROPÓSITO, FUTIL, VÃO. De nada adianta observar religião se não há verdade.
Esse controlar a língua pode estar fazendo ligação com o tardio em falar e em irar se, no
contexto suas queixas continuas contra Deus sugerindo que Ele é o arquiteto do mal e
por isso são levados a pecar sem levar em consideração suas responsabilidades, não
perseveram no mundo. Como faz referencia no capitulo 3:1-12 a língua é indomável a
mesma que adora o Senhor amaldiçoa aqueles que Deus criou, não só então no sentido
de culpar Deus, mas também de maldizer o próximo, de conflitos falatórios, não pode
jorrar água doce e amarga de uma mesma fonte, por isso não tem valor nossa fé se assim
procedemos. Um homem observador atento da religião, mas que não cuida do falar é vã
sua fé. A religião pura e verdadeira aos olhos de Deus, o Pai, é esta: cuidar dos
órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.
Essa não é o único significado de religião, Tiago não estaria reduzindo a religião a
apenas atos de visitas e caridades, mas fazendo uma declaração do que é melhor do que
os atos de adoração exteriores, ou seja, religião (fé) sem obras (ações). Nossa fé deve
ser acompanhada de ações práticas. A corrupção do mundo antigo, ou seja, pagão.
Capitulo 4:4 – se desejam amizade com o mundo estão em inimizade com Deus. Que se
opõe ou ridiculariza Deus.
CAPITULO 2
Versos 1 ao 13 – a lei do reino – Tiago está tratando a parcialidade e a distinção, o que
obviamente é contrário a lei do reino estabelecida pelo próprio senhor Jesus. Meus
irmãos, marca a transição para um novo assunto, onde começa a tratar o favorecimento
a algumas pessoas no meio da igreja – sinagogas/cultos – afirmar que tem fé em nosso
glorioso Senhor Jesus Cristo mostra a qualidade da fé que devemos ter, pondo-a em
prática e não somente crendo, como se acreditar em um conjunto de doutrinas apenas,
mas uma fé dinâmica e ativa. É uma continuidade sobre o mesmo fundamento do
capitulo 1, ouvir e praticar, agora se tratando a respeito da lei do reino, do modo de
viver em entre os irmãos.
Tiago usa uma ilustração pratica, dois tipos diferente de pessoas entram em suas
sinagogas, sinagoga é um sinônimo aproximado para ekklesia – ou seja – igreja. O rico
e o pobre, a maneira com que agimos nessas circunstâncias demonstram nossa fé, se
somos parciais ou seguimos exatamente a fé prática por meio das obras ensinadas em
Cristo Jesus. Filipenses – considere os outros mais importantes que a si mesmos. Tiago
ilustra exatamente a ortodoxia e ortopraxia, não adianta crermos corretamente e
praticarmos diferente, antes devemos ortodoxamente sermos saudáveis, crer na sã
doutrina, mas também em nossa ortopraxia devemos ser irrepreensíveis, ou seja, a fé +
obras. Reforçando – não sejam apenas ouvintes, mas praticantes! Caso contrário está
enganando a si mesmos.
Essa discriminação, ou melhor traduzindo fizestes distinção, acepção, essa frase está na
voz passiva e deveria ser traduzido por “vocês estão impondo linhas divisórias?”.
Novamente nos ensinando praticamente a fé que professamos. Agindo assim, não
estamos nos colocando como juízes perversos? Dizemos crer em Deus, mas não somos
leais quanto a prática. Juízes com falsos valores, como no capitulo 1 versos 26-27 – se
afirmam ser religiosos - – THRESKOS – significado dado as observâncias religiosas –
ou seja, frequente aos cultos, ofertante, das esmolas, faz orações, MAS, não refreia a
língua, então enganam-se a si mesmo e sua religião não tem valor. NÃO TEM VALOR
– MATAIOS – NÃO É VERDADEIRO, SEM PROPÓSITO, FUTIL, VÃO.
