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Atualizado até 10/12/20241

ENDIVIDAMENTO PÚBLICO
2a EDIÇÃO/2025

[Link]ÇÃO, CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA​ 3


2. CLASSIFICAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO​ 3
2.1. QUANTO À PESSOA JURÍDICA QUE OBTÉM O CRÉDITO​ 3
2.2. QUANTO À COERCITIVIDADE​ 3
2.3. QUANTO À ORIGEM TERRITORIAL​ 4
2.4. QUANTO AO PRAZO​ 4
2.5. CLASSIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL​ 5
3. PRINCÍPIOS DOS EMPRÉSTIMOS PÚBLICOS​ 5
4. CRÉDITO PÚBLICO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988​ 7
5. CRÉDITO PÚBLICO E DÍVIDA PÚBLICA NA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL​ 9
5.1. DÍVIDA PÚBLICA MOBILIÁRIA​ 9
5.2. LIMITES DA DÍVIDA PÚBLICA E DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO​ 11
5.3. RECONDUÇÃO DA DÍVIDA AOS LIMITES​ 13
5.4. OPERAÇÕES DE CRÉDITO​ 14
5.5. VEDAÇÕES EM MATÉRIA DE ENDIVIDAMENTO PÚBLICO​ 15
5.6. OPERAÇÃO DE CRÉDITO POR ANTECIPAÇÃO DE RECEITA ORÇAMENTÁRIA (ARO)​ 16
5.7. CONCESSÃO DE GARANTIAS​ 17
6. FORMAS DE EXTINÇÃO DA DÍVIDA​ 18
7. DÍVIDA PÚBLICA E O NOVO REGIME FISCAL​ 19
3

[Link]ÇÃO, CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA

​ Entende-se por crédito público a confiança que goza a Administração Pública para contrair

empréstimos de outras pessoas (físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras). Também denominado por parte

da doutrina de empréstimo público, pode ser entendido como o contrato administrativo que o Estado obtém

determinado valor e se obriga a quitar na forma pactuada.

​ Neste aspecto, é importante não confundir empréstimo público com receita pública, uma vez que esta é

o ingresso de dinheiro aos cofres públicos, sem contraprestação do Estado. Já o empréstimo público não

importa acréscimo patrimonial, pois configura entrada com passivo correspondente.

■​ Qual a natureza jurídica do endividamento público?

Existem diversas correntes que definem a natureza jurídica do endividamento público:

-​ Teoria do Ato de Soberania: O empréstimo público é o resultado do poder de

autodeterminação e auto-obrigação do Estado. Assim, o crédito público enquadra-se como

obrigação unilateral autônoma de direito público. Há obrigação moral, mas não jurídica de

respeitar as cláusulas.

-​ Teoria civilista: o empréstimo público é um contrato de direito privado.

-​ Teoria do ato legislativo: o empréstimo público seria um ato legislativo, com regime jurídico

disciplinado, cabendo ao mutuante aderir ao estabelecido em lei.

-​ Teoria do Contrato de Direito Público: o empréstimo público equipara-se ao mútuo, contudo

não constitui crédito privado, pois presente o interesse público. É a corrente predominante na

doutrina.

2. CLASSIFICAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO

2.1. QUANTO À PESSOA JURÍDICA QUE OBTÉM O CRÉDITO


​ Poderá ser: Federal, Estadual, Municipal ou Distrital.

2.2. QUANTO À COERCITIVIDADE


​ Empréstimos obrigatórios/forçados/compulsórios: ocorrem quando o Estado intervém na

propriedade particular em situações de guerra, calamidade ou crise econômica grave. Em nosso ordenamento,

existem os empréstimos compulsórios (art. 148 da Constituição Federal), os quais não são empréstimos

públicos, pois possuem natureza tributária e não contratual.

​ Empréstimos voluntários/próprios: são os empréstimos contraídos sob a observância da autonomia

da vontade, como por exemplo os títulos da dívida pública, prêmios de reembolso e concursos de

prognósticos.

​ Empréstimos semi-obrigatórios/patrióticos: o Estado usa da coerção para obrigar o particular, como


4
no caso de guerra declarada.

2.3. QUANTO À ORIGEM TERRITORIAL


​ Interno: são os empréstimos obtidos dentro do próprio território, independente da nacionalidade dos

investidores.

​ Externo: são os empréstimos provenientes das obrigações assumidas pelo Estado fora de seu

território, pelas regras do Direito Internacional Público. Ex: empréstimos feitos junto ao Fundo Monetário

Internacional, Banco Interamericano para a Reconstrução e Desenvolvimento Econômico (BIRD), etc. Podem ser

estrangeiros (com outro Estado ou instituições financeiras de outro Estado) ou Internacional (de instituições

internacionais).

2.4. QUANTO AO PRAZO


​ Flutuante: são os compromissos nos quais o pagamento não depende de autorização orçamentária,

vez que são provenientes de operações financeiras de curto prazo (inferiores a 12 meses).

Lei n. 4.320/64

Art. 92. A dívida flutuante compreende:

I - os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida;

II - os serviços da dívida a pagar;

III - os depósitos;

IV - os débitos de tesouraria.

Constituição Federal

Art. 165.

§ 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa,

não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de

operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.

