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Documento Sem Nome-1

O documento aborda a gramática do grego koiné, focando no tempo verbal perfeito e no particípio perfeito. Ele detalha a formação e as regras de uso do perfeito, incluindo a distinção entre o Primeiro e Segundo Perfeito, e explica a flexão do particípio perfeito nas vozes ativa, média e passiva. Além disso, o texto analisa a função temporal do particípio perfeito e fornece exemplos práticos da aplicação desses conceitos em passagens bíblicas.

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Samuel Barbosa
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Documento Sem Nome-1

O documento aborda a gramática do grego koiné, focando no tempo verbal perfeito e no particípio perfeito. Ele detalha a formação e as regras de uso do perfeito, incluindo a distinção entre o Primeiro e Segundo Perfeito, e explica a flexão do particípio perfeito nas vozes ativa, média e passiva. Além disso, o texto analisa a função temporal do particípio perfeito e fornece exemplos práticos da aplicação desses conceitos em passagens bíblicas.

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O texto que você forneceu trata da gramática do grego koiné, especificamente sobre o

tempo verbal perfeito e, de forma mais detalhada, sobre o particípio perfeito. A seguir, farei
uma análise ponto a ponto do conteúdo, explicando cada conceito em português e no
contexto da gramática grega.
​Perfeito e Segundo Perfeito
​O texto começa explicando a formação do tempo verbal perfeito (em grego, τέλειος). O
perfeito indica uma ação que foi concluída no passado e cujos efeitos ou resultados
continuam no presente. Por exemplo, λύω (eu desato) no perfeito vira λέ-λυ-κα, que significa
"eu desatei (e o resultado é que está desatado)".
​Perfeito (ou Primeiro Perfeito): Este é o mais comum e se forma com a reduplicação (a
duplicação da primeira sílaba do verbo), o radical do verbo e a característica -κ- (kappa). A
vogal temática -α é adicionada ao final.
​Exemplo: γράφω (eu escrevo) se torna γέ-γραφ-α. O γέ- é a reduplicação, o -γραφ- é o
radical, e o -α é a terminação. A forma completa, γέ-γραφα, significa "eu escrevi (e o que
escrevi existe agora)".
​Segundo Perfeito (ou Perfeito Forte): Alguns verbos, considerados irregulares, formam o
perfeito sem a característica -κ-. Eles simplesmente usam a reduplicação e a vogal temática
-α anexada ao radical verbal.
​Exemplo: φεύγω (eu fujo) se torna πέ-φευγ-α. O πέ- é a reduplicação e o -φευγ- é o radical.
Note que não há o -κ-.
​A observação do texto é crucial: o Primeiro e o Segundo Perfeito não têm diferença de
significado. A diferença é puramente formal (na maneira como são escritos). A
irregularidade do Segundo Perfeito significa que não há regras fixas para sua formação; é
preciso consultar um dicionário.
​Reduplicação
​A reduplicação é o processo de duplicar parte do verbo no início para formar o perfeito. O
texto detalha as regras para isso:
​Quando o verbo começa com uma consoante única não aspirada (não sendo ρ): A própria
consoante inicial é duplicada e a vogal ε é adicionada.
​γεννάω (eu gero) → γε-γέννηκα. O γ é duplicado com a vogal ε.
​πιστεύω (eu creio) → πε-πίστευκα. O π é duplicado com a vogal ε.
​Quando o verbo começa com uma consoante única aspirada (θ, φ, χ): A reduplicação usa a
