Indice
Introducao....................................................................................................01
Conceito, Epidemiologia, Etiologia e Factores de
Risco.............................02
Fisiopatologia..............................................................................................03
Classificacao................................................................................................04
Quadro Clinico............................................................................................05
Complicações, Exames auxiliares e diagnóstico e
Conduta...................................06
Critérios de referência......................................................................................................10
1
Introduçãoː
Neste presente trabalho abordarei acerca da patologia relacionada com a Hipertensao
Arterial a partir da definição, Epidemiologia, Etiologia, Classificação, Fisiopatologia,
Quadro clinico, Conduta e Critérios de referência
2
Hipertensão arterial
Definição
Hipertensão arterial é a elevação crónica da pressão arterial para valores ≥ 140
mmhg da sistólica e/ou ≥ 90 mmhg da diastólica. É uma doença silenciosa, pois na
maioria dos casos o doente não tem sintomatologia (assintomático).
Epidemiologia
É uma doença muito prevalente a nível mundial. Em Moçambique, a doença está
amplamente distribuída, com uma prevalência nacional de 34.9% entre homens e
mulheres dos 25 aos 64 anos, sendo esta prevalência maior nas cidades (40.6%) que no
campo (29.8%).
Etiologia
– em 90-95% dos pacientes a etiologia é desconhecida (chamada hipertensão primária
ou essencial). Em 5-10% é uma hipertensão secundária.
Causas de hipertensão secundária:
Estenose da artéria renal
Doença renal parenquimatosa: glomerulonefrites, cistos renais, uropatias
obstrutivas
Coarctação da aorta
Feocromocitoma (tumor da medula das glândulas supra-renais)
Hiperaldosteronismo resultante de um tumor (adenoma) secretor de
aldosterona ou hiperplasia supra-renal bilateral
Outras causas: uso de contraceptivos orais, doença da tiróide,
hiperparatiroidismo, acromegália, entre outras.
Factores de risco
Idade avançada
Tabagismo;
Diabetes;
Hipercolesterolemia;
História familiar de HTA ou doenças cardiovasculares;
Dieta rica sal;
Sedentarismo
3
Obesidade;
Alcoolismo.
Fisiopatologia
A fisiopatologia da hipertensão arterial é complexa. No entanto, importa saber o
seguinte:
A pressão arterial depende do débito cardíaco e resistência vascular periférica. Quanto
maior for o débito cardíaco maior será a pressão arterial e, quanto maior for a resistência
vascular periférica (vasoconstrição) maior será a pressão arterial.
Volume Sistólico
Débito Cardíaco
Frequência Cardíaca
Pressão Arterial
Função Vascular
Resistência Periférica
Estrutura Vascular
.
Os órgãos alvo da hipertensão arterial são:
O coração – originando as cardiopatias hipertensivas
O cérebro – originando os acidentes vasculares cerebrais
O rim – originando a insuficiência renal (porém lembrar que uma doença
renal pode levar a hipertensão arterial, daí ser difícil de estabelecer o que
começou primeiro – hipertensão ou doença renal)
Artérias periféricas – originando aterosclerose e suas consequências por
diminuição do fluxo sanguíneo.
Olhos - originam uma retinopatia hipertensiva.
4
Classificação
A hipertensão arterial pode ser classificada de diversas formas:
Quanto a causa:
Hipertensão primária ou essencial
Hipertensão secundária
Existe uma forma de hipertensão que surge na gravidez, chamada de toxémia
gravídica que leva ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia/eclâmpsia (será abordado
na disciplina de Saúde Sexual Reprodutiva II).
Quanto aos valores da pressão arterial
Classificação da tensão Tensão arterial sistólica, Tensão arterial
arterial mmhg diastólica, mmhg
Normal < 120 < 80
Pré-hipertensão 120 – 139 80 – 89
Hipertensão estagio I 140 – 159 90 – 99
Hipertensão estagio II ≥ 160 ≥ 110
Hipertensão sistólica > 140 < 90
isolada
Hipertensão maligna – é uma síndrome associada a uma elevação súbita da tensão
arterial com lesão dos órgãos alvo e sintomatologia:
Alterações da visão por edema da papila;
Manifestações de encefalopatia hipertensiva - cefaleia severa, vómitos,
convulsões, paralisias transitórias, até estupor e coma.