​ Fundada (ou consolidada): engloba os compromissos de exigibilidade superior a 12 meses, contraídos

pelo Poder Público para atender a desequilíbrio orçamentário ou financeiro de obras e serviços públicos. A

dívida fundada poderá ser amortizável (fundada ou contraída com prazo certo para resgate) ou perpétua

(dívida pública fundada consolidada, contraída por período indeterminado e que obrigue o Estado a pagar

juros)
Lei n. 4.320/64

Art. 98. A dívida fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a doze meses, contraídos

para atender a desequilíbrio orçamentário ou a financeiro de obras e serviços públicos.


5

🚨JÁ CAIU
No concurso para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada

correta a seguinte assertiva: A LRF exige responsabilidade na gestão fiscal e pressupõe a ação planejada e

transparente em que sejam prevenidos riscos e corrigidos desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas

públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites

e condições no que tange, por exemplo, a renúncia de receita, dívidas consolidada e mobiliária, operações de

crédito, concessão de garantia e inscrição em restos a pagar.

No concurso para Procurador do Município de Guamaré - RN (Ano: 2024; FUNCERN) foi considerada correta

a seguinte assertiva: Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n.º 101/2000),

entende-se por dívida pública consolidada ou fundada o montante total, apurado sem duplicidade, das

obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados

e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses.

2.5. CLASSIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL


​ Operações de crédito por antecipação de receita (Art. 167, IV CF): empréstimo no qual o Estado

objetiva suprir o déficit de caixa. Ou seja, são devolvidos no mesmo exercício financeiro. Ocorre exceção ao

princípio da vedação da vinculação do produto da arrecadação de impostos a órgãos, fundos ou despesas,

permitindo a utilização de receitas futuras como instrumento de garantia nas operações de crédito por

antecipação de receitas.

​ Operações de crédito em geral: são as operações não compreendidas nas operações de crédito por

antecipação de receita. Compreendem os empréstimos de longo prazo que visam atender despesas de capital,

como os investimentos, transferências de capital, etc.

🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Estado do Ceará (Ano: 2021, Banca: CESPE/CEBRASPE), ao ser questionado

“assinale a opção correta relativamente aos empréstimos contraídos por estado da Federação.”, foi

considerado correto afirmar que “é permitida a vinculação da receita do imposto sobre a propriedade de

veículos automotores para pagamentos de débitos com a União.”

3. PRINCÍPIOS DOS EMPRÉSTIMOS PÚBLICOS

PRINCÍPIOS DOS EMPRÉSTIMOS PÚBLICOS

LEGALIDADE Art. 163, II, III e IV da CF: Lei complementar disporá sobre dívida pública
6

externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais

entidades controladas pelo Poder Público, concessão de garantias pelas

entidades públicas e emissão e resgate de títulos da dívida pública.

Art. 167, III: São vedados a realização de operações de créditos que

excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas


EQUILÍBRIO ORÇAMENTÁRIO
mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,

aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta.

Art. 165, §8º: A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à

previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição

TRANSPARÊNCIA a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de

operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos

da lei.

Subprincípio da legalidade. Afirma a promessa de devolução do


SERIEDADE OU
empréstimo realizado, vez que o crédito público é dotado de
IRRETRATABILIDADE
credibilidade e confiança no mercado.

A geração atual não deverá exceder o limite razoável no endividamento


EQUIDADE ENTRE GERAÇÕES
público, para que não sobrecarregue as próximas gerações.

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Auditor Técnico de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Amazonas (Ano:

2021, Banca: FGV), foi cobrada a seguinte questão: “O Estado Alfa apurou que, em período de 12 meses, sua

receita corrente foi de 10 bilhões de reais, e sua despesa corrente de 9,6 bilhões de reais. Tal Estado deseja

contrair empréstimo com a União. Diante desse cenário, o Estado poderá realizar sem que seja impedido de

fazer tal empréstimo:

a. concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária;

b. refinanciamento de dívidas que implique ampliação das despesas;

c. alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;

d. reposições decorrentes de vacâncias de cargos efetivos ou vitalícios;

e. criação de despesa obrigatória.”

Gabarito: letra D.
7

4. CRÉDITO PÚBLICO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

​ Dada a sua importância, diversos dispositivos da Constituição de 1988 estabelecem regras sobre o

crédito público, o que na lição de Kiyoshi Harada, é essencial, vez que o seu não regramento “poderia ser

captado de forma a atingir uma espiral crescente, sem limites, afetando a própria soberania do Estado em se

tratando de endividamento externo, da mesma forma que, na hipótese de dívida interna, poderia provocar

sacrifícios desmesurados aos súditos, gerando descontentamento popular; desarmonia das classes sociais,

criando situações propícias para o desencadeamento de movimentos tendentes à desobediência civil"1. Eis os

principais dispositivos constitucionais a mencionarem o crédito público:

CRÉDITO PÚBLICO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988

Atribui como competência da União a administração das reservas cambiais do País,

ART. 21 bem como a fiscalização das operações de natureza financeira, em especial de

crédito, câmbio e capitalização, além de seguros e previdência privada.

Aponta como competência privativa da União a política de crédito, câmbio, seguros e


Art. 22
transferência de valores

ART. 34, V E ART Possibilidade de intervenção pelo não pagamento de dívida pública fundada
35,I

Competência do Congresso Nacional, com a sanção do Presidente, dispor sobre

plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito,

dívida pública e emissões de curso forçado.

