Conto
Conto
12
30/06 a
04/07
LÍNGUA PORTUGUESA
Nesta semana, trabalharemos com Aventuras Literárias. O projeto está alinhado ao programa Mais
Leitores, cujo objetivo principal é promover a democratização do acesso ao livro, à leitura, à escrita e à
pesquisa, com disponibilização de acervo, sistema, infraestrutura, projetos e equipe especializada que
proporcionem e promovam a formação de leitores nas escolas da Rede Pública Estadual de Ensino do
Estado do Espírito Santo (Currículo do Espírito Santo, 2020).
Desse modo, o projeto Aventuras Literárias intenciona fomentar a cultura leitora, fornecendo obras
literárias aos(às) estudantes do ensino fundamental anos finais. Essas obras, que abordam temáticas
de relevância social, como letramento étnico-racial, serão trabalhadas com intencionalidade
pedagógica pelos(as) professores(as) de Língua Portuguesa e de Ciências, cujos escopos estão
detalhados nos cadernos das sequências didáticas. As sequências estão fundamentadas nos
descritores de Língua Portuguesa historicamente fragilizados e em conformidade às habilidades que
constam nestas orientações curriculares.
Disponível em:
<[Link]
MU08Li14VxSrLN>. Acesso em 22 jan. 2025.
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QUINZENA
12
07 a 11/07
LÍNGUA PORTUGUESA
OBJETO DE EXPECTATIVA DE OBJETO DE EXPECTATIVA DE
DESCRITOR DESCRITOR HABILIDADE CONHECIMENTO APRENDIZAGEM HABILIDADE CONHECIMENTO APRENDIZAGEM DA
SAEB PAEBES PRINCIPAL DA HABILIDADE DA HABILIDADE ASSOCIADA DA HABILIDADE HABILIDADE ASSOCIADA
PRINCIPAL PRINCIPAL ASSOCIADA
EF69LP53
Ler em voz alta textos literários diversos –
EF67LP28 como contos de amor, de humor, de
Ler, de forma suspense, de terror; crônicas líricas,
autônoma, e Ler, de forma humorísticas, críticas; bem como leituras
compreender – autônoma, e orais capituladas (compartilhadas ou não
Analisar selecionando compreender, com o professor) de livros de maior Ler em voz alta textos
elementos procedimentos e gêneros da esfera extensão, como romances, narrativas de literários diversos,
constitutivos estratégias de leitura literária enigma, narrativas de aventura, literatura contar/recontar histórias
de textos adequados a diferentes adequados a esta infanto-juvenil, – contar/recontar histórias tanto da tradição oral
pertencentes objetivos e levando em etapa, tanto da tradição oral (causos, contos de quanto da tradição literária
ao domínio conta características selecionando esperteza, contos de animais, contos de escrita, gravando essa
literário. dos gêneros e suportes ✓ Estratégias de procedimentos e amor, contos de encantamento, piadas, leitura ou esse
–, romances infanto- leitura estratégias de dentre outros) quanto da tradição literária ✓ Produção de conto/reconto, seja para
juvenis, contos leitura adequados escrita, expressando a compreensão e textos orais análise posterior, seja para
D017_P populares, contos de ✓ Apreciação e a diferentes interpretação do texto por meio de uma ✓ Oralização produção de audiobooks
Identificar o terror, lendas réplica objetivos e leitura ou fala expressiva e fluente, que de textos literários diversos
gênero de brasileiras, indígenas e levando em conta respeite o ritmo, as pausas, as hesitações, a ou de podcasts de leituras
textos africanas, narrativas de características dos entonação indicados tanto pela pontuação dramáticas com ou sem
variados. aventuras, narrativas de gêneros e quanto por outros recursos gráfico- efeitos especiais e ler e/ou
enigma, mitos, crônicas, suportes, no editoriais, como negritos, itálicos, caixa-alta, declamar poemas diversos,
autobiografias, histórias intuito de ilustrações etc., gravando essa leitura ou tanto de forma livre quanto
em quadrinhos, expressar esse conto/reconto, seja para análise de forma fixa, como forma
mangás, poemas de avaliação sobre o posterior, seja para produção de audiobooks de expressividade e
forma livre e fixa (como texto lido e de textos literários diversos ou de podcasts apreensão do conteúdo e
Inferir a sonetos e cordéis), estabelecer de leituras dramáticas com ou sem efeitos dos aspectos estéticos dos
presença de vídeo-poemas, poemas preferências por especiais e ler e/ou declamar poemas textos.
