MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS
DISCIPLINARES DA
CORREGEDORIA
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
PRESIDENTE
Min. Luis Roberto Barroso
CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIÇA
AUTORES
CORREGEDOR NACIONAL DE JUSTIÇA
Min. Luis Felipe Salomão
JUÍZES AUXILIARES
Otávio Henrique Martins Port, Roberta Ferme Sivolella, Priscilla Pereira da Costa Corrêa,
Joacy Dias Furtado, Beatriz Fruet de Moraes, Weiss Webber Araújo Cavalcante
SERVIDORES
Alessandro Garcia Vieira, Ana Delfina Paiva Graça, José Artur Calixto, Luciara
Meireles Flores e Renata Azevedo da Graça
FICHA TÉCNICA DA PUBLICAÇÃO
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
Ana Delfina Paiva Graça
IMPRESSÃO
Digital
TIRAGEM
Digital
REVISÃO
Juiz Federal Otávio Henrique Martins Port, Juíza do Trabalho Roberta Ferme Sivolella,
Juíza Federal Priscilla Pereira da Costa Corrêa, Juiz de Direito Joacy Dias Furtado,
Juíza de Direito Beatriz Fruet de Moraes, Juiz de Direito Weiss Webber Araújo Cavalcante,
José Artur Calixto (Assessor-Chefe do Gabinete)
DATA ELABORAÇÃO
Junho/2024
SUMÁRIO
7 APRESENTAÇÃO
11 VISÃO GERAL DA ATIVIDADE DISCIPLINAR
17 REPRESENTAÇÃO POR EXCESSO DE PRAZO
21 COMUNICAÇÃO DA RES. 135
25 PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES
52 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
57 TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA
61 PAUTA DE JULGAMENTO
63 ALGUNS PRECEDENTES RELEVANTES
PROFERIDOS NA GESTÃO DO BIÊNIO 2022-2024
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
APRESENTAÇÃO
Uma das funções principais atribuída ao Conselho Nacional de Justiça é o
controle do cumprimento dos deveres funcionais dos Magistrados (art. 103-B, §
4º, CF), cabendo à Corregedoria Nacional de Justiça a materialização das
atividades necessárias para o efetivo cumprimento dessa importante função
(art. 103-B, § 5º, I, CF).
Este manual tem por objetivo detalhar a organização e o funcionamento dessa
vertente de atuação da Corregedoria Nacional de Justiça: a atividade
disciplinar.
Com linguagem clara e uso de ícones e símbolos visuais, o manual busca
transmitir informações de forma concisa e de fácil compreensão.
Foi estruturado para indicar as normas mais relevantes, orientar a respeito das
análises demandadas em cada tipo de procedimento ou processo, bem como
esclarecer as rotinas adequadas para a execução das tarefas pertinentes.
O manual, portanto, visa contribuir para a continuidade dos trabalhos da
Corregedoria Nacional de Justiça, em suas sucessivas gestões.
Min. Luis Felipe Salomão
Corregedor Nacional de Justiça
biênio 2022-2024
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
A DIMENSÃO DA CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIÇA
Para melhor compreender a dimensão da atuação da Corregedoria Nacional
de Justiça, pode-se dizer que suas atribuições estão divididas em 5 campos.
5 áreas de atuação da Corregedoria Nacional de Justiça.
(fonte: site CorregedoriaCNJ)
O ALCANCE DESTE MANUAL
Este Manual trata do recorte da área 01 , no que se refere aos Magistrados.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
ORGANIZAÇÃO EM EQUIPES
O trabalho relativo à atividade disciplinar é organizado e dividido entre equipes
que se especializam em temas e fluxos.
Corregedor
Nacional
Juízes Auxiliares 64%
da Disciplinar
REP E RES. 135
Aprox. 64% da distribuição
para a Corregedoria Nacional
de Justiça entra nos fluxos das
Equipe Equipe Equipe REP e da Res. 135.
REP Disciplinar Res. 135
1 EQUIPE DA REP
A Equipe da REP analisa as Representações por Excesso de prazo, bem como os
Pedidos de Providências e as Reclamações Disciplinares que, por ventura, tenham
como objeto a morosidade processual.
2 EQUIPE DA RES. 135
A Equipe da Res. 135 aprecia as comunicações dos Tribunais de Justiça e Corregedorias
locais de Justiça, acerca das apurações e julgamentos administrativos feitos naqueles
órgãos. Quando houver necessidade de outras diligências, o caso é encaminhado para
a Equipe Disciplinar.
As comunicações da Res.135 são autuadas como Pedidos de Providências.
3 EQUIPE DISCIPLINAR
A Equipe Disciplinar cuida dos procedimentos e processos, originários no CNJ, tais
como Reclamações Disciplinares e Pedidos de Providências, que tratam da matéria
disciplinar dos Magistrados. Acompanha PAD - processos administrativos disciplinares
instaurados contra Magistrados, Revisões Disciplinares e, ainda, Procedimentos de
Controle Administrativos. Além disso, recebe os expedientes da Res. 135, quando
demandam análises mais profundas ou quando noticiam a instauração de inquéritos
contra Magistrados, bem como recebe os expedientes instaurados de ofício pelo
Corregedor Nacional de Justiça, por meio do SEI, além daqueles oriundos dos achados
das equipes de inspeção. Outrossim, a equipe disciplinar também é responsável por
organizar e acompanhar os processos em pauta, com elaboração de minutas de votos,
atualizações e resolução de incidentes; realizar a análise preliminar dos
procedimentos, para verificação de enquadramento nas hipóteses de TAC;
acompanhar a jurisprudência do CNJ em matéria disciplinar; realizar a integração
entre os procedimentos disciplinares e aqueles oriundos das inspeções, fornecendo
subsídios, quando necessário, para as atividades correicionais, ordinárias e
extraordinárias, nos Tribunais.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
VISÃO GERAL
DA ATIVIDADE DISCIPLINAR
DA CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIÇA
A Corregedoria Nacional de Justiça é responsável pela orientação,
coordenação e execução de políticas públicas voltadas à atividade
correicional e ao bom desempenho da atividade judiciária dos tribunais e
juízos e dos serviços extrajudiciais do País.
Para consecução desse intento, atua em coordenação com as demais
Corregedorias de Justiça ou isoladamente, em busca da maior efetividade
da prestação jurisdicional, dos serviços judiciários auxiliares, bem como dos
serviços notariais e de registro público – é a chamada competência
originária e concorrente.
As competências disciplinares estão expressas na Constituição Federal, a
qual atribui, também, ao Conselho Nacional de Justiça a possibilidade de
expedir atos regulamentares no âmbito de sua competência (art. 103-B, §4º,
I, da CF).
Constituição Federal
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com
mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo:
(...)
II- um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal;
(...)
§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do
Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe,
além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
(...)
III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder
Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores
de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou
oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais,
podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a remoção ou a
disponibilidade e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;
IV - representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração
pública ou de abuso de autoridade;
V - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e
membros de tribunais julgados há menos de um ano;
(...)
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
§ 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-
Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-
lhe, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as
seguintes:
I- receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos
magistrados e aos serviços judiciários;
II- exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral;
III- requisitar e designar magistrados, delegando-lhes atribuições, e requisitar
servidores de juízos ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e
Territórios.
§ 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador-Geral da República e o Presidente do
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
Regimento Interno do CNJ
Art. 7º A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do CNJ, será dirigida pelo
Corregedor Nacional de Justiça, cuja função será exercida pelo Ministro do Superior
Tribunal de Justiça, que ficará excluído da distribuição de processos judiciais no
âmbito do seu Tribunal.
Art. 8º Compete ao Corregedor Nacional de Justiça, além de outras atribuições que
lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
I - receber as reclamações e denúncias de qualquer interessado relativas aos
magistrados e Tribunais e aos serviços judiciários auxiliares, serventias, órgãos
prestadores de serviços notariais e de registro, determinando o arquivamento
sumário das anônimas, das prescritas e daquelas que se apresentem
manifestamente improcedentes ou despidas de elementos mínimos para a sua
compreensão, de tudo dando ciência ao reclamante;
II - determinar o processamento das reclamações que atendam aos requisitos de
admissibilidade, arquivando-as quando o fato não constituir infração disciplinar;
III - instaurar sindicância ou propor, desde logo, ao Plenário a instauração de
processo administrativo disciplinar, quando houver indício suficiente de infração;
IV - promover ou determinar a realização de sindicâncias, inspeções e correições,
quando houver fatos graves ou relevantes que as justifiquem, desde logo
determinando as medidas que se mostrem necessárias, urgentes ou adequadas, ou
propondo ao Plenário a adoção das medidas que lhe pareçam suficientes a suprir as
necessidades ou deficiências constatadas;
(...)
XX - promover de ofício, quando for o caso de urgência e relevância, ou propor ao
Plenário, quaisquer medidas com vistas à eficácia e ao bom desempenho da
atividade judiciária e dos serviços afetos às serventias e aos órgãos prestadores de
serviços notariais e de registro;
Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça.
[Link]
12
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Regulamento Geral do CNJ
Art. 3º Compete ao Corregedor Nacional de Justiça, além de outras atribuições que
lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
I – receber as reclamações e as denúncias relativas aos atos administrativos
praticados por magistrados, tribunais, serviços judiciários auxiliares, serventias,
órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do
poder público que estão em desacordo com os princípios da administração pública
ou com os seus deveres funcionais;
II – determinar o processamento das reclamações disciplinares que atendam aos
requisitos de admissibilidade;
III – instaurar sindicância para investigação destinada a apurar infração disciplinar;
IV – instaurar procedimento de verificação do excesso de prazo ou de providências
administrativas apurando a existência de irregularidades ou infração;
V – determinar o arquivamento sumário das reclamações anônimas, das prescritas
e daquelas que se apresentem de plano manifestamente improcedentes ou
desprovidas de elementos mínimos para a sua compreensão, ou quando o fato
evidentemente não constituir infração disciplinar;
VI – propor ao Plenário a instauração de processo administrativo disciplinar após a
conclusão de sindicância ou, desde logo, quando do procedimento preliminar se
mostrar desnecessária;
VII – promover ou determinar a realização de inspeções e correições, na ocorrência
de fatos graves ou relevantes que as justifiquem ou que devam ser prevenidos,
podendo nelas determinar as medidas cautelares que se mostrem necessárias,
urgentes ou adequadas, ou propor ao Plenário a adoção daquelas cabíveis para
suprir ou prevenir as necessidades ou deficiências constatadas;
(...)
IX – promover de ofício ou propor ao Plenário, quando for o caso de urgência e
relevância, quaisquer medidas com vistas à eficácia e ao bom desempenho da
atividade judiciária e dos serviços afetos às serventias e aos órgãos prestadores de
serviços notariais e de registro;”
Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça.
[Link]
Loman
Art. 41 - Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem o magistrado não
pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das
decisões que proferir. (Vide ADPF 774)
(...)
Art. 42 - São penas disciplinares:
I - advertência;
II - censura;
III - remoção compulsória;
IV - disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço;
V - aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de
serviço;
VI - demissão.
Parágrafo único - As penas de advertência e de censura somente são aplicáveis
aos Juízes de primeira instância.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Resolução CNJ n. 60, de 19/9/2008
Código de Ética da Magistratura
[Link]
Resolução CNJ n. 135/2011
Fixa o conceito de magistrado (art.1º)
Estabelece as penas disciplinares (art. 3º)
Trata da investigação preliminar e do processo administrativo disciplinar
Impõe a obrigatoriedade de comunicação à Corregedoria Nacional de
Justiça dos resultados das apurações e dos julgamentos feitos pelos
Tribunais no âmbito disciplinar (art. 28)
Resolução n. 135, de 13 de julho do 2011.
[Link]
Portaria n. 54, de 22/6/2022 que altera o
Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça
Trata dos procedimentos disciplinares no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça
(Capítulo III)
[Link]
Provimento CNJ n. 165, 16/4/2024
Institui o Código de Normas Nacional da Corregedoria Nacional de Justiça do
Conselho Nacional de Justiça
[Link]
14
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
COMPETÊNCIA E ATUAÇÃO DA CORREGEDORIA
NACIONAL DE JUSTIÇA NO ÂMBITO DISCIPLINAR
A Corregedoria Nacional de Justiça atua no controle e fiscalização das
condutas disciplinares de:
membros do Poder Judiciário
(exceto Ministros do Supremo Tribunal Federal)
delegatários das serventias extrajudiciais
A competência disciplinar é originária e concorrente entre o CNJ e os
tribunais locais – e não subsidiária –, conforme orientação do STF (ADI n.
4638/DF).
Isso significa que o exercício da competência disciplinar atribuída ao CNJ não
depende de inércia, simulação, incapacidade ou manipulação indevida da
competência atribuída ao tribunal local (ou à corregedoria).
A Corregedoria Nacional de Justiça, em sua função correcional, possui atuação
preventiva e repressiva em relação às condutas que possam configurar
violação aos deveres da magistratura.
sistema correcional harmônico e uniforme
construção das metas e estratégias
específicas
otimização de recursos
incentivo às boas práticas;
atos e recomendações para aumento da
eficiência
função disciplinar
corrigir distorções e desvios do sistema
garantir padrões éticos de conduta e o
cumprimento dos deveres funcionais
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
CLASSES PROCESSUAIS RELATIVAS À ATIVIDADE DISCIPLINAR
DA CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIÇA
No desempenho da atividade disciplinar, a Corregedoria Nacional de Justiça
recebe, processa e analisa as classes processuais listadas abaixo, cujos fluxos e
detalhes serão descritos neste Manual. As duas primeiras classes (REP e RD)
são de competência exclusiva da Corregedoria Nacional de Justiça.