Ouçam – ênfase no ouvir, no capítulo anterior Tiago nos chama a não sermos apenas
ouvintes, mas também praticantes. Se consideramos os ricos mais importantes que os
pobres rejeitamos o bom nome – não nosso nome de cristãos, mas o BOM NOME
DE JESUS CRISTO – foi ele quem escolheu os pobres deste mundo os
desfavorecidos. São os ricos que arrastam vocês aos tribunais, fazendo referência as
cortes judiciais que perseguiram os cristãos, ou seja, estão desviando do propósito da
igreja que é exemplificado em Tiago 1:27 os menos favorecidos, e não que seja
somente isso, Tiago não reduz a religião a somente atos de caridade, mas faz uma
comparação na ocasião entre a fé – ortodoxia e sugere ações práticas relevantes –
ortopraxia, estão abandonado isso para bajular, agindo de maneira distintiva em busca
de interesses, estão se fundindo por interesses, afinal o mais abastado pode ser relevante
pelo que pode fazer por causa de suas posses. Motivos perversos – blasfemam o nome
de Cristo – cujo nome honroso vocês carregam? Cremos em Deus e não praticamos o
que cremos?
Vocês fazem bem quando obedecem a lei do reino, a lei do reino faz referencia ao
citado no verso 5 – Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé. Tiago
cita também referenciando o que a lei dizia e o que Jesus cumpriu, a lei perfeita que os
liberta. “Ame o seu próximo como a si mesmo.” Caso contrário, se agem com distinção
são culpados de transgredir a lei. Tiago fala numa linguagem judaica, por isso usa os
termos lei o que parece se contradizem com os ensinos posteriores de Paulo. (Mateus
5:17) Jesus não veio abolir a lei, mas cumpri-la. Jesus quando cura no sábado de
maneira alguma ele está transgredindo a lei, mas cumprindo-a, pois o maior
mandamento é amar a Deus e o próximo, contra essas coisas não há lei. (Galatas 5:22)
O povo judeu tinha como lei o conjunto de regras em que criam e que nem mesmo
conseguiam pratica-las em sua totalidade, obedecer a lei é executa-la. A lei trás
punição, consciência do pecado, mas ao homem comum não é possível executa-la,
por isso a lei tinha como finalidade o sacrifício de um cordeiro. Então vem Jesus
cumprindo a lei, não seguindo todos os pontos, mas executando-a colocando-se
como verdadeiro sacrifício, de uma vez por todas. Por que foi dado o cordeiro
morrer pelo pecado do homem na lei? Porque a lei de moisés não era suficiente
para salvar o homem, se o homem fosse executar a lei e morrer por causa do seu
pecado, seria inútil a sua morte, pois morreria no seu próprio pecado. Seu
sacrifício seria em vão e não cumpriria o seu propósito. O único capaz de assim
fazer foi Jesus. Ele cumpriu a lei morrendo e por causa da ressurreição, diferente
de todos os outros cordeiros sacrificados na lei de moisés, e por isso ele é o cordeiro
que tira o pecado do mundo. Jesus é o único sacrifício eficaz – a lei perfeita!
O fariseu não oferecia sacrifício, ele mudou o centro da fé judaica que era o
sacrifício para o cumprimento das leis. Eles não ofereciam sacrifício pois diziam,
dou graças a deus por não transgredir a lei... dizendo ser capaz de obedecer a lei...
o que restava a eles era cumprir 100% o que é impossível, por isso jesus os chamou
de hipócritas, dizem fazer aquilo que na realidade eles mesmos sabiam que não
eram capazes.
Ou seja, quem mostra favorecimento mesmo dizendo crer em Deus, comete pecado e
são culpados por transgredir a lei. (Mateus 22:34-40)
Verso 10 – se queres viver pela obediência da lei, deves cumpri-la em sua totalidade,
caso contrário, tropeçando em uma só, tropeça em todas as outras.
Verso 12 portanto, ou seja, como devemos agir? Tudo que fizer e disser sera julgado
pela lei que os liberta – a lei perfeita a qual Cristo aperfeiçoou – eleutheria – a
verdadeira liberdade consiste em viver como devemos e não como queremos.
(GALATAS 5:13). Não mais um conjunto de normas que nos tornam em hipócritas, mas
movidos pelos ensinos de Cristo, a fé que afirmamos ter em Cristo colocada em prática
no convívio com as outras pessoas. Não haverá misericórdia para quem não tiver
demonstrado misericórdia, mas se forem misericordiosos, haverá misericórdia quando
forem julgados – misericórdia que Deus demonstrou a nós foi a providencia da salvação
em Cristo Jesus e a misericórdia que devemos demonstrar é o exercício da virtude da
piedade, misericórdia de pessoa a pessoa. Isso nos leva para longe do favorecimento e
distinção, o amor ao próximo. E por vivermos de forma prática a nossa fé, herdaremos
no dia do julgamento misericórdia, ou seja, piedade, salvação.