Gestão Varejista
Gestão Varejista
SÉRIE ACADÊMICA
6-3
.6 1
57
4.6
12
ido
nd
Câ
GESTÃO VAREJISTA
d re
an
lex
.6 1
57
4.6
12
ido
nd
Gestão Varejista
Câ
d re
an
lex
sA
eu
ath
Piracicaba | Pecege
2020
M
3
6-3
© 2020 PECEGE
Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução desde que citada a
fonte.
.6 1
A responsabilidade pelos direitos autorais de texto e imagens desta obra
são dos autores.
57
4.6
12
Organizadores
Daniela Flôres
Joze Aparecida Mariano Correa
ido
Marcos Roberto Luppe
nd
Maria Cecília Perantoni Fuchs Ferraz
Mariana Luzia Bettinardi
Câ
Revisão
Layane Rodrigues Vieira
d
an
M152g
lex
SÉRIE DIDÁTICA
eu
ISBN 978-65-00-01840-0
ath
CDD: 658.87
M
-33
16
7.6
.65
24
o1
did
ân
Prefácio
eC
Prezado(a) aluno(a),
dr
cursos.
sA
Bons estudos!!
ath
Equipe Pecege
M
M
ath
eu
sA
lex
an
dre
Câ
nd
ido
12
4.6
57
.6 1
6-3
3
3
6-3
sobre a autora
.6 1
57
4.6
12
Dayse Maciel de Araujo ido
Dayse Maciel de Araujo é doutora em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM-SP,
nd
especialista em Varejo pela FIA-USP e graduada em Engenharia de Alimentos (UNICAMP).
Ministra aulas em cursos de pós-graduação de Marketing e Vendas e já orientou mais de 300
trabalhos de conclusão de cursos de MBA da Fundação Instituto de Administração (FIA) núcleo
Câ
Capítulo 2
d
Formatos do varejo 21
Ramo de atividade do varejo 22
lex
Capítulo 3
Entender as tendências para atender os clientes 23
sA
CAPÍTULO 4
Temas emergentes para estudo do varejo 27
eu
Recapitulando 30
ath
Referências 31
M
D.M. Araujo
3
Introdução
6-3
Alvarez e Luppe (2018) destacam que a preocupação em antecipar o
futuro tem sido constante na humanidade e, principalmente, no ambiente
.6 1
dos negócios é muito relevante, pois olhando para o passado, sabemos que
a cada revolução há a substituição de setores existentes para dar lugar a
novas soluções.
57
Hoje observa-se que muitos fatores estão obrigando os varejistas a acel-
4.6
erarem o ritmo de suas reinvenções em função dos novos processos digita-
lizados de aquisição de produtos e serviços, o que torna mais horizontal as
relações entre marcas e clientes, isso pode criar a diferenciação radical em
12
mercados estagnados.
ido
A tecnologia continua sendo um grande impulsionador da inovação –
lembrando que ela foi a mola mestra da Primeira Revolução Industrial no
século 18 – que deve ser aplicada de maneira útil para atender ao consumi-
nd
dor brasileiro no século 21 em suas necessidades, seus sonhos, suas insegu-
ranças e limitações. O envolvimento íntimo do cliente no processo de in-
ovação poderá trazer mais segurança aos gestores do varejo nas escolhas dos
Câ
Capítulo 1
d
an
Autores como Michael Levy e Bart Weitz (2004) definem o varejo como
um conjunto de atividades de negócio que adicionam valor aos produtos e
serviços vendidos aos consumidores para seu uso pessoal ou familiar.
sA
Assim, aprende com esta afirmação que o varejo é uma atividade econômi-
eu
9
Gestão Varejista
-33
1996 a Pesquisa Anual do Comércio (PAC) porque o setor tem impacto im-
portante na composição do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega uma
parcela expressiva da população, em torno de 10 milhões de pessoas. Em
16
2015 a pesquisa registrou a existência de, aproximadamente, 1,5 milhão de
empresas que geraram R$ 3,1 trilhões de receita operacional bruta e R$ 550
7.6
bilhões de valor adicionado bruto1.
