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Gluten

GLUTEN

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Introdução

Nos dias atuais, as criações de suínos e aves têm apresentado um papel de destaque
na economia mundial, principalmente no Brasil, pelo fornecimento de proteína animal
de alta qualidade com baixos custos, tomando-se acessíveis à grande parte da
população. O desenvolvimento dessas atividades constitui-se importante fator de
crescimento econômico com efeitos multiplicadores de renda e emprego em outros
setores da economia, intensificando a demanda de insumos agropecuários e a expansão
e a modernização dos setores de comercialização e agroindústria.
Temos, assim, um aumento na demanda desses produtos, o que obriga os
produtores a produzirem mais e mais barato, uma vez que isso é possível com a redução
dos custos de produção.
As aves e os suínos possuem uma grande capacidade competitiva com outras
espécies animais, uma vez que produzem grandes quantidades de proteína de alto valor
biológico em menor espaço físico e de tempo.
Considerando que a alimentação representa a maior parcela dos custos de produção
nas criações avícola e suinícula, a utilização de alimentos alternativos de qualidade e
composição conhecidas, a formulação de rações de custo mínimo e a adoção de
programas estratégias de alimentação possibilitam urna adequação econômica mais
conveniente ao produtor. Dentre as alternativas pesquisadas para reduzir o custo final
nos sistemas de produção de suínos e aves estão Os resíduos e os subprodutos das
industrias de alimentos, como é o caso do farelo de glúten de milho (FGM).
Processamento
O FGM é um subproduto obtido a partir do processamento do milho, por via úmida.
Após a limpeza, o milho grão é levado pare tanques, permanecendo em média 40 horas
em uma solução aquosa ácida que contém lactobacilos em presença de dióxido de
enxofre (SO2) a uma temperatura aproximadamente de 50 0C. No processo de separação
do amido e das proteínas, o S02 diluído reage com a água (H 20), formando o ácido
sulfuroso (H2S03) que controla a fermentação em razão de variações químicas que
ocorrem nos constituintes do endosperma e auxiliam o processo de separação (Kent,
1983). Pela ação da acidez e da temperatura, o grão de milho sofre um amolecimento,
liberando nutrientes para a solução que, posteriormente, é drenada e concentrada. Após
a separação do germem, glúten e amido, através de peneiras e centrifugação, a solução
concentrada e a fibra remanescente são secas a quente (cerca de 90 0G) e moídas,
passando a constituir o farelo de glúten de milho (FGM). Segundo Honeyman (1989),
para cada 100 quilos de milho em grãos são produzidos 62 a 68 kg de amido; 3 kg de
óleo; 3,2 kg de farelo de gérmen; 20 kg de glúten; e 4,5 kg de farelo de glúten.
O FGM é um produto fibroso com média proteína composto de fibras de milho,
rico em proteínas solveis e vitaminas (Droppo, 1985). Autores citados por Honeyman
(1989) apontam como causas da variação na composição do FGM o processo de
produção, o tipo de moagem e peneiramento e o tipo de centrifugação até sua produção
final. Sua composição pode ser alterada com a exposição prolongada ao ar em razão de
sua fácil deterioração.
Temos, comercialmente, dois tipos de farelo de glúten conhecidas: o farelo de
glúten de milho 21 (Refinazil) e a farelo de glúten de milho 60 (Protenose).
O farelo de glúten de milho 21 é a parte fibrosa do grão de milho que fica após
extração da maior parte do amido, do glúten e do gérmen pelo processo empregado na
produção do amido ou do xarope. O farelo, também, pode conter extrativos fermentados
do milho e/ou farelo de gérmen de milho, bem como, deve ser isento de matérias
estranhas à sua composição.
O farelo de glúten de milho 60 e o resíduo seco de milho, obtido após a remoção da
maior parte do amido, do gérmen e da separação do farelo pelo processo empregado na
fabricação do amido de milho ou xarope, por via úmida, pelo tratamento enzimático do
endosperma (Tardln, 1991).
Em trabalho realizado com glúten de milho, com suínos em crescimento, Trindade
Neto et al. (1995) observaram efeitos prejudiciais no desempenho dos animais e baixa
palatabilidade devidos à acidez e ao sabor amargo adquiridos no processamento.
Composição Química

A composição química dos alimentas em geral, varia com a cultivar utilizado, com
a estação de cultivo, com o processo de produção, com o tipo de solo e com fatores
ambientais.
O farelo de glúten de milho apresenta alto teor protéico, mas esta proteína é de
baixa qualidade, sendo esta a razão pela qual não se recomenda a sua utilização em
rações de aves e suínos como principal fonte de proteína. Apresenta alto nível de
energia metabolizavel; alto teor de xantofila (em média 10 vezes superior ao milho
grão), a que confere à pele da ave e à gema do ovo uma coloração amarelo-ouro; alto
teor de metionina (1,9%); e é rico em beta caroteno (45,5 micra-gramas/grama).

