História
Os abolicionistas
3o bimestre Ensino Fundamental:
Aula 15 Anos Finais
● Movimento abolicionista; ● Compreender o significado da
● Personalidades que lutaram pelo palavra "abolição" e suas
fim da escravidão: Maria Firmina implicações relacionadas ao
dos Reis, Luiz Gama, André contexto do Segundo Reinado;
Rebouças e José do Patrocínio. ● Compreender a diversidade de
grupos sociais envolvidos na luta
pela abolição da escravatura;
● Analisar o papel de Maria Firmina
dos Reis, Luiz Gama, André
Rebouças e José do Patrocínio no
movimento abolicionista brasileiro.
Para começar
Nós conhecemos as datas importantes
da nossa história?
Para iniciarmos nossa aula, reflita com seus
colegas: por que nós temos datas comemorativas
e feriados?
Agora, vamos olhar para a imagem ao lado e
refletir:
1. Qual data comemorativa a imagem destaca?
2. O que ocorreu nessa importante data de Reprodução – SINTIFRJ, 2022. Disponível em:
[Link]
nossa história? ate-quando-os-negros-vao-sofrer-a-escravidao-do-racismo. Acesso em:
19 dez. 2024.
3. Que elementos da imagem representam esse
acontecimento?
Foco no conteúdo
Lei Áurea – 13 de maio de 1888
Também conhecida como Lei Imperial
3.353, foi a lei sancionada pela
Princesa Isabel, e estabeleceu:
1º É declarada extincta, desde a data
desta Lei, a escravidão no Brazil.”
Manuscrito
Lei Áurea, 13 de maio de 1888. da Lei Áurea,
que se
encontra no
A abolição significou acabar com a Arquivo
escravidão, ou seja, extinguir a Nacional, no
Rio de
instituição e a prática da escravidão no Janeiro.
nosso país.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2017. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 19 dez. 2024.
Foco no conteúdo
Link para vídeo
MOVIMENTO ABOLICIONISTA
O complexo processo de luta
contra a escravidão no Brasil
Para falarmos da complexidade do
movimento abolicionista, assista ao
vídeo ao lado, procurando observar:
• como a história compreendeu e
compreende hoje a abolição da
escravidão;
• as formas de luta e resistência
contra a escravidão;
Para compreendermos a ideia de processo na abolição da
• o que era e quem compunha o escravidão no país, vamos assistir ao vídeo, do início até pelo menos
1 minuto e 38 segundos.
movimento abolicionista.
IURI FARIAS. Movimento Abolicionista. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
Foco no conteúdo
Para além da Lei Áurea…
Como vimos no último
slide, o processo da
abolição no Brasil vai
muito além da Lei de
1888. Observe a linha
do tempo e debata com
seus colegas sobre as
diferentes presenças da
população afro-brasileira
ao longo da história de
nosso país!
Observe a linha do tempo e debata
com seus colegas sobre a atuação
da população negra ao longo da
história de nosso país!
Produzido pela SEDUC-SP.
Entre as formas de resistência e luta contra a
escravidão no Brasil, podemos citar:
Pause e responda
Compra da alforria, fugas e
Fugas, formação de quilombos,
inutilização do sistema de
revoltas e serviço manual.
justiça.
Revoltas, compra da alforria e Abolicionismo, submissão e
abolicionismo. formação de quilombos.
Correção
Entre as formas de resistência e luta contra a
Pause e responda
escravidão no Brasil, podemos citar:
Compra da alforria, fugas e
Fugas, formação de quilombos,
inutilização do sistema de
revoltas e serviço manual.
justiça.
Revoltas, compra da alforria e Abolicionismo, submissão e
abolicionismo. formação de quilombos.
Foco no conteúdo
Principais características do abolicionismo no Brasil
1 2 3 4
Disseminação de Ideais e ações Impacto e
Diversidade ideias práticas repercussão social
Havia diversos Grupos abolicionistas Além da disseminação Pressão sobre as
setores da se mobilizaram para dos ideais, também autoridades
sociedade que se que seus ideais realizavam ações imperiais,
colocaram contra a atingissem diversos práticas, como a influenciando
escravidão e grupos da sociedade, defesa de diretamente a
aderiram ao usando muitos meios escravizados em decisão do governo
abolicionismo. como imprensa, tribunais, o auxílio em de acabar com a
clubes etc. fugas e o apoio aos escravidão.
quilombos.