REP REPRESENTAÇÃO POR EXCESSO DE PRAZO
É a representação feita contra magistrado por excesso injustificado
de prazo para a prática de ato de sua competência (art. 78, RICNJ).
RD RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR
É a reclamação feita contra membros do Poder Judiciário e contra
titulares de serviços notariais e de registro, diante de possível infração
disciplinar (art. 67, RICNJ).
PP PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS
São as propostas e sugestões para melhoria da eficiência e eficácia do
Poder Judiciário, bem como qualquer expediente que não tenha
classificação específica (art. 98, RICNJ).
Sind SINDICÂNCIA
A sindicância é o procedimento investigativo sumário levado a efeito
pela Corregedoria Nacional de Justiça, com prazo de conclusão não
excedente de 60 dias (art. 60 do RICNJ).
REVDIS REVISÃO DISCIPLINAR
São as revisões, de ofício ou mediante provocação de interessado, dos
processos disciplinares de juízes e membros de tribunais, que foram
julgados há menos de 1 ano do pedido de revisão (art. 82, RICNJ).
PADMAG PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
É o instrumento destinado a apurar responsabilidades de
magistrados por infração disciplinar praticada no exercício de suas
atribuições, mediante deliberação do Plenário do CNJ (arts. 73 e 74,
RICNJ).
AVOCAT AVOCATÓRIA
É a avocação de procedimento de natureza disciplinar em curso
contra membros do Poder Judiciário ou de seus serviços auxiliares,
serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro
(art. 79, RICNJ).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
REPRESENTAÇÃO
POR EXCESSO DE PRAZO
Regimento Interno do CNJ
Art. 78. A representação contra magistrado por excesso injustificado de prazo para
a prática de ato de sua competência jurisdicional ou administrativa poderá ser
formulada por qualquer pessoa com interesse legítimo, pelo Ministério Público,
pelos Presidentes de tribunais ou, de ofício, pelos Conselheiros.
Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça
Art. 21. A representação contra magistrado por excesso injustificado de prazo para a
prática de ato de sua competência jurisdicional ou administrativa poderá ser
formulada por qualquer pessoa com interesse legítimo, pelo Ministério Público,
pelos Presidentes de tribunais ou, de ofício, pelos Conselheiros.
FORMULÁRIO ELETRÔNICO DA REP
É possível representar por excesso de prazo por um
FORMULÁRIO ELETRÔNICO
REP formulário eletrônico.
/ /
Criado na gestão do Min. Luis Felipe Salomão, o sistema,
automaticamente:
arquiva os formulários, quando não constatada a
morosidade a partir da data de movimento processual
informada ou
encaminha para a autuação os formulários em que
constatada a morosidade.
Endereço do formulário eletrônico:
[Link]
17
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA NA REP
Cópia da carteira de identidade
CPF
Comprovante de endereço
Movimentação processual
NÃO PRECISA
Procuração
Advogado
FALTOU DOCUMENTO NA REP?
A parte representante é intimada para apresentar a
documentação, no prazo de 15 dias.
Se a parte, apesar de intimada, não apresentar a documentação
que estava faltando, será feito o arquivamento sumário (art. 22
do Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça).
O INTERESSE NA REP
NÃO ESTÁ DEMONSTRADO
A parte representante é intimada para demonstrar, no prazo de
15 dias, o interesse legítimo em propor a REP.
Se a parte, apesar de intimada, não demonstrá-lo, será feito o
arquivamento sumário (art. 8º, I c/c 78, caput, do RICNJ).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Análise das REP’s
1 Não há morosidade ARQUIVO
A análise da movimentação processual do Tribunal já art. 24, caput, do
Regulamento
demonstra que o andamento está regular OU se ficar
justificado o excesso de prazo ou demonstrado que não
decorreu da vontade ou de conduta desidiosa do
Magistrado, o expediente é arquivado.
Informa a prática do ato/
solução do processo/
2 Possível morosidade Requista
normalização do andamento
ARQUIVO
A análise da movimentação processual informações Art. 24,§ 1º, do
indica que há suposta morosidade. art. 23 do Regulamento
Em sendo morosidade de Regulamento
Desembargador Estadual, o
Corregedor Nacional de Justiça Indica um prazo para
solução do processo
solicita informações. SUSPENSÃO ATÉ 90 DIAS
É possível solicitar informações Art. 24,§ 2º, do
também ao Juiz de primeiro grau. Regulamento
Porém, para fortalecer a atuação das
demais Corregedorias, o Corregedor
Nacional de Justiça delega a apuração
referente a Juiz de primeiro grau.
3 Delegação da apuração de morosidade Art. 23 do
Regulamento
A análise da movimentação processual do Tribunal
indica que há suposta morosidade.
É possível delegar a apuração da morosidade para as
Corregedorias (locais ou especializadas), conforme
esquema abaixo.
Morosidade de O resultado da
Juiz Estadual Corregedoria Local
apuração delegada de
morosidade não precisa
Morosidade de ser comunicada à
Juiz Federal ou Corregedoria-Geral da
Justiça Federal Corregedoria Nacional
Desembargador Federal
de Justiça (art. 6º da
Portaria CN n.11,
Morosidade de
Corregedoria-Geral da 9/2/2022)
Juiz do Trabalho ou
Justiça do Trabalho
Desembargador do Trabalho
A representação por excesso de
prazo gerou um procedimento
Morosidade de apuratório de desídia do juiz?
Corregedoria-Geral da
Juiz Eleitoral ou Justiça Eleitoral
Se SIM
PRECISA COMUNICAR
Desembargador Eleitoral O RESULTADO
19
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Fluxo da REP
PJe
Secretaria Processual | CNJ 1
A REP chega pela Secretaria Processual
do CNJ que coloca no fluxo a começar
na pasta Minutar Ato - REP.
Minutar Ato - REP
2
Minutar decisão com pedido de liminar - REP
Nessas pastas, ficam os expedientes
que estão para análise da
Corregedoria Nacional de Justiça.
As REP’s são analisadas pela
Equipe Rep, conforme o caso.
Revisão Jurídica - REP 3
A minuta é produzida e
encaminhada para revisão, sendo
lançada a movimentação do ato.
Se necessário, a minuta
volta para ajuste. Modificada, vai
outra vez para a revisão.
Ajuste de Minuta - REP
4 Secretaria - REP
Na Secretaria - REP, a minuta é
analisada e encaminhada para
confirmação do Corregedor Nacional
de Justiça.
Confirmar Ato - REP 5
Após análise, o Corregedor Nacional
de Justiça confirma o ato, sendo
assinada a minuta que é lançada
automaticamente no sistema.
Em alguns poucos casos, a parte pretende apenas a
verificação de suposta morosidade do Juiz, mas apresenta
Pedido de Providências ou Reclamação Disciplinar. Nesses
casos, os processos são incluídos na pasta “Minutar Ato” e
apreciados pela “Equipe da REP”.
20
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
COMUNICAÇÃO
DA RES. 135
Resolução CNJ N. 135, de 13/7/2011
Art. 28. Os Tribunais comunicarão à Corregedoria Nacional de Justiça as decisões
de arquivamento dos procedimentos prévios de apuração, de instauração e os
julgamentos dos processos administrativos disciplinares.
PRECISA COMUNICAR:
Arquivamento de procedimentos prévios de
apuração contra magistrados
Instauração de PAD (processo administrativo
disciplinar) contra magistrados
Julgamento de PAD (processo administrativo
disciplinar) contra magistrados
NÃO PRECISA COMUNICAR:
Instauração de sindicância (só comunica o resultado)
Arquivamento de representação de excesso de prazo
Resultado de correição parcial
21
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
A correição parcial virou PAD ou
procedimento administrativo
para apurar a conduta do juiz?
A representação por excesso de
prazo gerou um procedimento PRECISA COMUNICAR
Se SIM
O RESULTADO
apuratório de desídia do juiz?
Se SIM
PRECISA COMUNICAR
O RESULTADO
art. 6º. (...) são excetuadas de
comunicação as classes de
representação por excesso de
prazo e correição parcial (Portaria
CN n. 11, 9.2.2022)
TAMBÉM PRECISA COMUNICAR:
instauração de INQUÉRITO contra magistrados
Embora não esteja prevista na Resolução CNJ N.
135/2011, a obrigatoriedade dessas comunicações
decorre do Oficio-Circular nº 030/CNJ/COR/2012.
PORTARIA CONJUNTA CN-CGJT, N. 1 /2021
Em abril de 2021, a Corregedoria Nacional e a CN
Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho
estabeleceram que os resultados apurados
no âmbito dos TRT’s são encaminhados para CGJT
a CGJT que faz uma primeira análise dos
resultados e cuida de encaminhá-los para a
Corregedoria Nacional.
TRT
22
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Análise das comunicações da Res. 135
1 Arquivamento de procedimento
prévio de apuração Apuração satisfatória?
Trâmite regular?
Verificar se a apuração foi satisfatória. Julgamento razoável?
Sim: arquivamento.
Não: encaminha para a Equipe Disciplinar.
2 Instauração de processo
administrativo disciplinar
Verificar se o trâmite está regular. SIM
Sim: arquivamento.
Não: encaminha para a Equipe Disciplinar.
DECISÃO
ARQUIVAMENTO
3 Julgamento de processo
administrativo disciplinar
Verificar se o julgamento foi razoável,
inclusive analisar eventual penalidade aplicada,
à luz da jurisprudência do CNJ.
Sim: arquivamento.
Não: encaminha para a Equipe Disciplinar. NÃO
4 Inquéritos/representações
criminais contra magistrados
Em razão da matéria, todos seguem para ENCAMINHAR
a Equipe Disciplinar. PARA A EQUIPE
DISCIPLINAR
Atenção com o sigilo das peças, se for o
caso.
23
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Fluxo da Res. 135
PJe
Secretaria Processual | CNJ 1
Os expedientes de comunicação da
Res. CNJ 135/2011 chegam pela
Secretaria Processual do CNJ que
coloca no fluxo da Res. 135, a começar
na pasta Minutar Ato - Res. 135.
São autuados como Pedido de
Providências.
2 Minutar Ato - Res. 135
Nessa pasta, ficam os expedientes
que estão para análise da
Corregedoria Nacional de Justiça.
As comunicações são
analisadas pela Equipe da Res. 135,
conforme o caso.
Revisão Jurídica - Res. 135 3
A minuta é produzida e encaminhada
para revisão, sendo lançada a
movimentação do ato.
Se necessário, a minuta
volta para ajuste. Modificada, vai
outra vez para a revisão.
4 Secretaria - Res.135
Ajuste de Minuta - Res. 135
Na Secretaria - Res. 135, a minuta é
analisada e encaminhada para
confirmação do Corregedor Nacional
de Justiça.
Confirmar Ato - Res. 135 5
Após análise, o Corregedor Nacional
de Justiça confirma o ato, sendo
assinada a minuta que é lançada
automaticamente no sistema.
É recomendável pesquisar se os fatos são objeto de apuração em outro
expediente em curso ou já julgado pela Corregedoria Nacional de Justiça.
Isso porque não cabe a duplicidade apuratória (CNJ, RD 0005641-
08.2014.2.00.0000, Rel. Min. Nancy Andrighi, 19/05/2015)
24
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
PROCEDIMENTOS
DISCIPLINARES
Conforme o art. 9º da Resolução CNJ n. 135/2011, qualquer pessoa pode
apresentar notícia de irregularidade praticada por Magistrados, perante a
Corregedoria Nacional de Justiça. Essas notícias são autuadas como
Reclamação Disciplinar ou Pedido de Providências perante o Conselho
Nacional de Justiça, sendo encaminhadas para decisão do Corregedor
Nacional de Justiça. Além disso, há a possibilidade de instauração de ofício
pelo Corregedor Nacional de Justiça, inclusive na classe Sindicância.
RD RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR
A Reclamação Disciplinar é o instrumento de apuração prévia, hábil
a se levantar eventual infração disciplinar cometida por membro do
Poder Judiciário.
Regimento Interno do CNJ
Art. 67. A reclamação disciplinar poderá ser proposta contra membros do Poder
Judiciário e contra titulares de seus serviços auxiliares, serventias e órgãos
prestadores de serviços notariais e de registro.
§ 1º A reclamação deverá ser dirigida ao Corregedor Nacional de Justiça em
requerimento assinado contendo a descrição do fato, a identificação do
reclamado e as provas da infração.
25
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
A jurisprudência do Conselho Nacional de Justiça é no sentido de que a
Reclamação Disciplinar é instrumento preparatório, limitado à verificação de
indícios de irregularidades eventualmente praticadas e que, existindo, serão
integralmente apreciados no Procedimento Administrativo a ser instaurado.
Esta é a fase adequada, garantido o contraditório e a ampla defesa em
cognição exauriente, para a análise meritória aprofundada acerca dos atos
praticados, sob pena de se macular o postulado do devido processo e do
interesse público.
Nesse sentido: PP 0003243-78.2020.2.00.0000, Relator: Conselheiro Luis
Felipe Salomão, julgado na 3ª Sessão Ordinária em 14 de março de 2023.