Tabela 1 - Especificação dos dois tipos de farelo de glúten de milho

Especificaçõesfísico-químicas 21 60
Min. Max. Min. Max.
Umidade (%) - 12,0 - 12,0
Proteína (%) 21,0 - 60,0 -
Extrato etério(%) 1,0 - 1,0 -
Matéria fibrosa(%) - 10,0 - 2,5
Matéria mineral (%) - 8,0 - 3,5
Aflatoxinas (ppb) - 50 - 50

Tabela 2 -Níveis complementares (Base seca)

21 60
Proteína By- Pass 22,0% 55,0%
F.D.A 12,0% 5,0%
N.D.T (suínos) - 88,0%
Teor de xantofila - 225-500 mg/kg
Energia metabolizável (aves) - 3,85 Mcal/kg
Energia metabolizável (suínos) 2,605 Mcal/kg 3,90 Mcal/kg
Cálcio 0,36% 0,16%
Fósforo 0,82% 0,50%
Potássio 0,55% 0,03%
Magnésio 0,36% 0,06%
Enxofre 0,23% 0,39%
Tabela 3 - Composição do glúten de milho

Glúten 21 Glúten 60
Constituinte Ud Quantidade Quantidade
NRC T.B.A.S. NRC T.B.A.S.
Materia seca % 90 87,93 90 90,95
Energia digestível (suin.) Kcal/kg 2.990 2700 4.225 4321
Energia metabolizavel (suíno) Kcal/kg 2.605 2560 3.830 3929
Proteína bruta % 21,5 21,10 60,2 60,35
Gordura % 3,0 3,44 2,9 2,57
Ácido linoléico % 1,43 1,46 1,17 1,75
FDN % 33,3 35,67 8,7 6,39
FDA % 10,7 10,90 4,6 8,63
Cálcio % 0,22 0,12 0,05 0,03
Fósforo % 0,83 0,75 0,44 0,44
Sódio % 0,15 0,11 0,02 0,01
Cloro % 0,22 0,21 0,06 0,05
Potássio % 0,98 1,12 0,18 0,13
Magnésio % 0,33 - 0,08 -
Enxofre % 0,22 - 0,43 -
Cobre Mg/kg 48 - 26 -
Ferro Mg/kg 460 - 282 -
Manganês Mg/kg 24 - 4 -
Selênio Mg/kg 0,27 - 1,00 -
Zinco Mg/kg 70 - 33 -
Biotina Mg/kg 0,14 - 0,15 -
Colina Mg/kg 1,518 - 330 -
Niacina Mg/kg 66 - 55 -
Ácido pantotênico Mg/kg 17,0 - 3,5 -
Riboflavina Mg/kg 2,4 - 2,2 -
Tiamina Mg/kg 2,0 - 0,3 --
Vit.B6 Mg/kg 13,0 - 6,9 -
Vit. B12 mg/kg 0 - 0 -
Vit. E Mg/kg 8,5 - 6,7 -
Beta caroteno Mg/kg 1,0 - - -
Fonte: NRC – Suínos (1998) e tabelas Brasileiras para aves e suínos (2005)
Aspectos gerais do glúten de milho

 Controle de qualidade do glúten e aumento da sua utilização


Um dos principais problemas enfrentados pela indústria de rações animais no Brasil
é a falta de uniformidade na maioria das matérias primas existentes em nosso mercado,
sendo que, apesar de em menor escala, também é apresentado pelo glúten de milho.
É fato que em função do desenvolvimento da produção animal no país, nos últimos
anos, e como decorrência da exigência das empresas que atuam na área de fabricação e
comercialização de rações, a situação melhorou consideravelmente.
O controle de qualidade exercido pelas fábricas de rações tem influído
decisivamente no melhoramento da qualidade das matérias primas comercializadas em
nosso mercado, mas isto não é suficiente, pois há a necessidade de um padrão rígido
para aferir o valor e qualidade dos produtos utilizados, o que proporcionarão uma maior
segurança na utilização das diferentes matérias primas para rações. Estes aspectos se
tornam ainda mais importantes quando se trata de alimentos alternativos que podem
apresentar maiores variações em decorrência de métodos de processamento e de outros
diferentes aspectos (ANFAR, 1985).
Contudo, novos trabalhos de pesquisa precisam ser desenvolvidos para melhor
fundamentar a utilização de alimentos alternativos, objetivando um máximo
desempenho produtivo dos animais e uma maior eficiência econômica das empresas que
atuam no segmento da produção animal e mais especificamente na área de produção de
rações para aves e suínos.
Assim sendo, os produtos derivados da industrialização do milho surgem como uma
boa alternativa de alimento protéico para ser utilizado em rações práticas para suínos e
aves, bem como para a utilização em rações experimentais que se deseja um nível
protéico adequado e deficiências de alguns aminoácidos, tais como nos experimentos
para determinar exigências de treonina, triptofano, quando se trabalha com níveis
crescentes de aminoácidos essenciais para encontrar níveis adequados para proporcionar
um máximo desempenho produtivo dos animais.
Outro aspecto que vem possibilitando uma maior utilização destes produtos por
parte da indústria é a redução dos custos de alguns aminoácidos sintéticos que
apresentam baixas concentrações em dietas onde se faz a utilização de FS + FGM, como
é o caso do triptofano.

Farelo de glúten de milho na indústria


Características principais e utilização

 Glúten 21 (REFINAZIL):
É composto basicamente pelas fibras digestíveis do grão de milho e parte do glúten,
além de parte do amido e frações protéicas não extraídas no processo primário de
separação e enriquecidas com água de maceração concentrada. Nas tabelas de nutrição
animal é também denominado “Corn gluten feed”. O produto é largamente utilizado nos
EUA, maior produtor mundial, e exportado para a Europa. É produzido no Brasil desde
a década de 30 pela Corn Products Brasil Ltda., sendo largamente utilizado pelas
fábricas de rações e cooperativas leiteiras, e cada vez mais a nível de fazendas que
misturam suas próprias rações.
Contém as fibras digestíveis do grão de milho, parte do glúten, amido e frações
protéicas não extraídas no processo de separação do amido.
O Glúten 21 apresenta níveis de inclusão para frango de corte de 5%. No entanto
tem altos teores de fibra, o que limita um pouco a sua utilização nas rações para aves de
forma geral. Para suínos a aceitação dele não é muito boa, devido a problemas de
palatabilidade, rejeitando a produto quando em excesso.
É necessária a suplementação de aminoácidos, mesmo apresentando nível protéico
relativamente alto. Possui vida útil de 6 meses, sendo comercializado nas formas de
farelo a granel, peletizado à granel e em sacos de papel rnultifoliados de 25Kg.