ART. 48

📌 OBSERVAÇÃO
É de competência do Congresso Nacional dispor sobre o montante da dívida

mobiliária federal (Art. 48, XIV)

■​ Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União,

dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (art. 52, V);
COMPETÊNCIAS
DO SENADO ■​ Fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o

FEDERAL EM montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e


RELAÇÃO AO dos Municípios (art. 52, VI);
CRÉDITO PÚBLICO ■​ Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito
(ART. 52, V - IX)
externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder

1
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 263
8

Público federal (art. 52, VII);

■​ Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da união em

operações de crédito externo e interno (art. 52, VIII);

■​ Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária

dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 52, IX).

Vedação à União de tributar renda das obrigações da dívida pública dos Estados, DF
ART. 151, II
e Município em níveis superiores ao fixado em suas obrigações

Lei Complementar disporá sobre Dívida Pública externa e interna, incluída a das

autarquias, fundações e demais entidades controladas pelo Poder Público,


ART. 163
concessão de garantias pelas entidades públicas e emissão e resgate de títulos da

dívida pública

A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco

central.

É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao

Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira.

O banco central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional,

com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros.


ART. 164

📌 OBSERVAÇÃO
A EC 109/21 incluiu o art. 164-A, dispondo que a União, os Estados, o Distrito Federal

e os Municípios devem conduzir suas políticas fiscais de forma a manter a dívida

pública em níveis sustentáveis, na forma da lei complementar referida no inciso VIII

do caput do art. 163 desta Constituição. A elaboração e a execução de planos e

orçamentos devem refletir a compatibilidade dos indicadores fiscais com a

sustentabilidade da dívida.

O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do

efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões,

subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia.

ART. 165, §6º E §8º

A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à

fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de

créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por


9

antecipação de receita, nos termos da lei.

São vedados:

-​ A realização de operações de créditos que excedam o montante das

despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos

suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder


ART. 167, III, V E VII
Legislativo, por maioria absoluta

-​ A abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização

legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes

-​ A concessão ou utilização de créditos ilimitados

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Tribunal de Contas do DF (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi

considerado correto afirmar que “a concessão de determinado benefício de natureza tributária do qual

decorra renúncia de receita será considerada válida se, além de atender ao disposto na lei de diretrizes

orçamentárias (LDO), estiver acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício

em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, bem como da demonstração, pelo proponente, de que

a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária e de que ela não afetará as metas de

resultados fiscais previstas no anexo próprio da LDO.”

No concurso para Promotor de Justiça do Estado do Paraná (Ano: 2016; banca própria) foi considerada

incorreta a seguinte assertiva: Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n. 101/2000),

salvo se houver cláusula de reversão, é vedado ao Tesouro Nacional adquirir títulos da dívida pública federal

existentes na carteira do Banco Central do Brasil.

5. CRÉDITO PÚBLICO E DÍVIDA PÚBLICA NA LEI DE


RESPONSABILIDADE FISCAL

A LRF dispõe sobre o crédito e dívida pública em diversos dispositivos, estabelecendo conceitos e

criando regras para as operações de crédito.

5.1. DÍVIDA PÚBLICA MOBILIÁRIA


​ O conceito de dívida pública mobiliária está no art. 29, II da LRF:

Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições:

II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco

Central do Brasil, Estados e Municípios;


10
​ A título de exemplo, citam-se dentre os títulos públicos que compõem a dívida pública mobiliária

federal interna (DPMFi): Letras do Tesouro Nacional (LTN), Notas do Tesouro Nacional - F (títulos com

remuneração prefixada); Letras Financeira do Tesouro - LFT (com remuneração indexada à Selic); Notas do

Tesouro Nacional -Série B e C (títulos indexados ao IPCA e IGP-M)2

⚠️ CUIDADO
​ Em que pese a previsão da LRF, a LC n. 148/14 dispõe que é vedada aos Estados, DF e Município a

emissão de dívida pública mobiliária.

■​ O que seria o refinanciamento da dívida mobiliária?

​ Nos termos da LRF, é a emissão de títulos para pagamento do principal, acrescido de atualização

monetária. Ademais, o refinanciamento do principal não poderá exceder, ao término de cada exercício

financeiro, o montante do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito autorizadas no

orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, acrescido de atualização monetária.

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Tribunal de Contas do DF (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi

considerado incorreto afirmar “ao ser constituído precatório contra o DF, seu valor será considerado, de

acordo com a LRF, dívida pública mobiliária.”

■​ Como são adquiridos os títulos públicos?3

Mercado primário é o mercado onde o investidor compra títulos diretamente do emissor. No âmbito

da Dívida Pública Federal, são dois os ambientes nos quais ocorrem ofertas primárias de títulos:

1. Ofertas públicas (leilões) - são realizadas semanalmente pelo Tesouro Nacional e operacionalizadas

pelo Banco Central. Apenas Intermediários Financeiros (Bancos; Caixas Econômicas; Sociedades Corretoras de

Títulos e Valores Mobiliários; Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários; Sociedades de Crédito,

Financiamento e investimento; e Sociedades de Crédito Imobiliário) podem adquirir títulos no mercado

primário.

2. Tesouro Direto - Programa criado em 2002, no qual o investidor (apenas pessoas físicas) adquire

títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional pela internet a qualquer hora do dia, após cadastrar-se com

uma instituição financeira habilitada.

Mercado Secundário é o mercado onde o investidor adquire o título de outro investidor, ao invés de

adquirir diretamente do emissor. Os títulos públicos são negociados no mercado brasileiro com base em taxas,

diferentemente do observado no mercado internacional, no qual as negociações são efetuadas com base em

preços.