Descompensação cardíaca – com sinais de insuficiência cardíaca
Insuficiência renal
A hipertensão maligna pode apresentar-se em paciente com história de hipertensão ou
em individuo previamente normotenso.
Quadro Clínico
O quadro clínico da hipertensão arterial é variável, e geralmente é assintomático. Os
sintomas também podem depender da causa da hipertensão, a sua duração e severidade,
e o grau de afectação dos órgãos alvo.
5
Cefaleia é um dos sintomas mais comuns, que pode estar associado a
palpitações, desconforto torácico ou dor torácica.
Visão turva (nublada)
Dispneia nos casos de cardiopatia hipertensiva descompensada
Síncope ou lipotimia, ou hemiparesia de início súbito (traduzindo quase sempre
um acidente vascular cerebral).
A medição da tensão arterial é a chave do diagnóstico!
Nota: Não diagnostique hipertensão arterial com apenas uma única medição da pressão
arterial! São necessárias 3 medições com separação de 5 minutos entre cada medição e
medições em dias diferentes.
Complicações
As complicações estão relacionadas com a lesão dos órgãos alvos:
Coração – cardiopatia hipertensiva – insuficiência cardíaca
Cérebro – acidente vascular cerebral (AVC)
Rim – insuficiência renal
Olhos – retinopatia hipertensiva
Artérias periféricas – doença arterial periférica
Exames auxiliares e diagnóstico.
Como foi referido, a medição da tensão arterial é a chave do diagnóstico!
Outros exames visam, essencialmente, detectar complicações e lesões dos órgãos alvo.
Bioquímica sanguínea: ureia, creatinina, sódio e potássio – para detectar uma
insuficiência renal e alterações hidro-electrolíticas. Colesterol, triglicérido e
glicemia para rastrear os factores de risco ou detectar uma hipercolesterolémia
ou diabetes.
Radiografia do tórax – em busca de descompensação cardíaca (cardiopatia
hipertensiva ou insuficiência cardíaca)
ECG – para saber em que estágio da doença se está (hipertrofia ou dilatação).
TRATAMENTO E SEGUIMENTO DA HIPERTENSAO ARTERIAL
Passos para decidir o início do tratamento com medicamentos anti-hipertensivos
6
Para se iniciar o tratamento medicamentoso da HTA é necessário considerar a avaliação
do risco cardiovascular (risco de ter trombose ou ataque cardíaco nos próximos 10
anos). Assim teremos os seguintes riscos:
< 10% - baixíssimo risco
10% a < 20% - baixo risco
20% a < 30% - médio risco
30% a < 40% - alto risco
≥ 40% - Altíssimo risco
A seguir se apresenta as cores que correspondem aos níveis de risco cardiovascular
Nas tabelas abaixo (tabela de pessoas sem e com diabetes) encontraremos o seguinte:
À esquerda – a idade do paciente (começando a apartir dos 40 anos)
À direta – Valores da Tensão Arterial Sistólica
Em baixo – Valores de colesterol total em mmol/l
Em cima – dois parâmetros: sexo (Homens e Mulheres) e Hábitos tabágicos
(Não-Fumadores e Fumadores)
A seguir apresentamos as várias opções perante este cenário:
Doente com menos de 40 anos – não se avalia o risco cardiovascular. Submeter
a tratamento medicamentoso se a TAS estiver sistematicamente superior a 160
mmhg, ou seja avaliada em pelo menos, dois dias diferentes
Doente com mais de 40 anos
1º Cenário: risco ≤ 10% - medidas não farmacológicas, não sendo candidatos
ao tratamento medicamentoso
2º Cenário: risco > 10% - deve ser medicado.