.65
Tabela 1 e tem a seguinte representatividade:
24
Tabela 1. Segmentos do comércio brasileiro em 2015
Receita
operacional Valor Força de
o1
adicionado trabalho
líquida
------------------------------ % ----------------------------
did
Comércio por atacado 45,5 n.d. n.d.
Comércio de veículos
automotores, peças e 10,0 n.d. n.d.
eC
motocicletas
Fonte: Pesquisa Anual de Comércio IBGE (2015)
dr
1
Valor adicionado: soma dos impostos pagos ao governo, juros e aluguéis destinados
a financiadores externos, remunerações pagas aos trabalhadores, lucros e dividendos
atribuídos aos proprietários, sócios e acionistas (Cosenza, 2003).
M
10
D.M. Araujo
3
Tabela 2. Participação das principais atividades no comércio varejista em 2015
6-3
Receita Salários, Número
líquida de Pessoal
retiradas e outras ocupado de
revenda remunerações empresas
.6 1
---------------------------------- % -------------------------------
Hipermercados
24,7 17,3 15,8 1
e supermercados
57
Produtos
alimentícios, 10,4 13,2 16,5 25,3
4.6
bebidas e fumo
Combustíveis e
17,3 5,7 5,1 2,6
12
lubrificantes
Tecidos,
vestuários e 10,3 15,7 17,4 20,4
calçados ido
Fonte: Pesquisa Anual de Comércio IIBGE (2015)
nd
Evolução do varejo brasileiro a partir da década
19902
Câ
visão de Serrentino (2016). Segundo o autor os principais ciclos recentes podem ser
agrupados em quatro períodos: pré-abertura/ real (até 1993), pós-real (1994-2003),
d
janeiro de 1990 a inflação foi de 82,39%). Estas distorções faziam com que os
varejistas dessem mais foco na administração dos estoques (comprar com preços
reduzidos e vender com preços altos) e obter mais resultados financeiros do
eu
11
Gestão Varejista
-33
A tecnologia se restringia ao leitor de código de barras e sistemas para a
gestão dos estoques, mas com pouco grau de integração dos processos ope-
racionais. Nesta fase existiam 115 shopping centers e o sistema de franchi-
16
sing se desenvolvia com as redes pioneiras: o Boticário, Bob’s e McDonald’s
(Serrentino, 2016). O fato marcante desse período foi a abertura econômica
7.6
que permitiu a entrada de produtos importados e o lançamento do primeiro
cartão de crédito internacional no contexto do Plano Real que marca o pró-
ximo ciclo.
.65
Segundo ciclo (até 1994-2002): com a estabilização da moeda após a im-
plantação do Plano Real (1994), o Índice de Preços ao Consumidor Am-
24
pliado (IPCA) caiu de 82% a.m. (março 1990) para 3% (dezembro 2002).
Para o varejo, a principal consequência foi reaprender a gestão do negócio
o1
(sortimento, operação, precificação, planejamento comercial e de estoques),
porque os consumidores passaram a ter a possibilidade de planejar as com-
did
pras e a memorizar os preços dos produtos. Esse ciclo foi marcado por fusões
e aquisições, principalmente de redes de supermercados (GPA, Carrefour,
Ahold que adquiriram as empresas brasileiras Dallas, Bompreço, GBarbosa,
ân
a partir de 1998, houve a migração das classes B+C (de 42% em 1995
para 48% em 2002).
sA
12
D.M. Araujo
3
Terceiro ciclo (até 2003-2012): o crescimento do PIB foi de 3,74%, o con-
6-3
sumo das famílias foi de 4,29% e o do varejo de 7,12% (Serrentino, 2016),
diante desses dados é possível observar que a população confiante e otimista
aumentou o consumo, em parte alavancado pelo crédito e endividamento.