Foco no conteúdo
Nos próximos slides conheceremos figuras
históricas importantes para a abolição!
Representações de
importantes personagens
da história abolicionista:
André Rebouças; Maria
Tomásia Figueira Lima
(cofundadora e a
primeira presidente da
Sociedade das
Cearenses Libertadoras);
Dragão do Mar
(jangadeiro que
comandou uma greve de
transportadores de
escravizados); Luiz
Gama; Adelina (espiã
abolicionista que
auxiliava em fugas) e
Maria Firmina dos Reis.
Reprodução – ROSSI; COSTA,
2024. Disponível em: [Link]
[Link]/Tre3sE52o5tdsyUL
eIFRW3aPfAM=/1200x/smart/filters
:cover():strip_icc()/[Link]/
v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd3
7670ae4f538a/internal_photos/bs/2
018/5/j/LKb6Q7TGauOSW8x3nrgg/
[Link].
Acesso em: 19 dez. 2024.
Foco no conteúdo
Maria Firmina dos Reis
• Nasceu em São Luís do Maranhão, em
1825.
• Filha da escravizada alforriada Leonor
Felippa dos Reis, tendo a avó na mesma
condição e, como tio, o professor,
gramático e filólogo Sotero dos Reis.
• Em 1847, foi aprovada em concurso
público para a Cadeira de Instrução
Primária e fundou a primeira escola mista
e gratuita do Maranhão, uma das
primeiras do país.
• Foi professora, escritora e poetisa.
• Defensora da abolição, em 1887 publicou
Representação de Maria Firmina dos Reis. Não há fotografia conhecida
na imprensa o conto "A escrava", texto
desta importante personagem da história da luta contra a escravidão no abolicionista que se propunha a atuar
Brasil. Esta imagem digital foi elaborada a partir de retrato falado colhido
por Nascimento Morais Filho, biógrafo da autora. como uma ferramenta retórica no intenso
debate que ocorria no Brasil na época.
Reprodução – LITERAFRO, 2024. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19
Fonte: LITERAFRO, 2024.
dez. 2024.
Foco no conteúdo
Luiz Gama
• Reconhecido por lei como patrono da
abolição no Brasil.
• Nasceu em 1830, em Salvador (BA), sendo
supostamente filho da ex-escravizada Luíza
Mahin e de um fidalgo português branco.
• Aos 10 anos foi vendido como escravo pelo
próprio pai, vindo para São Paulo, cidade na
qual viveria até a sua morte.
• Autodidata, conquistou judicialmente a
própria liberdade aos 17 anos. Foi jornalista,
tipógrafo e funcionário público.
• Sua função de maior destaque foi a de
rábula (advogado sem formação Fotografia de
acadêmica), atuando na defesa de Luiz Gama.
escravizados e responsável pela alforria de Reprodução – ESTADÃO CONTEÚDO, 2021. Disponível em:
[Link]
centenas deles. [Link]. Acesso
em: 19 dez. 2024.
Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO, 2021.
Foco no conteúdo
André Rebouças
● Nasceu na cidade de Cachoeira, região
do Recôncavo Baiano, em 1838.
● Engenheiro civil, lutou na Guerra do
Paraguai e projetou a estrada de ferro
que liga Curitiba ao Porto de
Paranaguá, no Paraná.
● Atuou como engenheiro, aluno,
professor e representante do governo
brasileiro em diversos países da
Europa e nos Estados Unidos.
● Como abolicionista, colaborou com a
Representação
fundação da Sociedade Brasileira
de André contra a Escravidão, junto de Joaquim
Rebouças.
Nabuco e José do Patrocínio.
Reprodução – PELTIER, 2021. Disponível em: [Link]
historia-do-engenheiro-e-abolicionista-andre-reboucas-amigo-pessoal-do-imperador- Fonte: PELTIER, 2021.
dom-pedro-ii-confira/. Acesso em: 19 dez. 2024.