forma não aspirada correspondente (τ, π, κ).
​χαρίζομαι (eu dou graças) → κε-χάρισμαι. O χ (aspirado) vira κ na reduplicação.
​φιλέω (eu amo) → πε-φίληκα. O φ (aspirado) vira π.
​Quando o verbo começa com uma consoante muda seguida de uma líquida (λ, μ, ν, ρ):
Apenas a primeira letra é reduplicada (ou sua forma não aspirada, conforme a regra 2).
​γράφω (eu escrevo) → γέ-γραφα. Apenas o γ é duplicado, mesmo que ρ venha em seguida.
​Quando o verbo começa com ῥ ou ῥι: Geralmente, a reduplicação é o ε seguido do ρ
duplicado. Isso se parece com o aumento do aoristo.
​ῥίπτω (eu lanço) → ἔ-ρριφα. O ε é adicionado e o ρ é duplicado.
​"Aumento" no Lugar da Reduplicação
​Em alguns casos, a reduplicação é substituída por um aumento, que é a vogal ε no início do
verbo. Isso acontece nas seguintes situações:
​Quando o verbo começa com múltiplas consoantes ou uma consoante dupla (ζ, ξ, ψ): A
reduplicação é substituída pelo aumento ε.
​στρέφω (eu viro) → ἔ-στροφα. O στ não é duplicado; em vez disso, ε é adicionado.
​ζητέω (eu procuro) → ἔ-ζήτηκα. O ζ não é duplicado; ε é adicionado.
​ uando o verbo começa com uma vogal ou ditongo: O aumento ε se contrai com a vogal ou
Q
ditongo inicial.
​ἐλπίζω (eu espero) → ἤλπικα. O ε (aumento) + ε (do verbo) se contraem em η.
​ἀγαπάω (eu amo) → ἠγάπηκα. O ε (aumento) + α (do verbo) se contraem em η.
​αἰτέω (eu peço) → ᾔτηκα. O ε (aumento) + αι (do verbo) se contraem em ῃ.
​Observação importante: Diferente do aumento no imperfeito ou aoristo, que é temporário, o
aumento no perfeito é parte integral do radical do verbo. Ele permanece em todas as
formas, inclusive no infinitivo e no particípio.
​Particípio Perfeito
​O texto segue para a flexão do particípio perfeito, que é uma forma verbal que funciona
como adjetivo, descrevendo uma ação que já foi concluída.
​1. Particípio Perfeito Ativo (λέ-λυ-κώς)
​Formação: O radical é o mesmo do perfeito do indicativo ativo (reduplicado e com -κ-). No
caso de λύω, o radical é λε-λυ-κ-. A partir daí, as terminações são adicionadas:
​Para o masculino e neutro, usa-se o sufixo -οτ- antes das terminações da 3ª declinação.
​Para o feminino, usa-se o sufixo -υι- antes das terminações da 1ª declinação.
​Tradução: A tradução sugerida é "tendo desatado", o que captura a ideia de uma ação
concluída que precede a ação do verbo principal.
​2. Particípio Segundo Perfeito Ativo (γε-γον-ώς)
​O Segundo Perfeito, por não ter a característica -κ-, usa as mesmas terminações do
Primeiro Perfeito. O radical para γίνομαι é γεγον-.
​A flexão, como mostra a tabela, é análoga à do Primeiro Perfeito, usando as terminações
-ώς, -υῖα, -ός etc.
​3. Particípio Perfeito Médio / Passivo (λε-λυ-μένος)
​Formação: Diferente da voz ativa, a voz média e passiva do particípio perfeito usa a
característica -μεν- no lugar do -κ-.
​Flexão: O particípio na voz média/passiva segue a declinação dos adjetivos da 1ª e 2ª
declinação.
​Tradução: O texto sugere duas traduções, dependendo da voz:
​Voz Média: "tendo desatado para si", indicando que o sujeito age para seu próprio benefício.
​Voz Passiva: "tendo sido desatado", indicando que o sujeito recebe a ação.
​Observação: Como o -κ- não é usado na voz média/passiva, não há distinção formal entre o
Primeiro e o Segundo Perfeito nessas vozes.
​O Particípio Perfeito e a Questão do Tempo
