INSTITUTO DE EDUCAÇÃO EL SHADAY
NÍCOLAS ANDREY DE SOUZA PINTO
O PRIMEIRO REINADO: BRASIL IMPERIAL
MANAUS - AMAZONAS
2025
NÍCOLAS ANDREY DE SOUZA PINTO
O PRIMEIRO REINADO: BRASIL IMPERIAL
Trabalho solicitado para obtenção de
nota parcial do 3º bimestre da
disciplina de História, do 8º ano A, do
Instituto de Educação El Shaday, sob a
orientação do professor Wagner.
MANAUS - AMAZONAS
2025
INTRODUÇÃO
O Primeiro Reinado corresponde ao período de 7 de setembro de 1822
(Independência do Brasil) a 7 de abril de 1831 (abdicação de Dom Pedro I).
Esta fase inaugurou o período histórico do Brasil Império, no qual o país foi
governado por D. Pedro I.
O Primeiro Reinado foi marcado por disputas entre as elites agrárias e o
Imperador, além de conflitos regionais no Nordeste e na Cisplatina. Porém, foi
o momento no qual o Brasil construiu suas bases como Estado-nação.
Este período chegou ao fim com a abdicação de D. Pedro I, por causa
da crescente insatisfação popular. D. Pedro II, que tinha apenas cinco anos,
assumiu o trono em seu lugar.
O período do Primeiro Reinado foi antecedido pelo processo de
Independência do Brasil (1822). Em 1808, a Corte Portuguesa estabeleceu-se
no Brasil, numa estratégia de manutenção do poder e de proteção de sua
principal colônia, no contexto do Bloqueio Continental imposto por Napoleão
Bonaparte.
A presença da monarquia em terras brasileiras trouxe uma série de
transformações, incluindo a elevação do status do Brasil de colônia para Reino
Unido a Portugal e Algarves (1815).
Contudo, após a derrota definitiva de Napoleão, os portugueses,
bastante insatisfeitos com a nova posição do Brasil e com a ausência do
monarca, iniciaram a Revolução Liberal do Porto (1820), que tinha entre seus
principais objetivos recolonizar o Brasil, promover a volta de D. João VI para
Portugal e elaborar uma Constituição.
Diante desta pressão, Dom João VI retornou a Portugal em 1821,
acompanhado da rainha Dona Carlota Joaquina, do príncipe D. Miguel e das
filhas do casal. Porém, seu filho mais velho e herdeiro do trono, D. Pedro,
permaneceu no Brasil, na condição de príncipe regente.
O PRIMEIRO REINADO: BRASIL IMPERIAL
O Primeiro Reinado foi o período da história do Brasil iniciado a partir da
independência do país, em 1822. Essa fase estendeu-se até 1831, quando o
imperador D. Pedro I abdicou o trono brasileiro em favor de seu filho, Pedro de
Alcântara, futuro D. Pedro II.
ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO PRIMEIRO REINADO
O Primeiro Reinado foi resultado direto do processo de independência
do Brasil, que teve como ponto de partida a transferência da Corte portuguesa
para o Rio de Janeiro a partir de 1808. Quando isso aconteceu, uma série de
transformações aconteceu no Brasil: a cidade do Rio de Janeiro cresceu e
desenvolveu-se, os portos foram abertos e o comércio prosperou. Dessa forma,
o Brasil deixou de ser colônia, tornando-se parte do Reino de Portugal. Os
ânimos do Brasil estavam relativamente sob controle até 1820, quando eclodiu
a Revolução Liberal do Porto, em Portugal. Essa revolução foi realizada pela
burguesia portuguesa, que demandava o retorno do rei português para Lisboa
e a revogação das medidas que haviam sido implantadas no Brasil. A
Revolução Liberal do Porto foi muito mal recebida pelas elites econômicas do
Brasil, que encararam essa revolta como uma tentativa de recolonizar o país.
Assim, surgiu um movimento pela independência do Brasil, o qual considerou
Pedro, filho de D. João VI, como a pessoa ideal para liderar esse processo.
Após ser pressionado pelas Cortes portuguesas (espécie de parlamento) a
retornar a Portugal, Pedro percebeu que o único caminho a ser tomado era
declarar a independência do Brasil. Assim, em 7 de setembro de 1822,
aconteceu o grito do Ipiranga, por meio do qual o regente declarou a
independência do Brasil. Pedro foi, então, coroado imperador, tornando-se D.
Pedro I.
GUERRAS DE INDEPENDÊNCIA
Diferentemente do que muitos acreditam, a independência do Brasil não
foi pacífica. Houve províncias que permaneceram leais aos portugueses, por
isso, foi necessário travar guerra a fim de garantir a unidade territorial do país.
nome de destaque nessa luta contra os portugueses e seus aliados no Brasil
foi lorde Cochrane, comandante contratado por D. Pedro I.