PP PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS
O Pedido de Providências é uma classe residual, por meio da qual são
dirigidas propostas e sugestões de melhoria da eficiência e eficácia.
Quando o pedido envolver imputação de infração disciplinar a
magistrado, a competência será exclusiva do Corregedor Nacional de
Justiça. Aplica-se ao Pedido de Providências, no que couber, o
disposto para a Reclamação Disciplinar.
Regimento Interno do CNJ
Art. 98. As propostas e sugestões tendentes à melhoria da eficiência e eficácia
do Poder Judiciário bem como todo e qualquer expediente que não tenha
classificação específica nem seja acessório ou incidente serão incluídos na
classe de pedido de providências, cabendo ao Plenário do CNJ ou ao Corregedor
Nacional de Justiça, conforme a respectiva competência, o seu conhecimento e
julgamento.
É comum a utilização do PP para relatar problemas estruturais enfrentados
por órgãos jurisdicionais, para apontar anomalias procedimentais, tais como
extravio de processo, falta de publicação de algum ato processual etc. Nessa
linha de atuação, a Corregedoria Nacional de Justiça pode, inclusive, cassar
ou restabelecer Resoluções das Corregedorias locais, tudo visando ao bom
funcionamento do Poder Judiciário.
26
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Análise das Reclamações Disciplinares
e Pedidos de Providência no âmbito disciplinar
1 Arquivamento sumário
Quando não atendidos os requisitos petição inepta
legais, o fato narrado não configurar duplicidade apuratória
infração disciplinar ou não ausência de justa causa
demonstrada a alegação, a reclamação matéria jurisdicional
será arquivada de modo sumário
(art. 67, § 2º, do RICNJ).
2 Delegação da apuração dos fatos
Quando presentes indícios de Enviado o expediente para a
Corregedoria ou Tribunal local,
infração disciplinar praticado, o
haverá o arquivamento no CNJ.
Corregedor Nacional de Justiça
Os resultados da apuração
pode delegar a apuração dos fatos devem ser comunicados nos
para a respectiva Corregedoria de termos da Res. 135 (art. 28).
Justiça, com arquivamento dos
Em se tratando de fatos graves,
autos (art. 67, § 4º, RICNJ). poderá ser fixado prazo para
apuração pelo órgão. Neste caso,
a reclamação ficará sobrestada,
aguardando a apuração local.
Possíveis análises sobre a conveniência da delegação da apuração para
a Corregedoria local ou regional:
a gravidade dos fatos noticiados
a existência de interesse nacional na apuração
a repercussão social do caso e a mácula à imagem do Poder Judiciário
possível impossibilidade de apuração local, em razão da
hierarquia da autoridade envolvida ou quantidade de membros
e/ou servidores envolvidos, entre outros motivos.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Termos de cooperação técnica
Corregedoria-Geral da Portaria Conjunta n. 01, de 22 de abril de 2021 - CNJ/CGJT
Justiça do Trabalho [Link]
Corregedoria-Geral da Termo de Cooperação n. 001/2018 - Corregedoria Nacional de
Justiça Federal Justiça/Corregedoria-Geral da Justiça Federal
Corregedoria da Justiça Termo de Cooperação n. 03/2019 - Corregedoria Nacional de
Militar da União Justiça/Corregedoria da Justiça Militarl
3 Solicitação de informações ou determinação de diligências
Diante de indícios de infração disciplinar, o Corregedor Nacional de
Justiça pode (art. 67, § 3º, RICNJ):
notificar o Magistrado para prestar informações sobre os fatos
(prazo de 15 dias) ou
solicitar informações da corregedoria ou tribunal respectivo ou
determinar diligências para apuração preliminar
É possível, ainda, a instauração de sindicância na hipótese de
necessidade de realização de diligências específicas e que demandem
o aprofundamento da apuração (art. 69, do RICNJ)
4 Intimação para defesa prévia
Prestadas as informações e na presença de fortes indícios de
infração disciplinar, o Magistrado será intimado para apresentar
defesa prévia.
Art. 14. Antes da decisão sobre a instauração do processo pelo colegiado
respectivo, a autoridade responsável pela acusação concederá ao magistrado
prazo de quinze dias para a defesa prévia, contado da data da entrega da cópia
do teor da acusação e das provas existentes. (Res. CNJ 135/2011)
28
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
5 Encerrado o prazo da defesa prévia
Encerrado o prazo de defesa prévia, surgem as seguintes
possibilidades:
Arquivamento
A partir da análise da defesa prévia, foi firmado o
convencimento acerca da inexistência de infração disciplinar.
Neste caso, será feita a decisão de arquivamento ou, diante
da relevância do caso ou outra necessidade, será produzido o
voto no mesmo sentido, para julgamento pelo Plenário
Diligências
Se surgir a necessidade de aprofundamentos dos fatos, é
possível determinar a instrução do feito, com diligências,
requisições de documentos, oitivas, etc.
Intimação para TAC
Presentes indícios relevantes de autoria e materialidade de
infração disciplinar de reduzido potencial de lesividade a
deveres funcionais, o Corregedor poderá propor ao
investigado a celebração de TAC, desde que a medida seja
necessária e suficiente e desde que atendidos aos requisitos
(Res. 162, de 11/03/2024 - ver capítulo do TAC).
Minuta de voto para instauração de PAD
Presentes indícios relevantes de autoria e materialidade de
infração disciplinar e não sendo caso de celebração de TAC,
será proposta a instauração de PAD, por meio de voto em
julgamento do Plenário do CNJ.
Abertura de PAD - distribuição para Conselheiro
Autorizada a abertura de PAD pelo Plenário, ele será distribuído a
um dos Conselheiros e processado na forma do RICNJ, da Resolução
CNJ nº 135 e da Lei Orgânica da Magistratura (LC nº 35/1979), com
arquivamento do procedimento do âmbito da Corregedoria
Nacional de Justiça.
29
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Fluxo da Reclamação Disciplinar e Pedido de providências
( decisão monocrática )
PJe
Secretaria Processual | CNJ 1
O expediente é autuado pela
Secretaria Processual do CNJ que o
coloca no fluxo, a partir da pasta
Minutar Ato.
2 Minutar Ato
Nessa pasta, ficam as Reclamações
Disciplinares e Pedidos de
Providências que estão para análise
da Corregedoria Nacional de Justiça.
Decisão:
arquivamento
Revisão Jurídica 3 ou delegação
A minuta é produzida e encaminhada
para revisão, sendo lançada a
movimentação do ato.
Se necessário, a minuta
volta para ajuste. Modificada, vai
outra vez para a revisão.
Ajuste de Minuta
4 Secretaria
Na Secretaria, a minuta é analisada e
encaminhada para confirmação do
Corregedor Nacional de Justiça.
Confirmar Ato 5
Após análise, o Corregedor Nacional
de Justiça confirma o ato, sendo
assinada a minuta que é lançada
automaticamente no sistema.
É recomendável pesquisar se os fatos são objeto de apuração em outro
expediente em curso ou já julgado pela Corregedoria Nacional de Justiça.
Isso porque não cabe a duplicidade apuratória (CNJ, RD 0005641-
08.2014.2.00.0000, Rel. Min. Nancy Andrighi, 19/05/2015)
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Fluxo da Reclamação Disciplinar e Pedido de providências
( voto )
PJe
Secretaria Processual | CNJ 1
O expediente é autuado pela
Secretaria Processual do CNJ que o
coloca no fluxo, a partir da pasta
Minutar Ato.
Intimação
2 Minutar Ato Defesa Prévia
Após análise e verificação da
necessidade, preparar minuta
de decisão intimando para
Revisão Jurídica 3 defesa prévia.
A minuta da intimação para defesa
prévia é revisada, assim como é
lançada a movimentação do ato.
Se necessário, a minuta 4 Secretaria
volta para ajuste.
Na Secretaria, a minuta é analisada e
Ajuste de Minuta encaminhada para confirmação do
Corregedor Nacional de Justiça.
Confirmar Ato 5
Após análise, o Corregedor Nacional
de Justiça confirma o ato, sendo Fim do prazo da Defesa Prévia
assinada a minuta que é lançada
automaticamente no sistema.
6 Minutar Relatório de Voto
Decorrido o prazo da defesa prévia e
diante de fortes indícios de infração
Revisão Jurídica disciplinar, é preparada a minuta do
7 voto.
decisão colegiado
8 Secretaria Decisão colegiada
Na Secretaria, a minuta é analisada e
encaminhada para confirmação do
Confirmar Relatório de Voto 9 Corregedor Nacional de Justiça.
O Corregedor Nacional de Justiça
confirma o relatório de voto. 10 Preparar Voto e Ementa
Com o voto e a ementa prontos,
solicitar a inclusão em pauta.
Aguardando sessão 11
31
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Análise dos expedientes encaminhados
pela Equipe da Res. 135 à Equipe Disciplinar
1 Concordância com a deliberação Decisão de
realizada pela Corregedoria Local arquivamento
O expediente será arquivado, se, após análise
aprofundada, houver concordância com:
o arquivamento feito na Corregedoria de origem
a penalidade aplicada no PAD
as informações prestadas e determinações
adotadas na origem.
Despacho
2 Necessidade de mais informações
solicitando
ou diligências
informações
Intimar o Magistrado para prestar
informações ou intimar a Corregedoria Local
para realizar novas diligências ou fornecer
novas informações.
3 Discordância com a conclusão da
Corregedoria Local
Diante de fortes indícios de infração
disciplinar, surgem algumas possibilidades,
conforme o caso foi apreciado na origem:
a) Sem PAD na origem
(arquivamento do procedimento prévio de apuração
ou ausência de quórum para instauração do PAD)
O Corregedor Nacional de Justiça pode propor diretamente ao
Plenário a instauração de PAD.
b) PAD na origem, mas sem penalidade
(ausência de quórum qualificado para aplicação da penalidade)
O Corregedor Nacional de Justiça pode propor Avocação que será
detalhada mais à frente.
c) PAD na origem, com penalidade (julgamento colegiado local)
O Corregedor Nacional de Justiça pode propor Revdis, após
intimação do Magistrado para apresentar defesa prévia.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Sind SINDICÂNCIA
A sindicância é um procedimento investigativo sumário e subsidiário,
daquelas atribuições não apreciadas por inspeção ou correição, destinado a
apurar irregularidades e fatos possivelmente caracterizadores de infração
disciplinar, atribuídas a magistrados ou servidores e serviços judiciários
auxiliares, serventias, órgãos prestadores de serviços notariais e de registro.
Regimento Interno do CNJ
Art. 60. A sindicância é o procedimento investigativo sumário levado a efeito pela
Corregedoria Nacional de Justiça, com prazo de conclusão não excedente de sessenta
(60) dias, destinado a apurar irregularidades atribuídas a magistrados ou servidores nos
serviços judiciais e auxiliares, ou a quaisquer serventuários, nas serventias e nos órgãos
prestadores de serviços notariais e de registro, cuja apreciação não se deva dar por
inspeção ou correição.
Parágrafo único. A juízo do Corregedor Nacional de Justiça, o prazo de que trata o
caput deste artigo poderá, conforme a necessidade, ser motivadamente prorrogado por
prazo certo.
Finalidade
Apuração pontual e individualizada de fatos possivelmente caracterizadores
de infração disciplinar, atribuível a um membro do Poder Judiciário, a
servidor e/ou a delegatário de serviços notariais e de registro.
Instauração pelo Corregedor Nacional de Justiça
Cabe ao Corregedor Nacional de Justiça a prerrogativa de instaurar uma
sindicância, o que pode ser feito tanto de plano, a partir de elementos dos
quais se tomou ciência, quanto em decorrência da análise de um
procedimento investigativo qualquer que esteja sendo conduzido pela
Corregedoria, e no qual se conclua ser necessário um aprofundamento das
investigações já realizadas, ou, ainda, seja conveniente que o investigado
tome conhecimento da investigação, para fins de aproveitamento do
conjunto probatório em futuro PAD.
Portaria de instauração de sindicância deve conter:
fundamento legal e regimental
nome do sindicado, cargo e lotação (sempre que possível)
descrição sumária do fato objeto de apuração
determinação de ciência ao sindicado (quando for o caso)
delegação de competência, quando for o caso, para a
realização da sindicância por conselheiros e magistrados
requisitados (art. 61, caput, do RICNJ)
33
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Sigilo
A necessidade de sigilo da sindicância será O investigado, assim como
órgãos e terceiros, poderão
deliberada no texto da própria portaria de
ser intimados, com indicação
instauração. de prazo, forma e condições
para prestação de
Prorrogação de prazo informações e documentos.
O prazo de 60 dias para a finalização da
sindicância pode ser prorrogado, por prazo
certo e motivado.
Oitiva de pessoas ou diligências O procedimento da
sindicância no CNJ é similar a
Em caso de oitiva de pessoas ou de realização um processo administrativo
de diligências, o sindicado será intimado simplificado, pois há o
pessoalmente para, querendo, acompanhar a contraditório, podem ser
inspeção e depoimentos. produzidas provas pelo
sindicado, que também
apresenta defesa, há
Relatório final intimação do sindicado para
Após a investigação, é elaborado relatório acompanhar os atos de
circunstanciado com resumo dos atos instrução, enfim, mitigou-se o
caráter puramente
praticados, seguindo-se, a depender do
inquisitorial da sindicância.
resultado, à propositura de instauração de
PAD ou arquivamento.