2
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 269
3
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 270
11
Atualmente, existem no Brasil duas principais plataformas eletrônicas de negociação de títulos públicos:

o Sisbex, administrada pelo Banco Central, e o CetipNet, administrado pela Cetip. Apesar disso, grande parte da

negociação de títulos públicos é realizada no mercado de balcão, via telefone. Não existe atualmente um

ambiente que centralize as negociações e a precificação de todas as propostas de compra e venda de títulos

públicos. ​

5.2. LIMITES DA DÍVIDA PÚBLICA E DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO


Nos termos do art. 29 da LRF, operação de crédito é o compromisso financeiro assumido em razão de

mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado

de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações

assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros. Ressalta-se que é equiparado à operação de

crédito a assunção, o reconhecimento ou a confissão de dívidas pelo Ente Federado.

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de Barra de São Miguel - AL (Ano: 2017; COPEVE-UFAL) foi

considerada incorreta a seguinte assertiva: Operação de crédito é o compromisso financeiro assumido em

razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens e outras

operações assemelhadas, exceto com o uso de derivativos financeiros.

As operações de crédito poderão ser de até 12 meses (curto prazo, integrando a dívida flutuante) ou

acima de 12 meses (longo prazo, integrando a dívida consolidada). Por sua vez, a Resolução n. 48/2007 do

Senado Federal também define operação de crédito, em seu art. 3º:

Art. 3º Constitui operação de crédito, para os efeitos desta Resolução, os compromissos assumidos com

credores situados no país ou no exterior, em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título,

aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e

serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos

financeiros.

Parágrafo único. Equiparam-se a operações de crédito:

I - recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a

maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;

II - assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens,

mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de títulos de crédito;

III - assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori de

bens e serviços.

A fim de que houvesse equilíbrio entre a constituição da dívida e seu devido pagamento, a LRF

estabeleceu limites para a dívida pública e operações de crédito, a serem calculados em percentual da receita
12
corrente líquida:

Dos Limites da Dívida Pública e das Operações de Crédito

Art. 30. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar, o Presidente da República

submeterá ao:

I - Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União, Estados e

Municípios, cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. 52 da Constituição, bem como de limites e

condições relativos aos incisos VII, VIII e IX do mesmo artigo;

II - Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a

que se refere o inciso XIV do art. 48 da Constituição, acompanhado da demonstração de sua adequação aos

limites fixados para a dívida consolidada da União, atendido o disposto no inciso I do § 1o deste artigo.

§ 1o As propostas referidas nos incisos I e II do caput e suas alterações conterão:

I - demonstração de que os limites e condições guardam coerência com as normas estabelecidas nesta

Lei Complementar e com os objetivos da política fiscal;

II - estimativas do impacto da aplicação dos limites a cada uma das três esferas de governo;

III - razões de eventual proposição de limites diferenciados por esfera de governo;

IV - metodologia de apuração dos resultados primário e nominal.

​ No que tange aos Estados, DF e Municípios, a Resolução n. 40/2001 do Senado Federal fixou os limites,

sendo estes i) no caso dos Estados e do Distrito Federal: 2 vezes a receita corrente líquida; e ii) no caso dos

Municípios: a 1,2 vezes a receita corrente líquida.

⚠️ ATENÇÃO
​ Os limites previstos na LRF não são imutáveis, devendo o Presidente da República enviar ao Senado

Federal ou ao Congresso Nacional, a depender do caso, a proposta de manutenção ou alteração dos limites e

condições. Sobre o prazo para envio, uma vez que o prazo a que remete o §50 do art. 30 da LRF foi vetado, a

doutrina entende que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo é aquela de que o referido prazo é o

mesmo estabelecido para encaminhamento do projeto da LOA ao Legislativo (até 31 de agosto de cada

exercício financeiro - LOA da União) 4

​ Toda vez que houver alteração nos fundamentos ou propostas dos limites em razão de instabilidade

econômica ou alterações nas políticas monetárias ou cambiais, o Presidente da República poderá encaminhar

ao Senado Federal ou ao Congresso Nacional solicitação de revisão dos limites.

📌 OBSERVAÇÃO
​ Nos termos do art. 30, §6º da LRF, para fins de aplicação dos limites legais os precatórios judiciais não

pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos integram a dívida consolidada.

4
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 273
13
5.3. RECONDUÇÃO DA DÍVIDA AOS LIMITES
​ Nos termos da LRF, em seu art. 31, caput, Se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar

o respectivo limite ao final de um quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três

subsequentes, reduzindo o excedente em pelo menos 25% no primeiro. Enquanto perdurar esse excesso, o

Ente estará proibido de realizar operação de crédito interna ou externa, inclusive por antecipação de receita,

ressalvado o refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária, assim como estará obrigado a obter o

resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite.

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de São José do Rio Preto (Ano: 2019; VUNESP) foi considerada

correta a seguinte assertiva: Acerca da recondução da dívida aos limites, estabelece a Lei Complementar n°

101/00 que, se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um

quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subsequentes, reduzindo o excedente, no

primeiro, em pelo menos 25%.