Entre as regiões que se rebelaram contra a independência, podemos
citar as províncias do Pará, Maranhão, Bahia e Cisplatina. Em meados de
1823, os conflitos contra a independência do país estavam sob controle, e os
apoiadores de Portugal já estavam derrotados.
POR QUE O BRASIL TORNOU-SE UMA MONARQUIA
Quando o Brasil declarou a sua independência, seus realizadores
optaram por instaurar a monarquia como forma de governo do país. Era um
caso único na América do Sul, já que as antigas colônias espanholas nessa
parte do continente tinham tornado-se repúblicas. Na América Latina, além do
Brasil, só o México transformou-se, durante um curto período de tempo, em
uma monarquia.
Segundo as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, a escolha da
monarquia em vez da república aconteceu por alguns motivos:
Os idealizadores da nossa independência temiam que o território do
Brasil fosse fragmentado caso instaurassem a república no país.
A elite brasileira havia sido letrada nas tradições monarquistas de
Portugal.
Essa forma de governo evitava que transformações no status quo
acontecessem.
CONSOLIDAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
Após a declaração de independência, o Brasil tinha desafios imediatos a
serem superados. Primeiramente, era necessário cessar a guerra travada
contra as províncias rebeldes. Depois, era fundamental garantir o
reconhecimento internacional e, por fim, era importante redigir uma
Constituição para estruturar o país.
A princípio, as nações vizinhas relutaram em reconhecer a
independência do Brasil pelo fato de o país ter tornado-se uma monarquia.
Grande parte do reconhecimento da nossa independência ocorreu em virtude
das ações da Inglaterra e dos Estados Unidos.
Os ingleses foram responsáveis por mediar as negociações entre Brasil
e Portugal. O reconhecimento da independência do Brasil pelos portugueses só
ocorreu em 1825, mediante pagamento de indenização e com o compromisso
firmado pelo Brasil de não incentivar a independência das colônias portuguesas
na África.
CONSTITUIÇÃO DE 1824
Após a independência, a nova nação precisava de uma Constituição.
Para essa tarefa, era necessário formar uma Assembleia Constituinte, que
deveria ser escolhida por meio de eleições. Os trabalhos da Constituinte
iniciaram-se em maio de 1823 e foram marcados pelo atrito entre D. Pedro I e
as elites econômicas e políticas do Brasil.
As discordâncias entre os parlamentares e D. Pedro I ocorreram em
decorrência da arbitrariedade e da autoridade do imperador nas tomadas de
decisões. No caso da Constituição, os parlamentares defendiam a existência
de maiores liberdades individuais e a limitação do poder real. Em contrapartida,
D. Pedro I queria poderes ilimitados para governar o Brasil.
Como não concordava com os termos da Constituição elaborada pelos
parlamentares, D. Pedro I decidiu vetar o documento, que ficou conhecido
como Constituição da Mandioca. Essa ação aconteceu em 12 de novembro de
1823 e foi acompanhada de um evento chamado Noite da Agonia. Nessa
ocasião, D. Pedro I ordenou que tropas cercassem e dissolvessem a
Assembleia Nacional Constituinte. Nesse dia, vários parlamentares foram
presos. Após esse episódio, uma nova Constituição começou a ser elaborada
por uma comissão formada pelo imperador. Essa Constituição ficou pronta em
1824 e foi outorgada por ordem do imperador. O documento reafirmava que o
Brasil seria uma monarquia e instituía ao imperador poderes absolutos sobre a
nação. Para isso, foi criado o Poder Moderador, representado exclusivamente
por D. Pedro I.
Foi determinada também nessa Constituição a imposição do voto
censitário. Assim, só poderiam votar aqueles tivessem renda anual acima de
100 mil réis.
COMO TERMINOU O PRIMEIRO REINADO?
Os desgastes na relação de D. Pedro I com grande parte da sociedade,
em especial com certa elite política e econômica, fizeram com que o imperador
renunciasse o trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara. Dessa forma,
em 1831, o Primeiro Reinado chegou ao fim.
Entre os eventos que contribuíram para fragilizar a posição do
imperador, podemos citar como os de maior destaque:
Dissolução da Assembleia Constituinte
Confederação do Equador
Guerra da Cisplatina
Noite das Garrafadas
O governo de D. Pedro I não era muito popular no Nordeste brasileiro,
principalmente por causa do autoritarismo do imperador. Por isso, a região
tornou-se foco de críticas ao Império. Nesse contexto, dois nomes destacaram-
se: Cipriano Barata e Joaquim do Amor Divino (frei Caneca), que veiculavam
suas críticas em jornais de circulação local.