 Glúten 60:
O ingrediente protéico do milho Protenose é obtido através da separação e
concentração do glúten extraído do milho pelo processo de moagem úmida. E
denominado nas tabelas de nutrição animal como “corn gluten meal”. O produto é
utilizado como importante ingrediente para rações avícolas e em especial nos últimos
anos em rações “pet food” (cães e gatos).
O produto apresenta-se sob a forma de pó amarelado com odor característico, com
alto nível de energia metabolizavel, alto tear de xantofila (em média 10 vezes superior
ao milho em grão) e rico em beta-caroteno (45,5 mg/kg), sendo que estes fatores que
conferem à pele do frango e a gema do ovo uma coloração amarelo-ouro. O alto teor de
proteína, superior a maioria dos suplementos protéicos de origem vegetal, com alta
digestibilidade e alto tear de proteína by-pass (55%), torna o produto interessante na
composição de rações para diversas categorias animais, em especial para as vacas em
lactação de alto potencial produtivo. Além disso, a proteína dele é considerada de boa
qualidade, com alto teor de metionina, aminoácido limitante em diversos tipos de ração,
e é também rica em ácidos graxos insaturados. Em geral, o produto substitui o farelo de
soja e, em função das diferenças de composição de aminoácidos dos dois ingredientes,
não se recomenda substituí-lo apenas em funções dos teores de proteína da dieta. Sendo
assim, as pesquisas indicaram um nível de substituição de parte do farelo de soja da
ordem de 3 a 6% na dieta, dependendo do balanceamento efetuado com os demais
ingredientes da ração. Assim este produto é indicado para rações avícolas de corte e
postura, possuindo urna vida útil de 6 meses, e comercializado nas formas de farelo a
granel e em sacos de papel multifoliados de 25 Kg.

Glúten de milho na alimentação de peixes, aves e suínos

Objetivando-se avaliar a substituição da proteína do farelo de soja pela proteína do


glúten de milho em rações para alevinos de tilápia, Oreochromis niloticus L.
(Cichlidae), Hisano et al. testaram a substituição de 0%; 25%; 50%; 75% e 100% da
proteína do farelo de soja pela proteína do glúten de milho. Foi observado efeito
quadrático para o ganho de peso, conversão alimentar e taxa de eficiência protéica,
sendo os respectivos valores ótimos estimados em 30,69%; 48% e 46,25% de
substituição da proteína do farelo de soja pela proteína do glúten de milho, concluindo-
se que a proteína do glúten de milho pode substituir até 42% (19,82% de inclusão na
ração) da proteína do farelo de soja em rações para alevinos de tilápia.
Na busca constante pela maior alimentação de aves e suínos ao menor custo
possível, ganha espaço entre os pesquisadores fontes alternativas de alimentos que
possam substituir os ingredientes protéicos, urna vez que estes contribuem com a maior
parte do custo total da alimentação. Entretanto, é necessário um conhecimento das
características dos alimentos alternativos, e de suas possíveis limitações devido aos
aspectos químicos ou físicos e as respostas esperadas com suínos e aves das diferentes
categorias, para que possam ser adequadamente utilizados na formulação de rações.
Assim, alguns experimentos têm sido realizados com o objetivo de determinar a
digestibilidade dos nutrientes do glúten e também os níveis de inclusão nas rações de
suínos e aves.
Pesquisando a composição química e a valor nutricional de quatro diferentes tipas
de FGM, Castanon (1990) observou que a qualidade protéica e a relação proteína
liquida de alimentos para aves estimada em uma dieta livre de N ou em dieta contendo
9% PB suprida pelo FGM, foram significativamente mais altos para FGM (2,9 e 3,3
respectivamente). Os resultados mostraram que a triptofano e a lisina foram,
igualmente, os primeiros limitantes na proteína do FGM com arginina sendo o terceiro
aminoácido limitante. Também foi observado que a biodisponibilidade de lisina,
determinada para aves em um ensaio de crescimento, foi 83, 63, 87, e 57% para as
quatro amostras de FGM, respectivamente.
O autor observou também que os valores de EM das aves diferente em até 7,5%
entre as amostras, concluindo que a disponibilidade de aminoácidos e a EM podem
variar entre amostras comerciais de FGM.
Trabalhando com determinação de energia de 10 alimentos para aves, Albino (1992)
encontrou os seguintes valores para o FGM 21: %MS = 88,95; %PB = 21,77; EMA =
1960 kcal/kg; e EMV = 2050 kcal/kg. E para o FGM 60 os seguintes valores: %MS =
89,79; % PB = 63,86; EMA = 3820 kcal/kg; e EMV = 4350 kcal/kg
Jorge Neto (1996) conduziu dois experimentos objetivando avaliar as alterações no
desempenho dos frangos decorrentes da qualidade nutricional do FS e do FGM 60%,
testando quatro dietas. Os níveis de FGM (60%) utilizados não ultrapassaram 4,0% nas
rações iniciais, 3,0% nas rações do crescimento e 2,5% nas de abate.
Os resultados mostraram que aos 21 dias de idade as dietas que continham FS 48%
proporcionaram menor consumo (CR) (P<0,07) do que as dietas que continham FS
45,5%. No entanto, o peso corporal (PC) e a conversão alimentar (CA) não foram
influenciados e também não houve efeito na inclusão do FGM 60% na ração sobre o
desempenho das aves. Já aos 47 dias de idade, as dietas com FGM 60% proporcionaram
maior CR ( P<0,07) e pior CA (P<0,03) em relação as dietas sem FGM 60%. O autor
concluiu que os farelos de soja 45,5% e 48% proporcionaram desempenhos equivalentes
para frango do corte e até os 21 dias de idade, a inclusão do FGM 60% não interferiu no
desempenho das aves. Entretanto, nos níveis de inclusão utilizados, aos 45-46 dias de
idade, ocorreu prejuízo para o desempenho na medida em que o FGM 60%
proporcionou maior consumo e pior CA. Veja seguintes os resultados nas tabelas 4, 5, 6
e 7.