Foco no conteúdo
José do Patrocínio
● Nasceu em Campos (RJ), em 1853.
● Foi jornalista, orador, poeta e
romancista, participando das
sessões preparatórias da instalação
da Academia Brasileira de Letras,
ocupando a cadeira de nº 21.
● Como jornalista do Gazeta de
Notícias, em 1879 iniciou uma
campanha pela abolição. Em torno
dele formou-se um grande coro de
jornalistas e de oradores.
● Em 1881, fundou a Confederação Fotografia de
Abolicionista, sendo o autor de seu José do
Patrocínio.
manifesto.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2013. Disponível em:
Fonte: WIKIPEDIA, [s.d.]. [Link]
Acesso em: 19 dez. 2024.
Na prática
Atividade 1 Veja no livro!
15 minutos
Leia o trecho selecionado de “A
escrava”, de Maria Firmina, e na
sequência responda:
De qualquer forma que vejamos, a
escravidão é sempre um grande mal. Ela
1. Como a autora relaciona a escravidão à
causa a decadência do comércio, pois este e
economia? a agricultura estão interligados, e o escravo
2. Qual é o "estigma da escravidão" não pode fazer a lavoura prosperar, já que
mencionado no texto? seu trabalho é forçado. O escravo não tem
futuro, seu trabalho não é pago. Além disso,
3. Como a autora sugere que a escravidão a escravidão nos traz vergonha, pois não
afeta a identidade nacional? Como essa podemos olhar de frente para as nações
afirmação legitimava o discurso livres. O estigma da escravidão, com o
abolicionista? cruzamento das raças, está marcado em
todos nós. Não adianta tentar convencer os
estrangeiros de que não temos sangue
escravo em nossas veias.”
(REIS, 2021)
Na prática
Correção
1. Como a autora relaciona a escravidão à economia?
Maria Firmina relaciona a escravidão à decadência do comércio e da agricultura. Ela
argumenta que a escravidão impede o florescimento da lavoura, porque o trabalho do
escravo é forçado e não remunerado, o que faz com que o sistema agrícola não se
desenvolva adequadamente. Além disso, a escravidão afeta negativamente o comércio,
que depende da agricultura para prosperar.
2. Qual é o "estigma da escravidão" mencionado no texto?
O "estigma da escravidão" se refere à marca negativa que a escravidão deixa na
sociedade brasileira, inclusive no que ela apresenta como “cruzamento das raças”.
3. Como a autora sugere que a escravidão afeta a identidade nacional? Como essa afirmação
legitimava o discurso abolicionista?
A autora argumenta que a escravidão deixa um estigma na identidade nacional do Brasil,
marcado pela vergonha e pela miscigenação, o que enfraquece a moral do país frente a
países sem escravidão. Esse argumento legitimou o discurso abolicionista, pois a
abolição seria vista como uma forma de o Brasil se alinhar às nações livres.
Encerramento
Observando a capa da revista ao lado de
1880, responda:
1. Como a campanha abolicionista é apresentada
pelo desenho da revista? Quem são seus
personagens? Como isso se relaciona à
mentalidade da época?
2. Explique o termo “abolição” e cite dois dos
personagens históricos aprendidos hoje,
explicando a diversidade de grupos sociais
envolvidos nessa luta.
Edição de 1880 da Revista Ilustrada falando sobre a campanha abolicionista, com ilustração
de Ângelo Agostini intitulada “Emancipação: uma nuvem que não pára de crescer”.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2007. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
Referências
ALONSO, A. Flores, votos e balas: o movimento abolicionista brasileiro (1668-88). São Paulo: Companhia
das Letras, 2015.
DOLHNIKOFF, M. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2017.
ESTADÃO CONTEÚDO. Conheça Luiz Gama, advogado escravizado que libertou 500 negros no Brasil.
Estado de Minas Cultura, 18 ago. 2021. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 19 dez. 2024.
IURI FARIAS. Movimento Abolicionista. YouTube, 4 mar. 2021. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso,
2023.