valores visuais, dentre outros, gêneros, temas, diversos, tanto de forma livre quanto de
sociais, expressando avaliação autores. forma fixa (como quadras, sonetos, liras,
culturais e sobre o texto lido e haicais etc.), empregando os recursos
humanos em estabelecendo linguísticos, paralinguísticos e cinésicos
textos preferências por necessários aos efeitos de sentido
literários. gêneros, temas, pretendidos, como o ritmo e a entonação, o
autores. emprego de pausas e prolongamentos, o
tom e o timbre vocais, bem como eventuais
recursos de gestualidade e pantomima que
convenham ao gênero poético e à situação
de compartilhamento em questão.
EF07LP12/ES
Reconhecer recursos de Reconhecer EF69LP19
Analisar, em gêneros orais
D102_P coesão referencial: recursos de coesão Analisar, em gêneros orais que envolvam
✓ Efeito de que envolvam
Reconhecer o substituições lexicais (de referencial: argumentação, os efeitos de sentido de
✓ Semântica sentido argumentação, os efeitos de
efeito de sentido substantivos por substituições lexicais elementos típicos da modalidade falada,
sentido de elementos
Analisar os decorrente da sinônimos, hiperônimos, (de substantivos por como a pausa, a entonação, o ritmo, a
✓ Coesão típicos da modalidade
processos de exploração de elipse) ou pronominais sinônimos) ou gestualidade e expressão facial, as
falada, como a pausa, a
referenciação recursos (uso de pronomes pronominais (uso de hesitações e outros.
entonação, o ritmo, a
lexical e ortográficos anafóricos – pessoais, pronomes
gestualidade e expressão
pronominal. e/ou possessivos, anafóricos –
facial, as hesitações etc.,
morfossintáticos. demonstrativos), pessoais,
para compreendê-los como
considerando a possessivos,
elementos constituintes do
legibilidade do texto, as demonstrativos),
sentido.
intenções de significação e para compreender o
as possibilidades de processo de
compreensão do progressão textual.
interlocutor.
2
Caro(a) Professor(a),
3
Gênero textual Conto
Os contos são histórias curtas que conquistam os leitores com diferentes temas e estilos.
Você, provavelmente, já leu algum conto ao longo da sua vida escolar ou simplesmente
por prazer. Eles podem ser de suspense, terror, ficção científica, humor, amor, entre
muitos outros.
Nesta semana, você vai conhecer melhor esse gênero por meio de um conto produzido
por alunos(as) das séries finais do ano letivo de 2008 do Município de São Roque do
Canaã/ES, retirado de um livro publicado a partir do Projeto Resgate Cultural 2013/2014. O
conto escolhido para análise nessa Rotina Pedagógica chama-se Boi de Aleluia, mas
indicamos a leitura dessa obra na íntegra:
05 No sábado de aleluia, o pai, seu filho mais velho de 19 anos e o sobrinho de 16, foram ao
pasto atrás de um boi para sacrificá-lo, pois estavam querendo fazer um grandioso
churrasco no Domingo de Páscoa! Foram ao pasto, correram atrás de um boi malhado de
marrom com branco com uma pinta preta na cara. Era um boi meio pequeno e estava
meio magro, mas como não tinham outro melhor em sua propriedade escolheram aquele
10 mesmo. E laçaram o bicho. Mas depois que amarraram o bicho no tronco, a velha da casa
gritou da cozinha!
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“Vocês devem ter muito cuidado, pois pode acontecer alguma coisa muito ruim com vocês, é
bem capaz do bicho não morrer.”
O pai, que era um italiano teimoso, disse: Não vai morrer? Que nada... Ele vai ver o que é a
15 ponta da minha faca daqui a pouco.
E ela respondeu: “Pois eu nem quero ver, vou para sala rezar para as almas de vocês, que por
certa estão amaldiçoadas, quem já viu matar um bicho vivo no sábado de aleluia.”
Daí então o homem voltou com a lança na mão e enfiou no coração do Boi, de uma vez, e
tirou em seguida. Você sabe o que aconteceu?