.6 1
Naquele momento ampliou-se o grau de internacionalização e a relevância
das redes internacionais no mercado brasileiro como Burger King, Sephora,
Nike Stores, Havanna, Swarowski, Intimissimi, etc. A partir disso, ocorreu
57
a transferência da gestão e risco de crédito do varejo para grandes bancos
liberando capital para a expansão (novas lojas e a entrada em novos merca-
4.6
dos operando em escala nacional). Além disso, aumentou a formalidade, a
transparência, a governança e o controle nas empresas e houve disseminação
da tecnologia de sistemas de gestão integrados (Entrerprise Resource Plan-
12
ning – ERP; Customer Relation Management – CRM e Eletronic Data Inter-
change - EDI) permitindo o aumento da segurança e acuracidade dos dados
ido
para o controle do negócio. Como consequência da expansão do comércio
eletrônico viu-se a entrada do varejo tradicional para atender os compradores
do varejo on-line. O franchising expandiu de 56 mil lojas do ciclo anterior
nd
para mais de 104 mil unidades e o shopping center acrescentou 153 novas
unidades no período.
Câ
13
Gestão Varejista
-33
As empresas tornaram-se mais enxutas, mais severas e intolerantes com
o desperdício, diante disso, o autor acredita que empresas com clareza em
posicionamento, com disciplina estratégica e boa gestão devem crescer, e
16
ganhar participação de mercado. O aumento da produtividade passa pela
implementação da identificação de objetos por radiofrequência (RFID),
7.6
que foi desenvolvida para substituir a leitura por código de barras conven-
cional, como também pelo marketing de precisão com apoio da análise de
big data, além disso, deve ocorrer a integração dos canais físicos e digitais,
.65
expansão dos marketplaces (“shopping virtual”) e crescimento das inter-
faces móveis.
24
Ranking 300 Maiores Empresas do Varejo
Brasileiro
o1
Para analisar com mais assertividade as tendências da integração dos ca-
did
nais de vendas físicos e digitais deve-se observar as métricas de vendas e
produtividade do varejo que balizem, com mais segurança, as ações a serem
desenvolvidas e os investimentos do setor.
ân
14
D.M. Araujo
3
O primeiro foi o Grupo Pão de Açúcar, varejista do ramo supermerca-
6-3
dista que atua com portfólio multicanal (lojas físicas e comércio eletrônico),
multiformato (hipermercado Extra, supermercados Pão de Açúcar, rede de
atacarejo Assaí, lojas de vizinhança Minimercado Extra e loja Minuto Pão de
.6 1
Açúcar) e se encontra presente em todas as regiões do Brasil.
57
por meio de lojas no formato hipermercado, minimercados além de operar
por e-commerce no qual introduziu o serviço Clique & Retire. O grupo in-
4.6
centiva as vendas com o cartão de crédito da rede Carrefour. A empresa, que
é proprietária da marca Atacadão, reforça suas vendas por meio da abertura
de novas lojas no formato atacarejo.
12
Em terceiro lugar observa-se a rede norte-americana Walmart que atuou
ido
no formato hipermercado com a marca global Wal-Mart e as marcas re-
gionais Maxxi, Big, Bompreço. Mercadorama e Todo Dia, além do formato
atacado com a marca Sam’s Club.
nd
Na sequência aparece Lojas Americanas S.A. que abriu a primeira loja em
1929 em Niterói (RJ) e está presente em todo território nacional com mais
Câ
15
Gestão Varejista
3
Tabela 3. As maiores redes de varejo brasileiro classificadas no ano de 2017
6-3 de Administração
bruto/ bilhões
Possui Conselho
funcionários
e-commerce
Faturamento
Bandeiras
Segmento
Empresa
# lojas
.6 1
Pão de Açúcar, Pão de Açúcar
Super, Hiper,
Minuto, Extra, Extra Mini
Atacarejo e
57
1 GPA Alimentar Mercado, Compre Bem, (Aliados), 77,5 2052 141 mil sim sim
Conveniência
Assaí, Casas Bahia, Ponto Frio,
[Link], [Link]
