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GUIA COMPLETO DE FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA –

PREPARAÇÃO PARA PROVA


1. A RUPTURA COM A TRADIÇÃO RACIONALISTA – Nietzsche
Questão norteadora: De que maneira os filósofos do século XIX, a
exemplo de Nietzsche, romperam com a centralidade da razão herdada
do racionalismo moderno?
Texto base: “A Ruptura com a Tradição Racionalista” (Danilo
Marcondes), “Crepúsculo dos Ídolos” (Nietzsche), PPT Nietzsche
Síntese ampliada:
Nietzsche rejeita a centralidade da razão moderna (Descartes, Kant,
Hegel), denunciando-a como expressão de decadência. A razão,
segundo ele, reprime os instintos vitais e transforma a vida em uma
abstração enfraquecedora. Em “Crepúsculo dos Ídolos”, Nietzsche
afirma que a razão foi usada como instrumento de negação da vida: “A
razão […] é uma doença”. Essa crítica se estende à moral tradicional
cristã, vista como moral dos fracos, baseada no ressentimento.
Ele afirma que os valores ocidentais, especialmente os morais e
metafísicos, são construções decadentes que negam a força da vida e
dos instintos. Com a morte de Deus, é necessário transvalorar todos os
valores, abandonando a ideia de verdade absoluta e adotando a vontade
de potência como princípio de criação de novos sentidos e valores.
“Com Sócrates, o gosto grego se volta em favor da dialética: o
que acontece realmente? Antes disso, no gosto nobre, a
dialética era rejeitada” (Crepúsculo dos Ídolos, II – O Problema
de Sócrates).
“O mundo verdadeiro acabou se tornando uma fábula”
(Crepúsculo dos Ídolos – Como o ‘mundo verdadeiro’ acabou se
tornando uma fábula).
Conceitos-chave: - Crítica à moral cristã como moral de escravos
(ressentimento) - Morte de Deus → crise dos valores - Vontade de
potência como força criadora - Eterno retorno como provação do valor
da existência - Transvaloração de todos os valores
Conclusão: Nietzsche propõe substituir os valores herdados da
metafísica e da moral tradicional por valores afirmadores da vida, com
base na vontade de potência, na criação individual e na superação do
niilismo.
2. A PROBLEMÁTICA FILOSÓFICA NO SÉCULO XX
Questão norteadora: Como as rupturas promovidas pelas ciências
impactaram a filosofia do século XX?
Textos base: Iniciação à História da Filosofia 1 (Cap. A Problemática
Filosófica no Século XX), Filosofia Contemporânea (PUCRS)
Síntese ampliada:
A filosofia contemporânea nasce da crise do sujeito cartesiano,
impactada pelas transformações trazidas pelas ciências naturais e
humanas:
 Darwin: sua teoria da seleção natural rompe com a visão
teleológica da natureza. O ser humano deixa de ser o centro da
criação e passa a ser apenas mais um elo na cadeia evolutiva.
 Freud: introduz o inconsciente, minando a ideia de um sujeito
transparente a si mesmo. A racionalidade passa a ser apenas uma
parte limitada da psique.
 Einstein / Heisenberg: a física moderna abandona os conceitos
absolutos de tempo e espaço. O real torna-se relacional, incerto, e
dependente da perspectiva do observador.
“É a era da incerteza. O sujeito perde seu lugar de centro
organizador da realidade.” (PUCRS, Filosofia Contemporânea)
Essas transformações conduzem à perda de confiança na razão como
fundamento seguro e universal do saber. A filosofia passa a valorizar a
linguagem, a história, o corpo, o contexto e a finitude humana.
Consequências: - Crise da metafísica e da razão universal -
Centralidade da linguagem e da intersubjetividade - Surgimento de
novas correntes: fenomenologia, existencialismo, estruturalismo,
hermenêutica

3. HEIDEGGER – SER E TEMPO


Questão norteadora: Como Heidegger reformula a ontologia por meio
da análise do Dasein, e de que maneira essa análise inaugura uma nova
forma de pensar o ser?
Textos base: Ser e Tempo (Cap. 2), Iniciação à História da Filosofia 2
Síntese ampliada:
Heidegger propõe uma ontologia fundamental, anterior a toda ontologia
tradicional, centrada na análise do Dasein — o ente que compreende o
ser. Ao contrário da tradição metafísica, que tratava o ser como
substância ou essência, Heidegger entende o ser como algo que se
revela no tempo e na existência.
O Dasein é o ser que existe no mundo e que se relaciona com o ser a
partir de sua própria existência. Sua estrutura existencial revela três
aspectos centrais: a facticidade (ser lançado no mundo), a
existencialidade (projetar-se para possibilidades) e a decadência (se
perder no cotidiano). O Dasein é finito, temporal e mortal — e é
justamente por isso que pode interrogar o ser.
“O ser do Dasein deve ser compreendido a partir do tempo e
como ser-temporal.” (Heidegger, Ser e Tempo)
O conceito de ser-para-a-morte é fundamental: a morte não é apenas
um evento biológico, mas a possibilidade mais própria do Dasein. Ao
assumir sua finitude, o Dasein pode viver de forma autêntica.
Conceitos-chave: - Dasein: ser-aí, ente que compreende o ser - Ser-no-
mundo: existência situada e envolvida - Cuidado (Sorge): estrutura
unificadora da existência - Ser-para-a-morte: finitude como condição da
autenticidade - Existência autêntica vs. inautêntica: viver conforme ou
contra o chamado do próprio ser
Conclusão: A ontologia de Heidegger desloca a ênfase da substância
para a existência concreta e histórica, lançando as bases para o
existencialismo e influenciando profundamente a filosofia do século XX.