Análise da sindicância
1 Arquivamento
Quando não ficar configurada a infração disciplinar,
a sindicância será arquivada.
2 Indícios de infração disciplinar
Ao final do procedimento, verificada a existência de
indícios de infração disciplinar, o procedimento a ser
seguido será o mesmo da reclamação disciplinar.
Sendo assim, a Sindicância é um instrumento preparatório e dispensável
que se destina à apuração de indícios de autoria e de materialidade nas
supostas irregularidades cometidas pelos magistrados
34
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
REVDIS REVISÃO DISCIPLINAR
A revisão disciplinar constitui procedimento administrativo originário do CNJ
voltado a analisar procedimentos disciplinares submetidos à apreciação pela
Corregedoria local, cuja análise tenha culminado no arquivamento do processo
disciplinar ou na aplicação de determinada penalidade.
Regimento Interno do CNJ
Art. 82. Poderão ser revistos, de ofício ou mediante provocação de qualquer
interessado, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há
menos de um ano do pedido de revisão.
Art. 83. A revisão dos processos disciplinares será admitida:
I - quando a decisão for contrária a texto expresso da lei, à evidência dos autos ou a
ato normativo do CNJ;
II - quando a decisão se fundar em depoimentos, exames ou documentos
comprovadamente falsos;
III - quando, após a decisão, surgirem fatos novos ou novas provas ou circunstâncias
que determinem ou autorizem modificação da decisão proferida pelo órgão de
origem.
Hipóteses restritas de cabimento
de ofício ou mediante provocação de qualquer interessado
A REVDIS poderá ser proposta de ofício pela Corregedoria Nacional de
Justiça, ao receber a comunicação do julgamento realizado na origem, nos
termos da Res. CNJ 135/2011, e ainda, pelo interessado, desde que
observado o prazo decadencial de 1 ano.
É procedimento administrativo originário do CNJ, não possui natureza
recursal.
decisão contrária a texto de lei, à após decisão, surgimento
evidência dos autos ou a ato de fatos novos ou novas
normativo do CNJ provas ou circunstâncias
decisão fundada em depoimentos,
exames ou documentos Não pode ser utilizada
como sucedâneo recursal
comprovadamente falsos
Atuação do Corregedor Nacional de Justiça
A atuação do Corregedor Nacional de Justiça na REVDIS, portanto, ocorrerá ao
propor a sua instauração, no caso de discordância com o julgamento realizado na
origem – sempre atrelado às hipóteses previstas no art. 83 do RICNJ – (instauração
de ofício) e, ainda, no caso de REVDIS proposta pelo interessado, ao participar do
julgamento em Plenário.
35
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Distribuição da REVDIS
A REVDIS proposta pelo interessado será distribuída para um Conselheiro (e
não para o Corregedor Nacional de Justiça).
O Corregedor Nacional de Justiça proferirá voto em Plenário.
Competência revisonal do CNJ
Haverá proposta de REVDIS pela Corregedoria quando houver
instauração de PAD na origem com aplicação de penalidade.
A competência do CNJ, em REVDIS, é revisional, e não originária,
diferentemente do que ocorre com a avocação (PAD instaurado sem
aplicação de penalidade ou no caso de não ter havido sequer a
instauração do PAD, como no caso de arquivamento do
procedimento prévio pela origem - competência originária).
Com efeito, à luz do disposto nos incisos III e V do § 4º do artigo 103-B
da Constituição de 1988, quando o Tribunal local não procede à
instauração de PAD (determinando, consequentemente, o
arquivamento da investigação preliminar), exsurge a competência
originária do CNJ para reavaliar tal decisão, e não a competência
revisional materializada na figura da Revisão Disciplinar (RevDis)
prevista no artigo 82 e seguintes do Regimento Interno (CNJ - REVDIS
- Processo de Revisão Disciplinar - Conselheiro - 0004541-
76.2018.2.00.0000 - relator LUIS FELIPE SALOMÃO - 361ª Sessão
Ordinária - julgado em 6/12/2022).
Em outras palavras: se o CNJ – no exercício de sua competência
correcional – discordar de uma decisão que houver rejeitado a
instauração de PAD, não se estará propriamente diante de uma
revisão disciplinar (sujeita ao prazo decadencial de um ano), mas sim
de uma apuração originária (ou direta) regida pelo prazo
“prescricional” de cinco anos, nos termos do caput do artigo 24 da
Resolução CNJ n. 135/2011.
Nessa perspectiva, o exercício da competência correcional originária
do CNJ dar-se-á mediante a atuação: (i) da Corregedoria Nacional de
Justiça em autos de Reclamação Disciplinar (RD) ou de Pedido de
Providências (PP); ou (ii) do Plenário no âmbito do Procedimento de
Controle Administrativo (PCA).
Procedimento
A instauração de ofício da revisão de processo disciplinar poderá ser
determinada pela maioria absoluta do Plenário do CNJ, mediante proposição
de qualquer um dos Conselheiros, do Procurador-Geral da República ou do
Presidente do Conselho Federal da OAB.
36
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
A instrução do processo de revisão disciplinar observará os princípios do
contraditório e da ampla defesa. Finda a instrução, o Procurador-Geral da
República e o magistrado acusado, ou seu defensor, terão vista dos autos por
10 dias, para razões. Julgado procedente o pedido de revisão, o Plenário do CNJ
poderá determinar a instauração de processo administrativo disciplinar, alterar
a classificação da infração, absolver ou condenar o juiz ou membro de Tribunal,
modificar a pena ou anular o processo.
PADMAG PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Regimento Interno do CNJ
Art. 73. O processo administrativo disciplinar é o instrumento destinado a apurar
responsabilidades de magistrados por infração disciplinar praticada no exercício
de suas atribuições.
Parágrafo único. Excepcionalmente poderá ser instaurado processo
administrativo disciplinar para apurar infração disciplinar praticada por
servidores do Poder Judiciário, notadamente quando relacionada com a violação
do dever funcional de membros do Poder Judiciário e titulares de serviços
notariais e de registro.
Art. 74. Determinada pelo Plenário do CNJ a instauração do processo
administrativo disciplinar, o feito será distribuído a um Relator a quem competirá
ordenar e dirigir a instrução respectiva.
(...)
Art. 75. O processo administrativo disciplinar instaurado contra magistrado
obedecerá ao procedimento ditado no Estatuto da Magistratura, inclusive no que
concerne à aplicação pelo CNJ das penas disciplinares respectivas, sujeitando-se
subsidiariamente, no que não for incompatível à Resolução do CNJ, à Lei nº 8.112,
de 1990, e à Lei nº 9.784, de 1999. (Redação dada pela Emenda Regimental n.
01/10)
Competência
A competência para julgamento do PADMAG é exclusiva do Plenário do
CNJ.
O processo será distribuído a um relator, que será responsável por ordenar e
dirigir o processo (art. 25 do RICNJ), e posteriormente será julgado pelo
Plenário do CNJ, nos termos do art. 74 do RICNJ.
37
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Atuação do Corregedor Nacional de Justiça
O Corregedor Nacional de Justiça possuirá atuação prévia à instauração do PAD,
mediante a propositura da instauração do PAD, por meio de PP ou RD, no caso da
existência de indícios mínimos de autoria e materialidade de infração disciplinar,
nos termos do art. 8º, inciso III, e do RICNJ e, ainda, atuação posterior, ao participar
do julgamento do PAD, proferindo voto em sessão plenária (presencial ou virtual),
quando, após a devida instrução, o juízo de convencimento estará formado.
Regimento Interno do CNJ
Art. 8º Compete ao Corregedor Nacional de Justiça, além de outras atribuições
que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
(...)
III - instaurar sindicância ou propor, desde logo, ao Plenário a instauração de
processo administrativo disciplinar, quando houver indício suficiente de infração;
(...)
Art. 128. Concluído o debate oral, o Presidente tomará os votos, em primeiro
lugar, do Relator e, a seguir, dos demais Conselheiros, na ordem da precedência
regimental.
Durante a tramitação do processo será observado rigorosamente
o devido processo legal, garantindo-se ao investigado o amplo
exercício de defesa, sobrevindo, ao final, a deliberação pela
improcedência (não configuração de infração disciplinar) ou pela
procedência, com a consequente aplicação de penalidade
administrativa.
Sind
Avocat AVOCATÓRIA
Administrativamente, a avocação pode ser definida como a assunção, por órgão
superior hierárquico, de competência usualmente atribuída a órgão inferior, ou,
em outras palavras, é a possibilidade de o superior chamar para si a prática de
atos originariamente conferida a um subordinado.
38
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Regimento Interno do CNJ
Art. 79 A avocação de processo de natureza disciplinar em curso contra membros
do Poder Judiciário ou de seus serviços auxiliares, serventias e órgãos
prestadores de serviços notariais e de registro dar-se-á, a qualquer tempo,
mediante representação fundamentada de membro do CNJ, do Procurador-Geral
da República, do Presidente do Conselho Federal da OAB ou de entidade nacional
da magistratura.
Parágrafo único. Cuidando-se de matéria de competência da Corregedoria
Nacional de Justiça, caberá ao Corregedor Nacional de Justiça deliberar; sendo
caso de competência do Plenário do CNJ, será distribuído o feito, cabendo ao
Relator decidir sobre a relevância da matéria, podendo, em qualquer caso,
determinar-se o arquivamento liminar, se manifestamente infundado o pedido.
Avocação de ofício
Em se tratando de avocação de ofício pela Corregedoria (PAD já instaurado na
origem), a atuação da Corregedoria Nacional de Justiça se dará com base na
competência originária prevista na Constituição Federal.
Distribuição a um Conselheiro
Sugerida a avocação pelo Corregedor Nacional de Justiça, o processo será
distribuído a um Conselheiro, para julgamento pelo Colegiado do CNJ.
Elementos a serem observados na avocação
excepcionalidade
motivo relevante:
incapacidade do órgão correcional local de lidar com a questão ou
demora injustificada na condução do processo, a indicar uma
indesejada prescrição
Falta de quórum qualificado na origem
No caso de PAD instaurado na Corregedoria local, mas sem aplicação de
penalidade por ausência de quórum qualificado, o Corregedor Nacional de
Justiça poderá avocar o PAD, por decisão monocrática, com base no exercício
de sua competência originária (e não revisional), consoante entendimento do
STF e do CNJ (MS 36112 AgR, Relator MIn. Alexandre de Moraes, Primeira Turma,
julgado em 29/03/2019).
39
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
RECURSOS E INCIDENTES CORRESPONDENTES AOS
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES
RECURSO ADMINISTRATIVO
As decisões unipessoais emanadas da Corregedoria Nacional de Justiça
estão sujeitas a recurso administrativo, dirigido ao Plenário do Conselho
Nacional de Justiça, no prazo de cinco dias.
Regimento Interno do CNJ
Art. 115. A autoridade judiciária ou o interessado que se considerar prejudicado
por decisão do Presidente, do Corregedor Nacional de Justiça ou do Relator
poderá, no prazo de cinco (5) dias, contados da sua intimação, interpor recurso
administrativo ao Plenário do CNJ.
§ 1º São recorríveis apenas as decisões monocráticas terminativas de que
manifestamente resultar ou puder resultar restrição de direito ou prerrogativa,
determinação de conduta ou anulação de ato ou decisão, nos casos de processo
disciplinar, reclamação disciplinar, representação por excesso de prazo,
procedimento de controle administrativo ou pedido de providências. (Redação
dada pela Emenda Regimental nº 01/10)
Hipóteses de cabimento
decisões monocráticas terminativas que resulte ou possa resultar:
restrição de direito ou prerrogativa
determinação de conduta ou
anulação de ato ou decisão.
Indeferimento monocrático
É atribuição do relator indeferir, monocraticamente, recurso quando
intempestivo ou manifestamente incabível (art. 25, IX, RICNJ).
Portanto, quando se tratar de recurso manifestamente incabível, como
no caso de ausência de dialeticidade recursal (mera repetição dos
argumentos apresentados na petição inicial), o recurso poderá ser
apreciado monocraticamente pelo Corregedor Nacional de Justiça.
40
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Procedimento
Apresentado o recurso, e não sendo o caso de indeferimento
monocrático de plano, o prolator da decisão atacada poderá reconsiderá-
la no prazo de 5 dias ou submetê-la à apreciação do Plenário na primeira
sessão seguinte à data de seu requerimento (art. 115, §2º, RICNJ).
Não cabe recurso dos atos e decisões do Plenário (art. 115, §6º, RICNJ)
Possibilidade de impugnação pela via judicial ao STJ
É possível a impugnação judicial das decisões do CNJ, sendo de
competência absoluta do Supremo Tribunal Federal, processar e julgar,
originalmente, todas as ações ajuizadas contra elas. Nesse sentido:
AGRAVO INTERNO NA AÇÃO ORIGINÁRIA. CONSTITUCIONAL E
ADMINISTRATIVO. AÇÕES INTERPOSTAS CONTRA ATO DO CONSELHO
NACIONAL DE JUSTIÇA OU DO CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. ARTIGO 102, INCISO I, ALÍNEA “R”, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO INTERNO
PROVIDO.
1. O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério
Público foram criados, com a promulgação da Emenda Constitucional nº
45, como órgãos de cúpula administrativa, para compor um mecanismo
de controle administrativo, em nível nacional, das atividades atinentes ao
planejamento, fiscalização e controle disciplinar dos demais órgãos e
membros que compõem o Poder Judiciário e o Ministério Público,
respectivamente.