4.6
Carrefour Hiper, Carrefour
Super, Hiper,
Grupo Carrefour Bairro, Carrefour Express,
2 Atacarejo e 46,6 409 81 mil sim sim
Brasil [Link], Atacadão,
Conveniência
Banco Carrefour
12
Super, Hiper,
Walmart, Maxxi, Big, Bompreço,
3 Walmart Brasil Atacarejo e 28,2 450 55 mil sim sim
Mercadorama, Todo Dia, Sam’s Club
Conveniência
Lojas Americanas, Americanas
Express, [Link],
Submarino, Shoptime e
ido
SouBarato. B2W Marketplace, Lojas de
nd
BIT Services: Sieve, Site Departamento,
Blindado, Sky Hub, B Seller, Artigos do Lar e
4 Lojas Americanas 21,3 1306 30 mil sim sim
Admatic e InfoPrice. B2W Mercadorias em
Câ
Cosméticos
an
Drogaria e
8 DPSP Drogaria São Paulo, Pacheco 9,6 1306 26 mil sim n.d.
sA
Perfumaria
Moda, Calçados
9 Lojas Renner Lojas Renner, Youcom, Camicado e Artigos 8,7 512 20 mil sim sim
Esportivos
eu
Super, Hiper,
10 Cencosud Brasil G. Barbosa, Prezunic, Bretas, Perini Atacarejo e 8,5 204 27 mil não não
ath
Conveniência
16
D.M. Araujo
3
As maiores e-commerces do Brasil em 2017
6-3
Das empresas listadas no ranking 2018 da SBVC, sete atuam especifi-
camente no e-commerce, trata-se das denominadas "pure players", isto é,
.6 1
nasceram em ambiente on-line e não possuem lojas físicas. Somadas, elas
apresentaram um faturamento de R$ 13,9 bilhões, no qual a principal empre-
sa B2W alcançou a cifra de R$ 8,8 bilhões.
57
Em 2017 o varejo on-line cresceu apenas um dígito em suas vendas, re-
4.6
sultado em parte provocado pelo amadurecimento do mercado, mas, princi-
palmente, pelo cenário econômico retraído. Ressalta-se que o e-commerce se
tornou obrigatório como estratégia de negócios em todo o varejo, seja como
12
canal de vendas, seja como possibilidade de interação com os clientes e busca
de informação sobre produtos e serviços, além de modificar a jornada de
compra on-line/off-line. (SBVC, 2018).
ido
Tabela4. Principais puros e-commerces 2017
nd
Faturamento
Empresa Bandeiras Segmento funcionários
bruto/ bilhões
Câ
Lojas Americanas,
Americanas Express,
[Link],
re
Submarino, Shoptime
e SouBarato. B2W
d
Marketplace, BIT
Lojas de
Services: Sieve, Site
an
Departamento,
Blindado, Sky Hub,
B2W Artigos do Lar
1 B Seller, Admatic 8,8 7,3 mil
Digital e Mercadorias
lex
e InfoPrice. B2W
em Geral
Fulfillment: LET’S,
Direct, BFF B2W
Fulfi llment e B2W
sA
Entrega. Pagamentos:
Ame Digital,
Submarino Finance e
eu
Digital Finance.
Moda, Calçados
ath
17
Gestão Varejista
3
Faturamento
6-3
Empresa Bandeiras Segmento funcionários
bruto/ bilhões
.6 1
3 Latam - Dafiti, Danoe, Tricae e Artigos 1,1 n.d.
Dafiti esportivos
Moda,
57
Calçados
4 Privalia Privalia 0,5 n.d.
e Artigos
esportivos
4.6
Outros
5 [Link] [Link]. [Link] 0,4 410
segmentos
12
Outros
6 Evino [Link] 0,25 300
segmentos
7
Icomm
Group
Shop2together e OQ
Vestir
e Artigos
esportivos
ido
Moda, Calçados
0,25 n.d.
nd
Fonte: Ranking do varejo SBVC (2018).
Câ
Capítulo 2
Composto, formatos e tipos do varejo
d re
Composto do varejo
an
em uma loja e realiza uma compra é 11 minutos; enquanto aqueles que não
compram ficam apenas de 2 a 3 minutos. A conversão de "navegadores" em
M
18
D.M. Araujo
3
"gastadores" depende muito do design e dos displays da loja, porque entre
6-3
60% e 70% das compras não são planejadas. A estratégia utilizada pelos
varejistas quanto ao mix de marketing do varejo inclui:
.6 1
• Sortimento de produtos: deve estar de acordo com as expectativas
do público-alvo em amplitude (quantidade de categorias ou classes
de produtos ofertados) e profundidade (variedade de itens dentro da
57
mesma categoria ou classe de produtos) e no que se refere à diver-
sificação da linha, nível de qualidade e oferta de serviços ao cliente.