​ O prazo do art. 31 será suspenso na hipótese de calamidade pública, estado de sítio ou estado de

defesa, ou ainda, duplicado em caso de crescimento negativo da economia por período igual ou superior a

quatro trimestres.5

​ Enquanto perdurar o excesso da dívida ou findado os prazos, o nte não tenha conseguido restabelecer

os limites, ficará impedido de receber transferências voluntárias da União, exceto as transferências voluntárias

relativas à educação, saúde e assistência social)

​ Observa-se que as restrições serão aplicadas imediatamente, caso o montante da dívida ultrapassar o

limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo.

Se um consórcio público celebrou convênio com a União por meio do qual estão previstos repasses federais, o

fato de um dos entes integrantes do consórcio possuir pendência inscrita no CAUC não pode impedir que o

consórcio receba os valores prometidos. Isso porque o consórcio público é uma pessoa jurídica distinta dos

entes federativos que o integram e, segundo o princípio da intranscendência das sanções, as punições

impostas não podem superar a dimensão estritamente pessoal do infrator, ou seja, não podem prejudicar

outras pessoas jurídicas que não sejam aquelas que praticaram o ato.

Assim, o fato de ente integrante de consórcio público possuir pendência no Serviço Auxiliar de Informações

para Transferências Voluntárias (CAUC) não impede que o consórcio faça jus, após a celebração de convênio, à

transferência voluntária a que se refere o art. 25 da LC 101/2000.

STJ. 2ª Turma. REsp 1463921-PR, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10/11/2015 (Info 577).6

5
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 274
6
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Princípio da intranscendência e entidade integrante de consórcio público com pendência no CAUC. Buscador Dizer
o Direito, Manaus. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 16/04/2024
14
5.4. OPERAÇÕES DE CRÉDITO
​ Conforme dispõe a LRF, o Ministério da Fazenda será o encarregado de verificar o cumprimento dos

limites e condições referentes à realização de operações de crédito dos Entes Federados, inclusive das

empresas direta ou indiretamente controladas. O Ente interessado deverá formalizar pleito fundamentado em

parecer técnico e jurídico, demonstrando a relação custo-benefício, interesse econômico e social da operação.

O prazo de validade da verificação dos limites e das condições de que trata este artigo e da análise realizada

para a concessão de garantia pela União será de, no mínimo, 90 dias e, no máximo, 270 dias, a critério do

Ministério da Fazenda.

Além disso, deverá seguir as seguintes condições:

■​ existência de prévia e expressa autorização para a contratação, no texto da lei orçamentária, em

créditos adicionais ou lei específica;

■​ inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos recursos provenientes da operação, exceto no

caso de operações por antecipação de receita;

■​ observância dos limites e condições fixados pelo Senado Federal;

■​ autorização específica do Senado Federal, quando se tratar de operação de crédito externo;

■​ atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição (regra de ouro). Aqui, considerar-se-á,

em cada exercício financeiro, o total dos recursos de operações de crédito nele ingressados e o das

despesas de capital executadas, observado que:

i) não serão computadas nas despesas de capital as realizadas sob a forma de empréstimo ou

financiamento a contribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal, tendo por base tributo de

competência do ente da Federação, se resultar a diminuição, direta ou indireta, do ônus deste e

ii) se o empréstimo ou financiamento for concedido por instituição financeira controlada pelo

ente da Federação, o valor da operação será deduzido das despesas de capital;

■​ observância das demais restrições estabelecidas nesta Lei Complementar.

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Tribunal de Contas do Distrito Federal (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi

considerado incorreto afirmar que “caso o DF verifique, ao final de fevereiro de determinado ano, que a

realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal

estabelecidas no anexo de metas fiscais, o Poder Executivo deverá promover, por ato próprio e nos

montantes necessários, a limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados

pela lei de diretrizes orçamentárias, relativamente ao seu orçamento e ao do Poder Legislativo.”

📌 OBSERVAÇÃO
​ Os contratos de operação de crédito externo não conterão cláusula que importe na compensação

automática de débitos e créditos. Ademais, é vedada a compensação automática entre credor e devedor

inadimplente.
15
Lei Complementar n. 148/14

Art. 10. O Ministério da Fazenda, mediante ato normativo, estabelecerá critérios para a verificação prevista no

art. 32 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, diretamente pelas instituições financeiras de que

trata o art. 33 da citada Lei Complementar, levando em consideração o valor da operação de crédito e a

situação econômico-financeira do ente da Federação, de maneira a atender aos princípios da eficiência e da

economicidade.

​ A instituição financeira que contratar operação de crédito com algum dos Entes Federados deverá exigir

comprovação de que a operação atende às condições e limites legais, salvo quando se tratar de dívida

mobiliária ou externa. As operações em desacordo com o disposto em lei serão consideradas nulas, havendo

devolução do principal.

5.5. VEDAÇÕES EM MATÉRIA DE ENDIVIDAMENTO PÚBLICO


​ A LRF delimitou diversas vedações no que tange ao endividamento público, quais sejam7:

■​ O Banco Central do Brasil não emitirá títulos da dívida pública a partir de dois anos após a publicação

da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000) (LRF, art. 34);

■​ A realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de

fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da

administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida

contraída anteriormente (LRF, art. 35, caput);

Exceções: operações entre instituição financeira estatal e outro ente da Federação, inclusive suas

entidades da administração indireta, que não se destinem a: l- financiar, direta ou indiretamente,

despesas correntes; II- refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente (LRF,

art. 35, §10). Observe-se que essa vedação não impede Estados e Municípios de comprar títulos da

dívida da União como aplicação de suas disponibilidades (LRF, art. 35, §20).