2. As matérias decididas pelo CNJ e pelo CNMP, ainda que, por vezes, não
guardem a magnitude esperada, não podem ser revistas, no âmbito do
controle judicial, pelas instâncias ordinárias, sob pena de subversão
completa do próprio sistema constitucional, acarretando, em última
instância, uma fragilidade da autoridade institucional do órgão que é
responsável pelo controle da atividade administrativa, financeira e
disciplinar do Poder Judiciário e do Ministério Público.
3. A real possibilidade de impugnação dos atos dos Conselhos por meio
de ações ordinárias perante as instâncias inferiores, a par também do
cabimento de ação mandamental, além de subverter o sistema
constitucional, tem o condão de gerar decisões conflitantes com
julgados proferidos pelo próprio SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao
analisar ações mandamentais sobre controvérsia de idêntico conteúdo.
4. Nos termos do artigo 102, I, “r”, da Constituição Federal, é competência
absoluta do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, processar e julgar,
originalmente, todas as ações ajuizadas contra decisões do Conselho
Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público
proferidas no exercício de suas competências constitucionais,
respectivamente, previstas no artigos 103-B, § 4º, e 130-A, § 2º
5. Agravo interno provido para afirmar a competência do SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL para apreciar a presente ação.
(AO 2415 AgR, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão:
ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 30-11-2020,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-052 DIVULG 17-03-2021 PUBLIC 18-03-2021)
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
De acordo com precedentes do STF, é incabível mandado de
segurança contra decisão NEGATIVA do CNJ em pedido de
providências
Agravo regimental em mandado de segurança. Pedido de
Providência no Conselho Nacional de Justiça. Decisão do
Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Artigo 102, inciso I,
alínea r, da Constituição Federal. Deliberação negativa.
Incompetência do Supremo Tribunal Federal. Agravo
regimental não provido.
1. Tendo em vista a ordem jurídica em vigor, torna-se
necessária a interpretação restritiva da alínea “r” do inciso I
do art. 102 da Constituição Federal, a qual foi incluída pela
EC nº 45/2004, a fim de que o Supremo Tribunal Federal não
atue, em mandado de segurança originário, como instância
ordinária revisora de toda e qualquer decisão do Conselho
Nacional de Justiça (MS nº 26.749/DF-QO, Relator o Ministro
Sepúlveda Pertence, noticiado no Informativo do STF nº 474,
Brasília, 1º a 3 de agosto de 2007).
2. Não dá ensejo à impetração de mandado de segurança
originário no Supremo Tribunal Federal a decisão do
Conselho Nacional de Justiça - proferida nos estritos limites
de sua competência ordinária de “controle da atuação
administrativa e financeira do Poder Judiciário e do
cumprimento dos deveres funcionais dos juízes” (art. 103-B,
§ 4º, da Constituição Federal) – que não consista em
intervenção na atuação dos tribunais ou que não determine
qualquer providência lesiva do direito vindicado.
3. Agravo regimental não provido.” (MS 31942 AgR, Rel. Min.
DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe 06.11.2013)
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO
REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. DECISÃO
NEGATIVA DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA.
INCOMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO STF.
1.O Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido
de que não lhe compete julgar, em caráter originário, o
mandado de segurança que impugne deliberação negativa
do Conselho Nacional de Justiça.
[Link] hipótese dos autos, a parte Agravante não impugnou os
fundamentos da decisão agravada, limitandose a defender
genericamente a Competência do Supremo Tribunal Federal
para apreciar feitos propostos contra o Conselho Nacional de
Justiça.
[Link] regimental a que se nega provimento, com
previsão de aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º,
CPC. (MS 27378 AgR, Rel. Min. EDSON FACHIN, Primeira
Turma, DJe 01.02.2017)
Sobre o tema, veja a seguinte notícia divulgada pelo STF:
[Link]
idConteudo=457233&ori=1#:~:text=Mandado%20de%20seguran%C3%A7a%20contra%20decis%C3
%A3o,revisar%20delibera%C3%A7%C3%A3o%20negativa%20do%20conselho.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Não são cabíveis embargos de declaração em face das decisões da
Corregedoria Nacional de Justiça.
Não há previsão regimental para cabimento de embargos de declaração
contra decisão monocrática da Corregedoria Nacional de Justiça.
“convém observar que, por falta de previsão regimental, não
é cabível a interposição de embargos de declaração contra
decisão unipessoal (...), em especial se manifesta a tentativa
de rediscutir, por essa via, as questões decididas pela decisão
recorrida” (ANDRIGHI, Nancy. Corregedoria Nacional de
Justiça – Organização e Procedimentos. Editora Forense:
2017, Rio de Janeiro. Edição Kindle, posição 1.728).
Não cabe embargos de declaração contra julgamento ocorrido no Plenário
do CNJ.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA DECISÃO PLENÁRIA.
PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO.
EMBARGOS NÃO CONHECIDOS.
1. Nos termos do artigo 115, § 6º, do Regimento Interno do
Conselho Nacional de Justiça, são recorríveis apenas as
“decisões monocráticas terminativas de que manifestamente
resultar ou puder resultar restrição de direito ou prerrogativa,
determinação de conduta ou anulação de ato ou decisão, nos
casos de processo disciplinar, reclamação disciplinar,
representação por excesso de prazo, procedimento de
controle administrativo ou pedido de providências”.
2. Farta jurisprudência deste Conselho acerca da
impossibilidade de conhecimento dos aclaratórios manejados
em face de julgamento ocorrido em Plenário.
3. Embargos de declaração não conhecidos.
(CNJ - ED - Embargos de Declaração em PP - Pedido de
Providências - Corregedoria - 0010632-17.2020.2.00.0000 - Rel.
LUIS FELIPE SALOMÃO - 12ª Sessão Virtual de 2023 - julgado
em 01/09/2023 ).
Embargos de declaração recebidos como recurso administrativo.
Fungibilidade recursal.
Embargos de Declaração que visam impugnar os
fundamentos da decisão monocrática, opostos no prazo
fixado no artigo 115, § 2º do Regimento Interno, recebidos
como recurso administrativo por aplicação ao princípio da
fungibilidade recursal. Precedentes do CNJ. (CNJ - ED -
Embargos de Declaração em CONS - Consulta - 0002351-
04.2022.2.00.0000 - Rel. VIEIRA DE MELLO FILHO - 110ª Sessão
Virtual - julgado em 26/08/2022 ).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
INGRESSO DE TERCEIRO INTERESSADO
Conforme precedentes do CNJ, a associação - que tem dentre seus
objetivos institucionais a defesa de prerrogativas da classe e de
interesse do associado - tem legitimidade para ingressar em
procedimentos de caráter sancionatório, assumindo posição
coadjuvante na defesa.
A depender do interesse jurídico invocado, há espaço para admissão
da associação para defesa das prerrogativas da classe. Precedentes do
CNJ e inteligência do artigo 9º, inciso III, da Lei 9.784/99 e artigo 138 do
Código de Processo Civil.
A entidade de classe que tem dentre seus objetivos institucionais a
defesa dos interesses de seus associados tem legitimidade para
ingressar em procedimentos de caráter sancionatório, sobretudo
quando autorizada pelo processado. Nesta hipótese, a associação
assume posição coadjuvante na defesa e lhe deve ser assegurado os
direitos inerentes à esta posição.
Na esteira de entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE 808202)
e deste Conselho (Questão de Ordem no PAD 0005707-
22.2013.2.00.0000), a legitimação das associações representativas para
ingressar em procedimentos de seu interesse não subtrai do relator a
possibilidade de avaliar a pertinência da intervenção para a instrução
do feito. Na hipótese de tramitação sob sigilo, o ingresso deve ser
precedido da concordância do processado.
(CNJ - PP - Pedido de Providências - Conselheiro - 0005212-
36.2017.2.00.0000 - Rel. FERNANDO MATTOS - 272ª Sessão Ordinária -
julgado em 22/05/2018 ).
SOBRE A APRECIAÇÃO DE QUESTÃO JUDICIALIZADA
E DE MATÉRIA JURISDICIONAL
Não cabe à Corregedoria Nacional de Justiça apreciar questões
judicializadas
Enunciado n. 16 do CNJ - “A judicialização anterior da causa na qual se
discutem atos administrativos praticados pelos tribunais, pendente de
apreciação ou julgamento de mérito, impede o exame da mesma
matéria por este Conselho Nacional de Justiça.”
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Em regra, não cabe à Corregedoria Nacional de Justiça apreciar
matéria jurisdicional
As alegações da parte requerente relativas ao conteúdo das decisões
judiciais não são analisadas pela Corregedoria Nacional de Justiça. Isso
porque não é da sua atribuição interferir em atos de natureza judicial,
para reformá-lo ou invalidá-lo (art. 103-B, § 4º, da CF).
O Conselho Nacional de Justiça possui competência adstrita ao âmbito
administrativo do Poder Judiciário, não podendo intervir em decisão
judicial com o intuito de reformá-la ou invalidá-la. A revisão de ato
judicial não se enquadra no âmbito das atribuições do CNJ, nos termos
do art. 103-B, § 4º, da Constituição Federal.
Mesmo invocações de erro de julgamento e/ou erro de procedimento
não se prestam a desencadear a atividade correcional, salvo exceções
pontualíssimas das quais se verifique de imediato infringência aos
deveres funcionais pela própria teratologia da decisão judicial ou pelo
contexto em que proferida esta (CNJ - RA – Recurso Administrativo em
PP - Pedido de Providências - Corregedoria - 0005145-61.2023.2.00.0000 -
Rel. LUIS FELIPE SALOMÃO - 3ª Sessão Virtual de 2024 - julgado em
15/03/2024 ).
A independência funcional do magistrado não é absoluta
Tendo em vista questões recentemente apreciadas pelo CNJ, é
importante observar que a independência funcional não é absoluta.
Excepcionalmente, admite-se a relativização dos princípios da
independência e da imunidade funcionais, conforme se observa nos
precedentes a seguir citados.
REVISÃO DISCIPLINAR PROPOSTA POR MAGISTRADO FEDERAL E
REVISÃO DISCIPLINAR INSTAURADA DE OFÍCIO. CONEXÃO. ANÁLISE
CONJUNTA. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO. PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR QUE NA ORIGEM APENOU O JUIZ
FEDERAL DA 39ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COM SANÇÃO DE ADVERTÊNCIA. QUESTÃO DE ORDEM.
LEVANTAMENTO DO SIGILO. OBSERVÂNCIA DO PRAZO DECADENCIAL.
PRELIMINARES E PREJUDICIAIS SUSCITADAS PELA DEFESA
REJEITADAS. PRESCRIÇÃO NÃO CONSUMADA. PRETENSÃO
FORMULADA PELO JUIZ REVISIONANTE QUE SE APRESENTA COMO
SUCEDÂNEO RECURSAL. AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO ÀS
HIPÓTESES DISCRIMINADAS NO ART. 83 DO RICNJ. REVISÃO
CONHECIDA E JULGADA IMPROCEDENTE. PROCEDIMENTO REVISIONAL
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
INSTAURADO EX OFFICIO. MULTIPLICIDADE DE CONDUTAS QUE
INFRINGIRAM O COMANDO VERTIDO NO ART. 35, INCISOS I E III, DA
LOMAM E DISPOSITIVOS DO CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA.
INSUFICIÊNCIA DA PENA DE ADVERTÊNCIA (ART. 88, DO RICNJ).
REVISÃO CONHECIDA E JULGADA PROCEDENTE PARA MODIFICAR A
PENA E APLICAR AO REQUERIDO A SANÇÃO DE DISPONIBILIDADE COM
VENCIMENTOS PROPORCIONAIS AO TEMPO DE SERVIÇO POR 180
(CENTO E OITENTA) DIAS.
(...)
11. Pedido revisional formulado pelo magistrado visando a
desconstituição da advertência cominada pelo TRF3, em virtude da
confirmação de prática de uma única infração funcional (resistência
injustificada a cumprimento de acórdão), que se revela como mero
sucedâneo recursal e não se amolda às hipóteses taxativas do art. 83,
incisos I a III, do RICNJ. Revisão disciplinar conhecida e julgada
improcedente.
12. A garantia atrelada à independência funcional (art. 41, da LOMAN)
não ostenta caráter absoluto, admitindo-se em caráter excepcional a
relativização dos princípios da independência e da imunidade
funcionais, a propiciar a responsabilização administrativo-disciplinar do
magistrado quando, no exercício da atividade jurisdicional, resultar
patenteada a ofensa aos deveres constitucionais e legais que norteiam o
exercício da judicatura. Precedentes do CNJ e do STF.
13. Na hipótese, à parte da falta funcional já reconhecida no PAD, os
elementos dos autos demonstram a prática de graves transgressões
mais abrangentes, consubstanciadas na mora processual injustificada,
na desobediência aos comandos exarados dos Órgãos Superiores, na
injustificada revogação de ofício de decisões proferidas por outros
magistrados investidos do mesmo grau de jurisdição (relaxamento de
prisão, anulação de provas e indeferimento de diligências), na rejeição
sistemática de denúncias e na sucessiva prolação de outras decisões
intuitivamente tumultuárias, desprovidas de fundamentação jurídica
idônea, em detrimento da cautela, da prudência e da imparcialidade
indissociáveis ao exercício da magistratura.