Tabela 4 - Média dos parâmetros de desempenho aos 21 dias de idade

Farelo de soja 45,5% PB Farelo de soja 48% PB


S FGM 60% C FGM 60% S FGM 60% C FGM 60%
PC 1 (g) 683 681 672 669
CR2 (g) 1084 1081 1067 1061
CA 2(g) 1,59 1,59 1,60 1,59
Tabela 5 - Efeitos principais

FS 45,5% PB FS 48% PB S FGM 60% C FGM 60%

PC (g) 682 670 677 675


CR (g) 1083 a 1064 b 1076 1071
CA (g) 1,59 1,59 1,59 1,59
As medias de CR seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste F (P<0,07)
1
CV = 4,1%; 2CV = 3,2%; 3 CV = 3,2%

Tabela 6 - Média dos parâmetros de desempenho ao final do experimento

F.soja 45,5%PB F.soja 48%PB F.soja 48% PB


S FGM 60% C FGM 60% S FGM 60% C FGM 60%
PC 1 (g) 2257 2251 2258 2262
CR2 (g) 4520 4608 4563 4622
CA 2(g) 2,00 2,05 2,02 2,04

Tabela 7 - Efeitos principias

FS 45,5% PB FS 48% PB S FGM 60% C FGM 60%

PC (g) 2254 2260 2257 2256


CR (g) 4564 4592 4541 b 4615 a
CA (g) 2,02 2,03 2,01 b 2,04 a
As medias de CR seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste F (P<0,03)
1
CV = 2,8%; 2CV = 2,5%;3 CV = 3,2%

Trabalhando com 5 alimentos para poedeiras leves, Rezende (1980) objetivou


determinar os va1ores energéticos e a digestibilidade (leghorn com 30 semanas)
pesando 1600g e 79% de postura média no inicio do experimento. As dietas testes eram
formadas substituindo 40% da ração referencia pelos alimentos a serem testados, entre
eles a FGM 60%. O maior valor de EB entre os alimentos foi observado no FGM 60%
(5562 kcal/kg MS), provavelmente pelo alto tear de PB (60%) e ao baixo tear de MN,
além de apresentar maiores valores de energia. Isto, provavelmente, foi atribuído ao
baixo teor de fibra (0,4%) e ao alto conteúdo de proteína bruta desse alimento de 60%
ou de 68,37% na MS.
Castanon (1990), avaliando a FGM (22%) em dietas para poedeiras leves em
programa de muda forçada, observou que no caso da dieta não isocalórica a inclusão
acima de 25% de FGM na ração das poedeiras na 328 semana de idade resultou em
decréscimo do peso dos ovos. Este fato foi observado quando níveis superiores a 10%
de FGM (22%) foram adicionados em dietas de aves jovens. A adição de FGM (22%)
em dieta não isocalórica também decresceu a ingestão de alimento e a eficiência
alimentar em muitos casos. Também foi observado que a inclusão de 15% de FGM
(22%) em dieta isocalórica não afetou os parâmetros de produção de ovos, mas 25% de
FGM (22%) afetou negativamente a maioria dos parâmetros. Par outro lado, quando a
relação entre EM e proteína das dietas com FGM (22%) foi igual aquela da dieta
controle, a adição de 25% de FGM (22%) afetou negativamente a maioria dos
parâmetros. Com isso níveis de 17,5% de FGM (22%) decresceram a produção de ovos
e eficiência alimentar, e 10% FGM (22%) aumentou a produção de ovos. Já a ingestão
de alimentos foi aumentada em todos os níveis de FGM (22%).

Ovos/ave/dia (%) Peso dos ovos (g) Produção (g/ave/dia)


Dietas Exp1 Exp 2 Exp 1 Exp 2 Exp1 Exp 2
Controle 83,4 ab 80,9 bc 61,4 ab 61,5 a 51,0 abc 49,6 b
+5 84,5 a ------ 60,9 bc ------- 51,3 ab ------
+10 85,1 a 85,4 a 61,6 ab 60,5 b 52,2 a 51,5 a
+15 81,6 bc 84,9 a 60,9 bc 59,8 bc 49,5 c 50,7 ab
+20 83,9 ab 82,9 abc 61,4 ab 59,8 bc 51,4 ab 49,5 bc
+25 83,4 ab 83,9 ab 60,2 c 59,1 cd 50,1 bc 49,6 b
+15** 84,8 a ------ 62,2 a ------ 52,5 a ------
+25** 80,1 c ------ 60,1 c ------ 47,9 d -------
+10*** ------ 84,1 a ------ 60,6 b ------ 50,9 a
+17,5*** ------ 83,2 abc ------ 59,4 cd ------ 49,4 b
+25*** ------ 81,3 c ------ 58,6 d ------- 47,6 c
* controle mais o nível de inclusão de FGM
** dietas isocalóricas com a dieta controle
*** dietas com a relação EM:Proteína = dieta controle
a-d
Valores na coluna com letras distintas diferem ao nível de 5%