4.6
Um sortimento restrito e superficial conta com poucos itens, como
em uma loja de conveniência, mas um sortimento amplo e profundo
oferece milhares de itens como nos homecenters e nos hipermercados
12
ou em lojas de departamentos. Em relação à marca própria, muitas
redes de varejo oferecem produtos com sua marca pelas seguintes
ido
razões: aumento da lucratividade; construção e manutenção da fideli-
dade dos consumidores; reforço do posicionamento de mercado; au-
mento das escolhas para os consumidores e adequação de produtos ao
nd
perfil dos consumidores (Levy e Weitz, 2000; Miotto e Parente, 2009);
como verão, dia das mães, dia dos namorados, férias de inverno, dia das
crianças, “blackfriday”, Natal e Ano Novo acompanhado de publici-
dade on-line e off-line, kits exclusivos de edição limitada, ofertas e liq-
sA
por meio de cartazes, banners, etc. tendem a ser bastante efetivas, uma
vez que boa parte das decisões finais de compra acontece dentro da loja
(Miotto e Parente, 2009). Lembrando que os consumidores são impact-
ath
19
Gestão Varejista
3
o modo como os consumidores interpretam suas campanhas de mar-
6-3
keting, de modo que cada grupo demográfico deve ser abordado como
um grupo distinto ressaltando que as mulheres são parte importante da
economia, portanto deve-se prestar atenção nelas.
.6 1
• Ambiente de compras: este item compreende desde a maneira como
a mercadoria é exposta, o visual merchandising até a atmosfera da loja,
57
dessa forma, é um fator importante no posicionamento de marca do
varejista. O autor Kotler (2012) argumenta que à medida que outras fer-
4.6
ramentas de marketing são neutralizadas pelo aumento da competição
(por exemplo, preço e diferenciação de produto), a atmosfera da loja
passa a desempenhar um papel maior na busca por diferenciação. Já
12
Underhill (2001) advoga que é necessário priorizar dois elementos no
ambiente de compra: a conveniência (tentar evitar a fricção como a
ido
dificuldade de encontrar os itens e a demora na fila do caixa); e a di-
versão: se não é divertido, as pessoas não vão voltar. A atmosfera pode
ser criada a partir de variáveis da decoração como: cor, layout, música,
nd
piso, iluminação e disposição da mercadoria, constituindo uma loja com
características mais difíceis de serem imitadas pelos concorrentes.
Câ
20
D.M. Araujo
3
pode determinar a clientela e caracterizar a loja (Miotto e Parente, 2009). Di-
6-3
ante disso, as decisões de cada variável do composto do varejo estão ligadas
ao estilo de administração e também ao formato varejista.
.6 1
Formatos do varejo
57
a) varejistas independentes: esses varejistas possuem uma única loja.
4.6
Segundo Parente e Barki (2014) são empresas pequenas, com administração
familiar em geral, que utilizam baixo nível de recursos tecnológicos. O fato de
o varejista independente possuir uma única unidade permite o contato mais
12
direto com os clientes, é mais ágil para responder às flutuações do mercado,
exerce maior controle na gestão do negócio e pode oferecer mercadorias
ido
e serviços que não estão disponíveis nas cadeias (Parente e Barki, 2014).
A grande desvantagem de alguns varejistas independentes é a limitação de
recursos, o que torna difícil o poder de negociação com fornecedores frente
nd
às grandes redes de lojas. Para Levy e Weitz (2000), as cadeias corporativas
podem negociar preços baixos para as mercadorias e para a publicidade mais
eficientemente, em razão do grande volume de negócios.
Câ
21
Gestão Varejista
-33
criado e mantido pelo franqueador. No contrato, o franqueado paga ao fran-
queador o direito de fazer parte do sistema, existem os custos iniciais da
montagem e mensalidades chamada de royalties sobre as vendas. Por outro
16
lado, o franqueador fornece a experiência de um modelo de negócio testado,
assistência especializada para ajudar na condução dos negócios, treinamentos
7.6
gerenciais e publicidade.
