Introdução
Contexto e Descrição do Problema
Moçambique é um país de baixa renda com uma população de cerca de 33 milhões
de habitantes em 2024. O Sistema Nacional de Saúde enfrenta importantes
desafios associados ao estado de desenvolvimento do país, com especial
destaque para o triplo fardo da doença, crescimento demográfico, iniquidades no
acesso aos serviços de saúde, urbanização desordenada, mudanças climáticas,
verticalização das intervenções programáticas, disponibilidade, distribuição e
motivação de recursos humanos e insuficiente financiamento. Estes desafios
exigem constante adaptação e resiliência do Serviço Nacional de Saúde.
Para assegurar a saúde e o bem-estar dos moçambicanos, o país está engajado
no alcance das metas dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e
da Cobertura Universal de Saúde (UHC).
Desde a independência nacional em 1975, o país alcançou notáveis progressos
no sector de Saúde, com destaque para a expansão da rede sanitária, incremento
da força de trabalho, modernização tecnológica, diversificação do pacote de
serviços a todos os níveis, melhoria de indicadores-chave de saúde e de cobertura
de intervenções programáticas, entre outros. Estes ganhos estabelecem uma
base sólida rumo ao alcance dos ODS e UHC.
Tabela 1: Indicadores demográficos e de pobreza em Moçambique, 1974-2020.
1974 1984 1990 2003 2013 2020
População (em milhões) 9,4 12,4 13,3 19,2 25,2 31,2
População rural 8,4 (89,4) 10,3 (83,1) 10,0 (75,2) 13,5 (70,3) 16,8 (66,7) 19,6 (62,8)
(% total)
População rural (% total) 3,03 2,14 1,64 2,60 3,07 2,90
% da população vivendo abaixo da 54,1 46,1
linha de pobreza nacional (2002) (2014)
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE), Data Bank Health Nutrition and Population Statistics –
Banco Mundial.
Uma série histórica de 1974 a 2020 indica que neste período a população
moçambicana mais que triplicou (Tabela 1). No mesmo período, foi registado um
incremento significativo na esperança de vida média e uma redução assinalável
da mortalidade materna, infantil e neonatal, e da prevalência de atraso de
crescimento (Tabela 2).
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Tabela 2: Indicadores demográficos e de pobreza em Moçambique, 1974-2020.
1974 1984 1990 2003 2013 2020
Esperança de vida média à nascença 42,1 38,4 44,5 50,9 56,5 61,1
(anos)
Taxa de fecundidade (número filhos) 6,7 6,4 6,2 5,7 5,3 4,7
Mortalidade materna (por 100 000 .. .. .. 442 241 233
nados vivos)
Mortalidade da criança menor de 5 272 264 246 145 92 72
anos (por 1.000 nados vivos)
Mortalidade infantil (por 1 000 nados 181,5 176,1 163,3 94,8 63,4 52,5
vivos)
Mortalidade neonatal (por 1 000 .. 64,5 62,0 41,9 32,4 28,1
nados vivos)
Prevalência de atraso de crescimento, .. .. .. 47,1 42,2 37,7
altura para a idade (% de crianças
com menos de 5 anos)
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE), DataBank Health Nutrition and Population Statistics – Banco Mundial.
Este progresso é em grande medida resultado da adopção de políticas favoráveis
pelo governo. Por exemplo, a política de saúde de Moçambique determina que
os serviços essenciais de saúde são gratuitos como forma de eliminar barreiras
no acesso aos mesmos. O impacto do sucesso das políticas sanitárias favoreceu
as transições demográfica e epidemiológica em curso, trazendo, no entanto,
novos desafios.
O facto de o país registar progressos assinaláveis num contexto de desafios
substanciais, indica que Moçambique se encontra num momento histórico crítico,
com uma janela de oportunidade ímpar para realizar reformas estruturantes e
aumentar os investimentos no Sistema Nacional de Saúde. Desta forma, o país
poderá prosseguir de maneira sustentável para o alcance das metas dos ODS e
da UHC.
Para orientar a realização de reformas e investimentos estruturantes rumo ao
alcance dos ODS e UHC, o País necessita de evidência, apresentada de forma
simples e didática, sobre o desempenho do sistema ao longo do tempo e seus
desafios actuais e futuros. A presente análise histórica sobre o sistema de saúde
pretende servir de base científica para a planificação de acções estratégicas a
serem implementadas no período até 2030.
O documento está organizado em dez capítulos: (i) introdução, que apresenta
um breve contexto que sustenta o documento, descreve o problema e apresenta
os objectivos do documento; (ii) metodologia, que descreve o desenho das
análises, as fontes de dados e os métodos analíticos usados. (iii-viii) seis capítulos
de resultados, que descrevem os achados por bloco do sistema de saúde,
identificando os progressos, desafios e oportunidades; (ix) conclusões; e (x)
acções estratégicas, que descreve um conjunto de acções a nível do sistema
nacional de saúde para o alcance das metas dos ODS e da UHC.