14. Multiplicidade de condutas que refletem a ampla e reiterada
infringência ao art. 35, incisos I e III, da LOMAN, bem assim ao art. 1º e a
diversos enunciados do Código de Ética da Magistratura, evidenciando
que o representado não cumpriu com serenidade e exatidão as
disposições legais e os atos de ofício que lhe competiam, olvidando-se
inclusive de determinar as providências necessárias para que os atos
processuais se realizassem nos prazos legais.
15. À luz da razoabilidade e da proporcionalidade, assoma imperativo o
redimensionamento da sanção (art. 88, do RICNJ), modificando-se a
pena de advertência para aplicar ao requerido a disponibilidade com
vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, pelo prazo de 180
(cento e oitenta) dias (art. 93, VIII, da CF/1988, arts. 42, inc. IV, e 57,
parágrafo 1º, da LOMAN, c.c art. 6º, da Resolução CNJ nº 135/2011).
16. Revisão disciplinar proposta de ofício conhecida e julgada
procedente.(CNJ - REVDIS - Processo de Revisão Disciplinar -
Conselheiro - 0008678-96.2021.2.00.0000 - Rel. JANE GRANZOTO - 1ª
Sessão Ordinária de 2024 - julgado em 20/02/2024 ).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
REVISÃO DISCIPLINAR. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR INSTAURADO EM DESFAVOR
DE MAGISTRADA. DECISÃO TERATOLÓGICA QUE AFRONTOU REGRA
PROCESSUAL, IGNOROU O INSTITUTO DA COISA JULGADA, OFENDEU
DIRETRIZ DO CNJ E DESCUMPRIU ORDEM DA SUPREMA CORTE. FALTA
DISCIPLINAR COMPROVADA. GRAVIDADE DO ATO. HISTÓRICO
FUNCIONAL CONSIDERADO. PENA DE APOSENTADORIA COMPULSÓRIA.
INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DOS AUTOS.
CONCLUSÃO QUE SE COADUNA COM O ACERVO PROBATÓRIO.
IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO REVISIONAL.
1. Revisão disciplinar proposta contra acórdão do TJPA que aplicou à
magistrada a pena de aposentadoria compulsória, em razão de suposto
descumprimento voluntário e consciente da Resolução CNJ 80/2009 e
de decisões proferidas pela Suprema Corte.
(...)
3. A independência funcional dos magistrados (art. 41 da LOMAN) deve
ser defendida e protegida de forma resoluta, porém figura como
garantia que não tem caráter absoluto, nem desobriga esses agentes
públicos do compromisso de observarem os deveres constitucionais e
legais que norteiam a magistratura.
4. Evidencia o arcabouço probatório que a decisão foi propositada e que,
a um só tempo, afrontou preceito constitucional (necessidade de
concurso público - art. 236, § 3º, da CF/1988), contrariou ordem expressa
da Suprema Corte, ignorou diretriz do CNJ e violou o instituto da coisa
julgada.
5. Não se pode classificar como mero error in judicando ou error in
procedendo decisão teratológica que desborda das balizas que deviam
dirigir a atuação da magistrada e se direciona ao favorecimento de
interinos.
6. Pretensão de utilizar a revisão disciplinar como sucedâneo recursal.
Impossibilidade. Precedentes.
7. Revisão disciplinar conhecida e, no mérito, julgada
IMPROCEDENTE. (CNJ – Revisão Disciplinar nº 0007103-
53.2021.2.00.0000, Rel. Mauro Pereira Martins, Julg. 5ª Sessão
Virtual/2023 – 20/04/2023)
RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR. MAGISTRADO DE PRIMEIRO GRAU. TJMG.
ELEMENTOS INDICATIVOS DE FALTA DE PRUDÊNCIA, DE
IMPARCIALIDADE E DE PRÁTICA DE ATIVIDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA.
DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO SUPERIOR. APARENTE VIOLAÇÃO DE
DEVERES FUNCIONAIS ESTABELECIDOS NA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA, NA LEI ORGÂNICA DA MAGISTRATURA NACIONAL E NO
CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR SEM AFASTAMENTO DAS FUNÇÕES.
1. Notícia amplamente veiculada pelos meios de comunicação dando
conta da prática, pelo juiz, de atividade político-partidária por meio do
uso da função jurisdicional.
2. Magistrado que deferiu liminar autorizando cidadão a manter-se em
acampamento em frente a um destacamento militar na cidade de Belo
Horizonte, logo após a municipalidade ter removido os que ali estavam,
sob o fundamento de que os atos do prefeito teriam sido tiranos, ineptos
e arbitrários.
47
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
3. Atuação do magistrado que permitiu a continuidade da prática dos
atos antidemocráticos, em nítida contrariedade à decisão do Supremo
Tribunal Federal que, por unanimidade, havia determinado a
desobstrução de todas as vias públicas ante a constatação de “um
cenário nacional de abuso e desvirtuamento ilícito e criminoso do direito
de reunião, com consequências desproporcionais e intoleráveis para o
restante da sociedade”.
4. Presença de elementos indiciários que apontam para a prática de
infrações disciplinares, em afronta ao disposto nos arts. 95, parágrafo
único, III, da Constituição da República; 35, I, IV e VIII, da Lei Orgânica da
Magistratura Nacional; 7º, 15, 16 e 37 do Código de Ética da Magistratura
Nacional.
5. Ultrapassado esse momento inicial, verificou-se que a decisão
proferida em desrespeito à determinação do STF foi cassada pela Corte
Constitucional. Também se observou que não houve manifestação do
referido magistrado em rede social, nem foram proferidas outras
decisões a caracterizar atividade político-partidária, razão pela qual deve
ser revogada a liminar que determinou o afastamento cautelar das
funções e a suspensão de acesso a redes sociais.
6. Instauração de processo administrativo disciplinar sem o
afastamento das funções. (CNJ-RD- RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR -
0000039-21.2023.2.00.0000, rel. Ministro Luis Felipe Salomão, 17ª sessão
Ordinária de 2023, DJe 27/11/2023)
Sobre o tema, cabe, ainda, destacar o voto proferido na RD 0001468-
28.2020.2.00.0000, recentemente julgada pelo CNJ, em que se delineou
a necessidade de apuração de infração disciplinar relacionada à decisão
judicial, quando verificados elementos que possam apontar para a
extrapolação da independência funcional no exercício do livre
convencimento do magistrado. Confira trecho do voto:
1.2. Da apuração de infração disciplinar relacionada a decisão judicial.
De início, sabe-se que a competência do Conselho Nacional de Justiça
está adstrita ao que dispõe o art. 103-B, §4º, da Constituição Federal de
1988, não podendo, portanto, adentrar à matéria eminentemente
jurisdicional.
Também é sabido que a Reclamação Disciplinar é ferramenta hábil a
apurar preliminarmente eventual infração cometida por membro do
Poder Judiciário, mesmo que envolva atuação irregular ou ilegal via
prolação de decisão judicial.
Portanto, a apuração administrativa de uma infração disciplinar
relacionada à uma decisão judicial está circunscrita às situações em que
se verifiquem, além de inclinação voluntária e consciente por parte do
Juiz a decidir de determinada maneira, com prejuízo à imparcialidade
esperada, fatores externos ao processo, capazes de formar um cenário
no qual seja possível concluir pela utilização da decisão judicial para
consecução de um fim ilícito ou ilegítimo.
Assim, não apenas o teor da decisão questionada deve ser analisado,
mas também os fatores circundantes que podem ter ensejado a prática
da falta disciplinar, bem como o a conduta incompatível com a
dignidade, a honra e o decoro da função de magistrado, que possa
extrapolar a independência funcional na formação do seu livre
convencimento. À propósito:
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR EM FACE DE
MAGISTRADO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ.
COMPARTILHAMENTO DE PROVAS COLHIDAS EM SEDE DE
INVESTIGAÇÃO CRIMINAL. POSSIBILIDADE. CONCESSÃO DE
ELEVADO NÚMERO DE LIMINARES EM PLANTÃO JUDICIÁRIO COM
SUPOSTA MOTIVAÇÃO NÃO JURÍDICA. DISPARIDADE ESTATÍSTICA
QUE REVELA DESVIO DE CONDUTA E COLOCA EM XEQUE A
LEGITIMIDADE DAS DECISÕES. EXCESSIVA E PROMÍSCUA
PROXIMIDADE COM ADVOGADOS E PARTES. PARCIALIDADE E
FAVORITISMO. CONDUTA INCOMPATÍVEL COM A DIGNIDADE, A
HONRA E O DECORO DAS FUNÇÕES DE DESEMBARGADOR.
COMPACTUAÇÃO COM A BURLA AO JUÍZO NATURAL.
COMPROMETIMENTO DA IMPARCIALIDADE E DA
INDEPENDÊNCIA. RECEBIMENTO DE INDEVIDAS INFLUÊNCIAS
EXTERNAS E ESTRANHAS À JUSTA CONVICÇÃO. AJUSTE PRÉVIO
PARA A CONCESSÃO DE LIMINARES EM PLANTÃO JUDICIÁRIO.
AÇÃO FRUSTRADA EM RAZÃO DE PRÉVIA COMUNICAÇÃO.
CONCESSÃO DE LIMINARES EM HABEAS CORPUS EM
DESCUMPRIMENTO À RESOLUÇÃO DO TJCE. DESLEIXO,
IMPRUDÊNCIA E OFENSA AO DEVER DE CAUTELA.
TERCEIRIZAÇÃO DA JURISDIÇÃO MEDIANTE A DELEGAÇÃO DE
ATO PERSONALÍSSIMO DO JULGADOR. ASSUNÇÃO DE RISCOS.
CONTRAPARTIDA CRIMINOSA EM TROCA DE PROVIDÊNCIA
JURISDICIONAL. DESOBEDIÊNCIA AO DEVER DE CUMPRIR AS
DISPOSIÇÕES LEGAIS E OS ATOS DE OFÍCIO. DÚVIDA RAZOÁVEL
SOBRE A LEGITIMIDADE DAS RECEITAS E DA SITUAÇÃO
ECONÔMICO-PATRIMONIAL. INFRAÇÃO AOS DEVERES DE
INTEGRIDADE PESSOAL E PROFISSIONAL. INFRAÇÃO AO CÓDIGO
DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIONAL E À LOMAN.
PROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES. APLICAÇÃO DA PENA DE
APOSENTADORIA COMPULSÓRIA AO DESEMBARGADOR
PROCESSADO.
I – Processo Administrativo Disciplinar instaurado para apurar
infrações disciplinares praticadas por Desembargador aposentado
do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, notadamente por
ocasião dos plantões judiciários, consubstanciadas na concessão
de liminares, em sede de Habeas Corpus, mediante atos de
corrupção.
II – O aproveitamento de provas colhidas em sede de investigação
criminal e compartilhadas mediante autorização judicial é possível
nos processos administrativos disciplinares em trâmite perante o
Conselho Nacional de Justiça.
III – A teor de precedentes desta Casa, a prova em situações como
as investigadas neste procedimento é fragmentária,
assemelhando-se a verdadeiro mosaico, montado a partir de
diversas fontes.
IV – O conjunto probatório possui contornos nítidos acerca do
comprometimento da atuação do Desembargador processado e
da violação dos deveres funcionais insculpidos nos arts. 1º, 5º, 8º,
9º, 15, 17, 19, 24, 25 e 37, do Código de Ética da Magistratura
Nacional e ao art. 35, I, da LOMAN.
V – O cenário apresentado revelou procedimento incompatível
com a dignidade, a honra e o decoro das funções de um
Desembargador, cuja conduta obedecia a um padrão criminoso,
estimulava o surgimento de dúvidas acerca da legitimidade de
suas decisões, refletia parcialidade e favoritismo a uma das partes.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
VI – A excessiva e promíscua proximidade com advogados e partes
constituía traço característico da conduta do Desembargador
processado, o qual era reconhecido no meio jurídico, inclusive
pelos integrantes do esquema criminoso, por sua “desenvoltura”
na concessão de liminares em Habeas Corpus impetrados em
plantões judiciários.
VII – O Desembargador processado compactuou com a burla
deliberada ao princípio do juiz natural promovida por advogados,
com os quais mantinha estreitos laços de amizade, deixando de
repelir a intenção deliberada de aguardarem seu plantão para a
impetração de medida supostamente urgente, antecipando
resultado e comprometendo, assim, sua imparcialidade.
VIII – Os diálogos interceptados entre presidiários e comparsas
demonstraram que os acontecimentos no âmbito prisional
encontravam ressonância com os plantões judiciários pelos quais
respondeu o Desembargador processado.
IX – A estreita ligação com integrantes do esquema criminoso, a
conivência com condutas ilegais de advogados e o ajuste prévio
para a concessão de liminares em plantão judiciário, frustrado em
razão de prévia comunicação acerca de investigação em curso,
demonstraram que o Desembargador processado recebeu
indevidas influências externas e estranhas à justa convicção,
deixou de manter a devida equidistância das partes, comprometeu
sua imparcialidade e independência.
X – A concessão de liminares em Habeas Corpus em afronta à
expressa vedação contida em ato resolutivo do Tribunal de Justiça
cearense e a terceirização da jurisdição, mediante a delegação de
ato personalíssimo do julgador, revelaram desleixo, imprudência,
inobservância do dever de cautela e descumprimento do dever de
cumprir as disposições legais e os atos de ofício por parte do
Desembargador processado.