20 Aconteceu que não saiu nem um pouquinho de sangue do bicho. Nem uma gota para contar
história. O filho do homem e o sobrinho se ajoelharam na hora e começaram a tremer de
medo. O homem, de coração, mandou os rapazes levantarem e pegarem o boi com força,
eles tinham que ser macho de verdade. Pegou a faca e cortou o pescoço do boi e mais uma
vez aconteceu que nem uma gota sequer de sangue saiu do boi. O homem ficou com raiva,
25 xingou, blasfemou, chamou aqueles nomes feios e foi no paiol, ligou a guilhotina, e cortou de
uma vez a cabeça do boi separando-a do corpo.
O bicho não caiu e saiu andando. Todo mundo que estava perto saiu correndo. O homem,
principalmente, saiu gritando e chorando, entrou na casa pela cozinha e fechou a porta.
Ouvia-se um barulho no lado de fora, era a chuva que havia começado na mesma hora com
30 bastantes trovões e relâmpagos. A chuva caía na casa como um monte de capetas prontos
para atacar. Era assim que a velha falava, e todos na casa rezaram a tarde e a noite toda,
para Deus perdoar o pecado de ter matado um boi no sábado de aleluia. Dizem que o boi
andou o sábado inteiro e só foi morrer mesmo no domingo de páscoa!
O medo foi tanto que parecia que o boi corria furiosamente atrás deles. Dizem que o boi só
35 foi encontrado morto no Domingo de Páscoa todo ensanguentado. Dentro da religião
Católica antigamente não sacrificava nenhum animal entre os dias da morte e ressurreição
de Cristo. O respeito era tão grande que ninguém trabalhava. Não se varria nem a casa, caso
precisasse varrer juntava-se o lixo no canto. Esta fé foi–se perdendo e hoje por influência dos
meios de comunicação, o povo de modo geral modernizou–se. E se resta muito pouco dessa
40 cultura antiga.
Disponível em: [Link] Acesso em 10 de março de 2025.
5
Estrutura do Conto
-> Narrativa curta e apenas um conflito.
-> O momento de maior tensão na história chama-se clímax.
-> Por ser um texto pequeno, geralmente apresenta poucos personagens, espaço sem
grandes detalhes e a narrativa concentrada em um evento ou período específico da vida
dos personagens.
Personagens
Os personagens em um conto são os indivíduos, seres ou entidades que desempenham
papéis importantes na narrativa. Eles são fundamentais para o desenvolvimento da
trama, pois são os responsáveis pelas ações, conflitos e resoluções dentro da história.
Clímax da história
No conto lido, o clímax ocorre no momento em que o boi, após ter a cabeça cortada
pela guilhotina, não cai e começa a andar. Esse evento, completamente sobrenatural e
assustador, causa pavor nos personagens. O pai e os dois jovens fogem, enquanto o
homem grita e chora, e a tensão é intensificada pelos trovões e relâmpagos que
começam a cair, criando uma atmosfera de terror. Esse momento de grande tensão é o
ponto de virada, onde a ação atinge seu ápice, levando os personagens a uma grande
apreensão e medo, que culmina no desfecho da história com o boi sendo encontrado
morto somente no Domingo de Páscoa.
Narrador
O narrador de um conto é a voz responsável por contar a história, ou seja, ele é quem
descreve os acontecimentos, apresenta os personagens e transmite as emoções e os
pensamentos. A forma como o narrador conta a história influencia diretamente a
maneira como o leitor interpreta os eventos.
Nestes trechos, o narrador está descrevendo as ações dos personagens (como o aviso
da mulher e o momento em que o homem vai matar o boi) sem fazer parte da ação. Ele
apenas observa e relata o que está acontecendo.
Aqui, o narrador sabe o que os personagens estão sentindo (medo, raiva) e o que eles
estão fazendo internamente, além de relatar as suas ações externas.
Espaço
O espaço de um conto, também chamado de cenário, é o ambiente onde a história se
passa. Ele inclui o local físico, o tempo e até o clima da narrativa, e é fundamental para
criar a atmosfera da história, influenciar a ação dos personagens e reforçar o tema do
conto.
Exemplo no conto lido (localização geográfica): “Aqui no município de São Roque do
Canaã…” (linha 01) – O conto se passa em uma cidade específica, o que coloca a história
em um contexto rural e tradicional, possivelmente com costumes antigos.
