Nome: ANA PAULA FERREIRA DOS SANTOS LORDELO Polo: UESB - JEQUIÉ
Métodos de Ensino na Educação Física – uma análise crítica e reflexiva
Os métodos de ensino na Educação Física são estratégias
pedagógicas utilizados na interação entre professor e alunos com a finalidade
de auxiliar no processo de ensino e aprendizagem. Os métodos podem ser
tradicionais, que são baseados em estilos de ensino que se concentram
principalmente no professor e no conteúdo ou métodos de ensino centrado nos
alunos, que são centrados no estudante e se concentram na experiência.
Nesse método, o professor é visto como um facilitador do processo de ensino e
aprendizagem e assume riscos ao abrir mão da aprendizagem controlada,
centrada quase que exclusivamente nele, para dar autonomia aos estudantes
em seu processo de ensino e aprendizagem
Os métodos de ensino centrados no aluno na Educação Física são de
extrema importância por várias razões. Primeiramente, eles permitem que os
alunos sejam ativos em seu próprio processo de aprendizagem. Isso significa
que os alunos não são apenas receptores passivos de informações, mas
participantes ativos na construção de seu próprio conhecimento.
Também pode-se citar que esses métodos promovem a autonomia do
aluno. Ao permitir que os alunos tomem decisões sobre seu próprio
aprendizado, eles desenvolvem habilidades importantes como a tomada de
decisão, a resolução de problemas e a autodisciplina.
Os métodos centrados no aluno na Educação Física também podem
aumentar a motivação dos alunos. Quando os alunos sentem que têm controle
sobre seu próprio aprendizado, eles são mais propensos a se envolver e a se
interessar pelo material.
Além disso, esses métodos podem levar a um aprendizado mais
profundo. Em vez de se concentrar apenas na memorização de fatos ou na
execução de habilidades motoras, os métodos centrados no aluno incentivam
os alunos a entender os conceitos subjacentes e a aplicar esse conhecimento
em diferentes contextos. Esses métodos podem ajudar a desenvolver
habilidades para a vida. Através do esporte e da atividade física, os alunos
podem aprender sobre trabalho em equipe, liderança, comunicação, resiliência
e muito mais.
Nesse contexto, podemos afirmar que os métodos centrados nos
alunos, embora devam ser analisados criticamente, abordando os prós e
contra, são imprescindíveis para uma visão mais holística e emancipatória do
processo de ensino e aprendizagem. Embora existam algumas políticas
educacionais que debatem a padronização do currículo, entendemos que a
padronização curricular não considera a individualidade do aluno e está
centrada nos interesses de capital e não no processo de ensino aprendizagem.
Libâneo (2016) afirma que , a tendência para a padronização
do currículo e da pedagogia pode limitar a capacidade dos
educadores de adaptar o ensino às necessidades individuais dos
alunos. Além disso, a ênfase nos resultados pode levar a uma visão
estreita da educação, focada apenas no desempenho acadêmico, em
detrimento de outras áreas importantes, como o desenvolvimento
social e emocional dos alunos. A internacionalização das políticas
educativas pode levar a uma homogeneização da educação,
ignorando a diversidade cultural e social. Isso pode resultar em uma
educação que não é relevante ou significativa para os alunos, e que
não os prepara adequadamente para a vida em suas próprias
comunidades e sociedades.
Os métodos de ensino na Educação Física têm evoluído ao longo dos
anos, com uma mudança notável do ensino tradicional para abordagens mais
centradas no aluno. Essas abordagens, como o Teaching Games for
Understanding (TGfU) e o Sport Education (SE), têm como objetivo melhorar a
compreensão e a motivação dos alunos, proporcionando experiências
esportivas autênticas e educacionais. (COSTA; SILVA 2020)
No entanto, é importante refletir criticamente sobre esses métodos.
Embora eles possam ser eficazes em alguns contextos, eles podem não ser
adequados para todos os alunos ou todas as situações. Por exemplo, o TGfU,
que se concentra em resolver problemas táticos através de jogos adaptados,
pode ser desafiador para alunos que lutam com habilidades motoras ou de
tomada de decisão. Da mesma forma, o SE, que se baseia na teoria da
aprendizagem situada, pode não ser eficaz em ambientes onde os recursos
são limitados.
Além disso, enquanto a ênfase na aprendizagem tática-técnica através
de pequenos jogos é louvável, é crucial garantir que esses jogos sejam
projetados e implementados de maneira a facilitar a compreensão tática e a
execução técnica. Caso contrário, eles podem acabar reforçando maus hábitos
ou técnicas inadequadas.
Finalmente, embora a ideia de promover o desenvolvimento positivo
dos jovens através do esporte seja nobre, é essencial que essas “Life Skills”
sejam ensinadas de maneira intencional e sistemática. Caso contrário, existe o
risco de que os benefícios potenciais do esporte sejam perdidos.
Em suma, enquanto os métodos de ensino na Educação Física têm o
potencial de melhorar significativamente a experiência de aprendizagem dos
alunos, é crucial que eles sejam aplicados de maneira crítica e reflexiva. Isso
requer uma compreensão profunda das necessidades e habilidades individuais
dos alunos, bem como do contexto em que o ensino está ocorrendo.
Em meu contexto observo algumas dificuldades para trabalhar de
forma exclusiva com os métodos de ensino centrado no aluno, dentre os quais
pode-se citar a reação dos alunos, que nem sempre comungam com as
expectativas geradas no momento de elaboração das atividades. Muitos
confundem autonomia com irresponsabilidade e se negam a participar das
aulas ou realizam atividades paralelas que em nada se relacionam com o
contexto da aula. Essa dificuldade me traz insegurança, pois muitas das vezes
a aula fica com cara de bagunça e alunos que demonstram comportamentos
similares a indisciplina.
Percebo também que em minha realidade o ensino ainda é tradicional,
centrado exclusivamente no professor. Quando o foco muda nas aulas de
Educação Física, alguns alunos extravasam, outros se intimidam e acabam se
afastando do proposto. Apenas alguns conseguem gerenciar a atividade com
autonomia. Por parte dos outros professores, a aula é vista como agitada e o
professor como aquele que não tem controle de classe.
Centrar o processo de ensino e aprendizagem no estudante nos coloca
em uma posição que inicialmente soa como desconfortável, mas ao decorrer
da prática, com a evolução e compreensão dos estudantes sobre a
responsabilidade no processo de ensino e aprendizagem, mostra o quão
eficiente os métodos centrados nos alunos são no desenvolvimento das
competências e habilidades dos estudantes,
REFERÊNCIAS
COSTA, G. D. C. T.; SILVA, R. M. O. E. Métodos de ensino na
Educação Física: um olhar para abordagens contemporâneas. In: SILVA,
R. M. O. E.; COSTA, G. D. C. T. (Org.). Educação Física escolar: teoria e
prática. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2020. p. 15-38.
.
LIBÂNEO, J. C. Objetivos educativos escolares e internacionalização
das políticas educativas: impactos no currículo e na pedagogia. Jornal
Europeu de Estudos Curriculares, v. 3, n. 2, p. 444-462, 20161.