XI – A autorização da quebra dos sigilos fiscal e bancário do
Desembargador processado, por si só, é suficiente para comprovar
a existência de dúvida razoável sobre a legitimidade de suas
receitas e de sua situação econômico-patrimonial, de modo que a
ausência de evolução a descoberto de seu patrimônio, verificada
em período restrito, não tem o condão de elidir a possibilidade de
que tenha havido o recebimento de vantagens indevidas e a
violação dos deveres de integridade pessoal e profissional.
XII – As condutas exaustivamente analisadas convergem para um
cenário de extrema gravidade, que envolveu a atuação de uma
organização criminosa destinada a corromper Desembargadores,
dentre os quais o ora processado, e viabilizar a soltura de
traficantes de alta periculosidade no Estado do Ceará, se
protraindo no tempo e repercutindo profunda e negativamente na
Magistratura cearense.
XIII – Os fatos submetidos a julgamento são atentatórios à
dignidade da justiça, foram amplamente noticiados nos meios de
comunicação e colocaram em risco a credibilidade das decisões e
a própria imagem do Poder Judiciário, sendo passíveis de punição
com a aplicação da pena de aposentadoria compulsória ao
Desembargador processado, nos termos do art. 42, V, da LOMAN e
7º, I, II e III, da Resolução CNJ n. 135. Precedentes do CNJ.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
XIV – Afastada a ocorrência de prescrição em abstrato e pela
pena em concreto. XV – Acolhimento das imputações feitas na
Portaria n. 5-PAD, de 15 de outubro de 2015, para julgar
procedente o presente Processo Administrativo Disciplinar,
aplicando ao Desembargador processado a pena de
aposentadoria compulsória. XVI – Conversão da aposentadoria
voluntária, por tempo de serviço, em aposentadoria-sanção e
determinações correlatas (CNJ – PAD – Processo Administrativo
Disciplinar – 0005021-59.2015.2.00.0000 – Rel. Conselheiro
LUCIANO FROTA – 303ª Sessão Ordinária – j. 04/02/2020).
À vista de tanto, a questão não se restringe à análise de matéria
exclusivamente jurisdicional, uma vez que a alegada independência
funcional do magistrado não pode servir de escudo a condutas
imprudentes e incompatíveis com a dignidade, a honra e o decoro da
função de magistrado.
No caso, não se discute o conteúdo das decisões judiciais, mas o atuar
dos magistrados na condução de processos judiciais e o cenário no qual
proferidas as decisões, a ser oportunamente detalhado mais adiante.
Portanto, ao menos por ora, subsistindo os indícios de que a questão
ultrapassa os limites jurisdicionais, cabível a instauração de Processo
Administrativo Disciplinar para aprofundamento da apuração dos fato.
(CNJ-RD- RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR - 0001468-28.2020.2.00.0000, rel.
Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 2ª Sessão Virtual Extraordinária
de 2024, DJe 03/05/2024)
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
PRESCRIÇÃO
Res. CNJ n. 135, de julho de 2011.
Art. 24. O prazo de prescrição de falta funcional praticada pelo magistrado é de
cinco anos, contado a partir da data em que o tribunal tomou conhecimento do
fato, salvo quando configurar tipo penal, hipótese em que o prazo prescricional será
o do Código Penal.
§ 1º A interrupção da prescrição ocorre com a decisão do Plenário ou do Órgão
Especial que determina a instauração do processo administrativo disciplinar.
§ 2º O prazo prescricional pela pena aplicada começa a correr nos termos do § 9º do
art. 14 desta Resolução, a partir do 141º dia após a instauração do processo
administrativo disciplinar.
§ 3º A prorrogação do prazo de conclusão do processo administrativo disciplinar,
prevista no § 9º do artigo 14 desta Resolução, não impede o início da contagem do
prazo prescricional de que trata o parágrafo anterior.
PRESCRIÇÃO ANTES DA INSTAURAÇÃO DO PAD
O prazo prescricional aplicável aos processos disciplinares instaurados em
desfavor dos Magistrados é de 5 anos, salvo se configurar tipo penal.
Termo inicial : Data de conhecimento dos fatos pela Administração
Interrupção : Com a instauração do PAD, interrompendo-se por 140 dias
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
O prazo prescricional volta a correr a partir do 141º dia após a abertura do
PAD:
Pela pena aplicada (aplicação subsidiária do art. 142 da Lei n. 8.112 de 1990)
180 dias para ADVERTÊNCIA
2 anos para CENSURA ou REMOÇÃO COMPULSÓRIA
5 anos para DISPONIBILIDADE, APOSENTADORIA COMPULSÓRIA ou
DEMISSÃO
Caso a conduta configure tipo penal, o prazo prescricional será aquele
previsto no Código Penal (art. 109), ainda que não instaurada ação penal.
Entendimento do STF no sentido de que, para utilização do prazo
prescricional penal no PAD, a respectiva ação penal não precisa estar
instaurada: RMS 31506.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
DECADÊNCIA
Constituição Federal
Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõe-se de 15 (quinze) membros com
mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo:
(...)
§ 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do
Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe,
além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
(...)
V - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e
membros de tribunais julgados há menos de um ano.
Regimento Interno do CNJ
Art. 82. Poderão ser revistos, de ofício ou mediante provocação de qualquer
interessado, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há
menos de um ano do pedido de revisão.
PRAZO DECADENCIAL PARA O CNJ
O prazo decadencial para que o CNJ possa rever decisão de Tribunais
locais (Revisão Disciplinar de ofício) será de 1 ano.
Entendimentos sobre os marcos do prazo decadencial
data do recebimento da comunicação pelo CNJ
(comunicação da Res. CNJ N. 135, de 2011)
Na linha de precedentes deste Conselho e do STF, o termo inicial de contagem
do prazo decadencial (arts. 103-B, § 4º, V, da CF/88 e 82 do RICNJ) corresponde
à data da publicação do acórdão no órgão oficial e/ou da ciência do CNJ
quanto ao julgamento do PAD na Origem. Na hipótese, não havia transcorrido
o prazo de 1 (um) ano entre a data da ciência inequívoca deste Conselho
quanto ao desfecho do feito disciplinar e a autorização colegiada para abertura
da revisão ex officio. Decadência não concretizada. (CNJ - REVDIS - Processo
de Revisão Disciplinar - Conselheiro - 0008678-96.2021.2.00.0000 - Rel. JANE
GRANZOTO - 1ª Sessão Ordinária de 2024 - julgado em 20/02/2024 )
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
data do trânsito em julgado
se entre o trânsito em julgado da decisão de origem e a decisão que determina
a notificação para a defesa decorre menos de um ano, não se opera a
decadência (CNJ. Reclamação disciplinar nº 0005469-90.2019.2.00.0000, 344ª
Sessão Ordinária – Plenário. Rel. Min.ª MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, v.u.,
j. 08/02/2022)
data da primeira manifestação que expresse o interesse público
na revisão
PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. REVISÃO DISCIPLINAR. DECADÊNCIA. NÃO
OCORRÊNCIA. (...) 1. O Conselho Nacional de Justiça pode rever, de ofício, ou a
requerimento do interessado, no prazo de 1 (um) ano, a contar da ciência da
decisão proferida na origem, os processos administrativos que lá tramitaram,
considerando como suficiente para afastar a decadência a primeira
manifestação formal, dentro desse período, de qualquer dos legitimados
previstos no art. 86 do RICNJ que expresse o interesse público de instauração
da revisão disciplinar (CNJ. Pedido de Providências nº 0005365-
40.2015.2.00.0000, 271ª Sessão Ordinária – Plenário. Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE
NORONHA, v.u., j. 08.05.2018).
Instauração de PAD sem prévia REVDIS
Se não houve instauração de PAD na origem, há a possibilidade de
instaurar diretamente o PAD quando do recebimento de comunicação do
arquivamento, sem a necessidade de prévia REVDIS (opção que contribui
para a celeridade e evita o risco de prescrição). Trata-se de hipótese
diversa daquela em que houve o PAD na origem e há discordância em
relação ao arquivamento ou à pena aplicada, que ensejam a instauração
da REVDIS.
Se não houve instauração de PAD na origem, não há incidência de prazo
decadencial, vez que a Constituição fala em “processos disciplinares de
juízes e membros de tribunais julgados” (art. 103-B, V, da CF), o que deixa
claro que os procedimentos de apuração/investigação preliminar
estariam excluídos.
Portanto, eventual PAD instaurado pelo CNJ nessas hipóteses resulta
em instauração originária e não revisional.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Precedente do STF sobre prazo decadencial
Este Supremo Tribunal consolidou o entendimento de que não se
confundem as atribuições de apuração autônoma e de revisão do
Conselho Nacional de Justiça, o que
também se aplica ao Conselho Nacional do Ministério Público: “Agravo
interno em mandado de segurança. Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Processo administrativo disciplinar instaurado a partir da deliberação
plenária em reclamação disciplinar autônoma em face de magistrados no
CNJ. Atribuição correicional originária e autônoma do Conselho.
Precedentes. Pretensão de reapreciação de matéria fático-probatória.
Necessidade de dilação probatória. Impossibilidade em sede de mandado
de segurança. Ausência de indícios de ilegalidade na decisão tomada pelo
CNJ no processo disciplinar ou de exorbitância de seu papel
constitucional. O STF não deve funcionar como instância recursal de toda
e qualquer decisão administrativa tomada pelo CNJ. Precedentes. Agravo
interno não provido.
1. A atuação do Conselho Nacional de Justiça, no caso, decorreu do
exercício de competência correicional originária, não revisional.
Inaplicável, assim, o parâmetro temporal inserto no art. 103-B, § 4º, inciso
V, da Constituição Federal (‘rever, de ofício ou mediante provocação, os
processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há
menos de um ano’).
2. Processo administrativo disciplinar instaurado a partir da deliberação
tomada pelo Plenário do CNJ em reclamação disciplinar autônoma
formulada perante a Corregedoria Nacional de Justiça pelo Ministério
Público Federal e pela Procuradoria Eleitoral de Roraima em desfavor do
desembargador.
3. O STF assentou que o CNJ possui atribuição correicional originária e
autônoma, não se tratando de atuação subsidiária frente aos órgãos de
correição local, mas sim de competência concorrente, de modo que seu
exercício não se submete a condicionantes relativas ao desempenho da
competência disciplinar pelos tribunais locais. Precedentes.
Ausência de ilegalidade ou abuso de poder quanto à atuação do CNJ no
caso dos autos.
4. Não cabe ao Supremo Tribunal Federal adentrar no exame de mérito da
atuação correicional para apreciar elementos valorativos insertos nas
regras de direito disciplinar. Para se chegar a conclusão diversa da que
obteve o mencionado Conselho, seria necessário revolver os fatos e provas
constantes dos autos do processo administrativo disciplinar.
Impossibilidade em sede de mandado de segurança. Precedentes.
5. Inexistência de vícios no procedimento administrativo disciplinar
instaurado pelo Conselho Nacional de Justiça em face do magistrado.
6. Agravo interno não provido”
(MS n. 34.685-AgR/RR, Relator o Ministro Dias Toffoli, Segunda Turma, DJe
23.3.2018).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
PRAZO DECADENCIAL PARA O MAGISTRADO
OU TERCEIRO
O prazo decadencial para que o Magistrado
apenado ou terceiro possam pleitear a revisão da
decisão de Tribunais locais será de 1 ano:
termo inicial: trânsito em julgado administrativo
termo final: data da proposição da REVDIS
Entendimentos sobre o trânsito em julgado administrativo
Data da sessão de julgamento
Neste caso, apesar da menção a "trânsito em julgado", a efetiva data considerada
foi a sessão de julgamento. Veja-se: "19. Como se extrai do acórdão e da respectiva
certidão de julgamento anexos (DOC. 5), que julgou improcedentes os Embargos
de Declaração opostos, referido julgamento foi realizado em 05 de março de 2020.
[...] Nessa perspectiva, a revisão disciplinar proposta em 1º de julho de 2021 com o
objetivo de desconstituir PAD cujo trânsito em julgado remonta a 5 de março de
2020 não pode ser conhecida pelo Conselho Nacional de Justiça, pois ultrapassado
o prazo decadencial."
(CNJ - RA - Recurso Administrativo em REVDIS - Processo de Revisão Disciplinar -
Conselheiro - 0005072-60.2021.2.00.0000 - Rel. SALISE SANCHOTENE - 107ª Sessão Virtual -
julgado em 10/6/22).
Data da publicação do acórdão
"2. Revisão Disciplinar. Prazo decadencial de menos de um ano após o julgamento dos
processos disciplinares para propositura. Termo a quo. Data da publicação da decisão do
julgamento do processo disciplinar. Precedentes do STF. Inobservância do requisito
temporal. Indeferimento do pedido revisional" (CNJ - REVDIS - Processo de Revisão
Disciplinar - Conselheiro - 0007748-20.2017.2.00.0000 - Rel. Fernando Mattos - 287ª Sessão
Ordinária - julgado em 26/3/19).
Neste sentido: "1. O prazo decadencial de um ano para apresentação de Revisão Disciplinar,
pelo magistrado apenado em Processo Administrativo Disciplinar, é contado da data da
intimação de sua defesa técnica do Diário de Justiça Eletrônico do tribunal, mesmo havendo
posterior intimação pessoal do magistrado." (CNJ - REVDIS - Processo de Revisão Disciplinar -
Conselheiro - 0000214-54.2019.2.00.0000 - Rel. Rubens Canuto - 55ª Sessão Extraordinária -
julgado em 29/7/20).
