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Técnico em Administração
Orçamento
Natureza
Antes de se falar sobre orçamento, é preciso falar sobre planejamento. Os dois
estão interligados. O orçamento só existe porque a empresa ou organização tem um
planejamento.
Todo negócio envolve riscos, como a perda de clientes, prejuízos financeiros,
entre outros. Infelizmente, não há negócios 100% seguros.
O que se pode fazer, então, para que um negócio dê certo? Podem-se
minimizar os riscos. E, para conseguir minimizar os riscos, é importante planejar as
ações. Por isso, planejamento é algo essencial.
De modo geral, há dois riscos principais associados a atividades empresariais:
Risco operacional, o qual decorre da natureza das atividades
operacionais da empresa
Risco financeiro, o qual decorre da política de financiamento
(estrutura de capital) da empresa
Esses riscos devem ser levados em conta quando se faz o planejamento da
empresa. O processo de planejamento parte de um processo macro, de longo prazo,
com as análises de riscos externos e internos, da estrutura da empresa e das suas
oportunidades.
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O planejamento, em mais alto nível, constitui-se no planejamento estratégico.
Posteriormente, é desdobrado (aberto) em níveis inferiores: gerenciais, tácitos e
operacionais.
A sustentação de um planejamento gerencial é o planejamento financeiro, pois
este constitui a base da sobrevivência da empresa e é avaliado nos itens inferiores
de planejamento. Em nível de planejamentos operacionais, os aspectos financeiros
são abertos em orçamentos.
Fazer orçamentos não é algo simples. Exigem-se muita comunicação e
alinhamento com o planejamento da empresa. Além disso, o orçamento deve-se
alinhar ao crescimento e às condições projetadas pela empresa.
Conceito
Normalmente, na nossa família, fazemos um orçamento mensal das nossas
finanças ou orçamos o valor de algum bem ou serviço que pretendemos adquirir. Da
mesma forma, em uma empresa, o aspecto básico do processo de planejamento
financeiro é o processo de orçamentação, que é composto por um processo de
projeções de receitas, despesas, captações e aplicações de recursos.
O orçamento é um plano administrativo que abrange todas as fases das
operações para um período futuro definido. Ele reflete as estratégias definidas pela
empresa e aborda aspectos financeiros e não financeiros.
O período de constituição pode ser de dias ou meses. Ele é conhecido como
ciclo orçamentário e, em geral, tem quatro fases:
1. Planejamento de desempenho da empresa
2. Estabelecimento de parâmetros de referência
3. Análise de variação dos planos
4. Replanejamento
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Um orçamento não é algo simples, pois se devem abordar todas as atividades
da empresa. Ele é dividido em dois macro-orçamentos: operacional e financeiro.
Ambos são subdivididos, ou por atividades, ou por outros métodos mais adequados
à empresa. Veja:
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Orçamento Orçamento financeiro
operacional
Orçamento de vendas Orçamento de capital
Orçamento do estoque Orçamento de caixa
final
Orçamento de Balanço patrimonial
fabricação
Orçamento de custos de Demonstração de
materiais exercício projetado
Orçamento de mão de
obra
Orçamento de custos
diretos e indiretos de
fabricação
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Orçamento das
despesas departamentais
Para se implementar um bom orçamento, é necessário que haja condições
propícias para tal, como:
Objetivos operacionais (TIR, market share, controle ambiental, lucro)
Contabilidade aberta e informatizada com controle orçamentário
Análise de fatores macroeconômicos (situação da economia,
tendências e contexto)
Estrutura organizacional
Comunicação eficiente entre departamentos
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Finalidade
O acompanhamento dos valores realizados deve ser constante para que se
possa conferir se estão de acordo com os orçados. Isso permite medir a eficiência
do processo de planejamento financeiro da empresa.
Por que o orçamento é vantajoso? Entre as suas principais finalidades, estão estas:
Permite a definição prévia de diretrizes e de objetivos, a execução e o
controle
Força a comunicação, a integração e a participação
Faz com que colaboradores foquem sua visão no longo prazo
Propicia a formação de uma estrutura e a atribuição de
responsabilidades
Melhora a coordenação e o controle
Permite definir objetivos e metas específicas
Proporciona visão sistêmica
Elementos constitutivos
Existem diversos tipos de orçamentos, sendo cada um constituído de maneira
diferente. Neste tópico, veremos os principais tipos de orçamento e os aspectos
gerais da sua constituição.