4. MARX E A CRÍTICA DA IDEOLOGIA


Questão norteadora: Por que a crítica ideológica é uma etapa
necessária para a emancipação social?
Textos base: Marx e a Crítica da Ideologia; Filosofia Contemporânea
(PUCRS)
Síntese ampliada:
Para Marx, a ideologia é uma forma de “falsa consciência” que distorce a
percepção da realidade social e serve aos interesses da classe
dominante. A ideologia encobre as contradições do sistema capitalista e
legitima as relações de exploração, fazendo parecer natural o que é
histórico e construído.
“Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que
determina a consciência.” (A Ideologia Alemã)
A ideologia é produzida pelas estruturas materiais (infraestrutura), que
condicionam as ideias (superestrutura). Portanto, é necessário
desmascarar as ideologias para libertar os indivíduos da alienação e
promover a emancipação social.
“As ideias dominantes são, em cada época, as ideias da classe
dominante.” (A Ideologia Alemã)
Conceitos-chave: - Ideologia: sistema de ideias que mascara a
realidade - Infraestrutura: base econômica da sociedade (relações de
produção) - Superestrutura: instituições, cultura, política - Alienação:
perda de controle do trabalhador sobre o produto de seu trabalho -
Emancipação: superação da alienação por meio da ação revolucionária
Conclusão: A crítica da ideologia é condição essencial para a
consciência de classe e para a transformação radical da sociedade
capitalista rumo a uma sociedade emancipada.

5. ADORNO & HORKHEIMER – DIALÉTICA DO


ESCLARECIMENTO
Questão norteadora: Como Adorno e Horkheimer explicam que a
razão iluminista se transformou em instrumento de dominação?
Textos base: Dialética do Esclarecimento
Síntese ampliada:
Adorno e Horkheimer mostram que o projeto iluminista, que pretendia
libertar a humanidade do mito e da superstição por meio da razão,
acabou se convertendo em um novo tipo de mitologia: o da razão
instrumental, voltada para a dominação da natureza e das pessoas.
A indústria cultural é o principal exemplo disso. Ela transforma a
cultura em mercadoria, padronizando gostos, opiniões e
comportamentos. O entretenimento substitui a reflexão, e a repetição
de fórmulas impede o pensamento crítico.
“O mundo inteiro passou pelo crivo da indústria cultural.”
(Adorno & Horkheimer)
A razão, em vez de libertar, tornou-se ferramenta de controle social,
gerando conformismo e passividade.
Conceitos-chave: - Razão instrumental: razão técnica voltada à
eficiência, não à verdade - Indústria cultural: produção cultural em
massa que gera alienação - Iluminismo como mito: racionalidade que se
torna nova forma de dominação - Cultura de massa: homogeneização da
experiência
Conclusão: A razão moderna, em vez de promover a liberdade, tornou-
se mecanismo de reprodução da dominação nas sociedades capitalistas
avançadas. A saída está na crítica estética e no pensamento negativo.

6. HANNAH ARENDT – A CONDIÇÃO HUMANA


Questão norteadora: Quais são as três formas da vita activa (labor,
obra e ação) e como elas fundamentam a reflexão de Arendt sobre o
agir humano no mundo moderno?
Textos base: A Condição Humana (cap. 2)
Síntese ampliada:
Arendt propõe uma distinção entre três atividades fundamentais da vida
ativa:
 Labor: atividades ligadas à sobrevivência biológica e ao ciclo da
natureza (como comer, dormir, trabalhar).
 Obra: criação de um mundo artificial e durável (objetos,
instituições, artefatos).
 Ação: interação entre os homens no espaço público, onde surgem
a liberdade, a política e a pluralidade.
“A ação, e somente a ação, é capaz de iniciar algo novo.” (A
Condição Humana)
A modernidade, ao priorizar o labor e a técnica, obscureceu a ação e
desvalorizou o espaço público. Isso levou à alienação do homem em
relação à política e à liberdade.
Conceitos-chave: - Vita activa: conjunto das atividades humanas
fundamentais - Labor: necessidade biológica - Obra: permanência e
artificialidade - Ação: liberdade e pluralidade no espaço público -
Natalidade: capacidade humana de começar algo novo
Conclusão: Arendt resgata a importância da ação como fundamento da
liberdade e da política, propondo uma recuperação do espaço público
frente à alienação moderna.

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