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Exemplo no conto lido (clima e ambiente emocional): “Ouvia-se um barulho no lado
de fora, era a chuva que havia começado na mesma hora com bastantes trovões e
relâmpagos.” (linha 29) – A chuva, trovões e relâmpagos criam uma atmosfera tensa e
ameaçadora, reforçando o clima de medo e sobrenatural.
Tempo
Exemplo no conto lido (tempo): O conto faz referência à Semana Santa e ao Sábado de
Aleluia, que indicam um tempo religioso e litúrgico, criando um vínculo com tradições
cristãs e a fé.
Enredo
Estrutura do enredo:
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Exemplo do enredo no conto lido:
Introdução:
O conto começa apresentando uma família católica em São Roque do Canaã, que tem o
costume de respeitar os dias santos, especialmente na época da quaresma e semana
santa. A família decide sacrificar um boi no Sábado de Aleluia para um churrasco no
Domingo de Páscoa.
Desenvolvimento:
A mãe da família adverte que algo ruim pode acontecer ao sacrificarem o boi nesse dia,
mas o pai, teimoso, desconsidera o aviso e segue com o plano. O boi é sacrificado, mas, ao
tentar matar o animal, não sai sangue, o que provoca uma reação de medo no filho e no
sobrinho. O pai, irritado, vai até a guilhotina e corta a cabeça do boi.
Clímax:
O boi, com a cabeça cortada, não cai e começa a andar, o que é um evento sobrenatural e
causa um grande pavor nos personagens. A chuva começa, e o clima se torna ainda mais
tenso e aterrorizante. O medo é tão grande que todos da casa se refugiam e começam a
rezar, temendo as consequências.
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Substituições Lexicais
Ocorrem quando uma palavra é substituída por outra, geralmente com o objetivo de
evitar repetição excessiva e tornar o texto mais fluido.
Exemplo no conto lido: "Era um boi meio pequeno e estava meio magro, mas como não
tinham outro melhor em sua propriedade escolheram aquele mesmo. E laçaram o bicho."
(linha 08)
Exemplo no conto lido: “[...]O pai que era um italiano teimoso[...] (linha 14). O filho do
homem e o sobrinho se ajoelharam na hora[...]”(linha 21)
Substituições Pronominais
Exemplo no conto lido: "[...]O pai, seu filho mais velho de 19 anos e o sobrinho de 16,
foram ao pasto atrás de um boi para sacrificá-lo[...]" (linha 05)
Exemplo no conto lido: “[...]e cortou de uma vez a cabeça do boi separando-a do
corpo.[...]” (linha 23)
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✓ Livro Didático “Araribá conecta, Português, 7°
ano”, PNLD 2022 do Ensino Fundamental.
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Leia o texto abaixo.
Os velhos do povo Taulipang contam que, antigamente, lá no início dos tempos, quando
nada ainda havia sido criado, a onça era muito metida a besta. Gostava de aparecer e
amedrontar todo mundo, todos os animais. Fazia isso para poder se alimentar, mas fazia
também para convencer a todos que ela era a mais poderosa do lugar. Um dia ela encontrou
05 um moço muito formoso à beira de um rio. Ele estava lá preparando um bastão. Sua
distração era tanta que nem percebeu a onça aproximar-se às suas costas. Ela chegou,
então, de supetão e lançou-se sobre o estranho. Embora ela quisesse devorá-lo, não o fez
naquele momento, pois antes queria humilhar sua presa. Por isso a onça apenas passou por
cima do moço que permaneceu impassível. Ele apenas levantou os olhos e a cumprimentou.
10 — Olá, meu cunhado — disse a onça — queria saber se você é tão forte quanto eu. Eu
quebro tudo o que vejo em minha frente. Você quer ver? Nem esperou a resposta de Raio,
como se chamava o moço. Imediatamente subiu na árvore carimbé e a quebrou totalmente.
Foi sobre a árvore paricá e a estraçalhou com sua força descomunal. Desceu ao chão e
cavou com suas garras, destruindo tudo à sua frente. — Viu como sou forte, meu cunhado?
15 Sou forçuda. Nada pode me deter. Agora eu quero ver sua força. Raio permaneceu imóvel
onde estava. Apenas comentou: — Não sou forte como você, cunhada. Não tenho a força.