LITERAFRO. Maria Firmina dos Reis, 20 out. 2024. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
PELTIER, P. A história do engenheiro e abolicionista André Rebouças, amigo pessoal do Imperador Dom
Pedro II. Confira!. Bahia Notícia, 17 nov. 2021. Disponível em: [Link]
historia-do-engenheiro-e-abolicionista-andre-reboucas-amigo-pessoal-do-imperador-dom-pedro-ii-confira/.
Acesso em: 19 dez. 2024.
Referências
REIS, M. F. dos. A escrava. In: Úrsula. São Paulo: Penguin & Companhia das Letras, 2018.
REIS, M.F dos. A Escrava. Literafro, 7 jul. 2021. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 19 dez. 2024.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should know.
American Educator, v. 36, n. 1, Washington, 2012. pp. 12-19. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista, 2019. Disponível em:
[Link]
etapas-Educa%C3%A7%C3%[Link]. Acesso em: 19 dez. 2024.
WIKIPEDIA. José do Patrocínio, [s.d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 dez. 2024.
Identidade visual: imagens © Getty Images
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!
(ENEM 2010 – Adaptado) Negro, filho de escrava e fidalgo
português, o baiano Luiz Gama fez
A conquista da liberdade pelos afro- da lei e das letras suas armas na
brasileiros foi resultado de lutas sociais luta pela liberdade. Foi vendido
condicionadas historicamente. A ilegalmente como escravo pelo seu
biografia de Luiz Gama exemplifica a: pai para cobrir dívidas de jogo.
Sabendo ler e escrever, aos 18
A impossibilidade de ascensão social do anos de idade conseguiu provas de
negro em uma sociedade escravocrata. que havia nascido livre. Autodidata,
advogado sem diploma, fez do
B utilização do Direito como canal de luta direito o seu ofício e transformou-
pela liberdade por intelectuais negros. se, em pouco tempo, em
proeminente advogado da causa
C rigidez social, impossibilitadora de
abolicionista.”
ascensão social a qualquer custo.
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de
História. Ano 1, n.o 3. Rio de Janeiro:
D benevolência da elite agrária para com Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).
o representante negro mestiço.
Aprofundando
Correção Negro, filho de escrava e fidalgo
(ENEM 2010 – Adaptado) português, o baiano Luiz Gama fez
da lei e das letras suas armas na
A conquista da liberdade pelos afro-
luta pela liberdade. Foi vendido
brasileiros foi resultado de lutas sociais
condicionadas historicamente. A ilegalmente como escravo pelo seu
biografia de Luiz Gama exemplifica a: pai para cobrir dívidas de jogo.
Sabendo ler e escrever, aos 18
A impossibilidade de ascensão social do anos de idade conseguiu provas de
negro em uma sociedade escravocrata.
que havia nascido livre. Autodidata,
advogado sem diploma, fez do
utilização do Direito como canal de luta
B
pela liberdade por intelectuais negros.
direito o seu ofício e transformou-
se, em pouco tempo, em
proeminente advogado da causa
C rigidez social, impossibilitadora de
ascensão social a qualquer custo.
abolicionista.”
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista de
História. Ano 1, n.o 3. Rio de Janeiro:
D benevolência da elite agrária para Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).
com o representante negro
mestiço.
Aprofundando
Resolução
A alternativa correta é a letra B, pois Luiz Gama, um ex-escravizado que se tornou advogado,
usou o Direito como uma ferramenta para lutar pela liberdade dos negros. Ele usou suas
habilidades jurídicas para defender pessoas escravizadas e combater a escravidão,
tornando-se um importante intelectual e ativista na luta contra a opressão.