O principal foco de insatisfação era a província de Pernambuco, local
historicamente marcado por tensões. A insatisfação da região na década de
1820 era, em grande parte, herdada da Revolução Pernambucana, movimento
separatista de viés republicano que aconteceu em 1817. Os ideais
republicanos, associados com a insatisfação com o imperador, levaram a uma
nova rebelião: a Confederação do Equador. Essa revolta teve como estopim a
dissolução da Assembleia Constituinte e a nomeação de um governador que
não era desejado pela elite local. Na época, havia também uma forte
especulação de que a região seria invadida pelos portugueses. A junção de
todos esses fatores, associados à memória viva da Revolução Pernambucana,
fizeram a província rebelar-se. A Confederação do Equador iniciou-se em 2 de
julho de 1824 em Recife, Pernambuco. Sob a liderança de frei Caneca e
Manoel de Carvalho Paes de Andrade, o movimento logo se espalhou pelo
Nordeste, alcançando o Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e
Maranhão. A reação do imperador foi violenta: foi ordenada uma série de
execuções em Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro. Em setembro, os
rebeldes já tinham sido derrotados.
A crise do Primeiro Reinado também está associada com a Guerra da
Cisplatina, travada entre 1825 e 1828. Nesse conflito, o Brasil lutou pela
manutenção da província Cisplatina a fim de evitar que ela fosse anexada
pelas Províncias Unidas (atual Argentina). Essa guerra foi extremamente
impopular no Brasil.
Tudo começou quando habitantes locais da Cisplatina iniciaram uma
rebelião, declarando a separação da província do Brasil e sua vinculação com
as Províncias Unidas. A reação brasileira ocorreu com a declaração de guerra
contra os rebeldes e contra as Províncias Unidas. Ao longo dos três anos de
conflito, o Brasil amargou uma série de derrotas, que destruiu o moral do
exército e arruinou a economia do país.
O fim da guerra ocorreu com a assinatura de um acordo entre o Brasil e
as Províncias Unidas. Ambas as partes concordaram em abrir mão da
Cisplatina, fato que levou à queda da popularidade do imperador. Assim, em
1828, foi reconhecida a independência da República Oriental do Uruguai.
Além do autoritarismo, da violência e da economia arruinada, o jogo
político também contribuiu para minar a posição do imperador. Durante o
Primeiro Reinado, foram formados, gradativamente, dois blocos entre os
políticos: o partido brasileiro e o partido português. Enquanto o primeiro
representava a oposição ao imperador, o segundo oferecia-lhe apoio.
Esses desentendimentos entre brasileiros e portugueses fizeram com
que um confronto aberto acontecesse. Esse episódio ficou conhecido como
Noite das Garrafadas e durou dias nas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Como
resultado, D. Pedro I renunciou ao trono.
Ao deixar sua posição, o imperador ofereceu o trono ao seu filho, Pedro
de Alcântara. Como o príncipe só poderia assumir o poder quando tivesse 18
anos de idade, iniciou-se no país uma fase de transição, conhecida como
Período Regencial.
CONCLUSÃO
Portanto o Primeiro Reinado é um período que se estendeu de 1822 e
1831, sendo a fase em que D. Pedro I foi imperador do Brasil. Esse momento
de nossa história iniciou-se com a declaração de independência, em 7 de
setembro de 1822. A fase de consolidação do Brasil como nação independente
durou até 1825, quando Portugal reconheceu a autonomia do nosso território.
A primeira Constituição do Brasil foi outorgada em 1824, em um
processo que gerou muito atrito entre imperador e parlamentares. O Primeiro
Reinado ainda sofreu com os impactos da Guerra da Cisplatina, conflito que
resultou na independência do Uruguai, e da Conferência do Equador.
Desgastado, D. Pedro I abdicou do trono em 1831..
O Primeiro Reinado é, antes de tudo, o resultado da independência do
Brasil, em 1822. É bastante conhecido que emancipação brasileira deu-se
quando d. Pedro I deu o grito de independência às margens do Rio Ipiranga,
em São Paulo. A consolidação da independência ainda se arrastou por alguns
anos, conforme veremos.
De toda forma, esse processo é resultado das transformações que
aconteciam na Europa, do enfraquecimento de Portugal e das tentativas de
recolonização do Brasil realizadas pela elite portuguesa durante a Revolução
Liberal do Porto. Para entendermos esse processo, mesmo que brevemente,
temos de retornar a 1808.
Esse ano ficou marcado pela chegada da Coroa portuguesa ao Brasil
para fugir das tropas francesas que invadiram Portugal no final de 1807. A
transferência da Corte para o Rio de Janeiro trouxe mudanças significativas
para o Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto do político.
O Brasil passou a gozar de uma maior liberdade econômica por causa
da abertura dos portos anunciada em 1808, a ter um cenário científico e
cultural mais próspero, e, desde 1815, por ordem de d. João (tornou-se D. João
VI só em 1816), tornou-se parte integrante do reino. Isso significou que o Brasil
deixava a posição de colônia.
REFERÊNCIAS
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ANEXOS