Teixeira (1990), trabalhando com 240 pintos machos da linha fêmea de matriz Ross
208, com 7 dias de Idade distribuídos em 5 tratamentos (Ti = Ração basal ; T2 = RB +
5% de protenose; T3 = RB+ 5% farinha de peixe Quaker; T4 = RB + 5% de farinha de
peixe Tripadali e T5 = RB + 2% de farinha de sangue), avaliou o desempenho das aves
no experimento que teve duração de 35 dias. O uso de 5% de farinha de peixe Quaker
melhorou significativamente o ganho de peso e a conversão alimentar (P<0,05). Os
demais tratamentos não obtiveram efeito significativo (P<0,05) sobre o desempenho das
aves e os resultados obtidos são apresentados na tabela 9. Os resultados foram:
T1 T2 T3 T4 T5
Ganho(g) 1317 b 1325 b 1367 a 1319 b 1327 b
Consumo(g) 2460 a 2469 2495 a 2462 a 2488 a
Conversão(g) 1,87 b 1,86 b 1,83 a 1,87 b 1,88 b
a,b: Valores na mesma linha com a mesma letra não diferem significativamente
(P<0,05)

Trabalhando com 144 pintos machos da linha fêmea de matriz Ross 208, Teixeira
(1990) testou a substituição de 50% do milho da ração basal por sorgo, com e sem
acréscimo de 2,5% de protenose, de maneira isocalórica, isolisina, metionina + cistina,
cálcio, fósforo disponível e xantofila. Foram três tratamentos (Ti = RB ; T2 = 50% de
milho do tratamento 1 substituído por sorgo; T3 = 50% de milho do tratamento 1
substituído por sorgo, com 2,5% de protenose). As rações contendo sorgo + protenose
apresentaram conversão alimentar significativamente pior (P<0,05) do que a ração a
base de milho.

Tratamento Ganho (g) Consumo (g) Conversão


Milho 1317 a 2460 a 1,868 a
Sorgo 1283 a 2534 a 1,975 b
Sorgo + protenose 1313 a 2570 a 1,957 b
a,b: Valores na mesma linha com a mesma letra não diferem respectivamente (P<0,05)

Com o objetivo de avaliar o desempenho de frangos de corte Brito (2002), fez a


substituição em níveis crescentes de farelo de gérmen de milho integral na ração inicial
(7 a 21 dias) e de crescimento (22 a 38 dias) em substituição ao milho grão. Neste
experimento foram utilizados quatro tratamentos (0, 33, 67 e 100% de substituição do
milho por farelo de gérmen de milho integral), e quatro repetições de 58 aves cada.
Analisou-se o ganho de peso, o consumo de ração, a conversão alimentar e a
mortalidade, sendo as médias submetidas à analise de regressões. Os resultados
demonstraram que os níveis de 21,63% e de 35,12% de inclusão do farelo de gérmen de
milho integral na ração foram os que proporcionaram o melhor desempenho para a fase
inicial e de crescimento, respectivamente.
Tabela 11 - Índices de desempenho de frangos de corte alimentados com níveis
crescentes de farelo de gérmen de milho em substituição ao milho na fase inicial (7 a 21
dias)
%de substituição GP (g)1 PF (g) CR (g) CA (g/g) 2
0 630,830 778,259 1003,816 1,591
33 676,776 826,724 1025,302 1,515
67 639,297 786,489 1036,017 1,620
100 552,706 702,198 966,084 1,749
1 2
Efeito quadrático Y = 632,493 + 2,183x – 0,030 x
2
Efeito quadrático Y = 1,583 – 0,0291x + 0,000465x2

Tabela 12 - Índices de desempenho de frangos de corte alimentados com níveis


crescentes de farelo de gérmen de milho em substituição ao milho na fase de
crescimento (22 a 38 dias)
%de substituição GP (g) PF (g) CR (g) 1 CA (g/g) 2
0 1281,401 2061,109 2258,466 1,762
33 1246,336 2073,060 2342,026 1,879
67 1266,866 2057,946 2454,726 1,938
100 1269,341 1975,247 2299,066 1,812
1 2
Efeito quadrático Y = 2243,369 + 6,117x – 0,0541 x
2
Efeito quadrático Y = 1,756 – 0,0610x + 0,0005489x2

Trabalhando com 360 pintos de 1 dia de idade da marca comercial Hubbard e Ross,
Freitas (2002A), avaliou o efeito da inclusão de níveis crescentes de refinazil (0,5,10 e
15%) sobre o desempenho produtivo ou seja o peso vivo médio (PVM), o ganho médio
de peso (GMP), o consumo médio de ração (CMR) e a conversão alimentar média
(CAM) de frangos de corte. As rações utilizadas foram isoproteicas (19,14% PB) e
isoenergeticas (2982 kcal/kg). Os resultados aos 42 dias não apresentaram diferenças
significativas (P>0,05) entre as médias de nível de refinazil e de marca comercial sobre
as variáveis: PVM, GMP e CAM (tabela 13).
Tabela 13 - Peso vivo médio (PVM), ganho médio de peso (GMP), consumo médio de
ração (CMR) e conversão alimentar média (CAM), de acordo com o tratamento e a
linhagem.
Variáveis Tratamentos
Linhagens T1 T2 T3 T4 Média
PVM (g) Hubbard 1962 1956 1978 1985 1970 a
Ross 1888 1933 1968 1969 1939 a
Média 1925 a 1945 a 1973 a 1977 a ------
GMP (g) Hubbard 1919 1913 1935 1943 1928 a
Ross 1844 1890 1925 1925 1896 a
Média 1882 a 1901 a 1930 a 1934 a -------
CMR (g) Hubbard 3785 3758 3765 3819 3782 a
Ross 3650 3742 3736 3738 3716 b
Média 3717 a 3750 a 3751 a 3779 a -------
CAM (g/g) Hubbard 1,97 1,99 1,94 1,96 1,97 a
Ross 1,98 1,98 1,94 1,94 1,96 a
Média 1,98 a 1,98 a 1,94 a 1,95 a -------
a,b Para cada variável, médias seguidas da mesma letra, na mesma linha e na mesma
coluna, não diferem (P>0,05) pelo teste de Tukey
T1=0%, T2=5%,T3=10% e T4= 15% de Refinazil.