Aprofundando
(UFRR 2020 – Adaptada)
A trajetória e as ideias do engenheiro baiano André Rebouças – mestiço e filho de
um relevante membro da elite política monárquica no Brasil – demonstram a
Diversos projetos abolicionistas
diversidade do movimento abolicionista no século XIX. Sobre as lutas pela abolição
do sistema escravocrata brasileiro, assinale a alternativa CORRETA. invadiram a cena política
brasileira no último quarto do
A luta radical pela extinção imediata da escravidão, no século XIX, comprova a século XIX. O de André
A existência de uma elite aristocrática abolicionista ligada à agroexportação
cafeeira em permanente enfrentamento com a Coroa brasileira desde os Rebouças foi um dos mais
tempos da Assembleia Constituinte de 1823. radicais. Talvez por isso tenha
acabado derrotado. [...] Dedicado
A defesa da abolição da escravidão, da reforma agrária e da consequente a compreender os mecanismos
B transformação dos ex-escravizados em pequenos produtores rurais
que emperravam o
independentes comprova a presença de um ideário modernizante nas lutas
abolicionistas no Brasil. desenvolvimento do país, chegou
à conclusão de que vivíamos um
O projeto de abolição radical, que compreendia a libertação dos escravizados,
mas também a democratização do acesso à terra, teve o apoio de setores da
bloqueio estrutural para a
C emergência de indivíduos livres.
alta cúpula do Exército, a despeito da manutenção do respeito hierárquico à
função estatal de punir as fugas de escravizados no Brasil. E que a libertação dos
[escravizados], por si só, não
A proposta de promoção da cidadania política plena aos ex-escravizados
D acompanhou o debate abolicionista brasileiro, atenuando, ao longo do século seria suficiente.
XIX, o crescimento das revoltas escravas e, consequentemente, arrefecendo
o preconceito racial no Brasil monárquico. CARVALHO, M. A. R., 2009.
Aprofundando Diversos projetos
Correção abolicionistas invadiram a
A trajetória e as ideias do engenheiro baiano André Rebouças – mestiço e filho de um cena política brasileira no
relevante membro da elite política monárquica no Brasil – demonstram a diversidade do último quarto do século
movimento abolicionista no século XIX. Sobre as lutas pela abolição do sistema
escravocrata brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.
XIX. O de André Rebouças
foi um dos mais radicais.
A luta radical pela extinção imediata da escravidão, no século XIX,
comprova a existência de uma elite aristocrática abolicionista ligada à Talvez por isso tenha
agroexportação cafeeira em permanente enfrentamento com a Coroa acabado derrotado. [...]
A brasileira desde os tempos da Assembleia Constituinte de 1823. Dedicado a compreender
os mecanismos que
A defesa da abolição da escravidão, da reforma agrária e da consequente emperravam o
B transformação dos ex-escravizados em pequenos produtores rurais
desenvolvimento do país,
independentes comprova a presença de um ideário modernizante nas lutas
abolicionistas no Brasil. chegou à conclusão de que
vivíamos um bloqueio
O projeto de abolição radical, que compreendia a libertação dos estrutural para a
C escravizados, mas também a democratização do acesso à terra, teve o apoio
emergência de indivíduos
de setores da alta cúpula do Exército, a despeito da manutenção do respeito
hierárquico à função estatal de punir as fugas de escravizados no Brasil. livres. E que a libertação
dos [escravizados], por si
D A proposta de promoção da cidadania política plena aos ex-escravizados só, não seria suficiente.
acompanhou o debate abolicionista brasileiro, atenuando, ao longo do
século XIX, o crescimento das revoltas escravas e, consequentemente, CARVALHO, M. A. R.,
arrefecendo o preconceito racial no Brasil monárquico. 2009.
Aprofundando
Resolução
A alternativa correta é a letra B, uma vez que o texto destaca que André Rebouças defendia
não apenas a abolição, mas também a reforma agrária, transformando ex-escravizados em
pequenos produtores rurais. Isso reflete um ideário modernizante, que buscava superar a
estrutura escravocrata e promover uma sociedade mais igualitária e economicamente
dinâmica. Essa visão radical estava presente em setores do abolicionismo, embora tenha
sido derrotada politicamente.