.65
grande variedade e organizam departamentos para expor as mercadorias. Um
departamento pode ser terceirizado, mediante locação, para uma marca de
uma empresa independente. Esse estilo administrativo torna-se adequado
24
quando o varejista não possui experiência na gestão de departamentos que
exigem alto grau de especialização.
o1
Ramo de atividade do varejo did
O varejo brasileiro tem um impacto de, aproximadamente, 60% no PIB
nacional e, de acordo com a SBVC (2018), no âmbito do ranking das 300
ân
22
D.M. Araujo
3
Ressalte-se na Tabela 3 que o quadro dos dez maiores varejistas brasileiros
6-3
é formado por três supermercadistas/atacadistas, três redes de drogarias/perfu-
marias, duas empresas de eletromóveis e duas redes de lojas de departamentos.
.6 1
140
52
57
32
16
4.6
15
12
11
12
10
ido
Figura 1. Empresas por ramo de atividade entre as 300 maiores do varejo
Fonte: Ranking do varejo (SBVC, 2018, p. 42)
nd
Capítulo 3
Câ
pena postar nas redes sociais. No mesmo tempo, o varejo nunca passou por
uma transformação maior, observa-se grande mudança no comportamento
lex
23
Gestão Varejista
-33
Tendência #1: Comércio em todos os lugares / Fusão digital &
Física / Geração Y & Z
16
A mudança rápida no varejo é especialmente impulsionada por novas opor-
tunidades tecnológicas e digitais que colocam constantemente consumidores
7.6
conectados na direção e inspiram o surgimento de "comércio em todos os
lugares": compras a qualquer hora, em qualquer lugar e de qualquer forma que
os consumidores almejam, inclusive em lojas, on-line, via celular ou ativação de
.65
voz, ou clique e colete. Os universos físicos e digitais não são mais entidades
separadas, mas universos complementares que os clientes, especialmente para
as gerações Millennials e Z. Eles esperam por uma experiência de compra
24
completa que, vistas pelas lentes dos clientes, são suaves, perfeitas, integradas e
consistentes. A “omniexperience” combina os universos on-line e físicos para
o1
a conveniência do cliente. O click & colete é o clássico exemplo, onde os cli-
entes podem fazer pedidos on-line e pegar na loja, no local e hora de preferên-
did
cia, bem como, os clientes podem fazer pedidos on-line e devolver ou trocar
produtos na loja. Além disso, os clientes podem escolher itens on-line para
experimentar/provar em loja física, ou encomendar e pagar alimentos e bebi-
ân
Exemplos no exterior: Ikea (Madri- Spain); Tom Ford Beauty (UK); Brand-
less (USA).
lex
24
D.M. Araujo
3
e economizam tempo, as compras inteligentes tornam a vida do consumi-
6-3
dor mais fácil, mais simples e mais eficiente, sem comprometer a qualidade
dos produtos ou a experiência da compra. Os varejistas oferecem cada vez
mais serviços e simplicidade, em um mesmo lugar, para facilitar e agilizar
.6 1
a decisão da compra. Compras inteligentes geralmente são impulsionadas
pelo uso inteligente da tecnologia e uma experiência omnichannel integrada,
assim, a simplicidade é um driver chave para economizar tempo. O foco está
57
nas soluções inteligentes, ou seja, otimizando o layout da loja, oferecendo
opções de entrega práticas, pagamento rápido no caixa, localização fácil na
4.6
loja, oferta de fastfood para alimentar-se em movimento, sendo assim, estes
são apenas alguns exemplos de como varejistas e o que as marcas podem
fazer para auxiliar as compras dos clientes.
12
A palavra-chave ‘sob demanda’ está relacionada com as compras inteli-
ido
gentes, por exemplo, o serviço da Netflix e entrega de comida da Uber. No
entanto, no varejo isso significa oferecer aos consumidores o que querem,
quando e onde querem, dessa forma, a fabricação sob demanda resulta em
nd
produtos personalizados.