Orçamento empresarial Baseia-se na segmentação das atividades da empresa.
Geralmente, é constituído por fases. Inicia-se com o orçamento de vendas, é
seguido por um orçamento de produção ou fabricação e termina com um orçamento
das despesas de vendas e administrativas. Naturalmente, cada um desses
orçamentos tem uma estrutura com os seus principais aspectos. Orçamento
empresarial integrado Este tipo de orçamento parte do modelo anterior, mas não se
limita a ele. Quando o orçamento operacional estiver concluído, é possível constituir
o orçamento geral. Essas peças orçamentárias permitirão projetar e avaliar os
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resultados do planejamento. Assim, são desenvolvidos outros orçamentos: •
Orçamento de demonstração do resultado (DRE) • Orçamento de caixa • Orçamento
de investimento • Orçamento do balanço patrimonial Orçamento contínuo Baseia-se
em um prazo movente que se estende em função de um período fixo. Quando um
período termina, outro é acrescentado ao fim do ciclo. Esse orçamento é geralmente
elaborado em 12 meses. Quando o mês termina, outro é acrescentado. O orçamento
contínuo é usado quando se acredita que planos realistas possam ser feitos para
curtos períodos ou quando é desejável ou necessário replanejar e refazer projeções
continuamente por força das circunstâncias. Geralmente, utiliza-se o ano contábil
para análise, substituindo-se o mês que terminou por outro futuro. Pode ser
replanejado e atualizado mensalmente. Orçamento base zero (OBZ) A desvantagem
dos métodos anteriores é que perpetuam ineficiências do passado, e é nisso que se
diferencia o OBZ. Este tipo de orçamento rejeita a visão tradicional. Ele projeta todas
as peças como se estivessem sendo compiladas pela primeira vez. Para a sua
utilização, é necessário que todas as atividades estejam justificadas e sejam
priorizadas antes de serem tomadas as decisões de destinação de recursos. O OBZ
exige que gestores estimem as vendas, a fabricação e outras peças orçamentárias
como se as operações estivessem começando da estaca zero. Elas passam por
análises sistemáticas e são classificadas por ordem de importância em diferentes
análises operacionais. São estruturadas de um cenário micro para um mais amplo,
podendo ser divididas em variável base zero, núcleo de base zero e pacote de base
zero.O OBZ é ideal para empresas que têm problemas, visto que permite a revisão
contínua de processos e a busca da eficiência, sem se analisar apenas o custo Sua
principal desvantagem é que o processo é altamente burocrático. Orçamento flexível
Diferencia-se do orçamento empresarial por não limitar a projeção a um nível de
atividade (pode haver uma gama delas). Os níveis de custos acompanham os níveis
de atividades. Este orçamento é constituído a partir do que se conhece dos custos
da empresa. Para implementá-lo, é necessário saber previamente qual é a sua
produtividade e determinar as medidas de alocação da receita e dos custos e as
despesas. Veja as etapas de elaboração de um orçamento flexível: 1. Determinação
do preço unitário de venda 2. Determinação da quantidade real de medidas de
receita 3. Determinação do orçamento flexível de receita 4. Determinação da
quantidade real das medidas de alocação dos custos 5. Elaboração do orçamento
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flexível dos custos Entre as suas principais vantagens, destacam-se a aprendizagem
contínua dos processos e a facilidade de ajustes. Entretanto, exige grande esforço e
responsabilidade dos indivíduos, além de ser muito afetado por visões equivocadas
sobre os negócios. Orçamento por atividades (ABB) É um plano quantitativo-
financeiro que direciona a empresa a focalizar atividades e recursos visando a atingir
objetivos estratégicos. É elaborado para intervalos periódicos, baseando-se em
estimativas da quantidade de atividades necessárias em combinação com padrões
de consumo direcionadores de custo. Os recursos precisam ser orçados para que se
executem as atividades. O ABB além de ser parte do sistema de custos, é parte do
processo de planejamento global da empresa, funcionando também como um
controle que monitora as operações de um período específico. No ABB, os gerentes
calculam a carga de trabalho, novos produtos, serviços e mercados. Devem ser