Para professores
Slide 2
Habilidade: (EF08HI19B) Identificar as propostas presentes nas Leis Eusébio de Queirós,
Ventre Livre, Sexagenário e Áurea, bem como analisar os seus impactos na sociedade
brasileira do período imperial. (SÃO PAULO, 2019)
Slide 3
Dinâmica de condução: professor, este momento inicial servirá para engajar os alunos,
fazendo com que eles se sintam integrantes da história. Reforce com eles o papel da
memória para os indivíduos e a sociedade, destacando a sua relação com a História e a
criação de uma identidade. Ajude-os a lembrar de outras datas comemorativas que possam
ser significativas para eles, como a Consciência Negra.
Expectativas de respostas: 1. A imagem destaca o dia 13 de maio, em que se comemora
a abolição da escravidão no Brasil. // 2. Nesta data foi criada a lei que determinou a
proibição e extinção do regime escravista no Brasil. // 3. Os elementos que destacam e
ilustram esse acontecimento são as mãos rompendo a corrente, simbolizando a libertação
dos escravizados.
Slide 6
Dinâmica de condução: peça que os alunos acompanhem esta linha do tempo produzida
em seus materiais impressos. A ideia neste momento é que eles sejam introduzidos ao
assunto e tenham dimensão do impacto e da complexidade das lutas pela abolição.
Lembre-se de que todas essas leis serão abordadas nas próximas aulas, não sendo
necessário dedicar um tempo exorbitante para elas agora. No entanto, você pode refletir
sobre como o caminho em direção à abolição foi árduo e teve diversas problemáticas.
Slide 15
Dinâmica de condução: é fundamental contextualizar a fonte histórica para os estudantes,
evitando apresentá-la como uma “verdade” absoluta, mas compreendendo-a dentro de um
cenário de luta pela libertação dos escravos. Dessa forma, quando a autora menciona que
um dos problemas seria o “cruzamento das raças”, é importante situar essa afirmação em
uma visão da época, na qual isso era percebido de maneira negativa para a sociedade
brasileira. Essa perspectiva valorizava a pureza racial, tanto do branco quanto do negro,
refletindo a busca pelo branqueamento da sociedade.
É essencial que essas questões sejam debatidas com os estudantes, inclusive no aspecto
metodológico, permitindo que eles analisem as fontes de forma crítica. Isso inclui
compreender que mesmo figuras importantes para o movimento abolicionista muitas vezes
estavam marcadas por ideias e preconceitos predominantes em seu tempo histórico.
Quanto aos demais argumentos, estes demandam menos embasamento detalhado, pois
abordam temas como a responsabilidade do país na promoção da escravidão e a ausência
de remuneração para o trabalho escravo. Ainda assim, a contextualização da fonte é
necessária, uma vez que todo documento carrega intencionalidades, elementos do contexto
histórico em que foi produzido e as marcas ideológicas de sua época.
Slide 17
Dinâmica de condução: no “Encerramento”, crie um espaço de diálogo para que os
estudantes possam apresentar suas análises sobre a ilustração. Permita que eles
compartilhem suas dúvidas, auxiliando-os na interpretação da ilustração.
Expectativas de respostas: 1. A campanha abolicionista na Revista Ilustrada de 1880 é
representada por um desenho com três personagens: um vulto/nuvem (símbolo do
pensamento emancipatório), um senhor com guarda-chuva (representando a classe
dominante) e um negro (simbolizando a luta pela liberdade). O desenho reflete a disputa entre
a manutenção da escravidão e a busca por liberdade, revelando a mentalidade da época, em
que a escravidão ainda era defendida por muitos setores, mas questionada por outros, como
os abolicionistas. Como apresentada na legenda, seu título indica que, na década de 1880, o
pensamento abolicionista já estava crescido e assustava/preocupava aos senhores. // 2. A
abolição foi o processo de extinção da escravidão no Brasil, culminando na Lei Áurea de 1888,
que legitimou a libertação de todos os escravizados. Dois exemplos de personagens históricos
da luta abolicionista que podem ser citados são Luiz Gama, que usou o Direito para libertar
escravizados, e Maria Firmina dos Reis, que usou a literatura para denunciar a escravidão.
Este contraste de formas de manifestação da luta indicam uma diversidade de grupos sociais,
com negros, intelectuais e até setores da classe média unidos pela abolição, cada um
contribuindo de formas diferentes para acabar com o sistema escravocrata.