Trabalhando com 360 pintos de 1 dia de idade da marca comercial Hubbard e Ross,
Freitas (2002B), avaliou o efeito da inclusão de níveis crescentes de refinazil (0, 5, 10 e
15%) sobre os pesos e rendimentos de carcaça e de suas partes (peito, coxas e
sobrecoxas) de frangos de corte. As rações foram isoproteicas (19, 14% PB) e
isoenergeticas (2982 kcal/kg). Os resultados aos 42 dias não apresentaram diferenças
significativas (P>0,05) entre as medias de nível de refinazil para as características
avaliadas. Observou-se um efeito significativo (P<0,05) de peso e rendimento de coxas,
com a marca Hubbard apresentando valores superiores a Ross (Tabela 14).
Longo (2003A) estudou o valor de energia metabolizavel aparente corrigida
(EMAn) de ingredientes protéicos alternativos para frangos de corte na fase pré-inicial,
e avaliou as efeitos da utilização desses Ingredientes na primeira semana de vida de
frangos sabre a desempenho e o desenvolvimento do trato gastrintestinal (TGI). No
ensaio de metabolismo, foram utilizados 288 aves distribuídos por seis tratamentos
(uma dieta referencia e cinco dietas com inclusão dos ingredientes teste). Os
ingredientes foram: o isolado protéico de soja (IS), o ovo em pó (OP), a plasma
sanguíneo (PS), o farelo do glúten do milho (GM) e a levedura seca (LS). Na avaliação
do desempenho e do TGI foram utilizados 624 aves e seis tratamentos. E os tratamentos
foram: 1 - ração basal (RB), 2 - RB + IS, 3 - RB + OP, 4 - RB + PS, 5 -RB + GM, 6 -
RB + LS. As aves foram submetidas aos tratamentos de um a sete dias idade, sendo que
aos um, quatro e sete dias de idade aves foram abatidas para mensurar os órgãos do
TGI. De maneira geral, os desempenhos das aves de um a sete dias de idade foram
afetados pelos diferentes tratamentos, mas de 8 a 21 dias esse efeito dos tratamentos foi
diluído. As diferentes fontes de proteína afetaram o desenvolvimento do TGI, mas esses
efeitos não explicaram o desempenho das aves.
Os resultados destes trabalhos do metabolismo e desempenho de frangos de corte,
estão apresentados nas tabelas 15, 16, 17, 18, 19 e 20, respectivamente.
Longo et al. (2003B) avaliaram os efeitos de diferentes fontes de carboidratos e
proteína, bem como suas misturas, na dieta pré-inicial de frangos de corte sobre o
desempenho e características de carcaça. Foram utilizadas 1260 pintos de 1 dia
distribuídos em nove tratamentos. Os tratamentos foram: 1- dieta testemunha (TES); 2-
dieta com amido de mandioca (AMA); 3 - dietas com sacarose (SAC); 4 -a dieta com
farelo de glúten de milho (GM); 5- dieta com plasma sanguíneo (PS); 6 - GM + SAC; 7
- GM + AMA; 8 - PS + SAC; 9 - PS + AMA. Os dados de desempenho foram
analisados de um a sete, 8 a 21 dias, 22 a 35, 36 a 42 dias. De um a sete dias de idade a
ganho de peso das aves foi afetado pelos tratamentos, sendo que as aves que receberam
o tratamento SAC, apresentaram maior ganho em relação aos tratamentos GM, PS e
GM + SAC. O tratamento AMA promoveu melhor conversão alimentar do que os
tratamentos GM + SAC e PS + SAC. De 8 a 21 dias o tratamento TES resultou em
maior ganho de peso das aves em relação ao GM, a conversão alimentar foi pior para as
aves que receberam o tratamento PS em relação ao tratamento TES. Não houve efeito
de tratamento sobre o consumo de ração das aves nessas duas fases de criação. Após 21
dias de idade não foram observados diferenças no desempenho e os efeitos encontrados
nas bases pré-inicial e inicial não foram suficientes pare afetar a desempenho no período
total de criação, assim como as características da carcaça e a composição química da
carne de perna das aves.
Tabela 14 - Peso vivo médio (PVM), e peso médio da carcaça e de seus cortes nobres, e
rendimento de carcaça em relação ao PVM ao abate, e de seus cortes nobres, em relação
ao peso médio da carcaça, de acordo com o tratamento e a linhagem.