A inteligência artificial e IoT (internet das coisas) estão cada vez mais ga-
Câ
25
Gestão Varejista
3
struindo relações, lealdade e personalização da compra. O engajamento é
6-3
dirigido pela equipe e por seus conhecimentos, dessa forma, com a adesão
cada vez maior ao e-commerce, a equipe deve desempenhar um novo pa-
pel e oferecer o que nem as máquinas e nem o e-commerce pode fornecer:
.6 1
engajar, construir relacionamento com os clientes por meio da interação e
compartilhamento do conhecimento para educar, orientar, treinar, divertir
criando um senso de presença e experiência pessoal. Os consumidores não
57
escolhem produtos baseados unicamente no valor funcional, mas, sim, base-
ado em emoções que o engajamento e a experiência asseguram. Além disso,
4.6
contar histórias entusiasmadas e com conteúdo são fundamentais para ob-
ter ressonância, identificação e criação de laços emocionais impulsionando
a fidelidade à marca. O relacionamento cliente-cliente também é importante
12
para a experiência na loja física, os varejistas e marcas podem diferenciar
a experiência, proporcionando uma dimensão que vai além da interação e
ido
engajamento com funcionários e com outros clientes (desconhecidos, famil-
iares ou amigos). Ao estabelecer a loja como provedor de experiências de
socialização, por exemplo, como um hub da comunidade, onde os clientes
nd
vêm tanto para comprar produtos, como para formar relacionamentos, os
clientes estarão ligados emocionalmente à marca. Isto pode ser encorajado
ancorando a loja dentro da comunidade, por exemplo, trazendo ao local o
Câ
The Daily Edited Flagship Store (Australia); ImaginCafe (Spain); Leroy Mer-
lin (Portugal);
an
mos, o que comem, como é produzido, em que condições etc. Portanto, muitas
vezes observa-se o clamor do consumidor quando as empresas são descobertas
violando normas sociais, os consumidores conscientes representam a pequena
ath
26
D.M. Araujo
3
sua identidade de marca. Os consumidores querem sentir que são parte de algo
6-3
maior ao comprar uma marca, o que significa que as marcas devem evocar a sen-
sação de apoiar causas nobres. O ativismo trata da demonstração da responsab-
ilidade social e do destaque a um código comercial ético, honesto e responsável,
.6 1
ou seja, trata-se de tornar o mundo um lugar melhor, exemplificando a solidarie-
dade e fazendo esforço para preservar e proteger o que é natural. O ativismo
está assumindo a responsabilidade de oferecer o consumo consciente pela pro-
57
dução de produtos e serviços ambientalmente responsáveis. A sustentabilidade,
o bem-estar animal e comércio justo estão cada vez mais demandados. Os con-
4.6
sumidores estão cada vez mais procurando se alinhar com marcas e varejistas que
compartilham seus valores, diante disso, na esfera do ativismo significa que as
marcas não podem mais ser espectadoras neutras. Isso significa que tomar uma
12
posição social e em questões políticas permitindo que os consumidores saibam
quem você é e como está lutando ativamente por um mundo melhor. É sobre
ido
demonstrar a responsabilidade através de toda cadeia de valor que vai além dos
principais produtos ou serviços da marca, é assim que os varejistas oferecem ao
consumidor a oportunidade de sentir que estão contribuindo para um propósito
nd
maior ao comprar ou representar determinada marca, que é cada vez mais im-
portante para ambos os consumidores e colaboradores.
Câ
Capítulo 4
d
an
abriu caminhos para vendas de produtos pelo correio (Kahn, Inman e Ver-
hoef, 2018). Essa enorme ruptura foi causada pela confluência de fatores que
eu
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Gestão Varejista
3
no varejo, abrangendo temas relevantes para toda a cadeia de suprimentos.
6-3
Dessa forma, estudiosos do comportamento de consumo indicam alguns te-
mas emergentes no varejo brasileiro e internacional que podem (e devem) ser
estudados pelos estudantes do MBA em Varejo e Mercado de Consumo:
.6 1
1. E-commerce: o surgimento de varejistas on-line poderosos e dom-
inantes como Amazon e Alibaba alteraram profundamente as expectativas
57
dos clientes quanto à conveniência nas compras e mudaram drasticamente o
cenário de varejo competitivo. A aquisição da Whole Foods pela Amazon em
4.6
2017 e a abertura de suas próprias lojas fornecem um sinal importante de que
esses varejistas poderosos se expandirão para off-line, bem como para outros
setores de varejo e de serviços (Kahn, Inman e Verhoef, 2018).