■​ Operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na

qualidade de beneficiário do empréstimo (LRF, art. 36, caput): tal vedação não proíbe que instituição

financeira controlada venha a adquirir no mercado títulos da dívida pública para atender investimento

de seus clientes, bem como títulos da dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios;

■​ Captação de recursos na forma de antecipação de receita de tributo ou contribuição, cujo fato gerador

ainda não tenha ocorrido (LRF, art. 37, I), sem prejuízo do que dispõe o art. 150, §7º da CRFB/88;

■​ recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou

indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da

legislação;

■​ assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada com fornecedor de

bens, mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando

esta vedação a empresas estatais dependentes;

7
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 281
16
■​ assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori

de bens e serviços.

5.6. OPERAÇÃO DE CRÉDITO POR ANTECIPAÇÃO DE RECEITA ORÇAMENTÁRIA


(ARO)
​ Entende-se por operações de crédito por antecipação de receita as operações destinadas

exclusivamente a atender insuficiência momentânea de caixa, durante o exercício financeiro, sob a observância

das seguintes exigências legais (além das já mencionadas no art. 32 da LRF):

■​ Realizar-se-á somente a partir do décimo dia do início do exercício;

■​ Deverá ser liquidada, com juros e outros encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano;

🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Estado de São Paulo (Ano: 2024; VUNESP) foi considerada correta a

seguinte assertiva: De acordo com a disciplina de operações de crédito e endividamento público, estabelecida

na Constituição Federal e na Lei de Responsabilidade Fiscal, a realização de operação de crédito por

Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) enfrenta algumas vedações e também condicionantes e, nesse

sentido, verifica-se, entre outras, a obrigatoriedade de liquidar a operação, com juros e outros encargos

incidentes, até 10 de dezembro do exercício em que tenha sido realizada, sendo vedada a realização de uma

segunda ARO sem que a primeira tenha sido integralmente resgatada.

■​ Não será autorizada se forem cobrados outros encargos que não a taxa de juros da operação,

obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica financeira, ou à que vier a esta substituir. Neste

sentido,caso sejam operação de ARO realizada por Estados ou Municípios, serão efetuadas mediante

abertura de crédito junto à instituição financeira vencedora em processo competitivo eletrÔnico

promovido pelo Banco Central do Brasil, nos termos do art. 38, §2º da LRF, que manterá sistema de

acompanhamento e controle do saldo do crédito aberto e, no caso de inobservância dos limites,

aplicará as sanções cabíveis à instituição credora.

■​ Estará proibida enquanto existir operação anterior da mesma natureza não integralmente resgatada e

no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito Municipal.

🚩 NÃO CONFUNDA 8

OPERAÇÃO DE CRÉDITO OPERAÇÃO DE CRÉDITO POR ARO


(ART. 32 DA LRF) (ART. 38 DA LRF)

Dívida fundada Dívida flutuante

8
VILELA, Danilo Vieira; LEITE, Harrison. Direito Econômico e Financeiro. Coleção Revisaço. [Link]. Salvador: juspodivm, 2018 p. 373.
17

Longo Prazo Curto Prazo

Depende de autorização legislativa para o Resgate Independe de autorização legislativa

Finalidade: atender ao desequilíbrio orçamentário e Finalidade: atender a insuficiência de tesouraria

financiar investimentos (caixa)

Ente deve demonstrar onde está a previsão dos Ente pode dar em garantia para pagamento da ARO a

recursos, das receitas que vão fazer frente a essa receita dos impostos (art. 167, IV, da CF), como

nova despesa exceção ao princípio da não vinculação das receitas

de impostos

Ente deve demonstrar que a operação atende aos Deve ser realizada apenas a partir do 10º dia de início

limites e condições para o endividamento e não há de exercício (10/jan) e liquidada até o dia

delimitação temporal para a sua realização 10/dezembro com juros

Caso se trate de operação externa deve possuir Essa operação só poderá ser realizada se não houver

autorização do Senado Federal outra operação desse tipo - ARO - não quitada

Deve ainda cumprir as outras regras da LRF Está proibida no último ano de mandato do chefe do

Executivo

🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Tribunal de Contas do DF (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi

considerado correto afirmar o seguinte: “suponha que uma lei fixe uma obrigação para determinado ente

público da qual resulte despesa corrente a ser executada por um período de três anos. Nessa situação, de

acordo com a LRF, a referida despesa é considerada obrigatória de caráter continuado.”

5.7. CONCESSÃO DE GARANTIAS


​ Os entes federados poderão conceder garantias e operações de crédito internas e externas, observadas

a LRF e, no caso da União, observados também os limites estabelecidos pelo Senado Federal. Em regra, as

garantias estarão condicionadas ao oferecimento de contragarantias, em valor igual ou superior ao da garantia

a ser concedida, e à adimplência da entidade que a pleitear relativamente a suas obrigações junto ao garantidor

e às entidades por este controladas.

​ Dessa forma, a garantia seria uma espécie de caução para o adimplemento da obrigação financeira ou

contratual assumida pelo ente.