Variáveis Tratamentos
Linhagen T1 T2 T3 T4 Média
s
PVM (g) Hubbard 1959 1953 1944 2009 1996 a
Ross 1921 1907 2049 2017 1973 a
Média 1940 a 1930 a 1996 a 2013 a
Carcaça (g) Hubbard 1292 1314 1300 1344 1313 a
Ross 1312 1276 1366 1337 1323 a
Média 1302 a 1295 a 1333 a 1341 a
Peito (g) Hubbard 356 369 362 369 364 a
Ross 364 368 385 388 376 a
Média 360 a 369 a 374 a 378 a
Coxas(g) Hubbard 193 186 196 198 193 a
Ross 182 182 195 190 187 b
Média 188 a 184 a 196 a 194 a
Sobrecoxas(g) Hubbard 236 244 233 257 243 a
Ross 251 235 255 254 249 a
Média 243 a 240 a 244 a 256 a
Carcaça (%) Hubbard 65,95 67,28 66,87 66,89 66,75 a
Ross 68,29 66,91 66,66 66,28 67,04 a
Média 67,11 a 67,09 a 66,78 a 66,61 a
Peito (%) Hubbard 27,55 28,08 27,84 27,45 27,73 a
Ross 27,74 28,84 28,18 29,02 28,44 a
Média 27,64 a 28,49 a 28,05 a 28,18 a
Coxas (%) Hubbard 14,93 14,15 15,07 14,73 14,72 a
Ross 13,87 14,26 14,27 14,21 14,15 b
Média 14,43 a 14,20 a 14,70 a 14,46 a
Sobrecoxas (%) Hubbard 18,26 18,56 17,92 19,12 18,47 a
Ross 19,13 18,41 18,66 18,99 18,80 a
Média 18,66 a 18,53 a 18,30 a 19,09 a
a,b Médias seguidas de letras diferentes, na mesma coluna, diferem entre si (P<0,05)
T1=0%, T2=5%,T3=10% e T4= 15% de Refinazil.
Freitas (2002B)

Tabela 15 – Valores determinado de MS, EB, PB e EE dos ingredientes.


Ingredientes MS% EB (Kcal/kg) PB% EE%
IS 98,96 4738 81,86 0,47
OP 99,24 5907 54,62 14
OS 97,26 4730 78,44 0,48
GM 94,89 5111 60,17 0,95
LS 93,87 4077 32,12 0,01
Tabela 20 – Desempenho de frangos de corte de 8 a 21 dias de idade alimentados com
diferentes fontes de proteína na fase pré-inicial

Ganho de Consumo de Conversão Uniformidade Viabilidade


peso (g/ave) ração alimentar 21 dias (%) 8 a 21 dias
(g/ave) (g/g) (%)
TES 646,1 914,0 1,42 83,34 97,92
IS 636,3 915,7 1,44 70,83 100
OP 605,4 877,0 1,45 63,89 100
OS 636,1 909,8 1,43 64,59 100
GM 658,3 924,8 1,41 75,00 100
LS 628,9 921,6 1,47 57,39 97,92
CV (%) 4,28 3,07 2,68 19,79 2,42

Estudando a influência da fonte e do nível protéico sobre a digestibilidade in situ da


matéria seca (MS) e da proteína bruta (PB) de uma ração basal com 19,6% PB, Murphy
et al. (1987) determinaram os seguintes coeficientes para o FGM: MS, 72,5% e PB,
70,2%. Resultados semelhantes foram obtidos por Sauer et al. (1989), que utilizaram a
técnica do saco de náilon para determinar a digestibilidade aparente do FGM, para
suínos de 46 kg de peso vivo, encontrando 73,9 +- 1,9 % para a proteína, enquanto o
valor estimado pelo método convencional foi de 70,9+- 2,8%.
Objetivando avaliar química e biologicamente o FGM como alimento
alternativo em rações de suínos, Trindade Neto et al. (1994), desenvolveram dois
ensaios de metabolismo com suínos nas fases de crescimento e terminação. Foi
utilizada uma ração referência composta de milho, farelo de soja, farelo de trigo,
premix mineral, e uma ração teste composta de 70% da dieta referência e 30% do
FGM, na base de MS. Os resultados foram o seguinte:
Parâmetros Crescimento Terminação Média
MSD (%) 59,16 56,85 58,00
PD (%) 18,16 17,24 17,70
Prot. Metab. (%) 16,85 16,80 16,82
CDPB (%) 68,01 64,59 66,30
Coef. Metab. PB (%) 63,10 62,94 63,02
ED (kcal/kg) 3045 3001 3023
EM (kcal/kg) 2788 2785 2786
EM como% da E.abs. 91,56 92,80 92,20
CDE 66,19 65,24 65,72
Coef.Metab.Energ 60,61 60,54 60,56

Não se verificaram diferenças entre os valores de digestibilidade do FGM, nas duas


fases estudadas. Segundo os autores, a baixa digestibilidade do FGM foi evidenciada
pelo maior volume de fezes excretadas pelos animais que receberam a ração teste. A
pior qualidade da ração teste pode ser explicada principalmente, pela qualidade da fibra,
cujo teor de constituintes da parede celular foi de 29,8% de FDN.
De acordo com os autores a não verificação esperada dos resultados de
digestibilidade pode ter decorrido da baixa qualidade biológica do FGM ou,
provavelmente, da adição química residual remanescente no produto durante o
processamento, embora o FGM possa ser considerado como concentrado protéico, por
apresentar mais de 20% de PB e menos de 18% de FB, seu uso na alimentação de suínos
deve ser limitado em razão da baixa digestibilidade e do baixo nível de ED (3023
kcal/kg). Concluíram ainda que o uso do FGM na alimentação de suínos em terminação
deverá ser limitado em função dos valores de energia obtidos.
Trindade Neto et al. (1995) avaliando o desempenho de 50 suínos mestiços, sendo
25 fêmeas e 25 machos castrados, em rações onde o farelo de glúten de milho (FGM)
substituiu 0, 15, 30, 45 e 60% da proteína bruta (PB) da dieta, nas fases de crescimento
(15%PB) e terminação (13,1%PB). Como resultados foram observados que o ganho de
peso e consumo de ração e a conversão alimentar diminuíram linearmente (P<0,01),
com o aumento do FGM, em ambos experimentos, concluindo que os níveis estudados,
o FGM não deve ser utilizado para suínos em crescimento e terminação.