Também, STF MS 26540, Rel. Min. Carmen Lúcia, 2ª Turma, julgado em 24/6/14, DJe 31/7/14.
Data do trânsito em julgado
CNJ - RA - Recurso Administrativo em REVDIS - Processo de Revisão Disciplinar - Conselheiro
- 0010139-40.2020.2.00.0000 - Rel. Mário Guerreiro - 92ª Sessão Virtual - julgado em
10/09/2021; CNJ REVDIS 000080725.2015.2.00.0000, Rel. Luciano Frota, 50ª Sessão
Extraordinária, julgado em 11/09/2018; CNJ - REVDIS - Processo de Revisão Disciplinar -
Conselheiro - 0000214-54.2019.2.00.0000 - Rel. Rubens Canuto - 55ª Sessão Extraordinária -
julgado em 29/7/20.
Para o trânsito em julgado, não tem sido considerada a data da certidão juntada pela
secretaria, mas 5 (cinco) dias após a publicação do acórdão, prazo que corresponderia ao
recurso de embargos de declaração.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
TERMO DE
AJUSTAMENTO DE
CONDUTA
Regimento Interno/CNJ
Art. 47-A No curso de qualquer processo deste Capítulo, uma vez evidenciada a
prática de infração disciplinar por parte de magistrado, servidor, serventuário ou
delegatário de serventia extrajudicial em que se verifique a hipótese de infração
disciplinar leve, com possível aplicação de pena de advertência, censura ou
disponibilidade pelo prazo de até 90 (noventa) dias, o Corregedor Nacional de
Justiça poderá propor ao investigado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que,
uma vez aceito, será homologado pelo Corregedor Nacional de Justiça. (redação
dada pela Resolução n. 548, de 15.3.2024)
.....................................................................................................................................................................
§ 5º A Corregedoria Nacional de Justiça, através de Provimento, regulamentará o
Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
Provimento n. 162, de 11/03/2024
O Provimento n. 162, de 11 de março de 2024, regulamenta o art. 47-A do Regimento
Interno do Conselho Nacional de Justiça (RICNJ), acerca da celebração de Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Corregedoria Nacional de Justiça e
magistrados, servidores e serventuários do Poder Judiciário ou delegatários de
serventias extrajudiciais, e dá outras providências.
Código de Normas Nacional da Corregedoria Nacional de Justiça
Art. 60. A utilização de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) como mecanismo
de não persecução disciplinar observará normas específicas, como o Provimento n.
162, de 11 de março de 2024, sem prejuízo, no que couber, do disposto neste Código.
(Provimento n. 165, de 16/04/2024).
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (TAC)
Ferramenta essencial de resolução consensual
de conflitos disciplinares no âmbito do CNJ
Promoção de uma cultura de moralidade
Incrementa a eficiência no serviço público pela
voluntariedade
O que é o TAC?
É um acordo celebrado entre o investigado e a
Corregedoria Nacional de Justiça, com o objetivo de resolver
de forma consensual conflitos disciplinares, relativos à
infração disciplinar de reduzido potencial de lesividade.
Finalidade
Evitar o processo formal de investigação
Estabelecer medidas corretivas e preventivas para evitar novas
infrações
Proporcionar uma solução rápida e eficaz para infrações
disciplinares de reduzido potencial de lesividade
Requisitos para
celebração do
TAC pelo 1 ser vitalício
Magistrado
2 ausência de PAD em andamento
3 não ter sido penalizado nos últimos 3 anos
4 ausência de TAC celebrado nos últimos 3 anos
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Procedimentos do TAC
1 Presença dos requisitos e Homologação pelo
indícios de “falta leve” Corregedor Nacional
São analisados os requisitos e a Se o investigado concordar
existência de indícios relevantes de sem reservas com os termos
autoria e materialidade de infração do TAC, o acordo é
disciplinar de reduzido potencial de homologado pelo Corregedor
lesividade, em casos que se Nacional.
anteveja aplicação de advertência, Homologação por escrito ou
censura ou disponibilidade de até em audiência específica, a
90 dias (art. 2º, § 1º, do Prov. 162) critério do Corregedor
Nacional.
6
2 Requisitar certidões do tribunal
Se o TAC se mostrar uma medida
adequada, em tese, requisitar certidões TAC
do Tribunal (art. 7º) e consultar
“antecedentes” no PJe do CNJ
Se o investigado concordar
3 Proposição do TAC com reservas, verificar se é
Após a análise, o Corregedor Nacional possível transigir quanto à
de Justiça pode propor ao investigado a primeira proposta.
celebração do TAC, se necessário e Se sim, audiência para tentar
suficiente para prevenir novas infrações o acordo (art. 9, par. único, do
e promover a cultura da moralidade e Prov. 162)
eficiência no serviço público.
Recusa dos
4 Encaminhamento do esboço das
termos do acordo
condições
Se o investigado não concordar
O investigado é intimado a se com os termos do acordo, o
manifestar sobre o interesse na procedimento segue o curso
celebração do TAC, sendo encaminhado normal, com intimação para
a ele o esboço das condições que apresentação de defesa prévia.
constarão no instrumento do acordo.
5 Elaboração do
instrumento do TAC
É possível delegar às corregedorias
O instrumento do TAC é elaborado gerais e regionais os atos de celebração,
contendo a qualificação do magistrado, homologação e de acompanhamento do
fundamentos para celebração, cumprimento do TAC (art. 14 do Prov.
descrição das obrigações, prazo para 162/2024)
cumprimento e forma de fiscalização.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Condições do TAC
Podem ser adotadas isolada ou cumulativamente (Art. 3º do Prov. 162).
Reparação do dano Frequência a cursos oficiais de
Compromisso do capacitação e aperfeiçoamento
investigado em reparar o Compromisso em frequentar cursos com carga
dano causado, salvo horária mínima de 40 horas, a serem cumpridas
absoluta impossibilidade. em 12 meses, preferencialmente relacionados à
falta disciplinar.
Retratação
Suspensão do exercício
Correção de conduta
cumulativo e remunerado de
funções judiciais
Incremento de produtividade
Acréscimo de até 50% de sentenças de
Suspensão do exercício remunerado
mérito e/ou audiência a ser cumprido no
decorrer de 6 meses a 1 ano, considerada de funções administrativas ou de
como base de cálculo a produtividade do caráter singular ou especial
magistrado nos últimos 12 meses.
Acompanhamento do TAC
Indícios de Justificativas Prazo prescricional Cumpridas todas as
descumprimento aceitas Durante o cumprimento do condições do TAC
Investigado é intimado TAC continua, TAC, o prazo prescricional Punibilidade extinta
para apresentar com ou sem ajuste fica suspenso. e arquivamento dos
justificativas. de condições autos.
Prazo: 5 dias Registro funcional
do TAC por 3 anos, a
contar da extinção
(apenas para
impedir novo TAC
Sem justificativas ou no período)
quando não forem Aplicação de penalidade
aceitas
Pelo Corregedor Nacional de
Justiça (advertência ou
Acordo rescindido Cabe
censura) Recurso Hierárquico
para o Plenário
Pelo Plenário (no caso de (Art. 47-A, §2º, RICNJ)
disponibilidade até 90 dias,
necessidade de defesa prévia)
Possibilidade de TAC nos tribunais
Os tribunais poderão celebrar TAC com magistrados, observadas, no que couber, as
disposições do Provimento n. 162, 11/03/2024. (Art. 17 do Prov. n. 162, 11/03/2024)
Celebração de TAC
Precisa comunicar à Corregedoria Nacional de
Justiça, na forma do art. 28 da Res. CNJ n.
135/2011
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
PAUTA DE
JULGAMENTO
Regimento Interno do CNJ
Art. 8º Compete ao Corregedor Nacional de Justiça, além de outras atribuições
que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura:
.(...)
III - instaurar sindicância ou propor, desde logo, ao Plenário a instauração de
processo administrativo disciplinar, quando houver indício suficiente de infração;
(...)
Art. 128. Concluído o debate oral, o Presidente tomará os votos, em primeiro
lugar, do Relator e, a seguir, dos demais Conselheiros, na ordem da precedência
regimental.
Atuação do Corregedor Nacional de Justiça
Conforme já afirmado neste Manual, no item do PADMAG, o
Corregedor Nacional de Justiça atua das seguintes formas no
julgamento em Plenário de procedimento ou processo administrativo
no CNJ, no âmbito disciplinar:
INSTAURAÇÃO DO PAD
O Corregedor Nacional proporá, perante o Plenário do
1 CNJ, como Relator, a instauração do PAD, ao julgar
um PP ou uma RD, quando verificados indícios
mínimos de autoria e materialidade de infração
disciplinar.
JULGAMENTO DO PAD + JULGAMENTO REVDIS
Instaurado o PAD, ele será distribuído a um Conselheiro
2 do CNJ. Após a devida instrução, o Conselheiro Relator
levará a julgamento plenário. Nesse momento, após
aprofundada instrução, o Corregedor Nacional de
Justiça vota em sessão plenária, na qualidade de
Conselheiro do CNJ.
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MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
Necessidade de justa causa
Os procedimentos disciplinares não podem ter prosseguimento em hipóteses
circunscritas a simples ilações e referências genéricas, sendo requisito essencial para a
instauração de PAD a demonstração de justa causa.
(CNJ - RA – Recurso Administrativo em RD - Reclamação Disciplinar - 0002150-
12.2022.2.00.0000 - Rel. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA - 109ª Sessão Virtual - julgado em
12/08/2022 ).
Nos termos do entendimento do Conselho Nacional de Justiça, é inadmissível a
instauração de procedimento disciplinar quando inexistentes indícios ou fatos que
demonstrem que o magistrado tenha descumprido deveres funcionais ou incorrido em
desobediência às normas éticas da magistratura.
A demonstração de justa causa é requisito essencial para a instauração de PAD,
conforme reiterada jurisprudência do Conselho Nacional de Justiça. Nesse sentido: CNJ -
RA – Recurso Administrativo em RD - Reclamação Disciplinar - 0008092-30.2019.2.00.0000 -
Rel. HUMBERTO MARTINS - 62ª Sessão Virtual - julgado em 27/3/2020.
(CNJ - RA – Recurso Administrativo em RD - Reclamação Disciplinar - 0005291-
73.2021.2.00.0000 - Rel. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA - 99ª Sessão Virtual - julgado em
11/02/2022 ).
Inclusão em pauta Publicação da pauta de julgamento
É atribuição do Corregedor Nacional A publicação da pauta de julgamento no
de Justiça, quando relator, solicitar a Diário da Justiça será feita, no mínimo,
inclusão em pauta de julgamento de com 48 horas antes da sessão (art. 120, §2º,
processo examinado e relatado (art. 25, RICNJ).
VI, 100, §1º, do RICNJ).
Plenário virtual
É admitido o julgamento em ambiente eletrônico próprio do Conselho
Nacional de Justiça, denominado Plenário Virtual, onde são lançados
os votos do relator e dos demais Conselheiros (art. 118-A, RICNJ).
Não serão incluídos no Plenário Virtual, ou dele serão excluídos, os
seguintes procedimentos (art. 118-A, §5º, RICNJ/Res. 536, de 7/12/2023):
os indicados pelo Relator
os destacados por um ou mais Conselheiros para julgamento presencial
os destacados pelo PGR, pelo Presidente do Conselho Federal da OAB ou seus
respectivos representantes
os que tiverem pedido de manifestação oral de Presidente de associação nacional
os que tiverem pedido de sustentação oral, quando admitida pelo regimento interno
os processos cujo voto não for disponibilizado até o início da sessão
62
MANUAL DE ORIENTAÇÕES PARA
PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES DA CORREGEDORIA
ALGUNS PRECEDENTES
RELEVANTES PROFERIDOS NA
GESTÃO DO BIÊNIO 2022-2024
ALGUNS JULGADOS RELEVANTES
2022 - 2024
Adequação da pena de disponibilidade em caso
PAD 0005551-82.2023.2.00.0000 envolvendo infrações disciplinares decorrentes de
publicação em redes sociais.
PADMag 0001609-42.2023.2.00.0000 Precedente relativo ao Provimento n. 135/2022.
Utilização do protocolo de julgamento com perspectiva
PP 0000682-47.2021.2.00.0000
de gênero em processos no âmbito disciplinar.
Reconhecimento de violação aos deveres de
RD 0006352-03.2020.2.00.0000 independência e imparcialidade em decorrência de
inobservância de regras de competência.
Intimação para defesa prévia por suposta atividade de
coach, com o objetivo de transmitir técnicas para
advogados obterem vantagens processuais. Suspeita de
PP 0002085-80.2023.2.00.0000
exposição excessiva em redes sociais, com postura
incompatível, em tese, com o exercício da atividade
judicante.
Aplicação de multa por litigância de má-fé. A reiteração
de petições com o mesmo teor, sem apresentar fato novo
e/ou qualquer indício mínimo de infração por parte de
RD 0003040-14.2023.2.00.0000 magistrado, ignorando a advertência feita pela
Corregedoria Nacional de Justiça em decisão anterior,
configura absoluta litigância de má-fé a ensejar a
aplicação de multa.
Avocação em processos administrativos disciplinares em
RD 000838-69.2020.2.00.0000
curso.
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CORREGEDORIA NACIONAL DE JUSTIÇA