​A seção final explica a função temporal do particípio perfeito.
​O particípio perfeito não tem um tempo absoluto. Ele não diz quando a ação aconteceu. Em
vez disso, a sua ação é concebida em relação ao verbo principal da frase.
​A ênfase do perfeito pode estar no estado resultante ou na ação acabada do passado.
​O particípio perfeito pode expressar:
​Uma ação ou estado simultâneo: Geralmente, o particípio perfeito descreve um estado que
coexiste com a ação do verbo principal.
​Exemplo: ὁ Ἰησοῦς κεκοπιακὼς ἐκ τῆς ὁδοιπορίας ἐκαθέζετο (João 4:6)
​Análise: κεκοπιακὼς (cansado/tendo se cansado) é o particípio perfeito. O verbo principal é
ἐκαθέζετο (sentou-se). O estado de Jesus estar cansado (κεκοπιακὼς) é simultâneo ao ato
de Ele se sentar (ἐκαθέζετο). A tradução "Jesus, cansado da viagem, sentou-se" captura
bem essa simultaneidade.
​ ma ação ou estado antecedente: Em alguns casos, o particípio perfeito pode expressar
U
uma ação que ocorreu antes da ação do verbo principal. Isso pode acontecer quando a
ênfase está mais na ação do que no estado.
​Exemplo: καὶ ἐμνήσθη ὁ Πέτρος τοῦ ῥήματος Ἰησοῦ εἰρηκότος... (Mateus 26:75)
​Análise: O verbo principal é ἐμνήσθη (lembrou-se). O particípio perfeito é εἰρηκότος (tendo
falado/dito). Pedro se lembrou da palavra que Jesus já tinha dito antes. A ação de Jesus
falar é anterior à ação de Pedro se lembrar.
​Análise de João 1:1-4
​Finalmente, o texto pede para analisar João 1:1-4. Vamos identificar as formas verbais:
​ἦν (v.1, 2, 3): Imperfeito do verbo εἰμί (ser). Significa "estava".
​ἀκηκόαμεν (v.1, 3): Perfeito do verbo ἀκούω (ouvir). ἀκ- é o radical, -ηκ- é a reduplicação
(pelo aumento ε + α), -κ- é a característica do perfeito, e -αμεν é a terminação para "nós".
Significa "nós temos ouvido".
​ἑωράκαμεν (v.1, 2, 3): Perfeito do verbo ὁράω (ver). ἑ- é a reduplicação, -ωρακ- é o radical +
característica -κ-, e -αμεν é a terminação. Significa "nós temos visto".
​ἐθεασάμεθα (v.1): Aoristo do verbo θεάομαι (contemplar). ἐ- é o aumento, -θεασα- é o
radical do aoristo, e -μεθα é a terminação da voz média. Significa "nós contemplamos".
​ἐψηλάφησαν (v.1): Aoristo do verbo ψηλαφάω (tocar). ἐ- é o aumento, -ψηλαφη- é o radical,
e -σαν é a terminação da 3ª pessoa do plural. Significa "eles tocaram".
​ἐφανερώθη (v.2): Aoristo passivo do verbo φανερόω (manifestar). ἐ- é o aumento, -φανερω-
é o radical, e -θη é a terminação passiva do aoristo. Significa "foi manifestada".
​μαρτυροῦμεν (v.2): Presente do verbo μαρτυρέω (testemunhar). -μεν é a terminação para
"nós". Significa "nós testemunhamos".
​ἀπαγγέλλομεν (v.2): Presente do verbo ἀπαγγέλλω (anunciar). -μεν é a terminação para
"nós". Significa "nós anunciamos".
​ἔχητε (v.3): Subjuntivo presente do verbo ἔχω (ter). -ητε é a terminação da 2ª pessoa do
plural. Significa "vocês possam ter".
​γράφομεν (v.4): Presente do verbo γράφω (escrever). -μεν é a terminação para "nós".
Significa "nós escrevemos".
​πεπληρωμένη (v.4): Particípio perfeito passivo do verbo πληρόω (encher/completar). πε- é a
reduplicação, -πληρω- é o radical, -μεν- é a característica da voz passiva, e -η é a
terminação do feminino singular. Significa "tendo sido completada". A tradução mais natural
no contexto seria "para que nossa alegria seja completa".

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