​ Ademais, dispõe o art. 40, §1º que deverá ser observado os seguintes preceitos:

■​ não será exigida contragarantia de órgãos e entidades do próprio ente;

■​ a contragarantia exigida pela União a Estado ou Município, ou pelos Estados aos Municípios, poderá
18
consistir na vinculação de receitas tributárias diretamente arrecadadas e provenientes de

transferências constitucionais, com outorga de poderes ao garantidor para retê-las e empregar o

respectivo valor na liquidação da dívida vencida. Trata-se de exceção ao princípio de vedação da

vinculação de receita de impostos.

📌 OBSERVAÇÃO
​ Quando a operação de crédito ocorrer junto a organismo financeiro internacional ou instituição federal

de crédito e fomento para repasse de recursos externos, a União só prestará garantia a ente que atenda além

das exigências acima mencionadas, as demais exigências legais para o recebimento de transferências

voluntárias. Frisa-se, também, que é nula a garantia concedida acima dos limites fixados pelo Senado Federal.

É vedado às entidades da administração indireta, inclusive suas empresas controladas e subsidiárias,

conceder garantia, ainda que com recursos de fundos. não se aplicando à concessão de garantia por: i) empresa

controlada a subsidiária ou controlada sua, nem à prestação de contragarantia nas mesmas condições; ii)

instituição financeira a empresa nacional, nos termos da lei.

⚠️ CUIDADO
​ Não se aplicam as regras de garantia e contragarantia previstas no art. 40 da LRF as garantias prestadas

por instituições financeiras estatais, que se submeterão às normas aplicáveis às instituições financeiras

privadas, de acordo com a legislação pertinente, bem como as garantias prestadas pela União, na forma de lei

federal, a empresas de natureza financeira por ela controladas, direta e indiretamente, quanto às operações de

seguro de crédito à exportação.

6. FORMAS DE EXTINÇÃO DA DÍVIDA

■​ Amortização: ocorre quando os empréstimos são emitidos com prazo certo de resgate. A amortização

poderá ser9:

-​ Simultaneamente: todos os títulos são resgatados de uma só vez na data do vencimento;

-​ Em séries por sorteios periódicos: o Tesouro, a partir de certa data, sorteia todos os anos

uma série de títulos para resgate, até que se extinga toda a obrigação;

-​ Anuidades termináveis: juros e amortizações são pagos ao longo de um período, em

prestações iguais, até completa liquidação da dívida, de sorte que, na marcha do tempo, a

parcela do capital restituído é cada vez maior, segundo a tabela Price;

-​ Rendas vitalícias: forma europeia antiga em que o Tesouro se obrigava a pagar uma prestação

até o fim da vida do subscritor, extinguindo-se a dívida com a morte deste ou do beneficiário;

-​ Pelos saldos orçamentários: o Tesouro obriga-se a aplicar os saldos orçamentários ao resgate

9
Vilela, Danilo Vieira. Direito Financeiro. Sinopses para concursos. 3a Edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Juspodivm, 2021. p. 289
19
dos títulos por sorteio ou por outro modo;

-​ Pela compra no mercado: o Tesouro, a seu critério, compra os títulos em Bolsa, o que

naturalmente só lhe interessa fazer por cotações inferiores ao valor nominal.

■​ Conversão: é a prática onde o Tesouro oferece a opção entre a troca por outro título público, de juro

menor ou resgate imediato;

■​ Compensação: ocorre quando há dívidas recíprocas e vencidas entre os entes federativos

■​ Repúdio: é a negativa de legitimidade de uma dívida contraída por regime totalitário em momentos de

instabilidade política.

7. DÍVIDA PÚBLICA E O NOVO REGIME FISCAL

​ Quando a Constituição de 1988 foi promulgada, o legislador já preocupado com a regularidade da

dívida pública inseriu a previsão do art. 26 do ADCT:

Art. 26. No prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição, o Congresso Nacional promoverá,

através de comissão mista, exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo

brasileiro.

§ 1º A comissão terá a força legal de comissão parlamentar de inquérito para os fins de requisição e

convocação, e atuará com o auxílio do Tribunal de Contas da União.

§ 2º Apurada irregularidade, o Congresso Nacional proporá ao Poder Executivo a declaração de nulidade do

ato e encaminhará o processo ao Ministério Público Federal, que formalizará, no prazo de sessenta dias, a

ação cabível.

​ Em 2016, foi promulgada a Emenda Constitucional n. 95/2016, posteriormente alterada pela EC n.

102/2019, referentes ao “Novo regime fiscal”. Nos termos do art. 106 do ADCT, tal regime vigorará por 20

exercícios financeiros, alcançando os orçamentos fiscal e da seguridade social e para todos os órgãos e

Poderes, havendo, contudo, a fixação para cada exercício, de limites individualizados para as despesas

primárias de diferentes órgãos.

Ainda, o órgão que desrespeitar o teto estará sujeito às seguintes vedações do art. 109 da ADCT:

■​ concessão, a qualquer título, de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração

de membros de Poder ou de órgão, de servidores e empregados públicos e de militares, exceto

dos derivados de sentença judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior ao

início da aplicação das medidas de que trata este artigo;

■​ criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa;

■​ alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;

■​ admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, ressalvadas:


20
a) as reposições de cargos de chefia e de direção que não acarretem aumento de despesa;

b) as reposições decorrentes de vacâncias de cargos efetivos ou vitalícios;

c) as contratações temporárias de que trata o inciso IX do caput do art. 37 da Constituição

Federal; e

d) as reposições de temporários para prestação de serviço militar e de alunos de órgãos de

formação de militares;

■​ realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias previstas no inciso IV;

■​ criação ou majoração de auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação ou

benefícios de qualquer natureza, inclusive os de cunho indenizatório, em favor de membros de

Poder, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, de servidores e empregados públicos e

de militares, ou ainda de seus dependentes, exceto quando derivados de sentença judicial

transitada em julgado ou de determinação legal anterior ao início da aplicação das medidas de

que trata este artigo;

■​ criação de despesa obrigatória;

■​ adoção de medida que implique reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação,

observada a preservação do poder aquisitivo referida no inciso IV do caput do art. 7º da

Constituição Federal;

■​ aumento do valor de benefícios de cunho indenizatório destinados a qualquer membro de

Poder, servidor ou empregado da administração pública e a seus dependentes, exceto quando

derivado de sentença judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior ao início

da aplicação das medidas de que trata este artigo.