Não convencida, a onça mostrou mais uma vez sua força soltando fortes urros que foram
ouvidos por toda a terra. Subiu em outras árvores e as destruiu sem dó nem piedade.
Quando acabou sua demonstração e em prova de sua coragem, sentou-se de costas para
20 Raio. Ele levantou-se de seu lugar e passou a agitar seu bastão produzindo faíscas, trovões,
trovoadas, coriscos e toda sorte de barulho. Atordoada, a onça despencou no chão. Raio a
pegou pelas pernas e a atirou bem longe dali. Não sabendo o que pensar, a onça começou a
fugir tentando encontrar um abrigo para se esconder. No entanto, para onde quer que
corresse, Raio ia até ela e a descobria: ela correu para esconder-se nos rochedos, Raio foi lá
25 e partiu os rochedos ao meio; ela subia nas árvores, Raio mandava seus raios sobre elas e as
queimava inteiras obrigando a onça a procurar novos lugares. Ela enfiou-se no buraco do
tatu gigante, Raio abriu a terra com seus raios poderosos e a fez fugir. Eram tantos os
poderes daquele jovem que apareceram chuvas, ventos, coriscos e deixaram tudo muito
frio. Tão frio que a onça não podia mais correr para lugar nenhum. Quando Raio viu a onça
30 toda encolhida e medrosa, deitada sobre o próprio rabo, encaminhou-se para ela e ergueu
as mãos como se fosse mandar um raio direto no coração do bichano. Mas não foi o que
aconteceu. Na verdade, Raio parou diante do bicho todo acuado. — Você viu, minha
cunhada? Eu tenho a força muito maior do que a sua e nada pode me parar. É melhor que
você não queira se achar toda poderosa antes de conhecer seu adversário. Agora eu vou
35 embora, mas você sempre vai lembrar de mim. Já toda envergonhada e cabisbaixa, a onça
foi para sua casa. Dizem os velhos desse povo, que é por isso que, até hoje, a onça tem tanto
medo de trovoada. É que dentro dela mora a lembrança da existência do poderoso Raio.
MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. 1. ed. São Paulo: Global, 2021. p. 64-68.
12
GLOSSÁRIO
Taulipang — Povo que vive no estado de
Roraima e na Venezuela.
Carimbé — Árvore que nasce
esparsamente em terreno sem mata.
Paricá — Árvore cujas sementes fornecem
o paracá, certo rapé muito usado pelos
povos nativos em suas festas ou como
remédio.
ATIVIDADE 1
O texto lido é
A) um conto, pois apresenta poucos personagens, com enredo simples sobre
comportamentos humanos.
B) uma notícia, visto que relata um fato verdadeiro sobre como os animais vivem na
natureza.
C) uma sinopse de filme, porqueresume uma história de amizade entre a onça e o Raio, de
forma objetiva.
D) um romance histórico, uma vez que descreve sobre uma guerra entre animais e seres
humanos, com enredo complexo.
ATIVIDADE 2
ATIVIDADE 3
No trecho "Ela chegou, então, de supetão e lançou-se sobre o estranho. Embora ela
quisesse devorá-lo, não o fez naquele momento, pois antes queria humilhar sua
presa." (ℓ. 06-08), o pronome destacado foi usado para
13
A) negar o desejo da onça de amedrontar os outros animais.
B) retomar a intenção de devorar o moço chamado Raio.
C) desmentir a demonstração de força da onça.
D) indicar o momento em que a onça cumprimenta Raio.
ATIVIDADE 4
No texto "A onça valentona e o raio poderoso", o autor usa diferentes formas de
referenciação para evitar repetições e tornar o texto mais coeso. Sobre esse uso,
marque a alternativa correta:
ATIVIDADE 5
14
Leia o texto abaixo e responda às questões de 6 a 9:
A CARTEIRA
01 ...DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-
la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma
loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã
uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não
10 parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias
são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos
de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que
vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não
havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e
15 armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e
tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo,
uma voragem.
— Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.
20 — Agora vou, mentiu o Honório.
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por
desgraça perdera ultimamente um processo, que fundara grandes esperanças. Não só
recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo
25 caso, andavam mofinas nos jornais. D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher,
bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse
em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia
uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música
alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível
30 prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.
Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os
olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.
35 —Nada, nada.
Bojo recheado - Expressão que indica que a carteira estava cheia, com bastante dinheiro dentro.
Descontar o futuro - Gastar antecipadamente o dinheiro que se espera ganhar no futuro; endividar-se.
Turbilhão - Movimento intenso e circular, como um redemoinho; no texto, refere-se à situação agitada e
descontrolada das finanças de Honório.
Voragem - Abismo que engole tudo; redemoinho que suga para o fundo. No texto, refere-se à situação
financeira que consome todo o dinheiro de Honório.
De pequena monta - De pouco valor ou importância.
Constituintes remissos - Clientes de advogado que demoram a pagar ou não pagam pelos serviços
prestados.
Mofinas - Notícias desagradáveis, geralmente críticas ou reclamações, publicadas em jornais.
Pilhérias - Brincadeiras, piadas, gracejos.
15
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam
com facilidade. A ideia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta.
Estava com, trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E
toca a trabalhar, a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal, e a más
40 horas.
A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca
demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha
a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer
45 pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas
voltou sem ousar pedir nada. Ao enfiar pela Rua. da Assembleia é que viu a carteira no chão,
apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando.
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando,
50 até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, -- enfiou depois pela Rua da Carioca,
mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no
Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma
cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não
achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal
55 das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não
lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de
censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência
acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão
depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e
60 convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a
tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.
Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às
escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas
65 notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte; calculou uns setecentos mil- réis ou
mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes.
Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida,
adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-
la.
70
Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para
quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um
calafrio. Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um
anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles? E
75 voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do
acha- do, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.
GLOSSÁRIO
Pôr a faca aos peitos - Expressão que significa pressionar alguém, forçar uma pessoa a fazer algo.
Agiota - Pessoa que empresta dinheiro cobrando juros muito altos, geralmente acima do permitido por
lei.
Insinuação - Sugestão indireta; dizer algo sem afirmar claramente.
Lance da fortuna - Golpe de sorte, acontecimento feliz e inesperado.
16
"Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar- me do dinheiro," pensou
ele.
80 Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que
não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?...
Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais
dous cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele.
85 A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e,
naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo
levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que
estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a
necessidade ainda lhe deu uns dous empurrões, mas ele resistiu.
90
"Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer."
— Nada?
— Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou?
105 — Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para
Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste
prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as
110 explicações precisas.
— Mas conheceste-a?
GLOSSÁRIO
Esquadrinhar - Examinar com muita atenção e cuidado, procurando detalhes.
Esboroou-se - Desmoronou-se, desfez-se completamente. No texto, refere-se aos planos de Honório que
foram por água abaixo.
Mudar de toilette - Ir ao banheiro.
17
ATIVIDADE 6
Esse texto é
A) uma notícia, pois conta um acontecimento real de forma direta e com o objetivo
principal de informar o leitor.
B) um diário pessoal, pois relata os pensamentos íntimos e sentimentos de uma
pessoa ao longo de seu dia.
C) um romance, pois desenvolve uma trama complexa com múltiplos personagens e
cenários ao longo de um extenso período de tempo.
D) um conto, pois narra uma história curta com poucos personagens (Honório,
Gustavo e D. Amélia) e um único problema central a ser resolvido.
ATIVIDADE 7
A situação vivenciada pelo personagem Honório revela uma crítica social sutil. Qual
dos valores a seguir está mais evidentemente presente?
A) A relação com D. Amélia, que resiste a qualquer tipo de problema ou situação difícil.
B) A humildade como valor fundamental, mesmo quando a pessoa está bem
financeiramente.
C) A valorização das aparências sociais, em que as pessoas escondem seus problemas
para manter uma boa imagem.
D) A importância de confiar sempre nos estranhos que encontramos na rua.
ATIVIDADE 8
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ATIVIDADE 9
No texto "A carteira", o autor usa diferentes formas de referenciação para evitar
repetições e tornar o texto mais coeso. Sobre esse uso, marque a alternativa
correta:
ATIVIDADE 10
MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. 1. ed. São Paulo: Global, 2021. p. 64-
68.
ASSIS, Machado de. Um apólogo. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v.
II. Disponível em: [Link]
Acesso em: 18 fev. 2025.
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