A todos os doentes deve ser recomendado as medidas não farmacológicas para
diminuir o risco cardiovascular: parar de fumar, fazer exercício físico (40
minutos, 4 vezes por semana), aumentar o consumo de frutas e vegetais, perder
peso se é obeso, diminuir o consumo de gorduras saturadas (óleos vegetais,
7
fritos, mariscos, carnes vermelhas, leite gordo, manteiga, ovos, natas, etc),
reduzir o consumo de sal.
O que fazer na observação do doente numa primeira consulta
Fazer uma breve história clínica, perguntando por hábitos tabágicos, alcóolicos,
prática de exercício físico, consumo de sal, consumo de AINES. Colher uma
breve história familiar sobre doenças crónicas na família
Medir a TA
Ver o peso, altura e calcular o IMC
Exame físico geral, com particular atensão à auscultação cardíaca e palpação dos
pulsos periféricos
Solicitar os exames auxiliares referidos no bloco anterior
Avaliar o risco cardiovascular
Aconselhar a terapêutica não medicamentosa mais adequada
Tomar a decisão sobre a necessidade de iniciar a terapêutica medicamentosa
Esclarecer a situação de saúde do doente e marcar a próxima consulta (vide mais
baixo quando marcar a próxima consulta)
Criar um arquivo para os processos clínicos dos doentes
Que fármacos usar?
1ª Linha
Diurético tiazídico e poupador de potássio: Hidroclortiazida comprimidos de
50 mg ½ comprimido + amilorido commprimidos de 5 mg ½ comprimido.
Existe o amilorido composto (associação de hidroclortiazida de 50 mg e
amilorido de 5 mg) que se deve iniciar com ½ comprimido por dia.
Quando usar os diuréticos de ansa (Furosemida)?
Em pacientes com HTA e Insuficiência renal, Insuficiência cardíaca com
edemas, ou ainda se suspeitar que a terapêutica anti-hipertensiva provoque
retenção de líquidos
Furosemida de 40 mg: Iniciar com ½ Comprimido/dia por via oral, e ir
aumentando até 4 comprimidos de 12 em 12 horas
2ª Linha
Diurético + Bloqueador dos canais de cálcio (amlodipina ou nifedipina)
Na ausência de Bloqueador dos canais de cálcio, pode-se usar um anti-
adrenérgico central (Metildopa)
8
Amlodipina, comprimidos de 10 mg. Iniciar com 5 mg/dia por via oral,
aumentar após 10-14 dias para um máximo de 10 mg/dia (dose única).
Efeitos secundários: edema dos membros inferiores, tonturas e palpitações
Contra-indicações: absolutas – hipotensão arterial. Relativas – estenose
aórtica, cardiomiopatia hipertrófica, angina instável na ausência de beta-
bloqueadores.
Nifedipina, comprimidos de acção prolongada, 30 mg por via oral. Iniciar com 1
comprimido (30 mg), podendo aumentar em caso de não controlo da tensão
arterial para 2 comprimidos (60 mg) em dose única diária
Efeitos secundários: cefaleia, tonturas, rubor, edema do tornozelo, fraqueza,
palpitações e hipotensão.
Contra-indicações: absolutas – hipotensão, angina instável ou infarto agudo
do miocárdio na ausência de beta-bloqueadores. Relativas – estenose aórtica,
cardiomiopatia hipertrófica, angina e gravidez
Metildopa 250 mg comp. De 125 mg de 12/12h até dose máxima de 1g de 8/8h
Efeitos secundários: sedação, fadiga, secura da boca, diminuição da libido.
Contra-indicação: doença hepática activa, história de anemia hemolítica,
depressão e doença de Parkinson.
3ª Linha
Diurético + Bloqueador dos canais de cálcio (ou anti-adrenérgico central)
+beta-bloqueador (propranolol ou atenolol– sendo este último de nível do
superior ao TMG mas que pode estar disponível na ausência do propranolol)
Propranolol, comp de 40 mg. 20 a 40 mg 12/12h por via oral, podendo aumentar
se paulatinamente até 360mg/d divididos em duas ou três tomas.