12
2. Omnichannel shopping: a jornada do cliente não é mais uma ex-
ido
periência linear descrita pelo modelo de funil de compra; em vez disso, é a
experiência de cliente multicanal e não linear, 24 horas por dia, 7 dias por
semana. Isso implica que os consumidores estão se tornando clientes mul-
nd
ticanais. Como consequência, as empresas devem fornecer experiência de
compra marcante e contínua para atrair, e criar clientes fiéis (Kahn, Inman
e Verhoef, 2018). Portanto, o ambiente da loja, mais do que nunca, é um
Câ
tema para estudos aprofundados com relação aos fatores que influenciam na
conversão de vendas.
re
las redes sociais, comércio eletrônico, sensores nas lojas e câmeras que
registram todos os movimentos dos clientes, bem como a Internet das
an
28
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3
ciais são um canal de comunicação indispensável para a empresa comunicar
6-3
promoções, administrar crises que possam afetar a sua reputação, conhecer
melhor os seus clientes e se relacionar com os fornecedores, bem como com
a comunidade. Tais pontos ainda necessitam de estudos para compreender
.6 1
melhor seus impactos na organização e na sociedade (Brito et al., 2011).
57
dores, desde a geração Y (“millenium”) até a Geração Z (nascidos após o
ano 2000), cresceram em um mundo de comunicação digitalizada que afetou
4.6
fundamentalmente a maneira como fazem compras. Esses novos cidadãos
também pressionaram os varejistas a se preocuparem mais com os consum-
idores de forma holística e a estar atentos às práticas e estratégias de varejo
12
sustentáveis para melhorar sua saúde e bem-estar. Nesse mesmo sentido é
oportuno estudar o papel do cliente, pesquisando como o consumidor pode
ido
interagir com o varejo no sentido de criar produtos, serviços ou processos
(Brito et al., 2011). Por exemplo, as alterações das embalagens que afetam a
escolha do consumidor, a disposição e os espaços nas gôndolas, a imagem
nd
da marca do fabricante, entre outros fatores. Qual o impacto da música e
aromas salientados pelo ambiente sobre as emoções e sobre as respostas dos
compradores? Como as emoções dos consumidores impactam nos gastos na
Câ
nos varejistas para vender seus produtos aos consumidores finais, entretanto
os varejistas geralmente oferecem oportunidades menores para as marcas
lex
construírem a marca em uma loja, porque eles vendem várias marcas. Isso
também limita a oportunidade de as marcas criarem sua extensa experiência,
em resposta, muitas marcas, como a Nespresso e a Apple, vendem direta-
sA
29
Gestão Varejista
-33
7. Franquias: o modelo de negócios que se expande por meio do sistema
“franchising” é de grande interesse e ganhou evidência desde que a franquia
Subway ultrapassou o McDonald's em número de lojas ao redor do mundo.
16
Temas como a associação de franquias (que objetiva defender o franqueado),
modelos de contrato em franquias, programas de expansão global (caso do
7.6
Boticário), entre outros, são de potencial interesse de pesquisa.
.65
desse fenômeno é muito importante do ponto de vista estratégico, econômi-
co, financeiro e de mercado, principalmente em relação à imagem das mar-
cas e as consequências da fidelidade do consumidor em relação às marcas dos
24
varejistas (Demoulin e Zidda, 2009 citados por Brito et al., 2011).
o1
9. Política de precificação: os pesquisadores apontam, ainda, oportuni-
dades de estudos relacionados aos possíveis conflitos entre estratégias de
did
precificação nos diferentes canais de venda e as respostas dos clientes às mu-
danças nos preços. Nesse campo, há oportunidade de avaliar os efeitos das
práticas de “cash back” e redução, ou isenção, do valor do frete na margem
ân
Recapitulando
O Capítulo 1 apresentou o conceito de varejo, o histórico socioeconômi-
dr
rejo e sua representatividade no ranking dos 300 maiores varejistas no ano 2017.
30
D.M. Araujo
3
Referências
6-3
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