incorporados também os objetivos estratégicos e o desempenho da atividade. O
orçamento referente a tais despesas reflete determinada expectativa de gastos com
base em previsões de receita e no mix de produtos, serviços e clientes. O processo
de constituição do ABB é dividido em três partes: contextualização, preparação e
revisão, e aprovação. Beyond budgeting (BB) O BB é um modelo de gestão formado
por um conjunto de princípios, os quais são os guias completos da atuação
empresarial. Esses princípios são tratados na forma de valores e embutem uma
série de ferramentas, como benchmarking, BSC, administração baseada em
atividades, gestão de relacionamento com clientes e sistema de informação
gerencial. O BB cria um ambiente de trabalho com autogerenciamento e uma cultura
baseada na responsabilidade. As divisões de negócio estabelecem objetivos de
longo prazo com base em parâmetros, como retorno sobre o patrimônio. Equipes
podem usar um conjunto de indicadores-chave financeiros e não financeiros para
medir seu progresso e compará-lo com o de outras unidades da empresa. A grande
virtude do BB é o seu conjunto de princípios e valores, os quais definem o sistema
de gestão da empresa.
Existem diferentes tipos de orçamentos, e cada um tem fases específicas. O
que fica evidente em todos é a necessidade de interação da área financeira com
todas as outras áreas da empresa, uma vez que as informações são distribuídas e
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que analisá-las juntamente com as perspectivas estratégicas é algo básico para
constituir o processo de orçamentos.
É comum haver uma divisão das partes do processo de orçamento entre as
diferentes áreas da empresa, sendo a financeira a responsável pela revisão dessas
estimativas e por eventuais ajustes. Da mesma maneira, são comuns conflitos de
interesse entre as áreas, cabendo à área financeira, como intermediária, decidir
sobre o que será realmente efetivado. Por sua vez, a implementação é de
responsabilidade das gerências das áreas, enquanto os controles dessa efetivação
pertencem à financeira.
Existem diversos sistemas de gestão que fazem orçamentos, mas o mais
comum é usar planilhas eletrônicas.
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Controle
O controle orçamentário permite verificar se a empresa está conseguindo ou
não cumprir o orçamento que foi determinado. Trata-se de um fator crucial para o
sucesso do seu planejamento financeiro.
Embora cada um dos modelos apresentados tenha diferentes formas de
controle e haja diferentes responsáveis por esse controle, gastos muito abaixo ou
muito acima do orçado demonstram que o orçamento não foi feito com tanta
responsabilidade ou que não houve a devida mensuração de variáveis.
Não existe um padrão de aceitabilidade de margem de erro, mas, em média,
admite-se uma variação de 10% para cima ou para baixo do orçado, uma vez que é
muito difícil acertar totalmente uma previsão.
É comum que se acompanhe sistematicamente a evolução dos valores
projetados (rolling forecasts) e realizados. Pode-se assim evitar que somente no fim
do período se descubra que o orçamento (budget) “estourou”.
Em geral, os acompanhamentos são realizados pelas diferentes áreas e
centralizados, em geral, na área financeira (ou no planejamento financeiro, caso
exista na empresa). Havendo problemas ou tendências de mudanças, medidas
devem ser adotadas para corrigir a tempo processos falhos.
Em muitas empresas, é comum utilizar requisições de complementação de
recursos que não estavam orçados. Entretanto, esse processo é moroso, uma vez
que é necessária, na maioria dos casos, a liberação das diretorias, assim como,
consequentemente, a explicação pelas falhas do orçamento. Além disso, muitas
empresas utilizam indicadores de eficiência orçamentária para compor as metas das
áreas, das gerências e dos próprios colaboradores, o que acaba gerando o senso de
responsabilidade junto aos colaboradores.
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Do ponto de vista financeiro, os orçamentos e seus acompanhamentos
permitem visualizar se as práticas administrativas vão ao encontro do que está
planejado a nível estratégico, tácito e operacional.
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