Efeitos secundários: seu principal efeito secundário é a bradicardia (que
deve ser monitorada e evitar o seu uso em pacientes hipertensos com
bradicardia já estabelecida ou em pacientes diabéticos, pois mascara os
efeitos da hipoglicémia) e broncoespasmo em doentes com asma e
outras doenças pulmonares obstrutivas (nestes casos, preferir o uso do
atenolol).
Contra-indicação: asma ou doença pulmonar obstrutiva severa,
insuficiência cardíaca.
4ª Linha
Os inibidores da enzima de conversão, como o captopril ou o enalapril devem
constituir a 4ª linha, excepto se houver já um quadro de insuficiência cardíaca ou
se o doente for diabético, situação em que se pode administrar estes fármacos
associados aos diuréticos tiazídicos como primeira linha.
9
Critérios de referência
Não tenham a TA controlada apesar de tomarem sistematicamente 3 drogas anti-
hipertensivas (diurético+bloqueadores dos canais de cálcio+beta-bloqueador)
Tenham alguma complicação ou factores de risco maiores, como insuficiência
cardíaca, infarto do miocárdio, AVC, insuficiência renal, diabetes (estes podem
ser acompanhados de 4 em 4 meses na US devendo ser vistos anualmente numa
unidade sanitária de referência)
Desenvolvam algum efeito colateral importante com a terapêutica
Seguimento e marcação de próxima consulta
A próxima consulta deverá ser marcada de acordo com a fase de diagnóstico em que nos
encontramos, o risco do doente e o grau de controlo da TA.
Assim, após a primeira consulta e antes de decidir a terapêutica medicamentosa,
devemos indicar a terapêutica não medicamentosa e marcar a próxima consulta para as
duas a quatro semanas subsequentes. O mesmo poderá acontecer se se tratar de um
doente que apresenta TA muito elevada – acima de 170/110 mmhg – e no qual se
decidiu iniciar imediatamente a terapêutica medicamentosa.
Uma vez indicada e iniciada a terapêutica não medicamentosa ou medicamentosa, o
doente deve retornar para controlo dentre de 1 ou 2 meses e esta terapêutica deve ser
reforçada de acordo com a resposta do doente.
10
Uma vez controlada a TA, o doente de médio risco (20% - < 30%) deve ser controldado
de 6 em 6 meses, e os doentes de risco elevado ou muito elevado, devem ser controlados
de 4 em 4 meses..
O que fazer na observação do doente numa segunda consulta
Perguntar se tem feito a terapêutica não medicamentosa e motivá-lo para a fazer
com regularidade
Perguntar por sintomas ou queixas do doente
Medir a TA e repetir a medição, informar ao doente os seus valores
Caso a TA esteja controlada (< 140/90 mmhg), passar a nova receita em
princípio para 2 meses e marcar o regresso do doente, voltando a frisar a
necessidade cumprir sempre a terapêutica não medicamentosa e medicamentosa
Caso a TA não esteja controlada e o doente tenha tomado a medicação e não
esteja a fazer anti-inflamatórios (diclofenac, ibuprofeno, indometacina, etc),
acrescentar um novo fármaco em doses adequadas
Passar a receita e marcar a nova consulta.
11
Conclusão
No presente trabalho que revela sobre Hipertensao Arterial, concluímos que a
hipertensão Arterial é a elevação crónica da pressão arterial para valores ≥ 140
mmhg da sistólica e/ou ≥ 90 mmhg da diastólica sua etiologia – em 90-95% dos
pacientes a etiologia é desconhecida (chamada hipertensão primária ou
essencial). Em 5-10% é uma hipertensão secundária.
12
BIBLIOGRAFIA:
A. Texto principal da disciplina
Soares, J.L.. Semiologia Médica, Princípios, Métodos e Interpretação. Brasil.
Ed. Lidel, 2007.
Harrison. Medicina Interna. 17ᵃ edição, volume II. Ed. Mcgraw Hill. P. 1379 a
1382
Ausiello DA, Goldman. Cecil medicina. 23ª edição. Brasil: Elsevier; 2009.
P.349-605
13