A partir do 10º exercício de vigência do novo regime fiscal, os critérios poderão ser revistos pelo

Presidente da República, uma vez a cada mandato, sendo permitido propor projeto de lei complementar para

alteração do método de correção dos limites impostos pelo novo regime.

📌 OBSERVAÇÃO
​ A Emenda Constitucional n. 126/2022 alterou e revogou diversos dispositivos da Constituição Federal e

do ADCT, além de incluir o art. 107-A:

Art. 107.

§ 6º-A Não se incluem no limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo, a partir do exercício financeiro

de 2023:

I - despesas com projetos socioambientais ou relativos às mudanças climáticas custeadas com recursos de

doações, bem como despesas com projetos custeados com recursos decorrentes de acordos judiciais ou

extrajudiciais firmados em função de desastres ambientais;

II - despesas das instituições federais de ensino e das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs)

custeadas com receitas próprias, de doações ou de convênios, contratos ou outras fontes, celebrados com os
21
demais entes da Federação ou entidades privadas;

III - despesas custeadas com recursos oriundos de transferências dos demais entes da Federação para a União

destinados à execução direta de obras e serviços de engenharia.

§ 6º-B Não se incluem no limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo as despesas com investimentos

em montante que corresponda ao excesso de arrecadação de receitas correntes do exercício anterior ao que

se refere a lei orçamentária, limitadas a 6,5% (seis inteiros e cinco décimos por cento) do excesso de

arrecadação de receitas correntes do exercício de 2021.

§ 6º-C As despesas previstas no § 6º-B deste artigo não serão consideradas para fins de verificação do

cumprimento da meta de resultado primário estabelecida no caput do art. 2º da Lei nº 14.436, de 9 de agosto

de 2022.

"Art. 107-A. Até o fim de 2026, fica estabelecido, para cada exercício financeiro, limite para alocação na

proposta orçamentária das despesas com pagamentos em virtude de sentença judiciária de que trata o art.

100 da Constituição Federal, equivalente ao valor da despesa paga no exercício de 2016, incluídos os restos a

pagar pagos, corrigido, para o exercício de 2017, em 7,2% (sete inteiros e dois décimos por cento) e, para os

exercícios posteriores, pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado pela

Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ou de outro índice que vier a substituí-lo, apurado no

exercício anterior a que se refere a lei orçamentária, devendo o espaço fiscal decorrente da diferença entre o

valor dos precatórios expedidos e o respectivo limite ser destinado ao programa previsto no parágrafo único

do art. 6º e à seguridade social, nos termos do art. 194, ambos da Constituição Federal, a ser calculado da

seguinte forma:

Art. 111. A partir do exercício financeiro de 2018, até o exercício financeiro de 2022, a aprovação e a execução

previstas nos §§ 9º e 11 do art. 166 da Constituição Federal corresponderão ao montante de execução

obrigatória para o exercício de 2017, corrigido na forma estabelecida no inciso II do § 1º do art. 107 deste Ato

das Disposições Constitucionais Transitórias." (NR)

Art. 111-A. A partir do exercício financeiro de 2024, até o último exercício de vigência do Novo Regime Fiscal, a

aprovação e a execução previstas nos §§ 9º e 11 do art. 166 da Constituição Federal corresponderão ao

montante de execução obrigatória para o exercício de 2023, corrigido na forma estabelecida no inciso II do § 1º

do art. 107 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias."

Art. 121. As contas referentes aos patrimônios acumulados de que trata o § 2º do art. 239 da Constituição

Federal cujos recursos não tenham sido reclamados por prazo superior a 20 (vinte) anos serão encerradas

após o prazo de 60 (sessenta) dias da publicação de aviso no Diário Oficial da União, ressalvada reivindicação

por eventual interessado legítimo dentro do referido prazo.

Parágrafo único. Os valores referidos no caput deste artigo serão tidos por abandonados, nos termos do inciso

III do caput do art. 1.275 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e serão apropriados pelo

Tesouro Nacional como receita primária para realização de despesas de investimento de que trata o § 6º-B do

art. 107, que não serão computadas nos limites previstos no art. 107, ambos deste Ato das Disposições

Constitucionais Transitórias, podendo o interessado reclamar ressarcimento à União no prazo de até 5 (cinco)

anos do encerramento das contas."


22

"Art. 122. As transferências financeiras realizadas pelo Fundo Nacional de Saúde e pelo Fundo Nacional de

Assistência Social diretamente aos fundos de saúde e assistência social estaduais, municipais e distritais, para

enfrentamento da pandemia da Covid-19, poderão ser executadas pelos entes federativos até 31 de dezembro

de 2023."

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