Tabela 26 - Desempenho dos suínos alimentados com FGM, na fase de crescimento


Parâmetros Nível de substituição da PB pela proteína do FGM(%)
avaliados
0 15 30 45
PMI (kg) 19,67 19,44 19,63 19,71
PMF (kg) 66,30 61,86 35,64 26,63
GPMD (kg)1 0,83 0,76 0,28 0,12
1
CRMD(kg) 2,26 2,16 1,16 0,79
1
CA 2,72 2,84 4,15 6,62
1
Efeito linear (P<0,01)

Tabela 27 - Desempenho dos suínos alimentados com FGM, na fase de terminação


Parâmetros Nível de substituição da PB pela proteína do FGM(%)
avaliados
0 15 30 45 60
PMI (kg) 61,36 62,13 61,46 62,42 64,84
PMF (kg) 97,26 88,64 75,75 66,19 67,93
1
GPMD (kg) 0,854 0,631 0,340 0,089 0,073
CRMD(kg)1 2,96 2,45 1,99 1,31 1,33
1
CA 3,47 3,91 6,02 13,73 13,96
1
Efeito linear (P<0,01)
Rezende et al. (1980) trabalharam com 5 alimentos para suínos diferentes idades
objetivando determinar os valores energéticos e a digestibilidade, realizaram dois
ensaios biológicos com suínos mestiços castrados. O farelo de glúten de milho FGM
(60%) substituiu 30% (na base de MS) da dieta referência. Os animais apresentaram
respectivamente nos períodos os seguintes pesos: 23,5; 40,6 e 64 kg.

Tabela 28 - Matéria seca digestível e balanço da energia e da proteína do FGM (60%)


Alimento Período2 MSD% ED EM EMC EM CDa PD %
kcal/kg kcal/kg kcal/kg %abs PB%
FGM 1 90,9 a 5164 a 4494 4311 87,0 97,7 a 66,8
60% 2 97,3 b 5422 b 4757 4610 87,7 98,5 a 67,3
3 87,9 a 5393 b 4682 4568 86,8 99,3 a 67,9
Médias 92,0 5326 4644 4496 87,2 98,5 67,3
1
Dados expressos na base MS
2
Pesos médios dos suínos nos períodos 1,2 e 3 = 23,4; 40,6 e 64,0 kg;
3
Médias de uma mesma coluna com letras diferentes diferem entre si (P<0,05)- Teste
Duncan

Trabalhando com FGM contendo 20,5% de PB, para suínos a partir de 57 kg de PV


submetidos a 4 níveis de inclusão de FGM (0,10,20 e 40%), Cromwell et al. (1987),
concluíram que a inclusão de FGM resultou em uma redução quadrática do ganho
(P<0,01) e eficiência de utilização de alimento (P<0,05). A adição de lisina e ou
triptofano para o nível de inclusão de FGM 40% não foi suficiente para melhorar
performance, sugerindo que a redução da performance de suínos alimentados com dietas
com 20-40% de FGM não foi verdadeira para deficiência de lisina e triptofano. O FGM
supriu 60% a 80% dos níveis totais de lisina e triptofano da dieta. Embora as dietas
tenham sido calculadas para ser isolisínicas, isotriptofânicas e isoenergéticas (3200 kcal
EM/kg), os suínos alimentados com FGM cresceram mais lentamente (690 vs 822) e
menos eficientemente (4,30 vs 3,51). A performance inferior pode ter resultado de um
alto nível de FDN ou de uma reduzida disponibilidade de lisina e/ou triptofano no FGM.
Já Jones e Easter (1987) avaliando o efeito da alimentação com dietas a base de
FGM em marrãs e porcas em gestação na performance reprodutiva e produção de leite,
utilizando FGM para avaliar o efeito da dieta de gestação (dieta 1 = M+FS, dieta 2 =
M+FGM suplementada com 0,05% DL-triptofano) e sobre parição; na gestação,
lactação e performance dos leitões. As dietas forneceram a mesma quantidade de lisina
(10,2g), triptofano (2,2g), e EM (648 kcal) animal/dia. Os autores não observaram
diferenças nos diversos parâmetros avaliados com dietas a base de milho FGM
suplementadas com triptofano, apresentando igual performance àquelas alimentadas
com dietas a base de FS+M.

União Européia x Glúten de milho

A Comissão Européia proibiu as importações do glúten de milho produzido nos


Estados Unidos devido a uma variedade não autorizada de milho transgênico. A
proibição do glúten de milho, processado para a produção de ração, afetará anualmente
a importação de 3,5 milhões de toneladas dos EUA. Outra medida que poderá ser
cogitada caso seja considerada necessária, será a imposição da suspensão das
importações de ração e de animais alimentados com ração à base de glúten de milho
provenientes de qualquer país.

Conclusões

O farelo de glúten de milho pode ser utilizado na alimentação de peixes e aves como
fonte suplementar de proteína ou pigmentação, uma vez que as indústrias beneficiadoras
de milho produzem grandes quantidades desse produto anualmente.
Além disso, a entrada no mercado dos aminoácidos sintéticos potencializa
nutricionalmente e economicamente o uso dos alimentos alternativos. No entanto,
devido ao seu alto custo deve ser utilizado principalmente para dietas especiais.
A utilização de FGM para suínos representa aumento de utilização de alimentos e de
custos sem representar melhorias de produtividade. Portanto mais pesquisas são
necessárias para se definir quais são os níveis ideais de inclusão do glúten de milho nas
rações das diferentes categorias de suínos e aves, minimizando assim os custos inerentes
à alimentação.

5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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